sexta-feira, 31 de agosto de 2007

AS DUAS FACES DO ESTRESSE



Uma tempestade de hormônios prepara o organismo para se defender de uma agressão. Mas o mesmo processo pode fazer mal à saúde: então se diz que alguém está estressado.

Toca a campainha de casa, mas o efeito para o organismo é o de uma sirene de alarme: todo o combustível armazenado para pôr o corpo em ação, constituído de moléculas de açúcar e de gordura, é despejado no sangue, que jorra na direção dos músculos, enquanto o coração acelera o ritmo da circulação. Nesse corre-corre. os vasos sangüíneos da pele se fecham, a digestão pára, o sistema imunológico é parcialmente desativado. O resultado é o estresse, a resposta do organismo um personagem conhecido por sua prudência a qualquer estímulo ambiental que fuja da rotina e, portanto, possa representar uma ameaça a sua integridade. A todo momento, por assim dizer, as pessoas se estressam, ou seja, têm o corpo preparado para escapar de situações corriqueiras a não poder mais, como uma voz que irrompe no silêncio, um esbarrão na fila do cinema, uma luz que se acende de repente, uma colherada de sopa escaldante, um cheiro estranho no ar. Na fração de segundo seguinte, porém, quando se reconhece que o acontecimento é inofensivo. aquele complexo sistema de emergência costuma ser cancelado. Alguns, no entanto, não conseguem colocar um ponto final no processo e por isso vivem muito mal vivem estressados. Pessoa sempre cansada ou de mau humor, que reclama de dores aqui e acolá, não come direito, vira-e-mexe perde o sono, adoece, espirra e se coça por alergias esse hoje nítido perfil de alguém estressado não compunha até há pouco tempo uma imagem clara para a Medicina, empenhada em compreender um problema cada vez mais comum, a ponto de o termo estresse ser usado a torto e a direito por todo mundo. Nos últimos anos de tanto bisbilhotar a intimidade dos organismos à beira de um ataque de nervos e apesar das perguntas sobre o assunto ainda sem resposta ou de resposta controversa, os cientistas conseguiram visualizar aquilo que, de fato, é a essência do estresse: uma saudável tempestade de substâncias químicas capaz, porém, de fazer alguém perder a saúde.
A palavra estresse do inglês stress, conceito da Física relacionado à condição dos materiais submetidos à ação de forças externas foi tomada emprestada pelo fisiologista canadense Hans Selye, em 1936, para explicar o que havia acontecido com as cobaias de seu laboratório. Então recém-formado, Selye dedicava-se a testar certa droga, injetando-a em ratos. A substância pareceu-lhe causar terríveis alterações nas cobaias, como úlceras, atrofia dos tecidos onde se produzem as células imunológicas e crescimento das glândulas supra-renais. Para seu espanto, o pesquisador verificou que o grupo de controle, as cobaias que haviam recebido injeções de uma solução salina, apresentavam os mesmos sintomas.
Mais tarde Selye notou que o comportamento dos animais também era idêntico diante de estímulos tão diversos como barulho, frio ou calor excessivos, substâncias tóxicas. Diante disso, definiu estresse como a reação não específica de um organismo a qualquer agressão e assim proporcionou aos colegas que o sucederiam bons motivos para ficarem estressados, porque a definição era insuficiente e os mecanismos da citada reação insistiam em permanecer irritantemente obscuros. Hoje em dia, embora o tema ainda contenha mais charadas do que os cientistas gostariam eles ao menos trabalham com uma definição aperfeiçoada: estresse seria o desgaste total de um organismo, causado por estímulos que o excitem desagradáveis ou agradáveis.
"Só agora sabemos que existe uma dúzia de hormônios envolvidos no processo", observa o endocrinologista Antonio Roberto Chacra, professor da Escola Paulista de Medicina. "De fato, sem esses hormônios todo ser vivo ficaria inerte diante de um imprevisto." E já que se fala em hormônios, sem estresse não haveria sequer a saudável paquera. Pois, quando um rapaz olha para uma moça, começa no organismo dela uma fulminante reação em cadeia. O estímulo visual é captado por receptores nos olhos. Estes disparam um sinal elétrico para o cérebro e a mensagem é recebida em uma região da massa cinzenta o tálamo, uma espécie de agência que concentra as notícias transmitidas sem cessar pelo organismo.
O tálamo repassa as mensagens a outra estrutura situada logo abaixo e por isso mesmo chamada hipotálamo, que se encarrega de preparar o corpo para a defesa ou o ataque, liderando uma substância que cientistas americanos descobriram há nove anos, o CRF (sigla em inglês de fator de produção no córtex). Trata-se de um mensageiro que excita a glândula hipófise, também situada no cérebro. Estimulada, ela passa a produzir uma segunda substância, o ACTH (hormônio adrenocorticotrópico) que, jogada no sangue, desencadeia diversas reações. O principal destinatário do ACTH são as glândulas supra-renais, que fabricam uma série de hormônios responsáveis pelos sintomas típicos de um sobressalto, como a sensação de frio no estômago e a taquicardia.
Ao chegar no fígado, o ACTH faz com que a glândula libere parte da glicose armazenada em suas células, de modo que os músculos tenham energia à vontade para movimentar-se, ou seja, voltando enfim ao exemplo do que acontece com a moça olhada pelo rapaz, como se ela tivesse duas saídas apenas: fugir ou saltar sobre o paquerador. No reino animal, o dilema flight or fight como é conhecido em inglês, se resolve literalmente: o bicho confrontado com uma ameaça potencial ou dispara ou ataca. Entre os homens, na teia dos contatos sociais de todo dia, a mesma escolha é transfigurada pelas múltiplas embalagens necessárias ao convívio civilizado; o disfarce é tão perfeito que a fuga ou o enfrentamento às vezes não são percebidos com nitidez nem sequer pelo fugitivo (ou agressor), como se a ação concreta de resposta ao estímulo se escondesse debaixo de uma metáfora a ação aparente. Mas, na intimidade do organismo, a situação não é menos estressante.
Uma dose moderada daqueles hormônios é fundamental para que se tenha um desempenho adequado nas tarefas cotidianas. "Minha aula seria maçante se eu não estivesse um pouquinho estressado", exemplifica o professor Chacra. Por aí se percebe que o estresse, a princípio, é algo muito positivo, pois são os hormônios envolvidos no processo que permitem ao cérebro prestar atenção, relacionar idéias. ser criativo todas condições necessárias à sobrevivência. O problema e haja problema é que o estresse pode também prejudicar, caso exista em excesso. "É curioso como uma estratégia que nos ajuda a viver pode causar até a morte", pondera o psicólogo Esdras Vasconcellos, da Universidade de São Paulo, que durante dezessete anos estudou doenças psicossomáticas na Alemanha e agora comanda na USP uma pesquisa sobre as conseqüências do estresse em pacientes com AIDS.
Segundo ele, o ACTH liberado pela hipófise estimula as supra-renais a produzir dois tipos de hormônios, os glicocorticóides e os mineralocorticóides. "Ambos têm como principal meta mobilizar energia para uma espécie de fuga", explica o pesquisador. As supra-renais recebem ainda outro tipo de estímulo, uma mensagem elétrica direta do cérebro que faz a medula fabricar outros dois hormônios, a tão falada adrenalina e a noradrenalina. Verdadeiras injeções de ânimo, aumentam o ritmo de trabalho em todo o organismo. Não é à toa que, entre outros efeitos, a temperatura sobe. "Por isso um dos sintomas clássicos do estresse é justamente o suor frio", aponta Vasconcellos. "É a forma pela qual o organismo libera o excesso de calor, tentando literalmente esfriar a cabeça."
Para alívio de todos, ao mesmo tempo em que o hipotálamo ordena a reação de estresse, suas células nervosas enviam uma espécie de comunicado à superfície cinza-escuro do cérebro, região capaz de avaliar situações. Assim, muitas vezes os sintomas do estresse nem sequer se manifestam, pois é como se, uma fração de segundo depois de acionado o alarme do organismo fosse desligado por uma substância sintetizada pelas próprias células cerebrais. Mas, quando os estímulos estressantes ficam muito freqüentes, o sistema nervoso acaba considerando perda de tempo consultar o córtex, a estrutura capaz de distinguir um grito ameaçador de uma canção de ninar. E assim, agindo por reflexo, o organismo alarma-se por qualquer bobagem. desencadeando tempestade em copo de água.
O pior vem a seguir. Depois de certo tempo, cansado do jogo de liga-desliga, o organismo fica ligado de uma vez por todas: a partir daí, começa o chamado destresse, ou fase de resistência. O nome faz sentido: ao modificar o ritmo de funcionamento, o corpo deixa de perceber os sintomas clássicos do estresse. Aí não existe mais taquicardia a aceleração súbita da pulsação porque o coração já bate rotineiramente noventa vezes por minuto e não mais de 60 a 80 vezes, como seria normal. Do mesmo modo, não se sente mais tontura por mudanças da pressão sangüínea; ela já se estabilizou em valores 10 a 30 por cento mais altos do que a norma. O aparelho digestivo, enfim, trabalha agora o tempo todo devagar, quase parando; demora até quatro vezes mais que antes para dar conta de uma refeição. Nesse pico de atividade, o cérebro por algum motivo passa a inibir a ação das defesas do organismo contra agressores. "Provavelmente, essas células são ativadas por substâncias fabricadas pelo timo uma glândula situada sobre o coração, cujo trabalho o estresse acaba inibindo", supõe o psicólogo Vasconcellos. Depois de um ano acompanhando aidéticos, o cientista sente-se seguro em afirmar que aqueles mais estressados são os que sofrem mais infecções oportunistas, doenças raras em pessoas com saúde normal, mas para as quais os aidéticos são indefesos.
Já a relação entre estresse e câncer não é aceita pela unanimidade dos cientistas, embora tenha sido afirmada há exatos vinte anos, em função de uma pesquisa com ratos. A afirmação mexe com uma das maiores controvérsias sobre os efeitos do estresse: sua suposta relação com o aparecimento ou a piora de um sem-número de males, a começar pelo câncer. Levada às últimas conseqüências, a idéia de que estresse adoece significa que o doente é a própria causa da sua doença, na medida em que ele se tornou um estressado crônico por ter, em derradeira análise, um comportamento inadequado ao ambiente. Isso não é o mesmo que dizer que o fumante é responsável por seu próprio enfisema: neste caso, a relação de causa e efeito já está estabelecida para além de qualquer dúvida. Diversos trabalhos sugerem que, por razões misteriosas, a reação do sistema imunológico em pessoas estressadas melhora com exercícios físicos. Para a psicóloga Marilda Novaes Lipp, do Centro de Controle do Estresse, de Campinas, no interior de São Paulo, a ginástica ajuda o organismo a eliminar o excesso da adrenalina, na sua opinião, a grande responsável pela maior parte dos males causados pelo estresse. Segundo Marilda, que durante treze anos estudou o problema nos Estados Unidos, voltando ao país no início da década de 80, "quando o estresse mal era conhecido por aqui", a adrenalina excessiva sempre ataca mais determinado órgão, conforme a pessoa. Seqüelas de estresse aparecem sem relação com sexo ou idade aliás, de acordo com especialistas. se tornam cada vez mais comuns em crianças.
O homem é o único ser capaz de produzir o seu próprio estresse. Entre os animais. o estresse tem a ver exclusivamente com o estímulo externo, como o ataque de um predador. Numa avaliacão instantânea, ditada pelos reflexos da experiência, o bicho sob ameaça de agressão escolherá fugir ou lutar em qualquer hipótese, o episódio tenderá a se esgotar em si mesmo, supondo, é claro, que a vítima vença o combate. Ficará nela a memória do ocorrido, de inestimável importância para o próximo enfrentamento. Mas, por falta de um córtex cerebral igual ao humano, bicho algum pode entregar-se a batalhas (ou fugas) imaginárias, cevando pensamentos capazes de despertar emoções negativas e conflitos íntimos tidos como geradores de estresse. Os cientistas acreditam que tais estados subjetivos podem ativar o hipotálamo da mesma maneira que estímulos objetivos do meio ambiente.
"A maioria das pessoas parece estressada por alimentar preocupações", avalia a socióloga Nelly Candeias, uma senhora risonha que cultiva dúzias de violetas em seu gabinete e coordena na Universidade de São Paulo pesquisas de Saúde Pública seu tema de estimação há quinze anos. Recentemente Nelly investigou a incidência de estresse em enfermeiras, profissão que apresenta um dos mais altos índices do problema no Brasil. "Depois de ensiná-las a controlar o estresse, evitando aqueles pensamentos que só tornam as coisas piores, conseguimos diminuir sintomas como a hipertensão", assegura ela. Aparentemente, não se trata do poder do pensamento positivo ou qualquer baboseira do gênero. Tudo leva a crer que ao se recuperar a calma, o cérebro libera endorfinas, analgésicos naturais, e produz outras substâncias que cortam o processo do estresse. "A cada dia", informa Nelly, "os cientistas trazem uma nova evidência de que parar cinco minutos para relaxar faz toda a diferença."

