sábado, 30 de junho de 2012

Tema Quente: RedeTV

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Este é o Caminho!

Este é o Caminho! by Rogsil
Este é o Caminho!, a photo by Rogsil on Flickr.

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Entrevista: Ciro Gomes


O PT deve se preocupar com o projeto de poder do PSB?Temos muita lucidez. Tanto que eu próprio fui sacrificado. Eu era o quadro mais experiente e o mais qualificado das possibilidades de candidatura na eleição passada. Estava em segundo lugar nas pesquisas e o partido retirou minha candidatura para apoiar a candidata Dilma. Se o PT não entender isso, é porque a goela do PT ficou maior que a cabeça.
O ex-ministro José Dirceu disse que o rompimento da aliança PT-PSB em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte ameaça a aliança nacional, tendo em vista a reeleição de Dilma. O sr. concorda?Quem quer pegar galinha não diz xô. É preciso falar claro para todo mundo entender. Nós permanecemos aliados e entendemos que o que está em marcha é a eleição municipal. Na eleição presidencial passada o PSB fez um sacrifício e não participou. Ao contrário do que o PT pensa, aliança não é para liquidar o companheiro.
O PT não é bom parceiro?O PT quer vassalagem. Eles só conhecem o ‘Vem a nós’. Querem destruir o PDT, como estão fazendo com o PC do B. Mas, com o PSB, não vão fazer. O que mais querem de mim além de terem aniquilado minha vida pública?
Na semana passada o sr. e o prefeito Marcio Lacerda tiveram um encontro reservado em Brasília, na casa do senador Aécio Neves (PSDB-MG), para tratar da eleição em Belo Horizonte. Como foi a conversa?O prefeito me pediu para acompanhá-lo nesta conversa, da qual saí muito mal impressionado com o Aécio. Ele não pode brigar por coligação de vereador em Belo Horizonte. Grande parte da opinião brasileira dá a ele a possibilidade de ser um quadro nacional. Se ele tem essa missão histórica no futuro, não pode ficar cuidando de aliança de vereador e botando a faca no pescoço de aliados como eu, que sempre fui aliado incondicional dele.
Mas Lacerda também não queria reeleger petistas que fazem oposição a ele na Câmara, e os vereadores do PSB ameaçaram renunciar se houvesse coligação. 
Poderíamos sacrificar alguns companheiros porque temos o candidato majoritário e uma administração extremamente bem avaliada e apoiada, em sua origem, por PT e PSDB. Quem rompeu foi o PT, mas os dois esticaram a corda e Aécio também apequenou-se nesse processo. Nem o PT de BH nem o Aécio pensaram nos interesses de Belo Horizonte. Só pensaram nessa queda de braço mesquinha e extemporânea. Mas falo por mim. Ele (Lacerda) com certeza não concorda com o que estou dizendo.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

BR 381 - Trecho Urbano - Ipatinga/MG

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Entrevista do Mês: Jorge (Dupla Jorge e Matheus)


Mercado
Por que você decidiu falar agora?
A gente chegou a uma situacão insuportável, e acho que é um momento em que alguém precisa falar algo. O mercado nosso é podre, podre. Onde já se viu essa competição que acontece hoje entre duplas, entre escritórios? Nossas carreiras não são um jogo, ninguém tá competindo, ninguém vai ser campeão no fim do ano se fizer mais pontos. As pessoas estão equivocadas. Há uma briga de bastidores hoje entre os escritórios que só atrapalha. 
Hoje existem grupos isolados, escritórios que criam rixas com os outros, e isso não leva ninguém a nada. Enquanto você se preocupa demais com o que os outros tão fazendo, você tá deixando de se preocupar com seu trabalho. Eu tô com nojo, disso. Nojo.
O seu escritório também é bastante criticado…
Sem dúvida, e eu incluo o meu nisso. Os escritórios viraram ilhas e os artistas se fecharam em grupinhos. Tá todo mundo esquecendo que nós não somos nada, somos apenas cantores tentando fazer o que a gente mais gosta. A vaidade tá acabando com qualquer coisa boa que ainda restava nesse meio nosso. Se a nossa preocupação principal não for a música, a carreira tá com os dias contados.
Houve alguma passagem específica que te incomodou mais?
É muita coisa, não são acontecimentos isolados. Eu fico puto, por exemplo, com essa cultura do tapinha nas costas. Você recebe a pessoa numa boa no seu camarim, na maior boa vontade, e fica sabendo que ela vive tentando descobrir quanto foi seu último cachê, seu último público, como anda sua carreira… com qual intenção? Onde a pessoa acha que vai chegar com esse comportamento?
Não é um comportamento comum a qualquer mercado?
É diferente. Diferente porque aqui não há concorrência. Uma dupla ganhar menos não quer dizer que eu vou ganhar mais. Uma dupla sumir, não quer dizer que outra vai aparecer. Isso não competição. Não muda nada se fulano ganha mais ou menos que eu. Você me entende? Nós temos mais de 6 mil municípios no Brasil. Tem dupla pra cobrir tudo isso? Não tem, essa visão de concorrência dentro do próprio mercado é o fim. Olha o que eu tenho, olha minha casa, minha vida… você acha que eu tenho que me preocupar se tem um cara ganhando um cachê mais alto que eu? Eu tô errado?
E quem alimenta, quem cria essas intrigas?
São coisas de bastidores. Há uma competição insana entre empresários. Eu não preciso citar nomes pra que as pessoas saibam, todo mundo no meio sabe o que acontece, mas isso precisa acabar. Isso tá estragando a vida de quem tá ali pra trabalhar, de quem vive de música. Me diz, cara, como é que uma pessoa trabalha a semana inteira, às vezes tem um dia só de folga, e consegue perder tempo pensando numa forma de derrubar uma outra dupla? Qual o benefício em ver um evento dar errado? Em geral, as pessoas precisam baixar um pouco a bola e pensar mais na própria carreira.
Critica-se muito os anos 1990, falam que os “Amigos” fechavam o mercado, que só três duplas cuidavam sozinha do mercdo, mas o que se faz hoje é muito pior. É ridículo.
Não é um pouco de romantismo da sua parte achar que um mercado tão grande não vai se comportar como qualquer mercado?
Não, não. Minha visão é realista e atual. Eu vivo isso, eu sei o que eu tô falando. Hoje nós temos 20 grandes contratantes no Brasil, e eles tem aquele menu não muito extenso de artistas que vão fazer as festas mais importantes do país. E tem cara que não sabe aproveitar, agradecer por fazer parte desse grupo seleto, sendo que a gente tem milhões de artistas querendo esses lugares. Cara não aproveita, prefere ficar gastando tempo bolando uma forma de te derrubar.
Toda a situação que você descreveu já te fez pensar em parar em algum momento?
Sim, várias vezes. Já pensei em parar, sumir, ir pra roça e ficar lá. Eu não trabalho pra viver isso, eu não sou obrigado a passar por isso, viver essas situações. O que nos mantém é que há sim relações de amizade muito firmes, pessoas que você quer muito bem e você sabe que é recíproco. Mas no geral, fazemos parte de um meio muito podre.
___
Música
A nova linha do mercado sertanejo, que trata música mais como negócio do que como arte, já tem seus resultados negativos?
Sem dúvida. É visível pra todo mundo. Hoje você compra tudo, as pessoas aprenderam isso. Paga o jabá na rádio, compra a matéria, aparece na TV, então qualquer coisa é capaz de aparecer, por isso muita coisa ruim consegue espaço. Mas aparecer e fazer sucesso são coisas diferentes. Você pode estourar uma música ruim, ganhar uns trocados, comprar um carro bom, mas em menos de um ano você já tá de volta à estaca zero por não haver base. Não adianta querer explicar o que é uma carreira de sucesso pra alguém que tá feito louco atrás de um hit.
Eu tô ficando meio grilado com esse lance de história musical. Eu não posso falar de carreira porque eu tenho 7 anos, mas eu posso falar de base, de conhecimento. Hoje tem artista que não conhece de música, não vive música, não tem noção de nada, acha que ser músico é uma profissão que você escolhe da noite pro dia pra ganhar dinheiro.
E isso ilude muita gente, não?
Exatamente, estamos criando uma geração de artistas iludidos. Música é mais dom do que meio de vida, não adianta o cara pensar de repente música pode ser um trabalho como qualquer outro. Eu participo de festival de música desde os 8 anos de idade, e mesmo assim eu não pensava que música seria minha profissão. Essa ideia de artista como negócio, como lançamento de um produto qualquer, sem nenhuma verdade e espontaneidade, só faz criar iludidos que somem na mesma velocidade que aparecem.
E o futuro é ruim, como muito se fala dentro do próprio meio?
De forma alguma. Isso que tá acontecendo musicalmente é passageiro. Vai estourar um aqui, outra ali, mas a música sertaneja não cai, não some. O romantismo vai acabar voltando a ter mais destaque, nos shows a gente percebe a reação quando você canta uma música nova romântica. 
Se um cantor novo, com investidor poderoso, te pedisse uma dica do que fazer pra começar, o que você diria?
Sinceramente, eu mandava ele esperar. Calma, deixa essa loucura passar, ela vai passar. Com a música sertaneja, com a música romântica, ninguém acaba. Vai devagar, pensa numa carreira, pensa em repertório, em um trabalho concreto, e deixa a poeira baixar um pouco.
As pessoas se esqueceram completamente que quem escolhe o sucesso é o público. Não é o empresário, o cantor, o escritório ou o dinheiro. É o público. Você pode fazer barulho, reclamar, xingar, gastar dinheiro, mas se as pessoas não gostarem, você não é ninguém, a música não é nada. Você pode ter 5 milhões pra investir e gastar esses 5 milhões sem ter nenhum retorno.
Você já viu um show do Amado Batista? Já foi em um show do Leonardo? Aquilo é a resposta: povo. O sucesso quem escolhe é o povo, é a massa, é o lance da identificação, e isso parece ter sido completamente esquecido. É por isso que no meio você ouve falar de um monte de “sucesso”, mas quando chega na vida real, vê que é tudo mentira. Isso aqui é vida real. 

