quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Morangos


Morangos, upload feito originalmente por Rogsil.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Representação da FAO no Brasil


FAO (clique no Link)

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Estômago

Estômago é o órgão do aparelho digestivo. Como o homem, a maioria dos animais tem apenas um estômago, enquanto que as aves e os ruminantes têm órgãos digestivos formados por duas ou mais câmaras. No homem, o estômago está situado na zona superior da cavidade abdominal .

A superfície externa do estômago é lisa, enquanto que a interna apresenta numerosas pregas que favorecem a mistura dos alimentos com os sucos digestivos e transportam este material até o intestino. A maior parte da absorção de alimentos ocorre no intestino delgado.

A penetração no estômago de fragmentos de comida estimula a secreção do suco gástrico. As paredes do estômago vazio estão em contato uma com a outra. Quando o bolo alimentício entra no órgão, as paredes se expandem e a cavidade aumenta. As ondas de contração do músculo circular maceram e misturam completamente o suco gástrico com o alimento. Periodicamente, este passa do estômago para o duodeno, graças à contração dos músculos da parede do estômago.

Entre os problemas gástricos, figuram as úlceras, o câncer, a dispepsia (indigestão gástrica) e a gastrite, além das afecções decorrentes das cicatrizes das úlceras curadas.


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domingo, 27 de setembro de 2009

As Cmidas Mais Caras do Mundo

As Comidas Mais Caras do Mundo

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sábado, 26 de setembro de 2009

Dicas Dos Gurus

Gurus Dão Suas Dicas

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ipatinga/MG

Ipatinga/MG - Dados Estatísticos

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

vista de santana do paraiso - MG


vista de santana do paraiso, upload feito originalmente por tifabiano.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cidade Dos Anjos

Cidade Dos Anjos height="500" width="100%" > value="http://d.scribd.com/ScribdViewer.swf?document_id=19225814&access_key=key-e16f984l47sexcwhlwt&page=1&version=1&viewMode=">

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

A urbanização nos países desenvolvidos e em desenvolvimento


Cada vez mais pessoas saem do campo para morar em cidades. Os problemas que essa mudança histórica provocará constituem um desafio para técnicos e líderes políticos.

Fragmento de A explosão urbana

Fonte: Amani, Mehdi. "A explosão urbana". In Correio da Unesco, Rio de Janeiro, Nº 3, março de 1992.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Apple Computer, Inc.



Apple Computer, Inc., fabricante norte-americano de computadores pessoais com sede em Cupertino, Califórnia. A Apple desenha, produz e comercializa sistemas de informática personalizados para a empresa, a educação, a administração pública e para o uso doméstico. Seus produtos são vendidos em mais de 120 países, e incluem computadores pessoais, impressoras, monitores, scanners, software e produtos para a conexão em rede. As instalações de fabricação, distribuição e venda estão situadas nos Estados Unidos, Irlanda e Cingapura.


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domingo, 20 de setembro de 2009

Turning your iPod Touch into a phone!


Turning your iPod Touch into a phone!, upload feito originalmente por hooverdust.

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sábado, 19 de setembro de 2009

Os dias de "almoço gratuito" na internet estão contados


Rupert Murdoch não quer saber de computadores. O bilionário da mídia australiano-americano de 78 anos não gosta de e-mail, evita a internet e tem dificuldade até em utilizar o seu telefone celular. Ele não se encaixa exatamente no quadro de um messias online.

Mas, nas últimas semanas, Murdoch surpreendeu o mundo da indústria de mídia quando murmurou uma poucas sentenças tão simples quanto revolucionárias, como, por exemplo: "Jornalismo de qualidade não é barato". Isso provocou a sua decisão de começar a cobrar pelo uso online dos seus vários jornais em todo o mundo nos próximos meses. Se Murdoch tiver sucesso, os dias da cultura de gratuidade na internet estarão contados.

Não demorou muito tempo para que as observações feitas por Murdoch, presidente da News Corporation e proprietário de centenas de jornais e estações de televisão, começassem a provocar respostas vindas de toda parte: empresários jornalísticos do mundo inteiro concordaram. Se alguém precisava de uma prova de que Murdoch ainda é o maior empresário do setor de mídia, este episódio foi suficiente.

"Murdoch - logo ele - não sabe o que é a internet", reclamou recentemente o biógrafo do bilionário, Michael Wolff. "O velho pode estar prestes a provocar mudanças importantes na internet. Mas isso só acontecerá se ele for capaz de encontrar a Web".

O empresário idoso pode de fato conhecer pouca coisa sobre a internet, e ninguém sabe até que ponto ele está levando a sério a sua ideia. Mas uma coisa é certa: um homem como Murdoch não costuma ficar à margem dos acontecimentos enquanto perde dinheiro. E ele também, mais uma vez, atingiu um nervo exposto da indústria da mídia.

Conteúdo gratuito: um despenhadeiro íngreme para uma manada de lêmingues

Todo mundo sonha em ganhar dinheiro de verdade na internet, do "Sunday Times" ao "Nordkurier", um jornal regional do nordeste da Alemanha. Até o momento, os donos de jornais costumam fornecer gratuitamente o seu conteúdo na Web, esperando lucrar com as rendas oriundas da publicidade. Eles perceberam que cobrar pelo conteúdo é algo de ruim para os negócios, pelo menos enquanto os leitores forem capazes de encontrar aquilo que desejam em outro local. O "New York Times" tentou essa abordagem e, assim como muitos outros, abandonou a tentativa.

Mas agora a publicidade está em franco declínio - na Web também - e, com ela, um modelo empresarial, ou pelo menos a esperança de criar um. Até o momento esse conceito só fez sucesso para alguns poucos fornecedores de conteúdo jornalístico, incluindo "Spiegel Online". "A cultura da Web gratuita representa tanto futuro para o jornalismo quanto um despenhadeiro íngreme para uma manada de lêmingues", adverte Walter Isaacson, o ex-editor-gerente da "Time". Mas qual seria a alternativa?

Será que os leitores poderiam acostumar-se novamente a pagar por conteúdo? Ou instituir o conteúdo gratuito significaria meramente cometer suicídio devido ao medo de morrer?

Parece que alguns executivos do jornalismo estão preocupados em determinar que tipo de conteúdo original poderiam vender aos seus clientes que não estivesse disponível gratuitamente em outro lugar com um clique do mouse. A resposta a essa questão, que gera tanta ansiedade, é simples: não há conteúdo nenhum que atenda a essa exigência.

O conteúdo pago é um teste para dois fatores: as avaliações dos leitores e a confiança dos empresários dos jornais nos seus próprios conteúdos.

O modelo de sucesso do "Financial Times"

Para Lionel Barber, ter confiança no seu conteúdo não é problema. O editor-chefe do venerável "Financial Times" está usando botas de caubói cor de vinho, calças londrinas típicas de flanela e uma camisa azul-clara. Do seu escritório cercado por uma divisória de vidro, Barber desfruta de uma vista do Rio Tâmisa de um lado, e da sua grande sala de redação do outro.

A redação faz lembrar a sala de negócios de um banco, com cerca de 400 jornalistas sentados um ao lado do outro em longas fileiras de mesas. "Este é o nosso centro nervoso", diz Barber. Após Barber ter eliminado os escritórios separados das editorias em 2006, todos os funcionários na sala de redação passaram a escrever tanto para o jornal online quanto para o impresso. "Ambos são igualmente valiosos para nós", diz ele. "E nós nos certificamos de que todos compreendem isso".

O "Financial Times" vem ganhando dinheiro na internet nos últimos sete anos. Quem quer que leia mais de dois artigos do "Financial Times" por mês no seu computador pessoal recebe automaticamente um convite de assinatura. Os usuários que desejarem ler mais de dez artigos precisam desembolsar cerca de 180 euros (US$ 257, R$ 470) por ano por uma assinatura online. Os assinantes da versão impressa recebem um desconto.

