quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Lançamentos

O Atentado
272 págs., R$ 35
de Harry Mulisch. Tradução de Cristiano Zwiesele do Amaral. Ed. José Olympio (r. Argentina, 171, 1º andar, CEP 20921-380, RJ, tel. 0/ xx/ 21/ 2585-2070).
As transformações da Holanda no pós-guerra são o tema deste romance do escritor Harry Mulisch (1927), já adaptado para o cinema. O longa de 1986 ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

O Choque do Real
240 págs., R$ 29
de Beatriz Jaguaribe. Ed. Rocco (av. Presidente Wilson, 231, 8º andar, CEP 20030-021, RJ, tel. 0/xx/21/ 3525-2000).
Os novos códigos realistas na fotografia, no cinema e nos meios de comunicação são investigados em seis ensaios da professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Maconha, Cérebro e Saúde
176 págs., R$ 22
de Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro.
Ed. Vieira & Lent (r. Senador Dantas, 118, conjunto 407, CEP 20031-201, RJ, tel. 0/xx/21/ 2262-8314).
Os pesquisadores discutem os mecanismos de ação da maconha no cérebro e no corpo, analisando os riscos de seu uso abusivo e os benefícios de seu potencial terapêutico.

Rio de Janeiro - Cultura, Política e Conflito
232 págs., R$ 44
Gilberto Velho (org.). ed. Zahar (r. México, 31, sobreloja, CEP 20031-144, RJ, tel. 0/xx/21/ 2108-0808).
O antropólogo e professor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reúne oito textos que têm a cidade como objeto e discutem violência, bailes funk e camelôs, entre outros temas.

Teorema
58 págs., R$ 8
Revista Teorema (r. Marquês do Pombal, 788/402, CEP 90540-000, Porto Alegre, RS, tel. 0/xx/51/ 3222-5934).
O nº 11 da revista de cinema traz entrevista com o montador e roteirista Giba Assis Brasil, examina a obra de Antonioni e traz críticas de "Cão sem Dono" e "Santiago", entre outros filmes.

A Duas Vozes - Hannah Arendt e Octavio Paz
128 págs., R$ 25
de Eduardo Jardim. Civilização Brasileira (r. Argentina, 171, CEP 20921-380, RJ, tel. 0/xx/ 21/ 2585-2000).
Os pontos de convergência entre o pensamento do poeta mexicano e as idéias da filósofa de origem alemã são investigados pelo professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Princípios de Política Aplicáveis a Todos os Governos
936 págs., R$ 94,90
de Benjamin Constant. Tradução de Joubert de Oliveira Brízida. Topbooks (r. Visconde de Inhaúma, 58, sala 203, CEP 20091-000, RJ, tel. 0/xx/21/ 2233-8718).
O pensador suíço (1767-1830), autor que exerceu grande influência no Brasil durante o Império, faz neste livro uma defesa da liberdade e trata do liberalismo econômico e do papel do Estado.

Breve Ensaio sobre o Homem e Outros Estudos
216 págs., R$ 25
de Helio Jaguaribe. Ed. Paz e Terra (r. do Triunfo, 177, CEP 01212-010, São Paulo, SP, tel. 0/xx/11/ 3337-8399).
Dezoito textos do sociólogo e membro da Academia Brasileira de Letras que discutem a antropologia filosófica de Max Scheler e a relação entre fé cristã e verdade racional, entre outros temas.

O Inconsciente
132 págs., R$ 25
de Christiane Lacôte-Destribats. Tradução de Mario Fleig e Carolina Gubert Viola. Ed. Unisinos (av. Unisinos, 950, CEP 93022-000, São Leopoldo, RS, tel. 0/xx/51/ 3590-8239).
A psicanalista e membro da Associação Lacaniana Internacional aborda os desafios contemporâneos trazidos pelo consumo e por novos comportamentos ao conceito de inconsciente.

Rizomas da Reforma Psiquiátrica
182 págs., R$ 32
de Tania Mara Galli Fonseca, Selda Engelman e Cláudia Maria Perrone. Ed. UFRGS/ Sulina (av. Osvaldo Aranha, 440, conjunto 101, CEP 90035-190, Porto Alegre, RS, tel. 0/ xx/ 51/ 3311-4082).
As três pesquisadoras levantam questões atuais e externam inquietações em relação à reforma psiquiátrica a partir de pesquisa que incluiu as cidades de Porto Alegre, Campinas, Recife e Sobral (CE).

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

DUPLO CLIQUE PATENTEADO


Imagine se, toda vez que você clicasse duas vezes para abrir um arquivo ou acessar um link, Bill Gates ganhasse alguns dólares a mais. Pois isso está prestes a acontecer.A Microsoft recebeu, nos Estados Unidos, a aprovação da patente do duplo clique, aquele comando que serve para acionar praticamente tudo no mundo da computação. A empresa diz ter inventado "um método que estende a funcionalidade dos botões de um computador de recursos limitados". Traduzindo: o botão do mouse, como todo botão, serve para ser apertado uma vez. Se o genial Bill Gates "inventou" que você pode apertá-lo duas vezes, ele tem direito de cobrar por isso. "Estou segura de que essa patente será anulada porque ela não é inovadora", diz Daniela Zaitz, especialista em propriedade intelectual. Os outros fabricantes americanos de software, como Adobe, IBM e Apple, também estão contando com isso. Caso contrário, eles vão ter de "inventar" um novo jeito de usar o mouse.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

E o IgNobel vai para...


A seguir, alguns dos ilustres ganhadores. Gênios incontestáveis, para o bem, para o mal, ou simplesmente para o mais completo ridículo.

1991

Biologia
Robert Graham, porque inventou um banco de sêmen que aceitava doações de esperma de ganhadores do outro prêmio, o Nobel (o de verdade). A idéia até parece boa, mas soa como um segregacionismo aos modos de Hitler. Além disso, o fato de ter sido gerado com o sêmen de um gênio não significa que uma criança receba como "herança" essa virtude.

Paz
O físico Edward Teller, por ter criado a bomba de hidrogênio americana. Teller também é o mentor do programa "Guerra nas Estrelas" de defesa espacial contra mísseis balísticos.

Economia
Michael Milken, operador da Bolsa de Valores de Nova York, que criou ações fantasmas e faturou milhões de dólares até ser descoberto. Por isso, foi condenado a 20 anos de cadeia e não pôde ir receber o prêmio.

1992

Medicina
Uma equipe japonesa do Centro de Pesquisa Shisedo, de Yokohama, pelas valiosas pesquisas sobre as causas do chulé. De fato a pesquisa, em si, é séria. O engraçado foi a conclusão do trabalho, que parece não concluir nada: "Quem acha que tem chulé, sempre tem, e quem acha que não, não tem mesmo."

Arqueologia
Um grupo de escoteiros, o Éclaireurs de France, que apagou importantes pinturas pré-históricas em uma caverna achando que eram pichações, quando realizavam uma "cruzada pela limpeza".

Literatura
Yuri Struchkov, por ter participado como co-autor de 948 artigos ciêntíficos, de 1981 a 1990, o que dá uma boa média de produção intelectual: um artigo a cada 3,7 dias. Mas Struchkov é um simples operador de um equipamento e acabou ganhando os créditos, como co-autor, até em algumas pesquisas das quais não entende patavina.

Biologia
O médico americano Cecil Jacobson, pelo seu "método de controle de qualidade do sêmen na inseminação artificial". Ele só inseminava mulheres com o próprio sêmen.

1993

Medicina
Os médicos James Nolan, Thomas Stilwell e John Sands Jr. Eles fizeram trabalhos, publicados em duas revistas de medicina sérias, explicando a seus colegas de profissão como se deve proceder nos casos em que um pênis fica preso em um zíper.

Química
James e Gaines Campbell, que inventaram o odioso método de se colocar perfume nas páginas de revistas.

Literatura
São 972 ganhadores, que fazem parte de uma equipe que fez uma pesquisa médica internacional, em 15 países. O resultado saiu em uma das mais prestigiosas revistas médicas do planeta, a The New England Journal of Medicine, assinado pelos 972 co-autores.

1994

Física
Agência Meteorológica Japonesa, por um estudo de sete anos sobre possíveis terremotos causados pelo movimento de peixes rebolando suas caudas.

Economia
Juan Pablo Davila, corretor e ex-empregado da Codelco, uma empresa do governo do Chile. Ele instruiu seu computador para comprar quando queria vender, provocando um enorme prejuízo à estatal. Em seguida, fez negócios desastrados tentando recuperar o prejuízo que causou.

Entomologia
Robert A. Lopez, veterinário de Westport, Nova York, que coletou parasitas Otodectes cynotis, comum em gatos, e os colocou no próprio ouvido, para ver o que acontecia.

Medicina
Richard C. Dart, do Centro de Veneno de Rocky Mountain, Richard A. Gustafson, da Universidade de Arizona, e o paciente, um ex-fuzileiro naval cujo nome foi omitido. Os médicos levaram o prêmio pelo seu artigo "Fracasso do Tratamento com Choque Elétrico para Envenenamento por Cascavel", e o paciente, por ter sido picado por sua cobra de estimação e pedido para ser tratado com choques no lábio.

Paz
John Hagelin, da Universidade Maharishi e do Instituto de Ciência, Tecnologia e Política Pública, de Washington, DC, pela sua conclusão de que uma meditação feita por 4 000 pessoas na capital dos Estados Unidos baixou em 18% o crime violento na cidade.

Matemática
A Igreja Batista Sulista de Alabama, pela sua contagem precisa, em cada um dos municípios do Alabama, de quantos cidadãos poderão ir para o inferno caso não se arrependam de seus pecados.

Biologia
W. Brian Sweeney, Brian Kratte-Jacobs, Jeffrey W. Britton e Wayne Hansen, pelo revolucionário estudo "O soldado com prisão de ventre: Prevalência entre tropas dos EUA", publicado em Military Medicine.

Psicologia
Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro de Cingapura, por punir seus cidadãos toda vez que eles cospem, mascam chiclete ou alimentam pombos.

Literatura
L. Ron Hubbard, pela sua ficção científica, por ter fundado a Cientologia e escrito o livro Dianética, altamente lucrativo para a humanidade (ou uma parte dela).

Química
Bob Glasgow, senador estadual texano, por promover uma lei de 1989 para controlar drogas que tornou ilegal comprar tubos de ensaio e outros frascos de vidro para laboratório sem a devida licença.

