domingo, 31 de agosto de 2008

Semelhanças entre o chimpanzé e o homem

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A descoberta, em julho de 1999, de que os chimpanzés desenvolvem cultura própria reforça a tese de proximidade com o homem. Uma equipe liderada pelo primatologista Andrew Whiten, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia, demonstrou que diferentes grupos do animal africano adotam estilos de vida diversos, com hábitos aprendidos e não apenas herdados. Entre os avanços alcançados estão técnicas e ferramentas para caçar insetos, abrir nozes, misturar alimentos e se comunicar. Eles repetem padrões sociais como laços afetivos e hierárquicos e o uso de plantas como medicamentos  que os antropólogos imaginam ter sido adotados pelas primitivas tribos humanas.


A busca de semelhanças entre seres humanos e chimpanzés existe há várias décadas. Ambas as espécies pertencem ao mesmo ramo evolutivo e, apesar de se ter separado cerca de 4 milhões de anos atrás, guardam cerca de 5% de diferença genética ou seja, 95% dos genes dos dois são idênticos. Até setembro do ano passado acreditava-se que a diferença era menor, de apenas 2%, mas estudo do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) revelou que a semelhança havia sido superestimada. Mesmo assim, o chimpanzé ainda é macaco mais próximo do homem. Alguns pesquisadores consideram que esses primatas têm a capacidade
mental de uma criança de 4 anos de idade. Várias experiências demonstram que são capazes de raciocínio lógico e de aprender a
se comunicar por sinais, símbolos gráficos e de computador.


Recentemente, o psicólogo Roger Fouts, da Universidade Central de Washington, nos Estados Unidos, ensinou cinco animais a trocar idéias por meio de gestos. Eles compreendem, em média, 240 termos (um homem adulto utiliza um vocabulário de cerca de 4 mil palavras) e podem combinar sinais para criar novas expressões.


Entre os especialistas, no entanto, a concepção de que chimpanzés são tão parecidos com os humanos é polêmica. Alguns pesquisadores afirmam que a evolução lhes bloqueou o desenvolvimento da inteligência num momento muito anterior à criação de uma linguagem. Para eles, ao repetir gestos ou escolher símbolos, os macacos apenas copiam um comportamento, sem lhe associar nenhum significado.

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sábado, 30 de agosto de 2008

Estética

Estética é a área da filosofia que estuda racionalmente o belo  aquilo que desperta a emoção estética por meio da contemplação e o sentimento que ele suscita nos homens. A palavra estética vem do grego aesthesis, que significa conhecimento sensorial ou sensibilidade, e foi adotada pelo filósofo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) para nomear o estudo das obras de arte como criação da sensibilidade, tendo por finalidade o belo.


Embora a expressão "estética" tenha uso recente para designar essa área filosófica, ela já era abordada sob outros nomes desde a antiguidade. Entre os gregos usava-se freqüentemente o termo poética (poeisis) - criação, fabricação -, que era aplicado à poesia e a
outras artes. Aos poucos, a estética passou a abranger toda a reflexão filosófica que tem por objeto as artes em geral ou uma arte específica. Engloba tanto o estudo dos objetos artísticos quanto os efeitos que estes provocam no observador, abrangendo os valores artísticos e a questão do gosto.


Contemporaneamente, sob uma perspectiva fenomenológica, não existe mais a idéia de um único valor estético (o belo) a partir do qual julgamos todas as obras de arte. Cada objeto artístico estabelece seu próprio tipo de beleza, ou seja, o tipo de valor pelo qual será julgado. Os objetos artísticos são belos porque são autênticos segundo seu modo de ser singular, sensível, carregando significados que só podem ser percebidos por meio da experiência estética.

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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Entrevista: Connell Cowan

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Veja – Existe um parceiro ideal inato, uma alma gêmea que precisa ser encontrada para trazer felicidade?
Cowan – Em primeiro lugar, ser um bom parceiro é saber desmistificar o que é romantismo. O romantismo mostrado no cinema e na TV é bastante diferente da intimidade do dia-a-dia. Depois, a melhor qualidade de um parceiro é a aceitação do outro. É esta a qualidade que constrói a confiança, o conforto e a sensação de segurança. Outro aspecto importante é que a pessoa saiba responsabilizar-se pela própria satisfação de vida. Não devemos esperar que uma união nos proporcione isso. O problema é que as pessoas acreditam que relacionamentos foram feitos para consertar algo errado em sua vida. Felicidade, realização, equilíbrio são metas que se alcançam individualmente.


Veja – Por que tantos casamentos terminam em divórcio — e cada vez mais rapidamente?
Cowan – Uma das grandes causas é a falsa expectativa. As pessoas se casam com expectativas que não podem ser preenchidas, então acabam desiludidas e desapontadas. Os casados despejam a culpa de seus problemas no casamento. Freqüentemente os separados acabam afundados nos mesmos problemas que tinham quando eram casados.


Veja – Por que mulheres inteligentes fazem escolhas tolas no campo afetivo?
Cowan – Existem milhares de razões. Às vezes elas são atraídas pelo desafio de conquistar homens que não se comprometem facilmente. Esse sentimento é de ânsia, não de amor. Esse tipo de relacionamento amarra as mulheres a relações estranhas e vazias. Fiquei bastante impressionado com a vida de várias de minhas clientes. Todas eram inteligentes, bonitas, moravam bem e tinham belas carreiras. Moldaram sua vida de uma forma na qual tudo dava certo, exceto o relacionamento com homens. Era um paradoxo. Por que elas não eram capazes de usar sua inteligência nos relacionamentos amorosos? Isso me intrigou.


Veja – Seu livro foi best-seller em diferentes países, inclusive naqueles onde as mulheres são oficialmente consideradas inferiores aos homens. Como o senhor explica esse sucesso?
Cowan – Fiquei chocado ao saber que meu livro foi publicado na China, na Hungria, no Japão, em Israel e até na Bósnia. Pensei: "O que essas mulheres estão fazendo, lendo esse livro em plena guerra?". Aprendi que elas desejam entender suas relações com os homens de maneira mais profunda, além de compreender melhor os próprios homens e algumas das razões que levam a erros. Esse tema transborda culturas. Certa vez, recebi uma mulher japonesa em meu consultório mas quem marcou a consulta foi o marido. Eles vieram do Japão e passamos uma tarde juntos. O marido participou da sessão como tradutor. Horas depois, percebi que ela entendia tudo o que eu falava e era capaz de responder em inglês. A partir daí, passei a me dirigir diretamente a ela, o que tornou a conversa bem mais interessante. Esse caso me chamou a atenção, pois, apesar de o marido controlar a situação, essa mulher é uma grande executiva, dona de uma cadeia de joalherias no Japão.
Inclusive, nesse país, meu livro foi adaptado para o teatro cabúqui, com produção de Nova York no estilo da Broadway.


Veja – Há poucos meses, um jovem professor judeu americano, de Denver, colocou uma foto de si mesmo num jornal israelense. Nela, ele segurava um cartaz escrito a mão em hebraico onde se lia: "Procuro uma mulher para casar e ter filhos". Seis mil mulheres responderam. Será que homens assim são tão raros que a proporção chegue a 6 000 para uma?
Cowan – Seis mil? Isso é impressionante. Deve ter sido a menção a filhos. Normalmente, anúncios pessoais na internet ou em revistas têm um tom bastante egoísta. Os que me dão raiva são aqueles que dizem "Estou na faixa dos 50, procuro uma mulher branca, entre 22 e 28 anos", em vez de "quero me casar e construir uma família". Isso é muito mais atraente para as mulheres.


Veja – Quais são as principais reclamações que o senhor escuta de suas pacientes quando elas falam sobre homens?
Cowan – Reclamam de homens que não assumem um papel ativo na criação dos filhos e na tomada de decisões. Outras se queixam de que não têm tempo para si mesmas. É mais fácil para os homens ficar
sozinhos de vez em quando. As mulheres precisam de privacidade tanto quanto os homens, mas não têm sossego. Outras mulheres reclamam de não ser ouvidas. Nem sempre elas querem que o homem resolva seus
problemas, querem apenas que as escute.


Veja – O senhor diz que, em relacionamentos, os homens têm prioridades diferentes. Quais são elas?
Cowan – Existe uma gama de prioridades, muitas delas bem estranhas, mas vou falar das relações saudáveis. Os homens procuram mulheres que os alimentem emocionalmente e que os aceitem. Geralmente, eles não buscam mulheres que cuidem deles financeiramente. As mulheres ainda buscam homens que elas julguem capazes de ser bem-sucedidos, protetores, poderosos. O poder é um grande atrativo, pois é uma idéia que remete à segurança. Essa é a prioridade das mulheres. Já os homens não procuram, necessariamente, mulheres poderosas. Não que elas não sejam atraentes, mas o poder não é o suficiente elas devem ter algo mais. O poder puro e simples seria um pouco amedrontador para um homem. De alguma forma, os homens podem sentir-se intimidados por uma mulher poderosa.


Veja – Que tipo de homem se intimida com mulheres fortes?
Cowan – Acredito que sejam os homens fracos. Apenas homens inseguros se sentem ameaçados por mulheres com algum poder, porque eles se vêem inferiores diante delas, em vez de celebrar o sucesso das
parceiras. Esse sucesso ameaça sua autoconfiança e seu próprio sucesso. Já os homens fortes gostam de mulheres fortes. Um homem forte não vê problemas em celebrar o sucesso, a força e as realizações de sua mulher. Por isso é importante que mulheres fortes busquem homens fortes.


Veja – Então mulheres mais femininas, delicadas e com menos iniciativa não necessariamente atraem mais os homens...
Cowan – Exato. Um homem inseguro provavelmente vai sentir-se mais atraído por uma mulher que ele possa controlar, que seja ondescendente, que não alcance algo na vida maior ou mais importante que ele. Assim ele se sentirá mais confortável. Mas um homem seguro, eficiente e bem-sucedido pode sentir-se atraído por uma mulher tão ou até mais bem-sucedida que ele no mundo do trabalho


Veja – Por exemplo...
Cowan – Tive um casal de pacientes em que a mulher tinha um diploma de mestrado em administração de empresas pela Universidade Harvard e o marido era um advogado. Ela era apaixonada pela carreira. Já ele, que
trabalhava numa empresa de entretenimento, não morria de amores pelo emprego — então pediu demissão para ficar em casa cuidando dos dois filhos. Ela está no mundo, sendo promovida e trazendo dinheiro para casa, enquanto ele está se transformando no "Senhor Mamãe". Trata-se de um homem extremamente inteligente, capaz, forte e que não se sente ameaçado pelo sucesso de sua mulher. Ele adora o fato de ela ser promovida, pois isso significa mais dinheiro e uma vida mais confortável. As mulheres sempre foram capazes de gerar renda suficiente para sustentar uma família. Agora podem fazer isso com classe.


