sábado, 30 de abril de 2016

COMO NASCEM, VIVEM E MORREM AS ESTRELAS?


A existência de um astro, que dura de 100 milhões a 1 trilhão de anos, passa por três fases: nascimento, meia-idade e maturidade. "Todas as estrelas nascem da mesma forma: pela união de gases", diz o astrônomo Roberto Boczko, da Universidade de São Paulo (USP). Partículas de gás (geralmente hidrogênio) soltas no Universo vão se concentrando devido às forças gravitacionais que puxam umas contra as outras. Formam, assim, uma gigantesca nuvem de gás que se transforma em estrela - isto é, um corpo celeste que emite luz.

A gravidade espreme essa massa gasosa a tal ponto que funde os átomos em seu interior.  Essa fusão é uma reação atômica que transforma hidrogênio em hélio, gerando grande quantidade de calor e de luz. Um exemplo de estrela jovem são as Plêiades, na Via Láctea, resultado de fusões que começaram há poucos milhões de anos.

Durante a meia-idade - cerca de 90% da sua existência -, a estrela permanece  em estado de equilíbrio. Seu brilho e tamanho variam pouco, ocorrendo apenas uma ligeira contração. É o caso do Sol, que, com 4,5 bilhões de anos, se encontra nessa fase intermediária de sua existência, sofrendo mínima condensação.

Quando a maior parte do hidrogênio que a compõe se esgota, a estrela entra na maturidade - este sim, um período de drásticas transformações. Praticamente todo o hidrogênio do núcleo já se converteu em hélio. Com isso, diminui a fusão entre as moléculas de gás e começa um período de contração e aquecimento violentos no corpo celeste. A quantidade de calor e luz gerados é tão grande que o movimento se inverte: o astro passa a se expandir rapidamente. Seu raio chega a aumentar 50 vezes e o calor se dilui. A estrela vira uma gigante vermelha. Um exemplo é Antares, na constelação de Escorpião - uma amostra de como ficará o Sol daqui a 4,5 bilhões de anos, engolindo todo o Sistema Solar.

Já na maturidade, a falta de hidrogênio torna-se crítica. Apesar da rápida expansão, a fusão entre os gases diminui continuamente: o astro caminha para seu fim. O modo como ele morrerá depende da sua massa. Se ela for até duas vezes a do Sol, sua contração transformará o corpo celeste em um pequeno astro moribundo, cuja gravidade já não consegue segurar os gases da periferia. Mas se a massa for de duas a três vezes a do Sol, a contração final será muito forte, criando um corpo celeste extremamente denso chamado pulsar, ou estrela de nêutrons. Quando a massa é maior, a condensação final é mais violenta ainda e o núcleo do antigo astro vira um buraco negro - sua densidade é tão alta que ele não deixa nem a luz escapar. Simultaneamente, os gases da camada mais periférica dessa estrela se transformam em uma supernova - massa de gás que brilha por pouco tempo até sumir de uma vez por todas.


A massa da criação celestial


Nascimento
Todo o Universo está cheio de moléculas de gases dispersas. Elas atraem umas às outras e, ao atingirem uma certa massa, dão origem às estrelas



Juventude
Numa estrela nova, os gases (principalmente hidrogênio) encontram-se mais dispersos na periferia, mas extremamente condensados no centro. Essa concentração é tão grande que os átomos de hidrogênio se fundem, dando origem a átomos de hélio e liberando grande quantidade de calor



Maturidade
Quando a maior parte do hidrogênio se esgota, a estrela entra em sua fase de vida final. Segue-se um período de violenta retração, após o qual ela se expande drasticamente, aumentando várias vezes o seu tamanho

Três faces da morte

1. Se a massa da estrela for até duas vezes a do Sol, sua contração transformará a estrela em uma anã branca, pequeno astro moribundo, 100 vezes menor que seu tamanho original


2. Se a massa for duas a três vezes a do Sol, sua contração será tão violenta que as partículas de gás tornam-se nêutrons. O resultado é a chamada estrela de nêutrons, o segundo corpo celeste mais denso do Universo



3. Se a massa da estrela for três vezes maior que a do Sol, sua contração final será tão violenta que o núcleo transforma-se num buraco negro, o corpo celeste mais denso que se conhece. Enquanto isso, os gases periféricos dão origem a uma supernova, massa gasosa que brilha por pouco tempo e logo desaparece


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sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Gesto Primordial






"A construção da arte da gravura se faz sulcando, retirando, e não acrescentando. O que me interessa mesmo é o sulco", declara Maria Bonomi, uma das maiores gravuristas da história da arte brasileira. "O sulco vai para qualquer suporte: a xilogravura, a gravura em metal, a gravura em placas de concreto", diz. Quanto mais acumula premiações - e Bonomi acaba de ganhar o Prêmio Santista 1997, consagração maior na categoria gravura - mais ela parece disposta a simplificar as definições para seu sofisticado trabalho.

Nascida em Meina, na Itália, em 1935, Bonomi naturalizou-se brasileira em 1958, depois de viver e trabalhar em Nova York por dois anos. Sua história se liga à história da evolução e da maturidade da gravura brasileira, que se solidifica com o trabalho de seus mestres, Livio Abramo, Goeldi, Lasar Segall, e se expande com suas novas pesquisas. "Gravura pode ser muita coisa; meu trabalho pode fluir para muitas áreas, mas acaba sendo um só", explica.

A versatilidade da artista é visível ao primeiro contato com sua casa-atelier, que fica no Morumbi, em São Paulo. No espaço amplo, apenas um dos cômodos fica reservado à área íntima. Todo o resto da casa esconde salas e estúdios repletos de pedaços de madeira, matrizes de xilogravura, tintas, computadores, uma oficina de barro com um pequeno forno. São vários pequenos mundos reunidos no universo múltiplo da gravura.

Nesse momento, Bonomi prepara três grandes painéis de concreto, feitos para empresas. Ao lado do gravador, José Carlos Paula, que também assina com ela vários trabalhos, a artista realiza grandes xilos, gravadas e tintadas com esmerado apuro artesanal. Outra atividade concomitante: o design gráfico do livro de comemoração dos 23 anos de Ballet Stagium, que ela desenvolve em computador. E as maquetes e moldes, feitos em barro, para a futura estação do metrô Jardim São Paulo, no Centro Cultural Mário de Andrade. Aqui, ela baseia sua obra no poema Manhã, do próprio Mário de Andrade, buscando fazer uma leitura da capital paulistana.

Mas a grande paixão é mesmo a xilogravura. "Ela nunca mente: ali cada sulco se revela. Contém o gesto primordial", conclui, erguendo seu buril.



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quinta-feira, 28 de abril de 2016

DEU A LOUCA NOS NEURÔNIOS





Você já sentiu vontade de dizer palavrões no meio da sala de aula ou no escritório? Provavelmente, você segurou o impulso e ficou calado, para não acabar sendo expulso ou despedido do emprego. Sorte sua. Porque pessoas diagnosticadas com síndrome de Tourette - um distúrbio neurológico que se manifesta por tiques vocais e motores involuntários - não têm o mesmo autocontrole. Na hora que a vontade de falar palavrões aparece, não há quase nada que elas possam fazer para impedir.

Nas enciclopédias de medicina, a síndrome de Tourette é apenas uma das doenças neurológicas que apresentam sintomas esquisitos. Um rapaz com a síndrome de Klüver-Bucy, por exemplo, pode ter ímpetos de fazer sexo com postes ou calçadas. Uma garota com coréia de Sydenham, que provoca espasmos nos braços e nas pernas, pode dar a impressão de estar dançando freneticamente em situações nada apropriadas para coreografias. Quem tem narcolepsia dorme sentado, de uma hora para outra, durante uma reunião importante ou enquanto conversa com um amigo. E quem tem frangofilia pode destruir em pouco tempo móveis, roupas, travesseiros, colchões e qualquer objeto que estiver por perto.
Além dos sintomas, os doentes se vêem obrigados a lutar contra o estigma social de que são vítimas. Já pensou no embaraço dessa gente, na maioria das vezes estudantes e profissionais tão competentes quanto colegas saudáveis? É bem possível que você, ao ser pego de surpresa por alguém com algum desses sintomas, tivesse vontade de rir - uma reação bem compreensível. Mas não dá para ser preconceituoso e achar que está lidando com malucos. Nas próximas páginas, você vai conhecer um pouco mais sobre algumas das patologias que apresentam sintomas para lá de esquisitos e fazem pessoas comuns se sentirem estranhas e inadequadas no seu dia-a-dia.



