sexta-feira, 30 de novembro de 2007

30 de Novembro de 1997

Incêndio no sul da Austrália causa destruição de florestas
Cerca de 100 focos de incêndio ardem no Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, destruindo florestas nativas. O corpo
de bombeiros, que combatia os incêndios por terra e com helicópteros, alertou os fazendeiros da região para abandonarem suas casas.
Outros estados do sul do país tiveram de enfrentar focos de fogo nas matas na mesma semana. Os incêndios estão se alastrando por
causa da seca que afeta a Austrália como resultado do fenômeno El Niño, que desloca para o oceano as chuvas que atingem o país
nesta época do ano.

 

 

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

QUANTO TEMPO RESISTIMOS SEM COMER NEM BEBER?

 

Há registros de pessoas que suportaram até 200 dias sem comer, mas esse tempo sempre varia conforme a estatura. Sem água, porém, a resistência é bem menor e o estado de saúde torna-se bastante grave após cerca de 36 horas. Ficar sem comer por um a dois dias normalmente não ocasiona problemas que possam afetar gravemente a pessoa. Essa situação não costuma causar mais que tonturas e dores de cabeça. "O jejum não tem indicação para ser usado de forma rotineira do ponto de vista médico, mas tem sido praticado desde a antigüidade como preceito religioso para a purificação do espírito", diz o endocrinologista Danilo Alvarenga de Carvalho. Quando feito sem controle médico, porém, o jejum pode implicar em sérios riscos para a saúde, inclusive levando à morte. Sem a ingestão de alimentos, o organismo começa a queimar suas reservas de energia, principalmente as gorduras. Depois delas, consome as proteínas que compõem os tecidos.

Ficar muito tempo sem se alimentar também provoca diversas alterações metabólicas e hormonais, com perda de vitaminas e sais minerais, alterações da pressão arterial, desmaios e problemas psicológicos. Mas a falta de água é bem mais grave. Um homem de estatura média contém em seu corpo aproximadamente 40 litros de água, necessária para resfriar o corpo. Além disso, a água transporta as substâncias tóxicas que sobram da nutrição para serem eliminadas pelos rins e intestinos. Numa pessoa saudável, existe um equilíbrio entre a quantidade de líquidos ingeridos e eliminados. A perda desse equilíbrio em poucos dias é o suficiente para matar. 

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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Refletir

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"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

Martin Niemöller, 1933

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terça-feira, 27 de novembro de 2007

SEU MELHOR ALIADO, VOCÊ MESMO

 

Quando você vai a uma festa, como age na hora de ir embora: sai à francesa ou se despede dos amigos, um por um? Nas férias, visitando uma cidade pela primeira vez, prefere ter à mão um mapa bem detalhado ou perambular ao acaso? Se um colega é promovido, você comenta "isso é fruto de um esforço planejado" ou pensa "puxa, como ele deve estar contente"? Cada uma das suas respostas revelou algum traço da sua personalidade  o seu jeito único e peculiar. "A personalidade já nasce conosco, embora não tenha nada a ver com a herança genética", afirma Denise Ramos, professora de Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "No fundo, é um grande mistério", completa.

Conhecer e aperfeiçoar a própria personalidade se tornou, atualmente, um desafio para quem está iniciando a carreira ou faz planos de desenvolvimento profissional. Na hora da contratação, as empresas já não se preocupam apenas com o que você sabe - elas querem saber quem você é, como se relaciona com o mundo e como reage a situações imprevistas. "Os traços pessoais são relevantes não só para o cumprimento das tarefas, mas também definem o uso que cada um faz das suas experiências", explica a psicóloga Tânia Casado. Em sua tese de doutorado, defendida no ano passado na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), onde leciona, ela estudou como as empresas podem, por meio da análise dos tipos psicológicos, avaliar o potencial humano de que dispõem e aproveitá-lo de uma maneira eficiente.

Na pesquisa das diferenças individuais, o principal instrumento dos especialistas é a tipologia elaborada pelo psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Para Jung, todos os indivíduos podem ser enquadrados em dois tipos de temperamento - os extrovertidos e os introvertidos, conforme a disposição de cada um perante o meio que o cerca. Esses grupos, por sua vez, se subdividem segundo a maneira de captar as informações e de tomar as decisões. São as chamadas funções psíquicas - sensação, intuição, pensamento e sentimento. Todas elas estão presentes em cada indivíduo, em maior ou menor grau, mas apenas uma é a predominante. Nesta reportagem, você terá informações que o ajudarão a identificar o seu tipo de personalidade e até melhorá-la. "Quem conhece os seus pontos fortes e fracos tem condições de desenvolver o que há de positivo no seu tipo e obter uma interação mais satisfatória com o mundo", ensina Tânia Casado.

Com qual deles você se parece?

EXTROVERTIDA-SENTIMENTO


A mais querida das princesas, Diana (1961-1997) tinha um carisma natural que ofuscava a família real inglesa. Em contraste com o marido, Charles, fechado como uma ostra, ela procurava a imprensa para exibir ao mundo o fracasso de seu casamento. Nela, o charme e a beleza se completavam com a preocupação genuína pelos pobres e pelos doentes, aos quais se dedicava.

EXTROVERTIDO-PENSAMENTO

O predomínio da função pensamento no ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, manifesta-se não só na brilhante trajetória intelectual, mas também no seu estilo como político. Guiado pela lógica, e não pelas emoções, ele sabe se aproximar de adversários, quando lhe interessa, e tratar com dureza os amigos, se julgar necessário. No temperamento, é um extrovertido. Gosta tanto de uma conversa que às vezes se mete em apuros por conta de frases impensadas.

EXTROVERTIDO-INTUIÇÃO

Mozart (1756-1791) só foi reconhecido como gênio depois de morto - o seu talento estava voltado para o futuro. Afundou-se em dívidas e morreu na miséria. Extrovertido até demais, adorava o ti-ti-ti e os bailes da corte vienense.

INTROVERTIDO-INTUIÇÃO

Fernando Pessoa (1888-1935), o maior poeta moderno português, vivia em seu mundo interior, sem ligar para a opinião dos outros. "Sou coerente apenas na incoerência", dizia. Tímido e solitário, aplacava a angústia com o alcoolismo.

EXTROVERTIDO-SENSAÇÃO

O magistral domínio dos sentidos, a precisão dos chutes e a habilidade para driblar adversários tornaram Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos. Sua extroversão se manifesta na desenvoltura perante as câmeras e no gesto que ele celebrizou como forma de comemorar os gols  o salto e um soco no ar.

INTROVERTIDO-SENTIMENTO

Famoso pela timidez, o cantor e compositor Chico Buarque, resiste aos palcos e raramente menciona assuntos pessoais em suas entrevistas. Seu jeito reservado e meigo arranca suspiros das mulheres e sugere uma vida interior repleta de emoções tão intensas quanto as que ele retrata em suas canções.

INTROVERTIDO-PENSAMENTO

A racionalidade é o arroz-com-feijão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, Ele se mostra totalmente à vontade em meio a projeções econômicas, metas, cifras e normas. Mas sua vocação é intelectual, cultivada em mais de vinte anos de produção acadêmica antes de ingressar no governo. Discreto, detesta badalações e só fala à imprensa o indispensável.

INTROVERTIDO-SENSAÇÃO

O presidente cubano Fidel Castro, é um exemplo de que nem todo introvertido é tímido. Embora famoso pelos longos discursos e por monopolizar a palavra em qualquer conversa, nunca diz nada sobre si. Ninguém sabe o que ele pensa e a sua privacidade é um segredo. É apaixonado por esportes e adora discorrer sobre assuntos técnicos em seus míííííínimos detalhes - duas marcas de que tem como função predominante a sensação.

Traços que vêm do berço

Para saber se alguém é extrovertido ou introvertido, bastam alguns minutos de conversa ou, às vezes, nem isso. Extrovertido é quem se expõe. Seu foco de interesse está no mundo exterior. Introvertido é o contrário  reservado, voltado para si mesmo. Ninguém escolhe ser uma coisa ou outra. De acordo com a teoria de Jung, ao nascer você já carrega os traços essenciais que o acompanharão o tempo todo. "Alguns bebês passam horas sozinhos no quarto sem chorar", exemplifica Tânia Casado. "Outros só conseguem dormir se alguém estiver do seu lado."
A introversão e a extroversão se manifestam na relação que cada um mantém com os demais. "Para o extrovertido, é uma coisa natural estabelecer uma conversa com alguém que ele nunca viu antes", explica a psicóloga Denise Ramos. "Ele chega tranqüilamente a uma festa onde não conhece ninguém e já vai se apresentando", compara. "O introvertido conversará apenas com os conhecidos e sairá de lá esgotado, pois o contato humano lhe provoca estresse."

Esses dois comportamentos raramente aparecem de uma forma exclusiva, mas se combinam, em porções diferentes. Extroversão demais torna o sujeito um chato insuportável; no extremo oposto, há casos de indivíduos tão retraídos que mal conseguem sair de casa. É preciso cuidado para não confundir timidez com introversão. Muitos introvertidos são loquazes  só que evitarão os assuntos que exponham a sua intimidade. "Um sujeito pode trabalhar em uma firma por trinta anos, conversar muito, e os colegas não saberão o nome de sua esposa", exemplifica Tânia Casado. Já os extrovertidos usam a palavra sem medo de se expor. "Muitos deles falam sozinhos no carro enquanto dirigem, pois refletem melhor quando conversam", completa a psicóloga.

Uns se mostram... outros se fecham

Você é um extrovertido se...
...adora ter gente ao seu redor;

...tem facilidade para conversar com desconhecidos;

...detesta almoçar ou jantar sem companhia;

...impacienta-se com trabalhos longos e demorados;

...gosta de explicar o que faz e de relatar detalhes do seu dia-a-dia;

...numa reunião, disputa a palavra e fala pelos cotovelos (às vezes sem pensar).

 

Você é um introvertido se...

...fica estressado nos compromissos sociais;

...evita o contato direto com quem não conhece;

...sente-se à vontade sozinho em qualquer situação;

...é capaz de trabalhar em um projeto por muito tempo sem interrupção;

...prefere que seu trabalho fale por si mesmo a argumentar em sua defesa;

...numa reunião, prefere ouvir a falar e, às vezes, nem abre a boca.

 

Identifique-se

O império dos sentidos


Se você...

...tem habilidade para perceber cores, cheiros, detalhes e números;

...interessa-se pelo lado prático das questões;

...prefere confiar naquilo que pode comprovar por si mesmo;

...aceita realisticamente as situações tal como elas se apresentam;

...aprende mais pela própria experiência do que pelos livros;

...tende a repetir soluções prontas em vez de procurar novos caminhos para resolver os problemas...