Veja – Depois de movimentos feministas e conquistas no mercado de trabalho, as mulheres mudaram?
Cowan – Elas mudaram em alguns aspectos. No campo profissional, vemos muito mais mulheres médicas, advogadas, por exemplo. Mas ainda há uma insatisfação. Percebi, por exemplo, que várias advogadas lidavam com homens de alto escalão em ambientes em que se trabalha dezesseis horas por dia, numa atmosfera competitiva, desequilibrada e exaustiva. Muitas delas perceberam que não queriam competir ou fazer parte desse ambiente. Hoje está havendo uma mudança. Há mulheres deixando a carreira para cuidar das crianças. Isso é um movimento saudável.


Veja – Como os homens reagiram à invasão de mulheres no mercado de trabalho e ao fato de receber ordens de alguém de saias?
Cowan – No início desse movimento, eles sentiram-se ameaçados. Inclusive surgiram regulamentações que obrigam as empresas a ter um número determinado de mulheres no quadro de funcionários. Mas os homens se acostumaram a conviver com supervisoras. A idéia hoje é de confiança os homens aceitam com mais facilidade o fato de ter uma chefe, se acharem que ela é qualificada para tal. Eles buscam profissionais mais pela capacidade do que pelo sexo. E é assim mesmo que deve ser.


Veja – Será que nas próximas gerações ainda veremos casais de idosos caminhando de mãos dadas pelas ruas ou celebrando suas bodas de ouro?
Cowan – Acredito que sim. Hoje, conheço mais gente envolvida em relações bem-sucedidas do que em qualquer outra época de minha vida. Elas se gostam. Acho que essas pessoas serão esses casais aos quais
você está se referindo. É lindo ver esses velhinhos juntos, não? Transmitem algo de amor persistente. Ainda acredito nisso. Se formos realistas, generosos e responsáveis, essas relações são possíveis.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Today in History


28 de Agosoto de 2003

IATISMO - Robert Scheidt conquista centésimo título

O velejador brasileiro Robert Scheidt, hexacampeão mundial da classe Laser, conquista seu centésimo título ao vencer a Semana Pré-Olímpica de Atenas, na Grécia. O feito o coloca como favorito para as Olimpíadas de 2004. Scheidt já conquistou medalha de ouro nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e de prata em Sydney, em 2000.

Segundo colocado do ranking da Federação Internacional de Vela, Scheidt tem 85 títulos na classe Laser, além de dois na Optimist; quatro na Snipe, uma na Finn, seis em Oceano e duas na Star.

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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Acidente vascular cerebral (AVC)

 

Acidente vascular cerebral (AVC) é a lesão isquêmica nos tecidos cerebrais, devido a uma obstrução na passagem do sangue ou a uma hemorragia dos vasos sangüíneos do cérebro. A suspensão do fornecimento de sangue leva a uma rápida deterioração ou morte de certas áreas cerebrais, provocando a paralisia dos membros ou órgãos controlados pela zona afetada. Geralmente, está associada à hipertensão arterial, arteriosclerose ou ambas.

A maioria dos casos deve-se a uma obstrução arterial, provocada por uma trombose ou embolia. A hemorragia dos vasos cerebrais é uma causa menos freqüente, ocorrendo, geralmente, em áreas onde surgem aneurismas (dilatação da parede de um vaso), nos locais de bifurcação das grandes artérias da superfície cerebral.

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Marcel Proust

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INTRODUÇÃO

Proust, Marcel (1871-1922), romancista francês, em cujos textos o tempo é resgatado através da memória e a realidade é “recriada por nosso pensamento”. Seu estilo é o correspondente literário do impressionismo na pintura e na música (ver Claude Debussy).

Marcel Proust nasceu em Auteuil, nos arredores de Paris. Sua mãe era da alta burguesia judaica e seu pai, médico. Proust cresceu em Paris e em Illiers, pequena cidade da região francesa de Beauce. Muito jovem, começou a escrever e a freqüentar os salões parisienses. Seus primeiros textos foram publicados na Revue Blanche e em Le Banquet, revista que fundou com seus companheiros do Liceu Condorcet, onde foi educado e iniciou sua preparação para a carreira diplomática. Em 1895, escreveu um romance autobiográfico, Jean Santeuil, editado postumamente (1952). Em 1896 publicou, com prefácio de Anatole France, Les plaisirs et les jours, uma antologia de relatos, ensaios e poemas. A partir de então, sua vida dividiu-se entre os prazeres do mundo, a leitura e a escrita. Admirador do crítico de arte e sociólogo inglês John Ruskin, traduziu muitas de suas obras, entre elas A bíblia de Amiens (1903) e Sésame et les lys (1906). Nessa época, Proust perdeu o pai (1903) e, logo em seguida, a mãe (1905), a quem adorava. Estas mortes tornaram-no mais introspectivo e, em 1908, ele decidiu se dedicar integralmente ao trabalho, iniciando um estudo sobre Sainte-Beuve.

CRIAÇÃO E PUBLICAÇÃO DE EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Marcel Proust apresentou Em busca do tempo perdido a diversas editoras. Nenhuma aceitou o trabalho que se tornaria um marco da literatura mundial. Sem desanimar, Proust retomou o original, enxertando novos episódios. Em 1914, a morte acidental de Alfred Agostinelli, com quem mantinha ligação amorosa desde 1907, abalou profundamente Proust. A dor provocada pela perda do companheiro inspirou, em parte, o personagem Albertine de La prisonnière (publicação póstuma, em 1923; A prisioneira, tradução de Lourdes Souza de Alencar e Manuel Bandeira, 1954) e de La fugitive ou Albertine disparue (publicação póstuma, em 1925; A fugitiva, tradução de Carlos Drummond de Andrade, 1956), quinta e sexta partes de Em busca do tempo perdido. Até sua morte, Proust não cessou de rescrever seus textos, corrigindo cadernos já escritos, completando-os e preocupando-se com a publicação dos volumes de Em busca do tempo perdido. Além dos já citados, o corpo completo da obra inclui Du côté de chez Swann (1913; No caminho de Swann, tradução de Mário Quintana; 1948), À l’ombre des jeunes filles en fleurs (1919; À sombra das raparigas em flor, tradução de Mário Quintana, 1951); Le côté de Guermantes (dois volumes, 1921 e 1922; O caminho de Guermantes, tradução de Mário Quintana, 1953); Sodome et Gomorrhe (dois volumes, 1921 e 1922; Sodoma e Gomorra, tradução de Mário Quintana); Le temps retrouvé (publicação póstuma, em 1927; O tempo redescoberto, tradução de Lúcia Miguel Pereira, 1957). Les plaisirs et les jours, junto com L’indifférent, obra descoberta em 1978, foi publicada no Rio de Janeiro, em tradução de Fernando Py, com o título Os prazeres e os dias/O indiferente, em 1983.

OBRA INCLASSIFICÁVEL

Como a Comédia humana de Balzac, Em busca do tempo perdido constitui uma fusão de diferentes gêneros de romance: psicológico, sociológico, de iniciação e formação, poético, filosófico, em primeira pessoa. Revela a vontade de representar o universo todo. Lá convivem cozinheiras e princesas, burgueses convencionais e homossexuais, todos eles sujeitos às mudanças e aos abalos que seus mundos sofrem através do tempo. Em busca do tempo perdido é organizada em torno de um eixo, a narração em primeira pessoa, que domina o conjunto da narrativa. Ao mesmo tempo, estabelece as diversas etapas da formação e revelação de uma vocação de escritor. Com efeito, no fim do relato, o narrador resolve começar a escrever o romance que o leitor já leu, fechando a estrutura da obra num círculo que parece abolir a linearidade do tempo.

ARQUITETURA DO ROMANCE

No caminho de Swann é uma das duas obras-mestras, junto com O tempo redescoberto, de Em busca do tempo perdido. A primeira parte, intitulada “Combray”, começa com a evocação de um “mundo perdido para sempre”: o narrador acorda em plena noite e não consegue reconhecer o lugar onde está. Sua memória percorre todos os quartos já visitados em outro tempo, especialmente o de Combray, onde esperava que sua mãe fosse beijá-lo. Termina com a conhecida experiência da madalena mergulhada numa chávena de chá. Seu sabor ressuscita a infância do autor, dividida entre duas famílias: Swann e Guermantes. A segunda parte do romance, “Um amor de Swann”, é a única escrita em terceira pessoa. Dominada pelo procedimento da mise en abîme, tem a função de bisagra, porque Swann ocupa o primeiro plano na infância do narrador e porque a história da sua paixão por Odette prefigura os amores futuros do narrador com Albertine.

À sombra das raparigas em flor é dedicada à adolescência do narrador, à decepção amorosa com Gilbert Swann e a seu encontro com Albertine, em Balbec. O caminho de Guermantes descreve a vida da aristocracia parisiense e a descoberta do homossexualismo. Sodoma e Gomorra evoca o nascimento do amor por Albertine e representa o invés do falso brilho aristocrático. A prisioneira, com Albertine seqüestrada, é uma análise psicológica da paixão amorosa entre quatro paredes. Em A fugitiva, o narrador estuda o desaparecimento progressivo do seu amor após a morte de Albertine e o tormento persistente dos ciúmes, que o impulsam a iniciar uma investigação sobre o passado de sua amiga. Em O tempo redescoberto, última parte de sua obra, o narrador reencontra, irreconhecíveis, depois da Primeira Guerra Mundial, todos os personagens que desempenharam um papel importante em sua vida, tomando consciência da hipocrisia do mundo que o cercava.

Em busca do tempo perdido é, em síntese, a narração do tempo transcorrido entre o instante vivido e sua representação literária, bem como a história de uma vocação misteriosa, que só é revelada no fim de um itinerário sombrio, revisto e iluminado pela tomada de consciência. É dentro dele que o narrador acaba encontrando a verdade que procurava no mundo: “O escritor não precisa inventar, mas traduzir, porque o único livro verdadeiro é aquele que existe em cada um de nós. O dever e a tarefa de um escritor são os de um tradutor.”

