terça-feira, 30 de junho de 2009

Psicología Social


N8 - Psicología Social - Tapa, upload feito originalmente por pablofogliazza.

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

F. B. Skinner

Psicólogo norte-americano (20/3/1904-18/8/1990). Principal teórico da psicologia behaviorista ou comportamentalista contemporânea. Nasce Frederic Burrhus Skinner em Susquehanna, na Pennsylvania. Estuda em Harvard, onde trabalha como pesquisador de 1931 a 1936, e dá aulas na Universidade de Minnesota. É influenciado pela teoria dos reflexos condicionados de Ivan Pavlov e pelas idéias de John B. Watson sobre a teoria do reforço positivo e negativo do behaviorismo. Em 1938 escreve The Behaviour of Organisms.

Torna-se professor da Universidade de Indiana entre 1945 e 1948. Neste último ano, escreve a novela Walden II: Uma Sociedade do Futuro, sobre uma comunidade utópica modelo de seus próprios princípios de engenharia social. Como professor de psicologia da Universidade Harvard a partir de 1948, treina animais em laboratório para obter deles determinados comportamentos e formula os princípios do aprendizado programado. Escreve vários livros a respeito do comportamento humano, entre os quais Comportamento Verbal (1957) e A Análise do Comportamento (com J.G. Holland, 1961). Sua última obra é Recent Issues in the Analysis of Behaviour (1989). Morre em Cambridge, Massachusetts.

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domingo, 28 de junho de 2009

Pessoas e identidade pessoal

1 INTRODUÇÃO

Pessoas e identidade pessoal, as palavras pessoa e humano são usadas em permuta: as pessoas são humanas e os humanos são pessoas. Entretanto, em certos contextos, o uso desses termos pode ser separado. Assim, os anjos são tradicionalmente considerados pessoas (sobre-humanas). O Pato Donald, mesmo não sendo tem uma personalidade o que pode classificá-lo como humano .

A controvérsia gerada por algumas fantasias sobre computadores serem, um dia, considerados pessoas parece impossível. Mas, se essas fantasias os imaginassem já humanos, a controvérsia não faria sentido. A palavra humano, abreviação da expressão ser humano, parece ser mais identificada com a espécie Homo sapiens do que com pessoa. Essa última tem características psicológicas, embora também sugira aspectos biológicos.

Nos contextos morais, a palavra pessoa é, freqüentemente, usada para sustentar um status moral especial. Sendo assim, os debates sobre a permissividade do aborto enfatizam a questão de um feto ser ou não uma pessoa. E é mais provável que uma pessoa reclame que não está sendo tratada como pessoa do que como ser humano. Talvez seja possível explicar o peso moral associado à palavra pessoa através do pensamento que faz com que a participação em uma dada espécie biológica seja menos importante que a posse de certas características psicológicas (por exemplo, a racionalidade, ou capacidade de escolha por si). Ainda assim, o fato de geralmente considerarmos as pessoas anormais, ou não totalmente desenvolvidas, merecedoras de ao menos algumas formas de tratamento especial, sugere que o peso do significado moral é grande.

2 O CONCEITO DE PESSOA

Embora o conceito de pessoa possa ser distinguido da definição biológica ser humano, ele continua sendo problematicamente vago. Sabemos que certos acidentes e doenças envolvendo o sistema nervoso central podem reduzir as pessoas a um estágio primitivo, chamado animal. Mas quais tipos de atitudes e julgamentos são apropriados às pessoas? Que características um indivíduo deve ter para se encaixar nessa classificação? Nenhuma resposta satisfaz. Porém, um retorno possível à primeira pergunta é sugerida pelo filósofo inglês P. F. Strawson e se chama atitude reativa. Nesta classificação, estão incluídos vergonha, admiração, indignação, gratidão, ressentimento, respeito e desprezo. Eles expressam julgamentos de valor positivo ou negativo que parecem ser meritórios de acordo com o que os indivíduos em questão são ou fizeram. Poderemos gostar ou não de um cão ou um cavalo, ou até uma música ou uma comida, mas não seria apropriado, ou até compreensível, sentir respeito ou gratidão por essas coisas. Não faz sentido ter respeito ou gratidão por esse tipo de coisas. O tipo de ser por quem faria sentido ter esses sentimentos é identificado pelo termo pessoa.

Fixar o termo pessoa levanta uma questão: quais qualidades físicas e psicológicas qualificariam um indivíduo como pessoa? Todos concordam que a inteligência tem papel importante. Mas apenas a inteligência não é suficiente. Um indivíduo pode executar espontaneamente operações matemáticas extremamente complexas, mas que faz nada além, não seria uma pessoa. Em muitos casos, a capacidade da consciência de si mesmo, assim como a capacidade de utilizar a linguagem, são proeminentes. Elas sugerem que as pessoas devem ao menos ter o potencial de reconhecerem-se como pessoas, interagindo com outras. A capacidade de se motivar de algumas formas pode também ser essencial para o conceito de pessoa, como por exemplo, a tendência de formar desejos sobre o que se deseja ser. Uma idéia relacionada, mas diferente, é que as pessoas são caracterizadas por seus desejos e valores. De acordo com essa idéia, a habilidade de ser movido não só pelos apetites e desejos, mas também pelos julgamentos sobre o que seria bom desejar, pode ser essencial para qualificar o que é uma pessoa.

3 IDENTIDADE PESSOAL

A forma com que as pessoas são distinguidas das não pessoas é um problema filosófico: como uma pessoa é distinguível da outra e como uma pessoa única é identificada no tempo. Esses últimos itens definem o tópico filosófico da identidade pessoal. Na prática, é um problema distinguir pessoas diferentes ou identificar a mesma pessoa com o passar do tempo e, menos ainda, um problema intelectualmente enigmático (casos dramáticos de personalidade múltipla constituem uma exceção importante à regra). Porém, a investigação filosófica, originalmente motivada por um interesse na possibilidade de vida após a morte, traz à tona algumas questões: é possível que a nossa facilidade prática de distinguir e identificar as pessoas possa sustentar ilusões metafísicas ou até mascarar suposições incoerentes sobre o que as pessoas são.

No dia a dia, identificamos ou distinguimos as pessoas pelas suas características físicas, ou seja, por sua aparência. Porém, quando separamos os conceitos de pessoa e de ser humano, a associação de um corpo com uma só pessoa parece apenas uma casualidade feliz. Além disso, quando as pessoas pensam sobre suas identidades, raramente pensam sobre os seus corpos. Eles não têm nenhuma dificuldade em se imaginarem vivendo em tempos diferentes, tendo parentes diferentes, ou até pertencendo a uma espécie diferente.

John Locke, o filósofo inglês do século XVIII, utilizou o exemplo “a alma de um príncipe, carregando consigo a consciência da vida passada do príncipe, entrando e materializando-se na forma de um sapateiro, logo após ser abandonado pela sua própria alma”. Se, assim como Locke acreditava, imaginarmos que “a mesma pessoa com o príncipe” vem para habitar o corpo do sapateiro morto, isso parece afirmar que uma pessoa não é necessariamente idêntica ou está ligada ao seu corpo original.

Essa conclusão pode parecer feliz e não muito surpreendente, particularmente para aqueles preocupados com a imortalidade da alma. Afinal, a alternativa mais natural à hipótese de uma pessoa ser idêntica ao seu corpo é a pessoa ser idêntica à sua alma. Locke, entretanto, também levantou questões turbulentas sobre essa hipótese.

A existência das almas, ou de substâncias individuais não materiais que são as formas não físicas análogas aos corpos, é um assunto controvertido. A dificuldade de Locke surge mesmo se deixarmos esse assunto de lado. No exemplo de Locke, imaginamos que a alma do príncipe levava consigo a consciência da vida passada do príncipe. Mas a conexão entre uma substância não material em particular e a consciência de certas experiências passadas não é menos contingente que a conexão entre essas experiências e um corpo em particular. Contanto que o julgamento do “príncipe no sapateiro” seja baseado na imaginação de seus pensamentos talvez, o seu despertar, para encontrar-se em um lugar não familiar, rodeado de sapatos velhos e pedaços de couro, procurando onde colocou sua coroa e quais eram as providências a tomar para o banquete da semana seguinte ele apoiará a visão de que a atribuição da identidade pessoal está ligada não à persistência da alma, mas à continuidade da consciência. De acordo com essa visão, a pessoa que se é constitui-se ou é determinada por seus pensamentos e experiências, e não pelo invólucro ou sujeito dessas experiências. A identidade pessoal, portanto, seria uma questão da psicologia de um indivíduo, e não de algum substrato físico ou metafísico que fundamenta essa psicologia.

De uma certa perspectiva, essa visão parece ser a mais natural de todas, pois sugere ligações próximas entre pessoas e personalidades, e entre a identidade pessoal e as tendências pessoais das pessoas. Por outro lado, estamos acostumados a pensar a “mesma” pessoa passando por mudanças em sua personalidade: o gerente de uma loja de produtos naturais costumava comer somente hambúrgueres e bolos de chocolate; o presidente do banco costumava defender a revolução e a abolição da propriedade privada. Até mesmo as mudanças radicais no caráter e a perda de memória, sem mencionar o desenvolvimento da infância até a maturidade, não são interpretados tipicamente como uma substituição literal de uma pessoa pela outra. Se a identidade pessoal é uma questão de psicologia, então ela não é uma questão de psicologia estática: um grupo estático de pensamentos, interesses e traços de caráter que são mantidos com o passar do tempo. Ao invés disso, a identidade pessoal deveria consistir na existência de uma corrente psicológica causal contínua, na qual os pensamentos e experiências de uma época levam aos pensamentos e experiências da próxima, sem que eles sejam naturalmente preservados. Estritamente, isso significaria que a identidade pessoal não busca a identidade de alguma coisa contínua. De fato, de acordo com Locke, o conceito de “pessoa” deveria ser compreendido somente como um aparato retórico para associar os indivíduos atuais com as ações do passado, para que se possa atribuir responsabilidade aos mesmos.