Sistema de alarme em ação

A fim de reagir aos imprevistos, o organismo, cauteloso, está sempre pronto para acionar seu complexo dispositivo de segurança:
1- Como uma rede de radares, receptores espalhados por todo o corpo captam qualquer alteração no ambiente, como um som;
2 - Os sinais captados chegam ao tálamo cerebral. Este, ao mesmo tempo em que repassa a informação ao córtex a área capaz de analisar a situação, envia a mensagem nervosa ao hipotálamo, que prepara a reação do organismo diante da emergência;
3 - Depois de receber a ordem do hipotálamo, a glândula hipófise libera mensageiros químicos, os ACTH, que disparam na direção das glândulas supra-renais;
4 - Com a chegada dos mensageiros da hipófise, as glândulas supra-renais despacham imediatamente substâncias químicas a destinos diferentes;
5 - A adrenalina dispersa-se pelo organismo inteiro, ordenando que acelere o ritmo de trabalho;
6 - Os mineralocorticóides seguem para órgãos específicos, como o estômago, mandando que interrompam o seu trabalho, a fim de poupar energia para um ataque ou uma eventual fuga;
7 - Os glicorticóides têm a incumbência de retirar o combustível armazenado nas células, para entregá-lo aos músculos.

A medida certa

Às vezes, estar estressado é estar numa boa. Isso porque se consegue resolver mil coisas ao mesmo tempo: a adrenalina e a noradrenalina ativam os circuitos do cérebro. Mas, aos poucos, esses mesmos hormônios transformam o corpo em uma bomba-relógio: as paredes dos vasos ficam cada vez mais grossas, dificultando a passagem do sangue; o coração começa a ficar cansado e, mais dia, menos dia, como no proverbial copo de água prestes a transbordar, uma cota adicional de adrenalina provocada por uma emoção mais forte faz o músculo cardíaco se contrair em um espasmo é o infarto. Mas não se imagine sombra e água fresca seja a melhor receita contra os danos do estresse: está provado que, deixando de tomar uma dose moderada de tensão, o sistema nervoso reage como se vivesse em luta-livre. Ou seja, com grandes quantidades de hormônios do estresse. Pesquisas americanas indicam que pessoas submetidas a pouco estresse no dia-a-dia têm o dobro de problemas de saúde que aquelas com estresse tolerável.

Problema para menores

Certa vez, o professor de Pediatria Francisco De Fiore da Universidade de São Paulo recebeu no consultório um garoto de 11 anos com uma dor de estômago tão forte e repentina que se suspeitou de intoxicação. "Mas quando fiz os exames constatei que era uma úlcera", lembra o médico de 61 anos, 40 dos quais tratando crianças. "É cada vez mais comum o estresse infantil", constata. De fato, segundo levantamento recente da Organização Mundial de Saúde, uma em cada cinco crianças nos países ocidentais é estressada, sendo os motivos mais comuns a separação dos pais e o excesso de obrigações escolares.
"Nas crianças, os problemas cardíacos não chegam aparecer, pois o coração em crescimento consegue dar conta da sobrecarga do estresse", explica De Fiore. No entanto, isso não acontece com o estômago e o sistema imunológico. Assim, nas crianças, estresse costuma ser sinônimo de má digestão, resfriados constantes e todo tipo de alergias."

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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Refletindo


O fim do nosso bem inicia o nosso mal.

John Davies

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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Psicologia



As antigas especulações sobre a alma e a capacidade intelectual do homem foram complementadas desde o século XIX por uma nova ciência, a psicologia, que estabeleceu métodos e princípios teóricos aplicáveis ao estudo e de grande utilidade no estudo e tratamento de diversos aspectos da vida e da sociedade humana.
Psicologia é a ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento. Entende-se por comportamento uma estrutura vivencial interna que se manifesta na conduta. O termo psicologia origina-se da junção de duas palavras gregas: psiché, "alma", e lógos, "tratado", "ciência".
A teoria psicológica tem caráter interdisciplinar por sua íntima conexão com as ciências biológicas e sociais e por recorrer, cada vez mais, a metodologias estatísticas, matemáticas e informáticas. Não existe, contudo, uma só teoria psicológica, mas sim uma multiplicidade de enfoques, correntes, escolas, paradigmas e metodologias concorrentes, muitas das quais apresentam profundas divergências entre si.
Nos últimos anos tem-se intensificado a interação da psicologia com outras ciências, sobretudo com a biologia, a lingüística, a informática e a neurologia. Com isso, surgiram campos de aplicação interdisciplinares, como a psicobiologia, a psicofarmacologia, a inteligência artificial e psiconeurolingüística

Períodos da história da psicologia.

Há formas mais simples e outras mais elaboradas de se distinguirem as fases na história da psicologia. Uma forma simples consistiria em considerar dois grandes períodos: o filosófico-especulativo e o científico. O primeiro tem raízes no pensamento grego e se estende até o final do século XIX ou princípio do XX, conforme o critério escolhido para delimitação do começo da psicologia científica.
Como marco inicial do período científico poder-se-ia fixar um dentre dois momentos: a consagração do método experimental como procedimento possível e adequado à problemática psicológica caso em que Wilhelm Wundt seria seu iniciador, ou o uso sistemático do conceito de comportamento como objeto da pesquisa e, nesse caso, estaria em evidência John B. Watson.
Os filósofos antigos, gregos e medievais procuravam, antes de tudo, dar resposta aos problemas fundamentais acerca da natureza da alma, sua relação com o corpo, seu destino depois da morte, a origem das idéias etc. Somente com o advento do espírito científico e, principalmente, com a constatação de que há possibilidade de encontrar fórmulas suficientemente precisas entre variação do estímulo físico, mudança fisiológica e reação psíquica, é que começou o trabalho pioneiro de Gustav Fechner, Hermann Helmholtz e Wilhelm Wundt: a psicofísica e a psicofisiologia.
Para Wundt, o objeto da psicologia era a consciência; entendia a ciência como estudo da estrutura ou das funções detectáveis na experiência interior, nos processos psíquicos de sensação, percepção, memória e sentimentos. A essa concepção da psicologia opuseram-se psicólogos científicos posteriores, em particular os behavioristas, para os quais só pode haver ciência a partir do que é externamente observável (no caso, o comportamento).
Principais escolas de psicologia. Uma das maneiras de classificar as especialidades em que se dividiu a psicologia é segundo os conteúdos examinados por cada área. Assim, as principais disciplinas psicológicas seriam a psicologia da sensação, da percepção, da inteligência, da aprendizagem, da motivação, da emoção, da vontade e da personalidade. Outra divisão possível se faz segundo o critério de examinar esses mesmos conteúdos quanto a sua relação com o funcionamento do organismo (psicologia fisiológica); ou quanto a sua manifestação no decorrer da evolução (psicologia do desenvolvimento); ou quanto à comparação desses processos nos diversos graus de evolução animal pode esclarecer o comportamento humano (psicologia comparada); ou, ainda, quanto ao condicionamento que esses processos impõem à vida social do homem, ao mesmo tempo que as diversas formas da convivência social influem na manifestação concreta dos mesmos (psicologia social).
Os pioneiros da psicologia científica, Wundt, William James e Edward B. Titchener, se incluem na escola estruturalista, para a qual o importante é determinar os dados imediatos da consciência: as características principais e específicas dos processos de consciência e seus elementos fundamentais.
A corrente funcionalista, à qual pertenciam os americanos John Dewey, Robert S. Woodworth, Harvey A. Carr e James R. Angell, privilegia o estudo das funções mentais, em detrimento de sua morfologia e estrutura. Em vez de investigar somente "o que é", o psicólogo estudará "para que serve" e "como se efetua" o processo psíquico.
Na década de 1910, John B. Watson lançou a corrente behaviorista. Criticava tanto o funcionalismo quanto o estruturalismo, que ele julgava serem demasiado subjetivos e imprecisos e propôs o estudo exclusivo do comportamento (em inglês behavior), ou seja, daquilo que é observável na conduta do homem. Segundo ele, seria cientificamente observável a ação de um estímulo sobre o organismo e a reação deste em face do estímulo. A relação entre estímulo e reação teria seu protótipo nos reflexos incondicionado e condicionado.
Tanto o estruturalismo quanto o behaviorismo clássico procuravam reduzir o estudo da psicologia ao estudo dos elementos do comportamento. Contra essa dissecação da vida psíquica insurgiu-se a corrente fundada por Max Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Köhler, chamada psicologia da forma ou Gestaltpsychologie. Partindo da investigação das percepções, os gestaltistas formularam o princípio segundo o qual o conjunto dos fenômenos psíquicos apresenta características que não podem ser inferidas das partes isoladamente.
Muitos psicólogos europeus como Max Scheler, Frederick J. Buytendijk e Maurice Merleau-Ponty seguem a corrente fenomenológica, cujos caminhos foram explorados por Franz Brentano e Edmund Husserl já no século XIX. A fenomenologia em psicologia consiste em captar a vivência do outro diretamente no comportamento onde está incluída a significação do ato. Portanto, os psicólogos devem analisar tal comportamento sem procurar "atrás" dele o fenômeno psíquico, mas tentando descobri-lo no próprio fenômeno, pois o mundo fenomenal pode ser analisado diretamente, por ser um dado tão imediato quanto o "eu".

Métodos e técnicas.

Os métodos científicos da psicologia podem ser divididos em três grupos: experimentais, diferenciais e clínicos. Os métodos experimentais, oriundos das ciências físicas, têm por princípio a variação de um fator, o fator causal também chamado variável independente, mantendo constantes todas as outras fontes de influência. Observar-se-ão, assim, as modificações produzidas na variável dependente. A tarefa fundamental do psicólogo será, de um lado, encontrar medidas precisas quanto às variações das variáveis independente e dependente, e, de outro lado, controlar todas as outras variáveis para que seu efeito possa ser considerado como constante.
Em certos casos, como no estudo do desenvolvimento dos fatores da inteligência, da personalidade etc., o psicólogo não pode variar diretamente o fator que deseja estudar. Recorre então ao método diferencial. As diferenças individuais constituirão a variável propriamente dita; as outras condições, e mesmo as provas às quais os indivíduos serão submetidos, ficam constantes.
Enquanto os dois métodos citados permitem estabelecer leis gerais, o método clínico se propõe compreender o indivíduo em sua situação particular ou pretende aplicar as diversas leis gerais a casos individuais. Seu uso é indispensável no diagnóstico da personalidade. Para o conhecimento preciso de determinados fenômenos psicológicos, muitas vezes os três métodos devem ser empregados conjuntamente.

