quinta-feira, 31 de julho de 2008

Há 05 Anos Atrás

 

31 de Julho de 2003503886

Vaticano condena união entre homossexuais

O Vaticano lança campanha mundial contra a legalização das uniões entre homossexuais e pede que os políticos católicos de todo o mundo se pronunciem contra as leis que favorecem esse tipo de casamento. O Vaticano também é contrário à adoção de crianças por casais homossexuais. O documento oficial, intitulado Considerações acerca dos Projetos de Reconhecimento Legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais, foi preparado pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e causa reações imediatas em vários países. Organizações de defesa dos direitos gays são impedidas de entrar na Praça São Pedro para protestar. Todos os partidos políticos alemães rejeitam a orientação. Em Buenos Aires, a primeira cidade da América Latina a aprovar a união de homossexuais, organizações civis, políticos e até religiosos também criticam a Igreja.

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

QUE VERGONHA

Uma das emoções mais poderosas que se é capaz de sentir é também uma das manifestações humanas menos estudadas: só recentemente a ciência começou a entender por que tanta gente "morre de vergonha".

Nenhum gesto provavelmente é mais universal, impulsivo e intenso que o de cobrir o rosto com as mãos. E a expressão física de uma emoção que não há quem já não tenha tido o desprazer de experimentar e que, além disso, costuma manifestar-se traiçoeiramente, quando menos se espera a vergonha. Por incrível que pareça, só há pouco tempo os psicólogos se deram conta, constrangidos, de que nunca haviam encarado a vergonha com a atenção que ela merece.
Tampouco os cientistas sociais podem vangloriar-se de saber muita coisa sobre o papel dela na vida em sociedade, além do fato de ser em algumas culturas um poderoso detonador de comportamentos extremados. No entanto, com o que já aprenderam a seu respeito, os pesquisadores têm bons motivos para desconfiar que a vergonha é muito mais do que aparenta seria, na verdade, um sentimento essencial à condição humana, capaz de influenciar todos os outros. Assim, ela é que estaria na raiz dos desconfortos à primeira vista inexplicáveis que atravessam as relações entre as pessoas e acabam sendo atribuídos aos mais variados fatores. Pois, se há algo de que a vergonha tem horror é se mostrar. De fato, cada qual sabe por experiência própria que é mais fácil admitir uma porção de emoções consideradas negativas, como a raiva, a frustração, até o medo, do que ser obrigado a reconhecer publicamente que praticou algo socialmente reprovável, um ato vergonhoso. Do mesmo modo, a dor do convívio secreto com a culpa pode não machucar tanto quanto a vergonha: esta, Para quem é levado a senti-la, ainda pode ser mais destrutiva que o ódio.

A vergonha fere a personalidade ali onde ela é mais vulnerável aos olhos da multidão. É o flagrante da conduta reprovável, que submete o réu ao impiedoso julgamento dos outros. "O olhar de condenação do próximo, sempre humilhante, é o castigo por agir mal", resume o psiquiatra Antonio Carlos Cesarino. Daí o gesto automático de cobrir o rosto como se as mãos estivessem cobrindo, num ato protetor, a personalidade subitamente desvendada à reprovação alheia. Os outros são os juízes mas o que conta de fato são as regras do jogo - literalmente. Pois, mesmo quando aparenta ser outra coisa, a vergonha exprime sempre algum tipo de relação entre a pessoa e as normas de comportamento na sociedade em que ela vive. Descontadas todas as diferenças individuais, a começar pelas de temperamento, quanto mais forte for determinado mandamento social, mais acentuada será a vergonha sentida pelo transgressor ao ser flagrado. Uma proibição absoluta, um tabu, tende a provocar uma vergonha insuportável em quem for apanhado atropelando-a. Nesse sentido, a vergonha é um preciosíssimo termômetro permite medir a vitalidade de dada norma social a partir das reações que sua transgressão tende a provocar; se a vergonha for pouca, é sinal de que a regra em questão já não representa grande coisa para a sociedade ou parte dela.

Como quase tudo na vida, é na mais tenra infância que a vergonha dá pela primeira vez o ar de sua desgraça. Segundo os estudiosos, ela faz parte do próprio processo pelo qual a criança se percebe a si mesma como indivíduo. Pouco antes dos 2 anos, ela nota que os adultos, sobretudo a mãe, lhe dirigem mensagens emocionais carinho, alegria, zanga, tristeza. Descobre então que pelo que faz ou deixa de fazer acaba influindo no conteúdo dessas emoções. Se sorri, por exemplo, ganha agrados; se quebra um vaso, provoca mau humor. Em pouco tempo, aprende a orgulhar-se das emoções "boas" que proporciona e a envergonhar-se das "más". O papel dos adultos nessa fase é decisivo. "E no convívio com a mãe que a criança vai construindo sua autoimagem", diz a psicóloga Sílvia Maria Vilela Ribeiro. A criança que não se sentir amada tenderá a envergonhar-se de si própria, mesmo quando não tiver feito nada de errado. Mais velha, irá envergonhar-se por imaginários defeitos físicos - até determinada cor dos olhos poderá impor-lhe o sofrido sentimento de ser diferente, de estar com o passo errado em relação ao grupo. E, como as crianças costumam ser implacáveis fiscais do "certo" e "errado" que muitas vezes elas próprias estipulam, o menino ou menina com auto - estima em baixa não precisará procurar muito para achar motivos de vergonha.

Pode-se sentir vergonha virtualmente por qualquer coisa, mas na cultura ocidental é difícil encontrar uma causa tão profundamente arreigada como o corpo humano, cujas "vergonhas" devem permanecer cobertas assim que se passa da idade da inocência ou, na metáfora bíblica, desde que Adão e Eva provaram do fruto da árvore do Bem e do Mal. A nudez e a sexualidade, apesar de todas as voltas e reviravoltas por que já passou o mundo no interminável capítulo da chamada moral sexual, continuam a ser o território predileto dos conflitos sobre vergonha (ou falta de). Mesmo ai, porém, o comportamento humano não cessa de surpreender.

A fotógrafa Vânia Toledo, que vive de fotografar o corpo alheio como veio ao mundo e para isso gasta às vezes longo tempo fazendo seus modelos perder a inibição, conta um episódio que a desconsertou. "Certa vez precisei fotografar uma mulher nua em vários pontos da cidade. Pois a moça era tão desinibida, capaz de tirar a roupa com a maior naturalidade em plena estação do metrô, que quem acabou envergonhada fui eu mesma." Insondáveis de fato são os caminhos da alma humana. A atriz e manequim Luma de Oliveira jura que não sentiu nem um pouco de vergonha quando posou nua pela primeira vez, mas não esquece a vergonha que passou numa festa junina, aos 10 anos de idade, quando nenhum menino a tirou para dançar a quadrilha: "Peguei minhas coisas e voltei para casa arrasada'.

A vaidade ferida envergonha feito um pecado, sabem muito bem os praticantes da profissão que provavelmente reúne o maior elenco de vaidosos desavergonhados de que se tem notícia - a profissão de ator. Não pode ser de outro modo. Afinal, o ator vive daquilo que é a própria essência da vergonha para as pessoas comuns o ato de expor-se aos outros. E o que faz um ator passar vergonha? "É sentir-se rejeitado pelo público', responde a consagrada Fernanda Montenegro, que em 38 anos de palcos não errou o bastante para saber como dói a rejeição. Mesmo assim ela recorda uma cena constrangedora há mais de vinte anos, quando abria uma porta no mesmo instante em que um pires caía no chão. Fernanda entrou e pisou no pires. Envergonhada, sem saber onde pôr a cara, atravessou o palco a jato e embarafustou pela outra porta. Mas o tempo e a experiência são um santo remédio contra a vergonha. Recentemente, interpretando Fedra, de Racine, a mesma Fernanda esqueceu um monólogo. Não teve vergonha: encarou a platéia e anunciou que ia recomeçar a cena. "Há trinta anos, teria sido um tormento", diz. Como toda vergonha é vergonha de expor-se, os consultórios médicos vivem repletos de pacientes envergonhados de expor as mazelas (reais ou imaginárias) que os afligem e que, afinal de contas, os acabaram levando até ali. Em seus dezenove anos de prática, o clínico Arthur Beltrame Ribeiro viu suficientes casos de vergonha para tirar duas regras gerais: "Os homens são mais inibidos que as mulheres em falar de seus sintomas; as doenças venéreas e a impotência são as que mais envergonham".

O sintoma por excelência da vergonha o rubor resulta fisiologicamente da ação do sistema límbico (parte do cérebro) sobre o sistema nervoso autônomo: com a dilatação dos vasos do rosto e do pescoço, o sangue aflui, deixando a pessoa corada e fazendo-a perversamente passar recibo perante o mundo de que está envergonhada. Não se sabe por que o organismo recorre justamente a essa forma tão cruelmente ostensiva de exprimir vergonha.

Parece antiga como o mundo, a relação entre vergonha, de um lado, e honra e caráter, de outro. "A noção de honra é o valor que a pessoa julga ter diante de sua comunidade e a vergonha é a perda dessa condição honrada", explica a antropóloga Lívia Maria Neves de Holanda, da Universidade Federal Fluminense. Nas sociedades tradicionais, como as latinas, ter vergonha na cara é um atributo absolutamente indispensável. Os espanhóis da Andaluzia chamam os ciganos de sin verguenza porque os consideram ladrões e mentirosos. E costumam dizer que honra e vergonha são como cristal -quebrou, não tem conserto. Já nas regiões mais rústicas da Itália. como no sul, a vergonha se recompõe na vendetta, a vingança contra quem atentou à honra, entendida esta como algo que ultrapassa invariavelmente a pessoa para assentar-se na família. Daí as verdadeiras guerras que ensanguentam gerações sucessivas e famílias inteiras.

Geralmente, tudo começa para variar, com alguma ofensa, real ou presumida, à moralidade sexual. E termina, já se sabe, em violência. A violência como exorcismo final da vergonha nem sempre se volta contra o outro. Em sociedades onde "perder a face' por algum acontecimento vergonhoso é uma provação literalmente insuportável para alguém, o remédio socialmente prescrito é a autoimolação, o suicídio ritual. O exemplo seguramente mais conhecido é o do haraquiri japonês, uma prática terrível cujas origens se confundem com a saga de seus praticantes, os guerreiros samurais. Durante o primeiro surto de modernização do país, o período Meiji (1868 - 1912), o haraquiri foi oficialmente proscrito. Isso não impediu que em 1945, ao ouvir de viva voz do imperador Hiroíto que o Japão se rendera aos americanos, um certo número de súditos se suicidasse diante do palácio imperial, em Tóquio: a capitulação agredia de tal forma os valores militaristas que lhes haviam sido inculcados que só o haraquiri poderia redimir a vergonha nacional. Por aí se vê como certos padrões culturais extremamente rígidos podem fazer com que "morrer de vergonha" não seja apenas uma força de expressão do cotidiano.

Afinal, muita gente morre de vergonha em situações tão inocentes como levar um tombo em plena rua. Como não há quem ignore, a vergonha não está propriamente no escorregão, mas no riso acusador dos gaiatos que sempre aparecem nessas ocasiões. Mas nisso está paradoxalmente o santo remédio para pôr em seus devidos termos constrangimentos e vergonhas que não trazem nada de bom para ninguém: uma solene gargalhada. Muito antes de começarem a entender os mistérios da vergonha, os psicólogos descobriram que as pessoas capazes de rir de seus próprios defeitos têm mais chances de superá-los e assim deitar fora muita vergonha inútil. Como diz Claúdio Paiva, responsável pelos textos do programa TV Pirata, da Rede Globo, "quem faz humor não pode ter vergonha de nada".