METRALHADORA DE PALAVRÕES


Em 1825, a marquesa de Dampierre, uma nobre de 26 anos, impressionava a todos pela inteligência e pela ousadia. Ela costumava rechear seus discursos sobre as artes na França com palavras tão elegantes quanto "merda" e "porco imundo". "Mudava bruscamente seu comportamento. Latia e dizia obscenidades. Parecia possuída pelo diabo", escreveu o neurologista francês Gilles de la Tourette em 1883, quando descreveu - e batizou - a síndrome.

A marquesa foi o primeiro caso de síndrome de Tourette descrito pela medicina. Naquela época considerava-se que a coprolalia (o impulso de dizer palavrões) era seu sintoma mais comum. Hoje, já se sabe que ela é rara. "Para um diagnóstico positivo, é preciso que um tique motor acompanhe um tique fônico", afirma a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, da Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

A síndrome pode ter vários sintomas. Alguns simples - como piscar os olhos, repuxar a cabeça, encolher os ombros e fazer caretas - e outros complexos - pular, tocar coisas e pessoas, cheirar, retorcer-se e pronunciar palavras fora do contexto. Tudo num impulso incontrolável. O distúrbio costuma começar antes dos 10 anos, ocorre mais nos meninos que nas meninas e tende a ficar menos intenso com o tempo. Ainda sem cura, é tratado com medicamentos - nos casos mais graves - e técnicas de psicoterapia e modificação de comportamentos.



SÍNDROME DE BAILARINO


Em grego, coréia significa dança. Pela tradição, já dá para ter idéia de uma das características da coréia de Sydenham: movimentos involuntários nos braços e nas pernas que lembram coreografias. Um dos principais sintomas da febre reumática, esse distúrbio se desenvolve quando as lesões da doença atingem o sistema nervoso. "Ele dura de algumas semanas até dois anos", diz o psiquiatra Marcelo Zappitelli, da Escola Paulista de Medicina, que descreveu casos de pacientes com Sydenham em sua tese de mestrado.

Em geral, as vítimas são meninas em idade escolar, como Leilani, uma americana de 7 anos, incapaz de controlar os movimentos do próprio corpo. A menina parecia dançar desajeitadamente em momentos impróprios e escrevia as lições da escola com garranchos incompreensíveis quando a mãe percebeu o problema e ela foi diagnosticada com a coréia. As reações do paciente podem ser tão embaraçosas que a família de Leilani resolveu criar um site para instruir pessoas passando pela mesma situação.

Outros sintomas da coréia são voz baixa, fraqueza muscular e ansiedade ou comportamento obsessivos-compulsivos. A boa notícia é que o distúrbio se tornou mais raro na era dos antibióticos, que atacam infecções causadas por bactérias, justamente a origem do problema. Em paises em desenvolvimento, por exemplo, a incidência da febre reumática é de um caso em mil, sendo que a coréia só aparece em cerca de 30% desses pacientes.



O AMOR É CEGO. OS IMPULSOS SEXUAIS TAMBÉM


A história é contada pela jornalista inglesa Rita Carter, em O Livro de Ouro da Mente - O Funcionamento e os Mistérios do Cérebro Humano. Um homem foi preso ao ser flagrado fazendo sexo com a calçada. Antes que fosse internado como pervertido, diagnosticou-se que ele sofria da síndrome de Klüver-Bucy, um distúrbio neurológico com origem na amígdala - não a que inflama quando você tem dor de garganta, mas uma estrutura no cérebro do tamanho de uma noz, que identifica situações de medo e agressividade.

A síndrome provoca comportamentos anti-sociais. A pessoa perde a habilidade de reconhecer objetos, a capacidade de perceber o perigo e a seleção sexual. Assim, não vê problema algum em aliviar seus impulsos carnais junto a um poste na avenida mais movimentada da cidade. Também tende a colocar na boca tudo o que estiver pela frente, desde alimento até cabelos.

A doença foi descrita pelo alemão Heinrich Klüver e pelo americano Paul Clancy Bucy, em 1939. Os dois médicos estudaram o comportamento de macacos Rhesus sem o tal pedaço do cérebro. No homem, a síndrome pode aparecer depois de traumatismo craniencefálico, encefalite, tumores localizados ou outras lesões adquiridas. O dano à amígdala em geral é irreversível e os sintomas são controlados com medicamentos e técnicas de controle comportamental, explica o neurologista Charles André, professor da UFRJ.



HORA DA SESTA


De uma hora para outra, em plena reunião com o chefe, o cara pega no sono. Certamente ele seria demitido se ninguém soubesse que tem narcolepsia, um distúrbio que provoca sonolência excessiva em homens e mulheres e surge quase sempre na adolescência. Os cochilos acontecem sem aviso e não é preciso estar sentado ou deitado. Mesmo em pé, o portador de narcolepsia adormece por períodos de 10 a 20 minutos. Nesse caso, ele fica com a musculatura mole e cai. Para quem vê, parece um desmaio.

A narcolepsia costuma atacar em situações bem parecidas com aquelas em que pessoas saudáveis sentem sono: depois do almoço ou durante atividades entediantes. Outro sintoma do distúrbio são as alucinações hipnagógicas, sonhos muito reais que podem ser confundidos com esquizofrenia.

O tratamento para a narcolepsia usa remédios estimulantes, para manter o doente acordado, ou hipnóticos, para melhorar o sono a noite. Os antidepressivos evitam a cataplexia, aquela moleza nos músculos que termina em queda. Segundo o médico José Roberto Santiago Barreto, do Laboratório de Sono do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o distúrbio afeta 0,78% da população. Uma taxa baixa, comparada a outras doenças do sono, como a insônia (45%) e a sonolência (15% a 30%). As causas da narcolepsia ainda são desconhecidas, mas o diagnóstico é possível com um exame chamado Teste de Múltiplas Latências do Sono.



INSTINTO DE DESTRUIÇÃO


Tire tudo de perto. Uma pessoa com impulso de frangofilia é capaz de pôr toda a casa abaixo. Ela dirige sua raiva contra roupas, toalhas, travesseiros, colchões, móveis e objetos de decoração. A quebradeira tem diversas explicações psiquiátricas. Algumas vezes é uma expressão de hostilidade ativa e incontida ao mundo material (no caso de pacientes com transtorno afetivo bipolar, agitação catatônica, estados demenciais senis e pré-senis e oligofrenia - escassez de desenvolvimento mental.

Em outros casos - personalidades desajustadas, imaturas, explosivas e paranóides - a explicação aparece no que os médicos chamam de deslocamento afetivo. O indivíduo fica nutrindo sentimentos de humilhação e vingança e, instantes depois, tem explosões incontroláveis. Como não pode, ou não quer, atingir diretamente a pessoa que o humilhou, por covardia moral ou desvantagem física, ele descarrega a agressividade nos objetos que estiverem à sua volta ou rasgando as roupas que estão no próprio corpo.

A frangofilia não é uma doença, mas um impulso patológico, assim como a piromania (produzir incêndios), dromomania ou poriomania (fuga e correria súbitas e precipitadas), toxicofilia (uso abusivo de drogas), dipsomania (uso abusivo de bebidas, alcoólicas ou não) e cleptomania (furtos). Todos eles se caracterizam por um estado súbito, explosivo, instantâneo, fulminante. E capaz de deixar qualquer um morrendo de vergonha quando o impulso passa.




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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Palavra do Dia: Antagonista

n adjetivo e substantivo de dois gêneros
1 que ou o que age em sentido oposto; opositor
2 que ou aquele que é contra alguém ou contra alguma coisa; adversário
3 Rubrica: anatomia geral.
que ou o que, numa mesma região anatômica ou função fisiológica, trabalha em sentido contrário (diz-se de músculo)
4 Rubrica: odontologia.
que se articula em oposição (diz-se de ou qualquer dente em relação ao da maxila oposta)
5 Rubrica: farmacologia.
que ou o que tende a anular a ação de outro agente (diz-se de agente, medicamento etc.)
n adjetivo de dois gêneros
6 relativo a antagonismo
7 Rubrica: medicina.
que realiza movimento contrário ou oposto a outro (diz-se de músculo)

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terça-feira, 26 de abril de 2016

FILHO DE PEIXE




O International Center of Photography de Nova York (1130 5th. Ave. 10128) exibe,  obras de Brett Weston, filho e discípulo de Edward Weston. O foco da mostra são 75 trabalhos que o fotógrafo fez em Nova York entre 1943 e 1945, quando servia em funções burocráticas do Exército e fotografava nas horas vagas. Seu interesse por composições e texturas abstratas o levou a metamorfosear, através da câmara, os detalhes do mundo exterior. Sua cidade aparece transfigurada em fragmentos muitas vezes irreconhecíveis. "A forma encontra-se em todos os âmbitos da natureza, caótica, muitas vezes explosiva. Conhecimento da forma pode ser uma coisa perigosa: é tão fácil estilizá-la e corrompê-la", afirmou Brett.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

O QUE É MARÉ VERMELHA?