...você é sensação.

 

Ouvindo a voz interior

Se você...

...gosta de lidar com conceitos e idéias abstratas;

...tem habilidade para perceber possibilidades futuras;

...tende a ver os problemas de maneira global e se impacienta com os detalhes;

...prefere aprender novos modelos a repetir sempre a mesma coisa;

...confia mais em pressentimentos do que na análise dos fatos;

...faz planos inviáveis e deixa inacabados os projetos que inicia...

...você é intuição.

 

A razão acima de tudo

Se você...

...decide a partir da lógica e da razão;

...foca sua atenção nas idéias e não nas pessoas que estão por trás delas;

...dá muita importância a saber o que é certo e o que é errado;

...tem facilidade em agir com dureza quando necessário;

...nunca perde de vista as conseqüências de cada ato;

...dá mais valor à justiça do que à generosidade;

...já foi chamado algumas vezes de coração-de-pedra...

...você é pensamento.

 

O coração fala mais alto

Se você...

...prioriza a emoção ao avaliar as situações e decidir;

...sabe valorizar a opinião alheia;

...presta atenção no estado de ânimo dos amigos, colegas e familiares;

...preocupa-se com o efeito de suas decisões sobre os demais;

...dá mais valor à generosidade do que à justiça;

...está sempre disposto a fazer um elogio;

...sofre na hora de tomar uma atitude que pode desagradar alguém...

...você é sentimento.

 

Quatro tipos de atitude

Além de esboçar os tipos psicológicos essenciais, Jung procurou outros indicadores de personalidade capazes de ajudar a pôr alguma ordem nas diferenças humanas, aparentemente ilimitadas. Encontrou quatro, que chamou de funções psicológicas  sensação, intuição, pensamento e sentimento. O sentido que Jung dá a essas palavras nem sempre corresponde ao seu uso habitual. "Todo mundo sente e pensa, mas alguns prestam mais atenção em seus pensamentos que em seus sentimentos, enquanto outros agem de modo contrário", explica o psicólogo americano David Keirsey, um dos maiores especialistas atuais na tipologia junguiana. "Uns são governados pela cabeça; outros, pelo coração."
Da mesma maneira, há indivíduos cujo foco está sempre voltado para as informações obtidas pelos órgãos dos sentidos - os olhos, os ouvidos, a pele. Sua função predominante é, portanto, a sensação. Já os intuitivos têm como referência a sua própria mente e agem como se escutassem uma espécie de voz interior. Preocupam-se mais com o futuro do que com o presente; vêem a floresta, não cada uma das árvores.

As funções, segundo Jung, atuam em pares opostos, formando um conjunto comparável aos quatro pontos cardeais: sensação-intuição, pensamento-sentimento. Todo mundo possui as quatro funções. Mas sua importância varia de acordo com cada indivíduo. Em você,  uma delas é a dominante e, por isso, vive em conflito com a função oposta no mesmo par. As duas funções remanescentes ou seja, o outro par  participam da sua personalidade no papel de auxiliares. Combinando a extroversão e a introversão com essas quatro funções, Jung chegou a oito tipos psicológicos fundamentais. Para saber em qual deles vocês se encaixa, leia abaixo.

Respeite o seu tipo

Agora que você já conhece os principais tipos psicológicos, pode aprender a tirar proveito daquilo que a sua própria personalidade lhe oferece de melhor. Outra vantagem é a de poder identificar seus pontos fracos. Você ainda será capaz de entender melhor os demais indivíduos e, até, de prever o seu comportamento. "Ninguém precisa ser um gênio. Um Einstein todos os dias, dependendo do tipo da empresa, até atrapalha", brinca Ana Cristina Limongi França, professora de Recursos Humanos da Faculdade de Economia e Administração da USP.
A lição número 1, de acordo com os adeptos da idéias de Jung, é respeitar a sua própria natureza. Você não deve se forçar a exercer um tipo que contrarie a sua inclinação original. "Um homem magro com 1,5 metro poderá facilmente se tornar um jóquei, mas jamais será um bom jogador de basquete", exemplifica a psicóloga Tânia Casado. Ela sugere que, no campo profissional, cada um procure escolher as atividades que possa exercer com mais competência e os lugares que possibilitem isso.

Mas você pode fazer mais do que aproveitar a sua maneira de ser - pode melhorá-la. Cada indivíduo deve desenvolver três das quatro funções da personalidade, de acordo com Denise Ramos. "Quem se limita a apenas uma faceta da mente se torna uma pessoa unilateral", diz. O teórico Jung, um grande intuitivo, cortava lenha, lidava com argila, trabalhava muito com as mãos para, justamente, desenvolver a sua sensação.

Como aproveitar bem... a sua personalidade

Cabeça fria, coração quente


O fato de alguém viver sob a hegemonia da função pensamento não é suficiente para que suas decisões sejam sempre as melhores. Se for introvertido, terá a tendência de se ligar profundamente ao mundo das idéias, esquecendo-se dos outros. Se pender para a extroversão, não perderá nenhuma chance de provar suas idéias. Em ambos os casos, precisa prestar atenção à platéia, que pode estar dormindo ou ressentida de tanto brilhantismo. Uma atitude sensata é começar a dizer aos outros aquilo de que está gostando, e não apenas o que deve ser corrigido. Os resultados serão gratificantes, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Os extrovertidos com a função pensamento podem ter vocação para a política e a administração de empresas. Os introvertidos dão bons arquitetos, auditores, filósofos, farmacêuticos e advogados.

Pé na terra, com imaginação

Se você tem a função predominante sensação, deve tomar cuidado para que o seu jeito "pé na terra" não o torne um sujeito sem imaginação, minucioso em excesso e incapaz de enxergar além da realidade imediata. Para compensar a deficiência no lado intuitivo, deve reforçar a função auxiliar pensamento. O sentimento, se for desenvolvido adequadamente, também o ajudará a enxergar além das aparências. No campo profissional, você tende a ter facilidade em tudo o que for relacionado com os detalhes e com a organização dos espaço. Os cirurgiões bem-sucedidos usam muito a sensação extrovertida, assim como os engenheiros, os treinadores esportivos e os repórteres. Já o artesanato é uma atividade que exige o talento típico dos introvertidos-sensacão. Outras boas opções de carreira são as de técnico de computador e de pesquisador em laboratório.

Empatia sem ingenuidade

Quem prioriza o sentimento fica exposto ao perigo de idealizar demais as pessoas, causas ou instituições que admira, pois concentra sua atenção nos aspectos mais positivos delas e fecha os olhos aos seus defeitos. Se você é assim, procure valorizar a função pensamento, que poderá torná-lo mais precavido. Profissionalmente, os indivíduos desse grupo costumam ter sucesso nas carreiras que requerem uma capacidade aguçada de entender os sentimentos dos outros - um dos componentes da chamada inteligência emocional. Os extrovertidos são excelentes vendedores, atores e psicólogos, entre outras profissões. Os introvertidos, mais à vontade em áreas onde não é preciso demonstrar grandes afetos, podem ser bons escritores, decoradores e artistas plásticos, se fizerem um esforço para se comunicar.

Parabólicas bem reguladas

Os grandes empreendedores têm como ponto forte a intuição. É uma pena que nem sempre tenham paciência para esperar que os seus projetos dêem frutos. Freqüentemente são desorganizados, esquecem-se de pagar as contas, desprezam os detalhes e, com os olhos fixos no futuro, subestimam os obstáculos do presente. Em geral, não têm talento para administrar os negócios que eles mesmos inventam. O melhor meio de compensar suas deficiências é associar-se com parceiros mais realistas, com a função predominante sensação. Os intuitivos extrovertidos costumam ter sucesso nas áreas que dependam de captar as tendências de comportamento, como a publicidade e a moda. Já os introvertidos, quando seguem a carreira de cientista, tendem a se destacar com invenções e descobertas (Albert Einstein era um deles). Também costumam se dar bem nas áreas onde a criatividade é essencial.

Encarando a "sombra"

Da próxima vez que você deparar com um colega que encara o mundo e se comporta de uma maneira totalmente diferente da sua, não se irrite. Em vez disso, pergunte-se se ele não pode se tornar um bom parceiro nos seus projetos. Para os psicólogos junguianos, aliança entre pares opostos é uma estratégia inteligente, pois possibilita somar os pontos fortes de cada tipo. "Um engenheiro que é muito intuitivo mas não consegue prestar atenção nos detalhes deve, na hora de montar um escritório, procurar ter como sócio um profissional que tenha a função sensação bem desenvolvida", recomenda Denise Ramos.

No seu cotidiano, você não precisa se preocupar com aquilo que já se manifesta espontaneamente. O importante é valorizar as potencialidades que estão atrofiadas pela sua função predominante. Esse conselho tem como alicerce o conceito junguiano de "sombra" - ou seja, o lado "escuro" da mente, moradia do inconsciente. Lá estariam guardados os instintos animais que o homem herdou de espécies mais primitivas na evolução e também as funções menos utilizadas da personalidade.

"Para sermos criativos, é preciso trazer à tona a nossa função inferior", diz Tânia Casado (veja o quadro ao lado). O ideal, para ela, seria que cada indivíduo fosse capaz de usar igualmente todos os seus quatro "pontos cardeais" (sensação, intuição, pensamento e sentimento). Assim seria possível desenvolver plenamente o potencial humano e reconhecer a realidade sob todos os aspectos possíveis. Está aí um belo desafio para o próximo milênio.

Para saber mais

Tipos Psicológicos - Carl Gustav Jung, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1992.

A Tipologia de Jung - Marie-Louise von Franz e James Hillman, Cultrix, São Paulo,1990.

Site do psicólogo americano David Keirsey: http://www.keirsey.com/

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

QUAL É O MAIS LONGO SOLO DE GUITARRA GRAVADO?

Jimmy

Nada menos que 17 minutos e 15 segundos é a duração do solo do inglês Jimmy Page, líder e guitarrista do Led Zeppelin, na faixa "Dazed and Confused", do álbum ao vivo The Song Remains The Same (1976). Desde os primeiros shows da banda, no final dos anos 60, a canção já servia de base para Page alçar vôo com o instrumento, tocando parte do solo com um arco de violino, uma de suas marcas-registradas. Numa noite inspirada, o solo de "Dazed and Confused" ultrapassava facilmente um quarto de hora - e, até onde pudemos apurar, essa gravação, realizada em julho de 1973 no Madison Square Garden, em Nova York, supera qualquer candidato ao título. A categoria não consta no Guinness, o "livro dos recordes", e pelo visto nunca foi pesquisada a sério. A única referência parecida em toda a internet foi encontrada no grupo de discussão da www.guitarists.net, comunidade virtual formada por fanáticos pelo instrumento.

