quarta-feira, 31 de julho de 2013

Humor da Semana

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terça-feira, 30 de julho de 2013

Jóia Rara

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Psicóloga

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domingo, 28 de julho de 2013

Humor do Ano

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sábado, 27 de julho de 2013

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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Perdas

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Humanidade

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

O Prazer (ainda é) um Escândalo

Imagine que sua filha, de 15 ou 16 anos, peça para dormir com o namorado, em casa. Você não está a fim de encontrar esse cara de pijama no café da manhã do dia seguinte.
Talvez você também pense que não é bom eles terem uma paródia de vida de casal, sem as responsabilidades básicas de quem trabalha e se sustenta. Mas é possível que, como muitos pais paulistanos, você acabe cedendo por uma questão de segurança: melhor que sua filha passe a noite em casa, ao abrigo.
Mesmo assim, você quase certamente colocará uma condição: pode, mas só se for mesmo o namorado --e namorado há um bom tempo. De novo, é uma questão de segurança: você não quer que ela introduza na sua casa alguém que ela mesma mal conhece. Mas há mais: sua exigência manifesta a ideia de que muito, se não quase tudo, é permitido, À CONDIÇÃO de que ela esteja apaixonada, ou melhor, À CONDIÇÃO DE QUE ELES estejam apaixonados.
Desde Romeu e Julieta, nós, pais, aprendemos a respeitar a autonomia do indivíduo em matéria de sentimentos. Fazer o quê? Eles se amam, e contra o amor não se pode quase nada.
Agora, imagine que Romeu e Julieta se encontrassem só para transar adoidados, sem nenhum compromisso sentimental? Não sei se, nesse caso, as plateias da peça shakespeariana torceriam imediatamente por eles.
Imagine que sua filha peça a permissão de trazer para o quarto dela um cara com quem ela se dá bem na cama e tem muito prazer em transar, sem envolvimento sentimental algum. Qual seria sua reação nesse caso?
Devo ter repetido mecanicamente, não sei quantas vezes, que os anos 1960 foram a época da liberação sexual, mas não é nada disso: o que houve foi uma liberação amorosa. Ficou permitido transar caso haja amor. A transa pelo prazer não foi liberada; ela ainda é culpada e precisa ser resgatada pelo "nobre" sentimento amoroso.
É por isso que a prostituição continua maldita, porque se funda, em tese, no escândalo que é o prazer do sexo sem amor. Em geral, quem tolera dificilmente essa ideia considera as pessoas que se prostituem como eternos menores (seja qual for sua idade), sem liberdade, sem vontade própria --apenas vítimas de cafetões, miséria e traumas de infância.
"O Negócio", seriado brasileiro que chega ao seu quarto episódio (HBO, domingo, 21h), tem (no mínimo) o grande mérito de estraçalhar esse preconceito: as prostitutas que são suas protagonistas são, obviamente, sujeitos jurídicos e morais como a gente.
Claro, as heroínas de "O Negócio" são privilegiadas, diferentes das prostitutas da zona de qualquer cidade brasileira. Mas não são diferentes a ponto de nos fazer pensar que elas seriam exceções, parecidas conosco, enquanto as prostitutas da zona seriam seres sem autonomia, que precisam ser entregues à tutela de um Estado condescendente.
Ora, é assim que imagina as prostitutas o deputado federal João Campos (PSDB-GO), que está se especializando na tentativa de transformar suas obsessões morais em lei para todos nós. No Brasil, onde a prostituição é uma prática legal, ele quer criminalizar o ato de oferecer pagamento a alguém pela prestação de serviços de natureza sexual.
O cliente, por procurar esse (escandaloso) prazer só carnal, será punido. A pessoa que se prostitui (suponho que a lei projetada valha para mulheres e homens) poderá ser perdoada porque, segundo Campos, sempre é coagida --ou seja, na hora em que se prostituiu, parou de ser sujeito responsável.
Recentemente, João Campos tentou fazer que fosse permitido aos psicólogos "curar" a homossexualidade. Receio que ele entenda de prostituição como ele entende de homossexualidade.
A quem se interessar realmente pela questão, sugiro dois livros excelentes, escritos por antropólogos e ambos publicados pela editora da UERJ, "Trânsitos - Brasileiras nos Mercados Transnacionais do Sexo", de Adriana Piscitelli, e "Devir Puta - Políticas da Prostituição de Rua na Experiência de Quatro Mulheres Militantes", de José Miguel Nieto Olivar.
O livro de Piscitelli, em particular, mostra perfeitamente até onde chega nossa tendência a não reconhecer às prostitutas nem vontade autônoma nem dignidade jurídica própria. Por exemplo, criamos uma monstruosidade moral e legal que nos permite estigmatizar como "tráfico" (de brancas e morenas) a simples viagem de mulheres brasileiras que vão para Europa se prostituir por conta própria. Leiam e confiram.

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Humor do Semestre

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Artigo do Bimestre

Será verdade que "a gente colhe aquilo que planta?" Será que os filhos são mesmo o produto da educação que seus pais lhes proporcionaram?

Será que o resultado de nossas empreitadas profissionais dependem apenas do nosso empenho e dedicação? Há outras variáveis que interferem?

Gostamos de imaginar que exista uma conexão direta entre esforço, intenção e resultado. Porém, a vida nos mostra que isso não é verdadeiro.

Muitas são as variáveis que influenciam o resultado da educação dos filhos, assim como das empreitadas profissionais. Somos apenas uma delas.

Não gostamos de ver que temos controle limitado sobre o que nos acontece e sobre os resultados dos nossos esforços. Porém, essa é a verdade.

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domingo, 21 de julho de 2013

Artigo do Mês

As mudanças são, muitas vezes, prejudicadas pela culpa: uma pessoa não consegue dizer "não" por pensar que isso gerará grande dor no outro.

Muitas vezes uma pessoa não muda por vaidade: uma pessoa generosa continua a abrir mão de seus direitos para ser admirada por ser "virtuosa".

Acho que a emoção que mais impede todo tipo de mudança é o medo: as situações novas nos assustam porque podem nos causar sofrimento e dor.

Por medo de um eventual sofrimento, nos acomodamos em inúmeras "zonas de (des)conforto": mantemos um casamento doloroso por medo da solidão!

Para mudar é preciso coragem: uma enorme força que deriva da razão que, sendo mais intensa do que o medo, nos permite chegar onde queremos.

Graças à coragem conseguimos romper com a forma como tradicionalmente nos comportamos: ousamos experimentar novas formas de pensar e de agir.

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sábado, 20 de julho de 2013

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Entrevista da Quinzena: Cineasta Hilton Lacerda