Trata-se da proliferação excessiva de algumas espécies de algas tóxicas, muitas delas de cor avermelhada, que ocorre ocasionalmente nos mares de todo o planeta. Quando isso acontece, grandes manchas vermelhas são vistas na superfície da água. "Na costa brasileira esse fenômeno pode acontecer, porém, a maré vermelha provocada por algas tóxicas não é comum", afirma a bióloga Maria do Carmo Carvalho, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Em geral, essas plantas são encontradas em grandes profundidades abaixo da superfície. Em algumas situações peculiares, como mudanças de temperatura, alteração na salinidade e despejo de esgoto nas águas do mar, elas se multiplicam rapidamente e sobem para a superfície. Ali, liberam toxinas que matam um grande número de peixes, mariscos e outros elementos da fauna marinha.

"Os seres contaminados por essas toxinas tornam-se impróprios para o consumo humano", diz a bióloga. A ingestão de alimentos contaminados causa dormência na boca, perturbações gastrintestinais e pode até matar.










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domingo, 24 de abril de 2016

A ENERGIA DOS RAIOS PODE SER APROVEITADA?


Não existe ainda uma tecnologia capaz de armazenar a energia dos raios para aproveitá-la depois. Mesmo que existisse, talvez não valesse a pena. A energia que um raio transfere da nuvem para a terra tem em torno de 500 quilowatts. Se você olhar a conta de luz da sua casa, verá que isso é pouco mais do que se consome em um mês.

"Talvez, no futuro, seja possível lançar mão de uma torre para captar raios e alimentar um sítio ou uma fazenda", diz o meteorologista Osmar Pinto Júnior, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. "Isso poderá ser feito principalmente em regiões com alta incidência de relâmpagos, ou seja, mais de cinco faíscas por quilômetro quadrado por ano", afirma Osmar.

Ainda assim, será necessário estudar bem se o custo da montagem do equipamento compensa o benefício. Mesmo se fosse possível capturar todos os relâmpagos que caem em uma cidade como São Paulo (de 5 000 a 10 000 por ano) - por meio de milhares de torres ou pára-raios -, a energia capturada seria suficiente para alimentar no máximo 600 residências. Ou seja, não valeria a pena.

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sábado, 23 de abril de 2016

Islândia


1 INTRODUÇÃO
Islândia, república insular, situada imediatamente abaixo do Círculo Polar Ártico, no norte do oceano Atlântico, a cerca de 300 km a sudeste da Groenlândia, 800 km a noroeste da Escócia e a aproximadamente 1.000 km a oeste da Noruega. Sua superfície é de 103.000 km2. A capital é Reykjavik.

2 TERRITÓRIO
A Islândia possui uma costa muito irregular, especialmente a oeste e a norte. Geologicamente, o terreno é de origem vulcânica recente e, em sua maior parte, é formado por planaltos de lava.
Quase 15% da superfície é coberta por neves eternas e glaciares. Vatnajökull (ou glaciar Vatna), no sudeste, é o maior dos mais de 120 glaciares da ilha. Possui também um grande número de pequenos lagos e rios com corredeiras, de origem glaciar.
Encontra-se em uma das principais falhas da crosta terrestre, a dorsal média atlântica. Por conseguinte, é um dos lugares da terra mais ativos do ponto de vista tectônico e, por isso, há um grande número de vulcões (entre os mais de 200, destacam-se o monte Hekla e o Laki), de mananciais de águas termais, de gêiseres (destaca-se o Geysir) e de solfataras. (ver Tectônica de placas).
Possui um clima oceânico frio, moderado pela corrente norte-atlântica (prolongação da corrente do Golfo).

3 POPULAÇÃO E GOVERNO
A população é muito homogênea, quase totalmente de origem nórdica e celta. Em 2001, a população total é de 277.906 habitantes e a densidade éa de 2,7 hab/km2.
Reikjavik, a capital, tem 101.850 habitantes (1993). Outras cidades importantes são Akureyri, com14.665 habitantes (1992), Kópavogur, com 16.832 habitantes e Hafnarfjördur, com 16.107 habitantes.
O luteranismo é a religião oficial do país, à qual pertencem mais de 93% dos islandeses. Entretanto, há uma completa liberdade religiosa. O idioma é o islandês; a maioria dos habitantes fala, pelo menos, uma língua estrangeira, em especial o inglês. (ver Língua islandesa; Literatura islandesa).
A Islândia é governada pela Constituição de 1944. O chefe de Estado é o presidente, que é eleito por sufrágio universal. A Constituição confere o poder executivo ao presidente e a um conselho de ministros, dirigido por um primeiro-ministro. O órgão legislativo é o Althing.

4 ECONOMIA
Em 1999, o produto interno bruto foi de 8,8 bilhões de dólares, cerca de 31.770 dólares per capita. A unidade monetária é a króna (coroa).
Menos de 1% da superfície agrária é cultivada. A partir de 1945, entretanto, houve uma grande expansão da produção de flores, plantas exóticas e verduras em estufas aquecidas por energia geotérmica. Cerca de 20% do terreno é apropriado para pastos, o que faz da criação de gado uma importante atividade econômica.
As indústrias mais importantes são a pesca e a transformação do pescado. A Islândia ocupa o primeiro lugar na pesca do bacalhau e do arenque, o que corresponde a quase dois terços das capturas mundiais.

5 HISTÓRIA
A ilha não foi colonizada até 870. O viking norueguês Ingolfr Arnalson e sua mulher foram os primeiros colonizadores permanentes, em 874. Durante os 60 anos seguintes, outros colonizadores chegaram à ilha a partir da Noruega, de outros países nórdicos e das ilhas Britânicas. Por volta de 930, foi criado o Althing, assembléia de homens livres, que atuava como órgão do governo.
Os poderes legislativo e judicial eram exercidos pelo Althing, às vezes assistidos pelos godi, poderosos chefes religiosos que, na prática, constituíam a classe dirigente. No final do século X, os islandeses colonizaram a Groenlândia e, no início do século XI, Leif Eriksson chegou ao continente americano.
O cristianismo foi adotado no século X e, em 1000, o Althing obrigou todos os islandeses a se converterem. O aparecimento da Igreja desestabilizou a autoridade secular, minou a antiga estrutura de poder e possibilitou a irrupção de potências estrangeiras. Em 1262, o rei Haakon IV o Velho da Noruega foi reconhecido como rei pelos islandeses.
O domínio norueguês trouxe consigo uma forte decadência islandesa, tendência que se manteve quando a Islândia acompanhou a Noruega em sua união com a Dinamarca, em 1830, na qual buscava expandir a navegação e o comércio. De forma gradual, a coroa dinamarquesa reduziu suas atividades comerciais na Islândia e, em meados do século XVI, havia expulsado quase todos os comerciantes estrangeiros. A partir de 1540, apesar da forte resistência, o luteranismo foi imposto na ilha. Em 1602, foi estabelecido o monopólio dinamarquês sobre o comércio da Islândia. A longo prazo, o sistema de opressão econômica reduziu a Islândia à miséria.
Em 1661, o rei Frederico III implantou a monarquia absoluta, que teve, como conseqüência, a anulação dos poderes do Althing.
No século XIX, os movimentos nacionalistas começaram a exigir a independência. Nesse conflito, o político Jón Sigurdsson desempenhou um importante papel. Em 1843, o Althing foi restabelecido e o comércio, aberto a todas as nações. Vinte anos depois, foi promulgada uma constituição.
Em 1904, a Islândia conquistou a sua autonomia e, em 1918, foi reconhecida como um Estado independente, unida apenas nominalmente à Coroa dinamarquesa. Segundo o Tratado de União, qualquer um dos dois estados teria o direito de revogar o acordo depois de 25 anos. Em 1944, foi proclamada a República da Islândia, da qual Sveinn Bjornsson foi o primeiro presidente.
A ampliação de suas águas territoriais de 4 para 200 milhas náuticas (de 7 a 370 km) em fases sucessivas (1964, 1972, 1975) provocou conflitos com o governo britânico, que respondeu com o envio de navios de guerra para proteger seus barcos pesqueiros nas águas em conflito; as chamadas “guerras do bacalhau” duraram até 1976, quando os britânicos aceitaram o novo limite.
A política islandesa tem-se caracterizado desde 1918 pelos governos de coalizão. A presidenta Vigdís Finnbogadóttir foi a primeira mulher no mundo a se tornar chefe de Estado eleita por sufrágio universal.