Psicologia animal

Também chamada psicologia comparada, a psicologia animal tem como uma de suas finalidades a de precisar o degrau em que, na escala evolutiva, determinada espécie deve ser situada. A maior contribuição da psicologia animal decorre do fato de que os estudos efetuados sobre animais permitem responder muitas perguntas relativas à psicologia humana.
Edward Lee Thorndike, Clark Hull, B. F. Skinner e muitos outros teóricos da psicologia da aprendizagem elaboraram suas leis a partir de dados obtidos com animais, visto que neles as experiências podem ser simplificadas e mais controlados os fatores não relevantes. Os estudos de Konrad Lorenz e Nikolaas Tinbergen sobre os instintos também foram efetuados com animais.

Psicologia do desenvolvimento

O estudo longitudinal do desenvolvimento procura compreender tanto a época do aparecimento dos processos psicológicos, quanto as características dos principais estágios da evolução psíquica. Iniciou-se com as pesquisas sobre a psicologia da criança, mas os trabalhos de George Coghill, Z. Y. Kuo e outros mostraram a necessidade de levar em conta também os dados obtidos sobre o desenvolvimento psíquico dos animais, principalmente no terreno do desenvolvimento motor.
Alguns autores antigos consideravam o desenvolvimento unicamente como um acréscimo em quantidade e complexidade; teorias posteriores, ao contrário, afirmam que as modificações qualitativas e descontínuas surgem nos vários níveis da evolução. Isto levou a caracterizar os níveis de evolução em termos de "padrões de desenvolvimento". Admite-se que existam formas gerais comuns a todos os membros da mesma espécie, as quais durante certo período caracterizarão seu comportamento psíquico.
Estudos sobre a vida embrionária tanto do homem quanto dos animais mostram que os primeiros movimentos são descoordenados e envolvem o organismo inteiro. Depois, por individuação e por influência de fatores internos, na concepção de Coghill, ou mais pela influência de fatores excitantes externos, na teoria de Kuo, as reações vão especificar-se em ordem precisa, definida. Assim, o desenvolvimento motor vai de movimentos amplos que envolvem todo o membro até as atividades finas de coordenação motora.
Todas as teorias concordam que a regularidade do desenvolvimento constitui uma prova da presença de fatores internos, isto é, de fatores de maturação. Isso explica, no dizer de Arnold L. Gesell, por que a criança senta-se antes de ficar em pé, desenha um círculo antes de conseguir copiar um quadrado e fabula antes de poder dizer a "verdade". Influências externas desfavoráveis, como, por exemplo, ser impedida de movimentar os membros, atrasam sua locomoção, mas, uma vez liberada, rapidamente recupera o que perdeu e se iguala às outras crianças de mesma idade.
O estudo do desenvolvimento da criança exige métodos específicos pouco usados em outros ramos da psicologia. A análise dos jogos e desenhos infantis, a observação e análise cinematográfica são algumas das técnicas que permitem acompanhar sua evolução.
O desenvolvimento da personalidade humana pode ser dividido em cinco etapas principais: vida intra-uterina, infância, adolescência, período maduro do adulto e velhice. A divisão ulterior da infância e da adolescência não é ainda uniforme entre os psicólogos. A maioria, contudo, destaca o primeiro ano de vida como fase especial. Depois vem a etapa da primeira infância, até os seis anos aproximadamente. A segunda infância vai de 7 a 11 anos, seguida da fase da pré-puberdade. A adolescência se subdivide em dois períodos: a puberdade e a adolescência propriamente dita. Alguns autores ainda distinguem, dos 18 aos 23 anos, o período da juventude.
O recém-nascido, apesar de estar já em contato com um mundo muito mais mutável do que as condições comparativamente constantes da vida intra-uterina, caracteriza-se ainda por uma dependência quase total do ambiente e pela aquisição das condições básicas de uma vida biológica independente: hábitos de alimentação, discriminação de estímulos e maturação do sistema nervoso.
Na primeira infância, em conseqüência do desenvolvimento motor e verbal, a criança torna-se agente espontâneo de atividades, por meio das quais buscará ativamente novos estímulos e começará a integrar-se, ainda que em boa parte somente na fantasia, ao mundo social de seus colegas e da família. Na segunda infância, a criança desenvolve a capacidade de dissociar as qualidades dos objetos e se abre ao mundo real por meio de generalizações, abstrações e manipulação livre dos símbolos verbais. Em alguns anos a conquista intelectual transforma por completo sua atitude para com o mundo externo.
As mudanças orgânicas e somáticas, principalmente o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, acompanhados pela socialização da atividade intelectual, constituem verdadeira fase de transição, que começa aos 12-13 anos e vai até o fim da puberdade, por volta dos 15 anos. Necessitando compreender-se nessa etapa, e, ao mesmo tempo, sentindo a influência da sociedade que começa a exigir dele uma responsabilidade, o adolescente assume progressivamente a direção ativa e pessoal de sua própria vida. Essa busca de auto-afirmação às vezes fica só no mundo interno, mas costuma também manifestar-se em rebeldia contra as autoridades, à procura de "novos estilos" de vida dentro dos quais possa sentir-se mais seguro.
Dentro de cada um desses períodos, a psicologia do desenvolvimento pesquisa especificamente o desenvolvimento corporal, a aquisição das habilidades motoras, a evolução da linguagem e da inteligência, o ajustamento social e emocional. Um dos estudos mais precisos sobre as características diferenciais de cada ano de vida foi realizado por Gesell e seus colaboradores. Outros, como Jean Piaget e Maurice Debesse, preferiram estudar mais globalmente o desenvolvimento, ressaltando as próprias vivências internas das crianças e adolescentes.

Psicologia social

A personalidade não se desenvolve nem se manifesta no vazio, mas em estreita interação com outras personalidades. A disciplina científica que estuda a personalidade em interação é a psicologia social.
Autores antigos tiveram uma visão mais atomística da relação entre a personalidade e a sociedade. Muitos consideravam que a psicologia social começa depois que a personalidade se forma graças às forças internas e aos mecanismos de aprendizagem. Concepção mais recente, sem negar a importância desses fatores, ressalta que a personalidade, sob todos os pontos de vista, desde o nascimento, está sendo condicionada cultural e socialmente.
Outro tema preferido da psicologia social moderna é a investigação do status, isto é, a posição que alguém ocupa no grupo, e do rôle, ou seja, o comportamento esperado do indivíduo por um grupo humano. Para que uma pessoa seja bem ajustada, considerada como normal, é necessário que saiba desempenhar seus rôles, seus "papéis sociais", e encontre suficiente grau de satisfação emocional na vivência desses papéis.
Muitas pesquisas investigam não tanto a influência da cultura e da sociedade sobre a personalidade, mas os processos que caracterizam a organização comportamental dos grupos, a interação dos membros de um grupo. Especial atenção é consagrada ao estudo dos chamados pequenos grupos e grupos primários, como seriam o grupo familiar, o grupo de irmãos etc. Nessas circunstâncias, obtêm-se medidas bastante precisas das diversas forças que interagem.
Dentre os estudos das grandes coletividades, ocupa lugar especial o do estudo da massa, que se caracteriza por certa "homogeneidade mental", sensibilidade e excitabilidade de seus integrantes. A concepção mais aceita para explicar as reações muitas vezes violentas e mutáveis que ocorrem nesse tipo de coletividade é a hipótese baseada em premissas freudianas: sob a pressão social, acumula-se o sentimento de frustração, mas as pessoas que, individualmente, reprimiriam essa frustração, quando reunidas em grupo, massa, sob a "ilusão da universalidade", descarregarão sua agressividade.
A utilização de conhecimentos psicológicos para a resolução de problemas sociais é considerada como uma tecnologia social, onde os achados derivados de pesquisa pura e aplicada são empregados na construção de um produto socialmente relevante. O cientista social dedicado à pesquisa básica de modelos capazes de explicar a relação entre variáveis psicossociais poderá, por exemplo, estudar experimentalmente qual a maneira mais eficaz de provocar mudanças de atitude em geral, ou em determinadas situações específicas. O cientista que utiliza conhecimentos teóricos e básicos em pesquisas diretamente ligadas à resolução de problemas sociais específicos poderá chegar a tal conhecimento por meio de um trabalho relacionado a uma situação real, por exemplo, mudança da atitude do preconceito de um grupo contra outro. O tecnólogo social utilizará esses conhecimentos na solução de problemas específicos.

Psicologia aplicada

Durante muito tempo a psicologia aplicada foi considerada como um ramo da psicologia no qual os fatos e os métodos da ciência eram aplicados aos problemas práticos da vida diária. Entretanto, o adjetivo "aplicado" conduz a uma impressão errônea das relações entre a psicologia pura e a aplicada, sugerindo que esta última toma de empréstimo à primeira seus princípios e leis. Na realidade, os princípios da psicologia aplicada são muitas vezes independentemente derivados, a partir do esforço de solução de problemas práticos.
A utilização dos métodos e resultados da psicologia científica na solução prática dos problemas do comportamento humano é chamada psicologia aplicada. Embora, desde o nascimento, a psicologia científica tenha sido empregada nos diversos ramos da atividade humana, sua aplicação acelerou-se principalmente a partir da segunda guerra mundial, durante a qual os psicólogos foram solicitados a colaborar na seleção, preparação e readaptação dos combatentes para as mais variadas tarefas. Na atualidade, em todas as atividades importantes aplicam-se os conhecimentos psicológicos.
Existem, portanto, entre outras, psicologia clínica, a educacional, a do trabalho, a jurídica, a do esporte, a ambiental, a hospitalar, a comunitária, a institucional, a do lazer e a pastoral. As mais destacadas são sobretudo as três primeiras, tanto pelo número de psicólogos que se dedicam a elas, quanto pela influência que exercem na vida contemporânea.

Psicologia clínica

Conquanto a expressão psicologia clínica não seja a mais adequada, trata-se de uma especialidade que veio atender a uma aguda necessidade social de ajustamento de crianças, adolescentes e jovens no lar, na escola e no trabalho. O desenvolvimento educacional e econômico e a multiplicação de problemas profissionais da sociedade moderna ressaltaram a importância do ajustamento psicológico em todas as ocupações e relações humanas, desde a mais tenra idade, incrementando a investigação científica no seu domínio e o interesse por suas aplicações práticas.
A psicologia clínica colabora no diagnóstico e no tratamento das pessoas desajustadas ou com problemas emocionais. Para o diagnóstico, os psicólogos empregam, além de testes, a entrevista clínica. O tratamento se efetua por meio das diversas técnicas psicoterápicas. A maior parte dos psicoterapeutas emprega a psicanálise ou técnicas derivadas das diversas correntes analíticas; alguns empregam teorias de aprendizagem, inclusive o condicionamento; outros, finalmente, elaboram seus métodos baseados na fenomenologia. Entre esse, sobressai Carl R. Rogers, que elaborou a técnica "não-diretiva", ou "centrada no cliente".
No início da aplicação da psicoterapia, predominaram as técnicas psicoterapêuticas individuais, nas quais cada cliente era atendido por um psicoterapeuta. A preparação dos psicoterapeutas inclui conhecimento teórico sobre a personalidade normal e anormal, e estágio prático supervisionado. Em certas correntes, como na psicanálise, é indispensável que o futuro psicólogo clínico se submeta à psicoterapia antes de aplicá-la aos outros. Nas décadas de 1960 e 1970, cresceu sobremaneira o número das técnicas psicoterápicas de grupo.
A elaboração de várias baterias de testes de inteligência verbal e de desempenho viso-motriz (performance) equipou o psicólogo clínico com recursos válidos para o exame e psicodiagnóstico. Criaram-se numerosos testes de personalidade e de aptidão, que enriqueceram ainda mais o acervo técnico e científico da psicologia clínica.
O emprego da estatística tornou possível a padronização e a verificação da fidedignidade e validade dos testes de aplicação coletiva e individual, com instruções escritas que permitiam a auto-aplicação e com apresentação especial que pedia o relacionamento e a comunicação com o examinador, modalidade mais apropriada ao exame individual do psicólogo clínico. A validade psicológica do teste, sua consistência psicodiagnóstica nas aplicações sucessivas e a natureza dos processos psicológicos investigados vincularam cada vez mais a psicologia clínica à metodologia psicológica científica, evitando que ela se tornasse uma disciplina de aplicação prática rotineira, fundamentada apenas na experiência empírica.

