sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Zen

 

Zen é a escola budista que se desenvolveu na China e mais tarde no Japão como resultado de uma fusão entre a forma mahayana do budismo original da Índia e a filosofia chinesa do taoísmo. Foi introduzido na China no ano 520 pelo monge Bodhidharma. Os dois ramos principais do zen, o rinzai zen e o soto zen, que se instalaram no Japão, foram levados à ilha por japoneses que haviam estudado na China. Zen e Chan são as formas japonesa e chinesa de pronunciar o termo sânscrito dhyana, que designa um estado mental equivalente à meditação; é o estado de consciência de Buda, aquele que está livre da crença de que a individualidade diferenciada de uma pessoa e das outras coisas é real.

O Zen é a maneira chinesa de conseguir a meta budista de ver o mundo tal como é, com uma mente que não tem sentimentos de apego. Tal liberdade mental deve ser conseguida mediante uma idéia direta e imediata. Por isso, abandona tanto as teorias como os sistemas de prática espiritual e comunica sua visão da verdade por um método conhecido como indicação direta. Estuda-se em comunidades semi-monásticas, que são escolas de treinamento que combinam a meditação com o trabalho manual. Os estudantes prestam especial atenção às artes e aos ofícios. No Japão, também se pratica o arco, a esgrima e o jiu-jitsu.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Vangelis

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Temporalidade

Em 26/2/2003, os EUA divulgam imagens aéreas que mostrariam que o Iraque está instalando equipamentos militares perto de mesquitas ou em regiões habitadas de Bagdá. Segundo os norte-americanos, isso viola as leis de guerra por tentar causar a morte de civis em bombardeios para uso como propaganda. Em Moscou, após encontro com o premiê alemão, Gerhard Schröder, o presidente russo, Vladimir Putin, afirma que seu país considera inaceitável uma resolução da ONU que abra caminho automaticamente para uma guerra contra o Iraque.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O que é stress?

Conceitua-se "stress" a maneira como as células ou o organismo reagem frente a estímulos externos desfavoráveis. De modo geral, estímulos externos desfavoráveis significam perigo que exige fuga ou luta. Para ambas as alternativas o organismo precisa se preparar. A primeira providência do organismo nestas circunstâncias é uma descarga de adrenalina, cuja ação farmacológica principal se faz sentir no aparelho circulatório e respiratório.
No aparelho circulatório, a adrenalina promove a aceleração do coração (taquicardia) e uma diminuição do calibre dos vasos sangüíneos periféricos. Assim, o sangue circula mais rapidamente para uma melhor oxigenação, principalmente, dos músculos e do cérebro, já que ficou pouco sangue na periferia, o que também diminui sangramentos em caso de ferimento superficial.
No aparelho respiratório, a adrenalina promove a dilatação dos brônquios (broncodilatação) e induz o aumento dos movimentos respiratórios (taquipnéia) para que haja maior captação de oxigênio que vai ser mais rapidamente transportado pelo sistema circulatório, também devidamente preparado pela adrenalina. Terminado o perigo, o organismo suspende a hiperprodução de adrenalina e tudo volta ao normal. No mundo moderno, as situações não são tão simples. O perigo ou agressão nem sempre é absolutamente claro e, mesmo quando identificada a situação, nem sempre admite a escolha simples entre luta ou fuga, mas, de qualquer maneira, a reação de "stress" é parecida, com liberação de adrenalina e a presença dos sintomas a ela atribuídos: taquicardia, palidez, sudorese, respiração ofegante.

O stress e a hipertensão arterial

Uma das conseqüências do "stress" agudo é a elevação da pressão arterial. É extremamente importante lembrar deste fato na hora de medir a pressão para que não se rotule de hipertenso quem, na realidade, não o é. No entanto, apesar da elevação notória da pressão arterial no "stress" agudo, ainda não se conseguiu demonstrar a influência do "stress" crônico como causa do aparecimento da hipertensão arterial; isso se deve principalmente às dificuldades metodológicas, e é bastante provável que haja uma forte relação entre "stress" crônico e hipertensão arterial.
Medidas que podem ajudar
Se é fato que o combate ao "stress" é difícil existem algumas medidas práticas que podem ajudar muito:
• Pratique um esporte regularmente. O exercício físico regular, além de, por si só, ajudar a baixar a pressão, é um excelente atenuador das tensões causadas pelo "stress".
• Tenha um passatempo. Um "hobby" pode ajudar em muito você a deslocar seus pontos de interesse e aliviar o "stress".
• Procure melhorar seus hábitos. Controlar sua dieta, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, ou deixar de fumar não são atitudes estressantes; muito pelo contrário, podem ajudar a diminuir o "stress".
• Procure melhorar seu relacionamento com outras pessoas. Uma boa conversa não resolve a maioria dos seus problemas, mas pode aliviar as tensões.

Recomendações

Mudar de vida. Tirar férias. Deixar de se preocupar tanto. São algumas das recomendações às vezes extremamente simplistas e quase sempre impossíveis e às vezes até inúteis. Tirar férias para o indivíduo pode ser impossível e para outros pode até ser um fator de aumento do "stress". Então, como resolver o problema? O combate ao "stress" é, sem dúvida, um problema bastante complexo e exige medidas individualizadas, mas, quaisquer que sejam estas medidas, o reconhecimento do problema é o primeiro passo. Antes de qualquer coisa, saber o que é o "stress", depois procurar identificar as causas particulares do seu "stress", a partir de então programar o que fazer. Plagiando a famosa oração: "Ter coragem para mudar o que pode e deve ser mudado; paciência para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para diferenciar uma coisa da outra”.

FONTE: Conti Farma Indústria Farmacêutica.

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domingo, 24 de fevereiro de 2008

VOCÊ SE AMA? - FINAL

A hora do pênalti

A final do campeonato terminou empatada e a decisão será por pênaltis. Veja o que, segundo o psicólogo francês Christophe André, pode passar pela cabeça do artilheiro do seu time enquanto ele encara o goleiro.

E saiba o que o jogador vai pensar caso chute para fora. A existência ou não de boa auto-estima não é tudo. A maneira com que ela resiste aos fatos é importante também. Conheça, então, os quatro tipos de auto-estima:

Alta e estável

Antes de bater: "Eu tenho tudo para marcar esse gol".

Depois de errar: "Paciência. São coisas da vida."

Quem está seguro em seu amor-próprio não se deixa abalar pelos eventos externos: "Eu me amo, tenho valor e aceito os fracassos".

Alta e instável

Antes de bater: "Eu preciso marcar, todos estão olhando para mim".

Depois de errar: "Esses idiotas me deixaram nervoso".

O indivíduo é vulnerável à opinião alheia: "Eu me amo, mas temo que percebam que não sou tão bom assim".

Baixa e instável

Antes de bater: "Se eu errar, será uma catástrofe. Não vou suportar tanta vergonha".

Depois de errar: "Eu não deveria ter aceitado uma tarefa dessas".

Ele dá muita importância às reações dos outros: "Não tenho valor, mas espero estar enganado".

Baixa e estável

Nunca será escalado para o time. Nem as vitórias o convencem a mudar a opinião negativa sobre si mesmo. Ele "sabe" que é um fracasso, mesmo que o mundo inteiro diga o contrário: "Não me amo, não tenho valor e ninguém me fará mudar de opinião".

Pílulas filosóficas

O psicólogo Nathaniel Branden formulou alguns princípios cujo objetivo é o de tornar a auto-estima uma espécie de filosofia de vida. "O que um indivíduo pensa, acredita e diz a si mesmo influencia o que ele sente e o que faz", ensina. Confira.

- Tenho o direito de viver.

- Não estou no mundo para corresponder às expectativas alheias. Minha vida pertence a mim. E isso é igualmente verdadeiro para os demais seres humanos.

- Se alguém de quem eu gosto não corresponde aos meus sentimentos, isso pode ser decepcionante e até doloroso, mas não reflete o meu valor pessoal.

- Nenhum indivíduo ou grupo tem o poder de determinar como vou pensar e sentir a respeito de mim mesmo.

- Se os meus objetivos forem racionais, mereço sucesso naquilo que tentar.

- Tenho o direito de cometer erros. Essa é uma maneira de eu aprender.

- Prefiro corrigir meus erros a fingir que eles não existem.

- Não procuro fazer com que minhas convicções pareçam diferentes do que são em nome da popularidade e da aprovação.

- Aceito meus pensamentos tais como são, mesmo quando não os endosso.

- Aceito a realidade dos meus problemas, mas não sou definido por eles. Meus problemas não são a minha essência. O medo, a dor, a desorientação e os erros não refletem o que eu sou.

- Vale mais minha auto-estima do que traí-la por qualquer recompensa imediata.

Amor-próprio se aprende em casa

Pai que é pai também ensina auto-estima, iniciando as lições já no berço. Para ver seu filho com um bom estoque de amor-próprio, lembre-se dos conselhos dos especialistas:

- Ouça seu filho com atenção, para esclarecer bem aquilo que o está preocupando. Ele tem vergonha de si mesmo? Um sentimento de inferioridade? É importante que você e ele entendam o que está acontecendo. Um bom começo de conversa é perguntar: "Você acha que seus colegas não gostam de você? Por que isso o preocupa tanto? Desde quando você acha isso?"

- Não tente minimizar as inquietações e o sofrimento do seu filho. Evite aquele velho papo furado de que há situações piores. Nunca diga: "Tem tanta criança que não tem o que comer e você me vem com essa história!?" O que o seu filho sente é real e deve ser compreendido.

- Se você imagina já ter a resposta ao problema do seu filho, controle a ansiedade. Primeiro, faça com que ele tente chegar a suas próprias soluções. "Como você pode fazer com que sua professora lhe dê mais atenção?", pergunte.

- Ajude seu filho, mas não se intrometa. Dê abertura para que a criança o procure. Sentindo-se importante e respeitada, ela terá mais facilidade para buscar as soluções por si mesma.

- Seja um exemplo para os seus filhos. O modelo é fundamental para o aprendizado. Se você for um indivíduo com boa auto-estima, que encara bem os fracassos e respeita a si mesmo, já terá vencido boa parte do caminho.

A vida em branco-e-preto

"Ó vida, ó dor, ó azar."

Esse bordão celebrizou a hiena Hardy, rabugento companheiro do leão Lippy no desenho animado lançado em 1962 pelo estúdio americano Hanna-Barbera. Naquela época, a Medicina não desconfiava que o personagem, além de divertido, era expressão de uma doença psíquica a distimia, uma parenta da depressão que se manifesta em indivíduos com a auto-estima extremamente baixa. "Os portadores de distimia vivem tristes e estão sempre se autodesvalorizando", explica o psiquiatra francês Christophe André.

