sábado, 28 de fevereiro de 2009

A entrevista como fator importante numa relação de ajuda


O que podemos fazer para tornar uma entrevista tão útil para o entrevistado quanto para o entrevistador?

As condições externas e internas que criamos para o entrevistado influenciam na entrevista.

Fatores Externos:
• Local (reservado, propício à comunicação, arrumado, etc.)
• Sem interrupções, que facilite a confiança e sigilo.
• Disposição da sala, roupa do entrevistador adequada, demonstração respeito.

Fatores Internos:

Trazer-se a si mesmo:
• Desejo de ajuda, trazer o melhor de si e ser transparente nisso.
• Fazer com que o entrevistado perceba que pode confiar, que é respeitado inteiramente, mostrando interesse e compreendendo seus sentimentos e atitudes. Expressão, gestos, confirmação, tom de voz, etc.
• Conhecer a si mesmo: confiar nas próprias idéias
• Reconhecer seus sentimentos, valores, fraquezas, possibilidades e estar aberto a reconhecer o que é do outro e poder ajudá-lo.
• Confiar em si mesmo e poder ser um agente ativo, cooperativo e presente.
• Ser honesto, ouvir e absorver
• Dizer quando não sabe, que somos falíveis, ser íntegro.
• Não ficar tão preocupado com o que irá dizer e por conta disso nem conseguir ouvir e absorver o que está acontecendo.

A entrevista de ajuda é uma arte e uma habilidade e cada um precisa descobrir seu próprio estilo e os instrumentos para trabalhar melhor.

Temos dois tipos de entrevista:

• Entrevista iniciada pelo entrevistado.
o Na medida do possível deixar que o entrevistado fale abertamente o motivo da procura.
o Gostaria que falasse o que o trouxe aqui…

• Entrevista iniciado pelo entrevistador
o O entrevistado deve saber o motivo para que foi chamado
o Não deixar que vire um monólogo ou investigação
o Não deve atravancar a entrevista e torná-la ameaçadora.

Explicação do papel do entrevistado

• Identificar, e situar nossa posição e nosso papel.
• Não no sentido de imposição, de valorização, e sim no sentido de ajudá-lo e mostrar que é para isso que está ali.

• Emprego de formulários
• Se necessário pode fazer parte da entrevista (agregado)
• Não deixar que se torne mecânico, investigativo, impessoal
• Não provocar distanciamento humano

O fator tempo
• Respeito ao agendamento, limites e tempo disponível.
• Intercalar um tempo entre uma e outra entrevista
• Preparar o entrevistado para o encerramento

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Entrevista com Deus


Sonhei que eu tinha uma entrevista com Deus.

"Então você gostaria de me entrevistar?" Deus perguntou.

"Se você tiver tempo," eu disse.

Deus sorriu. "Meu tempo é a eternidade; que perguntas você tem em mente para me fazer?"

"O que na humanidade mais surpreende você?...".

Deus respondeu...

"Que eles ficam entediados com a infância - se apressam" em crescer e depois desejam ser crianças novamente.
Que eles perdem sua saúde para ganhar dinheiro e em seguida perdem o dinheiro para recuperar sua saúde.
Que eles pensam ansiosamente sobre o futuro e se esquecem de viver o presente, de tal forma que não vivem nem o presente nem o futuro.
Que "eles vivem suas vidas como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido..."
As mãos de Deus tocaram as minhas, ficamos em silêncio por um momento e então eu perguntei...

"Sendo um pai, quais lições de vida você quer que seus" filhos aprendam?

Deus respondeu com um sorriso:
"Aprendam que eles não podem fazer ninguém os amar.
O que eles podem fazer é se deixarem ser amados.

Aprendam que o que é mais valioso não é o que eles têm em suas vidas, mas quem eles têm em suas vidas.
Aprendam que não é bom compararem-se uns aos outros.
Aprendam que uma pessoa rica não é aquela que tem o máximo, mas sim aquela que precisa do mínimo.
Aprendam que leva apenas uns poucos segundos para abrir feridas profundas na pessoa que se ama, e que pode levar muitos anos para curá-las.
Aprendam a perdoar praticando o perdão.
Aprendam que existem muitas pessoas que as amam encarecidamente, mas simplesmente não sabem como expressar ou mostrar seus sentimentos.
Aprendam que dinheiro pode comprar
tudo exceto..

FELICIDADE!


Fonte: Autor desconhecido

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entrevista Com o Vampiro




Sinopse:

Acidentalmente um repórter (Christian Slater) começa uma conversa com um homem (Brad Pitt) que diz ser um vampiro com duzentos anos e conta a trajetória de sua vida, desde a época em que ainda não era vampiro e como foi infectado pelo vampiro Lestat (Tom Cruise), com quem teve grandes aventuras mas também grandes desavenças.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Seis conselhos para enfrentar uma entrevista de emprego


Sente-se nervoso cada vez que tem uma entrevista de emprego? Apesar de natural, este nervosismo pode ser controlado e, se conseguir, tudo correrá muito melhor. Nós daremos algumas dicas para enfrentar este momento.

1. Não dê nada por garantido nem assuma nenhum pressuposto. Ouça atentamente o seu interlocutor. Se alguma das perguntas que lhe for feita exigir mais do que uma simples resposta, esteja à vontade e reflita durante alguns segundos, em vez de responder impensadamente.

2. Não monopolize a conversa nem tente evitar responder a perguntas. Existem diversas maneiras sutis de assumir o controle sem hostilizar o entrevistador, ou dar início a um guerra pelo poder.

3. Assuma uma atitude positiva relativamente a tudo e todos. Não uma atitude de falso otimismo, mas não se queixe do seu emprego ser chato, da forma injusta com o seu chefe o trata ou da forma como os seus colegas e colaboradores se comportam. Mesmo um comentário negativo feito por acaso, poderá colocar o seu entrevistador de sobreaviso e preocupá-lo. Nessa situação, até poderá sentir-se tentado a explorar mais essa situação e descobrir uma razão para retirá-lo da "corrida". Ou até a sua própria atitude poderá provocar essa situação.

4. Não copie na totalidade a linguagem corporal do seu entrevistador. Poderá ser notado e parecer que está o imitando ou a agir de forma estranha. No entanto, poderá tentar adotar a postura global e, consequentemente, ficar mais confortável psicologicamente.

5. Não deixe que seja o entrevistador a ter todo o trabalho. Apóie as suas respostas com fatos. Não dê respostas de sim e não ou de uma palavra só. Poderá começar assim, mas a seguir continue com uma resposta mais completa.

6. A não ser que o entrevistador faça, evite questões tabú como salários e benefícios, já que isso fará parecer que só está interessado no pagamento ao fim do mês e não no emprego em si. Além disso, é do seu melhor interesse esperar até ao último momento para discutir esses assuntos. Nessa altura, já terá informação suficiente para calcular aproximadamente quanto vale esse cargo e qual o valor que poderá acrescentar a empresa.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Interview with Marvel Characters


Interview with Marvel Characters, upload feito originalmente por heath_bar.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Entrevista com Emílio Garrastazu Médici

Entrevista concedida a Veja (16/05/1984)

Veja - Por que o senhor resolveu falar?
MÉDICI - Pus para fora os sapos que engoli nestes dez anos. Mas, depois de observar a repercussão da minha conversa de 20 minutos com os jornalistas, em Porto Alegre, achei que falei demais. Falei o que não devia.

Veja - A entrevista de Porto Alegre foi concedida depois de uma demorada conversa com o deputado Paulo Maluf. O senhor apóia sua candidatura à Presidência da República?
MÉDICI - Eu nunca disse que apóio o Maluf. O máximo que disse é que o apoiarei se não aparecer outro melhor.

Veja - Depois da derrota da emenda Dante de Oliveira, como o senhor vê a situação política brasileira?
MÉDICI - Continuo a ver tudo escuro. O governo apresentou a sua emenda, mas não deve haver entendimento com a oposição porque os oposicionistas são intransigentes.

Veja - De que modo o senhor sente sua imagem junto ao povo brasileiro, dez anos depois de deixar o governo?
MÉDICI - Sempre que me reconhecem, nas ruas, sou cumprimentado. Geralmente são mulheres que me reconhecem e cumprimentam. Apenas uma vez, no Rio de Janeiro, uma senhora me reconheceu e criticou meu governo. Tentei dizer-lhe que estava equivocada, que estava indo na conversa da propaganda esquerdista, mas ela quis discutir. Aí, desisti e fui embora.

Veja - Essa propaganda esquerdista o incomoda?
MÉDICI - O problema é que a propaganda é feita em defesa dos terroristas que queriam arrasar o país. Aquilo foi uma guerra... Lutamos contra o terrorismo nas ruas, no país inteiro, até na Amazônia. Enfrentamos seqüestros, assaltos, assassinatos, todo tipo de crime. Aquilo não podia continuar.

Veja - Por isso o senhor adotou a censura à imprensa?
MÉDICI - Foi uma contingência. Aquela guerrilha de Xambioá* acabou antes que a população tomasse conhecimento de sua existência. Era preciso esconder as operações contra os guerrilheiros para que elas tivessem sucesso.