Psicologia educacional

Também chamada psicologia escolar, a psicologia educacional dedica-se ao exame psicológico do educando, do educador e dos processos educativos, elabora e sugere instrumentos e meios psicologicamente adequados para que a educação possa ter melhor resultado. Apesar de se estender a qualquer situação educativa, ganhou terreno principalmente dentro dos limites da educação escolar. Seu desenvolvimento acelerou-se depois que Alfred Binet elaborou o primeiro teste de inteligência e Thorndike investigou as leis de aprendizagem. Além dessas fontes, a psicologia educacional alimenta-se ainda das técnicas do aconselhamento e das técnicas da psicologia institucional.
O exame psicológico dos alunos, para distribuí-los em classes de acordo com suas capacidades reais, a análise das matérias lecionadas, a pesquisa dos sucessos e malogros escolares, a investigação das aptidões específicas das crianças excepcionalmente bem-dotadas ou portadoras de dificuldades físicas e psíquicas são alguns dos campos em que a psicologia educacional traz sua contribuição.

Psicologia do trabalho

Também chamada de psicologia industrial, a psicologia do trabalho visa a utilização, a conservação e o aprimoramento dos recursos humanos da indústria, desenvolve e aplica princípios e métodos psicológicos relativos ao aumento da produção, ao incremento da satisfação e ajustamento pessoal, e ao melhoramento das relações humanas dentro da comunidade de trabalho.
O trabalho do psicólogo industrial começa antes da admissão do trabalhador na empresa: a seleção de pessoal. A pessoa, uma vez aceita por parte da direção da empresa, será seguida pelo psicólogo em sua colocação, treinamento, promoção, readaptação e na análise das causas de sua eventual demissão. As investigações psicológicas relativas ao trabalho mostram que o trabalhador deve executar sua tarefa em ambiente propício, o que diz respeito ao local de trabalho, suas cores, iluminação, temperatura e ventilação adequadas à natureza do trabalho e ao número dos trabalhadores, como também o mobiliário e as máquinas em disposição racional, permitindo movimentos fáceis e seguros. As pesquisas relativas à prevenção de acidentes confirmaram a hipótese segundo a qual há certos indivíduos com maior predisposição para sofrer acidentes e que testes e métodos apropriados de seleção são capazes de identificar essas pessoas antecipadamente.
O rendimento do trabalhador pode ser muitas vezes aumentado graças à melhor coordenação de seus movimentos. Para maior eficiência, estes devem ser os mais simples possíveis, dentro das condições particulares de trabalho; devem seguir a coordenação natural dos músculos e membros para evitar esforço inútil e devem manter determinado ritmo.
É inegável a importância da racionalização do trabalho, de seu ambiente físico, assim como da motivação econômica do trabalhador. Entretanto, as pesquisas mais abrangentes evidenciam que são de igual ou maior importância os fatores que influem e determinam as relações humanas dentro da indústria: relações entre direção e empregados, relações entre colegas, relações entre supervisores e subordinados. Diversas técnicas foram elaboradas para melhorar essas relações dentro da situação de trabalho.
A psicologia do trabalho desdobra-se em vários ramos, como a ergonomia, que procura adaptar os aparelhos e instrumentos da vida moderna às condições e capacidades humanas. Sua cooperação vem a ser solicitada tanto na construção das cápsulas das viagens espaciais quanto na distribuição adequada de todos os comandos necessários, instrumentos registradores e de controle automático.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Bee Gees - Tragedy



Here I lie in a lost and lonely part of town. Held in
time
In a world of tears I slowly drown. Goin'home
I just can't make it all alone
I really should be holding you
Holding you. Loving you loving you.
Tragedy
When the feeling's gone and you can't go on
It's tragedy
When the morning cries and you don't know why
It's hard to bear
With no-one to love you you're goin' nowhere
Tragedy
When you lose control and you got no soul.It's
tragedy
When the morning cries and you don't know why
It's hard to bear
With no-one beside you you're goin' nowhere.
Night and day there's a burning down inside of me
Burning love
With a yearning that won't let me be
Down I go and I just can't take it all alone
I really should be holding you
Holding you. Loving you loving you.
Tragedy
When the feeling's gone and you can't go on
It's tragedy
When the morning cries and you don't know why
It's hard to bear
With no-one to love you you're goin' nowhere.
Tragedy
When you lose control and you got no soul
It's tragedy
When the morning cries and you don't know why
It's hard to bear
With no-one beside you you're goin' nowhere.
Tragedy etc.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

CARPEAUX, O MESTRE




O lançamento dos "Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux" resgata o trabalho de um dos maiores pensadores da cultura que o Brasil já teve. Nascido na Áustria, formado em matemática, física, química, filosofia, letras, e profundo conhecedor de história, sociologia e música, Carpeaux (1900-1978) chegou ao país fugindo do nazismo. Autor da monumental "História da Literatura Ocidental", influenciou toda uma geração de intelectuais e artistas e foi saudado por nomes como Carlos Drummond de Andrade e Oscar Niemeyer como o primeiro a trazer uma visão universal às diferentes formas de nossa cultura, apesar de jamais ter sido reconhecido nos meios acadêmicos brasileiros. Neste texto exclusivo, o escritor Carlos Heitor Cony fala do amigo Carpeaux, que considera "o homem mais importante" que conheceu.

Foi com pavor que me aproximei de Otto Maria Carpeaux, no início dos anos 60, quando entrei para o Correio da Manhã, onde fui inaugurar o que então se chamava de copy desk, e ele era o principal editorialista. Já haviam sido publicados os primeiros volumes de sua monumental História da Literatura Ocidental, eu havia lido a Cinza do Purgatório, Origens e Fins e Livros na Mesa. Considerava o seu prefácio à edição brasileira de Os Irmãos Karamazov tão esclarecedor e importante quanto o próprio texto de Dostoievsky.

Esse monstro ali estava, andando de mesa em mesa, fumando sem parar, esperando a reunião das 18h em que se discutiria a linha do editorial e dos tópicos que compunham a página de opinião, a famosa e histórica página seis do velho Correio.

Eu já havia publicado três romances, Carpeaux fizera resenhas amáveis, tinha por hábito não desestimular os estreantes. Apesar da brevidade dos comentários, foi o primeiro a me colocar (modestamente, é claro) na vertente carioca do romance urbano brasileiro.

Isso tudo me infundia um baita respeito por aquele homem, empertigado apesar dos 60 anos, naturalmente cortês para com todos desde que não lhe pisassem os calos. Sabia-o gago, só falava o necessário - depois aprenderia a lidar com ele. Mas sempre apavorado, porque o peso de sua personalidade era esmagador. Não convivi com reis, papas e poderosos do mundo. Pelos meus critérios, acredito que o homem mais importante com quem lidei foi ele mesmo.

Apesar da cautela inicial que era recíproca, ele não iria criar intimidade com um jovem autor que se iniciava nas letras ficamos amigos e íntimos. Quando a Editora Civilização Brasileira comemorou os 25 anos de sua carreira literária no Brasil, levei um susto quando vi que o livro fora dedicado a seus maiores amigos na época, Ênio Silveira, Nelson Werneck Sodré, Mário da Silva Brito e a mim.

Pressionados pelo regime político vigente naquela ocasião, pedimos demissão mais ou menos ao mesmo tempo. Sem jornal para escrever, aceitávamos convites de estudantes de diversas universidades espalhadas pelo Brasil e assim formamos uma dupla. Durante dois a três anos fizemos palestras em faculdades, igrejas e clubes recreativos. Impressionante como Carpeaux conseguia, usando um mínimo de palavras, dar o seu recado.

No final de cada palestra, havia debates, os estudantes faziam as perguntas, eu respondia com milhões de palavras e não era bem entendido. Carpeaux pensava um pouco, dizia cinco, seis, dez palavras e estava tudo ali. Decididamente, um monstro. Em muitos lugares, nem perceberam o seu folclórico defeito de dicção que, na intimidade, era até escandaloso.

A verba dos estudantes era limitada, em muitas cidades dividíamos o mesmo quarto de hotel. Nunca tive um companheiro mais educado e cortês. Luz apagada, fumando o último cigarro, eu notava que ele se concentrava em alguma coisa antes de dormir. Rezava? Talvez. Sempre suspeitei que Carpeaux tinha um fundo religioso, embora criticasse abertamente todas as religiões. Depois, somando outros detalhes de sua personalidade, tentei esboçar uma teoria para explicar esse tipo de concentração a que ele se entregava não apenas na hora de dormir, mas em momentos específicos de seu dia.

Lá no Correio da Manhã, todos ficávamos intrigados com a mania que ele tinha de pegar um papel e nele colocar nomes e números numa ordem que, aparentemente, parecia uma lista de jogo-de-bicho. Feita a lista, olhava em volta para ver se alguém o observava e discretamente jogava o papel rasgado na cesta. Um colega deu-se ao trabalho de apanhar os fragmentos e recompor a lista. Lá estavam, com a sua inconfundível letra gótica, pequenos blocos de cinco ou seis letras ou números, coisa esotérica, inexplicável.

Quando teve o primeiro enfarte e ficou internado no hospital, Carpeaux pedia a dona Helena, sua mulher, que lhe perguntasse determinadas datas e acontecimentos, aleatoriamente, como numa roleta. Nada respondia, mas ficava concentrado, buscando na memória o que lhe fora indagado.

Juntando todos esses elementos, comecei a perceber (e outros colegas também já tinham chegado à mesma conclusão) de que Carpeaux possuía algum processo mneumônico, aprendido em Cracóvia, em Viena, em Antuérpia, sei lá onde, um macete de scholar com o qual, através de chaves e códigos, penetrava em todos os campos do saber humano.

Para ele, era importante saber quem estava à direita de Napoleão em Marengo, se Ney ou Murat, como importante era saber quantos compassos de uma velha canção medieval foram aproveitados por Wagner na abertura de Os Mestre Cantores.

Como o atleta que diariamente dedica momentos de seu dia para flexionar os músculos, ele praticava esse tipo de atletismo mental, estava sempre aquecido para o que desse e viesse. Daí o meu espanto quando, em 1966, produzindo o documentário Otto Maria Carpeaux - O Velho e o Novo, dirigido por Maurício Gomes Leite, fomos a seu apartamento na Rua Paula Freitas, em Copacabana.

Sua estante de livros era modesta, igual a de um estudante em início de curso superior. Sua discoteca, espantosamente, era diminuta. Filho de um advogado que tocava violino, Carpeaux preferia ler partituras. Perguntei-lhe por quê. Ele respondeu que lendo era mais fácil de guardar do que ouvindo o que nos remete definitivamente para o imenso universo mental que cultivava com suas chaves enigmáticas e códigos de cabala. Sim, um monstro.

A importância de Carpeaux na vida cultural brasileira é um lugar comum crítico-histórico. Carlos Drummond de Andrade e Alceu Amoroso Lima, entre outros, confessaram que através de Carpeaux tornaram-se universais. Não se tratava de um universal geográfico, mas filosófico, o unum aptum inesse pluribus (o um capaz de ser muitos) da lógica aristotélica. Afinal, Carpeaux nascera em Viena, fazia parte de uma geração brilhante, a sua época era a de Freud e Hahn, de Kelsen e Schönberg, de Kokoschka e Kafka.

Com esse último teve um curioso encontro que é uma das páginas mais divertidas que conheço. Os dois encontraram-se numa festa, alguém alertara Carpeaux para que não se aproximasse daquele judeuzinho franzino e triste, tuberculoso óbvio, o mesmo do contágio, na época, era igual ao que hoje a Aids nos causa.