Antigamente, o limite para que fosse exigida uma assinatura online era de 30 artigos. Quando Barber reduziu esse limite para dez matérias, a sua circulação paga aumentou para 117 mil. Atualmente, 21% da renda do "Financial Times" vêm da internet.

O modelo garante que todos os conteúdos do website do "Financial Times" podem ser inicialmente acessados gratuitamente, o que aumenta o índice de clicagem (CTR, sigla do inglês "click-through rate"). Os diretores do jornal perceberam que as pessoas que valorizavam a publicação suficientemente para lê-la com maior frequência estavam dispostas a pagar por ela. A aposta deles deu retorno. E mesmo considerando que o "Financial Times" também foi afetado pela crise, os preços das publicidades não caíram, já que o jornal é atualmente capaz de oferecer a sua publicidade aos leitores que estão lendo por convicção, e não porque simplesmente encontraram o site por coincidência ao clicarem em um site de busca.

Barber admite que, para o jornal de cor rosa-salmão, é mais fácil cobrar pelo seu conteúdo online do que para os jornais complementares, já que a sua publicação é considerada indispensável na comunidade financeira. Mas, segundo ele, todo jornal tem algo que os outros não têm. "E, se não tiverem, os editores precisam se esforçar ao máximo para encontrar algo que faça diferença".

É fácil para Barber afirmar isso, já que ele trabalha para um jornal cujo presidente foi jornalista durante muito tempo. John Ridding, que está no "Financial Times" há mais de 20 anos, acredita que as empresas jornalísticas têm duas opções. Uma é poupar dinheiro, caindo desta maneira em um círculo vicioso descendente. A outra é sustentar a sua confiança no valor do jornalismo e esperar que os leitores paguem pela publicação. "A relação mais importante de um jornal deve ser com os seus leitores, e não com a indústria de publicidade e propaganda", afirma Ridding.

Isto não é exatamente verdade no caso do "Financial Times", que depende bastante das rendas de publicidade para pagar a sua equipe de mais de 550 jornalistas, de Estocolmo a São Paulo. Mas talvez a fixação nas rendas advindas da publicidade na internet tenha obscurecido a percepção de alguns executivos da mídia para o fato de que o jornalismo diz respeito a algo mais do que o preenchimento de espaços ao lado de propagandas.

Um excesso de reportagens de agências de notícia e galerias de fotos

Muitos websites de jornais contêm as mesmas reportagens das agências de notícia. Ou então eles trazem galerias de fotografias que sequer disfarçam o único motivo para se olhar para elas: tire uma foto minha! Para alguns empresários do jornalismo - distanciados dos representantes mais importantes da indústria -, o jornalismo online ainda é considerado um jornalismo de segunda categoria, em parte, e precisamente, porque ele é fornecido gratuitamente na internet.

O ex-presidente da "Time", Isaacson, espera que o conteúdo pago seja também uma "oportunidade para reajustar a bússola de acordo com aquilo que os leitores consideram valioso".

Simplesmente cobrar pelo mesmo conteúdo, em um período de crise econômica e publicitária, não seria suficiente. "Descobrir aquilo que os eleitores apreciam e consideram valioso exige mais tempo e esforço do que as pessoas acreditam", afirma Ridding.

A experiência também está em andamento no "Financial Times". O jornal está atualmente buscando formas de convencer os clientes que não estão interessados em uma assinatura anual a pagar pelo conteúdo.

A iTunes, a loja online da Apple, oferece alguma inspiração. Por 99 centavos de dólar, os usuários podem comprar músicas individuais, e uma senha única torna a compra fácil. Os consumidores não se opõem a pagar pela internet, mas eles rejeitam os procedimentos complicados, explica Ridding. Se um consumidor tiver que passar por dez etapas para digitar as informações do seu cartão de crédito, é mais provável que ele decida que o produto não tem importância para si.

Até o momento os empresários dos jornais carecem de uma tecnologia simples e direta. Esta é uma lacuna que o empresário Steven Brill e o ex-editor do "Wall Street Journal", Gordon Crovitz, esperam eliminar por meio de um projeto ambicioso.

A firma deles de Nova York, a Journalism Online, criou uma plataforma de pagamento que permite aos leitores surfar pela Web usando a mesma senha para pagar pelo conteúdo de diversos sites novos. Na semana passada, os fundadores da companhia anunciaram que 506 jornais e revistas já estão participando do projeto, que deverá ter início no próximo outono norte-americano.

"A questão agora é como e quando"

Cada empresário pode decidir se deseja cobrar dos leitores por artigo ou por meio de uma assinatura mensal. Mas uma taxa única do tipo "tudo-o-que-você-puder-ler" para todos os jornais participantes também é uma possibilidade. "Saber se os empresários de jornais desejam conteúdo pago já é uma página virada para nós. A questão agora é o como e o quando", afirma Brill.

Murdoch transformou também a sua corporação em um laboratório, no qual uma equipe foi criada para investigar os conceitos de pagamento para todos os jornais do seu império. "Conteúdo pago não significa erguer uma cerca alta em torno de todos os websites e cobrar pelo acesso a eles", diz Gordon McLeod, presidente da rede digital do "Wall Street Journal", que há dois anos passou a integrar o império de Murdoch. McLeod afirma que alguns sites serão capazes de cobrar por muito conteúdo, enquanto outros terão que permanecer gratuitos. Ele acredita naquilo que chama de "freemium", uma mistura de conteúdo gratuito ("free") e brinde ("premium").

O jornal dele evitou o maior erro da internet. Desde 1997, o website do "Wall Street Journal" cobra por algumas coisas, especialmente por aquele tipo de conteúdo que torna o jornal único: matérias financeiras e sobre tecnologia. Os assinantes têm acesso livre a todas as matérias de conteúdo pago. Atualmente, o conjunto de um milhão de assinantes online do jornal gera cerca de US$ 100 milhões (R$ 183 milhões) anuais em receitas. Após 2007, Murdoch não escondeu o fato de que estava cogitando tornar o website do "Wall Street Journal" totalmente gratuito. Mas ele foi suficientemente esperto para abandonar a ideia. Em vez disso, em breve o jornal começará também a cobrar pequenas taxas por matéria.

As experiências em Nova York e em Londres ainda não pegaram na Alemanha, mas por uma razão positiva: a mídia imprensa alemã não está em situação tão difícil quanto as empresas congêneres norte-americanas e britânicas. No Reino Unido, mais de 50 jornais menores fracassaram desde o ano passado, e nos Estados Unidos até mesmo jornais importantes como o "New York Times" estão tropeçando.

Os empresários alemães de imprensa vêm adotando até o momento uma postura mais defensiva. O presidente da Axel Springer, Mathias Döpfner, cuja companhia é a maior rede de jornais da Europa, propôs a ideia de obter direitos autorais secundários para as empresas jornalísticas, o que garantiria a elas o recebimento de uma taxa pela disseminação dos seus conteúdos na internet. Os empresários do ramo uniram-se em torno de uma declaração conjunta, mas poucos entendem o que isso significa.

Atuando como porta-voz da indústria, o empresário Hubert Burda - cuja companhia é proprietária da segunda maior revista de notícias alemã - criticou duramente o Google, afirmando que este dispositivo de busca está se apropriando indevidamente dos conteúdos que pertencem aos empresários jornalísticos. Mas não é esta a aparência do futuro. De fato, depois que Murdoch declarou a sua posição, nós passamos a saber o que virá por aí.

Na semana passada, Döpfner, o presidente da Springer, anunciou que o seu grupo jornalístico criará um modelo misto de conteúdo gratuito e pago, por volta do outono alemão, para jornais regionais como o "Hamburger Abendblatt". E, atualmente, sites como o do "Bild", o tabloide de circulação maciça da Springer, e o "Die Welt", o jornal diário mais sofisticado da companhia, só estão disponíveis pelo iPhone mediante o pagamento de uma taxa. Outros empresários do ramo esperam, de forma justificada, que os usuários disponham-se a pagar por conteúdo nos seus telefones celulares de forma que possam ter acesso às notícias gratuitamente nos seus computadores.