O grupo cita como recorde não-gravado um solo do americano Jerry Garcia, da banda Grateful Dead, em abril de 1976, no Texas, que teria durado 37 horas, 19 minutos e 44 segundos! A informação não é confirmada em nenhum outro lugar e só pode ser gozação em cima da fama que o grupo, um dos baluartes do rock psicodélico, tinha de fazer shows intermináveis, com improvisações idem. Garcia, ao que tudo indica, deve ficar com a medalha de prata entre os solos efetivamente gravados pelos 13 minutos e 22 segundos de guitarra na faixa "Dark Star", do álbum ao vivo Live Dead (1969)

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domingo, 25 de novembro de 2007

O OURO DOS TRÓPICOS - FINAL

A viagem marcou a obra de Cendrars. Praticamente todos os livros escritos depois de 1924 contêm alguma referência direta ou indireta ao nosso país. Em Ouro (1925), a história se passa entre a Suíça e a América do Norte. Sutter larga o cantão natal e migra para a Califórnia, então pertencente ao México, e funda uma fazenda, que logo se revela muito próspera: a Nova Helvécia. Adquire fortuna e, quando menos espera, é surpreendido pela descoberta do ouro nas suas terras. A notícia se espalha como um rastilho de pólvora, e logo a sua propriedade agrícola está devastada pela corrida do ouro, da qual ele mesmo não se beneficia.

Como um roteiro de filme, o livro é narrado na primeira pessoa, no tempo presente, o único que a câmera cinematográfica conhece. Cortes secos, economia nas descrições, busca do efeito dramático pela acumulação dos elementos e tensão entre as situações contrastantes. Mas onde está o Brasil nessa história? Além de menções arbitrárias à nossa caninha e aos urubus, citados em português mesmo, o país está de fato presente na atmosfera que Cendrars vai criando para narrar a decadência ocasionada pela febre do ouro, que leva os garimpeiros a negligenciar os meios da própria subsistência. Nas Minas Gerais do século XVII, como na Califórnia de Sutter, os garimpeiros morriam de fome abraçados aos sacos de ouro. De que lhes servira acumular tanta riqueza? A leitura dos cronistas coloniais brasileiros, facultada pelo amigo e anfitrião Paulo Prado, estimulara-lhe a imaginação.

O Homem Fulminado (1945) marcou o reencontro de Cendrars com a alta literatura. Primeiro volume de uma tetralogia, num gênero que chamou de "lembranças" - relatos de coisas vistas, vividas e imaginadas -, nela o escritor assume o papel de personagem que inicia o leitor nos mistérios da vida e confere veracidade às suas fábulas. Depois de uma crise pessoal que se arrastou por boa parte do decênio de 30 e o mergulho na auto-clandestinidade, durante a Segunda Grande Guerra, em que guardou o mais rigoroso silêncio, Cendrars voltava a falar. Numa dicção especial, por ele elaborada para uso próprio, reconstituía, a partir de seu caso pessoal, o inventário de uma geração que, havendo feito a Primeira Guerra, jamais imaginou ter de suportar uma Segunda, provocada por causas semelhantes.

O Loteamento do Céu é um livro sobre seres que voam Passarinhos? Certo, mas também os santos em levitação. O volume é composto de três relatos: O Juízo Final, O Novo Patrono da Aviação e A Torre Eiffel Sideral, No primeiro, Cendrars nos conta a travessia do oceano, no retorno de uma das viagens ao Brasil. Na cabine vazia do navio, situada em frente à sua, fez instalar uma grande quantidade de macaquinhos e passarinhos com que queria presentear a sua amada, uma atriz de teatro, e os amigos dos Balés Suecos. Um único passarinho resiste à viagem para morrer sob a lâmpada que ilumina a mesa da casa da sua musa. Frágil testemunho de seu amor, não resistiu ao choque das culturas, mas sobretudo não tinha como sustentar uma situação de afeto não correspondido.

No segundo, O Novo Patrono da Aviação, o autor recolhe os traços de São José de Cupertino, um devoto cujo comportamento beirava a obtusidade, que viveu no século XVII italiano. Por que seria ele o novo patrono da aviação? Porque levitava sem dificuldade, e podia voar em marcha a ré! Num de seus melhores capítulos, intitulado O Arrebatamento do Amor, Cendrars nos brinda com o encontro de São João da Cruz com Santa Teresa d´Ávila. Sua ascensão conjunta, em dupla levitação, é o apogeu do amor sublimado, que atinge a plenitude num gozo místico. Esse relato, de leitura difícil, sobrecarregado de citações em latim, inspirou Joaquim Pedro de Andrade no roteiro de um filme que não teve tempo de concretizar: O Imponderável Bento Contra o Crioulo Voador, publicado após a sua morte prematura.

A Torre Eiffel Sideral descreve a chegada de Cendrars a uma vila perdida nos confins do Brasil, que está inaugurando a iluminação elétrica, etapa intermediária de sua viagem à fazenda Morro Azul, onde os passarinhos circulavam na mais completa liberdade, sem serem ameaçados pelos caçadores, e onde vivia o seu peculiar dono, Oswaldo Padroso, descobridor da constelação da Torre Eiffel Sideral, apaixonado por Sarah Bernhardt e um devotado cultor da civilização francesa. A personagem de Oswaldo Padroso é emblemática. Nela, o que interessa a Cendrars não é mais o relato dos antípodas, mas o exame das contradições que se instalam na relação entre uma sociedade emergente a brasileira em confronto com o seu modelo de cultura, a francesa. Nesse texto, Cendrars acaba por promover um acerto de contas pessoal com o imaginário brasileiro, que o fascinou desde o primeiro contato.

Em O Homem Fulminado, o escritor declara que pertence à família dos "simples, humildes, inocentes, desclassificados, dos cabeças quentes, pobres vexados que ainda não perderam a esperança". Seu último texto manuscrito, desfecho de um movimento cíclico, evocava a Páscoa, mas não aquela de Nova York, e, sim, a dos pobres vexados de Divinópolis, de Sabará, da viagem a Minas com os jovens amigos modernistas. Lá ele deixara, sem o perceber, seu coração de místico vagabundo, sonhando com a utopia do mundo.

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sábado, 24 de novembro de 2007

O OURO DOS TRÓPICOS - PARTE 1

Blaise Cendrars (1887-1961), escritor franco-suíço que fez do Brasil sua segunda pátria espiritual e a este país dedicou parte substantiva de sua obra, há tempos merecia ter sua prosa traduzida em português. Em 1976, uma saborosa antologia de prosa e poesia, que leva o sugestivo título de Etc... Etc... Um Livro 100% Brasileiro, com tradução de Teresa Thiériot, apareceu pela editora Perspectiva, mas já se esgotou. Também Sergio Wax, italiano que aportou em Belém do Pará, traduziu toda a poesia de Cendrars entre 1991 e 95, em edições bilíngües.

Agora, a editora Francisco Alves anuncia a reedição de Ouro e o lançamento de O Homem Fulminado e de O Loteamento do Céu, São livros capitais, nos quais o Brasil comparece implícita ou explicitamente, compondo a paisagem de uma terra alçada à dimensão de mito, que o escritor não hesitou em chamar de a sua "Utopialândia". Esse, aliás, foi o tema do seminário promovido pela USP em agosto último, que reuniu estudiosos brasileiros e internacionais em torno do Brasil de Blaise.

Nascido Frédéric-Louis Sauser numa cidadezinha perto de Lausanne, cedo revelava uma inquietação que o levaria a romper as fronteiras do bem-comportado mundo burguês. Depois de estudar medicina e comércio, com resultados medíocres, adolescente ainda foi bater em São Petersburgo para adquirir a profissão de joalheiro. Lá se enfurnava na biblioteca pública até chamar a atenção do bibliotecário que o conduziria ao mundo fabuloso das letras e se tornaria seu primeiro editor, quando da publicação de A Lenda de Novgorod, recentemente redescoberta.

Em 1912, Frédéric está em Nova York, onde passou fome e frio. Atraído pela Criação de Häendel, entrou numa igreja protestante. Lá teve a inspiração para seu primeiro grande poema: Páscoa em Nova York. Em versos livres, exortava o Senhor a olhar para os pobres e deserdados do amor e da fortuna. E cunhava o pseudônimo sonoro: Blaise Cendrars. Sua publicação em Paris causa sensação. A reputação de poeta ultramoderno foi confirmada pela publicação, no ano seguinte, de Prosa do Transiberiano ou da Pequena Joana da França, cuja edição de luxo combinava os versos livres com manchas coloridas de autoria de Sonia Delaunay. Uma obra simultaneísta, que promove o diálogo entre a poesia e a pintura.

Com a eclosão da guerra de 1914, Cendrars se apresentou como voluntário para ir combater no front. Em 1915, numa batalha na Champagne, seu braço direito foi atingido por estilhaços de granada. A amputação salvou-lhe a vida, mas o poeta ficou aleijado. Uma crise terrível se sucedeu. Em 1917, recuperou a capacidade de escrever, agora com a mão esquerda, mas decidiu "abandonar a poesia." Dedicou-se ao trabalho editorial e namorou o cinema, uma de suas grandes paixões. Sem emprego nem profissão, envolveu-se com o grupo dos Balés Suecos e escreveu o argumento de A Criação do Mundo, bailado negro com cenografia de Léger e música de Darius Milhaud. O sucesso o repôs no centro do movimento artístico e literário, mas ele já demonstrava sinais de fadiga com as intrigas do meio.

Estamos em 1923. Paris está repleta de jovens brasileiros debutando nas artes modernas: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Villa Lobos, Brecheret, Sérgio Milliet, Oswald de Andrade, Aflita Malfatti e Souza Lima, enquanto Paulo Prado, intelectual e exportador de café, chegava, como era seu hábito, para lá passar o verão. O fervilhante ambiente de Paris aproximou os brasileiros do escritor disponível. Cendrars, boêmio, divertia-se com a irreverência deles, tornando-se camarada de Di Cavalcanti, Oswald e Sérgio Milliet. Não escapou ao fascínio da beleza e doçura de Tarsila e decidiu patrocinar a sua aprendizagem da língua cubista, que cedia vez à nova ordem.