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terça-feira, 29 de julho de 2008

CLÁSSICOS, SIM, MAS CHEIOS DE NOVIDADE

Isso é o que se pode chamar de uma coleção interessante. Une aventura, literatura e conhecimento, tudo embalado em edições belíssimas, com papel e impressão de primeira. O fino pacote que a Editora Melhoramentos está lançando este mês chama-se Obras Primas Universais. De cara, coloca quatro clássicos nas livrarias: A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Júlio Verne, O Livro da Selva, de Rudyard Kipling e O Chamado Selvagem, de Jack London. Você já leu? Melhor ainda. Agora vai poder saborear de um jeito diferente essas histórias. Na nova edição, elas vêm acompanhadas de referências científicas, históricas e geográficas. Se o assunto é navegação, estão lá os tipos de embacações utilizados. Roupas, mapas, utensílios e tecnologias levam você a uma viagem no tempo. É uma boa maneira de tirar uma casquinha de emoção ainda maior do que aquela que a simples leitura dessas grandes obras já proporciona. Embarque. A viagem vale a pena.
Preço: 29 reais cada volume

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segunda-feira, 28 de julho de 2008

FILOSOFIA COM TODO SENTIDO

O defeito de muitos livros de introdução à Filosofia é tratar o tema como uma sucessão de nomes gregos e alemães com idéias exóticas desconectadas uma das outras e desvinculadas do contexto da época. Sabemos que Sócrates tinha o irritante hábito de discordar de todos os seus interlocutores. Mas não aprendemos na escola a razão de esse comportamento ter sido tão inovador na Atenas no século V a.C. Muito menos que ele foi provocado pelos pensadores que vieram antes e que influenciou os nascidos depois.
O inglês Bryan Magee, um filósofo brilhante que descobriu que sua vocação é divulgar as idéias dos outros, preenche esse buraco em História da Filosofia. Belamente ilustrado, cheio de historinhas curiosas e fácil de entender, mas nem por isso simplificado demais, o livro mostra como a sucessão dos pensamentos humanos faz sentido. Sócrates chateava os atenienses porque os sábios tinham teorias que explicavam tudo, mas ninguém se preocupava em decidir qual delas era a verdadeira. Foi o método desenvolvido por ele, de questionar com critério até as coisas aparentemente mais óbvias, que acabou culminando na ciência moderna.
Magee mostra o quanto os conhecimentos de cada período, principalmente os científicos, determinam a forma de pensar do homem. Galileu Galilei (1564-1642), ao revelar que a Terra roda ao redor do Sol, e não o contrário, tornou os homens menos crédulos da idéia de que eram o centro do Universo e mais dispostos a questionar a autoridade eclesiástica.
Outro físico que mudou a cabeça da humanidade foi Albert Einstein (1879-1955). Ao contestar as noções consagradas por Isaac Newton (1642-1727) sobre tempo, espaço, velocidade e gravidade, Einstein acabou com a crença em verdades definitivas (como as que Sócrates buscava). De quebra, derrubou também a idéia de que a ciência é infalível. Não é à toa que esses e outros cientistas ganharam de Magee um lugar no panteão dos maiores filósofos da História.

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domingo, 27 de julho de 2008

EQUAÇÕES SONORAS

O ar vibra com harmonia inigualável nos instrumentos acústicos. Mas os sons gerados por circuitos eletrônicos, mais cedo ou mais tarde, tendem a ocupar o lugar das antigas orquestras na sensibilidade musical humana.

Perde-se no fundo dos milênios a época em que o primeiro homem bateu numa pele de animal esticada à boca de um tronco e produziu uma nota grave. Não se pode precisar a data em que esse evento ocorreu, mas ele teria profunda influência em toda a história da civilização. O motivo, muito simples, é que desde então se descobriu como fazer vibrar o ar por meio de uma peça mecânica a pele esticada, nesse caso. E tais vibrações são a matéria-prima essencial daquilo que se aprendeu a chamar de arte da música. Daí para a frente, embora ainda não conhecessem a ciência dos seus instrumentos, músicos e artesãos deram largas asas à imaginação na busca de meios cada vez mais sofisticados para gerar sons. Surgiram estreitos entalhes em caniços ocos, nas flautas; as placas finas e chatas de bambu, nas clarinetas e saxofones; ou as cordas percutidas, nos pianos. Essa imensa riqueza técnica, no entanto, deve desaparecer para sempre, ou, na melhor das hipóteses, mergulhar à sombra de um conhecimento superior o que permite empregar meios elétricos e magnéticos para fazer vibrar o ar. "Dentro de cinqüenta anos só teremos instrumentos eletrônicos. Os atuais serão raridade", analisa o professor do Instituto de Física da Unicamp, Carlos Argüello. Claro: a Física moderna ainda não consegue reproduzir, por exemplo, a qualidade "mecânica" dos violinos Stradivarius, introduzidos por volta de 1670. Mas, em primeiro lugar, já é quase impossível fazer distinções entre velhos e novos instrumentos. "Eu executei um concerto inteiro com instrumentos eletrônicos e não se podia distinguir de instrumentos convencionais", testemunha o maestro Júlio Medaglia, atualmente dirigindo a Universidade Livre de Música de São Paulo. E, acima de tudo, as inovações tecnológicas enriqueceram o universo sonoro muito além do que se poderia imaginar em fazer com qualquer instrumento convencional. As possibilidades abertas deslumbram o músico Hélio Ziskind, saxofonista do Grupo Rumo por quinze anos. "Antes a criatividade se limitava à maneira de executar a música.
Hoje não apenas se podem criar novos sons, como novos instrumentos e com versatilidade praticamente infinita." Ziskind compôs a melodia discretamente bela que os caminhões da Ultragás espalham diariamente pelas ruas do país. Para isso, lançou mão de um sampler, um computador que memoriza e processa sons de qualquer tipo. Ele conta que selecionou freqüências de uma música que tinha composto para a ocarina, instrumento de sopro, feito de barro.Assim, acredita ter atingido seu objetivo: revelar a presença do caminhão sem incomodar o ouvido das pessoas. "A música é mais suave que uma buzina e mesmo assim mais facilmente percebida pelas pessoas." Embora criticado por alguns, o computador ampliou os horizontes da música, acredita o entusiasmado Ziskind. "Ser gênio da música é muito mais fácil hoje em dia." Ânimo parecido tem Paulo Miklos, do grupo de rock Titãs. "Com o sampler eu posso somar um acorde de uma sinfonia do Beethoven com uma levada da sanfona do Luiz Gonzaga, uma bateria do grupo de rock Sly and Robie, e ainda processar tudo isso com eco, quebrar os sons em pedaços e reorganizar tudo de novo. Chocante."É curioso como se descobriram os meios de usar a eletricidade para fazer vibrar o ar e produzir sons num instrumento eletrônico, nas décadas finais do século XIX. Um dos primeiros passos foi dado em 1877, quando o inventor americano Thomas Edison imaginou um engenho capaz de registrar as variações de pressão do ar aquilo que o cérebro interpreta como som. Tratava-se de um fonógrafo muito primário e, em princípio, nem precisava ainda da eletricidade. Compunha-se apenas de uma película elástica, esticada e presa a uma agulha de metal. Agitada por vibrações do ar, fortes o bastante para serem reconhecidas como som, a membrana oscilava em consonância com elas. Depois, transferia esse movimento à agulha, que riscava uma folha de estanho enrolada em um cilindro.A agulha "escrevia" o som na folha de estanho, um feito espetacular, ainda que rústico. Seguindo o caminho inverso, quando se girava o cilindro estanhado, seus sulcos punham para vibrar primeiro a agulha e depois a membrana, reconstituindo o som original.
Dez anos depois, o francês Emile Berliner mudou um pouco o sistema e criou o gramofone, que tinha um disco no lugar do cilindro. Já era algo muito próximo dos atuais discos de vinil: se olharmos um LP com uma lupa, veremos os sulcos esculpidos em sua superfície. As agulhas modernas, no entanto, não são ligadas diretamente a uma membrana, mas sim a um cristal especial, o pickup, no qual as vibrações da agulha fazem surgir pequenas correntes elétricas. Como essas correntes são menores ou maiores, dependendo da vibração que se imprime à agulha, é possível "escrever" um som com sinais elétricos. Estes têm a propriedade de mover ímãs, que podem ser colados à membrana de um alto-falante e reproduzir o som codificado em sinais elétricos.Música não é qualquer barulho: só se transformam em música os ruídos que obedecem a uma seqüência rítmica e a uma harmonia, isto é, um conjunto agradável de sons. Os próprios instrumentos acústicos, para chegar aos sons harmoniosos de hoje, tiveram de ser lenta e cuidadosamente aperfeiçoados. "O resultado é algo parecido com a evolução das espécies, em que os mais aptos predominam", compara o argentino Carlos Argüello, professor de Física Nuclear no Instituto de Física da Unicamp, em Campinas, SP. Além de estudar a energia do átomo, o físico também ministrou aulas de acústica musical, na Unicamp. Nelas, ele explicava que o estudo do som começou para valer somente no início do século XVII, com o matemático inglês Robert Hooke. Antes de mais nada, o inglês descobriu um meio de medir a "altura" de um som, isto é, de dizer com precisão o quanto um som é mais grave, ou mais agudo, que outro.De acordo com Hooke, a altura do som depende da vibração do ar: se as moléculas de ar oscilam mais velozmente, o som é mais agudo. Tais diferenças são percebidas pela peça vibrante do aparelho auditivo humano, o tímpano. Trata-se de uma membrana que é empurrada para a frente e para trás, de acordo com as mudanças na pressão do ar. Quando as moléculas avançam sobre ela, a pressão aumenta; quando recuam, a pressão diminui. A rapidez com que esse vai-e-vém ocorre chama-se freqüência e determina a sensação de agudos e graves. Mas isso é só o começo da conversa, pois as ondas de som raramente vibram com uma única freqüência.Ou seja, poucas vezes se tem a oportunidade de ouvir sons puros, que são produzidos apenas pelo diapasão, aparelho usado para afinar outros instrumentos, e pelas flautas. De modo geral, as notas representam uma soma de inúmeras freqüências e é exatamente essa mescla que torna certos instrumentos tão ricos de sonoridade. As notas apresentam uma freqüência básica e uma série de freqüências secundárias, que têm o nome de harmônicos. A quantidade de harmônicos caracteriza o timbre dos instrumentos.Esses conceitos científicos explicam os mais belos efeitos obtidos pela música. Nos instrumentos de sopro, por exemplo, explora-se com sucesso o formato da cavidade onde vibra o ar. Pode-se mudar a altura e o timbre das notas de acordo com o comprimento e o diâmetro de cada instrumento. Por isso, se uma tuba fosse esticada chegaria a medir 9 metros de comprimento: os fabricantes descobriram que o comprimento produzia sons mais graves. Pensava-se o mesmo do diâmetro, mas este, na verdade, influi mais no volume do som. "Quando se tem que soprar mais ar, obtém-se mais som", ensina Argüello.Outra peça básica dos instrumentos é a embocadura, ou bocal, empregada nos chamados metais clarim, ou pistão, trombone, trompa, trompete e tuba, entre outros. É apenas um cilindro cujas dimensões limitam as oscilações possíveis do ar no seu interior. O ar é posto a vibrar simplesmente pelas variações de pressão geradas pelos lábios. Masos instrumentos de sopro não se restringem aos metais.
Existem ainda as madeiras, nas quais a peça produtora de som é uma palheta de bambu. No saxofone e na clarineta, uma apropriada pressão dos lábios faz curvar a palheta e dá forma correta às correntes de ar que penetram no tubo do instrumento. E a vibração dessas correntes que faz surgir as notas. Uma sofisticação desse sistema gerou o oboé, o fagote e o corne-inglês, que em vez de uma empregam duas palhetas. Em um e outro caso, as peças são feitas com uma lasca larga de bambu, dobrada e presa a um pequeno tubo metálico cônico, chamado base. Uma das extremidades da lasca, depois de raspada, fica solta para vibrar; vista de frente, a palheta tem a aparência de dois parênteses - ( ) - que quase se tocam. É a grande flexibilidade mecânica das palhetas que dá ao tocador de oboé o grande leque musical em altura de som, intensidade e timbre.As paredes dos instrumentos também oscilam, como que se acoplando ao som. Influenciadas pelas propriedades elásticas, as vibrações do material de cada instrumento modificam o timbre e o volume das notas. Por isso, um dó de uma flauta é tão diferente do mesmo dó de uma clarineta ou de um oboé. Nos instrumentos de corda, o material é muito importante, assim como diâmetro, comprimento e a tensão a que ela está submetida. De maneira geral, valem as seguintes regras: sob uma mesma tensão, uma corda comprida produz sons mais graves que uma curta; cordas de mesmo comprimento, mas mais esticadas, produzem sons mais agudos; e quanto maior o diâmetro, mais grave é o som.Aparentemente, esses detalhes são mais do que suficientes para produzir as mais sublimes músicas, mas os instrumentistas não se cansam de inventar sutilezas. No violão, por exemplo, as cordas são movimentadas por perturbações súbitas e vibram até que sua energia se irradie por completo. "Você puxa as cordas como se as estivesse beliscando", ensina o professor de piano da Universidade Livre de Música de São Paulo, Roberto Bomilcar. Lições semelhantes enriquecem a execução dos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos, que integram a "família das cordas", a espinha dorsal no corpo das orquestras sinfônicas. Sua melodia emana do atrito entre as cordas e os arcos, feitos de madeira e crina de cavalo. O resultado são notas prolongadas e mais ligadas entre si, como se estivessem sendo cantadas.No século XX, criou-se uma nova técnica, por meio da qual se produz som a golpes de arco sobre as cordas. Outra variação consiste em puxar as cordas com os dedos num movimento denominado pizzicato. No contrabaixo, o pizzicato tem um valor muito especial, pois o som sai quase como uma batida de tambor. Já o piano, por produzir sons a marteladas, tornou-se o primeiro instrumento de cordas ativadas pela percussão. Pequenos martelos de feltro, sob o impulso das teclas, arrancam das cordas energia sonora suficiente para provocar rachaduras na caixa do piano, de madeira. O comprimento das cordas, dependendo do piano, varia de 5 centímetros até mais de 1 metro, entre as mais agudas e as mais graves.Diante de tudo isso, é espantoso imaginar que a acústica clássica, baseada nas vibrações mecânicas, possa ser totalmente recriada pelos modernos sintetizadores. O fato, porém, é que os computadores vão além disso: não só recriam as artes de um oboé ou de um violão, como ainda inventam sons antes inimagináveis numa composição musical. O artista pode mandar executar uma nota cujo conteúdo de harmônicos a faz soar, por exemplo, como em um clarim, ou em um oboé. Pode ordenar que a nota se irrompa de modo explosivo, como no piano, ou prolongar sua execução com a suavidade encontrada nos violinos. Mas também pode distorcer o som de maneira irreconhecível, alcançando efeitos jamais sonhados por um músico no passado.Programas especializados criam melodias com milhões de sons combinados, das mais diversas naturezas. Nasce, assim, a possibilidade concreta de um nova engenharia musical. Os velhos instrumentos, talvez, nunca desapareçam por completo. "Sempre vai ter alguém tocando um violão acústico", imagina Paulo Miklos. É assim mesmo: a tecnologia apenas põe os meios ao alcance do homem. A escolha dos meios depende apenas da sensibilidade dos artistas e de suas platéias.

