quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Literatura Portuguesa

 

Literatura Portuguesa é o conjunto de obras literárias escritas e publicadas em Portugal.

A poesia trovadoresca galaico-portuguesa, escrita na língua do noroeste da Espanha, surge no século XIII. Entre seus autores destacam-se Dionís, os sacerdotes Airas Nunes, Joan Airas de Santiago, João Garcia de Guilhade e o jogral (farsista) Martin Codax. O gêneros cultivados nesta época foram: cantigas de amor, cantigas de amigo e cantigas de escárnio. Foram conservadas mais de 2 mil canções, reunidas em três cancioneiros: da Ajuda, Vaticana e Colocci-Brancuti, além de um quarto livro de cantigas dedicadas à Virgem Maria pelo rei Afonso X, o Sábio. Nos séculos XIII e XIV aparece a prosa literária portuguesa nos livros de linhagens, além de crônicas e vidas de santos traduzidas do latim, assim como adaptações dos romances artúricos.

Nos finais do século XV o espírito do renascimento caracteriza a melhor poesia do Cancioneiro geral (1516) recopilada por Garcia de Resende, que engloba a obra de 300 poetas, quatro deles famosos: o mesmo Resende, Gil Vicente, Bernardim Ribeiro e Francisco de Sá de Miranda.

Na prosperidade humanista da idade de ouro portuguesa (1415-1580), os primeiros autores a se destacar foram António Ferreira e Jorge Ferreira de Vasconcelos. A prosa narrativa continuou sendo cultivando e desenvolveram-se os romances de cavalaria e os romances em prosa e verso com Fernão Álvares do Oriente, ou os contos morais de Gonçalo Fernandes Trancoso. No século XVI foram escritos muitos tratados morais e religiosos, obras de Heitor Pinto, Samuel Usquee o historiador Diogo do Couto.

Entre os historiadores que registraram o esplendor e ocaso do império português encontram-se, além de Diogo do Couto, Eanes de Azurara, João de Barros, Damião de Góis e Gaspar Correia, enquanto que Álvaro Velho e Pero Vaz de Caminha escreveram livros de viagens.

O escritor mais importante da literatura portuguesa foi Luís de Camões, autor do poema nacional Os Lusíadas (1572), obra que obscureceu a de outros autores como Diogo Bernardes, seu irmão Agostinho da Cruz e Francisco Rodrigues Lobo. Entre os autores barrocos posteriores encontram-se Manuel de Faira e Sousa, Francisco Manuel de Melo, António das Changas e António Vieira.

No século XVIII o espírito da Ilustração (ver Século das Luzes) manifesta-se na obra de António José da Silva; Francisco Xavier de Oliveira, o primeiro ensaísta português, e Manuel Maria Barbosa du Bocage.

O nacionalismo português surgiu no primeiro quarto do século XIX através dos romancistas João Baptista Almeida Garrett, autor de dramas históricos, e Alexandre Herculano.

Os preceitos neoclássicos estão presentes nos autores que podem ser considerados modelos do estilo português puro: o poeta cego António Feliciano de Castilho e seu discípulo Camilo Castelo Branco. Em 1865, um grupo de destacados estudantes universitários deslocou-se para Castilho em nome das "novas idéias": Antero Tarquínio de Quental; Teófilo Braga; Joaquim Oliveira Martins; Guerra Junqueiro, o poeta social mais importante, e o melhor escritor de ficção realista, José Maria Eça de Queirós.

Durante o último quarto do século XIX destacam-se os poetas simbolistas Camilo Pessanha, Eugénio de Castro e António Nobren. Entre os tradicionalistas cabe citar António Correia de Oliveira e o poeta português mais importante desde Almeida Garrett, Fernando Pessoa, que introduziu o modernismo. Outros autores da época foram Aquilino Ribeiro, autor de romances realistas; o poeta panteísta Texeira de Pascoaes; o poeta e historiador Jaime Cortesão; o ensaísta António Sérgio, inimigo dos mitos nacionalistas, e o dramaturgo e poeta Júlio Dantas.

No século XX, após o colapso da República em 1926, a luta pela liberdade intensificou-se na geração do poeta Miguel Torga, a narradora Irena Lisboa, Ferreira de Castro e José Rodrigues Miguéis, autor de romances psicológicos. A exagerada introspeção de José Régio e José Gaspar Simões se opôs o realismo social de Vergílio Ferreira e José Cardoso Pires.

O neorrealismo impulsionou a literatura dos territórios portugueses na África com a narrativa social e regional de Baltasar Lopes, Manuel Lopes, Castro Soromenho e Francisco José Tenreiro, que foi o primeiro escritor português a defender o orgullo da negritude africana numa poesia lírica cada vez mais comprometida.

Dentro da experiência surrealista e concretista destaca-se o poeta Jorge da Sena. Em menor medida que na poesia, os novos pontos de vista revitalizaram a narrativa portuguesa. Entre as escritoras portuguesas modernas encontram-se Agustina Bessa-Luis, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, além da poetisa Sofia de Melo Breyner Andresen.

Ainda que a escassa audiência teatral tenha relegado o drama moderno português a círculos de entusiastas, destaca-se o dramaturgo Bernardo Santareno.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

POR QUE OS COMPUTADORES TRAVAM?

 

Há várias razões. Os computadores são máquinas complexas, que podem ser usadas para uma enorme variedade de coisas. Justamente por isso eles também podem falhar mais. "Filosoficamente falando, os computadores travam por causa da seguinte lei: se existe alguma coisa que pode dar errado, ela fatalmente dará errado alguma hora", diz o programador Mauricio Sadicoff, presidente de uma empresa de software e membro do conselho editorial da agência de tecnologia Magnet. Afinal, os computadores são humanos, no sentido de que quem os faz somos nós e, volta e meia, a gente pisa na bola... Na prática, essas máquinas enfrentam quatro tipos básicos de "paus", que você confere no quadro ao lado.

Falha humana

1. Os "paus" mais comuns são na programação do sistema operacional, o cérebro da máquina. O sistema muitas vezes ordena que o computador use um pedaço da memória que não poderia, pois já está ocupado. Resultado: a famigerada "falha geral de proteção" do Windows

2. Também existem falhas em um "programa específico". Os programadores, sem querer, fazem o programa estourar a capacidade de memória reservada para uma tarefa ou dão instruções descabidas aos chips do computador

3. Outro tipo de problema é de hardware, ou seja, nos componentes físicos do computador. Nem sempre panes desse tipo exigem que se leve o micro para o conserto. Muitas travadas ocorrem por leves falhas nos chips de memória, como o excesso de aquecimento do processador, por exemplo

4. Há ainda o chamado "loop infinito", quando o computador fica executando sempre as mesmas instruções. É um erro de programação equivalente a perguntar incessantemente para o computador: "Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?"

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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

É POSSÍVEL MORRER DE RIR?

Por incrível que pareça, existem relatos de pessoas que morreram dessa forma estranha. O clínico geral e homeopata Eduardo Lambert, autor do livro A Terapia do Riso - A Cura pela Alegria, conta uma dessas histórias, que teria acontecido com um de seus pacientes: "Ele tinha vários problemas de saúde e muita depressão, que começou a melhorar com tratamento homeopático. Um dia, num reencontro entre velhos amigos, teve um acesso de riso, caiu no chão de tanto rir e acabou morrendo". Porém, tudo indica que mortes desse tipo ocorrem não por causa do riso em si, mas por algum tipo de problema cardíaco prévio ou porque a pessoa se engasgou seriamente. Por isso, não dá para colocar uma bela risada no banco dos réus. Pelo contrário, o ato de rir costuma ser considerado um aliado da boa saúde.
"Ele estimula nosso cérebro a produzir mais endorfinas, substâncias químicas que dão a sensação de bem-estar mental e corporal, protegem o coração contra infartos, o cérebro contra derrames e ainda fortalecem a defesa imunológica do organismo", diz Eduardo. Para quem enfrenta problemas com a balança, é bom anotar: uma risada bem gostosa trabalha 28 músculos faciais e pode queimar cerca de 10 calorias. Outra curiosidade é que o riso em excesso também pode ser sintoma de algumas doenças, como certos tipos de epilepsia, que causam surtos de gargalhadas.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

QUAIS SÃO AS FRUTAS QUE MAIS TÊM VITAMINA C?

 

A fruta com o mais alto teor já descoberto dessa vitamina é o camu-camu, originário das regiões alagadiças da Amazônia chamadas de igapós. De cor vinho e do tamanho de uma jabuticaba, o camu-camu apresenta concentração média de 2 880 miligramas de vitamina C para cada 100 gramas de polpa. A acerola, por sua vez, possui uma média de 1 790 gramas de vitamina para cada 100 gramas de polpa, enquanto a laranja tem cerca de 40 g. Além dessas frutas, a vitamina C está presente também no caju, no morango, no limão, no espinafre, no tomate, no brócolis, no pimentão-verde e na batata, entre outras hortaliças.

As áreas de igapó onde se encontra o camu-camu ficam localizadas ao longo dos rios de águas escuras da Amazônia e permanecem alagadas em torno de seis meses por ano. A fruta recordista em vitamina C ainda não é aproveitada comercialmente e é difícil de ser encontrada fora da região de origem.

A vitamina C é muito importante para o organismo humano. Sua falta provoca o escorbuto, doença que leva ao enfraquecimento dos ossos e da gengiva, provocando até a queda dos dentes. Passar alguns meses sem essa vitamina pode levar à morte. Antigamente, o escorbuto era bastante comum em navios, durante viagens mais demoradas, até descobrirem que a inclusão de laranjas no cardápio evitava a doença.

Segundo o bioquímico Júlio Tirapeg, da Universidade de São Paulo, a vitamina C existente no camu-camu e na acerola, em forma de ácido ascórbico, não é totalmente absorvida pelo organismo. "Somos capazes de aproveitar apenas 70 miligramas por dia", diz ele. O restante é eliminado pela urina. Mas, enquanto ela permanece dentro do corpo, essa vitamina evita a formação de radicais livres - moléculas com átomos soltos de oxigênio, capazes de atacar células até destruí-las. Infecções por bactérias ou vírus levam ao aumento desses radicais no organismo. Dessa forma, a vitamina C aumenta a resistência às infecções. 