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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Nau


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quinta-feira, 21 de abril de 2016

ANTENAS DA NOVA SENSIBILIDADE






Uma certa atitude de contar histórias caracteriza as artes no final do século 20. Entram em cena as palavras de ordem como globalização e multiculturalismo, entram em cena a Aids, a clonagem genética, os aparatos virtuais. Sai de cena o comunismo, caem o muro de Berlim e a organização do mundo em dois grandes blocos equilibrados numa Guerra Fria. Entra em cena uma nova guerra étnica - a Guerra da Bósnia - e o mundo se reescreve em novas e titubeantes geografias.

Nesse contexto de insegurança histórica, e talvez também pelo próprio desgaste das linguagens artísticas marcadas pela abstração e pela tradição construtiva, artistas se voltam para um idioma pessoal, íntimo, marcado pela fisicalidade de seus corpos e por suas próprias histórias e memórias. A arte se torna um diário de intimidades. Em sintonia com essa sensibilidade estão dois novos e promissores artistas: José Rufino e Del Pilar Sallum.

Rufino, 33, paraibano de João Pessoa, formou-se em geologia para vasculhar os segredos de sua terra. Mas acabou fascinado por sua própria árvore genealógica. Adotou o nome do avô paterno, latifundiário nordestino, e incorporou a tarefa artística de resgatar e comentar sua própria história de vida. Entre sua jovem mas vasta produção estão obras que ele trata como uma espécie de expurgo, como na instalação com gaveteiros antigos, "inchados" e intumescidos com gesso, a que o artista chamou de Respiratio. Depois, foi a vez de Vociferatio, feita com escrivaninhas antigas, com pés fincados nas paredes. E ainda Lacrymatio, em que trabalha uma herança de cinco mil cartas, enviadas ao avô, com interferências de pinturas do artista. Sudoratio apresenta malas escancaradas, de onde se desprendem formas bojudas, como pingos grossos de gesso. Recentemente, ele criou uma série de pequenas esculturas em madeira, que lembram ex-votos, contendo objetos que ele recolheu no arquivo de sensações da própria história familiar.

A obra de Del Pilar, 45, é um prolongamento de seu próprio corpo. Nascida em São Paulo, mas vivendo em Campinas, ela começou a chamar a atenção especialmente nos últimos dois anos, criando esculturas de fios metálicos que são o resultado do molde (que passa a registrar a ausência) de partes de seu corpo.

Dona de um intimismo profundo, quase constrangedor, Pilar trabalha com o prolongamento de seu corpo, batizando suas obras de Ataduras. A artista molda fios metálicos, compulsivamente ao redor de suas mãos e dedos, que se tornam moldes. Desenformados, os fios se tornam passado, e a forma escultórica resultante conta o vazio de um corpo e um tempo que já passou. Outro de seus trabalhos, Impressões, reproduz "esculturas" de seu próprio polegar, repetidas incessantemente, em forma côncava e convexa. A artista também prepara novas obras com seus fios de cabelo.
Com um currículo que inclui mostras no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Campinas e Berlim, os dois farão parte do Panorama da Arte Brasileira, que acontece no MAM de São Paulo, em novembro.



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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Estação Espacial Internacional


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terça-feira, 19 de abril de 2016

Fantasmas


1 INTRODUÇÃO
Fantasmas, espíritos de pessoas mortas que, com seu antigo aspecto, assombram os vivos. Normalmente, os fantasmas assustam em casas, teatros, escolas e outros locais de sua existência anterior. Há quem, por convicções religiosas, creia e respeite a presença de espíritos ou fantasmas (ver Espiritismo). Mas a idéia mais aceita é que estas estranhas aparições ligam-se aos medos, desejos e conflitos da psicologia humana. Assombrar é uma palavra de muitos significados, usada em vários contextos. Sua conotação é de admiração, abalo, estarrecimento, como quando uma lembrança ou uma idéia fascina a mente. Segundo a corrente espírita, os fantasmas se apegam aos seres vivos, objetos de seu amor na vida acabada, e se materializam para prestar auxílio — caso dos espíritos muito evoluídos — ou porque a morte inesperada os faz sofrer. As almas-penadas são vítimas do deslocamento, inviáveis em seu antigo mundo. Espíritos ou fantasmas ainda ligados a vidas passadas não podem afetar os eventos, exceto através de sua influência sobre as mentes dos vivos. O que os traz de volta é alguma situação injusta, ou ainda não resolvida, que devem remediar antes de irem para o seu local do repouso definitivo.

Portanto, os fantasmas, em termos metafísicos, ocupam um tipo de meio estágio entre a vida e a vida após a morte. Relutam em aceitar a forma com que sua vida foi encerrada. Na doutrina espírita, e em várias outras religiões, eles não aceitam a brevidade de seu tempo na Terra. Assim, os fantasmas representam um tipo de vida após a morte, permitindo alívio para a aflição humana de, um dia, deixar de existir. Para aqueles que temem a morte de amigos e entes queridos, a aparição de fantasmas serve de consolo já que prova a sobrevivência da alma e, de certa forma, deixa aberta a possibilidade de um futuro reencontro.

Assim sendo, além de qualquer crença na sua existência sobrenatural, a função original dos fantasmas diz muito sobre a natureza humana. Não conseguem abandonar as antigas lembranças, pois sua característica mais famosa é a memória — uma projeção do papel obsessivo que a memória representa na vida humana. Os fantasmas são projeções temidas, porém desejadas, do próprio indivíduo após a morte, recusando a separação dos familiares, ansiosos para retificar pecados ou vingar o sofrimento imposto pelos pecados de outros. Fantasmas representam a segunda chance que todos desejam.

A aparência da materialização — sem a substância na qual as aparências são normalmente constituídas — reflete a própria fantasia que cada ser humano tem de como seria se pudesse sobreviver à morte. A aparência híbrida dos fantasmas pode ter suas origens na contradição entre o desejo e a impossibilidade de sobreviver. Os fantasmas são lembranças do passado, mas também invasores do presente. Não há espaço para eles aqui. Ter saudades de uma pessoa é lembrar dela e desejar vê-la — nem que seja como um fantasma. Embora as pessoas identifiquem suas esperanças e medos sobre a morte, têm medo de se perder no espaço misterioso entre a vida e a vida após a morte. Receiam os fantasmas por não alcançar a consciência de que eles projetam o medo: são espelho da própria mente que os cria.

2 HISTÓRIAS DE FANTASMAS
Como em Ghost, os complexos efeitos especiais dos filmes dos anos 1970 e 1980 são tentativas de tornar o invisível, visível. A enorme popularidade dos filmes de fantasmas atestam a necessidade humana de algum tipo de sobrevivência após a morte. Os filmes, como veículo, sempre foram associados com fantasmas. Em seus primórdios, os filmes e fotografias eram considerados fantasmagóricos em si, como um meio de reprodução interminável de duplicatas e aparições de espectros. A invenção da fotografia, como diz um personagem de Balzac, demonstra que uma pessoa ou objeto é “incessantemente e continuamente representado por uma imagem na atmosfera, que todos os objetos existentes projetam em um tipo de espectro que pode ser capturado e percebido”. No século XIX e no início do século XX, as sociedades ocultas usavam fotografias e filmes para evidenciar a existência de um mundo espiritual, ou ao menos provar que uma imagem de fantasma pode viver após a morte de um ente querido. Não é uma coincidência o fato das imagens fantasmagóricas terem um papel importante na literatura do sobrenatural, desde o livro de Edgar Allan Poe, O retrato oval até os de Nathaniel Hawthorne, Retrato de Edward Randolph, A meia-tinta de M. R. James e O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

Os fantasmas dos exemplos acima têm a intenção de inspirar terror. Embora em teoria sejam um contraponto para o medo da morte, são também aterrorizadores na tradição literária e na transmissão oral. A palavra inglesa da Idade Média goste significava assustador, antes de significar a coisa que assusta. A morte é singularmente desconcertante e os mortos-vivos, ou zumbis, inspiram pavor. Apesar da literatura espírita ser consoladora, os fantasmas da ficção parecem mais demoníacos que as almas-penadas. De fato, nas literaturas elisabetana e japonesa os fantasmas podem ser demônios disfarçados.