 

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Costinha

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Costinha

Costinha (1923-1995), comediante brasileiro. Lírio Mário da Costa tinha nome de flor mas, durante anos, foi o terror de mamães, que o consideravam pornográfico. Costinha conseguiu sucesso em TV, apesar de basear seu humor em pesadas piadas sexuais, tendo os homossexuais como seu tema favorito. A habilidade para fazer caretas, com sua cara quase de borracha, garantiu a popularidade na tela pequena mesmo sem contar as piadas impróprias, sempre com palavrões, que o tornaram famoso nos palcos, em espetáculos sob medida como O donzelo e O exorsexy.

Foi um dos raros comediantes de sua geração a apostar firme no cinema, estreando na tela ainda em 1949, em Anjo de lodo, de Lulu de Barros, e estrelando na década de 1970 filmes como Costinha, o rei da selva (1976) e Costinha e o King Mong (1977). Seu último trabalho cinematográfico foi em O mandarim (1995), filme de Júlio Bressane.

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domingo, 24 de agosto de 2008

Bike wheel consisting of spokes with shoes on the end

 


Max Knight built this working, rideable "Walking Bike" for a magazine shoot -- don't miss the video of the bike in action.Link (via Make

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sábado, 23 de agosto de 2008

Islamismo

INTRODUÇÃO

Islã, importante religião mundial (a população muçulmana é estimada em mais de 935 milhões), originária da península da Arábia e baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632), chamado o Profeta. Segundo o Alcorão, o Islã é a religião universal e primordial. O muçulmano é um seguidor da revelação divina contida no Alcorão e formulada pelo profeta Maomé. Já que, no Alcorão, muçulmano é o nome dado aos seguidores de Maomé (Alcorão 22,78), os muçulmanos sentem-se ofendidos quando são chamados de maometanos pois isto implica a idéia de um culto pessoal a Maomé, proibido no Islã.

DOUTRINA E PRÁTICA

As duas fontes fundamentais da doutrina e da prática islâmicas são o Alcorão e a sunna (conduta exemplar do profeta Maomé). Os muçulmanos consideram o Alcorão como a palavra “incriada” de Deus, revelada a Maomé através de Gabriel, o arcanjo da revelação. Os islamitas acreditam que Deus, e não o Profeta, é o autor destas revelações. Por isto, o Alcorão é infalível.

O Alcorão contém as revelações transmitidas a Maomé durante os quase 22 anos de sua vida profética (610-632). A segunda fonte essencial do islã, a sunna ou exemplo do Profeta, é conhecida através dos Hadith, recompilação de tradições baseadas no que disse ou fez o Profeta. Ao contrário do Alcorão, os Hadith não são considerados infalíveis.

O monoteísmo é uma matéria central para o Islã: a crença em um Deus (Alá), único e onipotente. Deus desempenha quatro funções fundamentais no Universo e na humanidade: criação, sustentação, orientação e julgamento, que se conclui com o dia do Juízo, no qual a humanidade será reunida e todos os indivíduos serão julgados de acordo com seus atos. Deus, que criou o Universo por absoluta misericórdia, é obrigado também a mantê-lo. A natureza é subordinada aos homens que podem explorá-la e beneficiar-se dela. Todavia, o último objetivo humano consiste em existir para o “serviço de Deus”.

No que se refere à prática islâmica, cinco deveres — conhecidos como os “pilares do Islã”— são fundamentais:

– profissão da fé ou testemunho; “Não há nada superior a Deus e Maomé é seu enviado”. Esta profissão deve ser feita, publicamente, por cada muçulmano pelo menos uma vez na vida.

– cinco orações diárias. Durante a oração, os muçulmanos olham em direção à Caaba, em Meca (Makka). Antes de cada oração comunitária, é feita uma chamada pública, pelo muezim, a partir do minarete da mesquita.

– Pagar o zakat (óbolo), instituído por Maomé.

– jejum no mês de Ramadã.

– peregrinação à Caaba, em Meca. Todo muçulmano adulto, capacitado fisicamente e dotado de bens suficientes, deve realizá-la pelo menos uma vez na vida.

Além destas cinco instituições básicas, o Islã impõe a proibição do consumo de álcool e carne de porco. Além da Caaba, os centros mais importantes da vida islâmica são as mesquitas.

ISLÃ E SOCIEDADE

O conceito islâmico de sociedade é teocrático, sendo que o objetivo de todos os muçulmanos é o “governo de Deus na Terra”. A filosofia social islâmica baseia-se na crença de que todas as esferas da vida constituem uma unidade indivisível que deve estar imbuída dos valores islâmicos. Este ideal inspira o Direito islâmico, chamado sharia, que explica os objetivos morais da comunidade. Por isso, na sociedade islâmica, o termo Direito tem um significado mais amplo do que no Ocidente moderno secularizado, pois engloba imperativos morais e legais.

A base da sociedade islâmica é a comunidade dos fiéis que permanece consolidada no cumprimento dos cinco pilares do islã. Sua missão é “inspirar o bem e proibir o mal” e, deste modo, reformar a Terra. A luta por este objetivo tenta se concretizar através da jihad (guerra santa) que, se for necessário, pode englobar o uso da violência e a utilização de exércitos. A finalidade prescrita pela jihad não é a expansão territorial ou a tomada do poder político, e sim a conversão dos povos ao Islã.

HISTÓRIA

Na época de Maomé, a península da Arábia era habitada por beduínos nômades — dedicados à criação de rebanhos e saques —, e pelos árabes que viviam do comércio. A religião dos árabes pré-islâmicos era politeísta e idólatra, embora existisse uma antiga tradição de monoteísmo. Maomé foi precedido por oradores monoteístas, mas com pouco êxito. Pertencente ao clã Haxemita, da tribo beduína Curaichita, Maomé iniciou seu ministério aos 40 anos, quando começou a pregar em Meca, sua cidade natal. Depois de quatro anos, convertera cerca de 40 pessoas. Hostilizado pelos outros habitantes que viam naquele discurso monoteísta uma ameaça aos lucros obtidos com as caravanas que paravam em Meca para reverenciar ídolos locais, Maomé acabou fugindo para Medina, em 622. A partir deste acontecimento, conhecido por Hégira, inicia-se o calendário islâmico. Na ocasião de sua morte, em 632, Maomé já era o dirigente máximo de uma religião que ganhava poder com grande rapidez.

A primeira escola importante de teologia islâmica, a mutazilita, surgiu graças à tradução das obras filosóficas gregas para o árabe, nos séculos VIII e IX, e ressaltava a razão e a lógica rigorosa. A questão da importância das boas ações continuava, mas a ênfase principal era na absoluta unicidade e justiça de Deus. Os mutazilitas foram os primeiros muçulmanos a adotar os métodos filosóficos gregos para difundir suas idéias. Alguns de seus adversários utilizaram os mesmos métodos e o debate resultou no movimento filosófico islâmico, cujo primeiro representante importante foi al-Kindi (século IX), que tentou conciliar os conceitos da filosofia grega com as verdades reveladas do islã. No século X, o turco al–Farabi foi o primeiro filósofo islâmico a subordinar revelação e lei religiosa à filosofia. Defendia que a verdade filosófica é idêntica em todo o mundo e que as diversas religiões existentes são expressões simbólicas de uma religião universal ideal. No século XI, o filósofo e médico persa muçulmano Avicena (Ibn Sina) conseguiu a mais sistemática integração do racionalismo grego com o pensamento islâmico. Averroés, o filósofo e médico ibero-muçulmano do século XII, defendeu os conceitos aristotélicos e platônicos e converteu-se no filósofo islâmico mais importante da história intelectual do Ocidente.

A estagnação da cultura islâmica depois da Idade Média resultou em uma renovada insistência no pensamento original (ijtihad) e nos movimentos de reforma religiosa, social e moral. O primeiro deste tipo foi o wahabita, nome dado em homenagem a seu fundador Ibn Abd al-Wahhab, que surgiu na Arábia, no século XVIII, e converteu-se no líder de um grande movimento que se integrava com as ramificações do mundo muçulmano. Outros reformistas islâmicos foram marcados por idéias ocidentais como Mohamed Abduh ou Mohamed Iqbal. Embora as idéias modernas estejam baseadas em interpretações plausíveis do Alcorão, os fundamentalistas islâmicos opuseram-se fortemente a elas, sobretudo a partir de 1930. Não são contra a educação moderna, a ciência e a tecnologia, mas acusam os reformistas de difundirem a moralidade ocidental. Por fim, o ressentimento que os muçulmanos sentem pelo colonialismo ocidental fez com que muitos deles relacionassem às culturas do ocidente tudo que seja sinônimo e representação do mal.

 

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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Comércio Justo

Você topa pagar um pouco mais por um produto feito sem danos à natureza ou exploração desumana do trabalho, sabendo que sua compra ajuda a desenvolver comunidades pobres? Milhares de consumidores no mundo topam. São a base do dito "comércio justo".
Muito mais conhecido na Europa, o "comércio justo", ou "solidário", ou ainda "ético" é um movimento social e um sistema internacional de comércio, que busca atenuar desigualdades nos países pobres, por meio da venda de produtos feitos em padrões sustentáveis.
No Brasil, produtos com o certificado do comércio justo ainda são raros em supermercados. Mas isso pode mudar a partir desta semana, quando serão lançadas as normas nacionais desse comércio.
Por aqui, o sistema começou a ganhar algum espaço no final dos anos 90 e só se tornou mais estruturado a partir de 2003. A proposta para normatizar o comércio justo no Brasil, que será levada agora, no dia 19, a um encontro internacional sobre o tema, no Rio, dá a ONGs e empresas a competência de certificar produtos, orientadas pelo Inmetro. Ela foi desenvolvida por Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e outras entidades da sociedade civil. Surge quase dois anos depois da criação de suas linhas gerais.
"Quando a coisa é muito "democrática", feita a 20 mãos, o processo se arrasta", diz Vanucia Nogueira, 47, superintendente do Centro de Excelência de Café do Sul de Minas, que trabalha com pequenos agricultores na região de Varginha.
Enquanto não vão para as gôndolas daqui, produtos nacionais de comércio justo já certificados internacionalmente são exportados para a Europa, como manga, suco de laranja e café. Essas mercadorias são vendidas pelo "preço justo", isto é, suficiente para que pequenos produtores consigam manter tanto um padrão de vida digno quanto os modos tradicionais de produção.
Um exemplo é o café. Em Minas Gerais, uma saca (60 kg) comum custa por volta de R$ 250, de acordo com o Centro de Excelência de Café do Sul de Minas. Já uma saca da produção "justa" rende ao pequeno produtor R$ 310, quase 25% a mais que o preço de mercado.
Isso é financiado na outra ponta da cadeia, pelo consumidor. A diferença entre o preço comum e o "justo" varia segundo o país e o produto.
Em São Paulo, o Sam's Club vende o café de comércio justo por R$ 7,38 (250 g), 17,6% mais barato que um café gourmet (R$ 8,96). Mas bem mais caro que um café comum (R$ 2,30). Apesar dos preços altos, o mercado ético mundial cresceu a uma taxa anual média de 40% nos últimos cinco anos. Em 2007, cresceu 47% e movimentou 2,3 bilhões de euros, segundo a Fairtrade, entidade que reúne 23 certificadoras internacionais e produtores da América Latina, Ásia e África. As certificadoras atestam para o consumidor que os produtos seguem os padrões do sistema.
"O comércio justo oferece aos consumidores uma poderosa oportunidade para assumir a responsabilidade pelo que compram. Cada vez mais pessoas se preocupam com a procedência da mercadoria e querem saber se os produtores envolvidos obtêm remuneração justa", diz Verónica Sueiro, coordenadora da Fairtrade.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Distúrbios mentais

