sexta-feira, 31 de maio de 2013

Definition of palinode from Dictionary.com

Definition of palinode: poem in which the poet retracts something said in an earlier poem.

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Skype Papel de Parede

Skype by Rogsil
Skype, a photo by Rogsil on Flickr.

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Aforismo

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terça-feira, 28 de maio de 2013

iPad Wallpaper

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Entrevista do Semestre: Adv. José Garcez Guirardi, Prof. de Direito GV/SP

O que o sr. achou das cenas de violência na quinta-feira, quando a PM enfrentou manifestantes nas ruas, resultando em dezenas de feridos, inclusive repórteres e cidadãos que não participavam do protesto?
Essas imagens ilustram as consequências da falta de diálogo democrático efetivo que tem marcado a sociedade brasileira. A prática política recente vem articulando uma lógica binária redutora, profundamente nociva para o funcionamento das instituições democráticas. Ele articula o discurso do "nós" ou "eles", que considera moralmente superiores as razões próprias e desqualifica, de antemão, visões contrárias. Isso solapa o fundamento da democracia, que é justamente o respeito à pluralidade de visões de mundo. Se não há diálogo real, a violência se transforma em única linguagem possível.
O governador Alckmin defendeu a ação da PM, afirmando que ela evitou mais vandalismo e desobstruiu as vias públicas. Já o prefeito Haddad, que criticara as depredações da primeira passeata, afirmou dessa vez que ‘a imagem que ficou foi a da violência policial’. As autoridades estão respondendo adequadamente aos acontecimentos?
A questão do excesso policial é uma das faces do dilema que desafia as autoridades em regimes democráticos. O imperativo de garantir a livre manifestação de ideias coexiste com o imperativo de garantir a normalidade da ordem para todos - para os que se manifestam e para os que não desejam fazê-lo. Esse equilíbrio, que requer sobriedade de cada um, é muito difícil de alcançar, como infelizmente temos tido ocasião de testemunhar. Acho que o fato de o governador dar mais ênfase à destruição da propriedade e o prefeito ressaltar o direito à manifestação são complementares num certo sentido: afirmam que o desenho institucional democrático brasileiro é uma conquista importante. Mas ela supõe que a gente consiga negociar nos canais políticos as decisões que vão ser tomadas. Não me consta que isso tenha ocorrido durante a tramitação da nova tarifa, seja por parte das autoridades ou dos manifestantes.
Uma pesquisa feita no início da semana mostrava que 55% dos paulistanos apoiavam os atos, mas 78% os consideravam mais violentos que o necessário. As críticas à ação policial podem mudar esse sentimento?
Acredito que isso possa acontecer. Se o foco do debate migrar do valor da tarifa para a ação policial, a possibilidade de o sentimento popular se alterar é real. Nesse possível novo quadro, entraria em pauta o tema das relações entre polícia e sociedade que, como se sabe, é particularmente complexo no Brasil.
O jornal espanhol El País afirmou que ‘o Brasil, pouco acostumado a protestar na rua, desta vez se levantou’, lembrando que o mesmo não ocorreu com os escândalos de corrupção. Por quê?
Alguns têm tentado fazer uma conexão entre esses movimentos de rua e outros, em especial os ocorridos à época da luta pela redemocratização. Mas acho que há diferenças importantes que ajudam, inclusive, a entender por que os jovens não se mobilizaram no caso do mensalão e se mobilizam agora pela passagem do ônibus. A primeira diferença, no entanto, é abissal: vivemos num regime democrático. A segunda, mais importante, é que, naquela época, o projeto de restauração da ordem democrática era fundamentalmente coletivo, superior a interesses pontuais ou de grupo. Eram multidões heterogêneas caminhando por uma causa comum, sindicalistas, estudantes, a Igreja, bancários, etc, o que gerava uma possibilidade maior de apoio e de adesão de quem estava de fora. Aquelas manifestações tinham uma proposta clara de construção institucional - ampla, geral e de longo prazo. Hoje, as manifestações de rua contra o aumento das tarifas de transporte têm muito mais as características do que chamamos de instant mob: um movimento combinado nas redes sociais para promover uma ação específica no tempo e no espaço, impactar o coletivo e se dissolver.
Por que a dinâmica dos protestos mudou?
Tem a ver com a forma como estão se organizando as relações sociais hoje em dia. As pessoas conseguem se unir para uma ação pontual, com interesse específico e efêmero, mas não construir projetos consensuais. Isso ocorre porque a relação de consumo se tornou a relação matricial da nossa sociedade. Quando você compra um produto, está desinteressado de todo o longo processo que o levou às suas mãos, envolvendo escolhas, sacrifícios de pessoas, etc. E assim que aquilo satisfaz sua necessidade imediata, você o descarta sem preocupar também com consequências. De certa maneira, há uma relação de consumo com a política hoje. As pessoas estão consumindo política, não produzindo política. Elas não se envolvem nos processos de negociação, nem têm participação efetiva nas tomadas de decisão. Quando vem um resultado - um produto - que elas não gostam, reclamam com enorme intensidade. Mas depois, na hora de construir, que é muito mais difícil, pois pressupõe articulação de interesses diferentes, não conseguem avançar.
O advento da internet foi festejado por muitos como uma possibilidade de ampliação do debate público, que facilitaria os consensos coletivos. Não deu certo?
Acho que não por uma questão muito importante: a democracia se baseia mais em saber ouvir do que em saber falar. O (sociólogo e historiador norte-americano) Richard Sennett fala no "fetiche da afirmação" de nossos dias: as pessoas acham que é muito importante dizer o que pensam. E é. Mas a democracia se faz ouvindo respeitosamente o argumento do outro. Não adianta todos poderem falar se ninguém ouve. Essa lógica binária, do nós ou eles, muito presente nos discursos na internet, não ajuda a construir democracia.
Protestos convencionais, de sindicatos ou categorias profissionais que não se mobilizam via internet, escapam dessa lógica?
Padecem do mesmo problema. Veja por exemplo as passeatas de professores ou policiais, que também têm ocorrido na Paulista. Por que também não conseguem ter o mesmo impacto de antes? Em parte porque esses movimentos tampouco conseguem fazer a articulação entre o interesse pontual e coletivo. Não se luta por uma política salarial ou uma econômica diferente; luta-se por um reajuste. Essa incapacidade de construir coletivamente o futuro, de achar novas soluções que comportem a diferença, marca o nosso tempo. E está intimamente ligada a essa opção fundamental pelo consumo.
Os problemas de mobilidade urbana no Brasil tornaram-se insuportáveis?
A questão do transporte público no País é calamitosa. E o atual governo fez uma opção clara pelo transporte individual. Isso está dado e, de novo, é fruto dessa crença de que a gente vai conseguir fazer a inclusão social pelo consumo. Tudo ligado, em grande parte, à forma como se tem feito política no Brasil. E com partidos cujo único projeto é de poder.
O que a paralisação do tráfego, essa questão tão sensível nas grandes cidades brasileiras, sinaliza sobre o fenômeno?
É central. Comprar um carro novo com redução do IPI ou crédito mais barato tornou-se não só um signo de prestígio para as pessoas, mas também a prova do sucesso da escolha política da inclusão social via consumo pelo governo. Mas o caos do trânsito em nossas grandes cidades, que nem precisa de manifestações para ocorrer, mostra que não. Um país que faz a opção de que cada um cuide do próprio transporte, saúde e educação, em detrimento dos canais públicos, é um país que vai entrar em colapso. A história recente americana nos mostra isso, com as crises do setor automobilístico e financeira. O consumo como forma de realização da política é o maior risco que corremos. A política é o lugar do coletivo e do diferente; o consumo, o lugar do individual e do igual.
Que relações há entre os atuais protestos brasileiros e outros como a Primavera Árabe ou o Occupy Wall Street?
As semelhanças estão na forma de articulação política via internet e no envolvimento de uma juventude que quer renovar a participação política - um aspecto positivo, a se frisar. Entretanto, tanto no caso brasileiro quanto nos movimentos que você citou, há uma dificuldade desses grupos em saber o que fazer depois do protesto. Como construir o depois? Para institucionalizar mudanças, não basta dizer "não"; é preciso que se diga "sim" a alguma coisa. Esse é o enigma que está diante de nós, das mais diferentes gerações: como reconstruir o espaço político nesse mundo em que as instituições obviamente já não dão conta da vida moderna. É verdade que a política é a arte do possível, mas ela também tem que ser a arte de sonhar o impossível. O que todos esses movimentos estão mostrando é que nós precisamos de utopias, pensar formas para uma vida melhor, uma sociedade mais fraterna. A violência não é o caminho, o marasmo não é o caminho - mas essa capacidade de falar e de ouvir dentro da democracia.