Por mais que Carpeaux fugisse, Kafka dava um jeito de se aproximar, eram dois excluídos dos eventos sociais e o autor de O Processo adivinhava nele um companheiro de solidão. Carpeaux decidiu ir embora, andou um quarteirão e pegou um coletivo. No ponto seguinte, fugindo da mesma festa, entrou Kafka. Sentou-se no mesmo, banco do rapaz a quem fora apresentado havia pouco. Conversaram durante a viagem. Como acontecia com os tuberculosos de então, Kafka tinha a mania de falar baixo, quase ao ouvido do interlocutor.

Os livros dele amontoavam-se na calçada de uma livraria vienense, ninguém os comprava. Foi de Carpeaux o primeiro artigo sobre Kafka, na Holanda. E no Brasil também.

Sua biografia está cheia de lances parecidos.

E todos aqueles que de alguma forma participaram da vida de Otto Maria Carpeaux guardam dele a lembrança de um amigo que nunca se aproveitou da maior sabedoria para impor autoridade. Pelo contrário: sua humildade era o remate de uma sólida personalidade artística e cultural. No primeiro livro que publiquei depois de sua morte, em 1978, coloquei a dedicatória que somente ele poderia me inspirar: "A Otto Maria Carpeaux, memória, lição, saudade".


Trechos

Homero

Toda a literatura grega busca os seus assuntos em Homero. A tragédia grega, tão empenhada em representar a história pós-homérica do assunto homérico - por assim dizer, as conseqüências - a tragédia grega transforma a pedagógica homérica em princípio político. Toda a tragédia grega tem profundo sentido político. A tragédia de Ésquilo representa o último combate do individualismo feudal contra a força normalizadora do Estado. A maior tragédia de Sófocles: a Antígona, representa a contradição entre as leis naturais da família e do indivíduo, e a lei positiva do Estado que pretende proibir o enterro regular dos próprios irmãos, porque inimigos políticos; lei que arranca a Antígona as maravilhosas palavras de consciência individual, que ressoam como presságio do Evangelho: "Não para odiar com os outros, mas para amar com os outros, foi que nasci".
“O Sol de Homero", Origens e Fins


O reino da opinião

A moda, diz Leopardi, é a irmã da morte: ameaça a permanência até das estátuas, das pedras. Depois de Keynes, a própria ciência da economia política está ocupada em explicar, justificar e determinar a instabilidade dos valores monetários. Com estes, começam a vacilar os valores morais. Os sistemas filosóficos transformam-se em meras opiniões. Mas, em compensação, as opiniões revelam-se capazes de usurpar o papel das religiões.
"Retrato de meio século", Retratos e Leituras


Os ensaios reunidos


Um trabalho de arqueólogo da escrita aliado à admiração por um autor desaparecido das estantes das livrarias por negligência dos editores. O resultado da dupla motivação de Olavo de Carvalho é o volume de 1.200 páginas Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux, lançado pela editora Faculdade da Cidade em parceria com a Topbooks.

Antes do exílio no Brasil, Carpeaux foi chefe de gabinete do primeiro-ministro austríaco Dolfuss, que utilizou o livro de seu subordinado A Missão Européia da Áustria para delinear sua política externa. Perseguido pelo horror nazista, após a deposição e assassinato de Dolfuss, Carpeaux foi preso e viu sua mulher ser torturada, cena que o marcaria para sempre, e que deixaria como seqüela sua proverbial gagueira. Apesar da vastíssima cultura, no Brasil Carpeaux inicialmente teve de se contentar com um emprego numa biblioteca perdida no interior do Paraná. Em 1942, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou seu trabalho na imprensa. "Resolvi editar as obras de Carpeaux por raiva da forma como este país tratou um homem especial", diz Carvalho.

Para a edição, ele garimpou ensaios de crítica literária nos seis livros de Carpeaux sobre o tema, lançados de 1942 a 1960. Mas garimpou bem mais: além dos brilhantes prefácios que o pensador-jornalista naturalizado brasileiro escreveu, que servem como ensaios à parte, há, na seção "Dispersos", textos de Carpeaux desconhecidos até dos fãs mais ardorosos. É o caso de um ensaio sobre o poeta Murilo Mendes, publicado em 1941 numa revista de Recife.

A coletânea é composta por livros de enorme importância histórica e crítica para o Brasil dos anos 40, época em que obras fundamentais como a de Franz Kafka eram inteiramente desconhecidas. E que continuam importantes para o Brasil dos anos 90. Detalhe importante: nenhum dos livros de Carpeaux que constam da ampla coletânea havia sido reeditado. O mais famoso e importante é o que abre a compilação, Cinza do Purgatório, conjunto de artigos publicados no Correio da Manhã, entre os quais destacam-se textos sobre o historiador suíço Jakob Burckhardt, criador do conceito de Renascimento. Outro destaque é o ensaio A Idéia de Universidade e as Idéias das Classes Médias, que descreve a decadência da universidade ao longo da história Ocidental. Entre os nomes freqüentes no repertório do austríaco estavam Max Weber, Benedetto Croce e Jakob Wasserman, autor de O Enigma de Kaspar Hauser. Continuação de Cinza do Purgatório, Origens e Fins traz mais artigos de jornais. Carpeaux conseguiu feitos como destrinchar a obra de Graciliano, Ramos em sucintas cinco páginas. "No ensaio sobre Graciliano, é notável como Carpeaux descobre o segredo de um dos enigmas do autor de São Bernardo sua estranha técnica em que o narrador se divide em três planos: aquele que sofre os acontecimentos, o que narra os fatos e um terceiro, uma supraconsciência, do personagem, que se aproxima das idéias do próprio Graciliano", explica Carvalho. Entre os prefácios recolhidos, há os excepcionais sobre Ibsen e sobre Os Irmãos Karamazov, de Dostoievsky. Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux contém ainda os livros Respostas e Perguntas e Retratos e Leituras, ambos de 1953, Presenças, de 1958, e Livros na Mesa, de 1960.


Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux. Editora Faculdade da Cidade em parceria com Topbooks

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domingo, 26 de agosto de 2007

35 soluções para problemas de rede - final


Prepare-se para mídia

Quando se trata de reprodução de vídeo e chamadas VoIP, somente velocidade não é o bastante.

Powerline: se não for possível instalar uma rede ethernet, tente adotar um aparelho powerline (que permite a internet pela rede elétrica) em vez de um Wi-Fi. Diversas tecnologias powerline suportam velocidades próximas à da ethernet; em nossos testes em streaming de vídeo em alta definição, o HomePlug AV era o menos suscetível à interferências dentre os outros dispositivos elétricos.

Produtos como o PowerLine AV Ethernet Kit (180 dólares) da Linksys carregam os dados pela fiação elétrica da casa os adaptadores se plugam na tomada. Para configurar a rede, comece conectando um adaptador para uma porta ethernet disponível no roteador.

Depois, acrescente outros dispositivos levando os cabos de suas portas ethernet para outros adaptadores plugados. Não será preciso se preocupar com sobrecarga da rede sem fio com streams de vídeos em alta definição e o desempenho será, de longe, mais confiável que o de outras redes wireless, especialmente em grandes residências.

Upgrade do Wi-Fi: quem ainda deseja usar a rede sem fio para streaming de mídia deve certificar-se de ter um dispositivo draft-802.11n. Ele não é só mais rápido; possui a chamada funcionalidades de QoS (qualidade de serviço) que prioriza streams de mídia, chamadas VoIP, jogos online e outros aplicativos para os quais o tempo é crucial.


Não esqueça de atualizar o firmware para o draft 2.0 do padrão; praticamente todos os grandes fabricantes Wi-Fi planejavam liberar os upgrades para o draft 2.0

Invista num roteador para jogos: para jogos avançados, um roteador especializado ajuda obter o desempenho máximo tanto da internet quanto num jogo multiplayer; isso é especialmente importante para instalações domésticas que utilizam diversas aplicações.


Roteadores de jogos possuem priorização QoS, são direcionados para diminuir a latência da rede e costumam ter processadores mais rápidos, tudo isso diminui o tempo de resposta dos PCs na rede. O Wireless-N Gigabit Gaming Router (200 dólares), da Linksys, suporta Wi-Fi draft-802.11n, ethernet gigabit e direcionamento para
Faça Backups Melhores

Freqüentemente as pessoas planejam usar um drive de rede para backups normais do disco rígido do PC, mas raramente fazem isso. Talvez o compartilhamento de rede não esteja montado (visível para seu programa de backup) quando a rotina de backup começa a rodar (adicione-o para o Meus Locais de Rede para evitar essa situação). Ou o sistema a ser salvo está desligado ou em modo sleep. Veja como aumentar suas chances de sucesso.

Escolha os drives de rede com cuidado: drives de armazenamento de redes compartilhadas vêm em dois tipos básicos: drives USB externos normais projetados para se ligarem diretamente à porta de armazenamento USB incluída em alguns roteadores ou via adaptador ethernet como o Express EtherNetwork DNS-120 Network Storage Adapter (80 dólares), da D-Link; e drives de armazenamento conectados à rede (NAS) com ethernet embutida.

Se a opção for o drive USB, é possível, normalmente, removê-lo do roteador e conectá-lo a um PC. Drives USB tendem a ser mais fáceis de configurar e pode-se usar um velho hard drive USB como dispositivo de armazenamento.

Por outro lado, os verdadeiros drives de rede possuem seus próprios processadores e sistemas operacionais e só podem ser conectados à sua rede. Eles costumam ter mais atributos e normalmente permitem configuração de contas de perfis privados e áreas públicas para acesso universal. Os modelos que se destacaram em nossos critérios foram o Infrant ReadyNAS NV (900 dólares) e o Maxtor Shared Storage II (cerca de 750 dólares).

Para obter melhor desempenho e segurança, use um drive NAS que possua Gigabit Ethernet (compre um roteador gigabit, se não possuir um) e RAID 1 ou 5. Não arrisque perder 500 GB de dados armazenados num drive NAS sem nenhum backup a melhor forma de manter uma cópia do drive NAS é fazer um espelho usando um array RAID.

Qualquer que seja o tipo do drive escolhido, certifique-se de que ele é grande o bastante para acomodar um crescimento futuro. Backups costumam dar errado porque o drive de backup está cheio. Recomendamos projetar de 1,5 a 2 vezes a capacidade de armazenamento da sua rede atual para o drive de backup; dobre esse valor se a idéia for copiar o drive de rede.

Backups incrementais: se copiar somente arquivos que foram alterados após o backup mais recente, a carga da rede é reduzida, bem como o tempo necessário para se fazer um backup. O programa Cobian Backup (gratuito) pode realizar backups incrementais com ou sem compressão e pode criptografar os dados para garantir uma melhor segurança em drives compartilhados de rede.

Mantenha o PC acordado: essa dica parece óbvia, mas computadores desligados são a causa mais comum de backups mal sucedidos. Não desligue o computador à noite, apenas o deixe hibernando. E veja se o software de backup pode acordar o computador. Se não puder, use o assistente de Tarefas Agendadas do XP (Programas Acessórios Ferramentas de Sistema) para despertá-lo no momento de realização do backup.

Backups Multi-plataforma

Quem possui muitos PCs com diferentes sistemas operacionais e planeja fazer backup num único drive pode cair em problemas envolvendo nomes de arquivos que funcionam bem num sistema mas são ilegais em outro. Se os nomes forem alterados no momento do backup, ele não será útil.

Assim, em vez de usar dispositivos de armazenamento conectados em USB, que normalmente podem ser formatados só para drives Windows, adquira um drive NAS que ofereça suporte específico para cada plataforma que seja usada; posteriormente é possível designar os compartilhamentos apropriadamente (como Windows e Mac, por exemplo).
Adicione um Mac

Depois de conseguir conectar os seus PCs Windows, é hora de colocar um Mac na família. Como proceder? Ele vai funcionar com a impressora? O compartilhamento de arquivos vai ocorrer normalmente?