No final daquele ano, Oswald, no apogeu de sua breve carreira de empresário, quando torrava a fortuna herdada do pai, acenou com negócios fabulosos além-mar, e Cendras mordeu a isca. Consultado, Paulo Prado aceitou de bom grado arcar com as despesas da viagem. Em janeiro de 1924, Cendrars embarcou no Havre com destino ao Brasil. A travessia do Atlântico revelou-se altamente estimulante: embalado pela chegada do calor e pela luminosidade crescente, Cendrars anotava os poemas que iriam constituir a sua primeira obra "brasileira", as Feuilles de Routes.

Instalado no Hotel Vitória do largo do Paissandu, o poeta começou a conquistar os meios literários e cultivados da Paulicéia pacata e provinciana. O grupo que o hospedara levou-o para conhecer o carnaval do Rio, o circuito do Ouro das Minas, as fazendas de café. A marca profunda dessas paisagens só seria percebida pelos contemporâneos quando a obra futura denuciasse o seu impacto na memória do estrangeiro.

Certa feita,retornando da fazenda São Martinho, Paulo Prado imtroduziu Cendrars e Oswald no fascinante mundo da fazenda Morro Azul, propriedade de seu amigo e ex-funcionário da Cia. Prado Chaves, Luís Bueno de Miranda. O extraordinário anfitrião, criador de um método revolucionário de plantar café e astrônomo amador, que se gabava de ter descoberto a constelação da Torre Eiffel, impressionou imediatamente os dois poetas camaradas, que cuidariam de transfigurar essa experiência em suas respectivas obras. Oswald lhe dedicaria o poema Morro Azul, em Pau Brasil; e Cendrars, a narrativa fantástica de A Torre Eiffel Sideral, no Lotissement du ciel, em que o fazendeiro-astrônomo é chamado de "Oswaldo Padroso", uma evidente combinação dos nomes dos dois melhores amigos brasileiros.

A amável temporada brasileira transcorria mundana e intelectual demais para as expectativas do turista que, afinal, viera fazer a América. Cendrars propôs a realização de um filme de propaganda do país, uma superprodução para o circuito internacional que ele dirigiria, mas a revolução do general Isidoro Dias Lopes, que estourou em julho de 1924 com violência surpreendente, mudou o cenário político e trouxe intranqüilidade econômica. Os projetos mais ou menos grandiosos ficaram suspensos.

Apesar disso, Cendrars não voltou para a França de mãos abanando. No Brasil, havia recuperado a inspiração e a confiança para recomeçar a carreira de escritor, agora como "romancista". Instalado na sua casa de campo, em pouco menos de um mês escreveu Ouro, a saga do general suíço Johann August Sutter, que fundara Sacramento, na Califórnia, e ficara arruinado com a corrida do ouro nas suas terras. Cendrars retornaria ao país em 1926 e 27, sempre pela mão amiga de Paulo Prado. O objetivo dessas viagens continuava sendo o desejo de ingressar no mundo dos altos negócios. Nenhum deu certo. Desnecessário lembrar que o poeta morreu na miséria.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

POR QUE TODOS OS E-MAILS TÊM O SÍMBOLO DE @?

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Vamos começar pelo mais simples: o @ ou "arroba" existe para separar o nome do usuário do nome do provedor onde está hospedada a conta de e-mail. O grande mistério é saber por que escolheram o @ para os e-mails e não qualquer outro símbolo.  Ray Tomlinson, o engenheiro que inventou o correio eletrônico em 1972. Foi ele quem teve a idéia de usar o @ nos primeiros endereços. "Estudei o teclado e escolhi um símbolo que já estava lá e não era usado em nomes. Encontrei o @", afirma ele. Ainda por cima, o @ em inglês significa at (o equivalente às nossas preposições "em", "na" ou "no"), fazendo com que o endereço de e-mail possa ser lido de uma forma muito mais natural. Só para dar um exemplo, um endereço como billgates@microsoft.com pode ser entendido como "Bill Gates na companhia Microsoft". Em português, como o @ não tem o mesmo significado do inglês, os endereços soam meio bizarros. Por aqui, o "arroba" indica uma medida de peso que equivale a 15 quilos - ela ainda é bastante usada em produtos agropecuários. Esquisito ou não, o fato é que a padronização do @ pegou de tal forma que hoje é impossível criar uma conta de e-mail sem o símbolo. A propósito, Tomlinson não se lembra do conteúdo do primeiro e-mail que mandou utilizando o @. "A única coisa que eu sei é que o texto estava todo em maiúsculas", diz ele.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

SORRIA!


"Procure ver o lado bom das coisas ruins." Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda ou parecer um conselho bobo de um mestre de artes marciais saído de algum filme ruim. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. Não é difícil encontrar exemplos que comprovam que eles têm razão. Como um palmeirense poderia manter o alto-astral depois que seu time perdeu a final da Taça Libertadores da América? Fácil. É só lembrar que o Palmeiras eliminou o arqui-rival Corinthians nas semifinais da competição. Inversamente, a mesma situação pode servir para manter o bom humor do corinthiano. Afinal, embora seu time tenha sido eliminado, o Palmeiras acabou morrendo na praia. Não se trata de ver o mundo com os olhos róseos de Pollyanna. Esse tipo de flexibilidade para encarar os acontecimentos ruins não garante apenas algumas risadas: pode fazer bem para a saúde.
O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas, mesmo sendo o resultado de uma combinação de ingredientes, pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. "Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa", diz o clínico geral Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo. Mais do que isso: a endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, conseqüentemente, mais bem-humorado você fica. Eis aqui um círculo virtuoso, que Lopes prefere chamar de "feedback positivo". A endorfina também controla a pressão sangüínea, melhora o sono e o desempenho sexual. (Agora você se interessou, né?)
Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. Novamente Lopes explica por quê: "O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade". A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas como um trabalho inacabado ou uma conta para pagar, que só são trágicas porque as encaramos desse modo.
Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável e é bom que seja assim. "Você precisa de tristeza e de alegria para ter um convívio social adequado", diz o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento." Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que é necessária e faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro. Uma em cada quatro pessoas tem, durante a vida, pelo menos um caso de depressão que mereceria tratamento psiquiátrico.
Enquanto as conseqüências deletérias do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando o editor norte-americano Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa que ataca a coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital esperando para virar estatística, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os atentos olhos de uma enfermeira, com quase todo o corpo paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas de "pegadinhas" e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até poder voltar a viver e a trabalhar normalmente. Cousins morreu em 1990, aos 75 anos.
Se Cousins saiu do hospital em busca do humor, hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia-a-dia dos pacientes internados. O mais radical deles é Patch Adams, um médico americano que começou a construir o primeiro "hospital bobo" do mundo. Adams quer que os doentes dêem risadas enquanto se recuperam. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação e a eficácia das defesas do organismo.
A alegria também aumenta a capacidade de resistir à dor, graças também à endorfina. Vários estudos já comprovaram isso, alguns deles bem engraçados. Uma dessas pesquisas colocou um grupo com as mãos dentro de um balde de água gelada enquanto passava um filme humorístico. Essas pessoas ficavam com as mãos na água mais tempo que outros sem estímulo divertido.
Evidências como essa fundamentam o trabalho dos Doutores da Alegria, que já visitaram 170 000 crianças em hospitais. As invasões de quartos e UTIs feitas por 25 atores vestidos de "palhaços-médicos" não apenas aceleram a recuperação das crianças, mas motivam os médicos e os pais. A psicóloga Morgana Masetti acompanha os Doutores há sete anos. "É evidente que a trabalho diminui a medicação para os pacientes", diz ela.
O princípio que torna os Doutores da Alegria engraçados tem a ver com a flexibilidade de pensamento defendida pelos especialistas em humor - aquela idéia de ver as coisas pelo lado bom. "O clown não segue a lógica à qual estamos acostumados", diz Morgana. "Ele pode passar por um balcão de enfermagem e pedir uma pizza ou multar as macas por excesso de velocidade." Para se tornar um membro dos Doutores da Alegria, o ator passa num curioso teste de autoconhecimento: reconhece o que há de ridículo em si mesmo e ri disso. "Um clown não tem medo de errar pelo contrário, ele se diverte com isso", diz Morgana. Nem é preciso mencionar quanto mais de saúde haveria no mundo se todos aprendêssemos a fazer o mesmo.

Para saber mais
Na livraria: Soluções de Palhaços: Transformações na Realidade Hospitalar, Morgana Masetti, Editora Palas Athena, São Paulo, 1997.

Na Internet:
Links de humor: www.uni-duesseldorf.de/
WWW/MathNat/Ruch/humor.html

Termômetro do ânimo

Mania
O bom humor exagerado pode ser acompanhado por tagarelice e megalomania, que tornam o convívio social insuportável.

Hipomania
Uma forma mais leve de mania, em que a euforia é menor. Quem tem hipomania é otimista demais e tende a querer desafiar os outros.

Hipertimia
O indivíduo fica alegre e agitado, com muita disposição e pouca necessidade de descanso. Em geral, seu comportamento não causa prejuízos.

Neutro
O humor de uma pessoa saudável varia muito durante o dia, mas sempre entre as fronteiras da hipertimia e da hipotimia.

Hipotimia
Lembra-se daquele cara que se vestia de preto e curtia um som melancólico? O hipotímico não sente tanto prazer nas coisas, mas fica confortável na sua "tristeza".

Distimia
É uma depressão leve. O distímico costuma ser rabugento, irritável e pessimista. Não gosta de nada e afasta amigos e pretendentes.

Depressão
A tristeza profunda é acompanhada de uma sensação de vazio. Um deprimido não sente prazer e se irrita fácil. O pessimismo toma conta de tudo.

Hospital ou circo?