Som à moda (muito) antiga

Dois mil anos depois de fazer sucesso no Teatro Dioniso, ao pé da Acrópole, o público terá oportunidade de ouvir novamente um fragmento musical de Ifgênia em Aulis, tragédia lírica que o célebre dramaturgo grego Eurípides compôs no quinto século antes de Cristo, pouco antes de morrer. Um detalhe importante é que a peça será tocada com instrumentos fabricados conforme a tecnologia da época - e isso, segundo os especialistas em arqueologia musical, faz a maior diferença para os ouvidos. Como cada detalhe de um instrumento altera as vibrações que produz, uma equipe de arqueólogos franceses vem há um ano, reunindo papiros, pinturas e partituras para reconstituir a sonoridade dos tempos mitológicos de Eurípides. As liras, por exemplo, devem ter uma caixa de ressonância de madeira, com cordas de tripas de carneiro, amarradas com couro de boi. Outro instrumento indispensável em lfigênia é o aulo, que se pode considerar um ancestral da flauta. A diferença é que tem dois tubos, de madeira ou de prata, permitindo ao músico executar duas melodias distintas ao mesmo tempo. Os franceses também estão esculpindo uma cítara de ébano, madeira que pode tornar o som mais pulsante. O trabalho de reconstituição não é mero preciosismo: a escala musical, na Grécia Antiga, tinha apenas quatro notas em vez das sete atuais. Além disso, as notas se dividiam em uma série de semitons, representados por nada menos que 67 sinais diferentes, algo impossível de reproduzir com os instrumentos modernos. Mas, se tudo der certo, a audição de Ifigênia poderá colocá-los ao alcance das platéias modernas no primeiro de uma admirável série de concertos. Afinal, os gregos legaram mais de cinqüenta partituras à posteridade.

Um violino na Lua

Um despertador suspenso por um fio, dentro de um vaso de vidro, de onde se havia retirado o ar, foi tudo o que o cientista inglês Robert Boyle precisou, em 1660, para desvendar a natureza do som. O despertador havia sido regulado para tocar algum tempo depois de se montar a experiência, mas, no momento certo, as peças da campainha moveram-se no mais absoluto silêncio. Boyle, então, concluiu que o som não passava de uma agitação das partículas de ar: seria inútil tocar um violino na Lua, onde a atmosfera praticamente não existe. A agitação sempre começa nas proximidades de um aparelho vibrante, como o metal da campainha, e imediatamente contamina as partículas vizinhas, em todas as direções - espalhando-se por todo o espaço.Não é difícil mostrar que o som se move com velocidade bem definida no ar, igual a 340 metros por segundo, ou 1224 quilômetros por hora. E não é só no ar que ele se propaga: qualquer movimento de partículas, não importa em que material, espalha-se a partir do lugar em que foi produzido. Na água, por exemplo, a energia sonora propaga-se com velocidade quatro vezes maior do que no ar. A diferença se deve ao fato de a água ser mais densa. Isto é, suas partículas - que hoje se sabe serem moléculas feitas de átomos estão mais próximas entre si. Por isso, qualquer movimento em um grupo de moléculas passa prontamente para os grupos à volta. Também nos metais o som é mais rápido do que no ar: tanto que nos velhos filmes de bangue-bangue, os bandidos muitas vezes encostam o ouvido nos trilhos para saber, com bastante antecedência, se um malfadado trem de ferro se aproxima do local da emboscada. Mais usualmente, no entanto, é por intermédio do ar que as vibrações sonoras chegam aos ouvidos humanos. Aí se transformam em sinais eletroquímicos que o cérebro interpreta como sons.

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sábado, 26 de julho de 2008

HORA DO LANCHE!

Chomp, chomp. Que delícia! A hora do lanche, para quem cresceu entre as décadas de 70 e 80, era uma verdadeira festa. Festa de colesterol, muito açúcar e pouca fibra, nenhuma fruta. Corantes e conservantes reinavam, supremos, na dieta da petizada. Tudo bem. Quem cresceu naquele tempo virou vegetariano ou desencanou de vez.

CACAU LEGAL
O mundo dos chocolates, entre 1970 e 1980, era bem diferente do de hoje. Havia menos variedade. Porém, marcas como Lollo, Kri e Cad-Lac compensavam a falta de opção com embalagens meio psicodélicas. Das três barras, apenas Cad-Lac não existe mais. As outras ganharam novos nomes e roupagem mais atual.

CARDÁPIO
Uma utopia, claro. Mas imagine o cardápio "ideal" da molecada que hoje está na casa dos vinte e poucos:

Bebida - Muk chocolate Ki-Suco
Salgadinho - Mandiopã
Doce - Mumuzinho
Biscoito - Merendinha
Bala - Banzé
Sorvete - Picolé Tubarão

VAI UM CIGARRO?
No tempo em que a propaganda de cigarros ocupava grande espaço na mídia e a luta antitabagista começava, uma fábrica de chocolates satisfazia a ambição da molecada: os Cigarrinhos Pan emulavam o fumo para todos ficarem com aquele gosto de vida adulta. Incorreto? Mas uma delícia!

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sexta-feira, 25 de julho de 2008

A MÁQUINA DO ETERNO MOVIMENTO

Os quase 650 músculos do corpo humano jamais param de trabalhar. Tudo o que fazemos são eles que fazem. E a ciência ensina como usá-los melhor.


Viver é mesmo uma ginástica. O coração se contorce para bombear o sangue que, por sua vez, corre o corpo inteiro. A respiração estica e encolhe os pulmões. O aparelho digestivo se dobra e desdobra com o alimento.Tudo na vida animal é movimento músculos que se contraem, músculos que se estendem. Graças a cerca de 650 músculos o homem pode, além de viver, ficar em pé andar, dançar, falar, piscar os olhos, cair na gargalhada, prorromper em lágrimas, expressar no rosto suas emoções, escrever e ler este texto. Portanto, o desempenho da musculatura é muito mais forte que mera força bruta. Ao ver o movimento dos músculos do corpo, os antigos talvez tivessem a impressão de que existiam ratinhos caminhando sob a pele. Pois em latim musculus é o diminutivo de mus, ou camundongo. Na verdade, o músculo é um feixe com milhões de fibras capazes de se contrair. São 78 por cento água, 20 por cento proteína, 1 por cento carboidrato e, ainda, em quantidades mínimas, sais minerais e gordura.

As fibras podem ser milimétricas, como as dos músculos dos dedos, ou ter até 10 centímetros de comprimento, como as dos músculos da coxa; mas são sempre finíssimas, com um diâmetro nunca maior do que 1 décimo de milímetro.

As fibras musculares surgiram com os primeiros seres vivos que tinham de se deslocar em busca de água ou comida ou ainda para se reproduzir - portanto, animais pluricelulares, que apareceram na Terra há 570 milhões de anos. É a contração de músculos especiais que faz as lulas e águas-vivas expulsar os jatos de água que as impulsionam. Já com o aparecimento dos vertebrados, a musculatura passou também a cumprir uma tarefa essencial sustentar o esqueleto.

A forma e o tamanho de um músculo variam conforme a sua função. A musculatura humana, que representa 40 por cento do peso do corpo, foi herdada dos outros mamíferos e precisou sofrer adaptações para manter o tronco em pé essa tão envaidecedora peculiaridade humana. As mãos, livres do solo, tiveram de modificar os músculos típicos dos quadrúpedes, a fim de poder fazer movimentos complexos e elaborados.

No fundo, todo músculo faz o mesmíssimo movimento, que é contrair-se. Alguns músculos, porém, não obedecem à vontade de seus donos conscientes. São os músculos chamados lisos ou involuntários, que funcionam sob as ordens do sistema nervoso autônomo do organismo. São certos bizarros músculos involuntários, por exemplo, que deixam uma pessoa arrepiada de frio. Com apenas 1 milímetro de comprimento, ficam junto da raiz dos pêlos, que se eriçam quando ocorre a contração. Com os pêlos arrepiados como os de um gato em noite fria, o homem estaria mais protegido do clima. Essa função não faz mais sentido, pois no processo de evolução o homem deixou de ser um bicho peludo.

Mas quase todos os músculos involuntários são fundamentais, como os ciliares do olho. O olho humano pode ser comparado a uma máquina fotográfica que precisa focalizar um objeto de acordo com a distância em que se encontra dele. O dispositivo que usa para isso é uma estreita faixa de fibras musculares atrás da íris - o disco colorido do olho. Ao se contrair, aumenta a curvatura do cristalino, uma espécie de lente natural. A curvatura acentuada é necessária para se enxergar de perto. Por isso, certas atividades, como a leitura prolongada, podem "cansar" a vista, ou seja, cansar esses músculos que ficam contraídos por muito tempo. Eis também por que focalizar um ponto distante é um colírio para os olhos: a curvatura precisa diminuir e os músculos se estendem.

Apesar de toda a sua importância, os músculos involuntários são minoria. No corpo humano, predominam os quase 500 músculos voluntários que atendem aos comandos do sistema nervoso central. Como possuem estrias microscópicas, também são chamados estriados. Existe ainda um terceiro nome para eles: esqueléticos, porque terminam em forma de tendões, que são como cordas de fibras mais fortes, agarradas a ossos. O músculo cardíaco, o mais importante de todos, é considerado um tipo à parte porque, embora seja estriado, se contrai graças a um sistema nervoso próprio.