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nas Garras da Patrulha - Coxinha - Quitanda do Seu Manel

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domingo, 24 de junho de 2012

Lagache, Daniel



Lagache, Daniel (1903-1972), psicólogo, psicanalista e médico francês, autor de la Jalousie amoureuse.
Célebre por sua participação ativa na fundação da psicologia clínica na França e por seus trabalhos sobre o ciúme de amor, obteve o licenciamento em filosofia, em 1928, e seu doutorado de medicina, em 1934. Em 1937, tornou-se professor de psicologia na universidade de Estrasburgo. Foi nomeado para a Sorbonne, em 1947, para a cadeira de psicologia geral e publicou sua tese la Jalousie amoureuse no mesmo ano. Em 1949, editou o livro l’Unité de la psychologie, no qual demonstrava “que uma verdadeira psicologia somente pode ser clínica e que deve utilizar suas diversas abordagens numa diligência sintética, centralizada na subjetividade e na intersubjetividade”(J. Postel). No fim da vida, dirigiu o Vocabulário da psicanálise, realizado por seus alunos, J.B. Pontalis e J.Laplanche.

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sábado, 23 de junho de 2012

Figuras de Linguagem



1 INTRODUÇÃO
Figuras de linguagem, palavra ou grupo de palavras utilizadas para dar ênfase a uma idéia ou sentimento. As mais difundidas, denominadas também tropos, são as seguintes:

2 ANTICLÍMAX
Série de idéias que abruptamente diminuem em importância e dignidade ao final de um período ou passagem, geralmente para lograr um efeito satírico.

3 ANTÍTESES
Justaposição de duas palavras, frases, cláusulas ou orações de significado oposto com o fim de enfatizar o contraste de idéias.

4 APÓSTROFE
Figura pela qual o narrador interrompe o discurso para dirigir-se a uma pessoa ausente ou morta, a um objeto inanimado ou a uma idéia abstrata.

5 CLÍMAX
Disposição de palavras, cláusulas ou períodos segundo sua ordem de importância ou segundo um critério de graduação ascendente.

6 COMPARAÇÃO OU SÍMIL
Relação entre duas classes de idéias ou objetos que se estabelece mediante a conjunção comparativa como ou qual e fórmulas afins como tal, semelhante, assim; flexões do verbo parecer, semelhar-se ou figurar; termos que indicam parentesco ou imitação, e aposição.

7 CONCEITO
Metáfora elaborada, com freqüência extravagante, que estabelece uma analogia entre coisas totalmente díspares.

8 EUFEMISMO
Substituição de um termo ou frase que tem conotações desagradáveis ou indecorosas por outros mais delicados ou inofensivos. Tem também conotações irônicas e serve, em muitos casos, como reforço de moral dúbia e atenuante de preconceitos.

9 EXCLAMAÇÃO
Expressa uma emoção intensa como o temor, a dor ou a surpresa. Distingue-se pela entonação.

10 HIPÉRBOLE
Figura que consiste em exagerar os traços de uma pessoa ou coisa, onde está implícita uma comparação ou uma metáfora.

11 INTERROGAÇÃO RETÓRICA
Uma afirmativa com ênfase na resposta contida na pergunta propriamente dita, ou em outros casos, a ausência ou impossibilidade de resposta.

12 IRONIA
Figura de dicção onde as palavras parecem transmitir um significado contrário ao sentido literal, entre o humor e o sarcasmo.

13 LITOTES
Também chamada atenuante, consiste em dizer menos, para dizer mais. O procedimento da diminuição é complemento do aumento próprio da hipérbole.

14 METÁFORA
Uso de uma palavra ou frase que denota uma idéia ou objeto em lugar de outra com o fim de sugerir um vínculo entre ambas. Elimina todos os nexos e fórmulas da comparação. Também pode explicar-se como uma dupla sinédoque.

15 METONÍMIA
Uso de uma palavra ou frase por outra com a qual tem uma relação de contigüidade, como causa e efeito, o concreto pelo abstrato, o instrumento pela pessoa que o utiliza e outras construções similares.

16 ONOMATOPÉIA
Imitação com palavras dos sons naturais: frufru, tique-taque, tilintar. A harmonia imitativa é uma figura próxima da onomatopéia e a aliteração (Ver Versificação) e por ela podem reproduzir-se certos efeitos auditivos e até emotivos pela repetição de determinados fonemas.

17 PARADOXO
Enunciado que parece absurdo para o sentido comum ou para as idéias preconcebidas.

18 PERSONIFICAÇÃO
Representação de objetos inanimados ou idéias abstratas como seres vivendes. É freqüente nas fábulas.

19 SINÉDOQUE
Rege-se pela relação de inclusão; no caso da metonímia, a relação é de continuidade: o todo pela parte, a parte pelo todo.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Oi Rdio: Classic Rock

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Utopía por Eduardo Galeano

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje na História

20 de Junho

Aniversário Fabiana F. Beserra

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Acabei de usar o Shazam para descobrir a You're So Vain de Carly Simon. http://shz.am/t6045502

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Que é a Bíblia?



1 INTRODUÇÃO
Bíblia, também chamada Santa Bíblia, livro sagrado ou Escrituras de judeus e cristãos. No entanto, as Bíblias do judaísmo e do cristianismo diferem em vários aspectos. A Bíblia judaica é composta pelas escrituras hebraicas — 39 livros escritos em hebraico —, com exceção de poucas partes redigidas em aramaico. A Bíblia cristã possui duas partes: o Antigo Testamento e os 27 livros do Novo Testamento. Os dois principais ramos do cristianismo — catolicismo e protestantismo — estruturam o Antigo Testamento de modo diferente.