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domingo, 26 de maio de 2013

Democracia


1 INTRODUÇÃO
Democracia ( do grego demos, "povo" e kratein, "governar"), sistema político pelo qual as pessoas de um país exercem sua soberania mediante a forma de governo que tenham decidido estabelecer. Nas democracias modernas, a autoridade suprema é exercida em sua maior parte pelos representantes eleitos pelo sufrágio popular em reconhecimento da soberania nacional. Esses representantes podem ser substituídos pelo eleitorado de acordo com os procedimentos legais de destituição e referendo. Nas monarquias constitucionais típicas, como no caso da Grã-Bretanha, Espanha e Noruega, são eleitos apenas os parlamentares, que, por sua vez, escolhem o primeiro-ministro, a quem cabe formar um gabinete.
Embora costumem ser utilizados indistintamente, os termos democracia e república não são sinônimos. A democracia pressupõe a participação popular na nomeação dos governantes, algo que nem sempre ocorre com as repúblicas, muitas delas ditatoriais ou submetidas a um regime de partido único.

2 A DEMOCRACIA NA GRÉCIA E ROMA ANTIGAS
O governo do povo teve um importante papel nas democracias da era pré-cristã. Diferentemente das democracias atuais, as democracias das cidades-estados da Grécia clássica e da República Romana eram democracias diretas, onde todos os cidadãos tinham voz e voto em suas respectivos órgãos representativos. Não se conhecia o governo representativo, desnecessário devido às pequenas dimensões das cidades-estados, que dificilmente tinham mais de 10 mil habitantes. A democracia das primeiras nações européias não pressupunha a igualdade de todos os indivíduos, já que a maior parte do povo, constituída por escravos e mulheres, não tinha reconhecido seus direitos políticos. Atenas, a maior das cidades-estados gregas regida por um sistema democrático, restringia o direito de voto aos cidadãos nascidos na cidade. A democracia romana era semelhante à ateniense, embora às vezes concedesse a cidadania a quem não era de origem romana. O estoicismo romano, que definia a espécie humana como parte de um princípio divino, o judaísmo e cristianismo, que defendiam os mesmos direitos aos menos privilegiados e a igualdade de todos perante Deus, contribuíram para o desenvolvimento da democracia moderna.

A República Romana degenerou no depotismo durante o Império. As cidades livres das atuais Itália, Alemanha e Países Baixos seguiram aplicando alguns princípios democráticos durante a Idade Média, em especial no autogoverno do povo através das instituições municipais. Os escravos deixaram de constituir o maior percentual das populações nacionais. À medida que o feudalismo desaparecia, surgia, por sua vez, uma classe média comercial e rica que dispunha dos recursos e do tempo necessários para participar nos assuntos de governo. Ressurgia assim um espírito de liberdade baseado nos antigos princípios gregos e romanos. Os conceitos de igualdade de direitos políticos e sociais se desenvolveram muito durante o Renascimento, e mais tarde durante a Reforma protestante na luta pela liberdade religiosa.

3 EUROPA OCIDENTAL E ESTADOS UNIDOS
Começando com a primeira rebelião popular contra a monarquia, que ocorreu durante a Guerra Civil Inglesa (1642-1649), que culminou com a execução do próprio rei Carlos I, as ações políticas e revolucionárias contra os governos autocráticos europeus resultaram no estabelecimento de governos republicanos, alguns autocráticos, embora com uma tendência crescente para a democracia. Esse tipo de ação foi inspirada e liderada em grande parte por filósofos políticos, sobretudo pelos franceses Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau e pelos estadistas norte-americanos Thomas Jefferson e James Madison. Antes que acabasse o século XIX as monarquias mais significativas da Europa Ocidental haviam adotado uma constituição que limitava o poder real e entregava uma parte considerável do poder ao povo. Em muitos desses países foi instituído um corpo legislativo representativo criado à semelhança do Parlamento britânico. É possível, portanto, que a política britânica tenha sido a maior influência na universalização da democracia, embora tenha sido igualmente grande o fascínio exercido pela Revolução Francesa. Mais tarde, o êxito da consolidação das instituições democráticas nos Estados Unidos serviu como modelo para muitos povos.

As principais características da democracia moderna são a liberdade individual, que proporciona aos cidadãos o direito de decidir e a responsabilidade de determinar suas próprias trajetórias e dirigir seus próprios assuntos, a igualdade perante a lei, o sufrágio universal e a educação. Essas características foram proclamadas em grandes documentos históricos, como a Declaração da Independência norte-americana, que afirmava o direito à vida à liberdade e à busca da felicidade, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão francesa e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 1948. Nela são reconhecidos os direitos civis e políticos fundamentais, tais como a vida, a liberdade, a privacidade e a justiça, condena e proíbe a tortura e a escravidão, defende os direitos de reunião, associação e autodeterminação entre outros. Desde sua promulgação, a Declaração, ainda que só tenha sido aprovada pelos estados membros, tem servido de base para numerosas reivindicações políticas e civis de qualquer Estado.

Até meados do século XX todos os países independentes do mundo, a exceção de um pequeno número, contavam com um governos que adotavam princípios democráticos. Ainda que os ideais da democracia tenham sido postos em prática, seu exercício e realização variam em muitos países.

4 AMÉRICA LATINA
Na América Latina, a instauração dos valores essenciais da democracia teve início com o processo de sua própria independência (1808-1826), ao qual se seguiu um período de regimes constitucionalistas. Foram promulgadas constituições em todos os países, mas elas se multiplicaram de forma excessiva em conseqüência das constantes mudanças políticas e das imposições dos grupos dominantes, o que impediu a estabilização de regimes políticos fundamentados em um sistema baseado nos princípios democráticos.
O caudilhismo, o caciquismo e as oligarquias, as disputas ideológicas e a dependência econômica externa foram alguns fatores que provocaram a instabilidade, a luta entre facções políticas, o subdesenvolvimento e a estagnação que deixaram marcas na política latino-americana.
Sucederam-se períodos de liberdade e democracia com outros nos quais se generalizaram os regimes autoritários e as ditaduras militares.
No início da década de 1980, a América Latina experimentou um autêntico renascer da democracia. Em quase todos os países, manifestou-se um forte apego às constituições, que consagram os estados de direito. Anteriormente, quem propusesse o desenvolvimento democrático na América Latina encontrava de um modo geral oposição numa cultura política, na qual o autoritarismo tinha desempenhado um papel muito importante ao longo da história. No entanto, o consenso de que a luta para generalizar a democracia deveria ser a principal missão dos governos latino-americanos foi a principal conclusão a que chegaram os chefes de governo da região reunidos no Chile durante a VI Conferência de Cúpula Ibero-americana, realizada em 1996.


