domingo, 31 de janeiro de 2016

Hoje na História: 31 de Janeiro de 1891

31 de Janeiro de 1891: Revolta Republicana no Porto. É Proclamada a República, na Varanda da Câmara Municipal.


Para Saber Mais: 

Eclodiu no Porto um levantamento militar, motivado e contrário à cedência do Governo e da Coroa ao Ultimatum de 1890 imposto pela Inglaterra,  este levantamento pretendeu instaurar um governo provisório e foi a primeira tentativa de instauração do regime republicano em Portugal. 

As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de figuras destacadas da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.

O acontecimento  teve início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores nº9, liderado por sargentos, se dirigiu para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18 (R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário. Depois juntou-se ali o regimento de infantaria n.º 10, comandado pelo capitão Leitão que assume o combate das tropas sublevadas, convencido que o movimento não seria hostilizado por outras forças militares.

Os revoltosos desceram a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República.

Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde e foi também anunciada a constituição de um governo provisório. A multidão decidiu subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.

Este cortejo foi no entanto  barrado por um  destacamento da Guarda Municipal, que estava disposto ao combate. A Guarda estava posicionada ao alto da Rua de Santo António e entretanto principiou o tiroteio entrando a multidão em debandada.

A derrota consumou-se em poucas horas e a prisão ou o exílio esperavam os implicados. Alguns deles conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o Advogado António Claro partiram para  Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.

Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro.

Do ponto de vista político, a revolta assumiu, fundamentalmente, o carácter de explosão de ódio contra as instituições monárquicas: pretendia-se sobretudo, destronar a dinastia reinante dos Braganças e desse modo, resgatar a afronta nacional que a sua política tinha infligido à Nação.

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sábado, 30 de janeiro de 2016

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Entrevista do Mês: Ricardo Barros - Ministro da Saúde

Folha - A meta de implantar o cartão SUS em todo o país nunca aconteceu. Como o sr. pretende fazer isso agora?
Ricardo Barros - O cartão SUS existe, mas há 300 milhões de cartões. Ele está replicado para muita gente, mas tem gente com mais de um cartão, com cartão fraudado. Ainda não estudei isso, mas minha missão é ter gestão do sistema. E só vou ter se tiver informação. Só assim vamos tomar as decisões corretas e disponibilizar os serviços adequados.
A gestão anterior do ministério disse que só há recursos para o Samu e para o programa Farmácia Popular até agosto. Haverá cortes?
De fato, temos um orçamento muito restrito, o governo tem repassado R$ 7,2 bilhões mensalmente para o Ministério da Saúde e temos gasto exclusivamente esses recursos. Portanto, há limitação dos procedimentos autorizados. Meu objetivo é conseguir recursos para as obrigações contratadas. Isso pode representar, com o resto a pagar dos anos anteriores, algo na faixa de R$ 14 bilhões.
Mas haverá cortes?
Não posso afirmar isso agora. O que existe é a certeza de que faltam recursos, mas onde haverá o impacto dessa falta nós vamos decidir depois que a equipe econômica me afirmar que não vai ter capacidade de suprir o que estava previsto no Orçamento.
Há programas que precisam de continuidade para ter sucesso. Hipertensos ou diabéticos, por exemplo, não podem ficar sem medicamentos.
Remédios de uso contínuo estão disponíveis na rede do SUS. As prefeituras têm esses medicamentos para disponibilizar. Precisamos avaliar com muito carinho porque já sabemos que temos fraudes na compra de remédio a preço subsidiado, o cidadão pega num posto, pega no outro, tem cartão em duas ou três cidades e depois vai vender o remédio. O programa é meritório e vamos ver quais recursos podemos disponibilizar para ele.
Fraudes parecem atingir várias áreas da saúde. Como o sr. pretende atuar nessa questão?
Vamos rever os protocolos das áreas especializadas, vamos constituir grupos de trabalho, rever protocolos, esse é o meu compromisso. Vários especialistas já me reafirmaram que alguns protocolos que estabelecemos para tratar determinadas doenças não são os mais eficazes e nem os mais baratos. Vamos rever isso para que tenha a melhor eficiência e o melhor gasto para o usuário.
Há conflitos de interesses que envolvem a indústria da saúde e as especialidades médicas...
Sim. Resistir aos lobbies será uma boa tarefa para implementarmos com a nossa equipe do ministério.
A rede de assistência tem hoje UTIs e unidades de saúde fechadas, aparelhos sem funcionar. Como lidar com isso?
Vou criar uma equipe para cuidar de todas as más aplicações de recursos. Temos muito desperdício na gestão, que não é visível para as pessoas, e que vamos cuidar com prioridade. Mas o que é visível para o cidadão, isso nós vamos tratar rapidamente, porque ninguém aceita ter o seu imposto mal gasto. Quando ele passa em frente a uma unidade básica de saúde e ela está fechada, algo falhou no planejamento. Temos mais de 70 UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] que estão funcionando sem contrapartida do ministério.
Mais de 1,3 milhão de pessoas deixou de ter planos de saúde no último ano. Isso vai sobrecarregar ainda mais o SUS...
A ANS precisa ser mais ágil na regulação. A judicialização na área dos planos tem obrigado que eles façam reajustes muito acima da inflação. Cada vez que uma decisão judicial determina incluir um procedimento na cobertura do plano, aumenta o custo e ele tem que repassar para o consumidor.
Isso acaba prejudicando a todos os usuários, encarecendo o sistema e fazendo com que mais pessoas deixem de ter planos. Quanto mais gente puder ter planos, melhor, porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos, o que alivia o custo do governo em sustentar essa questão.
Não deveria ser o contrário, estímulo para um SUS melhor, já que pagamos impostos e temos direito à saúde?
Todos os cidadãos já pagam pela saúde, todos os cidadãos já pagam pela segurança. No entanto, os gastos com segurança privada são muito superiores aos da segurança pública. Infelizmente, a capacidade financeira do governo para suprir todas essas garantias que tem o cidadão não são suficientes.
Não estamos em um nível de desenvolvimento econômico que nos permita garantir esses direitos por conta do Estado. Só para lembrar, a Previdência responde por 50% das despesas do Orçamento da União. O Estado acaba sendo um fim em si mesmo, e não um meio. O que adianta o médico sem remédio, o pedreiro sem o tijolo, o motorista sem o combustível. Nada. Não presta serviço para a comunidade.
O que fazer? Mudar a Constituição, que determina que a saúde é um direito universal?
A Constituição cidadã, quando o Sarney sancionou, o que ele falou? Que o Brasil iria ficar ingovernável. Por quê? Porque só tem direitos lá, não tem deveres. Nós não vamos conseguir sustentar o nível de direitos que a Constituição determina.
Em um determinado momento, vamos ter que repactuar, como aconteceu na Grécia, que cortou as aposentadorias, e outros países que tiveram que repactuar as obrigações do Estado porque ele não tinha mais capacidade de sustentá-las. Não adianta lutar por direitos que não poderão ser entregues pelo Estado. Temos que chegar ao ponto do equilíbrio entre o que o Estado tem condições de suprir e o que o cidadão tem direito de receber.
Repactuar já é uma proposta?
Isso terá que ser resolvido, mas são assuntos da área econômica que não quero interferir.
APERFEIÇOAR GESTÃO
Uma das prioridades do ministro da Saúde, Ricardo Barros, é aperfeiçoar os sistemas de informação e de gestão dentro do SUS para que haja mais eficiência e menos desperdício. O objetivo, afirma, é saber "como é gasto cada centavo no SUS". "A gestão da informação vai permitir tratar com clareza e transparência quanto e onde é utilizado na saúde os R$ 110 bilhões do governo federal, R$ 70 bilhões dos Estados e R$ 60 bilhões dos municípios", afirmou.
Em visita à Faculdade de Medicina da USP nesta segunda (16), a convite do cardiologista Roberto Kalil, Barros se reuniu com docentes, alunos e com o secretário de Estado da Saúde, David Uip. Ouviu sugestões e críticas. Uma delas foi sobre o programa Mais Médicos, que permite que os profissionais estrangeiros atuem no país sem revalidação do diploma. Barros prometeu avaliar a questão. Ele diz que a solução é o incentivo de mais médicos brasileiros no programa.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Holanda


1 INTRODUÇÃO
Holanda ou Países Baixos, limita-se ao norte e a oeste com o mar do Norte, a leste com a Alemanha e ao sul com a Bélgica. Com Luxemburgo e a Bélgica, formam o Benelux. As Antilhas Holandesas e Aruba também fazem parte do país, que tem 41.526 km2 dos quais 6.500 km2 são de terra avançada sobre o mar. A capital é Amsterdã.

