terça-feira, 31 de março de 2009

Informatiquês

Em poucos anos, nas últimas décadas do século XX, a informática revolucionou a atividade humana em todos os níveis. Com o acelerado progresso obtido tanto no campo da tecnologia dos computadores, quanto no da programação, a informática deixou de ser uma área reservada a especialistas e se insinuou cada vez mais na vida cotidiana, o que permite, entre outras vantagens, o acesso das pessoas a um volume cada vez maior de informação.

Informática é a ciência e a tecnologia que se ocupa do armazenamento e tratamento da informação, mediante a utilização de equipamentos e procedimentos da área de processamento de dados.

História

Ao longo dos séculos, foram feitas muitas tentativas de fabricar máquinas capazes de realizar automaticamente cálculos aritméticos e outras operações inteligentes. Exemplos disso são a machina arithmetica, construída pelo filósofo e matemático francês Blaise Pascal entre 1642 e 1644; a máquina de calcular inventada nessa mesma época pelo também filósofo e matemático Gottfried Wilhelm Leibniz; e o "enxadrista" que o espanhol Leonardo Torres Quevedo construiu no início do século XX.

Entre as máquinas que antecederam os modernos computadores ou processadores eletrônicos estão, principalmente, a máquina analítica projetada na primeira metade do século XIX pelo matemático e inventor britânico Charles Babbage, que foi o primeiro computador mecânico, e a máquina tabuladora do americano Herman Hollerith, que trabalhava no departamento de censo dos Estados Unidos e idealizou um sistema de tratamento de informações com o qual, mediante o uso de cartões perfurados, conseguiu aumentar de dois para duzentos o número de dados processados por minuto. Esses cartões, que receberam o nome do inventor, foram utilizados pelos computadores até 1970 como sistema de entrada e saída de dados. Da companhia fundada por Hollerith, a Tabulating Machine Company, surgiu mais tarde a International Business Machines Corporation (IBM).

Três décadas antes de Hollerith concretizar seu projeto, foi publicada a obra do matemático britânico George Boole, An Investigation into the Laws of Thought (1854; Investigação das leis do pensamento). Boole considerava que os processos mentais do ser humano eram resultado de uma associação sucessiva de elementos simples que se podiam expressar sobre uma base de duas únicas alternativas: sim ou não. Foi essa a origem do método matemático de análise formal conhecido como álgebra de Boole. Considerado na época uma simples curiosidade, o método viria a constituir o fundamento teórico da informática moderna.

Só depois da segunda guerra mundial, entretanto, foram construídos os primeiros computadores eletrônicos propriamente ditos, capazes de realizar grande número de operações em alta velocidade. Essas máquinas só podiam ser operadas por especialistas, que delas obtinham um rendimento muito inferior ao que oferecem, por exemplo, as mais simples calculadoras pessoais de hoje. Consumiam, além disso, muita energia elétrica e apresentavam todo tipo de dificuldades técnicas para a instalação. Como funcionavam com válvulas eletrônicas, tinham de ser refrigeradas mediante sistemas de ar condicionado. Esse era o caso do ENIAC (sigla de electric numerical integrator and calculator), primeiro computador digital eletrônico de grande porte. Criado por John Presper Eckert e John William Mauchly, em 1946, para solucionar problemas militares, o ENIAC funcionava com 18.000 válvulas.

Em pouco tempo, os transistores substituíram as válvulas eletrônicas, o que aumentou notavelmente a rapidez dos computadores. A microeletrônica permitiu depois que se incorporassem numa pequena pastilha, que recebeu o nome de circuito integrado, ou chip, todos os elementos da unidade central de processamento, ou processador, de um computador. Os microcomputadores, baseados em microprocessadores de um único chip, são cada vez mais potentes e acessíveis, e seu emprego estende-se às mais diversas aplicações.

Na evolução dos equipamentos de informática tornou-se habitual referir-se às etapas de desenvolvimento como "gerações", embora nem sempre haja acordo quanto a seu número ou quanto aos critérios utilizados em sua diferenciação. De modo geral, admite-se a existência de cinco gerações. A primeira, que foi empregada de 1945 ao fim da década de 1950, caracterizou-se pelo uso de válvulas eletrônicas. A invenção do transistor e sua incorporação aos computadores marcam o início da segunda geração da informática, que por sua vez abriu caminho, em meados da década de 1960, à terceira geração, caracterizada pela incorporação dos circuitos impressos. Com o desenvolvimento dos circuitos integrados miniaturizados (microprocessadores), no fim dessa mesma década, apareceram no mercado os computadores chamados de quarta geração. Finalmente, os computadores de quinta geração, em cujo desenvolvimento -- tanto no terreno tecnológico quanto no teórico (inteligência artificial) -- trabalhava-se intensamente desde inícios da década de 1980, seriam capazes de realizar atividades intelectuais similares às do ser humano, ou seja, de certo modo reproduzem processos tidos como próprios do raciocínio.

Teoria matemática da computação

O grande volume de operações efetuadas pelos computadores e a velocidade de solução dos problemas propostos exigem dessas máquinas uma estrutura material complexa, mas os princípios matemáticos que regem essas operações são simples e se fundamentam no sistema de numeração binário.

Sistema decimal e sistema binário. Existem tantos sistemas de numeração quanto números de um único algarismo. Assim, pode-se falar de sistemas binário, terciário, decimal etc. O mais utilizado é o sistema decimal, no qual se utilizam dez algarismos para representar todos os números, que podem também ser expressos em potências de dez.

Por exemplo, vejamos o número 37. No sistema decimal a primeira casa, da direita para a esquerda, é a das unidades; a segunda, a das dezenas; a terceira, das centenas; a quarta, dos milhares, e assim por diante. O 7, em 37, representa sete unidades ou sete "uns". O 3, na coluna seguinte da esquerda, representa três vezes dez, ou trinta. Assim:
10.000 1.000 100 10 1
______________________________
0 0 0 3 7
O sistema binário, que usa somente o 1 e o 0, baseia-se em método idêntico, exceto que cada casa equivale a somente duas vezes o valor de "um" a sua direita. Para escrever 37 no sistema binário, coloca-se 1 nas colunas que somam 37 e 0 nas restantes. A resposta é 100101 (pois 32 + 4 + 1 = 37). Assim:
32 16 8 4 2 1
____________________________
1 0 0 1 0 1
O sistema binário, que foi empregado na antiguidade pelos chineses, constitui na atualidade o sistema básico das diferentes linguagens da informática. Nele, todos os números podem ser expressos como potências de dois por combinações dos algarismos 0 e 1 apenas. Os componentes de um computador, usados para armazenamento e processamento, trabalham com um princípio bastante simples. Eles só têm dois estados possíveis, tal como uma lâmpada comum -- acesa e apagada. Nos computadores, "acesa" representa 1 e "apagada", 0. Diversas combinações de "uns" e "zeros" podem representar números ou letras. As equivalências entre números decimais e binários são:
1 1 5 101 9 1001
2 10 6 110 10 1010
3 11 7 111 11 1011
4 100 8 1000 12 1100
Para o número decimal 93.645, por exemplo, tem-se:
9 3 6 4 5
1001 0011 0110 0100 0101
De forma análoga, o número decimal 251 pode ser representado como potências de dez:
2 x 102 + 5 x 101 + 1 x 10
ou como potências de dois, na forma binária:
1 x 27 + 1 x 26 + 1 x 25 + 1 x 24 + 1 x 23 + 0 x 22 + 1 x 21 + 1 x 2 (ou 11111011).
Operações no sistema binário. Como se pode observar, à facilidade de representar todos os números com apenas dois algarismos se opõe a dificuldade de trabalhar com números de muitos dígitos. Por essa característica, o sistema binário de numeração é adequado ao computador, que efetua cálculos a grande velocidade. A simplicidade das operações aritméticas binárias também recomenda a utilização desse sistema, no qual a soma e a multiplicação se resumem nas seguintes fórmulas:
soma multiplicação
0 + 0 = 0 0 x 0 = 0
0 + 1 = 1 0 x 1 = 0
1 + 0 = 1 1 x 0 = 0
1 + 1 = 10 1 x 1 = 1
Assim, para realizar todas as operações de soma e multiplicação, basta utilizar oito relações básicas, que seriam muito mais numerosas no sistema decimal.

Hardware

Todo sistema de informática consta de duas partes fundamentais e complementares. De um lado, o equipamento físico do sistema, chamado hardware; de outro, o software, ou suporte lógico, denominação que compreende, em sentido amplo, todos os programas (séries de instruções lógicas) que dirigem o funcionamento do computador. Existem também circuitos impressos capazes de conter, de forma permanente, programas e dados. Essa parte do sistema de informática é chamada firmware. Sua principal utilidade é proteger o sistema de cópias e falsificações que possam prejudicar comercialmente a firma que o desenvolveu.

Tipos de computadores. Os modernos computadores dividem-se em dois grandes grupos -- os analógicos e os digitais. Os analógicos operam com grandezas físicas (por exemplo, variações de voltagem) e os digitais fazem-no com valores numéricos.