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sábado, 25 de maio de 2013

Entrevista do Mês: Ministro Dias Tofolli

Folha/UOL - Em 2006, o STF derrubou a chamada cláusula de barreira. Uma nova lei pode ser feita sem mudar a Constituição?
Dias Toffoli - Penso que sim. Aquela cláusula era bem-vinda. Se lá estivesse, eu votaria diferente. Eu votaria no sentido de manter a cláusula de barreira.
Com o passar do tempo, pode-se ter outras interpretações -se o Congresso fizer uma lei que seja razoável, levando em conta os parâmetros que levaram o Supremo a declarar aquela inconstitucionalidade. Porque, realmente, conviver com 30 partidos... E muitos deles, nós sabemos, não têm base social para sua existência.
São comandados por meia dúzia de pessoas para terem acesso ao Fundo Partidário, ao rádio e à TV. Uma cláusula de barreira bem pensada pode, em futuro questionamento no Supremo, ser aceita. Até porque a história ensina.
O mensalão chegou à fase dos embargos. Quanto tempo vai tomar esta e as fases seguintes até a conclusão desse caso?
Nós vamos ter que ter o julgamento de embargos de declaração. Quando sair o acórdão desses, virão embargos infringentes, se a Corte os admitir. Esse é um tema ainda em aberto.
Do julgamento desses embargos infringentes virão outros embargos de declaração.
Então, na hipótese do Supremo admitir os embargos infringentes como cabíveis, nós teremos ainda, além desse julgamento atual de embargos de declaração, pelo menos mais dois julgamentos. É a minha análise.
Quanto tempo dura isso?
É muito difícil dizer. Tudo depende do relator [Joaquim Barbosa], que é o senhor do tempo do processo.
Ainda assim, quanto tempo?
Entre um a dois anos.
O sr. aceitará os infringentes?
Estou com isso aberto.
O sr. fala de um a dois anos para concluir o mensalão. A melhor hipótese seria metade do ano que vem, se não houver os infringentes?
Pode ser. Eu penso que em menos de um ano não se conclui totalmente.
E no caso dos congressistas réus e que aguardam a conclusão do caso exercendo mandato? Permanecem no Congresso?
Dentro dessa hipótese de calendário, acaba quase que coincidindo com o fim de seus mandatos [que ocorre em janeiro de 2015].
*Ou seja, não haverá efeito para a perda de mandatos... *
Mas o objetivo da ação penal não é apear ninguém do mandato que exerce. O objetivo dela é trazer aquele que cometeu o ilícito à devida sanção. E, no caso, as sanções estão bem aplicadas.
O novo colega do sr. no STF, Luís Roberto Barroso, disse que o julgamento do mensalão foi "um ponto fora da curva" porque Tribunal teria sido mais rigoroso que o costume. O sr. concorda?
Em matéria de jurisprudência criminal, o Supremo não tem uma curva. Tem uma reta. É garantista. Historicamente garantista. Ele talvez devesse ter dito "um ponto fora da reta"...
O sr. foi ligado ao PT. O que pesou para o sr. não se declarar impedido de julgar o mensalão?
Não havia, do ponto de vista objetivo ou subjetivo, nenhuma razão para eu me declarar impedido. Para mim seria mais cômodo me declarar suspeito. Teria tomado conta dos processos do meu gabinete. Teria ficado sem ir à sessão por seis meses. Mas quando o homem está de frente ao seu destino ele tem que enfrentá-lo.
O sr. foi procurado pelo ex-presidente Lula para conversar sobre o julgamento do mensalão?
Não. O presidente Lula nunca conversou comigo, não sobre esse caso, sobre nenhum.
No mensalão, o sr. absolveu José Dirceu, mas condenou José Genoino, um petista histórico. Foi uma decisão difícil?
Conheço o deputado José Genoino, respeito sua história, seu passado. Mas julguei com aquilo que eu vi nos autos. Com essa liberdade que o juiz tem. Não por vínculos ou relações do passado. O mais cômodo seria ter me declarado suspeito, mas eu estava ali diante do destino: que juiz eu queria ser a partir dali? Optei por enfrentar. Não há provas contra José Dirceu.
É correto os juízes terem mais dias de férias do que os outros trabalhadores?
Fui perguntado na sabatina [no Senado] e eu falei: Por que vossas excelências não ampliam o direito de férias de dois meses para todos os trabalhadores?
Falando sério, o sr. acha...
Estou falando sério.
Não acha que isso destoa do modelo econômico aplicado na maioria das democracias bem sucedidas atualmente?
O Brasil há muito tempo tem férias de 30 dias para a maioria dos trabalhadores. Muitos países não têm.
É viável economicamente?
Economicamente falando, diziam que a abolição da escravatura ia destruir a economia fazendeira e cafeeira do Brasil. Destruiu?
O preço dos serviços e dos produtos nacionais ficará mais caro se forem oferecidos mais direitos aos trabalhadores brasileiros do que aos de outros países.
O problema do Brasil é o preço da mão de obra? Dizia-se que aumentar o salário mínimo ia quebrar o país. Lembro quando eu estava na Casa Civil na época e que o presidente Lula decidiu sozinho, contra a posição de todos, aumentar o salário mínimo, aumento real. O [ex-ministro da Fazenda Antonio] Palocci dizia isso [que quebraria o país], a área econômica do governo dizia isso.
O sr. participou do governo do ex-presidente Lula. Conheceu como funcionava. Agora, acompanha o governo de Dilma. Quais as diferenças?
O estilo é diferente. Pelo que eu leio, o estilo da presidente Dilma é um estilo que se baseia mais na autoridade versus subordinação. O presidente Lula era um presidente que ouvia mais, que sentia mais e depois ele tomava uma decisão. Ele não tinha ideias pré-concebidas, não tinha certezas. Ele tinha mais dúvidas que certezas.
E a presidente Dilma?
Penso que tem mais certezas do que dúvidas. É um estilo diferente.
Ela delega menos?
Ela delega menos, centraliza mais. Pode-se tentar deduzir diversas hipóteses. Que a mulher é mais centralizadora. Enfim, não sei as razões. O que eu posso dizer é que o presidente Lula nunca interveio no meu trabalho. Nunca disse: "Toffoli, isso que você falou está errado. Esse parecer está equivocado", "Toffoli, faça um parecer assim, que eu estou precisando". Nunca. Nunca o presidente Lula interveio no trabalho, quando eu fui subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, nem quando eu fui advogado-geral da União. E ele sempre ouviu minhas opiniões, sempre foi atento. Sempre tive a liberdade de dizer não.
O senhor está hoje com 45 anos. Pretende ficar até os 70 no Supremo?
Eu espero que aprovem a vitaliciedade à la americana [risos]. E que Deus me dê muitos anos de vida. Não posso responder pelo futuro, nem pela história, mas a atuação em uma Suprema Corte é de uma grandeza e de uma possibilidade de contribuir com a nação que poucos cargos permitem. E com liberdade, porque não depende de voto, não depende de nada. É o trabalho da sua consciência.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Reflexão da Semana