Ao receber o Kikito de melhor filme, em seu discurso, você disse que Tatuagem é um filme feito a partir das suas experiências e que, apesar de se passar em 1978, fala de um mundo "que está acontecendo". Que reflexões sobre os dias atuais o filme pretende trazer?
Quando falei da minha vida, me referi às experiências que vivi de perto. Em 78, eu tinha 13 anos e foi quando comecei a ter um olhar mais autônomo em relação à vida. E todos aqueles personagens e toda a narrativa do filme estão imbuídos dessa experiência. Ao me debruçar sobre 78, não lancei um olhar saudosista, no sentido de só mostrar pessoas felizes. Naquele momento, rolava uma expectativa das coisas acontecerem, das coisas mudarem, das coisas darem certo. E depois, nos anos 80, veio uma crise muito pesada, um retrocesso, que se acentuou um pouco nos anos 90 e chegou nos dias de hoje. Dentro da narrativa, existe uma ideia de construção de futuro, e isso é uma tentativa de fazer uma reflexão sobre o presente, sobre como a gente chegou aqui.
Em Tatuagem, por meio de Clécio, você retoma um protagonista libertário e de certa forma romântico, como o poeta Zizo de Febre do Rato. Por que esse interesse por esse tipo de personagem em seus roteiros?
Esse tipo de personagem me interessa bastante. Antes do romantismo, o que me interessa, de fato, é a reflexão de quem está à margem de uma história oficial. O Clécio e o teatro Chão de Estrelas não estão fazendo uma reflexão para fazer graça para os outros. Eles querem fazer arte.
Tatuagem rendeu o Kikito de melhor ator para Irandhir Santos. Por que ele era o homem certo para viver seu protagonista?
Quando eu estava escrevendo o roteiro, pensava na pessoa física Irandhir como o personagem. Não foi escrito para ele, porque ele nem sabia que eu estava fazendo. Mas quando a primeira versão do roteiro ficou pronta, eu o convidei. Fiquei muito feliz de ele ter aceitado. Isso porque existe uma disponibilidade física muito grande em Irandhir para se adequar a muitas situações. É um ator muito flexível. Ele pode fazer de uma pessoa muito violenta a uma pessoa muito doce. Acho que é um dos atores mais interessantes de cinema que surgiram nos últimos tempos. A contribuição que ele trouxe foi muito importante. A gente trabalhou com um elenco grande, que era o núcleo do teatro, com um monte de atores que nunca fizeram cinema e um monte de artistas, desde bailarinos a fotógrafos. Ele foi a referência máxima para esse grupo e assumiu a liderança.
Assuntos muito presentes em seus roteiros, incluindo Tatuagem, são o sexo e o corpo. Para você, a forma com que seus personagens lidam com essas questões são uma afirmação política?
Para mim, obviamente que é. Mas fico muito surpreso porque as discussões às vezes caem numa questão mais rasa. Não sou ingênuo e sei que algumas pessoas poderiam ficar martelando em cima dessa moeda. Mas a nudez é uma atitude política porque vem com essa lembrança afetiva do final dos anos 70, quando mostrar o corpo não era uma coisa fora de convenção, fazia parte da pauta do dia. Ainda assim, o brasileiro tinha medo de se retratar dessa forma. Uma coisa que eu ouvia muito quando criança era que o cinema brasileiro era apelativo porque tinha nudez e palavrão. Essa questão do corpo é muito proposital no filme. É um momento em que todos estão preparados para se despir e ir à luta.
Vendo coisas como o barulho criado em torno do selinho do jogador Émerson Sheik em um amigo e as declarações da saltadora Yelena Isinbayeva a favor da lei antigay russa, você acha que o moralismo está vencendo hoje? 
Acho que talvez o moralismo seja muito forte porque as pessoas estão colocando em evidência essas questões. O estado russo é extremamente conservador. Como hoje há uma afinidade muito grande com o Ocidente, no sentido político, o tipo de discurso que ele oferece é muito triste e perigoso. É absurdo ver a Isinbayeva afirmar que foi mal interpretada, porque não foi a primeira vez que ela disse isso. Tenho a impressão de que toda a civilidade que temos construído é jogada fora; você fica refém do que seria uma maioria moral que consegue te vigiar. A postura de Sheik, de dar um selinho em um amigo, é uma manifestação política, corajosa e sensacional. Não interessa se ele não é homossexual. Nos anos 80, selinhos eram comuns na TV em shows de música brasileira, com o Cauby Peixoto, o Chico Buarque, o Caetano Veloso... E isso nunca foi uma questão.
Você se coloca contra o rótulo de cinema pernambucano, mas hoje existe uma produção de cinema muito interessante acontecendo no estado, com filmes como Som ao Redor e o próprio Febre do Rato. O que torna Pernambuco um fornecedor de boas histórias?
O rótulo de cinema pernambucano me constrange porque parece que é um tema repetido ou uma fórmula, quando na verdade as maneiras de fazer cinema em Pernambuco são muito diferentes. O que eu mais gosto nessa cena cinematográfica de Pernambuco é como o eixo da discussão é diferente. Se você vê como os autores e diretores refletem sobre o mundo, existe uma pluralidade grande. Em Gramado, discutindo com alguns críticos, um deles me disse que achava que havia um ponto em comum entre esses filmes. Talvez seja o ponto de observação. O cinema de Pernambuco tem um olhar de conflito e um embate de classes acentuado. Talvez isso seja, entre outras coisas, uma coisa muito direcional desse cinema, pelo fato de a sociedade pernambucana ser muito complexa.
O cinema brasileiro tem contado boas histórias?
Acho que, narrativamente, os filmes feitos em Pernambuco, em Minas Gerais e no Ceará têm sido incríveis. E mesmo os filmes do Rio de Janeiro e de São Paulo que fogem de um esquema produtivo com uma linha mais direcionada [são incríveis]. Nos últimos anos, você tem um pessoal fazendo o cinema mais instigante e mais plural que a gente já teve no Brasil, mesmo levando em consideração o Cinema Novo, que, para mim, é a corrente mais importante que a gente teve aqui. Em quantidade de pessoas digladiando ideias, acho que nunca foi tão interessante. Mas eu acho muito bobo as pessoas ficarem discutindo o que é filme comercial e o que é filme de autor. Tem muito mais questões interessantes para serem discutidas.
Você se interessa por blockbusters, como cineasta?
Eu não tenho nada contra as produções grandes. Há algumas que adoro. O que eu critico é a imposição de você ter de consumir aquilo de qualquer modo. O meu mergulho no cinema mais criativo e marginal aconteceu por convicções. Mas minha escola foi o cinema clássico. Eu sempre tive um olhar muito crítico em relação a filmes. Nos anos 80, não tinha universidade de cinema em Recife. A gente era autoditada e fazia leituras a partir de discussões. Não tinha vídeo cassete. Os cineclubes e as mostras eram muito importantes nesse sentido. O que é pernicioso do blockbuster não é o conteúdo, mas a imposição de você ser dominado por isso o tempo inteiro. Há uma diferença entre você discutir o filme e discutir a máquina mercantil que ele se tornou. Esse cinema comercial brasileiro que está sendo feito hoje é um cinema em crise, porque ele está muito pautado por uma coisa que cinematograficamente interessa muito pouco. De blockbusters brasileiros, são poucos os que me comoveram.
O que pensa da Lei Rouanet e de outras leis de incentivo à cultura no Brasil? Elas permitem uma produção plural?
Tem um momento em que essas leis de incentivo precisam ser revigoradas. Talvez já passou muito para revigorar algumas dessas leis porque toda vez que se pensava em mexer, achava-se que poderia piorar. Mas os modelos podem se esgotar e por isso têm de ser remodelados e repensados. O que acho mais grave é que você está começando a lidar com um estado que tem uma quantidade de leis para produção interessante, mas não tem política de visibilidade. Você fica trancafiado no final do processo produtivo e criativo e não tem o que mais interessa, que é o olhar do outro. Eu sempre digo que o brasileiro tem de ver filme brasileiro, nem que seja para não gostar.

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Artigo da Semana

Aqueles que não buscarem entender as mudanças que estão acontecendo no plano das relações afetivas sofrerão decepções e desgostos sucessivos.

Hoje somos mais exigentes de qualidade de vida, menos preparados para sofrimentos e, com razão, intolerantes àqueles que podem ser evitados.

Uma das causas que tem tornado o convívio amoroso mais exigente é o cotidiano dos solteiros: a qualidade de vida deles está cada vez melhor.

Penso que só serão duradouros os elos amorosos capazes de gerar uma qualidade de vida mais gratificante do que o modo de vida dos solteiros.

Sempre existirão diferenças significativas entre os membros de um casal: a individualidade crescente pede respeito por elas e não concessões.