Ainda falta muito para que o sistema torne-se inteiramente maduro, e nem mesmo Döpfner arrisca-se a dizer se ele funcionará. "Mas, se não estivermos sequer convencidos de que possuímos conteúdo pelo qual os leitores estejam dispostos a pagar, faríamos melhor em abandonar os negócios".

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

HP PSC 1410


PSC 1410, upload feito originalmente por Rogsil.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Smartphone SGH i617 - Samsung

Smartphone SGH i617 - Samsung

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Emilio Mira y López

Mira y López, Emílio

Emilio Mira y López (1896-1964), psicólogo e psiquiatra espanhol, ocupou a primeira cátedra de psiquiatria da Universidade Autônoma de Barcelona.

Nascido na ilha de Cuba, em pouco tempo mudou-se para a cidade de Barcelona. Lá estudou medicina e realizou uma grande obra antes de exilar-se com o fim da Guerra Civil. Emigrou primeiro para a Inglaterra e mais tarde para a América do Sul, estabelecendo-se no Brasil onde permaneceu até sua morte.

Foi a alma da psicotecnia catalã até a guerra e, por causa de seu exílio forçado, converteu-se na figura central do desenvolvimento da psicologia e psiquiatria sul-americanas. Merecem destaque seus trabalhos experimentais, os primeiros feitos na Espanha, seu legado técnico ao psicodiagnóstico miokinético (PMK) e a análise da psicologia de guerra.

O PMK é uma prova experimental que gozou de uma grande difusão e que estabelece uma forte conexão entre vida mental e corporalidade. Na fundamentação teórica deste teste aparecem claramente anotados os elementos para uma teoria dos dois cérebros, emocional e simbólico, no homem.

No Brasil, fundou o Instituto de Seleção e Orientação Profissional e a revista Arquivos brasileiros de psicotecnia, em 1945. Obras destacadas: Manual de psiquiatria (1935), Psicología experimental (1955) e Manual de orientación profesional (1957).

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Psique en suelo de C.U.C.S. Psicología, Guadalajara

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

eBook: A Arte de Amar - Erich Fromm-

A Arte de Amar - Erich Fromm

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domingo, 13 de setembro de 2009

QUEM FOI JACK, O ESTRIPADOR?

Foi o primeiro serial killer dos tempos modernos, mas sua identidade jamais chegou a ser descoberta. Esse pseudônimo foi atribuído ao assassino que matou pelo menos cinco prostitutas em Londres, na Inglaterra, entre agosto e novembro de 1888. "O nome Jack, o Estripador, surgiu em cartas enviadas à polícia. A publicação de algumas dessas cartas, na esperança de que alguém reconhecesse a caligrafia, aumentou a fama do assassino", afirma o historiador Robert Haggard, da Fundação Thomas Jefferson, em Charlottesvile, nos Estados Unidos. Nunca foi provado se as cartas foram realmente escritas pelo criminoso ou por alguém querendo passar um trote. O sinistro apelido "Estripador" se justificava pelo fato de as vítimas serem mutiladas e terem suas vísceras expostas. O fato de os assassinatos não terem sido elucidados provocou a renúncia do comissário de polícia de Londres.

Levantou-se também a suspeita de que a polícia estaria ocultando informações para proteger o criminoso, que seria alguém da alta sociedade ou até mesmo um integrante da família real. No ano passado, testes de DNA realizados nas cartas supostamente enviadas por Jack levantaram a hipótese de que o pintor britânico Walter Sickert as teria escrito, sendo o verdadeiro assassino. Mas o argumento foi considerado inconclusivo por historiadores.

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sábado, 12 de setembro de 2009

LOUCO, EU?

David Rosenhan resolveu fingir-se de louco. Em 1972, ele se dirigiu a um hospital psiquiátrico americano alegando escutar vozes que lhe diziam as palavras "oco" "vazio" e o som "tum-tum". Essa foi a única mentira que contou. De resto, comportou-se de maneira calma e respondeu a perguntas sobre sua vida e seus relacionamentos sem mentir uma única vez sequer. Outros oito voluntários sãos fizeram a mesma coisa, em instituições diferentes. Todos, exceto um, foram diagnosticados com esquizofrenia e internados.

Assim que foram admitidos, os pacientes passaram a agir normalmente. Observavam a tudo e faziam anotações em suas cadernetas. No começo, as anotações eram feitas longe do olhar dos funcionários, mas logo eles perceberam que não havia necessidade de discrição. Médicos e enfermeiros passavam pouquíssimo tempo com os pacientes e nem ao menos respondiam às perguntas mais simples. "Apesar de seu show público de sanidade, nenhum deles foi reconhecido", escreveu Rosenhan no artigo On Being Sane in Insane Places ("Sobre Ser São em Locais Insanos"), publicado na conceituada revista Science, em janeiro de 1973. Ironicamente, os pacientes reais duvidavam com freqüência da condição dos novos colegas. "Você não é louco. Você é um jornalista ou um professor checando o hospital", disseram diversas vezes.

Os pacientes estavam certos. Rosenhan era mesmo um acadêmico e sua internação, assim como a dos outros voluntários, era parte de um estudo pioneiro para avaliar a capacidade médica de diagnosticar distúrbios mentais. Hoje, ele é professor emérito das Faculdades de Psicologia e Direito da Universidade de Stanford.

Os falsos pacientes foram mantidos nos hospitais por períodos que variaram de 7 a 52 dias. Foram medicados (assim como boa parte dos internados reais, eles escondiam as pílulas sob a língua e as jogavam fora quando já não estavam mais na presença dos funcionários) e liberados com o diagnóstico de "esquizofrenia em remissão", uma expressão médica usada para dizer que o paciente está livre dos sintomas.

Já de volta à sua identidade real, os pesquisadores requisitaram os arquivos sobre suas estadas nos hospitais. Em nenhum dos documentos havia qualquer menção à desconfiança de que estivessem mentindo ou que aparentassem não ser esquizofrênicos. A conclusão que David Rosenhan escreveu para o estudo desconcertou a psiquiatria americana. "Agora sabemos que somos incapazes de distinguir a insanidade da sanidade."

LOUCURA EXISTE!

A conclusão de Rosenhan não era de todo uma novidade para a comunidade médica. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando a porcentagem de homens liberados pelo exército por razões psicológicas variava de 20% a 60% entre estados, os americanos começaram a desconfiar de que seus diagnósticos tinham a precisão científica de uma cartomante. Para piorar, pesquisas começaram a mostrar que os Estados Unidos estavam diagnosticando um número muito maior de esquizofrênicos do que a Inglaterra. Seria o chá das cinco um remédio tão eficiente contra distúrbios mentais?

O estudo de Rosenhan deixava claro que o problema não eram as mentes dos ingleses e sim a maneira pouco eficiente de se fazer diagnósticos nos Estados Unidos. O instrumento usado por médicos e psiquiatras nessa tarefa era (e continua sendo) o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Distúrbios Mentais (DSM, na sigla em inglês). O manual é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria como a lista oficial de doenças mentais e é usado em hospitais e consultórios psiquiátricos do mundo inteiro.

Mas em 1973, o DSM ainda estava em sua segunda versão e os diagnósticos dados usando o livro de cem páginas variavam de forma absurda. Um mesmo paciente poderia ser descrito como histérico ou hipocondríaco, dependendo apenas de quem o avaliasse. E essa era uma das questões centrais do estudo de Rosenhan. "Será que as características que levam alguém a ser tachado de louco estão mesmo no paciente ou estão no ambiente e contexto em que o observador está inserido?", escreveu ele em On Being Sane....

Essa pergunta faz ainda mais sentido quando comparamos os diferentes conceitos de loucura ao longo da história. Homens cujo estado de espírito difere drasticamente da média dos demais existem desde as épocas mais remotas - assim como tratamentos para curá-los. No entanto, por séculos, acreditava-se que a loucura era causada pela vontade dos deuses sendo, portanto, parte do destino de alguns. Fosse para punir ou até mesmo para recompensar - o Alcorão conta como Maomé achava veneráveis os loucos, já que tinham sido abençoados com loucura por Alá, que lhes tirava o juízo para que não pecassem - fato é que a loucura estava associada com a idéia de destino e participava da vida social assim como outras formas de percepção da realidade. "A definição de loucura em termos de ‘doença’ é uma operação recente na história da civilização ocidental", escreveu João Frayze-Pereira, no livro O que é a loucura.