De emprego muito mais restrito, os computadores analógicos são usados em cálculos nos quais as informações que entram na máquina variam com o tempo, pois uma de suas características essenciais é a facilidade de substituir parte de sua estrutura por um sistema físico real. Com isso, apresentam facilidade de trabalho em tempo real, interagindo perfeitamente com o ambiente, pelo que são amplamente utilizados na aerodinâmica e pilotagem automática de aviões. Os computadores digitais operam com números expressos diretamente como dígitos e executa basicamente cálculos aritméticos e toma decisões lógicas.

Visando a aplicações científicas, existem computadores que combinam as melhores ou mais convenientes qualidades dos computadores analógicos e digitais. As razões para o uso de um sistema híbrido são: combinar a velocidade do computador analógico com a precisão do digital; permitir fácil integração do computador com o ambiente; aumentar a flexibilidade da simulação analógica com o uso da memória e do sistema operacional do computador digital;; aumentar a velocidade da computação digital com o uso de sub-rotinas analógicas; e permitir a entrada de dados tanto em forma contínua como discreta.

Os computadores compõem-se de três elementos principais: a unidade central de processamento (UCP, em inglês CPU), capaz de realizar operações aritméticas e lógicas; a memória, que armazena a seqüência de operações a realizar, os dados, os resultados intermediários e os finais; e os dispositivos de entrada e saída, ou periféricos, que permitem a introdução de programas e dados (input) e a saída de resultados (output).

A unidade básica de informação é o bit (do inglês binary digit), que só pode adotar um entre dois valores: 0 ou 1. No entanto, por meio de codificação e decodificação da informação, também se podem processar os números decimais, os caracteres gráficos habitualmente utilizados na escrita, além de símbolos e sinais procedentes de diversos sensores e dispositivos periféricos.

Denomina-se palavra uma seqüência de bits que contenha uma unidade de informação capaz de ser processada de uma só vez. A palavra é geralmente formada por 8, 16, 32 ou 64 bits. Quanto maior esse número, maior também a potência (velocidade de processamento) de um computador. A palavra pode conter dados independentes entre si. O computador interpreta esse conjunto de bits de acordo com uma codificação previamente estabelecida que pode, assim, ter um significado muito diferente de seu equivalente numérico.

O sistema de codificação é um dos aspectos mais importantes para o processamento da informação. Grande parte desse processamento está centrada na transmissão de informações dentro do sistema: entre diferentes posições da memória, entre o computador e outros dispositivos periféricos a ele conectados, e também entre diferentes computadores. A transmissão de informação deve realizar-se de acordo com convenções estabelecidas, que são chamadas protocolos de comunicação. Com esses recursos é possível não só a transmissão e o intercâmbio da informação, mas também a correção de erros que, embora improváveis, podem ocorrer.

Unidade central de processamento. A CPU lê a informação contida na memória e realiza as operações solicitadas, ativando e desativando os dispositivos de entrada e saída necessários (monitor, impressora, teclado etc.). Compõe-se de uma série de circuitos eletrônicos que incluem diversos elementos, dos quais o principal é o processador. A maioria dos computadores médios e pequenos têm o microprocessador num só chip, o que simplifica seu projeto e fabricação e aumenta seu rendimento.

Muitas das características mais importantes de um computador, como o número de bits que pode processar de uma só vez, a freqüência dos impulsos do relógio, que determina sua rapidez e a quantidade de memória que pode utilizar ou controlar diretamente, são determinadas pelo tipo de processador com que é equipado. Em muitos casos, ao supervisionar todo o trabalho do computador, o processador central pode ficar saturado. Por isso, instalam-se processadores auxiliares especializados em certas atividades, como cálculos matemáticos, gerência da memória ou controle de dispositivos de entrada e saída.

Memória. A memória central de um computador é constituída de chips que se comunicam com a CPU pelo condutor (ou bus) de dados, que é um conjunto de tantos cabos elétricos quantos sejam os bits que formam a palavra no sistema de processamento da CPU. Os chips de memória central podem ser, basicamente, de quatro tipos: RAM, ROM, PROM e EPROM. A RAM (iniciais da expressão em inglês random-access memory, memória de acesso aleatório) é uma memória de acesso direto na qual se podem escrever e apagar dados a qualquer momento. A informação que contém desaparece quando se desliga o computador, mas, devido a sua velocidade e versatilidade, é a que a CPU utiliza mais intensamente. A memória ROM (do inglês read-only memory, memória somente de leitura) permite apenas a leitura dos dados que contém, em geral gravados pelo fabricante e de conteúdo inalterável. Utiliza-se sobretudo para o armazenamento de programas de partida, indicação do número de série do aparelho etc.

As memórias PROM (programmable read-only memory, memória programável somente de leitura) e EPROM (erasable programmable read-only memory, memória apagável e reprogramável somente de leitura) constituem casos particulares da anterior. O usuário pode gravar uma única vez na PROM e várias vezes na EPROM, após apagar seu conteúdo pelo emprego de radiação ultravioleta. O usuário comum não manipula, em geral, esse tipo de dispositivos, que servem para aplicações técnicas muito especializadas.

Dispositivos de entrada e saída. A principal utilidade dos dispositivos de entrada e saída, ou periféricos, é tornar possível a comunicação do computador com o exterior. Sem tais dispositivos o usuário não poderia introduzir dados e instruções no equipamento, nem receber sua resposta. Os dispositivos mais comumente empregados pelo usuário são o teclado, a tela ou monitor, os dispositivos de memória externa (discos e fitas), os mouses, scanners e canetas ópticas e as impressoras e plotters (traçadores de gráficos e quadros).

Dispositivos de memória externa. A memória externa, ou auxiliar, permite o armazenamento de grandes quantidades de informação. Tem a vantagem, em relação à memória RAM, de manter o conteúdo gravado, mesmo ao desligar-se o computador. É também intercambiável entre equipamentos similares ou compatíveis, ou seja, aqueles que são construídos segundo especificações técnicas comuns de comunicação e funcionamento. A memória externa consiste em geral de discos ou fitas magnéticas. Os discos flexíveis, também chamados floppy disks, ou disquetes, são constituídos de uma base circular de material plástico recoberto por uma película de óxido magnético. Para sua proteção, é introduzida num envoltório especial de papelão ou de plástico. São de baixo custo, mas sua capacidade de armazenamento e velocidade de acesso são reduzidas. A maioria dos equipamentos de informática possuem drives (dispositivos de acionamento) para esses disquetes: os microcomputadores pessoais mais antigos, como sistema principal; e os mais modernos, além dos de médio e grande porte, como sistema auxiliar.
Os discos rígidos têm grande capacidade de armazenamento. Neles a superfície magnética não é intercambiável e permanece ligada à cabeça de leitura e ao motor que os faz girar. São construídos segundo várias tecnologias, entre as quais se destaca a dos discos rígidos, em que as cabeças de leitura nunca tocam a superfície magnética, aumentando a rapidez de acesso e a vida útil. Há também discos rígidos intercambiáveis, que costumam apresentar problemas de ajuste, o que diminui sua confiabilidade e capacidade de armazenamento. Tanto os discos flexíveis quanto os rígidos permitem o acesso direto a uma determinada posição mediante um sistema de índices internos. Isso acelera o processo de busca e gravação de dados.

As fitas magnéticas, que surgiram antes, têm velocidade de acesso inferior à dos discos, uma vez que, por sua própria configuração, a busca e a gravação de dados se realizam de modo seqüencial. Atualmente são usadas principalmente como suporte de cópias de segurança (back-up) de material armazenado em discos. Além dos discos e das fitas magnéticas, os sistemas recorrem a suportes ópticos como o disco compacto (compact disc), que permite o armazenamento de quantidades imensas de informação e sua leitura a velocidades muito altas. Juntamente com a central e a externa existem outros tipos de memória (Ramdisk, Buffer, Cache etc.), que servem para evitar o repetido acesso àquelas, favorecendo com isso uma maior rapidez de operação do computador.

A unidade que serve de medida da capacidade de memória de um dispositivo de informática é o byte, formado na maioria dos casos por oito bits. A combinação destes -- formando os números binários que se podem obter com oito bits -- permite a criação de códigos com um máximo de 256 caracteres. O mais difundido desses códigos é o ASCII (American Standard Code for Information Interchange, código-padrão americano para o intercâmbio de informação).

Telas. O periférico de saída de computador mais comum é a tela, seja de televisão ou de um monitor de vídeo. Os diferentes modelos de tela podem ser monocromáticos ou em cores, e sua capacidade de representação de caracteres é muito variável. Existe ainda a chamada touch-screen, na qual um toque na tela exerce o mesmo efeito que o uso do teclado ou mouse.
Impressoras. Os dispositivos básicos de saída são as impressoras e os traçadores de gráficos (plotters), que permitem representar sobre papel os resultados das operações realizadas pelo computador. As impressoras mais comuns são as matriciais, as de margarida e as a laser. As matriciais dispõem de um cabeçote com certo número de pequenos pinos. A configuração dos pinos que a cada impulso batem na fita de impressão, e esta no papel, determina a forma do caráter impresso. Essas impressoras podem imprimir algumas centenas de caracteres por segundo, de acordo com o modelo. As impressoras de margarida usam um dispositivo que lembra essa flor, em que cada "pétala" é uma haste que tem na extremidade externa, em relevo, um caráter, como nos tipos de máquina de escrever. São relativamente lentas, mas sua impressão é de grande qualidade. As impressoras a laser são impressoras matriciais de grande densidade de pontos, em que os pinos foram substituídos por raios laser. Elas conjugam a qualidade com a rapidez na impressão.