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domingo, 27 de janeiro de 2008

Escolas Filosóficas - Final: Dialética

Originalmente, é a arte do diálogo, da contraposição de idéias que leva a outras idéias. O conceito de dialética, porém, é utilizado
por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma, assume um significado distinto.

Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz de aproximação entre as idéias particulares e as idéias
universais ou puras. É a técnica de perguntar, responder e refutar que ele teria aprendido com Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). Platão
considera que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e
chegando ao mundo das idéias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também
deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade.
Aristóteles define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. "Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres", diz o filósofo.

O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica quando define a dialética como a "lógica da aparência". Para ele, a dialética é uma ilusão, pois baseia-se em princípios que, na verdade, são subjetivos.

Dialética e história

No início do século XIX Georg Wilhelm Hegel (1770-1831), desejando solucionar o problema das transformações às quais a realidade está submetida, apresenta a dialética como um movimento racional que permite transpor uma contradição. Uma tese inicial contradiz-se e é ultrapassada por sua antítese. Essa antítese, que conserva elementos da tese, é superada pela síntese, que combina elementos das duas primeiras, num progressivo enriquecimento. A dialética hegeliana não é um método, mas um movimento conjunto do pensamento e da realidade.

Segundo Hegel, a história da humanidade cumpre uma trajetória dialética marcada por três momentos: tese, antítese e síntese. O
primeiro vai das civilizações orientais antigas até o surgimento da filosofia na Grécia. Hegel o classifica como objetivo, porque
considera que o espírito está imerso na natureza. O segundo é influenciado pelos gregos, mas começa efetivamente com o
cristianismo e termina com Descartes. É um momento subjetivo, no qual o espírito toma consciência de sua existência e surge o
desejo de liberdade. O terceiro, ou a síntese absoluta, acontece a partir da Revolução Francesa, quando o espírito consciente
controla a natureza e o desejo de liberdade concretiza-se na concepção do Estado moderno.

Dialética marxista

Karl Marx e Friedrich Engels (1820-1895) reformam o conceito hegeliano de dialética: utilizam a mesma forma, mas introduzem um novo conteúdo. Chamam essa nova dialética de materialista, porque o movimento histórico, para eles, é derivado das condições materiais da vida.

A dialética materialista analisa a história do ponto de vista dos processos econômicos e sociais e a divide em quatro momentos:
Antiguidade, feudalismo, capitalismo e socialismo. Cada um dos três primeiros é superado por uma contradição interna, chamada
"germe da destruição". A contradição da Antiguidade é a escravidão; do feudalismo, os servos; e do capitalismo, o proletariado. O socialismo seria a síntese final, em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético.

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sábado, 26 de janeiro de 2008

Escolas Filosóficas - Parte 1: Ceticismo

Escola filosófica fundada pelo grego Pirro (360 a.C.-272 a.C.) que questiona as bases do conhecimento metafísico, científico, moral
e, especialmente, religioso. Nega a possibilidade de se conhecer com certeza qualquer verdade e recusa toda afirmação dogmática  aquela que é aceita como verdadeira, sem provas. O termo deriva do verbo grego sképtomai, que significa olhar, observar, investigar.

Para os céticos, uma afirmação para ser provada exige outra, que requer outra, até o infinito. O conhecimento, para eles, é relativo:
depende da natureza do sujeito e das condições do objeto por ele estudado. Costumes, leis e opiniões variam segundo a sociedade
e o período histórico, tornando impossível chegar a conceitos de real e irreal, de correto e incorreto.

Condições como juventude ou velhice, saúde ou doença, lucidez ou embriaguez influenciam o julgamento e, conseqüentemente, o conhecimento.

Por isso, os seguidores de Pirro defendem a suspensão do juízo, o total despojamento e uma postura neutra diante da realidade. Se
é impossível conhecer a verdade, tudo se torna indiferente e equilibrado. Para eles, o ideal do sábio é a indiferença.

Ainda na Antiguidade, o grego Sexto Empírico (século III) e os empiristas vêem o ceticismo como um modo de obter o conhecimento pela experiência. Não excluem a ciência, mas procuram fundamentá-la sobre representações e fenômenos encontrados de modo indiscutível e inevitável na experiência.
Esse ceticismo positivo tem papel fundamental no pensamento do escocês David Hume (1711-1776), um dos maiores expoentes da
filosofia moderna. Para os empiristas modernos, na impossibilidade de conhecer as coisas em si, o homem se utiliza da crença e do hábito para poder agir.

A filosofia contemporânea, inspirada no ceticismo, discute questões da relatividade do conhecimento e dos limites da razão humana.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Entrevista: Manoel de Barros

BRAVO!: A natureza, em sua poesia, é só pretexto para o sr. estabelecer relações de pensamento, ilações filosóficas. O sr. é um falso poeta da natureza?

Manoel de Barros: Minha obra tem um lastro da terra, mas não gosto de ser chamado de poeta ecológico - não dou muita importância a isso. Poeta é o sujeito que mexe com palavras. Tenho minha linguagem própria, que descobri, que não tem nada de ecológico. Fui criado no Pantanal, onde vivi até os 8 anos. Se as palavras que me chegam mais comumente são do brejo, é devido ao meu lastro existencial, que reflete um pouco a terra. Nossa vivência, principalmente nossa infância, é o que a gente carrega para o resto da vida. Tenho um lastro de coisas ínfimas, mas sou principalmente criado pelas palavras. Elas inventam a gente mais do que a gente a elas. Elas me ocorrem. Costumo dizer que só tenho 81 anos e muita infância para trás. O livro está dentro da gente. Tenho a convicção de que a poesia começa no desconhecer, no subconsciente, e não a partir da sabedoria.

 

O sr., com uma apreensão cínica da natureza, e Adélia Prado, com uma apreensão cínica do catolicismo, se igualam no alheamento em relação aos temas ditos modernos. O sr. vê essa proximidade entre ambos?

Sim. O que faço é metalinguagem. Tenho a pretensão de que meu personagem principal seja a palavra. O poeta precisa descobrir a linguagem para não imitar os outros. Em poesia, a razão não está com nada, a insensatez funciona melhor. Por trás da criação, não está a teoria, mas minha vivência.

 

Em entrevista à revista República, o crítico Wilson Martins cita a sua poesia como exemplo de superfaturamento crítico. Ele afirma que o sr. não faz poesia, mas expõe tiradas filosóficas. Ao escrever, o sr. projeta sua intenção apenas no que diz ou também na forma como diz?

Expresso-me especialmente pela forma de dizer. Assunto é coisa banal. Roland Barthes dizia que o que se sabe hoje do homem, Cristo já sabia e dizia melhor do que nós: suas palavras carregavam a eternidade. Não tenho nenhuma intenção de ser um filósofo. Tenho muito gosto é pela maneira de dizer. Meu gozar é no fazer verso. Sou um homem de idade, tenho uma sabedoria que a idade me deu. Posso julgar de uma maneira pessoal, e não pela leitura. O homem vai ficando velho e sábio. Adivinhar vem do verbo latino divinare, que guarda semelhança com o divino.

 

O sr. sempre diz que seu primeiro livro é o melhor. Por que continuar então?

A evolução de meu trabalho em relação ao primeiro livro é lingüística. Também me tornei mais fragmentado, o que é conseqüência do mundo moderno, sem ideologias. Com o tempo, a gente perde a unidade divina.

 

O sr. disse que sua poesia é 10% mentira e 90% invenção. Além de ser uma frase de efeito de um poeta, o que isso quer dizer realmente?

Quando você chegou a minha casa, eu poderia ter dito que estava retornando de um bar. Seria mentira. Já a invenção tem a ver com nosso interior, com nossas frustrações. A imaginação busca essas coisas para poder reluzir. Não sou um sujeito doente, um esquizofrênico, porque ponho meus conflitos para fora por meio da escrita. Minha poesia não é cerebral. Não sou um concretista. O concretismo já está no fim. Nem é má vontade minha. Eles são chatos mesmo. Acuso-me por não poder gostar daquele troço.

 

O poeta latino Horácio dizia que é preciso limar o poema até que ele chegue ao ponto, mas advertia de que não se deve lapidar demais para que não fique falso. O sr. segue essas recomendações?

Eu mudo bastante, lapido os poemas. Não acredito em inspiração. Primeiro, anoto tudo em meu pequeno caderninho, juntando minhas experiências existenciais e lingüísticas. Quando termina essa fase, que dura dois, três, quatro anos, vou aos cadernos para catar os poemas e dar-lhes a forma definitiva. Escrevo a mão e a lápis. Jamais rabisco; uso borracha e desmancho. Escrevo as coisas, junto durante algum tempo e depois cato os trechos e monto o poema. Para o novo livro, por exemplo, criei o poema Jogo de Amar em 12 partes. O trabalho do poeta é esse.

 

O sr. é lido como um Guimarães Rosa da poesia. Ocorre que sua poesia parece intencionalmente mais culta do que a apreensão que Rosa fazia do homem sertanejo. Embora houvesse na obra dele muita elaboração, havia uma tentativa de esconder essa apreensão...

Tenho muita parecença com o Rosa. Nós temos uma relação saudável com a linguagem erudita. Porém ele mostra mais o caipirismo, e eu mostro mais o meu lado de leitor. Mas ele era muito mais culto do que eu. Tive uma convivência pequena com ele. Ele também tinha um caderninho onde anotava as coisas que via, era muito descritivo.

 

Com a poesia de quem dialogam os poemas de Manoel de Barros?

Sou leitor de Guimarães Rosa. Gosto de João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa e Camões. Leio muito o Padre Vieira. Foi ele que me desvirginou para a linguagem, foi meu iniciador. Dos estrangeiros, Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Pascal, Montesquieu, Rabelais e Proust estão entre os autores de que mais gosto. Sou muito apegado à literatura de língua francesa. Morei um ano nos Estados Unidos, onde tomei gosto pela literatura de língua inglesa, especialmente T. S. Eliot, Ezra Pound e Stephen Spender.

 

O sr. é parte de uma tradição literária brasileira?