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Humor do Dia

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Igreja Anglicana


1 INTRODUÇÃO
Igreja Anglicana, remonta à chegada do cristianismo na Inglaterra. Mais especificamente, corresponde ao ramo da Igreja cristã que, desde a Reforma, recebeu o nome de Igreja Anglicana. A disciplina da Igreja da Inglaterra original foi introduzida por missionários e monges celtas e gauleses, até a chegada de Santo Agostinho de Canterbury em 597. A partir desta data, padronizaram-se as práticas dos celtas e dos romanos. No Sínodo de Whitby (664), decidiu-se romper a união com a Igreja da Irlanda. Depois da conquista normanda (1066), a influência continental fortaleceu a união entre a Igreja Anglicana e o papado. Durante o período medieval, os reis ingleses pretenderam limitar o poder da Igreja mas não obtiveram sucesso até a subida de Henrique VIII ao trono.
2 HENRIQUE VIII
Foi Henrique VIII quem provocou a ruptura com a Igreja Católica ao se divorciar de sua primeira mulher, Catarina de Aragão, filha de Fernando e Isabel, os reis católicos da Espanha. Como deste casamento só nascera uma filha mulher — mais tarde, a rainha Maria Tudor I —, e tendo-se apaixonado por Ana Bolena, levaram Henrique VIII pedir ao papa, em 1527, a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão. O divórcio foi negado e o rei tentou, durante alguns anos, solucionar o problema sem provocar conflitos com Roma. Finalmente, em 1532, Henrique VIII tomou a decisão de romper com o papa. Em janeiro de 1533, o rei desposou Ana Bolena e, em 1534, o Parlamento inglês aprovou o Estatuto da Supremacia que transformava Henrique VIII, e todos os seus descendentes, em chefe supremo da igreja da Inglaterra, ou Igreja Anglicana.
3 UMA IGREJA NACIONAL
Entre 1529 e 1536, as ações do Parlamento marcaram o início da Igreja Anglicana como igreja nacional. Henrique VIII recebeu o apoio dos ingleses. Com a ascensão ao trono de Maria I, em 1553, a Inglaterra voltou a subjugar-se à obediência papal. Maria I foi sucedida por Isabel I (1558) e a maioria das leis eclesiásticas de Henrique VIII foi reimplantada. Com Jaime I (1603), o primeiro Stuart, a inquietação decorrente das mudanças religiosas associou-se aos conflitos entre o Parlamento e o Absolutismo. Surgiu um novo problema quando Jaime II tentou reimplantar o catolicismo romano, mas se viu obrigado a ceder seu trono, depois da revolução de 1688, a Guilherme III e a Maria II.
4 MOVIMENTOS POPULARES
Desde o século XVII, os sucessivos movimentos dentro da Igreja Anglicana favoreceram sua expansão. No século XVIII, infundiu-se à religião popular um novo sentido de piedade e consagração pessoal. Durante o século XIX, um grupo de clérigos da universidade de Oxford iniciou um movimento para reincorporar elementos do catolicismo. Dentro da Igreja Anglicana, tanto o movimento evangélico da Igreja popular, como o movimento teológico oxfordiano puderam prosperar, fatos que ilustram a flexibilidade da fé e das práticas da tradição anglicana.
5 DOUTRINA
A doutrina da Igreja Anglicana baseia-se nos Trinta e Nove Artigos e no Book of Common Prayer (livro de orações habituais) que contém os antigos credos de um cristianismo não dividido. A religião anglicana difere da católica principalmente por negar a autoridade do papa, além de autorizar a ordenação de mulheres como sacerdotes.

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terça-feira, 21 de maio de 2013

Teologia


1 INTRODUÇÃO
Teologia, disciplina que expressa a razoabilidade dos conteúdos de uma fé religiosa, apresentados em um conjunto coerente de proposições.
A teologia aplica, no estudo de seus conteúdos, os procedimentos metodológicos, críticos e intelectuais da filosofia. Porém, estes procedimentos são diametralmente opostos aos das ciências naturais e humanas porque partem do pressuposto da fé e seu objetivo final, Deus, não é passível de pesquisa empírica. Portanto, o problema de estabelecer um método rigoroso de raciocínio sobre Deus é crucial em teologia.
Judeus, cristãos e muçulmanos dão às escrituras (Torá, Bíblia e Alcorão) uma autoria divina, o que não acontece no hinduísmo e no budismo.
A transmissão oral é outro meio de expressão e comunicação da revelação original já que, onde a escrita parece confusa ou inconsistente, a comunidade de crentes a interpreta. Isso ocorre muito mais no islamismo do que non catolicismo.
A experiência própria, seja pessoal ou comunitária, tem importante influência na teologia. O teólogo procura a fé em Deus em fenômenos religiosos — como no misticismo e na conversão — e também na vivência cultural, social e política da época.
2 MÉTODO TEOLÓGICO
Não existe um único método, de caráter universal, reconhecido na teologia. Os teólogos protestantes da Reforma, e posteriores a ela, têm tentado generalizar sem método, regendo-se estritamente pela Bíblia. É nisto que consiste o trabalho da exegese, que visa a compreender um significado. Os teólogos devem questionar como tem evoluído o significado original de um texto no decorrer da história doutrinal. Também devem procurar o significado que poderia ter este texto na época e situação cultural em que foi escrito. Este passo é a hermenêutica. A interpretação é um ato criativo e inovador e não somente a transposição de significados de um contexto antigo para outro moderno.
Uma distinção deve ser feita entre Teologia apologética (tentativa de expor as crenças religiosas enquanto se atende ou se responde às objeções e críticas) e Teologia dogmática que é a exposição ordenada das crenças. Alguns teólogos rejeitam a primeira, argumentando que a apologética é, apenas, uma clara exposição da crença.
Embora a Bíblia seja um rico depositário de material teológico, não é um manual de teologia. A Epístola de Paulo aos Romanos é, talvez, a proposta mais próxima de um tratado teológico no Novo Testamento.
No Oriente, o escritor Orígenes (século III) foi o teólogo mais influente da era cristã primitiva. O grande teólogo do Ocidente foi Santo Agostinho de Hipona. Ambos foram influenciados pela filosofia de Platão. A figura que mais se destacou na teologia medieval foi São Tomás de Aquino. Seu tratado Summa Theologica é uma detalhada exposição das doutrinas sobre Deus: natureza humana, encarnação e salvação. Com sutileza, Tomás de Aquino — baseando-se na filosofia de Aristóteles — mistura temas filosóficos e religiosos, exercendo uma influência sem precedentes na teologia católica romana.
No século XVI, o teólogo mais importante da reforma protestante foi João Calvino. Destacando a soberania de Deus até elaborar uma nova tese de predestinação, Calvino, ainda assim, tentou fundamentar suas doutrinas nos postulados da Bíblia.
Depois da Reforma, veio um período de estagnação teológica. A antiga teologia tinha perdido o prestígio para dois filósofos do século VIII: o cético inglês David Hume e o idealista alemão Emmanuel Kant. Por isto, o teólogo alemão do século XX, Friedrich Schleiermacher, conclamou para que a experiência da comunidade de fiéis fosse considerada uma nova base teológica.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Filosofia do tempo


1 INTRODUÇÃO
Filosofia do tempo, visão das respostas dadas pelos filósofos ao problema da sucessão temporal, ao do contraste entre o que passa e muda e o eterno, imóvel e permanente. Se trata da necessidade de explicar ou resolver problemas comuns a diferentes épocas: a fugacidade da vida, o caráter inevitável da morte, o mistério mesmo da condição do homem enfrentado à sua finitude. Essas respostas incluem aspectos que afetam também o pensamento científico e o campo da criação poética, entendendo que as verdades do raciocínio filosófico se completam, coincidem ou se enriquecem com as pesquisas da ciência e as elaboradas intuições da literatura.