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Entrevista do Dia

A Corte Suprema dos Estados Unidos, composta de nove juízes, "é um mundo secreto" e, comparado com ela, o Supremo Tribunal Federal, no Brasil, "lembra um reality show". O contraste é lembrado pelo cientista político Celso Roma, da USP, um estudioso da política e da vida americana, com um olho nos debates do mensalão, que retornaram à TV, e outro em um detalhado estudo dos rituais da corte de Washington. O rigor com que trabalham os nove juízes da Suprema Corte e sua aversão à exposição pública são o tema do livro The Nine: Inside the Secret World of the Supreme Court (Os Nove: Por dentro do mundo secreto da Suprema Corte, de 2007). Fica claro como é impensável, naquela corte, um bate-boca como os rotineiramente travados entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski.
Que tipo de comparação se pode fazer entre a Suprema Corte americana e o STF?A Suprema Corte dos EUA é um mundo secreto. Pouco se sabe sobre como os juízes se relacionam e deliberam. São públicos apenas os argumentos orais e o resumo da deliberação. Advogados, pesquisadores e jornalistas têm dificuldade para investigar como a corte funciona por dentro. O jornalista Jeffrey Toobin só conseguiu escrever seu livro porque manteve as declarações em caráter confidencial.
O público americano aceita isso normalmente?A opinião pública americana quer abrir a caixa-preta. Em 2010, 61% dos eleitores opinaram que a transmissão das audiências seria boa para a democracia, segundo sondagem da Fairleigh Dickinson University. Na mesma pesquisa, 50% dos entrevistados revelaram que assistiriam a essas audiências se fossem transmitidas. Em 2011, segundo o Gallup, 72% dos eleitores se declararam favoráveis a que os debates fossem televisionados.
Comparando os dois tribunais, os ministros do STF exageram nos modos?O Supremo brasileiro é um reality show. Antes das sessões, câmeras são ligadas. Quando os capas pretas aparecem no plenário, seguidos dos auxiliares, a pompa salta aos olhos. A TV Justiça transmite, outros canais reproduzem, ministros dão entrevistas...
O que alegam, nos EUA, os que se opõem à transmissão das sessões?Eles argumentam que o Judiciário exige um conjunto de regras próprias para bem cumprir sua função. Entendem que, quando os julgamentos são televisionados, os juízes perdem o anonimato e, à semelhança dos chefes de governo e parlamentares, passam a ser julgados pela opinião pública, com base em preferências e ideologias. Advertem que os leigos podem interpretar mal decisões tecnicamente corretas. Enfim, para eles, com excessiva publicidade dos processos, a independência e a segurança do Judiciário podem ser ameaçadas.
Ou seja, para eles a transparência é um perigo?Esse temor é tão verdadeiro que, no ano passado, às vésperas do julgamento da reforma da saúde, o Congresso dos EUA ameaçou aprovar projeto de lei obrigando a Suprema Corte a televisionar a audiência. Em realidade, o que os congressistas pretendiam era influenciar a decisão dos juízes, pressioná-los a obedecerem à vontade da maioria, ignorando que as minorias também têm direitos. O populismo jurídico é um perigo.
E quanto ao comportamento pessoal dos juízes?Os juízes da Suprema Corte tendem a ser discretos, tanto no relacionamento com o público como no exercício de sua função constitucional. Eles têm aversão a microfones e holofotes. Evitam a imprensa o quanto podem. Rejeitam a ideia de debater seus votos. Na verdade, esse isolamento está sendo relativizado ao longo dos últimos anos. Juízes estão concedendo entrevistas, postando vídeos sobre temas jurídicos. Mas continuam deliberando em sessões secretas e defendendo que o ritual deve ser mantido.
A transparência do tribunal brasileiro é uma fórmula melhor?A transparência do STF é mais aparente que real. Os ministros fazem digressões, alongam-se nos votos, abusam de termos técnicos. Quem não é do ramo tem dificuldade para entender. Um especialista já detectou que, com a transmissão ao vivo das sessões plenárias, aumentou o tamanho dos votos dos ministros e diminuiu o número de decisões colegiadas sobre as Ações Diretas de Inconstitucionalidade. Traduzindo: expostos na televisão, os ministros se exibem mais e decidem menos sobre a matéria.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Artigo do Mês


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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Wallpaper Skyline

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domingo, 14 de julho de 2013

Desejo

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sábado, 13 de julho de 2013

Hinduísmo


1 INTRODUÇÃO
Hinduísmo, religião originária da Índia e praticada pela maioria de seus habitantes até os dias atuais. O hinduísmo é uma das maiores e mais importantes religiões do mundo, não somente pelo seu número de adeptos (estimados em mais de 700 milhões) mas, também, pela influência que, ao longo da história, tem exercido sobre muitas outras religiões. Inciadas em torno de 1500 a.C, as leis do hinduísmo definem-se mais pelas ações das pessoas do que por seus pensamentos. Em conseqüência, entre os hindus encontra-se maior uniformidade nas ações do que nas crenças. Muitos hindus veneram Shiva, Vishnu ou a Deusa Devi, além de centenas de outras divindades menores. Existem práticas que são observadas por quase todos, entre elas, reverenciar a brâmane (casta) e as vacas (consideradas animais sagrados), a proibição de comer carne, casar-se somente com um membro da mesma casta (jati) na esperança de ter um filho homem.
2 TEXTOS
Para todos os hindus a suprema autoridade são os quatro Vedas. O mais antigo é o Rig-Veda, escrito em sânscrito arcaico entre 1300 e 1000 a.C. Ao Rig-Veda foram agregados outros dois: o Yajur-Veda (livro do sacrifício) e o Sama-Veda, de hinos. Um quarto livro, o Atharva-Veda, uma coleção de palavras mágicas, foi incluído em torno de 900 a.C. Nesta mesma época, também foram escritos os Brahmanas e, no início de 600 a.C., os Upanishad. As duas obras épicas sânscritas mais importantes são o Mahabharata e o Ramayana. No primeiro, relata-se a guerra entre os irmãos Pândavas liderados por seu primo Krishna (deus) contra os também primos Káuravas. O segundo conta a viagem feita por Rama para resgatar sua esposa Sita.
3 FILOSOFIA
Os hindus acreditam que o universo é uma grande esfera dentro da qual existem céus concêntricos, infernos, oceanos, continentes e que a Índia é o centro desta esfera. A vida humana é cíclica: depois de morrer, a alma deixa o corpo e renasce em outra pessoa, animal, vegetal ou mineral. A qualidade da reencarnação vem determinada pelo carma.
Os hindus dividem-se em dois grupos: os que buscam as recompensas sagradas e profanas (saúde, dinheiro, filhos e uma boa reencarnação) e aqueles que procuram se libertar deste mundo. Muitos esforços foram feitos para conciliar estas duas correntes.
4 CULTO E RITUAIS
Em cerimônias públicas e particulares, todos os deuses são adorados. Devido às bases sociais do hinduísmo, as festas mais importantes são as dos rituais de passagem: nascimento e primeiro alimento sólido, matrimônio, benção para as grávidas, morte e oferendas anuais aos antepassados mortos.
Dentro do ritual diário dos hindus são feitas oferendas (puja) de frutas e flores perante um altar dentro de casa. Muitos povoados e cidades possuem templos, muitas vezes considerados centros culturais, onde os sacerdotes celebram cultos durante o dia. Existem milhares de templos locais que se resumem numa pequena construção de pedra. Além disto, a Índia conta com inúmeros templos grandes e, até mesmo, algumas cidades-templo. Vários lugares sagrados ou santuários — como o de Rishikesh, no Himalaia, ou o de Benares, no Ganges — são objeto de peregrinação de fiéis de todas as regiões da Índia.
5 HISTÓRIA
As crenças e práticas religiosas básicas do hinduísmo não são compreendidas fora de seu contexto histórico. Apesar de ser impossível situar os primeiros textos e eventos, traça-se seu desenvolvimento cronológico com muita clareza.
No vale do rio Indo cresceu, em torno de 2000 a.C., uma próspera civilização. Em 1500 a.C., quando as tribos arianas invadiram a Índia, esta civilização entrou em decadência. Ver também Civilização do vale do Indo.
Ao se fixarem no Punjab, os arianos traziam seu panteão de divindades indo-européias. Os deuses do panteão védico sobreviveram no hinduísmo tardio, mas já não eram objetos de culto. Em 900 a.C., os arianos ocuparam o rico vale do rio Ganges, onde desenvolveram uma civilização e um sistema social sofisticado. Durante o século VI a.C., o budismo começou a infiltrar-se na Índia e, ao longo do milênio, interagiu com o hinduísmo.
Aproximadamente entre 200 a.C. e 500 d.C., a Índia foi invadida por grupos provenientes do norte e iniciou-se um período de mudanças e definições para o hinduísmo. Durante esta época foram concluídas as obras épicas Dharmashastras e Dharmasutras. No império Gupta (entre 320 e 480 d.C.), quando grande parte do norte da Índia esteve subjugada a um único poder, o hinduísmo clássico encontrou sua máxima expressão: codificaram-se as leis sagradas, iniciou-se a construção dos grandes templos e preservaram-se os mitos e rituais nos Puranas. Durante o período seguinte ao da dinastia Gupta, surgiu um hinduísmo menos rígido e mais eclético, formado por seitas dissidentes. Muitas das seitas surgidas entre 800 e 1800 são movimentos que ainda perduram na Índia.
Durante o século XIX realizaram-se importantes reformas sob o auspício de Ramakrishna, Vivekananda e das seitas de Arya Samaj e de Brahmo Samaj. Estes movimentos procuraram conciliar o hinduísmo tradicional com as reformas sociais e políticas. Do mesmo modo, os líderes nacionalistas Sri Aurobindo Ghose e Mahatma Gandhi procuraram extrair do hinduísmo todos os elementos que melhor servissem para enfatizar seus propósitos políticos e sociais.
Atualmente, muitos autoproclamados mestres dos ensinamentos religiosos da Índia emigraram para a Europa e Estados Unidos. O hinduísmo — religião que ajudou a Índia a se sustentar por séculos, apesar da invasão estrangeira e dos problemas internos — continua a desempenhar importante função, proporcionando significado às vidas dos hindus de hoje.

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Templo


Templo, edifício dedicado a uma ou mais divindades. A palavra templo deriva do latim templum, lugar sagrado ou espaço cerimonial. Esse tipo de construção costuma se destacar dos demais edifícios à volta e tem um caráter arquitetônico marcante. É encontrado em quase todas as culturas, embora, em alguns casos, seja considerado a morada divina e, em outros, o lugar sagrado onde os fiéis podem se comunicar com a divindade. Em geral, o conceito inclui a mesquita, a sinagoga e a igreja e, às vezes, também é utilizado para designar o edifício que abriga uma comunidade religiosa.