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domingo, 28 de outubro de 2007

O Começo de Tudo - Final


QUANDO SURGIU O PÃO?
Esse alimento nasceu com a própria agricultura, há cerca de 12 000 anos, quando começaram a ser cultivadas as plantas com grãos. "Os pães mais antigos provavelmente eram feitos de cevada, o primeiro cereal a ser plantado pelo homem", diz o historiador Emanuel Bouzon, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. "Os primeiros povos sumérios, na Babilônia, já tinham pão." Inicialmente seco e duro, ele passou a ser cozido após a invenção da cerâmica em 3000 a.C. Mais tarde, em 1800 a.C., os egípcios descobriram como torná-lo mais macio e saboroso. Perceberam que, depois de um certo tempo, a massa umedecida liberava gases, tornando o pão mais poroso. Fizeram um teste: misturaram parte dessa massa fermentada com uma outra fresca. Ela também fermentou. Assim, aprenderam a controlar o processo e a fazer o pão levedado ou fermentado, técnica utilizada até hoje.

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sábado, 27 de outubro de 2007

O Começo de Tudo - Parte 1

 

pizza

QUAL É A ORIGEM DA PIZZA?

Seus criadores foram mesmo os italianos. Mas existem várias hipóteses para explicar a chegada do ancestral da pizza à Itália. A principal delas conta que, três séculos antes de Cristo, os fenícios costumavam acrescentar ao pão coberturas de carne e cebola. Só que o pão deles era parecido com o pão sírio, redondo e chato como um disco. A mistura também foi adotada pelos turcos, que preferiam cobertura à base de carne de carneiro e iogurte fresco. "Durante as Cruzadas, no século XI, o pão turco foi levado para o porto italiano de Nápoles", conta o sociólogo Gabriel Bollaffi, da USP. Os napolitanos tomaram gosto pelo petisco e foram aperfeiçoando-o com trigo de boa qualidade para a massa e coberturas variadas, especialmente queijo. Nascia, então, a pizza quase como a conhecemos hoje. Faltava só o tomate, introduzido na Itália no século XVI, vindo da América, e incorporado como ingrediente tão básico quanto o queijo.

A mais antiga pizzaria que se conhece está em Nápoles e foi fundada em 1830. A pizza Margherita também surgiu nessa cidade, em 1889, feita de encomenda para o rei Umberto I e a rainha Margherita.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Epicuro e Epicurismo

Os princípios enunciados por Epicuro e praticados pela comunidade epicurista resumem-se em evitar a dor e procurar os prazeres moderados, para alcançar a sabedoria e a felicidade. Cultivar a amizade, satisfazer as necessidades imediatas, manter-se longe da vida pública e rejeitar o medo da morte e dos deuses são algumas das fórmulas práticas recomendadas por Epicuro para atingir a ataraxia, estado que consiste em conservar o espírito imperturbável diante das vicissitudes da vida.

Epicuro nasceu na ilha grega de Samos, no ano 341 a.C., e desde muito jovem interessou-se pela filosofia. Assistiu às lições do filósofo platônico Pânfilo, em Samos, e às de Nausífanes, discípulo de Demócrito, em Teos. Aos 18 anos viajou para Atenas, onde provavelmente ouviu os ensinamentos de Xenócrates, sucessor de Platão na Academia. Após diversas viagens, ensinou em Mitilene e em Lâmpsaco e amadureceu suas concepções filosóficas. Em 306 a.C. voltou a Atenas e comprou uma propriedade que se tornou conhecida como Jardim, onde formou uma comunidade em que conviveu com amigos e discípulos, entre os quais Metrodoro, Polieno e a hetaira Temista, até o fim de seus dias.

Segundo Diógenes Laércio, principal fonte de informações sobre Epicuro, o mestre desenvolveu sua filosofia em mais de 300 volumes, mas esse legado escrito se perdeu. Epicuro elaborou estudos sobre física, astronomia, meteorologia, psicologia, teologia e ética, mas do que escreveu só se conhecem três cartas e uma coleção de sentenças morais e aforismos. A física epicurista inspirou-se na doutrina de Demócrito e propõe um universo, infinito e vazio, que contém corpos constituídos de átomos, elementos indivisíveis que se acham em constante movimento. Contrapõe ao determinismo de Demócrito a tese segundo a qual esses átomos experimentam em seu movimento um desvio (clinamen) espontâneo, que explica a maior ou menor densidade da matéria que forma os corpos a partir das colisões e rejeições entre os átomos. Segundo Epicuro, a alma é uma entidade física, distribuída por todo o corpo. Quando o indivíduo morre, ela se desintegra nos átomos que a constituem. A percepção sensorial, por meio da alma, é a única fonte de conhecimento e, por isso, os epicuristas recomendavam o estudo da natureza para alcançar a sabedoria.

Para chegar à ataraxia, o homem deve perder o medo da morte. Como corpo e alma são entidades materiais, não existem sensações boas ou más depois da morte; assim, o temor da morte não se justifica. Epicuro aceitava a existência dos deuses, mas acreditava que eles estavam muito afastados do mundo humano para preocupar-se com este. Logo, o homem não tem porque temer os deuses, embora possa imitar sua existência serena e beatífica.
De seus estudos científicos, Epicuro derivou uma filosofia essencialmente moral. À semelhança de outras correntes filosóficas da época, como o estoicismo e o ceticismo, suas concepções vieram ao encontro das necessidades espirituais de seus contemporâneos, preocupados com a desintegração da polis (cidade) grega. O prazer sensorial converteu-se na única via de acesso à ataraxia. Esse prazer, porém, não consiste numa busca ativa da sensualidade e do gozo corporal desenfreado, como interpretaram erroneamente outras escolas filosóficas e também o cristianismo, mas baseia-se no afastamento das dores físicas e das perturbações da alma. O maior prazer, segundo Epicuro, é comer quando se tem fome e beber quando se tem sede. O "tetrafármaco", receita do mestre para a vida tranqüila, tem o seguinte teor: "O bem é fácil de conseguir, o mal é fácil de suportar, a morte não deve ser temida, os deuses não são temíveis."
No ano 270 a.C., Epicuro morreu e tornou-se objeto de culto para os epicuristas, o que contribuiu para aumentar a coesão da seita e para conservar e propagar a doutrina. O epicurismo foi a primeira filosofia grega difundida em Roma, não apenas entre os humildes, mas também entre figuras importantes como Pisão, Cássio, Pompônio Ático e outros. O epicurismo romano contou com autores como Lucrécio e se manteve vivo até o princípio do século IV da era cristã, como poderoso rival do cristianismo.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Entrevista : Woody Allen


O ESPELHO DESCONSTRUÍDO


Woody Allen mal podia esperar, no dia em que concedeu esta entrevista, para ver Titanic. "É uma grande história, uma história fascinante, que sempre se prestou a bons filmes", diz ele, ainda sem ar depois da caminhada que o levou, em passo acelerado, da ilha de edição onde está montando seu futuro filme, Celebrity, até um salão privado do hotel Drake, no East Side de Manhattan, local escolhido para receber BRAVO! (brecha difícil de abrir na sua agenda, conseguida por meio de uma constelação de intermediários). "Eu adorei A Night To Remember, com Kenneth Moore, e sei o quão poderosa a história pode ser quando contada com imagens." Depois de recobrar o fôlego, ele segue: "Não vou deixar de ver só porque custou US$ 200 milhões. Deve haver um bom motivo para isso e eu, como cineasta, posso apreciar a dificuldade que deve ter sido para contar essa história para as platéias de hoje. Não, não esse é um filme que não quero perder". O que Allen perderia, se fosse possível, é o seu aniversário que, quando sentamos para conversar no Drake, entre goles de chá com limão e água mineral, ainda estava a uma semana de distância, no dia 1° de dezembro, e já provocava resmungos. "Por mim, não celebraria aniversário algum", diz. "Não entendo o porquê: é um contra-senso, você está celebrando o quê? O fato de estar um ano mais próximo da morte? Soon-Yi (a ex-enteada que, num rumoroso caso, tornou-se sua namorada e com quem Allen se casou em Veneza, na véspera do Natal) vai querer me levar para jantar com alguns amigos e eu vou tentar me comportar o melhor que posso, mas..." (A quem se aventurar a lhe dar um presente, Allen sugere suéteres - "porque são sempre úteis e eu não preciso de mais nada, mesmo".)

O cineasta gosta de entrevistas quase tanto quanto gosta de aniversários, mas comporta-se galantemente como ele explica, sua relutância em falar de seu trabalho vem mais da impaciência do que da timidez, como se a abordagem a posteriori fosse um gesto inútil, sem sentido, que esvaziasse o conteúdo daquilo que realmente importa. A seguir, Woody fala de sua vida e de seu filme, Desconstruindo Harry.


BRAVO!: Vamos logo tirar esta questão do caminho: Desconstruindo Harry é, de alguma forma, uma autobiografia?
Woody Allen: Eu sabia que ele seria visto como um documento da minha vida. Não é. Mas sei que é meio sem sentido insistir nesse ponto porque ninguém me leva a sério. A verdade é que não tenho os problemas do personagem central. Não tenho problemas de amigos que ficam furiosos por terem suas histórias usadas num filme meu. A verdade é que todos os meus filmes, mesmo aqueles que eram totalmente distanciados de mim, como Tiros na Broadway, foram vistos como obras autobiográficas, e os elementos desses filmes passaram a ser encarados como verdades a meu respeito. Bom, não são. Nem mesmo filmes como Manhattan e Noivo Neurótico. Noiva Nervosa, que são mais próximos de mim - esses dois eu escrevi trancado num quarto com Marshall Brickman, um outro roteirista. Juntos inventamos essas histórias, e agora elas passaram a ser documentos autobiográficos... Sei lá, podem até ser; da vida do Marshall não sei...


Se não é autobiográfico, então qual foi o ponto de partida para o filme?
Ansiedade, como sempre. Eu termino um projeto e fico imediatamente ansioso, querendo saber o que vou fazer depois. Neste caso, a melhor idéia que me ocorreu foi como seria interessante e divertido explorar a vida de um homem que é tão ansioso, desajustado e infeliz que só consegue se relacionar com personagens fictícios que não são capazes de existir na sua vida real. O curioso é que, se eu parar e olhar para o meu trabalho passado - o que não faço -, verei muitos pontos em comum com outros filmes meus. Em A Rosa Púrpura do Cairo, por exemplo, a personagem interpretada por Mia (Farrow, ex-musa e mulher de Allen, N.R.) também não conseguia viver no mundo real, mas conseguia se relacionar com um personagem que saía da tela. Imagino que existam temas recorrentes no meu trabalho, mas, sinceramente, eu não os abordo de forma consciente porque nunca revejo meu trabalho. Fico feliz só pelo fato de que consegui ter uma idéia e a idéia era engraçada.


Por que você não revê seu trabalho?
Porque, para mim, uma vez que um filme está acabado, está acabado, e eu vou em frente. O desafio é o próximo. Quando um filme foi rodado, editado, sonorizado, finalizado, está pronto. Tenho de me preocupar com o que vem pela frente. Eu sei que, se eu for revê-lo, vou achar defeitos. Vou achar esta ou aquela cena que queria fazer de novo. E isso não ia me adiantar em nada, porque eu não teria essa oportunidade, e o que aconteceria é que eu iria ficar muito, mas muito infeliz. Na minha cabeça, tenho de pensar: fiz o melhor possível com este filme, agora cabe ao público apreciá-lo. E ir em frente.