2 TEMPO E LITERATURA
Um dos testemunhos que tem impregnado o pensamento e a criação através dos séculos, além da interpretação religiosa, é o texto do Eclesiastes (3, 1-8), que diz: “Todas as coisas têm seu tempo, e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito. Há tempo de nascer, e tempo de morrer. Há tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. Há tempo de matar, e tempo de sarar. Há tempo de destruir, e tempo de edificar. Há tempo de chorar, e tempo de rir. Há tempo de se afligir, e tempo de saltar de gosto. Há tempo de espalhar pedras, e tempo de as ajuntar. Há tempo de dar abraços, e tempo de se pôr longe deles. Há tempo de adquirir, e tempo de perder. Há tempo de aguardar, e tempo de lançar fora. Há tempo de rasgar, e tempo de coser. Há tempo de calar, e tempo de falar. Há tempo de amor, e tempo de ódio. Há tempo de guerra, e tempo de paz”. A concepção do tempo que surge do texto — já que, aliás, não há nada novo sob o sol — é a do retorno cíclico, a alternância do bom e do mau, da felicidade e da desgraça.
A figura de Cronos, da mitologia grega, também pertence a esse depósito de imagens que perduram na representação literária ou iconográfica. Segundo Hesíodo, Cronos castrou seu padre Urano e, do sangue deste, mesclado com o esperma que caiu no mar, nasceu Afrodite, a deusa do amor. O tempo implica a cronologia e, com ela, faz surgir o amor, sujeito a mudanças. Muitas mitologias, pretendendo explicar a evolução das épocas (ver Periodização), coincidem em reconhecer a sucessão de diferentes idades — às vezes separadas por dilúvios ou catástrofes —, que retornam ciclicamente (ver Mitologia asteca). São, enfim, formas de explicar a decadência das sociedades e a recuperação de um passado feliz.
Além das fontes mitológico-poéticas, muitos escritores têm refletido sobre o tempo e a fugacidade da vida. O carpe diem do poeta latino Horácio era a exortação para desfrutar do momento, entendendo que tudo passa, tudo é efêmero. A imagem do rio como uma fonte longínqua e obscura que, eventualmente, deságua em um vasto oceano, obtém sua expressão poética nas Coplas de Jorge Manrique, escritas em homenagem à morte de seu pai: “nossas vidas são os rios/que vão dar no mar/que é o morrer”.
Um recurso habitual dos narradores de ficção científica é fazer seus personagens moverem-se para o passado ou para o futuro. Alguém entra em uma máquina do tempo (ver Herbert George Wells) e, então, é cercado de eventos e coisas que já aconteceram ou que, no campo da conjetura, acontecerão. Ciberiada, de Stanislaw Lem, é outro exemplo de viagem pelo tempo. As ficções de Jorge Luis Borges propõem como recurso o anacronismo, que permite, mais do que transitar, unir em um mesmo momento fatos de diferentes épocas, quebrando a rigidez da cronologia e, portanto, sugerindo uma superação do limite que fixam as datas. Se a arte, como dizia Leonardo, é “coisa mental”, as aventuras no túnel do tempo fazem parte da odisséia literária. Em grande medida, as experiências das vanguardas do século XX se propunham destruir as convenções estéticas, mas também a rigidez das lógicas horárias. Na adesão inicial do surrealismo, por exemplo, ao marxismo, subjazia essa intenção. Além disso, a influência dos movimentos revolucionários introduz nas consciências, sem dúvida, a possibilidade de transtornar as seqüências temporais conhecidas, identificadas com a ordem social dominante.
Proust, autor de Em busca do tempo perdido, resulta emblemático da preocupação de muitos escritores do século XX com o tempo. Machado de Assis introduziu no romance brasileiro os devaneios de um personagem, Brás Cubas, que faz “memória” depois de morto. Samuel Beckett, em Esperando Godot, apresenta dois personagens que passam o tempo (nos dois atos da peça) sem saber que fazer enquanto Godot não chega. Com todos os ingredientes cômicos do teatro do absurdo, Beckett consegue representar a tragédia da inação frente ao tempo que passa. Os objetivistas franceses, como Alain Robbe-Grillet e Michel Butor, fizeram da busca do tempo perdido um leit motiv. No cinema, a obra de Alain Resnais é também significativa.

3 TEMPO E FILOSOFIA
1 Os filósofos gregos
Na filosofia grega, os dois pensadores mais importantes, inclusive como exemplos de duas posições antagônicas, foram Heráclito e Parmênides. O primeiro teve consciência do constante dinamismo e mutação das coisas. Sua frase pânta rei (tudo flui) transformou-se na melhor síntese do seu pensamento. Segundo Aécio (século II), Heráclito retirou do universo a tranqüilidade e a estabilidade, pois isso é próprio dos mortos, e atribuiu movimento a todos os seres, “eterno aos eternos, perecível aos perecíveis”. Se nada permanece imóvel, os seres são semelhantes à corrente de um rio. A idéia de que o mundo está governado pela luta (“a guerra é mãe e rainha de todas as coisas”) fixou as bases da dialética de Hegel e de Marx. Ninguém poderá “se banhar duas vezes no mesmo rio”.
Parmênides opõe o tempo à eternidade e imutabilidade do ser. Recorrendo a uma tautologia (o ser é, o não ser não é), Parmênides identifica o tempo, por ser mutável, com o não ser, só reconhecendo validez ao eterno. Para Platão, sobretudo no diálogo chamado Timeu, o tempo é “imagem móvel da eternidade” que se desenvolve — continuando o pensamento pitagórico — segundo o número. Essa imagem é o céu, que com seus astros oferece a medida do devir temporal: “era”, “será”, “é”. O “é” ou instante é a dimensão autêntica, porque nele se conjugam o tempo e a eternidade. Sendo o mundo visível ou sensível uma copia do mundo invisível ou inteligível, o tempo imita a eternidade e, como os astros no céu, se move com relação ao número (rhythmós e arithmós, ritmo e número).
2 Santo Agostinho
Santo Agostinho reflexionou sobre o assunto em Confissões. Sua contribuição é muito importante por insistir na idéia da mudança constante do tempo. O tempo está contido na alma e, se o passado já não é e o futuro ainda não é, o único que existe é o presente: um presente do passado (a memória); um presente do futuro (a espera) e o presente do presente, apenas um instante, que a atenção capta no seu caminho rumo ao não ser. Porque o tempo, finalmente, é caminho em direção ao não ser. Também em De civitate Dei, Santo Agostinho reflexiona sobre o tempo e introduz a noção dominante no cristianismo de que a história do mundo (cópia da eternidade) seria a passagem da queda de Adão ao reencontro com Deus que é, enfim, a verdadeira origem do homem. A história, segundo o cristianismo, é o retorno à origem e, portanto, recuperação da queda, salvação. Nesta filosofia, perdura a diferença platônica entre o mundo sensível, o mundo das coisas perecedouras, e o inteligível, reino eterno da verdade imutável, divina.