Como tendemos a pensar em nós mesmos e nos outros como pessoas em continuidade, a conclusão de que, na realidade, elas são inexistentes pode parecer bastante alarmante pois parece afirmar que os indivíduos mais queridos de uma pessoa, incluindo a si próprio, não existem. Além disso, a sugestão pode parecer incoerente porque as pessoas parecem não ter escapatória da consciência de si mesmas. Uma pessoa se lembra de ter plantado um carvalho anos atrás, ou de uma viagem para a Itália há dez anos. Realmente, alguns filósofos argumentaram que a própria noção da persistência no tempo é derivada da consciência da própria existência continuada. Portanto, a identidade pessoal constitui o paradigma da persistência, em analogia ao qual a identidade de todas as coisas no passar do tempo podem ser atribuídas.

As intuições fortes de um ser substancial contínuo não podem garantir a sua veracidade. David Hume, reconhecendo essas fortes intuições, discutiu ainda assim que a idéia de um tal ser é uma ficção criada inconscientemente pela mente que, por ser preguiçosa, confunde uma série conectada por causas de estados conscientes assemelhados entre si com uma única consciência que persiste no tempo. A reconsideração de alguns pensamentos anteriores pode suscitar simpatia às idéias de Hume. Quando me imagino como membro da corte de Luís XIV, o que estou realmente imaginando? Se é alguma essência psicológica, algum conjunto especial de traços do caráter que são essenciais a mim, de onde vem esse conjunto de traços do caráter? Se, por outro lado, não existem características psicológicas que necessariamente compartilhamos, em que sentido sou eu mesmo que estou imaginando como cortesão?

Parece possível que Locke e Hume estejam corretos e que as pessoas não sejam nada mais que correntes contínuas de estados conscientes. Além disso, essa visão é atraente, à medida que apóia a crença de que a introspecção é normalmente a base mais segura para os julgamentos da identidade através do tempo, além de oferecer uma base plausível para explicar porque os indivíduos significam algo para nós. Porém, ela também gera conseqüências que chocam-se com crenças profundamente arraigadas, a grau tal, que várias pessoas a consideram inaceitável. Essa visão significa que se houvesse um método confiável para transferir todo o conteúdo psicológico de uma mente individual para outra, a fantasia de Locke (do príncipe entrando no corpo do sapateiro) poderia ser realizada. Uma pessoa poderia ir dormir de manhã, antes de uma operação de transferência psicológica, e acordar aquela noite dentro ou conectada a um organismo físico inteiramente diferente. Isso pode parecer surpreendente, mas se tentarmos imaginar uma transferência desse tipo a dois corpos, os resultados podem ser ainda mais impressionantes. A pessoa original não pode ser literalmente identificada com nenhuma das duas recentemente operadas, mas não teríamos meios tampouco de identificar o original com um ao invés do outro. Esse experimento mental adicional apenas expõe a dificuldade básica da definição de uma identidade pessoal como matéria mental, separável de qualquer personificação em particular e transferível de um corpo para outro.

A visão da continuidade psicológica também se encaixa às visões gerais sobre a responsabilidade moral. Normalmente se acredita que, se todas as coisas são iguais, as pessoas devem ser punidas pelos crimes que cometeram. Seria, por outro lado, terrivelmente impróprio punir as pessoas por crimes que não cometeram, mesmo que acreditem que os tenham cometido ou talvez até pensem se lembrar deles e, além disso, tenham uma personalidade que se assemelhe muito àquela do criminoso. De acordo com a visão da pessoa como uma corrente contínua de estados conscientes, porém, a diferença entre a realização real do crime e a mera crença de tê-lo cometido reduz-se a um patamar muito ínfimo no qual basear a justificativa da punição de um indivíduo.

Esses questionamentos levam muitos a rejeitar a visão da continuidade psicológica em favor da visão de que uma pessoa é, afinal, o motivo persistente de experiências, ao invés de uma corrente consistindo de experiências em si. O ceticismo sobre a existência das almas apóia as propostas que identificariam as pessoas, compreendidas como objetos de experiências, como seres físicos. Aqui, a controvérsia surge sobre quais seres físicos seriam apropriados como candidatos para a identificação. A conexão direta entre o conteúdo psicológico e a mente sugere que a identidade pessoal está fortemente aliada à identidade mental. Mas a obscuridade mental relativa com respeito aos meios pelos quais identificamos a nós mesmos e aos outros no dia-a-dia, e o papel menor que eles representam em nossas preocupações patentes, sugerem que a identidade pessoal está mais proximamente conectada aos corpos humanos como um todo.

Normalmente, simplesmente reconhecemos nossos colegas, vizinhos e amigos como as mesmas pessoas com quem lidamos ontem ou na semana passada. Se os cortes de cabelo, as plásticas e até o desfiguramento radical fazem ocasionalmente com que a identificação seja difícil, ao menos podemos imaginar que poderíamos ter seguido as pessoas em questão de antes para depois. As questões sobre se um homem ou mulher que sofreu mudanças físicas dramáticas é ou não a mesma pessoa poderão continuar, mas da mesma forma, permanecerão as questões sobre se uma escultura quebrada por bombas é realmente a mesma estátua, ou se um carro que teve suas partes gradualmente trocadas continua sendo o mesmo carro. Consistentes com a visão segundo a qual as pessoas são organismos físicos distintos, os problemas remanescentes sobre a identidade pessoal são análogos aos problemas envolvendo a identidade de objetos inanimados através do tempo.

Ocasionalmente, as realizações científicas cristalizam as questões filosóficas. Em 1993, biólogos pesquisadores anunciaram um procedimento que clonava embriões humanos. O material genético de um único embrião podia ser desencaroçado de uma forma tal que forneceria uma base para uma ou mais cópias. O embrião original ainda reteria todas as informações genéticas necessárias para o seu próprio desenvolvimento. Será a clonagem, portanto, uma ameaça à unicidade preciosa do indivíduo? A identidade de uma pessoa é uma mistura de disposições geneticamente baseadas: a maquiagem genética predispõe certos traços e capacidades comportamentais e as influências ambientais que podem distorcer, alimentar ou modificar de outra forma essas disposições. A clonagem afetaria a primeira parte desse composto, mas não a segunda. Se a identidade pessoal é trama integral da memória, do pensamento, da emoção e da personalidade, como expressados e gerados por um aparato físico inteiramente desenvolvido, então não há uma forma conhecida pela ciência para clonar um sistema tão complexo. Mas suponhamos que ela existisse. Estaríamos então sob risco de perdermos a nossa unicidade? Poderemos nos encontrar cara a cara com indivíduos que se parecem e se comportam como nós, mas tais ecos de nós mesmos nunca estariam na posição de conhecerem como é sermos nós mesmos. Ou seja, a clonagem do ponto de vista subjetivo através da qual a identidade pessoal se experimenta a si mesma ou algo semelhante não poderia existir.

O sentido limitado no qual a clonagem poderia ser reconhecida como duplicação da identidade pessoal mostra a complexidade das pessoas. Por mais física que nossa aparência possa ser, ela tem propriedades subjetivas e essas não podem ser copiadas. A identidade pessoal permanece um assunto metafísico, além do puramente biológico.

Existirá uma solução para o problema metafísico da identidade pessoal, e qual é a diferença que ela fará? As respostas a essas questões variam de acordo com as perspectivas dos indivíduos. Para alguns, o interesse contínuo sobre a possibilidade da vida após a morte garante a importância duradoura do assunto, pois a crença na imortalidade parece requerer a identificação das pessoas com almas não materiais. Compreender as pessoas como seres essencialmente físicos, sendo mentes ou corpos, abala essa crença e apóia as nossas preocupações com a distinção fisicamente identificável entre indivíduos, mesmo passando por modificações psicológicas dramáticas. No mínimo, a persistência da controvérsia nesse campo prova a incrível flexibilidade dos poderes da auto-identificação imaginativa.



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sábado, 27 de junho de 2009

Epistemologia

Epistemologia

Epistemologia é o ramo da filosofia que trata dos problemas que envolvem a teoria do conhecimento. Ocupa-se da definição do saber e dos conceitos correlatos, das fontes, dos critérios, dos tipos de conhecimento possível e do grau de exatidão de cada um, bem como da relação real entre aquele que conhece e o objeto conhecido.

No século V a.C., os sofistas gregos questionaram a possibilidade de haver um conhecimento objetivo e confiável. Por outro lado, Platão defendeu a existência de um mundo de formas ou idéias, invariáveis e invisíveis, sobre as quais seria possível adquirir um conhecimento exato e verdadeiro mediante o raciocínio abstrato das matemáticas e da filosofia. Na mesma linha, Aristóteles afirmava que quase todo conhecimento deriva da experiência, da observação cuidadosa e da estrita adesão às regras da lógica.