A enfermidade não chega a provocar o estado de prostração típico de quem enfrenta uma crise depressiva mas, justamente por isso, pode ser até mais perigosa. É que os sintomas mau humor, desânimo, fadiga e falta de concentração se instalam como inquilinos permanentes da personalidade. A distimia não impede ninguém de trabalhar nem de cuidar da casa e dos filhos. "O sofrimento se torna uma rotina e o paciente começa a achar que é assim mesmo, eternamente de baixo-astral", diz a psiquiatra Maria das Graças Oliveira, professora da Unifesp. "Por isso, ele não procura ajuda."

A doença pode afetar até 3% da população. "É possível que alguém seja distímico por mais de vinte anos sem saber", diz Maurício de Lima, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de Pelotas (RS).

Para dar a volta por cima

Se você desconfia que a sua auto-estima anda meio caída, não desanime. É possível reverter esse quadro. Os psicólogos franceses Christophe André e François Lelord elaboraram uma lista de nove atitudes práticas que, com certeza, vão ajudar. Para que tudo dê certo, eles recomendam que você, antes de mais nada, incorpore à sua rotina três posturas gerais: transformar os lamentos em decisões ("just do it", simplesmente faça, como diz o anúncio de uma marca de tênis), escolher objetivos viáveis (se você quer um namoro, não adianta sonhar com a Ana Paula Arósio ou com o Thiago Lacerda) e dar um passo de cada vez. Munido dessas estratégias, invista nas novas atitudes:

Conhecer a si mesmo

É o ponto de partida para a auto-estima. Não se trata de mergulhar na introspecção, e sim de tomar consciência das suas capacidades e dos seus limites. Defina claramente aquilo que lhe agrada e o que lhe desagrada em você mesmo. Quais são os seus valores? O que é e o que não é importante para você? Para adquirir uma visão mais completa sobre si mesmo, vale a pena saber qual é a sua imagem aos olhos dos outros. Com jeitinho, pergunte aos seus amigos o que eles acham de você.

Aceitar-se

As pessoas com amor-próprio elevado sabem que têm defeitos, como todo mundo. A diferença está na maneira de encará-los. Você se sente inferior por ser o único do escritório a não falar inglês? Vá a uma escola, matricule-se e siga o curso até o fim. Não sinta vergonha das suas falhas e limitações. Se você não sabe dançar e alguém o convida para acompanhá-lo num bolero, há duas alternativas. A mais cômoda é recusar. Em vez disso, você pode simplesmente confessar que não sabe dançar. Quem sabe o seu interlocutor lhe oferece uma aula grátis?

Ser honesto consigo mesmo

A promoção que você esperava não saiu e um colega lhe pergunta: "Você ficou decepcionado?" Você diz que não liga, quando, na realidade, tem vontade de gritar: "É claro, eu queria muito ter conseguido!" O pior é quando você mesmo tenta se convencer de que esse papo furado é verdade. Quem você pensa que engana? Abra o jogo ao menos com você mesmo. Diga claramente: "Eu quero muito alcançar tal objetivo". Ou então: "Que pena, não consegui o que queria."

Agir

A ginástica da auto-estima é a ação. Em vez de ficar ruminando as frustrações, faça aquilo que você precisa - e quer - fazer. A decisão de mudança deve se traduzir em atos concretos. Qualquer atitude prática que você tome, ainda que modesta, é melhor do que uma intenção que vira fumaça. Até mesmo as pequenas ações podem ter um efeito simbólico capaz de virar o jogo e erguer a sua auto-estima: dar um telefonema, arrumar a bagunça na mesa de trabalho, ir a uma festa.

Enfrentar a crítica interior

Sabe aquela "voz" dentro da cabeça que fica achando defeito em tudo o que você faz? Já que não dá para despachá-la com uma passagem só de ida para a Chechênia, é melhor enfrentar essa chata sem rodeios. Será que você foi tão ridículo naquela noite? Recapitule objetivamente o que ocorreu. Se o assunto ainda o incomodar, pergunte aos seus amigos. Na pior das hipóteses, você poderá tirar lições e evitar que o vexame se repita na próxima vez. O importante é se proteger do crítico implacável que mora dentro de você. Não se esqueça: o perfeccionismo é sinal de baixa auto-estima.

Aceitar a idéia do fracasso

Infelizmente, a existência não é uma série infinita de vitórias. Para alcançar qualquer objetivo, é necessário assumir o risco do fracasso. Mas, e se ele ocorrer, qual é o problema? Errar não é vergonha. Além do mais, a vida não se divide entre o triunfo e a catástrofe. Sempre existe um meio-termo. O revés pode ter um lado positivo, se você aproveitá-lo como uma fonte de aprendizado e não como uma prova da sua incapacidade. Todos fracassam uma vez ou outra.

Afirmar-se

A auto-afirmação é a sua capacidade de expressar suas opiniões, seus desejos e seus sentimentos, sem deixar de respeitar as opiniões, os desejos e os sentimentos do seu interlocutor. Acostume-se a dizer "não" sem agressividade, pedir um favor sem se desculpar, responder calmamente a uma crítica. Quando você deixa de contradizer o seu interlocutor por medo de que ele fique zangado, o que acontece? Você volta para casa remoendo a conversa e imaginando como teria sido se tivesse falado francamente. Sua auto-estima vai para o brejo. Não tema desagradar seu interlocutor. Ele não vai virar seu inimigo por causa disso a não ser que também tenha sérios problemas de auto-estima.

Manifestar empatia

Ouça o que seu interlocutor tem a dizer, mesmo que você pense de modo diferente. Só assim é possível falar, naturalmente, frases como: "Entendo o que você quer dizer, mas tenho outra opinião." As pessoas nos ouvem melhor se nós também somos capazes de levar em conta o que elas nos dizem. Só tome cuidado para não renunciar às suas convicções achando que dessa forma conquistará o afeto de alguém. Escutar não é concordar.

Procurar apoio

Não tenha vergonha de pedir ajuda a sensação de que você pode contar com as pessoas ao seu redor é vital para a auto-estima. Aceite, porém, o fato de que essa ajuda pode demorar um pouco. A rede de relações sociais é muito importante para qualquer pessoa. Entre em contato com seus amigos e conhecidos sempre que puder e não apenas quando está em dificuldades ou precisa "desabafar". Ninguém agüenta muita reclamação. Diversifique e amplie suas relações. Muitas vezes a ajuda vem de pessoas que não são tão próximas assim.

O 12º jogador

Há anos a psicóloga paulista Suzy Fleury, se dedica à preparação emocional de jogadores de futebol. Segundo ela, numa profissão em que os elogios da imprensa e da torcida se transformam de uma hora para outra em críticas arrasadoras, manter as emoções em equilíbrio é fundamental. "A auto-estima é o pilar de sustentação do jogador e interfere no desempenho dele", diz. "Por isso, damos especial atenção à imagem que ele faz de si mesmo." Suzy ensina os atletas a lidar bem com temas como a autocrítica e a culpa. "O objetivo é que reajam de modo natural aos erros que cometem, sem temer o risco e contornando rapidamente a situação que poderia levá-los à frustração."

A confiança atinge o topo

Chegar ao cume do Everest, o monte mais alto do mundo, era o sonho do alpinista paranaense Waldemar Niclevicz. Na primeira tentativa, em 1991, ele ficou bem longe do seu objetivo. "O fracasso me trouxe insegurança, medo e ansiedade", conta ele, que teve de abandonar a escalada por causa do mau tempo. Mas Niclevicz contornou a decepção. Foi atrás de patrocínio para conseguir equipamentos mais modernos e preparou-se para uma nova tentativa, em 1995. "Meu entusiasmo era bem maior", diz. Depois de alcançar o topo do Everest, o alpinista agora tenta escalar o Monte K2, no Paquistão. "Já foram duas tentativas frustradas", conta. "Mas não desisto. Em junho vou enfrentá-lo de novo."

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sábado, 23 de fevereiro de 2008

VOCÊ SE AMA? - PARTE 1

 

Quando o velejador Lars Grael, medalhista brasileiro em duas Olimpíadas, teve a perna direita decepada num acidente em setembro de 1998, todos davam a sua carreira como encerrada. Sete meses depois, voltou às regatas, usando uma prótese. "Minhas limitações hoje são muito maiores, mas a garra e a vontade de vencer são mais fortes do que elas", disse Grael à EMOÇÃO.

O administrador de empresas José Augusto Minarelli, de São Paulo, enfrentou um desastre de outro tipo. Em 1979, ao voltar das férias, foi demitido do alto cargo que exercia numa firma importante. Ficou três anos desempregado. Chegou a quebrar o cofrinho do filho para pagar os trajetos de ônibus. Hoje, Minarelli tem uma empresa especializada em conseguir trabalho para executivos, com clientes no país inteiro. "De desemprego eu entendo", sorri.

Há um ponto comum entre esses dois sobreviventes. Ambos possuem uma generosa reserva de auto-estima. Na hora do naufrágio, eles se agarraram a uma certeza firmemente ancorada no fundo de si mesmos: "Não importa o que aconteça, eu sou muito valioso para mim". É essa idéia que faz a diferença entre o sujeito que vai à luta para se reerguer e o que se entrega ao desânimo ou ao excesso de álcool, tornando ainda pior a sua situação. "De todos os julgamentos, o mais importante é o que fazemos sobre nós mesmos", ensina o psicólogo americano Nathaniel Branden, que se dedica ao tema da auto-estima. Segundo ele, quase todos os problemas psicológicos  da ansiedade à auto-sabotagem no trabalho e no amor, do medo da intimidade à escravidão das drogas  têm sua raiz no amor insuficiente do indivíduo por si mesmo. A auto-estima influencia tudo o que você faz, desde os atos mais banais, como barganhar o preço do tomate com o feirante, até a opção entre permanecer num emprego seguro mas sem perspectivas ou montar seu próprio negócio. Quem se ama deseja  e sabe que merece  o melhor para si.

Não se trata só de ser feliz. Para muita gente, a auto-estima é  uma questão de sobrevivência, diante de um mercado de trabalho que exige dos profissionais não apenas competência técnica, mas iniciativa e a coragem de correr riscos. Uma prova da atualidade do assunto é o sucesso do livro lançado em 1999 na França pelos psiquiatras Christophe André e François Lelord. O livro (A Auto-Estima - Amar a Si Mesmo Para Conviver Melhor com os Outros, ainda inédito no Brasil) está há dez meses na lista dos mais vendidos. "O livro toca, ao mesmo tempo, algo de muito íntimo e muito universal", disse André à EMOÇÃO.

Narcisismo original

Para avaliar a importância da auto-estima, compare a trajetória recente de dois jogadores de futebol: o brasileiro Ronaldinho e o argentino Palermo. Ronaldinho nunca mais foi o mesmo desde o vexame na final da Copa do Mundo de 1998, na França, quando "amarelou" aos olhos do mundo inteiro. Palermo virou motivo de piada na Copa América, no ano passado, ao perder três pênaltis na mesma partida. Você sabe o que aconteceu com ele? Continuou cobrando pênaltis para a seleção argentina e fazendo muitos gols.