2 TERRITÓRIO E RECURSOS
Grande parte do norte e do oeste do país encontra-se abaixo do nível do mar, a chamada Holanda inferior. A leste e ao sul encontra-se a Holanda superior, onde poucas vezes a altitude ultrapassa os 50 metros. As comportas, diques, canais e moinhos de vento fazem parte de um sistema de drenagem da época medieval. Sem um complexo de drenagem sistemático, a metade do país seria inundada.
A linha costeira do mar do Norte é formada por dunas. No sudoeste, os estuários dos rios formam deltas com inúmeras ilhas e canais. Devido ao Plano Delta, lagos de água doce foram criados e algumas ilhas foram unidas. No norte, o mar dividiu as dunas criando as ilhas Frísias ocidentais e, atrás, uma zona alagadiça chamada de Waddenzee. Muito além das dunas, existe uma área abaixo do nível do mar, protegida por diques, que se mantém seca graças ao contínuo bombear mecânico. O antigo Zuiderzee, originariamente um estuário do rio Reno e depois um mar interior, está sendo recuperado e uma parte se transformou em um lago de água doce chamado Ijsselmeer.

Os principais rios são o Reno e seus afluentes, como o Waal e o Lek; o Maas (um braço do Meuse); e o Schelde. Quase todos os grandes lagos naturais foram secados.

O clima é marítimo temperado. A temperatura média em janeiro atinge 1,7ºC e, em julho, 17,2ºC. As precipitações médias anuais são de 760 milímetros.

A paisagem natural foi alterada pelo homem e as áreas de vegetação natural são muito limitadas. Os animais de maior porte desapareceram, mas os bosques de carvalho, faia, freixo e pinheiro estão protegidos.

3 POPULAÇÃO E GOVERNO
Os holandeses são, na sua maioria, descendentes dos francos, frísios e saxões. A recente imigração foi importante: asiáticos, turcos, marroquinos, habitantes de países europeus mediterrâneos e residentes do Suriname e das Antilhas Holandesas.

Em 2001, a população é de 15.981.472 habitantes e a densidade demográfica de 385 hab/km2,uma das mais concentradas do mundo. As principais cidades são: Amsterdã, com 724.096 habitantes, a capital política do país; Roterdã, com 598.521 habitantes; e Haia, a capital administrativa, com 445.279 habitantes.

O idioma oficial é o holandês; em Friesland, também se fala a língua frísia. Os católicos constituem 33% da população holandesa e os protestantes 23%. Cerca de 39% da população não pratica qualquer religião (ver Arte e arquitetura barrocas; Literatura holandesa; Literatura frísia; Arte e arquitetura do Renascimento).

A Holanda é uma monarquia constitucional e hereditária com um sistema de governo parlamentar. A Constituição de 1814 foi revista diversas vezes.

4 ECONOMIA
Desde o século XVI, as expedições marítimas, a pesca, o comércio e o sistema bancário formam os principais setores da economia do país, tendo sido criada uma base industrial muito diversificada. Em 1999, o produto interno bruto era de 393,6 bilhões de dólares, equivalente a renda per capita de 24.910 dólares.

A agricultura é intensiva e altamente produtiva, gerando muitas exportações. As pradarias e pastagens ocupam cerca de 50% da terra cultivável, 40% delas são dedicadas ao cultivo e o restante à exploração comercial de bulbos e flores. A pesca é uma atividade comercial que continua sendo relevante.

Durante as décadas de 1950 e 1960, grandes reservas de gás natural (produto exportável) foram descobertas. Há produção de petróleo e as indústrias químicas e eletrônicas lideraram o crescimento industrial desde 1945.


5 HISTÓRIA
No século I a.C., os romanos conquistaram o território habitado pelos frísios (uma tribo germânica) e por outras tribos germânicas e celtas. A paz e a prosperidade perduraram por mais de 250 anos.
No ano 300, outras tribos germânicas chegaram. Até o ano 800, o território formava parte do Império de Carlos Magno. Com a desintegração desse império, a Holanda se integrou à Lotaríngia e, em 925, uma parte passou a depender do Sacro Império Romano-Germânico. Ao longo dos séculos IX e X, os vikings invadiram as zonas costeiras ao mesmo tempo em que aumentava o poder da nobreza. Durante os séculos XII, XIII e XIV, cidades poderosas se desenvolveram e o território tornou-se um importante centro comercial.

Através de casamentos, conflitos bélicos e manobras políticas, a região passou às mãos dos duques de Borgonha durante o século XV. Em meados do século XVI, a cidade estava sob o domínio do imperador Carlos V, que, em 1555, cedeu o trono à Espanha e o governo da Holanda ao seu filho, Felipe II.

O descontentamento político entre a Holanda e a Espanha coincidiu com o desenvolvimento da Reforma protestante, contra a qual Felipe II lutou energicamente. O calvinismo se estendeu e, em 1566, propagaram-se revoltas por todo o país. Para contê-las, Felipe II enviou tropas comandadas por Fernando Álvarez de Toledo, duque de Alba, que deu lugar a outro levante, dessa vez liderado por Guilherme I, o Silencioso, príncipe de Orange.

Em 1579, formou-se a União de Utrecht o que significou a divisão entre as províncias do norte da Holanda, sob domínio dos protestantes e que, mais tarde, se transformariam nas Províncias Unidas; e as do sul, na sua maioria católicas, que depois formariam a Bélgica. Em 1581, as províncias da União de Utrecht proclamaram sua independência e, com a ajuda dos ingleses, em 1588, destruíram a Invencível Armada. Por volta de 1600, as tropas espanholas foram expulsas das províncias da União de Utrecht. Após a trégua dos Doze Anos (1609-1621), a guerra continuou até 1648. Por determinação do Tratado de Münster, foi reconhecida a soberania da República das Províncias Unidas.

No século XVII, teve início uma época de grande prosperidade comercial que coincidiu com a idade de ouro da arte holandesa (Rembrandt e Jan Vermeer). Até meados do século, a Holanda era o principal poder comercial e marítimo da Europa. A Companhia Holandesa das Índias Orientais, fundada em 1621, estabeleceu colônias nas Índias Ocidentais (hoje Antilhas), no Brasil e na América do Norte e, no Extremo Oriente, colônias nas Molucas, em Java ocidental e, posteriormente, na atual Indonésia.

Apoiando-se nos Estados Gerais, Guilherme de Orange e seus filhos governaram o país formando uma assembléia de representantes das sete províncias. A República se dividiu por causa de um conflito religioso e político entre duas facções da Igreja reformada (calvinista), arminianos e gomaristas, os quais acabaram se impondo. A rivalidade comercial com os ingleses provocou as duas guerras Anglo-holandesas (1652-1654 e 1664-1667). Os holandeses perderam Nova Amsterdã (hoje Nova York) e receberam em troca a Guiana Holandesa (hoje Suriname).

Após a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), as Províncias Unidas foram dominadas pelo poder marítimo do Reino Unido e pela hegemonia militar da França. Em 1795, tropas francesas apoiadas por holandeses, substituíram a república das Províncias Unidas pela república de Batávia, que durou até 1806.

Por sua vez, Napoleão transformou o país no Reino de Holanda, colocando seu irmão, Luís Bonaparte, na direção do governo. Em 1810, a Batávia foi incorporada ao Império Francês e os britânicos se apoderaram de suas colônias. Após a queda de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) restaurou a independência da Holanda, configurada como reino, que integrava os Países Baixos austríacos (atual Bélgica). Em 1830, os belgas se rebelaram e estabeleceram sua independência como estado soberano.