4 TEMPO, CIÊNCIA E FILOSOFIA
A partir do Renascimento, apareceu a nova concepção científica do tempo, baseada na mecânica de Galileu, que considera o tempo como uma série idealmente reversível de instantes homogêneos. Essa série permite a redução do movimento a leis matemáticas e a aplicação do cálculo infinitesimal. Newton falou do tempo absoluto e do tempo cósmico. Os empiristas — Locke, Berkeley, Hume — criticaram, em Newton, a idéia do caráter psicológico da temporalidade e o tempo físico visto como pura abstração. Leibniz, também contrário a Newton, considerou que o tempo implica “uma ordem de existências sucessivas”, algo ideal e não real. Kant sustentou que o tempo constitui a forma a priori da intuição empírica, ou seja, o fundamento da objetividade do conhecimento.
No século XIX, com a descoberta da irreversibilidade dos fenômenos termodinâmicos, se produziu uma ruptura com a mecânica clássica. Os instantes temporais não são homogêneos: cada instante é heterogêneo com relação ao anterior e a série não pode ser invertida. Outros estudiosos também contribuíram ao abandono da concepção clássica. Minkowski considerou que tempo e espaço se unificavam num contínuo quadridimensional Einstein, com a teoria da relatividade, também adotou a tese da unidade espaço-tempo. Para Henri Bergson, pelo contrário, o tempo é um fato real em perpétuo movimento, algo que “come as coisas e deixa nelas a marca de seus dentes”. Foi um crítico convicto do tempo “espacializado” da física. Denominou de duração a experiência interior do tempo, que não pode ser submetida a medidas externas.
Para Heidegger, muitos de cujos conceitos foram desenvolvidos também por Jean-Paul Sartre e os filósofos existencialistas, o tempo é condição da existência entendida como projeto e como decisão antecipadora. Considera, além disso, que a vida do homem é definida por seu “ser para a morte”.
Com a elaboração da filosofia do materialismo dialético, Marx e Engels, se baseando nas idéias de Hegel, introduziram um conceito do tempo onde o filosófico se une ao sociológico e ao histórico. A preocupação não é estritamente definir o tempo, mas chegar a uma compreensão rigorosa das leis que governam as mudanças sociais e, portanto, conhecendo essas leis, procurar os meios para transformar o mundo. A filosofia recupera, assim, sua conexão com a ciência e com a poesia. O poeta Arthur Rimbaud tinha lançado a exortação de “transformar a vida”. Tanto a frase de Marx como a de Rimbaud perduraram durante várias décadas do século XX (por exemplo, o Maio de 1968) como uma incitação a construir a utopia revolucionária no tempo concreto e fugaz da existência humana.


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domingo, 19 de maio de 2013

Monólogo


1 INTRODUÇÃO
Monólogo, recurso literário usado para transmitir os pensamentos e sentimentos mais íntimos de uma personagem. No seu sentido tradicional, refere-se a uma longa fala feita por uma das personagens no teatro, na qual ela verbaliza pensamentos muito pessoais ou muito perigosos para transmitir a outras personagens. Tal monólogo geralmente é denominado solilóquio. Na poesia, o termo monólogo é usado para denotar um poema lírico que consiste inteiramente de uma fala de uma única personagem endereçada a um ouvinte hipotético e silencioso. Este tipo de monólogo é chamado de monólogo dramático. Na ficção, o termo monólogo indica a técnica através da qual um autor passa para o papel, da maneira mais direta possível, o verdadeiro processo de pensamento e sentimento de uma personagem. A forma que resulta desta técnica geralmente é denominada monólogo interior.
2 SOLILÓQUIO
Ao longo da maior parte da história, o teatro dependeu do uso do solilóquio ou do monólogo para transmitir informações ao público que não poderiam ser reveladas de outra maneira. No teatro grego clássico, as personagens geralmente endereçavam os seus monólogos diretamente ao coro no palco e, por implicação, ao público do anfiteatro. Tais monólogos serviam a vários propósitos. Freqüentemente eles delineavam o arcabouço da peça e relatavam eventos complicados que haviam ocorrido fora do palco. Também eram usados para mostrar a reação de uma personagem a eventos passados, bem como a previsão de ocorrências futuras. Ocasionalmente, os monólogos incluíam orações aos deuses ou meditações sobre a vida.
O solilóquio atingiu seu maior desenvolvimento no teatro inglês do final do século XVI e do início do século XVII e no teatro francês de Corneille e Racine. No teatro inglês da época, os palcos eram pequenos e freqüentemente se projetavam pelo meio do público. Assim, a montagem física de uma peça levava o espectador a ter um contato próximo com os atores, o que o fazia aceitar com facilidade as confidências de uma personagem que apresentasse um monólogo. Geralmente, um ator realizava o seu solilóquio quando estava sozinho no palco. Às vezes, outros atores também estavam presentes, mas entendia-se que eles não estavam ouvindo o que estava sendo dito. Christopher Marlowe e Thomas Kyd usavam muito o monólogo em suas peças. As vociferações por vezes hilariantes de Jerônimo em Spanish Tragedy, de Kyd, abriram caminho para o uso mais sofisticado do solilóquio feito por Shakespeare. Deste, o solilóquio mais famoso, “To be or not to be”, de Hamlet, é uma longa meditação sobre a mortalidade e o suicídio. Por outro lado, o monólogo de abertura da peça Ricardo III, também de Shakespeare, serve a vários propósitos. O futuro rei Ricardo fala diretamente para o público:
“O inverno de nossa desventura/já se transformou num glorioso estio graças a este sol de York (…)/ Nossas frontes estão agora cingidas pelas coroas da vitória (…)/ Nossos sinistros alarmes passaram a alegres reuniões (…)/ Mas eu, que não fui talhado para habilidades esportivas (…)/ Disforme, inacabado, enviado por ela (a natureza pérfida) antes do tempo/ para este mundo dos vivos; terminado pela metade (…)/ Resolvi portar-me como vilão/ e odiar os frívolos prazeres deste tempo./ Urdi conspirações, induções perigosas (…)/ para criar um ódio mortal entre meu irmão Clarence e o monarca./ / Mergulhai, pensamentos, no fundo de minha alma! Aqui vem Clarence!”.
Aqui o solilóquio serve para esclarecer a situação política da Inglaterra, para definir as deformações físicas e psicológicas da personagem central e para expor suas ambições más. Os solilóquios das tragédias francesas de Corneille e Racine eram mais estáticos e líricos que os de Shakespeare.
O solilóquio continuou sendo usado em grande parte do teatro romântico dos séculos XVIII e XIX. Entretanto, a maioria dos dramaturgos do século XIX tentavam fazer suas peças se parecerem ao máximo com a realidade, com falas e comportamento que espelhassem a atividade humana comum — portanto, o uso do solilóquio diminuiu. Ao longo do século XX, foram feitas diversas tentativas para se reativar o solilóquio, entre as quais a mais notável foi a de Eugene O’Neill na peça Estranho interlúdio.
No século XX, o termo monólogo também passou a significar uma apresentação dramática de um único ator que incorpora uma ou mais personagens. Monologuistas famosos incluem Ruth Draperm, Cornelia Otis Skinner, Emlyn Williams e Hal Holbrook.
3 MONÓLOGO DRAMÁTICO
O declínio do solilóquio ou monólogo no teatro do século XIX coincidiu com o aumento do seu uso na poesia lírica, onde ficou conhecido como monólogo dramático. Foi usado pela primeira vez por Robert Browning, que tentou transmitir os pensamentos e os sentimentos de personagens fictícias. Seu “Soliloquy of the Spanish Cloister”, por exemplo, é falado por um frei anônimo:
“Gr-r-r – aí vai, o aborrecimento do meu coração!/ Reguem seus malditos vasos de flores, viu!/ Se o ódio matou homens, Irmão Lawrence,/ O sangue de Deus, o meu não o mataria!/ O quê? Seu arbusto de murta precisa ser podado?/ Oh, esta rosa tem necessidades mais urgentes – / O seu vaso de chumbo precisa ser enchido até a borda?/ O inferno o seque com as suas chamas!”
Nas estrofes restantes do poema, o frei revela ainda mais seu ódio pelo irmão Lawrence ao criticar seus modos à mesa e armar uma situação para ele cometer um pecado. O “Soliloquy of the Spanish Cloister” ilustra a eficácia peculiar do monólogo dramático como uma forma poética. Em poucas estrofes, Browning não só consegue penetrar na caracterização de um frei reprimido, como também apresenta uma visão perturbadora da vida no convento. Os monólogos dramáticos mais famosos de Browning incluem “My Last Duchess” e “Andrea Del Sarto”. Poetas do século XX como Edward Arlington Robinson, Robert Frost, Ezra Pound e T. S. Eliot usaram o monólogo dramático.
4 MONÓLOGO INTERIOR
Já na metade do século XVIII, Laurence Sterne produziu um romance intitulado A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy, que enfatizava os pensamentos interiores e as reações de uma personagem, ao invés de uma trama. No início do século XX, os autores de ficção estavam tentando representar o fluxo fragmentário e espontâneo dos pensamentos e as impressões de suas personagens. A forma que resultou deste tipo de escrita ficou conhecida como monólogo interior. Talvez o mais famoso expoente do monólogo interior tenha sido James Joyce. No seu romance Ulisses, Joyce narra os eventos de um único dia em Dublin segundo a experiência consciente de três personagens. Dorothy Richardson, Virginia Woolf e William Faulkner são outros autores que usaram muito o monólogo interior.
É interessante destacar a utilização do monólogo narrativo e suas variantes híbridas (entre narração tradicional em primeira pessoa e monólogo interior) em autores brasileiros como Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas) e, mais recentemente, João Ubaldo Ribeiro: as longas disquisições do narrador de Sargento Getúlio e, entre outros exemplos, o monólogo da mãe-de-santo, em Viva o povo brasileiro, durante o transe, em que o ilógico das associações vai acompanhado da distorção léxica e sintática.