Veja - Em que momento o senhor decidiu enfrentar rigorosamente o terrorismo de esquerda?
MÉDICI - Uma vez seqüestraram mais um avião**. O ministro da Aeronáutica, Márcio de Souza e Mello, me procurou e disse: Isso não pode continuar. Perguntei-lhe: Podemos pagar pra ver? Ele respondeu: Podemos. Resolvi: Vamos pagar pra ver. Dei a ordem porque não podíamos ficar sem uma reação. Aí, jogamos uma espuma sobre o avião, invadimos o aparelho e prendemos os seqüestradores. Cinco meses depois, quando seqüestraram o embaixador suíço, chamei o ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e disse-lhe: Na próxima vez, o caso será entregue ao Departamento de Polícia Federal, porque o caso é de polícia. Resolvi que não negociaríamos mais e nenhum outro seqüestro ocorreu depois disso.

Veja - Os militares, porém, continuaram envolvidos nas operações antiterrorismo. Por quê?
MÉDICI - Uma vez, os ministros militares quiseram usar as Forças Armadas para combater o terrorismo, mas eu não deixei: Isso não é trabalho para vocês. É trabalho para a polícia, avisei. Mas houve um tiroteio num aparelho e um major morreu ao socorrer um sargento que foi ferido. Então, tive uma conversa com o ministro do Exército, general Orlando Geisel, e ponderei: Só os nossos estão morrendo. Ele respondeu: Nós não podemos matar, precisamos não desfazer a cadeia ***. Perguntei: Mas só os nossos morrem? Quando invadirem um aparelho, terão de invadir metralhando. Estamos numa guerra e não podemos sacrificar os nossos. Ainda hoje, não há dúvida de que era uma guerra, depois da qual foi possível devolver a paz ao Brasil. Eu acabei com o terrorismo neste país. Se não aceitássemos a guerra, se não agíssemos drasticamente, até hoje teríamos o terrorismo.

Veja - O senhor se sente injustiçado quando comentam sua participação nessa etapa histórica?
MÉDICI - Fiz um governo que enfrentou até greve de militares. Além de enfrentar a guerrilha. Eu tinha o AI-5, podia tudo. Mas não cassei ninguém. Nunca fechei o Congresso. Pelo contrário, exigi que o Congresso fosse reaberto para votar a indicação do meu nome para a Presidência da República. Tendo o AI-5, fiz o governo mais democrático da Revolução.

Veja - Nada disso pareceu abalar seu controle sobre a área militar. Num discurso no final do governo, o senhor observou que o atravessara sem prontidão nos quartéis.
MÉDICI - E não houve perturbação nem na área política. Sem nenhuma cassação ou casuísmo, vencemos muito bem as eleições parlamentares de 1970. A surra que demos no MDB foi tão grande que nossos adversários, naquela época, falavam até em autodissolução do partido!

Veja - A tese da autodissolução não foi apresentada como uma forma de protesto do MDB contra o seu governo?
MÉDICI - Eu nunca tive problema com os dois governadores da oposição - Negrão de Lima, na antiga Guanabara, e Israel Pinheiro, em Minas Gerais -, que ocupavam dois Estados importantes. O Negrão chegou a me procurar, nas eleições de 1970, para propor uma fórmula que garantiria a reeleição de um senador arenista, Gilberto Marinho, pelo seu Estado. Eram três vagas e o MDB lançaria apenas dois nomes, enquanto a Arena indicaria apenas o Gilberto.
Os três seriam eleitos. Mas a Arena não aceitou, achando que poderia eleger mais de um senador. O Negrão me procurou outra vez e sugeriu outra fórmula: o MDB lançaria três nomes e a Arena indicaria o Gilberto e o Mendes de Morais. A Arena, porém, insistia em lançar três nomes porque achava que poderia vencer com todos. Aí, perdemos o Gilberto.

Veja - Nesse caso, prevaleceu a decisão da Arena. Na administração do país, era o senhor quem impunha suas idéias?
MÉDICI - As decisões do meu governo sempre foram minhas. A própria reunião das 9 horas da manhã no Palácio era apenas para despachos, restrita aos chefes do SNI, general Carlos Alberto Fontoura, do Gabinete Militar, general João Baptista Figueiredo, e do Gabinete Civil, professor Leitão de Abreu. Raramente outros ministros eram convocados para a reunião. Os ministros tinham poderes para escolher os auxiliares que quisessem, mas eram proibidos de decidir o que eu não quisesse. Aliás, até a indicação para presidente da República eu recusei, em 1969, exatamente porque não queria ser presidente se não pudesse decidir. Depois foram atrás de mim e me pediram para reconsiderar.

Veja - Quem foi atrás do senhor?
MÉDICI - Quando a Junta Militar me chamou ao Rio de Janeiro para comunicar minha escolha para presidente, em setembro de 1969, encontrei-me com os três ministros militares, os três chefes de Estado-Maior e o ministro-chefe do EMFA****. Eram sete. Quando me convidaram, apontei o dedo para cada um deles e fui perguntando, um por um, se aceitariam qualquer missão que eu lhes desse. Todos disseram que aceitavam. Aí, também aceitei a Presidência. Logo depois o Lyra perguntou: Medici, você já pensou no seu vice? Respondi:. Já. O Lyra, então, fez outra pergunta: Seria indiscrição saber quem é? Respondi: É o Rademaker. Disse o Lyra: Ah, não pode... Não pode porque nós fizemos um acordo para ninguém aceitar nada. Quando ele acabou de falar eu levantei, peguei o meu quepe e me despedi: O problema é de vocês. Vou-me embora para mostrar como vocês escolheram errado. Eu havia perguntado a cada um se aceitavam qualquer missão que eu lhes desse. Vocês disseram que aceitavam. Mas, na primeira missão que eu dei, vocês recusaram. E saí. Fui-me embora do Rio para Porto Alegre.

Veja - Como foi a volta?
MÉDICI - Dois ou três dias depois, recebi em Porto Alegre uma mensagem, pelo rádio, perguntando se podia receber um emissário do Rademaker. Respondi que podia. Pouco mais tarde, fui procurado por um capitão-de-mar-e-guerra com uma carta do Rademaker em que ele aceitava a vice-presidência. Se eu não fizesse aquilo, eu não nomearia nem o meu ajudante-de-ordens. Nomeei todos os ministros. E respeitei um velho hábito meu: não deixar de nomear alguém por não ser meu amigo, nem nomear alguém por ser meu amigo.

Veja - Nem a realização das grandes obras como a Transamazônica e a ponte Rio-Niterói, que o senhor anunciou em cadeias nacionais de rádio e TV, foi decidida pelo governo em conjunto?
MÉDICI - Para a Transamazônica, já havia um projeto com o ministro dos Transportes, Mário Andreazza. Decidi construir a rodovia quando fiz uma viagem ao Nordeste: fiquei impressionado com o sofrimento, a miséria tremenda que eu nunca tinha visto. Fiz aquele discurso, sobre o Nordeste, de próprio punho.

Veja - Uma obra tão cara e difícil não deveria ser precedida de estudos mais amplos?
MÉDICI - Na volta da viagem ao Nordeste, no avião, perguntei: E aquela estrada, Andreazza? Ele respondeu: Está aqui o plano, presidente. Perguntei: Qual é o preço do quilômetro? Andreazza respondeu: 1 milhão de cruzeiros. Tem dinheiro? Respondeu: Não. Voltei-me para o Delfim Netto, ministro da Fazenda, e perguntei: ‘Delfim, não tem dinheiro para isso? Delfim respondeu: Só se tirarmos dos incentivos. Então botei a mão nos incentivos para construir a
Transamazônica.

Veja - Esse desvio de recursos dos incentivos fiscais para a Transamazônica não prejudicou os outros programas para a região?
MÉDICI - Não. Tirei apenas 30% dos incentivos. Além disso, as empreiteiras começaram a trabalhar em outubro sabendo que só receberiam dinheiro em março do ano seguinte. Só gastei o dinheiro que já tinha. Usei o dinheiro apenas na época em que ele estaria disponível. Nada foi feito sem recursos certos.

Veja - E como surgiu a decisão de concluir a ponte Rio-Niterói?
MÉDICI - Foi outra decisão pessoal. A obra se arrastava. As construtoras estavam em insolvência. Chamei o Andreazza e lhe disse: Vamos desapropriar a obra, formar uma empresa e terminá-la. Ele me perguntou: Podemos? Temos dinheiro? Respondi: Eu posso. Eu tenho o AI-5 na mão e, com ele, posso tudo. Se eu não posso, ninguém mais pode. Se não tomássemos a obra da ponte, a questão da insolvência das antigas empreiteiras iria para a Justiça. Então, quando seria resolvida? Nunca. O caso estaria na Justiça até hoje e não haveria ponte. Agora, a ponte está aí, praticamente paga, e colaborou na fusão dos antigos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro.