A segunda metade do século XIX foi marcada por uma liberalização do governo holandês, influenciado pelas revoluções européias da década de 1840. A Constituição de 1848 é a atual base do sistema democrático. Em fins do século XIX, o sufrágio foi se estendendo e as pressões para a realização de uma reforma social aumentaram, favorecida pelo auge de um Partido Trabalhista forte e pela organização dos trabalhadores nos sindicatos.

De 1880 a 1914, a Holanda desfrutou de prosperidade econômica, o que terminou com a Primeira Guerra Mundial. O país permaneceu neutro, mas sua economia sofreu um duro golpe. As conseqüências econômicas se viram agravadas pela depressão de 1930.

Na  Segunda Guerra Mundial, a Holanda novamente proclamou sua neutralidade, mas os alemães invadiram o país em 1940. Houve grandes danos e o pós-guerra foi marcado pelos esforços para a reconstrução do país. A nação foi membro fundador, em 1952, da Comunidade Européia do Carvão e do Aço, participando de inúmeros organismos internacionais. Os últimos anos da década de 1940 e princípio da década de 1950 foram economicamente difíceis, com governos dominados pelo Partido Trabalhista. Em 1949, transferiram formalmente a soberania para o governo indonésio das Índias orientais, excluindo a Nova Guiné da Holanda, que permaneceu sob controle holandês até 1962. Em 1954, o Suriname e as Antilhas Holandesas se tornaram membros do Reino da Holanda.

O Partido Popular Católico chegou ao poder em 1959, mantendo seu domínio na Câmara dos Deputados nas eleições de 1963 e 1967. Após o surgimento de uma coalizão conservadora que governou em 1972, constituiu-se um governo de transição e, em 1973, uma nova coalizão elegeu como primeiro-ministro o dirigente do Partido Trabalhista, Joop den Uyl. Quando o Suriname alcançou a independência em 1975, a afluência de imigrantes agravou os problemas econômicos.

Nas eleições de 1977, Andreas van Agt, um democrata-cristão, foi eleito primeiro-ministro. Em 1980, a princesa Beatriz assumiu o trono após a abdicação de sua mãe, a rainha Juliana. Nas eleições parlamentares de 1982, venceu uma nova coalizão democrata-cristã, que ficou no poder até 1994.
Em 1983, foi acordado que Aruba se tornaria um território separado, dentro do Reino da Holanda durante dez anos e que, a partir de 1996, alcançaria a independência, mas em 1994 decidiu-se ampliar esse período. Nas eleições gerais de 1994, atribuiu-se a derrota dos democrata-cristãos ao desemprego e aos cortes nos gastos sociais. O Partido Trabalhista obteve maioria no Parlamento e, mesmo com a perda de votos, formou-se uma coalizão com o Partido Popular de direita e com o grupo de centro-esquerda, Democracia 66. As propostas da nova coalizão estabeleciam mais cortes nos gastos sociais e uma importante redução nos gastos com a defesa.


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domingo, 24 de janeiro de 2016

Há 50 Anos Atrás. Hoje na Historia: 24Jan.1966

1966 - Indira Gandhi, filha de Nehru, assume como primeira-ministra da India após a morte de Sri Shatri




Gandhi, Indira (1917-1984), primeira-ministra da República da Índia (1966-1977; 1980-1984).

Única filha de Jawaharlal Nehru, após a morte de Lal Bahadur Shastri sucedeu-lhe no cargo como primeira-ministra.

Em 1975, acusada de infração durante a campanha eleitoral de 1971, declarou estado de emergência, pôs em desenvolvimento uma severa política de controle da natalidade e encarcerou milhares de opositores políticos. Derrotada nas eleições de 1977, retornou ao poder em 1980. Foi assassinada por membros sikhs de sua guarda pessoal, após reprimir duramente seus correligionários e ordenar o ataque ao Templo Dourado de Amritsar.


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sábado, 23 de janeiro de 2016

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O que são Calendas?

As calendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua nova. A expressão "calendas gregas", representa um dia que jamais chegará, pois era inexistente no calendário grego.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Enciclopédia