Qualquer que seja o músculo, suas fibras já estão formadas a partir da sexta semana de vida intra-uterina. A partir de então, cada fibra pode crescer isoladamente. Mas o número de fibras será sempre igual. Um atleta musculoso de 20 anos possui a mesma quantidade de fibras que tinha ao nascer. O que elas fizeram ao longo da vida e à custa de muito exercício foi desenvolver-se. Mesmo entre pessoas diferentes não há grandes diferenças: nos músculos de Maguila e nos equivalentes de Lucélia Santos, o número de fibras é praticamente igual pode até ser que, em dado músculo, a suave Lucélia tenha mais fibra que o temível Maguila.

Músculos parecem gostar de trabalho, pois ficam mais ágeis e fortes à medida que são usados. Até quando se está dormindo, os músculos se mantêm num estado de pequena contração, mais conhecida como tônus muscular. Em pacientes de paralisia infantil, por exemplo, o músculo nem sequer sustenta essa ligeira contração - danificado, o nervo não consegue transmitir-lhe a ordem. Sem o exercício constante do tônus, o músculo acaba por se atrofiar.

Cada fibra muscular segue a lei do tudo-ou-nada: ou se contrai ao máximo ou se ignora o estímulo nervoso. Apesar disso, ninguém se movimenta aos trancos como uma caricatura de robô. Isso porque, em primeiro lugar, as fibras de um mesmo músculo se excitam em graus diferentes: algumas, mais sensíveis, iniciam a contração 4 milésimos de segundo após um estímulo; outras fibras respondem num período muito maior, caso o cérebro insista na ordem. Outro fator importante é o número de células nervosas motoras que o cérebro escalou para levar a ordem ao músculo, assim como o número de fibras que cada uma dessas células nervosas, por sua vez, controla.

As mínimas gradações de movimento dos dedos de um músico instrumentista, por exemplo, apenas são possíveis porque seus nervos motores controlam um número limitado de fibras. É claro que em situações muito especiais o cérebro pode perder temporariamente esse incessante controle sobre os movimentos. Quando a mão toca uma superfície quente, nervos sensitivos da pele e dos próprios músculos dão o alarme; diante disso, antes mesmo de verificar o que aconteceu - a mão encostou numa panela e se queimou -, o cérebro ordena uma contração súbita de todas as fibras daquela parte do corpo. O resultado será um movimento espasmódico.
Um músculo não precisa de duas ordens: basta que lhe mandem contrair-se. A extensão ocorre naturalmente quando cessa a ordem de contração. Assim, o popular bíceps músculo da frente do braço - se contrai e diminui a distância entre os ossos, usando as articulações do cotovelo: essa é uma ação concêntrica, que qualquer pessoa executa no mero gesto de levar uma xícara aos lábios. Já para segurá-la na altura da boca é preciso uma ação isométrica, ou seja, capaz de manter a contração sem causar movimento. O cérebro consegue essa proeza bombardeando o músculo com cerca de 45 estímulos por segundo uma ordem que deve se fundir com outra, sem dar tempo para o músculo se estender. Finalmente, a ação excêntrica é quando se abaixa a xícara. Mais uma vez o cérebro controla o movimento interrompendo gradualmente os estímulos às fibras.

Na realidade, um movimento qualquer nunca é obra de um único músculo. No exemplo de dobrar o braço, ao mesmo tempo em que o bíceps se contrai, um músculo oposto o tríceps se estende. E, quando o braço abaixa, é o tríceps que se contrai, puxando o antebraço para fora e obrigando o bíceps a se estender. O músculo contraído de qualquer movimento chama-se agonista; o estendido é antagonista. Todo músculo dança conforme a música, ou seja, pode ser tanto agonista como antagonista depende do movimento.

Num movimento, há também músculos que se contraem apenas para fixar um membro ou o tronco inteiro e, dessa maneira, dar uma base de sustentação ao músculo que de fato se desloca. Por exemplo, ao cerrar o punho, aparentemente só os músculos da mão e dos dedos trabalham; mas, se os músculos do antebraço não ficassem bem contraídos para segurar o pulso, este se dobraria junto com os dedos. Para a contração, um músculo precisa de energia. Essa energia é liberada com a quebra de moléculas da substância adenosina trifosfato (ATP).

O estímulo nervoso possui determinada eletricidade que, em contato com uma substância gelatinosa que banha o músculo, encaminha uma partícula de cálcio para dentro das fibras; o cálcio, então, ativa enzimas próprias do músculo que quebram a ATP. A única questão é haver moléculas de ATP em quantidade suficiente. O fisiologista Turíbio Leite, professor da Escola Paulista de Medicina, ensina que existem três fontes de ATP. A primeira seria uma espécie de estoque particular do músculo. A segunda é a glicólise: reações dentro do músculo transformam a glicose das fibras ou a trazida pelo sangue em ATP e ácido láctico. Esta é uma substância inibidora que, ao se acumular nas fibras, causa tanta dor que a pessoa não agüenta mais contrair o músculo.

"Esse processo", explica o professor Turíbio, "produz grande quantidade de energia, mas por tempo limitado. Por isso, é um metabolismo para atividades que exigem velocidade. "Os atletas atenuam os efeitos do ácido láctico e por isso suportam melhor um acúmulo da substância. Mas quem não é atleta cede à dor e logo pára. Do contrário, corre o risco de sentir uma cãibra, a contração involuntária do músculo cansado, que serve de sinal de alerta. É claro que as cãibras também atacam em plena madrugada, quando se está quieto, dormindo. Mas aí o problema é neurológico uma ordem equivocada para o músculo se contrair a toda velocidade, provocada muitas vezes por estresse psicológico.

Quando o mal é meramente muscular, uma massagem local ajuda de imediato. Ela provoca mecanicamente o relaxamento do músculo contraído e, ao ativar a circulação no lugar, ajuda o sangue a espalhar o ácido láctico. As massagens para aliviar a tensão funcionam da mesma maneira. Pois, quando a mente faz verdadeiras acrobacias por causa de um problema qualquer, a pessoa fica literalmente tensa culpa das ordens do cérebro para contrair certos músculos que, como em toda ginástica, ficam ali gastando energia para manter a tensão e acumulando o ácido láctico.

A última fonte de ATP, o metabolismo aeróbio, é o oxigênio trazido pelo sangue, que produz a substância em reações químicas com a glicose. Nesse caso, a "sobra", gás carbônico e água, é eliminada na expiração. Esse é o metabolismo que mais se usa no dia-a-dia: não produz velocidade, mas tem a vantagem da resistência. Todo músculo possui dois tipos de fibras: as de tipo 1, que desenvolvem mais o metabolismo aeróbico; e as de tipo 2, que realizam melhor o metabolismo da glicólise. Pesquisadores supõem que a prática de determinado esporte pode transformar uma fibra tipo 1 em tipo 2 e vice-versa. Mas isso nunca foi observado na prática. "Nascemos com a proporção de fibras 1 e 2 determinada", diz o fisiologista Turíbio Leite, "o que significa que temos predisposição genética para esportes rápidos ou de resistência."

Qualquer reação para produzir ATP no músculo acaba liberando muito calor. São os músculos, portanto, os responsáveis pelos 36 graus centígrados do corpo humano a temperatura ideal para que o organismo funcione direito. Quando o clima ameaça baixar essa temperatura, o cérebro manda os músculos se agitarem. É quando as pessoas tremem de frio.

Outra responsabilidade dos músculos é a postura corporal. Músculos enfraquecidos fazem a coluna despencar para algum lado. Por exemplo, a lordose (acentuação da curvatura lombar) é conseqüência de músculos abdominais fracos, incapazes de sustentar as vísceras; estas então caem sobre o osso da bacia que, por sua vez, joga todo o seu peso sobre a coluna lombar.
Mesmo quem não tem vocação para atleta olímpico deveria tirar o máximo proveito dos músculos que a natureza lhe deu. Está provado que músculos fortes evitam o tão doloroso endurecimento das articulações - e também doenças graves como a osteoporose ou desmineralização dos ossos. Sempre se soube, por exemplo, que os músculos do braço direito de um tenista destro são mais desenvolvidos que os do braço esquerdo. O que se descobriu faz pouco tempo é que também os ossos do braço direito desse tenista são mais largos. Antigamente, acreditava-se que, com o passar dos anos, os músculos deviam ser poupados. Nada mais errado. Todos devem dançar, andar, nadar. Enfim, o segredo de tratar bem os músculos é saber que ninguém pode se dar ao luxo de ficar parado.

O melhor da malhação

Um belo corpo, receita a Organização Mundial de Saúde, consiste em ter boa capacidade cardiorrespiratória, força, flexibilidade e obesidade sob controle. Atrás desse ideal estão as multidões que freqüentam academias de ginástica. Mas não existe nada de novo nesses saltitantes anos 80. No século passado, começou a aparecer a ginástica tal como é conhecida. Do ideal de civilização difundido pelos ingleses no seu vasto império fazia parte a aptidão física.
"A grande novidade é que hoje a Educação Física tem muito mais base científica", observa o professor Mauro Guiselini, da USP. "Existem áreas de estudo novas, como a Fisiologia do Esforço. E, graças à Biomecânica, que mostra quais músculos participam de cada movimento, pode-se tirar melhor proveito dos exercícios." A ciência, portanto, acabou esclarecendo muita coisa. Ela condena o uso de hormônios consumidos por halterofilistas - que ajudam a desenvolver os músculos, mas causam impotência sexual. Por outro lado, derrubou a idéia de que pessoas muito musculosas não têm flexibilidade. Com exercícios de alongamento para músculos e tendões, um fortíssimo culturista pode ter o jogo de cintura de um bailarino.

Outra idéia riscada é a de que quem faz muita ginástica nunca pode parar, senão os músculos "despencam". Não é bem assim. É verdade que os músculos armazenam tudo o que é ruim como toxinas por muito tempo e não guardam o que é bom, ou seja, o condicionamento físico. Para manter-se em forma, a pessoa não deve interromper a ginástica: 30 por cento de tudo o que conquistou em um ano de malhação na academia vai-se embora em apenas três ou quatro semanas de vida sedentária. Mas o pior que pode acontecer e acontece é os músculos voltarem a ser o que eram antes da ginástica. "Nunca ficam pior do que isso", consola o professor Guiselini.
Mais do que a musculação, a ginástica aeróbica, que chegou ao Brasil nos primeiros anos 80, é o grande sucesso de público. Não é para menos: está provado que levar o coração à freqüência de 130 batimentos por minuto, durante 20 a 30 minutos, três vezes por semana, é o suficiente para manter a bomba em excelente estado. "A aeróbica", aprova Guiselini, "tem a vantagem de utilizar a música como um elemento fundamental, tirando da ginástica a chatice do ´um, dois, três, quatro´. Além de reforçar o coração, condiciona os outros músculos e desenvolve a coordenação motora. É, portanto, um exercício completo."

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dica: Amores Possíveis - DVD

SinopseAmores

Há 15 anos, Carlos (Murilo Benício) foi ao cinema para se encontrar com Julia (Carolina Ferraz), sua colega de faculdade, por quem estava apaixonado. Entretanto, a espera é em vão, já que Julia não aparece, deixando Carlos sozinho no hall do cinema. Durante a espera, acontece algo que irá mudar a vida de Carlos para sempre. Quinze anos após este acontecimento, passamos a acompanhar três versões possíveis e distintas da vida de Carlos. Na primeira, ele é um homem que se divide entre a estabilidade de uma vida segura e um casamento morno e o desejo crescente de viver uma paixão. Na segunda, Carlos é um homossexual que colocou a paixão acima de tudo. E na terceira ele é um homem que ainda não descobriu o amor e que busca, em sucessivas e desastrosas experiências amorosas, a mulher ideal. Apenas uma destas vidas é real, sendo que outra é fictícia e a terceira é a que ele gostaria realmente de viver. Mas descobrir qual destas três possibilidades é a vida real de Carlos, é preciso voltar no tempo e conhecer o que realmente aconteceu com ele após a espera por Julia no hall de cinema.

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Comandos linux

Ao iniciar o Terminal, aparecerá algo semelhante a:

uol@uol-desktop:~$ - antes do símbolo @ temos o nome do usuário e após o computador acessado e o diretório.