Veja - Foi mais cômodo tocar esses grandes projetos com o AI-5 a sua disposição?
MÉDICI - Sim, mas também havia a determinação de fazer as coisas rigorosamente dentro do planejamento, sem improvisações ou desvios. Se eu combinava com o Delfim que teríamos treze desvalorizações do cruzeiro em doze meses, tínhamos treze desvalorizações do cruzeiro em doze meses. Eram minidesvalorizações até chegar ao total anual de 13%, conforme eu decidira um ano antes. No meu governo os projetos eram rigorosamente alcançados, e
concluídos sem deixar ônus para o futuro.

Veja - A seu favor, o senhor tinha um quadro econômico mais favorável, a inflação menor. Isso não ajudou?
MÉDICI - Eu dava aumentos aos funcionários públicos acima da inflação. A inflação era de 20% e eu dava aumento de 30%. Depois é que a inflação subiu. Hoje em dia já se atribuiu a inflação até aos barbeiros...

Veja - Não foi no seu governo que a nossa dívida externa começou a dar saltos?
MÉDICI - Naquela época o crédito era fácil para o país, lá fora. Os credores nos procuravam para oferecer dinheiro em excelentes condições. No final de 1969, a dívida era de 4,4 bilhões de dólares, contra 12,5 bilhões de dólares no fim de 1973. No entanto, no mesmo período, a nossa reserva em divisas cresceu dez vezes, passando de 656 milhões de dólares para 6,4 bilhões de dólares. Então, para cada 2 dólares que devíamos, tínhamos 1 na reserva, no final do meu governo. Hoje as reservas simplesmente desapareceram e a dívida chegou aos 100 bilhões de dólares. Além disso, no final de 1973, as exportações fecharam em 6,2 bilhões de dólares, o que equivalia exatamente à parte da dívida externa para o qual não tínhamos cobertura nas nossas
reservas cambiais. Foi a mais baixa relação, nos últimos trinta anos, entre a dívida externa e as exportações.

* A guerrilha do Araguaia viveu a sua fase de combates entre abril de 1972 e o começo de 1974, na região de Xambioá, na divisa entre o Pará e Goiás. Envolveu 69 guerrilheiros que desembarcaram na área no final de 1967, recrutados pelo Partido Comunista do Brasil, e enfrentou 20 000 militares. As famílias dos guerrilheiros afirmam que houve entre eles 59 mortos.

** Em 1.o de julho de 1970, um Caravelle da Cruzeiro do Sul decolou do Aeroporto do Galeão, no Rio, com destino a São Paulo e Buenos Aires. No ar, um grupo liderado pelo casal Jessie Jane e Colombo Vieira de Souza Júnior rendeu a tripulação e determinou que o aparelho retornasse ao Galeão, onde os seqüestradores exigiram a libertação de quarenta presos políticos. No cerco ao aparelho, foram presos os seqüestradores, menos Eiraldo Palha Freire, morto a tiro.

*** Desfazer a cadeia significava romper a ligação entre os guerrilheiros. A cada tempo determinado, um membro do grupo emitia um sinal para o seu elo seguinte na cadeia, para demonstrar que continuava ativo. Se o sinal não vinha, rompia-se a cadeia de organização do grupo. Por isso, os militares justificaram a tortura com a necessidade de recolher todas as informações do prisioneiro antes que ocorresse o rompimento da cadeia. Depois daquele prazo, pouco valiam os conhecimentos do prisioneiro sobre o seu próprio grupo.

**** A Junta era integrada pelos ministros do Exército, general Aurélio de Lyra Tavares, da Aeronáutica, marechal-do-ar Márcio de Souza e Mello, e da Marinha, almirante Augusto Hamann Rademaker Grunewald. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas era o general Orlando Geisel. Os chefes do Estado-Maior dos ministérios eram o general Antônio Carlos Muricv (Exército), o brigadeiro Carlos Alberto Huet de Oliveira (Aeronáutica) e o almirante
Adalberto de Barros Nunes (Marinha).

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Entrevista: Emília Ferreiro

Entrevista concedida a Nova Escola (6/2001) com a psicolingüista argentina que revolucionou nos anos 70 a alfabetização.
NOVA ESCOLA - No livro Cultura Escrita e Educação, a senhora afirma que adora pesquisar e descobrir que entendeu algo que a intrigava. O que a deixa intrigada atualmente?
Emilia Ferreiro - Continuo tentando compreender melhor o funcionamento dos sistemas e das tecnologias de escrita. Indagações surgem a respeito dos modos de comunicação e estilos que estão sendo criados. Um exemplo é o chat, que parece um intercâmbio informal, cara a cara, só que por texto. Outro é o e-mail, que não é uma carta em papel nem um telegrama. Essas novas formas de diálogo possuem propriedades que não conhecemos. São temas a ser pesquisados, assim como a interface entre a aquisição da escrita com letras e com números...

NE - Como isso se dá?
EMILIA - As duas são ensinadas simultaneamente porque a escola e o ambiente pedem. Já conhecemos bastante o sistema de aquisição da leitura com letras e a maneira de escrever números em situações vinculadas a representações de quantidade. Quero averiguar como se descobre quando usar um ou outro. Quando escrevo casa, leio casa e posso traduzir para house, se souber inglês. No entanto, se escrevo 5, posso ler cinco ou five. nesse caso não está
escrito o nome do número mas o sentido que ele passa. E esse sentido pode ser passado em qualquer língua. Não posso redigir a palavra casa com números, mas a palavra cinco posso escrever também com um algarismo. É interessante ver como crianças muito pequenas, de 4 ou 5 anos, lidam com isso.

NE - O professor deve tentar desvendar problemas em seu dia-a-dia?
EMILIA - Não. O ofício do pesquisador e o do professor são distintos. Digo isso porque exerço os dois. Quando estou ensinando, minha atitude sobre os problemas é diferente da que tenho quando estou pesquisando. É importante ensinar os alunos a pesquisar, mas isso é parte de meu trabalho de professora.

NE - Mas não é também papel do docente buscar novos conhecimentos?
EMILIA - Com certeza. Só que isso é diferente de pesquisar. Querer saber sempre mais deve ser próprio de qualquer profissional. Um médico também tem de se atualizar e não se contentar com o que aprendeu na universidade. Se não há uma certa inquietude em continuar descobrindo coisas novas terminamos repetindo as antigas e o que era válido há vinte anos não continua necessariamente bom hoje.

NE - O significado de saber ler e escrever também muda com o tempo?
EMILIA - Usamos esses mesmos verbos na Grécia clássica, na Idade Média, na revolução industrial ou na era da internet. Por isso, temos a impressão de que designam a mesma coisa. O real significado, no entanto, vem se modificando. Ambos têm a ver com marcas visuais, mas o que se espera do leitor é determinado socialmente, numa certa época ou cultura. Na Antigüidade clássica não se esperava o mesmo que no século XVIII, nem o que se espera agora.

NE - O que determina a eficiência de um leitor na era da internet?
EMILIA - O trabalho na internet exige rapidez na leitura e muita seletividade, porque não se pode ler tudo o que está na tela. E a capacidade de selecionar não é algo que, há alguns anos, fosse uma exigência importante na formação do leitor. No contexto escolar, não tinha lugar preponderante mesmo. Na rede mundial de computadores, as páginas estão cheias de coisas que não têm relação com o que procuro e existe a possibilidade de um texto me conduzir a
outros por meio de um click. Além disso, quando tenho um livro em mãos e o abro em qualquer página, sei claramente se é o começo, o meio ou o fim. Quando abro uma página na internet nemsempre tenho noção de onde estou.

NE - Mas os jovens têm facilidade para se adaptar a essas mudanças...
EMILIA - Eles aprenderam a usar a internet sozinhos e rapidamente, sem instrução escolar nem paraescolar. Eles conhecem essa tecnologia melhor que os adultos os alunos sabem mais do que seus mestres. Essa é uma situação de grande potencial educativo, porque o professor pode dizer: "Sobre isso eu não sei nada. Você me ensina?" A possibilidade de uma relação educativa realmente dialógica é fantástica. Mas o docente não está acostumado a fazer isso e, num primeiro momento, fica com muito medo de não poder ensinar. Em casa, ele recorre aos filhos. No espaço público, na escola, ele tem mais dificuldades.

NE - Além da questão tecnológica, existe a da língua. A senhora acha que quem não souber inglês será um analfabeto NEsta era da internet ?
EMILIA - É preciso aprender o inglês, sem dúvida, mas não só esse idioma. Nestes tempos de globalização, vemos ao mesmo tempo um movimento de homogeneização (de um lado) e grupos que manifestam um desejo de manter a própria identidade (de outro). As duas coisas estão funcionando simultaneamente. No início da internet tínhamos a impressão de que ela seria uma das tantas maneiras de converter o inglês na única língua de comunicação. Hoje a situação mudou bastante. Há cada vez mais uma diversidade de idiomas na rede. Temos duas direções a seguir: consultar somente sites na nossa língua ou tomar consciência de que a rede nos dá acesso, por exemplo, a jornais escritos em países distintos – e procurar entendê-los.