Talvez a diferença entre os dois artilheiros esteja na maneira como o fracasso eventual os afeta. "Nem sempre os indivíduos com a auto-estima elevada conseguem sucesso em seus empreendimentos", escreve o americano Nathaniel Branden. "Mas as suas derrotas, por mais graves que sejam, são um fato exterior a eles próprios." Numa pessoa com baixa auto-estima, segundo Branden, ocorre o oposto. "Quando algo não dá certo, o indivíduo se identifica com a própria derrota", explica. O insucesso, portanto, serve como uma confirmação de que ele é, essencialmente, um fracassado.

O primeiro a apontar o amor-próprio como uma pré-condição para uma existência satisfatória foi o psiquiatra austríaco Sigmund Freud (1856-1938), o fundador da Psicanálise, que o chamou de narcisismo. A palavra pode dar margem a um interpretação errada, já que se tornou sinônimo de egocentrismo, vaidade exagerada. No sentido freudiano, ela significa aceitação incondicional de si mesmo. Não importam as vitórias e os reveses, a riqueza, os dotes físicos ou intelectuais, as conquistas amorosas, o sujeito portador de um saudável narcisismo se ama e pronto. É "uma boa mãe para si mesmo", como definiu o psiquiatra francês Christophe André à EMOÇÃO.

Até hoje, os estudiosos da alma humana penam para explicar a auto-estima. Branden escreveu que ela é "o que sentimos a nosso respeito quando nada vai bem". André a comparou à inteligência. "A gente não consegue entendê-la direito, mas distingue-se facilmente quem a tem de quem não a tem", disse ele. No ambiente de trabalho, por exemplo, a diferença é gritante. "Por medo do fracasso", acrescenta o francês, "os funcionários com auto-estima deficiente se acomodam em postos abaixo da sua real qualificação."

Há também aqueles que, com medo da rejeição no convívio social e nas relações amorosas, se tornam workaholics, viciados em trabalho, como uma forma de compensar a falta de sucesso em outras áreas. Branden alerta contra essa armadilha. "A atividade produtiva é, certamente, um valor a ser admirado", diz. "Mas quem tenta compensar a auto-estima insuficiente com o trabalho excessivo acaba por enredar-se num círculo sem fim. Por mais que se esforce, sempre achará que ainda precisa trabalhar mais."

A infância é decisiva

Os alicerces da nossa auto-estima são lançados muito cedo, logo no início da infância. O ponto de partida são atitudes aparentemente insignificantes por exemplo, uma mãe que sabe sorrir para o filho quando ele requisita o seu olhar. A partir de que idade é possível falar na existência da auto-estima? Ninguém tem certeza. Os psicólogos acreditam que a presença constante de rostos adultos com expressão amável e interessada é importante para que o bebê aprenda, pouco a pouco, a gostar de si mesmo. Mas não há estudos conclusivos que permitam falar na existência de auto-estima antes dos 2 ou 3 anos. É nessa idade que a criança começa a se perguntar sobre sua aparência física. Ela quer saber se os outros a acham bonita. Muito do seu futuro amor-próprio dependerá, então, da reação dos adultos que conviverem com ela. "Geralmente as pessoas dotadas de uma auto-estima sólida foram beneficiadas na infância pelo amor incondicional dos pais", escreveram André e Lelord no best-seller publicado na França.

A chave da auto-estima infantil está nesta palavra: incondicional. Os pais, enfatizam os dois psicólogos, não podem dosar seu afeto a partir de critérios como o desempenho escolar, a habilidade de comer sem se lambuzar ou a disposição da criança para fazer o papel de "boazinha" diante dos adultos. É claro que é necessário impor limites, atitude fundamental na educação, mas sem excessos. "Humilhações e castigos descabidos tendem a gerar crianças inseguras e com um forte sentimento de vergonha e de culpa", alerta a psicóloga Janice Vitola, professora da Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. O extremo oposto, a superproteção, também deve ser evitado, segundo Janice, já que transmite uma mensagem de incapacidade e desvalorização.

Cultivado na infância, o amor por si mesmo sofre flutuações ao longo da existência. É claro que bases sólidas na fase inicial facilitam tudo, mas os acontecimentos posteriores ou seja, o sucesso ou não nas relações amorosas, na amizade e no trabalho também influenciam, e muito. "A auto-estima", afirma o psicanalista Fernando Teixeira, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), "é o resultado do conjunto das nossas relações sociais." Moral da história: se você teve uma infância complicada, isso não é motivo para achar que a sua baixa auto-estima é um destino imutável. André e Lelord contam, no livro, que já encontraram - em geral fora dos consultórios - adultos que, apesar de um "mau começo", foram capazes de construir um amor-próprio sólido. "De qualquer maneira", concluem, "para compreender a auto-estima de um adulto é necessário se debruçar sobre a criança que ele foi."

Rejeitar-se é doença

Antes de se tornar co-autor de um livro sobre auto-estima, o psiquiatra francês Christophe André atendeu durante anos portadores de distúrbios como a depressão, a anorexia, a fobia social (timidez excessiva) e a distimia. "Eu não conseguia curar determinados pacientes, embora o tratamento deles fosse igual ao dos demais", conta. "Percebi que a fonte do sofrimento estava na falta de afeto por si mesmos." André pesquisou o assunto e demonstrou que a auto-estima pode agravar ou amenizar as doenças da alma. "Ela é um fator de proteção muito poderoso", diz. "Nenhuma terapia pode depender 100% da auto-estima, mas, quanto mais se investir no seu fortalecimento, menor será o risco de uma recaída."

Não é por acaso que, entre os distúrbios psicológicos, os que mais têm crescido são aqueles que envolvem a aparência física um dos pilares da auto-estima. Os psicólogos associam esse fenômeno aos ideais de beleza feminina e masculina martelados dia e noite pelos meios de comunicação. "A pessoa com baixa auto-estima sente necessidade de agradar aos outros", analisa a psicóloga carioca Mônica Duchesne, terapeuta da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade.

Um caso típico é o de um paciente que está sendo atendido por Maria das Graças Oliveira, coordenadora do Programa de Doenças Afetivas do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Ele se acha gordo demais e não acredita na possibilidade de ser atraente", diz a psiquiatra. "Então só procura mulheres que acha feias, na crença de que isso facilitará a abordagem." Nos últimos anos, os profissionais de saúde têm percebido que a ligação entre os males da baixa auto-estima e os distúrbios do comportamento é muito maior do que se imaginava. Por que será que alguns experimentam drogas ou até se tornam consumidores eventuais sem alterar por isso o rumo das suas vidas, enquanto outros se deixam dominar completamente por essas substâncias? Christophe André cita um trecho do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), no qual o protagonista encontra um planeta cujo único habitante é um bêbado:

- O que você faz aqui? - pergunta o pequeno príncipe.

- Eu bebo.

- Por que você bebe? - insiste.

- Para esquecer - diz o bêbado.

- Esquecer o quê?

- Esquecer a minha vergonha - diz, cabisbaixo.

- Vergonha de quê? - insiste, uma vez mais, o principezinho.

- Vergonha de beber!

"O álcool é uma das maiores tentações para quem tem uma auto-estima vulnerável", afirma o psiquiatra. Na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), um centro de recuperação de dependentes mantido pela Unifesp, grande parte da aposta dos terapeutas está no amor-próprio dos pacientes. "Nós tentamos o tempo todo convencê-los de que são fortes o suficiente para controlar a vontade de beber", diz a psicóloga Neliana Buzi Figlie, coordenadora do Uniad. "Quando a auto-estima é muito baixa, é difícil que eles acreditem na terapia", completa. Ficam como o bêbado de O Pequeno Príncipe.

Os psicólogos que estudam a auto-estima receiam que a rápida popularização dessa idéia dê margem a mal-entendidos. "O amor por si mesmo é incompatível com as fantasias de superioridade ou com a tendência de exagerar as próprias realizações", alerta Branden. Os psiquiatras franceses André e Lelord chegam a recomendar "uma saudável dúvida acerca de si mesmo" como um traço de lucidez. "Só os megalomaníacos se acreditam perfeitos", escreveram. A autoconfiança não resolve tudo é importante que ela tenha raízes na realidade, ou seja, nas possibilidades efetivas do indivíduo. Super-heróis só existem nas histórias em quadrinhos. Para evitar enganos, leia na próxima página um roteiro com sugestões para melhorar a sua auto-estima e faça um teste para avaliar a quantas anda o caso de amor mais importante de sua vida  o único em que não dá para se separar do parceiro.

Para saber mais

Auto-Estima e os Seus Seis Pilares, Nathaniel Branden, Editora Saraiva, São Paulo, 1998

L´Estime de Soi - S´Aimer Pour Mieux Vivre avec les Autres, Éditions Odile Jacob, Paris, 1999. (http://www.odilejacob.fr)

O mapa da auto-estima

Ela está presente em tudo o que você faz. De acordo com os psiquiatras franceses Christophe André e François Lelord, a auto-estima se compõe de três ingredientes que se manifestam em doses diferentes.

Como está o seu amor-próprio?

O amor por si mesmo é o alicerce da auto-estima. Significa você se amar de modo incondicional, com todos os seus defeitos e as suas qualidades. Mesmo que seus projetos fracassem, uma voz interior dirá que você é digno de amor e de respeito. Com isso, você conseguirá enfrentar a adversidade e se erguer do tombo.

Como você se vê?

Na auto-imagem, o que conta é a avaliação que você faz dos seus atributos - sua inteligência, sua beleza, seu talento. Se você menospreza a sua própria capacidade, acabará desperdiçando chances preciosas de se realizar e de ser feliz.

Você confia no seu taco?

A autoconfiança é o que lhe dá coragem para agir em situações novas. Depende, em grande parte, da atitude dos seus pais quando você era pequeno: eles acreditavam na sua capacidade? A falta de segurança se manifesta na timidez, na hesitação e no medo do desconhecido.