Você ainda é muito ansioso?
Ansioso? Eu? Quem disse que sou ansioso? Hummm, sério agora: consegui fazer algum tipo de trégua com minhas limitações. Ainda tenho os mesmos problemas que tive minha vida inteira. Eu poderia muito bem ficar em casa e ser um recluso. Ainda tenho os mesmos problemas: ainda não passo em túneis, ainda não gosto de elevadores, ainda tenho dificuldade com o contato social. Mas acho que estou bastante estável e desenvolvi algumas estratégias para lidar com meus problemas e poder tocar minha vida.


O quê, por exemplo?
Consegui implantar um sistema por meio do qual eu faço meus filmes praticamente sem ter de viajar. Posso viver toda a minha vida sem sair do meu bairro em Nova York. Moro numa região que tem tudo o que eu preciso para sobreviver: restaurantes, minha ilha de edição, cabines de exibição, cinemas, teatros. Posso ir andando a qualquer parte e estar em casa rapidamente em caso de uma emergência. Continuo sem gostar do campo e evito ao máximo viajar. Eu sei que levo uma vida altamente limitada. Não posso aproveitar certas oportunidades que se apresentam naturalmente para mim. Não posso participar de um filme que está sendo rodado em Tânger ou dirigir uma ópera ou uma peça numa cidade estrangeira, num outro país onde serei obrigado a passar algumas semanas, alguns meses. Não consigo. Sei que estou perdendo muito, mas não consigo. Talvez em outra vida. Não nesta.

Não olhar para trás e não ter noção do conjunto do seu trabalho não prejudica o seu impulso para fazer cinema? O que faz com que você continue?
Eu gosto da coisa. Gosto sinceramente. Para mim, todos os meus filmes são um não-evento. São uma coisa natural: é o que eu faço. Eu sei que os distribuidores querem que eu dê entrevistas e promova meus filmes, porque isso ajuda a vender ingressos. Mas, para mim, eles não são um acontecimento porque sou um trabalhador e isso é o meu trabalho. Por mim, eu acabaria um filme e iria para casa. Sem ir a premières, sem dar entrevistas, sem ler as críticas, sem saber qual foi a bilheteria. Não dou festas quando começo as filmagens nem quando termino. É tudo muito simples comigo, não preciso de distrações: é o trabalho que me sustenta.


Você se definiria como um workaholic, maníaco por trabalho?
Não acho que seja. Sei que tenho uma reputação assim porque estou trabalhando constantemente, mas, na verdade, meu ritmo de trabalho é leve. Tenho muito tempo livre entre um projeto e outro. Tenho tempo de sobra para ir ao cinema, ao teatro, ler, praticar meu clarinete e tocar com minha banda. Tenho tempo de ficar em casa lendo ou escrevendo, ver um jogo de futebol no domingo, um jogo de basquete no sábado. Os verdadeiros workaholics dessa indústria trabalham nos fins de semana e tarde da noite. No meu set tudo pára às seis e meia da tarde porque quero estar em casa a tempo de sair com meus amigos para jantar ou ver um jogo ou ver TV ou ir ao teatro; e acordar cedo no dia seguinte, andar na minha esteira rolante, praticar meu clarinete. Isso não é ser maníaco por trabalho. Se você produz um bom volume de trabalho por dia - não um absurdo, mas um bom volume, e todo dia -, você consegue realizar muito mais. Isso é um contraste com pessoas que, na verdade, não trabalham. Eles acham que sou um workaholic porque eles fazem um filme e durante três anos não fazem mais nada - só saem para jantar e vão a festas por conta desse filme, e não fazem mais nada. E aí, quando querem fazer outro filme, têm de sair puxando o saco dos atores e levando agentes para jantar. Eu não tenho esse problema.


De fato, você consegue todos os grandes nomes de Hollywood para seus filmes. Como você faz?
Eles querem aparecer nos meus filmes. Querem de verdade, mas há um catch-22: eles só vão fazer meu filme se não tiverem uma oferta de outro trabalho, mais bem pago, para o mesmo período. Se algum outro filme está oferecendo US$ 6 milhões, US$ 10 milhões de cachê, eu posso esquecer. Mas se estão entre um e outro projeto, e não estão perdendo dinheiro, então eles ficam felizes em participar.


A que você atribui a sua completa independência em relação a Hollywood?
Tenho sorte, muita sorte. Outro dia eu estava conversando sobre isso com Marty (Martin Scorsese). Desde o início da minha carreira eu tive a sorte de lidar com executivos humanos e sensatos, que simplesmente me deram o dinheiro da produção e me deixaram em paz. Eu nunca tive de lutar, nunca tive executivos querendo ler meu script e se meter nas filmagens. Nunca. Só posso creditar isso à sorte, honestamente. Hoje acredito que eu e a maioria dos grande estúdios estamos em business muito diferentes. Eu faço filmes. A maioria dos estúdios está fazendo investimentos gigantescos, que custam US$ 100 milhões e cujo único objetivo é gerar muito dinheiro e criar oportunidades de merchandising. Na maior parte dos casos não existe nem sequer a tentativa de fazer arte, nem mesmo arte popular. Não foi essa a minha experiência de cinema, quando eu era um moleque nos anos 40. Não foi o que eu aprendi vendo os filmes de diretores americanos e estrangeiros. Eu cresci com a impressão de que o cinema era arte.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Dica de Português

Retorno a Paraty

Uma das manchetes sobre a Flip, a Festa Literária Internacional de Parati:

- "Booker Prize é uma loteria", irona Kiran Desai em retorno à Paraty

O comentário era da indiana Kiran Desai, a mais jovem escritora a ganhar o prêmio literário Booker Prize.

O problema da frase é de crase.

O acento grave não é usado antes de nomes de cidade não especificados (salvo raríssimas exceções, como Praia Grande).

Há uma dica antiga para perceber isso. Basta fazer uma permuta com o verbo "vir".

Se o resultado for "venho de" ou "venho do", não há crase: vou ao Japão (= venho do Japão), vou a Piracicaba (= venho de Piracicaba), vou a São Caetano do Sul (= venho de São Caetano do Sul).

Só vai haver crase se o resultado for "venho da": vou à França (= venho da França), vou à praça (= venho da praça).

Não é esse o caso de Paraty (venho de Paraty). Sem crase, portanto:

- "Booker Prize é uma loteria", irona Kiran Desai em retorno a Paraty

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Cidades Brasileiras: Sorocaba/SP

 

Cidade do sudeste do Brasil, no estado de São Paulo, às margens do rio Sorocaba. É um destacado entroncamento ferroviário, situado em uma região em que se produzem cereais, frutos, café, açúcar, madeira e minerais, além de ser um importante mercado de gado e um centro de cultivo de algodão. Em suas indústrias predominam a fabricação e a fiação de algodão e seda, as destilarias, as fábricas de óleo, as indústrias de conservas de frutas e a fabricação de material de tipografia, cimento, fertilizantes, chapéus, calçado e materiais de limpeza. Em seus arredores estão instaladas várias hidrelétricas.

População (1991), 373.354 habitantes.

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Todos os direitos reservados.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Prime Time 1970 (Duplo-Clique p/ melhor visualização)


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domingo, 21 de outubro de 2007

Será que os cientistas descobriram a intuição? - Final

Parada da produção de dopamina

O processo possibilita replicar a anatomia da detecção de erro. O que revela é que imediatamente após a onda ERN, o mesencéfalo repentinamente deixa de produzir dopamina. O sinal neuroquímico é transferido para o gânglio basal e conseqüentemente para o sistema límbico, no qual as emoções são geradas.

Os pesquisadores também descobriram outro cordão nervoso envolvido na detecção de erro. Ele leva a uma seção profunda do córtex, que então distribui amplamente o sinal no córtex cerebral. "Esta cascata envia os seguintes sinais para as posições executivas: Pare, algo está errado aqui! Cheque de novo e, se necessário, corrija imediatamente", explicou Ullsperger.

O neurologista baseado em Colônia também pode demonstrar que as pessoas que cometeram um erro no teste de Flanker demoram mais nas respostas posteriores. "As pessoas mudam sua estratégia de tomada de decisão", ele disse. "Elas começam a aprender com seus erros".

Mas o que a queda na produção de dopamina causa? O que dispara toda a cadeia de sinais? A explicação de Ullsperger é que sempre que o cérebro decide por uma ação específica, ele simultaneamente desenvolve a idéia das conseqüências esperadas. Se o resultado desejado ocorre, o cérebro recompensa a si mesmo com o hormônio do bem-estar, a dopamina. Mas se acontece algo inesperado, a recompensa é retida -uma forma de autopunição.

A percepção humana é altamente especializada para notar as contradições entre as ocorrências esperadas e as de fato. Um conjunto de pelo menos 1.000 células nervosas parece ser responsável por esta capacidade de comparar desejo e realidade.

Pesquisa de desastre

"É realmente notável, mas o cérebro realiza estes cálculos difíceis constantemente, enquanto lida com muitas outras coisas ao mesmo tempo", disse Richard Ridderinkhof, um neurocientista da Universidade de Amsterdã. Ele compara este processo com as ações de um motorista cujo veículo está gradualmente se desviando do curso. "Sem pensar muito, o piloto automático na cabeça do motorista corrige a direção do veículo".

Ridderinkhof está convencido de que estas descobertas também poderiam fornecer informações valiosas no campo da pesquisa de desastre. Acidentes aéreos, por exemplo, costumam ser atribuídos a erros humanos. O acidente nuclear na usina de Chernobyl revelou, de forma terrível, quão suscetível é a rede cognitiva humana. O acidente do ônibus espacial Columbia, talvez o mais amplamente estudado na era da alta tecnologia, foi resultado de uma falha ainda maior -a de toda uma instituição.

Até o momento os cientistas levantaram, categorizaram e analisaram os erros. Eles descobriram que qualquer um que deposite confiança demais na tecnologia corre risco de falha. Outra causa de erro, concluíram os cientistas, é a combinação de mau preparo e estresse. Questões organizacionais não resolvidas, como as que condenaram a lendária expedição de Robert Falcon Scott ao Pólo Sul, também podem levar ao fracasso de uma missão.

Em muitos casos há uma linha tênue entre um desastre e a descoberta de um erro. O maior acidente na história da aviação civil serve como exemplo. Em março de 1977, dois jumbos colidiram na pista do aeroporto de Tenerife, uma das Ilhas Canárias. O gravador de voz da cabine documenta precisamente os segundos que antecederam o acidente.

Sensação de presságio

Um Boeing 747 operado pela companhia aérea holandesa KLM aguardava na pista, pronto para decolar, enquanto um jumbo da Pan Am a bloqueava. Uma densa neblina impossibilitava o contato visual.