Outros dispositivos de entrada e saída. Existem muitos outros periféricos que podem ser conectados ao computador. O meio pelo qual se realiza essa conexão chama-se interface, e seu funcionamento é regulado por um protocolo de comunicação que deve ser o mesmo para o computador e o periférico. Um exemplo típico é o modem, abreviatura de modulador-demodulador, com o qual um pequeno computador doméstico pode comunicar-se com outros, inclusive muito maiores e mais complexos, por linha telefônica. Segundo o mesmo princípio de interconexão podem-se formar redes locais, que são conjuntos de computadores capazes de intercambiar dados e de compartilhar periféricos.

O computador é o mecanismo de controle ideal para muitos processos automatizados. A maior parte dos instrumentos de medida, como termômetros, dinamômetros, voltímetros e muitos outros podem ser conectados a computadores, que registram e analisam suas medidas.

Software

Seja qual for a complexidade de seu hardware, um sistema de informática necessita de outro componente, o software, ou suporte lógico, sem o qual o computador seria incapaz de realizar tarefa alguma, por mais simples que fosse. O software compreende basicamente os sistemas operacionais, as linguagens de programação e os programas propriamente ditos.

Sistema operacional. O sistema operacional é o gerenciador e organizador de todas as atividades realizadas pelo computador. Estabelece as regras pelas quais se trocam informações entre a memória central e a externa, e determina as operações elementares que o processador pode realizar. O sistema operacional deve ser carregado na memória central antes de qualquer outra informação, o que reduz a memória disponível para o usuário em grau que varia segundo a complexidade do sistema e as opções que ofereça. Para evitar que a memória central disponível nos computadores pessoais seja insuficiente para carregar o sistema operacional, foram desenvolvidos os chamados sistemas operacionais de disco (disk-operating systems ou DOS), em que se armazenam em discos, em forma de programas, certas funções que, em computadores mais avançados, estão disponíveis diretamente na memória central. O sistema operacional organiza também as comunicações do computador com o exterior, controlando os periféricos e as prioridades de diferentes tarefas e usuários que o sistema deve atender simultaneamente.
Linguagens de programação. Os programas indicam ao computador a tarefa a realizar e como efetuá-la, mas para isso é preciso codificar essas ordens numa linguagem que o sistema possa entender. Em princípio, o computador só entende instruções expressas num código específico chamado código de máquina. A partir desse código elaboram-se as chamadas linguagens de alto e de baixo nível.

As linguagens de baixo nível utilizam códigos muito parecidos com os de máquina, o que possibilita a elaboração de programas muito potentes e rápidos. São, no entanto, difíceis de aprender. As linguagens de alto nível são, ao contrário, muito mais fáceis de usar, pois nelas um só comando ou instrução pode equivaler a milhares em código de máquina. O programador escreve seu programa numa dessas linguagens, sob a forma de seqüências de instruções. Antes de executar o programa, o computador o traduz para o código de máquina de uma só vez (linguagens compiladoras) ou interpreta instrução por instrução (linguagens intérpretes).
Entre as linguagens em uso, podem ser citadas as seguintes:
(1) Fortran (Formula translation system). Criado em meados da década de 1950, o Fortran ainda era, na década de 1990, a linguagem mais usada para aplicações técnico-científicas.
(2) Cobol (Common business-oriented language). Criado em 1959, a Cobol é a linguagem mais usada no comércio e na indústria.
(3) basic (Beginner's all-purpose symbolic instructions Code). Criado em 1963 para usuários que não fossem programadores profissionais, a linguagem Basic é de aprendizado simples e de uso barato. Por isso logo conquistou grande aceitação, principalmente depois que os microcomputadores entraram no mercado e que se superaram certas dificuldades que limitavam a velocidade do processamento com ela.
Programas. Denomina-se programa o conjunto de instruções transmitidas a um computador -- mediante uma linguagem qualquer de programação -- para a execução de uma tarefa específica. Diz-se, assim, que um programa é de contabilidade, ou de administração etc. É dispensável que o usuário conheça uma linguagem e que elabore seus próprios programas, já que a cada dia aparecem no mercado mais programas, destinados a diferentes finalidades, para cuja utilização bastam algumas noções mínimas de informática. Entre os de uso mais generalizado estão os processadores de texto, as planilhas de cálculo, os bancos de dados, os programas gráficos, de editoração eletrônica etc.

Informática nas sociedades modernas

As aplicações da informática transformaram profundamente e continuam transformando quase todas as atividades humanas. Assim, além de sua importância fundamental para o cálculo e para as tarefas administrativas, primeiras finalidades para que foi orientada, a informática converteu-se numa excepcional ferramenta de trabalho em terrenos tão diversos quanto as comunicações, o ensino, a medicina e a saúde, o desenho industrial, a automação, a editoração e as artes gráficas.

Seus contínuos progressos, bem como o constante barateamento dos equipamentos de informática, abriram caminho para a chamada informática doméstica. Com o uso dos computadores pessoais, a informática deixou de ser um terreno reservado aos especialistas e profissionais, e se faz cada vez mais presente na vida cotidiana, o que, entre outras vantagens, abre acesso a quantidades cada vez maiores de informação.

A informatização generalizada de todas as atividades humanas trouxe à discussão, desde a década de 1970, questões referentes a dois temas importantes: a violação de privacidade e o desemprego causado pela automação dos processos industriais. Não obstante, a mesma revolução tecnológica que causou o desemprego exige paralelamente a incorporação ao mercado de trabalho de mão-de-obra cada vez mais especializada. A criação de grandes bancos de dados, públicos ou privados, onde podem ser armazenadas informações sobre os cidadãos de um país, levou vários governos a regulamentar o acesso a esse tipo de informação, para proteger o direito das pessoas à privacidade.


©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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segunda-feira, 30 de março de 2009

Computador

 

INTRODUÇÃO

Computador, dispositivo eletrônico capaz de receber um conjunto de instruções e executá-las realizando cálculos sobre dados numéricos ou compilando e correlacionando outros tipos de informação.

TIPOS DE COMPUTADORES

Atualmente, utilizam-se dois tipos principais de computadores: analógicos e digitais. Os computadores analógicos aproveitam a semelhança matemática entre as inter-relações físicas de determinados problemas e empregam circuitos eletrônicos ou hidráulicos para simular o problema físico. Os computadores digitais resolvem os problemas realizando cálculos e tratando cada número, dígito por dígito.

COMPUTADORES ANALÓGICOS

O computador analógico é um dispositivo eletrônico ou hidráulico desenhado para manipular a entrada dos dados em termos de níveis de tensão ou pressões hidráulicas, em vez de dados numéricos. O dispositivo de cálculo analógico mais simples é a régua de cálculo, que utiliza comprimentos de escalas especialmente calibradas para facilitar a multiplicação, a divisão e outras funções. No computador analógico eletrônico típico, as entradas se convertem em tensões que podem ser somadas ou multiplicadas empregando elementos de circuito de desenho especial. As respostas são geradas continuamente para sua visualização ou para sua conversão em outra forma desejada.

COMPUTADORES DIGITAIS

O funcionamento de um computador digital se baseia em uma única operação: a capacidade de determinar se um comutador, ou porta, está aberto ou fechado, isto é, o computador pode reconhecer apenas dois estados em qualquer um de seus circuitos microscópicos: aberto ou fechado, alta ou baixa tensão ou, no caso de números, 0 ou 1. Entretanto, é a velocidade com que o computador realiza esse ato tão fácil que o converte em uma maravilha da tecnologia. As velocidades do computador se medem em megahertz ou milhões de ciclos por segundo. Os microcomputadores podem executar entre 150 e 200 milhões de operações por segundo, enquanto os supercomputadores utilizados em atividades de pesquisa e de defesa alcançam velocidades de bilhões de ciclos por segundo.

HISTÓRIA

A primeira máquina de calcular mecânica, um precursor do computador digital, foi inventada em 1642 pelo matemático francês Blaise Pascal. Em 1670, o filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz aperfeiçoou essa máquina e inventou uma que também podia multiplicar.

O inventor francês Joseph Marie Jacquard, ao desenhar um tear automático, utilizou finas placas de madeira perfuradas para controlar o tecido utilizado nos desenhos complexos. Durante a década de 1880, o estatístico norte-americano Herman Hollerith concebeu a idéia de utilizar plaquetas perfuradas, similares às placas de Jacquard, para processar dados.

A MÁQUINA ANALÍTICA

Também no século XIX, o matemático e inventor britânico Charles Babbage elaborou os princípios do computador digital moderno. Inventou uma série de máquinas, como a máquina diferencial, desenhadas para solucionar problemas matemáticos complexos. Muitos historiadores consideram Babbage e sua parceira, a matemática britânica Augusta Ada Byron (1815-1852), filha do poeta inglês Lorde Byron, como os verdadeiros inventores do computador digital moderno. A tecnologia daquela época não era capaz de colocar em prática seus conceitos; porém, uma de suas invenções, a máquina analítica, já tinha muitas das características de um computador moderno.