Receita de dom-juan

Nada sofre tanta influência da auto-estima quanto o jogo da sedução. A conquista de um parceiro provoca euforia. Já a rejeição atira no fundo do poço o amor-próprio de qualquer um. Na década de 60, psicólogos americanos fizeram duas experiências para checar se, a partir do nível de auto-estima, seria possível prever os comportamentos de sedução. Em uma delas, estudantes do sexo masculino foram submetidos a um teste de inteligência. O teste era falso, com notas distribuídas ao acaso - metade dos alunos recebeu uma avaliação baixíssima, enquanto a outra metade teve o desempenho supervalorizado. Depois, usando um pretexto, os pesquisadores fizeram com que eles se encontrassem com um grupo de garotas na lanchonete da faculdade. Elas eram, na verdade, cúmplices da experiência e estavam monitorando os atos de sedução praticados pelos rapazes, como oferecer um café ou perguntar o número do telefone. Os alunos que tinham recebido notas altas eram os que mais paqueravam as moças, enquanto os que se saíram mal no "teste" ficavam mais quieitinhos. Conclusão: a auto-estima elevada desperta o dom-juan que mora dentro de cada homem. A outra pesquisa, dessa vez com moças, mostrou um resultado um pouco diferente: quanto mais elas se sentem desvalorizadas, mais se tornam receptivas à abordagem masculina. E vice-versa. O nível de exigência da mulheres na escolha do parceiro aumenta junto com a sua auto-estima.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Verônica Sabino - Demais

Versão de Yes It Is De Lennon E Mccartney

Foi um vento que passou

que te trouxe
e te levou

deixando no corpo

a marca do amor
que ficou no ar

ilusão
A chuva que esse vento

trás

Faz com que
eu me lembre mais

de todos os sonhos

que a gente sonhou

planejou demais

demais

Bem que eu podia

tentar te encontrar

mas um vento forte

que me afastou, te levou

te escondeu

longe demais

A chuva que esse vento

trás

Faz com que

eu me lembre mais

de todos os sonhos

que a gente sonhou

planejou demais

demais

e cada vento

que soprar

pode te fazer voltar

encher o vazio

que ficou no ar

me marcou demais
me marcou

demais

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Literatura Brasileira


INTRODUÇÃO

Literatura Brasileira são as obras elaboradas no Brasil desde os textos de informação, dados que os viajantes e missionários europeus colhiam sobre a natureza e o homem do Brasil Colônia, até nossos dias. Do ponto de vista literário, interessa destacar a evolução das formas estéticas que correspondem aos estilos artísticos que tiveram representação no Brasil. A primeira etapa corresponde ao barroco literário. A segunda, às transformações do barroco, às tentativas de renovação arcádica e neoclássica e ao romantismo e seus prolongamentos. A terceira, às tendências do fim do século: modernismo e pós-modernismo.

Segundo Antônio Cândido, a literatura brasileira pode ser dividida em três períodos: Em primeiro lugar, a era das manifestações literárias, que vai do século XVI à metade do século XVIII. Um segundo instante é a era da configuração do sistema literário, que tem início na primeira metade do século XVIII à segunda metade do XIX. Em terceiro lugar, a era do sistema literário consolidado, da segunda metade do século XIX até nossos dias.


BARROCO

Os ciclos de ocupação da terra sucederam-se em consonância com as possibilidades demográficas e os interesses econômicos. Do litoral para o interior foram se definindo manchas de povoamento que originaram ilhas culturais. Estas, segundo Viana Moog, foram sementes da literatura regionalista, que se faz presente ao longo de toda a história literária do país.

Nesta primeira fase é sensível a presença da Europa: Ibéria, no barroco; Itália, no arcadismo; França, no iluminismo. Define-se, ainda, a mediação da metrópole na transposição de valores estéticos do arcadismo e iluminismo. As manifestações literárias dos três primeiros séculos brasileiros respondem, sobretudo, ao problema da expansão ultramarina. A Carta de Pero Vaz de Caminha, oficializando para Portugal a posse das terras brasileiras, e o Diário de Navegação de Pero Lopes e Martim Afonso de Souza (1530) podem ser incluídos na Literatura de Viagens, gênero definido ao longo do século XV, em Portugal.

O processo expansionista desdobra-se na colonização. Vencido o mar, começa a preocupação com a terra desconhecida, o que significava um desafio, pois, aparentemente, esta era indomesticável. Logo surgiram propostas para vencer a possível resistência e agressividade do índio. Esta preocupação manifesta-se na necessidade de registrar informações, organizar elencos e catálogos. Por estes motivos, são importantes os textos de informação, entre os quais se inserem Tratado da terra do Brasil (1570) e História da província de Santa Cruz (1576), de Pero de Magalhães Gandavo; Narrativa epistolar e o tratado da terra e gente do Brasil (1587), de Gabriel Soares; Diálogo das grandezas do Brasil (1618), de Ambrósio Fernandes Brandão; Diálogo sobre a conversão do gentio, do padre Manuel da Nóbrega; História do Brasil (1627), de frei Vicente de Salvador e os três primeiros séculos das Cartas jesuíticas.

Estes textos descrevem a terra, os costumes silvícolas e revelam a expectativa do colonizador em encontrar ouro e prata. Já os textos jesuíticos, mesmo os literários, de poesia ou teatro, têm como pano de fundo a preocupação missionária, alimentada pelo clima proporcionado pelas resoluções do Concílio de Trento. Esta realidade é facilmente identificada na obra do padre, poeta e dramaturgo José de Anchieta (1534-1597), autor de autos pastoris, entre eles, o Auto representativo da festa de São Lourenço (1583), e de poemas em metros breves, de tradição medieval espanhola e portuguesa, entre os quais se destacam Santíssimo Sacramento e A Santa Inês.

O teatro centra-se no antagonismo entre anjos e demônios, bem e mal, vício e virtude. Nos poemas épicos, Anchieta mostra a influência de Virgílio. O polilingüismo de muitas poesias e autos expressa uma atitude adaptativa ao meio. A palavra escrita ajustava-se à nova realidade, tentando inculcar valores portugueses e cristãos na população autóctone e mestiça que começava a se constituir. Estes primeiros escritos, feitos no Brasil e sobre o Brasil, de acordo com critérios estéticos vigentes no Ocidente, desvendam relações com estilos de vida e arte. São importantes por conterem uma literatura de imaginação, possível raiz do mito ufanista que se projeta através do tempo até a contemporaneidade.

Esteticamente, as criações literárias dos três primeiros séculos são barrocas, neoclássicas e arcádicas. A organização da prosa identifica-se com o barroco no processo de identificação ilusória e sensorial, expresso nos jogos de palavras, trocadilhos e enigmas. Conceitualismo e cultismo, na melhor tradição cultural ibérica, misturam o mitológico ao descritivo, a alegoria ao realismo, o patético ao satírico, o idílico ao dramático. A literatura brasileira nasceu com o barroco, pelas mãos jesuíticas. Neste trabalho merecem destaque o padre António Vieira, Bento Teixeira, Gregório de Matos, Manuel Botelho de Oliveira, secundados por frei Manuel de Santa Maria Itaparica, padre Simão de Vasconcelos, frei Manuel Calado, Francisco de Brito Freire. Quando não integrantes da Companhia de Jesus, muitos destes autores foram educados pelos jesuítas, nos colégios ao lado das igrejas, em aulas de letras e humanidades, focos de transmissão da cultura metropolitana. Nelas, escoava a tradição portuguesa da retórica, base da formação intelectual e literária, preocupada em ensinar a falar e escrever com persuasão e beleza. Projetava-se, também, a postura intelectual da imitação de modelos, realizada nos escritos destes primeiros autores, em variados graus que vão da inspiração à glosa e tradução.

Nesta primeira fase, a literatura brasileira segue o ritmo lusitano do tempo. A obra do jesuíta, catequista e orador sacro Antônio Vieira (1608-1697) tem marcas européias, portuguesas e brasileiras. Os 15 volumes de Sermões são de particular interesse para nossa literatura, principalmente o Sermão do primeiro domingo da Quaresma (1653), que versava sobre a extinção do escravidão dos índios, e o Sermão XIV do rosário (1633), sobre os escravos negros. Na História do futuro, Antônio Vieira escreve um tratado sobre o profetismo, onde defende a mística do “5º Império do Mundo”, que seria português, com sede no Brasil. Beirando a heterodoxia, este texto obrigou seu autor a explicar-se ante o Tribunal do Santo Ofício (ver Inquisição). Maior orador sacro do Brasil, o padre Antônio Vieira era um barroco. Sua oratória é prolixa e cheia de alegorias, nas quais revela a argúcia de seu raciocínio.

Bento Teixeira (1561-1600), cristão-novo português, nascido no Porto e morador de Pernambuco, escreveu a Prosopopéia, exaltando o terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Obra barroca, calcada em Os Lusíadas, exalta o herói estóico cristão, realçando valores como o heroísmo, a estirpe, o poder, a glória, a honra, a riqueza, o saber e as virtudes. Inspira-se na terra e revela um caráter social e individual. Criação diretamente estruturada pela realidade, permite a realização, num plano imaginário, de uma coerência jamais atingida pelo autor, cripto-judeu, no plano real.

Gregório de Matos (1838-1696), natural da Bahia, cria uma poética composta de poemas líricos, religiosos e satíricos, nos quais retrata o Brasil com pessimismo realista, mesclado de obscenidades. Pela temática e técnica estilística, é a mais forte expressão individual do barroco na colônia. Manifestação da mestiçagem cultural, Gregório de Matos coloca em seus escritos antíteses, equívocos e jogos de palavras, transpostos dos modelos de Góngora e Quevedo. Sua obra é marcada pelos dualismos: religiosidade e sensualismo, misticismo e erotismo, valores terrenos e aspirações espirituais.

Manoel Botelho de Oliveira (1838-1711) publicou Musica do Parnaso (1705), dividido em quatro coros de rimas portuguesas, castelhanas, italianas e latinas, com seu descante cômico reduzido em duas comédias: Hay amigo para amigos e Amor, Engaños y Celos. Poeta-literato, segue os modelos de Marino Góngora e, em seu processo estilístico, destacam-se a analogia e a acentuação dos contrastes.

Frei Manoel de Santa Maria Itaparica, nascido na Bahia em 1704, escreveu uma epopéia sacra, Eustáquidos (1769), imitação dos épicos, e um poema, “Descrição da cidade da Ilha de Itaparica”. Simão de Vasconcelos produziu uma obra de edificação religiosa em que se distingue a Vida do venerável padre José de Anchieta (1672).

Frei Manuel Calado inspira-se na defesa da terra contra invasores estrangeiros para criar Valeroso Lucideno (1648). De autoria de Francisco Brito Freire é A Nova Lusitânia (1675). Nesta primeira fase, não se deve estranhar o teor das manifestações literárias. Primeiro, pela fragilidade da vida intelectual na colônia, fato compreensível uma vez que a colonização foi um fenômeno burguês, com caráter empresarial, visando a produção e o lucro no comércio do açúcar. Não havia público para a produção literária, nem interesse nela, em um meio acrítico e desinteressado da vida cultural. No entanto, não houve deseuropeização: as estruturas do mundo que se erigia eram genuinamente portuguesas, embora passíveis de adoçamentos. As manifestações literárias foram, pois, desdobramentos da literatura portuguesa que, por sua vez, ainda não tinha desenvolvido perfeitamente os gêneros literários. Salvo raras exceções, a literatura barroca produzida na colônia acabou sendo de qualidade inferior. A própria obra de Anchieta, a mais alta expressão do barroco no seu tempo, não teve valor estético de primeira grandeza.