Não, eu criei um estilo próprio. Já me chamaram de poeta da geração de 45, mas não aceito isso. Eles queriam tornar a linguagem uma coisa imaculada. Sou um estuprador da gramática.

 

O que faz um homem culto viver recluso em Campo Grande? É timidez? O sr. teme se expor?

Eu não me sinto isolado. Tenho apartamento no Rio, leio jornal, assisto aos noticiários e debates da TV, leio os jornais do Rio e São Paulo, estou antenado. Assisto até a novelas. Em Campo Grande, a gente tem de tudo. Só não tem livro que preste, mas pode-se encomendá-lo rapidamente. Uma vez abri uma livraria junto com minha filha e minha mulher. Os amigos aconselharam-me a vender best sellers, mas encomendei apenas Machado, Joyce, Vieira, Euclydes da Cunha, coisas que enriquecem a sensibilidade. A obra completa de Proust, por exemplo, passou-se um ano sem ninguém comprar. Encomendei a obra de Joyce, ninguém comprou. Vendia dicionários, algum José de Alencar, Machado, mas era só. Desisti.

 

O sr. se vê longe dos acontecimentos culturais?

Considero um privilégio ter em Campo Grande uma disponibilidade para a leitura que o ritmo de outras cidades talvez não oferecesse. Mas não tenho buscado nada novo, estou sempre relendo minhas principais influências. Aqui não tem teatro, o que faz bastante falta. Já os cinemas geralmente exibem somente filmes de bangue-bangue. Vi todos os filmes iranianos. Também gosto muito do cinema italiano, Fellini, Antonioni, Vittorio de Sica (especialmente Ladrões de Bicicleta), e também do francês. Gostei muito daquela produção da Croácia, Antes da Chuva. Charles Chaplin para mim é o gênio do século. Jim Jarmush é outro grande diretor, mas parece que Hollywood prefere deixar os independentes de lado.

 

Apesar de se manter distante de polêmicas, sua poesia é saliente ao exibir uma maneira de ver o mundo. O sr. se sente um provocador?

Não, de modo algum. Sou um inocente nesse negócio. Não tenho a intenção de ofender nem provocar. Minha poesia é muito intuitiva. Quisera que fosse mais primitiva! Eu li livros de mitologia indígena e vivi muitos anos com índios chiquititos, da Bolívia. Gostava de tomar chicha - uma aguardente de milho - e pescar. Eu tinha fascinação pelas línguas primitivas indígenas. Eles, primeiro que a gente, fizeram árvore virar tatu, criança nascer de árvore. O poeta é um inocente que é ligado a essas coisas primitivas, apesar dos estudamentos.

 

O poeta Mário Faustino chegou a criticar Carlos Drummond de Andrade por este não participar dos debates estéticos de sua época. O sr. também evita discussões. Esses debates são inúteis?

Para a poesia, sim. Um professor de poesia não está com nada, pois ela não pode ser ensinada. Quando combino o sentido com o ritmo das palavras para produzir uma ressonância verbal, essa habilidade é produto de um dom, é uma coisa que se recebe. O estudo pode aprimorar.

 

Seus poemas parecem recorrer sempre a uma certa obsolescência do mundo que o cerca. São metáforas das inutilidades humanas?

Faço poesia sem importância. Tenho esse jeito de cabeça baixa. Acho que nasci com o olhar para baixo. Tenho uma revolta contra a injustiça social. São os pobres seres que me fascinam. Sou uma pessoa que se liga muito ao pobre ser humano - inclusive metaforicamente - como a pobreza de um milionário com dor de corno. Fascina-me explorar coisas e seres desimportantes.

 

O sr. acredita num mundo transcendente?
Sou absolutamente crente em Deus. Acredito no transcendente. Acho que nós temos de ser religados à natureza. Religião vem do verbo latino religare. Sou católico a meu modo.

Obra completa

Poemas Concebidos sem Pecado - 1937

Face Imóvel - 1942

Poesias - 1956

Compêndio para Uso dos Pássaros - 1960

Gramática Expositiva do Chão - 1966

Matéria de Poesia - 1970

Arranjos para Assobio - 1980

Livro de Pré-Coisas - 1985

O Guardador de Águas - 1989

Gramática Expositiva do Chão (Poesia Quase Toda) - 1990

Concerto a Céu Aberto para Solos de Ave - 1991

O Livro das Ignorãças - 1993

Livro sobre Nada - 1996

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Dica: Box DVD "A Corrida Maluca"


Dick Vigarista, Muttley, Penélope Charmosa e todos os rivais malucos aceleram suas máquinas em DVD! Liguem seus motores! O eterno vilão Dick Vigarista, seu fiel cupincha Muttley e seu carro, a Máquina do Mal, vão atropelar vocês e todos os outros competidores, velozes e furiosos, para chegar ao final de mais uma Corrida Maluca.


Esteja bem equipado para encarar esta dupla de desleais encrenqueiros, assim como seus rivais: Peter Perfeito em seu Turbo Especial, Luke e o urso Chorão e sua Carroça do Pai Tomás, a Quadrilha de Morte e o seu Chugga-boom e a glamourosa Penélope Charmosa em seu carro cor-de-rosa. Apertem seus cintos para percorrer os 34 episódios originais acompanhados e extras hilários, que manterão você grudado na tela até a linha de chegada!

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cidades históricas de Minas Gerais

 

Cidades históricas de Minas Gerais, durante os séculos XVII e XVIII surgiram, em Minas Gerais, vilas voltadas para a mineração. Ouro Preto, Sabará, Diamantina, Mariana, São João del Rei e Tiradentes, que formavam a rota do ouro, são conhecidas, hoje, como cidades históricas.

No final do século XVII, a descoberta de ouro atraiu gente de todos os lugares da colônia e do exterior, especialmente, de Portugal. Bandeirantes (ver Entradas e bandeiras) paulistas atravessaram a Serra do Mar e se embrenharam pelas selvas, desbravando florestas, aprisionando índios e procurando riquezas. Esta movimentação de pessoas e dinheiro — além do aumento de tropas portuguesas para impedir o contrabando da riqueza recém descoberta —, plantou povoações ao longo do caminho. Mais tarde, estas vilas se transformaram em cidades ricas e capazes de desenvolver sua própria cultura artística. Redesenhando o estilo barroco da metrópole, as cidades históricas revelaram talentos artísticos como Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o pintor Manuel da Costa Ataíde e o músico Joaquim Americo Lobo de Mesquita.

Ouro Preto, antigo arraial de Vila Rica, foi a primeira capital da província de Minas Gerais. Hoje, é tombada pela Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (UNESCO) como Patrimônio da Humanidade pela riqueza de seu casario colonial.

A cidade de Mariana — fundada, em 1696, por bandeirantes paulistas — recebeu este nome em homenagem à rainha de Portugal. Mariana guarda um dos mais ricos acervos da arte sacra da região, além de se destacar pelas igrejas, centros de mineração e universidade. Alguns de seus prédios coloniais são famosos, entre eles a antiga Casa de Câmara e Cadeia (ver Cadeia pública de Mariana).

Tiradentes era conhecida como região aurífera desde o século XVI. Os índios utilizavam o metal para fazer anzóis. Foi explorada desde o início do período colonial, quando ainda era conhecida pelo nome de Arraial da Ponta do Morro ou Arraial Velho do Rio das Mortes. Em 1889, recebeu o nome de Tiradentes em homenagem ao herói da Inconfidência Mineira. O conjunto arquitetônico da cidade é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Congonhas, centro histórico da região mineira, recebeu este nome devido a uma planta muito popular que servia para fazer chá. No início do século XVIII, o ouro atraiu aventureiros de toda parte para as margens do rio Maranhão, onde se formou um arraial. Com o declínio do ouro, descobriu-se o ferro. No início século XIX, o Barão de Eschewege e Francisco Adolfo Varnhagen instalaram o primeiro centro siderúrgico  do Brasil, a fábrica Patriota. Atualmente, o ferro é a principal riqueza da cidade. Neste município encontram-se igrejas barrocas com obras de Aleijadinho, entre elas, a Igreja de Bom Jesus do Matosinhos e a Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

São João del Rei, entre Tiradentes e Ouro Preto, tem um importante casario colonial e igrejas com grande acervo da arte sacra barroca. A cidade, banhada pelo rio Lenheiro, é dividida por duas pontes em pedra do século XVIII. Entre os prédios coloniais destacam-se a cadeia, a igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, a Catedral de Nossa Senhora do Pilar e a casa de Bárbara Heliodora, heroína da Inconfidência Mineira e esposa do poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto. Atualmente sua casa tornou-se o museu da cidade.

 

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Charge do Dia


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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O sexo e a revolução