INTRODUÇÃO

Distúrbios mentais são distúrbios ou síndromes psíquicas e de comportamento. Geram angústia e causam danos em importantes áreas do funcionamento psíquico, afetando o equilíbrio emocional, o rendimento intelectual e o comportamento social adaptativo.

A maioria dos sistemas de classificação reconhecem os distúrbios infantis como categorias separadas dos distúrbios adultos. Também distinguem entre distúrbios orgânicos, provocados por uma causa fisiológica clara, e distúrbios não orgânicos ou funcionais, considerados mais leves. Em função da gravidade e da base orgânica, os distúrbios se dividem em psicóticos (perda da realidade) e neuróticos (mal-estar e ansiedade sem perder o contato com a realidade).

As psicoses mais comuns são a esquizofrenia, a maior parte dos transtornos neurológicos e cerebrais (demências) e as formas extremas de depressão. Entre as neuroses, as mais típicas são as fobias, a histeria, a hipocondria e todas que geram uma alta dose de ansiedade sem que haja desconexão com a realidade.

TRANSTORNOS INFANTIS

Mostram-se evidentes na infância, puberdade e adolescência.

O retardo mental é a incapacidade para aprender com normalidade, ser independente e socialmente responsável como outras pessoas da mesma idade e cultura.

A hiperatividade é uma desordem que parte de um déficit na atenção e na concentração devido a uma inquietude constante e patológica.

Os distúrbios ansiosos compreendem o medo da separação (da casa dos pais) e o contato com estranhos, gerando um comportamento pusilânime e medroso.

Os distúrbios mentais evasivos se caracterizam pela distorção simultânea de várias funções psíquicas, como a atenção, a percepção, a avaliação da realidade e a motricidade. Exemplo deste transtorno é o autismo infantil.

Outros transtornos infantis são a bulimia, a anorexia nervosa, os deficiências da fala e a enurese.

TRANSTORNOS ORGÂNICOS MENTAIS

Caracterizam-se pela anormalidade psíquica e do comportamento associados a deteriorações transitórias ou permanentes no funcionamento do cérebro. O dano cerebral procede de uma enfermidade orgânica ou de consumo de alguma droga lesiva. Apresentam, como característica principal, o delírio. A demência é outro sintoma freqüente dos transtornos orgânicos, como a doença de Alzheimer, e se caracteriza por perdas de memória, percepção, juízo e atenção. A demência senil acontece na terceira idade e produz alterações na expressão emocional.

OUTROS TRANSTORNOS

Os transtornos paranóicos se caracterizam por idéias delirantes. As mais típicas são as de perseguição (o indivíduo se considera vítima de uma conspiração), de grandeza (ele acredita ser de natureza nobre, santa ou divina) e de ciúme desmedido. Em qualquer caso, a personalidade paranóide é defensiva, rígida, desconfiada, egocêntrica, ela se isola e pode ficar violentamente anti-social. Ver Personalidade.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Hoje na História


20 de Julho de 1968


Tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tchecoslováquia.


Saiba Um Pouco Mais:

Em 1968, Alexander Dubcek se tornou secretário-geral do Partido Comunista tchecoslovaco. Dubcek praticou uma política de reformas, conhecida como “Primavera de Praga”, ampliou a liberdade de imprensa e de expressão e tentou descentralizar a economia. A invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, em 1968, interrompeu esse processo.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Wallpaper - Vista


vista, upload feito originalmente por Rogsil.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Skype

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domingo, 17 de agosto de 2008

Psicodrama

 

Psicodrama é a  técnica terapêutica segundo a qual o indivíduo interpreta, durante uma representação teatral, um ou mais papéis relacionados a seus problemas existenciais, sejam eles atuais, antigos, reais ou, apenas, fantasias.

Introduzido por Jacob Levy Moreno no final da década de 1920 como terapia de grupo com objetivos principalmente catárticos, o psicodrama já ganhou inúmeras versões. Entre elas, encontra-se o psicodrama associado à psicanálise, ou psicodrama analítico que se destaca por sua ampla difusão.

A sessão psicodramática exige um cenário (espaço onde se desenvolve a ação), um protagonista (paciente que escolhe o assunto que vai ser encenado e que interpreta o papel principal), um psicodramaturgo (terapeuta que conduz a sessão), um ou mais auxiliares (outros terapeutas que ajudam o psicodramaturgo e interpretam os papéis previstos na representação) e, finalmente, o público que ajuda o protagonista pois funciona como caixa de ressonância, manifestando reações e observações de forma espontânea.

Com o decorrer dos anos, o psicodrama tem sido utilizado como tratamento para todos os tipos de distúrbios mentais e em programas de mudança de comportamento. Os pacientes são crianças, idosos e adolescentes com problemas de adaptação. Atualmente, o psicodrama já não é mais usado para produzir reações catárticas, mas como instrumento para favorecer as relações vivas e diretas com as emoções, sentimentos e fantasias do sujeito, graças às possibilidades expressivas que permeiam a representação teatral.

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sábado, 16 de agosto de 2008

Edição de livros

livros

Edição de livros é a confecção, publicação e distribuição de livros. Suas origens remontam às tábuas de argila e pedra e aos cilindros poligonais dos antigos reinos assírios e babilônicos e também às tiras de bambu dos primeiros escritos chineses. Os especialistas preferem considerar os manuscristos em papiro como os verdadeiros precursores dos livros.

Foi na Grécia, provavelmente, onde pela primeira vez foram comercializadas obras literárias, graças aos discípulos de Platão, que vendiam ou alugavam cópias de seus discursos. Os primeiros comerciantes de livros atenienses confeccionavam os livros em rolo, porém, posteriormente, os fabricante de livros empregaram copistas. Por volta do ano 250 a.C., Alexandria converteu-se em um dos maiores mercados de livros do mundo. As primeiras publicações e vendas ocorreram na grande biblioteca de Alexandria, fundada por Ptolomeu I. Em Roma os primeiros editores eram homens ricos, amantes da literatura, que possuíam escravos caros que serviam de escribas. A consolidação do império da China pela dinastia Tsin no ano de 221 a.C., criou condições para o comércio de livros em grande escala. Na Europa medieval eram freqüentes os vendedores ambulantes, embora durante a alta Idade Média a produção de livros fosse, geralmente, monopólio dos scriptoria, ou salas de escritura dos mosteiros. Na baixa Idade Média, o desenvolvimento das universidades estimulou o uso dos livros. A publicação e venda tiveram início, em 1440, com a invenção da imprensa. Os primeiros impressores, também eram os editores das obras que produziam.

O mais influente editor deste período foi Aldo Manuzio, que permitiu à Europa o conhecimento da poesia e da filosofia grega. Na mesma época destacou-se William Caxton, primeiro editor e comerciante a publicar livros em inglês. Durante os séculos XVI e XVII, os principais mercados de livros situavam-se nas cidades dos Países Baixos. No final do século XVI expandiram-se para outras cidades da Europa e da América, alguns sobreviveram até o século XX.

As editoras modernas surgiram no século XVIII. Durante a primeira metade do século XIX, a comercialização sofreu grande transformação, ao ser inventada, na França, a prensa cilíndrica possibilitando a impressão de livros e revistas em grande escala e facilitando o abastecimento do mercado. A indústria editorial cresceu enormemente no decorrer do século XX, transformando-se em uma florescente indústria internacional. As primeiras associações de livreiros transformaram-se em grandes distribuidoras comerciais.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Wallpaper Católico - Altar


Altar, upload feito originalmente por Rogsil.