A torre indicou uma pista específica para o jato da KLM, mas o impaciente capitão interpretou erroneamente as instruções do Controle de Tráfego Aéreo como indicando que ele estava autorizado a decolar. Como descobriram os investigadores do acidente ao escutarem a gravação, Willem Schreuder, o engenheiro de vôo do avião holandês, perguntou ao capitão: "Mas o Pan American já deixou a pista?" Um senso de presságio aparentemente passou por sua consciência. Quando ele viu o outro Boeing aparecer na neblina, era tarde demais para corrigir seu erro fatal e 583 pessoas pagaram o preço.

A voz interna do engenheiro poderia ter salvo suas vidas. Ele provavelmente não estava completamente ciente do erro que estavam prestes a cometer. De qualquer forma, ele foi incapaz de articular seu palpite de forma clara. "Nós deveríamos, de fato, dar mais crédito à intuição", disse o psicólogo Ridderinkhof.

Uma experiência revelou a Ridderinkhof por que é assim. Na experiência, uma luz brilhante aparece periodicamente em um monitor, às vezes do lado esquerdo da tela e às vezes do direito. Ridderinkhof pergunta às pessoas para sempre direcionarem seu olhar para o lado onde a luz não apareceu. Durante a experiência, ele mediu os movimentos da pupila das pessoas para determinar se estavam seguindo as instruções.

Negando os erros

Ridderinkhof sabia que a curiosidade do cérebro humano é grande demais para simplesmente ignorar um sinal como a luz da experiência. De fato, as pessoas persistiam cometendo erros, mas então os corrigiam e melhoravam seu desempenho ao longo do experimento. Como esperado, a típica onda ERN percorria o córtex cerebral.

Mas quando eram perguntados posteriormente, as pessoas negavam ter cometido qualquer erro. Em outras palavras, suas consciências não foram informadas de que o cérebro tinha reconhecido e corrigido os erros. Como Ullsperger, ele também suspeita que encontrou o correlato neuronal da intuição -a voz interna que protege as pessoas de erros.

Em suas experiências, os pesquisadores notam rotineiramente que este sistema de correção é ajustado a níveis diferentes de sensibilidade em pessoas diferentes. Será que pessoas hesitantes são simplesmente temerosas de erros, enquanto as confiantes possuem em sua massa cinzenta um sistema de alerta de erro relativamente insensível?

Os extremos patológicos em ambas as pontas do comportamento de tomada de decisão oferecem possíveis respostas para esta pergunta. Ullsperger também realizou estas experiências de erro com pessoas que se lavam obsessivamente ou que possuem outras formas de desordem obsessiva-compulsiva. Sua conclusão é de que "o sistema de monitoramento delas é tão poderoso que mal conseguem se concentrar em outra coisa exceto monitorarem a si mesmas".

Cocaína ajuda na tomada de decisão?

Um quadro semelhante surge no outro extremo da escala da determinação. Ingmar Franken, neuropsicólogo da Universidade Erasmus, em Roterdã, realizou o teste de Eriksen-Flanker em viciados de cocaína que não se drogavam há pelo menos um mês. "Não se tratava apenas de freqüentemente tomarem a decisão errada", disse Franken, "eles também não notavam seus erros e, mais importante, não mudavam sua estratégia".

Franken acredita que isto poderia explicar por que os viciados em cocaína são tão cegos às conseqüências negativas de seu próprio vício. "Além disso, a atração da cocaína poderia ser o fato de melhorar a capacidade de tomada de decisão", ele disse.

Ridderinkhof, o colega de Amsterdã de Franken, obteve resultados semelhantes em experiências com alcoólatras. "Assim que o álcool nubla o cérebro, a onda de erro desaparece", ele disse.

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sábado, 20 de outubro de 2007

Será que os cientistas descobriram a intuição? - Parte 1

 

Sempre que os seres humanos reconhecem um erro, uma onda misteriosa de eletricidade percorre o cérebro. Os pesquisadores acham que o sinal poderia explicar o vício, a correção de erro e até mesmo o sexto sentido.

O estresse é normal para os 5.500 cientistas e engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato. Eles sabem que sempre que tomam uma decisão, mesmo o menor erro pode ter sérias conseqüências.

Afinal, as lembranças de 1999 ainda estão frescas. Há oito anos, quando a sonda espacial Mars Polar Lander entrou na atmosfera de Marte, o contato por rádio foi repentinamente perdido. O satélite simplesmente desapareceu das telas do centro de controle. Quatrocentos milhões de dólares foram perdidos.

Os dois diretores encarregados do projeto estavam convencidos de que seriam demitidos sem cerimônia. "É como lidamos com erros em nossa cultura", disse Markus Ullsperger. Mas os diretores foram poupados, recordou Ullsperger, um pesquisador de cérebro do Instituto Max Planck de Pesquisa Neurológica, em Colônia. "E foi uma boa decisão", ele disse. "Afinal, milhões foram investidos no treinamento e educação deles".

Do ponto de vista da neuropsicologia, esta foi uma excelente decisão administrativa. Os erros, como Ullsperger está convencido, são na verdade uma das fontes mais valiosas de conhecimento. "Os erros do homem são seus portais de descoberta", já disse o escritor irlandês James Joyce, antecipando uma conclusão confirmada agora pela neurociência moderna.

Capacidade de detectar os próprios erros

Ullsperger, assim como uma dúzia de outras equipes de pesquisa ao redor do mundo, atualmente está estudando como o cérebro monitora e processa seus próprios erros. "Nosso cérebro tem a capacidade fascinante de detectar erros e, se já tiverem ocorrido, de aprender com a experiência", ele explicou.

O "error-related negativity" (ERN, negatividade relacionada ao erro) é um conceito que está cativando o mundo científico. Ele se refere a uma onda elétrica característica sob o topo do crânio, que pode ser medida sempre que o cérebro detecta que um erro foi cometido. Especialmente surpreendente é o fato do sinal ERN já começar a oscilar antes mesmo da pessoa tomar consciência do erro.

No início dos anos 90, Michael Falkenstein, um neurofisiologista da cidade alemã de Dortmund, observou pela primeira vez como a voltagem diminui pelo menos 10 milivolts em um grupo específico de células nervosas, e que isto ocorre apenas 100 milissegundos após uma pessoa cometer um erro -aproximadamente o tempo que seu cursor leva para responder ao clicar no mouse.

A descoberta de Falkenstein marcou o início de um período de estudo sistemático do detector de erro do cérebro. Ela abriu o caminho para novas teorias fascinantes sobre o motivo de desordens compulsivas ocorrerem ou por que algumas pessoas hesitam enquanto outras tomam decisões confiantes. Também forneceu nova luz ao desenvolvimento do vício.

De repente ficou claro por que uma pessoa consegue freqüentemente evitar cometer um certo erro baseado apenas em uma sensação visceral. "As experiências do sistema de erro fornecem precisamente o conhecimento subconsciente no qual a intuição é baseada", explicou Ullsperger.

Leve incômodo

O sistema de erro age de duas formas. Primeiro, ele intervém de forma corretiva quando uma pessoa cometeu um erro. Mas também tem capacidade de alerta. Quando ele percebe que uma ação pode não levar ao resultado desejado, este reconhecimento é manifestado como um leve sentimento incômodo.

Ullsperger e seus colegas planejam descobrir como exatamente isto funciona, usando um aparelho de ressonância magnética nuclear (RMN). As pessoas que se deitam no tubo de RMN realizam testes simples, como o teste de Eriksen-Flanker, uma ferramenta comum e bastante conhecida dos neurocientistas. No teste, fileiras de letras, como SSHSS, SSSSS e HHSHH piscam diante dos olhos das pessoas. Então lhes é pedido que apertem um de dois botões: o botão esquerdo se a letra no meio for S e o direito se for H.

Isto não é tão fácil quanto parece. As letras à direita e esquerda das letras principais confundem o observador. Especialmente quando dispõem de um tempo limitado para realizar a tarefa, as pessoas freqüentemente corrigem suas respostas poucos momentos depois. "Eles se comportam da mesma forma que nós quando falamos algo de forma errada, notamos o erro e então corrigimos rapidamente nossa sentença", disse Ullsperger.

Eletrodos em um gorro de borracha na cabeça da pessoa medem as ondas ERN típicas oscilando pelo cérebro durante este processo. Enquanto isso, o aparelho RMN observa a área do cérebro nas quais as células nervosas estão particularmente ativas.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

RESPIRAÇÃO ZEN

14

Como o Dalai Lama, o monge zen Thich Nhat Hanh tem o dom da clareza. No tom informal de uma conversa de bar, ele traduz para a vida cotidiana as lições da sabedoria oriental em A Essência dos Ensinamentos de Buda (Rocco). Um ensinamento diz: inspire fundo e solte lentamente o ar. Na inspiração, pensar "me acalmo". Na soltura do ar, "sou feliz". Diz a ancestral sabedoria que quem controla a respiração controla a mente. E, num mundo neurótico como o nosso, controlar a mente é vital para a manutenção da saúde física e espiritual.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Wallpaper Para Seu Desktop

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Wi-Fi

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terça-feira, 16 de outubro de 2007

16.Out.1972


Há 35 Anos Atrás


Comunicado oficial sobre o término do conjunto musical Creedence Clearwater Revival

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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

DOENÇAS DE CONCRETO E VIDRO - FINAL


A origem dos males


68% Ventilação indequada (pouca circulação de ar, suprimento de ar fresco inadequado, controle precário de umidade e temperatura

10% Contaminação externa (gás de escapamentos de veículos


5% Contaminação de embiente interno (fumaça de cigarros, fotocopiadores etc..)