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sábado, 18 de maio de 2013

Papel de Parede

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Interruptores

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Conexões

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Pia Social

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terça-feira, 14 de maio de 2013

Convite para Viber

Olá,

Comecei a usar o Viber. É um aplicativo bacana que permite a você fazer chamadas e enviar textos de graça.

O Viber é simples de usar e funciona como um telefone convencional:
• Sem necessidade de criar um nome de usuário ou registro
• Trabalha com a lista de contatos existente do seu telefone
• Mostra quais de seus contatos já tem o Viber

Adquira o Viber: www.viber.com/dl

Seu,
--- Enviado com Outlook.com, Real Life Real Timeª Mobile ---

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cérebro humano: o joystick da natureza

Engenheiros que estudavam o código de programação do Google Glass encontraram exemplos ocultos de como as pessoas podem interagir com computadores "vestíveis" (conhecidos em inglês como "wearables") sem precisar dizer uma palavra. Um meneio de cabeça poderia ligar ou desligar os óculos. Uma piscadela poderia tirar uma foto.
Mas mesmo esses gestos podem não ser necessários por muito tempo.
Em breve, iremos interagir com nossos smartphones e computadores simplesmente com a mente. Em um par de anos, poderemos ligar as luzes de casa só com um pensamento ou enviar um e-mail sem nem tirar o smartphone do bolso. Mais para frente, seu assistente robô vai aparecer ao seu lado com um copo de limonada simplesmente por saber que você está com sede. Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia Emergente da Samsung estão testando tablets capazes de serem controlados pelo cérebro por um usuário usando um gorro cravejado de eletrodos de monitoramento, informou em abril a publicação "MIT Technology Review".
Essa tecnologia, frequentemente chamada de interface cérebro-computador, foi concebida para permitir que pessoas com paralisias e outras deficiências interajam com computadores ou controlem braços robóticos, bastando para isso pensar nessas ações. É possível que em breve essas tecnologias estejam também em produtos eletrônicos comuns.
Alguns produtos rudimentares de leitura cerebral já existem, permitindo que as pessoas joguem games fáceis ou movimentem um mouse numa tela.
A empresa NeuroSky, de San Jose (na Califórnia), recentemente lançou um fone de ouvido equipado com Bluetooth que é capaz de monitorar ligeiras alterações em ondas cerebrais e permitir que o usuário jogue, em computadores e smartphones, jogos que dependem de concentração, tendo a mente como joystick.
Outra empresa, a Emotiv, vende um fone capaz de ler ondas cerebrais associadas a pensamentos, sensações e expressões. O dispositivo pode ser usado em jogos tipo Tetris ou para fazer buscas em fotos do Flickr pensando em uma emoção -como feliz, ou animado. O Muse, uma bandana leve e sem fio, pode se conectar a um aplicativo que "exercita o cérebro", forçando as pessoas a se concentrarem em determinados aspectos de uma tela, o que é quase como levar sua mente para a academia.
Fabricantes de automóveis estão explorando tecnologias que detectam quando o motorista dorme, chacoalhando o volante para acordá-lo.
"As atuais tecnologias cerebrais são como tentar escutar uma conversa num estádio de futebol a partir de um dirigível", disse o neurocientista John Donoghue, diretor do Instituto Brown para a Ciência Cerebral, em Providence (em Rhode Island).
"Para ser realmente capaz de entender o que está acontecendo com o cérebro hoje, você precisa implantar cirurgicamente um conjunto de sensores no cérebro", afirmou ele.
No ano passado, um projeto chamado BrainGate, desenvolvido por Donoghue, permitiu que duas pessoas com paralisia total usassem um braço robótico com um computador reagindo à atividade cerebral. Uma mulher, que há 15 anos não usava os braços, conseguiu segurar uma garrafa de café e se servir, imaginando para isso os movimentos do braço robótico.
Mas esse chip dentro da cabeça também pode sumir em breve. Uma iniciativa deste ano do governo dos EUA, chamada Mapa da Atividade Cerebral, visa criar um mapa abrangente do cérebro.
A bióloga molecular Miyoung Chun, vice-presidente de programas científicos da Fundação Kavli, está trabalhando no projeto. Embora ela tenha dito que o mapa do cérebro deverá levar uma década para ficar pronto, dentro de dois anos as empresas já poderão desenvolver novos produtos com a interface cérebro-computador.
"O Mapa da Atividade Cerebral dará às empresas de hardware novas ferramentas que mudarão a forma como usamos smartphones e tablets", disse Chun. "Ele irá revolucionar tudo, dos implantes robóticos e próteses neurais aos controles remotos, que poderão virar história num futuro próximo, quando você puder mudar o canal da sua televisão só pensando nisso."
Há algumas preocupações a serem resolvidas. No site do Muse, um trecho é dedicado a convencer os consumidores de que o aparelho não pode transmitir os pensamentos das pessoas.
Donoghue disse que, mesmo quando os avanços na tecnologia de leitura cerebral se acelerarem, haverá novos desafios.
Disse: "Não é só porque eu estou pensando num bife ligeiramente mal passado em um restaurante que isso significa que eu realmente o queira para o jantar".