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Voip

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

CLÁSSICOS QUE PARECEM COMPOSTOS ONTEM



Para um músico de jazz, gravar um disco com canções de Gershwin, Hammerstein e Johnny Mercer equivale, no caso de um sambista, a revisitar clássicos de Cartola, Nélson Cavaquinho ou Donga. Em ambos os casos, a qualidade do repertório está praticamente garantida. Porém, o que diferencia o jazzista de outro músico qualquer é sua capacidade de retrabalhar esse material sonoro, fazendo-o soar novo, até mesmo inusitado.
É o que acontece em Rendez-Vous (Blue Note/EMI), álbum que resultou do encontro da cantora norte-americana Cassandra Wilson, incontestável diva do jazz nos anos 90, com o pianista e compositor franco-alemão Jacky Terrasson, um dos músicos mais talentosos do gênero revelados nos últimos anos. O disco não deixa de ser uma coleção de velhos standards, mas a originalidade das versões criadas pela dupla faz quase esquecer esse clichê.
Curiosamente, a parceria não nasceu por iniciativa da cantora e do pianista. A idéia foi de Bruce Lundvall, o chefão do selo jazzístico Blue Note, que sugeriu a gravação, pressentindo afinidades entre Cassandra e Terrasson. Em termos musicais, trata-se de um encontro de almas gêmeas: os dois jazzistas não abrem mão de certo ecletismo e muita liberdade calcada no improviso.
Old Devil Moon, a primeira faixa, já insinua o que espera o ouvinte. A voz grave e sensual de Cassandra esboça, junto com o piano divagante de Terrasson, uma atmosfera suave e misteriosa. O arranjo prima pela simplicidade: incluindo a percussão de Mino Cinelu e o baixo acústico de Lonnie Plaxico, nada soa excessivo ou redundante. Quem não conhece a canção de E.Y. Harburg e Burton Lane, já gravada antes por cantores como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald ou Mel Tormé, jamais poderá imaginar que ela foi criada para um musical, há exatos 40 anos.
Algo semelhante acontece em Tennessee Waltz (Stewart e King), uma canção de 1948, que já foi interpretada tanto pelo soulman Sam Cooke como por inúmeros cantores de música country. Na voz de Cassandra, ela se transforma em um melancólico blues, colorido por um piano elétrico que, dedilhado por Terrasson, jamais compromete o caráter acústico da gravação. Essa proeza é repetida pelo jazzista na suingada versão de Chan´s Song (tema instrumental de Herbie Hancock, incluído na trilha do filme Round Midnight, de Bertrand Tavernier). Terrasson alterna o teclado elétrico com o piano acústico sem provocar choques sonoros ou estéticos.
Não menos que surpreendente é a versão da jurássica Tea For Two - canção de Irving Caesar e Vincent Youmans, escrita para o musical No, No, Nanette (1925), que acabou rendendo um filme homônimo estrelado por Doris Day, em 1952. Usando uma levada funky, reforçada pelos vocais quase sussurrados de Cassandra, Terrasson forjou uma canção deliciosa, que parece ter sido composta ontem.
Mais jazzística, as versões de My Ship (Gershwin e Weill) e Remember You (Mercer e Schertzinger) lembram um pouco as interpretações de Cassandra no excelente Blue Skies (de 1989), único disco que dedicara integralmente aos standards até hoje. Compará-lo com Rendez-Vous revela que as promessas daquele trabalho foram plenamente superadas. Contando com músicos jovens do nível de Cassandra Wilson e Jack Terrasson, o jazz se mostra muito bem preparado para encarar seu segundo século de vida.

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Dica - Livro: Galeria de Curiosidades Médicas


No ano 347 a.C., o peito e a barriga do filósofo Platão (428-347a.C.) se encheram de erupções que depois tomaram o corpo todo. Em poucos dias elas estouraram, libertando um exército de piolhos que infestou a pele e se banqueteou com os órgãos internos do autor de O Banquete. Foi uma morte lenta e dolorosa. Platão teria padecido do temível mal do piolho, que, em Roma, ganhou o nome de morbus pedicularis, uma das doenças mais assustadoras entre as descritas no livro Galeria de Curiosidades Médicas, uma obra estranha e muito bem-feita sobre as maiores esquisitices da história da medicina. Junto com a trágica morte do filósofo figuram casos de bêbados que pegavam fogo espontaneamente, um gigante de 2,5 metros e uma mulher que paria coelhos.O autor, o médico sueco Jan Bondeson, disseca cada uma dessas histórias, separando o que é verdade do que não é. Assim, a tal combustão espontânea dos bêbados se revela mito, a parideira de coelhos era uma fraude, mas o gigante realmente existiu, na Irlanda, espichado por um distúrbio hormonal. Fascinado por doenças bizarras, Bondeson pesquisou arquivos médicos e analisou com cuidado todas as referências de cada enfermidade, inclusive em obras de ficção. Chegou até a autopsiar a múmia de uma famosa mulher barbada, a mexicana Julia Pastrana, morta em 1859.

Uma de suas conclusões é que o caso de Platão pode não ter acontecido. Na Antiguidade, freqüentemente atribuía-se aos inimigos a morte pelo mal do piolho, considerada a mais horrível das doenças. Era quase como um xingamento derradeiro, já que a enfermidade era vista como um castigo divino. Como muitos atenienses não gostavam de Platão, é provável que a história do seu padecimento tenha sido apenas um boato. Mas, revendo alfarrábios de Medicina, Bondeson concluiu que o morbus pedicularis, ainda que não tenha matado Platão, existiu mesmo, ao contrário do que pensavam muitos médicos. O sueco sugere até que a doença não era causada por piolhos. Os bichinhos assassinos seriam uma espécie de ácaros erradicada no século XIX pela melhoria das condições higiênicas. Felizmente.

Ficha técnica
Galeria de Curiosidades Médicas
- Jan Bondeson
- Record: (0_ _21 585 2000)
- 304 páginas, sem preço definido

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

POR QUE AS MULHERES VÃO JUNTAS AO BANHEIRO?



Por motivos muito mais simples e práticos que misteriosos. Quando uma mulher vai ao banheiro, costuma não só fazer suas necessidades como também cuidar do visual, reforçando o batom após a refeição, passando um spray numa mecha de cabelo indisciplinado ou disfarçando as olheiras com um corretivo. A presença de uma ou mais amigas por perto serve para dar o veredicto final, confirmando se realmente ficou tudo no lugar certo. Além disso, o banheiro foi eleito como um foro privilegiado para verdadeiras assembléias femininas, ou, em português claro, para uma boa sessão de fofocas. Para as mulheres, que costumam ter uma relação mais tranqüila com a intimidade do que os homens, o toalete é um lugar como outro qualquer, com a vantagem de ser reservado do público.
Além disso, o banheiro feminino, ao contrário do masculino, favorece a conversa em grupo, já que existe um local privado para fazer as necessidades e o resto do espaço pode ser usado com liberdade para animadas discussões sobre os mais variados temas. "O assunto depende muito do contexto. No trabalho, por exemplo, o banheiro pode ser usado para falar mal do patrão. Mas também pode servir como lugar de desabafo, por isso se vêem freqüentemente mulheres chorando no banheiro", afirma a socióloga Ella Shohat, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, e militante feminista. Para a psicóloga Márcia Portazio, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, não há nada de espantoso no comportamento: "É apenas mais uma expressão da necessidade básica do ser humano por contato social. Dependendo das influências culturais, isso se manifesta de formas diferentes em cada sexo." As assembléias masculinas podem ocorrer, por exemplo, numa reunião de amigos para jogar futebol. No banheiro, os homens, que normalmente não gostam de compartilhar intimidades, preferem ser bem mais pragmáticos, limitando-se às necessidades.

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domingo, 10 de agosto de 2008

Literatura latino-Americana

INTRODUÇÃO
É a literatura dos povos do México, América Central, América do Sul e Caribe, cuja língua materna é o espanhol e, no caso do Brasil, o português. A história desta literatura que começou durante o século XVI, na época dos conquistadores pode ser dividida em quatro períodos. Durante o período colonial foi um simples apêndice das literaturas, mas com os movimentos de independência do início do século XIX, entrou em um segundo período dominado por temas patrióticos. Durante a etapa de consolidação nacional, que se seguiu ao período anterior, experimentou seu apogeu, até alcançar a maturidade a partir da década de 1910, chegando a ocupar importante espaço dentro da literatura universal. A produção literária dos países latino-americanos forma um conjunto harmônico, apesar das diferenças e traços próprios de cada país, como, por exemplo, os da literatura latino-americana em português (ver Literatura brasileira).

PERÍODO COLONIAL

As primeiras obras da literatura latino-americana pertencem tanto à tradição literária espanhola, como à das colônias de ultramar. Assim, os primeiros escritores americanos como o soldado e o poeta espanhol Alonso de Ercilla y Zúñiga, autor de La Araucana (1569-1589), um épico sobre a conquista do povo araucano do Chile por parte dos espanhóis não nasceram no Novo Mundo.

As guerras e a cristianização do recém-descoberto continente não criaram um clima propício para o cultivo da poesia lírica e da narrativa, características da literatura do século XVI, principalmente nas obras didáticas em prosa e crônicas. Destacam-se, especialmente, neste terreno a História verdadeira da conquista da Nova Espanha (1632), escrita pelo conquistador e historiador espanhol Bernal Díaz del Castillo, lugar-tenente do explorador Hernán Cortés, e Comentários reais (1609 e 1617), do historiador peruano Garcilaso de la Vega, o Inca, uma narração em duas partes sobre os incas peruanos e de como eles foram conquistados pelos espanhóis. As primeiras obras teatrais escritas na América Latina, como Representação do Fim do Mundo (1533), serviram para a conversão dos nativos.

O espírito e o fervor religioso do renascimento espanhol são evidentes nos textos do início do período colonial, principalmente os religiosos, entre os quais se destacam os do missionário e historiador dominicano Bartolomé de Las Casas, que viveu em São Domingo e em outras colônias do Caribe; os do autor teatral Hernán González de Eslava, que trabalhou no México, e os do poeta épico peruano Diego de Hojeda.

As cidades do México e Lima, respectivamente capitais dos vice-reinados da Nova Espanha e do Peru, , foram os centros de toda a atividade intelectual do século XVII. A vida nessas cidades, uma réplica da Espanha, impregnou-se de erudição, cerimônia e artificialidade. Os criollos superaram freqüentemente os espanhóis no que diz respeito à assimilação do estilo barroco predominante na Europa. Essa realidade marcou, também, a literatura através das obras do dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca e as do poeta, também espanhol, Luis de Góngora, além da produção literária local. A mais importante poetisa do século XVII na América Latina foi a monja mexicana Juana Inés de la Cruz, que escreveu obras de teatro em verso, de caráter religioso, e profano, como, por exemplo, El divino narciso (1988). Escreveu, também, poemas em defesa das mulheres e obras autobiográficas em prosa sobre variados assuntos. A mescla de sátira e realidade que dominava a literatura espanhola chegou ao Novo Mundo proporcionando o aparecimento da coleção satírica Dentes do Parnaso, do poeta peruano Juan del Valle Caviedes, e do romance Infortúnios, de Alonso Ramirez (1690).

Na Espanha, a dinastia Bourbon substituiu a de Habsburgo no início do século XVIII. Esse acontecimento abriu as colônias às influências francesas, influências que ficaram claras na ampla aceitação do neoclassicismo francês e, durante a última parte do século, na extensão das doutrinas do Iluminismo (ver Século das luzes). Assim, o dramaturgo peruano Peralta Barnuevo adaptou obras teatrais francesas, ainda que outros escritores, como o equatoriano Francisco Eugenio de Santa Cruz e o colombiano Antonio Nariño, contribuíssem para a difusão das idéias revolucionárias francesas até finais do século.