NEOCLASSICISMO E ROMANTISMO

Abrange as transformações do barroco, as tentativas de renovação arcádica e neoclássica e o romantismo. O início do século XVIII deixa entrever o declínio do barroco e as aberturas para o iluminismo, este ligado às transformações estéticas das Academias. No Brasil, coincide com o deslocamento do eixo político da Bahia para o Rio de Janeiro (1760) e com a descoberta do ouro em Minas Gerais. Não é estranho que, nestas áreas, tenha surgido um movimento cultural ligado à crise do colonialismo e às aspirações de independência política. José de Santa Rita Durão (1722-1784) escreveu o poema épico Caramuru (1781), onde faz um balanço da colonização em meio a uma descrição hiperbólica (ver Figuras de linguagem) da natureza. Neste poema são retratados os costumes dos índios, exaltadas a fé e a defesa da terra contra os invasores. José Basílio da Gama (1741-1795), com mentalidade iluminista e anti-jesuítica, escreveu o poema Uruguai (1769), em que descreve o choque da cultura branca com a indígena e, liricamente, adota uma atitude complacente com os selvagens.

Com o arcadismo, corrente de origem italiana, instalou-se a forma neoclássica que busca na natureza sua maior constante, identificando-a com a pureza e a bondade. No Brasil, este movimento nasce com os poetas da Escola mineira, Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. Seu início é marcado pelas Obras poéticas (1768) de Cláudio Manoel da Costa (1729-1789). Em seus sonetos, églogas e no poema épico “Vila Rica” (1773), Cláudio Manuel da Costa deixa entrever influências de Petrarca e Camões, além de marcas de sua terra natal. Recorre ao procedimento temático da metamorfose, traduzindo a realidade brasileira em termos de tradição clássica. Incorporando o individualismo e o sentimento da natureza, o arcadismo mineiro inicia o lirismo pessoal.

Nesta linha, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) escreveu uma coleção de poemas de amor dedicados à Marília que contém reflexões sobre o destino, externando uma visão horaciana do mundo. Autor também de “Cartas chilenas” (1789), poema satírico contra a sociedade e o governador de Minas.

Silva Alvarenga (1749-1814) escreveu o poema heróico-cômico “O desertor” (1774), satirizando as reformas pombalinas da instrução. Em Glaura (1799), abriga uma série de madrigais e pequenos poemas. Souza Caldas (1762-1814), um liberal influenciado por Rousseau, deixou o poema didático “As aves”, uma epístola em verso e prosa onde se rebelava contra os modelos greco-latinos, além de um livro de cartas que reponta as idéias de emancipação.

Com a fuga da família real portuguesa, em 1808, e o estabelecimento da corte no Rio de Janeiro, houve sucessivos progressos na vida intelectual, facilmente identificáveis na criação da imprensa e publicação de periódicos. Após a independência (1822), despontam a prosa patriótica, o ensaio político e o sermão nacionalista que se, literariamente, não foram significativos, foram-no para a definição da consciência nacional. Neste momento, o dado mais importante é a definição de que existe, ou deveria existir, uma literatura portuguesa e outra, brasileira.

Literariamente, este momento coincide com o romantismo, ruptura estilística com o arcadismo. Neste predominaram as influências literárias européias às quais foram incorporadas as produções da colônia. No romantismo, prevalece a dimensão localista, associada ao esforço de ser diferente, uma veia aberta às reivindicações de autonomia nacional. Também são caracterizados o espírito romântico, o individualismo, o subjetivismo, o ilogismo, o senso de mistério, o escapismo, o reformismo, o sonho, a fé, o culto à natureza, o retorno ao passado, o pitoresco, o exagero (Hibbard). Há, ainda, traços formais e estruturais: ausência de regras e formas prescritas, preferência pela metáfora. O romantismo, configurado nas três primeiras décadas do século XIX, plenamente instalado na segunda metade do mesmo século, processou-se através de ondas sucessivas, definindo uma estética e um estilo composto de elementos formais e espirituais. A nova estética abrange a poesia, a ficção e o drama, além de teorias críticas e literárias, objetivando a criação do caráter nacional da literatura.

O nacionalismo romântico expressou-se no indianismo. O índio transmutou-se em símbolo nacional. Gonçalves de Magalhães, Visconde de Araguaia, (1811-1822), escreveu a Confederação dos Tamoios (1856); Gonçalves Dias (1823-1864), em seu poema “I-Juca Pirama”, narra a história de um índio sacrificado por uma tribo inimiga. Primeiros cantos (1846) foi referência para a poesia nacional do período. No romance, a valorização do índio foi feita por José de Alencar (1829-1877) no Guaraní (1857) e em Iracema (1863), trabalhos cuja popularidade chegou aos dias atuais. O indianismo transfigura não mais a terra, mas o nativo, antes apenas objeto da descrição ou da sátira, dando ao brasileiro a ilusão de gloriosos antepassados. “O indianismo mascara a origem africana, considerada menos digna” (Roger Bastide).

Ainda no romantismo surge a restauração do mito da infância e do retorno à inocência encontradas nos poemas “Idéias íntimas” de Álvares de Azevedo (1831-1851). Estados mórbidos de dúvidas evolam de Junqueira Freire e Casimiro de Abreu. Castro Alves (1847-1871) é autor de “Espumas flutuantes” (1867) e “A cachoeira de Paulo Afonso” (1876), poesia social e humanitária que teve peso nas campanhas pela abolição da escravidão negra. O movimento abolicionista inspirou, ainda, A escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães e As vítimas algozes (1869) de Joaquim Manuel de Macedo. Joaquim Nabuco (1849-1910) deixou O Abolicionismo (1883), ensaio político de relevo.

Fagundes Varela (1841-1875) foi considerado o último poeta romântico. Escreveu um poema sobre a catequese, “Anchieta ou o evangelho das selvas” (1875), além de versos decassilábicos rimados em Cantos e fantasias (1865). Neles opõe o campo à cidade, demonstra solidariedade com os escravos e dilata seu patriotismo por todo o continente americano.

Em meados do século aparecem o romance e a comédia de Martins Pena (1815-1848), considerado o maior comediógrafo brasileiro. No romance, José de Alencar impôs-se com obra extensa e desigual, mas que o coloca como expoente da consciência literária brasileira. De sua autoria destacam-se Lucíola (1862), Diva (1864), A pata da gazela (1870), Sonhos d’Ouro (1872) e Senhora (1873), livros que inovam ao analisar os personagens em confronto com as condições sociais, descrevendo situações simbólicas com linguagem adequada.

Também em meados do século, o romance passa a descrever lugares e modos de vida. Em A Moreninha (1844), Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) narra amores convencionais da classe média. Em seus 20 romances, peças de teatro e poemas surge, pela primeira vez no Brasil, a figura profissional do escritor. Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) escreveu Memórias de um sargento de milícias (1854), exemplo de simplicidade realista com que descreve a vida da pequena burguesia.

A invasão da poesia pela música leva às modinhas, poesia musicada, inspirada nas áreas de ópera. Com elas, a poesia penetra mais, diminuindo a distância entre cultos e incultos. Figuras representativas do último grupo dos românticos foram Franklin Távora, Bernardo Guimarães e Alfredo d’Escragnolle Taunay. Franklin Távora (1842-1888), teórico e romancista, escreveu sobre Pernambuco do século XVIII, adotando restrições à tendência da literatura de se relacionar com a cultura européia. Estabelece-se o conflito entre a inclinação de vinculação à Europa e aquela que busca estabelecer uma tradição local, extremos entre os quais se debateria a consciência literária. Alfredo d’Escragnolle Taunay (1843-1899) compõe Inocência (1872) com cenário e costumes sertanejos, além de diálogos naturais pelo tom e vocabulário. Taunay voltou-se, depois, para o romance urbano, onde se destaca O declínio (1899), que trata do descompasso entre a paixão e o envelhecimento.

Em torno dos trabalhos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1838, e das revistas Minerva Brasiliense (1843-1845) e Guanabara (1851-1855), forma-se uma teoria nacionalista da literatura e se organiza o estudo sistemático da produção literária.

Nos anos 70 do século XIX, o país conheceu grande desenvolvimento e o progresso se fez sentir nas cidades maiores. A imprensa se desenvolveu e novas revistas surgiram, como a Revista Brasileira (2ª fase, 1878-1881). A erudição e a pesquisa documental aparecem na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839) e nos Anais da Biblioteca Nacional (1878). Na mesma época tem início um movimento de idéias filosóficas e literárias, inspirado no positivismo de Comte e no evolucionismo de Spencer, que se estendeu até o início do século XX. Este movimento ressoou na literatura, principalmente em Pernambuco, no Ceará e no Rio de Janeiro.

Há um retorno crítico contra o idealismo romântico, a cosmovisão religiosa e a legitimidade das oligarquias, com o apoio no cientificismo e no relativismo. Surge o naturalismo. Os gêneros literários tinham ganho autonomia e consistência quanto aos temas e a estrutura. O sistema de idéias e normas estéticas, implantado na década de 1870, constituiu o complexo estilístico do realismo, naturalismo e parnasianismo. Estava configurado o sistema literário no Brasil. A literatura já é, então, a atividade regular dos intelectuais, há veículos de difusão da produção escrita e a tradição local é ponto de referência.


REALISMO E MODERNISMO

Depois de 1870, há sensíveis modificações na posição mental dos intelectuais do Brasil, que oscilam entre o abolicionismo e a república, ou juntam as duas motivações, unidas pela noção de liberdade e democracia. A passagem do estilo romântico para o realista é dada pela poesia científica e libertária de Silvio Romero, Fontoura Xavier e Valentim Magalhães. Instala-se o realismo com sua vertente naturalista, tentando corrigir a espiritualização excessiva. O realismo procura a verdade retratando, fielmente, os personagens e a vida que interpreta objetivamente, analisando-a em todos os detalhes. Busca expressar-se numa linguagem simples, natural, próxima da realidade.

O realismo envereda pelo naturalismo no romance e no conto. O fatalismo pessimista emerge como pano de fundo da prosa de Aluízio de Azevedo (1857-1913), tanto em Mulato (1881), um estudo sobre o preconceito racial, como em Casa de pensão (1884), que versa sobre a conduta e a morte de um estudante. Em O cortiço (1890), Aluízio de Azevedo revela influência de Èmile Zola na inclusão do simbolismo significativo. O cortiço seria o Brasil, dependente e explorado pelas nações desenvolvidas.

Nesta fase, a grande figura é Machado de Assis (1839-1908), jornalista, romancista, comediógrafo e primeiro escritor com noção exata do processo literário brasileiro. Como ficcionista, escreveu uma centena de contos, entre os quais figuram Papéis avulsos (1882), Histórias sem data (1884) e Várias histórias (1896). Entre os romances de sua autoria estão Memórias póstumas de Braz Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908). Machado de Assis afasta-se dos modismos literários, transforma emoções em ambigüidades, demonstra interesse pela realidade social e se transforma no mais importante escritor brasileiro.