Maio de 1968, que completa 40 anos, não conseguiu derrubar o capitalismo nem instituir o amor livre, mas foi decisivo para definir rumos da sociedade de consumo e da sexualidade atual
Em 2008 acontecerá o 40º aniversário de um momento crucial do século 20. Muitos estopins pegaram fogo ao mesmo tempo, e uma geração se rebelou contra a sociedade burguesa. "Desejar a realidade é bom; realizar os desejos é melhor." A revolução de 1968 recendia a orgia. Assim, não se pode considerar estranho que seus detratores a vissem como um ataque de raiva de jovens mimados. E obscenos. O clima dionisíaco de 1968 foi o núcleo da revolta.
Todas as críticas feitas aos fogos de artifício políticos daquele ano deixam de levar em conta sua fogueira fundamental, acesa pelo sexo e graças ao movimento de liberação da mulher. O capitalismo, porém, se manteve em pé.
Trocou sua pele antiga por um cetim das cores do arco-íris, e ganhou a capacidade de desenvolver-se como grande festa pública de consumo agregada à do orgasmo e do antiautoritarismo. O capitalismo de produção e repressor rumou em direção ao cromatismo musical do capitalismo de consumo.
O crescente valor do jovem significou uma inversão na hierarquia de valores. O protótipo burguês baseava sua moral em virtudes capitais: o poupar, a utilidade e a finalidade. Maio de 68 refutava cada um desses princípios. Diante do poupar e da contenção sexual, propugnava o gasto orgástico; diante da renúncia, o prazer já. A revolução "agora!" foi o grito fundamental que hoje se refere a qualquer coisa, desde o eletrodoméstico até a casa, da viagem ao fast food. A economia revelou-se equivalente à repressão, e a utilidade ou finalidade se manifestaram como a marca desencantada do projeto e da ação.
Diante do poupar repressivo, o gasto; da utilidade calculada, o imediatismo e, da finalidade, a aventura. Esses elementos fazem o triângulo da cultura de consumo. Se os protagonistas de 68 conclamavam à criatividade, ao prazer, à liberação generalizada, também apelavam contra a sociedade de consumo, que, paradoxalmente, tornou-se a mais criativa e a que mais correspondeu a seus anseios de pecado sem penitência.
O paradoxo era este: seus líderes repudiavam o consumismo sendo grandes consumistas por excelência: do tempo, do sexo, dos direitos, dos meios de comunicação. De fato, tanto Maio de 68 quanto o sistema geral de consumo são inconcebíveis sem a gigantesca explosão da "mass media". Veio daí o fato de a revolta ser, por um lado, muito ampla, como uma endemia, e, por outro, muito efêmera. Nascida e desenvolvida como um acontecimento sensacionalista num jornal da imprensa marrom, por mais vermelha pudesse parecer.
Hoje não vale a pena qualificar aquela subversão como êxito ou fracasso -suas reivindicações se inscreveram na alma social como um bordado do mesmo fio. E o fizeram com tanta naturalidade quanto um ritmo que se encaixa perfeitamente com a melodia tocada em todo o mundo desde então: a melodia do novo capitalismo de consumo. A moda ingressou no sistema como aspecto do ritmo dominante.
Antes, ela era quase exclusivamente de mulheres. Depois, se fez espetáculo total. Contudo, o feminino foi importante, permeando o juvenil e o subversivo como um aspecto essencial do momento.
Sem a mulher não teria sido possível a festa, e foi graças a seu vigoroso movimento de liberação que se emanciparam dois ou três sexos ao mesmo tempo. O dela, que funcionava como grande polícia dos bons costumes, o masculino, que ganhou a inesperada liberdade de intercambiar seus desejos com os de seus pares.
Muitas ou todas as comunas fracassaram, e quase todas as tentativas de "ménages à trois" provocaram neuroses; mas tanto Truffaut quanto nós não desperdiçamos a oportunidade de experimentar. As contradições do Maio de 68 são tantas que tornam sua lembrança mais brilhante. De cada contradição brotou uma faísca, e, de todas, uma luz que, se fracassou em seus objetivos políticos, triunfou na liberação de suas intuições e emoções substanciais. Foi, sem dúvida, uma grande vitória da feminilidade.

A íntegra deste texto foi publicada no "El País".

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domingo, 20 de janeiro de 2008

Zen

 

Escola budista que se desenvolveu na China e mais tarde no Japão como resultado de uma fusão entre a forma mahayana do budismo original da Índia e a filosofia chinesa do taoísmo. Foi introduzido na China no ano 520 pelo monge Bodhidharma. Os dois ramos principais do zen, o rinzai zen e o soto zen, que se instalaram no Japão, foram levados à ilha por japoneses que haviam estudado na China. Zen e Chan são as formas japonesa e chinesa de pronunciar o termo sânscrito dhyana, que designa um estado mental equivalente à meditação; é o estado de consciência de Buda, aquele que está livre da crença de que a individualidade diferenciada de uma pessoa e das outras coisas é real.

O Zen é a maneira chinesa de conseguir a meta budista de ver o mundo tal como é, com uma mente que não tem sentimentos de apego. Tal liberdade mental deve ser conseguida mediante uma idéia direta e imediata. Por isso, abandona tanto as teorias como os sistemas de prática espiritual e comunica sua visão da verdade por um método conhecido como indicação direta. Estuda-se em comunidades semi-monásticas, que são escolas de treinamento que combinam a meditação com o trabalho manual. Os estudantes prestam especial atenção às artes e aos ofícios. No Japão, também se pratica o arco, a esgrima e o jiu-jitsu.

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sábado, 19 de janeiro de 2008

Papael de Parede p/ seu computador


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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Série: Cilada

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Há 05 Anos Passados

Richard Crenna - 76 anos Ator norte-americano, conhecido por sua participação nos filmes Rambo, Programado para Matar, Rambo IIA Missão e Rambo III. Também trabalhou nos filmes Um Clarão nas Trevas, Corpos Ardentes, entre outros. Faleceu dia 17 de Janeiro de 2003 de problemas cardíacos, em Los Angeles (Estados Unidos).

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Saúde mental

INTRODUÇÃO

Saúde mental, estado que se caracteriza pelo bem estar psíquico e pela auto-aceitação. Vista sob uma perspectiva clínica, é a ausência de distúrbios mentais.

Estima-se que uma alta porcentagem da população sofra de depressões leves ou moderadas, ansiedade ou outro tipo de distúrbio emocional. A esta porcentagem deve-se acrescentar o abuso do álcool, a dependência de drogas, a pobreza, o desemprego e a discriminação aos deficientes físicos e mentais. Esses fatores também causam danos à saúde mental.

TRATAMENTO

O tratamento das doenças mentais vem se modificando nas últimas décadas. Os novos métodos e medicamentos permitiram que os pacientes, tradicionalmente internos num manicômio, sejam, hoje, tratados em clínicas sem a necessidade de serem internados. Tudo indica que a perturbação do comportamento dos pacientes deve-se mais à sua reclusão num manicômio do que à própria doença.

 

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

1ª Reflexão do Ano!

0006

Aprender virtudes é desaprender vícios.
Sêneca

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Problemas de Psicologia Genética

 

Jean Piaget

(...)

"Mas é no terreno genético que procuramos evidenciar o papel das pré-inferências perceptivas. Apresentamos, por exemplo, a uma criança, durante um espaço de tempo curto, duas fileiras paralelas de quatro fichas, uma fileira estando mais espaçada que a outra: a criança terá então a impressão que a fileira maior é mais numerosa. Em seguida lhe mostramos as duas mesmas fileiras, mas tais que os elementos de uma estejam ligados aos da outra por traços introduzindo assim uma ligação material de caráter seja biunívoco (I), ou não o seja (II): nesse último caso, o primeiro elemento da primeira fileira é ligado por dois traços a dois elementos distintos da segunda fileira, o segundo e o terceiro elementos da primeira fileira estão ligados por um único traço aos elementos 3 e 4 da segunda e o elemento 4 da primeira permanece sem ligação. As crianças menores não possuindo o esquema da correspondência biunívoca, percebem uma desigualdade de fichas na figura provida de traços (I) como na figura sem traços. Num segundo nível de desenvolvimento, a criança percebe, pelo contrário, a igualdade em I (mas não a percebe sem os traços); ela a percebe também em II, se contentando então com uma ligação global e não mais biunívoca. Num terceiro nível, ela percebe a igualdade em I, mas não em II. Num quarto nível, ela a percebe novamente em II, dissociando então a percepção das fichas da percepção dos traços. Tal experiência mostra pois que os mesmos dados materiais são percebidos diferentemente segundo os esquemas que o indivíduo dispõe. A aplicacão desses esquemas ao dado atual supõe então a intervenção de elementos não atuais na percepção e por conseguinte em inferências (digamos mais certamente em pré-inferências inconscientes) a partir desses elementos, pré-inferências necessárias para conferir alguma significação aos dados atuais." (...)

PIAGET, Jean. Problemas de Psicologia Genética. São Paulo, Abril Cultural, 1978, pág. 257

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domingo, 13 de janeiro de 2008

BACH: ALEGRIA DOS HOMENS - FINAL

Bach também faz isso de forma graciosa na cantata de aniversário para seu patrão Wilhelm Ernst, de Leipzig. Nela ele sugere a ondulação das vagas no mar jogando com as aliterações dos versos "Schleicht spielende Welle/und murmelt gelinde!/nein! rauschet geschwinde!" (Deslizai, ondas brincalhonas, e murmurai docemente! não! bramai com toda a força!). Esse lado bem-humorado desmente uma imagem sisuda que uma certa tradição quis passar dele, de um homem fechado dentro de uma hermética espiritualidade, ou cuja música fosse apenas um jogo de armar racional e sem emoção.

Mas o descritivismo musical nas mãos de Bach assume formas muito mais abstratas, quando ele o expressa, por exemplo, através do simbolismo numérico - pelo qual tinha uma atração quase supersticiosa. O "Crucifixus" da Missa em si menor constrói-se sobre uma série de treze variações, pois o 13 - número dos convivas que se sentaram à mesa na última Ceia - está tradicionalmente associado à idéia do infortúnio. Essa fixação fazia com que, muito freqüentemente, Bach usasse ritmos baseados na decomposição do número 14, pois este correspondia a seu próprio nome: como B é a segunda letra do alfabeto, A a primeira, C a terceira e H a oitava, Bach = 2 + 1 + 3 + 8 = 14.
Da mesma forma, valendo-se do sistema alemão de usar letras para nomear as notas da escala, ele converte seu nome em tema melódico: BACH = si bemol-lá-dó-si natural (e, nos séculos futuros, esse será um tema constantemente retomado por outros compositores, em homenagem a ele). Ou então ele usa o número 43 porque J é a décima letra do alfabeto, S, a décima nona e, assim, J.S. BACH = 10 + 19 + 14 = 43. A obsessão pela numerologia fez com que ele atrasasse a sua inscrição na Sociedade para a Promoção da Ciência Musical, fundada em 1738, só entrando para ela em junho de 1747, quando pôde fazê-lo como seu 14º membro.

Mas esse músico intelectualizado, perfeitamente em dia com o que se fazia de mais moderno na música de toda a Europa, nunca foi um homem trancado numa torre de marfim. Ao contrário: juntamente com suas duas mulheres  Maria Bárbara e Anna Magdalena, com quem se casou em segundas núpcias em dezembro de 1721 - , sempre cuidou dos menores detalhes das despesas domésticas. E sabia muito bem brigar com seus empregadores por melhores salários e condições de trabalho. Compleição maciça, nariz grande e o queixo um tanto proeminente que a iconografia mostra, Bach estava longe de ser um eremita: basta lembrar os 21 filhos  sete da primeira mulher e catorze da segunda  que gerou em seus casamentos.