2% Materiais de construção (formaldeído de colas)


15% Causa desconhecidas

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domingo, 14 de outubro de 2007

DOENÇAS DE CONCRETO E VIDRO - PARTE 3


Há quem tente se salvar do sufoco tomando um arzinho lá fora, mas boa parte das pessoas sensíveis a essa clausura acabam mudando de emprego ou somatizando é quando surgem as irritações e doenças nos olhos e nas vias respiratórias. Mesmo quem trabalha próximo a janelas que não se abrem não tem, assim como os outros, o menor controle sobre a temperatura, a ventilação ou a iluminação de seu local de trabalho. "É uma camisa-de-força ambientar", compara Rumel. O sistema de ar-condicionado central, quando distribui o ar à mesma temperatura para todos os ambientes, ignora se de um lado do prédio bate sol o dia inteiro, aquecendo aquele lado, enquanto o outro fica mais frio. Se houvesse descentralização, o pessoal do lado quente simplesmente abriria as janelas, enquanto o pessoal do lado gelado as manteria fechadas. O drama do edifício fechado, para Rumel, é que ninguém consegue adequar o ambiente às necessidades pessoais. Ele próprio, instalado em sua pequena e abarrotada sala no velho prédio da Saúde Pública, é um exemplo de como se pode conseguir esse equilíbrio. De sua janela, no primeiro andar, vêem-se as árvores do imenso jardim. Embora a tarde de verão paulistano seja quentíssima, a janela permanece fechada, por causa do barulho vindo das obras do metrô na avenida em frente. Nesse caso, basta ligar o ventilador encostado num canto para suportar melhor o calor. "No Alasca até se justifica a construção de um prédio fechado", divaga Rumel. "Mas sou contra a importação disso para o Brasil um país de clima ameno."Ainda que virtualmente todos os edifícios tenham cura, uma vez que se diagnostique a doença, é mais produtivo prevenir do que aplicar depois os remédios. Até lá, boa parte dos funcionários já terá sofrido na pele os sintomas e, pior, terão faltado muito mais ao trabalho do que se vivessem em ambiente saudável. Especialistas da empresa norte-americana Healthy Buildings International, precursora no diagnóstico e tratamento de edifícios enfermos, buscam o foco das doenças sobretudo na manutenção inadequada das instalações. Para que seja possível viver bem num escritório, aconselha-se um mínimo de 34 metros cúbicos de ar por hora por pessoa. Em uma hora, o sistema de climatização deve realizar de quatro a seis renovações totais de ar. A iluminação deve equivaler a uma lâmpada de 60 watts situada a uns 35 centímetros de altura, enquanto a temperatura interior deve oscilar entre 20 e 24 graus no inverno, e entre 23 e 26 graus no verão. Melhor que isso, só mesmo um edifício aberto.

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sábado, 13 de outubro de 2007

DOENÇAS DE CONCRETO E VIDRO - PARTE 2


Os próprios autos de distribuição raramente são limpos, formando-se em seu interior poças de água provocadas pelas diferenças de temperatura mais um moIho no caldo de microorganismos. A situação piora pelo fato de o ar raramente ser renovado totalmente, pois isso significa mais gasto de energia, seja no resfriamento ou aquecimento, nas lufadas de ar fresco para que a temperatura seja constante do lado de dentro. Dessa forma, a fumaça de um cigarro fumado no primeiro andar passeia dias por dentro dos tubos, podendo ir deixar os resíduos tóxicos dez andares acima. Grave o caso se torna quando a entrada de ar fica em lugares absolutamente impróprios, como ao nível de ruas movimentadas ou perto de chaminés.
Histórias assim podem ter final trágico, como aconteceu num hotel da Filadélfia, nos Estados Unidos, em 1976. Um grupo de legionários que participava de uma convenção da Legião Americana foi vitima de um surto de pneumonia, provocada por uma estranha bactéria. Nativa da terra, a bactéria encontrou ambiente propício para sobreviver na torre de resfriamento do sistema de ventilação, onde haviam proliferado certas algas. Pois a entrada de ar localizava-se justamente ao lado da torre, condição em que as bactérias foram aspiradas pelos autos e se espalharam pelo hotel causando várias mortes. Materiais de construção e mobilia metidos em novas tecnologias são outro problema. Em lugar da velha e conhecida madeira maciça, apareceu a madeira compensada como matéria-prima de mesas, divisórias e até portas. As placas dessas madeiras são grudadas com cola à base de resina de formaldeído, uma substância altamente tóxica. É fácil perceber a presença dessa cola quando os móveis têm o intenso e penetrante "cheiro de novo".
A mesma cola é empregada na instalação de carpete, o que provocou nos Estados Unidos um episódio insólito. Nos escritórios da Agência de Proteção Ambiental, em Washington, as semanas seguintes à instalação de um novo carpete foram um suplício para os funcionários, que sofreram dias de tontura e queimação nos pulmões provocadas pelo formaldeído da cola. Eles reclamaram até convencer seus chefes protetores ambientais a protegê-los daquele castigo - e então festejou-se um acordo para remover o novo carpete.
Outro material que andou muito em moda, e acabou se revelando um belo estorvo, foi o amianto. Durante vários anos, foi empregado nos edifícios como isolante, até a descoberta de que o pó de amianto era cancerígeno. Além de proibido em novas construções, o amianto foi arrancado dos prédios em obras extensas e dispendiosas. Em alguns lugares, nem reformas adiantaram. No edifícios sede da Comunidade Européia, em Bruxelas, ainda existe um nível de 0,8 fibras de amianto por centímetro cúbico de ar a ameaçar a saúde dos Burocratas, quando as normas da própria comunidade estabelecem um limite de 0,0001 de fibras por centímetro cúbico. Sem outro remédio à vista, o destino do prédio doente será a demolição.Além de amianto e formaldeído, substâncias químicas dentro do próprio prédio desencadeiam reações. Substâncias desprendidas de produtos de limpeza e desinfetantes podem provocar alergia nas pessoas mais sensíveis. O ozônio emitido pelas máquinas fotocopiadoras pode causar dores de cabeça, tontura e fadiga. Lâmpadas fluorescentes - usadas em dez entre dez escritórios - emitem raios ultravioleta, que ao reagirem quimicamente com o pó em suspensão dão origem ao smog fotoquímico, uma nuvem de fumaça poluidora. Como se não bastasse o rosário de contaminações a que edifícios fechados estão sujeitos, a distribuição de espaço é outra fonte potencial de suplícios. Muitos prédios fechados são construções enormes, onde por razões econômicas todo e qualquer centímetro quadrado é aproveitado. Aglomeram-se, portanto, os trabalhadores, por vezes instalados em andares imensos, retalhados por divisórias separando as pessoas. Os mais desafortunados, que foram colocados lá no meio, cercados por biombos, ficam tão longe das janelas que não sabem se chove ou faz sol. A sensação de claustrofobia e isolamento é inevitável. "Conheço gente que deixa o escritório para ir ´tomar um ar´ na rua", conta o médico Davi Rumel, com uma ponta de ironia.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

DOENÇAS DE CONCRETO E VIDRO - PARTE 1


Edifícios modernos com janelas fechadas e ventilação artificial podem ser lugares perigosos para as pessoas. Ar de má qualidade e substâncias tóxicas dentro dos escritórios provocam alergias e infecções respiratórias.
Existem pessoas que têm alergia ao trabalho. Volta e meia sentem dores de cabeça, de garganta, ficam resfriadas, faltam ao emprego. Aversão a serviço? Não, ao prédio. Desde 1983, quando a Organização Mundial da Saúde cunhou o termo Síndrome do Edifício Doente, esses sintomas mais parecidos com uma alergia a escritório passaram a ser considerados como doenças ocupacionais. Só que os doentes não são as pessoas, mas os prédios: os males da síndrome surgem graças ao contaminado meio ambiente em seu interior. Edifícios podem ser lugares insalubres e os mais chiques e moderninhos tendem a ser os mais perigosos. A OMS calcula que um terço dos novos e remodelados edifícios comerciais estejam doentes. Lá dentro, invisíveis, podem conviver ar de má qualidade com ventilação inadequada, produtos tóxicos liberados de carpetes e madeiras compensadas, fumaça de cigarros, temperatura ora fria, ora quente demais.
Esse cenário tenebroso para narizes e pulmões sensíveis começou a ser desenhado há cerca de trinta anos, quando a paisagem urbana foi tomada, principalmente nos países desenvolvidos, pelos chamados edifícios fechados. Sem janelas que se abram para o mundo externo, nos dias de calor, nem aquecimento a vapor, nos dias de frio, lá se respira ar condicionado climatizado que sai de autos distribuídos capilarmente por todas as dependências. "Edifícios fechados são ambientes potencialmente insalubres para trabalhadores do setor terciário", constata o médico do trabalho Davi Rumel, professor do Departamento de Epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Rumel passou os últimos dois anos no Canadá, trabalhando numa equipe de estudos sobre poluição interna.
O grupo de Rumel era chefiado pelo canadense Theodor D. Sterling, um dos primeiros pesquisadores a se ocupar de edifícios fechados, ainda na década de 50. A lista das enfermidades em edifícios desse tipo é de deixar os cabelos em pé: dor de cabeça; irritação, secura, dor nos olhos e lacrimejamento; constipação e irritação nasal; dor e irritação na garganta; dificuldade respiratório e sensação de opressão; fadiga; letargia; secura, coceira e irritação na pele; dificuldade de concentração.
A síndrome não escolhe latitude ou longitude; ataca edifícios fechados, grandes ou pequenos, em qualquer país do mundo. Embora se alegasse que o controle do ar tornaria o ambiente interno livre de poluição e sujeira, funcionou tudo ao contrário. A Agência de Proteção Ambiental nos Estados Unidos detectou que o nível de poluição dentro de alguns edifícios chega a ser 100 vezes maior do que na rua. Trazer o ar para dentro do prédio exige um equipamento para aspirá-lo, do qual faz parte uma série de filtros que retém a sujeira. Só que tais filtros não são trocados com a freqüência ideal, e de tão sujos que ficam tornam-se um prato cheio para a proliferação de fungos e bactérias. É nada mais que a confirmação de uma lei da ecologia: em qualquer novo ambiente com substrato orgânico propício à aparição de vida, a vida será criada.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Reflexão do Dia

O homem pune a ação. Deus pune a intenção.
Thomas Fuller

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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O Segredo da Vida de um Casal



Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente
Em geral, , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta).
No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um "viveram felizes para sempre", que seria a "óbvia" conseqüência da paixão.
No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal.
O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la "Dormindo com o Inimigo".
Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista "New Yorker" e em alguns livros (por exemplo, "Travels with Alice", viajando com Alice, de 1989, e "Alice, Let's Eat", Alice, vamos para a mesa, de 1978).
Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida.
À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo?
Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001.
Trillin escreveu "Sobre Alice", que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos.
O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de "Sobre Alice": "Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia". A graça está no fato de que a "propensão" de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico.
Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel.
Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal.
Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ian Gillan Band - Scarabus

Let's try Scarabus pie
Leg of dog and lizard's eye
Come into the wizard's lair
Breath of goat and dead man's hair
What do you want to be
I'm the king of sorcery
If you care to serve me true
I'll make some gold for you

Bye, bye enemies five
Only four will stay alive
Come to me if you dare
First the three and then the pair
Here is thunder here is pain
Live as creatures in the rain
Two toads and one a mouse
Go forever from this house

When I am dreaming leave me alone
This is more than living...leave me

Let's try Scarabus pie
Leg of dog and lizard's eye
Come into the wizard's lair
Breath of goat and dead man's hair
Of the two I hate the worst
One's undead forever cursed
The last is turned to stone
Set before my magic throne

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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

QUANDO A FICÇÃO É REALIDADE



Não é difícil demonstrar o quanto a literatura enriquece as línguas. Basta lembrar as diversas palavras que nasceram nos livros, para batizar personagens ou lugares imaginários, e acabaram incorporadas à linguagem cotidiana. Um dos melhores exemplos é a Odisséia, poema épico do grego Homero, que teria vivido no século IX a.C. A obra narra as atribuladas aventuras de Odisseu (mais conhecido como Ulisses), que tenta voltar para casa após a Guerra de Tróia. Por dez anos, de ilha em ilha, de naufrágio em naufrágio, ele enfrenta canibais, ciclopes, feiticeiras e monstros marinhos, até conseguir, por fim, retornar a sua amada Ítaca. Poucos, talvez, tenham lido a versão integral desse clássico da Antiguidade, mas os infortúnios e peripécias de seu herói são, até hoje, fonte de expressões como "foi uma verdadeira odisséia voltar da praia nesse feriadão".