Imagine um hospital em que há um salão de dança, um teatro e até espaço para meditação. A entrada fica no meio de dois pés gigantes, a sala de exames oculares parece um enorme olho de vidro e a de exames auriculares - adivinhe - tem a forma de um imenso ouvido. Tudo num edifício tão colorido que parece mais um parque de diversões. Esse é o sonho que Patch Adams vem acalentando nos últimos trinta anos, desde a época em que chocava os colegas e professores da faculdade de Medicina vestindo-se de palhaço para fazer os pacientes rir. O projeto é ousado: trocar a sisudez dos médicos e os planos de saúde por atendimento afetuoso e gratuito. O nome do hospital? "Gesundheit!" a palavra maluca que os alemães dizem quando alguém espirra. Significa "saúde". O local? A cidade de Pocahontas, nos Estados Unidos isso não é uma piada, a cidade tem mesmo o nome da personagem do filme da Disney.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Crepe com salmão e manga

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Ingredientes:

2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
4 ovos batidos
600 ml de leite
manteiga para untar a frigideira
Recheio
250 g de salmão fresco
2 dentes de alho triturados
suco de 1 limão
azeite de oliva
1 manga fatiada
sal a gosto
Modo de Preparo:
Massa: coloque a farinha de trigo e o sal numa tigela, faça uma cavidade no centro e junte os ovos. Bata com um batedor manual, aos poucos. Em seguida, despeje lentamente o leite até formar uma massa fina. Se necessário, use o liquidificador. Cubra a tigela e deixe descansar por, pelo menos, 30 minutos, ou durante toda a noite. Antes de usar a massa, bata novamente muito bem. Recheio: coloque numa tigela o alho, o suco de limão, azeite de oliva e sal a gosto. Acrescente o salmão e deixe marinar por 15 minutos. Numa assadeira, coloque as fatias da manga e sobreponha o filé de salmão. Feche com papel-alumínio e leve ao forno brando por aproximadamente 20 minutos. Retire do forno e reserve. Pincele um pouco de manteiga numa frigideira e leve ao fogo. Coloque uma concha da massa começando no centro da frigideira. Incline a frigideira para espalhar a massa na base e chegar até as bordas. Se necessário, adicione mais massa. Frite até dourar, solte o crepe e vire com uma espátula. Retire do fogo e coloque num prato. Repita a operação até terminar a massa. Em seguida, recheie os crepes e sirva.


 Dicas:
Você pode rechear os crepes e fechar como um leque (foto acima), enrolar como omelete ou fazer uma trouxinha. Para uma versão doce, experimente rechear os crepes com creme de avelã e banana em fatias ou com geléia de frutas.

 

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

DESCARTES: A RAZÃO ACIMA DE TUDO


O rigoroso inverno de 1619 imobilizou o exército de Maximiliano da Baviera. Um percalço militar irrelevante para o desfecho da Guerra dos Trinta Anos, que ensangüentaria a Europa, mas que teve inesperada e decisiva importância para a Filosofia e a ciência moderna. René Descartes, jovem francês de 23 anos engajado nas tropas bávaras, aproveitou o frio para se isolar em um quarto de estalagem nas cercanias de Ulm, na Alemanha, e como era de seu gosto - passar dias em febril atividade intelectual. Na madrugada gelada de 11 de novembro, as centelhas de seu cérebro explodiram em sonhos agitados em um deles, o Espírito da Verdade lhe abria os tesouros da Ciência. Na manhã seguinte, superexcitado, Descartes concluiu estar no limiar de uma "ciência admirável".


"Penso, logo existo", sua máxima mais conhecida e que viria a ser a viga de sustentação do racionalismo moderno começou a nascer naquelas horas. Nas imagens dos sonhos, o jovem pretendeu ver símbolos de iluminação e indicadores da missão a que deveria consagrar sua vida: unificar todos os conhecimentos humanos sobre bases racionais. Foi ali, ao pé de uma estufa a carvão, a espada inútil encostada à parede, que Descartes pela primeira vez teve a idéia de aplicar a álgebra à geometria e a Matemática a todas as coisas. Ele desempenhou com tamanha habilidade a tarefa de dar novos alicerces ao edifício do pensamento que passou à História como o "pai da Filosofia moderna", cuja obra é o ponto de partida obrigatório para se entender as origens do modo de pensar que tornaria possíveis as revoluções científicas dos séculos seguintes.
Mas isso não estava nos cálculos do lar de Descartes, uma próspera família burguesa radicada entre Tours e Poitiers, no coração da França, e tradicionalmente dedicada ao comércio e à Medicina. Graças a uma bem azeitada estratégia matrimonial, no final do século XVI os Descartes tinham-se ligado a famílias ricas e notáveis da província os Sain e os Brochard, e estavam em franca ascensão social. Como era de se desejar para um gentil-homem daqueles tempos não de todo esquecidos do passado medieval, o avó Pierre combatera nas guerras religiosas; a mãe, Jeanne, era filha do tenente-general de polícia de Poitiers. E Joachin Descartes, o pai, chegou a conselheiro do rei no Parlamento da Bretanha título com o qual é identificado na ata de batismo de René, nascido em La Haye-Touraine, a 31 de março de 1596, terceiro e último filho do casal.


Jeanne Brochard morreu tuberculosa um ano depois e ninguém dava um vintém pela sobrevivência do filho. Ele herdara da mãe os pulmões fracos e uma tosse crônica que jamais o abandonaria. Mas o menino de aparência delicada tinha a mente ágil, e Joachin viu nele seu sucessor nos negócios e no Parlamento. Decidido a preparar René para um futuro brilhante, enviou-o em 1606 para o colégio jesuíta de La Flèche, às margens do rio Loire. Fundada apenas dois anos antes, graças à generosidade do rei Henrique IV, o fundador da dinastia Bourbon, a dos Luíses, a escola já era considerada uma das melhores da Europa. Em 1610, quando o soberano morreu e seu coração foi transladado para a capela de La Flèche, o menino René Descartes, monarquista convicto como seria por toda a vida, assistiu emocionado às solenidades.
Como sua saúde frágil era notória, Descartes recebeu permissão para ficar na cama quanto quisesse o privilégio era igualmente um prêmio a seu brilhante desempenho escolar. Adulto, Descartes manteria o hábito de trabalhar no leito e cultivaria a mesma solidão dos tempos do La Flèche, a ponto de ter tomado, ainda jovem, a decisão de não casar. Mas teve lá suas aventuras: em 1635 nasceu Francine, sua filha com Helena, uma criada. Tampouco seria o sucessor do pai, missão assumida pelo filho mais velho, Pierre. Mas a herança paterna permitiu-lhe viver igual a outros gentis-homens de seu tempo: de forma modesta, mas sem trabalhar. Havia outras heranças a considerar, contudo. O século XVI virara de ponta-cabeça a vida do homem ocidental. Navegadores e aventureiros rasgavam mares e continentes, descobrindo terras e povos.


A efervescência cultural da Renascença criara uma vaga que não cessava de afogar as velhas certezas da Filosofia e da ciência baseadas sobretudo nos escritos do grego Aristóteles e na autoridade da Bíblia. O prestígio do Estado e da Igreja estavam igualmente corroídos pela dissidência política e pela Reforma protestante. Um novo mundo nascia. Mesmo em retirada, porém, a velhas instituições permaneciam, no início do século XVII, robustas o suficiente para queimar na fogueira um certo número de pensadores atrevidos.


A Europa sabia então possuir músculos capazes de arrasar e pilhar impérios na América e de saquear as costas africanas e asiáticas. Mas chocava-se com a revelação de que outros povos viviam segundo padrões bem diferentes daqueles que pareciam os únicos legítimos. Natural que os ventos fossem de perturbação e descrença. "Só há opiniões neste mundo incerto", concluía, desanimado, o pensador francês Michel de Montaigne (1533-1592), o mais célebre dos céticos.
Quando Descartes vai para a escola, está na ordem do dia a busca de um novo caminho para o conhecimento, uma trilha que escape aos labirintos das discussões estéreis. Em poucas palavras, falta um método para a ciência. Em La Flèche, Descartes ainda não sabe, mas será um dos pensadores responsáveis por uma das duas principais vertentes do pensamento moderno - ao buscar na razão a recuperação da certeza científica, dará origem ao racionalismo; o outro percurso será traçado pelo inglês Francis Bacon (1561-1626), que propõe formular as leis científicas partindo de casos e eventos particulares, raiz do experimentalismo.


La Flèche está, contudo, no contrafluxo da história. A escola, onde o latim é a única língua admitida e Cícero o autor mais lido, é um sólido bastião da herança medieval. Descartes fica profundamente decepcionado com a repetição incessante de antigas verdades, sem lugar para, a dúvida. Está fascinado, porém, com a Matemática e se espanta que, "sendo seus conhecimentos tão firmes e sólidos, nunca tivesse conduzido a algo mais elevado". Em 1614, vai cursar Direito na Universidade de Poitiers, de onde sairá dois anos depois com um diploma de doutor e a mesma opinião sobre a erudição tradicional. Nela, as teses mais contraditórias são "cultivadas pelos melhores espíritos", escreveria mais tarde.


Nos meses seguintes, Descartes vive entre a Bretanha e Paris, onde perambula pelos salões mundanos e começa a ficar, conhecido nos círculos intelectuais. É então que conhece o padre Mersenne, seu confidente e consultor por toda a vida. Em 1618, querendo continuar os estudos, parece-lhe razoável fazê-lo na academia militar que Maurício de Nassau o mesmo que governou Pernambuco criara em Breda, na Holanda. Vestir farda estrangeira não era nada de extraordinário, visto que Holanda e França eram aliadas nas guerras religiosas contra a Espanha. Em Breda, conhece o médico Isaac Beekman, oito anos mais velho, com quem faz as primeiras experiências sobre a refração da luz e estuda a obra científica do italiano Galileu. No ano seguinte, Descartes abandona o exército do protestante Nassau e se alista nas tropas que o católico Maximiliano da Baviera reunia contra o rei da Boêmia.


O jovem oficial vive um período místico e, em Ulm, ingressa na Associação Rosa Cruz, uma sociedade semi-secreta que recomenda a seus membros o exercício gratuito da Medicina. Seus manuscritos dessa época estão perdidos, mas os títulos dão idéia do que lhe ia pela mente: Parnassas (a região das musas), Olympica (relativo aos deuses). O rigoroso inverno de 1619 em Ulm, em que a tempestade cerebral definiria seu destino, foi recordado por Descartes como uma temporada de solidão e fértil experiência intelectual: "Não encontrando nenhuma conversação que me divertisse e não tendo, além disso, por felicidade, preocupações ou paixões que me perturbassem, ficava todo o dia fechado sozinho num cômodo aquecido por uma estufa, onde dispunha de todo o tempo para me entreter com meus pensamentos.


Descartes estava convencido de que daria uma contribuição decisiva à ciência do conhecimento - na verdade, ele era extremamente vaidoso e se considerava um gênio. "Verdadeira generosidade, que faz que um homem se estime no mais alto ponto em que se pode legitimamente estimar" escreve a Mersenne, relatando suas ambições pessoais. Em 1619, dá início às viagens que se prolongariam por uma década. Entre 1623 e 1625, tendo abandonado a vida militar, vive na Itália, onde faz peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Loreto. Católico fervoroso, Descartes pagava uma promessa. Entre 1626 e 1628, fixa residência em Paris, onde se ocupa de Matemática e dióptrica, o ramo da Física que estuda a refração da luz. Só não abandonou a Filosofia porque o cardeal Pedra de Berulle o animou a servir à causa da religião contra os libertinos. Depois de Henrique IV, subiu ao trono francês seu filho, Luís XIII (de 1610 a 1643). Mas quem de fato governava era o cardeal Richelieu.