PRIMEIROS COMPUTADORES

Os computadores analógicos começaram a ser construídos em princípios do século XX. Com essas máquinas se avaliavam as aproximações numéricas de equações muito difíceis para serem resolvidas mediante outros métodos. Durante as duas guerras mundiais, utilizaram-se sistemas de informática analógicos, primeiro mecânicos e, mais tarde, elétricos, para predizer a trajetória dos torpedos e para o manejo à distância das bombas na aviação.

COMPUTADORES ELETRÔNICOS

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), criou-se o primeiro computador digital totalmente eletrônico: o Colossus. Foi utilizado para decodificar as mensagens de rádio cifradas dos alemães. Em 1939, John Atanasoff e Clifford Berry já haviam construído um protótipo de máquina eletrônica no Iowa State College (EUA). Esse protótipo e as investigações posteriores foram realizadas no anonimato e, mais tarde, foram eclipsados pelo desenvolvimento do Calculador e Integrador Numérico Digital Eletrônico (ENIAC), em 1945. No final da década de 1950, o uso do transistor nos computadores marcou o advento de elementos lógicos menores, mais rápidos e mais versáteis do que as máquinas com válvulas. Como os transistores utilizam menos energia e têm uma vida útil mais prolongada, seu desenvolvimento deveu-se ao nascimento de máquinas mais perfeitas, que foram chamadas computadores de segunda geração.

CIRCUITOS INTEGRADOS

No final da década de 1960, apareceu o circuito integrado (CI), que possibilitou a fabricação de vários transistores em um único substrato de silício no qual os cabos de interconexão são soldados. Em meados da década de 1970, o microprocessador se converteu em realidade, com a introdução do circuito de integração em grande escala (LSI, sigla de Large Scale Integrated) e, mais tarde, com o circuito de integração em maior escala (VLSI, sigla de Very Large Scale Integrated), com vários milhares de transistores interconectados soldados sobre um único substrato de silício.

HARDWARE

Um sistema de informática pode ser composto de uma unidade central de processamento (UCP), de dispositivos de entrada, de dispositivos de armazenamento e de dispositivos de saída. A UCP inclui uma unidade aritmética e lógica (UAL), registros, unidade de controle e conexão ao barramento. A unidade aritmética e lógica efetua as operações aritméticas e lógicas sobre os dados. Os registros armazenam temporariamente os dados e os resultados das operações. A unidade de controle regula e controla as diversas operações de processamento. O barramento interno conecta as unidades da UCP entre si e com os componentes externos do sistema. Na maioria dos computadores, o principal dispositivo de entrada é o teclado. Os dispositivos de armazenamento são os discos rígidos, flexíveis (disquetes) e laser (CD); os dispositivos de saída, que permitem ver os dados processados, são os monitores e as impressoras.

Todos os computadores digitais modernos são conceitualmente semelhantes, independente de seu tamanho. No entanto, podem se dividir em várias categorias, segundo seu preço e capacidade de processamento: o computador pessoal, ou microcomputador, é uma máquina de custo relativamente baixo e, em geral, de tamanho adequado para um escritório; a estação de trabalho é um microcomputador com capacidade de comunicação que o torna especialmente útil para o trabalho de escritório; o minicomputador é um computador de maior capacidade de processamento, muito caro para uso pessoal e mais adequado para uso em empresas, universidades ou laboratórios; e o mainframe, uma grande máquina de preço elevado capaz de servir às necessidades de grandes empresas, departamentos governamentais, instituições de pesquisa científica e similares.

UCP (UNIDADE CENTRAL DE PROCESSAMENTO)

A UCP pode ser um único chip ou uma série de chips que realizam cálculos aritméticos e lógicos e que controlam as operações dos demais componentes do sistema. Um chip é uma plaqueta de silício, de tamanho muito reduzido, que inclui parte dos circuitos miniaturizados e contém elementos semicondutores como diodos e circuitos integrados.

A maioria dos chips de UCP dos microprocessadores é composta de quatro seções funcionais: uma unidade aritmética e lógica, áreas de registro, uma unidade de controle e um barramento interno. A unidade aritmética e lógica é responsável pela execução dos cálculos, permitindo a realização de operações aritméticas e lógicas. As áreas de registro são usadas para o armazenamento de dados e resultados. A seção de controle temporiza e regula as operações da totalidade do sistema de informática, lê as configurações dos dados e as converte em uma atividade. O último segmento de um chip da UCP ou microprocessador é seu barramento interno, uma rede de linhas de comunicação que conecta os elementos internos do processador e que também se comunica com os conectores externos que ligam o processador aos demais elementos do sistema de informática.

DISPOSITIVOS DE ENTRADA

Esses dispositivos permitem ao usuário do computador introduzir dados, comandos e programas na UCP. O dispositivo de entrada mais comum é um teclado similar ao das máquinas de escrever. A informação introduzida com ele é transformada pelo computador em símbolos reconhecíveis. Outros dispositivos de entrada são as canetas óticas, que transmitem informações gráficas da mesa digitalizadora até o computador; o joystick e o mouse, que convertem o movimento físico externo em movimento do cursor dentro de uma tela do computador; os scanners luminosos, que lêem palavras ou símbolos de uma página impressa e os traduzem para informações eletrônicas que o computador pode manipular e armazenar; e os módulos de reconhecimento de voz, que convertem a palavra falada em sinais digitais compreensíveis para o computador. Também é possível utilizar os dispositivos de armazenamento para introduzir dados na unidade de processamento.

DISPOSITIVOS DE ARMAZENAMENTO

Os sistemas de informática podem armazenar os dados tanto interna (na memória principal) como externamente (nos dispositivos de armazenamento). Internamente, as instruções ou dados podem ser armazenados temporariamente nos chips de silício da memória RAM (memória de acesso aleatório), montados diretamente na placa-mãe do computador ou em chips montados em placas periféricas conectadas à placa-mãe.

Outro tipo de memória interna são os chips de silício nos quais já estão instalados todos os comutadores. As configurações nesse tipo de chip de ROM (memória somente leitura) formam os comandos, os dados ou os programas de que o computador necessita para funcionar corretamente. Os chips de RAM são como pedaços de papel nos quais se pode escrever, apagar e voltar a utilizar; os chips de ROM são como um livro, com as palavras já impressas em cada página.

Os dispositivos de armazenamento externos, que podem residir fisicamente dentro do gabinete que contém a unidade central de processamento do computador, estão fora da placa-mãe. Esses dispositivos armazenam os dados em forma de pólos sobre um meio magneticamente sensível como, por exemplo, uma fita de som ou, mais comumente, sobre um disco revestido de uma fina camada de partículas ferromagnéticas. Os dispositivos de armazenamento externo mais comuns são os disquetes e os discos rígidos, embora a maioria dos grandes sistemas de informática utilizem bancos de unidades de armazenamento em fita magnética. A tecnologia de CD-ROM, que emprega as mesmas técnicas laser utilizadas para criar os CDs de música, permite capacidades de armazenamento da ordem de várias centenas de megabytes de dados.

DISPOSITIVOS DE SAÍDA

Esses dispositivos permitem ao usuário ver os resultados dos cálculos ou das manipulações dos dados do computador.

SISTEMAS OPERACIONAIS

O sistema operacional é o programa de controle de um computador, responsável pela interface entre os programas utilitários e o hardware e pelo tratamento das solicitações de interrupção. Através do sistema operacional, um usuário pode ter acesso aos diversos recursos e periféricos de um computador. Em algumas plataformas, o sistema operacional é armazenado de forma permanente no computador em um chip de ROM; em outras, deve ser carregado na memória principal (RAM) a partir de um dispositivo de armazenamento externo.

Alguns dos sistemas operacionais de aplicações genéricas mais conhecidos são o DOS, Windows, OS-2, Linux, MacOS e o Unix.

PROGRAMAÇÃO

Um programa é uma seqüência de instruções que indicam ao hardware que operação deve ser realizada com os dados. Os programas podem estar incorporados no próprio hardware (em chips de ROM, por exemplo) ou podem existir de maneira independente em forma de software, armazenado em memória secundária.

LINGUAGENS

As instruções devem ser dadas à UCP em forma de um código inteligível. As linguagens de programação são a ferramenta mais fácil e rápida para se criar e manipular as instruções a serem executadas pelo computador, transformando-as em linguagem de máquina executável.

LINGUAGEM DE MÁQUINA

É a linguagem própria do computador. Baseada no sistema binário ou código de máquina, é muito difícil para ser utilizada diretamente pelas pessoas. O programador deve introduzir todos os comandos e dados em forma binária, o que faz com que uma operação fácil como comparar o conteúdo de um registro com os dados situados em um endereço da memória RAM possa ter o seguinte formato: 11001010 00010111 11110101 00101011. A programação em linguagem de máquina é uma tarefa tediosa e consome muito tempo, de modo que, raras vezes, o que se economiza na execução do programa justifica os dias ou semanas necessárias para escrevê-lo.

LINGUAGEM ASSEMBLY

Um dos métodos inventados pelos programadores para reduzir e simplificar o processo de criação em linguagem de máquina é a programação com linguagem de montagem (assembly). No entanto, um programa escrito em linguagem assembly deve ser utilizado em um único modelo de UCP ou microprocessador, pois o assembly é baseado no conjunto de instruções disponíveis para um processador específico. Isso tem levado ao desenvolvimento de linguagens de alto nível.