O caractere que aparece no final indica qual o poder do usuário. $ significa usuário comum e # para usuário com acesso irrestrito, chamado usuário root. Você precisa entrar nele para deletar arquivos, instalar programas, configurar o sistema, manipular usuários e grupos e alterar a prioridades de processos, por exemplo. Estes sinais indicam qual usuário você deve utilizar para realizar tarefas.

Para acessar o root, você pode usar o comando su e o comando sudo.

su (de substitute user) - ao digitar este comando, o programa pede a senha do usuário root. Também é possível usar o comando para acessar outra conta, usando su [usuário]. Quando você usa esse comando, as configurações de usuário não são alteradas, para que toda a configuração do usuário root seja carregada, deve-se digitar o comando su -.

sudo - Com este comando é possível definir permissões de comandos para determinados usuários. Ele pode ser configurado para exigir a senha novamente depois de um determinado tempo, não exige o uso da senha do root e registra as atividades efetuadas. Para sair, tecle exit.

ls - lista os arquivos e diretórios da pasta atual. Com qualquer comando você pode dar --help para ver as opções, por exemplo: ls --help

Os atributos mais usado junto com ls são:

ls -l - mostra conteúdo detalhado (com bytes, permissões, diretório,...)

ls -a - mostra arquivos ocultos

O comando ls também pode ser usado para fazer buscas:

ls *.txt - o * busca todos os arquivos terminados em .txt

ls manual?.txt - o ponto de interrogação substitui o caractere, ele pode encontrar manual1, manual2, etc.

ls manual[3-7].txt - busca os arquivos com finais entre 3 e 7

ls -alsh | grep [mp3] | grep [alanis] - com este atributo você busca por arquivos que tenham no nome mp3 e alanis

ls -alsh | grep [mp3] | grep [alanis] | grep -v [king] - agora vamos procurar um arquivo que tenha mp3 e alanis mas que não tenha king

cd - comando para acessar diretórios, você deve inserir o comando e depois o nome do diretório: cd [diretório]. Para voltar ao diretório acima: cd ../ dois diretórios: cd ../../. Ir para o diretório home do usuário: cd ~. Voltar para o diretório anterior: cd -

chmod - muda permissão de arquivos e diretórios. Ao listar as informações de um arquivo ou diretório, as permissões aparecem da seguinte forma: drwxrwxrwx. Onde o d é o diretório, depois vêm as permissões do dono (read, write, execute), do grupo (read, write, execute) e de outros (read, write, execute). Para tornar um arquivo executável basta dar o comando chmod +x [arquivo] (para todos os usuários) ou chmod [grupo]+x

cp - copia arquivos Ex. cp [arquivo] [diretório]

du - mostra tamanho dos arquivos/pastas no mesmo nivel ou um acima do atual

mkdir - cria diretório

mv - move ou remomeia arquivos Ex. mv [arquivo] [diretório de destino] ou [nome do arquivo] [nome novo]. Você precisa estar no diretório de origem.

rm - remove arquivos. Você pode colocar vários arquivos um ao lado do outro para excluí-los ao mesmo tempo. Ex: rm [arquivo 1] [arquivo 2]. Para excluir diretórios com todo seu conteúdo use: rm -rf [diretório]

rmdir - apaga diretórios vazios. Ex. rmdir [diretório]

pwd - mostra o diretório em que você está

df - mostra o espaço usado, livre e a capacidade das partições do HD em bytes. Use df -h para ver em MB.

locate - busca em todo o computador

find - encontra arquivos

ps - relata os processos em execução

Ambientes gráficos de desktop

Dentro das distribuições, temos os tipos de interfaces gráficas do sistema (a "cara" do software). As mais populares são o GNOME e o KDE.

GNOME (GNU Network Object Model Environment) é o ambiente desktop oficial do projeto GNU e usa a linguagem GTK. Seu objetivo principal é oferecer uma interface amigável e fácil de usar.

Já o KDE (K Desktop Environment) é, ao mesmo tempo, um ambiente gráfico e uma plataforma de desenvolvimento livre, desenvolvido com base na biblioteca Qt. A interface e organização são similares as do Windows (e, por isso, pode ser de mais fácil adaptação para quem quer migrar do sistema operacional da Microsoft). Seu gerenciador de janelas e barra de tarefas organizam e facilitam a execução e alteração de aplicativos.

O KDE tende a agradar mais quem está acostumado com o ambiente Windows, e o Gnome a quem utiliza o Mac OS X, devido à estrutura e ao posicionamento de menus.

Softwares feitos para KDE rodam normalmente em ambiente Gnome e vice-versa: apenas a aparência das janelas podem ser levemente diferente. Portanto, todos os software do Ubuntu servem também para o Kubuntu, e vice-versa.

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Temporalidade: Aniversariante do Dia

22 de Julho.
Aniversário

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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vitaminas e minerais

 

VITAMINA
FONTES ALIMENTARES
BENEFÍCIOS À SAÚDE
CONSEQÜÊNCIAS DA DEFICIÊNCIA

Lipossolúveis

A
Legumes verdes e verduras, laticínios, fígado
Componente de pigmentos sensíveis à luz nos olhos, manutenção do tecido epitelial
Cegueira noturna, cegueira permanente, ressecamento extremo da pele

D
Laticínios, ovos, óleo de fígado de bacalhau; luz ultravioleta
Absorção de cálcio, formação dos ossos
Raquitismo (deformidades nos ossos)

E
Margarina, sementes, verduras
Protege os ácidos graxos e as membranas celulares da oxidação
Possivelmente, anemia

K
Verduras
Coagulação do sangue
Hemorragias

Hidrossolúveis

Ácido fólico
Alimentos à base de trigo integral, legumes e verduras
Metabolismo do ácido nucléico
Anemia, diarréia

B1 (Tiamina)
Miúdos, carne suína, grãos, legumes
Metabolismo dos carboidratos, funções nervosas e cardíacas
Beribéri (enfraquecimento do coração, edemas, degeneração dos nervos e músculos)

B2 (Riboflavina)
Laticínios, fígado, ovos, grãos, legumes
Metabolismo energético
Irritação ocular, inflamação e rompimento de células da pele

B3 (Niacina ou Ácido nicotínico)
Fígado, carnes magras, grãos, legumes
Reações de oxirredução na respiração celular
Pelagra (desordens gastrointestinais e na pele, inflamações nos nervos, distúrbios mentais)

B5 (Ácido pantotênico)
Laticínios, fígado, ovos, grãos, legumes
Metabolismo energético
Fadiga, descoordenação

B6 (Piridoxina)
Cereais integrais, legumes e verduras, carnes
Metabolismo dos aminoácidos
Convulsões, irritabilidade, pedras nos rins

B12 (Cobalamina)
Carnes vermelhas, ovos, laticínios
Produção de ácido nucléico
Anemia perniciosa, distúrbios neurológicos

Biotina
Carnes, legumes e verduras
Síntese de gorduras e metabolismo dos aminoácidos
Depressão, fadiga, náuseas

C (Ácido ascórbico)
Frutas cítricas, verduras, tomates
Formação do colágeno nos dentes e ossos, e do tecido conjuntivo dos vasos sangüíneos; provável auxiliar na resistência às infecções
Escorbuto (rompimento da pele, dos vasos sangüíneos e dos dentes)

MINERAL
FONTES ALIMENTARES
BENEFÍCIOS À SAÚDE
CONSEQÜÊNCIAS DA DEFICIÊNCIA

Principais

Cálcio
Leite, queijo, legumes e verduras
Formação dos ossos e dentes, coagulação do sangue e transmissão nervosa
Raquitismo, osteoporose, convulsões

Cloro
Alimentos que contêm sal; alguns legumes, verduras e frutas
Regulação dos fluidos entre as células ou camadas celulares
Desequilíbrio ácido-base nos fluidos corporais (muito raro)

Enxofre
Peixes, aves, carne
Manutenção do equilíbrio ácido-base e das funções hepáticas
As desordens são improváveis se o corpo absorver pequenas quantidades necessárias

Fósforo
Leite, queijo, iogurte, peixe, carnes, aves, grãos
Formação de ossos e dentes, manutenção do equilíbrio ácido-base
Fraqueza, perda de cálcio

Magnésio
Grãos integrais; verduras
Ativação das enzimas, síntese de proteínas
Deficiências de crescimento, problemas comportamentais, espasmos

Potássio
Bananas, verduras e legumes com folhas, batatas, abóboras, leite, carnes
Manutenção do equilíbrio ácido-base e do equilíbrio dos fluidos, transmissão nervosa
Câimbras, confusão mental, perda do apetite, arritmias cardíacas

Sódio
Sal de cozinha
Manutenção do equilíbrio ácido-base e do equilíbrio hídrico no corpo, funções nervosas
Câimbras, apetite reduzido, apatia mental

Secundários

Cobre
Carne, água potável
Formação dos glóbulos vermelhos
Anemia, danos ao desenvolvimento de tecidos ósseos e nervosos

Cromo
Legumes e verduras, cereais, miúdos, gorduras, óleos vegetais, carne, grãos integrais
Metabolismo da glicose
Início de diabetes em indivíduos adultos

Ferro
Carnes magras, ovos, grãos integrais, verduras e legumes
Formação da hemoglobina no sangue; metabolismo energético
Anemia

Flúor
Água potável, chá, frutos do mar
Manutenção da estrutura óssea, dentes resistentes
Osteoporose; perda dos dentes

Iodo
Peixes marinhos, moluscos, laticínios, legumes e verduras, sal iodado
Componente do hormônio da tireóide
Bócio (dilatação da tireóide)

Selênio
Frutos do mar, carne, grãos
Previne a decomposição de gorduras e outras substâncias químicas presentes no corpo
Anemia

Zinco
Carnes magras, cereais e pães integrais, feijões, frutos do mar
Componente de enzimas que participam da digestão, da regeneração celular e da reprodução sexual
Deficiência no crescimento, gônadas sexuais pequenas, cicatrização lenta

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domingo, 20 de julho de 2008

Naturalismo (literatura)

 

Naturalismo (literatura), movimento segundo o qual a composição literária deve se basear em uma representação objetiva e empírica (ver Empirismo) do ser humano. Diferencia-se do realismo por incorporar uma atitude amoral na representação objetiva da vida. Os escritores naturalistas consideram que o instinto, a emoção ou as condições sócio-econômicas regem a conduta humana, rechaçando o livre-arbítrio e adotando o determinismo biológico de Charles Darwin e o econômico de Karl Marx.

Entre os escritores que defenderam o naturalismo destacam-se Émile Zola, Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro e o espanhol Benito Pérez Galdós.

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sábado, 19 de julho de 2008

Mini Mac Wallpaper


mac leopard wallpaper, upload feito originalmente por kakdee_i.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

EEEPC

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Turbine Seu Firefox!