Durante dezoito anos, a partir de 1624, Richelieu administrou uma espécie de política desenvolvimentista à moda do século XVII, fomentando o comércio e a indústria. Os engenhos mecânicos proliferavam e estava na ordem do dia ser cientista. Nas ruas de Paris, é possível que Descartes tenha cruzado com Isaac de Portau, Henry d´Aramitz ou mesmo Armand de Sillégue d´Athos, os espadachins famosos da Guarda do Rei que inspiraram os três mosqueteiros de Alexandre Dumas. Ao contrário daqueles contemporâneos sempre às voltas com duelos, porém, Descartes foi um guerreiro relutante por exemplo, mais um observador do que um combatente na Guerra dos Trinta Anos.


Em 1628, Descartes decide mudar-se para a Holanda, uma terra de tolerância religiosa e, por isso mesmo, de efervescência intelectual, onde viverá quase todo o resto de sua vida. Nessa época, ele era já autor de um certo número de textos sobre Matemática, Física e Filosofia, mas ainda não entregara a obra capaz de revelar a "ciência admirável" que, presunçoso, prometera publicamente. Em 1633, está pronto, enfim, o Tratado do mundo, contendo uma explicação ordenada de todos os fenômenos naturais, da formação dos planetas e da gravidade. até chegar ao homem e ao corpo humano. Mas, justamente nesse ano, Galileu foi condenado pela Inquisição por dizer que a Terra se move ao redor do Sol. Precavido, Descartes engaveta seu livro e resolve dali por diante ser discreto e evitar qualquer confronto com a religião.


"Ando tão assustado", escreveu a Mersenne em 22 de julho de 1633, que estou quase resolvido a queimar todos os meus papéis ou, pelo menos, não deixá-los a ninguém. Confesso que, se isso (o movimento da Terra) é falso, todos os fundamentos de minha filosofia também o são." O Tratado ficou entre os papéis de Descartes e só foi publicado em 1677. Ele não abandonou, porém, a idéia de divulgar suas teses científicas, partindo da Filosofia para criar uma nova Matemática e, sobre ela, edificar uma nova ciência. Assim, em 1637, precede seus três ensaios Meteoros, Dióptrica e Geometria de um Discurso do método.


Nessa sua mais famosa obra, expõe por inteiro a metodologia da dúvida, começando por destruir tudo: sua crença na existência do mundo, dos objetos, de seu próprio corpo, de Deus, Tudo pode ser pura ilusão, sonho. Mas resta uma certeza: " Penso logo existo" (Cogito, ergo sum, em latim). Descartes reconstrói o Universo, demonstra sua própria natureza, reafirma a existência de Deus, das coisas materiais e, por fim, distingue corpo e alma no homem. O mais importante e que constitui a metodologia básica do cartesianismo é considerar como verdadeiro somente o que for possível intuir com clareza e evidência.


Descartes estava seguro de ter chegado à mais sólida filosofia jamais pensada. Mas nem por isso ficou livre da polêmica. Para evitar dissabores (não esqueceu Galileu nas mãos do Santo Ofício), costuma submeter seus trabalhos à crítica dos teólogos e os publica, junto com as eventuais objeções. Mas, mesmo na tolerante Holanda, os ministros e acadêmicos se irritam com a repercussão de sua filosofia e vão à luta em defesa de Aristóteles.


A 17 de março de 1642, o Parlamento de Utrecht proíbe que as idéias de Descartes sejam ensinadas na cidade, " primeiro, porque são novas; depois, porque desviam a juventude da velha e sã filosofia". Com isso, Descartes encheu-se de brios e passa a se defender dos ataques pessoais. Em 1645, a Universidade de Groningen o perdoa, mas a Justiça de Utrecht considera difamatória sua réplica. Dois anos depois, um teólogo da Universidade de Leyden, ainda na Holanda, o acusa de blasfemo, crime punido pela lei. Descartes precisa pedir socorro ao embaixador francês.


Isso não foi suficiente, porém, para melhorar suas relações com a terra natal. Em 1647, em Paris, onde o cardeal Mazarino, sucessor de Richelieu, lhe concede uma pensão, que por sinal jamais será paga, Descartes encontra o jovem Blaise Pascal (1623-l662), a quem sugere experiências sobre o vácuo usando o mercúrio. No ano seguinte, novamente em Paris, encontra a cidade em ebulição política e tomada por barricadas. "O ar de Paris me predispõe a conceber quimeras em lugar de pensamentos filosóficos. Vejo ali tantas pessoas que se enganam em suas opiniões e cálculos que isso me parece uma enfermidade universal", comenta, azedo. Descartes prefere mais que nunca evitar os assuntos polêmicos, ocupando-se sobretudo de questões morais. É o que mostra sua correspondência com a princesa Isabel, filha de Frederico, rei destronado da centro-européia Boêmia, exilado na Holanda.


A última obra do filósofo, As paixões da alma, de 1649, procura entender os sentimentos e tirar conclusões éticas. Nesse ano, ainda que relutante, Descartes aceita um convite para viver na corte sueca. A realeza européia está ávida de brilho intelectual, mas a rainha Cristina, da Suécia, tinha excêntrica noção de como utilizar os serviços do filósofo - ela o chamava para conversar três vezes por semana, às 5 horas da manhã. Visitar o castelo em plena madrugada, no severo inverno nórdico, foi demais para os pulmões delicados de Descartes. A 11 de fevereiro de 1650, ele morreu de tuberculose, em Estocolmo, aos 54 anos de idade. O corpo foi enviado para ser enterrado na terra natal. Mas a cabeça só voltou à França em 1809 em macabra homenagem à sua inteligência, os suecos conservaram seu crânio por mais de um século e meio.


O homem que calculava


Qualquer ginasiano conhece uma das mais populares contribuições de René Descartes à Matemática: os a, b, x, e y da álgebra. Foi Descartes, de fato, quem primeiro usou as letras iniciais do alfabeto para representar as constantes e as últimas letras para as variáveis de uma equação. Ele também introduziu o uso de expoentes e o símbolo da raiz quadrada. Mas sua grande proeza foi combinar álgebra e geometria, tornando mais fácil a solução de problemas bastante complexos isoladamente o resultado da fusão ganhou o nome de geometria analítica. Descartes foi responsável, igualmente, pela primeira classificação sistemática das curvas e de seu cálculo as coordenadas cartesianas.


São conhecidos seus avançados estudos sobre a refração da luz e a confecção de eficientes lunetas. Ele imaginou ainda a gravidade como uma espécie de turbilhão gerado pelo movimento da Terra no fluido que tudo preenche (Descartes não acreditava na existência do vazio). O planeta giraria em torno do Sol obedecendo ao mesmo princípio: um vórtice criado pelo movimento de um sólido no fluido. Tais conceitos hoje parecem pueris, mas deram origem ao mecanicismo nas ciências naturais. Aos olhos do século XX, porém, é na anatomia que Descartes comete seus piores vexames. Ele supunha, por exemplo, que a glândula pineal era uma característica do ser humano e a descreveu como a conexão entre corpo e alma. Poucas décadas mais tarde, já se sabia que répteis primitivos também tinham essa glândula - e ainda mais desenvolvida que no homem.


Em latim, só o nome


Como era praxe em seu tempo, René Descartes assinou suas obras com uma versão latinizada de seu nome: Renatus Cartesius. Daí seu sistema filosófico ser chamado cartesiano. No início do século XVII, na verdade, o latim já estava em declínio como língua universal da cultura e o próprio Descartes preferia escrever em francês. A publicação em língua vulgar do Discurso do método, em 1637, é uma espécie de atestado de maturidade intelectual do idioma francês, convertido por Descartes em respeitável veículo para a erudição. Além disso, o abandono do latim que Descartes reservou apenas para o público acadêmico permitiu ampla divulgação de seu trabalho, abrindo as portas do conhecimento aos burgueses semiletrados.

Se não foi o primeiro a filosofar na França, Descartes foi o primeiro a filosofar em francês. E isso teve tamanho impacto na terra natal que o pensamento cartesiano se tornou um símbolo de identidade nacional, uma espécie de brasão da inteligentsia francesa. Mas, para além de qualquer fronteira, Descartes legou à humanidade uma nova maneira de raciocinar, capaz de ser usada para provar até mesmo que boa parte de sua própria filosofia está errada. Da mesma forma que na álgebra as equações de grau superior são convertidas em equações mais fáceis de resolver, o método cartesiano propõe-se a dividir as questões em idéias cada vez mais básicas e simples, até obter um conhecimento legítimo: a verdade. Para o professor Carlos Alberto Ribeiro de Moura, da Universidade de São Paulo, não pode haver dúvida sobre a decisiva contribuição do filósofo do século XVII ao pensamento moderno. Diz ele: "Devemos a Descartes a teoria da verdade como problema filosófico".

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Entrevista: Quentin Tarantino


BRAVO!: Quando todos esperavam um novo Cães de Aluguel ou mesmo um novo Tempo de Violência, você surge com Jackie Brown, um filme menos truculento, mais maduro. Qual a razão da mudança?
Quentin Tarantino: Cada um dos meus filmes é diferente um do outro. Eles têm diferentes andamentos, diferentes sentimentos. Não vejo Jackie Brown como um momento de mudança de direção da minha carreira. Ele apenas expressa um lado diferente de mim. Há muitos filmes diferentes dentro de mim, e todos são parte do que eu sou. Uma carreira interessante é aquela que a gente pode chamar de madura, mas que também proporcione diversão ao cineasta. Aqueles que esperavam que meus filmes virassem uma fórmula não me conhecem realmente. O que me deixa aborrecido é o fato de as pessoas falarem sobre os meus filmes como se eu tivesse feito uns seis. Essa gente não me conhece de verdade porque eu ainda não tenho uma obra considerável para eles provarem suas teorias. Ninguém pode dizer que me conhece bem só porque me viu no programa de entrevistas do Jay Leno. Você vai me conhecer se assistir aos meus filmes. E eles representam faces diferentes do mesmo Tarantino.