NE - Voltando à alfabetização, o livro Psicogênese da Língua Escrita foi lançado no Brasil em 1985 e causou uma revolução. Como a senhora avaliação a repercussão da teoria ali contida?
EMILIA - As mudanças educativas são lentas. É muito fácil transformar uma escola pequena, privada, que tenha desejo de evolução. Mas num sistema educativo municipal ou estadual é mais difícil. Tendo em conta a complexidade da realidade brasileira e levando em consideração que a difusão da teoria não foi similar em todas as regiões, eu diria que já aconteceram muitas coisas por aqui.

NE - Quais as mais significativas?
EMILIA - No Brasil havia uma espécie de obsessão em montar turmas homogêneas. Tenho a impressão de que esse não é mais um problema. E se isso realmente aconteceu, é um grande avanço. A homogeneidade é um mito que nunca se alcança. Eu posso aplicar uma prova, dizer que vinte estudantes são iguaizinhos e colocá-los todos juntos para trabalhar. Daqui a uma semana eles não serão mais iguais, porque os ritmos de desenvolvimento são muito variados. Uma coisa são os ritmos individuais, outra, as etapas de desenvolvimento.

NE - Com relação às etapas de desenvolvimento, você crê que sua importância já foi assimilada?
EMILIA - Num primeiro momento, houve apenas a troca de rótulos. Os fracos passaram a ser chamados de pré-silábicos. Os que estavam no meio do processo eram os silábicos e os que eram fortes foram classificados como alfabéticos. Alguns anos depois ficou mais claro que os rótulos novos permitiam ver de outra maneira o progresso das crianças, mostravam que elas estavam aprendendo. É desesperador estar diante de um aluno e dizer "ele não sabe", "ele ainda não sabe". Quando se pode visualizar as mudanças como um progresso na aprendizagem, tudo muda. Primeiro porque o esforço de aprender é reconhecido; segundo porque há a satisfação de ver avanços onde antes não se enxergava nada.

NE - Ainda hoje chegam cartas à redação de NOVA ESCOLA perguntando qual a idade ideal para iniciar a alfabetização...
EMILIA - Constatei que, atuando de forma inteligente, pode-se alfabetizar aos 5 anos, aos 6 ou aos 7. É preciso oferecer oportunidade para os menores. Alguns vão aprender muito, outros nem tanto. A idéia de que eu, adulto, determino a idade com que alguém vai aprender a escrever é parte da onipotência do sistema escolar que decide em que dia e a que horas algo vai começar. Isso não existe. As crianças têm o mau costume de não pedir permissão para começar a aprender.

NE - O que um alfabetizador não pode deixar de fazer em classe?
EMILIA - Ler em voz alta. Especialmente se as turmas forem pobres, vindas de lugares em que há poucas pessoas letradas. Essa poderá ser a primeira vez que ela passam por uma experiência assim. O texto, no entanto, tem de ser bom e lido com convencimento. Esse aluno de 6 ou 7 anos vai presenciar um ato quase mágico. Vai escutar um idioma conhecido e ao mesmo tempo desconhecido, porque a língua, quando escrita, é diferente. Essa maneira de trabalhar é muito melhor do que usar as cartilhas e as famílias silábicas.

NE - As cartilhas, aliás, já não são usadas como antigamente.
EMILIA - Certa vez um editor brasileiro me acusou de estar arruinando o negócio de cartilhas, e parece que ele tinha razão. Se tenho mesmo relação com a queda na produção desses livros, estou muito orgulhosa. Eles eram de péssima qualidade, horríveis, assustadores. Eram pura bobagem. Apesar disso, há vinte anos parecia um sacrilégio, no Brasil, dizer que a família silábica não era a melhor maneira de trabalhar. Tenho a impressão de que isso mudou e de
que esse é um caminho sem volta. Para ensinar a ler e escrever é necessário utilizar diferentes materiais. Um livro só não basta. É preciso utilizar livro, revista, jornal, calendário, agenda, caderno, um conjunto de superfícies sobre as quais se escreve. A maneira como um jornal é redigido não é a mesma que se encontra num livro de Geografia ou História.

NE - Como deve agir o professor em áreas rurais, onde o contato com a língua escrita é muito menor?
EMILIA - Ele não pode desperdiçar nem um minuto do tempo em que sua turma está na escola, porque cada minuto é muito precioso. Terminado o período da aula, o contato com a escrita quase desaparece, sobretudo se for numa região em que não haja maquinários sofisticados, que exigem a leitura de manuais, ou onde materiais impressos praticamente não existam.

NE - Como a senhora avalia a alfabetização na América Latina?
EMILIA -A América Latina está conseguindo levar praticamente todas as crianças para a escola, mas nem todas continuam estudando nem aprendem algo que justifique sua permanência ali.

NE - Ou seja, ainda há o risco de o continente continuar formando analfabetos funcionais.
EMILIA - Esse problema ocorre no mundo inteiro, ainda que com nomes diferentes. Na França, por exemplo, há uma distinção entre o iletrado e o analfabeto. Este não teve uma escolaridade suficientemente prolongada. O primeiro teve essa oportunidade, mas não pratica nem a leitura nem a escrita. Então, poucos anos mais tarde, lê com dificuldade e evita escrever. Países que já resolveram o problema da escolaridade obrigatória têm iletrados; os que não possibilitaram à população a escolaridade básica têm analfabetos.

NE - O Brasil encontrou o caminho para combater esse problema?
EMILIA - No Brasil, aparentemente, está em curso uma mudança sensível em relação à escolarização. Muito mais crianças e jovens em idade escolar estão nas salas de aula. Esse é o primeiro passo. Agora, vem o mais importante: desafio da qualidade, da aprendizagem. Não basta ocupar todas as carteiras. É preciso ensinar.

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Entrevista Revista Nova Escola

NOVA ESCOLA - Quais as dificuldades encontradas pela senhora na reformulação das redes públicas de ensino?
Elvira de Souza Lima - A falta de conhecimento sobre a evolução biológica do ser humano e a deficiente formação inicial dos professores são as principais barreiras no processo de mudança. Por uma falha sistêmica, quem ensina não tem noção de como se aprende. A maioria desses professores estudou numa estrutura escolar que tinha espaços e tempos definidos, que exigia atenção contínua e linear. Eles foram alvo de avaliações que só serviam para classificar
os alunos em bons ou maus. Nos últimos anos, a Antropologia, a neurociência e a Psicologia estão nos ensinando que todos são capazes de aprender, sejam jovens ou adultos, mas revelam também que isso não pode ocorrer em qualquer circunstância. Se o professor souber como funciona a atenção e a memória nas diversas fases da vida da criança, com certeza vai ensinar melhor.

NE - Como a criança aprende?
Elvira - A aprendizagem está ligada ao processo de desenvolvimento biológico. A evolução é determinada pela genética da espécie. Nosso cérebro demora vinte anos para amadurecer. Por isso, a criança faz atividades que interessam ao amadurecimento. Se você quiser jogar damas com uma menina de 3 anos, ela vai relacionar-se com as pedrinhas, não com as regras. Aos 6 ou 7 anos, ela começa a organizar suas ações em razão de outros elementos: é capaz de se concentrar, ficar sentada ouvindo o professor, compreender orientações externas. Mesmo louco para jogar futebol, um garoto sabe que precisa primeiro fazer a lição. Com os adultos, o processo de aprendizagem é diferente. Com o passar do tempo, os hormônios passam por transformações que afetam os processos da memória. Por isso, sabemos hoje que os adultos aprendem mais lentamente, mas precisam aprender sempre. Nossa saúde mental depende da ampliação de experiências anteriores, de novas experiências práticas. Eu, por exemplo, precisei conhecer o processo de transformação profissional dos professores para poder ensiná-los.

NE - O professor, assim, deve ser um eterno aprendiz?
Elvira - Quando o professor se percebe como um indivíduo em contínua aprendizagem, ele muda a relação que tem com o saber. Mas não é só isso: ele precisa voltar a ser aluno para aprender a ensinar por outra perspectiva. Em nossos cursos de formação continuada damos ênfase ao resgate das relações estéticas das diversas formas de linguagem, que são um dos sistemas expressivos da emoção humana. Quando o professor tem a experiência de se inter-relacionar com as diversas formas de linguagem, ele muda seu jeito de ensinar. Isso serve para qualquer disciplina e em qualquer lugar, mas é ainda mais importante para o alfabetizador. Em Nova York, leciono História da Escrita. Levo os alunos ao Museu Metropolitan para que percebam a escrita como um produto cultural. Ela está aí há cerca de 5500 anos (antes disso, usavam-se desenhos). A Arqueologia nos mostra que o desenvolvimento não está ligado apenas à sobrevivência, mas é produto também da preocupação do homem em comunicar o belo. Vendo os primeiros instrumentos feitos de ossos, com desenhos e decorações que não tinham uso prático, os professores descobrem a função psicológica da imaginação para a humanidade. Ela é fundamental na aprendizagem, faz parte do aprender e da construção do conhecimento científico e estético, da vida cotidiana. Por isso, tem de ser explorada na educação.