Do século XVII ao fim do século XIX, a questão central da epistemologia foi o contraste entre razão e o sentido da percepção como meio para a aquisição do conhecimento. Para os racionalistas, a fonte principal e prova final do conhecimento era o raciocínio dedutivo, baseado em princípios evidentes ou axiomas. Para os empiristas, porém, era a percepção. No início do século XX, os autores fenomenológicos afirmaram que os objetos de conhecimento são os mesmos que os objetos percebidos. Os neo-realistas, por sua vez, sustentaram que temos percepções diretas dos objetos físicos, ou partes dos objetos físicos, em vez dos estados mentais pessoais de cada um. Os realistas críticos adotaram uma posição intermediária, mantendo que, embora se percebam apenas dados sensoriais, como as cores e os sons, estes representam objetos físicos, sobre os quais trazem conhecimento.

Em meados do século XX, surgiram duas escolas de pensamento, ambas com débito para com o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein. Uma delas, a escola do empirismo ou positivismo lógico, afirma que só existe um tipo de conhecimento: o científico. A última destas escolas de pensamento mais recentes, englobadas no campo da análise lingüística (ver Filosofia analítica), parece romper com a epistemologia tradicional, centrando-se no estudo do modo real pelo qual se utilizam os termos chave da epistemologia — como conhecimento, percepção e probabilidade — visando a formular regras definitivas para seu uso e, assim, evitar confusões verbais.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Racionalismo

Doutrina que afirma que tudo que existe tem uma causa inteligível, mesmo que não possa ser demonstrada de fato, como a origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento
da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento. Considera a dedução como o método superior de investigação filosófica. René Descartes (1596-1650),
Spinoza (1632-1677) e Leibniz (1646-1716) introduzem o racionalismo na filosofia moderna. Friedrich Hegel (1770-1831), por sua vez, identifica o racional ao real, supondo a total
inteligibilidade deste último. O racionalismo é baseado nos princípios da busca da certeza e da demonstração, sustentados por um conhecimento a priori, ou seja,
conhecimentos que não vêm da experiência e são elaborados somente pela razão.

Na passagem do século XVIII para o XIX, Immanuel Kant (1724-1804) revê essa tendência de associar o pensamento à análise pura e simples e inaugura o neo-racionalismo. A
nova doutrina aceita as formas a priori da razão, afirmando, entretanto, que elas necessariamente devem ser conjugadas aos dados da experiência para que possa haver
conhecimento. O racionalismo dos séculos XVII e XVIII influencia a religião e a ética até hoje. Está presente nas várias seitas do protestantismo, que dispensam a autoridade e a
revelação religiosa em favor dos postulados lógicos e racionais sobre a existência de Deus. Influencia, também, a conduta moral que atribui à razão e aos princípios inatos de
bondade, entre outros, a capacidade humana de se bem conduzir.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pré-Socráticos

Primeiros filósofos gregos, os pré-socráticos vivem entre o séculos VII a.C. e VI a.C. Ele recebem essa denominação por ter vivido antes de Sócrates, que desloca o foco da
reflexão filosófica da natureza para o homem e o mundo das idéias. A característica comum aos pré-socráticos é a preocupação com o mundo natural (physis, em grego), daí
serem também chamados de fisiólogos. Ao tentar explicar a natureza das coisas reduzindo sua multiplicidade a um único princípio, eles rompem com a forma de pensamento do
mundo antigo. Inauguram uma nova mentalidade baseada na razão e não mais no sobrenatural e na tradição mítica.

Tales de Mileto, Anaximandro (611 a.C.?-547 a.C.) e Anaxímenes (570 a.C.?-500 a.C.), da escola de Mileto, colônia grega na Ásia Menor, estão entre os primeiros
pré-socráticos. Para Tales, a água é a origem de todas as coisas. Anaximandro acha que a substância primeira é o infinito ou a matéria ilimitada, da qual provêm todos os seres
finitos e limitados. Já Anaxímenes acredita que é do ar que derivam todas as coisas, por causa de seu movimento duplo de rarefação e condensação.

Nascido em Éfeso, outra colônia grega, Heráclito (544 a.C.?-480 a.C.?) defende que as coisas se produzem a partir da estrutura contraditória e movediça do real e do logos (a
razão). Daí elas existirem em permanente contradição e fluência. A escola de Eléia opõe-se a essa tese e, com Parmênides (530 a.C.?-460 a.C.?) e outros filósofos, identifica a
existência de uma verdade imutável e um ser completo, uno e imóvel. Discípulo dessa escola, Empédocles (493 a.C.?-430 a.C.?) de Agrigento nomeia como substâncias
fundamentais os quatro elementos: a terra, a água, o ar e o fogo. Sua tese e a filosofia do atomismo, de Demócrito, da escola de Abdera, procuram conciliar a mobilidade e a
multiplicidade do ser, de Heráclito, com a idéia da unidade e imobilidade, de Parmênides. No lugar dos quatro elementos, Demócrito acredita que a realidade é composta de
átomos e do vazio. O eterno movimento entre eles e suas diferentes combinações explicam a formação dos diversos mundos. Ao apontar como verdadeira substância do mundo
algo imaterial, como a alma imortal e as essências eternas, que constituem o mundo da harmonia e dos números, Pitágoras (582 a.C.?-500 a.C.?) encerra essa fase,
tornando-se o primeiro pensador do século VI a antecipar o mundo platônico das idéias.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Positivismo

Corrente de pensamento formulada na França por Auguste Comte (1798-1857). O termo identifica a filosofia que busca seus fundamentos na ciência e na organização técnica e
industrial da sociedade moderna. O método científico é o único válido para se chegar ao conhecimento. Reflexões ou juízos que não podem ser comprovados pelo método
científico, como os postulados da metafísica, não levam ao conhecimento e não têm valor.

Entre suas formulações principais, está a que considera que as sociedades humanas passam por três estágios de evolução histórica. O primeiro é o teológico, no qual os
fenômenos são apresentados como sendo produzidos pela ação de seres sobrenaturais que interferem arbitrariamente no mundo. O segundo é o metafísico, no qual os
fenômenos são engendrados por forças abstratas. O último estágio é o positivo, em que o ser humano desiste de procurar as causas íntimas dos fenômenos para, através da
observação e do método científico, estabelecer as leis gerais que os regem. O estado positivo, portanto, corresponde à maturidade do espírito humano que não é mais enganado
por explicações vagas, uma vez que pode alcançar o real, o certo e o preciso.

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Metafísica

Parte mais central da filosofia que busca o princípio e as causas fundamentais de tudo, tratando de questões que, em geral, não podem ser confirmadas pela experiência direta.
Constitui a filosofia primeira, o ponto de partida do sistema filosófico. O termo surge por volta de 50 a.C., quando Andronico de Rodes (século I a.C.), ao organizar a coleção da
obra de Aristóteles, dá o nome de ta metà ta physiká ao conjunto de textos que se seguiam aos da física ("metà" quer dizer além). Historicamente, a palavra passa a significar
tudo o que transcende à física, porque nesses estudos Aristóteles examina a natureza do ser em geral e não de suas formas particulares, postulando a idéia de Deus como
substância fundamental.

As bases do pensamento de Aristóteles podem ser encontradas no platonismo. Para Platão, a filosofia é a única ciência capaz de atingir o verdadeiro conhecimento. Por meio
da dialética, o filósofo aproxima-se das idéias puras, como a verdade, a beleza, o bem e a justiça.

Na Idade Média, a metafísica confunde-se com a teologia. O italiano santo Tomás de Aquino afirma que a metafísica estuda a causa primeira, e, como a causa primeira é Deus,
ele é o objeto da metafísica.

Na Idade Moderna a experiência passa a ser extremamente valorizada e a metafísica deixa de ser considerada a base do conhecimento filosófico. O escocês David Hume diz
que o homem está completamente submetido aos sentidos, portanto não pode criar idéias, e não é possível formular nenhuma teoria geral da realidade. Para ele, ciência alguma
é capaz de atingir a verdade, seus conhecimentos são sempre probabilidade.

No século XVIII, o alemão Immanuel Kant afirma que o domínio da razão e o rigor científico podem recriar a metafísica como conjunto dos conhecimentos dados apenas pela
razão, sem utilizar os dados da experiência. Nesse sentido, a metafísica para Kant reduz-se ao estudo das condições e limites do conhecimento. No século XIX, o positivismo
de Auguste Comte coloca a metafísica como uma ciência superada. Segundo ele, a história da humanidade (e, por analogia, o conhecimento humano) passa por três períodos: o
teológico, o metafísico e o positivo, ou científico, sendo que este último é superior aos anteriores.

No século XX, o filósofo alemão Martin Heidegger faz uma revisão da história da metafísica e sustenta que ela confunde o estudo do ser, o verdadeiro objeto da filosofia, com
outros temas, como a idéia, a natureza e a razão.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

FHC: Entrevista concedida a Veja (29/06/1988), ao sair do PMDB para formar o PSDB.