Raul Pompéia (1863-1895), em O ateneu (1888), guarda estreitas relações com experiências próprias ao descrever a vida colegial. Ataca o processo educativo por sua formalidade, considera-o uma expressão carcomida das instituições do Império, entre as quais a escola seria um microcosmo.

O naturalismo voltou-se para o regional. Em Fortaleza, Ceará, surgem vários grêmios políticos e literários e alguns romances como Luzia-Homem (1903), de Domingos Olímpio Braga Cavalcanti (1850-1906), perfil da mulher excelente no pecado e na virtude.

Entre o crepúsculo do naturalismo e a Semana de Arte Moderna de 1922 instala-se a figura de Coelho Neto (1864-1934). No seu primeiro romance, A Capital Federal (1893), Coelho Neto faz uma crônica romanceada da vida carioca. Miragem (1895) tem narrativas sobre a vida doméstica onde, com realismo, retratam-se imagens burguesas. Em Inverno em flor (1897), a hereditariedade doentia gera a loucura e um amor incestuoso. Tormenta (1901) retoma a abordagem de patologias com o tema da morte e dos ciúmes.

Valdomiro Silveira (1873-1941) inicia a prosa regional patética em Os caboclos (1920), Nas serras e nas furnas (1931), Mixuango (1937) e Leréias, histórias contadas por eles mesmos (1945).

Monteiro Lobato (1882-1948) militou a favor do progresso. Urupês (1918), Cidades mortas (1919) e Negrinha (1920) dão início à sua obra narrativa crítica em relação às oligarquias e à primeira República. Sua obra é permeada por costumes do interior e sátiras expressas em palavras pitorescas. O realismo — incorporando à literatura aspectos regionais, profissionais e populares —, concorreu para o desenvolvimento de um estilo e para a nacionalização da língua.

Simultaneamente, a poesia expressa-se no parnasianismo. O primeiro livro foi o de Teófilo Dias, Fanfarra (1882). Seguiram-no Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, e depois os neoparnasianos Martins Fontes e Amadeu Amaral. Caracterizam-se pela atenuação do sentimentalismo, desinteresse pela política, pedantismo gramatical e rebuscamento da linguagem. Os parnasianos resgatam o soneto, apegam-se ao rigor gramatical e ao casticismo vernacular, inspirado nos clássicos. De sua temática emergem descrições de salas de mármores, vasos de porcelana, metais preciosos, um quadro, uma cena, um retrato, corpos femininos.

Alberto de Oliveira (1857-1937) publica Canções românticas meridionais (1884), Sonetos e poemas (1885), Versos e rimas (1895). Olavo Bilac (1865-1918) recorre a motivos diversos: o índio, a guerra e a temática greco-romana em Poesias (1888), Crítica e fantasia (1906) e Poesias infantis (1904). Raimundo Correa (1859-1911) estreou com uma coleção de versos intitulada Os primeiros sonhos (1879), vindo depois Sinfonia (1883), Versos e versões (1887), Aleluias (1891) e Poesias (1898).

Depois de 1890, o realismo naturalista começa a ser questionado pela introspecção do simbolismo, iniciado, no Brasil, por um grupo de escritores do Rio de Janeiro que se autodenominava “decadentista”. Este grupo recorria ao hieratismo gramatical com truncamentos de sintaxe, em busca de efeitos lingüísticos. Alinham-se, entre os “decadentistas”, Cruz e Souza, B. Lopes e Oscar Rosas. Em Fortaleza, Ceará, autores se reúnem e fundam a “Padaria espiritual” (1892), passando a cultivar excentricidades. No simbolismo pode-se, ainda, inserir Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), autor cristão que expressa a fé católica em poemas devotos e litúrgicos como Septenário das dores de Nossa Senhora (1899), Dona Mística (1899), Kyriale (1902) e Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923).

Depois de 1870, a consciência literária e crítica emerge, na história, com Capistrano de Abreu, Sílvio Romero na teoria da cultura e folclore, Araripe Jr. e José Veríssimo na crítica, Pedro Lessa no direito, Miguel Lemos e Teixeira de Freitas nas idéias, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa na política. Capistrano de Abreu (1853-1927) esboçou, sob influência de Taine, uma teoria da literatura nacional a partir de uma consideração de fatores envolvendo o clima, o solo e a mestiçagem, em sua opinião, definidores do caráter do povo. Além de sua obra histórica, editou e comentou textos coloniais como a História do Brasil de frei Vicente de Salvador, os documentos da Visitação do Santo Ofício à Bahia e Pernambuco.

Silvio Romero (1851-1914) defende a ligação da literatura e demais artes com os fatores naturais e sociais. Publica Literatura Brasileira e a Crítica Moderna (1880) e História da Literatura Brasileira (1881). Demonstra o sentido do progresso da humanidade em O evolucionismo e o positivismo na república do Brasil (1894). Dá início à crítica sociológica, propondo a abordagem da obra literária em função das realidades antropológicas e sociais.

José Veríssimo (1857-1916), preocupado com a gramática, produziu a obra crítica Estudos de literatura brasileira (6 séries, 1901-1907). A história da literatura brasileira (1916) é norteada pelas qualidades estéticas e significado histórico. A poesia parnasiana e simbolista e a literatura realista naturalista dominaram o gosto do país e foram fatores de resistência às mudanças estéticas. À esta situação, reagiu o modernismo.

O modernismo foi um movimento cultural que reviu o Brasil. Resultou de modelos importados da Europa (vanguardas francesa e italiana), aos quais foram associadas tendências nacionais. A obra inicial do modernismo foi Paulicéia desvairada (1922), de Mário de Andrade, que teve como personagem a cidade de São Paulo em ritmo de desenvolvimento. O outro centro do movimento foi o Rio de Janeiro.

A Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, precedida dos trabalhos de Menotti del Picchia e Oswald de Andrade, que prepararam os espíritos para uma renovação literária, aconteceu em São Paulo. Alguns autores de vanguarda uniram-se para combater o que consideravam retrógrado. A idéia inicial foi do pintor Di Cavalcanti, que sugeriu a Paulo Prado organizar uma semana de escândalos em São Paulo. Esta “semana” — despida de qualquer conteúdo político, social ou popular — foi uma reunião de intelectuais. O modernismo teve linhas diversas, mas foi um importante fator de transformações e referencial da atividade artística e literária brasileira. Defendeu, basicamente, a liberdade da criação e experimentação. Investiu contra a estética acadêmica, valorizou os temas do cotidiano e pregou o uso da língua, respeitando as diferenças geográficas do país.

Em São Paulo, surgiu o grupo Verde-amarelo, patriótico e sentimental, procurando se embasar no indianismo. A figura central deste movimento foi Mário de Andrade, (1893-1945), poeta, narrador, ensaísta, musicólogo, folclorista e líder cultural. Escreveu A Escrava que não é Isaura (1925), plataforma da nova poética, Amar, verbo intransitivo (1927) e um romance inovador, Macunaíma (1928), considerada sua obra prima.

Oswald de Andrade (1890-1954) escreveu Os condenados (1922) e Estrela do absinto (1927), prosa fragmentária, cheia de elementos contraditórios. Sua contribuição cresce nos romances Memórias sentimentais de João Miramar (1924), Serafim Ponte Grande (1933) e nos poemas Pau Brasil (1925) e Primeiro caderno de poesia (1927). Interpreta a cultura brasileira como um processo de assimilação e recriação das idéias européias, resumidas no Manifesto antropofágico (1928) (ver Antropofagia cultural). Depois de 1930, aderindo ao comunismo, escreveu peças de teatro como O homem e o cavalo (1934). Mario e Oswald de Andrade lideram a ala inovadora do modernismo em São Paulo. No Rio de Janeiro, a chefia do movimento foi de Graça Aranha (1868-1931), com seu romance Canaan (1902).

Importante, ainda, é citar o grupo da revista Festa (1928) onde aparece Cecília Meireles (1901-1964), e da revista Estética (1924-1925), dirigida por Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e Prudente de Morais Neto (1905-1927). Aos modernistas de São Paulo, ligou-se um dos maiores poetas brasileiros: Manuel Bandeira. A parte mais importante de sua poesia está reunida em Libertinagem (1930).

A partir dos núcleos de São Paulo e Rio de Janeiro, a renovação literária se expandiu pelo Brasil através de manifestos, grupos e intercâmbios, frutificando, principalmente, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Os anos de 1930 e 1940 aceitaram plenamente o modernismo, ao lado do qual floresceu o regionalismo crítico do Nordeste.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) aderiu ao movimento modernista com seus livros Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), onde procurou desenvolver uma poesia não-poética. Nos livros seguintes fundiu componentes tradicionais (o passado da família) a componentes utópicos (desejos de redenção social). Nesta fase surgiram Sentimento do mundo (1940), José (1942) e Rosa do povo (1949).

Murilo Mendes (1901-1975) inicia sua produção com a poesia humorística, sofrendo influências do surrealismo, refletidas na obra O anjo (1934), e desaguando no mistério e na transcendência após sua conversão ao catolicismo, refletida em A invenção de Orfeu (1952).

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) é um neo-romântico que reage ao modernismo, restaurando o mistério no tratamento de temas como o amor e a morte. Vinícius de Moraes (1913-1980) inicia sua obra com um poema transcendente para se tornar, depois, um cantor da paixão e da simplicidade do cotidiano. A obra de Drummond e de Murilo enquadra-se na opção ideológica de volta ao cristianismo, que marcou a cultura sob a liderança de Alceu Amoroso Lima, prolongando-se pela Ação Católica e pelo integralismo.

No integralismo, a figura central é Plínio Salgado (1895-1975), membro do grupo Verde-amarelo. Otávio de Faria (1908-1980) escreveu treze volumes de romances visando temas como a adolescência face ao pecado e o comportamento entre a vocação e as convenções. Entre eles, merece destaque Tragédia burguesa.

Maior impacto teve o romance nordestino regionalista. Nele, o homem pobre do campo e da cidade é focalizado na plenitude de sua condição humana. Graciliano Ramos (1892-1953) é o autor mais representativo com o romance Vidas Secas (1938), que narra a vida de uma família de retirantes. São Bernardo (1934) conta a história de um trabalhador rural que se torna proprietário e transpõe suas atitudes violentas para a vida afetiva. Angústia (1936) centra-se no drama do desajuste de um homem medíocre que se compensa com o crime. Graciliano Ramos, que sob a ótica regional tratava de problemas universais, não fez concessões à qualidade da escrita: é moderno pelo tratamento dispensado à tradição.


TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

O experimentalismo estético da Semana de 22 gera uma ideologia com a qual foram reexaminados os problemas da cultura, como qualidade e tradição. O interesse pela vida contemporânea norteou Josué de Castro, Caio Prado Júnior, Jorge Amado e Jorge de Lima. O Estado Novo (1937-1945) e a Segunda Guerra Mundial aguçaram as tensões no plano das idéias e novas configurações históricas geraram novas experiências nas artes, principalmente na literatura. A produção dos autores da primeira metade do nosso século deixa transparecer angústias e projetos inéditos nos trabalhos de poetas, narradores e ensaístas. Na poesia, a geração de 1945 isolou os cuidados métricos, procurando se contrapor à literatura de 1922, menosprezando as conquistas do modernismo.

No panorama da nova poesia brasileira, Fernando Ferreira de Loanda insiste na afirmação da diferença e na busca de novos caminhos. É a posição de Alphonsus de Guimaraens Filho, Péricles Eugenio da Silva Ramos, João Cabral de Melo Neto, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino e Lêdo Ivo, entre outros. Todos defendem um gênero intimista, onde imagens são correlatas ao sentimento que os símbolos ocultam e sugerem. Submetem-se às exigências técnicas e formalizantes. Depois de 1950, a obsessão pelo desenvolvimento domina a literatura. O nacionalismo desloca-se da direita para as ideologias de esquerda. Renova-se o gosto pelo regional na obra de Ariano Suassuna, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Dias Gomes. Na ficção, destaca-se João Guimarães Rosa em cuja obra o natural, o infantil e o místico são recuperados nas fontes da linguagem iletrada.

Ainda na ficção, o realismo cientificista do século XIX é substituído pela visão crítica das relações sociais, principalmente em Érico Veríssimo e José Américo de Almeida. No romance psicológico caminha-se pela introspecção da psicanálise. Socialismo, freudismo, catolicismo são usados para a compreensão do homem social. Na poesia, o concretismo — ou poesia concreta — impôs-se depois de 1956 como expressão da vanguarda estética. O grupo inicial é o da Antologia Noigrandes. Nomes de proa são os de Haroldo de Campos, Auto do possesso (1950), Augusto de Campos, O rei menos o reino (1951) e Décio Pignatari, O carnaval (1950). O grupo abandona o verso e busca uma linha de sintaxe (ver Gramática) espacial. O ponto de partida da estética é a estrutura verbo-visual. Inova no campo semântico (ideogramas), sintático (redistribuição de elementos do discurso), léxico (neologismos, estrangeirismos, tecnicismos), morfológico (desintegração dos sintagmas nos seus fonemas), fonético (aliterações, assonâncias) e topográfico (abolição do verso, uso construtivo de espaços em branco).

São desdobramentos da vanguarda concretista os trabalhos de autores mineiros reunidos nas revistas Tendências (1957), Ptyx (1963) e Vereda (1964), publicadas em Belo Horizonte. Hoje, o poema é marcado pela objetividade, isto é, pela procura de imagens que tornem o texto instrumento de crítica da realidade social, além da procura de códigos que o insiram na comunicação de massas. Poesia participante e poemas tecnicistas estão em Ferreira Gullar, com A luta corporal (1954), Dentro da noite veloz (1975) e Antologia poética (1976) e na obra de João Cabral de Melo Neto, entre elas a Pedra do sono (1942) e Educação pela pedra (1960).

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

COMO UM E-MAIL É ENVIADO?

 

Nossas mensagens seguem uma rota que passa por pelo menos quatro computadores. O primeiro, claro, é aquele em que a gente está digitando o e-mail. O quarto e último também é óbvio: é a máquina de quem vai receber a mensagem. O segredo está justamente no segundo e no terceiro computadores, que formam o meio de campo entre a máquina do remetente e a do destinatário. Esses dois computadores intermediários são os servidores. Um deles se chama SMTP, abreviação para Simple Mail Transfer Protocol, ou "protocolo simples de transferência de correio". O outro é o POP3, Post Office Protocol, ou "protocolo de correio" o 3 significa que esse tipo de servidor está na terceira versão. Esses servidores são enormes máquinas que fazem um serviço bem parecido com o do correio tradicional, armazenando, separando e mandando as mensagens para o endereço correto. Para realizar essas tarefas, os servidores utilizam programas que gerenciam todo o tráfego de mensagens, fazendo com que cada uma delas seja entregue para a pessoa certa. Os servidores são mantidos por serviços de e-mail como Yahoo!, Hotmail, UOL e Gmail, ou por empresas e instituições de ensino, para que trabalhadores e estudantes tenham um endereço de e-mail ligado a elas. Graças a esses megacomputadores, existem hoje cerca de 547 milhões de endereços de e-mail no mundo, que diariamente mandam 91 bilhões de mensagens eletrônicas pela web. Já é uma quantidade muito superior ao de cartas convencionais que os correios entregam. Só para dar uma idéia, no Brasil, circulam perto de 15 bilhões de e-mails por ano, enquanto o total de cartas não chega a 8 bilhões. Tá certo que os e-mails são muito mais rápidos que as mensagens de papel e caneta, mas o correio eletrônico também tem inconvenientes. Uma das maiores dores de cabeça são os spams, aquelas mensagens indesejáveis que a gente não pediu para receber, mas que entopem nosso correio eletrônico. A cada dia, nada menos que 28 bilhões de spams aborrecem os usuários de e-mails por todo o planeta!

Mandou, chegou

1. Quando um usuário escreve um e-mail e aperta a tecla "enviar",  o computador começa uma viagem para entregar a mensagem. Primeiro, ele transforma a seqüência de letras e números na linguagem digital binária, formando enormes combinações de zeros (0) e uns (1), que variam de acordo com o que foi escrito

2. No passo seguinte, a máquina do remetente precisa se conectar a um grande computador, o servidor, que vai armazenar e encaminhar a mensagem para o destino correto. Geralmente, essa conexão é feita por programas do tipo "cliente de e-mail", como o Microsoft Outlook ou o Eudora. Quando a mensagem é mandada por um serviço de e-mail que tem site na internet (o chamado webmail), os próprios sites se conectam ao servidor

3. Por meio de cabos ou linhas telefônicas, a mensagem chega ao servidor do remetente. Chamado de SMTP, esse servidor é um grande computador que identifica o domínio (a parte do endereço que vem depois do @) para encaminhar cada mensagem. Os e-mails que terminam em "@hotmail.com", por exemplo, vão para o servidor do Hotmail, e assim por diante

4. Na quarta etapa, quem recebe as mensagens do SMTP é o servidor do destinatário, chamado de POP3. Ele entrega as mensagens recebidas por cada usuário. Para isso, o POP3 leva em conta o nome que vem antes do @. Por exemplo, o servidor POP3 do Hotmail separa todos os e-mails mandados a maria@hotmail.com e os envia para a caixa postal do usuário

5. A caixa postal de cada usuário nada mais é que um setor do disco rígido do servidor POP3. Protegida por senha, ela só pode ser acessada pelo dono da conta de e-mail. O tamanho da caixa postal varia em cada provedor - hoje, alguns serviços gratuitos oferecem até 100 megabytes de espaço para mensagens

6. O passo final é quando o destinatário lê a mensagem. Para fazer isso, ele acessa a caixa postal usando novamente um programa do tipo cliente de e-mail ou o site de webmail. No computador, o modem faz o processo inverso do primeiro passo: converte a informação digital em letras e números, deixando o e-mail legível na tela

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

“Água dura”

Dois bêbados, totalmente chapados, iam subindo uma rua em ensolarado dia, como todos sabem, em dias de muito calor, à distância o asfalto parece molhado. Resultado: os bêbados decidem dar um mergulho:
- Oh, ic, amizade, vamos dar um mergulho na “lagoa” adiante.
- Ic, to nessa.
Ao chegar à “lagoa” os dois sobem em um poste para de lá pularem:
- Vai na frente amizade que eu pulo depois;
- Lá vou... ihhhhhhhhh! Pofe.
Ao espatifar a cara no asfalto,o bêbado olhou pra cima e gritou bem alto:
- Cumpade! Pula mais pra direita que aqui tem uma pedra...

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Empanadas de peixe e camarão



Ingredientes:
1 xícara (chá) de fubá
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de sal
7 colheres (sopa) de manteiga em pedaços
1 gema
1 ovo batido levemente

recheio
1 colher (sopa) de óleo
1 cebola média picada
2 dentes de alho amassados
1/2 kg de camarões pequenos e limpos
200 g de pescada branca picada
3 pimentas jalapeño, sem pele e sem sementes, picadas
1 colher (chá) de pimenta-da-jamaica em pó
1 colher (chá) de orégano desidratado
1 lata de tomates pelados (400 g), picados em pedaços pequenos
1 colher (sopa) de alcaparras em conserva picadas
1 colher (sopa) de óleo

massa
1 xícara (chá) de fubá
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de sal
7 colheres (sopa) de manteiga em pedaços
1 gema
1 ovo batido levemente

Modo de Preparo:
Massa:
peneire em uma tigela o fubá, a farinha, o fermento e o sal. Junte a manteiga e misture com as pontas dos dedos até obter uma farofa.
Misture a gema e 4 colheres (sopa) de água gelada e transfira a massa para uma superfície enfarinhada.
Sove até ficar macia e lisa. Divida-a em 6 porções.
Recheio:
aqueça o óleo em uma panela e refogue a cebola e o alho, sem parar de mexer. Junte o camarão e o peixe e cozinhe, mexendo de vez em quando, até o peixe ficar macio.
Retire o camarão e o peixe da panela e reserve. Na mesma panela coloque as pimentas, o orégano, o tomate e as alcaparras.
Cozinhe em fogo baixo e com a panela destampada até o molho se reduzir aproximadamente a 1 xícara de chá. Retire do fogo e misture o peixe e o camarão. Acerte o sal e reserve.
Montagem:
abra a massa em uma superfície enfarinhada em 6 círculos de 16 cm de diâmetro e pincele as bordas com um pouco do ovo batido. Distribua o recheio e feche a massa, na forma de meia-lua, apertando as bordas com as pontas de um garfo. Disponha as empanadas em uma assadeira untada e enfarinhada e pincele com o ovo batido restante. Com uma faca, faça dois cortes na parte central das empanadas para sair o ar. Asse em forno médio, preaquecido, por 30 minutos, ou até dourar.