NE - Ou seja, cabe ao professor também conhecer a história da evolução humana?
Elvira - Todo mundo gosta de saber de seu passado. Saber como a escola surgiu e que papel ela desempenhava nas diversas civilizações também é fundamental para compreendê-la hoje. Conto a meus alunos que no Museu do Louvre existem tablitas de barro nas quais os sumérios faziam registros escritos. Uma delas foi feita por um aprendiz que viveu há 4000 anos. Ele anotou que um dia entrou na sala, cumprimentou o mestre com respeito e entregou um trabalho. Não gostando do que viu, o professor o castigou, afirmando que ele jamais seria um escriba. Se contarmos essa história modificando alguns termos, qualquer um vai achar que isso aconteceu recentemente numa escola de sua cidade. Quando queremos mudar o ensino, mexemos com
coisas antigas, que precisam ser repensadas à luz de novos conhecimentos e modificadas aos poucos.

NE - Como esse conhecimento pode mudar a atuação do professor ao ensinar?
Elvira - Em vários sentidos. O primeiro é que o professor passa a perceber a importância de sua função para a preservação da espécie. Ele não pode perder a dimensão de que a escola é o lugar da ampliação da experiência humana, o lugar onde gente como ele constrói conhecimentos, com o uso de diversas linguagens e da imaginação. Além disso, é necessário saber que o conhecimento formal não nasce caoticamente, espontaneamente, mas de forma sistematizada. Tudo isso faz com que o educador se sinta um instrumento fundamental no processo antropológico.

NE - Como esse tipo de conhecimento se reflete na elaboração da proposta pedagógica da escola?
Elvira - A maior interferência se dá na elaboração do currículo, na decisão do conteúdo e da maneira de ensinar. Hoje o professor não deve ver-se como uma fonte de informação. Existem muitas coisas que se aprende fora da escola. Outras, só no ambiente de ensino, com a mediação de um ser mais experiente da espécie, que é o professor. Por isso, é preciso ter muito cuidado com os modismos. Trabalhar só por projetos, partir da realidade do aluno e tudo isso que hoje se entende como o caminho da nova educação pode levar a escola a reproduzir apenas o que a criança e o jovem já aprendem fora. Essa não é sua função. A escola precisa preocupar-se com a formação humana. O aprendizado só ocorre quando são realizadas atividades como estudo, registro, pesquisa. Sem isso a criança não constrói conhecimento. Por exemplo: a Matemática está no cotidiano da criança. Mas toda a sistematização e a linguagem matemática formal têm de ser aprendidas na escola.

NE - O que acontece quando essas atividades de ensino são mal utilizadas?
Elvira - O perigo é colocar o prazer como finalidade e esquecer a construção de conceitos. Não é só o contato sensível com o objeto de conhecimento que vai resultar em aprendizado. Aprender é muito mais complexo. Veja a importância da avaliação. Os erros nada mais são do que estágios de pensamento que o indivíduo precisa superar. O papel do mestre é estudar para saber qual intervenção pode fazer para fazer o aluno superar esse estágio. Às vezes, o professor dá nota, passa ou reprova e não sabe se o estudante aprendeu a fazer uso do conhecimento. Mas também existe o risco de criar situações agradáveis para todos, sair daquela chatice da sala de aula e, mesmo assim, não haver aprendizado.

NE - Como aliar uma metodologia de ensino atraente com o aprendizado de fato?
Elvira - O problema é achar que o estudo não pode pesar, tem necessariamente de ser leve e agradável, com a turma sempre contente. O aprender é prazeroso em si. Toda vez que aprende alguma coisa você se sente satisfeito. Acho que a avaliação continuada ajuda nesse processo, pois permite que o professor acompanhe o desenvolvimento do aluno. O aprendizado requer tempo e trabalho sistemático. Só assim se adquire fluência nos conceitos. Não se pode enfatizar apenas a relação afetiva com o conhecimento. Fica a impressão de que se tirar a chatice da Matemática o aprendizado vai melhorar. Uma educadora francesa defende o ensino da história da Matemática junto com as operações, pois esse conhecimento ajuda a entender como essa ciência foi
construída pelo homem.

NE - Mesmo que o professor não tenha um profundo conhecimento do processo do desenvolvimento humano, ainda assim ele pode mudar sua prática?
Elvira - Desde que ele queira mudar. Mesmo inconscientemente, ele sabe que tem um papel fundamental para a continuidade da espécie. Apesar de muitas vezes não ganhar bem e não ter condições de trabalho favoráveis, são raros os que abandonam a profissão. Nenhum professor fica satisfeito quando os alunos não aprendem. Ele sabe que a avaliação do aluno é a avaliação dele próprio.

NE - Os brasileiros estão interessados em conhecer o desenvolvimento humano?
Elvira - Não, mas a preocupação com esse assunto está crescendo. Algumas prefeituras estão tomando a dianteira.

NE - O Brasil está no caminho certo?
Elvira - Com certeza. Damos pouco valor à nossa evolução, mas temos uma história de Pedagogia incrível, marcada por movimentos sociais. A escola pública aqui se desenvolveu de maneira diferente de outros países. Sempre tivemos pensamento crítico ativo. A cultura brasileira tem a educação como parte da formação humana. Hoje essa é a grande questão dos países economicamente desenvolvidos. Eles tentam retomar valores e a produção do Brasil surge
como uma possibilidade de refletir a educação no processo de humanização.

NE - A formação continuada é imprescindível nesse contexto?
Elvira - O professor precisa batalhar para ampliar a formação no próprio sistema de ensino. Com as prefeituras que trabalho, o primeiro passo é incluir horas de formação pagas. Todas topam.

NE - Por onde a escola e o professor podem começar a debater o planejamento do próximo ano?
Elvira - O planejamento só pode começar de uma análise crítica do que foi feito no ano interior. Principalmente o que deu certo. Analisar somente o que não funcionou deixa todos emocionalmente empacados. Só depois pensa-se na continuidade. O professor que trabalha com ciclos pode pensar na formação dos alunos sem hiatos. O professor deve retomar o que foi feito no ano anterior. Do ponto de vista neurológico, para aprender é preciso rever o que está na
memória. As duas primeiras semanas de aula deveriam ser dedicadas à revisão, à construção do novo grupo na sala de aula e ao conhecimento da comunidade, da cultura dos alunos e de seus pais. Esse trabalho de aproximação, além de prazeroso, facilita o trabalho no decorrer do ano letivo.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Entrevista na rádio


Entrevista na rádio CBN, upload feito originalmente por Garota Sem Fio.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Entrevista do ator Pedro Cardoso á Roberto D'Ávila - Final

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Entrevista do ator Pedro Cardoso á Roberto D'Ávila - Parte - 2

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Entrevista do ator Pedro Cardoso á Roberto D' Ávila - Parte 1

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Entrevista: Marc Jacquemain - Sociólogo

Crise acentua o risco de xenofobia europeia aumentar

Para estudioso, demissões em massa devem inflar aversão a estrangeiros já alimentada por sensação de declínio europeu e "guerra ao terror"

Após anos de marasmo econômico, a Europa mergulha numa onda de demissões propalada pela desaceleração econômica que ameaça atiçar a velha aversão de alguns setores por estrangeiros. Especialista em xenofobia, o sociólogo belga Marc Jacquemain diz ser cedo para avaliar se a crise agravou o quadro. Mas o sentimento de declínio das nações europeias somado à propagação de ideias populistas sob tal cenário, alerta, torna provável o acirramento do racismo.

Meses antes do início da crise econômica mundial, em setembro, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, já lançava seu pacote anti-imigração. Sob pressão do Vaticano, a criminalização dos clandestinos foi engavetada, mas o estado de emergência decretado nacionalmente por "excesso de imigrantes" e o censo dos ciganos, qualificado de "racista" pela União Europeia (UE), emplacaram.

As iniciativas, resposta à parcela da opinião pública que considera os estrangeiros responsáveis pela alta da criminalidade, surgiam num cenário europeu marcado pela proliferação de governos dominados ou integrados por partidos de extrema-direita. A virulência e a banalização dos discursos xenófobos, impulsionadas pelo desemprego e a queda do poder de compra, contaminaram até legendas historicamente moderadas em termos de imigração.

O acirramento da tensão se traduziu em violência. Segundo dados oficiais, houve aumento de denúncias de agressões raciais em pelo menos oito países da UE desde o 11 de Setembro.

A profunda crise econômica deflagrada nos EUA coincide agora com novos reflexos ultranacionalistas. Trabalhadores de uma refinaria de petróleo do Reino Unido fizeram greve contra a admissão de empregados estrangeiros, e imigrantes romenos foram trocados por ingleses nas obras para as Olimpíadas de Londres (2012).

Já Berlusconi tenta mudar a lei para permitir que médicos possam delatar a autoridades policiais pacientes estrangeiros em situação irregular na Itália.

À Folha, por telefone, o sociólogo Jacquemain disse temer que alguns países acabem dando as costas ao mundo e afirmou que a "rejeição do diferente" é inerente à natureza humana. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

FOLHA - A xenofobia está em alta na Europa?

MARC JACQUEMAIN - Parece-me precipitado dizer que a xenofobia está aumentando. Não há evidência estatística. Concretamente, o que temos são fenômenos políticos que correm o risco de acirrá-la. Um exemplo é o discurso sobre a "preferência nacional", que tem se disseminado e agora norteia até os partidos de direita clássica.