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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Uma semana na vida do Administrador de Suporte do "Inferno"

 

Segunda
8:05am
Usuário chama dizendo que perdeu a password.
Eu disse a ele para usar um utilitário de recuperação de senhas chamado FDISK.
Ignorante, ele me agradeceu e desligou.
Meu Deus! E a gente ainda deixa essas pessoas votarem e dirigirem?
8:12am
A Contabilidade chamou para dizer que não conseguiam acessar a base de dados do relatórios de despesas.
Eu dei a resposta Padrão dos Administradores de Sistema #112:
"Engraçado... Comigo funcionou...".
Deixei eles pastarem um pouco enquanto eu desconectava minha cafeteira do No Break e conectava o servidor deles de volta.
Sugeri que eles tentassem novamente. Ah... Mais um usuário feliz....
8:14 am
O Usuário das 8:05 chamou dizendo que recebeu a mensagem: Erro no acesso ao drive 0.
Disse a eles que isso era problema de SO e  transferi a ligação para o micro suporte.
11:00 am
Relativamente calmas, as últimas horas.
Decidi reconectar o telefone do suporte para ligar para minha namorada.
Ela disse que os pais dela virão para a cidade nesse fim de semana.
Coloquei ela "em-espera" e transferi a ligação para o almoxarifado.
O que é que ela está pensando?
Os torneios de "Doom" e "Myst" são neste fim-de-semana!
12:00 pm
almoço.
15:30 pm
Retorno do almoço.
15:55 pm
Acordei da soneca.
Sonhos ruins me dão tremores.
Empurrei os servidores sem razão.
Voltei para a soneca.
16:23 pm
Outro usuário liga.
Quer saber como mudar fontes em um formulário.
Perguntei que chip eles estão usando.
Falei para eles ligarem novamente quando descobrirem.
16:55 pm
Resolvi rodar a macro "Criar Salvar/Replicação de Conflitos" para que o próximo turno tivesse algo a fazer...
Terça
8:30 am
Terminei a leitura do log do suporte da noite anterior.
Pareceram ocupados.
Tempos terríveis com Salvar/Replicação de Conflitos..
9:00 am
Gerente de suporte chega. Quer discutir minha atitude. Cliquei no PhoneNotes SmartIcon.
"Adoraria, mas estou ocupado. ", gritei enquanto pegava as linhas de suporte, que (misteriosamente) acenderam.
9:35 pm
O chefe da equipe de P&D precisa de ID para novos empregados.
Disse ele que precisava do formulário J-19R=3D3D9C9\\DARR\K1.
Ele nunca tinha ouvido falar de tal formulário.
Disse a ele que estava no banco de dados de FORMULÁRIOS ESPECIAIS.
Ele nunca ouvira falar de tal banco de dados.
Transferi a ligação para o almoxarifado.
10:00 am
Ana ligou pedindo um novo ID.
Eu disse que precisaria da matrícula, nome de depto, nome do gerente e estado marital.
Rodei @DbLookup nos bancos de dados de Controle de Doenças e não achei nada.
Disse a ela que o novo ID estaria pronto de noite.
Relembrando as lições de "Reengenharia para Parceria de Usuários", ofereci-me para entregar
pessoalmente em sua casa.
10:07 am
O cara do almoxarifado passou por aqui dizendo que estava recebendo ligações estranhas ultimamente.
Ofereci a ele um treino em Notes.
Começando agora.
Deixei ele olhando a console enquanto sai para fumar.
13:00 pm
Voltei da pausa para o cigarro.
O almoxarife disse que os telefones ficavam tocando demais, então ele transferia as ligaçõoes para a moça da cafeteria.
Começo a gostar desse cara.
13:05 pm
Grande Comoção! Gerente de suporte cai num buraco aberto onde eu tinha tirado os tacos, na frente da porta do seu escritório.
Falei para ele da importância de não entrar correndo na sala do computador, mesmo que eu grite "Meu Deus -- Fogo!!"
14:00 pm
A secretária jurídica liga e diz que perdeu a password. Pedi a ela que cheque sua bolsa, chão do carro e no banheiro. Disse que provavelmente saiu das costas da máquina. Sugeri que ela coloque durex em todas as entradas de ar que ela ache no PC. Grunhindo, ofereci-me para lhe dar nova ID enquanto ela colava os durex...
14:49 pm
O almoxarife voltou. Quer mais aulas. Tirei o resto do dia de folga.
Quarta
8:30 am
Detesto quando os usuários ligam pra dizer que o chipset não tem nada a ver com fontes em um formulário. Disse a eles "claro, vocês deviam estar checando o "bitset" e não "chipset". Usuário bobo pede desculpa e
desliga.
9:10am
Gerente de suporte, com o pé engessado, volta ao escritório. Agenda um encontro comigo para 10:00am. Usuário liga e quer falar com o gerente de suporte sobre terríveis socorros na mesa de suporte. Disse a eles que o gerente estava indo a uma reunião. As vezes a vida nos da material...
10:00 am
Chamei o Luiz do almoxarifado para ficar no meu lugar enquanto vou no escritório do gerente.
Ele disse que não pode me demitir, mas que pode sugerir vários movimentos laterais na minha carreira.
A maioria envolvida com implementos agrícolas no terceiro mundo. Falando nisso, perguntei se ele já sabia de um novo bug que pega texto indexado dos  bancos de  dados   e  distribui  aleatoriamente  todas  as referências.
A reunião foi adiada...
10:30 am
Disse ao Luiz que ele está se saindo muito bem. Ofereci-me para mostrá-lo, o sistema corporativo de PBX algum dia...
11:00 am
almoço.
16:55 pm
retorno do almoço.
17:00 pm
Troca de turno. Vou para casa.
Quinta
8:00 am
Um cara novo (Jonas) começou hoje. "Boa sorte", disse a ele.
Mostrei-lhe a sala do servidor, o armário de fios e a biblioteca técnica.
Deixei-o com um PC-XT. Falei para ele parar de choramingar. O Notes rodava igual, tanto em monocromo quanto em cores.
8:45 am
Finalmente o PC do novato deu boot. Disse a ele que iria criar novo usuário para ele.
Setei o tamanho mínimo de password para 64. Sai para fumar.
9:30 am
Apresentei o Luiz ao Jonas. "Boa Sorte", comentou o Luiz. Esse cara não é o máximo?
11:00 am
Ganhei do Luiz no dominó. Luiz sai. Tirei o resto das peças da manga ("tenha sempre backups").
Usuário liga, diz que servidor de contabilidade está fora do ar.
Desconecto o cabo Ethernet da antena do rádio (melhor recepção) e ligo de volta no hub.
Disse a ele que tentasse novamente. Mais um usuário feliz!
11:55 am
Expliquei ao Jonas a política corporativa 98.022.01
"Sempre que novos empregados começam em dias que terminam em 'A' estão obrigados a prover
sustento e repouso ao analista técnico senior do seu turno"
Jonas dúvida. Mostrei o banco de dados de "políticas corporativas".
"Lembre-se, a pizza é de peperoni, sem pimenta!", gritei enquanto Jonas pisa no taco solto ao sair.
13:00 pm
Oooooh! Pizza me dá um sono...
16:30 pm
Acordo de uma soneca refrescante. Peguei o Jonas lendo anúncios de emprego.
17:00 pm
Troca de turno. Desligo e ligo o servidor várias vezes (Teste do botão ON-OFF...). Até amanhã...
Sexta
8:00 am
Turno da noite continua tendo problemas para trocar unidade de força do servidor.
Disse a eles que estava funcionando direito quando sai.
9:00 am
Jonas não esta aqui ainda. Decidi que deveria começar a responder as chamadas eu mesmo.
9:02 am
Chamada de usuário.
Diz que a base em Sergipe não consegue replicar.
Eu e Luiz determinamos que é problema de fuso horário.
Mandei eles ligarem para Telecomunicações.
9:30 am
Meu Deus! Outro usuário! Eles são como formigas, dizem que estão em Manaus e não conseguem replicar com Sergipe.
Falei que era fuso horário, mas com duas-horas de diferença.
Sugeri que eles ressetassem o time no servidor.
10:17 am
Usuário do Espirito Santo liga.
Diz que não consegue mandar mail pra Manaus.
Disse para eles setarem o servidor para 3 horas adiantado.
11:00 am
E-mail da corporação diz para todos pararem de ressetar o time dos servidores.
Troquei o "date stamp" e reenviei para o Acre.
11:20 am
Terminei a macro @FazerCafé. Recoloquei o telefone no gancho.
11:23 am
O Acre liga, perguntando que dia é hoje.
11:25 am
Gerente de suporte passa para dizer que o Jonas pediu pra sair.
"Tão dificil achar boa ajuda...", respondi.
O gerente disse que ele tem um horário com o ortopedista essa tarde e pergunta se eu me importo em substituí-lo na reunião semanal dos administradores. "No problems",   eu respondo.
11:30 am
Chamo Luis e digo que a oportunidade bate à sua porta e ele é convidado para um encontro essa tarde.
"Claro, você pode trazer seu jogo de dominó", digo a ele.
12:00 am
almoço:
13:00 pm
Começo backups completos no servidor unix. Redireciono o device para NULL para o backup ser mais rápido.
13:03 pm
Backup semanal completo. Cara, como eu gosto da tecnologia moderna!
14:30 pm
Olho o banco de dados de contatos de suporte.
Cancelo o compromisso de 2:45pm.
Ele deve ficar em casa descansando.
14:39 pm
Outro usuário ligando.
Diz que quer aprender a criar um documento de conexão.
Digo a ele para rodar o utilitário de documentos CTRL-ALT-DEL
Ele disse que o PC rebootou. Digo a ele para chamar o microsuporte.
15:00 pm
Outro usuário (novato) liga. Diz que a macro periódica não funciona.
Disse a ele para incluir a macro @DeleteDocument no final da fórmula e prometi a ele mandar-lhe o anexo do manual que indica isso.
16:00 pm
Acabei de trocar a cor de frente de todos os documentos para branco.
Também setei o tamanho da letra para 2 nos bancos de dados de ajuda.
16:30 pm
Um usuário liga para dizer que não consegue ver nada em nenhum documento.
Digo a ele para ir no menu Edit, opção Select all, e apertar a tecla Del e depois refresh.
Prometi mandar-lhe a página do manual que fala sobre isso.
16:45 pm
Outro usuário liga. Diz que não consegue ver os helps dos documentos.
Digo a ele que irei consertar. Mudei a fonte para WingDings.
16:58 pm
Conectei a cafeteira no hub Ethernet para ver o que acontece...
Nada... (muito sério).
17:00 pm
O turno da noite apareceu. Digo a eles que o hub está agindo estranho
Desejo um bom fim-de-semana.

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Wallpaper - Inverno

...season...

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Entrevistando Décio de Almeida Prado às vésperas do lançamento do livro Seres, Lugares, Coisas.

Veja - Após sessenta anos de teatro, qual peça não deu para esquecer?
PRADO - São muitas. Uma lembrança que sempre vem em primeiro lugar é Um Bonde Chamado Desejo, a que assisti em 1958, em Nova York. Marlon Brando, muito jovem, fazia o principal papel masculino. Jessica Tandy era sua cunhada, meio louca, que acaba sendo estuprada. O texto, de Tenessee Williams, era ótimo, uma visão de realidade que não era naturalista, mas transformada pela sensibilidade do autor, num estilo que se pode chamar de realismo poético. Marlon Brando tinha um desempenho impressionante, inclusive pelo físico de atleta. Jessica Tandy já exibia aquele talento enorme que sempre se viu no cinema, até como a senhora de Conduzindo Miss Daisy. Um grande espetáculo deixa você emocionado, depois quer ficar em pé e bater palmas. Essa encenação era assim.

Veja - Qual o grande espetáculo brasileiro?
PRADO - A Moratória, de Jorge Andrade, numa direção de Gianni Ratto, em 1955. Era deslumbrante. Trouxe vários atores jovens, entre os quais se destacava Fernanda Montenegro, hoje nossa grande atriz. Alguns anos
antes, nós havíamos tido Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, que foi aquele choque. Até hoje me lembro de uma cena produzida pelo diretor, Ziembinsky, em que, para demonstrar a perda da memória da personagem principal, ele fazia sumir algumas cadeiras que estavam no palco. Pura mágica. A Moratória foi um espetáculo que me tocou muito, até porque toda peça, para ser boa, precisa tocar quem a assiste. Ali havia a emoção estética, de uma apresentação que confrontava no palco presente e passado, antes e depois da crise de 1929. Além disso, a peça fala da decadência das famílias que tinham fazendas de café e faliram, o que aconteceu com o avô de Jorge Andrade. Eu tinha 12 anos na época, e a partir de então a crise era a conversa de todos lá em casa. Não apenas do pai, mas dos primos e dos tios. Falava-se em crise o tempo inteiro.

Veja - Por que o senhor considera Gonçalves Dias, um romântico do século passado, nosso maior autor?
PRADO - Nós temos uma visão errada do romantismo, especialmente de sua primeira fase, de 1830. Era uma coisa destruidora, violenta, muito moderna. Gonçalves Dias, mulato, filho ilegítimo, foi um desses brasileiros que eram modernos em seu tempo. Tratava de temas fortes, pesados. Chegou a ser proibido pela censura do Império porque fez uma peça em que o assunto era o incesto. Mas sua grande peça, Leonor de Mendonça, tratava de temas que permanecem atuais. A partir de uma suspeita de adultério, a peça debate os direitos da mulher e também discute a diferença entre grandes e pequenos nobres. É uma obra-prima, comparável aos grandes românticos europeus.