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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Levinas, Emmanuel


Levinas, Emmanuel (1905-1995), filósofo francês, de origem lituana, autor de uma ética da alteridade e de diversos comentários do Talmud; foi grande divulgador da obra de Edmund Husserl.
Nascido em Kaunas, no seio de uma família da burguesia judaica, Emmanuel Levinas fez o curso secundário na Lituânia e na Rússia, depois estudou filosofia em Estrasburgo, de 1923 a 1930. Durante uma permanência em Fribourg (1928-1929), seguiu os cursos de Husserl e de Martin Heidegger. Decidiu, em seguida, fixar residência na França. Foi professor de filosofia e, posteriormente, foi nomeado diretor da Escola Normal Israelita Oriental, antes de tornar-se titular de Filosofia da Universidade de Poitiers, em 1954, da Universidade de Nanterre, em1967, e, finalmente, da Sorbonne, em1973.
Influenciado pela fenomenologia de Husserl e pela filosofia de Heidegger, Levinas se desvinculou rapidamente de seus mestres, denunciando o pensamento ocidental como o pensamento da Totalidade em lugar da idéia de Infinito. Levinas acusa o pensamento ocidental de ter-se preocupado mais com o Verdadeiro do que com o Bem. Seu principal tema de reflexão é a ética e seu projeto é promover a idéia de um Bem independente do Verdadeiro, de uma ética como alternativa à metafísica.
O essencial das teses de Levinas está exposto em Totalité et Infini (1961, Totalidade e infinito), onde desenvolve a idéia de que a presença do Outro, e mais especialmente o rosto de Outro conclama a consciência moral a uma experiência fundamental que as filosofias da totalidade não levam em conta, quando reduzem o "outro" ao "mesmo".
A relação ética imposta pelo rosto do Outro conduz Levinas a Deus, cujas marcas se podem ler no rosto do Outro. Sem ser teólogo, Levinas encontrou no judaísmo uma fonte de inspiração para a sua reflexão. Para ele, o judaísmo é uma religião fundamentalmente ética; por outro lado, ele condena o que designou como "consolos da religião", ou seja, uma certa mística e uma certa sacralidade, qualquer forma de sagrado sendo, para ele, do campo da magia, ao passo que apenas a ética tem um sentido que ultrapassa a morte. Para Levinas, as atividades sociais, a ciência, a tecnologia são, na medida em que têm por objetivo socorrer o Homem, mais "religiosas" do que qualquer forma de sacralidade. Se a possibilidade de santidade, fora de todo o sagrado, isolou Levinas do meio judaico e o aproximou dos meios cristãos, isso se deve sem dúvida à sua contribuição para uma certa "desmitologização" de Deus (Difficile Liberté, 1963; Lectures talmudiques, 1968 e 1977; Du sacré au saint, 1977; l'Au-Delà de verset, 1982)

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Xintoísmo


Xintoísmo, religião japonesa primitiva que, desde tempos imemoriais, tem desempenhado um papel de grande importância dentro da cultura e história nipônicas. Relaciona-se, intimamente, com o caráter nacional japonês. A forte influência que exerce deve-se, em parte, à sua capacidade de coexistir harmoniosamente com outras religiões, especialmente o budismo. A religião xintoísta surgiu durante o período pré-histórico Yayoi, unindo o xamanismo nativo, o animismo e as crenças populares.

O xintoísmo é uma religião politeísta que venera um panteão de kami (deuses ou espíritos). Sua prática consiste em adorar, aplacar a ira do espírito ou, simplesmente, estabelecer relação com ele. As oferendas de comida consistiam, principalmente, de arroz, saquê, peixes, verduras e frutas. Estas cerimônias associavam-se aos ciclos das estações, refletindo as raízes agrárias do xintoísmo. As diferentes etapas da vida humana também eram marcadas por cerimônias.

Tradicionalmente, os xintoístas davam ênfase especial à pureza e sentiam grande respeito pela morte, doenças ou sangue. Quase tão importante quanto a pureza do corpo era a do coração.

Os xintoístas organizavam-se em grupos associados a seus santuários locais. Os primeiros lugares sagrados destacavam-se pela beleza natural. Somente anos mais tarde, os santuários transformaram-se em construções. Nelas havia um objeto que representava o corpo do kami. Não existe uma hierarquia unitária dentro da religião xintoísta e o sacerdócio se transmite de pai para filho.

Diferente da maioria das religiões, o xintoísmo não é uma revelação compilada em escritos considerados de inspiração divina. Os livros sagrados são descrições das práticas xintoístas, geralmente relatos. Existem compêndios de cerimônias, rituais e rezas antigas que servem às liturgias cerimoniais.


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terça-feira, 9 de julho de 2013

Deus


1 INTRODUÇÃO
Deus, o ser supremo, princípio gerador do mundo nas religiões. Para o monoteísmo, um único Deus é o criador e origem de todas as coisas existentes, sendo descrito com atributos de perfeição: infinitude, imutabilidade, eternidade, bondade, conhecimento e poder.

Deus pode ser transcendente — isto é, estar acima do mundo — ou imanente, presente em todo o universo. Nas grandes religiões monoteístas, Deus é venerado como uno, como a suprema unidade criadora de todas as coisas. O politeísmo ou crença em vários divindades, atribui a cada uma delas influência nas diferentes ordens do universo.

Para o judaísmo, o ser humano foi feito à “imagem e semelhança” de Deus (Jeová). A compreensão hebraica de Deus é essencialmente antropomórfica e inclui a idéia de que Deus é rei, juiz e pastor.
O cristianismo assumiu o deus hebraico e, com o tempo, as escrituras judaicas se tornaram no Antigo Testamento para os cristãos. No Novo testamento, Jesus foi enaltecido como pastor divino, criando-se, assim, tensão com a tradição monoteísta do judaísmo. A solução para o problema foi o surgimento da doutrina - existente em outras crenças anteriores - de Deus trino, a Trindade. O Espírito Santo — a igreja cristã ocidental afirma que o Espírito Santo provém do Pai e do Filho enquanto a oriental garante proceder só do Pai, controvérsia do filioque que deu origem ao cisma entre as igrejas cristã romana e cristã ortodoxa. O Espírito Santo é a Graça e é sobrenatural e transcendente. Aliás, quem encarna é o Filho, o que revela sua imanência.

Para o Islã, Deus é Alá, pessoal, transcendente e único. Sua representação é proibida em qualquer forma de ser vivo. A principal crença islâmica é a proclamação “Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu único profeta”.

No hinduísmo, o Ser sagrado éBrama, realidade única, eterna e absoluta. São reconhecidos muitos deuses, mas todos são manifestações de Brama. Os três deuses principais,encarregados da criação, preservação e destruição, unem-se em Trimurti, ou os três poderes, antecedente da Trindade cristã.

A Realidade Última, ou Ser Sagrado, constitui a ordem cósmica impessoal. No budismo mahayana da China e do Japão, o próprio Buda foi transformado em ser divino. O politeísmo se desenvolveu no Egito, Mesopotâmia, Grécia e Roma, a partir da crença em várias forças espirituais: o animismo.

2 FUNDAMENTOS PARA A CRENÇA EM DEUS
Dependendo dos períodos históricos e culturais, as concepções de Deus variam de forma considerável. Mas a fé em um Ser Sagrado predominou em quase todas as sociedades. Entretanto, esta crença tem sido submetida a dúvidas através de doutrinas como o ceticismo, o materialismo, ateísmo e outras formas de descrença.

O teólogo do século XIII, São Tomás de Aquino, propôs cinco provas para a existência de Deus que ainda são aceitas de forma oficial pela Igreja Católica:

– a realidade da mudança requer um agente de mudança;
– a cadeia do acaso precisa basear-se numa causa primeira que não é causada;
– os fatos contingentes do mundo (fatos que podem não ter sido como são) pressupõem um ser necessário;
– Observa-se uma gradação nas coisas desde o ponto mais alto até o mais baixo e isto aponta para uma realidade perfeita, no ponto mais alto da hierarquia;
– a ordem e o desenho da natureza solicitam, como fonte, um ser que possua a mais alta sabedoria.
Emmanuel Kant rejeitou e refutou os raciocínios de Tomás de Aquino, sustentando a necessidade da existência de Deus como garantia de vida moral. Em última instância, a crença em Deus é um ato de fé que necessita estar enraizado na experiência pessoal.