Durante essa segunda época, surgiram novos centros literários Quito, no Equador; Bogotá, na Colômbia; Caracas, na Venezuela; e Buenos Aires, na Argentina que começaram a superar as antigas capitais dos vice-reinados como centros de produção cultural, criação e edição literárias. Os contatos com o mundo de língua não hispânica se tornaram cada vez mais freqüentes e o monopólio intelectual da Espanha começou a decair.

PERÍODO DE INDEPENDÊNCIA

O período de luta pela independência resultou em um denso fluxo de escritos patrióticos, especialmente no terreno da poesia. A narrativa, censurada até então pela coroa da Espanha, começou a ser cultivada. Em 1816, apareceu o primeiro romance escrito na América do Sul, Periquillo sarniento, do escritor e jornalista mexicano José Joaquín Fernández de Lizardi. Nele, as aventuras do protagonista criticam veladamente a sociedade, ao mesmo tempo em que descrevem a vida colonial. A literatura e a política estiveram intimamente relacionadas durante esse período, em que os escritores assumiram atitudes semelhantes às dos magistrados republicanos da antiga Roma. Desde o início, demonstraram preocupação em destacar aspectos costumbristas, bem como interesse pelos problemas sociais e morais. O poeta e político equatoriano José Joaquín Olmedo elogiou o líder revolucionário Simón Bolívar em seu poema “Victoria de Junín” (1825), e o poeta, crítico e erudito venezuelano Andrés Bello exaltou a agricultura tropical em seu poema “Silva” (1826), influenciado pela poesia bucólica do poeta clássico romano Virgilio. O poeta cubano José Maria Heredia se antecipou ao romantismo em poemas como “Al Niágara” (1824), escrito durante seu exílio nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, no sul, começou a surgir uma poesia popular anônima, de natureza política, entre os gaúchos da região do Prata.

PERÍODO DE CONSOLIDAÇÃO

Durante o período de consolidação que se seguiu, as novas repúblicas tenderam a dirigir sua visão para a França, mais do que para a Espanha. As formas neoclássicas do século XVIII deram passagem ao romantismo, que dominou o panorama cultural da América Latina durante quase meio século a partir da década de 1830. A Argentina entrou em contato com o romantismo franco-europeu pelas mãos de Esteban Echeverría e, junto com o México, transformou-se no principal difusor do novo movimento. Ao mesmo tempo, a tradição realista hispânica continuou através das obras chamadas costumbristas, ou que retratam os costumes locais.

A consolidação econômica e política, bem como as lutas da época, influenciaram a obra de numerosos escritores. Destacou-se, nesta época, a geração romântica argentina exilada por se opor ao ditador Juan Manuel de Rosas (1829-1852). Esse grupo, muito influente no Chile e no Uruguai, contava também com José Mármol, autor do romance clandestino, Amalia (1855), e com o educador Domingo Faustino Sarmiento, em cujo estudo biográfico social, Facundo (1845), sustentava que o problema básico da América Latina era a grande diferença existente entre seu estado primitivo e as influências européias. Faustino Sarmiento foi, mais tarde, presidente da Argentina.

Na Argentina, as canções dos bardos gaúchos foram substituídas pelas criações de poetas cultos como Hilario Ascasubi e José Hernández, que usavam temas populares para criar uma nova poesia gaúcha. O Gaúcho Martin Fierro (1872), de Hernández, que narra a difícil adaptação de seu protagonista à civilização, transformou-se em um clássico nacional. Os temas relacionados com os gaúchos passaram ao teatro e à narrativa da Argentina, do Uruguai e sul do Brasil.

A poesia nas outras regiões do continente teve um caráter menos regionalista, apesar do romantismo continuar dominando o ambiente cultural da época. Os poetas mais importantes desses anos foram a cubana Gertrudis Gómez de Avellaneda, autora também de romances, e o uruguaio Juan Zorrilla de San Martín, cuja obra narrativa, Tabaré (1886), criou as bases do simbolismo.

O romance progrediu notavelmente nesse período. O chileno Alberto Blest Gana, em Martín Rivas (1862), fez a transição entre o romantismo e o realismo ao descrever a sociedade chilena com técnicas herdadas do escritor francês Honoré de Balzac. María (1867), um conto lírico sobre um amor marcado pelo destino, escrito pelo colombiano Jorge Isaacs, é considerado a obra-prima dos romances latino-americanos do romantismo. No Equador, Juan León Mera idealizou os indígenas da América ao situar na selva seu romance Cumyá (1871). No México, o realista romântico mais importante foi Ignacio Altamirano, na mesma época em que José de Alencar iniciava o gênero regional com seus romances indianistas românticos, como O Guarani (1857) e Iracema (1865). Neste estilo, também muito famoso é Cumandá (1879), do equatoriano Juan León Mera. Os romancistas naturalistas, como o argentino Eugenio Cambaceres, autor de Sin rumo (1885), manifestaram em suas obras a influência do escritor francês Émile Zola.

Neste período, o ensaio se transformou no meio de expressão favorito de numerosos pensadores, freqüentemente jornalistas, interessados em temas políticos, educacionais e filosóficos. Um artista polêmico muito característico desse momento foi o equatoriano Juan Montalvo, autor de Siete tratados (1882), enquanto Eugenio Maria de Hostos, educador e político liberal porto-riquenho, realizou sua obra no Caribe e no Chile. Ricado Palma criou vinhetas narrativas e históricas denominada Tradições peruanas (1872).

O modernismo, movimento de renovação literária, apareceu durante a década de 1880, favorecido pela consolidação econômica e política das repúblicas latino-americanas e pela paz e prosperidade resultantes dela. Sua característica principal foi a defesa das funções estética e artística da literatura em detrimento de sua utilidade para uma ou outra causa concreta. Os escritores modernistas compartilhavam uma cultura cosmopolita influenciada pelas mais recentes tendências estéticas européias, como o pensamento francês e o simbolismo, e em suas obras fundiram o novo e o antigo, o nativo e o estrangeiro, tanto na forma como nos temas.

A maioria dos modernistas era poeta, mas muitos deles cultivaram também a prosa até um ponto em que a prosa hispânica se renovou em contato com a poesia. O iniciador do movimento foi o peruano Manuel González Prada, ensaísta de grande consciência social e ousado experimentador estético. Entre os principais modernistas, encontram-se o patriota cubano José Martí, e o também cubano Julián del Casal, o mexicano Manuel Gutiérrez Nájera e o colombiano José Asunción Silva. Foi o nicaragüense Rubén Darío quem se transformou no maior representante do grupo após a publicação de Prosas Profanas (1896), sua segunda obra. Seria ele o verdadeiro responsável por conduzir o movimento a seu ponto culminante, mesclando aspectos experimentais do movimento com expressões de desespero ou de alegria metafísica, como em Cantos de vida y esperanza (1905). Tanto ele como seus companheiros do grupo materializaram o maior avanço da língua e da técnica poética latino-americana a partir do século XVII. À geração mais madura, pertenceram escritores como o argentino Leopoldo Lugones e o mexicano Enrique González Martínez, que marcou um ponto de inflexão para um modernismo mais íntimo e tratou de temas sociais e éticos em sua poesia. O uruguaio José Enrique Rodó apontou novas dimensões artísticas ao ensaio com a obra Ariel (1900), que estabeleceu importantes caminhos espirituais para os autores mais jovens. Entre os romancistas, encontravam-se o venezuelano Manuel Díaz Rodríguez, que escreveu Sangre Patricia (1902), e o argentino Enrique Larretta, autor de A Glória de Dom Ramiro (1908). O modernismo, que chegou à Espanha procedente da América Latina, alcançou seu ponto culminante em 1910 e deixou uma profunda marca em várias gerações de escritores de língua espanhola.

Ao mesmo tempo, vários outros escritores ignoraram o modernismo e continuaram produzindo romances realistas ou naturalistas centrados em problemas sociais de alcance regional. Assim, em Aves sin nido (1889), a peruana Clorinda Matto de Turner passou do romance indianista romântico ao moderno romance de protesto, enquanto o mexicano Federico Gamboa cultivou o romance naturalista urbano em obras como Santa (1903) e o uruguaio Eduardo Acevedo Díaz escreveu romances históricos e de gaúchos.

O relato breve e o teatro amadureceram no início do século XX, nas mãos do chileno Baldomero Lillo, que escreveu contos de mineiros, como Sub Terra (1904). Horacio Quiroga, autor uruguaio de histórias da selva, combinou em Contos da selva (1918) um enfoque de tipo regional centrado na relação entre os seres humanos e a natureza primitiva com a descrição de fenômenos psicologicamente estranhos em alguns contos de mistério povoados de alucinações. O dramaturgo Florencio Sánchez enriqueceu o teatro de seu país com suas obras sociais de caráter local.

LITERATURA CONTEMPORÂNEA

A Revolução Mexicana, iniciada em 1910, coincidiu com um retorno dos escritores latino-americanos a suas diferentes características e seus próprios problemas sociais. A partir dessa data, e cada vez em maior medida, os autores latino-americanos começaram a tratar de temas universais. Ao longo dos anos, produziram uma obra literária capaz de despertar a admiração internacional.

POESIA

No terreno da poesia, numerosos autores refletiram em sua obra as correntes que clamavam por uma renovação radical da arte, tanto européias cubismo, expressionismo, surrealismo como espanholas. Entre elas se encontrava o ultraísmo, denominação que recebeu um grupo de movimentos literários de caráter experimental que se desenvolveu na Espanha no início do século. Nesse ambiente de experimentação, o chileno Vicente Huidobro fundou o criacionismo, que concebia o poema como uma criação autônoma, independente da realidade cotidiana exterior. O também chileno Pablo Neruda, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971, tratou, ao longo de sua produção, de um grande número de temas, cultivou vários estilos poéticos diferentes e viveu uma fase de militância política. O poeta colombiano Germán Pardó García alcançou um alto grau de humanidade em sua poesia, que teve seu ponto culminante em Akróteras (1968), um poema escrito na ocasião dos Jogos Olímpicos do México. Por outro lado, surgiu no Caribe um importante grupo de poetas, entre os quais se encontrava o cubano Nicolás Guillén, que se inspirou nos ritmos e no folclore dos povos negros da região.