Nicolas Sarkozy se elegeu à Presidência da França em 2007 com uma plataforma repleta de ideias inspiradas na extrema direita, apesar de ele mesmo não ser um xenófobo. Na Itália, Silvio Berlusconi, cuja base eleitoral, diga-se de passagem, se restringe em grande parte ao norte do país, defende abertamente ideias populistas e governa com apoio da Liga Norte, partido com valores xenófobos.

Nesse contexto, a posição em relação à imigração acabou se tornando uma linha de demarcação clara entre esquerda e direita na Europa. E, como há uma direitização da cena política europeia, é possível que aumente a busca por bodes expiatórios imigrantes.

Esse fenômeno ocorre mesmo dentro da Europa, onde estamos longe de aceitarmos uns aos outros. Poloneses e romenos são mal vistos na Alemanha e em Portugal. Os europeus têm dificuldades até entre si.

FOLHA - De onde vem tamanho medo dos imigrantes?

JACQUEMAIN - Não dá para saber o que passa pela cabeça das pessoas. Em todo caso, há uma clara expressão da xenofobia no plano político. Ela tende a se generalizar, mas se manifesta com destaque maior nas regiões mais ricas da Europa -Holanda, Áustria, Suíça, Noruega, norte da Itália...

O fenômeno surge principalmente de parte da classe média, que viveu por décadas em situação privilegiada e hoje se sente fragilizada em relação à globalização. Os pais sabem que seus filhos enfrentarão um cenário com muito mais dificuldade do que eles. Apontar para o imigrante como bode expiatório foi a estratégia que muitos partidos políticos adotaram na Europa. Isso acabou alimentando mais ainda a ideia de construir uma Europa-fortaleza para se proteger da concorrência externa.

Esta é a questão fundamental por trás do sentimento anti-imigrante de uma parcela expressiva de europeus. Mas é preciso ressaltar que essa tendência à xenofobia também foi impulsionada pela propagação das ideias antiterroristas e de guerra entre civilizações defendidas por George W. Bush, que via perigo islamista em toda parte. Os europeus rejeitaram claramente o belicismo de seu governo, mas acabaram embarcando na onda de medo do islã. Afinal, quem está perto do mundo islâmico é a Europa, não os EUA.

É a convergência desses dois fenômenos -o sentimento de declínio dos europeus e o delírio antiterrorista do governo Bush- que explica boa parte da atual xenofobia europeia.

FOLHA - A crise econômica global pode aumentar o racismo?

JACQUEMAIN - É sempre complicado tentar prever reações sociológicas, mas acho bastante provável que isso ocorra. Todos os ingredientes estão aí.

FOLHA - Existe alguma relação entre a xenofobia e as medidas protecionistas que os governos estão tomando contra a crise?

JACQUEMAIN - Acho que existe uma conexão, embora de contornos ainda imprecisos, entre os reflexos protecionistas dos governos nas últimas semanas e a xenofobia de partes significativas da população.

As dificuldades sociais e econômicas estão pressionando muitos chefes de Estado e de governo na Europa a levarem cada vez mais em conta a impressão popular de que a concorrência de fora representa uma ameaça direta aos sistemas domésticos. É difícil manter parâmetros duradouros de racionalidade diante de uma crise tão profunda e que reforça tão intensamente a simbologia do declínio coletivo.

Populações de regiões como Flandres [Bélgica de língua flamenga e Holanda] e Escandinávia tendem a achar que podem se livrar dos problemas se resolverem as coisas sozinhas.

Ainda não há sinais objetivos de que isso ocorrerá, mas percebo um risco de alguns países ricos decidirem dar as costas ao mundo. Além de ser uma reação xenófoba, causaria uma grande fragmentação sociológica capaz de minar o projeto de se caminhar rumo à consolidação de uma Europa política.

FOLHA - O impacto da crise sobre os sentimentos xenófobos será o mesmo na Europa e nos EUA?

JACQUEMAIN - A globalização está fragmentando todas as grandes sociedades, na Europa, na América do Norte, na América Latina, na Ásia, na África. E os contornos do fenômeno não estão totalmente claros. Do ponto de vista econômico, os EUA ostentam enormes contrastes. São a maior potência econômica, comercial e financeira no mundo. Mas as áreas ricas do Brasil são muito mais ricas do que as áreas pobres dos EUA. Do ponto de vista cultural, os EUA formam hoje um conjunto bem mais homogêneo do que a fragmentada e dividida Europa, mesmo tendo vivido uma guerra civil terrível [1861-65, deixando quase um milhão de mortos].

FOLHA - A xenofobia se resume apenas a explicações sociológicas e econômicas?

JACQUEMAIN - De jeito nenhum. O que algumas pessoas chamam de sentimento de "rejeição do outro", do "diferente", é um dado constante da natureza humana. Mas essa rejeição muda em função das circunstâncias. As táticas dos políticos em determinados contextos podem fazer com que a aversão aumente ou seja administrada de forma mais harmoniosa. Na lente criada pelo momento atual, as diferenças tendem a ser mais vistas como ameaça.

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Entrevista de Domingo

Na semana passada, o meio jornalístico norte-americano se agitou com um memorando reservado escrito por Steve Brill que propunha um novo modelo de negócio para o "New York Times" e acabou no site de Jim Romenesko, colunista do Poynter Institute, especializado em estudos de mídia.
O texto basicamente sugere o fechamento do acesso gratuito ao site e inova nas maneiras de cobrar por ele. Uma: são 20 milhões de visitantes por mês. Se cada um pagar US$ 1 mensal (33 centavos por dia), o jornal faturará US$ 240 milhões por ano, ou US$ 40 milhões a mais do que gasta na operação de captação de notícia.
Hoje empresário bem-sucedido do ramo de segurança, Brill é o criador entre outros da CourtTV, que o enriqueceu durante o julgamento de OJ Simpson, e da extinta revista "Brill's Content", de crítica à mídia. Dá aula de jornalismo num curso criado a partir de doação dele e da mulher à Universidade Yale. Leia trechos de sua entrevista à Folha.


FOLHA - Eu li o seu memorando. O sr. pode resumi-lo?
STEVE BRILL
- Na longa história do jornalismo, jornais e revistas dependem de alguma maneira das pessoas que leem e pagam algo por isso. Quando os jornais dos EUA abandonam esse modelo e oferecem esse conteúdo de graça na internet, esse modelo se torna suicida.

FOLHA - O sr. acha que os americanos estão dispostos a pagar por jornalismo de qualidade on-line. E se não estiverem?
BRILL
- É simples. Agora, ninguém paga. Se todos continuarem não pagando, ninguém mais vai receber nada, porque não haverá dinheiro para continuar produzindo o noticiário. Não é possível ter repórteres cobrindo guerras e prefeituras a não ser que alguém pague por isso e, na internet, o faturamento com os anúncios não é suficiente.

FOLHA - O que aconteceria se o "New York Times" fechasse o acesso gratuito amanhã?
BRILL
- Primeiro, isso não acontecerá da noite para o dia, será gradual. Segundo, não será totalmente fechado. Há testes, algumas combinações possíveis. Você oferece os três primeiros parágrafos e exige assinatura ou pagamento para que a pessoa leia o resto ou que pague só por aquele artigo. Há várias possibilidades. Nos primeiros três a nove meses, o faturamento inicial do site cairá, mas prevejo que retomará aos poucos e o jornal terá um novo modelo de negócios em que se basear. Eu ouço muito que não vai funcionar. Pois bem: o de hoje já não está funcionando. A mudança é simples: voltar ao modelo anterior, em que você cobra um pouco dos leitores e mais dos anunciantes, que se dispõem a pagar mais se os leitores forem pagantes também.

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Há 10 Anos Atrás

14.Fev.1999

Cuba sedia reunião de bispos pela primeira vez.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tempo Rei (Gilberto Gil)


Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...

Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...

Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...

Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos...

Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas...

Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...(2x)

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Temporalidade


tempo sospeso, upload feito originalmente por HiSpAnIcO[reloaded].

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Há 03 Décadas Passadas.

11 de Fevereiro de 1979 - Revolução Islâmica no Irã

1 INTRODUÇÃO

Irã, república do sudoeste da Ásia, limita-se ao norte com a Armênia, o Azerbaijão, o Turcomenistão e o mar Cáspio, a leste com o Afeganistão e Paquistão, ao sul com o golfo de Omã, o estreito de Ormuz e o golfo Pérsico e a oeste com o Iraque e a Turquia. Tem 1 milhão 648 mil km2 de extensão territorial. Até a década de 1930, o Irã era conhecido pelo nome de Pérsia. A capital é Teerã.

2 TERRITÓRIO

O Irã caracteriza-se por ter um planalto central contornado por montanhas em quase toda sua extensão. Até o norte, estendendo-se em paralelo à costa sul do mar Cáspio, encontram-se os montes Elburz. Ao longo da fronteira ocidental, erguem-se os montes Zagros, que se estendem para o sudeste até atingir a região que margeia o golfo Pérsico. Além da estreita planície litorânea, a única zona relativamente plana é a planície de Khuzistão, a oeste.