Balzaquiana
No século XIX, quando as heroínas da literatura casavam antes de completar 21 anos, o francês Honoré de Balzac causou furor com o romance A Mulher de 30 Anos (1831), que exalta mulheres mais maduras, atraentes não só fisicamente, mas também por se encontrarem na plenitude de sua feminilidade as famosas "balzaquianas". De lá para cá, porém, os limites desse conceito se expandiram na mesma medida em que a qualidade de vida, a cosmética e a cirurgia plástica resguardam a beleza dos efeitos da idade. Para representar, hoje, uma balzaquiana, a escolha recairia em um atriz como Vera Fischer ou Betty Faria.


Quixotesco
O famoso Dom Quixote de la Mancha (1605), do espanhol Cervantes, narra as aventuras de um fidalgo de aldeia que enlouquece lendo livros de cavalaria. Em suas várias andanças - uma verdadeira odisséia! -, ele enfrenta inimigos e monstros imaginários, como no famoso episódio dos moinhos de vento, contra os quais investe de lança em riste, tomando-os por gigantes perigosos. Apesar de seus continuados fracassos, o bravo Quixote não desanima de sua missão de cavaleiro andante, o que faz o termo "quixotesco", até hoje, uma forma de se referir, com simpatia, a pessoas de intenções e ideais nobres, mas sonhadoras e desconectadas da realidade.


Liliputiano
O irlandês Jonathan Swift escreveu As Viagens de Gulliver (1726) como uma sátira feroz à sociedade mas a obra ficou mais conhecida pela primeira das quatro viagens, que passou a ser lida como uma aventura infanto-juvenil. Nela, o cirurgião Samuel Gulliver naufraga na costa de Lilliput, terra onde tudo é pequenino: os homens medem 14 centímetros, os cavalos têm 12 centímetros e as ovelhas, só 4 centímetros. O adjetivo "liliputiano" passou a significar, desde então, todo tipo de miniatura.


Acaciano
O ridículo Conselheiro Acácio não passa de um coadjuvante em O Primo Basílio (1878), romance do português Eça de Queirós. Ainda assim, seu hábito de proferir pomposamente as sentenças mais óbvias e banais deu origem às expressões "frases acacianas" e "verdades acacianas". Quem já ouviu algum comentarista esportivo dizer coisas como "se entra, é gol" ou "em futebol, ou se ganha, ou se perde, ou se empata", sabe do que estamos falando.


Pantagruélico
Criado pelo francês François Rabelais, Pantagruel é um gigante comilão, desbocado e gozador, que já nasce mamando diariamente o leite de 4 600 vacas. Volta e meia, ao longo dos Horríveis e Espantosos Feitos e Proezas do Renomado Pantagruel (1532), aparecem comilanças e bebedeiras em torno de mesas repletas de boas carnes, iguarias e vinho abundante. Por isso, usa-se uma "refeição pantagruélica" ou um "apetite pantagruélico" sempre que queremos designar qualquer exagero gastronômico.


Big Brother
O romance 1984, do inglês George Orwell, escrito em 1948 (o título apenas inverteu os dois últimos algarismos da data), descreve uma sociedade em que não existe mais liberdade nem privacidade. Todos os cidadãos são controlados pelo Partido, cujo líder é aclamado como o Grande Irmão. Nesse pesadelo futurista, os aparelhos de TV, além de receber as imagens transmitidas pelo governo, servem também para espionar a vida familiar dos espectadores e gigantescos cartazes anunciam por toda parte: "O Grande Irmão está de olho em você!" A partir daí, a expressão "Big Brother" passou a designar esse tipo de poder que tenta controlar os sentimentos e a consciência de cada um - até batizar um dos mais famosos reality shows da TV mundial.

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domingo, 7 de outubro de 2007

GUERRA DIGITAL - FINAL


ESCRITÓRIO
Os exércitos:
Corel, Microsoft, OpenOffice, Sun
A batalha: O Office da Microsoft ocupava 94% do campo de batalha dos softs de escritório em 2000. Mas o custo elevado tem feito empresas olharem com carinho para outras opções, como o StarOffice, da Sun
Curiosidade: Outra alternativa é o OpenOffice, bandeira do software livre para software de escritório. Gratuito, tem versões em 42 línguas para Windows, MacOS X e Liunx. E abre arquivos do Office da Microsoft

JOGOS
Os exércitos:
Activision, Atari, Capcom, Electronic Arts, Microsoft, Nintendo, Rockstar, Sega, Sony, Ubisoft, Vivendi...
A batalha: A brincadeira fez girar US$ 23,2 bilhões pelo mundo em 2003. Criatividade e número de títulos são trunfos das editoras e desenvolvedoras de jogos
Curiosidade: Games são os programas de computador mais vendidos representam um terço do faturamento e mais da metade do volume de vendas, segundo o NPD Group

LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO
Os exércitos: Microsoft, Sun, Borlandi...
A batalha: A briga que mais tem rendido é entre o Java, da Sun, e o C#, da Microsoft, na arena de linguagens para construir aplicações para a web
Curiosidade: As linguagens mais conhecidas (C, C++, Delphi, Visual Basic...) nasceram em laboratórios de grandes empresas

No mundo pontocom, a batalha tem se concentrado ao redor de portais, buscadores e lojas virtuais. O Google, que virou fenômeno, cresceu quietinho durante os tempos de crise na internet e, em agosto passado, mostrou que a internet recuperou o fôlego ao abrir seu capital na bolsa. A empresa já havia desbancado gigantes como Yahoo! e AltaVista, que dominam a cena há alguns anos. Mas há um exército de tocaia, com munição suficiente para ameaçar o poderio do Google: o da MSN, braço da Microsoft na internet, que também concorre com a AOL em aplicações web (mensagens instantâneas, webmail) e como provedor de acesso. No campo das lojas virtuais, Amazon e eBay dominam a cena. No Brasil, a briga dos portais fica entre iG, UOL, Terra e Globo - que, além de conteúdo, provêem acesso à internet, e a das lojas virtuais, como Americanas e Submarino.

GENERAIS INTERNET

JERRY YANG
Diretor do Yahoo!
Patrimônio estimado: US$ 1,9 bilhão
Estudante de engenharia em Stanford, fundou o Yahoo! em 1994 para rastrear seus interesses pessoais na web

JEFF BEZOS
Diretor-executivo da Amazon
Patrimônio estimado: US$ 5,1 bilhões
Antes de fundar a Amazon, em 1994, desenvolvia sistemas para o setor financeiro

PIERRE OMIDYAR
Presidente do eBay
Patrimônio estimado: US$ 8,5bilhões
Construiu um mercado virtual para comprar, vender ou trocar itens que virou maior site de comércio da web

STREAMING
Os exércitos:
Apple, Microsoft, RealNetworks
A batalha: O Media Player da Microsoft alcança 32% dos internautas, o RealOne Player 20,5% deles e o QuickTime, da Apple, 10,5%
Curiosidade: A Microsoft enfrenta a Justiça européia exatamente por incluir o Media Player no Windows, o que, para as autoridades, prejudica a concorrência

PORTAIS
Os exércitos:
AOL, Excite, MSN (Microsoft), Terra, Yahoo!
A batalha: Yahoo!, AOL e MSN dividem o Olimpo da web americana, com cerca de 110 milhões usuários únicos, o que representa cerca de 70% do total de internautas do país, segundo a comScore
Curiosidade: No Brasil, iG e UOL dividem a liderança, com aproximadamente 4,8 milhões de usuários domésticos. Em seguida vêm Terra (3,94 milhões), Yahoo! (3,52 milhões) e Globo (3,63 milhões)

BUSCADORES
Os Exércitos: AOL, Ask Jeeves, Google, MSN (Microsoft), Yahoo!
A batalha: São cerca de 4 bilhões de buscas por mês na internet, isso só nos EUA. Segundo a Nielsen, 41,6% delas passam pelo líder Google. Em seguida vem o Yahoo!, com 31,5%
Curiosidade: O AltaVista, que há alguns anos disputava com o Yahoo! as maiores fatias do bolo, hoje conta com apenas 2,7% do tráfego de buscas

MENSAGENS INSTANTÂNEAS
Os exércitos: AOL, MSN (Microsoft), Yahoo!
A batalha: Nos EUA, o AIM lidera, usado por 21% dos internautas que acessam a web de casa. Seguem o MSN (15%), o Yahoo! (12%) e o ICQ (4%), que, como o AIM, é da AOL. No Brasil, o MSN é usado por 29,7% e o ICQ por 17,6%
Curiosidade: Pequenos softwares que conversam com diferentes redes de bate-papo têm feito sucesso, como é o caso do Trillian (www.ceruleanstudios.com)

ROTEADORES
Os exércitos:
Cisco, Juniper Networks
A batalha: Há praticamente duas frentes na batalha dos equipamentos que direcionam o tráfego da internet. A Cisco domina 68% do mercado.A Juniper cresceu e hoje ocupa 30%
Curiosidade: Há algum tempo, simplesmente não haveria internet sem a Cisco. Mas a Juniper conseguiu se adiantar à gigante do setor e lançar roteadores de 10 gigabits, o que fez crescer sua fatia de mercado


COMÉRCIO ELETRÔNICO
Os exércitos: Amazon, eBay, Shopping.com, Wal-Mart, Yahoo!
A batalha: Em audiência, o eBay - grande feirão virtual - ganha da Amazon, tida como maior loja virtual do mundo. O eBay tem 15,9 milhões de usuários, contra 6,8 milhões da Amazon
Curiosidade: O e-commerce movimentou U$ 56 bilhões nos EUA em 2003, 1,7% do comércio no país. No Brasil, as 50 maiores lojas virtuais venderam R$ 5,2 bilhões em 2003, 2,75% do comércio

DOWNLOAD DE MÚSICAS
Os exércitos: Apple, Microsoft, RealNetworks, Roxio
A batalha: O iTunes é um dos negócios mais rentáveis da Apple. Com 100 milhões de músicas vendidas, detém 70% do mercado legal de download de músicas. A Microsoft acaba de entrar no jogo com o MSN Music
Curiosidade: O Napster, antigo líder, fechou, foi comprado pela dona da BMG e hoje é da desenvolvedora de software Roxio. A RealNetworks, que faz o soft RealOne Player, também está na briga, com o Rhapsody