A chilena Gabriela Mistral, Prêmio Nobel de Literatura de 1945, outorgado pela primeira vez às letras latino-americanas, criou uma poesia famosa pelo calor e emoção, embora no México, o Grupo dos Contemporâneos, que reunia poetas como Jaime Torres Bodet, José Gorostiza e Carlos Pellicer, se centrasse essencialmente na introspecção e nos temas como o amor, a solidariedade e a morte. Outro mexicano, o Prêmio Nobel de Literatura de 1990, Octavio Paz, cujos poemas metafísicos e eróticos refletiam uma clara influência da poesia surrealista francesa, é considerado como um dos mais importantes escritores latino-americanos do pós-guerra, que cultivou também a crítica literária e política.

TEATRO

O teatro continuou seu processo de amadurecimento em várias cidades latino-americanas, em especial na Cidade do México e em Buenos Aires, nas quais se transformou em importante veículo cultural. No México, passou por uma completa renovação experimental, representada pelo Teatro de Ulisses (1928) e o Teatro de orientação (1932), ativados por Xavier Villaurrutia, Salvador Novo e Celestino Gorostiza. Estes movimentos teatrais culminariam com a obra de Rodolfo Usigli e teria continuidade com a de um novo grupo de dramaturgos, com Emilio Carballido como líder. Por outro lado, Conrado Nalé Roxlo está entre os mais importantes autores de teatro argentino.

ENSAIO

Os ensaístas posteriores ao modernismo foram muito ativos: nacionalistas e universalistas, ofereceram grande variedade de pontos de vista intelectuais. A geração do Centenário da Independência, de 1910, teve representantes como José Vasconcelos, conhecido por seu sonho utópico de uma “raça cósmica” (A raça cósmica, 1925), o erudito dominicano Pedro Henríquez Ureña, autor de Ensaios em busca de nossa expressão (1928) e Alfonso Reyes, humanista complexo e autor de Visão de Anáhuac (1917). Por outro lado, o ensaísta colombiano Germán Arciniegas se sobressaiu como intérprete da História em O continente de sete cores (1965) e o argentino Eduardo Mallea, autor de História de uma Paixão Argentina (1935) destacou-se em seu país.

NARRATIVA

A partir do início do século, o romance latino-americano em espanhol experimentou um enorme desenvolvimento, que passou por três fases: à primeira, dominada por grande concentração de temas, paisagens e personagens locais, seguiu-se outra na qual se produziu uma extensa obra narrativa de caráter psicológico e imaginativo ambientada em cenários urbanos e cosmopolitas. Finalmente, chega-se à uma terceira quando os escritores adotaram técnicas literárias contemporâneas que conduziram a imediato reconhecimento internacional e a um contínuo e crescente interesse por parte do mundo literário.

A narrativa de caráter regional teve no argentino Ricardo Güiraldes, autor de Don segundo sombra (1926), o auge do romance de gaúchos. Além dele, destacaram-se o colombiano José Eustasio Rivera, criador de O Turbilhão (1924), romance ambientado na selva, e o venezuelano Rómulo Gallegos Freire, autor de Doña Bárbara (1929), o romance das planícies. A Revolução Mexicana inspirou romancistas como Mariano Azuela, autor de Los de abajo (1915), e Gregorio Lopez, que escreveu El indio (1935). A situação dos indígenas atraiu o interesse de numerosos escritores mexicanos, guatemaltecos e andinos, como o boliviano Alcides Arguedas, que tratou o problema em Raza de bronce (1919) e o peruano Ciro Alegría, autor de O Mundo é Grande e Distante (1914), enquanto o diplomata guatelmateco Miguel Ángel Asturias, que recebeu o Prêmio Lenin da Paz e, em 1967, o Prêmio Nobel de Literatura, revelou-se um excelente autor de sátiras políticas em O Senhor Presidente (1946).

No Chile, Eduardo Barrios se especializou em romances psicológicos como El hermano asno (1922) e Manuel Rojas se afastou dos romances urbanos e cultivou uma espécie de existencialismo em Hijo de ladrón (1915). Outros escritores cultivaram o gênero fantástico, como foi o caso de María Luisa Bombal, autora do romance A Última Névoa (1934).

Na Argentina, Manuel Gálvez escreveu um romance psicológico moderno sobre a vida urbana, Hombres en soledad (1938). Neste país, bem como no Uruguai, desenvolveu-se uma rica corrente narrativa com grande ênfase nos aspectos psicológicos e fantásticos da realidade. O argentino Marcedonio Fernández abordou o absurdo em Continuanión de la nada (1944), enquanto Leopoldo Marechal escreveu um romance simbolista, Adán Buenosayres (1948), e Ernesto Sábato, um romance existencial, El túnel (1948). Jorge Luis Borges, por outro lado, foi inicialmente um poeta ultraísta e, mais tarde, transformou-se no escritor mais importante da Argentina moderna, especializado na criação de contos. Traduzido para numerosos idiomas, trabalhou com Adolfo Bioy Casares e despertou o interesse pelo romance policial elaborado e pela literatura fantástica. Bioy Casares foi pioneiro no terreno do romance de ficção científica com A Invenção de Morel (1940) e o uruguaio Enrique Amorim inaugurou o romance policial com El asesino desvelado (1944). Outro escritor que obteve imediato reconhecimento internacional por seu brilhantismo e originalidade foi o argentino Julio Cortázar, especialmente pelo anti-romance experimental Rayuela (1963). Entre os autores uruguaios centrados no romance psicológico urbano, encontram-se Juan Carlos Onetti, com O Estaleiro (1961), e Mario Benedetti, com La tregua (1960).

O novo romance mexicano evoluiu a partir do realismo como conseqüência da influência de escritores como James Joyce, Virgínia Woolf, Aldous Huxley e, especialmente, John Dos Passos e William Faulkner. Com cenário e trama de caráter local, aos quais se acrescentaram novas dimensões psicológicas e mágicas, José Revueltas escreveu El luto humano (1943) e Agustín Yáñez, Al filo del agua (1947). Juan Rulfo escreveu em um estilo similar seu Pedro Páramo (1955), enquanto Carlos Fuentes, em La región transparente (1958), alterna o fantástico, o psicológico e o regional. Juan José Arreola, autor de Confabulario (1952), destaca-se por suas fantasias breves, de caráter alegórico e simbólico. Outros romancistas experimentaram técnicas multidimensionais, como, por exemplo, Vicente Leñero, criador de Los albañiles (1964), e Salvador Elizondo, que escreveu Farabeuf (1965).

Entre os demais romancistas latino-americanos que escrevem em espanhol e que obtiveram reconhecimento internacional, o antigo regionalismo foi superado por novas técnicas, estilos e perspectivas extremamente variadas. O rótulo estilístico de realismo mágico pode ser aplicado a muitos dos mais importantes narradores, aqueles capazes de descobrir o mistério que se esconde atrás dos acontecimentos da vida cotidiana. O romancista cubano Alejo Carpentier acrescentou uma nova dimensão mitológica ao romance ambientado na selva em Os Caminhos Perdidos (1953), enquanto seu compatriota José Lezama Lima conseguiu criar em Paradiso (1966) um denso mundo mitológico de complexidade neobarroca. Por outro lado, o peruano Mario Vargas Llosa mostrou variadas perspectivas escondidas no aparentemente fechado mundo de uma academia militar em La ciudad y los perros (1962), enquanto o colombiano Gabriel García Márquez, agraciado com o Prêmio Nobel em 1982, tornou-se internacionalmente conhecido com seu romance Cem anos de solidão (1967) onde, através de uma mágica e atemporal unidade, conseguiu transcender o âmbito puramente local, no qual se desenvolve a trama narrativa. Com a obra desses escritores, o romance latino-americano escrito em espanhol não apenas alcançou sua maioridade, mas foi atraindo a atenção de um público internacional cada vez mais numeroso.


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sábado, 9 de agosto de 2008

Papel de Parede MAC, Linux, PC

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DirecTV Surfing

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Guinga - CD: Capa, Contra-Capa e Folder Interno






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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

DVD: Mozart - O Gênio da Música

 

Mozart - O Gênio da Música

Filme dirigido por Karl Hartl, focaliza o período da vida de Mozart após sua saída de Salzburgo, enfatizando sua relação com a esposa e a cunhada e a composição de suas principais obras. As músicas são executadas pela Orquestra Filarmônica de Viena.

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Armazenamento seguro

Armazenamento Seguro

Produto: Dispositivo de NAS
Fabricante: D-Link
Categoria: Hardware
Resumo: Permite compartilhar dados com velocidade e segurança acima da média

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Jacques Lacan

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A influência de Lacan, tido como intérprete original da obra de Freud, estendeu-se além do campo da psicanálise e fez dele uma das figuras dominantes na vida cultural francesa na década de 1970.
Jacques Lacan nasceu em Paris, em 13 de abril de 1901, de família burguesa e católica. Formou-se em medicina, especializando-se em psiquiatria, e foi interno de Gaétean de Clérambaut, a quem considerava seu único mestre no campo psiquiátrico. Com a tese de doutorado La Psychose paranoïaque dans ses rapports avec la personnalité (1932; A psicose paranóica em suas relações com a personalidade), mostrou impressionante erudição e simpatia pela psicanálise, numa época em que preconceitos obstavam sua disseminação na França.
Lacan buscou a companhia dos artistas do surrealismo, atraídos pelo caráter revolucionário das teses freudianas. Acompanhou o famoso seminário de Alexandre Kojève sobre Hegel e se ligou a intelectuais de ponta do pensamento francês, entre eles Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty e Georges Bataille. Em 1934, entrou para a Sociedade Psicanalítica de Paris. Em 1936, apresentou num congresso seu trabalho sobre o "estágio do espelho". A partir daí, sua história se confunde com a da própria psicanálise.
Conhecedor profundo da obra de Freud, Lacan empreendeu ao mesmo tempo um retorno e uma revolução em direção a uma psicanálise que para ele havia perdido o sentido original. O retorno visou resgatar os fundamentos psicanalíticos, que para Lacan se encontram no próprio conceito de inconsciente. Para empreender sua grande crítica às vertentes americana e francesa da psicanálise, cujo tema central é a discussão sobre o imaginário, pesquisou a linguagem e deduziu que é ela a condição de existência do inconsciente, que só existe no sujeito falante.
Numa retomada crítica dos conceitos saussurianos de "significante" e "significado", Lacan afirmou a autonomia do significante e o inseriu na origem simbólica, constituída pela linguagem. Afirmou que o significante preexiste ao sujeito e sobrevive a ele, faz do sujeito homem ou mulher, traça seu destino e o priva de qualquer relação natural com o mundo.
Lacan não é um autor simples nem fácil. Seus conceitos demandam, além de uma carga exaustiva de leitura, uma inversão do pensamento racional e linear a que está habituada a cultura ocidental. Em seus Écrits (1966; Escritos) e vinte seminários abordou temas tão complexos quanto polêmicos, como a ética da psicanálise, a transferência, o princípio do prazer e conceitos fundamentais da psicanálise, entre outros.
Em 1980, dissolveu a Escola Freudiana de Paris, que fundara em 1964, e criou a Escola da Causa Freudiana. Lacan faleceu em Paris, em 9 de setembro de 1981.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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domingo, 3 de agosto de 2008

Escolástica

Escolástica é o Conjunto de doutrinas filosóficas e teológicas desenvolvidas em escolas eclesiásticas e universidades da Europa entre o século XI e o Renascimento. Caracteriza-se pela
tentativa de conciliar a fé cristã com a razão, representada pelos princípios da filosofia clássica grega, em especial os ensinamentos de Platão e Aristóteles. Desenvolve-se a partir da filosofia patrística (elaborada pelos padres da Igreja Católica), que faz a primeira aproximação entre o cristianismo e uma forma racional de organizar a fé e seus princípios, baseada no platonismo. Com a escolástica, a filosofia medieval continua ligada à religião, uma vez que são as questões teológicas que suscitam a discussão filosófica. Um dos principais pensadores escolásticos é São Tomás de Aquino (1224/25?-1274).