LINGUAGENS DE ALTO NÍVEL

As linguagens de alto nível geralmente utilizam termos do idioma inglês, do tipo LIST, PRINT ou OPEN, como comandos que representam uma seqüência de dezenas ou centenas de instruções em linguagem de máquina. Os comandos são introduzidos a partir do teclado, de um programa residente na memória ou de um dispositivo de armazenamento e são compilados ou interpretados para que possam ser executados pelo computador.

EVOLUÇÃO FUTURA

Uma tendência constante no desenvolvimento dos computadores é a super miniaturização dos circuitos eletrônicos, iniciativa que tende a comprimir mais elementos de circuitos num espaço de chip cada vez menor. Ademais, os pesquisadores tentam agilizar o funcionamento dos circuitos mediante o uso da supercondutividade, um fenômeno de diminuição da resistência elétrica que se observa quando algumas ligas metálicas são submetidas a temperaturas muito baixas.

As redes de informática são cada vez mais importantes no desenvolvimento da tecnologia dos computadores. As redes são grupos de computadores interconectados mediante sistemas de comunicação. A rede pública Internet é um exemplo de rede de informática de âmbito mundial. As redes permitem que os computadores conectados troquem informações rapidamente e, em alguns casos, compartilhem uma carga de trabalho, de modo que muitos computadores possam cooperar na realização de uma tarefa.

Outra tendência no desenvolvimento dos computadores é o esforço para criar computadores de quinta geração, capazes de resolver problemas complexos de maneiras que possam chegar a ser consideradas criativas. Uma via que se está explorando ativamente é o computador de processamento paralelo, que emprega muitas UCPs para realizar várias tarefas diferentes ao mesmo tempo. O processamento paralelo poderia chegar a reproduzir até certo ponto as complexas funções de realimentação, aproximação e avaliação que caracterizam o pensamento humano. Outra forma de processamento paralelo que se está investigando é o uso de computadores moleculares. Nesses computadores, os símbolos lógicos são expressos por unidades químicas de ADN, em vez de o serem pelo fluxo de elétrons habitual nos computadores atuais. Os computadores moleculares poderiam chegar a resolver problemas complicados muito mais rapidamente que os atuais supercomputadores e com menor consumo de energia.

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domingo, 29 de março de 2009

Novo roteador permite mais velocidade

 

Os roteadores e a maioria dos equipamentos wireless, atualmente, usam a especificação 802.11. Esse padrão foi adotado em 1999 por um consórcio de empresas para facilitar a compatibilidade.


A organização adotou o nome Wi-Fi, que acabou virando um sinônimo para redes sem fios.


Um sistema de letras identifica os avanços tecnológicos no Wi-Fi. O B, primeiro a se popularizar, tem velocidade de 11 Mbps, com 30 metros de alcance em média.


O padrão G, mais utilizado atualmente, tem velocidade de 54 Mbps (valor que dobra para 108 Mbps no caso do super G) e alcance médio de 150 metros.


O padrão mais avançado é o N, lançado em 2007. A velocidade passa para 300 Mbps. Em alguns roteadores o sinal chega até os 500 metros. Os padrões mais avançados são compatíveis com os anteriores, mas não basta trocar o roteador: o aparelho que vai acessar a rede sem fio deve ser compatível com o padrão N para que ele usufrua de toda a capacidade.


A velocidade extra, porém, é praticamente irrelevante quando se trata da conexão com a internet, já que os planos residenciais geralmente não passam dos 12 Mbps.


Optar por roteadores de padrão N, portanto, vale mais a pena se o problema for mesmo a distância do sinal.
Também é válido se o objetivo for aumentar a velocidade da rede sem fio para melhorar a troca de dados entre computadores ou transmitir conteúdo do computador para uma TV, por exemplo.

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sábado, 28 de março de 2009

Dicionário Houaiss: Informática

n substantivo feminino
Rubrica: informática.
ramo do conhecimento dedicado ao tratamento da informação mediante o uso de computadores e demais dispositivos de processamento de dados

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Ultra portable Sony VAIO P-series laptop


Ultra portable Sony VAIO P-series laptop, upload feito originalmente por Sony Europe.

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quinta-feira, 26 de março de 2009

Henri Piéron

(1881-1964), psicólogo francês que contribuiu amplamente para o desenvolvimento da psicologia científica.

Nascido em Paris, forma-se em Filosofia e depois faz seu doutorado em Medicina, em 1912. Torna-se assistente de Pierre Janet e orienta-se para a psicofisiologia. Em 1920, funda o Instituto de Ppsicologia da Sorbonne, ocupando, a seguir, a cadeira de psicologia das sensações, no Collège de France, de 1923 a 1952.

Dedicou suas pesquisas à psicologia experimental, estudando tanto os homens quanto os animais (Psychologie zoologique, 1941), e insistindo sempre na necessidade de aproximar a psicologia da fisiologia. Esta vontade transparece em suas experiências sobre a memória, onde atribui a mesma importância à adaptação e aos fenômenos hereditários (Évolution de la mémoire, 1910), ou sobre o sono (le Problème physiologique du sommeil, 1913). Rejeita a introspeção e privilegia a objetividade da sensação: la Sensation, guide de la vie (1945) é sua obra principal. Piéron também é o fundador do Instituto Nacional de Orientação Profissional (1928), tema sobre o qual escreveu Examens et Docimologie (1963).

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Você Não tem Consciencia?

Consciência não há uma definição simples e consensual da consciência. Certas definições têm uma orientação tautológica (por exemplo, identificar a consciência como o estado de vigília) ou puramente descritiva (a consciência como conjunto de percepções, pensamentos ou sentimentos). Embora tenha sido o principal tema de pesquisa da psicologia durante bastante tempo, logo caiu no esquecimento para ressurgir, atualmente, como uma área em constante debate, mais especificamente no que se refere ao estudo dos estados alterados de consciência.
Ficou demonstrado que os indivíduos são responsáveis diretos por suas ações e seu comportamento. A memória e as lembranças são armazenadas de forma organizada e não ao acaso. Todo um ramo recente da psicologia, a psicologia cognitiva, estuda esses aspectos. A psicologia infantil pesquisa, em profundidade, como se percebe ou interpreta o mundo nas distintas etapas de desenvolvimento. No comportamento animal, investigam-se as diferentes características que moldaram cada espécie animal para responder de forma adaptativa ao meio. Os psicólogos de orientação humanística ressurgiram depois de um prolongado silêncio. Com o aparecimento da psicologia clínica e industrial, conferiu-se uma grande importância ao estado de consciência do indivíduo em função de seus pensamentos e de seus sentimentos cotidianos. Embora o papel da consciência, com freqüência, tenha sido relegado em favor das motivações e pulsões do subconsciente, a linha atual de investigação propõe o estudo e a compreensão da natureza dos distintos estados de consciência.

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terça-feira, 24 de março de 2009

Psicometria


A maturidade de uma ciência se mede, em grande parte, por sua capacidade de expressar leis em linguagem matemática e de estabelecer mecanismos dedutivos. Assim, a aplicação dos testes psicométricos,  iniciada no início do século XX, contribuiu para que a psicologia ascendesse à categoria de ciência.


Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de mensuração aos fenômenos psíquicos. As medições se fazem mediante a atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores numéricos.


Abordagem histórica. Os primeiros estudos sistemáticos de mensuração psicológica datam do final do século XIX e se desenvolveram com base na matemática das probabilidades, sob influência de duas correntes: a primeira delas que deu origem à psicofísica constituiu uma tentativa de aplicação dos métodos das ciências físicas à mente humana. A segunda, que levou à criação dos testes psicológicos, visava à criação de métodos de mensuração da estabilidade emocional e da inteligência.


Inicialmente, os testes foram desenvolvidos no Reino Unido, Alemanha, França e Estados Unidos. No Reino Unido, foram aplicados para estudo científico da relação existente entre as diferenças individuais e a hereditariedade e, mais tarde, para pesquisar a natureza da inteligência. Na Alemanha, serviram de instrumento para estudos experimentais de psicopatologia, especialmente na área da educação. Os franceses Alfred Binet e Théodore Simon apresentaram, no início do século XX, a primeira escala de inteligência para crianças em idade escolar. Após uma revisão dessa escala, determinou-se a inteligência média para cada idade específica e se denominou "idade mental" o mais alto nível de desempenho apresentado por uma criança de cada idade. Mais tarde, William Stern sugeriu que a idade mental fosse dividida pela idade cronológica, tese que deu origem ao conceito de quociente de inteligência, ou QI.


Nos Estados Unidos, a expressão "teste mental" apareceu pela primeira vez num artigo de James McKeen Cattell, em 1890. Durante a primeira guerra mundial, a necessidade de rápida classificação de recrutas fez com que um comitê da American Psychological Association, coordenado por Robert Mearns Yerkes, adotasse testes coletivos de inteligência, denominados Army Alpha e Army Beta. Aperfeiçoados por Arthur Otis, geraram outros testes coletivos para crianças e adultos. Na mesma época, surgiram os testes ditos "de personalidade" e o teste de psicodiagnóstico, elaborado em dez manchas de tinta e popularizado com o nome de Rorschach, criado pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach.