Veja - O Partido Democrático Popular não é uma sigla de perdedores? Os políticos que ali estão perderam os quatro anos de mandato para o presidente José Sarney, perderam no debate sobre parlamentarismo e também estão ficando mais fracos em seus Estados.
FERNARDO HENRIQUE - Quem está perdendo mesmo, nos últimos anos, é o país. Não somos nós, políticos. O país perdeu as esperanças de mudança com a Nova República. A população, hoje, perdeu até mesmo as ilusões que possuía. Então, é possível dizer que nós, que estamos formando esse novo partido, até perdemos em várias lutas políticas travadas de uns tempos para cá. Nosso problema maior é o do país, não de quarenta parlamentares que resolvem formar um partido novo.

Veja - O senhor, que está deixando o PMDB para fundar o PDP, tem evitado, nas últimas entrevistas e discursos, pronunciar o nome do governador Orestes Quércia, de São Paulo, peemedebista, um amigo adversário. Isso faz parte de alguma estratégia?
FERNARDO HENRIQUE - Não sei por que eu deveria pronunciar o nome do governador de São Paulo. Não se trata de falar de uma pessoa, mas de avaliar uma obra. Como obra, o governo de São Paulo é medíocre, trata-se de uma das piores administrações dos últimos tempos. O governo de Paulo Egydio, por exemplo, foi muito melhor. Construiu mais escolas, mais postos de saúde que o governo atual. O governador de São Paulo é especialista, hoje, em viabilizar casas populares pela TV sem construí-las. Como garoto-propaganda, tem grande futuro.

Veja - A Constituinte marcou a eleição presidencial para o final do ano que vem, pelo sistema de dois turnos. Vamos supor que, nessa disputa, fiquem Orestes Quércia e Leonel Brizola para o segundo turno. Quem o senhor apoiaria?
FERNARDO HENRIQUE - Pensar nessa hipótese é torcer contra o Brasil. Supondo que isso venha a acontecer, de fato, seria preciso avaliar a campanha de cada um, a proposta dos dois.

Veja - Vamos supor, em outra hipótese, que ocorra um segundo turno entre Brizola e Jânio Quadros. Quem o senhor apoiaria?
FERNARDO HENRIQUE - Creio que este é o grande espantalho que estão construindo para as eleições presidenciais, uma campanha polarizada entre dois políticos arcaicos. O Jânio é um espantalho ainda mais produzido do que o Brizola. Sua candidatura reflete, acima de tudo, o medo de nossa direita, sua dificuldade para disputar o voto dos brasileiros. Por que a direita não escolheu alguém do PFL ou mesmo do PMDB? Simples: porque não confia na democracia. A direita acha que se for pela democracia vai dar Brizola mesmo. Então, ela quer um outro espantalho, o seu, que é o Jânio Quadros. O novo partido nasce com a finalidade de quebrar essa situação, esse páreo entre fantasmas do arcaísmo. Creio que nós temos condições de oferecer uma opção a uma nação cada vez mais desiludida.

Veja - Onde que o senhor enxerga a raiz desses problemas que o país atravessa?
FERNARDO HENRIQUE - Creio que chegamos, três anos depois, a uma situação igual à que havia no governo Figueiredo. Há uma ruptura entre a sociedade brasileira e o governo, entre o dia-a-dia da população e aquilo que fazem os políticos. O governo é uma coisa, e o país, outra. Felizmente, porém, o país é tão forte que, apesar disso, consegue avançar.

Veja - Como assim?
FERNARDO HENRIQUE - Penso que a maioria das pessoas encara o governo como um sujeito meio trapalhão, não permite que isso altere seu cotidiano. Ou seja: na universidade, as pesquisas continuam sendo feitas. Nos sindicatos, assistimos a um processo de modernização. Nas empresas, também. Essa massa de recursos que existe na sociedade faz com que os cidadãos possam olhar para quem está no poder, os políticos, com desconfiança até porque estão conseguindo ir para a frente sem a governo. Por um lado, isso não é de todo mau, porque diminui a arrogância do Estado.

Veja - Quando o senhor compara o governo do presidente José Sarney com o governo Figueiredo, qual a vantagem de um e de outro?
FERNARDO HENRIQUE - Há diferença evidente, que é a liberdade. Antes, não tínhamos liberdade agora, a possuímos. É um dado essencial, mas que não muda tudo. Mesmo porque nós podemos dizer que temos um regime de liberdade, mas não vivemos sob um regime de democracia. As pessoas podem dizer o que quiserem. Também podem se manifestar. Mas as decisões tomadas a nível de governo não são democráticas. Nós não achamos, até agora,
instituições capazes de funcionar democraticamente. Então, a população pode se expressar, mas quem resolve o que vai ser feito, e faz, é o governo. Um governo que mantém nossa pior tradição política, que é aquela de olhar para o calendário eleitoral, descobrir que há uma eleição marcada para breve e, então, sair correndo em manobras para adiá-la. Num outro aspecto, contudo a comparação fica pior.

Veja - E qual aspecto é esse?
FERNARDO HENRIQUE - É indiscutível que, sob o regime autoritário, houve um surto de modernização provocada pelo Estado. Ao menos em algumas coisas, o país melhorou. No campo das telecomunicações, por exemplo. E em outras. Agora, não. Temos um Estado canhestro, atônito, cuja ação é simplesmente patética. Antes, a população tinha medo do governo. Agora, não tem mais, e é bom ter um governo que não provoca medo nas pessoas. O grave é que temos um governo desprezado pela sociedade. Boa parte das pessoas acha que tudo ficou pior, agora. É possível compreender porque elas pensam assim. Não é porque as coisas tenham ou não piorado, efetivamente. É que agora se pode ver como elas são, como o governo age. As pessoas estão vendo como é e estão decepcionadas.

Veja - O senhor acredita que a população esperava desse governo um comportamento de alguma forma parecido com o dos governos anteriores?
FERNARDO HENRIQUE - É claro que não. Os eleitores esperavam o Estado como o promotor de mudanças. E o que estamos vendo é o contrário, um Estado paralisado, burocratizado, que não tem política para a indústria, para a tecnologia, para coisa alguma.

Veja - O senhor fala do governo como se não tivesse nada a ver com o que ocorre no país. No entanto, o senhor, até há pouco, era líder do PMDB no Senado. Sua legenda também dispõe de vários ministérios. O senhor não está numa posição muito confortável?
FERNARDO HENRIQUE - Não vejo por que minha atitude atual seria confortável. Até pelo contrário: ao deixar o PMDB, estou abrindo mão de uma liderança no Senado em que a maioria dos membros da bancada sempre se alinhou com as propostas que defendi. Outras pessoas, que estão ingressando no novo partido, estão abrindo mão, também, de postos e posições importantes. Então, por esse lado, não é um problema de conforto. Se fosse olhar a coisa
apenas do ponto de vista pessoal, nada mais conveniente, para mim, do que permanecer no PMDB. Até porque, em 1986, fui eleito para um mandato de sete anos. Quer dizer: Sarney já terá passado, os governadores já terão passado, mas eu continuarei senador.

Veja - Mas, diante de uma crise econômica como a atual, não é confortável assumir uma postura oposicionista?
FERNARDO HENRIQUE - Há meses eu dizia que quem quisesse ganhar a eleição no Brasil só precisava falar mal do Sarney. Acho que isso é verdade até hoje, e será assim até o final de seu governo. O problema, nesse caso, não é da oposição mas da situação. E aí temos um dado fundamental, que é o papel que o presidente Sarney escolheu para si próprio. Ele poderia ter sido o fundador da democracia brasileira. Seria um papel com dimensões históricas. Mas ele preferiu marcar sua passagem pelo poder com uma postura de rotina. Ficou tão igual aos outros presidentes que toda vez que enfrenta dificuldade faz questão de ser fotografado ao lado dos comandantes militares. A dificuldade, no entanto, é que o presidente Sarney nunca explicou o fundamental. Para que ele queria cinco anos? Ninguém sabe. Essa questão, aliás, está na origem de uma outra perversão.

Veja - E que perversão é essa?
FERNARDO HENRIQUE - E o dando que se recebe. Veja que, até certo ponto, a troca de cargos e favores é um dado normal de qualquer sistema político. O que se tornou anormal em nossa situação política atual é que se faz o favor pelo favor, o cargo pelo cargo. Ou seja: não há mais política, não há mais debate político. Para que este cargo? Aquele favor? O resultado é que nós estamos assistindo a uma restauração do poder oligárquico, o mesmo tipo de poder que foi utilizado em 1964 para conter a pressão popular.

Veja - A discussão sobre a duração do mandato não teve, por trás dos debates públicos, o temor de boa parte dos políticos e da elite brasileira de uma vitória do ex-governador Leonel Brizola?
FERNARDO HENRIQUE - Brizola é só pretexto. Na realidade, há pessoas que não gostam de eleição, que não querem eleições de forma alguma. Para elas, Brizola foi um pretexto, apenas. Boa parte de nossa elite, um segmento importante dos empresários, comporta-se assim. Tanto na questão eleitoral como em outras.

Veja - O senhor poderia dar um exemplo?
FERNARDO HENRIQUE - O que está na essência desse comportamento é uma cultura política segundo a qual é sempre melhor um sistema levemente corrupto a uma negociação às claras. Foi o que aconteceu, por exemplo, na discussão sobre a proteção ao emprego, na Constituinte. Nós, da liderança do PMDB, fechamos um acordo com as lideranças dos empresários a esse respeito. Estava tudo bem amarrado e todos estavam de acordo. Os empresários saíram da sala e preferiram dar uma guinada, abandonando a proposta acertada. Eles acabaram perdendo na votação, mas veja como é esse comportamento. Há uma preferência por uma ação isolada, pela ruptura do acordo, do consenso.