Na maioria dos casos, o Mac OS X fornece tudo que for preciso para conectar um Mac a uma rede Windows, e compartilhar arquivos e impressoras. É possível plugar o novo Mac numa rede com fio ou acessar o roteador wireless, assim como aconteceria com um PC. Basta selecionar o SSID de uma lista de redes Wi-Fi disponíveis e depois entrar com a chave de criptografia. Todos os Macs recentes suportam WEP, WPA e WPA2.

Para compartilhar arquivos e impressoras, o Mac habilmente assume a aparência de um PC. Ele faz isso implementando padrões de compartilhamento Windows SMB/CIFS e usando a nomenclatura de grupo de trabalho do Windows.


O nome padrão do grupo de trabalho para qualquer Mac é Workgroup. Entretanto, pode-se mudar o nome com o utilitário Diretory Access, que também suporta o Windows Active Directory, usado por servidores corporativos.

A seguir, ative o “Windows Sharing” (compartilhamento Windows) no Sharing Preference Pane (painel de preferências de compartilhamento) do Mac e habilite cada uma das contas de usuário que desejar compartilhar. O novo Mac deve aparecer como membro do grupo de trabalho quando for procurar pela rede.

Depois de selecionar e entrar com o nome do usuário e senha, já será possível navegar pelo drive do Mac e copiar ou carregar arquivos facilmente. Isso vale tanto para o XP quanto para o Vista.

Da mesma forma pode-se imprimir a partir de um Mac em impressoras compartilhadas Windows via SMB, apesar do processo de configuração não ser tão óbvio. No Printer Setup Utility (utilitário de configuração de impressora) do Mac, clique em Add. Se a impressora não aparecer na lista de impressoras disponíveis, vá no botão More Printers (mais impressoras), que traz o Printer Browser.

Agora selecione Windows Printing e Network Neighborhood nos menus em cascata. O grupo de trabalho local aparecerá na janela; assim que selecioná-lo, surgirá uma lista das impressoras compartilhadas a serem escolhidas. A partir de então as impressoras Windows vão aparecer na caixa de diálogo de impressora do Mac.


Checklist de segurança

Certifique-se de estar fazendo a coisa certa:

1. Use um roteador, mesmo se você tiver apenas um computador.
2. Mude a senha padrão do roteador para assegurar que intrusos não vão mexer nas suas configurações
3. Use um firewall pessoal bidirecional, como o da ZoneAlarm.
4. Ative o Atualizações Automáticas para manter o Windows seguro.
5. Use tanto antivírus quanto utilitários antispyware, e mantenha tudo atualizado.
6. Configure cuidadosamente o compartilhamento de arquivo para garantir o que for necessário o que não for, corte fora.
7. Use o esquema de criptografia mais forte que todos os seus equipamentos Wi-Fi suportarem.
8. Desative as redes Wi-Fi diretas e conexões automáticas das redes com as quais não esteja familiarizado.
9. Instale um segundo roteador para isolar PCs em risco na rede.
10. Use VPN durante viagens para evitar pegar um vírus que poderia infectar a rede quando você retornasse.

Encontre ajuda na web

Se os problemas persistirem, sugerimos sites como o Yahoo Resposta ou fóruns de discussões. Mas deixo aqui algumas sugestões (infelizmente, todas em inglês) que podem vir a calhar.

> Practically Networked: o site para redes de pequenas empresas, com dicas e tutoriais sobre quase tudo, de configuração de arquivo até uso de serviços DNS. Os guias de soluções são inúmeros e há, ainda, um fórum extremamente útil.

> SmallNetBuilder: um pouco mais técnico do que o anterior, com artigos dedicados para tópicos especializados como configuração de LAN e criptografia WEP. Há ainda tutoriais e uma seção de perguntas mais freqüentes (FAQ).

> Wi-Fi Planet: o melhor em termos de tutoriais e testes wireless.

> CERT Home Network Security: um bom guia para segurança de redes domésticas, mantido pelo Computer Emergency Response Team, da Carnegie Mellon, um centro federal dos Estados Unidos de pesquisa e desenvolvimento em segurança. O guia também fornece um ótimo livreto de instruções para iniciantes em tecnologia.

> SecurityNow: ótima fonte quando o assunto é segurança, com podcasts que traduzem a complexidade das questões para os menos técnicos no assunto.

> Shields Up: um site com testes para segurança de internet. Aqui é possível descobrir quais as falhas na sua rede que os hackers podem explorar, assim como dicas para evitá-los.

> Port Forward: uma lista que engloba portas usadas para jogos online, video streaming e outros aplicativos, com guias de configuração para os roteadores mais populares.

> DynDNS: muitos provedores de internet assinam endereços de IP dinamicamente, o que significa que o seu está sempre mudando. Mas se for preciso um endereço IP fixo para seu servidor web, webcam ou stremer de mídia, o serviço Dynamic DNS do DynDNS é a solução gratuita para os usuários domésticos.

> MacWindows: a melhor fonte para problemas envolvendo plataformas cruzadas, incluindo detalhes de como conectar Macs em servidores Windows e vice-versa.

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sábado, 25 de agosto de 2007

35 soluções para problemas de rede - parte 1




Saiba como resolver entraves reais do dia-a-dia: dead spots, ameaças à segurança e interrupções de streaming de media


Redes são boas e funcionais quando servem de plano de fundo para o trabalho principal sem causar ruídos. Mas, mais freqüentemente do que o tolerável, elas costumam falhar (ou, no jargão da tecnologia, ‘cair’).

Quando uma impressão é interrimpida ou uma conversa no Skype apresenta falhas sempre que algum usuário na rede começa a assistir vídeos no YouTube, é hora então de entender o que faz a sua rede ‘soluçar’ e aplicar algumas estratégias e truques para ajudar o tráfego da rede fluir.

Domine o básico

Os problemas mais comuns em uma de rede são a perda de conexões de internet, impressores e computadores.

Conexões perdidas: normalmente isso pode ser resolvido com um reboot no modem de banda larga, roteador de rede e/ou computador. Se isso acontece com freqüência, pode indicar que que as configurações do roteador e do PC são os prováveis culpados.

Comece estendendo o lease time DHCP do roteador. O lease time é a quantidade de tempo que o roteador se atribui para reservar um endereço de IP para um dispositivo na rede para um período de pelo menos uma semana. É possível acessar essa configuração através do firmware de navegação em rede do roteador.

Se o afetado for um laptop, verifique a configuração do gerenciador de energia para o adaptador de rede. No Windows XP, vá para a área de Adaptadores de Rede no Gerenciador de Dispositivos, encontre seu adaptador e selecione Propriedades.

Na aba Gerenciamento de Energia, desassinale o indicador que desliga o adaptador quando a economia de energia entra em ação. A bateria pode acabar um pouco rápido, mas ganha-se estabilidade na conexão de rede.

Serviços DNS são outro fator possível que podem contribuir para perda de conexão. Servidores DNS são as máquinas nas quais o seu provedor armazena o banco de dados que usa para traduzir URLs individuais (como http://www.rogersil.blogspot.com/) em seus endereços IP numéricos correspondentes na internet.

Se você receber mensagens informando que a página web não pode ser encontrada ou que o e-mail não pode ser entregue, tente usar os servidores DNS no OpenDNS.com no lugar daqueles do provedor.


Comece acessando as configurações de rede remota (WAN) no firmware de navegação do roteador, depois mude os endereços de IP de DNS para 208.67.222.222 e 208.67.222.220. O OpenDNS é gratuito e bloqueia sites phishing conhecidos.

Impressoras desaparecidas: se a impressora compartilhada USB some e dasaperace como que por vontade própria, certifique-se de que o computador ao qual ela está conectada não está hibernando. Se possível, conecte a impressora a um PC de mesa e deixe-o ligado. Para economizar energia, ative o modo sleep para o monitor, mas não para o PC inteiro.

No Windows XP, verifique também se o ‘Arquivo e Compartilhamento de Impressora para Redes Microsoft’ está instalado para todos adaptadores de rede, de tal forma que alternar entre redes com e sem fio não corte o compartilhamento da impressora. Ainda no XP, vá para o Painel de Controle, Conexões de rede e (para cada adaptador da rede) clique sobre com o botão direito e selecione Propriedades. Se não surgir a janela Compartilhamento de arquivos e impressoras para redes, clique em Instalar para instalar a especificação.

Melhor ainda, configure um servidor de impressora para não ter que se preocupar em trabalhar pendurada a um PC. Alguns roteadores possuem portas de impressoras USB embutidas e servidores de impressora exclusivos se conectam ao roteador.


Se for usar um dispositivo multifuncional para impressão, procure por um servidor de impressora que também suporte escaneamento.

Imprima pela rede e pela net

Você levou o notebook da empresa para casa, mas descobre agora que não é possível imprimir a partir da rede da sua casa ou sobre uma conexão VPN para uma impressora no seu escritório. O que fazer?

A melhor alternativa pode ser impressão IP, suportada por muitas das novas impressoras. É preciso um endereço IP de impressora (consiga um com a equipe de TI ou verifique com o fabricante da impressora onde encontrar essa informação).


Depois execute o assistente de Adição de Impressora na janela “Fax e Impressoras” do XP. Vá em Impressora Local e em ‘Selecionar uma Porta de Impressora’, vá em “Criar uma nova porta” e Porta padrão TDP/IP nos menus em cascata.


Entre com o endereço IP da impressora, clique em Próximo e uma rotina de instalação de impressora irá se iniciar, onde será possível obter um driver (tanto o driver padrão do Windows ou o driver do fabricante, se você tiver).

PCs invisíveis: em muitos casos os problemas de compartilhamento de arquivo têm raiz em grupos de trabalho (workgroup) impróprios e erros na nomenclatura de PCs.

Certifique-se de que cada computador possui um nome exclusivo; várias máquinas identificados como ‘Desktop’ ou ‘Dell’ podem causar conflito. Não use espaços nos nomes (a versões antigas do Windows que não suportam isso) e não crie nomes com mais de 15 caracteres.

Verifique se todos os PCs usam o mesmo nome de grupo de trabalho. O nome padrão dos grupos no Windows XP Home é ‘MSHome’, em versões antigas do Windows e no Vista é ‘Workgroup’. Para alterar o nome no XP clique em Iniciar, Painel de Controle, Desempenho e manutenção, Sistema e vá na aba Nome do Computador

O Vista pode ser a solução: se os problemas persistirem por muito tempo, talvez seja hora de migrar para o Vista. O Centro de Compartilhamento e Rede (Networking and Sharing Center) do novo sistema operacional permite que o usuário saiba quais atributos compartilhados estão ativos e torna suas configurações fáceis.

O Link Layer Topology Discovery do Vista detecta automaticamente dispositivos de rede e permite ver a localização dele num mapa de rede.

Vá além dos firewalls: o firewall do Vista é inteligente o bastante para permitir compartilhamento dentro de um grupo de trabalho. Mas se o sistema usado for um XP, tente o utilitário Trusted Zone, da Zone Alarm. Ele permite a comunicação de computadores de um mesmo grupo.

Ou ainda adote um programa para evitar complexidade de compartilhamento de impressora e arquivos, como o Network Magic (30 dólares para três PCs, 40 dólares para cinco e 50 dólares para oito).

Assim como o Vista, este aplicativo coloca todas as funções de compartilhamento e de rede num único lugar, o que simplifica o compartilhamento de pastas e impressoras; um modo especial ainda protege pastas compartilhadas quando o laptop está conectado em um hotspot Wi-Fi. Uma versão gratuita do Network Magic oferece reparo de conexão de internet e proteção de rede sem fio, mas só a versão paga suporta compartilhamento de arquivo e impressora.

Melhore a segurança

A única forma de garantir a segurança da sua rede é fazer uma barricada contra o mundo exterior. Mas é preciso adotar as táticas apropriadas para se obter um nível mínimo de proteção.