Na versão primitiva, alguns dos livros adicionais foram escritos em grego como, por exemplo, o Novo Testamento. A tradução protestante do Antigo Testamento limita-se aos 39 livros da Bíblia judaica. Os demais livros e adições são denominados apócrifos pelos protestantes e deuterocanônicos pelos católicos.
O termo Bíblia chegou ao latim do grego bíblia ou “livros”, forma diminutiva de byblos, palavra que significa “papiro” ou “papel”, material exportado do antigo porto fenício de Biblos. Na Idade Média, os livros da Bíblia eram unificados.

2 ORDEM DOS LIVROS
A ordem e o número dos livros bíblicos são distintos entre as versões judaica, protestante e católica. A Bíblia do judaísmo divide-se em três partes:
–Torá, ou Lei, também chamada livros de Moisés.
– Profetas ou Neviim, dividida em Profetas Antigos e Profetas Posteriores.
– Hagiográficos ou Ketuvim, que inclui os Salmos, os livros sábios e literatura diversa.
O Antigo Testamento cristão organiza os livros segundo seu conteúdo:
– Pentateuco, que corresponde à Torá.
– Livros históricos.
– Livros poéticos ou sábios.
– Livros proféticos.
O Novo Testamento inclui:
– Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).
– Atos dos Apóstolos, que narra a história dos primeiros tempos do cristianismo.
– Epístolas ou cartas de Paulo e outros autores.
– Apocalipse ou Livro da Revelação.
Alguns livros identificados como Epístolas, em particular a Epístola aos Hebreus, são, na verdade, tratados teológicos.

3 INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Os primeiros cristãos herdaram do judaísmo a idéia de que as Escrituras constituíam uma fonte autorizada. De início, não se propôs nenhuma doutrina formal acerca da inspiração das Escrituras, como é o caso do islamismo sustentando que o Alcorão foi ditado dos céus. No entanto, os cristãos acreditavam que a Bíblia continha a palavra de Deus, transmitida por seu Espírito. Primeiro, através dos patriarcas e profetas. Mais tarde, pelos apóstolos. Os autores dos livros do Novo Testamento recorreram à autoridade das Escrituras hebraicas para apoiar suas alegações sobre Jesus Cristo.

4 IMPORTÂNCIA E INFLUÊNCIA
A Bíblia, em suas centenas de traduções, é o livro de maior difusão na história da humanidade. Na história do pensamento humano, a Bíblia exerceu grande influência. Não só entre as comunidades religiosas, que a consideram sagrada. Na verdade, a literatura, as artes e a música ocidentais têm uma enorme dívida para com os temas, motivos e imagens da Bíblia.

5 O ANTIGO TESTAMENTO
O termo Antigo Testamento (da palavra latina para “aliança”) aplica-se a estas Escrituras para diferenciar a “Antiga Aliança”, estabelecida por Deus com Israel, e a “Nova Aliança”, selada através de Jesus Cristo (ver Heb.8,7).

6 LITERATURA DO ANTIGO TESTAMENTO
Do ponto de vista literário, o Antigo Testamento constitui uma antologia de livros diferentes. Não é, apenas, um livro unificado em seus autores, data de composição ou estilo literário. Em geral, os livros do Antigo Testamento são classificados como narrativas, obras poéticas, escritos proféticos, códigos legais ou apocalipse.

7 NARRATIVAS
Tanto no contexto, como em conteúdo, a grande maioria dos livros do Antigo Testamento são narrativos, isto é, referem-se a acontecimentos passados. Muitas obras narrativas do Antigo Testamento também é História, ainda que não se ajuste à definição científica do termo. As narrativas históricas do Antigo Testamento são obras mais populares do que críticas, já que os autores recorreram às tradições orais — algumas delas pouco confiáveis — para escrever seus relatos. Além disto, todas as narrativas foram compostas com propósito religioso. Podem, portanto, ser chamadas de histórias de salvação, já que seu propósito é demonstrar a participação de Deus em acontecimentos humanos. Exemplos destas obras são a "História deuteronômica" (do Deuteronômio até os capítulos 1 e 2 do Livro dos Reis), o "Tetrateuco" (do Gênesis até o livro de Números) e a "História do Cronista" (capítulos 1 e 2 dos livros Crônicas, Esdras e Nehemias). A história da sucessão do trono de Davi (Sam., 2,9-20, I Re. 1,2) é a narração bíblica que mais se aproxima do conceito moderno de História. O autor presta atenção aos detalhes dos eventos e personagens e interpreta o curso dos acontecimentos à luz das motivações humanas. Não obstante, intui-se a intervenção divina nas entrelinhas dos textos.

Outros livros narrativos são: "Rute", "Jonas" e "Ester", — novelas históricas. É provável que estes livros tenham sua origem em contos populares ou lendas. Nos livros deuterocanônicos podem encontrar-se alguns relatos didáticos: "Tobias", "Judite", "Susana" e "Bel e o dragão", contido no "Livro de Daniel".

8 OBRAS POÉTICAS
Entre os livros poéticos do Antigo Testamento incluem-se os Salmos, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Eclesiástico (deuterocanônico) e Prece de Manassés (apócrifo). O "Livro da Sabedoria" assemelha-se aos livros poéticos sapienciais, embora não seja poesia. A maioria do livros proféticos estão escritos de acordo com as regras líricas hebraicas.

9 MATERIAIS PROFÉTICOS
Os profetas eram conhecidos em outras regiões do antigo Oriente Médio, mas nenhuma outra cultura desenvolveu um corpo de literatura profética comparável ao de Israel. Os antigos autores egípcios escreveram obras literárias chamadas “profecias” mas, por sua forma e conteúdo, eram diferentes dos livros proféticos da Bíblia. Na literatura profética predominam os discursos, já que a atividade do profeta consistia em difundir a palavra de Deus relativa ao futuro imediato. As mensagens mais comuns são profecias de castigo ou salvação. Tanto umas, como outras, estão contextualizadas por fórmulas que identificam as palavras de Deus, por exemplo, “oráculo de Yahvé”. Em geral, a profecia de castigo encontra suas razões na injustiça social, arrogância religiosa ou apostasia. As profecias também costumam detalhar a natureza do desastre — militar, peste ou outra qualquer — que recairá sobre a nação, grupo ou indivíduo a quem será dirigido. As profecias de salvação anunciam a iminente intervenção de Deus para resgatar Israel. Outros discursos incluem profecias contra nações estrangeiras, discursos de aflição que enumeram os pecados do povo, admoestações ou advertências. A Bíblia cristã inclui quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel e 12 menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Pertencem também à literatura profética os livros das Lamentações e Baruch.

10 LEIS
A matéria legal é tão destacada nas Escrituras hebraicas que o judaísmo aplicou o termo Torá (“Lei”) aos primeiros cinco livros (Pentateuco). Os textos legais são dominantes em Êxodo, Levítico e Números. O quinto livro da Bíblia foi denominado Deuteronômio (“segunda Lei”) por seus tradutores gregos, ainda que Deuteronômio seja, em síntese, um relato das últimas palavras e atos de Moisés. Em geral, estas leis referem-se aos problemas que surgiam na vida diária. As leis casuísticas são similares em sua forma — e, muitas vezes, em conteúdo — às normas recolhidas no Código de Hamurabi e outros códigos legais do antigo Oriente Médio.