Veja - Como o senhor avalia os trabalhos da Constituinte, agora que ela está chegando à fase final dos trabalhos?
FERNARDO HENRIQUE - Acho que vamos enfrentar uma fase necessária de ajustamentos. A Constituição que estamos elaborando tem como base a criação de um Estado de bem-estar. Essa é uma antiga aspiração dos brasileiros, um ideário que se forjou, entre nós, nos anos 50 e início dos anos 60. Todas as nações desenvolvidas criaram seu Estado de bem-estar e é justo fazermos uma Carta com essa preocupação. O problema é que, trinta anos depois, o Estado do bem-estar, nos países desenvolvidos, se transformou no Estado da crise fiscal, no Estado ameaçado de ir à falência. O que eu penso é que, após a promulgação da nova Constituição, teremos de fazer um ajuste, pois o Estado brasileiro entrou em sua crise fiscal, num quadro de falência, antes de promover o bem-estar. Tenho certeza de que não será fácil. Mas terá de ser feito.

Veja - A Constituinte aprovou medidas como os juros tabelados a 12% ao ano, a nacionalização dos minérios. Boa parte dos parlamentares sempre falou contra essas medidas, mas, na hora de votar, acabou dando seu apoio. Como o senhor explica esse comportamento?
FERNARDO HENRIQUE - Mesmo agora, na discussão da anistia financeira aos pequenos e médios empresários, esse problema apareceu. Eu penso que o deputado tem um comportamento diferenciado. Ele até não concorda com a proposta. Mas na hora em que vai apertar o botão para votar ele pensa: Mas é tudo muito injusto... Com isso, creio que acaba apoiando muitos projetos que racionalmente considera errados. Não concordo com esse comportamento, mas consigo compreendê-lo.

Veja - O senhor acredita que, encerrada a Constituinte, estará terminado, também, o debate sobre os rumos que terá o país para vencer a crise?
FERNARDO HENRIQUE - O debate vai prosseguir, e o centro do problema será saber para onde vai o Brasil: continuaremos sendo um país do Terceiro Mundo ou seremos capazes de engatar no Primeiro? Essa é a questão. Eu não acho que estamos no caminho de nenhuma catástrofe geral, até porque já temos, aqui, as bases de uma economia capaz de se desenvolver, com um mínimo de capacidade de produzir. O país não vai desabar. O que é preciso é dar o salto. No passado, essa discussão afetava, especialmente, a direita. Hoje, essa questão também corta a esquerda em grandes fatias.

Veja - Como assim?
FERNARDO HENRIQUE - Existe uma parte da esquerda que é, sinceramente, terceiro-mundista. Não se trata de solidariedade, apenas. É mais do que isso. São aquelas pessoas que pensam o Brasil como um país africano e gostam disso. Acham que o Primeiro Mundo é negativo, é ruim. Identificam país desenvolvido com exploração dos outros. É uma visão de país como autarquia, em que a nacionalidade se constrói na base daquela unidade do tudo contra a exploração estrangeira. Penso que isso é anacrônico.

Veja - Há dois anos, o senhor esteve na TV e pediu votos para o governador Orestes Quércia, que hoje classifica como medíocre. Também pediu votos para o PMDB, legenda que agora está abandonando. O que o senhor vai dizer a seus eleitores, agora?
FERNARDO HENRIQUE - O que eu tenho a dizer é que, como muita gente, fiz uma aposta na mudança mas ela não ocorreu. Eu não acreditava, na época, que o resultado pudesse ser esse. Tentei, dentro do PMDB, uma outra opção que não fosse o governador de São Paulo. Apoiei o governo do presidente Sarney em seu início e também durante o Plano Cruzado. O Cruzado tinha de ser apoiado, porque era um projeto que estava dentro daquilo que o PMDB sempre defendeu, como mudanças sociais. Mas o fato é que o PMDB se transformou. Hoje, é um carimbo para se conseguir empregos no governo. Respeito, e sempre vou respeitar, o deputado Ulysses Guimarães. Também respeito os militantes do PMDB, e sei que eles fazem política não porque
gostem de mordomias. Mas o fato é que o partido não criou uma postura nova, contra a fisiologia, contra o empreguismo. Transformou-se numa máquina que está colada ao governo, e não vai afastar-se dali.

Veja - No final deste ano, haverá eleições municipais. O que o novo partido vai prometer aos eleitores, agora?
FERNARDO HENRIQUE - Se depender de mim, não vamos prometer nada. Até porque o eleitor não quer promessas. O que a sociedade deseja são compromissos com as mudanças. O novo partido é parlamentarista e vai se bater pela implantação dessa forma de governo no país. Também somos favoráveis àquele conjunto de reformas do Estado, que começa por uma mudança completa na administração, que precisa tornar-se democrática. Mais importante do que isso, no entanto, é o nosso compromisso com a mudança. E isso pode ser visto em função do perfil de quem está no partido.

Veja - O que não falta, no novo partido, são pessoas apresentadas como presidenciáveis: o senador Mário Covas, o ex-governador Franco Montoro e o senhor, também. Isso não é candidato demais para partido de menos?
FERNARDO HENRIQUE - Um partido com muitos candidatos é melhor do que aquele que não tem nenhum. Na realidade, daqui até a eleição não será inventado nenhum novo candidato. O Brasil tem dez nomes para a disputa, todo mundo sabe quem são. Entre todos eles, cinco serão escolhidos e outros cinco vão ficar à margem. Se me perguntassem quem é meu candidato, eu diria: é aquele político que for um novo Juscelino Kubitschek. Alguém que queira desenvolver o país. Não como JK de 1950, mas o de 1990.

Veja - Em fevereiro de 1986, quando faltavam 48 horas para o anúncio do Plano Cruzado, o senhor deu uma entrevista pregando a ruptura com o governo. Mais tarde, o senhor apoiou o Cruzado e o governo. E agora, ao sair do PMDB, não teme que possa repetir a mesma situação?
FERNARDO HENRIQUE - Eu estava certo naquele momento. Mas a história muda e quem tem razão é a História. Depois daquela entrevista, de fato, muita coisa mudou no Brasil. Mudou tanto que a maioria das pessoas hoje me diz que eu estava certo.

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domingo, 21 de junho de 2009

Entrevista com pequenos moradores da Favela "Abençoada Por Deus"

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sábado, 20 de junho de 2009

Dic. Houaiss: Entrevistar

n verbo
transitivo direto, bitransitivo e pronominal
realizar, ter entrevista com (alguém) [sobre] com
Ex.:

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

entrevista: David Baltimore ( Presidente da NASA

Entrevista concedida a Veja (04/10/2000)

Veja — O ex-presidente americano Bill Clinton fez recentemente a seguinte pergunta aos participantes de um congresso sobre Aids: "Como explicar a um extraterrestre a existência de uma doença que pode ser prevenida, contra a qual existem remédios, mas que continua se espalhando rapidamente pelo mundo?" O que o senhor lhe responderia?
Baltimore — Não entendo a razão da questão formulada por Clinton. Quase todas as doenças podem ser prevenidas, especialmente quando você sabe como elas proliferam. O problema é se queremos mesmo nos esforçar o suficiente para preveni-las. No caso da Aids, esse esforço deve ser enorme, porque envolve também decisões pessoais e íntimas, sobre as quais a ciência e os governos têm pouco ou nenhum poder de convencimento.

Veja — O que o senhor acha de ainda existir conflito entre ciência e religião em pleno século XXI?
Baltimore — Não vejo uma contradição muito forte hoje em dia entre as religiões e a prática científica. Nos primeiros anos da luta contra a Aids, a associação estatística clara entre o vírus HIV e homens homossexuais apresentou um grande problema. Muitas pessoas, movidas talvez por questões religiosas, acreditavam que não deveríamos fazer pesquisas sobre Aids porque julgavam a homossexualidade imoral. Elas achavam perda de tempo buscar a cura de uma doença que atingia basicamente homossexuais masculinos. Graças a Deus, hoje não escutamos mais argumentos dessa natureza. Mas, com certeza, esse modo de pensar foi uma das maiores barreiras iniciais à ampliação da luta contra essa terrível doença.

Veja — O senhor concorda com a idéia de que os países do Terceiro Mundo podem desrespeitar patentes para baratear o custo de remédios essenciais?
Baltimore — Esse é um assunto extremamente complicado. Em primeiro lugar, o processo de descoberta de medicamentos requer enorme investimento financeiro e esse investimento só pode ser feito se houver retorno para os investidores. Isso tem várias implicações. A mais clara é que o custo dos remédios é ascendente. Eles ficarão cada vez mais caros. Nos Estados Unidos, geralmente subsidiamos os remédios para pessoas de baixa renda. Esse processo funciona muito bem. Quando os pacientes desenvolvem resistência a certos remédios, novos medicamentos surgem, dando aos médicos a capacidade de continuar combatendo a doença. Em outras partes do mundo, as pessoas também querem ter acesso a essas drogas, mas não querem, ou não podem, pagar o custo de seu desenvolvimento. Querem apenas que as drogas sejam doadas. Esse esquema pode funcionar por um tempo, mas não indefinidamente. Atualmente, os EUA estão subsidiando o resto do mundo, ao pagar os altos custos das pesquisas e distribuir os medicamentos por um preço bem mais baixo em outros países. Acredito que essa não seja uma situação viável no longo prazo. Se os laboratórios americanos cruzarem os braços e abandonarem a criação de drogas para substituir aquelas que perdem poder curativo, então não vejo quem possa fabricá-las.