A literatura fantástica teve o seu auge máximo no século XVIII, uma era de ceticismo, quando Horace Walpole e outros inventaram o conto gótico de terror (ver Romance gótico). O colapso moderno da crença religiosa, incluindo a vida após a morte, tem sido vantajosa para os fantasmas pois os tornaram assustadores na medida em que sua estranha existência é desacreditada. Se a morte é considerada meramente um trânsito para outra vida melhor, os fantasmas deixam de ser misteriosos e ameaçadores, reduzidos a prosaicos retificadores das injustiças ou amigáveis guias de uma jornada iminente. Mas se a morte é final, os fantasmas se tornam sobrenaturais e, portanto, terríveis.
Não é surpreendente que os conjuradores literários dos fantasmas, como Sheridan Le Fanu, Edgar Allan Poe, M. R. James, Henry James, Ambrose Bierce, H. P. Lovecraft, Shirley Jackson e outros tenham se inclinado ao ceticismo, ao pensamento liberal místico (ver Misticismo) ou agnóstico. De acordo com Edith Wharton, mestre em contos de fantasmas, a crença não é um requisito. Na realidade, pode ser uma limitação: "Não, eu não acredito em fantasmas, mas ter medo deles é muito mais que um paradoxo barato, como pode parecer a muitos. É melhor para um fantasma ser imaginado vivamente que ser ‘vivenciado’ sobriamente.”

Um paradoxo similar se aplica à técnica literária. O leitor necessita ser seduzido e levado momentaneamente a acreditar no que deve ser rejeitado racionalmente. Introduzida pelo escritor irlandês do século XIX, Sheridan Le Fanu, os escritores iniciaram a substituição do que o escritor de histórias de fantasmas Oliver Onions chamava de "gemidos e tinidos do fantasma mais grosseiro" por dúvidas e ambigüidades, criadas para deixar a maior parte possível da cena à imaginação do leitor. Os fantasmas de Le Fanu e de seus colegas tendem a ser visões e imagens difusas; são genuinamente fantasmagóricos, ao invés de “fantasmas grosseiros” arrastando correntes e fazendo discursos.
Os novos fantasmas também não precisavam habitar somente castelos góticos esquecidos ou aparecer somente no escuro. Após Le Fanu e Charles Dickens, os escritores perceberam que os fantasmas mais assustadores aterrorizavam a vida moderna normal. No livro de Dickens To be Taken With a Grain of Salt, de 1865, o narrador tem sua “ilusão espectral " em "um lugar nada romântico": uma esquina turbulenta da rua Saint James em uma "manhã fresca e alegre", sugerindo que uma visão fantasmagórica desse tipo poderia acontecer a qualquer um de nós.

Mas a assombração mais sinistra tornou-se a mente dos assombrados. Como o título do conto de Dickens sugere, os fantasmas tornaram-se mais ambíguos e psicológicos, sendo o seu local preferido a psique humana, associada com visões de culpa, terror e desejo. Isso não significa que o interesse na psicologia dos fantasmas tenha se iniciado no século XIX. Desde o fantasma de Banquo, na peça de Shakespeare, Macbeth, os fantasmas têm se tornado a incorporação do medo, da culpa e outros estados psicológicos obscuros. Em contraste com o fantasma tradicional de Hamlet, que geme e discursa sobre as injustiças que deseja retificar, o fantasma mais assustador de Macbeth somente observa, maligna e silenciosamente. Uma incorporação da culpa e do pânico de Macbeth: ele não é visto por ninguém, só por nosso protagonista assombrado. Macbeth, entretanto, é o vilão da peça, longe de nossas simpatias. Restou a Poe, James, e outros a criação de situações onde personagens mais simpáticos, com seus medos, desejos e neuroses diárias, fossem objetos de assombrações.
Assim como o declínio religioso (ver Religião) é algo que pode parecer debilitar os fantasmas, o surgimento da psicologia moderna expandiu o seu domínio e sua capacidade de aterrorizar. Freud, um grande admirador de histórias de fantasmas, sustentava que as memórias ou experiências reprimidas invariavelmente voltam para nos assombrar, assumindo uma forma fantasmagórica que ele chamava de incomum ou sinistro: "a classe do terrível que nos leva de volta a algo que conhecíamos há muito, e que foi muito familiar". Um fantasma pode portanto representar qualquer tipo de medo primitivo, desde a morte e o abandono ao simples medo do escuro.

Isso não significa que os escritores de histórias de fantasmas tenham abandonado totalmente a idéia dos fantasmas serem os espíritos dos mortos. Os historiadores de fantasmas mais hábeis sempre dissiparam os limites entre o psicológico e o sobrenatural, criando cenas de fantasmas ambíguas que são tão convincentes que a materialidade ou imaterialidade da aparição é irrelevante. Em An Account of Some Strange Disturbances in Aungier Street (1853), de Le Fanu, o herói assombrado submete-se ao “materialismo dos medicamentos”, tomando um tipo de droga antipsicótica vitoriana para banir sua “ilusão infernal”. Será que isso significa que a aparição era apenas “subjetiva”? Não necessariamente. Durante os momentos calmos, o espírito pode estar “tão ativo e maligno quanto antes, embora eu não o tenha visto”.

De qualquer forma, o elemento psicológico aumenta o poder de uma história de fantasmas, se o fantasma for visto como real ou não. Os fantasmas interiores também têm uma vantagem pragmática, pois ajudam a deixar de lado os problemas metafísicos e estéticos referentes a como fazer os fantasmas parecerem convincentes ao observador. Afinal de contas, uma manifestação da psique pode aparecer com qualquer forma imaginada por um observador.

Uma vez que os fantasmas psicológicos tornaram-se populares, especialmente em clássicos como A volta do parafuso, de Henry James, os fantasmas começaram a incorporar uma variedade de significados simbólicos e metafóricos. De James Joyce a Gabriel García Márquez, passando pelas “presenças” invasoras nos contos de Julio Cortázar ou os heróis que reaparecem como traidores nos textos de Jorge Luis Borges, várias obras da literatura moderna descrevem uma realidade assombrada, na qual a ausência ou o fantasma de uma pessoa ou coisa é muito mais poderosa que o ser em si. A renascença surpreendente do idealismo platônico (ver Platão) é vista em vários aspectos da vida moderna. Na psicoterapia, ao paciente é dito que o “fantasma” de um parente falecido pode ser tão real como o original, permanecendo na mente como uma presença assombrada. Os sonhos são muitas vezes semelhantes a fantasmas que continuam a assustar durante a vigília. Os artistas modernos usam fantasmas como metáforas, assim como Claude Debussy escreveu que estava assombrado por A sagração da primavera, de Stravinski, como "um belo pesadelo". O crítico literário Jacques Derrida proclamou, em 1994, que o fantasma da teoria que ele chamava de desconstrução — que é, em si, uma ideologia fantasmagórica por definir a realidade como uma série de relatividades fantasmagóricas — vive em teorias literárias mais modernas, assim como qualquer idéia ultrapassada torna-se um fantasma (ver Crítica literária).

A psicologia moderna, assim como as idéias sobre a fragmentação e a relatividade, forneceram novos tipos de fantasmas. Mas por que os leitores modernos e os cinéfilos procuram os fantasmas, se em todas as suas manifestações eles inspiram ansiedade e terror? Talvez a resposta seja porque as histórias de fantasmas têm sempre uma qualidade comunitária confortadora. Cada pessoa está sozinha com seus medos, parece indicar o bom senso. Por mais inquietantes que sejam, as histórias de fantasmas resistem ao esquecimento e, aparentemente, sobreviverão à morte de todos os seres humanos.


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Reflexão do Dia

"Contento-me em ser uma pessoa não resolvida(...) acho que das minhas imperfeições, ainda sairão coisas interessantes" Hector Babenco

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domingo, 17 de abril de 2016

Palavra do Ano: Sortilégio

n substantivo masculino
1 ato de magia praticado por feiticeiro; feitiço, malefício, bruxaria
Ex.: socorreu-se dos s. da magia negra
2 Derivação: por extensão de sentido.
dote natural ou artificial que exerce atração, fascinação, sedução; encanto
Ex.: não houve homem que resistisse a seus s. femininos
3 Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
trama engendrada em segredo, para realizar algum desígnio, conspiração etc.; maquinação, combinação
Ex.: para conquistá-la recorreu a todos os s. galantes que pôde

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sábado, 16 de abril de 2016

Cachaça


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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Entrevista do Semestre: Bruna Pitaluga Peret Ottani, ginecologista e obstetra

O que é metabolismo basal?
Bruna – Taxa metabólica basal é a quantidade de energia que o corpo gasta em um dia para manter o funcionamento das suas atividades básicas como respirar, pensar, comer, dormir etc.