Em seus dois primeiros filmes você trabalha com um universo muito particular. Aí surge Jackie Brown. O universo de Elmore Leonard (autor de Ponche de Rum, que inspirou o novo filme) é o mesmo que o seu?
Na verdade, acho que Cães de Aluguel e Tempo de Violência não tratam de um mundo fantasioso. Eu os considero bem realistas. Parte do humor desses filmes vem do fato de que tudo é mostrado como na vida real, e não como ficção. Mas não vejo nada de mais no fato de o meu terceiro filme se passar no universo criado por outra pessoa. Embora eu tenha usado uma fonte alheia, basta uma pequena mudança para torná-lo diferente, meu.

Diminuir o tom de violência no novo filme foi uma decisão consciente?
Não, assim como enfatizá-la em Cães de Aluguel e Tempo de Violência também não o foi. Eles são o que são. Jackie Brown é o que é. O engraçado é que, na época em que Cães de Aluguel foi lançado, as pessoas se referiam a ele como o filme mais violento já feito. Em todas as críticas - e eu tive ótimas críticas - sempre havia um parágrafo alertando sobre o conteúdo violento do filme. Cães de Aluguel parece muito violento na primeira vez que assistimos, mas vai ficando menos e menos violento a cada vez que o revemos. E agora, cinco anos depois, é como se ninguém o interpretasse como um filme violento. Sou fã de melodramas e, logo depois do lançamento de Cães de Aluguel, assisti a um melodrama maravilhoso, feito nos anos 30, chamado Back Street, do John Stahl (Esquina do Pecado, de 1932). Há um grande senso de tragédia nesse filme, é como se um anjo da tragédia pairasse sobre os personagens o tempo todo, mesmo nos momentos mais suaves, porque você sabe que a história vai acabar de modo terrível. Essa é a base do melodrama. A tragédia funcionava como um personagem. Era o caso de Cães de Aluguel: a violência estava sempre presente, mesmo quando a cena não era violenta, mas era como se ela pudesse surgir a qualquer momento.

Seu faro para bons elencos ressuscitou a carreira de John Travolta e agora promete fazer o mesmo com a de Pam Grier e Robert Forster. Por que os filmes de Hollywood sempre mostram os mesmos rostos?
O grande problema de Hollywood é o casting pouco criativo. Mas não é uma atitude maliciosa, pensada para deixar bons atores longe do trabalho, ou uma estratégia puramente comercial. É pura ignorância, mesmo: eles simplesmente não conhecem os atores que têm, só reconhecem os rostos que acabaram de ver no cinema.

Em Tempo de Violência você conseguiu a adesão de grandes nomes do cinema internacional, como Bruce Willis, Uma Thurman e Rosana Arquette. Dessa vez você conquistou Robert De Niro, Michael Keaton e Bridget Fonda. Em geral, eles trabalham por uma percentagem da bilheteria. Essa facilidade cada vez maior para ter estrelas hollywoodianas é conseqüência da repercussão de seus filmes?
Acho que esses atores não são receptivos apenas ao tom da minha voz ao telefone. Eles são receptivos porque conhecem o meu trabalho. As pessoas gostam de trabalhar comigo não porque querem colaborar com um diretor de grandes estrelas de Hollywood; assim como eu não convido De Niro apenas porque preciso de uma superestrela no meu filme. O mais importante é que reagimos uns aos outros como artistas. Tenho vantagem sobre muitos diretores em Hollywood simplesmente porque venho de uma formação dramática. Eu tenho a confiança dos atores porque eles vêem os meus filmes, vêem como as performances são boas, sabem que quem está atrás da câmera é o criador daquele ambiente. Não estou dizendo que sou maravilhoso, mas, sim, que existe um monte de diretores que não sabe falar com os atores. Os atores são mitificados e os diretores não têm a menor idéia de como os atores fazem o que fazem. Eu poderia ter quem eu quisesse nesse filme, todos grandes estrelas, mas eu tento escolher os atores que têm a ver com os papéis. Robert Forster é perfeito para o seu personagem, assim como De Niro é o mais indicado para o dele. E não é legal ver toda aquela mistura?

Você transferiu a ação do livro de Leonard, que se passa em Miami, para South Bay, região de Los Angeles que tem uma grande comunidade negra, na qual você foi criado. Jackie Brown, aliás, é uma versão modernizada dos velhos blaxploitation movies dos velhos filmes feitos por negros, com negros e para negros?
É uma questão de afinidade com os negros. Quando você cresce cercado de muitos negros, você acaba se sentindo como um deles. Não é como se você quisesse ser um negro, você apenas se sente como se fosse um deles. É muito fácil para qualquer pessoa criada numa determinada sociedade assimilar traços daquela cultura. Ela se torna parte de você. É o que eu sou. E não tem nada a ver com política, com racismo. Falo de mim, de como me sinto em relação aos negros. Não falo do ponto de vista político, mas do ponto de vista do coração.

Seus filmes são protagonizados por pequenos e grandes bandidos. De onde vem esse fascínio por tipos criminosos?
Definitivamente, as figuras marginais são mais fáceis de trabalhar quando você quer criar uma história. A partir do momento em que você introduz uma arma numa determinada situação, você consegue ter uma história. Se, nesse instante, eu tirar uma arma carregada do meu bolso, colocá-la na mesa e girá-la, você tem uma história para contar. Para os cidadãos comuns, ordeiros, os criminosos são fascinantes porque representam o caminho que eles não escolheram na vida. Nós, que respeitamos a lei, fizemos a escolha oposta, preferimos o mais difícil. Somos fascinados pelos que fazem a opção pelo crime mas, ao mesmo tempo, eles nos aterrorizam, nos exasperam, nos cansam, e ainda assim os romantizamos.

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domingo, 18 de novembro de 2007

Dica : DVD



Os indicados ao Oscar® Johnny Depp, Kate Winslet e os vencedores Dustin Hoffman e Julie Christie apresentam esse fantástico conto de fadas sobre um dos maiores escritores infantis e as pessoas que o inspiraram a criar sua obra-prima "Peter Pan". O dramaturgo James M. Barrie está numa encruzilhada em sua carreira quando se vê sem inspiração para sua próxima peça. É quando ele conhece por acaso uma jovem viúva e seus quatro filhos. Juntos eles iniciam uma amizade que aflora de novo a imaginação de Barrie para produzir seu melhor trabalho! Com um elenco de estrelas e um tratamento impecável, Em Busca da Terra do Nunca foi considerado por muitos críticos um dos melhores filmes do ano e venceu o Oscar® de Melhor Trilha Sonora!


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sábado, 17 de novembro de 2007

Dica: Gastronomica/SP.

Graça Mineira

O casal Graça e Antônio Rossi serve receitas triviais caprichadas, que lembram comida materna. Vão de entradinhas chamadas de beliscos (torresmo, R$ 7,90) a doces (ambrosia, R$ 2,80). As porções são fartas e satisfazem duas pessoas. Entre elas, costelinha de porco ensopada com quiabo (R$ 23,80) e carne de sol desfiada com feijão, couve, tutu, torresmo, banana frita e arroz (R$ 23,90). Os pratos podem ser pedidos em meia-porção. Às quartas e aos sábados, tem feijoada (R$ 28,60).

Endereço:
R. Machado Bitencourt, 75 - Vila Mariana - São Paulo - SP - (Metrô Sta. Cruz)

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Dica Literária

Quanto Preciso Pesar para Ser à Prova de uma Bala Perdida?
290 págs., R$ 40
Mick O'Hare (org.). Trad. Carlos Duarte. Ed. Record (r. Argentina, 171, CEP 20921-380, RJ, tel. 0/xx/21/2585-2000).
Seleção de cartas da revista "New Scientist", contém perguntas e respostas enviadas por leitores sobre trivialidades como "que bebida produz a pior ressaca".


Diário da China
96 págs., R$ 26
de Edgar Morin. Tradução de Edgard de Assis Carvalho. Ed. Sulina (av. Osvaldo Aranha, 440, conjunto 101, CEP 90035-190, Porto Alegre, RS, tel. 0/xx/ 51/3311-4082).
O pensador francês relata suas impressões durante sua viagem à China em 1992. Convidado por uma agência oficial, Morin visitou Pequim, Xian, Xangai e Cantão.


Sete Lições sobre as Interpretações do Brasil
224 págs., R$ 34
de Bernardo Ricupero. Ed. Alameda (r. Ministro Ferreira Alves, 108, CEP 05009-060, São Paulo, SP, tel. 0/xx/ 11/3862-0850).
O pensamento político brasileiro é analisado pelo professor de ciência política da USP, com capítulos dedicados a seis autores, como Oliveira Vianna e Gilberto Freyre.


Espetáculos do Galpão
de 80 a 144 págs., R$ 17,50 (cada)
Grupo Galpão. Ed. PUC Minas/Autêntica (r. Aimorés, 981, 8º andar, CEP 30140-071, Belo Horizonte, MG, tel. 0/ xx/31/3222-6819).
A coleção sobre o grupo mineiro de 25 anos contém três obras de teatro de rua, no livro "Textos de Rua", além de sete espetáculos que foram editados em volumes separados.


Monstros e Monstruosidades na Literatura
192 págs., R$ 29
Julio Jeha (org.). Ed. UFMG (av. Antônio Carlos, 6.627, Pampulha, CEP 31270-901, Belo Horizonte, MG, tel. 0/ xx/31/3499-4650).
O livro organizado pelo professor da Universidade Federal de MG trata de sereias, marcianos e dos monstros descritos por autores como Ésquilo, Borges ou Cornélio Penna.


Eu, Cláudio
424 págs., R$ 61
de Robert Graves. Tradução de Cecília Prada. Ed. A Girafa (av. Angélica, 2.503, conjunto 125, CEP 01227-200, São Paulo, SP, tel. 0/ xx/11/ 3258-8878).
O autor de romances históricos Robert Graves (1895-1985), doutor honorário pela Universidade de Oxford, descreve intrigas em torno do poder na Roma Antiga.


A Economia Solidária como Política Pública
320 págs., R$ 39
de Rosangela Nair de Carvalho Barbosa. Ed. Cortez (r. Monte Alegre, 1.074, CEP 05014-001, São Paulo. SP, tel. 0/ xx/11/3864-0111).
A doutora em serviço social pela Pontifícia Universidade Católica de SP trata de temas como emprego informal, cooperativas e diretrizes governamentais do trabalho.


Humanidades
180 págs., R$ 10
Ed. UnB (SCS, quadra 2, nº 78, 3º andar, CEP 70300-500, Brasília, DF, tel. 0/xx/ 61/3035-4210).
O nº 53 da revista trimestral traz dossiê sobre a filósofa Hannah Arendt (1906-75), autora de "Eichmann em Jerusalém".