E mesmo vista como doença mental, a relação que se desenvolve com ela pode variar muito de cultura para cultura. Na Malásia, é comum mulheres mais velhas apresentarem um quadro psíquico conhecido como latah. É uma condição que faz com que a pessoa fique completamente alterada por um bom tempo, gritando e falando palavrões. Mas, no lugar de serem excluídas socialmente, essas pessoas são celebradas e costumam animar reuniões sociais com seu pequeno show de excentricidades.

Os próprios exemplos do que configura um estado alterado de consciência mudam radicalmente de acordo com o lugar, o tempo ou a cultura. Só para citar um exemplo, em 1958, um jovem negro americano foi levado a um hospital psiquiátrico depois de se inscrever para a Universidade do Mississippi. Qualquer negro que pensasse que pudesse estudar ali estava, obviamente, louco.

Ora, se a loucura - suas razões, interpretações e definições - pode mudar tão drasticamente diante de conceitos como geografia e tempo, como é possível afirmar que a loucura seja um distúrbio da mente e não apenas um desvio social? Será que Thomas Szars, um dos líderes do movimento antipsiquiatria no mundo, está certo quando diz que a psiquiatria não passa de uma polícia moral disposta a impedir pensamentos e condutas que não são agradáveis à sociedade?

A CIÊNCIA FALA

Hoje, a ciência faz uma distinção clara entre loucura e doenças mentais. "Talvez pareça desconcertante, mas os psiquiatras não se utilizam de termos como louco ou loucura e nenhuma das atuais classificações dos distúrbios psiquiátricos os inclui", diz Sérgio Bettarello, do Instituto de Psiquiatria da USP. Os absurdos classificatórios de alguns anos atrás, como chamar uma mulher que se apaixona por um homem mais novo de louca, minguaram. "A loucura como estado de ampliação da existência é positiva. Você costuma sair enriquecido depois de uma experiência dessas. Já as doenças mentais são o oposto disso. No lugar de liberdade, elas te dão uma restrição da autonomia", diz Bettarello.

A loucura que a psiquiatria trata é chamada de psicose, uma distorção do pensamento e do senso de realidade, que pode prejudicar drasticamente a vida do paciente. De fato, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cinco entre as dez maiores causas de incapacidade no mundo são problemas mentais. O ranking é feito levando em conta dois quesitos: número de anos de vida e número de anos produtivos que a doença rouba do paciente. E, no caso das doenças mentais, há pouca concorrência em relação ao segundo quesito. "Seja pelo estigma que carrega, seja pelos transtornos que traz à rotina da pessoa, distúrbios mentais podem levar a péssima qualidade de vida", diz o psiquiatra Roberto Tynakori. Qualquer pessoa com depressão crônica ou com um parente próximo que sofra de esquizofrenia sabe bem disso.

Quando surgiu, no século 18, a psiquiatria era vista como uma prática menor, sem a objetividade necessária às coisas tratadas pela ciência. Se a própria definição de seu objeto de estudo era nebulosa, como seria possível propor diagnósticos e tratamentos confiáveis? A busca desesperada por explicações lógicas e maneiras científicas de tratar os males da mente produziu algumas das práticas mais macabras na história da ciência (veja quadros abaixo) e não teve muito sucesso até a metade do século 20. Somente quando o neurocientista português Egas Moniz ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela invenção da lobotomia - uma cirurgia de danificação dos lobos frontais que é vista hoje como um dos exemplos mais bem-acabados da crueldade enfrentada em hospitais psiquiátricos - é que a psiquiatria viu-se, finalmente, aceita entre os homens da ciência. "Pode-se dizer que uma nova psiquiatria nasceu em 1935 quando Moniz deu o primeiro passo corajoso em direção ao campo da psicocirurgia", escreveram os editores do New England Journal of Medicine em 1949. A psiquiatria havia, finalmente conquistado a credencial necessária para vestir o jaleco da medicina.

A segunda revolução nos tratamentos veio algum tempo depois, com a criação dos remédios antipsicóticos. Agora era possível tratar pacientes mentais dispensando a internação - uma condição fundamental para a revolução que teria início na década de 1960: o fim dos manicômios. A invenção facilitou a vida de muitos pacientes, piorou a de outros (os efeitos colaterais costumam ser graves) e trouxe muito dinheiro para a indústria farmacêutica (só para citar um exemplo, o antipsicótico olanzapine é o terceiro remédio mais vendido do mundo).

Mas o avanço nos tratamentos não resolvia a questão mais fundamental no processo: a precisão do diagnóstico. Há casos muito claros de perturbação mental, mas há outros em que é quase impossível determinar a linha que separa a simples imaginação humana da falta de lucidez restritiva típica das manias ou psicoses. David Rosenhan é uma prova disso.

Quando seu artigo foi publicado, Rosenhan recebeu críticas duras de diversos psiquiatras. Muitos o acusaram de não ser suficientemente científico, afinal era impossível provar como os pacientes realmente haviam se comportado (Rosenhan nunca divulgou o nome das instituições em que foram internados já que, dizia, não era sua intenção atacar pessoalmente esse ou aquele hospital). Um dos grandes críticos do trabalho dele foi Robert Spitzer, que na época trabalhava no Centro de Pesquisa e Treinamento Psicanalíticos da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Spitzer acredita que o fato de terem sido liberados com o diagnóstico de esquizofrenia em remissão é uma prova de que os funcionários do hospital conseguiram sim distinguir a sanidade da insanidade. Ainda assim, Spitzer resolveu revisar o Manual de Diagnóstico vigente e logo percebeu que havia pouquíssimas provas científicas embasando os diagnósticos. Ele montou grupos de pesquisadores e foi atrás de pesquisas e evidências. Em 1974, lançou a terceira edição do DSM, um calhamaço de 480 páginas e quase 300 diagnósticos catalogados.

OS LOUCOS FALAM

Durante sua temporada no hospital psiquiátrico, David Rosenhan percebeu que "uma vez marcado como esquizofrênico, não há nada que o paciente possa fazer para superar essa etiqueta. A etiqueta muda completamente a percepção que os outros têm dele e de seu comportamento". Características normais, relatadas pelos pseudopacientes, foram interpretadas pelos enfermeiros como sinais da doença. A aproximação de um dos pais durante a adolescência, por exemplo, transformou-se em "ausência de estabilidade emocional" no relatório médico. E a irritação dos pacientes com a falta de atenção dos funcionários era vista como mais um sintoma da doença e não como reação aos maus tratos.

Ao lutar por seu lugar entre as práticas da ciência, a psiquiatria moderna havia instituído uma relação com os doentes que ficou famosa na definição do filósofo francês Michel Foucault: o monólogo da razão sobre a loucura. A idéia de que pacientes mentais eram desprovidos de razão e, portanto, não tinham direito a opinar sobre sua vida e tratamento legitimou vários abusos da medicina. Esterilização forçada e proibição de casar são só dois exemplos do que era visto como verdade incontestável quando o assunto era a vida dos doentes mentais. Um dos jornais mais respeitados do mundo, The New York Times, escreveu em seu editorial, em 1923, que "é uma certeza que o casamento entre dois doentes mentais tem de ser proibido".

A obra de Foucault transformou-se em inspiração para os movimentos que começavam a tomar corpo na década de 1960: a luta antimanicomial e a antipsiquiatria. Em todo o mundo, ex-pacientes de hospitais psiquiátricos começaram a se organizar contra os abusos da razão sobre a loucura. O objetivo era um só: dar "ao indivíduo a tarefa e o direito de realizar sua loucura", como escreveu Foucault.