Como calculamos a taxa metabólica basal?
Bruna – Existem várias formas de cálculo da taxa metabólica basal. A mais comum, e mais conhecida, é a equação de Harris-Benedict. Ela utiliza variáveis como peso, altura, idade e sexo. Por exemplo, um homem de 35 anos que pesa 80kg e tenha 180cm de altura tem uma taxa metabólica basal de 1824 cal. Já uma mulher com 30 anos que pesa 70kg e que tenha 170cm de altura tem uma taxa metabólica basal de 1492 cal.
O que significa que, no exemplo do mulher, ela necessita de 1492 cal para manter as suas funções vitais por um dia.


Como melhorar o metabolismo basal?
Bruna – A taxa metabólica basal é o parâmetro mais utilizado para avaliação de gasto de energia dentro do nosso corpo. Dentro de cada uma das nossas células existe um componente chamado mitocôndria. A mitocôndria é responsável pela produção da nossa molécula de energia chamada adenosina trifosfato – ATP.

Como explicar melhor o papel da mitocôndria?
Bruna – Metaforicamente, a mitocôndria é o posto de gasolina e o ATP é a gasolina. Quando a mitocôndria funciona bem o corpo tem energia para pensar, praticar atividade física, dormir bem, ter disposição durante o dia e desempenhar as atividades diárias sem maiores problemas. Quando a mitocôndria não funciona bem todas as funções vitais são prejudicadas.


E o que devemos fazer para melhorar o metabolismo basal?
Bruna – Para melhorar o metabolismo basal deve-se cuidar das mitocôndrias. A prática de atividade física é fundamental para a manutenção da função e do número de mitocôndrias.

Poderia dar exemplos de exercícios que poderiam proporcionar isso.

Bruna – A atividade resistida, como musculação, aumenta o número de mitocôndrias porque aumenta a massa muscular. Um exercício aeróbico, como corrida, melhora a função mitocondrial. Portanto, a combinação de exercício resistido e de atividade aeróbica é ideal. Além disso, uma boa alimentação baseada em vegetais, rica em fitonutrientes (nutrientes das plantas) é fundamental.

Para ficar mais claro: a alimentação também é fundamental para um bom metabolismo basal?

Bruna – Mais uma metáfora: imagine que o nosso corpo é uma Ferrari. Agora imagine essa Ferrari andando com combustível aditivado e de boa qualidade e a mesma Ferrari andando com combustível adulterado com etanol misturado. A Ferrari vai andar muito melhor com o bom combustível, certo? A mesma coisa acontece com o nosso corpo e as nossas mitocôndrias. Elas funcionam muito melhor quando utilizamos um alimento rico em vitaminas, sais minerais com baixo índice glicêmico. Quando comemos alimentos industrializados, com alto índice glicêmico, óleos vegetais, refrigerantes e etc, oferecemos um combustível adulterado para o nosso corpo funcionar e isso prejudica a geração de energia.




É realmente necessário comer de três em três horas para melhorar o metabolismo basal?

Bruna – Não. Cada pessoa tem um metabolismo diferente. Algumas pessoas se sentem melhor comendo três refeições por dia e não seis refeições. Obviamente, que as refeições devem ser ricas em nutrientes mesmo que o número seja menor. Cada indivíduo tem as suas peculiaridades metabólicas, como ritmo circadiano diferente e produção hormonal, levando a consumo e necessidade de energia distintos. Esse conceito já não é mais utilizado e os trabalhos científicos estão sendo publicados com respostas muito boas quando mudanças nesse padrão horário de dieta são feitas, como o jejum intermitente, que apresenta respostas promissoras para algumas pessoas.


Por que algumas mulheres têm metabolismo basal baixo?
Bruna – O metabolismo feminino é regido pela dominância dos hormônios estrogênio e progesterona. A massa magra (músculos) feminina é menor em comparação com à masculina. Além disso, questões como alteração da função tireoideana (hipotireoidismo por exemplo) fazem com que a produção de energia fique prejudicada. O consumo de álcool e  uso de anticoncepcionais também reduzem a taxa metabólica basal. A deficiência das vitaminas do complexo B interfere nos processos metabólicos da produção de energia pela mitocôndria e também pode reduzir a taxa metabólica basal.

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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Reflexão do Quadrimestre

"Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas" Confùcio

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Koogeek P1 Smart Plug HomeKit & Siri & Energy Consumption & Timer

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terça-feira, 12 de abril de 2016

Palavra do Trimestre: Pragmatismo

n substantivo masculino
1 Rubrica: filosofia.
ênfase do pensamento filosófico na aplicação das idéias e nas conseqüências práticas de conceitos e conhecimentos; filosofia utilitária
2 Rubrica: filosofia.
corrente de idéias que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático [É esp. aplicado ao movimento filosófico norte-americano baseado em idéias de Charles Sanders Peirce (1839-1914) e William James (1842-1910).]
 Obs.: cf. ativismo, humanismo e naturalismo
3 Rubrica: filosofia, lingüística.
dentro do pensamento de Charles S. Peirce, afirmação de que o conceito que temos de um objeto é a soma dos conceitos de todos os efeitos decorrentes das implicações práticas que podemos conceber para o referido objeto; pragmaticismo
4 consideração das coisas de um ponto de vista prático; tratamento prático, não dogmático ou sumário das coisas
5 tratamento dos fenômenos históricos com referência especial às suas causas, condições, antecedentes e resultados
6 método prático de tratar questões filosóficas, estéticas, literárias, científicas etc.

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Que é Astronomia?


1 INTRODUÇÃO
Astronomia, ciência que se ocupa dos corpos celestes do Universo, incluindo os planetas e seus satélites, os cometas e meteoritos, as estrelas e a matéria interestelar, os sistemas de estrelas chamados galáxias e os agrupamentos de galáxias.
A astronomia moderna se divide em vários ramos: a astrometria, o estudo mediante a observação das posições e os movimentos daqueles corpos celestes; a mecânica celeste, o estudo matemático de seus movimentos explicados pela teoria da gravidade; a astrofísica, o estudo de sua composição química e sua condição física mediante a análise espectral e as leis da física; e a cosmologia, o estudo do Universo como um todo.
2 ORIGENS NA ANTIGÜIDADE
A curiosidade dos povos antigos pela alternância do dia e da noite, o Sol, a Lua e as estrelas levou-os a concluir que os corpos celestes parecem mover-se de forma regular e que esse fato é útil para definir o tempo e a direção de quem se movimenta sobre a Terra. A astronomia permitiu às primeiras civilizações a superação dos problemas que as inquietavam, como a necessidade de estabelecer com precisão as épocas adequadas para semear e colher e para as celebrações, assim como a necessidade de orientação em longas travessias e viagens.
Diversos povos antigos, como os egípcios, maias e chineses, desenvolveram mapas das constelações e calendários de grande utilidade, mas foram provavelmente os babilônios os que mais contribuíram para a astronomia na Antigüidade. Estudaram o Sol e a Lua e passaram a designar como começo de cada mês o dia seguinte ao aparecimento da lua nova. Criaram cálculos para predizer a lua nova e, portanto, o dia em que começaria um novo mês. Também calculavam as posições planetárias.
3 ASTRONOMIA GREGA
Os gregos também fizeram importantes contribuições astronômicas. A Odisséia de Homero traz referências a constelações como a Ursa Maior, Órion e as Plêiades e descreve como as estrelas podem servir de guia para os navegantes. O mais original dos antigos observadores gregos foi Aristarco de Samos. Ele acreditava que os movimentos celestes podiam ser explicados pela hipótese de que a Terra gira sobre seu eixo uma vez a cada 24 horas e que, junto com os demais planetas, gira em torno do Sol. Essa explicação foi rejeitada pela maioria dos filósofos gregos, que consideravam a Terra um globo imóvel o redor do qual giravam os demais objetos celestes. Essa teoria, conhecida como sistema geocêntrico, permaneceu inalterada por 2 mil anos.
No século II d.C., os gregos combinavam suas teorias com observações desenhadas em mapas. Hiparco e Ptolomeu determinaram as posições de cerca de mil estrelas brilhantes e utilizaram esse mapa como base para medir os movimentos planetários. Uma pensadora que, como Ptolomeu, manteve viva a tradição da astronomia grega em Alexandria nos primeiros séculos da era cristã foi Hipácia (370?-415), discípula de Platão. Escreveu comentários sobre temas matemáticos e astronômicos e é considerada a primeira cientista e filósofa do Ocidente.
4 DE COPÉRNICO A NEWTON
No século XVI, como resultado das contribuições do polonês Copérnico, a astronomia experimentou uma reviravolta. Copérnico mostrou que os movimentos planetários podem ser melhor explicados quando se atribui uma posição central ao Sol e não à Terra. Seu sistema, batizado de heliocêntrico, recebeu pouca atenção, até que Galileu encontrou provas para defendê-lo. Ele observou pelo telescópio as fases de Vênus, o que indicava que esse planeta gira ao redor do Sol. Também descobriu quatro luas ao redor de Júpiter e, convencido de que ao menos alguns corpos não giravam ao redor da Terra, começou a falar e escrever em favor do sistema de Copérnico.
Os trabalhos do dinamarquês Tycho Brahe e de seu assistente alemão Johannes Kepler afirmaram que as órbitas descritas pelos planetas ao redor do Sol são elípticas e não circulares, como acreditava Copérnico. Kepler formulou as leis do movimento planetário com base nessa afirmação.
No século XVIII, o físico britânico Isaac Newton formulou um princípio simples para explicar as leis de Kepler: a força de atração entre o Sol e os planetas. Essa força, que depende das massas do Sol e dos planetas e das distâncias entre eles, proporciona a base para a explicação física das leis de Kepler. À formulação matemática de Newton denomina-se lei da gravitação universal.
5 ASTRONOMIA MODERNA
Depois de Newton, a astronomia se ramificou em diversas direções. Telescópios aperfeiçoados permitiram a exploração das superfícies dos planetas, a descoberta de estrelas de pouco brilho e a medição das distâncias estelares. No século XIX, um novo instrumento, o espectroscópio, trouxe informações sobre a composição química dos corpos celestes e seus movimentos (ver Espectroscopia). No século XX, foram construídos telescópios de reflexão cada vez maiores, que permitiram estudar a estrutura de galáxias e seus agrupamentos. Na segunda metade do século, os avanços na física proporcionaram novos tipos de instrumentos astronômicos, alguns dos quais foram instalados em satélites que funcionam como observatórios em órbita da Terra. Com eles, os astrônomos estudam não apenas planetas, estrelas e galáxias, mas também plasmas (gases ionizados) que rodeiam as estrelas duplas; regiões interestelares onde nascem novas estrelas; grãos de pós invisíveis aos telescópios ópticos; núcleos energéticos que podem conter radiação de fundo de microondas e buracos negros que podem dar informações sobre as fases iniciais da história do universo.