11 ESCRITOS APOCALÍPTICOS
O apocalipse, como gênero diferenciado, surgiu em Israel no período posterior ao exílio, isto é, após o cativeiro dos judeus na Babilônia entre 586 e 538 a.C. Um apocalipse, ou revelação, expõe uma série de acontecimentos futuros mediante uma detalhada resenha de um sonho ou visão. Utiliza imagens de forte conteúdo simbólico e, freqüentemente extravagantes, que são explicadas e interpretadas. Os escritos apocalípticos costumam refletir a perspectiva histórica do autor, num momento em que as forças do mal se preparavam para travar a batalha final contra Deus, possibilitando o nascimento de uma nova era.
Daniel é o único livro apocalíptico das Escrituras hebraicas. Sua primeira metade (capítulos 1 a 6) é uma série de histórias lendárias. No entanto, partes de outros livros são, em muitos aspectos, similares à literatura apocalíptica (Isaías, capítulo 24, versículo 27; Zacarias, capítulo 9, versículo 14 e algumas partes de Ezequiel). Entre os apócrifos, Esdras é um apocalipse.

12 OS TEXTOS E AS VERSÕES ANTIGAS
Todos os tradutores contemporâneos da Bíblia tentam recuperar o texto mais antigo e, portanto, mais fiel ao original. Não existem originais, nem autográficas, mas centenas de manuscritos com inúmeras versões diferentes. Toda tentativa de determinar qual é o melhor texto de um livro ou versículo deve se basear no trabalho meticuloso e no juízo de um estudioso da Bíblia.

13 TEXTOS MASSORÉTICOS
Com respeito ao Antigo Testamento, a principal diferença é em relação aos textos em hebraico e suas versões ou traduções para idiomas antigos. Na língua hebraica, os testemunhos mais importantes — e, em geral, mais confiáveis — são os textos massoréticos, obra dos eruditos judeus (denominados massoretas) que se encarregaram de copiar e transmitir, com fidelidade, a Bíblia. Estes sábios, que trabalharam desde os primeiros séculos da Era Cristã até a Idade Média, também acrescentaram ao texto a pontuação, as vogais (o texto hebraico original contém somente consonantes) e diversas notas explicativas. A Bíblia hebraica padrão, utilizada atualmente, é reprodução de um texto massorético escrito em 1088.

Existem manuscritos hebraicos de livros individuais ainda mais antigos, cuja procedência é massorética. Muitos deles, datados no século VI, foram descobertos em finais do século XIX na guenizá (depósito no qual se guardavam os textos inutilizados para evitar a profanação do nome escrito de Deus) da sinagoga do Cairo. Numerosos manuscritos e fragmentos — muitos da Era Pré-cristã — foram recuperados na região do mar Morto, em 1947 (ver Manuscritos do mar Morto). Embora muitos destes manuscritos sejam bastante tardios — particularmente, os massoréticos —, eles conservam uma tradição textual que remonta a cerca de um século antes da Era Cristã.

14 A SEPTUAGINTA E OUTRAS VERSÕES EM GREGO
As versões mais valiosas da Bíblia hebraica são as traduções para o grego. Em alguns casos, as versões gregas apresentam material superior ao hebraico, já que se baseia em textos hebraicos de épocas remotas. Alguns manuscritos gregos são muito mais antigos que os manuscritos da Bíblia hebraica e foram incluídos na Bíblia cristã, compilada nos séculos IV e V d.C. Os manuscritos mais importantes são o Códice Vaticano (na Biblioteca do Vaticano), o Códice Sinaítico e o Códice Alexandrino (ambos se encontram no Museu Britânico).

A versão grega mais importante denomina-se Septuaginta (em grego, ‘setenta’) porque a lenda afirma que a Torá foi traduzida, no século III d.C., por 70 (ou 72) tradutores. Talvez a lenda esteja certa: a primeira tradução para o grego incluía só a Torá e, mais tarde, traduziram-se as demais Escrituras hebraicas. Parece lógico acreditar que esta tarefa tenha sido realizada por eruditos de diferentes concepções.

Empreenderam-se muitas outras traduções para o grego das quais conservam-se, somente, fragmentos ou citações dos primeiros autores da Igreja. Entre elas se incluem as versões de Áquila, Símaco, Teodósio e Luciano. O teólogo cristão Orígenes (século III) estudou os problemas que estas versões diferentes apresentavam e preparou uma Héxapla, ou seja, uma crítica textual na qual organizou, em seis colunas paralelas, o texto hebraico, o texto hebraico traduzido para o grego e as versões de Áquila, Símaco, Teodósio e Luciano.

15 PESITTA, LATINA ANTIGA, VULGATA E OS TARGUM
Entre outras versões, merecem ser mencionadas a Bíblia Pesitta ou síria, iniciada em torno do século I d.C. A Latina antiga — que não foi traduzida do hebraico, mas procede da Septuaginta, no século II —, e a Vulgata, traduzida do hebraico para o latim por São Jerônimo, no final do século IV d.C.

Outras versões que devem ser consideradas são os Targum aramaicos. No judaísmo — quando o aramaico substituiu o hebraico como idioma cotidiano —, fizeram-se as necessárias traduções. Primeiro, para acompanhar a leitura oral das Escrituras na sinagoga. Mais tarde, estas escrituras foram transcritas para o papel. Os Targum não eram traduções literais e tendiam a ser paráfrases ou interpretações do texto original.

16 O NOVO TESTAMENTO
O Novo Testamento é constituído de 27 documentos escritos entre 50 e 150 d.C. e que tratam de crenças e práticas religiosas nas comunidades cristãs mediterrâneas. Embora os originais destes documentos fossem em aramaico (especialmente, o Evangelho de Mateus e a Epístola aos Hebreus), todos sobreviveram através da versão grega, idioma original em que foram redigidos.

17 AS PRIMEIRAS VERSÕES
Como o Novo Testamento foi escrito em grego, a história da transmissão do texto e determinação do cânone costuma ignorar estas primeiras versões. A rápida expansão do cristianismo para além das regiões em que prevalecia o grego, requereu traduções para o sírio, latim antigo, copta, gótico, armênio, georgiano, etíope e árabe. As versões em sírio e latim apareceram no século II e as traduções para o copta começaram a aparecer no século III.

18 A LITERATURA DO NOVO TESTAMENTO
Do ponto de vista literário, os documentos do Novo Testamento são classificados em quatro gêneros principais: evangelhos, história, epístolas e apocalipse. Dos quatro, só os evangelhos são um estilo literário próprio da comunidade cristã.

19 EVANGELHOS
Um evangelho não é uma biografia, embora guarde algumas semelhanças com as histórias de heróis, humanos ou divinos, do mundo greco-romano. O evangelho é uma série de resenhas individuais de fatos e palavras, organizados com o objetivo de criar um efeito cumulativo. Aparentemente, os autores dos evangelhos — Mateus, Marcos, Lucas e João — tiveram algum interesse em ressaltar a ordem cronológica, embora esta não tenha sido uma das maiores prioridades. Em maior medida, o que influenciou a organização do material foram os temas teológicos e as necessidades dos leitores. Por estes motivos — embora os quatro mantenham um mesmo estilo literário e centrem-se na vida de Jesus —, existem diferenças entre os evangelhos. À exceção dos relatos da prisão, julgamento, morte e ressurreição de Cristo (similares nos quatro livros), os textos diferem em perspectivas, ênfases de interpretação e importantes detalhes.

O Evangelho de João é o único diferente. Nele, Jesus aparece como divindade onisciente, onipotente e superior. Os outros três denominam-se Evangelhos Sinópticos (vistos juntos) porque apresentam variadas e numerosas coincidências, provocando muitas hipóteses sobre suas relações. A opinião mais difundida sustenta que o Evangelho de São Marcos foi o primeiro a ser escrito e serviu de fonte inspiradora para Mateus e Lucas.