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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Carisma & Poder


Carismático, palavra derivada do grego charisma, dom, graça. Segundo o pensador alemão Max Weber, trata-se de uma qualidade extraordinária de que podem ser dotados objetos ou pessoas e que lhes dá uma virtude única, mágica. Para Weber há dois tipos de carisma: o individual, que é resultado de qualidades pessoais do indivíduo, e aquele que deriva do exercício de um cargo ou do desempenho de uma função social e dá ao indivíduo uma natureza sagrada. O sucesso do líder carismático depende do reconhecimento, pelos seus adeptos, das qualidades puramente pessoais e a obediência às suas ordens. Atualmente o termo carismático vem sendo empregado em um sentido mais restrito, que caracteriza todo poder que se baseia nas qualidades pessoais do líder. Também é aplicado ao político, demagogo ou não, que desperta e atrai o apoio das massas populares, independente de seus valores morais ou de ter sido legitimado pelas instituições. São exemplos de líderes carismáticos Adolf Hitler, Winston Churchill e Charles de Gaulle.

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domingo, 7 de julho de 2013

Malebranche


Malebranche, Nicolas de (1638-1715), filósofo francês que elaborou uma teoria metafísica chamada Ocasionalismo, na qual Deus é a única causa de mudança entre os objetos ou pensamentos. A doutrina apresenta influências de Santo Agostinho e René Descartes. Sua principal obra é A busca da verdade (1674).


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sábado, 6 de julho de 2013

Entrevista do Dia: Leonardo Boff

DW Brasil: No Rio de Janeiro, mais de um milhão de fiéis católicos vão se reunir e celebrar a fé durante a Jornada Mundial da Juventude. No século 21, o cristianismo ainda precisa da figura de um papa?
Leonardo Boff: Fundamentalmente não precisaria de um papa. A igreja poderia se organizar numa vasta rede de comunidades. Mas, à medida em que a igreja foi se transformando numa instituição e assumindo uma função política no Império Romano, ela assumiu também os símbolos do poder: o próprio nome "papa", que era exclusivo dos imperadores, e aquela capinha cheia de ouro, que só os imperadores podiam usar, mas que os papas todos usavam. Então, esse curso de uma igreja que tem uma função política dentro do Império Romano em decadência obrigava a igreja a ter um centro de referência. Francisco, quando ofereceram a ele aquela capinha, disse "O carnaval acabou, não quero isso".
Então, esse papa chegou para mudar?
Eu acho que esse é o papa da ruptura. Essa é a palavra que Bento 16 e João Paulo 2º mais temiam. Eles acreditavam que a igreja tinha que ter continuidade, portanto o Concílio Vaticano Segundo não poderia significar ruptura com o Primeiro. Mas não, agora há uma ruptura, a figura do papa não é mais a clássica, é outra. Francisco não começou com a reforma da cúria, começou com a reforma do papado.
O que você quer dizer com "reforma do papado"?
Na Europa vivem só 24% dos católicos. Na América Latina são 62%, e o restante está na África e na Ásia. Então hoje, o cristianismo é uma religião do Terceiro Mundo, que um dia teve origem no Primeiro Mundo. Acho que o papa Francisco vai criar uma dinastia de papas do Terceiro Mundo. Além disso, as nossas igrejas já não são mais igrejas de espelho, imitando as europeias; são igrejas fonte, criaram suas tradições, têm os seus mártires, seus mestres, suas formas de celebrar, têm suas teologias e profetas e figuras importantes, como dom Hélder Câmara e Óscar Romero. Essas igrejas estão dando vitalidade ao cristianismo.
Por que o senhor está tão otimista? Os problemas da Igreja Católica continuam: a exclusão dos divorciados, a discriminação dos homossexuais, a proibição de mulheres-sacerdotes...
O papa deu um exemplo claro. Ele soube que um pároco em Roma negou o batismo ao filho de uma mulher solteira. E o papa disse: "Esse padre está errado, porque não existe mãe solteira. Existe mãe e filho. E ela tem o direito de ver o filho batizado, porque a igreja tem que ter as portas abertas, pouco importa a condição moral da pessoa". E ele foi mais fundo ao dizer que não se pode inventar um oitavo sacramento, proibindo os fiéis que não se enquadrem na disciplina eclesiástica de participar da vida da igreja e dos sacramentos. Até agora, os temas de moral sexual, de moral familiar, de celibato e de homossexualidade eram proibidos de serem discutidos. Se um teólogo ou um padre discutisse esse assunto, era logo censurado. Agora, ele vai permitir a discussão.
No Brasil, nas últimas semanas, milhares de jovens foram às ruas protestar contra os políticos corruptos e os altos investimentos nos estádios de futebol. Qual é o recado que o papa vai dar aos jovens?
Ele fez uma declaração corajosa em Roma, dizendo que os políticos têm que escutar os jovens na rua; que a causa dos jovens é legítima, justa e que estaria em conformidade com o evangelho. Eu acho que ele vai fazer uma convocação crítica aos políticos, para que eles não sejam mais corruptos e passem a servir mais ao povo. E vai fazer um desafio aos jovens de continuar a transformação da sociedade, mas sem violência. E aí exclui todos esses vândalos que nos últimos dias mostraram uma violência absolutamente injustificável e estúpida.
O senhor disse que os programas sociais no Brasil "incluíram uma Argentina inteira na sociedade brasileira". Por que então as pessoas protestam contra o governo brasileiro?
Curiosamente, elas não são contra o PT, a Dilma ou o Lula. Elas mostram uma insatisfação geral com o Brasil que temos, que é um país com profundas desigualdades. São 5.000 famílias brasileiras que controlam 43% de toda a riqueza nacional. Além disso, o próprio PT atingiu o seu teto. Ou ele muda e refaz a sua relação orgânica com os movimentos sociais, ou ele se transforma num partido como os demais, que buscam o poder e acabam se corrompendo.
A classe média brasileira parece não estar gostando tanto dos programas de inclusão social do governo brasileiro. Ela foi deixada de lado?
Com Lula, os ricos ficaram mais ricos, e os pobres saíram da pobreza. Todo mundo ganhou. Eu creio que o governo do PT não fez só uma distribuição de renda, favorecendo os pobres, mas também fez uma redistribuição. Tirando de quem tem e passando para quem não tem. Só que ele não aplicou isso às grandes fortunas. Ele tirou da classe média, que ficou mais pobre.
O senhor acredita que os políticos vão atender ao recado do papa na Jornada Mundial da Juventude?
Eu acho que ele vai ser muito importante para a América Latina, porque o modo de ser dele vai reforçar as novas democracias, que nasceram na resistência aos militares e estão fazendo boas políticas sociais para os pobres, com inclusão. Então, ele tem uma função política importante. A Cristina Kirchner, que vivia em polêmica com ele, entendeu a lição e fez as pazes. Mas por quê? Porque o papa move multidões. Talvez ninguém no mundo hoje possa reunir um milhão de pessoas. Político nenhum, nem mesmo o Obama.
Mas a Igreja Católica perdeu poder e influência?
Institucionalmente, a igreja no Brasil está numa profunda crise. Pelo número de católicos, deveríamos ter 100 mil padres. Temos 17 mil. Criou-se um vazio, pelo qual entraram as igrejas pentecostais. E com razão. Como o povo é religioso, quem vem falar de Deus, ele [o povo] adere, porque indo para Deus, podemos somar sempre. Para batismo, casamento e enterro, é a Igreja Católica. Para saber o outro lado do mundo, ele vai para o espiritismo. Para as questões de sorte e amor, ele vai num centro de macumba. O povo não tem uma visão doutrinária, tem uma visão prática. É um supermercado religioso, com muitos produtos, e o povo vai se servindo.
Com Francisco, a Teologia da Libertação vai voltar?
Com este papa, ela vai ganhar visibilidade. Antes se dizia que a Teologia da Libertação era uma teologia marxista. Agora se diz que ela é uma teologia católica. Isso muda a atmosfera da igreja.

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

15 anos atrás: 05.Julho 1998

A Argélia adota o árabe como língua oficial.

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quinta-feira, 4 de julho de 2013

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

130 anos do Nascimento de Kafka

Nasce o escritor Franz Kafka  - The History Channel Brasil

NASCE O ESCRITOR FRANZ KAFKA

03 de julho de 1883
No dia 3 de julho de 1883 nascia, em Praga, na República Tcheca, o escritor Franz Kafka. Sua narrativa simbólica, escrita em alemão, antecipou a opressão que viria no século XX. Kafka é considerado uma das mais significativas figuras da literatura moderna. Em seus livros, aborda temas como a solidão, a frustração, a sensação de culpa e a angústia dos seres humanos quando se deparam com forças desconhecidas, que estão fora do alcance e da compreensão das pessoas. Dentre as suas obras se destacam “Metamorfose” (1915), “O Processo” (1925), “O Castelo” (1926), “O desaparecido” ou “Amerika” (1927). A força de seus textos é tamanha que o termo “kafkiano” é usado para explicar situações sociais angustiantes ou grotescas. Ele morreu no dia 3 de junho de 1924, vítima de tuberculose, em Klosterneuburg, na Áustria.