Erga muros mais altos: o caminho da segurança começa com um firewall de hardware. A maioria dos roteadores possui um, mas os que vêm embutidos nos mais baratos se baseiam somente em NAT (processo usado para realizar a conversão entre endereços IP usados em uma intranet ou outra rede privativa em endereços IP da internet) em vez de usar tecnologia SPI (um procedimento superior projetado para assegurar que seus computadores recebam somente os dados que solicitaram). Certifique-se de mudar a senha padrão do roteador quando configurá-lo e faça alterações nela periodicamente.

Estabeleça uma segunda linha de defesa em cada computador: ative as Atualizações Automáticas, instale um antivírus, antispyware e software firewall pessoal. Também compre um pacote de internet security ou use utilitários individuais como o Webroot Spy Sweeper, o antivírus BitDefender e o programa firewall do ZoneAlarm.

Qualquer que seja a estratégia, não dependa do Windows Firewall do XP para se proteger, porque ele só filtra dados de entrada. O firewall do Zone Alarm e outros são bidirecionais, protegem tanto informações de entrada como de saída. O firewall do Vista também é bidirecional, mas é preciso configurar o filtro saída (para tal digite wf.msc no prompt de comando). O Vista também vem com o antispyware do Windows Defender, mas não com um programa antivírus.

Simplifique tudo usando os mesmos utilitários em todos os PCs (procure por pacotes econômicos). Depois, instale-os sob um perfil de administrador ou, se preferir, trabalhe com controles parentais encontrados em tantos pacotes (e no Vista). Guarde bem guardada a senha e lembre-se: a rede é tão segura quanto seu elo mais fraco.

Proteja a rede sem fio: firewalls e pacotes de segurança são úteis contra sniffers (hackers conhecidos como ‘farejadores’ de informação) que captam tráficos wireless numa dada freqüência. Use o padrão de criptografia mais forte que seu equipamento Wi-Fi suporta: em ordem decrescente de força temos WPA2, WPA e WEP.

Intrusos armados com softwares preparados podem burlar um WEP em minutos; não vale a pena restituí-lo virtualmente exceto como método para evitar que seus vizinhos peguem carona em sua banda larga. Recomendamos investir em novos adaptadores se for necessário para garantir a realização da troca para WPA.Para oferecer segurança máxima, tanto aos seus velhos quanto aos novos adaptadores, escolha um roteador que tenha um modo simultâneo WPA+WPA2.

Independentemente do que dizem por aí, nem usar filtragem MAC (um identificador de hardware) de endereços, nem desligar a transmissão SSID (identificador de serviço basicamente o nome da sua rede Wi-Fi) são medidas de segurança eficazes. Ambas são fáceis de burlar como um WEP e podem criar problemas de conexão e administração.

A filtragem de endereços MAC requer que o usuário entre com um endereço MAC de dispositivo no firmware do roteador para autorizá-lo a se conectar à sua rede. Mas qualquer um atento pode ludibriar seus endereços MAC autorizados de seu próprio equipamento. De modo parecido, os sniffers podem detectar até SSIDs não transmitidos. Ou seja, desativar a transmissão só dificulta a conexão de usuários legítimos à sua rede.

Viaje em segurança: hotspots abertos são fontes notórias de infecção. Para ter segurança real em redes públicas, use uma rede privada virtual (VPN) para criptografar todo tráfego de internet entre o seu computador e o servidor intermediário. As empresas freqüentemente executam seus próprios servidores VPN para os empregados. Também é possível contratar um serviço de VPN como o WiTopia PersonalVPN (40 dólares por ano) ou JiWire Hotspot Helper (25 dólares por ano).
Feito isso, nas configurações Wi-Fi, desligue a rede direta (computador-computador) e evite conexões automáticas para redes não preferenciais. No XP é possível alterar ambas as configurações ao clicar no ícone Wi-Fi na área de notificação e selecionar Alterar configurações avançadas.

Na aba de Redes Sem Fio, clique em Avançado e em seguida em Somente redes (infra-estrutura) de ponto de acesso; desassinale também Conectar automaticamente à redes não preferenciais.

No Vista, desative o atributo Vista Network Discovery (que permite que outros computadores lhe vejam numa rede) quando estiver em hotspots. O sistema operacional irá fazer a troca automaticamente se o usuário designar a conexão como ‘Pública’, mas também existe a possibilidade de fazer tudo manualmente no painel de controle ‘Exibir Status e Tarefas de Rede’.

Por medida de segurança, tenha uma segunda rede

Se as crianças da casa abrem muitas portas do roteador para jogos e chats, ou se desejar executar um servidor web doméstico ou rede Wi-Fi pública, pense seriamente em configurar um segundo roteador para isolar as atividades de risco do resto da rede.

Em poucas palavras, plugue um roteador no outro e assine cada um com endereços IP iniciais diferentes (como 192.168.1.1 e 192.168.2.1). Depois conecte seus servidores ou os PCs em risco para o roteador que está conectado diretamente ao modem de banda larga, e todos os outros computadores no segundo roteador. O tráfico de internet para dentro e para fora da área não segura não conseguirá alcançar a sub-rede.

Acelere as transferências

Se os downloads em Wi-Fi estão demorando muito e se os backups mais atolam do que facilitam o trabalho, tente essas dicas:

Use cabos sempre que possível: uma rede cabeada (de preferência Ethernet) é naturalmente mais confiável e mais rápida do que as que funcionam via ondas de rádio. Assim, mantenha o servidor conectado ao roteador por porta ethernet e faça o mesmo com a impressoras de rede.

Gigabits: os PCs mais recentes possuem placa Gigabit Ethernet embutida, o que significa que eles podem transferir dados em até 1000 mbps caso o roteador suporte esta velocidade, é claro. Para backups de rede, o ritmo de transferência extra pode significar a diferença entre uma operação de horas e uma que se completa num período aceitável de tempo. Um roteador Wi-Fi gigabit custa em torno de 150 dólares.

Wi-Fi: para conseguir as altas velocidades prometidas pelo último padrão Wi-Fi, o draft-802.11n, todo aparelho wireless na rede deve ter uma adaptador draft-n (100 dólares, em média, cada). Certifique-se de atualizar o firmware em qualquer dispositivo draft-802.11n regularmente, já que os fabricantes estão agora trazendo os primeiros produtos que obedecem ao segundo draft do padrão, o que deve ajudar na interoperabilidade.

Mude de canal: o maior obstáculo para uma boa recepção Wi-Fi não é mais a distância (já que muitos roteadores MIMO e draft-n oferecem cobertura de longo alcance). O problema é a interferência resultante de redes próximas. E como a banda de 2,4 GHz que opera em aparelhos 802.11b, g e novos n possui somente três canais sem sobreposição, as redes vizinhas provavelmente irão degradar seu ritmo de transmissão. De fato, o último 802.11n draft efetivamente perde 50% de desempenho quando a rede está em presença de outra rede Wi-Fi ativa
Além disso, deve-se considerar a aquisição de um reoteador dual-band draft-n, como o Buffalo Nfiniti Dual Band Router (300 dólares), que suporta tráfico draft-n em bandas de 2,4 GHz e de 5 GHz. Isso permite que se mantenham velhos dispositivos 802.11b/g na relativamente tumultuada banda de 2,4 GHz, enquanto se usa a ordenada banda de 5 Ghz (que consiste em 20 canais não sobrepostos) para os aplicativos que precisarem de banda larga, como streaming de vídeo, enquanto os novos produtos 5 GHz começam a chegar.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Red Kiss (caipiroska de morangos)



Ingredientes:

6 morango maduros
1 colher (sopa) de licor de laranja
1 colher (chá) de açúcar
1 dose de vodka
4 folhas de hortelã
cubos de gelo

Modo de Preparo:


Coloque os morangos em um copo e salpique com o açúcar, regue com o licor de laranja e deixe descansar por 5 minutos. Com um socador amasse levemente os morangos e adicione a vodka, misture e cubra com cubos de gelo. Decore com a hortelã.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Existencialismo



1 INTRODUÇÃO

Existencialismo, movimento filosófico que ressalta o papel determinante da existência, da liberdade e da opção individual. Teve grande influência em diferentes escritores dos séculos XIX e XX, e não só na literatura, como também na teologia.

Como movimento filosófico e literário, pertence aos séculos XIX e XX, mas podem-se encontrar elementos de existencialismo no pensamento (e na vida) de Sócrates, na Bíblia e na obra de inúmeros filósofos e escritores pré-modernos. O primeiro a antecipar as principais inquietações do existencialismo moderno foi o filósofo Blaise Pascal.

2 TEMAS PRINCIPAIS

Dada a diversidade de posições comumente associadas ao existencialismo, o termo não pode ser definido com precisão. No entanto, podem ser identificados alguns temas comuns a todos os escritores existencialistas: o principal é a ênfase posta na existência individual concreta e, conseqüentemente, na subjetividade, na liberdade individual e nos conflitos da opção. Foi o filósofo Sören Kierkegaard o primeiro escritor a usar o termo existencialismo, afirmando que o mais alto bem para o indivíduo consiste em encontrar sua própria e única vocação. Friedrich Nietzsche afirmou que o indivíduo tem que decidir que situações devem ser consideradas morais. Todos os existencialistas seguiram Kierkegaard, insistindo em que a experiência pessoal e o agir segundo as próprias convicções são fatores essenciais para se chegar à verdade. Asseveraram que a clareza racional é desejável onde e quando for possível, mas que os temas mais importantes da vida não são acessíveis à razão e à ciência. Apesar disso, talvez o tema de maior relevo na filosofia existencialista seja o da opção. A mais importante característica do ser humano é a liberdade de escolha. Os seres humanos não têm uma natureza imutável, ou essência, como têm os outros animais ou as plantas; cada ser humano faz opções que configuram sua própria natureza.

Kierkegaard afirmava que é fundamental para o espírito reconhecer que temos medo não só de objetos específicos, mas também de um indefinido sentimento de apreensão, que ele denominou temor. Temor que é, segundo ele, a forma que Deus tem de pedir a cada indivíduo um compromisso, adotando um estilo de vida pessoal válido. A palavra angústia, para Martin Heidegger, surge do confronto do indivíduo com o nada e com a impossibilidade de encontrar uma justificativa última para a opção que cada pessoa tem de fazer. Na filosofia de Sartre, a palavra náusea é usada para escrever o reconhecimento, pelo indivíduo, da contingência do Universo.


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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Dica: Demônios da Garoa ao vivo - DVD




O conjunto musical mais popular do Brasil “Demônios da Garoa” finalmente lança seu primeiro DVD. Gravado em setembro de 2005 na casa de shows Olympia em São Paulo, o DVD traz, além dos grandes clássicos como “Trem das Onze, Saudosa Maloca com a participação do grupo “Jeito Moleque” Samba do Arnesto, Tiro ao Álvaro, nesta canção, a participação é do grupo “Fundo de Quintal” e Iracema, músicas de Adoniran Barbosa que ficaram imortalizadas pela forma de interpretar do conjunto. Além de novidades como “Se Todos Fossem Iguais a Você de Vinícius de Moraes ou o lindíssimo pout-pourri das rosas

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terça-feira, 21 de agosto de 2007

Cidades Brasileiras: Itabira/MG

Itabira, centro minerador e siderúrgico situado no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, na encosta da Serra do Espinhaço, a uma distância de 32 km do vale do Rio Doce. Sua principal empresa é a Aços Especiais Itabira, especializada na fabricação de aço inoxidável, além de outros produtos siderúrgicos. Na hierarquia urbana do estado, é considerado um centro local, comandando sete municípios de base rural. Seus principais problemas ambientais vinculam-se a dois tipos de impacto: a poluição atmosférica causada pela siderurgia e pelos fornos que fabricam carvão de origem vegetal e o desmatamento, também decorrente do uso da madeira para fornos de carvão vegetal.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Quando jogar perde a graça

