terça-feira, 31 de julho de 2007

Dicas de Português: Os Vedoin ou os Vedoins?

Surge um novo escândalo político e uma nova dúvida. A frase a seguir resume bem o assunto:

- Sem apresentar provas diretas do envolvimento dos dois tucanos, os Vedoin, que eram sócios da Planam, uma das empresas acusadas de participar da fraude das ambulâncias, disseram que os políticos teriam participado do esquema entre os anos de 2000 e 2002

Repito a pergunta que dá título a esta postagem: os Vedoin ou os Vedoins (referência aos irmãos Darci e Luiz Antonio Vedoin)? Primeiro, o consenso. Ninguém discorda do uso do plural. Os nomes e sobrenomes seguiriam as mesmas regras dos demais substantivos. Um fica no singular, mais de um vai para o plural. Um Vedoin, dois Vedoins.

Há fartura de exemplos, tanto em língua portuguesa quanto importados de outros países: os Joões, os Andradas, os Flintstones, os Simpsons, os Maias (o exemplo mais lembrado).

E quanto à utilização do singular? Aí é que começa a polêmica. Há quem defenda (minoria), há quem condene (maioria). Evanildo Bechara, em sua "Moderna Gramática Portuguesa", deixa claro que prefere o plural. Mas registra casos de uso do singular na língua literária: "Os brasileiros do sul, os Correia de Sá, perdiam muito do encanto dessas obras" (a citação está na página 125).

A tendência da imprensa é a utilização da forma singular. A Folha de S.Paulo faculta o uso. Só pede um cuidado ao jornalista: "o importante é que, numa mesma reportagem, seja adotada apenas uma forma". Acrescentaria: para não criar no leitor uma sensação de contradição no uso. No caso em questão, o jornal optou pelo singular: os Vedoin (cito a Folha como exemplo, mas o raciocínio vale para outros jornais).

O que fazer? A balança pende para o uso do plural, embora a imprensa prefira o singular. Oficialmente, há como abonar as duas situações.

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Cidades Brasileiras: Governador Valadares/MG

Governador Valadares é o centro comercial do nordeste do estado de Minas Gerais, na região Sudeste do Brasil, foi fundada às margens do rio Doce. É atualmente um entroncamento rodoferroviário importante, fazendo a ligação entre a rodovia BR-116 Rio–Bahia e a estrada de ferro Vitória-Minas. Classificada como capital regional na hierarquia do estado, comanda uma extensa rede urbana composta por dois centros sub-regionais, 11 centros menores e 65 municípios de base rural. Sua economia apóia-se na pecuária e na agricultura e, mais recentemente, na comercialização de pedras semipreciosas, em função das condições geológicas propícias de sua região. Governador Valadares possui um parque industrial compatível com seu nível hierárquico, embora não seja considerada uma cidade industrial. Seu comércio atacadista dá apoio às atividades primárias, fazendo a distribuição de implementos agrícolas e insumos e canalizando a produção de sua área de influência. O comércio varejista e a estrutura de serviços apresentam um bom leque de ofertas à população.

População (1991): 230.287 habitantes.


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domingo, 29 de julho de 2007

Placas - Final








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sábado, 28 de julho de 2007

Placas - Parte 1








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sexta-feira, 27 de julho de 2007