Mas até que ponto vai a liberdade do indivíduo de realizar sua loucura? Para a maior parte dos governos, o limite é o risco de morte. Foi exatamente por isso que Rosenhan e seus companheiros foram internados. Naquela época, acreditava-se que ouvir uma voz dizendo palavras como "oco" e "vazio" era um sinal de que, inconscientemente, aquela pessoa acreditava que sua vida era oca, que não valia a pena. Dali para o suicídio, seria um pulo, acreditavam os médicos. Mas nem todo mundo concorda que o tratamento deve ser obrigatório quando há risco de morte. "Qualquer tratamento forçado é ilegal", diz David Oaks, ex-paciente de hospitais psiquiátricos e fundador da organização Mind Freedom, uma organização que tem como um de seus lemas "psiquiatria cura discórdia, não doença".

O fato de o tratamento ser imperativo quando existe risco de morte impede que, para algumas doenças, estudos sejam feitos usando dois grupos de pacientes: um medicado e outro não medicado. Sem provas de que o medicamento funciona melhor do que nenhum tratamento, a psiquiatria vira alvo de diversas críticas, principalmente no que diz respeito aos efeitos colaterais de seus medicamentos. "O que se espera da psiquiatria é que ela seja 100% eficaz e que não tenha nenhum efeito colateral. Obviamente, ela não atinge esse objetivo", diz Bettarello. Mas nem todo mundo diz esperar 100% de eficácia. "No topo da minha lista de desejos está um simples pedido de honestidade", escreveu o jornalista médico Robert Whitaker no livro Mad in America ("Louco na América", sem edição em português). O livro faz um balanço das pesquisas sobre tratamentos psiquiátricos nos últimos anos e mostra como não existem evidências concretas para a maior parte das declarações de eficácia feitas pela indústria farmacêutica e, conseqüentemente, dentro dos consultórios psiquiátricos.

Honestidade também é o que pedem os participantes do Mad Pride (Orgulho Louco), um movimento de combate ao preconceito contra pacientes psiquiátricos e de celebração da cultura Louca (com L maiúsculo mesmo). Uma das ações do movimento é a passeata anual de loucos, inspirada nas paradas gays que já existem em diversas cidades do mundo. A idéia é desestigmatizar os doentes mentais e mostrar que existe sim vida normal entre eles.

No Brasil, o movimento da luta antimanicomial cresceu nos anos 80 e, inspirado em projetos bem-sucedidos dos Estados Unidos e Europa, idealizou centros de apoio a pacientes mentais organizados e administrados pelos próprios usuários, em conjunto com médicos e seus familiares. "A inserção não é algo que você concede a alguém. Ela precisa ser conquistada. O doente faz parte da sociedade e a relação que ele tem com sua doença é a mesma que a sociedade propõe", diz o psiquiatra Tykanori, um dos expoentes do movimento no Brasil. A luta antimanicomial transformou o atendimento público de saúde mental com a criação dos Caps, Centros de Apoio Psicossocial, e abriu caminho para a aprovação, em 2001, da lei que prevê a extinção progressiva dos manicômios no Brasil. E incluiu efetivamente os pacientes em sua batalha. "Nós entendemos que podemos colaborar na construção teórica de um saber e nas práticas de reabilitação psicossocial", escreveu a usuária Graça Fernandes no artigo "O avesso da vida. Como pode a assistência se transformar?". Os pacientes, finalmente, rompiam o monólogo da razão e estabeleciam um diálogo sobre sua própria condição. "A sociedade percebeu que a participação dos doentes mentais enriquece-nos muito mais que o seu isolamento", diz Tykanori.

O QUE É NORMAL?

Com os avanços da ciência, a baixa popularidade dos manicômios e a força dos movimentos organizados contra abusos psiquiátricos, é de se pensar que, se o experimento de Rosenhan fosse realizado nos dias de hoje, ele teria um resultado bem diferente do que o internamento imediato dos anos 70. Certo? Era isso que a psicóloga americana Lauren Slater queria descobrir quando decidiu procurar, em janeiro de 2004, oito prontos-socorros de saúde mental e afirmar que vinha ouvindo o som "tum-tum". Ela conta que, exatamente como Rosenhan e seus colegas, a voz foi o único sintoma falso que apresentou.

Slater não foi tachada de esquizofrênica nem internada. No entanto, nos oito hospitais em que esteve, foi diagnosticada com depressão e recebeu pílulas de risperidone, um antipsicótico bem popular que, na época, era tido como um remédio leve (seis meses depois da experiência, o fabricante divulgou uma nota confessando ter minimizado os riscos do uso do medicamento nos materiais promocionais enviados a médicos). "Eu acredito que a ânsia de prescrever remédios dirige hoje o diagnóstico da mesma forma que a necessidade de enquadrar o paciente como doente fazia nos anos 70", escreveu Lauren no artigo Into the cuckoo´s nest ("Dentro do ninho do louco" uma referência a One Flew Over the Cuckoos’s Nest, o título em inglês do filme "Um Estranho no Ninho"), publicado no jornal britânico The Guardian e, mais tarde, no livro Mente e Cérebro, que acaba de ser lançado no Brasil.

O médico Spitzer soube, pela própria Slater, do resultado do experimento. "Acho que médicos simplesmente não gostam de dizer eu não sei", disse a ela pelo telefone, depois de um longo silêncio. A recusa em confessar ignorância não é uma particularidade da psiquiatria. "O problema é que o objeto dessa ciência somos nós mesmos e nossa normalidade. Ou seja, nossa natureza básica", escreveu Lawrence Osbourne, no livro American normal: the hidden world of Asperger syndrome ("Normalidade americana: o mundo secreto da síndrome de Asperger", não lançado no Brasil), que reúne informações sobre Asperger, uma doença cada vez mais comum nos Estados Unidos.

A síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV - a edição mais recente do manual, de 1994, com 884 páginas e 365 diagnósticos. Como o manual descreve os distúrbios a partir de seus sintomas, lista uma variedade imensa de emoções humanas, condutas e regras de relacionamento como desvios patológicos. Sentir-se angustiado depois do fim de um relacionamento, comer muito, comer pouco ou comportar-se mal na sala de aula são alguns exemplos de ações que aparecem na lista. É quase impossível não se reconhecer ali e se perguntar: mas, afinal, o que é normal?

Das duas uma: ou estamos mesmo ficando menos equilibrados - o que poderia ser explicado pelo ritmo e modos de vida do mundo moderno - ou nos viciamos em diagnósticos psiquiátricos. "Estamos transformando todo comportamento humano em patologia. Fazendo isso, criamos um sistema verdadeiramente louco, em que todos estão doentes", diz o psiquiatra Mel Levine, diretor do Centro Clínico de Estudos sobre Desenvolvimento e Aprendizado, da Univerdade da Carolina do Norte. Nos Estados Unidos, o uso de medicamentos psiquiátricos está atingindo níveis altíssimos. Crianças de 2 anos recebem prescrição de remédios cujos efeitos a longo prazo são completamente desconhecidos. "É muito mais fácil encaixar a criança difícil em uma categoria e medicá-la, do que deixar que ela desenvolva naturalmente suas habilidades sociais", diz Levine.
E, como quase tudo na vida, o mais fácil nem sempre é o melhor. "Mais do que tudo, o aumento de diagnósticos psiquiátricos representa um aumento gradual do preconceito em nossa cultura", diz o psicólogo Richard DeGrandpre. Talvez seja a hora de começarmos a lidar melhor com as nossas próprias neuroses, manias e loucuras. E, sobretudo, aceitarmos nossas diferenças.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A TERAPIA DA RAZÃO PURA

Nas quartas-feiras de manhã, quando não chove, Carmen Nascimento, e Ana Maria, caminham juntas pelas alamedas do Parque da Redenção, em Porto Alegre. Quem vê as duas mulheres jamais imaginaria que não se trata de um passeio, mas de uma sessão de terapia. Carmen, funcionária de um sindicato, sofre de depressão, e Ana Maria é a sua terapeuta. Psiquiatra? Psicanalista? Não. Ela é uma filósofa. "É como uma amiga", elogia Carmen, que afirma ter melhorado depois que iniciou o tratamento, há quatro meses. "Com ela, eu me sinto em casa."