A fase inicial é profundamente influenciada pelo pensamento de Santo Agostinho (354-430), o mais importante nome da filosofia patrística. Retomando os princípios do platonismo, entre eles o de que há uma verdade absoluta acima das verdades particulares, Santo Agostinho vê na revelação divina o meio pelo qual a verdade é introduzida no espírito humano.

O período mais importante da escolástica corresponde ao do desenvolvimento do tomismo, doutrina cristã criada no século XIII por São Tomás de Aquino com base na filosofia aristotélica. Para ele e para seus seguidores, há duas ordens de conhecimento: o sensível e o intelectual, sendo que o intelectual pressupõe o sensível. A impressão que um objeto deixa na alma é chamada de conhecimento sensível. O conhecimento intelectual considera apenas as características comuns entre os objetos e elabora o conceito.

Sobre as relações entre filosofia e teologia, São Tomás afirma que a filosofia é conhecimento e demonstração racionais, que parte de princípios evidentes e chega a conclusões inteligíveis. Já a teologia é fundada sobre a revelação divina, da qual não se pode duvidar. A revelação, porém, prevalece quando há contradição entre a verdade intelectual e a verdade revelada.

A escolástica entra em crise no final da Idade Média, por volta do século XIV, período marcado pelo surgimento do humanismo renascentista, pelas novas descobertas científicas e pela Reforma Protestante. Entretanto, sobrevive na era moderna como um pensamento cristão tradicional.

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sábado, 2 de agosto de 2008

Relógio Biológico

Todo ser vivo vegetal ou animal possui um mecanismo interno que controla vários aspectos fisiológicos, como a temperatura do corpo e a liberação de hormônios ou de enzimas digestivas. É esse relógio biológico que determina o chamado ritmo circadiano.

Ele define as horas da fome e do sono, os períodos de maior disposição ou até de maior tristeza. Em 1911, o zoólogo austríaco Karl von Frisch (1886-1982) descobriu que todo o processo é regido pela luz ou pela escuridão do ambiente, percebida por alguma parte profunda do cérebro. Hoje os neurocientistas têm como certo que, no homem, o coração dessa máquina do tempo é um aglomerado de 20 mil neurônios chamado núcleo supraquiasmático, localizado logo atrás dos olhos. Cientistas já conseguiram observar essas células nervosas marcando o tempo, ligando as células nervosas em eletrodos em transformando os impulsos nervosos em som. Pesquisas recentes indicam que nas moscas-das-frutas (drosófilas) existem outras moléculas sensíveis à luz, espalhadas por todo o corpo. Por ora, não há comprovação de que algo parecido ocorra com os mamíferos. Mas, em 1998 pesquisadores norte americanos descobriram que o mesmo gene regula o relógio da drosófila e do rato, o que pode confirmar a suspeita de alguns cientistas de que o relógio biógico de todos os seres vivos funciona a partir do mesmo princípio básico. Esse ano, foi descoberto um novo tipo de célula na retina, responsável por registrar as diferenças entre o dia e a noite. O experimento, publicado na revista Science, foi feito com ratos e sapos, mas os cientistas afirmam que a conclusão também é válida para o olho humano.

Os médicos já sabem que respeitar o ritmo circadiano é fundamental para a saúde, o bem-estar e o desempenho físico e mental do homem. As pessoas podem ser classificadas em matutinas ou vespertinas, de acordo com sua preferência em realizar tarefas de manhã ou de tarde. O horário escolhido para dormir e acordar também depende do relógio. Quem trabalha à noite ou salta vários fusos horários durante uma viagem de avião está sujeito não só a desordens do sono mas também a disfunções neurológicas, cardiovasculares e endócrinas. Na agricultura e na pecuária, os pesquisadores buscam aproveitar o cronômetro interno das plantas e dos animais para aumentar a produtividade das lavouras e rebanhos.

A fertilidade também é regulada pelo relógio interno. Cientistas descobriram esse ano que a fertilidade das mulheres começa a cair próximo dos 30 anos, e não dos 40 como se imaginava. Outra descoberta foi a de que o relógio da fertilidade dos homens também anda mais rápido do que se pensava, sendo que a chance de engravidar uma mulher cai 2% ao ano a partir dos 24 anos.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Biblioteca

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INTRODUÇÃO

Biblioteca é a coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres, organizada para estudo, leitura e consulta. Nela incluem-se os móveis e recintos destinados à guarda do acervo. A palavra biblioteca origina-se do latim que, por sua vez, deriva do termo grego biblos, que significa livros. O significado moderno da palavra faz referência a qualquer compilação de dados registrados em muitas outras formas, e não só em livros: microfilmes, revistas, gravações, slides, fitas magnéticas e de vídeo, assim como outros meios eletrônicos.

Existe uma grande variedade de coleções bibliográficas e variados são seus fins e usuários. A maioria das nações desenvolvidas dispõem de bibliotecas de vários tipos: nacionais, acadêmicas, públicas, escolares e especializadas. Quase sempre, estão interligadas a nível nacional e, através de associações profissionais e de acordos estabelecidos, desenvolvem programas de cooperação e intercâmbio extensivos a outros países.

HISTÓRIA

As bibliotecas, na qualidade de depósitos de informação escrita, surgiram onde nasceu a própria escrita: no Oriente Médio, entre 3.000 e 2.000 a.C. A biblioteca mais importante do mundo antigo foi fundada pelos gregos em Alexandria (ver Biblioteca de Alexandria), no século III a.C. Perto do século I a.C., os romanos abastados começaram a criar bibliotecas particulares com obras gregas e latinas. A crescente procura por livros deu origem ao comércio de copistas, ao aparecimento de livrarias e ao estabelecimento de bibliotecas públicas, que surgiram em Roma, próximo ao século II da nossa era.

Durante os séculos VIII e IX, muitos textos científicos e matemáticos foram copiados e conservados por muçulmanos e cristãos. Valiosa foi a contribuição da Escola de Tradutores de Toledo, criada por Afonso X, o Sábio. Os árabes tinham adotado a metodologia chinesa de fabricação de papel, permitindo a diminuição do custo dos livros e sua conseqüente expansão pelo império muçulmano. Perto do século X, por exemplo, a biblioteca de Córdoba possuía 400 mil livros.

Na Europa Ocidental, a literatura foi preservada graças, sobretudo, à ação das bibliotecas dos mosteiros, como o de San Millán de la Cogolla e de Ripoll, na Espanha, e o de Fulda, na Alemanha. Cada uma possuía uma sala denominada escritório, onde os monges realizavam cópias manuscritas de obras clássicas e religiosas. Estas bibliotecas foram enriquecidas com obras clássicas e científicas desconhecidas até então, que formavam parte do espólio das Cruzadas, durante os séculos X e XI. O auge das universidades italianas de Salerno e Bolonha, no século XI, incentivou a criação de coleções bibliográficas destinadas aos alunos e estudiosos. O século XIV foi um período importante para o estabelecimento das bibliotecas na Europa: os humanistas começaram a copiar e colecionar textos clássicos que tinham sido abandonados (Ver Humanismo).

Com a invenção da imprensa no século XV e a economia de expansão, os livros tornaram-se mais acessíveis e o hábito da leitura aumentou. Durante este período, a Biblioteca Vaticana de Roma foi ampliada; o bibliófilo Jean Grolier reuniu uma importante coleção privada e fundou a Biblioteca Medicea Laurenziana de Florença, para abrigar a coleção dos Medici; na Espanha, deve-se destacar a Biblioteca do Mosteiro do Escorial, criada pelo rei Felipe II. As coleções ocidentais beneficiaram-se com a queda de Constantinopla, provocada pelos turcos, e a conseqüente dispersão dos tesouros literários bizantinos.

Durante os séculos XVII e XVIII, começaram a ser criadas bibliotecas nacionais em toda a Europa. Surgiu, também, uma nova modalidade de biblioteca, a circulante de literatura popular, administrada por livreiros, com fins lucrativos, e que obteve a aceitação do público.

Em Portugal, a Biblioteca Nacional de Lisboa (1796) possui 1 milhão de volumes impressos (inclusive 1.427 incunábulos) e cerca de 11 mil manuscritos. A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (1716) possui também 1 milhão de volumes. Seu edifício é considerado um dos  mais belos do século XVIII, sendo o outro o da Biblioteca Nacional, em Viena. A Biblioteca de Mafra (século XVIII) também é famosa pela beleza de suas instalações.

No Brasil, a Biblioteca Nacional foi fundada em 1810 por dom João VI, no Rio de Janeiro, a partir de 60 mil volumes que pertenciam à Biblioteca Real da Ajuda. É a maior biblioteca da América do Sul, com cerca de 3,5 milhões de peças. Em 1910 foi inaugurada no atual prédio que ocupa no centro do Rio de Janeiro.

A biblioteca moderna divide seu trabalho em duas categorias: operações internas (serviços técnicos) e o atendimento ao público, que lida diretamente com os usuários. As primeiras significam a aquisição, a catalogação e o tratamento físico do acervo bibliotecário.

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