Fonte: Revista Água na Boca

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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Escolas Filosóficas - Final: Empirismo

Nome genérico das doutrinas filosóficas em que o conhecimento é visto como resultado da experiência sensível. Limita o
conhecimento à vivência, só aceitando verdades que possam ser comprovadas pelos sentidos. Rejeita os enunciados metafísicos,
baseados em conceitos que extrapolam o mundo físico, devido à impossibilidade de teste ou controle. A noção de gravidade, por
exemplo, faz parte do mundo sensível; já o conceito de bem é do mundo metafísico.
O empirismo provoca revolução na ciência. A partir da valorização da experiência, o conhecimento científico, que antes se contentava
em contemplar a natureza, passa a querer dominá-la, buscando resultados práticos.
O inglês John Locke (1632-1704) funda a escola empirista, uma das mais importantes da filosofia moderna. Apesar de partir do
cartesianismo, Locke discorda de Descartes sobre a existência de idéias inatas produzidas pela capacidade de pensar da razão.
Para Locke, as idéias vêm da experiência externa, pela sensação, ou da interna, via reflexão. São também simples ou compostas. A
idéia de comprimento, por exemplo, é simples: vem da visão. A de doença, fruto da associação de idéias, é composta.
No século XVIII, o escocês David Hume (1711-1776) leva mais longe o empirismo ao negar a validade universal do princípio de
causalidade, uma vez que não pode ser observado. O que se observa é a seqüência temporal de eventos, e não sua conexão causal.
Só por uma questão de hábito pensamos que o fato atual se comportará como outros que já observamos no passado. Para o
empirismo contemporâneo, também chamado de positivismo lógico, representado pelo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951), a
filosofia deve limitar-se à análise da linguagem científica, expressão do conhecimento baseado na experiência.

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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Escolas Filosóficas - Parte 1: Dogmatismo

 

Termo usado pela filosofia e pela religião, dogmatismo (do grego dogmatikós, que se funda em princípios) é toda doutrina ou atitude que afirma a capacidade do homem de atingir a verdade absoluta e indiscutível. Na religião corresponde ao conjunto de dogmas crenças que não admitem contestação considerado a palavra de Deus. Na filosofia é o pensamento contrário à corrente do ceticismo, que contesta a possibilidade de conhecimento da verdade. O dogmatismo filosófico pode ser entendido de três formas: a possibilidade de conhecer a verdade, a confiança nesse conhecimento e a submissão a essa verdade sem questionamento.

Desde a Antiguidade existem filósofos dogmáticos, como Parmênides (515 a.C.-445 a.C.), Platão e Aristóteles, e céticos, que se recusam a crer nas verdades estabelecidas. No século XVIII o dogmatismo racionalista prega a total confiança na razão como meio de chegar a verdades seguras. Com Immanuel Kant o termo adquire novo sentido. Em Crítica da Razão Pura o filósofo faz uma oposição entre o criticismo doutrina que estuda as condições de validade e os limites do uso da razão, o dogmatismo e o empirismo, que se diferencia daqueles por reduzir o conhecimento à experiência. Para Kant, o dogmatismo é "toda atitude de conhecimento que consiste em acreditar na posse da certeza ou da verdade antes de fazer a crítica da faculdade de conhecer". O antagonismo entre dogmatismo e ceticismo aparece também na obra de Auguste Comte (1798-1857), que considera que a vida humana existe em estado dogmático ou estado cético. Este último, segundo ele, não é mais do que uma passagem de um dogmatismo anterior a um novo dogmatismo. Para os filósofos de tradição marxista o termo dogmático é usado para a tendência de se manter uma teoria com fórmulas estereotipadas, tirando-a da prática e da análise concreta. Segundo Friedrich Engels (1820-1895), "o marxismo não é um dogma, mas um guia para a ação".

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Entrevista com Domenico De Masi

NOVA ESCOLA - O senhor afirma que o modelo atual de trabalho está saturado. O que mudou?
Domenico De Masi - Antes, o trabalho era totalmente físico. Hoje, a maior parte das tarefas pode ser delegada às máquinas. Ao homem restam as atividades criativas, além de mais disponibilidade para o lazer. A tendência, portanto, é que trabalhemos cada vez menos e possamos cada vez mais exercer o que eu chamo de "ócio criativo", que é uma mistura de estudo, trabalho e diversão.

NE - Como isso se reflete na educação?
De Masi - A escola deve estar sempre se atualizando e acompanhando as mudanças da sociedade. Se o mundo precisa de pessoas criativas, ela deve estimular esse lado. E isso vale para a vida dos professores e dos alunos. Se as pessoas têm mais tempo livre, é para isso que devemos prepará-las. Não podemos mais
continuar formando os jovens apenas para o trabalho e o lucro. É preciso oferecer a formação total. Se a escola não fizer isso, quem vai fazer?

NE - Como professores formados no antigo modelo podem se adequar a essa nova realidade?
De Masi - Ninguém pode ensinar algo que não conhece. Para ampliar a formação dos alunos o educador precisa primeiro investir na própria formação. Como fazer isso? Refletindo sobre as novas exigências da vida moderna, sobre o próprio trabalho e sobre seu papel como educador. E, é claro, aproveitando melhor seu tempo livre: passeando, observando as pessoas, indo ao cinema, fazendo amor...

NE - O que é a formação total?
De Masi - Significa educar não apenas para o trabalho, mas também para o estudo e para o ócio; para as satisfações e NEcessidades mais essenciais do homem: o amor, a amizade, a diversão, o convívio, a solidariedade, a beleza. Significa formar o cidadão em toda sua amplitude de homem econômico, estético, social e ético.

NE - Como educar para o tempo livre – e curtir esse ócio criativo?
De Masi - Desenvolvendo habilidades para aproveitá-lo de uma forma mais produtiva. Escolhendo um livro, vendo um filme, ouvindo música, observando, apreciando e entendendo uma paisagem. Para o professor, meu conselho é ensinar os jovens a dar significado às coisas.

NE - As escolas e os professores estão preparados para isso?
De Masi - Existem diferentes escolas e professores. Muitas delas ainda estão comprometidas com o antigo modelo. Mas outras tantas já oferecem um ensino menos tradicional. Entre os professores, não são poucos os que ultrapassam o conteúdo dos livros e dão aula sobre programas de televisão, livros, filmes... Se a sociedade
segue em frente é porque existem educadores assim.

NE - Como convencer os pais de que é bom educar para o ócio?
De Masi - Você não deve simplesmente dizer que ensina o ócio, mas explicar o que é isso. Deve mostrar que o trabalho representa apenas um sétimo da vida da pessoa e que você está educando para os outros seis sétimos. Que não está preparando trabalhadores, mas cidadãos, com todas as habilidades que eles devem ter. Aí eu garanto que os pais vão gostar. Se eles estão satisfeitos com a escola de hoje, imagine se ela ainda
ensinar o aluno a viver feliz...

NE - Criatividade é algo inato ou pode ser ensinada?
De Masi - Estou escrevendo um livro sobre a história da criatividade humana. Percebi que todo o caminho da humanidade, do homem do Paleolítico ao do neolítico, dos cidadãos de Atenas aos modernos nômades de Nova York, deve-se à nossa criatividade construtiva ou destrutiva. Com ela, fizemos o bem e o mal: aprendemos a caminhar eretos, a acender o fogo, a construir o arco, as pontes, os templos, os arranha-céus, a bomba atômica. Ela é uma síntese dos poderes de fantasiar e de concretizar. Pouquíssimas pessoas são dotadas
desde o nascimento dessas duas capacidades (e por isso ficam conhecidas como gênios). A maioria é dotada de uma ou de outra e, para tornar-se plenamente criativa, deve trabalhar em parceria com alguém que lhe seja complementar.

NE - Ou seja, trabalhar em grupo é importante?
De Masi - Sim, com certeza, pois coloca junto "fantasiosos" e "realizadores". Mas é importante distinguir três
momentos no aprendizado: a reflexão individual, a discussão num grupo pequeno e o confronto das idéias num grupo maior  a classe, por exemplo. Cada uma das três etapas tem importância igual.

NE - O senhor critica o excesso de regras. Na escola, elas limitam a criatividade?
De Masi - Estou convencido de que a criatividade não segue regras constantes. Em alguns casos, nasce num contexto totalmente desestruturado (o ambiente do pintor Caravaggio, por exemplo) e, em outros, muito bem estruturado (caso da família de Mozart). De modo geral, a criação artística desenvolve-se melhor num ambiente
desestruturado (como a escola de jazz Berklee, em Boston) e a científica num ambiente estruturado (como o Massachussets Institute of Technology, um dos mais conceituados centros de pesquisa do mundo). Quase sempre, no entanto, a burocracia castra o espírito inventivo, como acontece nas grandes empresas. Muitas
escolas também são burocratizadas e sofrem os mesmos efeitos.

NE - De que modo a escola pode evitar a burocracia?
De Masi - O burocrata, seja ele um administrador ou um professor, é uma pessoa insegura, que se arma de regras por medo de errar. Ele olha sempre para o passado, nunca para o futuro. Ao invés disso, o que as escolas (centros formadores) precisam é de coragem e visão de futuro. Para obter uma equipe de docentes criativa é fundamental que alguns sejam predominantemente fantasiosos e outros, predominantemente realizadores. Todos eles coordenados por um diretor carismático, que passe entusiasmo, ânimo e espírito
inovador.

NE - Daqui a dois meses nossos alunos e professores entrarão em férias. Como aproveitá-las de forma produtiva?
De Masi - Freqüentando uma escola de samba. As escolas de samba brasileiras são o maior centro de criatividade artística do mundo.

NE - O senhor considera o Brasil um país criativo?
De Masi - Eu divido a criatividade em artística e científica. O Brasil, como a Itália, possui uma grande veia artística, mas sofre no campo científico. Nas artes, exporta música, teatro, dança, cinema; na ciência, importa conhecimento tecnológico. A criatividade artística no Brasil deve-se principalmente aos pobres  é o caso do Carnaval. Já a científica, não pode ser realizada pelos pobres, porque requer escolarização, especialização, investimento financeiro. Portanto, podemos dizer que os pobres contribuem para o progresso do país com as artes, mas os ricos não contribuem com uma adequada atividade científica. Em outras palavras, no plano da criatividade os ricos estão em débito com os pobres. Isso acontece tanto no Brasil como na Itália.

NE - No Brasil, muitas crianças trabalham, principalmente na zona rural. Elas também têm ócio?
De Masi - Se a educação é muito prática (como no caso das crianças pobres) ou muito teórica (como no caso das ricas) há um desequilíbrio. Infelizmente os alunos pobres têm muito trabalho e por isso são privados do tempo livre. Ou então não trabalham nem vão à escola e por isso têm somente ócio. Essa é a maior injustiça social contra as crianças.

NE - Quais as conseqüências de administrar mal o tempo livre?
De Masi - Infelizmente, é fácil encontrar mestres em determinada profissão, mas é difícil encontrar "mestres em vida", porque a maioria está preocupada apenas com o trabalho e com o lucro. A conseqüência é que muitos jovens usam mal seu tempo livre. Ou ficam sem fazer nada e sofrem de tédio ou entregam-se a atividades
insensatas. É nessa hora que surgem problemas como drogas e violência.

NE - O senhor, com tantas palestras, pesquisas e entrevistas, consegue ter tempo livre?
De Masi - Tenho pouco, é verdade. Mas tenho muito ócio criativo. Toda minha vida consiste nessa síntese de estudo, trabalho e diversão. O que faço, respondendo a essa entrevista? Trabalho, estudo e me divirto.

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