O que ocorreu não foi acidente, foi crime

FRANCISCO DAUDT

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.
Remeto-me ao livro de García Marquez, "Crônica de uma morte anunciada". Todos sabiam e ninguém fez nada. E não me refiro a você, leitor, que se consome em sua impotência diante deste e de tantos descalabros que vimos assistindo semanalmente. Ao ponto de a ministra se permitir ao deboche extremo do "relaxa e goza'? Será esta sua recomendação aos parentes das novas vítimas? Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula, que, há quantos meses, ó Senhor, disse em uma de suas bazófias inconseqüentes que queria "data e hora para o apagão aéreo acabar", como se não dispusesse da devida autoridade para tal.
Sinto pena de não ter estado na abertura do Pan, de não ter engrossado aquelas bem merecidas vaias. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer.
Qual de nós escapou do medo de voar desde o desastre da Gol HÁ NOVE MESES? Qual de nós assistiu confortável o jogo de empurra, "a culpa é dos controladores'; "não, é do ministério da defesa'; "a mídia também exagera tudo'; "é do lobby das empreiteiras que só querem fazer obras inúteis e superfaturadas nos aeroportos". Qual de nós deixou de ficar perplexo com a falta de ação efetiva para que o problema se resolvesse?
Perdão, acho que a tal falta de ação geral de governo é de tamanho tão extenso e dura tanto tempo que muitos de nós a ela nos acostumamos. Sou psicanalista, e, por dever de ofício, devo escutar o que meus clientes queiram dizer.
Pois nunca pensei que fosse pronunciar no consultório uma frase que venho repetindo há algum tempo, depois de que mensalões, valeriodutos, Land-Rovers, dólares na cueca, dossiês fajutos, renans calheiros, criminalidade, insegurança pública, impunidade, pizzas e tudo isso que o leitor já sabe se despejam fétida, diária e gosmentamente sobre nossas cabeças. A tal frase: "Não quero falar desse assunto". Os pacientes me respondem com alívio, "Ufa, eu também não!' É o desabafo da impotência partilhada. "Welcome to Congo'? Talvez seja um insulto ao Congo.
Pois agora quero falar deste assunto. Deram-me a oportunidade de ser menos impotente. Sei que falo por uma enorme quantidade de brasileiros trabalhadores que sustentam essa máquina de (des)governo, muitos mais que os 90 mil do Maracanã, para expressar o nojo e a raiva que esse acúmulo de barbaridades nos provoca. O governo sairá da inação, da omissão criminosa? Alguém será preso, punido por todas essas coisas? Infelizmente, duvido. Talvez condenem a mim, por ter deixado o coração explodir. Pagarei o preço alegremente, lembrando Graciliano Ramos, que, visitado no cárcere, travou com o amigo o seguinte diálogo:
- Puxa, Graça, você, aí dentro, de novo?
- E você, o que faz aí fora? Nestes tempos, lugar de homem honesto é na cadeia.

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quinta-feira, 26 de julho de 2007

O MENINO LAMA CRESCEU

À primeira vista, Michel Lenz Cesar Calmanowitz é um jovem de 20 anos igual aos outros. Tem cabelo curtinho, na moda, usa óculos, o rosto exibe marcas de espinha. O pai, terapeuta corporal, e a mãe, psicóloga, são separados. As semelhanças com um garoto comum talvez terminem aí. Desde os 12 anos, ele vive no monastério de Sera Me, na Índia, entre 4 000 monges. Lama Michel Rimpoche ("o precioso", em tibetano) dedica sua vida a estudar e a divulgar o Budismo.

Quando criança, numa viagem à Índia com a família, ele foi reconhecido por outros lamas como reencarnação de vários mestres um deles, do século XV. Junto com seu tutor, o lama Gangchen, Michel viaja o mundo divulgando a palavra de Buda.

Como é o dia-a-dia de um brasileiro de 20 anos em um monastério budista?

Vivo em uma universidade monástica com outros 4 000 monges. Sou o único ocidental da minha faculdade, que tem 1 500 alunos. Moramos numa pequena cidade no interior da Índia, ao sul. Um lugar quente. Meu cotidiano é todo baseado nos estudos do Budismo. Acordo entre 5 e 6 horas da manhã e faço minhas rezas; depois realizo exercícios de memorização de orações. Tomo café da manhã, que tem chá com leite e pão com geléia, e varro meu quarto. Em seguida, temos leitura até as 9 horas. Às 11 horas, começa uma rodada de debates na minha classe. São 68 pessoas. Às onze e meia almoçamos e, então, vamos para a siesta. Depois das 14 horas, temos leitura até as 17, quando jantamos. Das 18 às 21 horas, há outra sessão de debate - que pode se prolongar até as 23 horas. As terças-feiras são livres.


Você foi reconhecido como reencarnação de lamas tibetanos. Como foi?

Eu tinha 8 anos. Estava numa peregrinação pela Índia com meu pai, minha mãe, minha irmã e o lama Gangchen Rimpoche. Eram três meses de viagem por lugares sagrados, onde Buda esteve. Encontramos vários mestres que disseram todos a mesma coisa: eu era a reencarnação de um lama o que se chama, em tibetano, um tulku. Bem, depois disso minha vida transcorreu normalmente. No ano seguinte, fomos ao Tibete e outros mestres repetiram aquela história. Quando completei 12 anos, comecei a ficar insatisfeito com a vida que levava. Mais que isso, com a vida que eu iria levar. Cursar uma universidade, ter um diploma, achar um bom trabalho, faturar dinheiro, criar uma família e... o que mais? Eu via pessoas à minha volta com um ótimo emprego, um ótimo carro, enfim, tudo o que queriam - e elas nunca estavam felizes. Por outro lado, enxergava no lama Gangchen um exemplo de felicidade. Sempre satisfeito, ainda que não possuísse nada do que a sociedade mandava. Pensei: "Quero ser assim". Foi o que me levou ao Budismo.