Uma contribuição decisiva para a utilização racional dos métodos matemáticos em psicologia foi dada pelo matemático britânico Ronald Fisher, que criou procedimentos experimentais que permitem verificar várias hipóteses simultaneamente. A construção, validação e aplicação rotineira dos testes psicológicos se basearam nos progressos da matemática e da estatística.


Métodos e técnicas. A psicometria implica basicamente duas atividades: a quantificação de fenômenos psicológicos, sob forma de variáveis descritivas correspondentes às características dos indivíduos estudados, e a manipulação desses dados para obtenção de resultados numéricos. As relações entre os dados quantificados devem manter correspondência com as relações empiricamente verificáveis, uma vez que toda aplicação psicométrica supõe adoção prévia de enfoque experimental e de interpretação psicológica da linguagem matemática.


Entre os métodos de mensuração adotados encontra-se a escala de medida, seqüência numérica cujos elementos se encontram em correspondência biunívoca com traços psicológicos dos sujeitos estudados, detectados empiricamente. Dentre os diversos tipos de escala destacam-se as seguintes: (1) escalas nominais, utilizadas para quantificar dados que mantêm seu caráter qualitativamente singular e não permitem, por si mesmos, inferências matemáticas, como lugar de nascimento, por exemplo; (2) escalas ordinais, que permitem ordenação dos sujeitos quanto a traços determinados; (3) escalas de intervalos, utilizadas para comparar a diferença que existe entre os distintos níveis de uma determinada característica manifesta em cada sujeito estudado; e (4) escalas de razão, mediante as quais são medidas essas diferenças com alguma unidade arbitrária de medida. Existe ainda a técnica estatística chamada correlação, usada para verificar o grau com que dois traços psicológicos, ou quaisquer duas outras qualidades, variam juntos.


Outra técnica usada é a análise fatorial, que constitui um ramo da estatística e surgiu com a finalidade de fornecer modelos matemáticos para a explicação de teorias do comportamento e da capacidade. Consiste no estudo estatístico de fatores como a compreensão e fluência verbal, capacidade de operar números, memória associativa, rapidez na percepção e raciocínio lógico.
Todo esse trabalho teórico de construção e validade dos testes conduziu a sua aplicação em diversos campos, como educação, defesa, empresas industriais e de serviços, orientação profissional, seleção de pessoal, qualificação para funções de chefia, exame clínico e muitos outros fins.


A validação das técnicas psicométricas incorporadas nos testes de inteligência levou a sua aplicação também nos testes de personalidade. Nessa área destacam-se Clark L. Hull, com a teoria de emparelhamento a ser aplicada nas classificações de personalidade, as provas de introversão e extroversão de Sigmund Freud e a de reação de domínio e submissão de Gordon W. Allport.


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segunda-feira, 23 de março de 2009

Behaviorismo

 

Behaviorismo é a corrente da psicologia que defende o emprego de procedimentos estritamente experimentais para estudar o comportamento (conduta), considerando o ambiente como um conjunto de estímulos.

No começo do século XX, John B. Watson propôs estudar a psicologia empregando somente procedimentos objetivos para estabelecer resultados estatisticamente válidos. Este enfoque levou-o a formular a teoria psicológica do estímulo-resposta: todas as formas de comportamento podem ser analisadas como cadeias de respostas simples que podem ser observadas e medidas.

Até 1950, B.F.Skinner baseou suas teorias em experiências de laboratório e não em observações introspectivas. Contudo, seu enfoque era mais radical e diferenciava-se de Watson no que dizia respeito aos fenômenos internos, como os sentimentos, que não deveriam ser elementos de estudo.

Desde então, os psicólogos behavioristas se preocuparam em compreender como aparecem e se mantêm as diferentes formas de comportamento: as interações, as mudanças ou as condições que prevalecem sobre a conduta. Assim mesmo, aplicam estes princípios em casos práticos (de psicologia clínica, social, educativa ou industrial), impulsionando o desenvolvimento das terapias de modificação de comportamento.

O behaviorismo atual introduziu o emprego do método experimental para o estudo de casos individuais e demonstrou que estes princípios são úteis para resolver problemas práticos em diversas áreas da psicologia aplicada.

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domingo, 22 de março de 2009

Doenças Psicossomáticas

Diversos tipos de problemas gastrointestinais, afecções dermatológicas e alterações neurovegetativas são alguns dos transtornos orgânicos que têm origem em desequilíbrios dos processos mentais.

Doenças psicossomáticas são todos os processos orgânicos patológicos de origem psicológica, causados por estresse, ansiedade, depressão etc. Esses fatores determinam uma ativação inadequada do sistema neurovegetativo e das glândulas endócrinas. Sua repetição pode levar a alterações crônicas, tanto funcionais como anatômicas, dos sistemas orgânicos.

A medicina moderna passou a estudar a estreita relação existente entre a esfera psíquica e o funcionamento do organismo no início do século XX, com a patologia funcional de Ernest von Bergmann e as correntes personalistas e antropológicas de Ludolf von Krehl, Richard Siebeck e Viktor Weizsäcker. A tendência a considerar o homem de forma global opôs-se à crescente especialização da medicina e sua tendência ao mecanicismo.

Do ponto de vista fisiológico, verifica-se que, durante os estados de excitação, medo, raiva etc., produz-se de forma imediata uma modificação nas constantes vitais: a pressão sangüínea se eleva, o ritmo respiratório se acelera e produzem-se secreções, como a transpiração e a descarga de adrenalina. Tal preparação fisiológica para situações de emergência constitui uma resposta transitória, que atua até que as circunstâncias externas adversas ou ameaçadoras tenham deixado de existir. Entretanto, se o estado biopsíquico perdura a ponto de se tornar habitual, os mecanismos neuro-hormonais se alteram e exercem sobre órgãos e tecidos uma pressão superior à que se requer para seu funcionamento normal. Daí o grande número de afecções degenerativas cardiovasculares, digestivas, neurológicas etc... ligadas a atividades cujo exercício sujeita os profissionais a múltiplas tensões, ansiedade e estresse, freqüentemente associados ao excesso de trabalho.

Além das complicações já mencionadas, muitas outras podem ser causadas pela sobrecarga de preocupações, tais como hipertensão, flatulência, obesidade, enxaquecas, dermatites, impotência, frigidez, dores musculares etc. Terapia farmacológica, psicanálise, ioga, meditação, exercícios de relaxamento e massagens são alguns dos recursos utilizados para tratar as doenças psicossomáticas.

Psiconeuroimunologia. No início da década de 1980, surgiu uma nova especialidade médica, a psiconeuroimunologia, encarregada de investigar as interações entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Verificou-se que distúrbios de natureza psicológica estão freqüentemente associados a fenômenos fisiológicos, como alterações na chamada "química do cérebro", que consistem em mudanças na concentração dos neurotransmissores, mensageiros químicos que atuam na transmissão dos impulsos nervosos.

Os primeiros estudos nesse campo concentraram-se nas relações entre o estresse e os distúrbios imunológicos. Pesquisas realizadas no final da década de 1980 comprovaram que alguns componentes do sistema imunológico responsáveis por estimular a ação dos linfócitos T (as chamadas células assassinas) tinham sua atividade diminuída após uma exposição do organismo a fatores estressantes. Demonstrou-se, assim, que o estresse reduz os anticorpos naturais do organismo e, portanto, a resistência às doenças.

Outros trabalhos nessa área voltaram-se para o estudo da imunoestimulação o aumento da resposta imunológica aos agentes agressores por meio de técnicas de hipnose, meditação e relaxamento. As primeiras pesquisas indicaram que essas técnicas são capazes de estimular o organismo a produzir mais células de defesa.

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sábado, 21 de março de 2009

Qual é Sua Psicose?


Em clínica psiquiátrica, dá-se o nome de psicose a uma ampla variedade de perturbações graves do comportamento que revelam a existência de profundas alterações mentais. Muitos autores identificam psicose com doença mental em sentido estrito e estudam à parte as neuroses, as psicopatias de inadaptação e as anormalidades de origem genética ou traumática.

O termo psicose designa genericamente os processos mórbidos de desintegração da personalidade, com grave desajustamento do indivíduo ao meio social. Corresponde, até certo ponto, ao conceito popular de loucura. O juízo operação pela qual se afirma ou se nega a relação entre duas idéias, ou se aplicam os conceitos de falso e verdadeiro é a função mental tipicamente alterada em todas as psicoses. Nos psicóticos, essa função está tão alterada que suas elaborações se tornam evidentemente absurdas, grosseiramente divergentes não só das experiências e idéias das demais pessoas, mas também daquelas que o paciente apresentava antes de adoecer. É o que se observa, por exemplo, nas idéias delirantes, sintomas dos mais caracteristicamente psicóticos: o paciente, conforme o caso, acredita-se vazio, de outro sexo, o maior pecador do mundo, culpado das guerras e revoluções, perseguido por selenitas ou marcianos, chefe de estado ou dono de fabulosos tesouros.

São também sintomas psicóticos as alucinações, ou percepções sem objeto: o doente vê animais nas paredes brancas e nuas do quarto, ouve vozes de perseguidores inexistentes e sente o sabor do veneno que seus inimigos lhe administram. Os psicóticos têm absoluta e irredutível convicção da verdade de suas irreais percepções internas. Não lhes reconhecem o caráter mórbido, ao contrário dos neuróticos, que têm exata consciência do caráter patológico de seus distúrbios e não negam flagrantemente a realidade objetiva.