Marido fiel e devotado, ficou completamente desarvorado quando Maria Bárbara morreu de repente, em julho de 1720. E, embora fosse costume da época - e em especial da família Bach - um viúvo voltar a casar-se imediatamente, ele hesitou um ano antes de escolher Anna Magdalena. Bach gostava de comer bem, especialmente arenque ao molho de vinho bem apimentado, com cerveja ou vinho branco, seguido de muitas xícaras de café e uma longa cachimbada. Era econômico, de hábitos moderados, mas fazia questão de ter a casa sempre cheia de flores, de preferência cravos, que eram suas favoritas. E não sabia resistir à tentação de gastar suas economias na compra de instrumentos novos - cravos, espinetas, clavicórdios, violinos - que colecionou em grande quantidade a vida inteira.

Era professor extremamente paciente quando os alunos tinham talento, mas irascível com os medíocres. Contam que uma vez quando diretor da escola de música da igreja de Santo Tomás, em Leipzig, ele arrancou a peruca e atirou-a em um discípulo, gritando: "Por que é que você não vai ser sapateiro?" Gostava muito de transmitir seus conhecimentos aos outros, haja vista os muitos manuais didáticos que escreveu: o Pequeno livro de cravo, para ensinar a seu filho Wilhelm Friedemann; o Livro de Anna Magdalena, que deu de presente à segunda mulher; ou o maior de todos, os dois volumes do Cravo bem temperado, com 48 prelúdios e fugas em todas as tonalidades maiores e menores, que consolidaram o sistema tonal usado até hoje.

É impressionante a liberdade que o Bach professor deu a cada um dos filhos de desenvolver a sua própria personalidade musical. Dos 21 filhos, apenas nove sobreviveram; e, dos cinco homens, Gottfried Heinrich, do segundo casamento, era débil mental, o que foi fonte de grande sofrimento para ele e a mulher. Mas os outros quatro cresceram e se tornaram compositores com idioma próprio, em nada dependentes do estilo do pai. Wilhelm Friedemann (1710-1784), de personalidade instável e dominado pelo alcoolismo, morreu na miséria. Foi o mais visionário deles, antecipando o desenvolvimento da sonata.

Carl Philip Emanuel (1714-1788), o "Bach de Berlim", foi o pioneiro do concerto para piano. Johann Christoph Friederich ( 1732-1795) foi autor de oratórios e um dos precursores da sinfonia. E Johann Christian (1735-1782), o "Bach de Londres", foi o único da família a tornar-se um prestigioso autor de óperas. Essa independência que soube dar aos filhos é fruto típico do individualismo de Johann Sebastian, o que o destacava dos músicos de seu tempo. Naquela época, um emprego de músico de igreja ou da Corte era para toda a vida. Mas ele não hesitava em trocar de posto, toda vez que sentia ter esgotado as possibilidades que lhe ofereciam. Esse individualismo fez com que fosse admirado por Frederico, o Grande, rei da Prússia, a quem visitou em Potsdam, em 1747.
Contam que quando Bach acabou de improvisar, ao cravo, sobre um tema que lhe fora sugerido pelo soberano - que, além de razoável compositor, transformou a Prússia na principal potência militar européia e Berlim num dos grandes centros culturais da época - , este comentou: "Pena que variações tão lindas sejam apenas um improviso e se percam para sempre". Bach, cuja memória era prodigiosa, teria se sentado de novo ao cravo e repetido integralmente o que tocara antes. Foi ainda o individualismo que fez com que, no fim da vida, ao perceber que se acentuava a distância entre seu estilo e o gosto das novas gerações, preferisse renunciar à tentativa de ser aceito pelo público.

Continuou a dedicar-se a obras pessoais, como a grandiosa Missa em si menor ou ao seu testamento inacabado: a Arte da Fuga, obra única na história da música não concebida para algum instrumento em especial. Bach sempre fora robusto e gozara de boa saúde. Mas a vista era seu ponto fraco: míope desde criança, o esforço de escrever à luz de vela, ou de gravar ele mesmo as chapas de cobre para impressão de suas partituras, levou-o gradualmente à cegueira. Em março ou abril de 1750, submeteu-se a duas operações como o cirurgião John Taylor, que visitava Leipzig. Mas ambas fracassaram. Em 18 de junho de 1750, subitamente, ele recuperou a visão; mas, algumas horas depois, sofreu um ataque de apoplexia (lesão vascular cerebral) seguido de febre altíssima. Morreu dez dias depois.

Coincidentemente, a morte de Bach assinala o final de uma época, em que o Barroco que ele representava estava sendo substituído pelo Classicismo, pontuado por grandes mudanças tanto estéticas quanto ideológicas. Abria-se caminho, a partir das idéias dos filósofos iluministas, publicadas na Enciclopédia desde 1751, para a ascensão dos ideais revolucionários de oposição aos regimes absolutistas, que culminaram na Revolução Francesa. Durante muito tempo, as partituras desse extraordinário músico - das quais muitas se perderam - ficaram restritas a fechados círculos de especialistas. Só a partir de 1829, quando se fez a execução pública da Paixão segundo São Mateus, regida por Felix Mendelssohn, é que a obra de Bach passou a ser conhecida por um público mais amplo.

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sábado, 12 de janeiro de 2008

BACH: ALEGRIA DOS HOMENS - 1ª PARTE

 Bach

Ele não inventou novas formas musicais. Mas sua síntese magistral de todas elas alcançou uma perfeição até hoje incomparável.

Ser um Bach significava ter a música no sangue. Dos 33 membros da família de que se tem notícia desde o século XVI, antes do nascimento do grande Bach, 27 tinham sido músicos. E quatro dos filhos de Bach foram compositores tão importantes que, por si sós, já teriam bastado para garantir a imortalidade desse nome. Ser um Bach significava também ter aquela fervorosa religiosidade herdada da tradição luterana, que associou o nome de muitos deles ao serviço da Igreja. E aquela exigente concepção de disciplina profissional, que fazia deles requisitados músicos da Corte ou das escolas de música da municipalidade. Era esse o caso de Johann Ambrosius, compositor oficial de Eisenach, na Turíngia - hoje, centro da Alemanha Ocidental -, onde a 21 de março de 1685 nasceu o seu terceiro filho, batizado com o nome de Johann Sebastian.

Ao contrário de Mozart, que, aos 30 anos, já era dono de um conjunto de obra impressionante, Bach não foi um menino prodígio. Suas composições realmente geniais só começariam a despontar sistematicamente lá pelos 35 anos. Como instrumentista, isto sim, desde muito cedo ele foi excepcional. Já em seus primeiros empregos - em Arnstadt e Mühlhausen (entre 1703 e 1708) e depois na devota corte luterana de Weimar (de 1708 a 1717) - ele se impôs como um dos maiores organistas de seu tempo. E depois, no período que passou na corte de Köthen (1717-1723), cujos hábitos religiosos mais moderados permitiram-lhe dedicar-se mais intensamente à música instrumental profana, ele se revelou também um extraordinário cravista.

Ao órgão, além de uma incrível agilidade nos pedais, suas mãos enormes cobriam doze teclas, com que pôde desenvolver uma revolucionária técnica de dedilhado. Bach foi o primeiro a usar o polegar, e não apenas os quatro dedos, como os organistas anteriores a ele. E conseguia tocar a melodia básica com o polegar e o mínimo, enquanto improvisava ornamentos com os três dedos do meio. Era ainda capaz de cruzar o terceiro dedo sobre o quarto e o segundo sobre o terceiro - procedimento que seu próprio filho Carl Philip Emanuel, ao elaborar a moderna técnica do dedilhado ao teclado, eliminaria por considerá-lo muito difícil.Seu virtuosismo era fruto da observação dos grandes mestres da época. Entre eles, Dietrich Buxtehude, a cujos concertos na igreja de Santa Maria ele assistiu durante os quatro meses que passou em Lübeck, em 1706. Sua dedicação e talento fizeram com que Buxtehude o convidasse para ser seu substituto, quando estava para aposentar-se. Mas Bach recusou, pois para isso teria de aceitar também casar-se com Anna Margarete, a filha solteirona, de 30 anos, do velho organista. E não só porque, a essa altura, ele já estava apaixonado por sua prima Maria Bárbara - com quem viria a casar-se em 1707 - mas também porque Fräulein Buxtehude era totalmente desprovida de encantos. Tanto assim que Haendel, Telemann e Matheson, músicos também, declinaram da oferta pelo mesmo motivo.
De todos os gêneros musicais existem em seu tempo, a ópera foi o único que Bach não praticou, embora não lhe faltasse senso dramático. Não foi o inventor de novas formas ou novos gêneros. Mas, como Mozart e Beethoven depois dele, tomou todas as formas que lhe tinham sido legadas por seus predecessores e de tal modo as ampliou, tanto na estrutura quanto nos recursos expressivos, que as levou a um grau de perfeição antes desconhecido. "Se tentássemos caracterizar a arte de Bach com uma só palavra", escreveu seu biógrafo Karl Geirenger, "esta teria de ser unificação. Os mais heterogêneos elementos foram fundidos por ele numa entidade de caráter completamente novo e coerente."

De fato, a obra de Bach oferece uma síntese magistral de todas as formas musicais existentes em seu tempo. Das influências externas, do que havia de mais moderno na música italiana ou francesa da época; mas também de formas musicais originárias das mais diversas regiões germânicas. Nessa época, a Alemanha ainda não existia como país unificado; fragmentava-se em principados, ducados e eleitorados com sistemas políticos, costumes religiosos e tradições culturais próprias. Ritmos de dança, melodias folclóricas, canções populares, hinos de igreja, tudo era amalgamado com um estilo muito pessoal e, recebendo uma roupagem harmônica nova, soava realmente como fruto exclusivo de sua inspiração.

Essa apropriação não se fazia apenas no nível do cancioneiro anônimo. No século XVIII, a noção de plágio ainda não existia como hoje. Os músicos, assalariados da Corte ou da Igreja, não precisavam preocupar-se com a defesa da propriedade intelectual para garantir o seu sustento. E Bach também - como todos os seus contemporâneos - não hesitava em reutilizar música alheia; mas, ao fazê-lo, reelaborava-a de modo a dar-lhe um tom inequivocamente pessoal. Ele transpôs, por exemplo, os concertos para violino de Vivaldi - por quem tinha grande admiração - para uma virtuosística combinação de quatro cravos.