20 HISTÓRIA
Encontra-se no Livro dos Atos dos Apóstolos — o segundo de dois volumes, ocasionalmente denominado Atos de Lucas e atribuído a São Lucas —, a melhor representação da narrativa histórica no Novo Testamento. Estes dois livros relatam a história de Jesus e da Igreja nascida em seu nome como uma narrativa contínua, centrada na história de Israel e do Império romano. A história se apresenta do ponto de vista teológico, isto é, interpreta o procedimento de Deus num acontecimento ou em relação à uma pessoa. Atos se destaca no Novo Testamento por recorrer à narrativa histórica para veicular a fé cristã.

21 EPÍSTOLAS
No mundo greco-romano, a epístola, ou carta, constituía um estilo literário generalizado. Consistia na assinatura, endereçamento, saudação, elogio, agradecimento, mensagem e despedida. São Paulo achou este estilo análogo à relação que mantinha com as igrejas que fundara e conveniente para um apóstolo itinerante. Este estilo adquiriu grande popularidade na comunidade cristã e foi empregado por muitos hierarcas. As epístolas escritas por São Paulo e outros escritores — algumas das quais aparecem no Novo Testamento — são sermões, exortações ou tratados, encobertos pelo estilo do gênero epistolar. O Novo Testamento inclui as denominadas epístolas de São Paulo: Romanos (I e II), Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses (I e II), Tessalonicenses, Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago (I e II), Pedro (I-II-III) João e Judas.

22 ESCRITOS APOCALÍPTICOS
Os textos apocalípticos aparecem em todo o Novo Testamento, mas seu uso é predominante no livro do Apocalipse (ou Revelação). Em geral, os apocalipses foram escritos em épocas de graves crises de uma comunidade, tempos em que as pessoas buscam o metafísico e olham para o futuro em busca de ajuda e esperança. Esta literatura é visionária, simbólica e pessimista embora reflita esperanças no que está além do material e da história.

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domingo, 17 de junho de 2012

(Má) Educação Ambiental

(Má) Educação Ambiental by Rogsil
(Má) Educação Ambiental, a photo by Rogsil on Flickr.

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sábado, 16 de junho de 2012

Ebbinghaus, Hermann



Ebbinghaus, Hermann (1850-1909), psicólogo alemão, pioneiro da psicologia experimental. Em sua obra, destaca-se a monografia Sobre a memória, pesquisas de psicologia experimental (1885) e Fundamentos de Psicologia (1902).

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Bebida a Vontade

Bebida a Vontade by Rogsil
Bebida a Vontade, a photo by Rogsil on Flickr.

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Marcha da Insensatez - J.R Guzzo