Os Destinos do Trágico
152 págs., R$ 32
Douglas Garcia Alves Jr. (org.). Universidade Fumec/Ed. Autêntica (r. Aimorés, 981, 8º andar, CEP 30140-071, Belo Horizonte, MG, tel. 0/xx/31/3222-6819).
Os professores Rodrigo Duarte, da UFMG, e Vladimir Safatle, da USP, entre outros, discutem o conceito filosófico de tragédia, com ênfase em autores como Kant e Nietzsche.


Diplomacia, Estratégia e Política
272 págs., R$ 30
Fundação Alexandre de Gusmão/Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Esplanada dos Ministérios, bloco H, anexo 2, térreo, CEP 70170-900, Brasília, DF, tel. 0/ xx/61/3411-6033).
Em seu nº 6, a publicação apresenta artigos dos presidentes Rafael Correa (Equador), Álvaro Uribe (Colômbia) e Hugo Chávez (Venezuela) e outros textos.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Dica: Lingua Portuguesa

A dias das eleições

- Há dias das eleições, acirram-se os discursos, e os estrategistas ajustam os ponteiros das campanhas

Existem vários usos para o verbo "haver". Um deles é para indicar tempo passado. Nessa situação, fica sempre no singular:

- Lançados há 20 anos, os discos influenciaram várias gerações

- Há quatro anos, só 2,9% anularam o voto, tanto para a Câmara quanto para a Assembléia

- Polícia liberta garoto de 6 anos seqüestrado há dois meses

Quando o trecho faz referência a um momento futuro, não se usa o verbo "haver". Repare:

- Ele vai manter o cargo daqui a quatro anos?

- A relação dívida/PIB chegará a 40% daqui a cinco anos

- Acredito que ele só estará 100% daqui a uns dez dias

O exemplo que abre a postagem faz menção a uma situação futura, as eleições do próximo domingo. Teria de ser "a" (e não "há"):

- A dias das eleições, acirram-se os discursos, e os estrategistas ajustam os ponteiros das campanhas

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Cidades Brasileiras: Coronel Fabriciano/MG

 

Coronel Fabriciano é uma cidade do estado de Minas Gerais vinculada à metalurgia que, juntamente com Ipatinga, forma a conurbação mais importante do alto vale do rio Doce. Coronel Fabriciano exerce influência sobre um conjunto de sete municípios, entre os quais a cidade de Timóteo, e é cortada pela rodovia BR-381, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares e é servida também pela ferrovia Vitória–Minas, operada pela Companhia Vale do Rio Doce, especializada em transporte de minérios.

População (1996): 91.425 habitantes.

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Tecnocratas!


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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Acupuntura diminui dor em cirurgias

 

Recorrer à acupuntura antes e durante uma intervenção cirúrgica diminui bastante a dor e as doses de analgésicos necessárias após a operação, de acordo com uma pesquisa divulgada nos Estados Unidos.

Esta pesquisa foi realizada com a ajuda de quinze pequenas clínicas de acupuntura que realizaram testes com pessoas escolhidas aleatoriamente.

"A dose de opióides necessária para controlar a dor foi bastante inferior entre os pacientes em estado pós-operatório tratados com acupuntura em comparação com aqueles não beneficiados por este tratamento", explicou o dr. Tong Joo Gan, um anestesista da Universidade Duke.

"Mas a maior vantagem foi a forte diminuição dos efeitos secundários ligados aos opióides", disse, em um comunicado.

Os opióides são similares ao ópio e possuem propriedades e efeitos fisiológicos semelhantes aos da morfina.

Os efeitos secundários destes analgésicos afetam negativamente a recuperação do operado e prolongam a duração de sua permanência no hospital, acrescentou.

O dr. Gan apresentou os resultados destes trabalhos terça-feira na conferência anual da American Society for Anesthesiology em São Francisco (Califórnia, oeste).

Os pacientes tratados com a acupuntura tiveram ainda 1,5 vezes menos náuseas que os outros, 1,3 vezes menos fortes dores, 1,6 vezes menos tonturas e 3,5 vezes menos casos de retenção de urina.

O médico recomenda que a acupuntura seja considerada uma opção para o controle da dor em caso de cirurgia.

Embora a medicina não compreenda ainda por que e como age a acupuntura, recentes pesquisas parecem indicar que esta técnica, utilizada na China há mais de 5.000 anos, estimula a liberação de hormônios ou analgésicos naturais do corpo, chamados de endorfinas, revela o dr. Gan.

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domingo, 11 de novembro de 2007

BUDA: UM PRÍNCIPE ENCONTRA A PERFEIÇÃO - FINAL

Não havia centralização política: a antiga unidade tribal fora rompida pelo surgimento e expansão de vários pequenos reines. A religião predominante, o bramanismo, que cultuava um deus criador Brahma. era contestada por numerosos movimentos organizados em torno de mestres carismáticos. Mais do que tudo, os unia uma oposição ao sistema de castas que dividia a sociedade indiana e assegurava os privilégios da elite sacerdotal. O terreno era propício à aceitação do budismo. No rastro da pregação de Buda formou-se uma numerosa comunidade de monges e monjas que renunciaram aos bens materiais e às atividades profissionais para viver de esmolas, meditar e pregar a doutrina. Formou-se também uma vastíssima comunidade de fiéis leigos de ambos os sexos. Entre os convertidos pelo Buda estava seu próprio filho, Rahula. Três marcas são características do budismo; consideradas em conjunto, o distinguem de todas as outras religiões: as noções de impermanência, ou seja, todos os fenômenos são efêmeros, sujeitos à contínua transformação; insubstancialidade, isto é, os seres não possuem qualquer núcleo estável que determine sua natureza, mas são uma complexa e sempre cambiante teia de relações; e nirvana, o estado de extinção dos sofrimentos que se manifesta quando o homem compreende profundamente a impermanência e a insubstancialidade, e se libera de sua ilusão de "eu" e dos apegos egoístas que ela engendra. Buda superou o samsara, o mundo das aparências, e encontrou o nirvana em sua iluminação sob a figueira. Segundo a doutrina, ele atingiu o para-nirvana, ou nirvana pleno, após sua morte, ocorrida quando tinha mais de 80 anos. Ela foi apressada pela ingestão, supostamente voluntária, de alimentos deteriorados, que lhe teriam sido oferecidos pelo ferreiro Cunda, na aldeia de Pava. Ele se preparou para morrer banhando-se pela última vez e esperou a consumação deitado sobre o lado direito, com a cabeça voltada para o norte e o rosto virado para o poente. Conforme a tradição, seu corpo foi cremado pelo discípulo Aranda e coberto com mel para que nenhuma partícula se perdesse. Uma terça parte foi entregue aos nagas, outra aos deuses e a terceira aos homens. Como ocorreu com praticamente todas as grandes religiões, o budismo sofreu metamorfoses e divisões após a morte de seu fundador. O principal cisma, que tomou forma apenas 140 anos depois, foi entre a corrente Hinayana (Pequeno Veículo) e a Mahayana (Grande Veículo). Essas denominações vêm de uma pergunta metafórica: no caso de um incêndio, como um homem deveria se salvar? Num pequeno carro puxado por uma cabra, que Ihe asseguraria a salvação individual, ou num grande carro de bois, que Ihe permitiria levar muitos outros junto? A corrente Mahayana respondeu com a segunda alternativa e se tornou amplamente predominante. Dela resultaram, através da fusão com numerosas tradições religiosas orientais, escolas tão diversas quanto o austero e filosófico zen japonês (derivado do chan chinês) e o exuberante e mitológico lamaísmo tibetano. O budismo tem expressão muito reduzida na Índia contemporânea, alcançando apenas 2 por cento da população, mas tornou-se a principal religião do Extremo Oriente, com mais de 250 milhões de adeptos espalhados por países como o Nepal, Tibete, Butão, Sikkim, China, Mongólia, Birmânia, Tailândia. Laos, Kampuchea, Vietnã, Sri Lanka, Coréia e Japão além de provocar interesse cada vez maior no Ocidente. Ao contrário do cristianismo, o budismo não acredita num deus criador: os infinitos universos de sua cosmologia passariam por um processo também infinito de destruição e criação, sem começo nem fim, regido por uma lei eterna. Os seres que povoam cada um desses universos e que podem assumir a forma de animais, homens, deuses, demônios etc.- estariam sujeitos a sucessivos nascimentos e mortes. Não há propriamente uma alma imortal: são as ações, palavras e pensamentos de uma existência que tecem a trama (karma) que determina a existência futura. Esse processo é considerado extremamente doloroso, e escapar dele deve ser o fim visado por todos os seres. Eles têm a oportunidade rara de consegui-lo apenas quando renascem na forma humana e conseguem desapegar-se totalmente do mundo ilusório. Libertar-se é atingir o nirvana, a cessação de todos os desejos, a suprema e eterna paz.

Brasileiro, budista e monge

O maior especialista em budismo no Brasil tem o nome impecavelmente ocidental de Ricardo Mário Gonçalves o que talvez ensine algo sobre a difusão da doutrina budista para além da Ásia e de suas muitas etnias. Mas foi em contato com amigos japoneses em São Paulo que, ainda estudante de ginásio, Ricardo ouviu falar pela primeira vez em Buda. "Decidi então empregar minha vida em descobrir o que era", lembra ele. Depois de freqüentar durante dez anos um templo zen-budista no bairro paulistano da Liberdade, centro da colônia japonesa, foi ao Japão, onde ficou um ano estudando numa escola budista de orientação esotérica. "De volta ao Brasil", conta Ricardo, "percebi que o esoterismo não seria corretamente compreendido aqui, a não ser por uma minoria." Por isso, aproximou-se da Escola da Terra Pura, uma corrente bem mais popular do budismo. Numa segunda viagem ao Japão, em 1981, foi ordenado monge. Cinco anos mais tarde, de novo no Japão, recebeu o título de mestre e a patente de missionário a primeira conferida a um ocidental pelo ramo da Terra Pura. Como monge, poucas coisas distinguem o dia-a-dia de Ricardo do de uma pessoa comum. Casado, divide seu tempo entre a Universidade de São Paulo, onde leciona História, e a atividade num templo budista da zona sul da cidade, onde dirige o setor de pesquisas sobre o budismo. Ali ele reúne os interessados no estudo de textos clássicos indianos, chineses e japoneses. Ricardo edita, enfim, um jornal em português e japonês dirigido à comunidade dos seguidores da corrente da Terra Pura.

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