Veja — O programa governamental brasileiro contra a Aids, que combina medidas preventivas e negociação de preços com os laboratórios farmacêuticos, tem sido elogiado em todo o mundo. O senhor conhece o programa brasileiro?
Baltimore — Um pouco. Nunca estive no Brasil. Mas li na imprensa, especialmente o que foi divulgado durante o 14º Congresso Internacional de Aids, realizado recentemente em Barcelona. Parece que o programa brasileiro tem sido bem-sucedido, e isso é maravilhoso. Gostaria de saber ainda mais sobre o grau de sucesso na prevenção da doença no Brasil. Prevenir doenças é o aspecto determinante no longo prazo. Ainda temos a aprender sobre como as pessoas reagem aos programas de prevenção e como elas podem ser mais facilmente convencidas a se proteger.

Veja — O programa infantil de televisão Vila Sésamo está criando uma personagem do sexo feminino aparentemente saudável, mas portadora do vírus HIV. Essa versão irá ao ar somente na África do Sul, mas diversos políticos dos Estados Unidos se manifestaram radicalmente contra a idéia...
Baltimore — Sério? Não entendo por quê. Uma das melhores maneiras de fazer isso é por meio de um personagem de televisão. A iniciativa do Vila Sésamo é fantástica. É impressionante que os políticos americanos estejam reclamando dela.

Veja — Os políticos querem controlar a ciência quando se metem na questão da clonagem, por exemplo?
Baltimore — A clonagem é um processo controverso porque é feita com a manipulação de células de embrião. Muitas pessoas são contra o uso de embriões em pesquisa. Acreditam que devem ser respeitados da mesma forma que um ser humano já completamente desenvolvido. Não acredito nisso. Mas quem acredita não quer ver células de embrião sendo usadas em laboratórios, em hipótese alguma. O Congresso americano tentou entrar nesse debate científico, mas se viu incapaz de tomar uma decisão. Desde então os políticos têm silenciado sobre a questão.

Veja — Do ponto de vista científico, a clonagem é um grande feito? Que benefícios ela pode trazer?
Baltimore — A "clonagem terapêutica" é, a meu ver, o objetivo mais atraente. Com ela será possível produzir células diferenciadas de qualquer órgão do corpo humano, partindo das células indiferenciadas chamadas "células-tronco" embrionárias. Isso permitirá produzir órgãos ou parte deles com material genético da própria pessoa, evitando os danos que costumam provocar as rejeições nos transplantes atuais. Posso vislumbrar alguns desenvolvimentos muito úteis para indivíduos que sofrem de uma variedade de doenças. O processo será valioso também quando se tratar de investigar doenças. Poderíamos clonar células de pessoas que têm determinadas doenças genéticas, e isso nos ajudaria a entender os principais fundamentos dessas moléstias.

Veja — De tanto ver falsas promessas de tratamento contra o câncer, as pessoas estão muito descrentes. Há razões para otimismo na luta contra o câncer?
Baltimore — No curto prazo, costumo dizer que sou pessimista. O câncer não é uma doença única. O câncer é uma série de doenças diferentes. Cada um tem uma natureza distinta e tem de ser tratado separadamente. Então, não acredito que alguma vez teremos um tratamento único eficaz para todos os tipos de câncer. Acho que será mais provável vermos muitas maneiras de lidar com os diferentes tipos da doença que, juntas, podem trazer enorme progresso no controle do câncer. Mas nenhuma delas será considerada uma forma de cura.

Veja — A abordagem do professor Judah Folkman, de Harvard, que consiste em matar o tumor de fome, impedindo quimicamente a formação de vasos sanguíneos a sua volta, é uma esperança real?
Baltimore — Essa abordagem, chamada de antiangiogênese, é ainda largamente uma incógnita. Ela não foi devidamente testada. Os experimentos com animais são interessantes, mas ainda temos um longo caminho a percorrer antes de sermos capazes de dizer que essa é a via mais promissora para combater a doença.

Veja — O fato de sua mãe ter sofrido de câncer serviu de estímulo para pesquisar ainda mais sobre a doença?
Baltimore — Quando ela adoeceu, eu já tinha recebido o Prêmio Nobel por pesquisas relacionadas com o câncer e outras doenças. Por isso, a doença dela não me trouxe nenhuma sensação de culpa de não ter feito o melhor possível por ela e por outros doentes. Meu maior estímulo são meus interesses intelectuais, e não meus interesses pessoais ou emocionais.

Veja — A biologia molecular também é vista pelas pessoas leigas como um campo de pesquisa que prometeu mais resultados que os efetivamente conseguidos, não?
Baltimore — Por muitos anos, as pessoas chamaram a atenção para o fato de que a biotecnologia estaria absorvendo uma quantia enorme de investimento sem produzir muitos remédios. Mas acho que paramos de escutar isso. Existem tantos remédios que chegam às prateleiras e tantos outros em fase de testes que acredito que veremos a revolução da biotecnologia florescer. Os produtos já obtidos pela biotecnologia são bastante úteis. Do ponto de vista empresarial, a biotecnologia tem um desempenho bem mais satisfatório que as empresas de internet e alta tecnologia. A biotecnologia perdeu valor em bolsa, mas produziu muita coisa boa para a saúde das pessoas.

Veja — Como é ganhar um Prêmio Nobel aos 37 anos?
Baltimore — Embora estivesse trabalhando na área científica havia muito tempo e não me considerasse assim tão jovem, foi surpreendente. Hoje, olhando para trás, acho que eu era, de fato, muito jovem. Acredito que o importante é não fazer sua vida girar em torno do Nobel. O que importa é dar continuidade ao que você julga importante pesquisar. A ciência sempre foi tremendamente central em minha vida. Penso que é um dos mais nobres empreendimentos no
qual podemos nos engajar. Publiquei muito mais pesquisas científicas depois de ganhar o Prêmio Nobel que antes.

Veja — Seu biógrafo, Shane Crotty, escreveu que o senhor pesquisa mais por curiosidade e não com o objetivo de beneficiar a humanidade...
Baltimore — Isso é a pura verdade. Essa é uma das razões pelas quais gosto da Caltech. Há muitas pessoas aqui que têm esse mesmo sentimento pela ciência. Elas estudam não pelos resultados práticos, mas porque querem compreender como o mundo funciona.

Veja — O senhor apoiou muito sua colega brasileira Thereza Imanishi-Kari quando foram acusados de fraudar determinados resultados de pesquisas. Como o caso da fraude afetou sua carreira?
Baltimore — Esse episódio fez parte de minha vida por dez anos. Tive de lidar com isso diariamente. Ao mesmo tempo, tive de filtrar os problemas, para ter a capacidade de fazer o que realmente me interessava. Isso testou, mais uma vez, meu compromisso com as coisas com as quais me preocupo. Um fato desses é capaz de absorver toda a sua vida, porém me recusei a deixar que isso ocorresse. Eu poderia realizar algo muito mais produtivo, mas tinha de gastar meu tempo brigando no Congresso americano, enfrentando pessoas muito poderosas, para salvar minha reputação e também a de Thereza. Como ela é brasileira, na época houve muito interesse sobre o caso no Brasil. Ela hoje leva uma vida relativamente normal lecionando na Universidade de Tufts, em Boston.

Veja — No www.longbets.org, internautas fazem previsões e apostas sobre o futuro da ciência. Que podemos esperar, digamos, dentro de 25 ou cinqüenta anos?
Baltimore — Diria que saberemos como lidar com o câncer muito melhor do que sabemos hoje. Não diria que haverá uma cura médica, mas as pessoas estarão vivendo com a doença de uma forma bem mais tranqüila do que hoje. Gostaria muito de poder dizer que teremos uma vacina contra a Aids, mas tem sido tão difícil que não tenho certeza absoluta disso.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Filme: Entrevista


Sinopse

Poucos diretores de cinema conseguiram marcar tão claramente seu estilo como Federico Fellini. A fantasia, os personagens grotescos, o exagero presente em usas obras dentificam este cineasta italiano.Em entrevista, Fellini faz um a irreverente e nostálgica incursão através dos vários personagens criados por ele ao longo de sua carreira. Ao mesmo tempo, o filme é uma viagem que marca a desolação pelo futuro do cinema diante da concorrência impiedosa da televisão.

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Filosofia do Tempo

Filosofia do tempo
Filosofia do tempo
1 INTRODUÇÃO

Filosofia do tempo, visão das respostas dadas pelos filósofos ao problema da sucessão temporal, ao do contraste entre o que passa e muda e o eterno, imóvel e permanente. Se trata da necessidade de explicar ou resolver problemas comuns a diferentes épocas: a fugacidade da vida, o caráter inevitável da morte, o mistério mesmo da condição do homem enfrentado à sua finitude. Essas respostas incluem aspectos que afetam também o pensamento científico e o campo da criação poética, entendendo que as verdades do raciocínio filosófico se completam, coincidem ou se enriquecem com as pesquisas da ciência e as elaboradas intuições da literatura.