O advogado paulista Márcio Thomaz Bastos encontra-se, aos 76 anos de idade, numa posição que qualquer profissional sonharia ocupar. Ao longo de 54 anos de carreira, tornou-se, talvez, o criminalista de maior prestígio em todo o Brasil, foi ministro da Justiça no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus honorários situam-se hoje entre os mais altos do mercado — está cobrando 15 milhões de reais, por exemplo, do empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira, o mais notório de seus últimos clientes. Num país que tem mais de 800 000 advogados em atividade, chegou ao topo do topo entre seus pares. É tratado com grande respeito nos meios jurídicos, consultado regularmente pelos políticos mais graúdos de Brasília e procurado por todo tipo de milionário com contas a acertar perante o Código Penal. Bastos é provavelmente o advogado brasileiro com maior acesso aos meios de comunicação. Aparece em capas de revista. Publica artigos nos principais veículos do país. Aparece na televisão, fala no rádio e dá entrevistas. Trata-se, em suma, do retrato acabado do homem influente. É especialmente perturbador, por isso tudo, que diga em voz alta as coisas que vem dizendo ultimamente. A mais extraordinária delas é que a imprensa “tomou partido” contra os réus do mensalão, a ser julgado em breve no Supremo Tribunal Federal, publica um noticiário “opressivo” sobre eles e, com isso, desrespeita o seu direito de receber justiça.
Se fosse apenas mais uma na produção em série de boçalidades que os políticos a serviço do governo não param de despejar sobre o país, tudo bem; o PT e seus aliados são assim mesmo. Mas temos, nesse caso, um problema sério: Márcio Thomaz Bastos não é um boçal. Muito ao contrário, construiu uma reputação de pessoa razoável, serena e avessa a jogar combustível em fogueiras; é visto como um adversário de confrontos incertos e cético quanto a soluções tomadas na base do grito. É aí, justamente, que se pode perceber com clareza toda a malignidade daquilo que vem fazendo, ao emprestar um disfarce de seriedade e bom-senso a ações que se alimentam do pensamento totalitário e levam à perversão da justiça. Por trás do que ele pretende vender como um esforço generoso em favor do direito de defesa, o que realmente existe é o desejo oculto de agredir a liberdade de expressão e manter intacta a impunidade que há anos transformou numa piada o sistema judiciário do Brasil. Age, nesses sermões contra a imprensa e pró-mensalão, como um sósia de Lula ou de um brucutu qualquer do PT; mas é o doutor Márcio Thomaz Bastos quem está falando — e se quem está falando é um crânio como o doutor Márcio, homem de sabedoria jurídica comparável à do rei Salomão, muita gente boa se sente obrigada a ouvir com o máximo de respeito o que ele diz.
O advogado Bastos sustenta, em público, que gosta da liberdade de imprensa. Pode ser — mas do que ele certamente não gosta, em particular, é das suas consequências. Uma delas, que o incomoda muito neste momento, é que jornais e revistas, emissoras de rádio e de televisão falam demais, segundo ele, do mensalão, e dizem coisas pesadas a respeito de diversos réus do processo. Mas a lei não estabelece quanto espaço ou tempo os meios de comunicação podem dedicar a esse ou aquele assunto, nem os obriga a ser imparciais, justos ou equilibrados; diz, apenas, que devem ser livres. O que o criminalista número 1 do Brasil sugere que se faça? Não pode, é claro, propor um tabelamento de centímetros ou minutos a ser obedecido pelos veículos no seu noticiá­rio sobre casos em andamento nos tribunais — nem a formação de um conselho de justos que só autorizaria a publicação de material que considerasse neutro em relação aos réus. Os órgãos de imprensa podem, com certeza, ter efeito sobre as opiniões do público, mas também aqui não há como satisfazer as objeções levantadas pelo advogado Bastos. O público não julga nada; este é um trabalho exclusivo dos juízes, e os juízes dão as suas sentenças com base naquilo que leem nos autos, e não no que leem em jornais. Será que o ex-ministro da Justiça gostaria, para cercar a coisa pelos quatro lados, que a imprensa parasse de publicar qualquer comentário sobre o mensalão um ano antes do julgamento, por exemplo? Dois anos, talvez? Não é uma opção prática — mesmo porque jamais se soube quando o caso iria ser julgado.
MINISTRO REPROVADO
A verdade é que a pregação de Márcio Thomaz Bastos ignora os fatos, ofende a lógica e deseduca o público. De onde ele foi tirar a ideia de que os réus do mensalão estão tendo seus direitos negados por causa da imprensa? O julgamento vai se realizar sete anos após os fatos de que eles são acusados — achar que alguém possa estar sendo prejudicado depois de todo esse tempo para organizar sua defesa é simplesmente incompreensível. Os réus gastaram milhões de reais contratando as bancas de advocacia mais festejadas do Brasil. Dos onze ministros do STF que vão julgá-los, seis foram indicados por Lula, seu maior aliado, e outros dois pela presidente Dilma Rousseff. Um deles, José Antonio Toffoli, foi praticamente um funcionário do PT entre 1995 e 2009, quando ganhou sua cadeira na corte de Justiça mais alta do país, aos 41 anos de idade e sem ter nenhum mérito conhecido para tanto; foi reprovado duas vezes ao prestar concurso para juiz, e esteve metido, na condição de réu, em dois processos no Amapá, por recebimento ilícito de dinheiro público. Sua entrada no STF, é verdade, foi aprovada pela Comissão de Justiça do Senado; mas os senadores aprovariam do mesmo jeito se Lula tivesse indicado para o cargo um tamanduá-bandeira. O próprio ex-presidente, enfim, vem interferindo diretamente em favor dos réus — como acaba de acusar o ministro Gilmar Mendes, com quem teve uma conversa em particular muito próxima da pura e simples ilegalidade. Mas o advogado Bastos, apesar disso tudo, acha que os acusados não estão tendo direito a se defender de forma adequada.
Há uma face escura e angustiante na escola de pensamento liderada por Bastos, em sua tese não declarada, mas muito clara, segundo a qual a liberdade de expressão se opõe ao direito de defesa. Ela pode ser percebida na comparação que fez entre o mensalão e o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados em 2010 por assassinarem a filha dele de 5 anos de idade, em 2008, atirando a menina pela janela do seu apartamento em São Paulo — crime de uma selvageria capaz de causar indignação até dentro das penitenciárias. Bastos adverte sobre o perigo, em seu modo de ver as coisas, de que os réus do mensalão possam ter o mesmo destino do casal Nardoni; tratou-se, segundo ele, de um caso típico de “julgamento que não houve”, pois os meios de comunicação “insuflaram de tal maneira” os ânimos que acabou havendo “um justiçamento” e seu julgamento se tornou “uma farsa”. De novo, aqui, não há uma verdadeira ideia; o que há é a negação dos fatos. Os Nardoni tiveram direito a todos os exames técnicos, laudos e perícias que quiseram. Foram atendidos em todos os seus pedidos para adiar ao máximo o julgamento. Contrataram para defendê-los um dos advogados mais caros e influentes de São Paulo, Roberto Podval — tão caro que pôde pagar as despesas de hospedagem, em hotel cinco-estrelas, de 200 amigos que convidou para o seu casamento na ilha de Capri, em 2011, e tão influente que um deles foi o ministro Toffoli. (Eis o homem aqui, outra vez.)
Ao sustentar que o casal Nardoni foi vítima de um “justiçamento”, Bastos ignora o trabalho do promotor Francisco Cembranelli, cuja peça de acusação é considerada, por consenso, um clássico em matéria de competência e rigor jurídico. Dá a entender que os sete membros do júri foram robôs incapazes de decidir por vontade própria. Mais que tudo, ao sustentar que os assassinos foram condenados pelo noticiário, omite a única causa real da sentença que receberam — o fato de terem matado com as próprias mãos uma criança de 5 anos. Enfim, como fecho de sua visão do mundo, Bastos louvou, num artigo para a Folha de S.Paulo, a máxima segundo a qual “o acusado é sempre um oprimido”. Tais propósitos são apenas um despropósito. Infelizmente, são também admirados e reproduzidos, cada vez mais, por juristas, astros do ambiente universitário, intelec­tuais, artistas, legisladores, lideranças políticas e por aí afora. Suas ações, somadas, colocaram o país numa marcha da insensatez — ao construírem ano após ano, tijolo por tijolo, o triunfo da impunidade na sociedade brasileira de hoje.
ABERRAÇÃO IRRELEVANTEO Brasil é um dos poucos países em que homicidas confessos são deixados em liberdade. O jornalista Antonio Pimenta, por exemplo, matou a tiros sua ex-namorada Sandra Gomide, em 2000, e admitiu o crime desde o primeiro momento; só foi para a cadeia onze anos depois, num caso que a defesa conseguiu ir adiando, sem o apoio de um único fato ou motivo lógico, até chegar ao Supremo Tribunal Federal. Homicidas, quando condenados, podem ter o direito de cumprir apenas um sexto da pena. Se não forem presos em flagrante, podem responder em liberdade a seus processos. Autores dos crimes mais cruéis têm direito a cumprir suas penas em prisão aberta ou “liberdade assistida”. Se tiverem menos de 18 anos, criminosos perfeitamente conscientes do que fazem podem matar quantas vezes quiserem, sem receber punição alguma; qualquer sugestão de reduzir esse limite é prontamente denunciada como fascista ou retrógrada pelo pensamento jurídico que se tornou predominante no país. O resultado final dessa convicção de que só poderá haver justiça se houver cada vez mais barreiras entre os criminosos e a cadeia está à vista de todos. O Brasil registra 50 000 homicídios por ano — e menos de 10% chegam a ser julgados um dia.
Nosso ex-ministro da Justiça, porém, acha irrelevante essa aberração. O problema, para ele, não está na impunidade dos criminosos, e sim na imprensa — que fica falando muito do assunto e acaba criando um “clamor popular” contra os réus. Esse clamor popular, naturalmente, tem dois rostos. É bom quando vai a favor das posições defendidas por Bastos e por quem pensa como ele; é chamado, nesse caso, de “opinião pública”. É ruim quando vai contra; é chamado, então, de “linchamento moral”. A impunidade para crimes descritos como “comuns”, e que vão superando fronteiras cada vez mais avançadas em termos de perversidade, é, enfim, só uma parte dessa tragédia. A outra é a impunidade de quem manda no país. Não poderia haver uma ilustração mais chocante dessa realidade do que a cena, há duas semanas, em que a maior liderança política do Brasil, o ex-presidente Lula, se submete a um beija-mão em público perante seu novo herói, o deputado Paulo Maluf — um homem que só pode viver fora da cadeia no Brasil, pois no resto do planeta está sujeito a um mandado internacional de prisão a ser cumprido pela Interpol. É, em suma, o desvario civilizado — tanto mais perigoso por ser camuflado com palavras suaves, apelos por uma “justiça moderna” e desculpas de que a “causa popular” vale mais que a moral comum. Um dos maiores criminalistas que já passaram pelo foro de São Paulo, hoje falecido, costumava dizer que o direito penal oferece apenas duas opções a um advogado. Na primeira, ele se obriga a só aceitar a defesa de um cliente se estiver honestamente convencido de sua inocência. Na segunda, torna-se coautor de crimes. O resto, resumia ele, é apenas filosofia hipócrita para justificar o recebimento de honorários. Há um abismo entre a postura desse velho advogado e a do doutor Márcio. Fica o leitor convidado, aqui, a ecolher qual das duas lhe parece mais correta.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Entrevista da Quinzena: Cassia Kiss