A filosofia clínica, como é chamado esse tipo de terapia, está ganhando adeptos no Brasil depois de se espalhar pelos Estados Unidos e pela Europa, onde surgiu, no início da década de 80. É um tratamento alternativo altamente controvertido, pois coloca indivíduos que podem ter problemas sérios na mão de profissionais sem formação específica. Por isso, é preciso cuidado. Os filósofos-terapeutas, como se autodenominam, não receitam remédios, como os psiquiatras, nem estão interessados em conhecer os sonhos e as emoções profundas dos seus pacientes, como os psicanalistas. "Nosso foco está no momento presente", explica o filósofo gaúcho Lúcio Packter, pioneiro desse movimento no país. Em 1994 ele montou, em Porto Alegre, um curso que já formou 170 terapeutas. "Não queremos mudar a personalidade do paciente, mas ajudá-lo a desembaralhar as idéias", diz.

O movimento tem como ponto de partida a convicção de que as neuroses podem ser curadas por meio do conhecimento acumulado nos 2 500 anos de História da Filosofia. A depressão, por exemplo, é encarada não como uma doença, e sim como um distúrbio causado pela incapacidade de dar sentido à própria existência um dos temas favoritos dos filósofos, em todos os tempos. Na filosofia clínica, o terapeuta ouve seu paciente e lhe dá uma série de conselhos, inspirados na obra dos mestres do pensamento. A conversa se limita ao plano intelectual. "Se você mergulhar fundo na emoção da pessoa, ela pode piorar muito", justifica Packter.

Nem todos os pacientes são aceitos nessa modalidade de terapia. No curso liderado por Packter, a orientação é encaminhar para psiquiatras os que apresentam indícios de distúrbios mentais graves. "Tratá-los só com Filosofia seria arriscado", admite. A precaução não é suficiente para tranqüilizar especialistas como Rogério Aguiar, professor de Psiquiatria na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Não basta conversar ou ler livros para sair por aí tratando uma pessoa", assinala. "Um filósofo é treinado para especular sobre as idéias, não para clinicar." Em sua defesa, Packter lembra que, em suas origens, na Grécia, a Filosofia estava associada à cura. Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) era chamado de "médico da alma". As ciências da mente e do comportamento, argumenta, vieram muito depois. "A Psicologia e a Psicanálise foram fundadas sobre os alicerces da Filosofia", afirma.

Guru dos pampas

O gaúcho Lúcio Packter, tomou contato com a filosofia clínica durante uma visita à Holanda no final da década de 80. Formado em Medicina, ele desistiu da carreira de psicanalista e se graduou em Filosofia numa faculdade particular pouco conhecida, o Instituto Imaculada Conceição, em Viamão (RS). Com recursos da família, que possui uma rede de hospitais em Santa Catarina, fundou em 1994 o Instituto Packter, em Porto Alegre, o único centro de formação de filósofos-terapeutas no país. Para fazer o curso, de dois anos, é necessário o diploma de Filosofia em alguma faculdade reconhecida pelo Ministério da Educação.

Qualquer lugar serve

Na filosofia clínica, as sessões podem acontecer em praças, bares ou salas de aula. Ana Maria Retamar, formada em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dispõe de um consultório, mas também atende em lugares públicos. Na foto acima, ela aconselha sua paciente Solange Gurgel Gomes num café de Porto Alegre. Solange, de 32 anos, secretária e estudante de Educação Física, procurou-a porque sentia dificuldade em se concentrar nos estudos. Antes, já tinha feito psicoterapia, mas as consultas eram muito caras e, segundo diz, improdutivas. "A psicóloga era muito distante", afirma. "Parecia que havia uma mesa invisível entre nós." Depois de quatro meses de consultas com Ana Maria, Solange garante que já melhorou muito.

Papo-cabeça resolve?

Para os filósofos clínicos, muitos dos males que afligem o homem contemporâneo são causados pela incapacidade de comprender o mundo que o rodeia. "Quando falta lógica ao raciocínio, o indivíduo tende a se enredar cada vez mais nos seus problemas, gerando um círculo vicioso", explica Margarida Nichele Paulo, filósofa com mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. "Nós ajudamos o paciente a pensar."O que tem despertado críticas, nessa abordagem, é a crença de que o simples entendimento racional de um problema seja suficiente para resolvê-lo. Quem procura um terapeuta, argumenta o psicanalista Mario Fleig, de Porto Alegre, está mergulhado numa crise pessoal profunda - e essas crises não se resolvem com uma discussão sobre o sentido da vida. "A nossa verdade não se deixa reduzir ao saber que podemos ter sobre nós mesmos", pondera.

Mas o ponto mais fraco da filosofia clínica é, mesmo, a falta de preparo para fazer o diagnóstico. "Como alguém que tenha só a formação filosófica pode distinguir um neurótico de um sadio?", pergunta Ernildo Stein, professor aposentado de Filosofia e de Psicanálise um conhecedor dos dois lados da questão, portanto. "Acho um perigo uma pessoa com uma fobia ou uma obsessão se entregar aos cuidados de um leigo que se intitula terapeuta", adverte.

Apesar das críticas, alguns pacientes estão satisfeitos. A professora de Educação Física Maria da Glória Zambon, sentia dores misteriosas sempre que deparava com algum aborrecimento. Os médicos não acharam nenhum problema físico. Maria da Glória recorreu a um filósofo há oito meses, depois que seu pai morreu e ela ficou vários dias sem se levantar da cama. Agora, sente-se bem mais animada. "Faz quatro meses que não tomo nem aspirina", alegra-se. Pílulas, só de Filosofia.

Para saber mais

Plato, No Prozac - Applying Philosophy to

Everyday Problems - Lou Marinoff, HarperCollins, Estados Unidos, 1999.

Pioneiro foi um alemão

O primeiro filósofo da atualidade a dar consultas particulares foi o alemão Gerd Achenbach. Em 1981, ele se pôs à disposição de qualquer indivíduo interessado em conversar sobre suas angústias, como parte de um programa de prevenção do suicídio. Achenbach não elaborou nenhum método de atendimento e discorda, até hoje, dos que praticam a Filosofia com finalidades clínicas. Ele prefere usar a palavra "aconselhamento" em lugar de terapia. "O objetivo da filosofia prática (como ele define seu trabalho) é o de produzir o esclarecimento e uma auto-explicação satisfatória, e não a cura", afirmou em 1997, numa palestra nos Estados Unidos.
Mesmo contra a vontade de seu fundador, a filosofia prática se espalhou rapidamente pela Europa e pela América do Norte - e passou a disputar pacientes com os psicoterapeutas. "A Psiquiatria e a Psicanálise fracassaram", proclamou, em entrevista ao The New York Times, o americano Lou Marinoff, presidente da principal associação de filósofos clínicos nos Estados Unidos. A maioria de seus pacientes, contou, é constituída por "refugiados da psicoterapia", alguns deles em busca de "verdades mais profundas" e outros, apenas procurando um meio mais eficiente de combater a depressão e a ansiedade. Além do atendimento individual, um novo campo de atuação para os filósofos nos Estados Unidos e na Europa tem sido o do "aconselhamento ético" em empresas. Ao sair da torre de marfim das universidades, a Filosofia está conseguindo resolver ao menos um problema: o do desemprego entre os filósofos.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O QUE É FILOSOFIA ESCOLÁSTICA?