2 TEMPO E LITERATURA

Um dos testemunhos que tem impregnado o pensamento e a criação através dos séculos, além da interpretação religiosa, é o texto do Eclesiastes (3, 1-8), que diz: “Todas as coisas têm seu tempo, e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito. Há tempo de nascer, e tempo de morrer. Há tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. Há tempo de matar, e tempo de sarar. Há tempo de destruir, e tempo de edificar. Há tempo de chorar, e tempo de rir. Há tempo de se afligir, e tempo de saltar de gosto. Há tempo de espalhar pedras, e tempo de as ajuntar. Há tempo de dar abraços, e tempo de se pôr longe deles. Há tempo de adquirir, e tempo de perder. Há tempo de aguardar, e tempo de lançar fora. Há tempo de rasgar, e tempo de coser. Há tempo de calar, e tempo de falar. Há tempo de amor, e tempo de ódio. Há tempo de guerra, e tempo de paz”. A concepção do tempo que surge do texto — já que, aliás, não há nada novo sob o sol — é a do retorno cíclico, a alternância do bom e do mau, da felicidade e da desgraça.

A figura de Cronos, da mitologia grega, também pertence a esse depósito de imagens que perduram na representação literária ou iconográfica. Segundo Hesíodo, Cronos castrou seu padre Urano e, do sangue deste, mesclado com o esperma que caiu no mar, nasceu Afrodite, a deusa do amor. O tempo implica a cronologia e, com ela, faz surgir o amor, sujeito a mudanças. Muitas mitologias, pretendendo explicar a evolução das épocas (ver Periodização), coincidem em reconhecer a sucessão de diferentes idades — às vezes separadas por dilúvios ou catástrofes —, que retornam ciclicamente (ver Mitologia asteca). São, enfim, formas de explicar a decadência das sociedades e a recuperação de um passado feliz.

Além das fontes mitológico-poéticas, muitos escritores têm refletido sobre o tempo e a fugacidade da vida. O carpe diem do poeta latino Horácio era a exortação para desfrutar do momento, entendendo que tudo passa, tudo é efêmero. A imagem do rio como uma fonte longínqua e obscura que, eventualmente, deságua em um vasto oceano, obtém sua expressão poética nas Coplas de Jorge Manrique, escritas em homenagem à morte de seu pai: “nossas vidas são os rios/que vão dar no mar/que é o morrer”.

Um recurso habitual dos narradores de ficção científica é fazer seus personagens moverem-se para o passado ou para o futuro. Alguém entra em uma máquina do tempo (ver Herbert George Wells) e, então, é cercado de eventos e coisas que já aconteceram ou que, no campo da conjetura, acontecerão. Ciberiada, de Stanislaw Lem, é outro exemplo de viagem pelo tempo. As ficções de Jorge Luis Borges propõem como recurso o anacronismo, que permite, mais do que transitar, unir em um mesmo momento fatos de diferentes épocas, quebrando a rigidez da cronologia e, portanto, sugerindo uma superação do limite que fixam as datas. Se a arte, como dizia Leonardo, é “coisa mental”, as aventuras no túnel do tempo fazem parte da odisséia literária. Em grande medida, as experiências das vanguardas do século XX se propunham destruir as convenções estéticas, mas também a rigidez das lógicas horárias. Na adesão inicial do surrealismo, por exemplo, ao marxismo, subjazia essa intenção. Além disso, a influência dos movimentos revolucionários introduz nas consciências, sem dúvida, a possibilidade de transtornar as seqüências temporais conhecidas, identificadas com a ordem social dominante.

Proust, autor de Em busca do tempo perdido, resulta emblemático da preocupação de muitos escritores do século XX com o tempo. Machado de Assis introduziu no romance brasileiro os devaneios de um personagem, Brás Cubas, que faz “memória” depois de morto. Samuel Beckett, em Esperando Godot, apresenta dois personagens que passam o tempo (nos dois atos da peça) sem saber que fazer enquanto Godot não chega. Com todos os ingredientes cômicos do teatro do absurdo, Beckett consegue representar a tragédia da inação frente ao tempo que passa. Os objetivistas franceses, como Alain Robbe-Grillet e Michel Butor, fizeram da busca do tempo perdido um leit motiv. No cinema, a obra de Alain Resnais é também significativa.

3 TEMPO E FILOSOFIA
1 Os filósofos gregos

Na filosofia grega, os dois pensadores mais importantes, inclusive como exemplos de duas posições antagônicas, foram Heráclito e Parmênides. O primeiro teve consciência do constante dinamismo e mutação das coisas. Sua frase pânta rei (tudo flui) transformou-se na melhor síntese do seu pensamento. Segundo Aécio (século II), Heráclito retirou do universo a tranqüilidade e a estabilidade, pois isso é próprio dos mortos, e atribuiu movimento a todos os seres, “eterno aos eternos, perecível aos perecíveis”. Se nada permanece imóvel, os seres são semelhantes à corrente de um rio. A idéia de que o mundo está governado pela luta (“a guerra é mãe e rainha de todas as coisas”) fixou as bases da dialética de Hegel e de Marx. Ninguém poderá “se banhar duas vezes no mesmo rio”.

Parmênides opõe o tempo à eternidade e imutabilidade do ser. Recorrendo a uma tautologia (o ser é, o não ser não é), Parmênides identifica o tempo, por ser mutável, com o não ser, só reconhecendo validez ao eterno. Para Platão, sobretudo no diálogo chamado Timeu, o tempo é “imagem móvel da eternidade” que se desenvolve — continuando o pensamento pitagórico — segundo o número. Essa imagem é o céu, que com seus astros oferece a medida do devir temporal: “era”, “será”, “é”. O “é” ou instante é a dimensão autêntica, porque nele se conjugam o tempo e a eternidade. Sendo o mundo visível ou sensível uma copia do mundo invisível ou inteligível, o tempo imita a eternidade e, como os astros no céu, se move com relação ao número (rhythmós e arithmós, ritmo e número).

2 Santo Agostinho

Santo Agostinho reflexionou sobre o assunto em Confissões. Sua contribuição é muito importante por insistir na idéia da mudança constante do tempo. O tempo está contido na alma e, se o passado já não é e o futuro ainda não é, o único que existe é o presente: um presente do passado (a memória); um presente do futuro (a espera) e o presente do presente, apenas um instante, que a atenção capta no seu caminho rumo ao não ser. Porque o tempo, finalmente, é caminho em direção ao não ser. Também em De civitate Dei, Santo Agostinho reflexiona sobre o tempo e introduz a noção dominante no cristianismo de que a história do mundo (cópia da eternidade) seria a passagem da queda de Adão ao reencontro com Deus que é, enfim, a verdadeira origem do homem. A história, segundo o cristianismo, é o retorno à origem e, portanto, recuperação da queda, salvação. Nesta filosofia, perdura a diferença platônica entre o mundo sensível, o mundo das coisas perecedouras, e o inteligível, reino eterno da verdade imutável, divina.

4 TEMPO, CIÊNCIA E FILOSOFIA

A partir do Renascimento, apareceu a nova concepção científica do tempo, baseada na mecânica de Galileu, que considera o tempo como uma série idealmente reversível de instantes homogêneos. Essa série permite a redução do movimento a leis matemáticas e a aplicação do cálculo infinitesimal. Newton falou do tempo absoluto e do tempo cósmico. Os empiristas — Locke, Berkeley, Hume — criticaram, em Newton, a idéia do caráter psicológico da temporalidade e o tempo físico visto como pura abstração. Leibniz, também contrário a Newton, considerou que o tempo implica “uma ordem de existências sucessivas”, algo ideal e não real. Kant sustentou que o tempo constitui a forma a priori da intuição empírica, ou seja, o fundamento da objetividade do conhecimento.

No século XIX, com a descoberta da irreversibilidade dos fenômenos termodinâmicos, se produziu uma ruptura com a mecânica clássica. Os instantes temporais não são homogêneos: cada instante é heterogêneo com relação ao anterior e a série não pode ser invertida. Outros estudiosos também contribuíram ao abandono da concepção clássica. Minkowski considerou que tempo e espaço se unificavam num contínuo quadridimensional Einstein, com a teoria da relatividade, também adotou a tese da unidade espaço-tempo. Para Henri Bergson, pelo contrário, o tempo é um fato real em perpétuo movimento, algo que “come as coisas e deixa nelas a marca de seus dentes”. Foi um crítico convicto do tempo “espacializado” da física. Denominou de duração a experiência interior do tempo, que não pode ser submetida a medidas externas.

Para Heidegger, muitos de cujos conceitos foram desenvolvidos também por Jean-Paul Sartre e os filósofos existencialistas, o tempo é condição da existência entendida como projeto e como decisão antecipadora. Considera, além disso, que a vida do homem é definida por seu “ser para a morte”.

Com a elaboração da filosofia do materialismo dialético, Marx e Engels, se baseando nas idéias de Hegel, introduziram um conceito do tempo onde o filosófico se une ao sociológico e ao histórico. A preocupação não é estritamente definir o tempo, mas chegar a uma compreensão rigorosa das leis que governam as mudanças sociais e, portanto, conhecendo essas leis, procurar os meios para transformar o mundo. A filosofia recupera, assim, sua conexão com a ciência e com a poesia. O poeta Arthur Rimbaud tinha lançado a exortação de “transformar a vida”. Tanto a frase de Marx como a de Rimbaud perduraram durante várias décadas do século XX (por exemplo, o Maio de 1968) como uma incitação a construir a utopia revolucionária no tempo concreto e fugaz da existência humana.