Para interpretar a Dulce, de Morde & Assopra, você disse ter se inspirado numa mulher muito humilde do Recife. Onde buscou inspiração para Melissa?No livro Assédio Moral (da psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen), que fala do perverso narcísico, alguém de uma vilania, uma crueldade capaz de levar o outro à morte sem sujar as mãos. Construo as personagens para chegar ao limite. Se era para Dulce ser humilde, que fosse muito humilde, pura. E assim é com a perversidade.
Melissa é psicopata?Não sei. Mas se você quer ser uma pessoa boa, tem de se vigiar 24 horas por dia. Em casa, temos como princípio não falar mal de ninguém. Às vezes a gente pede licença e critica, mas não pode. Tudo isso para dizer que o perverso narcísico é dono de uma liberdade absurda. Ele diz o que pensa, é narcisista, cruel, invejoso e destrói quem ele gostaria de ser.
Já imagina o fim dessa vilã?Adoraria que pudesse haver a redenção da personagem. Porque todo vilão se safa e continua filho da p... ou vai preso ou é morto. Mas o barato numa novela cujo espiritismo é tema central – que fala do amor e cujo líder é Jesus – é o vilão ser perdoado. E a maior liberdade do ser humano – e falo por experiência pessoal – é quando você consegue se perdoar e perdoar o outro. É de um regozijo. É quase um nirvana, um caminhar para frente.
Engraçado que a Melissa é tão frustrada que, às vezes, o público se compadece dela.É que ela também tem humor, para dar uma leveza. Afinal, é uma novela das 6. Ela é debochada, divertida, livre. Por isso usa roupas coloridas, perucas (uma ideia da atriz). O público não gosta muito daquela peruca à la Cleópatra. Mas eu adoro, então, sinto muito, mas vocês vão aguentar aquela peruca.
Você já disse à imprensa que a Adma, de Porto dos Milagres, te deixou muitas marcas. Chegou a ponderar se faria outra vilã?Trabalho na Globo desde 1983. Sabe quantas vezes recusei um personagem? Nenhuma. Aprendi que não existe tamanho de personagem. Você me dá uma história de uma linha e eu te devolvo uma de 500 páginas.
Foi assim com a Dulce, não?Foi. Trabalho para construir personagens marcantes. Sou muito arrogante nisso. Adoraria deixar uma marca, um estilo. Gostaria de ser grande na minha profissão. Uma Greta Garbo, um Charles Chaplin. Não vou conseguir, mas eu luto. É um trabalho exaustivo, você fica sem comer, às vezes 3 horas da manhã estou estudando. Mas não abandono isso.
Com tantas vilãs marcantes, como não cair na repetição?Tudo isso é igual a trabalho. Estou numa idade em que começo a ser descartada da televisão. Novelas são feitas para garotada. As moças bonitas têm mais espaço, mesmo mulheres de 30, 40 anos. E eu não sou bonita, não tenho um phisic que atraia, não fiz plástica. Para manter meu espaço, tenho de trabalhar muito, achar o diferencial e, infelizmente, tentar ser a melhor.
Interessante essa constatação vir justamente de você, que emenda um trabalho bacana atrás do outro. A idade ainda pesa na televisão?Claro. O berço do ator está na Inglaterra. E lá, quanto mais velhos os atores, mais reconhecidos e respeitados eles são. No Brasil, as estrelas são outras. E isso me preocupa tanto que, se tem um projeto que quero fazer na televisão, é algo sobre terceira idade.
Uma série?Sim. No recente filme O Exótico Hotel Marigold, você vê atores inglese fantásticos. Todos com 70 anos e rostos tão marcados, que parecem ter 500. É das coisas mais bonitas e emocionantes que já vi. Quero fazer uma série que mostre que, apesar de ter 70, 80 anos, o ser humano tem chance de se transformar. São pessoas que continuam vivendo.
O amor que a Melissa sente pelo filho e os erros na educação dele aproximam a personagem da Dulce, de Morde & Assopra?Olha que legal: a gente está falando de duas mães com filhos únicos. São exatamente os mesmos erros. Mas a Dulce amava verdadeiramente o filho. Já a Melissa, tenho dúvidas se o amor que ela sente por ela mesma é maior do que qualquer outra coisa. E a relação deles é doentia, meio incestuosa. Ela dá selinho, beija o pescoço dele. Parece que aquele filho mamou até os 15 anos. Como fico muito atenta na relação de mãe e filhos – no que as mães fazem com seus filhos e o que elas permitem que os filhos façam com elas –, eu tento pesar a mão nessa pincelada para ver se essas mães se enxergam.
Você não queria ter filhos e hoje tem quatro. Ser mãe na ficção te ajudou nessa mudança de pensamento?Sim. Em Pantanal, fazia a Maria Marruá, que pariu a Juma Marruá (Cristiana Oliveira) numa canoa. Foi muito marcante para mim. Pensei: “Como vou contar uma história dessa, se abrir mão da maternidade? Preciso viver isso.” Somente lamento não ter filhos com o meu marido de verdade (hoje, o psicanalista João Baptista Magro Filho). Tenho quatro filhos, mas de homens com quem não tive uma vida de parceria.
Você sempre falou abertamente sobre sua vida – sobre aborto, bulimia, bipolaridade. Arrepende-se de ter se exposto tanto?
Tenho muita responsabilidade no que digo, porque sei que vai ser ouvido. E sei que o público gosta de ir além do que vê na TV. Por isso, se algo vai ser útil, eu falo. O fato de ter falado da bipolaridade e da bulimia, por exemplo, foi útil, tanto pra mim quanto para quem precisa de ajuda.
Você teve uma vida sofrida e hoje está aí, vencedora. Nunca pensou em fazer uma biografia?Vou fazer minha biografia, porque acho que ela é muito útil. Avalio estes quase 40 anos de trajetória (depois de sair de casa) e vejo uma história que merece ser escrita. Daqui a pouco eu começo a escrever. Vai mexer muito comigo, vai me doer muito, mas hoje quero deixar esse registro.

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terça-feira, 12 de junho de 2012

Hoje na História: Dia Dos Namorados

12 de Junho - Dia Dos Namorados

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Que é Garganta?



Área do pescoço, na qual convergem os aparelhos digestivo e respiratório. Abriga a laringe, a faringe e as partes superiores do esôfago e da traquéia.

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domingo, 10 de junho de 2012

Flower to The Sky

Flower to The Sky by Rogsil
Flower to The Sky, a photo by Rogsil on Flickr.

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sábado, 9 de junho de 2012

Novo Centro - Ipatinga/MG

Novo Centro - Ipatinga/MG by Rogsil
Novo Centro - Ipatinga/MG, a photo by Rogsil on Flickr.

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Definição de constrangimento

s.m. Estado de quem está constrangido.
Violência física ou moral exercida contra alguém.
Embaraço, acanhamento.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Entrevista da Semana: Carlos Tufvesson


O que te fez desistir da candidatura política no Rio de Janeiro?Não houve desistência, apenas um adiamento. A candidatura é algo mais complexo que imaginava, envolve diversas demandas. Uma candidatura, hoje em dia, como está, é preciso montar uma empresa e, paradoxalmente, tinha fechado a minha por não aguentar mais ter empresa com 90 funcionários, Acabei convidado pelo Prefeito Eduardo Paes para ser titular da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual. Hoje vejo a necessidade mais do que imediata de uma reforma política urgente no país.
Em todas as eleições há candidatos com projetos ligados à comunidade gay, mas são raros os que conseguem algo. Existe falta de apoio dentro do próprio universo gay?O voto está ligado à crença de que o candidato é bom e lhe representará. Muitos dos candidatos ligados à comunidade gay não possuem real representatividade. O apoio depende desta representatividade. Evidente, isto não significa negar que existam muitos homossexuais desesperançosos que não acreditam mais numa política que nega a sua própria existência. 
 
Na sua opinião, os movimentos atuais de militância gay, como as Paradas que acontecem em diferentes datas, ainda possuem teor político ou se transformaram em um grande Carnaval fora de época?As paradas continuam possuindo teor político de afirmação, chamando a atenção de todos acerca da existência dos LGBT como cidadãos que fazem parte da nossa sociedade. Mesmo a "festa" também possui caráter político, uma vez que se trata de um dia do ano no qual lésbicas, gays, bissexuais e transexuais sentem o direito de se expor, sem medo de ser o que é. Isto não significa que as Paradas não devam ser mais politizadas, no sentido de conscientizar a todos os presentes de exercerem seus direitos, inclusive, realizando denúncias. 
Mesmo sendo famoso você ainda sofre preconceito?
Sendo muito sincero, não. Mas tenho a plena consciência de que todos os dias cidadãos homossexuais são vitimas de preconceito, bullying todo tipo de tortura física e psicológica em nosso País. Os crimes de ódio crescem a cada dia sem sinal de que não serão mais tolerados. Basta ver nos jornais o caso dos irmãos de Camaçari para ver a que ponto chegou essa banalização da violência. Até cidadãos não homossexuais estão sendo vitimas de crimes de ódio homofóbico. E isso porque eles "pareciam ser gays". Se você olhar no Youtube, você verá pessoas em plena infração do código penal por curandeirismo sem que nada lhes aconteça. Tudo às claras. Até chaveirinho da 25 de março usam fingindo ser demônio enganando a população de boa fé. Até quando? É esse o futuro que queremos para nosso país? Essa resposta cabe a toda sociedade de bem!
Como está o processo de conversão de sua união estável em casamento?Ingressei com uma medida judicial denominada "Reclamação" junto ao Supremo Tribunal Federal a fim de que se faça cumprir no Juízo da Vara de Registro Público da capital do Rio de Janeiro a decisão da Corte Máxima na ADPF 132 que impôs a todos os tribunais do país que passem a dar idêntico tratamento da união estável de casais heterossexuais para casais do mesmo sexo, inclusive, em todos os seus efeitos. Um dos efeitos do reconhecimento à união estável é a imposição constitucional da facilidade de sua conversão em casamento. Portanto, entendo que o Juiz da Vara de Registro Público está descumprindo esta decisão que juridicamente possui efeito vinculante e erga omnes.
O que falta no Brasil para que o casamento gay seja legalizado?Que o legislativo cumpra o seu papel de legislar para todos os seus cidadãos, inclusive LGBT. Mas cumpre uma ressalva, legal o casamento já é, apesar de inexistir legislação específica. O Superior Tribunal de Justiça já apreciou esta questão e se manifestou que pessoas do mesmo sexo possuem direito de se casar.
 