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Há 110 Anos Atrás

CUBA ARRENDA GUANTÁNAMO PARA OS EUA

02 de julho de 1903
A Baía de Guantánamo, ou Guantânamo, foi concedida por Cuba aos Estados Unidos como estação naval em um dia como este, no ano de 1903, mediante um pagamento anual dos norte-americanos. A área está localizada ao sul cubano e possui área de cerca de 111,9 km².

Da base de Guantánamo, existe uma dependência chamada Navassa, ilha desabitada com 5 km², situada entre a Jamaica e o Haiti. É na base naval dos EUA onde estão os prisioneiros das guerras do Afeganistão e Iraque.

Fidel Castro tentou sem sucesso desfazer a concessão. A manutenção da Base Naval da Baía de Guantánamo não encontra amparo em nenhuma convenção internacional e, por isto, não há fiscalização do acontece em seu interior. Há denúncias de torturas e violações dos direitos humanos por parte dos EUA.

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Entrevista do Ano: Maria da Glória Gohn, professora da Unicamp e especialista em movimentos sociais

Como define os movimentos de junho no Brasil?Os movimentos ocorridos em Junho de 2013 em 12 capitais e cidades de médio porte brasileiras foram denominados pela mídia e outros como "manifestações". De fato eles foram, na maioria das vezes, manifestações que expressam estados de indignação face à conjuntura política nacional. As mobilizações adquiriram, nestes eventos, caráter de movimento de massa, de protesto, revolta coletiva, aglutinando a indignação de diferentes classes e camadas sociais, predominando a classe média propriamente dita; e diferentes faixas etárias, destacando-se os jovens. Os movimentos de Junho de 2013, que provisoriamente chamarei de "Movimento dos Indignados das Praças, Ruas e Avenidas", focalizam demandas locais, regionais ou nacionais. Atuam em coletivos não hierárquicos, com gestão descentralizada, produzem manifestações com outra estética - não dependem de um carro de som para mover a marcha, não usam bandeiras e grandes faixas de siglas ou palavras de ordem; os participantes tem mais autonomia, não atuam sob a coordenação de uma liderança central. São movimentos com valores, princípios e formas de organização distintas de outros movimentos sociais, a exemplo dos sindicais, populares (urbanos e rurais), assim como diferem dos movimentos identitários (mulheres, quilombolas, indígenas, etc.). Para compreender essa onda de mobilizações, além de identificar as especificidades e diferenças dos jovens em ação, uma questão significativa é: porque uma grande massa da população aderiu aos protestos. Que sentido e significado estes jovens atribuíram aos acontecimentos para transformá-los em movimento de massa com ampla legitimidade?
Sabe-se que protesto de Junho foi desencadeado por coletivos organizados com o predomínio do MPL- Movimento Passe Livre, a partir de uma demanda pontual - contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos. Olhando-se para os noticiários da mídia nacional nos últimos meses pode-se listar os prováveis motivos para a indignação que levou milhares de brasileiros às ruas, aderindo ao movimento dos jovens, a saber: os gastos altíssimos com estádios da Copa, megaeventos e uso do dinheiro público em eventos promocionais, a má qualidade dos serviços públicos, especialmente nos transportes, educação e saúde. Outros agravantes são: a persistência dos índices de desigualdade social, inflação, denúncias de corrupção, clientelismo político, a PEC 37, sentimento de impunidade, sistema político arcaico, a criminalização de movimentos sociais - especialmente rurais e indígenas, o projeto de Lei que tramitava no Congresso sobre "cura gay", a condução de importantes postos políticos no cenário nacional por políticos com passado marcado por denúncias etc. Ou seja, a despeito das políticas governamentais de inclusão social, e a boa imagem internacional do país até recentemente, como um emergente de sucesso, o Brasil tudo azul, para o senso comum de seu povo em geral, era uma construção irreal. Este 'povo' propriamente dito fazia suas leituras nas entrelinhas das notícias do dia-a-dia, e quando viu na TV e jornais jovens sendo espancados por lutarem por bandeiras que eram também sua, a mobilidade urbana, este 'povo' saiu às ruas e mais uma vez demonstrou que a cordialidade do brasileiro tem limites, dado por valores que atingem sua dignidade, e provocam ira e indignação. Estima-se que mais de um milhão de pessoas saíram às ruas no país em Junho. Só no dia 17, dados da mídia contabilizaram cerca de 230 mil pessoas, do Pará ao Rio Grande do Sul.
Em que se assemelham e se diferenciam dos movimentos que ocorreram no Oriente muçulmano, na Europa e nos Estados Unidos?Os movimentos brasileiros de Junho de 2013 têm vários pontos de semelhanças e muitos de diferenças com os citados na pergunta. Em comum: fazem parte de uma nova forma de movimento social composta predominantemente por jovens, escolarizados, predominância de camadas médias, conectados por e em redes digitais, organizados horizontalmente e de forma autônoma, por isso são críticos das formas tradicionais da política tais como se apresentam na atualidade -especialmente os partidos e os sindicatos. As convocações para os atos são feitas via as redes sociais e a grande mídia contribui para a adesão da população ao noticiar a agenda e os locais e hora das manifestações. Eles têm estética particular nas manifestações: no conjunto não desfraldam bandeiras de organizações e nem usam faixas pré-confeccionadas; usam palavras de ordem em cima da demanda foco, sem carros de som, e o batuque ou as palmas são utilizados no percurso das marchas. O movimento acontece 'em se fazendo' e não via grandes planos de organizações com coordenações verticalizadas. Cada um leva seu cartaz em cartolinas, uma nova mensagem pode gerar uma decisão tomada no calor da hora. Na estética individual predomina o preto, máscaras de gás ou outras (como a de Guy Fawkes, do Anonymous), e eventuais percings. Eles têm sido alvo de ações violentas por parte da repressão policial. Conectam-se à redes de apoio internacional e a solidariedade entre eles é um valor e um princípio. São laboratórios de experimentações de novas formas de operar a política. Dirigem suas reivindicações a personagens específicos da cena público-política de cada país. Por esta razão, os movimentos brasileiros diferenciam-se dos Indignados da Europa, especialmente, Espanha, Portugal e Grécia, países em profunda crise econômica causada pelas políticas neoliberais de ajustes fiscais, controle e monitoramento pela 'troika' (FMI+ Banco Central Europeu), desemprego, retirada de direitos sociais, corte de salários, dispensa de funcionários públicos etc. Os Indignados brasileiros diferem mais ainda dos movimentos da Primavera Árabe devido à frágil democracia e forte controle social que predominam na maioria daqueles países e as relações entre política e religião via o Islamismo. Finalmente os Indignados nacionais diferem do Occupy Wall Street não só porque adotaram formas diferentes de agir, mas porque eles tiveram, no início, uma pauta específica: contra o aumento da tarifa e lutar pela tarifa zero. Eles não ocuparam um território específico como o Occupy, optando pelas passeatas; e nem realizaram bloqueios - tática que passou a ser utilizada depois, em atos que deram sequência às manifestações de Junho, em movimentos de caminhoneiros, motoboys, e no Dia Nacional de Luta (11/07/2013), organizado por nove centrais sindicais, MST, UNE, movimentos populares de moradia etc. reunindo cerca de 105 mil pessoas no país. Neste dia o MPL/SP optou pelo apoio à manifestação dos metroviários, mas não ao conjunto das manifestações, que considerou ter uma pauta ampla, burocratizada, focada só nos trabalhadores.
Como se diferenciam dos movimentos de 1968 e dos anos 1990 no Brasil?1968 foi marcado, no Brasil, por movimentos que lutavam, em primeiro lugar, contra o regime militar vigente, em segundo pelo desejo de participar em uma sociedade que se modernizava mais ainda tinha acessos restritos, como à universidade com o problema dos 'excedentes' nos vestibulares. Certamente que havia no Brasil a influência de Maio de 1968 na França, e de outros países onde ocorreram mobilizações de estudantes. Os pontos comuns entre os movimentos de 2013 e 1968 são: o protagonismo de jovens, especialmente estudantes; a falta de espaço e canais para vocalizar demandas; a influência de ideias do socialismo libertário, o uso de meios de comunicação da época para articularem às ações - muros e a TV em 68, redes da mídia e celulares/IPAD etc. em 2013. Como diferença destaca-se a relação com a política. Os jovens de 68 queriam participar da política, eram contrários às políticas conservadoras e porta vozes de políticas libertárias, aderiam a grupos com ideologias políticas; os manifestantes de 2013 querem outra política, diferente dos termos e formas como tem sido praticada. Querem outra política sem enquadramentos partidários e ideológicos, mais libertários. Em 68 propunham-se alianças com operários e camponeses. Em 2013 não se coloca a questão de alianças de classe; questões da ética, da moralidade pública são prioritárias. Em síntese: em 68 os jovens queriam mudar a sociedade via mudanças políticas. Hoje, querem mudanças na política via atuação diferenciada do Estado no atendimento à sociedade. Não negam o Estado, querem um Estado mais eficiente.