A experimentação, de resto, foi um traço fundamental da personalidade artística de Bach. Ele aplicava recursos técnicos do cravo ou do órgão ao escrever para as cordas. Tinha em alto grau aquele traço - típico do compositor barroco - que desconhecia a existência da diferença de tom entre a música sacra e a profana. Com a maior desenvoltura, passava trechos de uma obra para outra; reaproveitava numa peça para cravo uma melodia de igreja escrita para órgão muitos anos antes. Bach não rompeu com as formas fixas de seu tempo. Mas teve inesgotável imaginação para retrabalhar suas estruturas; não há duas fugas, invenções, tocatas, cânones ou prelúdios que sejam rigorosamente no mesmo molde de outro.

A visão arquitetônica, em sua composição, é um traço marcante: em todas as suas peças há uma simetria, um senso de ordem, um perfeito equilíbrio entre as diversas partes, que se contrastam e complementam, evidenciando a organização lógica, matemática, de sua mente criadora. É claro que esse gosto pela construção ao mesmo tempo contrastante e simétrica não é exclusivo de Bach; é uma característica comum aos compositores barrocos. Mas ninguém, como ele, levou-a a um tal grau de complexidade e perfeição. Comum a seus pares é também o gosto pelo descritivismo musical, ou seja, a evocação de fenômenos naturais através dos sons - o que leva Vivaldi a escrever suas famosas Quatro estações, ou enche as óperas de Jean-Baptiste Lully de sinfonias descritivas que são retratos sonoros de tempestades, naufrágios, alvoradas ou crepúsculos.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Thomas Mann – A Montanha Mágica

(...)
"Dois dias de viagem apartam um homem e especialmente um jovem que ainda não criou raízes firmes na vida do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres, interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava enquanto um fiacre o levava à estação. O espaço que, girando e fugindo, se roja de permeio entre ele e seu lugar de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido mais intensas ainda. Tal qual o tempo, o espaço gera o olvido; porém o faz desligando o indivíduo das suas relações e pondo-o num estado livre, primitivo; chega até mesmo a transformar, num só golpe, um pedante ou um burguesote numa espécie de vagabundo. Dizem que o tempo é como o rio Letes; mas também o ar de paragens longínquas representa uma poção semelhante, e seu efeito, conquanto menos radical, não deixa de ser mais rápido."

(...)

MANN, Thomas. A Montanha Mágica. São Paulo, Círculo do Livro, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, s/d, pág. 8

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Bill Gates


Empresário norte-americano , fundador da Microsoft, a maior empresa de programas de computador do mundo. William Henry Gates III nasce em Seattle, Washington, filho de um advogado e de uma professora. Interessado desde garoto por computadores, vende por 4 mil dólares seu primeiro software uma planilha de horários escolares aos 17 anos. Em 1973, entra na Universidade de Harward para estudar informática, mas abandona o curso dois anos depois para fundar a Microsoft com um colega de colégio, Paul Allen, que sairia do negócio em 1986.

Seu primeiro produto a ganhar projeção mundial é o sistema operacional MS-DOS, lançado em 1980 para microcomputadores pessoais ou PCs. Cinco anos depois lança o Windows, sistema atualmente usado por nove entre dez PCs do planeta. Ao produzir programas de computador para diversas finalidades e que funcionam apenas com seu sistema operacional, a Microsoft tornou-se rapidamente uma potência no mundo do software, rendendo a Bill Gates uma fortuna pessoal hoje estimada em 40,7 bilhões de dólares; na revista Forbes, ele aparece como o homem mais rico do mundo. Tal estratégia comercial, porém, é considerada como prática de monopólio pela justiça americana, pois impede que outras fabricantes de software desenvolvam produtos para o sistema Windows. Em 1998, a Microsoft é processada pelo Estado Americano e pela justiça de 18 estados por transgredir as leis anti-truste. Em 2002, a empresa acata a decisão judicial de permitir a outras fabricantes de software desenvolver produtos para o sistema Windows. O empresário é casado desde 1994 com Melinda Gates e tem dois filhos. Além da Microsoft, Gates tem negócios na área de biotecnologia, documentação eletrônica e comunicação via satélite.

É autor dos livros The Road Ahead e Business @ the Speed of Thought. Declarou que após sua morte, 98% de sua fortuna seria doada para a Fundação Bill & Melinda Gates, dedicada ao desenvolvimento científico e social. Até agora, suas doações foram da ordem de 26 bilhões de dólares.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A Píada do Dia

Três caras estavam conversando e um disse:
- Incrível a influência da mente! Minha mulher assistiu ao filme "Um homem, uma mulher", na época em que engravidou. E eu tive gêmeos: um homem e uma mulher!
- Você tem toda a razão! - disse o segundo homem - Minha mulher estava lendo "A Casa das Sete Mulheres" na época em que engravidou. E não é que nasceram sete meninas?
- Nãããão!!!! - Gritou o terceiro homem apavorado.
- O que foi? - perguntaram os outros dois.
- É que minha mulher engravidou. E ela está lendo "Ali Babá e os 40 ladrões"!!!!!

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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Rondele de queijo com creme de mostarda


Ingredientes:
massa
3 e 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
4 ovos
2 colheres (sopa) de mostarda temperada com pimenta
2 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
recheio
400 g de queijo mussarela em fatias
250 g de presunto cru
creme
3 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de creme de leite fresco
2 colheres (sopa) de mostarda de dijon
sal a gosto
Modo de Preparo:
Massa:
peneire em uma tigela a farinha de trigo e o sal.
Coloque em outra tigela os ovos, a mostarda e a manteiga.
Bata por 1 minuto e, aos poucos, junte os ingredientes secos, misturando bem.
Transfira a massa para uma superfície enfarinhada e sove por 10 minutos, ou até ficar lisa e começar a soltar bolhas.
Embrulhe a massa em um filme plástico e deixe descansar na geladeira por 30 minutos.
Em seguida, divida a massa em 2 partes e abra em uma superfície enfarinhada até formar dois retângulos de 40 x 30 cm.
Distribua o queijo e o presunto e enrole como um rocambole.
Aperte bem e embrulhe-os em papel-manteiga, ou em um pano, para não entrar água durante o cozimento.
Feche as pontas com um barbante.
Em uma panela grande, coloque 5 litros de água e leve ao fogo.
Assim que ferver, coloque os rondeles e cozinhe por 15 minutos, ou até ficarem macios, mas ¿al dente¿.
Retire e reserve.
Se a panela não for muito grande, cozinhe um por vez.
Creme:
derreta a manteiga em uma panela, polvilhe a farinha de trigo e deixe dourar, sem parar de mexer.
Reduza o fogo e junte, aos poucos, o leite, mexendo sempre.
Cozinhe até obter um creme encorpado.
Junte o creme de leite misturado com a mostarda e o sal.
Assim que ferver, retire do fogo.
Desembrulhe os rondeles, corte-os em fatias e sirva com o creme.
Se preferir, sirva com filé mignon grelhado.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Marxismo


(1845, publicadas em 1888; Teses sobre Feuerbach), Marx escreveu: "Até o momento, os filósofos apenas interpretaram o mundo; o fundamental agora é transformá-lo." Para transformar o mundo é necessário vincular o pensamento à prática revolucionária. Interpretada por diversos seguidores, a teoria tornou-se uma ideologia que se estendeu a regiões de todo o mundo e foi acrescida de características nacionais. Surgiram assim versões como as dos partidos comunistas francês e italiano, o marxismo-leninismo na União Soviética, as experiências no leste europeu, o maoísmo na China e Albânia e as interpretações da Coréia do Norte, de Cuba e dos partidos únicos africanos, em que se mistura até com ritos tribais.


Materialismo dialético.

De uma perspectiva idealista, Hegel, filósofo alemão do século XIX, englobava a natureza, a história e o espírito no processo dialético de movimento das idéias, determinado pela oposição de elementos contrários (tese e antítese) que progridem em direção a formas mais aperfeiçoadas (síntese). Assim, no devir da história, o processo dialético impulsiona o desenvolvimento da idéia absoluta pela sucessão de momentos de afirmação (tese), de negação (antítese) e de negação da negação (síntese).

Marx adotou a dialética hegeliana e substituiu o devir das idéias, ou do espírito humano, pelo progresso material e econômico. Em Zur Kritik der Politischen Ökonomie (1859; Contribuição à crítica da economia política), resume o que mais tarde foi chamado materialismo dialético: "Não é a consciência do homem que determina seu ser, mas o ser social que determina sua consciência." Pelo método dialético, sustentou que o capitalismo industrial (afirmação) engendra o proletariado (negação) e essa contradição é superada, no futuro, pela negação da negação, isto é, pela sociedade sem classes.

Outra chave do marxismo está no pensamento do filósofo alemão Ludwig Feuerbach. Discípulo de Hegel, Feuerbach inverteu na dialética os lugares ocupados pela idéia e pela matéria e formulou a teoria da alienação do homem, entendendo Deus como ilusão humana ditada por necessidades da realidade material. Marx detectou certa inconsistência no materialismo de Feuerbach, pois este considerava o homem como ser puramente biológico. Tomando uma noção criada por Moses Hess, também hegeliano, Marx definiu o homem em sua relação com a natureza e a sociedade, isto é, em sua dimensão econômica e produtiva, e viu no estado, na propriedade e no capital a fonte da alienação humana. Para Marx, as relações materiais de produção de uma sociedade determinam a alienação política, religiosa e ideológica, como conseqüências inequívocas das condições de dominação econômica.


Materialismo histórico.