Dois grandes desertos ocupam grande parte do centro do Irã: o Dasht-i-Lut, coberto por areias e rochedos, e o Dasht-i-Kavir, coberto de sal em algumas partes.

O Irã pode ser dividido climaticamente em três grandes regiões: as costas do golfo Pérsico e o golfo de Omã, extremamente quentes; as terras altas centrais, de temperatura moderada, porém áridas; e as terras extremamente frias dos montes Elburz.

3 POPULAÇÃO E GOVERNO

Cerca da metade da população (46%) é persa e descende dos povos indo-europeus que chegaram no II milênio a.C. O restante da população é composto por azeris (17%), curdos (9%), gilanis, lumis, mazandarais, baluquis, árabes e baktiaris.

A população, em 2001, é de 66.128.965 habitantes e a densidade média, de 40 habitantes por quilômetro quadrado. As principais cidades são: Teerã, com 6.475.527 habitantes (1991), Mashhad e Isfahan.

O idioma oficial é o persa moderno ou farsi, uma língua indo-iraniana (ver Língua persa; Literatura árabe; Literatura persa).

A religião oficial é o xiismo, uma crença islâmica seguida por 94% da população. Os muçulmanos sunitas constituem 8%, existindo ainda comunidades menos desenvolvidas de cristãos, judeus, zoroastristas e bahais (ver Arte e arquitetura do Irã).

A Constituição de 1979 instaurou a República Islâmica, onde os preceitos do Islã são a base das relações sociais, políticas e econômicas. Um dirigente religioso chamado de faqih, supervisiona a atividade do governo. O presidente, eleito por sufrágio, comanda o poder executivo, além de ser o chefe do estado. O poder legislativo é exercido por um parlamento unicameral chamado Majlis.

4 ECONOMIA

Em 1999, o produto interno bruto era de 110,79 bilhões de dólares e o PIB per capita 1.760 dólares. A moeda é o rial.

Os principais cultivos são: trigo, batata, cevada, uva e arroz. Há também uma importante criação de gado.

Mesmo que a pesca comercial seja relevante para a economia, ainda não se desenvolveu completamente. O caviar do Irã é considerado um dos melhores do mundo.

O país se destaca pela produção de petróleo e seus principais campos petrolíferos estão entre os mais ricos do mundo.

A atividade industrial se concentra na indústria petroquímica, têxtil, de alimentos, fabricação de equipamentos eletrônicos, material de construção, siderurgia do aço e fabricação de veículos.

5 HISTÓRIA

A derrota do império sassânida pelos árabes significou uma mudança definitiva para o Irã. Seu território foi incorporado ao Califado, que era regido, inicialmente, em Medina e, mais tarde, em Damasco e Bagdá. A partir desse momento, o Irã seria uma nação muçulmana.

Em meados do século XI, os turcos selêucidas conquistaram o Irã, que passou a ser dominado nos séculos subseqüentes pelos mongóis, sob o comando de Gengis Khan e Tamerlão e, finalmente, pelos turcomanos. O poder turcomano terminou com Ismail I, que foi proclamado xá, marcando o início da dinastia safávida (1502-1736) e o estabelecimento da doutrina xiita como religião oficial do Irã. O reinado de Ismail se caracterizou por um conflito com o império otomano que só acabaria um século depois com a conquista de Bagdá, em 1623, pelo xá Abbas I, o Grande. No decorrer do século seguinte, o Irã iniciou uma lenta decadência, até que, em 1722, o país foi conquistado por um exército de afegãos sunitas liderados por Mir Mahmud.

Aproveitando a confusão existente no Irã, a Rússia e a Turquia fizeram um acordo para desmembrar o país. Um exército nacional iraniano, liderado pelo caudilho que expulsou os afegãos em 1729 e que, em 1736, tomou posse com o nome de Nadir Xá, expulsou os russos e os turcos, terminando com a ocupação estrangeira em território iraniano. Nadir Xá reinou entre os anos 1736 e 1747.

Os séculos XIX e XX testemunharam a luta entre a Grã-Bretanha e a Rússia pela hegemonia sobre o Irã. O aumento do poder estrangeiro e a fraqueza e a corrupção dos governantes provocaram, no início do século XX, o aparecimento de um movimento nacionalista que reivindicava o estabelecimento de um governo constitucional. Em 1906, o xá Muzaffar al-Din, que reinou entre os anos 1896 e 1907, foi obrigado pela população a convocar a primeira Assembléia Nacional. Essa Assembléia tinha o objetivo principal de redigir uma constituição de cunho liberal.

Apesar da neutralidade do Irã na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), seu território foi testemunha de várias batalhas pelo controle dos campos de petróleo entre as forças aliadas da Rússia, da Grã-Bretanha e da Turquia. Reza Pahlevi estabeleceu um novo governo independente através de um golpe de estado e, em 1925, foi proclamado xá. Durante seu reinado, o sistema judiciário foi modificado, iniciou-se um programa de ocidentalização, os direitos feudais acabaram e começou um programa de modernização da economia do país a longo prazo.

Na Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha e a URSS ocuparam algumas áreas do país para proteger os campos petrolíferos de uma provável incursão alemã. Os aliados assumiram o controle do sistema de comunicações do Irã e Reza Pahlavi, que simpatizava com os interesses do Eixo, abdicou.

Seu filho, xá Mohamed Reza Pahlevi, lhe sucedeu no trono, adotando uma política favorável aos aliados e concordando com as reformas liberais que o parlamento queria impor.

Em 1943, o governo iraniano protestou por causa do total isolamento a que foi submetida a zona de ocupação por parte da URSS. Essa disputa foi resolvida na Conferência de Teerã, onde surgiu a Declaração sobre a independência, a soberania e a integridade territorial do Irã.

As grandes dificuldades econômicas que surgiram na primeira metade de 1950 geraram uma grave crise política. O general Ali Razmara assumiu o cargo de primeiro-ministro. Sua política conseguiu melhorar a situação econômica do país, mas ele se opôs radicalmente à nacionalização da indústria do petróleo. Foi assassinado em 1951.

Mohamed Hidayat Mossadegh o sucedeu no cargo como dirigente do Partido da Frente Nacional. Defendeu também a nacionalização das empresas de petróleo.

Em 1953, o Majlis ampliou os poderes ditatoriais de Mossadeg, mas, logo depois, os dois poderes entraram em conflito por causa da repercussão internacional da nacionalização das companhias petroleiras, em sua maioria inglesas. O mandatário dissolveu a câmara de deputados e o xá, que se opunha a muitas das medidas adotadas, o destituiu. Mossadegh negou-se a abandonar o cargo e seus seguidores levantaram-se contra a monarquia, obrigando Reza Pahlevi a partir para o exílio. No entanto, o boicote econômico das potências ocidentais e a aceitação de uma aliança com a União Soviética enfraqueceram a posição de Mossadeg. Após a vitória dos partidários do xá, conseguida com a ajuda dos serviços secretos ingleses e norte-americanos, o general Fazlollah Zahedi foi nomeado primeiro-ministro e começou a governar.

O xá aumentou o controle sobre o governo, mantendo uma estreita aliança com os Estados Unidos. Em 1960, o Irã reconheceu o estado de Israel, dificultando as relações como o Egito. Por esse motivo, a Liga Árabe estendeu ao Irã o boicote que exercia contra Israel.

A coroação oficial do xá foi celebrada em 1967, embora já estivesse na direção do país há 26 anos. No momento da coroação, o poder do xá era quase absoluto e pretendia estabelecer uma política exterior mais independente dos Estados Unidos, estreitando relações com os países do Leste enquanto se aproximava do mundo árabe, com exceção do Iraque, com o qual disputava territórios.

Apesar da prosperidade na década de 1970, devida, em grande parte, aos lucros do petróleo, a oposição ao xá foi se generalizando, incentivada por dirigentes religiosos conservadores. Em 1978, produziram-se distúrbios em várias cidades do Irã, liderados por xiitas, fundamentalistas islâmicos que pretendiam que a nação fosse regida pela sharia ou lei islâmica. Esses distúrbios eram comandados de Paris pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, exilado desde 1963. A repressão levada a cabo pela polícia secreta, com uso freqüente de tortura e prisões arbitrárias, deu maior impulso à resistência que, rapidamente, insuflada nas mesquitas pelos sacerdotes, virou uma revolução. A nomeação de um primeiro ministro moderado foi feita tarde demais e Mohammed Reza Pahlevi teve que abdicar e deixar o país.

Após a derrota do xá, Khomeini, apoiado pelo clero xiita e por amplos setores da população, liderou a instauração de uma república islâmica. Em 1979, foi aprovada uma nova constituição e, em janeiro de 1980, celebraram-se eleições para um novo presidente. O fundamentalista Muhammad Ali Rajai foi nomeado primeiro-ministro. Enquanto isso, algumas minorias étnicas do Irã, como os curdos do oeste, os azeris do norte e os árabes do Khuzistão deflagraram uma guerra para lutar por sua autonomia. Em setembro de 1980, o Iraque exigiu a autonomia para a minoria árabe. Quando o Irã rejeitou essas demandas, o Iraque invadiu o Irã, iniciando a Guerra Irã-Iraque.