Veja - Podemos dizer que a grande fase do teatro moderno acabou?
PRADO - Sem dúvida, e quando penso nisso me considero uma pessoa de sorte. Sempre gostei de teatro e tive a chance de acompanhá-lo em sua melhor época. Ela começou no fim dos anos 40 e durou até o final da
década de 60. Nesses anos, nosso teatro amadureceu, pois frutificou o trabalho de diretores estrangeiros que vieram ao Brasil e mudaram nosso jeito de representar, num progresso semelhante ao que mestres como
Lévi-Strauss, Fernand Braudel e outros promoveram no ensino superior quando lecionaram na USP. Tivemos atores se formando, diretores que aprenderam melhor seu ofício. O teatro tornou-se uma atividade cultural por excelência, o que você representava no palco as pessoas discutiam depois, no jantar em família, com amigos.

Veja - Mas as salas vivem cheias...
PRADO - Essa é a diferença. O teatro está lotado, os atores ganham dinheiro, mas algo se perdeu. Antes, era uma atividade refinada. Havia relevância intelectual naquilo que se via no palco, uma peça servia para influenciar a vanguarda da sociedade, as pessoas cultas. Hoje, você vai ao teatro para ver atores da Globo. Não digo que está errado, o trabalho deles. Mas o teatro virou às vezes uma extensão da novela. O ator não é mais o ator, o galã é que agora está no palco. Outro sintoma é a preferência por comédias, especialmente as ligeiras.

Veja - O que há de errado com o besteirol?
PRADO - Não tenho nada contra. Mas a comédia leve é aquele gênero que não compromete você com nada, e, quando a peça é bem-feita, tem retorno de bilheteria assegurado. No início do século, o teatro brasileiro vivia desse tipo de espetáculo, uma imitação do vaudeville francês. Quando começou um movimento de renovação, que levaria ao modernismo no palco, havia muita resistência, e ela partia do pessoal que só queria fazer comédia. Teve um sujeito que chegou ao cúmulo de elaborar a tese, em congresso de escritores, de que o teatro, no Brasil, deveria ser feito apenas na forma de comédia, pois o humor e o riso estavam na gênese do povo. Ninguém precisa enganar-se: foi um progresso fazer drama e encenar tragédias.

Veja - Como é a situação em outros países?
PRADO - Também há sinais de um certo retorno técnico ao palco do século XIX. Nos Estados Unidos, nada faz tanto sucesso como o musical. E o que ele mostra? Efeitos especiais, como em O Fantasma da Ópera, no qual todos queriam ver o momento em que um lustre imenso vem ao chão. Em Titanic, a maior atração, segundo li, é o naufrágio. É o teatro de volta a um tempo em que o cinema não existia, quando os espetáculos tinham de ser cheios de truques, o palco era rico. O que eu gosto do teatro em que se vai para ver o ator, uma representação na qual os truques são impossíveis. No cinema, até um cachorro pode virar ator. No teatro, não.

Veja - O curioso é que essa mudança ocorre numa fase em que não falta dinheiro...
PRADO - Quando eu era jovem, nos anos 30, vivia com medo de que o teatro fosse acabar. São Paulo chegou a ter apenas duas casas de espetáculos em funcionamento, sendo que antes tivera oito. No fim dos anos 40, uma jovem que se iniciava na carreira de atriz me perguntou sobre o futuro da profissão. Eu a estimulei, mas lembrei, inseguro, que ninguém era capaz de garantir nada sobre uma atividade tão instável. Um pouco depois, o industrial Franco Zampari, criador do Teatro Brasileiro de Comédia, ficava muito contente quando conseguia
empatar os gastos. Não podemos esquecer, ainda, que a grande modernização do teatro, nos anos 40, começou com grupos amadores. Eles é que tinham interesse em peças mais atuais, e também aceitavam
novas técnicas de direção. Os profissionais mais conhecidos daquela época ganhavam bem, e talvez por isso não quisessem nenhuma mudança.

Veja - Foi então que surgiram grandes atores.
PRADO - Tivemos uma grande safra. Paulo Autran e Maria Della Costa, por exemplo, realizaram interpretações antológicas em Depois da Queda, de Arthur Miller, outro grande autor americano de nossa época. Mas
raramente vi alguém como Sérgio Cardoso em Hamlet. Sua história é a prova de que a profissão de ator é especial. Um pianista, por exemplo, precisa passar anos no conservatório. Depois, terá de enfrentar temporadas fazendo apresentações menores até que, por fim, terá sua chance em concertos. Um ator não precisa de tanta preparação. Seu material de trabalho é a realidade, e ele está em contato com a realidade desde o nascimento, se for uma pessoa com talento e senso de observação. Um ator também precisa de um tipo especial de
imaginação para construir o personagem. Isso explica como Sérgio Cardoso fez um ótimo Hamlet quando tinha apenas 23 anos. Era muito talento. Nossa grande atriz, quase uma unanimidade, foi Cacilda Becker. Ela era tão popular que, quando morreu, foi um choque comparável ao da morte de Elis Regina.

Veja - O senhor teve a oportunidade de conviver com Mário de Andrade e Oswald de Andrade, líderes do modernismo. Como eram eles?
PRADO - Nós éramos jovens em torno dos 20 anos, e eles eram da geração de meu pai. Mário vivia com a mãe, numa casa simples, na Barra Funda. Tinha uma biblioteca enorme, era muito organizado. Nós éramos mais cerimoniosos com ele, a quem chamávamos de senhor, mantendo uma certa distância. Era muito mais respeitado do que o Oswald, que não disfarçava o ciúme que tinha desse prestígio. É um dado que se esqueceu: quem era importante, quem dava as cartas, era o Mário de Andrade. A sua obra era considerada, lida. A de Oswald só pôde ser avaliada, de verdade, após sua morte. Antes disso, era escondida por seu comportamento de piadista. Ele se arrependeu dessa postura, no fim da vida, quando quis uma cadeira na filosofia da USP, onde fizeram até uma lei para que não pudesse concorrer. Foi triste, mas seria uma
desmoralização. Ele era bem informado e inteligente, mas não tinha vocação de professor universitário.

Veja - Oswald chegou a lhe pedir que apresentasse O Rei da Vela, no tempo em que dirigia um grupo amador. Por que o senhor não aceitou?
PRADO - A peça era da década de 30, e parecia ter perdido atualidade.

Veja - Perdera atualidade ou era ruim mesmo?
PRADO - Eu achava que era ruim. Essa peça não existiria sem o José Celso Martinêz Corrêa, do Oficina. Foi ele quem descobriu o que estava escondido no texto. No início, até o José Celso achava ruim, dizia que era
futuristóide.

Veja - Num de seus livros, o senhor faz uma pergunta: Nelson Rodrigues é um gênio ou um manipulador de melodramas? Qual a resposta?
PRADO - Quem responde é o futuro. A Semana de Arte Moderna de 22 foi uma manifestação artística a que poucos assistiram. O futuro mostrou sua importância. Nelson Rodrigues escreveu a primeira grande obra do
nosso teatro moderno, Vestido de Noiva. Mas eu discordo dessa recuperação que fazem dele hoje em dia. Seus méritos têm sido distorcidos, e ele tem sido apresentado como pensador, como homem que refletia o país, o que nunca foi. Ele está sendo elogiado pelo que tem de pior, o melodrama.

Veja - Num ensaio de grande beleza, o senhor lamenta que Gianfrancesco Guarnieri tenha parado de escrever. Por que isso aconteceu?
PRADO - O Guarnieri começou com uma peça inovadora, Eles Não Usam Black-Tie. Essa peça é um marco: colocou o operário no palco. Pela primeira vez no teatro brasileiro - e em poucos países existe algo parecido - se apresentou o trabalhador em seu cotidiano, seu modo de vida, seus costumes e seus problemas. Guarnieri ainda teve o mérito de apresentar uma família de operários no centro de um drama, gênero que a tradição teatral costumava reservar às classes altas - às pessoas simples do povo estavam destinadas as farsas ou, no máximo, as comédias. Muitas pessoas dizem que a arte, às vezes, é prejudicada por um projeto político. No caso do Guarnieri, aconteceu o contrário. Ele tinha um projeto político, socialista, que foi muito benéfico para sua arte. Era seu grande alimento. Quando esse projeto acabou, ele não pôde mais escrever com a força de antes.

Veja - O senhor dirigiu o extinto Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, em que intelectuais de primeira linha escreviam. Hoje, muitas pessoas dizem que sentem falta de uma publicação com esse padrão. Concorda?
PRADO - Quando eu cuidei do Suplemento, entre 1956 e 1966, já havia muitas reclamações. Diziam que não era jornalístico, que falava de coisas que não interessavam ao leitor comum. Desde então me convenci de que
existe uma incompatibilidade entre literatura e jornalismo. A literatura quer ser eterna, sonha com obras de longa duração - tanto que assistimos a autores como Shakespeare, ou lemos poetas de milênios, como Homero. O jornalismo se ocupa do momento, tanto que não se lê jornal de ontem. Essa incompatibilidade sempre existiu, mas agora aumentou muito. O próprio espaço de debate nos jornais ficou menor. Quase não há lugar para a crítica de espetáculos, dando-se preferência a um relato informativo, falando da estréia que vai ocorrer. A crítica,
como consciência de uma obra, está perdendo espaço.

Veja - O que provocou tantas mudanças, na imprensa, no teatro, no cinema...
PRADO - Foi a vida. Um físico americano diz que nossa época não é diferente das anteriores porque agora ocorrem mudanças. Também havia mudanças, e muito profundas, nas outras épocas. A diferença é que as
mudanças ocorrem num ritmo muito mais veloz. Antes, cantavam-se canções napolitanas que os pais ensinavam aos filhos, e esses, aos netos. Assim, passava-se cinqüenta anos ouvindo a mesma música. No
teatro, havia peças que ficavam trinta anos no repertório de um ator ou uma atriz. Hoje, quando uma música toca por seis meses no rádio já é considerada um estouro - antes, você ouvia a mesma música por vários anos. Isso é que mudou. Às vezes, quando você conseguiu entender o que aconteceu, uma peça, uma música, um livro, isso já não tem importância.

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domingo, 13 de julho de 2008

Papel de Parede Ubuntu


Ubuntu, upload feito originalmente por Rogsil.

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sábado, 12 de julho de 2008

Ubuntu - Compiz Fusion - Notebook HP

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Humor Gráfico


GRAPHIC HUMOUR, upload feito originalmente por Martuky.

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Guloseimas


Beijinhos, upload feito originalmente por Lelé.

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Livros: Lançamentos

25 Grandes Idéias
264 págs., R$ 44 de Robert Matthews. Tradução de José Gradel. Zahar (r. México, 31, sobreloja, CEP 20031-144, RJ, tel. 0/xx/21/ 2108-0808). O repórter do jornal inglês "Sunday Telegraph" analisa 25 importantes idéias científicas, incluindo o gene egoísta e o Big Bang, descrevendo como foram desenvolvidas.

Fascistas
560 págs., R$ 66 de Michael Mann. Tradução de Clóvis Marques. Record (r. Argentina, 171, CEP 20921-380, RJ, tel. 0/xx/21/ 2585-2000). O professor de sociologia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, aborda a chegada dos fascistas ao poder na Europa, entre as duas guerras mundiais.

Escreviver
272 págs., R$ 56 de José Lino Grünewald. Fundação Biblioteca Nacional/Ed. Perspectiva (av. Brigadeiro Luís Antônio, 3.025, CEP 01401-000, SP, tel. 0/xx/11/ 3885-8388). Praticamente toda a produção poética do autor (1931-2000), que integrava o grupo Noigandres, está reunida nesta coletânea organizada por José Guilherme Correa.

História da Cultura Escrita - Séculos 19 e 20
440 págs., R$ 49 Ana Maria de Oliveira Galvão (org.). Editora Autêntica (r. Aimorés, 981, 8º andar, CEP 30140-071, Belo Horizonte, MG, tel. 0/xx/31/ 3222-6819). Artigos coligidos pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais abordam o modo como indivíduos e famílias participaram da história da cultura escrita.

Filmar o Real
96 págs., R$ 19,90 de Consuelo Lins e Cláudia Mesquita. Zahar. Lins, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Mesquita, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, abordam mais de 20 documentários brasileiros realizados entre 1997 e 2007.