Quando revê velhos amigos cheios de planos, carro novo, namorada, você se pergunta se fez a coisa certa?

Eu fiz a minha escolha. Meus amigos também estão procurando a felicidade, à maneira deles. Sinto-me realizado com o caminho que tomei.

Você é virgem e fez voto de castidade. Nunca sonhou ter uma garota?

Não. Como lama, estou numa posição em que as pessoas vêm a mim contar suas dificuldades. Noventa por cento delas são causadas por relacionamentos. Não preciso passar por tudo isso para saber como é. Não tenho problema nenhum em ver mulher pelada em outdoors ou na TV. O ponto é: o que faço precisa ter um significado. Quando vejo garotos e garotas indo a boates, a bares, não consigo enxergar significado naquilo. Claro, se vivesse numa cidade como São Paulo, seria muito mais difícil tomar essa atitude. Sou humano, como qualquer um.


Existe uma arte da felicidade, como diz o título de um livro do Dalai Lama?

Há um caminho para ser feliz. Buda diz: "Deixe de lado as ações negativas, concentre-se em ações positivas, controle sua mente". Negativo é o que fazemos baseados na raiva, no apego, no ciúme, no orgulho, na avareza, no desejo, na insatisfação... enfim, todos os chamados "venenos mentais". As ações positivas são exercidas com compaixão, paciência, humildade, sabedoria e amor - lembrando que amor é a vontade que o outro seja feliz, não importa onde, como, quando e com quem. Para isso, precisamos controlar nossa mente. E como controlar a mente? Com a meditação.


De que maneira a prática da meditação pode ajudar as pessoas?

Em tibetano, a palavra para meditação é gom, que significa habituar, familiarizar. Ou seja, é preciso familiarizar a mente com algo positivo. Em geral, a mente se acostuma facilmente com as coisas. Por exemplo: começamos a nutrir uma imagem ruim de uma pessoa e, de repente, ela se torna realmente ruim. Isso acontece muito. A mente se acostuma com o que é bom e com o que é mau. Se dedicarmos parte do tempo, dez minutos que sejam, a pensar no amor, podemos alterar nossa forma de comportamento.

O que é mais difícil: mudar o mundo ou mudar a si mesmo?

Não dá para mudar o mundo. O único ser humano que você pode mudar é você mesmo. Podemos ajudar outros a mudarem, mostrar o caminho, mas não dá para andar por ninguém.


Você crê, realmente, que seja a reencarnação de alguém?

O que se leva de uma vida para a outra é o chamado "contínuo mental" ou "mente sutil", algo que pode ser definido como o conjunto das qualidades interiores que tenhamos desenvolvido. Não levaremos o Porsche, a cobertura ou a conta na Suíça. Acredito que trago uma velha bagagem do Budismo. Foi o que aqueles monges viram em mim quando criança. Sou a reencarnação de vários lamas. Um do século XV, outros que morreram há pouco tempo. Tem gente que os conheceu, mas nunca perguntei a ninguém como eles eram. Buda diz: "Se você quer saber o que fez no passado, olhe o que faz no presente".

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quarta-feira, 25 de julho de 2007

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terça-feira, 24 de julho de 2007

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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Hoje na História - 75 Anos do Falecimento de Santos Dumont

23.Ju.1932 - Falecimento de Santos Dummont

Para Saber Mais:

Santos Dumont (1873-1932), aeronauta brasileiro, pai da aviação. Nasceu no sítio de Cabangu, em Palmira (hoje Santos Dumont), em Minas Gerais, a 20 de julho de 1873. Aos 18 anos partiu para a França, com o objetivo de estudar física, mecânica e eletricidade. Interessou-se por aerostação e começou a desenhar balões, nos quais colocou motores a petróleo, uma grande ousadia para a época.