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domingo, 10 de abril de 2016

Zodiaco


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sábado, 9 de abril de 2016

O que é Byte?


Byte, unidade de informação que consta de 8 bits. Em processamento de informática e armazenamento, é equivalente a um único caractere. Ver Kilobyte; Megabyte.


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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Palavra do Trimestre: Abaçanado

n adjetivo
que se abaçanou
1 que tem cor baça; tornado baço
2 que tem cor morena; trigueiro

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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Entrevista do Mês: Marcos Lisboa

Folha - O governo federal acaba de projetar seu deficit de 2017 em R$ 139 bilhões e promete um esforço fiscal de R$ 55,4 bilhões a ser obtido com privatizações, concessões e aumento da receita com a melhora da atividade. Qual a sua avaliação?
Marcos Lisboa - O número que interessa para a sustentabilidade das contas públicas são os R$ 194,4 bilhões (soma do deficit e das receitas adicionais previstas). Esse é o número que continuará crescendo de forma estrutural. O que o governo está fazendo é um esforço adicional, com a venda de ativos e receitas extraordinárias, para reduzir esse número para R$ 139 bilhões. São receitas extraordinárias, e bem-vindas.
Elas atenuam a trajetória de crescimento da dívida e dão um pouco mais de fôlego para enfrentar o problema, que seria ainda maior se o número fosse R$ 194,4 bilhões.
Há uma melhora nas expectativas. Na prática, porém, nada de fundamental mudou. Como o sr. vê o atual quadro?
Temos uma janela de oportunidade para enfrentar um problema estrutural muito grave. Há um cenário externo mais favorável aos preços de commodities no Brasil, as coisas pararam de piorar em termos de atividade e talvez exista a oportunidade de uma pequena recuperação no ano que vem.
Agora, o problema fiscal no Brasil é estrutural. Se nada for feito, mesmo com o teto para os gastos, os números vão piorar. Uma série de fatores estruturais faz com que a despesa pública cresça acima da receita.
Sem reformas estruturais profundas, essa janela de oportunidade será perdida e daqui a um ano teremos o retorno da crise, com o agravamento das condições do país.
Como avalia o início do governo Michel Temer?
Ele demonstra uma relativa dubiedade. Se por um lado tem falado em sacrifícios, em fazer reformas como a da Previdência, em propor o teto para os gastos e enfrentar uma série de problemas essenciais para superar o problema fiscal, por outro, no varejo, tem cedido aos grupos de pressão. Este parece ser um governo fraco, que cede a grupos de pressão. E ceder é ir na contramão do ajuste.
Isso não seria consequência da interinidade? Ceder para fazer passar o impeachment?
Essa é a grande pergunta. Mas fico surpreso quando vejo autoridades dizerem que o reajuste dado aos funcionários públicos não atrapalha o ajuste fiscal. Atrapalha.
O Brasil não tem onde cortar. Não tem onde. Cumprir o teto no ano que vem será relativamente simples, porque temos a inflação em queda. Mesmo que se cumpra o teto em 2017, podemos ter um crescimento real do gasto de 3%.
O grande problema do Brasil não é cumprir o teto. É garantir a estabilidade da evolução da dívida em relação ao PIB. Hoje temos metade das despesas engessadas em Previdência e assistência social. São gastos que crescem em termos reais 4% ao ano.
Mesmo assim, o mercado está mais otimista.
Seria difícil imaginar uma gestão mais incompetente em termos de política econômica do que a que vimos entre 2009 e 2014. Mesmo no segundo governo Dilma, com a equipe que entrou, continuávamos com um governo que tinha uma dissonância cognitiva. Nomeava um ministro numa direção e fazia o discurso na outra.
Hoje, vivemos algo parecido, mas um pouco melhor. Há um cenário externo favorável e um benefício da dúvida, no processo político, de que as reformas vão caminhar. E a gente espera que andem.
Mas o que preocupa é que o conjunto da obra, até agora, não tem sido bom. O governo não tem um discurso claro e consistente e, no varejo, vai cedendo aos grupos de pressão. Pode ser que isso seja mesmo fruto da interinidade, mas isso vai ter consequências mais à frente.
O teto, por exemplo, ajuda a não dar reajuste para as despesas sobre as quais se tem controle. Mas ele não significará necessariamente o fim do crescimento real do gasto, já que a inflação está em queda.
O mais importante é que a agenda fiscal avance, porque além dela há a agenda para retomar o crescimento. As agendas de ganho de produtividade, concessões, melhoria do ambiente de negócios, que ficou muito degradado nos últimos seis anos.
O Brasil vive um momento de muitas crises simultâneas. A fiscal é a mais urgente, mas tem muitas outras que precisam ser enfrentadas.
Muitos parecem dar um voto de confiança e imaginar que, passado o impeachment, virão medidas estruturais.
A maioria das pessoas concordaria com isso. Mas sou um pouco mais pessimista. A substituição da gestão de Dilma gera algum ânimo. Mas o processo foi confuso e acabou carregado não tanto pelos graves problemas cometidos pelo governo anterior, mas por um certo oportunismo na dinâmica da política.
Portanto, este é um governo que começa com fragilidade e com uma agenda muito difícil de reformas que são necessárias para garantir que a gente consiga chegar a 2018 com uma economia ao menos sem continuar piorando, com alguma retomada da produção e do emprego.
Garantir que essa janela de oportunidade seja aproveitada requer enfrentar o problema fiscal no próximo ano e que não se criem compromissos agora que depois inviabilizem o crescimento.
A saída do fundo do poço não trará aumento da arrecadação que favorecerá o ajuste fiscal? Ou isso é a janela de oportunidade que pode se fechar?
É isso. Isso é o que abre a janela de oportunidade. O problema é que, sem reformas, a despesa pública no Brasil vai continuar crescendo acima da receita nos próximos anos, mesmo que a receita cresça com a melhora na atividade econômica.
A menos que sejam feitas reformas adicionais, isso significará um endividamento crescente. Não dá para cumprir o teto sem reformas estruturais. O teto é só um passo para explicitar a restrição orçamentária e evitar reajustes de uma parte das contas.
O que preocupa é que os governos, tanto federal quanto os locais, em vez de enfrentar as causas do problema, ficam buscando artifícios para adiar suas consequências para o futuro. E este adiamento agravará o quadro.
São os casos do Rio e do Rio Grande do Sul, que hoje se utilizam de depósitos judiciais para financiar as contas públicas.
O Brasil está deixando os problemas para depois, e o problema está crescendo.
O que fazer até o impeachment?
Parar de piorar. Parar de ceder a grupos de pressão. E assumir os problemas com transparência. Temos uma janela de oportunidade. Podemos aproveitar isso ou não.
Espero que o que vimos até aqui, durante a interinidade, não tenha sido o prelúdio do que vamos viver depois de agosto. Pois o Brasil pode virar um grande Rio de Janeiro [que decretou estado de calamidade pública em junho].
A diferença entre o risco do Brasil e a situação do governo do Rio é que o governo federal pode recorrer ao aumento da inflação. Seria a retomada da inflação crônica. Não a melhor das escolhas.
RAIO-X

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Palavra do Bimestre: Ababelado

n adjetivo
1 que se ababelou
2 em que a confusão se instalou (como na torre de Babel); confuso, babélico

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Brasil na Antártida


Brasil na Antártida, presença que reflete o interesse do país no estudo e eventual exploração do último continente a desafiar a curiosidade humana.