Nem sempre, no entanto, as psicoses determinam caos mental flagrante ou desarrazoados tão óbvios. Certas funções podem permanecer íntegras, ao lado do juízo perturbado. A inteligência, a memória, o cabedal de conhecimentos adquiridos, por exemplo, conservam-se inalterados em alguns tipos de psicoses. Mesmo o juízo, em alguns casos, só apresenta desvarios em relação a determinados temas. Em todos os casos, existe transformação radical das relações entre o indivíduo e o mundo, de tal modo que a personalidade total se desintegra. Essa desintegração pode ser episódica ou permanente, reversível ou irreversível, progressiva ou estacionária e completa ou parcial.

Os psicóticos tornam-se incapazes, em grau maior ou menor, de ajuste social. Não podem viver sem conflito, dependência ou proteção incomuns nos grupos sociais. Tornam-se, na maioria das vezes, alienados mentais, isto é, incapazes de reger a própria pessoa e seus próprios bens, e irresponsáveis diante das leis penais.

Costuma-se dividir as psicoses em dois grupos fundamentais: orgânicas, que são as psicoses derivadas de anormalidades físicas conhecidas, embora também possam ser produto de transtornos psicológicos ou comportamentais; e funcionais, que compreendem as demais psicoses. Os partidários da abordagem psicanalítica das doenças mentais sustentam que as psicoses se devem à regressão do paciente a estados de desenvolvimento anteriores, nos quais sofreram frustrações ou perdas traumáticas que afetaram seu senso de realidade. Por essa razão, os psicóticos procurariam criar um novo mundo interior que os compensasse de alguma forma pela perda.

Psicoses orgânicas. Existem alguns estados psicóticos cuja causa orgânica é conhecida. Os mais importantes são os que correspondem à psicose senil, à que aparece por vezes nos alcoólatras crônicos e às psicoses puerperais, ou do pós-parto. A psicose senil caracteriza-se por estados de confusão mental, perda de memória e, por vezes, pela aparição de sintomas paranóicos. Costuma ser associada a fases avançadas de degeneração cerebral, provocada pela falta de irrigação sangüínea nesse órgão, que pode resultar, por sua vez, de um quadro de arteriosclerose grave.

Os alcoólatras em situação de abstinência podem sofrer tremores, estados de ansiedade e alucinações. O álcool danifica os tecidos cerebrais, o que provoca no doente uma perda de memória e das capacidades intelectuais, assim como uma progressiva deterioração da capacidade de estabelecer relações sociais normais e a manifestação da tendência a exibir condutas extravagantes e, por vezes, agressivas.

As psicoses do pós-parto são do tipo orgânico, mas tão semelhantes às psicoses funcionais que às vezes é difícil distingui-las. Contribui para aumentar essa dificuldade o fato de que um leque de perturbações orgânicas, como a ingestão de tóxicos, os traumas cerebrais, a sífilis, a epilepsia e os tumores cerebrais, podem provocar a aparição de sintomas parecidos com os da neurose. Trata-se, nesses casos, de síndromes cujo tratamento corresponde mais ao âmbito neurológico que ao psiquiátrico.

Psicoses funcionais. As psicoses de caráter funcional compreendem várias síndromes diferentes: a esquizofrenia, a paranóia, as psicoses afetivas e as psicoses involutivas. A esquizofrenia é a variedade mais freqüente de psicose. Caracteriza-se por um isolamento do mundo exterior, que concorre com perturbações do pensamento, da percepção do meio externo e da percepção da própria personalidade. Embora a remoção dos sintomas seja sempre possível, nos pacientes crônicos a esquizofrenia chega a produzir uma grave degenerescência geral.

A paranóia, que é por vezes considerada uma variedade da esquizofrenia, abrange a elaboração de um mundo de fantasias que é internamente coerente e lógico. É freqüente que ocorra a identificação do doente com um personagem famoso, assim como que apareça um sentimento de ameaça contínua ou perseguição.

As psicoses afetivas incluem a depressão psicótica e a psicose maníaco-depressiva. Esta caracteriza-se pela periodicidade e se manifesta sob as formas de crises, separadas por intervalos mais ou menos longos, às vezes com uma ou duas em toda a vida do paciente. Em cada intervalo entre as crises pode haver perfeita normalidade, manifestações dissimuladas da doença ou peculiaridades temperamentais mais ou menos acentuadas (temperamento ciclóide). As crises se caracterizam por estados de intensa tonalidade afetiva, que dominam toda a vida psíquica. Há dois tipos de crises: (1) crises maníacas (humor exaltado, com alegria exagerada ou cólera, excitação psíquica e motora); (2) crises melancólicas (humor deprimido, tristeza, inibição psíquica e motora, auto-recriminação, tendência ao suicídio). Os dois tipos de crises sucedem-se ou combinam-se, no mesmo indivíduo, sob diversas formas alternadas, intermitentes, circulares, mistas etc...

As psicoses involutivas às vezes são estudadas como psicoses afetivas. Aparecem em geral entre os cinqüenta e os sessenta anos sob a forma de intensa melancolia e depressão, sobretudo em mulheres, ou com sintomas paranóides.

As psicoses funcionais se manifestam em indivíduos organicamente sadios e suas causas ainda não estão bem esclarecidas ou provadas. São provavelmente determinadas por causas múltiplas e resultam de fórmulas individualizadas. Entre os fatores que exercem influência na sua gênese, apontam-se a predisposição hereditária e a constituição somatopsíquica e, de outro, as carências de todo tipo, as atmosferas emocionais e educativas inadequadas e traumatizantes (inclusive a superproteção materna) e os conflitos intensos no interior da família. Todos esses elementos foram vividos durante a infância e a adolescência, acrescidos, em muitos casos, com desencadeantes atuais, de traumatismos psíquicos ou situações externas de grave tensão. Conforme as diversas posições doutrinárias sobre quais desses fatores têm maior importância geral, as psicoses funcionais são chamadas também endógenas, hereditárias, constitucionais ou psicogênicas. Os mais prudentes preferem o termo "psicoses criptogenéticas", ou psicoses de causas ocultas ou desconhecidas.

Tratamento. Na tentativa de ressocializar o doente psicótico, diversos meios de tratamento são utilizados de maneira conjugada, tais como a administração de psicofármacos, combinados se possível à psicoterapia e o eletrochoque no caso de psicoses agudas. Em algumas situações, como último recurso, no caso de pacientes violentos e irrecuperáveis, empregam-se técnicas de neurocirurgia. A hospitalização é quase sempre necessária, com um período de isolamento muitas vezes benéfico para o paciente, embora algumas correntes psiquiátricas defendam a permanência do paciente no ambiente familiar.


©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.Distúrbios mentaisDistúrbios mentais

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sexta-feira, 20 de março de 2009

Etimologia da palavra psicologia

lat.cien. psychologia (criado no sXVI), de psic(o)- + -logia; segundo AGC, voc. criado por Melanchthon (1497-1560), vulgarizado no fim do sXVI por Goclenius de Marburg; cp. fr. psychologie (1588) 'ciência da aparição dos espíritos', (1690) 'parte da filosofia que trata da alma, suas faculdades e suas operações' e ing. psychology (1653) 'ciência da mente e do comportamento'; f.hist. 1836 psychologia

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Dicionário Houaiss: Psicologia

n substantivo feminino
1 Rubrica: psicologia. ciência que trata dos estados e processos mentais

2 Rubrica: psicologia. estudo do comportamento humano ou animal

3 conjunto dos traços psicológicos característicos de um indivíduo ou de um povo, uma comunidade, uma geração etc. Ex.:

4 curso universitário onde se ensinam os principais ramos da psicologia, bem como ciências afins, e que forma o psicólogo Ex.: aluno de p.

5 atividade psicológica ou mental característica de uma pessoa ou situação

6 capacidade inata ou aprendida para lidar com outras pessoas, levando em conta suas características psicológicas; tato, compreensão, jeito Ex.: é preciso p. para lidar com delinqüentes

7 análise ou estudo psicológico de um livro, uma obra de arte, um fato, um fenômeno, uma característica de algo etc. Ex.:

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Psicologia Infantil

Infantil, Psicologia
1 INTRODUÇÃO

É o estudo do comportamento infantil que inclui características físicas, cognitivas, motoras, lingüísticas, perceptivas, sociais e emocionais, desde o nascimento até a adolescência.

As duas questões básicas para os psicólogos infantis são: determinar como as variáveis ambientais (o comportamento dos pais, por exemplo) e as características biológicas (as predisposições genéticas) interagem no comportamento e estudar como essas mudanças se relacionam e influem mutuamente.

2 ESTUDO CIENTÍFICO

No século XIX, a teoria da evolução de Darwin impulsionou o exame científico do desenvolvimento infantil. O instinto de sobrevivência das muitas espécies animais estimulou o interesse pela observação das crianças, para identificar as diferentes formas de adaptação ao ambiente e o peso da herança em seu comportamento. Em 1916, Lewis Terman introduziu o teste de inteligência (teste de Stanford–Binet), que conduziu a uma série de estudos sobre o desenvolvimento intelectual da criança. Na década de 1920, Arnold Gesell analisou o comportamento infantil através de filmagens, nas quais as crianças foram observadas em idades diferentes, estabelecendo pela primeira vez um desenvolvimento intelectual por etapas, semelhante ao seu desenvolvimento físico.