1 INTRODUÇÃO
Enciclopédia, termo derivado do grego (ver Língua grega), reunindo o prefixo en (em ou dentro de) e os substantivos kýklos (círculo) e paideía (educação). Significava, originalmente, a instrução em todos os ramos do saber ou uma formação abrangente em determinada disciplina. Este conceito fez surgir a idéia de reunir as matérias necessárias numa única obra, onde os conteúdos das várias artes e ciências, bem como as relações entre elas, seriam apresentados de maneira sistemática.
Tentativas de produzir livros desta natureza foram feitas desde épocas bastante antigas, embora a designação enciclopédia só tenha sido aplicada no século XVI. As modernas enciclopédias gerais procuram abranger todos os ramos do conhecimento, geralmente em uma coleção de tomos com textos e iconografia (ilustrações, mapas, diagramas), além de índices, relação de abreviaturas e outros recursos para facilitar a consulta. A maioria se destina ao leitor adulto, embora o público infanto-juvenil e os estudantes em geral sejam cada vez mais atendidos através de adaptações ou de obras elaboradas especificamente para tal fim. Também existem enciclopédias especializadas que se limitam a um campo, disciplina, ciência ou atividade. Outras, ainda, abordam conhecimentos gerais do ponto de vista de uma cultura particular. Na década de 1980, as editoras começaram a produzir enciclopédias eletrônicas, tanto on-line como no formato de CD.
Antes de prosseguir na leitura, quem agora consulta Encarta poderia refletir sobre a própria experiência. O disco que passa esta informação guarda o conteúdo de inúmeros volumes que exigiriam um razoável esforço até se chegar ao tipo de esclarecimento desejado. No modelo tradicional, uma teoria científica — mesmo que bem exposta e enriquecida por fórmulas e diagramas — talvez continuasse difícil para a compreensão do leigo. Ou, por mais que se descrevesse um instrumento musical, sua sonoridade permaneceria um mistério. Já a enciclopédia informatizada — explicando por meio de imagens em movimento e ilustrando através de seqüências sonoras —, ao conjugar a totalidade dos seus recursos, transforma a tarefa de procurar em quase instantâneo encontrar.
Foram necessários séculos e séculos para que o conhecimento ganhasse uma fisionomia verdadeiramente enciclopédica. No suporte papel ou no eletrônico, o ideal de sistematização é uma tarefa interminável que pressupõe uma leitura infinita e uma infinidade de leitores. Olhando para trás, a construção deste processo pode ser imaginada como milhares de quilômetros de tomos enfileirados, embora se saiba que jamais uma biblioteca abrigou todas as enciclopédias do mundo.
2 AS PRIMITIVAS OBRAS DE CONHECIMENTOS GERAIS
As enciclopédias primitivas, concebidas para leitura contínua e estudos, expunham os conhecimentos acumulados de seus autores, sendo sempre obras individuais. Eram planejadas como compêndios e, por isto, diferiam da enciclopédia moderna que serve, principalmente, como fonte de consulta e é o produto de um esforço coletivo na área do conhecimento.
3 NO MUNDO ANTIGO
Apesar de Aristóteles ser muitas vezes citado como o "pai das enciclopédias" — pela amplitude de sua obra e intenção de nela expôr todo o saber existente —, a mais antiga enciclopédia ocidental de que se tem notícia é atribuída a Espeusipo, um discípulo de Platão. Seu trabalho reuniria os conhecimentos da época, o século IV a.C., mas dela não restou nenhum fragmento. Já em Roma, Marco Terêncio Varrão escreveu Disciplinae (As disciplinas, nove livros, 30 a.C.), versando sobre gramática, dialética, retórica, geometria, astrologia, música, medicina e arquitetura. Apenas alguns trechos são conhecidos através de citações dos primeiros autores cristãos e, sobretudo, de Santo Agostinho, em A cidade de Deus.
A mais antiga enciclopédia existente é a Historia Naturalis (aproximadamente 79 d.C.) do escritor romano Plínio, o Velho. Os temas tratados em 37 livros e 2.493 capítulos abrangem antropologia e fisiologia humana, botânica, zoologia e mineralogia (com referências ao emprego dos metais e pedras preciosas em trabalhos artísticos). A inclusão de um índice temático e de uma relação das fontes utilizadas, recursos que só apareceriam muito mais tarde nas enciclopédias, conferem originalidade a este trabalho cuja consulta foi fundamental até o século XVI.
4 IDADE MÉDIA E RENASCIMENTO
Na primeira metade do século V, Marciano Mineu Félix Capela, um erudito latino que, provavelmente, atuou como jurista em Cartago, escreveu De Nuptiis philologiae et Mercurii (Sobre o casamento da Filologia e de Mercúrio). A obra principia com uma concepção alegórica da união de Mercúrio com uma "donzela muito instruída", a Filologia, na presença das sete artes liberais, personificadas como damas-de-honra. Escrita em prosa e verso, esta representação das formas do saber esboçava o currículo das universidades medievais, composto pelo trívio (gramática, dialética e retórica) e o quadrívio (geometria, astronomia, aritmética e música). Um aspecto sempre destacado na obra de Capela é a afirmação de que Mercúrio e Vênus giram em torno do Sol, contrária à concepção geocêntrica vigente.
Outro trabalho enciclopédico famoso — e, por muito tempo, apreciado — deve-se a santo Isidoro de Sevilha que reuniu em Etymologiarum, seu Originum Libri XX (Vinte livros de Etimologias ou Origens, 623 d.C.), as sete artes liberais e outros assuntos, entre eles, medicina, direito e história. Cabe salientar que, no décimo volume, consagrado à etimologia, os tópicos aparecem por ordem alfabética. No século IX, o grande educador e erudito Rabano Mauro, arcebispo de Mainz, reorganizou, em 22 volumes, a seqüência dos livros VII até XX. Essa versão modificada e ampliada das Origens, principiando com Deus e os anjos (um novo modelo de exposição), foi intitulada De Universo, sendo impressa em 1473.
Entre os séculos IX e X, a compilação do saber humano também florescia no mundo islâmico (ver Islã) que legou a erudição enciclopédica do filosófo persa Al-Farabi e do matemático Al Kharismi. Bizâncio, à mesma época, viu surgir o Myrobíblion (Mil livros), do patriarca Fócio e o Lexikon de Suídas. Ambas as obras contêm citações gregas que, sem tais registros, estariam perdidas.
A Antigüidade também ressurgiria em uma das enciclopédias mais notáveis na Europa medieval: o Speculum Majus (Espelho maior) compilado, no século XIII, pelo dominicano frei Vincent de Beauvais. Para abarcar o saber da época, a obra consta de 80 livros e foi estruturada em partes ou espelhos que refletiam o mundo. Neles figuram estudos sobre 450 autores gregos, latinos e hebreus, demonstrando a familiaridade com uma produção literária supostamente estranha ao repertório intelectual dos mosteiros medievais, bem como a deliberação de difundí-lo para um círculo maior de estudiosos.
Em 1481, o Speculum Majus foi traduzido para o inglês (ver Língua inglesa) e publicado pelo impressor William Caxton sob o título de The Mirror of the World (O espelho do mundo). A grande obra de Vincent de Beauvais - que o autor pretendia que fosse não somente lida a fundo, mas aprendida de cor - suscitou o aparecimento de outros trabalhos enciclopédicos de menor alcance.
Entre 1260 e 1267, Brunetto Latini, um italiano que foi amigo e conselheiro de Dante, escreveu Li livres dou trésor (Os livros do tesouro). Este autor se exilara na França e redigiu sua obra em vernáculo. O abandono do latim (ver Língua latina) como língua culta, o caráter maravilhoso, uma seção dedicada às repúblicas italianas do século XIII e toda a erudição compendiada fizeram deste empreendimento um marco na história das enciclopédias.
Passados três séculos, publicava-se, na Basiléia, a Encyclopaedia, seu Orbis Disciplinarum tam Sacrum quam Prophanum Epistemon (1559), do humanista alemão Paul Scalich. Trata-se de um sumário pouco significativo dos conhecimentos "sagrados e profanos", cuja menção é obrigatória pelo fato de introduzir o termo "enciclopédia" no próprio título.
5 A ENCICLOPÉDIA NOS TEMPOS MODERNOS
Os obras deste gênero pecaram, desde as primeiras tentativas, pela composição caótica e conteúdos pouco trabalhados. Na verdade, sistematizar e coordenar todos os ramos do saber continuaria sendo um desafio sem resposta satisfatória até os tempos modernos.
Neste sentido, um dos esforços mais originais e fecundos deve-se ao filósofo e estadista inglês Francis Bacon. A estrutura de sua Instauratio Magna ou Grande reconstrução do saber humano (1620), um projeto inacabado, tinha por fim apresentar a totalidade dos conhecimentos de acordo com um método adequado e uma efetiva fundamentação filosófica.