WEBMAILS
Os exércitos:
Gmail (Google), Hotmail (Microsoft), Yahoo!
A batalha: Yahoo! Mail e Hotmail dominam o setor e dividem mais de 200 milhões de usuários. Aí entrou em cena o Google, com seu ameaçador Gmail de 2 GB. O Hotmail reagiu lançando uma versão paga com 2 GB de espaço
Curiosidade: No Brasil, os webmails têm cerca de 7,6 milhões de usurários, o que representa 65,4% dos internautas ativos do país, segundo o Ibope. Hotmail e Yahoo! também dominam entre os gratuitos

PEER-TO-PEER
Os exércitos: eDonkey, Gnutella, Kazaa
A batalha: Cerca de 81,5 milhões de pessoas pelo mundo baixaram músicas, vídeos e programas a partir de redes de troca de dados em 2003. A batalha na verdade é contra as associações de gravadoras e estúdios de cinema
Curiosidade: Os vídeos já passaram a música em volume de dados baixados por esse tipo de soft nos EUA. Segundo o Digital Information Centre, vídeos já representam 41% do conteúdo trocado em inglês, contra 23% de músicas


Uma das batalhas que mais aparecem aos olhos do público é a dos microprocessadores nesse mercado, a Intel domina faz tempo, mas tem enfrentado a concorrente AMD, que venceu a corrida para levar os chips de 64 bits (mais potentes que os atuais, de 32 bits) para os microcomputadores domésticos. Outra briga que mais parece coisa de torcida fanática de futebol é entre os apaixonados adeptos do Macintosh e os pragmáticos usuários do PC. Tem crescido também o espaço de acessórios que levam o mundo digital para fora do computador, como o das câmeras digitais, dos toca-MP3, dos palmtops e dos celulares, o que abriu uma nova frente de batalha e trouxe para a guerra gigantes dos eletrônicos como Philips, Samsung e Sony. A própria Apple entrou nessa briga - e se deu bem com seu toca MP3 iPod.

GENERAIS HARDWARE

CARLY FIORINA
Diretora-executiva da HP
Patrimônio estimado: US$ 2,2 bilhões
A mulher mais poderosa do mundo da tecnologia teve um papel-chave na compra da Compaq em 2002

MICHAEL DELL
Diretor-executivo da Dell
Patrimônio estimado: US$ 13 bilhões
Começou a vender computadores em seu quarto na Universidade do Texas e, em 15 anos, construiu um império

STEVE JOBS
Diretor-executivo da Apple
Patrimônio Estimado: US$ 2,1 bilhões
O excêntrico fundador da Apple começou a se tornar um dos pais do computador pessoal na garagem de casa

COMPUTADORES
Os exércitos: Acer, Apple, Dell, Fujitsu/Siemens, Gateway, HP, IBM
A batalha: Dos 185,9 mil computadores vendidos em 2004 no mundo, 16,5% são da Dell e 14,3% da HP, que já ocupou o topo do ranking depois que comprou a Compaq, no início de 2002
Curiosidade: No Brasil, estima-se que 75% do mercado seja dominado por computadores montados. Metron, Itautec e HP são as marcas que dividem o pódio

PALMTOPS
Os exércitos: Dell, HP, palmOne, Research in Motion, Sony
A batalha: A palmOne, que chegou primeiro, desenvolve aparelhos e software e domina 33,2% do mercado. A HP aparece em segundo (19,3%) com sistema Windows e chips Intel - a clássica dobradinha Wintel
Curiosidade: Os smartphones têm ameaçado o setor e a liderança da palmOne. Mas não é só eles: uma nova empresa, a Research in Motion, cresceu 289% no último trimestre e já ocupa o terceiro lugar em vendas

GAMES
Os exércitos:
Microsoft, Nintendo, Sony
A batalha: Com previsão de vendas de 25 milhões de consoles em 2004, o PlayStation 2, da Sony, ocupa metade do tabuleiro. O Xbox, da Microsoft, e o GameCube, da Nintendo, dividem o restante
Curiosidade: Os jogos online têm atraído muitos fãs - a Sony já tem 2,4 milhão de usurários, a Microsoft, quase 1 milhão. Mas, nos games portáteis, quem reina é a Nintendo, com 95% do mercado

PROCESSADORES
Os exércitos:
AMD, Intel, Transmeta
A batalha: Os processadores Pentium e Celeron estão em 82,7% dos PCs. Mas a AMD vem crescendo com seus chips Athion XP e Duron, e neste semestre abocanhou 1,5% do mercado. Ambas dividem entre si 98,2% do setor
Curiosidade: O finlandês Linus Torvalds, um dos inventores do Linux, trabalhou na Transmeta, primeira a criar chips inteligentes para notebooks, que economizam energia

MULTIMÍDIA & PERIFÉRICOS
Os exércitos: Apple, Canon, Creative, Fuji, HP, Iomega, LG, Philips, Ricoh, Samsung, Sony...
A batalha: Em campo, monitores de cristal líquido, câmeras digitais, players portáteis de MP3 ou DVD, aparelhos que conectam o PC ao aparelho de som. Esse é o vale-tudo do mundo da tecnologia
Curiosidade: Aqui informática se aproxima dos eletrodomésticos. A tendência é que tudo seja conectado ao (ou mesmo prescinda do) computador, futuro cérebro da casa digital

CELULARES
Os exércitos:
LG, Motorola, Nokia, Samsung, Siemens, Sony Ericsson
A batalha: Dos mais de 300 milhões de aparelhos vendidos em 2004, cerca de 30% foram da Nokia. A Motorola tem praticamente metade dessa penetração (15,8%), e a Samsung vem atrás (12,1%)
Curiosidade: O mercado de smartphones, que fundem celular e palmtop, praticamente dobrou em 2003. E até aqui a Microsoft tem um pé, uma versão do Windows para celulares

SERVIDORES
Os exércitos:
Dell, Fujitsu, HP, IBM, Sun
A batalha: A IBM é a primeira, com uma fatia de 30,7% do bolo de US$ 11,5 milhões. Mas a HP não fica muito atrás, com 27,3%. A Sun ocupa o terceiro lugar, com 9,8% do mercado
Curiosidade: Boa parte do crescimento do Linux no mundo vem dessa área 61,6% no último trimestre. Mas o Windows ainda fatura mais nos servidores: dele vêm 34,4% da renda, contra 9,5% do pingüim

IMPRESSORAS
Os exércitos:
Canon, Epson, HP, Lexmark, Xerox
A batalha: A HP abocanha 44,1% da pizza. Em seguida vêm Epson, com 20,1%, a Lexmark, com 15,6%, e a Canon, com 14,9%
Curiosidade: Multinacionais são as estrelas do momento. Embora não sejam (ainda) as mais populares, tiveram alta de 32,4% nas vendas desde 2003, ao contrário das jato de tinta, que caíram 9,1% desde então

PLACAS GRÁFICAS
Os exércitos:
ATI, Intel, Nvidia, Via
A batalha: Nos chips gráficos integrados, a Intel lidera, com 37,7% do mercado. Nvidia e ATI ficam com 23,2%, enquanto a Via tem uam fatia de 8,9%
Curiosidade: A Nvidia está em mais da metade dos computadores que possuem placas de vídeo 3D. Na captura de vídeo, as placas mais populares são da Pinnacle Systems


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sábado, 6 de outubro de 2007

GUERRA DIGITAL - PARTE 1


O computador, essa incrível (e maldita!) máquina, mudou a vida de muita gente. Há dez anos, era luxo. Hoje, não dá para viver sem ele. Constante camaleão, está sempre evoluindo ícones de ontem (lembra do 486?) viram sucata amanhã. Isso graças a um dos setores mais pulsantes da economia mundial: o da tecnologia. Tão complicada quanto o próprio computador, essa indústria vive sofrendo upgrades e mudando de cara.


YAHOO!
FATURAMENTO:
US$ 1,6 bilhão
EMPREGADOS: 5 500
GENERAL: Jerry Yang
TRUNFO: Ser simples e ir direto ao ponto. Foi um dos primeiros fenômenos da internet ao reunir busca, conteúdo, compras e aplicações num único site

EBAY
FATURAMENTO:
US$ 2,1 bilhões
EMPREGADOS: 982
GENERAL: Meg Whitman
TRUNFO: Virar plataforma de comércio eletrônico. O site de leilões, que virou uma imensa rede de comércio, tem hoje mais de 95 milhões de usuários cadastrados

PALM
FATURAMENTO:
US$ 871 milhões
EMPREGADOS: 982
GENERAL: Eric Benhamou
TRUNFO: Ter chegado primeiro ao mercado de computadores de mão. Criou uma unidade independente que desenvolve software. Disputa mercado principalmente com a HP

INTEL INSIDE
FATURAMENTO:
US$ 30,1 bilhões
EMPREGADOS: 78 mil
GENERAL: Craig Barrett
TRUNFO: Fazer parcerias e criar tecnologia. Seus processadores estão na maioria dos PCs da Dell e da HP, também as maiores. Só perde em uma frente: memórias flash (a primeira é a Samsung)

HP - HEWLETT PACKARD
FATURAMENTO:
US$ 73 bilhões
EMPREGADOS: 142 mil
GENERAL: Carly Fiorina
TRUNFO: Variar fabrica PCs, servidores, impressoras, câmeras... No passado, foi protagonista da maior fusão da história do setor: comprou a fabricante de PCs Compaq por US$ 19 bilhões

DELL
FATURAMENTO:
US$ 35,4 bilhões
EMPREGADOS: 46 mil
GENERAL: Michael Dell
TRUNFO: Tecer parcerias com fabricantes de componentes. Em 2001, a Dell se tornou a maior fabricante de PCs do mundo, posição que disputa com a HP. Também fabrica palmtops e servidores

NOKIA
FATURAMENTO:
US$ 37 bilhões
EMPREGADOS: 51 mil
GENERAL: Jorma Ollila
TRUNFO: Investir em tecnologia móvel. A empresa detém 30% do mercado de celulares, mas também faz games portáteis e soluções para redes

GOOGLE
FATURAMENTO
: US$ 961,9 milhões
EMPREGADOS: 1,6 mil
GENERAL: Larry Page e Sergey Brin
TRUNFO: Descobrir equações matemáticas que encontrem resposta para tudo. Depois de ter virado verbete de dicionário nos EUA, criou um webmail de 2 GB e colocou ações na bolsa eletrônica Nasdaq

CISCO SYSTENS
FATURAMENTO:
US$ 18,8 bilhões
EMPREGADOS: 34 mil
GENERAL: John Chambers
TRUNFO: Ser imprescindível. A Cisco fabrica 68% dos roteadores direcionadores de tráfego da internet. Sem ela e sua concorrente Juniper, que vem crescendo, a web simplesmente pára