Dicionário Paulo Freire
448 págs., R$ 59 Danilo R. Streck, Euclides Redin e Jaime José Zitkoski (orgs.). Autêntica (r. Aimorés, 981, 8º andar, CEP 30140-071, Belo Horizonte, MG, tel. 0/xx/31/ 3222-6819). Cerca de 200 verbetes de 75 autores explicam a pedagogia freiriana, abordando aspectos menos conhecidos da obra do educador pernambucano, além de sua bibliografia.

Compreender Kant
216 págs., R$ 31 Olivier Dekens. Tradução de Paula Silva. Loyola (r. 1822, 347, CEP 04216-000, SP, tel. 0/ xx/11/ 6914-1922). O doutor em filosofia e professor-adjunto na Universidade de Tours (França) destaca a importância histórica do filósofo alemão e faz uma síntese do seu pensamento.

O Colecionador de Sombras
192 págs., R$ 28 de João Batista Melo. Ed. Record. Coletânea de narrativas curtas do escritor mineiro, autor do romance "Patagônia" e do livro de contos "As Baleias do Saguenay", que mostram influência do gênero fantástico.

Lasar Segall - Arte em Sociedade
272 págs., R$ 42 de Fernando Antonio Pinheiro Filho. Museu Lasar Segall/Cosac Naify (r. General Jardim, 770, 2º andar, CEP 01223-010, SP, tel. 0/xx/11/ 3218-1444). O sociólogo analisa as cenografias de Lasar Segall [1891-1957] para os bailes da elite intelectual paulistana e para as festas de carnaval da Sociedade Pró-Arte Moderna nos anos 20 e 30.

Memória do Jongo
200 págs., R$ 25 Silvia Hunold Lara e Gustavo Pacheco (orgs.). Cecult/Unicamp/Folha Seca (r. do Ouvidor 37, CEP 20010-150, RJ, tel. 0/xx/21/ 2507-7175). Edição com as gravações feitas nos anos 40 pelo historiador americano Stanley J. Stein em Vassouras, no Vale do Paraíba, com pontos de jongo, batuques, cantigas e sambas.

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terça-feira, 8 de julho de 2008

Charge

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

A infidelidade conjugal ganha nova face


Antigamente sabíamos o que era infidelidade: fazer sexo com uma pessoa que não fosse seu parceiro. Mas o século 21 parece ter borrado essas linhas tão claras. Almoçar todos os dias com um colega de trabalho do outro sexo é uma infração à confiança matrimonial? E uma paquera na internet? Se não houver sexo, é realmente traição?

Essas perguntas surgem quando as pressões sociais e psicológicas desafiam antigas idéias enraizadas sobre a natureza da infidelidade. "Como sociedade, finalmente estamos chegando a um consenso sobre o que significa ser fiel", diz Douglas Snyder, psicólogo da Texas A&M University-College Station. "Não é apenas fazer sexo com outra pessoa."

Muitos psicólogos e especialistas em família dizem que a infidelidade hoje não tem a ver só com sexo, mas com confiança, traição e deslealdade conjugal, mesmo que o adultério não se concretize. Eles acrescentam que os casamentos são mais vulneráveis hoje do que décadas atrás. Em tempos econômicos difíceis, os casais trabalham mais para pagar as contas, o que muitas vezes deixa pouco tempo ou energia para alimentar a relação. Os filmes e a TV tendem a glamourizar os "casos" e fazem o casamento parecer insosso. E a internet oferece uma nova fronteira, com a pseudo-intimidade das ciber-relações, assim como um maior acesso à pornografia.

Além disso, pesquisas sugerem que as pessoas que têm casos extraconjugais não são necessariamente infelizes com seus parceiros.

"As pessoas estão recebendo essa mensagem incrível de que se você não está tendo um certo tipo de sexo no estilo Hollywood há algo errado com você", diz a psicóloga clínica Sue Johnson, de Ottawa, Canadá.
Johnson, autora do livro "Hold Me Tight" [Me abrace forte], e o psiquiatra Frank Pittman estão entre os palestrantes da conferência Smart Marriages [Casamentos inteligentes], em San Francisco e incluirá sessões sobre casos extraconjugais.

"Eu encontro pessoas que acham que todo mundo está pulando a cerca e que há algo errado com elas se também não estiverem", diz Pittman, de Atlanta. "As pessoas captam na mídia a idéia de que é uma coisa normal e que alguém que não esteja fazendo isso está perdendo as coisas boas da vida."

Um estudo feito no último outono pela firma de pesquisas online Insight Express descobriu que 89% de 1.000 adultos entre 25 e 65 anos acreditam que a monogamia é uma meta realista. Mas 75% dizem que o estilo de vida dos jovens astros de Hollywood é um mau exemplo e somente 26% acreditam que a televisão mostra os relacionamentos "sérios" sob uma luz positiva.

O especialista em cultura pop Gary Hoppenstand, professor de estudos americanos na Michigan State University em East Lansing, analisou comédias românticas dos anos 1950 e 60 e encontrou "a desintegração da família americana tradicional e o adultério como temas comuns".

Ele cita filmes como "O Pecado Mora ao Lado" (1955); "A Guide for the Married Man", "Divórcio à Americana" e "A Primeira Noite de um Homem" (1967); e "Bob & Carol & Ted & Alice" (1969) como exemplos de agressões ao casamento.

Os casos são mesmo comuns?

É difícil avaliar se os casos são de fato mais comuns ou apenas são discutidos com maior franqueza, especialmente à luz de reportagens na mídia sobre celebridades e figuras públicas que fazem parecer que a traição está na moda. As pesquisas sobre infidelidade se baseiam principalmente em enquetes nas quais as pessoas falam sobre si mesmas, por isso elas podem ou não dizer a verdade; também podem discordar das definições como, por exemplo, se uma transa de uma noite conta como um "caso", ou se sexo oral é realmente sexo.

Os dados em grande escala mais recentes são da Pesquisa Social Geral realizada em 1998 pelo Centro Nacional de Pesquisas de Opinião da Universidade de Chicago. Ela revelou que de 2.169 pessoas que estiveram casadas em algum momento 17,9% relatavam infidelidade sexual.

Alguns pesquisadores dizem que hoje há uma probabilidade de 50% de que um dos parceiros tenha um caso durante o casamento. Isso inclui relações não-físicas.

Mas Snyder acrescenta que há um risco de superestimar a prevalência ou a aceitabilidade dos casos. "Quanto mais deixamos implícito que é uma coisa comum e que todo mundo está fazendo, mais se torna uma profecia que se auto-realiza", ele diz.

"A grande coisa que tornava os casamentos vulneráveis no passado era que esperávamos muito pouco, e hoje é que esperamos demais", diz Stephanie Coontz, diretora de pesquisa do Conselho sobre Famílias Contemporâneas, um grupo sem fins lucrativos para pesquisadores e clínicos.

Essas expectativas se concentram no cônjuge como melhor amigo ou alma gêmea, o que aumenta a pressão sobre os parceiros e torna os casamentos mais vulneráveis, dizem os especialistas.

"Esperamos que uma pessoa nos dê o que toda uma comunidade costumava dar - vida familiar, estabilidade, apoio econômico, um confidente, um amante apaixonado, viver aventuras -, tudo com a mesma pessoa", diz Esther Perel, uma terapeuta familiar e de casais de Nova York.

O casamento exige energia

Thomas Bradbury, do Instituto do Relacionamento da Universidade da Califórnia em Los Angeles, diz que a economia atual intensifica o problema. "Hoje temos duas pessoas que lutam poderosamente sob circunstâncias muitas vezes difíceis para manter seus casamentos", ele diz. "Mesmo que a dinâmica interna do casamento não tenha mudado tanto, se de repente as pessoas são menos capazes de gerar essa energia necessária os relacionamentos vão sofrer."

Os relacionamentos que envolvem uma ligação emocional, seja pessoalmente ou na internet, mas excluem seu marido ou sua mulher, podem ser território perigoso, diz Pittman, que está casado há 48 anos. Ele diz que aproximar-se de outra pessoa para suprir uma necessidade de intimidade "afasta você cada vez mais do seu casamento".

Essas ligações emocionais externas têm sido chamadas de "casos emocionais" - e um número crescente de pessoas casadas tem esses relacionamentos, segundo Ronald Potter-Efron, um psicoterapeuta clínico de Eau Claire, Wisconsin. Ele e sua mulher são co-autores de um livro sobre o fenômeno chamado "The Emotional Affair" [O caso emocional], a ser publicado em janeiro.

Muita gente envolvida nesses relacionamentos afirma que seus cônjuges ficam enciumados irracionalmente, diz Potter-Efron, mas o outro diz que "simplesmente não parece certo".

Natalie James-Tapley, 37, de Miami, conhece essa sensação. Ela e seu marido se divorciaram há quatro anos, depois de uma série de separações. Ela acredita que estava emocionalmente envolvida com um colega de trabalho. "Se uma pessoa procura apoio emocional em outra, é uma espécie de traição", ela diz.

O bombeiro aposentado Pete Wright, 53, de Greenville, Carolina do Sul, acredita que "enganar a mulher ou o marido de qualquer maneira é procurar problemas, mesmo que não haja sexo na história".

Wright, que é casado há 25 anos, viu o que acontece quando o virtual se torna real: a mulher de um amigo teve um relacionamento na internet que levou ao divórcio, ele conta. "Tenho certeza de que começou como uma conversa amigável, mas com o tempo evoluiu para uma coisa que arruinou seu casamento."

Os casos no ciberespaço podem parecer seguros e administráveis, mas as pessoas podem se envolver mais do que pretendiam, dizem os pesquisadores. "Elas procuram algum tipo de contato ou conexão. Não estão necessariamente procurando ligação sexual", diz Peggy Vaughan, de San Diego, autora de "Preventing Affairs" [Evitando casos]. "O grande debate hoje é quão real é o virtual."

Ed Diener, um psicólogo e professor da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e líder no campo de pesquisa da felicidade, diz que as pessoas procuram mais emoções hoje e podem achar que estão infelizes quando as coisas estão simplesmente bem.

Felicidade incompreendida

"Um número cada vez maior de pessoas não sabe o que é a felicidade", diz Diener, co-autor de "Happiness: Unlocking the Mysteries of Psychological Wealth" [Felicidade: desvendando os mistérios da riqueza psicológica], a ser lançado em setembro.

"Costumávamos pensar que a felicidade era uma espécie de contentamento e satisfação com a vida. Hoje passamos a defini-la como uma espécie de grande excitação. 'Como vai?' 'Tudo ótimo! Super!' - essas palavras são extremas, mas hoje são uma resposta comum."

A necessidade de estímulo extremo pode ser um dos motivos pelos quais a pornografia online está se tornando mais um problema no casamento, segundo alguns.

Bill Maier, um psicólogo clínico da organização Focus on the Family, de Colorado Springs, dedicada aos valores familiares cristãos, diz que os telefonemas sobre pornografia feitos para o centro de aconselhamento do grupo duplicaram nos últimos cinco anos, pois a internet tornou mais acessíveis as imagens sexualmente explícitas.

Dois estudos de 1998 sobre as conseqüências do consumo prolongado de pornografia descobriram que para homens e mulheres a pornografia alimenta expectativas irreais sobre como devem ser o sexo e seus parceiros, deixando-os insatisfeitos de modo geral. Esses estudos foram publicados no "Journal of Family Issues" e no "Journal of Applied Social Psychology" muito antes de a internet ser usada amplamente.

Michael Leahy, de Herndon, Virgínia, diz que seu trabalho nos primeiros dias da indústria tecnológica facilitava o acesso à pornografia. Ele conta no livro "Porn Nation" como se viciou no assunto, o que, segundo ele, causou seu divórcio.

Quando ele sentia tensão ou estresse, "a pornografia estava sempre ali como uma droga que modifica o humor. E era algo que eu nunca compartilhava com minha mulher. Ela não tinha idéia de que eu fazia aquilo", diz Leahy, 50 anos.

Embora alguns especialistas afirmem ser capazes de tornar os casamentos "à prova de casos", Snyder, co-autor do livro "Getting Past the Affair" [Superando o caso], de 2007, diz que um fato não pode ser ignorado: "Na questão da excitação, o casamento não pode competir com um caso. Os casais precisam encarar a realidade de que a paixão e a excitação do romance, da paquera e da lua-de-mel não vão durar".




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