6 NOVAS CONCEPÇÕES
A moderna enciclopédia provém, sobretudo, do Iluminismo (ver Século das Luzes) — movimento intelectual também conhecido como Filosofia das Luzes — e da aspiração de tornar acessível a todos este gênero de obra. Em certos casos, perdurou a organização lógica dos conteúdos por temas ou matérias, linha onde se insere a alentada produção alemã dos séculos XVIII e XIX, influenciada pelos filósofos G.W.F. Hegel, Immanuel Kant e Christian von Wolff. Destacam-se o Lehrbuch der Wissenschaftskunde (Manual de estudos científicos, 1792) de Johann Joachim Eschemburg, o Versuch einer systematichen Encyclopädie der Wissenschaften (Ensaio de uma enciclopédia sistemática da ciência, 1796-1798) de Wilhelm Traugott Krug e do próprio Hegel, a Encyclopädie der philosophischen Wissenchaften (Enciclopédia das ciências filosóficas, 1817). De maneira geral, porém, a apresentação por assuntos foi sendo substituída pela ordem alfabética, com entradas por palavras-chave, nomes ou tópicos especiais. Este método, tornando a enciclopédia formalmente similar ao dicionário, teve reflexo também nos títulos, onde a palavra "dicionário" (ou léxicon) entrou em pleno uso.
Com entradas pela ordem alfabética, a enciclopédia passou a ser uma obra de referência ou consulta, no sentido estrito destes termos, vale dizer, o livro ao qual se recorre sempre que é preciso esclarecer dúvidas ou obter uma informação específica. Os trabalhos modernos se fundamentam, em graus variáveis, na praticidade de tal objetivo e do método adotado. Alguns demonstram uma tendência acentuada à abordagem do tipo dicionário, ampliando o número e a variedade de entradas (palavras-chave ou cabeça de verbete), na maior fragmentação possível de cada assunto. Outras, também por ordem alfabética, restrigem o número de entradas, expondo seu material sob títulos abrangentes. Sob este aspecto, guardam semelhança com as antigas enciclopédias, embora o recurso à sistemas de indexação assegure acesso à informações que não chegam a ser unidades autônomas ou que poderão ampliar o conhecimento de determinado tópico - nas enciclopédias eletrônicas, basta "clicar" termos em destaque ou utilizar outros procedimentos disponíveis para a pesquisa.
Os verbetes de acesso direto deram origem ao moderno dicionário-enciclopédico, cujo exemplo notável foi realizado pelo gramático, lexicógrafo e erudito francês Pierre Athanase Larousse no Grand Dictionnaire Universel du XIXème Siècle (Grande dicionário universal do século XIX, 1866-1876). A par da metodologia alfabética, existem até hoje enciclopédias que são, basicamente, coleções de monografias, ou seja, de longos artigos redigidos com a finalidade de dar um tratamento exaustivo aos grandes temas do saber.
Obras modernas conjugam verbetes curtos com os monográficos, em tendências variáveis. A grande maioria de elaboradores preferem favorecer o acesso direto, no estilo dicionário, por considerá-lo mais apropriado às necessidades do consulente comum, além de igualmente prático para o leitor especializado. Esta estrutura também facilita o processo de atualização, numa época que se caracteriza pelo crescimento multidirecional da informação.
Outra característica do método moderno é a mobilização de uma grande equipe de especialistas, nas diversas áreas do conhecimento: pesquisadores, redatores, colaboradores e editores. Certo grau de cooperação já se verificava nos séculos XVII e XVIII, particularmente na grande obra de Diderot e d'Alembert, a Encyclopédie. Mas foi no século XIX que se consolidou o modelo da equipe editorial como única maneira de garantir a confiabilidade dos conteúdos enciclopédicos. A meta de uma equipe editorial é, portanto, coligir a totalidade dos conhecimento que a obra pretende abranger e apresentá-la de maneira compreensível para os leigos e aceitável para os especialistas.
7 ENCICLOPÉDIAS DO TIPO DICIONÁRIO
O primeiro exemplo significativo deste tipo de apresentação foi Le grand dictionnaire historique, ou Mélange curieux de l'histoire sacrée et profane (O grande dicionário histórico, ou miscelânea da história sagrada e profana) do sacerdote e erudito francês Pierre Moréri. Publicado em 1674, com numerosas reedições e traduções para outros idiomas, o dicionário abrange história, mitologia, genealogias e biografias. A pretexto de corrigir erros originais e sanar omissões de Moréri, o filósofo e crítico Pierre Bayle escreve o Dictionnaire historique et critique (Dicionário histórico e crítico, 1694-1697). A crítica às superstições e à própria religião oficial — posição que inspiraria o ideário combativo do Iluminismo —, a vasta erudição, a clareza e simplicidade do estilo, consagraram a obra de Bayle. Várias traduções e reedições fizeram dela a enciclopédia mais consultada no século XVIII.
Na Alemanha do século XVII, Johann Hoffman compilou o respeitável Lexicon Universale (quatro volumes, 1677-1683), e também se notabilizaram os léxicos publicados por Johann Hübner em 1704 e 1712 que, sendo obras coletivas, representam um pioneirismo no modelo da colaboração sistemática, hoje em vigor. O método dos verbetes curtos, por ordem alfabética, foi adotado na Inglaterra por John Harris, compilador do Lexicon Technicum; or an universal English dictionary of arts and sciences explaining not only the terms of art, but arts themselves (Dicionário universal inglês das artes e das ciências...). À primeira edição (um volume, 1704), seguem-se os dois tomos da segunda (1708-1710) e, finalmente, o suplemento de 1744 que atualiza e amplia a obra, ilustrando com gravuras e diagramas o texto remodelado. Mais abrangente que o Lexicon de Harris foi a Cyclopaedia; or an universal dictionary of arts and sciences...(dois volumes, 1728), de Ephraim Chambers, cuja grande inovação foi estabelecer o sistema de referências cruzadas que guiam o leitor no sentido de obter informações complementares em outros verbetes relacionados com o que motivou a consulta. Assim, tornou-se possível a visão geral dos assuntos em um modelo forçosamente fragmentado, uma vez que as várias unidades de informação estão expostas na ordem do dicionário. A Cyclopaedia teve numerosas edições, culminando na New Cyclopaedia com 45 volumes (1802-1920), e conferiu a Chambers o título de pai da lexicografia inglesa. Na França, o entusiasmo despertado pela obra propiciou uma das maiores conquistas da cultura ocidental.
8 A ENCICLOPÉDIA DE DIDEROT
Uma tradução francesa da Cyclopaedia de Chambers se encontra na origem da famosa Encyclopédie, ou Dictionnaire raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers (Enciclopédia, ou dicionário racional das ciências, artes e ofícios), conhecida simplesmente como Encyclopédie. Denis Diderot, enciclopedista, filósofo e dramaturgo, fora incumbido de rever aquela tradução, mas, em suas mãos, a tarefa se converteu num empreendimento intelectual sem precedentes. Diderot cercou-se dos mais brilhantes eruditos da época — entre eles, o matemático e filósofo Jean le Rond D'Alembert, a quem foram confiadas a revisão dos artigos de matemática e a redação do famosíssimo prefácio. O grande grupo de colaboradores incluía, entre outros expoentes, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Helvétius, Holbach, Quesnay e Louis Jean-Marie Daubeton. Mas a figura primordial continuou sendo o próprio Diderot, autor dos artigos sobre as artes e os ofícios, história e filosofia antiga. Além disto, ele fez a revisão geral da obra e coordenou o trabalho dos colaboradores. Sob o ponto de vista da forma, a Encyclopédie é, essencialmente, um dicionário enciclopédico que abrange palavras de uso corrente e nomes próprios, na maioria dos casos enriquecidos com detalhadas explicações. Sua apresentação define os dois objetivos presentes no título: "como enciclopédia, deve expor, na medida do possível, a ordem e o encadeamento dos conhecimentos humanos; como dicionário racional das artes e dos ofícios, deve conter, sobre cada ciência e cada arte, seja liberal, seja mecânica, os princípios gerais que lhes servem de base e os detalhes mais essenciais que constituem seu corpo e sua substância". Veículo privilegiado do Iluminismo, a obra tem a marca da tendência anticlerical e anti-religiosa desta corrente filosófica, bem como do materialismo e de um radicalismo que explicam seu extraordinário sucesso e seu papel na preparação da Revolução Francesa.