É uma corrente filosófica nascida na Europa da Idade Média, que dominou o pensamento cristão entre os séculos XI e XIV e teve como principal nome o teólogo italiano São Tomás de Aquino. "Uma das contribuições mais importantes de São Tomás foi ter realizado uma releitura da obra de Aristóteles dentro de uma perspectiva cristã", afirma o filósofo Marcelo Perine, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Com essa releitura, o pensador italiano tentou conciliar razão e fé, acreditando que não havia contradição entre elas, pois ambas vinham de Deus. Essa concepção é muito bem expressa por uma velha máxima sua: "Crer para poder entender e entender para crer." São Tomás de Aquino dividiu o conhecimento humano em dois. O conhecimento sobrenatural seria aquele ensinado pela fé, como a aceitação da Trindade Divina, ou seja, Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Já o conhecimento natural viria à luz da razão, como os teoremas matemáticos.

A corrente escolástica perderia o papel de destaque na filosofia européia por volta do século XVII, com o nascimento da filosofia moderna, que traria pensadores e cientistas como Galileu Galilei e René Descartes.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Karl Jaspers

Jaspers, Karl

Jaspers, Karl (1883-1969), filósofo alemão, um dos fundadores do existencialismo, cuja obra, que compreende 30 livros, influenciou a teologia e a psiquiatria modernas, bem como a filosofia. Nascido em Oldenburg em 23 de fevereiro de 1883, Jaspers estudou direito e medicina, e doutorou-se na Universidade de Heidelberg. Lecionou Psiquiatria na Universidade de Heidelberg a partir de 1916. Voltou-se para o campo da filosofia e ocupou a cadeira de Filosofia até 1937. Durante a maior parte do tempo em que o Partido Nazista esteva no poder, Jaspers, cuja esposa era judia, se recusou a fazer qualquer concessão para as autoridades nazistas e foi impedido de lecionar. Em 1948, aceitou uma cátedra de Filosofia em Basiléia, no norte da Suíça.

Em sua principal obra, General Psychopathology (1913, Psicopatologia geral), Jaspers criticou as pretensões científicas da psicoterapia como enganosas e deterministas. Em seguida, publicou Psychologie der Weltanschauungen (1919, Psicologia das concepções do mundo), um trabalho particularmente importante por catalogar as várias possíveis atitudes diante da vida.

O seu principal trabalho em três volumes, Filosofia (1932, Filosofia), dá uma visão da história da filosofia e aborda seus principais temas. Ele identificou a filosofia com o pensamento filosófico em si mesmo, não com qualquer conjunto de conclusões particulares. Sua filosofia é um esforço para explorar e descrever as margens e os limites da experiência. Empregou o termo das Umgreifende (“o abarcamento”) para referir-se aos limites últimos da existência, o horizonte indefinido no qual toda experiência subjetiva e objetiva é possível, mas que nunca pode ser racionalmente apreendida. Outro importante trabalho é Existenzphilosophie (1938; Filosofia da existência). O termo existência se refere à experiência indefinível da liberdade e a possibilidade que constitui a verdadeira existência dos indivíduos, que se tornam conscientes do abarcamento ao se confrontarem com situações limites como o azar, o sofrimento, o conflito, a culpa e a morte. Ele também escreveu, com freqüência, sobre a ameaça que a ciência e as instituições políticas e econômicas modernas suscitam para a liberdade humana. Entre seus escritos políticos, encontra-se The Question of German Guilt (1946; A questão da culpa alemã).

Jaspers morreu em Basel em 20 de fevereiro de 1969. Sua correspondência (1926-1969), com a filósofa alemã, naturalizada americana, Hannah Arendt, foi publicada em inglês em 1992.

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lettere, Filosofia...fra le nuvole!


Lettere, Filosofia...fra le nuvole!, upload feito originalmente por Doubter toad.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O TRAIDOR DA NATUREZA

O poeta Manoel de Barros não se contenta com a fórmula algo manjada de ser "um fingidor (...) que chega a fingir que é dor", etc.... ainda escrevendo os poemas que vão compor seu 15° livro - Para encontrar o Azul Eu Uso Pássaros -, esse apaixonado por Freud é um enganador, que usa a natureza para despistar o leitor de uma poesia culta, informada, construída com tal rigor que chega a parecer que é inspirada. "Não acredito em inspiração, anoto tudo em um caderninho", diz. Quatro ou cinco anos depois, ele afirma, volta às anotações "para catar os poemas" que estão lá escondidos.

A maior injustiça que se pode cometer, portanto (e ela tem sido reiterada), com a obra do poeta acidentalmente pantaneiro é considerá-lo um cultor espontaneísta da natureza ou da ecologia, esse - com algumas exceções - neobobismo contemporâneo que exibe de boas intenções o que não pode expor de pensamento: "Minha obra tem um lastro da terra, mas não gosto de ser chamado de poeta ecológico - não dou muita importância a isso. Poeta é o sujeito que mexe com palavras. Tenho minha linguagem própria, que descobri, que não tem nada de ecológico". Como toda grande poesia, a de Barros trata do destino do homem, do medo da morte, da sombra da infância se projetando sobre o adulto, da busca da felicidade e conseqüente contencioso de frustrações e da face oculta de um Deus (creia-se ou não nele) que nos perseguem vida afora. Ele traduz essas preocupações em lagoas de significação plenas de imagens pantaneiras porque é essa, afinal, a sua vivência, a sua verdade. Usa essas imagens, como diz, para "esconder-se", mas acaba revelando, como queriam Freud e Machado de Assis (um dos preferidos do poeta), que "o menino é o pai do homem".

Mas é só. No mais, Manoel de Barros, descoberto para um público mais amplo por Millôr Fernandes na década de 80, é um homem cosmopolita, que bebe confessadamente nas águas turvas de onde saíram os textos cristalinos de Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé e Ezra Pound, entre outros. Desse universo e das memórias de um menino antigo vai tecendo os seus cantos, como o poema - Fragmento 14 - que comporá o novo livro, cedido a BRAVO! com exclusividade (leia nas páginas adiante). Tomando "um uisquezinho" para tentar se livrar da depressão que lhe traz o crepúsculo, Manoel de Barros recebeu a reportagem em sua casa, em Campo Grande, para a entrevista que segue, toda ela anotada a caneta. O poeta não permitiu que a conversa fosse gravada porque não fala "com ferros".

BRAVO!: A natureza, em sua poesia, é só pretexto para o sr. estabelecer relações de pensamento, ilações filosóficas. O sr. é um falso poeta da natureza?

Manoel de Barros: Minha obra tem um lastro da terra, mas não gosto de ser chamado de poeta ecológico - não dou muita importância a isso. Poeta é o sujeito que mexe com palavras. Tenho minha linguagem própria, que descobri, que não tem nada de ecológico. Fui criado no Pantanal, onde vivi até os 8 anos. Se as palavras que me chegam mais comumente são do brejo, é devido ao meu lastro existencial, que reflete um pouco a terra. Nossa vivência, principalmente nossa infância, é o que a gente carrega para o resto da vida. Tenho um lastro de coisas ínfimas, mas sou principalmente criado pelas palavras. Elas inventam a gente mais do que a gente a elas. Elas me ocorrem. Costumo dizer que só tenho 81 anos e muita infância para trás. O livro está dentro da gente. Tenho a convicção de que a poesia começa no desconhecer, no subconsciente, e não a partir da sabedoria.

O sr., com uma apreensão cínica da natureza, e Adélia Prado, com uma apreensão cínica do catolicismo, se igualam no alheamento em relação aos temas ditos modernos. O sr. vê essa proximidade entre ambos?

Sim. O que faço é metalinguagem. Tenho a pretensão de que meu personagem principal seja a palavra. O poeta precisa descobrir a linguagem para não imitar os outros. Em poesia, a razão não está com nada, a insensatez funciona melhor. Por trás da criação, não está a teoria, mas minha vivência.

Em entrevista à revista República, o crítico Wilson Martins cita a sua poesia como exemplo de superfaturamento crítico. Ele afirma que o sr. não faz poesia, mas expõe tiradas filosóficas. Ao escrever, o sr. projeta sua intenção apenas no que diz ou também na forma como diz?