A adesão do Brasil ao Tratado Antártico em 1976, e sua posterior aceitação como membro consultivo desse tratado em 1983, assim como sua inclusão como partícipe do Comitê Científico de Pesquisas Antárticas (CCPA) em 1994, garantiram sua participação no conjunto de grupos de pesquisa que montaram bases na Antártida. Desde 1982 o Brasil envia expedições sistemáticas ao continente Antártico e desde 1984 estabeleceu base fixa na região. A estação brasileira Comandante Ferraz está localizada na península de Keller, na baía do Almirantado da ilha do Rei Jorge, arquipélago das Shetland do Sul. Possui uma equipe permanente que trabalha durante todo o ano, inclusive no inverno, e durante o verão acolhe grupos de pesquisadores especializados em meteorologia e monitoramento do clima, da camada de ozônio, do processo de poluição do oceano Atlântico, nos estudos geológicos sobre ocorrência de jazidas de petróleo e outros minerais, e nas pesquisas biológicas sobre os organismos marinhos, com ênfase no krill, um pequeno crustáceo semelhante ao camarão, muito rico em proteínas, que vive exclusivamente nas águas antárticas. O Programa Antártico Brasileiro (Proantar) reporta-se a uma Comissão Interministerial para os Recursos do Mar e seu apoio logístico é confiado aos ministérios da Marinha e Aeronáutica. Tanto a construção da base Comandante Ferraz, quanto a aquisição dos navios de pesquisas oceanográficas, incluindo sua operação e manutenção, são operadas pela Marinha brasileira, com exceção do navio oceanográfico Professor Besnard, de propriedade da Universidade de São Paulo. A partir de 1994 o novo navio de pesquisas oceanográficas especial para navegação em mares gelados, Ary Rangel, iniciou suas atividades participando da XIII Operação Antártica, entre 1994 e 1995. O Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e as Universidades garantiram a presença de 80 pesquisadores e estabeleceram as prioridades de pesquisa. Até 1997, o Brasil já tinha participado de 14 operações no continente Antártico.


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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Entrevista da Quinzena: Frederic Gros

Quando você começou a caminhar? 
Foi relativamente tarde, aos 20 anos. Foram alguns amigos que me convenceram. Quando eu era criança, gostava de ir sozinho para as montanhas, mas a verdade é que o passeio consistente como uma excursão, veio mais tarde. Minha primeira experiência importante foi no verão quando eu dei uma volta pela Córsega. Eu andei a estrada GR-20. Foi difícil, mas a aliança entre as altas montanhas e o mar fez com que fosse maravilhoso.
 
Quantos quilómetros fez? 
Éramos em sete pessoas e durou 15 dias, mas não sei quantos quilômetros fizemos. A verdade é que, quando se caminha não se conta, porque a dificuldade das trilhas faz você percorrer às vezes, poucos quilômetros em um dia. Quando se caminha mais fácil, através de estradas planas, como os andarilhos, a média é de 40 quilômetros por dia.
 
E o que acha dos aplicativos que calculam a distância e até mesmo as calorias consumidas? 
Não uso. O importante é ter uma visão geral e que você só consegue com um mapa desdobrável. Em relação as calorias, quando se caminha sete ou mais horas, a maior preocupação é chegar ao próximo abrigo.

Em seu ensaio você associa a caminhada com grandes filósofos, por quê?
Esses pensadores transformaram as montanhas e florestas em locais de trabalho. Para eles, o andar não era um esporte ou um passeio turístico. Realmente, eles saíam com seus cadernos e lápis para encontrar novas ideias. Solidão era uma das condições para a criação.
 
E a relação entre a caminhadas e as suas ideias? 
Existem maneiras de caminhar que na verdade são estilos filosóficos. Por exemplo: Kant era sério e disciplinado, e é um filósofo que exige provas muito rigorosas com definições estritas. Ele tinha um jeito de andar que consistia em fazer todos os dias a mesma caminhada, na mesma hora. A escrita de Nietzsche, muito mais dispersa, com menos coesão, tem a ver com o fato de que ele procurava com o caminhar, sentimentos de energia e luz. Sua escrita é muito forte e rápida, não tão demonstrativa como a de Kant.

O que você quer dizer quando escreve sobre a perda da identidade que acontece quando se anda? 
Bem, os efeitos da intensidade do passeio podem variar. Se você andar por quatro ou seis horas você está acompanhado de si mesmo, você pode dar atenção às suas memórias ou ter novas idéias. Mas depois de oito ou nove horas, o cansaço é tal que já não se sente o corpo. Toda a concentração é dirigida para o impulso de avançar. É quando ocorre a perda de identidade, devido à fadiga extrema. Caminhamos para nos reinventar, para nos dar outras identidades, outras possibilidades. Acima de tudo, ao nosso papel social. Na vida diária tudo está associado a função, uma profissão, um discurso, uma postura. Andar a pé é se livrar disso tudo. No final, a caminhada é não mais do que uma relação entre um corpo, uma paisagem e uma trilha.

Mas cada vez se anda menos, especialmente nas cidades, onde cada vez mais pessoas vivem.
No Terceiro Mundo, ao contrário, se anda muito. Mas é verdade que nas cidades isto está desaparecendo. Elas não são feitas para os pedestres.
 
Os jovens também não andam a pé.
As novas gerações consideram, e eles podem estar certos, que você tem que ser louco para ir aos lugares a pé, especialmente quando têm à disposição todos os tipos de invenções técnicas que fazem com que não tenham que andar. Para eles, a caminhada é um pouco monótona, em parte porque eles se acostumaram a mudar as telas de imagens que usam muito rapidamente e, quando andamos, as paisagens evoluem muito lentamente. Além disso, quando caminhamos, é sempre a mesma coisa.
 
E isso é visto como chato.
Para algumas pessoas, a caminhada é o exato oposto do significado de prazer porque nós tendemos a comparar prazer com excitação. E para que haja excitação é preciso uma novidade. Diante disso, descobrir o prazer de caminhar pode ser algo completamente exótico. Descobre-se uma dimensão que hoje está praticamente banida de nossa vida: a lentidão, a presença física. Durante a caminhada, todos os sentidos estão presentes: ouvimos os ruídos da floresta, se percebem as luzes.
 
E quem mais caminha são os aposentados?
Os sábios de antigamente tinham um ditado que pode nos supreender hoje, "tenha pressa para chegar à velhice." Eles consideravam que a velhice seria o tempo de vida em que poderíamos nos livrar de tudo e nos envolver com o cuidar de nós mesmos, "le souci de soi" (a atenção para si, apud Michel Foucault ), cura sui em latim. A caminhada também não tem nada de violenta ou brutal. Há uma regularidade nela que tranquiliza, acalma. E isso está longe de qualquer busca de resultado. Assim, a primeira frase do livro é "andar não é um esporte." Não faça marcas, não tente superar a si mesmo. Andar a pé é uma experiência autêntica, embora talvez não seja moderna.
 
Andar libertou você da vida acadêmica? Eu li que você está preparando um livro sobre a desobediência.
Thoreau escreveu o primeiro livro em pé e, curiosamente, também escreveu o primeiro livro sobre a desobediência civil. É verdade que a caminhada nos ensina a desobedecer. Porque andar nos obriga a ter uma distância que é também uma distância crítica. No mundo acadêmico, todo mundo é obrigado a provar o que diz. Neste livro eu queria explorar sonhos. A provocação que faço aos pensadores, é que você não é o que você pensa, mas como você anda. Eu não queria voltar para as doutrinas, mas sim explorar os estilos.

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