O combate à ortodoxia vigente foi motivo de perseguições e ataques, mas a própria envergadura intelectual da obra valeu-lhe a conquista de uma posição importantíssima na história do pensamento ocidental. Publicada entre 1771 e 1772 (28 volumes, onze dos quais dedicados às ilustrações), a Encyclopédie foi acrescida de quatro tomos suplementares com mais de 200 gravuras (1776-1777) e de um índice analítico em dois volumes, em 1780. Muitas edições vieram depois.
Em 1781, Charles Joseph Panckcoucke, membro de uma família de editores franceses, publicou o plano de uma enciclopédia que transformaria a obra de Diderot e d'Alembert numa série de dicionários temáticos independentes. Essa Encyclopédie méthodique par ordre de matières (Enciclopédia metódica por ordem de assuntos) só foi concluída em 1832, anos após a morte do seu idealizador, e teve um total de 167 volumes.
9 AS ENCICLOPÉDIAS MONOGRÁFICAS
Paralelamente ao desenvolvimento das enciclopédias do tipo dicionário, as do tipo monográfico prosseguian no objetivo de abarcar a totalidade do saber. Exemplo máximo é a Encyclopaedia Britannica, cuja primeira edição saiu em Edimburgo, entre 1768 e 1771, através de 100 fascículos semanais. O projeto foi concebido por três escoceses: William Smellie, editor e autor dos principais artigos, Colin Macfarquhar, impressor, e o gravador Andrew Bell. Constava de verdadeiros tratados e artigos longos, mas também incluía verbetes apresentados por ordem alfabética, características conservadas nas edições subseqüentes que, a partir de 1929, passsaram a ser norte-americanas. A última, publicada em 1985, tem 32 volumes e obedece a um plano de extrema capacidade instrutiva: dois tomos de índices, um tomo denominado Propaedia no qual se delineia o "círculo do saber atual", dez volumes de verbetes curtos destinados à consulta rápida, que constituem a Micropaedia e, finalmente, a Macropaedia cujos 19 volumes reúnem verdadeiras monografias, oferecendo assim o "conhecimento aprofundado" dos grandes temas da cultura. Como muitas obras no gênero, a Britannica se mantém atualizada por meio de suplementos anuais. Além disto, foi editada em CD-Rom, em 1994. No ano seguinte, abriu-se à consulta por computador através da Internet.
Outro exemplo de enciclopédia monográfica é a Allgemeine Encyclopädie der Wissensschaften und Künste, in alphabetischer Folge (Enciclopédia universal da ciência e da arte, por ordem alfabética), obra alemã de proporções monumentais, publicada sob a direção dos editores Johann Samuel Ersch e Johann Gottfried Gruber. Com artigos de até mil páginas, começou a sair em 1818 e só teve o último dos seus 168 volumes entregue ao público em 1914.
Uma das obras de referência mais úteis e consultadas no século XIX foi o Konversationslexicon, subtendendo-se, nesse título, "enciclopédia para consulta e conversa entre gente instruída". Deve-se ao editor alemão Friedrich Arnold Brockhaus, que a publicou em Leipzig, entre 1796 e 1808. Com verbetes mais curtos e precisos que a obra de Ersch e Gruber — e muito ao agrado do mundo burguês (ver Burguesia) — serviu como base da Enyclopaedia Americana, compilada pelo educador Francis Lieber (30 volumes, 1829-1883), bem como da Chamber's Encyclopaedia (10 volumes, 1850-1868), dos editores britânicos Robert e William Chambers. O Konversationslexicon, em sua décima edição (1928) passou a ser conhecido como Der grosse Brockhaus (O grande Brockhaus).
10 NO SÉCULO XX
A tradição das enciclopédias francesas está representada pela Encyclopaedia Universalis (1968-1975) cuja última edição reúne 30 volumes (1990) e pela Grande Enciclopédie de Larousse (1971-1978), composta de 21 tomos e dois suplementos. A consulta rápida tem, no Petit Larousse illustré, um instrumento léxico e sinteticamente enciclopédico de grande popularidade.
Na Itália, após a pioneira Nuova Enciclopedia Popolare, do editor Pomba (Turim, 1866-1876), impôs-se como obra de referência à Enciclopedia italiana di scienze, lettere e arti realizada por Giovanni Treccani e Giovanni Gentile (36 volumes, 1929/1937).
Da extinta União Soviética é a Bolshaya sovietskaya entsiklopedya (Grande enciclopédia soviética, 64 volumes, 1926/1947) de orientação marxista (ver Marxismo) na sua linha interpretativa da história e do saber humano. Em versão para o inglês, Great soviet encyclopaedia (1983), compõe-se de 32 volumes.
A produção enciclopédica espanhola se inaugura com o Diccionario enciclopédico hispano-americano de literatura, ciencias y arte (1887-1910), e tem como obra dominante a Enciclopedia universal ilustrada europeo-americana, da editora Espasa-Calpe. Iniciada em 1905, atingiu 114 volumes, sendo permanentemente atualizada.
Nos Estados Unidos, além da já citada Encyclopaedia Britannica (na evolução posterior a 1929), destacam-se a Columbia Encyclopaedia (1935), a Collier's Encyclopaedia (1949-1951) e a Encyclopaedia International (1963), todas com edições renovadas.
No Oriente, a Grande enciclopédia japonesa, em dez volumes (1908-1919), guarda semelhança com as obras ocidentais modernas, embora se caracterize como antologia de textos científicos. A Japônica (19 volumes, 1967-1972) é uma obra de referência mais geral.
Grande enciclopédia da China, de caráter temático, abriu-se com o volume sobre astronomia (1980) e deverá ter cerca de 80 tomos. Vale lembrar que as enciclopédias chinesas sempre primaram pela extensão e minúcia. Nos tempos antigos, consistiam em textos literários, históricos e biográficos, citando-se, como obra inaugural, O espelho do Imperador (século II a. C.), que não chegou aos nossos dias. O Tai-pig-yü-lan (977-983), após nove séculos de muita popularidade, foi publicado em 22 volumes grossos. A maior obra, compilada no século XV, tinha 11.995 volumes, enquanto a famosa enciclopédia Kang-hsi tzu-tien (1726) se constitui em mais de cinco mil tomos.
11 ENCICLOPÉDIAS EM LÍNGUA PORTUGUESA
Em matéria de obras de referência abrangentes, o público lusófono recorreu, durante muito tempo, a publicações estrangeiras tradicionais, como a Britannica e os Larousse. Na década de 1930, começa o projeto cooperativo de especialistas lusos-brasileiros cujo resultado foi a Grande enciclopédia portuguesa e brasileira (40 volumes, 1935-1960), capaz de conjugar o conhecimento universal com uma variada e rica informação sobre Portugal e Brasil. Adiante, apareceram em Portugal a Verbo e a Enciclopédia Internacional Focus, iniciadas, respectivamente, em 1959 e 1964.
No Brasil, após a pioneira Enciclopédia Brasileira Mérito (1958-1964), surgiu a Barsa (1964), remodelada como Nova Enciclopédia Barsa em 1997. De caráter léxico-enciclopédico é a Grande Enciclopédia Delta-Larousse (1970), dirigida pelo filólogo Antônio Houaiss que, a seguir, esteve à frente da Enciclopédia Mirador Internacional, lançada em 1975. Obra do tipo metódico, com um volume de índices e 19 de verbetes extensos e auto-suficientes, foi composta por especialistas brasileiros. Estas obras têm sido atualizadas e reeditadas. Sua citação não esgota a vitalidade de uma produção editorial variadíssima que tem, entre outros, nos editores Abraão Koogan e Jorge Zahar — bem como nas editoras Abril, Nova, Bloch e O Globo — incansáveis difusores dos mais diversos tipos de obras enciclopédicas.
No horizonte das crianças e adolescentes, marcou época o Tesouro da juventude que pouco revela sobre a origem norte-americana, nada diz sobre quem trabalhou na adaptação, mas traçou, tematicamente, as principais linhas da cultura universal para os pequenos leitores da primeira metade do século XX. As gerações seguintes conviveram com O mundo da criança, obra enciclopédica também baseada num modelo norte-americano, cujo caráter pedagógico foi reforçado pela criteriosa inclusão de informações sobre o contexto brasileiro.
12 ENCICLOPÉDIAS MULTIMÍDIA
A primeira enciclopédia em CD-Rom foi lançada pela editora norte-americana Grolier, em 1985. Inaugurava-se, assim, a era do suporte que enriquece o conteúdo textual com som, imagens em três dimensões, imagens animadas ou vídeos e, também, com a possibilidade de consulta através das ligações de hipertexto. Na maioria dos casos, as enciclopédias multimídia derivam de obras existentes no suporte tradicional do papel impresso. Encarta, publicada pela Microsoft Corporation em 1993, baseou-se inicialmente na Funk & Wagnalls New Encyclopaedia (1971). Revista e ampliada para a comercialização no mercado internacional, a edição de 1995 serve como ponto de partida para as traduções e adaptações para diversos países, entre eles, os de língua portuguesa.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Hoje na História: 20.Jan.1920