Em 1981, o Parlamento fundamentalista e o primeiro-ministro Rajai derrotaram o presidente Bani Sadr, que foi destituído do cargo, substituído por Rajai na presidência. Após as eleições gerais de outubro, Ali Kamenei tornou-se o terceiro a ocupar a presidência da República nesse mesmo ano, enquanto Husein Musavi era eleito primeiro-ministro.

Quando Khomeini morreu, em 1989, o presidente Kamenei o sucedeu no cargo como Guia da Revolução (equivalente à chefia de estado no Irã, desde a revolução). Hashemi Rafsanjani foi eleito presidente. O Irã condenou tanto a invasão iraquiana no Kuwait durante a Guerra do Golfo Pérsico quanto o posterior deslocamento de tropas dos Estados Unidos na Arábia Saudita, mas reatou as relações diplomáticas com o Iraque que, por sua vez, renunciou às suas pretensões territoriais no Irã. A facção que apoiava Rafsanjani conseguiu a maioria no Parlamento em 1992 e ele mesmo foi reeleito em junho de 1993.

Nos anos seguintes, o Irã, acusado pelos Estados Unidos de ser o promotor do terrorismo internacional, sofreu um verdadeiro cerco econômico e diplomático, vendo reduzirem-se os investimentos estrangeiros e sofrendo um embargo econômico semelhante ao que afetava países como Cuba ou Líbia. Contudo, a insistência em posturas radicais, como a condenação à morte do escritor Salman Rushdie, a repressão das minorias nacionais e a segregação das mulheres, reduziu muito qualquer apoio internacional que o país pudesse ter. Em 1997, o governo iraniano foi responsabilizado pelo assassinato de quatro militantes nacionalistas curdos na Alemanha pela Suprema Corte de Berlim.

Nas eleições parlamentares de 1996, a Sociedade do Clero Iraniano, partido dos aiatolás, perdeu a maioria no Parlamento. Nas eleições presidenciais de maio de 1997, o moderado Sayed Mohammad Khatami teve apoio popular para enfrentar e derrotar Ali Nateq Nouri, candidato dos religiosos de direita. O governo de Khatami não tem sido fácil, devido à oposição dos radicais xiitas e da direita clerical, mas tem tido êxito em melhorar a imagem externa do país. Em setembro de 1998, garantiu que seu governo não tomará qualquer medida para fazer cumprir a pena de morte contra Rushdie, ainda que não tenha poderes para revogá-la, e, em dezembro, fez uma visita à Itália durante a qual manteve uma histórica entrevista com o papa João Paulo II.

Em fins de fevereiro de 1999, seus partidários obtiveram uma considerável vitória nas primeiras eleições municipais realizadas desde a revolução islâmica, vencendo nas maiores cidades e obtendo a totalidade dos cargos no Conselho Municipal de Teerã. Entretanto, o aspecto mais importante da derrota eleitoral dos aiatolás foi que, dos 200 mil cargos municipais em disputa, 4 mil foram preenchidos por mulheres, que tinham sido duramente segregadas desde os tempos de Khomeini.


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Aniversariante do Dia

Canto Cauby Peixoto (09/02/1934)

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aconteceu Há 10 Anos Atrás

09.02.1999

Inaugurado em Corumbá/MS o gasoduto Bolívia-Brasil.

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domingo, 8 de fevereiro de 2009

85 Anos da 1ª Pena Capital

08.Fev.24

A Primeira Pena de Morte Estadual(em Nevada) usando gás aconteceu nos Estados Unidos.

O Que é a Pena de Morte?
Pena de morte

Consiste na privação da vida do condenado por um delito que a lei sanciona com a referida condenação. Denomina-se, desse modo, pena capital. Atualmente, muitos países admitem a pena de morte apenas em casos excepcionais, como em tempo de guerra e em situações de extrema gravidade. Nos Estados Unidos, existe esta pena em alguns estados.


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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Centenário de Nascimento de Dom Helder Cãmara

07.Fevereiro.1909

Câmara, Helder

(1909-1999), bispo católico brasileiro, da Arquidiocese de Olinda e Recife, no Estado de Pernambuco. Nasceu em Fortaleza, Ceará, e estudou no Seminário Arquidiocesano do Estado do Ceará, formando-se em 1931.

Em 1936, no Rio de Janeiro, assumiu a direção do Serviço de Medidas e Programas do Instituto de Pesquisas, da Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura, então, Distrito Federal. Participou do movimento integralista até a década de 1940. Entre 1946 e 1962 atuou na Ação Católica Brasileira, como assistente nacional.

Em 1952 foi nomeado auxiliar do cardeal-arcebispo da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e sagrado bispo auxiliar. Participou como membro do Conselho Federal de Educação, entre 1952 e 1964, do Supremo Conselho de Imigração e do Conselho Diretor da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM). Nesse mesmo período criou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e foi seu primeiro secretário.

Numa tentativa de resolver os problemas da pobreza e das favelas no Rio de Janeiro, criou a Cruzada São Sebastião para dar moradia aos favelados e, em 1959, fundou o Banco da Providência para ajudar os pobres. Idealizou, ainda, a Feira da Providência, que se realiza anualmente, para angariar recursos destinados a minorar a situação das classes menos favorecidas. Participou ativamente do Concílio Ecumênico do Vaticano II, entre 1962 e 1964.

Chefiou a Secretaria nacional de ação social da CNBB. Desde 1964 assumiu o Arcebispado de Olinda e Recife e segue a Encíclica Populorum progressio de 1967, do papa Paulo VI. Participou da vida política brasileira, preocupado, especialmente, com a pobreza e a situação de miséria existentes no Nordeste do Brasil.


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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

15 Anos do Túnel do Canal da Mancha


St. Pancras International, upload feito originalmente por Luciano Guelfi.



em 06 de Fevereiro de 1964 a França e o Reino Unido concordam em construir um túnel sob o canal da Mancha.

Saiba Mais:

Túnel do Canal da Mancha
Túnel do Canal da Mancha

Um túnel de 50,4 km de comprimento cujo trajeto passa sob o canal da Mancha, entre Cheriton, perto de Folkestone (Kent), e Coquelles, perto de Calais. Inaugurado em 1994, é um dos grandes projetos de engenharia do século XX. Tem capacidade para 600 trens diários em ambos os sentidos. É um serviço regular de trens gerenciado pela companhia Eurotunnel e também transporta automóveis e caminhões. O trajeto tem duração de 35 minutos. Cada trem alcança uma velocidade de 130 km/h sob o mar. Possuem comprimento de 800 m e podem transportar até 180 automóveis, ou 120 automóveis e 12 ônibus. Os trens de mercadorias podem transportar 28 caminhões.



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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Você Sabe o Que Aconteceu no Dia...?

05 de Fevereiro de 1984

O Brasil inaugura base na Antártica.

Para Saber Mais:

Brasil na Antártida
O Brasil na Antártida


A adesão do Brasil ao Tratado Antártico em 1976, e sua posterior aceitação como membro consultivo desse tratado em 1983, assim como sua inclusão como partícipe do Comitê Científico de Pesquisas Antárticas (CCPA) em 1994, garantiram sua participação no conjunto de grupos de pesquisa que montaram bases na Antártida. Desde 1982 o Brasil envia expedições sistemáticas ao continente Antártico e desde 05 de Fevereiro de 1984 estabeleceu base fixa na região. A estação brasileira Comandante Ferraz está localizada na península de Keller, na baía do Almirantado da ilha do Rei Jorge, arquipélago das Shetland do Sul. Possui uma equipe permanente que trabalha durante todo o ano, inclusive no inverno, e durante o verão acolhe grupos de pesquisadores especializados em meteorologia e monitoramento do clima, da camada de ozônio, do processo de poluição do oceano Atlântico, nos estudos geológicos sobre ocorrência de jazidas de petróleo e outros minerais, e nas pesquisas biológicas sobre os organismos marinhos, com ênfase no krill, um pequeno crustáceo semelhante ao camarão, muito rico em proteínas, que vive exclusivamente nas águas antárticas. O Programa Antártico Brasileiro (Proantar) reporta-se a uma Comissão Interministerial para os Recursos do Mar e seu apoio logístico é confiado aos ministérios da Marinha e Aeronáutica. Tanto a construção da base Comandante Ferraz, quanto a aquisição dos navios de pesquisas oceanográficas, incluindo sua operação e manutenção, são operadas pela Marinha brasileira, com exceção do navio oceanográfico Professor Besnard, de propriedade da Universidade de São Paulo. A partir de 1994 o novo navio de pesquisas oceanográficas especial para navegação em mares gelados, Ary Rangel, iniciou suas atividades participando da XIII Operação Antártica, entre 1994 e 1995. O Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e as Universidades garantiram a presença de 80 pesquisadores e estabeleceram as prioridades de pesquisa. Até 1997, o Brasil já tinha participado de 14 operações no continente Antártico.


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