Também chamado concepção materialista da história, o materialismo histórico é a aplicação do marxismo ao estudo da evolução histórica das sociedades humanas. Essa evolução se explica pela análise dos acontecimentos materiais, essencialmente econômicos e tecnológicos. Na atividade econômica e social, os homens estabelecem relações necessárias e independentes de sua vontade. São as relações de produção, que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas (trabalho humano, instrumentos, máquinas). O conjunto das relações de produção forma a infra-estrutura econômica da sociedade, base material sobre a qual se eleva uma superestrutura política, jurídica e ideológica, o que engloba as idéias morais, estéticas e religiosas. Assim, o modo de produção dos bens materiais condiciona a vida social, política e intelectual que, por sua vez, interage com a base material. Para contrabalançar o determinismo econômico da teoria, Marx afirmou a existência de uma constante interação e interdependência entre a infra-estrutura e a superestrutura, embora, em última instância, os fatores econômicos sejam os determinantes.

No curso de seu desenvolvimento, as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes e estas convertem-se em obstáculos à continuidade do processo produtivo. Inicia-se então uma era de revolução social que afeta a fundo a estrutura ideológica, de modo que os homens adquirem consciência do conflito de que participam.
As relações capitalistas de produção seriam a forma final de antagonismo no processo histórico. O modo de produção do capitalismo industrial conduz de modo inevitável à superação da propriedade privada, não só pela rebelião dos oprimidos como pela própria evolução do sistema, em que a progressiva acumulação de capital determina a necessidade de novas relações de produção baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção. Superado o regime de propriedade privada, o homem venceria a alienação econômica e, em seguida, todas as outras formas de alienação de si mesmo.

No decorrer do processo histórico, as relações econômicas evoluíram segundo uma contínua luta dialética entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores espoliados e explorados. No primeiro capítulo do Manifest der Kommunistischen Partei (1848; Manifesto comunista), Marx e Engels afirmam que a "história de todas as sociedades do passado é a história da luta de classes". Segundo o materialismo histórico, o comunismo primitivo seria a tese oposta à antítese expressa pelas sociedades de classe (escravistas, feudais e capitalistas). A sociedade sem classes, alcançada mediante a práxis (isto é, a teoria posta em prática) revolucionária, seria a síntese final das organizações sociais.


Crítica do sistema capitalista.

Marx rejeitou o idealismo dos socialistas utópicos, sobretudo Charles Fourier e Henri de Saint-Simon, que criticaram o capitalismo de um ponto de vista humanitário e defenderam a mudança gradual para um regime social baseado na propriedade e no trabalho coletivos. Marx formulou então a doutrina do socialismo científico, em que a crítica à estrutura econômica do capitalismo permite reconhecer as leis dialéticas de sua evolução e decomposição.

Para Marx, o trabalho é a essência do homem, pois é o meio pelo qual ele se relaciona com a natureza e a transforma em bens a que se confere valor. A desqualificação moral do capitalismo ocorre por ser um modo de produção que converte a força de trabalho em mercadoria e, desse modo, aliena o trabalhador como ser humano.

Marx concordou com os economistas clássicos britânicos, para quem o trabalho é a medida de todas as coisas. A força de trabalho do operário, vendida ao capitalista, incorpora-se a um produto que se vende no mercado por um valor superior a seu custo de produção. A diferença entre o valor final do produto e o custo de produção constitui a mais-valia, o excedente ou valor acrescentado pelo trabalho. O custo de produção é a soma do valor dos meios de produção (maquinaria e matérias-primas) e do valor da força de trabalho, este expresso em bens indispensáveis à subsistência do operário e sua família. A mais-valia, portanto, converte-se em lucro para o capitalista.

Marx distingue dois tipos de mais-valia, a absoluta e a relativa, que se definem pela maneira como são aumentadas. A mais-valia absoluta aumenta proporcionalmente ao aumento do número de horas da jornada de trabalho, conservando-se constante o salário. O valor produzido pelo trabalho nesse tempo adicional corresponde à mais-valia absoluta. Assim, quanto mais horas o operário trabalhar, maior será o lucro do capital, isto é, a mais-valia absoluta, e sua acumulação. A mais-valia relativa aumenta com o aumento da produtividade, com a racionalização do processo produtivo e com o aperfeiçoamento tecnológico. O trabalhador passa a produzir mais no mesmo tempo de trabalho, e isso aumenta relativamente a mais-valia.

A obtenção de mais-valia conduz à acumulação do capital expressa na concentração fabril e empresarial e no progresso tecnológico incorporado à maquinaria das grandes indústrias. O uso de máquinas cada vez mais produtivas elimina periodicamente parte da força de trabalho. Os operários dispensados engrossam o "exército industrial de reserva" (os desempregados) em situação de concorrência que favorece a redução dos salários e a pauperização da classe operária.
A formação de cartéis e monopólios, em conseqüência da concentração de capital, diminui o número de capitalistas e provoca uma crise de superprodução, manifestação típica das contradições do capitalismo, já que, em busca de lucro máximo, o capitalista adota novos instrumentos de trabalho que geram produção maior do que o mercado é capaz de absorver. As crises periódicas fazem aumentar o desemprego, proletarizam as classes intermediárias e empobrecem a classe operária. O sistema capitalista desaparecerá em conseqüência das próprias contradições e da oposição entre o caráter coletivo da produção e o caráter privado da apropriação. A ação revolucionária dos oprimidos, ou seja, da classe operária, deve incidir sobre o sistema capitalista. A tomada do poder por essa classe implicaria a instauração de um estado socialista transitório, a ditadura do proletariado, que se dissolveria após cumprir sua missão de organizar o sistema coletivista e liquidar as antigas classes sociais. Depois dessa fase se chegaria finalmente ao comunismo, sociedade sem classes e sem exploração do homem pelo homem.
Revisionismo e marxismo-leninismo. No final do século XIX, o marxismo passou a atrair cada vez mais o movimento operário mundial, embora o anarquismo e o pensamento social-cristão mantivessem sua influência. O desenvolvimento industrial em alguns países, porém, contribuiu para melhorar o padrão de vida da classe trabalhadora, ao contrário das previsões de Marx, e reforçou os sistemas políticos social-democratas.

Nas primeiras décadas do século XX, os alemães Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo ratificaram o caráter revolucionário do marxismo e adaptaram a doutrina às novas condições do capitalismo. Na mesma direção seguiu Lenin, personagem decisivo da revolução russa de 1917. Sua contribuição originou o marxismo-leninismo, com novas abordagens da doutrina e do movimento comunista, como a análise do imperialismo, a possibilidade da revolução em países não industrializados, a participação do campesinato na ação revolucionária e a organização do partido comunista como vanguarda da classe operária.

O marxismo-leninismo foi interpretado de maneiras diversas após a morte de Lenin. Nikolai Ivanovitch Bukharin preconizou uma concepção revisionista e Trotski desenvolveu os aspectos revolucionários da doutrina. Stalin simplificou os postulados do marxismo-leninismo, formulou a teoria do socialismo em um só país, contra a tese trotskista, que preconizava a internacionalização da revolução, e defendeu a possibilidade de um desenvolvimento auto-suficiente da economia soviética, sem relação com o mundo capitalista.

A partir do marxismo-leninismo, o líder comunista chinês Mao Zedong elaborou uma doutrina original, o maoísmo, adaptada ao desenvolvimento da revolução na China e às características milenares da cultura chinesa: é maoísta, por exemplo, o princípio segundo o qual os estudantes jamais devem ser orientados para a competição, mas exclusivamente para a cooperação.

O marxismo teve teóricos de grande expressão no mundo das idéias, como Antonio Gramsci, György Lukács, Theodor W. Adorno, Karl Korsch e Louis Althusser. Depois da segunda guerra mundial, surgiram interpretações não dogmáticas do marxismo, com a  incorporação de filosofias como as de Edmund Husserl e Martin Heidegger e de idéias de teóricos de outras áreas, como Sigmund Freud. Economistas, historiadores antropólogos, sociólogos, psicólogos, estudiosos da moral e das artes, incorporaram a metodologia marxista sem necessariamente aderir à filosofia política e à prática revolucionária do marxismo.
A queda dos regimes comunistas nos países do leste europeu e a dissolução da União Soviética levaram ao questionamento dos postulados doutrinários marxistas. Permaneceram, porém, o respeito e a admiração pelo rigor científico, originalidade, coerência interna e abrangência da obra de Marx e Engels.
Alienação; Capitalismo; Comunismo; Engels,    Friedrich; Lenin; Luxemburgo, Rosa; Mao Zedong;    Marx, Karl; Socialismo; Stalin; Trotski, Leon


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domingo, 6 de janeiro de 2008

Entrevista: Cláudio de Moura Castro - Final

NE: O senhor poderia indicar leituras ou caminhos para orientar o professor?

Moura Castro: Esta revista está recheada de boas idéias e leituras. O caminho é por aí: levar o ensino árido, decorado e rasteiro para a direção do ensino reflexivo, que dialogue com o mundo real e seja contextualizado. Não estão em jogo a teoria pedagógica ou o guru de plantão. Interessam, isso sim, maneiras de tornar a sala de aula mais estimulante, intelectualmente mais rica.


NE: Muitos professores se sentem bombardeados por diferentes e sucessivas concepções de bom ensino, como modismos. Eles não sabem, por exemplo, se podem utilizar recursos tradicionais, como o livro didático, o ditado e as aulas expositivas. Em educação, existe consenso entre o que é bom/moderno e o que é
ruim/ultrapassado? É possível afirmar que tal método serve e outro não?

Moura Castro: O bom professor de um século atrás não seria um mau professor hoje. O livro continua tão vigente quanto antes. A aula expositiva não é má em si, mas não pode ser a única atividade. Como parte do ensino, é perfeita. Na minha opinião, porém, só existe um consenso: professor em greve ou ausente é o pior de tudo. O tempo perdido com atividades que não ensinam nada de importante é uma horrível fonte de desperdício. Informação demais impede a profundidade, essencial para que se aprendam lições que vão muito além da decoreba. Há muito modismo, sim. Mas não creio que entre pessoas intelectualmente maduras e conhecedoras do panorama da educação haja tanta discrepância sobre questões de primeira grandeza.


NE: A indisciplina é queixa constante dos professores. Como conquistar autoridade?