A década de 1990 também é um referencial comparativo interessante para o caso brasileiro porque o protagonismo da sociedade civil despertou, na época, para a questão da ética e dos direitos, levando ao impeachment do ex-presidente Collor de Melo. Os estudantes 'cara-pintadas' tiveram lugar de destaque na cena dos protestos. A conjuntura política do país passou a mudar e levou a formas institucionalizadas das reivindicações e demandas, com a construção dos conselhos e outros, previstos na Constituição de 1988. Os movimentos populares urbanos se reorganizaram para os novos tempos, de atuação na esfera pública. As ONGs cresceram e passaram a ocupar lugar de destaque na interlocução com o governo, atuando em projetos sociais com apoio de fundos públicos. Novas leis surgiram para regulamentar à relação Estado-sociedade civil. O conflito social no campo acirrou-se e o MST passou a ocupar a cena como o líder das lutas sociais. A virada do século trouxe o protagonismo de atores da sociedade civil organizada em temas dos movimentos identitários, formados a partir da onda de novos movimentos sociais que sacudiu o país ao final dos anos de 1970-1980, atuando em formas institucionalizadas, normatizadas por leis sob controle de máquinas governamentais. Os movimentos alterglobalizantes do final dos anos de 1990 e 2000, presentes nas edições do Fórum Social Mundial, introduziram novas pautas e formas de agir e se organizam de forma transnacional, com temas globais que podem ser acionadas em qualquer lugar do mundo. Nesta forma, as demandas do cotidiano perderam espaço na agenda social global. Criou-se assim condições para a nova onda de protestos, tais como o Movimento dos Indignados nas Praças, Ruas e Avenidas, que desencadearam mobilizações sem precedentes nas manifestações de Junho 2013 no Brasil.
O que querem estes jovens brasileiros que foram para as ruas protestar? Por que estão insatisfeitos se a educação foi ampliada, se estamos em pleno emprego e os problemas econômicos são recentes?Eles querem ser escutados, querem falar e denunciar o desrespeito aos diretos dos cidadãos, e ter canais próprios para expressar demandas que não são específicas da categoria jovem, mas de toda sociedade. Vocalizam, por exemplo, que querem educação de qualidade (que inclui mais verbas, salários dignos, infraestrutura física adequada, formação para professores e demais profissionais da rede pública, bibliotecas e salas de informática, metodologias adequadas, transporte gratuito para os estudantes etc.). Para o ensino superior não aceitam ações apenas informadas por índices e provas, políticas de cotas, programas como PROUNI, etc. Na área da saúde idem. Os jovens são otimistas com o futuro e desencantados com o presente, simultaneamente. Do passado, poucos têm trajetórias de militância e experiências associativas anteriores. Participam de coletivos, mas preservam valores individualizantes, que é diferente de ser individualista. A individualização é uma revolução de valores silenciosa que se observa em muitos países europeus na atualidade. Busca-se autonomia aliada à aspirações de ordem qualitativa; o desenvolvimento econômico é uma condição necessária, mas não suficiente. Há outros fatores para dar sentido à autonomia como respeito à cultura religiosa, senso cívico, interesse por causas públicas, participação associativa, confiança no outro e nas instituições, liberdade de escolha etc. Há falta de perspectivas aos jovens sobre o futuro deles na sociedade atual. As políticas públicas de inclusão social propiciaram a ampliação do acesso ao ensino superior, mas o mercado de trabalho continua elitista. A maioria dos empregos é no setor de serviços. Os raros projetos sociais oficiais para a juventude circunscrevem-se a eventos culturais, oficinas (música, informática, hip hop). Além de insuficientes, de oferta irregular, estes projetos são voltados para o jovem das periferias, esquecendo-se dos jovens das camadas médias, não atingem o universo dos sonhos e desejos de perspectivas dos jovens em geral.
Por que a rejeição e hostilidade aos partidos políticos?Estes movimentos representam todos aqueles que têm, na atualidade, uma profunda falta de confiança em toda forma de política e categoria de políticos. Por isso sua mensagem foi respondida por milhares que uniram-se a eles, indo às ruas. Eles querem outro país onde a ética e política andem juntas. Querem uma revolução na forma de operar a política e não uma reforma ou remendo do que existe. Não confiam na política atual e nem nos políticos. Negam a política atual e isso também é uma forma de propor outra coisa. A exemplo do MPL, que se declara apartidário, mas não antipartidário, eles querem renovar a política e o tipo de partidos e políticos atuais. Por isto o tema de uma reforma política inicialmente não lhes atraiu - a reforma seria feita pelos políticos que estão aí, que eles estão contestando. Não se sentem representados no quadro político institucional existente, eles não têm canais de expressão. Com isso detecta-se também uma crise de representação social destes grupos e uma crise de legitimidade das instituições públicas. A linguagem política dos manifestantes é outra. Seus códigos não se enquadram em planilhas, organogramas, planejamentos, siglas de planos e projetos.
Em que se inspiram estes movimentos? Que ideologias os inspiram?Inspiram-se em variadas fontes, segundo o grupo de pertencimento de cada um. Como rejeitam lideranças verticalizadas, centralizadoras, não há hegemonia de apenas uma ideologia, utopia ou esperança que os motivam. Alguns retiram da esquerda ensinamentos sobre a luta contra o capital e as formas de controle e dominação do capitalismo contemporâneo, na busca da emancipação. Do anarquismo e socialismo libertário, grupos ressuscitam e renovam leituras sobre a solidariedade, a liberdade dos indivíduos, a autogestão, e a esquecida fraternidade-retomada nas ações de enfrentamento à repressão policial. Há também um novo humanismo na ação de alguns, expresso em visões holísticas e comunitaristas, que critica a sociedade de consumo, o egoísmo, a violência cotidiana - real ou monitorada pelo medo nas manchetes diárias sobre assaltos, roubos, mortes etc., a destruição que o consumo de drogas está causando na juventude e outros. Busca-se reumanizar os indivíduos, a paz, o combate à violência. Muitos não têm formação alguma, estão aprendendo na luta do dia-a-dia, formatando seus valores conforme o calor da hora.
Que reivindicações sintetizam as palavras de ordem das atuais manifestações? Quais são os grandes temas que mobilizam estes jovens?No início, sabemos, o foco esteve nos transportes públicos, que no Brasil é transporte coletivo porque o caráter público se esvai com as concessões às empresas privadas, na sua operacionalidade. Depois o leque de demandas ampliou-se para outros serviços públicos (saúde e educação).Com a adesão de multidões às manifestações, as demandas ampliaram-se mais ainda e o alvo passou a ser 'contra tudo', seguida da denuncia sobre a violência da polícia. Os slogans dos cartazes, a maioria deles escritos à mão, rudimentares, são emblemáticos para ilustrar esta questão. "Nossos sonhos valem mais que 0,20"; "Democracia Já", "Desculpem o transtorno, mas estamos construindo outro Brasil", ou "Desculpem o transtorno, estamos mudando o país", " A Juventude acordou"," O povo não deve temer o governo, o governo deve temer o povo"," O Gigante acordou"," Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil" etc. Frases que proferiam também expressam suas ideias: "O povo unido não precisa de partido", "Parem de falar que é pela passagem. É por um Brasil melhor". No caso de São Paulo, um ativista do MPL deixou claro "Nós queremos um novo plano diretor e maior mobilidade na cidade". Portanto, aqueles que afirmam não ter o movimento metas, propostas, projetos, estão sendo cegos e surdos porque suas demandas são à base de outro modelo de desenvolvimento, baseado na escolha de outras prioridades nas políticas públicas, e em outros parâmetros éticos para os políticos que ocupam cargos públicos.