Nascimento de Manoel D. da Silva

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ergonomia


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domingo, 17 de janeiro de 2016

Riscado


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sábado, 16 de janeiro de 2016

Frango-d'água-azul


Frango-d'água-azul, ave da família dos Ralídeos, a mesma das galinhas d’água, é geralmente o frango-d’água mais conhecido do Brasil. Habita brejos e banhados desde o sul dos Estados Unidos à Argentina e em todo o Brasil. De hábitos migratórios, desaparece do Sul do país durante o inverno. Pousa em navios, para descansar, a distâncias de 100 km ou mais da costa. Não raramente, atravessa o Atlântico. No Maranhão, onde é também chamado de jaçanã (mesmo nome dado em outras regiões a uma ave da família dos jaçanã), surge em quantidade no período janeiro-fevereiro e nidifica de abril a junho. São intensamente caçados e seus ovos, coletados. O arroz de jaçanã é, de março a novembro, um dos pratos mais comuns da culinária maranhense.

Classificação científica: Ordem dos Gruiformes. É a espécie Porphyrula martinica.


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Hoje na Historia: 14 de Janeiro de 1941 - 75 Anos

1941 – Nasce Faye Dunaway, atriz americana, famosa por sua participação no filme “Bonnie and Clyde”.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Hoje na História: 75 Anos da morte de James Joyce

1941 - Morre James Joyce, escritor irlandes.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Entrevista da Semana: José R. M. de Barros

Com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o que o sr. espera para a economia?
O afastamento da presidente Dilma sinaliza uma mudança muito profunda. É um turning point (ponto de inflexão) no cenário político brasileiro porque significa o afastamento do grupo que comandou o poder e a economia desde 2003. Com a saída dela, certamente as mudanças que devem ocorrer serão muito mais profundas. Serão mudanças que vão se explicitar aos poucos e vão atingir alguns dos pilares que nortearam os últimos sete, oito anos.
Em quais pontos o sr. enxerga a possibilidade de mudança?
Vejo uma mudança na visão de mundo em que o Estado tem de comandar tudo, todo o crescimento, todas as coisas, etc. A nossa percepção geral é a seguinte: os primeiros três, quatro meses serão realmente muito importantes. Essa mudança deve ser profunda, mas é sujeita a risco dada a natureza de ser um governo que está assumindo após o processo de impeachment. Antes de tudo, o que me chama atenção é que, nos próximos três ou quatro meses nós vamos ter quatro fatores influenciando o governo.
Quais são esses fatores?
O primeiro é que nós teremos de lidar com a continuidade do aumento do desemprego e com um número relativamente importante de recuperações judiciais. O segundo fator envolve a situação dos Estados. Tem uma ameaça gigante que é a questão dos juros simples e compostos. Na semana passada, o Supremo deu mais dois meses para negociação (os Estados questionam a troca de metodologia de cálculo das dívidas estaduais com a União de juros compostos para simples). O Supremo sinalizou que isso não vai se materializar, mas de certa forma santificou que algum acordo vai ter de ser feito com os Estados. O terceiro elemento se dá por certas reações dos movimentos sociais (ao processo de impeachment) cuja dimensão não dá para dizer, mas que certamente não ajuda a entrada do novo governo. E, finalmente, tem a Lava Jato. A operação vai continuar na sua trajetória, o que também é uma coisa relevante no curto prazo. Embora a passagem de governo seja delicada, no geral, a nossa expectativa é que o novo governo tenha uma janela de oportunidades para uma estabilização da economia e para entregar alguma melhora no cenário econômico.
Por que o sr. acredita que essa visão otimista pode prevalecer?
O processo de impedimento vai resultar em um enorme ganho de governança para o País, inclusive das empresas. Nenhum país consegue ir adiante com o tipo de governança que tínhamos até aqui. A segunda razão para essa visão é que o Temer vai ter de assumir – e eu acho que ele tem essa visão – um governo de transição. Se ele disser que não será candidato em 2018, ele não é competidor de ninguém. Isso permite que uma boa parte das forças econômicas, políticas e sociais apoiem o governo. A terceira razão é que essa crise prolongada fez depurar as visões no sentindo de a gente ter uma clareza muito grande com relação à agenda econômica nacional.
Qual é essa agenda?
Se você tirar a esquerda e quem está saindo do governo, existe um enorme consenso com relação a essa agenda. Ela está calcada em três pontos. Nós temos de inverter a curva fiscal. Estamos indo para uma inviabilidade absoluta. A segunda coisa para a qual se concorda é que temos de retomar uma agenda de reformas, e o terceiro ponto é que os custos de se fazer negócio e produzir no Brasil são permanentemente elevados, o que acabou com a competitividade do Brasil.
O sr. acredita que todas essas questões serão endereçadas?
O que me parece fundamental perceber é que essa agenda precisa ser aceita num contexto de um governo de transição. Não serão resolvidos todos os problemas, mas o que se espera de um governo de transição é que se tenha o início e uma visão desse processo. O que deve estar por trás desse governo é a expressão popular ‘poucas e boas’. Não adianta vir com uma lista interminável de coisas para serem reformadas ou atendidas porque não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
Dentro dessa agenda, em quais áreas será possível avançar em um eventual governo Michel Temer?
Não dá para deixar de fora uma reforma da Previdência. E provavelmente a questão para começar é a idade mínima. É algo discutido, aceito, simples de entender e impossível ser contra, ainda que represente uma mudança que vai exigir maioria importante no Congresso. A ideia de ampliar a DRU (Desvinculação de Receitas da União) de 20% para 30% me parece excelente. O governo vai ter de caminhar na direção de um ajuste sem que tenha aumento de imposto. O que também precisamos é reduzir o volume de isenções e analisar as despesas. Na redução dos custos para se fazer negócios, vejo duas coisas para se pensar: melhorar as regras de concessão e mexer na área trabalhista. Para essa agenda sair do papel, nada substitui a arte de fazer a política econômica do governo. Será preciso selecionar o que fazer na partida: algo relevante, viável politicamente e que sinalize um determinado caminho.
Na possibilidade de o Temer assumir, o sr. imagina crescimento econômico em 2017?
Não será nada muito espetacular. Este ano vai ser negativo porque o peso do primeiro semestre é arrasador. Em 2017, não haverá um crescimento grande. Algo em torno de 1,5%.
O governo Temer teria força para começar todas essas medidas que o sr. pontua?
Eu acho que sim. Vamos lembrar que, ao contrário do que diz o grupo que está saindo do governo, o movimento que levou ao impeachment foi muito profundo. Estamos falando de 70% da população. É um movimento que tem base e, por isso, a decepção da população seria gigantesca se tudo isso fosse frustrado.
ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles é o mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda. Qual avaliação o sr. faz de uma possível gestão dele?
Ele tem o perfil que atende perfeitamente a esse cenário colocado. É experiente, veterano, bem aceito e tem experiência de governo. Os nomes que se falam para o Banco Central também me parecem todos razoáveis. Existe um olhar que eu acho exagerado sobre o que o mercado financeiro vai dizer. Eu acho que o mais relevante é que os setores não financeiros vão dizer, como as famílias e as empresas. Acho que tem chance de ser uma coisa bem positiva. Estou otimista. Agora, sei que tudo começa nos primeiros passos. Tem de dar a pisada correta na partida. O custo de um erro na partida vai ser muito alto.
Parte da indústria critica o Meirelles por causa da apreciação do real durante a presidência dele no BC. Faz sentido essa crítica?
Eu não acho que tenha sido ele o pai disso. Acho que foi o governo. O Banco Central sozinho não faz nada. Foi o governo que embarcou nessa de apreciação para segurar a inflação do jeito fácil. Agora, o mais importante é que hoje todo mundo concorda que o coração do problema está na parte fiscal e não na monetária e cambial. Do lado monetário e cambial, temos boas possibilidades para estabilizar o câmbio e baixar os juros. A hora que baixar um pouco a temperatura política e começar a olhar para trás vai ficar mais claro ainda o tamanho do desastre macroeconômico. E ele é gigantesco. Para conseguir quebrar a Petrobrás tem de ser muito incompetente.
Quantos anos se leva para consertar o desarranjo fiscal?
O duro é fazer o turning point. O Carlos Melo, colunista do Estadão, falou outro dia e acho muito correto que a primeira coisa para sair do buraco é parar de cavar. E o governo Dilma nunca parou de cavar o buraco. Até hoje está cavando. Se fizer o mínimo, você para de cavar e aí começa a reconstruir alguma coisa.
Nomes do PSDB devem integrar o governo do Temer?
Eu acho que o PSDB tem de apoiar. Não faz o menor sentido fingir que não tem nada a ver com isso. É uma questão de responsabilidade.
Se o governo Temer não se concretizar e a Dilma permanecer ou voltar ao poder, qual será o cenário?
Um horror. O câmbio explode, o mau humor volta a dominar todo mundo. A presidente não tem mais apoio de lugar nenhum. Eu imagino um cenário horroroso. Aliás, essa é a razão pela qual em setembro do ano passado a consultoria MB colocou no seu cenário base que o governo Dilma não terminaria em 2018. O raciocínio era exatamente esse. Não era crível que nada aconteceria com a economia caindo 4% num ano e depois mais 4% no ano seguinte. Quem empurrou esse movimento (de saída da presidente) foi a população, não foi o presidente da Câmara. Essa é uma forma mentirosa de contar a história. Se por um absurdo acontecer a volta da Dilma, nós cairemos numa trajetória pior em relação a que nós estamos. Aí a recaída é impensável.