MSN
FATURAMENTO:
US$ 2,2 bilhões
EMPREGADOS: não revelado
GENERAL: David W. Cole
TRUNFO: Ser o braço de internet da gigante Microsoft. O portal recebe 350 milhões de visitantes por mês, 187 milhões de usuários do Hotmail e 135 milhões do MSN Messenger

AMÉRICA ONLINE
FATURAMENTO:
US$ 6,4 bilhões
EMPREGADOS: 18 mil
GENERAL: Jon Miller
TRUNFO: Abarcar a internet (acesso, navegador sim, a AOL comprou o Netscape! e messengers). Depois de passar por um escândalo financeiro, tem lutado para manter a liderança e os 32 milhões de assinantes

BRILLIANT DIGITAL
FATURAMENTO: US$ 5,7 milhões
EMPREGADOS: 23
GENERAL: Kevin Bermeister
TRUNFO: Ser dona da maior rede de troca de arquivos do mundo, a Altnet: 214 milhões de internautas já baixaram músicas, filmes e programas pelo Kazaa, um dos mais conhecidos softwares do tipo

IBM
FATURAMENTO:
US$ 89,1 bilhões
EMPREGADOS: 320 mil
GENERAL: Samuel Palmisano
TRUNFO: Comprar empresas (recentemente, a consultoria PwC). Maior empresa de tecnologia do mundo, fornece software (nesse mercado, só perde para a Microsoft) e serviços

MICROSOFT
FATURAMENTO:
US$ 32,1 bilhões
EMPREGADOS: 54 mil
GENERAL: Bill Gates
TRUNFO: O mundo não é o bastante. A gigante do software recentemente expandiu seus negócios para games, televisão interativa e internet

REDHAT LINUX
FATURAMENTO:
US$ 90,9 milhões
EMPREGADOS: 142 mil
GENERAL: Matt Szullik
TRUNFO: Ser o principal ícone do Linux depois do pingüim. A empresa produz a mais conhecida versão do sistema operacional de código-fonte aberto, dona de 49,8% do mercado

APACHE DIGITAL
FATURAMENTO: empresa sem fins lucrativos
EMPREGADOS: 109 voluntários
GENERAL: Greg Stein
TRUNFO: Usar software livre para gerenciar servidores da web.O Apache domina esse mercado, com 67% de participação. Em seguida vem o IIS, da Microsoft, com 21%

APPLE
FATURAMENTO:
US$ 6,2 bilhões
EMPREGADOS: mil
GENERAL: Steve Jobs
TRUNFO: Pensar diferente (e ser chique). Recentemente entrou pra valer na briga da música digital com o toca-MP3 iPod e seu site de venda de músicas, o iTunes

SUN MICROSYSTEMS
FATURAMENTO:
US$ 11,1 bilhões
EMPREGADOS: 36,1 mil
GENERAL: Scott McNeally
TRUNFO: Fabricar os próprios chips em servidores que usam o sistema Unix, um dos "pais" do Linux. Também produz software (como o StarOffice, concorrente do Office da Microsoft) e equipamentos de rede

ORACLE
FATURAMENTO:
US$ 9,4 bilhões
EMPREGADOS: 41,6 mil
GENERAL: Larry Ellison
TRUNFO: Pensar na arquitetura de grandes volumes de informação. Está na frente em banco de dados, com 40% do mercado, mas vem perdendo espaço para IBM e Microsoft

SAP
FATURAMENTO:
US$ 8,8 bilhões
EMPREGADOS: 30 mil
GENERAL: Henning Kagermann
TRUNFO: Ter mais de 21 mil usuários em 120 países. A empresa desenvolve software corporativo, usado para integrar departamentos de distribuição, contabilidade, recursos humanos...

ADOBE
FATURAMENTO:
US$ 1,2 bilhão
EMPREGADOS: 3.507
GENERAL: Bruce Chizen
TRUNFO: Criar ferramentas profissionais de edição gráfica como Photoshop (que edita fotografias), InDesign (que desenha publicações) ou o Acrobat (que cria arquivos no formato PDF)

Os tentáculos da Microsoft se espalham pelo campo de batalha do software. A empresa domina o mercado em muitas frentes, mas enfrenta há algum tempo um exército de seguidores fiéis e cheios de ideologia - o do software livre. Quem dá cara a esse mundo é o Linux, sistema operacional que pode ser obtido de graça pela internet. Mas o também chamado software de código aberto é bem mais do que isso há programas de escritório, bancos de dados, softs gráficos e de entretenimento. Recentemente, a gigante IBM (sim, ela é maior que a Microsoft) comprou a briga e começou a investir pesado no Linux. Para defender seu filão de mercado, a empresa de Bill Gates argumenta que o software livre é tão caro quanto o seu porque ele pode ser obtido de graça, mas é complicado de mexer e exige investimentos em especialização e consultoria.

GENERAIS SOFTWARE

BILL GATES
Presidente da Microsoft
Patrimônio estimado: US$ 46,6 bilhões
Homem mais rico do mundo, entrou em Harvard em 1973, mas saiu logo depois para fundar a Microsoft

LARRY ELLISON
Diretor-executivo da Oracle
Patrimônio estimado: US$ 18,7 bilhões
O comandante da segunda maior empresa de software do mundo já brigou com Bill Gates pelo título de mais rico

LINUS TORVALDS
Membro da OSDL (Open Source Development Lab)
Patrimônio estimado: não revelado.
Embora seja um dos criadores do Linux, o finlandês não é um radical do software livre

SOFTWARE CORPORATIVO
Os exércitos: Microsoft, Oracle, PeopleSoft, SAP
A batalha: A alemã SAP domina praticamente metade do setor de softs de gerenciamento empresarial. Em seguida vem Oracle (135), PeopleSoft (12%) e Microsoft (11%)
Curiosidade: Desde fevereiro de 2004, a Oracle tenta comprar a PeopleSoft - a última oferta foi de US$ 7,7 bilhões. Mas autoridades temem a violação de leis antitruste dos EUA

GRÁFICOS & PUBLICAÇÕES
Os exércitos: Adobe, Corel, Macromedia, Micorsoft e Quark
A batalha: Quando o assunto é software gráfico, o Photoshop, da Adobe, reina absoluto (e leva muitos usuários para a plataforma Mac). Na área de publicações, QuarkXpress, Adobe PageMaker e Corel dividem o mercado
Curiosidade: A Microsoft também tem um pé nessa arena, com seu Publisher, embutido em algumas versões do Office

NAVEGADORES
Os exércitos:
AOL, Microsoft, Mozilla, Opera
A batalha: Aqui, a Microsoft também domina 81,4% dos PCs acessam a web com o IE (Internet Explorer). Em seguida, aparecem o livre Mozilla (11,4%), o gratuito Opera (2,3%), e o Netscape (2%)


BANCOS DE DADOS
Os exércitos:
IBM, Microsoft, Oracle
A batalha: A Oracle tem 40% do mercado de softs de gerenciamento de banco de dados. Em seguida vem a IBM, com 31%. A fatia da Microsoft tem 12,1%. Mas, em 2003, segundo o Gartner, a IBM vendeu mais
Curiosidade: Travada longe dos olhos do grande público, a batalha envolve administração de grandes volumes de dados, como sistemas de controle de estoques ou de vendas de passagens aéreas

SERVIDORES WEB
Os exércitos:
Apache, Microsoft, Sun
A batalha: O software livre Apache está em 67,85% dos servidores que hospedam sites. A Microsoft está em segundo em gerenciamento de sites, com 21,14% do mercado
Curiosidade: Grandes empresas, por outro lado, parecem preferir o software da Microsoft, chamado IIS. Em junho, ele estava em 53,8% dos servidores, contra 20,3% do Apache

ANTIVÍRUS
Os exércitos:
McAfee, Sophos, Symantec, Trend Micro
A batalha: O setor movimentará US$ 4,4 bilhões anuais até 2007. No varejo, o Norton Antivírus, da Symantec, é mais popular, com 36,6% do mercado. O ViruScan, da McAfee, é o segundo, com 24%. A Trend tem força no mercado de antivírus baseados em servidores
Curiosidade: Calcula-se que o prejuízo mundial causado por vírus seja de US$ 40 bilhões por ano. Windows (54%) e Linux (30%) são os maiores alvos

SISTEMAS OPERACIONAIS
Os exércitos:
Apple, Linux (RedHat, Cobalt, Debian, SuSe, Mandrake), Microsoft, Novell
A batalha: Tudo dominado pelo Windows, que está em 96% dos PCs. Em segundo, está o MacOS, sistema dos Macs, com 2,8% do mercado. O Linux está em apenas 1% dos micros
Curiosidade: Além dos PCs, a batalha se estende ao mundo dos palmtops. O Palm OS, que está em 41,7% dos micros de mão, vem perdendo terreno para o Windows Móbile, que já tem 36,3%

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

HUMOR E AMOR

O que autores como Miguel de Cervantes, Mark Twain e Felizberto Hernandez têm em comum além da importância para a história da literatura? Cada um à sua maneira, eles deixaram páginas imortais de humor, graça e deboche. Em Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal (Ediouro), o escritor brasileiro Flávio Moreira da Costa organiza um painel do melhor do riso literário em todos os tempos e quadrantes. Ecumênico, o autor da antologia mescla nomes clássicos com escritores brasileiros ainda em atividade. Para ler, rir e pensar.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Pavê light com frutas



Ingredientes:

Creme


2 gemas
3 colheres (sopa) de adoçante
2 colheres (sopa) de margarina light
3 xícaras (chá) de leite desnatado
1/2 xícara (chá) de creme de leite light
2 colheres (sopa) de maisena
20 biscoitos champagne


Recheio


2 xícaras (chá) de salada de frutas em conserva

Calda


1 colher (sopa) de margarina light
1 colher (sopa) de chocolate em pó light
3 colheres (sopa) de açúcar

Modo de Preparo:

Creme:

bata na batedeira as gemas, o adoçante e a margarina, até obter um creme esbranquiçado. Junte, aos poucos, 2 xícaras (chá) de leite fervente, batendo com um batedor manual até ficar homgêneo. Incorpore o creme de leite e a maisena dissolvida em 1/2 xícara (chá) de leite e bata por mais dois minutos.
Volte ao fogo e cozinhe, sem parar de mexer, ou até o creme encorporar. Retire do fogo e reserve. Coloque a salada de frutas em conserva para escorrer em uma peneira.
Calda:
Leve ao fogo uma panela com a margarina, o chocolate em pó e o açúcar.
Deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, até engrossar. Retire do fogo e reserve.
Montagem:
Umedeça os biscoitos, um a um, no leite restante e forre uma taça grande. Espalhe a metade do creme, coloque as frutas e cubra com o creme restante. Por fim, despeje a calda de chocolate. Leve para gelar por 2 horas e sirva.

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