O que é "igualitarismo democrático" no nosso caso específico? Se aplica aos movimentos dos nossos jovens?Uma das questões profundas que está em causa nas manifestações de Junho no Brasil, e em manifestações em outras partes do mundo, é a discussão da democracia. A democracia representativa está em crise, à democracia direta é um ideal, viável apenas em pequenos grupos ou comunidades; a democracia deliberativa poderia unir as duas anteriores, mas ainda é um modelo frágil, que padece de arranjos clientelistas nos poucos casos onde ocorre. Em suma, a democracia está em crise, mas há certo consenso de que ela é necessária. Resta, portanto, buscar nos atuais movimentos os indícios de novas formas de organização política, nos marcos da democracia. Seriam eles movimentos sociais em transição para movimentos políticos, que construiriam novas formas de representação? Talvez sim, desde que se entenda a política de forma diferente da atualidade. A política como arte da negociação para a construção do bem comum. Aqueles que decretaram a morte das utopias precisam rever suas ideias. A nova geração de jovens que se organizou e foi às ruas em Junho de 2013 não se identifica com as formas organizativas existentes, e estão atentas ao modelo de sociedade que vivem. Muito consumo, mas qualidade de vida sofrível.
O governo federal está tentando responder às reivindicações com uma reforma política através de plebiscito. Esse é o caminho? Isso será suficiente para satisfazer os movimentos em curso?Políticos e autoridades governamentais mostraram-se surpresos com as manifestações em Junho. Após o impacto inicial, o governo federal passou a criar uma nova agenda para dar resposta à onda de mobilizações sociais. Isso já demonstra uma vitória e uma conquista da jornada de lutas de Junho, muito além da redução dos centavos nas tarifas. Os efeitos das manifestações foram sendo produzidos paulatinamente e observados na adesão de milhares de pessoas às manifestações, na repercussão internacional das manifestações, em jornais, TVs, Revistas, atos de apoio aos protestos (em Londres, Lisboa, Madri, Barcelona, Copenhagen, Berlin, York, Sydney, Atenas, Istambul etc.),e na aceleração na aprovação ou rejeição de propostas no Congresso (a exemplo do arquivamento da PEC 37 e do projeto da 'cura gay'). As manifestações levaram também, em Julho, a retomada das ações de mobilizações nas ruas por parte das centrais sindicais e movimentos populares rurais e urbanos, que há muito circunscreviam suas ações a atos em Brasília e na participação em conferências e eventos co-organizados por secretarias governamentais. Não deixa de ter significado também a queda da popularidade do governo federal e da Presidenta da República como indicadores claros de que o movimento não foi apenas duas semanas de agitação nas ruas. Certamente que o plebiscito-instrumento democrático previsto na Constituição foi uma ideia apressada, não bem explicitada, que não resolve no curto prazo as demandas colocadas. Ele serviu para diluir o debate sobre a conjuntura das mobilizações, e rejeitado pelo Congresso. O governo esta tendo dificuldade de encontrar interlocutores após as manifestações de Junho. Ao retomar uma agenda de diálogo com os movimentos sociais, em Julho, os convidados para ir ao palácio presidencial foram os mesmos dos últimos dez anos: movimentos rurais, centrais sindicais, movimentos identidários (mulheres, afrodescendentes, indígenas, movimento LGBTTTS etc.), ambientalistas etc. As novas formas de movimentos, organizadas por ativistas em torno de tópicos específicos, como o MPL e outros coletivos destacados neste texto, não estavam anteriormente na agenda das políticas públicas.
No seu livro não há menção ao Movimento do Passe Livre, que deu início a esta onda de manifestações. Qual a importância deste grupo?O MPL foi criado em 2005 em Porto Alegre, presente em manifestações importantes de estudantes em Florianópolis, Salvador etc. na questão das tarifas de ônibus . Promoveram ações em 2006 que denominavam de 'escrachos', momentos em que ridicularizaram atos oficiais e pautavam a demanda da Tarifa Zero. Segundo o site do MPL, ele se define como: "um movimento horizontal, autônomo, independente e apartidário, mas não antipartidário. A independência do MPL se faz não somente em relação a partidos, mas também a ONGs, instituições religiosas, financeiras etc." (www.saopaulo.mpl.org.br).
Meu livro, Sociologia dos Movimentos Sociais(Cortez 2013) foi lançado em Abril deste ano,e discute movimentos de jovens entre os anos 2011-2012, (os Indignados europeus, Wall Street, Primavera Árabe, no Brasil) e Maio de 68 na França. Ele retrata o cenário de novíssimos movimentos sociais, do gênero que esteve presente nas manifestações de Junho no Brasil. Não listei nominalmente o MPL mas ele foi incluído no rol das novas reivindicações dos atuais movimentos sociais brasileiros, ao citar a sua principal demanda - "passe livre nos transportes públicos"( pág. 68). O MPL foi abordado em outro livro meu como parte do movimento estudantil (Movimentos Sociais e Redes de Mobilizações Civis, Vozes, 2010). A extensão do bilhete único existente em várias cidades brasileiras foi uma conquista que deve ser atribuída à luta do MPL. Dado o papel que o MPL desempenhou nas manifestações de Junho, certamente ele passará a ter um lugar central em novas manifestações futuras e receberá atenção de analistas e gestores. É bom recordar também que a luta pelos transportes públicos é histórica. Relembro a "Revolta do Vintém" em 1880 no Rio de Janeiro, e a luta por transporte (ônibus) ao final dos anos de 1970, em movimentos sociais populares em bairros da periferia em várias cidades brasileiras apoiados pelas CEBS - Comunidades Eclesiais de Base. A mobilidade urbana é uma questão central para o cidadão, para o exercício da cidadania e une todas as camadas sociais, que sofrem o pesadelo dos deslocamentos diários no trânsito, de ônibus, carro, trem ou metrô lotados.
Uma das evidências dos que acompanham as manifestações é de que o movimento reivindicatório sem violência está espremido entre grupos que agem com violência e a repressão policial. Como a senhora analisa este embate?As manifestações iniciadas em São Paulo foram caracterizadas inicialmente, na mídia e por muitos políticos, como atos de "vândalos". Uma manifestante revoltada com este tratamento saiu no dia 13 de Junho com um cartaz "Não sou vândalo mídia". Neste dia, a 4ª manifestação do movimento em São Paulo, a policia tratou a todos como inimigos, houve centenas de feridos, muitas prisões e muita indignação. Este dia marcou a virada do olhar da sociedade, que passou a apoiar o movimento e ir às ruas para se manifestar também. A partir de então se pode observar melhor o que foi denominado como as 'tribos' que compunham o núcleo permanente dos manifestantes. Em São Paulo, participaram das manifestações, junto com o MPL, integrantes de partidos de esquerda PSOL, PSTU, PCO e alguns militantes do PT. Todas as bandeiras partidárias foram rejeitadas nas manifestações, gerando inclusive tumultos entre os que insistiram em desfraldá-las. Grupos anarquistas (Black Block, Anonymous, Kaos) estiveram presentes, com máscaras ou não. Teve-se também a presença de alguns punks. Os novíssimos movimentos sociais dos indignados das praças, ruas e avenidas, em várias partes do mundo, contam com a presença de grupos anarquistas e alguns reagem com violência à violência policial, em dadas circunstâncias. Eles são parte das novas formas de movimentos. Representam a 'resistência' - expressão usada nos países da Primavera Árabe para indicar os que não desistem, os que enfrentam e afrontam o poder constituído. Muitos são presos, feridos ou mortos, pois são alvos prediletos das ações de repressão da polícia. Quando ocorrem ações violentas, os confrontos são desiguais porque a maioria dos manifestantes portam apenas equipamento de autoproteção -máscaras, água, vinagre, bolinhas de gude para atrapalhar a cavalaria etc. O fato dos movimentos serem constituídos por coletivos diversificados e diferenciados causa problemas internos quando um dos grupos aciona ações próprias, ou quer se destacar - mostrando suas bandeiras partidárias, por exemplo, ou usando a violência depredando bens públicos e privados. Acrescentem-se às dificuldades nas ações dos coletivos fatos como os ocorridos em algumas das manifestações, quando grupos de populares aproveitaram a confusão e saquearam lojas e edifícios públicos. Como estas diferenças poderão ser resolvidas, em um sistema de autogestão, sem líderes chaves (motivo de dificuldade também no diálogo ou negociação com os poderes constituídos), é uma incógnita. Um enigma a decifrar, pois é impossível manter mobilizações de massa por muito tempo. Vários analistas têm alertado para a fragilidade organizatória do movimento, a não definição de rumos, e o perigo de ser apropriado por forças conservadoras da direita, como já ocorreu em outros momentos históricos de tensão social. Entretanto, não se pode esquecer a capacidade de aprendizagem dos ativistas, seu poder de reflexão e elaboração de sínteses a partir da prática. Muitos deles estão na fase de batismo na política, mas aprendendo muito. Outros, sabem o que não querem, e buscam definir o que querem nos parâmetros dos valores que acreditam. Por tudo isto é cedo para grandes balanços sobre as 'mobilizações de Junho'. O processo está em curso, um novo ciclo apenas iniciou-se, ele deve continuar, indo e vindo, como as ondas do mar.

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