Moura Castro: A semente da disciplina ou da indisciplina reside no clima da escola. Se ela não consegue impor seus valores entre alunos e professores, conseguir disciplina passa a ser uma proeza. Isso é muito importante, pois pesquisas recentes mostram que nas escolas em que há mais indisciplina o rendimento acadêmico é pior. Não existe uma fórmula única para a conquista da disciplina, da mesma maneira que os estilos dos professores não são iguais. Dar socos na parede pode ser uma solução para alguns. Eu, por exemplo, tive um que delicadamente depositava um revólver sobre a mesa quando os alunos se agitavam. Era
um santo remédio. Mas longe de mim recomendar uma solução dessas. Lembremo-nos de que a indisciplina viceja quando a motivação dos alunos é menor. Curso interessante e cativante tem menos problemas.


NE: Qual é o problema mais grave da educação brasileira?

Moura Castro: A falta de qualidade do Ensino Fundamental.


NE: E a maior conquista recente?

Moura Castro: Felizmente, os anos iniciais apresentam progressos mais rápidos e expressivos. O aumento do número de alunos que concluem o Ensino Fundamental, e sem queda da qualidade como pode ser medido no Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb  mostra justamente esse progresso. O avanço gigantesco nos testes de rendimento escolar e a avaliação de instituições, juntamente com a revolução nas estatísticas
educacionais, são também conquistas consideráveis, embora instrumentais. Na verdade, não há outro país no mundo com um sistema de avaliação tão abrangente quanto o brasileiro. Quase todos têm algum teste no primário e no secundário. O exame de saída do secundário, o nosso Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mais o Provão e a avaliação da pós-graduação nos colocam na dianteira.


NE: O país está preparado para o estrondoso crescimento que se projeta para o Ensino Médio?

Moura Castro: Não. nem sequer temos professores corretamente preparados, sobretudo em Ciências e Matemática, para os alunos que estão matriculados. Espera-se que esse crescimento do número de alunos persista por muitos anos. Se conseguirmos não piorar muito em qualidade, já será um grande sucesso. Passar de um sistema elitista para outro em que bem mais da metade da população entra na escola significa começar
a lidar com uma clientela que tem nível social mais baixo e requer formas diferentes de ensinar. Ainda estamos engatinhando nas soluções para essas questões.

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sábado, 5 de janeiro de 2008

Entrevista: Claudio de Moura Castro - 1ª Parte

NOVA ESCOLA: O senhor defende que a escola pratique justiça, tolerância, eqüidade e generosidade em vez de apenas propagar esses princípios. Como fazer para que isso aconteça?

Claudio de Moura Castro: Eu acredito que a saúde institucional de uma escola depende de sua capacidade de transmitir boas mensagens de cidadania. Seja pública ou privada, a escola que atingir um nível de dignidade, seriedade e competência terá dado um passo à frente na tarefa de desenvolver cidadania. Mas esse primeiro passo é pouco. Há muito mais a fazer. A escola tem de usar, deliberadamente, todas as oportunidades para transmitir boas mensagens. E a mensagem será mais bem transmitida quanto mais naturalmente estiver
embutida na atividade.


NE: A escola brasileira está dando conta da tarefa de ensinar/praticar cidadania?

Moura Castro: Muitas escolas estão indo razoavelmente bem nessa tarefa, outras são péssimas. Há mais escolas privadas atingindo bom nível, mas isso não significa que as públicas sejam uma sucata institucional. Várias delas têm cumprido esse papel com qualidade.


NE: Existem escolas que promovem o trabalho comunitário e visitas a prisões, asilos e orfanatos, como forma de incentivar os alunos a lidar com problemas sociais. Não é um contra-senso montar um sistema educacional em que as diferentes camadas da sociedade fiquem tão distanciadas que seja preciso inventar estratégias desse tipo para aproximá-las?

Moura Castro: A distância social não foi criada pela escola. Os administradores escolares não podem mudar a sociedade, embora a boa educação, a longo prazo, possa fazê-lo. A escola, pela necessidade de criar um ambiente de uso exclusivo, não pode estar metida demais na comunidade. Isso tiraria o foco do processo de ensino. Ela deve fazer o que está a seu alcance e não gastar energia com sonhos irrealistas, como fizemos até
recentemente. Tampouco deve perder oportunidades para explorar seu entorno como ensejo para lições importantes. Trabalho comunitário, bem conduzido, é uma excelente forma de confrontar o aluno com o mundo real e levá-lo a refletir. Mas, sempre é bom lembrar, o que dá riqueza ao trabalho comunitário não é o sacrifício ou o ato físico realizado, mas a reflexão que acompanha esse processo.


NE: Como o professor deve ensinar cidadania e respeito no país do "tchan"?

Moura Castro: Estou encalhado com esse dilema. O Brasil é assim mesmo: o país onde todos querem ser respeitados, mas poucos são capazes de ações básicas como chegar aos compromissos na hora marcada. Para resolver a questão pensamos sempre na moral rígida  meio protestante, meio careta. Mas será que para ser uma nação civilizada temos de nos transformar em protestantes rígidos? Acho que não. Um bom exemplo disso, na minha opinião, é a Itália. Apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, ela convive com focos de bagunça e desorganização. Para nós, uma possível fórmula é definir as regras básicas da convivência funcional e descobrir até onde elas podem se adaptar aos nossos atavismos de sem-vergonhice, mau-caratismo e bom coração.


NE: Existe uma compreensão de que formar trabalhadores mais capacitados e educar para a cidadania sejam objetivos dissociados. Esse dilema é verdadeiro?

Moura Castro: De forma nenhuma. Já se foi o tempo em que trabalhador capacitado era aquele que sabia apenas manusear primorosamente a ferramenta  e mais nada  em uma linha de montagem burra. Hoje, o mercado de trabalho exige mais confiabilidade do que destreza. Mais visão de conjunto do que força física. O processo de trabalho ficou mais complexo e as interações humanas, muito menos lineares e autoritárias. Ao
formar trabalhadores, o sistema de ensino não deve nunca deixar a cidadania de lado para privilegiar aspectos técnicos.


NE: Um recurso importante para a capacitação de trabalhadores é a educação a distância. O senhor é fã dos cursos por correspondência porque já fez vários deles. Esse tipo de curso funciona?

Moura Castro: Quando tinha 15 anos e morava em Itabirito (a 55 quilômetros de Belo Horizonte), fiz um curso de técnico de rádio do Instituto Monitor. Ao contrário do que se pode imaginar, o programa era bem-feito, com muitos exercícios práticos. Aprendi a consertar e a montar rádios. Em uma pesquisa que realizei na década de 70, verifiquei que nos cursos por correspondência a proporção de pobres era igual à do conjunto da sociedade brasileira. Ou seja, era a modalidade mais democrática de educação do país. Não há dúvida de que o isolamento do aluno e a grande necessidade de autodisciplina são fatores que limitam o sucesso do ensino a distância.Nem todos se dão bem sem a presença física e o apoio do professor  que é fundamental e insubstituível  ou a rotina criada pelo grupo de alunos.


NE: Quais são as competências básicas para o professor do Ensino Fundamental no Brasil do ano 2000?

Moura Castro: Em primeiro lugar, o professor precisa conhecer bem a matéria que vai ensinar. Com o atual sistema isso nem sempre acontece. Em segundo lugar, é essencial saber manobrar a sala de aula. Isso é bem diferente de conhecer teorias de Piaget (o pesquisador suíço Jean Piaget, 1896-1980) ou Vigotsky (o educador russo Lev Semenovich Vigotsky, 1896-1934). Para conduzir uma turma de alunos, há uma "teoria da prática"
que não se aprende em livros, só em ação.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Dica: Concurso Público


O Governo de Minas vai realizar concurso público para preenchimento de 492 vagas disponibilizadas na Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O edital foi publicado no jornal 'Minas Gerais' do último dia 14 de dezembro. As vagas são para os cargos de Técnico de Gestão da Saúde, com escolaridade mínima de ensino médio, e Especialista em Políticas e Gestão de Saúde (EPGS), Níveis I e III, é necessário curso de graduação em ensino superior.

No caso do Nível III, o candidato deve acumular curso de pós-graduação lato sensu, de acordo com o núcleo temático de atuação.

As inscrições estarão abertas no período de 9 a 18 de janeiro de 2008, somente pela internet, no endereço eletrônico www.fundep.br. O valor das inscrições é de R$ 35 para o cargo de Técnico de Gestão da Saúde, R$ 45 para Especialista em Políticas e Gestão de Saúde Nível I e de R$ 60 para os cargos de EPGS Nível III.

São oferecidas 30 vagas para Técnico, destinadas à capital e interior, com remuneração de R$ 630 e jornada de trabalho de 40 horas semanais. Para o nível superior, são 462 vagas especificadas por especialidade e curso de formação, sendo 304 para o cargo de EPGS Nível I, cuja remuneração é de R$ 1.260 também com jornada de 40 horas semanais, com lotação na Unidade Central da SES e nas Gerências Regionais de Saúde (GRS). As outras 158 vagas são para o Nível III, com vencimentos de R$ 1.875,38 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

O concurso será executado pela Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa (Fundep) e todos os candidatos farão provas objetivas de múltipla escolha de Língua Portuguesa, Políticas Públicas de Saúde, Noções de Direito Administrativo e Constitucional.


Haverá, também, Prova de Conhecimentos Específicos para os candidatos das vagas de Especialista em Políticas e Gestão da Saúde e Redação para quem concorre a Técnico de Gestão da Saúde.

A realização das provas está marcada para o dia 16 de março de 2008. Mais informações podem ser obtidas nos endereços eletrônicos www.saude.mg.gov.br e www.fundep.br.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cidades Brasileiras: Rio Claro/SP.

Rio Claro é uma  cidade do centro do estado de São Paulo, a 150 km da cidade de São Paulo. Localizada sobre a rodovia SP-310, porém situada a apenas 25 km do traçado da Via Anhangüera (SP-320), sua localização e facilidade de acesso lhe garantem uma situação privilegiada no sistema urbano estruturado em torno de Campinas. Sua área de influência inclui um centro local, Araras e mais cinco municípios. Possui um complexo universitário importante e sua base econômica está dividida entre as indústrias de ponta, que gravitam no espaço contíguo a Campinas, e uma agricultura muito moderna, onde a cultura da laranja é a que mais cresce. A rentabilidade desse cultivo se percebe nos altos níveis de vida da região rural circundante. Contava com 148.628 habitantes em 1996.

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