Expresso-me especialmente pela forma de dizer. Assunto é coisa banal. Roland Barthes dizia que o que se sabe hoje do homem, Cristo já sabia e dizia melhor do que nós: suas palavras carregavam a eternidade. Não tenho nenhuma intenção de ser um filósofo. Tenho muito gosto é pela maneira de dizer. Meu gozar é no fazer verso. Sou um homem de idade, tenho uma sabedoria que a idade me deu. Posso julgar de uma maneira pessoal, e não pela leitura. O homem vai ficando velho e sábio. Adivinhar vem do verbo latino divinare, que guarda semelhança com o divino.

O sr. sempre diz que seu primeiro livro é o melhor. Por que continuar então?

A evolução de meu trabalho em relação ao primeiro livro é lingüística. Também me tornei mais fragmentado, o que é conseqüência do mundo moderno, sem ideologias. Com o tempo, a gente perde a unidade divina.

O sr. disse que sua poesia é 10% mentira e 90% invenção. Além de ser uma frase de efeito de um poeta, o que isso quer dizer realmente?

Quando você chegou a minha casa, eu poderia ter dito que estava retornando de um bar. Seria mentira. Já a invenção tem a ver com nosso interior, com nossas frustrações. A imaginação busca essas coisas para poder reluzir. Não sou um sujeito doente, um esquizofrênico, porque ponho meus conflitos para fora por meio da escrita. Minha poesia não é cerebral. Não sou um concretista. O concretismo já está no fim. Nem é má vontade minha. Eles são chatos mesmo. Acuso-me por não poder gostar daquele troço.

O poeta latino Horácio dizia que é preciso limar o poema até que ele chegue ao ponto, mas advertia de que não se deve lapidar demais para que não fique falso. O sr. segue essas recomendações?

Eu mudo bastante, lapido os poemas. Não acredito em inspiração. Primeiro, anoto tudo em meu pequeno caderninho, juntando minhas experiências existenciais e lingüísticas. Quando termina essa fase, que dura dois, três, quatro anos, vou aos cadernos para catar os poemas e dar-lhes a forma definitiva. Escrevo a mão e a lápis. Jamais rabisco; uso borracha e desmancho. Escrevo as coisas, junto durante algum tempo e depois cato os trechos e monto o poema. Para o novo livro, por exemplo, criei o poema Jogo de Amar em 12 partes. O trabalho do poeta é esse.

O sr. é lido como um Guimarães Rosa da poesia. Ocorre que sua poesia parece intencionalmente mais culta do que a apreensão que Rosa fazia do homem sertanejo. Embora houvesse na obra dele muita elaboração, havia uma tentativa de esconder essa apreensão...

Tenho muita parecença com o Rosa. Nós temos uma relação saudável com a linguagem erudita. Porém ele mostra mais o caipirismo, e eu mostro mais o meu lado de leitor. Mas ele era muito mais culto do que eu. Tive uma convivência pequena com ele. Ele também tinha um caderninho onde anotava as coisas que via, era muito descritivo.

Com a poesia de quem dialogam os poemas de Manoel de Barros?

Sou leitor de Guimarães Rosa. Gosto de João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa e Camões. Leio muito o Padre Vieira. Foi ele que me desvirginou para a linguagem, foi meu iniciador. Dos estrangeiros, Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Pascal, Montesquieu, Rabelais e Proust estão entre os autores de que mais gosto. Sou muito apegado à literatura de língua francesa. Morei um ano nos Estados Unidos, onde tomei gosto pela literatura de língua inglesa, especialmente T. S. Eliot, Ezra Pound e Stephen Spender.

O sr. é parte de uma tradição literária brasileira?

Não, eu criei um estilo próprio. Já me chamaram de poeta da geração de 45, mas não aceito isso. Eles queriam tornar a linguagem uma coisa imaculada. Sou um estuprador da gramática.

O que faz um homem culto viver recluso em Campo Grande? É timidez? O sr. teme se expor?

Eu não me sinto isolado. Tenho apartamento no Rio, leio jornal, assisto aos noticiários e debates da TV, leio os jornais do Rio e São Paulo, estou antenado. Assisto até a novelas. Em Campo Grande, a gente tem de tudo. Só não tem livro que preste, mas pode-se encomendá-lo rapidamente. Uma vez abri uma livraria junto com minha filha e minha mulher. Os amigos aconselharam-me a vender best sellers, mas encomendei apenas Machado, Joyce, Vieira, Euclydes da Cunha, coisas que enriquecem a sensibilidade. A obra completa de Proust, por exemplo, passou-se um ano sem ninguém comprar. Encomendei a obra de Joyce, ninguém comprou. Vendia dicionários, algum José de Alencar, Machado, mas era só. Desisti.

O sr. se vê longe dos acontecimentos culturais?

Considero um privilégio ter em Campo Grande uma disponibilidade para a leitura que o ritmo de outras cidades talvez não oferecesse. Mas não tenho buscado nada novo, estou sempre relendo minhas principais influências. Aqui não tem teatro, o que faz bastante falta. Já os cinemas geralmente exibem somente filmes de bangue-bangue. Vi todos os filmes iranianos. Também gosto muito do cinema italiano, Fellini, Antonioni, Vittorio de Sica (especialmente Ladrões de Bicicleta), e também do francês. Gostei muito daquela produção da Croácia, Antes da Chuva. Charles Chaplin para mim é o gênio do século. Jim Jarmush é outro grande diretor, mas parece que Hollywood prefere deixar os independentes de lado.

Apesar de se manter distante de polêmicas, sua poesia é saliente ao exibir uma maneira de ver o mundo. O sr. se sente um provocador?

Não, de modo algum. Sou um inocente nesse negócio. Não tenho a intenção de ofender nem provocar. Minha poesia é muito intuitiva. Quisera que fosse mais primitiva! Eu li livros de mitologia indígena e vivi muitos anos com índios chiquititos, da Bolívia. Gostava de tomar chicha - uma aguardente de milho - e pescar. Eu tinha fascinação pelas línguas primitivas indígenas. Eles, primeiro que a gente, fizeram árvore virar tatu, criança nascer de árvore. O poeta é um inocente que é ligado a essas coisas primitivas, apesar dos estudamentos.

O poeta Mário Faustino chegou a criticar Carlos Drummond de Andrade por este não participar dos debates estéticos de sua época. O sr. também evita discussões. Esses debates são inúteis?

Para a poesia, sim. Um professor de poesia não está com nada, pois ela não pode ser ensinada. Quando combino o sentido com o ritmo das palavras para produzir uma ressonância verbal, essa habilidade é produto de um dom, é uma coisa que se recebe. O estudo pode aprimorar.

Seus poemas parecem recorrer sempre a uma certa obsolescência do mundo que o cerca. São metáforas das inutilidades humanas?

Faço poesia sem importância. Tenho esse jeito de cabeça baixa. Acho que nasci com o olhar para baixo. Tenho uma revolta contra a injustiça social. São os pobres seres que me fascinam. Sou uma pessoa que se liga muito ao pobre ser humano - inclusive metaforicamente - como a pobreza de um milionário com dor de corno. Fascina-me explorar coisas e seres desimportantes.

O sr. acredita num mundo transcendente?
Sou absolutamente crente em Deus. Acredito no transcendente. Acho que nós temos de ser religados à natureza. Religião vem do verbo latino religare. Sou católico a meu modo.

Obra completa

Poemas Concebidos sem Pecado - 1937

Face Imóvel - 1942

Poesias - 1956

Compêndio para Uso dos Pássaros - 1960

Gramática Expositiva do Chão - 1966

Matéria de Poesia - 1970

Arranjos para Assobio - 1980

Livro de Pré-Coisas - 1985

O Guardador de Águas - 1989

Gramática Expositiva do Chão (Poesia Quase Toda) - 1990

Concerto a Céu Aberto para Solos de Ave - 1991

O Livro das Ignorãças - 1993
Livro sobre Nada - 1996

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domingo, 6 de setembro de 2009

Boa Filosofia

Boa Filosofia

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sábado, 5 de setembro de 2009

Signalnoise Interview at Fairspot.com


Signalnoise Interview at Fairspot.com, upload feito originalmente por James Whíte.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A Entrevista

A Entrevista

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