Jonathan Schaeffer, um especialista em jogos de computador da Universidade de Alberta, no Canadá, acaba de provar, após 18 anos de cálculos matemáticos, que o jogo de damas é fadado ao empate. A partir de qualquer um dos 19 lances iniciais possíveis, ninguém ganha se nenhum dos oponentes fizer uma besteira: ganhar nas damas não é uma questão de usar uma estratégia superior, e sim de não cometer erros.
Assim é com outros jogos da infância, como jogo-da-velha, senha, o cubo de Rubik e até o recente sudoku: para todos existe algum algoritmo -uma seqüência de lances ou passos- infalível, que resolve o problema ou pelo menos garante o empate. Para alguns, o empate inevitável é suficiente para que damas e o jogo-da-velha sejam declarados "mortos", solucionados. Por que, então, as crianças adoram esses jogos, e por que eles eventualmente perdem a graça?
Jogos são extremamente estimulantes para o cérebro enquanto constituírem um desafio. Uma chance razoável de alcançar sucesso serve como motivação para abordar o problema, ou seja, jogar. E sucessos ocasionais, ao manterem o sistema de recompensa interessado e motivado a tentar de novo, aumentam as oportunidades de aprender o jogo e talvez de dominá-lo.
Para alguns jogos, como os de estratégia, o domínio completo não acontece: o sucesso dificilmente se torna 100% garantido. Mas, quando o sucesso se torna uma certeza, o sistema de recompensa perde o interesse e, no máximo, joga de novo de vez em quando, para checar se ainda se lembra do algoritmo para resolver o problema.
Perder o interesse pelo problema solucionado, por sinal, é ótimo para o cérebro, que abandona o que se tornou trivial e passa a problemas mais difíceis, que aproveitam as capacidades de raciocínio adquirida. E, assim, somos promovidos do jogo de damas ao xadrez, cujo final computador algum ainda consegue antecipar desde a abertura.
Os computadores de Schaeffer levaram 18 anos para considerar os caminhos entre os 19 lances iniciais possíveis e as 39 trilhões de posições finais para o jogo de damas e concluir que todos levam ao empate, o que "mata" o jogo. Talvez no mesmo tempo, o cérebro humano aprende a avaliar os lances possíveis para evitar movimentos errados e chegar ao empate -e então também conclui que o jogo perdeu a graça. Sabemos, contudo, fazer algo que os computadores não sabem: reclamar que o jogo perdeu a graça e pedir para jogar outra coisa.



SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora de "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (ed. Vieira & Lent) e de "O Cérebro em Transformação" (ed. Objetiva)

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domingo, 19 de agosto de 2007

Ugo Giorgetti - Final

Por que, em seus filmes, a maior parte das cenas se passa em ambientes fechados, dentro de um único cenário?

Por falta de dinheiro, basicamente. Quer dizer, há outras razões. Mas é aí que está toda a criatividade. A criatividade não está em fazer um filme, mas em fazer o melhor filme possível dentro de um dinheiro que você supõe que vai conseguir. Por exemplo, em Festa, eu sabia que não ia encontrar no mercado mais de 250 mil dólares. Naquela época, em 1988, era uma loucura fazer cinema: não tinha nenhuma lei de incentivo, e a Embrafilme agonizava. É evidente que você pode fazer um filme com 250 mil dólares, um filme porquíssimo. Mas algo tecnicamente razoável, isto é, num nível internacional de cinema, só é possível se você controla a produção muito bem. E o lugar onde se tem o controle total é o estúdio. Fora do estúdio, tudo fica muito complicado, o diretor se defronta com o imponderável. No estúdio, há os imprevistos, mas eles são menores e mais controláveis.



Boleiros também se passa em um único espaço?

Não. Mas também em Boleiros não tem jogo. Só tem uma partida, que a gente teve de encenar, entre duas equipes pequenas, num campo pequeno, com pouca gente vendo - de propósito. A maior parte do filme se passa dentro de um bar - um cenário montado em estúdio, tudo direitinho - onde alguns boleiros estão conversando. Eles desencadeiam o filme, fazem comentários, contam histórias e casos uns para os outros. Quando fomos para a rua, foi terrível. Não temos a cultura da locação. E Boleiros tem 28 locações diferentes, infelizmente. Uma equipe grande causa problemas até geográficos: você não sabe onde colocar uma cadeira, onde vai o gerador. Cinema você aprende... E cada vez que o Brasil pára de fazer cinema, tem de recomeçar do zero ou do que restou dos filmes.



Todas as soluções de um filme estão no roteiro?

Sim. A solução para todos os filmes está no roteiro. É um engano achar que depois vai se achar uma saída para o filme.



De que tipo de cinema, de quais filmes e diretores você gosta?

Eu não sou um cinéfilo. Fui atirado ao cinema por circunstâncias absolutamente estranhas à minha vontade. Quando eu fui trabalhar com publicidade, achei que o departamento de Rádio-TV era interessante. Tinha uma aura que me parecia mais criativa. Quando eu comecei a filmar comerciais de televisão, percebi que por aquele meio talvez eu pudesse me expressar de alguma maneira. Fora isso, eu vi filmes, claro. Vi muitos filmes. Mas nunca li e jamais lerei um livro sobre cinema, é chatíssimo. Há falhas na minha cultura cinematográfica, eu diria, graves, vazios respeitáveis. Pensando bem, talvez eu tenha influência não de cineastas obscuros, mas de cineastas que estão de fora. Agrada-me muito um certo cinema italiano, muito subestimado, mas que colocou a Itália no mapa do cinema - um tipo de comédia popular feita pelo Mario Monicelli, pelo Dino Risi. Agrada-me exatamente porque se inclinou diante do povo. Era um cinema que não tinha respaldo. Antonioni, só para dar um exemplo, também faz parte dessa grande "turma" que precisa de um apoio intelectual permanente. Um filme dele, por exemplo, é de um conto de Julio Cortázar. Visconti tem Thomas Mann, Camus, embora eu concorde que tanto ele quanto Antonioni tenham roteiros originais belíssimos. Monicelli, Risi colocavam a si mesmos e tinham uma idéia importante: a noção de que cinema é entretenimento também. Foi o que fez a Itália se jogar para o mundo, e precedeu a Visconti, a Fellini, a toda essa gente.

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sábado, 18 de agosto de 2007

Ugo Giorgetti - Parte 1

BRAVO!: O que o motivou a fazer Boleiros?

UGO GIORGETTI: Talvez eu tenha começado a pensar nesse filme aos cinco anos de idade, quando passei a gostar de futebol. O futebol é a única coisa que percorre a minha vida inteira, que eu não abandonei e que não me abandonou. Por isso, Boleiros talvez seja o meu filme mais natural. É uma tentativa de investigar quem são essas pessoas que jogam bola e que ocupam tanto do nosso imaginário, do nosso cotidiano. Vemos o espetáculo, mas conhecemos muito pouco do ator. Na verdade, essas pessoas jogam futebol fora do campo. Obviamente, você vai ver nesse filme algumas incursões dentro de campo, mas verá mais o que os jogadores são fora de campo. Em última instância, o filme é uma tentativa de investigar quem nos somos.


Ao fazer filmes que expressam uma preocupação com o universo do homem comum você não vai na contramão do cinema brasileiro, que costuma se interessar pelos grandes temas e personagens da literatura e da história?

Não sei se é um problema do cinema ou é um problema meu de não fazer esse tipo de filme. Mas o fato é que me dá a impressão de que o cineasta brasileiro, de uma maneira geral, precisa ser alicerçado, precisa escolher um tema "nobre" para adquirir respeitabilidade. Ele escolhe o livro de algum autor consagrado, importante ou cult e passa para o cinema. Isso significa ter a maior preocupação histórica, ser um ser político... Se você vai falar de Graciliano Ramos, suspeita-se, pelo menos, que você tenha lido Graciliano Ramos. Às vezes, penso que o cineasta tem dificuldades em se colocar como responsável total pela obra, de dizer: olha, esse aqui é um roteiro meu, eu estou falando sobre a minha rua, e tudo bem. Apesar de algumas pessoas fazerem isso honestamente, não vejo nenhuma função. Primeiro, porque, se é um grande livro, ele tem uma linguagem complexa. Segundo, a quem serve esse trabalho? Não serve ao cinema, provavelmente, e não serve ao público, porque ele vai ver uma obra que em 90% dos casos é inferior ao original. Serve muito menos à literatura. Mas é ótimo para a mídia se ocupar. Essa tendência do autor de buscar um aliado intelectualmente forte para lhe fazer companhia na sua própria obra talvez seja uma influência francesa. Os franceses, principalmente o pessoal do Cahiers du Cinema, têm uma reverência extremada à literatura. Lá é compreensível. Mas no Brasil, tirando alguns gigantes evidentes da nossa literatura, do resto um cineasta de talento pode se ombrear tranqüilamente. É por acreditar nisso que eu me ocupo das pessoas comuns e tenho esse atrevimento de me colocar sozinho falando de temas não muito avalizados pela intelectualidade.

Seus personagens são tipos comuns que conseguem ter um sotaque natural. Como você os constrói?

Só aparentemente esses personagens são comuns. Eu trabalho muito com jogadores de futebol, de sinuca, com ex-boxeadores. Agrada-me esse tipo de pessoa que não interessa a ninguém, mas, na verdade, é alguém. Os personagens de Festa, por exemplo, são "alguém" e inclusive se acham "alguém". Ao mesmo tempo, eles estão perdidos na massa. O jogador de futebol é um pouco isso: é um sujeito que só interessa quando é um ídolo, senão é só um sujeito que vive no meio de uma selva de jogadores. Mas para ele, ele é sempre uma pessoa que tem uma determinada habilidade incomum, só dele. Quanto ao sotaque, eu penso que o cinema é uma arte naturalista. Temos de acreditar naquilo que está na tela. O sotaque é uma exigência do personagem. Acreditamos no que estamos vendo se o ator fala como o personagem exige que fale. O que acontece às vezes é que o diretor pega o ator errado. Talvez até por razões erradas: porque o cara é da Globo, está fazendo uma novela... E esse particular ator não tem a habilidade de ter esse sotaque. É melhor escolher o ator certo.

Como você se situa no contexto do cinema brasileiro? E o que acha do momento atual?

Penso que vou continuar à margem, porque tenho uma trajetória muito grande na publicidade, e continuo envolvido com ela. Embora eu realmente tenha partido, já há alguns anos, para o longa-metragem. Isso me atirou para um determinado lugar no cinema - que eu nem sei qual é, mas não é no centro. Estou plenamente consciente, não reclamo do fato de eu ser uma figura estranha nessa coisa toda do cinema no país. Quanto ao cinema brasileiro, eu acho que a gente tem de refletir. O que está havendo é um aumento de produção de filmes. Isso não significa que o cinema brasileiro está se reerguendo. Significa: estamos fazendo mais filmes. Não estamos exibindo mais filmes, exibindo melhor, ou sendo capazes de ocupar nossas telas. Não. O cinema tem uma parte que interessa à mídia, mais superficial, que é o glamour: o mundo dos atores e do diretor. Só que o cinema não é feito só de atores e diretor. Às vezes, eles são a menor parte. Cinema é feito de laboratório de som, de trucagem, de efeitos especiais, de maquiagem. E essas atividades, sem as quais você não faz nada, estão sucateadas no Brasil. Isso é muito perigoso, porque você não faz cinema brasileiro indo revelar seu filme em Nova York. Aliás, só faltava essa para completar o círculo diabólico: além de as telas serem ocupadas pelo cinema americano, a gente vai ainda fazer o filme lá. Quer dizer: nós estamos remetendo dinheiro em duas fontes. Esse assunto precisa entrar em discussão. Temos de resolver o problema da distribuição, de ocupação de telas e de relações com a televisão - que é terrível e sequer se toca nesse assunto. Em qualquer lugar do mundo o cinema tem o apoio da televisão. No Brasil, é diferente. Parece que agora a Globo, em vez de se aliar ao cineasta independente, vai produzir filmes. A TV, que é uma concessão pública! Esse tipo de poder é inconcebível. Na França, daria cadeia só de pensar. O reerguimento do cinema brasileiro é positivo, mas ele pode ser um daqueles surtos de crescimento que houve no passado, e que não deram em nada.

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