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domingo, 12 de maio de 2013

Praça de Alimentação do Shopping Vale do Aço

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sábado, 11 de maio de 2013

Samsung Galaxy Note

Samsung Galaxy Note by Rogsil
Samsung Galaxy Note, a photo by Rogsil on Flickr.

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Definição de "proselitismo"

Olá,

Consulte a definição de "proselitismo" que encontrei no Dicionário da Priberam: www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=proselitismo


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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Louca Reflexao

que ela já se encontra à esquerda

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Cético?



Ceticismo, na filosofia ocidental, doutrina que nega a possibilidade de alcançar o conhecimento da realidade, como é em si mesma. Por extensão, também significa dúvida do que, geralmente, é aceito como verdade. Todo o ceticismo filosófico está baseado na Epistemologia.
Os sofistas gregos foram, em sua maioria, céticos. Seus pontos de vista se refletem nas máximas “o homem é a medida de todas as coisas” e “nada existe, e se algo existe, não pode ser conhecido”. Mas foram os pirrônicos os primeiros a formular estes princípios. Pirro sustentava que os seres humanos não podem conhecer a natureza real das coisas.
O maior expoente do ceticismo moderno foi o filósofo David Hume que pôs em dúvida a possibilidade de demostrar a verdade das idéias sobre o mundo externo, as relações causais, os acontecimentos futuros ou das entidades metafísicas, como a alma e Deus. Pode-se encontrar traços de ceticismo em algumas escolas modernas de filosofia, entre elas, o pragmatismo, a filosofia analítica e o existencialismo.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

O Que é o Instinto?



Instinto, em zoologia e psicologia, característica inata de uma espécie animal particular, que origina modelos complexos de comportamento, de forma que os membros de uma espécie são capazes de responder de forma adequada a uma grande variedade de situações na natureza. Em geral, estes comportamentos supõem modelos de respostas a determinado estímulo e, com freqüência, são padrões característicos de alimentação, acasalamento, relações e expressão de agressividade. Em cada espécie, estes modelos de comportamento se desenvolvem e se refinam sob a influência dos fatores de seleção natural no processo da evolução. O termo instinto pode se aplicar também a várias interpretações desenvolvidas por Sigmund Freud e outros teóricos da psicanálise.

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

John Stuart Mill



Mill, John Stuart (1806-1873), filósofo e economista britânico. Sua obra concilia a exaltação da liberdade, a razão e o ideal científico do XVIII com o empirismo e o coletivismo do XIX. Na filosofia, sistematizou as doutrinas utilitaristas de seu pai, James Mill, e de Jeremy Bentham em obras como Utilitarismo (1836). Em economia política, defendeu as atitudes que, em sua opinião, valorizavam a liberdade individual. Seu apoio ao voto feminino levou à formação do movimento sufragista. Entre seus escritos figuram Princípios de economia política (1848), Sobre a liberdade (1859) e Três ensaios sobre religião (1874).

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domingo, 5 de maio de 2013

Entrevista do Dia: Economista Dani Rodrik, Prof. de Política Econômica Internacional da Universidade Harvard


Folha - O Brasil cresceu 0,9% em 2012 e há uma percepção de que o modelo de crescimento baseado em consumo se esgotou. O que o sr. acha?
Dani Rodrik - Dois anos atrás, todo mundo dizia que o Brasil estava vivendo um novo milagre econômico. Eu achava que era um enorme exagero. Agora, as pessoas estão tirando conclusões apressadas em cima de apenas um ano de crescimento.
O Brasil não vai mais crescer 7%, como no milagre econômico antes da crise da dívida ou mesmo em 2010 (7,5%). É realista esperar uma taxa de crescimento de 3% a 4%. Se o contexto global ajudar, 5% é uma taxa razoável.
O sr diz que, a partir de agora, alto crescimento no mundo será exceção. Como se situa o Brasil nesse cenário?
As condições que permitiram crescimento de 7% a 8% não vão se repetir. Antes, tínhamos os estágios iniciais da industrialização -ao tirar mão de obra da zona rural ou do setor informal e levar para as indústrias, tínhamos ganhos de 400% na produtividade. Agora, não teremos grandes ganhos sem mais investimentos em educação e tecnologia. Com as mudanças tecnológicas, a indústria é muito mais intensiva em capital e não absorve tanta mão de obra. E o Brasil, na realidade, já atingiu o pico de industrialização e está agora se desindustrializando. Mas isso é verdade para a maioria dos países. É inevitável. A discussão agora é a velocidade da desindustrialização, se está mais rápida do que deveria. A indústria não mais será o motor do crescimento. Serviços e outras áreas irão gerar ganhos de produtividade.
O sr. ficou decepcionado com a decisão dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) de criarem um banco de desenvolvimento...
Essa é uma noção dos anos 50, de que é preciso ter financiamento de infraestrutura. Frequentemente, o que emperra o desenvolvimento não é a falta de financiamento, mas sim instituições frágeis, excesso de regulação, falta de política industrial e moedas sobrevalorizadas. Financiamento é apenas um dos fatores. Não me parece o foco apropriado para os Brics. Faltam ideias novas de como consertar a globalização e criar uma nova relação entre emergentes e ricos.
O sr. diz que os Brics precisam parar de se comportar como "suplicantes". Qual é a mensagem que o Brasil deveria passar nos foros mundiais?
Gostaria de ver o Brasil abordar o sistema internacional não como um país em desenvolvimento dizendo que é pobre e precisa de ajuda. Em vez disso, o Brasil precisa se posicionar como formador de políticas, que também tem grandes responsabilidades. Em áreas como mudança climática, por exemplo, não haverá redução de emissões se os emergentes não assumirem responsabilidade.
O que o sr. espera de Roberto Azevêdo à frente da Organização Mundial do Comércio?
A agenda da OMC precisa mudar. A Rodada Doha morreu e as pessoas deveriam simplesmente declarar isso. O real desafio para a OMC é estabelecer uma nova narrativa, que não se restrinja a: "você reduz suas tarifas e em troca nós abrimos nossos mercados". No momento, o maior problema não é a falta de abertura comercial.
E o Brasil precisa mudar sua atitude. O Brasil ocasionalmente precisa proteger sua indústria, mas tem de entender que os países ricos passam por uma situação muito difícil e também precisam proteger a sua indústria. O Brasil, apesar de todas as elevações de tarifas recentes, não pode ser chamado de economia fechada. Aliás, acho que a atual estrutura de tarifas no Brasil é até positiva.
Por quê?
Porque, na margem, está dando uma proteção temporária para algumas indústrias que estão sendo dizimadas pela valorização da moeda. Vivemos no mundo possível, não no mundo doutrinário.
Qual é a importância de ter um brasileiro liderando a OMC?
O Brasil pode levar para a OMC uma abordagem pragmática, não doutrinária, que é uma evolução da proposta radical de livre mercado -é assim a política econômica do Brasil atualmente. Então ter um brasileiro no comando da OMC é muito positivo.
O sr. classifica os países de mercantilistas ou liberais. Em que faixa se situa o Brasil?
O Brasil é uma boa mistura -usa regras liberais em seu sistema financeiro, políticas monetária e cambial, mas é mais mercantilista no que se refere às políticas industriais, proteção por tarifas, regras de conteúdo local e uso do BNDES. Talvez precise de menos liberalismo no fronte macroeconômico e mais no fronte comercial.

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sábado, 4 de maio de 2013

Bumba

Bumba by Rogsil
Bumba, a photo by Rogsil on Flickr.

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Minha recomendação - Guiato para iPad

Olá,
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Cozinha

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