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domingo, 10 de janeiro de 2016

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sábado, 9 de janeiro de 2016

Hoje na História: 09 de Janeiro de 1977

Juízes de todo o país promoviam o Congresso Brasileiro dos Magistrados em prol do Estado de Direito.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Clarice Lispector


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Entrevista do dia: Gustavo Franco

Folha - O senhor é favorável ao impeachment da presidente?
Gustavo Franco - Acho melhor que ela não permaneça. Há quase uma incompatibilidade de gênios entre Dilma Rousseff e a vida econômica. Uma percepção geral de fadiga que indica que o melhor caminho é a mudança.
Quando as coisas começaram a dar errado?
Na descoberta do pré-sal. Criou uma sensação de vitória ou de redenção, uma ideia de que o Brasil deveria seguir um novo modelo.
No plano macro, com a mudança do tripé econômico [regimes de metas de inflação, fiscal e câmbio flutuante]. E, no plano micro, com o abandono da agenda de ambiente de negócios em favor de um relacionamento entre o público e o privado muito pessoal, bastante politizado.
Pode dar exemplos?
No plano macro, a maior distorção são a política fiscal e o desaparecimento do superavit primário, com a criatividade contábil e as ilegalidades envolvidas nas pedaladas.
No plano micro, o exemplo gritante é o da Petrobras, que concentra os vícios dessa nova forma de relacionamento entre público e privado, esse capitalismo de compadrio. O resultado é desastroso, porque praticamente quebrou a Petrobras.
O que é o capitalismo de compadrio?
É essa nova forma de capitalismo pessoal, de campeões nacionais, amigos, compadres. Isso não funciona. Veja pela Lava Jato até onde isso nos levou.
É preciso recuar dessa orientação e lembrar que corrupção é resultado de afastamento de relações de mercado e falta de transparência. Felizmente o Brasil recusou essa bactéria pelos tratamentos de Curitiba.
Quais medidas seriam prioritárias na área econômica num governo Temer?
Existem duas urgências claras. A primeira é a situação dos Estados, por causa das ações judiciais pleiteando juros simples [na correção da dívida].
Nos anos 1990, a União refinanciou as dívidas estaduais, sem fazer o contribuinte federal pagar por comportamento esbanjador por parte dos Estados, mas dando tempo para pagar e tendo garantias muito boas. Tanto que não há mais default da parte dos Estados, que não pagam mais a folha em vez de não pagar ao governo federal.
O governo federal se comportou como uma espécie de FMI [Fundo Monetário Internacional] para os Estados, e essa experiência foi fundamental para a configuração da Lei de Responsabilidade Fiscal. É o momento de um segundo capítulo. A dificuldade nos Estados é transitória, e a solução pode vir de um auxílio da União, a ser dado sob condições de fortalecer a responsabilidade fiscal.
E a outra urgência?
É a dívida pública. O Brasil chegou a um nível de endividamento acima do prudente. Não tenho dúvida de que é preciso recuperar o superavit primário, mas é preciso ter um plano para desalavancar, ou seja, abater a dívida. Com isso, o governo ataca o problema da conta de juros.
A Grécia tem uma dívida de 170% do PIB e paga 5% do PIB em juros. O Brasil tem uma dívida de 70% do PIB, mais ou menos, e paga quase 10% do PIB em juros. Tem algo errado. Essa conta seria reduzida reduzindo-se o tamanho da dívida.
E como isso seria feito?
Privatização e concessões. Por exemplo, a Petrobras tem dentro dela muitos ativos que já estão sendo colocados à venda, mas fora de um programa de privatização. Outra fronteira interessante é a venda de créditos. O Tesouro emprestou meio trilhão de reais ao BNDES. Como o banco vai devolver isso? Além das ações que podem ser vendidas, o BNDES tem o crédito. Você pega os créditos criados com recursos do Tesouro e privatiza. Isto é securitizar.
Privatizações dividem opiniões na sociedade. Como adotá-las dando sinais positivos para população?
O modo como a autoridade articula a retórica desse programa é a profissão dos políticos, que entendem a psicologia popular melhor do que os economistas. O fenômeno importante é que as pessoas relevam o superavit primário menor quando o plano de voo faz sentido.
O PT ocupou cargos em estatais e agências reguladoras até os mais baixos escalões. Será preciso um desmonte?
Em alguns casos, como das agências reguladoras, será preciso uma refundação. Isso seria importante para estabelecer de uma vez que somos uma democracia de mercado, uma economia capitalista de mercado, e não uma economia bolivariana.
Esse plano emergencial passaria por aumento de impostos, pela CPMF?
Idealmente, não. Não creio que seja necessário e nem conveniente.
O benefício das medidas é no longo prazo. Como elas gerariam emprego, tirariam o país da recessão?
Resolvendo esses dois problemas, em dois anos, seria um sucesso consagrador. Se as medidas são boas, elas contam com aceitação da sociedade. Naturalmente, a sociedade antecipa um pedaço dos efeitos positivos delas.
Quanto tempo um novo governo teria de lua de mel com o mercado?
Eu acho que o "período de graças" dura às vezes 24 horas se os sinais iniciais não são de acordo com as expectativas das pessoas. O período é curto não tanto pelas ações, mas pelo plano.
Alguns economistas estão prevendo queda do PIB ainda maior neste ano, desemprego crescente. E o senhor?
Não é fácil conseguir um fracasso desse tamanho. É resultado de muitas decisões erradas, em sucessão, mas eles [governo] conseguiram. Mas tenho por hábito não prever, apenas observar as previsões.
O senhor vê governabilidade com a Câmara numa eventual presidência Temer?
Será melhor, até porque hoje não há nenhuma. Depois que um vice-presidente assume, a coalização que o apoiou no impeachment se torna sua maioria parlamentar, pelo menos na partida.
Um caso interessante foi o do José Sarney, que assumiu com a tragédia do presidente Tancredo [Neves]. Ele assumiu com uma sensação de menor legitimidade, após o esforço de redemocratização. É uma lição porque houve o pecado de querer agradar a todo o mundo, algo cometido de forma serial na Nova República, e o resultado em matéria de inflação foi o pior possível.
Há questionamentos sobre a legitimidade de um governo Temer. É um risco?
O Michel Temer foi eleito tanto como a Dilma Rousseff. Receberam os mesmos votos. Vamos ter clareza sobre isso. Outra coisa é que a presidente não foi eleita imperatriz. Ela foi eleita chefe do Executivo, que é um dos Três Poderes. O Legislativo também foi eleito.
O Judiciário não é eleito, mas tem seu rito de seleção. E a ideia da divisão de poderes é um tomar conta do outro. Não há ilegitimidade ou golpe. Foi longe demais esse discurso.
O nome do senhor foi cotado para a equipe de Temer.
Eu vi muitos nomes da maior qualidade cogitados. Para mim, é uma honra estar entre eles. Mas participar de governo, eu acho que não. Tenho projetos pessoais e profissionais. Estou terminando um livro e gostaria de voltar à docência.
Não fui procurado. Mas os nomes que eu ouvi, uns quatro ou cinco, são muito bons.
Mas alguns dos cotados parecem resistir.
O que talvez esteja afetando a escolha é exatamente como vai ser o governo. É difícil o vice-presidente falar antes que a situação esteja consolidada.
O país está ansioso sobre como ele pretende organizar a situação política, qual coalizão o apoiará, com qual programa e ideias. Isso é mais importante que os nomes.
O senhor vê chance de Dilma permanecer?
Parece-me que não. Infelizmente há uma procrastinação, que está virando uma via-crúcis, um festival de autopiedade e de sofrimento da presidente que parece não ter mais perspectiva política.
Ela se abraça no conforto imaginário de que está sendo tirada do cargo por um processo ilegítimo, um golpe, o que evidentemente é uma ilusão. E aí o processo se prolonga e o país fica à espera do desfecho desse sofrimento, que, tomara, seja rápido para que a gente possa retomar a vida de onde ela parou.

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