3 ESTUDOS AMBIENTAIS

Sigmund Freud insistiu no efeito das variáveis ambientais e na importância do comportamento dos pais durante a infância dos filhos. John B. Watson, principal representante do behaviorismo, analisou as variáveis ambientais como estímulos progressivamente associados a respostas. No início da década de 1960, Jean Piaget utilizou métodos de observação e experimentação que integram variáveis psicológicas e ambientais.

4 TEORIAS EVOLUTIVAS OU DE DESENVOLVIMENTO

As teorias evolutivas relacionam características do comportamento com etapas específicas do crescimento. A teoria freudiana da personalidade e a teoria da percepção e cognição de Piaget são as principais. Ambas explicam o desenvolvimento humano em termos interativos. Segundo Freud, uma personalidade sadia baseia-se na satisfação de necessidades instintivas. Por sua vez, Piaget afirmou que, desde o nascimento, os seres humanos aprendem ativamente, inclusive sem incentivos externos.

5 DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Os diversos aspectos do desenvolvimento da criança abrangem o crescimento físico, as mudanças psicológicas e emocionais e a adaptação social. Existe uma concordância geral de que os modelos de seu desenvolvimento estão determinados por condições genéticas e circunstâncias ambientais: existe um componente genético nas características da personalidade; o crescimento físico depende da saúde; até os dois anos de idade, ocorrem as mudanças mais drásticas na atividade motora. A velocidade para adquirir estas capacidades é determinada de forma congênita.

Destaca-se a capacidade para compreender e utilizar a linguagem: Noam Chomsky estabeleceu que o cérebro humano está especialmente estruturado para isso, porque esta capacidade não requer uma aprendizagem formal e se desenvolve desde que a criança tem seus primeiros contatos com o mundo exterior.

Por outro lado, a formação da personalidade é considerada um processo pelo qual as crianças aprendem a evitar os conflitos e a administrá-los quando aparecem. Os pais excessivamente austeros ou permissivos podem limitar as chances de uma criança tentar evitar ou controlar seus problemas. Está claro que as atitudes dos pais e seus valores influem no desenvolvimento dos filhos.

As relações sociais infantis supõem interação e coordenação dos interesses mútuos, onde são adquiridos modelos de comportamento social através dos jogos. Além disso, a criança aprende a necessidade de um comportamento cooperativo e de uma organização para alcançar objetivos em grupo. As crianças aprendem o que é aceitável e inaceitável no seu comportamento e, mediante a socialização, conhecem o conceito de moralidade. O pensamento moral apresenta um nível inferior (a regra se cumpre sozinha para evitar o castigo) e um superior (a pessoa compreende racionalmente os princípios morais universais necessários para a sobrevivência social).

6 TENDÊNCIAS ATUAIS

Atualmente, os psicólogos concordam que determinados fatores de risco biológico, como crianças que nascem abaixo do peso normal, a falta de oxigênio antes ou durante o parto e outros problemas físicos ou fisiológicos, são importantes para o seu desenvolvimento e comportamento posteriores. Também se investiga o papel das variáveis cognitivas na aprendizagem dos papéis sexuais e os estereótipos sobre as diferenças de sexo. Os modelos sexuais foram definidos na nossa cultura, mas a pressão favorável para a mudança destes modelos está rompendo pouco a pouco estes estereótipos, permitindo que um indivíduo mude ou adapte seu comportamento às exigências das situações específicas com as quais vai conviver.

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terça-feira, 17 de março de 2009

logomarca psicologia desenho 3d


logomarca psicologia desenho 3d, upload feito originalmente por camiseta-funari.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Materalismo

Doutrina filosófica que admite como realidade apenas a matéria. Nega a existência da alma e do mundo espiritual ou divino. Formulada pela primeira vez no século VI a.C., na Grécia, ganha impulso no século XVI, quando assume diferentes formas. Para os gregos, os fenômenos devem ser explicados não por mitos religiosos mas pela observação da realidade. A matéria é a substância de todas as coisas. A geração e a degeneração do que existe obedecem a leis físicas. A matéria encontra-se em permanente metamorfose.

A alma faz parte da natureza e obedece às suas leis. Essas teses são a base de todo o materialismo posterior.

No século XVIII, o francês Julien de la Mettrie (1709-1751), os pensadores da Enciclopédia e o barão de Holbach (1723-1789) lançam o materialismo filosófico, doutrina que considera o homem uma máquina e nega a existência da alma, em oposição ao espiritualismo. No século XIX surge na Alemanha o materialismo científico, que substitui Deus pela razão ou pelo homem, prega que toda explicação científica resulta de um processo psicoquímico e que o pensamento é apenas um produto do cérebro. Seus principais formuladores são Karl Vogt (1817-1895), Ludwig Büchner (1824-1899) e Ludwig Feuerbach (1804-1872). O marxismo, por sua vez, baseia-se numa concepção materialista da história - denominada materialismo histórico por Friedrich Engels (1820-1895) –, pela qual a história do homem é a da luta entre as diferentes classes sociais, determinada pelas relações econômicas da época. O materialismo dialético é constituído como doutrina por Lênin e recebe esse nome porque sua teoria é materialista e seu método, a dialética.
No início do século XX, as idéias de pensadores como Richard Avenarius (1843-1896), Ernst Mach (1838-1916) e Wilhelm Ostwald (1853-1932) dão origem ao materialismo energetista, teoria mais filosófica que científica, pela qual espírito e matéria são apenas formas da energia que constituem a realidade.

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domingo, 15 de março de 2009

Filosofia analítica


Filosofia analítica é o movimento teórico que surgiu no século XX, particularmente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, a partir da II Guerra Mundial. Visa a examinar a linguagem e analisar os conceitos nela expressos. Recebeu diversos rótulos, como análise lingüística, empirismo lógico, positivismo lógico, análise de Cambridge e filosofia de Oxford. Embora nenhuma doutrina específica ou dogma sejam aceitos pelo movimento como um todo, seus membros estão de acordo quanto à idéia de que a atividade maior da filosofia é aclarar a linguagem e esclarecer conceitos. O objetivo desta atividade é solucionar as disputas filosóficas, resolvendo seus problemas, que, segundo afirmam, têm origem na confusão lingüística.

Existe uma considerável diversidade de opiniões entre os filósofos analíticos e lingüistas quanto à natureza da análise conceitual ou lingüística. Alguns estão interessados, sobretudo, em aclarar o significado de determinadas palavras ou frases como passo essencial para que se façam afirmações filosóficas claras e precisas. Outros se preocupam, principalmente, em determinar as condições gerais que devem existir para que uma declaração lingüística possa ter sentido; seu propósito é estabelecer um critério que diferencie as orações significativas das absurdas. Outros analistas, ainda, estão interessados em criar linguagens formais, simbólicas, que correspondam em sua origem a uma estrutura matemática. Afirmam que a solução dos problemas filosóficos pode ser obtida de forma mais eficaz se estes forem formulados numa linguagem lógica rigorosa. Por último, vários filósofos associados ao movimento dirigiram sua análise à linguagem coloquial ou natural.

Influenciados pela tradição empírica britânica e pelos escritos de Gottlob Frege, os filósofos ingleses do século XX George Edward Moore e Bertrand Russell foram os fundadores desta tendência. Posteriormente, Ludwig Wittgenstein viria a ser sua figura central, com seu Tractatus logico-philosophicus (1921). Ernst Mach, Moritz Schlick e Rudolf Carnap iniciaram o chamado positivismo lógico, cujas idéias foram difundidas na Inglaterra por Alfred Jules Ayer. Após a publicação das Investigações filosóficas (1953), de Wittgenstein, o estudo centrou-se no discurso corrente. Atualmente, os mais destacados expoentes desta linha são os ingleses Gilbert Ryle e John Langshaw Austin e o americano Willard Van Orman Quine.

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sábado, 14 de março de 2009

Livro: O Que Sócrates Diria a Woody Allen - Cinema e filosofia


Se gosta de cinema e está também interessado em aprender alguma coisa de filosofia, este é o livro indicado: uma introdução ao mesmo tempo profunda e amena a algumas das principais questões éticas do nosso tempo e de todos os tempos: o amor, a felicidade, o acaso, a falta de vontade, o pressentimento inquietante da morte... Além destes, o livro trata de outros temas menos conhecidos, mas que mereciam sê-lo mais: a tentação do bem, o apetite faustiano ou as agruras da racionalidade.

Desfilam por estas páginas tanto os filósofos mais conhecidos (Sócrates, Platão, Kant, Nietzsche, etc) como outros mais atuais. Exemplos ou ilustrações que precedem a reflexão filosófica são extraídos de grandes clássicos (Cidadão Kane, Casablanca, Sindicato de Ladrões) e de outros mais recentes (Matrix, O Vingador do Futuro, O Show de Truma).

A combinação de imagens de filmes e meditação filosófica ajuda não apenas a entender melhor a filosofia, mas também a amar ainda mais profundamente o cinema.

É Ler e Ver

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