No Dia Do Orgulho Gay, você comemora feliz o fato de ser gay? Por quê?
No Brasil ainda não dá para que um homossexual se sinta feliz. O nosso Congresso Nacional até hoje não aprovou uma lei sequer em favor dos LGBTs. Para exercer um direito que a constituição lhe confere ainda se faz necessário brigar na Justiça.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Filosofia da ciência



1 INTRODUÇÃO
Filosofia da ciência, investigação sobre a natureza geral da prática científica. Busca saber como se desenvolvem, se avaliam e se transformam as teorias científicas e se a ciência é capaz de revelar a verdade de entidades ocultas e dos processos da natureza.

2 O PROBLEMA DA INDUÇÃO
Os resultados da observação e da experimentação fornecem a evidência para uma teoria científica, mas não podem demonstrar que a teoria é correta. O vínculo não demonstrativo ou indutivo entre a evidência e a teoria representa um dos problemas fundamentais da teoria do conhecimento: o problema da indução, cuja formulação clássica é dada por David Hume. O problema da indução tem relação direta com a ciência. Os filósofos têm realizado um esforço contínuo no sentido de resistir à cética conclusão de Hume. Alguns tentaram demonstrar que os modelos científicos para avaliar evidências e formular inferências são, de certo modo, racionais por definição; outros, que os êxitos passados de nossos sistemas indutivos podem vir a ser empregados para justificar seu uso futuro sem cair em círculos viciosos. Um terceiro enfoque afirma que, embora não possamos demonstrar que a indução funcionará no futuro, podemos certamente demonstrar que o fará, caso algum método de previsão seja possível, razão pela qual é lícito utilizá-lo.

Através de teorias mais recentes, alguns filósofos têm sustentado que a atual confiabilidade das práticas indutivas, algo que Hume não nega, basta para dar crédito ao conhecimento indutivo, sem que outro requisito, além desta confiabilidade, seja necessário. Karl Popper trouxe uma resposta mais radical a este problema, uma solução que constitui a base de sua influente filosofia da ciência. Segundo ele, é correto o raciocínio de Hume de que as inferências não são justificáveis a partir de uma perspectiva racional. Porém, isto não ameaça a racionalidade da ciência, cujas inferências, embora pareça o contrário, são exclusivamente dedutivas. Esta engenhosa solução para o problema da indução tem enfrentado inúmeras objeções.

3 O PROBLEMA DA DESCRIÇÃO
Embora a discussão de Hume sobre a justificativa da indução represente um marco na história da filosofia, apenas oferece uma simples descrição de como, bem ou mal, os métodos indutivos funcionam na realidade. Afirmava ele que a inferência indutiva é apenas um hábito de formação. Como os cientistas comprovam suas teorias, avaliam as hipóteses e estabelecem inferências? Este é um problema de descrição, que contrasta com o problema de justificação de Hume. Talvez a forma mais habitual seja por meio do modelo hipotético-dedutivo, segundo o qual as teorias se comprovam examinando-se as previsões que implicam. A evidência que mostra que uma previsão é correta confirma a teoria; a evidência incompatível com a previsão rebate a teoria, e qualquer outra evidência é irrelevante. Mas este modelo é demasiado permissivo, pois trata as evidências irrelevantes como se trouxessem certezas materiais.

Um trabalho recente sobre o problema dos métodos de descrição inferencial na ciência tentou evitar a insuficiência do modelo hipotético-dedutivo, indo além das relações lógicas para responder à conexão da evidência com a teoria. Alguns apelam para o conteúdo específico das hipóteses submetidas a comprovação, especialmente as afirmações causais que muitas fazem. O ponto de partida para a maior parte do trabalho filosófico contemporâneo sobre a natureza da explicação científica é o modelo dedutivo-nomológico, segundo o qual uma explicação científica é a dedução de uma descrição do fenômeno, a ser explicada a partir de uma série de premissas que inclui, pelo menos, uma lei da natureza.

4 REALISMO E INSTRUMENTALISMO
Um dos objetivos da ciência é aclarar os fenômenos, construir teorias que suponham uma correta descrição dos aspectos observáveis do mundo. O que se torna mais controvertido é se ela deve aspirar à verdade sobre aquilo que não é observável, visando apenas a compreender o mundo, mesmo sem um propósito prático. Os que julgam que a ciência deveria tratar de revelar a estrutura oculta do mundo, e que o faz, são conhecidos como realistas. Para eles, as teorias tentam descrever esta estrutura. Têm visão oposta os que dizem que seu trabalho consiste apenas em expor os fenômenos observáveis; são conhecidos como instrumentalistas, uma vez que, para eles, as teorias não são descrições do mundo invisível, mas apenas instrumentos para as previsões sobre o mundo observável.

Ambas as correntes estão de acordo quanto ao fato de que as teorias nas ciências físicas têm tido apreciável grau de previsão. Um dos argumentos recentes mais populares entre os instrumentalistas é a ‘indução pessimista’. Do ponto de vista da ciência atual, quase todas as complexas teorias com mais de 50 anos já podem ser vistas como falsas. Foram esboçadas várias respostas a esta indução. A maior parte dos realistas a aceitaram; no entanto, assinalaram que isso é compatível com a afirmação principal, de que as teorias tendem a dar, do mundo, descrições mais completas que as que vieram substituir.

Embora realistas e instrumentalistas tenham divergências quanto à capacidade da ciência de descrever o mundo invisível, quase todos coincidem quanto a ser ciência objetiva, por repousar em evidências objetivas. Porém, esta idéia da objetividade e da autonomia da evidência observacional das teorias científicas vem sendo criticada, sobretudo nos últimos 30 anos. A objetividade da evidência tem sido rejeitada, partindo-se da premissa de que está, inevitavelmente, contaminada pelas teorias científicas; a observação científica só é possível no contexto de pressuposições teóricas concretas, é “teoria comprometida”. Se a natureza da evidência muda conforme mudam as teorias científicas e a evidência é nosso único acesso aos fatos empíricos, então talvez os fatos também mudem. É o relativismo na ciência, cujo representante atual mais influente é Thomas Kuhn. Embora radical no plano metafísico, sob uma perspectiva epistemológica seu conceito de ciência é conservador.

O debate sobre a ciência ser um processo de descoberta ou uma invenção é tão antigo quanto a história da ciência e da filosofia, e não há soluções à vista. Talvez, ao se valorizar o fato de como a prática científica resiste a uma explicação, possa-se igualmente iluminar a natureza da ciência.

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terça-feira, 5 de junho de 2012

"Tipo Net"

"Tipo Net" by Rogsil
"Tipo Net", a photo by Rogsil on Flickr.

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