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Palmeiras: Campeão da Taça Libertadores da América

Em 16/6/99, o Palmeiras ganha a Taça Libertadores da América ao derrotar por 4 a 3 o Deportivo Cali, da Colômbia, nos pênaltis. O jogo, realizado no Parque Antarctica, em São Paulo, terminou em 2 a 1 para o time paulista no tempo regulamentar. Com o resultado, o Palmeiras classificou-se para a final do Mundial Interclubes, em 30 de novembro, em Tóquio, contra o Manchester United, da Inglaterra.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Temporalidade

15 de Junho de 1994

Fasciíte necrosante já matou sete em Pernambuco.

Pelo menos quinze casos de fasciíte necrosante, sete deles fatais, ocorreram no estado de Pernambuco nos últimos dez anos, segundo o cirurgião-chefe do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, Edmundo Ferraz. A doença, causada pela chamada "bactéria assassina", destrói em poucas horas a pele, os músculos e os vasos sangüíneos das vítimas

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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domingo, 14 de junho de 2009

Hoje na História

14.Junho.1999

CONTAMINAÇÃO: Coca-Cola intoxica europeus e sai de circulação

Em 14/6/1999, a Bélgica proíbe a venda de refrigerantes fabricados pela Coca-Cola, após a constatação de que mais de 200 pessoas foram intoxicadas pelo produto. No dia seguinte,
França, Holanda e Luxemburgo adotam a mesma medida. O governo francês informa em 16/6 que mais de 80 passaram mal após o consumo de refrigerantes da Coca-Cola.

Segundo a empresa, o foco da contaminação seria o dióxido de carbono usado nas fábricas da Antuérpia, na Bélgica, e de Dunquerque, na França. Em 24/6, o governo francês
libera a comercialização do produto e a Bélgica permite a retomada da produção no país.

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sábado, 13 de junho de 2009

Há 10 Anos Atrás (13/06/1999)

Diminui boicote ao exame do MEC

Em 13/6/99, o Exame Nacional de Cursos (Provão) avalia 173.564 estudantes de 13 cursos de graduação. O índice de comparecimento em 1999 foi o maior desde sua criação em 1996. Segundo o Ministério da Educação, 94,5 % dos inscritos estiveram nos locais de prova e apenas 1,4% dos formandos avaliados entregou o teste em branco.

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Miguel Couto

Couto, Miguel

(1864-1934), médico e pesquisador, cuja vida foi dedicada à educação e divulgação dos princípios de higiene e à melhoria das condições da saúde pública.

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1864. Fez o curso secundário no Colégio Briggs. Em 1883, diplomou-se na Academia Imperial de Medicina, onde, em 1898, foi nomeado assistente, por concurso, da cadeira de Clínica Médica, em substituição a Francisco de Castro, a mais notável expressão da cultura médica no fim do século XIX. Nos dois últimos anos do curso médico, foi interno da Santa Casa de Misericórdia. Em 1896, entrou para a Academia Nacional de Medicina, como membro-titular, com o trabalho Desordens funcionais do pneumogástrico na influenza (1896). Em 1901, assumiu a cadeira de professor da Clínica propedêutica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 9 de dezembro de 1916, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Dedicou à saúde pública grande parte da sua vida, tendo deixado uma extensa obra nessa área. Em 2 de julho de 1927, ao ser designado presidente honorário da Associação Brasileira de Educação, proferiu conferência com o título: “No Brasil, só há um problema: a educação do povo”, que se transformou em lema da associação na época. Nesse discurso sugeriu a criação do Ministério da Educação, com “dois departamentos: o do ensino e o da higiene”. Em 14 de novembro de 1930, um decreto de Getúlio Vargas, chefe do governo provisório da República, criava “uma secretaria de estado, com a denominação de Ministério da Educação e Saúde Pública, sem aumento de despesa”. O apelo de Miguel Couto começou a dar resultado: em 1932, o famoso “Manifesto dos pioneiros da educação nova” reproduziu o que ele já defendera cinco anos antes: “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade o da educação”.

No período de 1914 a 1935, foi presidente da Academia Nacional de Medicina. Em 9 de dezembro de 1916, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1933, deputado à Assembléia Constituinte, conseguiu aprovar projeto que destinava 10% das rendas da União à instrução popular.

Além dos artigos e monografias científicas, destacam-se entre suas obras publicadas: Diagnóstico precoce da febre amarela pelo exame espectroscópico (1901); Só há um problema: a educação (1927); Lições de clínica médica (1923); Nações que surgem, nações que imergem (1925); e A medicina e a cultura (1932). Morreu no Rio de Janeiro, em 6 de junho de 1934.

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

saúde da Criança

A desnutrição é considerada o principal fator de risco das doenças contraídas por crianças. No Brasil, a mortalidade infantil está em queda. Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde mostram que de 1991 a 2000 a taxa de óbitos para cada mil nascidos vivos caiu de 45,3 para 28,3. Todas as regiões registraram essa redução. Com isso, o país superou a meta fixada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1990 de diminuir em um terço a mortalidade infantil. Mas os números estão longe do ideal. O Brasil ocupa o centésimo lugar das menores taxas de mortalidade infantil, entre 192 países. A OMS considera aceitáveis índices inferiores a 20 mortes por mil nascidos vivos. Em 2003, a taxa de mortalidade infantil foi estimada em 27,5 pelo IBGE.

Mortalidade infantil – Em 2002, o governo determinou que bebês com diagnóstico positivo para quaisquer doenças detectadas pelo teste do pezinho recebam medicamentos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A queda da mortalidade infantil no Brasil deve-se à melhoria das condições de saneamento básico, a mais acesso aos serviços de saúde e ao aumento da escolaridade feminina. Na década de 1990, os óbitos por doenças infecciosas e parasitárias caíram pela metade. A Pastoral da Criança, ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), influiu nessa redução. Presente em todos os estados brasileiros, a entidade atende crianças com menos de 6 anos. Seus voluntários ensinam ações básicas de saúde, nutrição e educação a mães e familiares. Em 2004, o governo criou o Comitê Nacional de Prevenção ao Óbito Infantil e Fetal.

Amamentação – A OMS recomenda amamentar o bebê até os 9 meses. Metade das crianças brasileiras tem amamentação exclusiva nos 30 primeiros dias de vida, segundo o Ministério da Saúde. No sexto mês, menos de 10% recebem apenas leite materno. Entre outros benefícios, amamentar ajuda a prevenir problemas como diarréia e infecções respiratórias, fortalece o vínculo entre mãe e bebê e diminui os riscos de câncer de mama e de ovário na mulher.
A rede brasileira de bancos de leite humano é a maior do mundo, com 173 postos hospitalares em 19 estados. Em 2001, ela foi premiada pela OMS e tornou-se modelo para diversos países da América Latina e da Europa. Os bancos de leite incentivam o aleitamento, além de organizar a doação para crianças que necessitam de leite humano, em especial prematuros e recém-nascidos de baixo peso cuja mãe não consegue amamentar.

Vacinação - No Brasil, a imunização contra doenças atingiu o mesmo patamar dos países desenvolvidos, segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Nos postos da rede pública, a população recebe vacinação rotineira gratuita contra 13 doenças. A imunização contra sarampo, tuberculose, poliomielite, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche e haemophilus influenzae tipo B é obrigatória e alcança mais de 90% das crianças com menos de 1 ano.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dicionário Houaiss: Saudável

n adjetivo de dois gêneros
1 que é bom para a saúde; salutar, higiênico
Ex.: hábitos s.
2 que tem ou revela saúde física e/ou mental, espiritual
Ex.: pessoa s.
3 que proporciona tranqüilidade, bem-estar
Ex.: ambiente s.
4 Derivação: por extensão de sentido.
que beneficia; positivo, favorável, benfazejo
Ex.: incentivo s. aos jovens estudantes

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terça-feira, 9 de junho de 2009

Japanese National Health Insurance Card

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Poluição do ar

Poluição do ar

Poluição do ar é a contaminação da atmosfera por resíduos ou produtos secundários gasosos, sólidos ou líquidos, que podem pôr em risco a saúde do homem e a saúde e bem-estar das plantas e animais, atacar diferentes materiais, reduzir a visibilidade ou produzir odores desagradáveis. Entre os poluentes atmosféricos emitidos por fontes naturais, somente o radônio, um gás radiativo, é considerado um risco importante para a saúde.

Cada ano, os países industrializados produzem milhões de toneladas de poluentes. Os contaminantes atmosféricos mais freqüentes e mais amplamente dispersos se descrevem na tabela anexa. O nível pode ser expressado em termos de concentração atmosférica (microgramas de contaminante por metro cúbico de ar) ou, no caso dos gases, em partes por milhão, ou seja, o número de moléculas do poluente por milhão de moléculas de ar. Muitas substâncias contaminantes provém de fontes facilmente identificáveis; o dióxido de enxofre, por exemplo, provém das centrais energéticas que queimam carvão ou petróleo. Outros se formam pela ação da luz solar sobre materiais reativos previamente emitidos à atmosfera (os chamados precursores). Por exemplo, o ozônio, um perigoso poluente que faz parte do smog ,se produz pela interação de hidrocarburetos e óxido de nitrogênio sob a influência da luz solar.

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