Em 1897, realizou sua primeira ascensão em balão em Paris. Nos anos seguintes lançou um balão cilíndrico. Em 1901, perante uma Comissão do Aeroclube da França, conseguiu elevar-se do solo e realizar o percurso de Saint-Cloud à Torre Eiffel, contorná-lo e voltar ao ponto de partida, pilotando um balão alongado em forma de charuto com motor a petróleo, que havia idealizado. Com isso, assegurou a dirigibilidade dos balões e arrebatou o prêmio Deutsch de La Meurthe.
Mais tarde, em 23 de outubro de 1906, com o 14-Bis (aeronave com motor a explosão), que havia idealizado e construído, Santos Dumont efetuou, igualmente diante da Comissão do Aeroclube da França, o primeiro vôo documentado do mais-pesado-que-o-ar na história da aviação. Nos anos seguintes, de 1907 a 1910, com o Demoiselle, ou Libélula, pequeno e frágil, muito semelhante aos atuais ultraleves, o pai da aviação efetuou inúmeros vôos, com os quais se popularizou.

Em 1912, estabeleceu um observatório em Trouville, onde de 11 a 13 de agosto, em colaboração com o astrônomo C. Flammarion, em Juvisy, e outro colega em Besançon, procurou determinar, com precisão, a altura, a trajetória e a velocidade de meteoros.

Em Paris, escreveu Dans l'air (1901) sobre suas experiências de vôo e seus balões, o qual daria origem a Os meus balões (1904). Em Petropólis, escreveu O que eu vi, o que nós veremos (1918), sobre seus aviões e futurologia.

Eleito membro da Academia Brasileira de Letras, recusou-se a tomar posse, alegando não ser merecedor da honraria.

Em 1931, regressou definitivamente ao Brasil, indo morar em Petrópolis, numa casa batizada de "Encantada", que projetou com criatividade (entre outros detalhes, os degraus são dispostos de tal forma que só se pode começar a galgá-los usando o pé direito). A casa é hoje o Museu Santos Dumont.

Desde 1909, tinha a saúde abalada e sofria constantes crises de depressão. Numa dessas crises, foi transferido por sua família para o Hotel de la Plage, em Guarujá, SP, onde suicidou-se em 23 de julho de 1932.

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domingo, 22 de julho de 2007

MEDICINA ALTERNATIVA - FINAL

Efeito placebo

Tradicionalmente, o jeito que a medicina ortodoxa arrumou para aprovar ou reprovar um tratamento é um teste muito engenhoso chamado "contraplacebo". Funciona assim: um médico arruma uma porção de voluntários. Essas cobaias são então divididas em dois grupos. Um dos grupos é tratado com o remédio ou o tratamento que se quer testar. O outro recebe apenas placebo. Placebo, como já foi dito, é um remédio "falso", sem princípio ativo. Por exemplo, uma cápsula que contenha farinha. Os testes mais confiáveis, além de serem "contraplacebo", são "duplo-cego". Ou seja, não é só o paciente que não sabe qual remédio é o de verdade e qual é o placebo. Os médicos que dão o remédio também não sabem. Tudo para diminuir qualquer influência externa. Só o remédio tem que agir.

Tudo muito bem bolado, muito inteligente. Mas a ciência não contava com uma coisa: e se o placebo não for totalmente inócuo? E se a pílula de farinha curar também? Pois é. Parece que é isso que acontece. "Não temos a menor dúvida de que placebo funciona, em média, em 30% dos casos", escreve Herbert Benson em seu livro Medicina Espiritual. Benson é presidente do Mind/Body Institute, um centro de pesquisa americano focado nas relações entre o corpo e a mente - justamente aquilo que Descartes não previa. Talvez a porcentagem não seja exatamente essa, mas ninguém duvida que o placebo funciona, pelo menos às vezes.

Um exemplo surpreendente foi uma pesquisa realizada pelo cirurgião ortopedista americano Bruce Moseley. O médico testou a eficiência de uma cirurgia para curar artrite no joelho, que consiste em raspar áreas danificadas da cartilagem. No estudo, cinco pacientes foram operados propriamente e cinco receberam aplicações de agulhas em lugares aleatórios. Quatro dos pacientes que passaram pelo tratamento placebo tiveram redução de dor e inchaço e melhoria nos movimentos do joelho.

O placebo pode funcionar a ponto de causar até incômodos. "Sonolência, dor de cabeça, náusea, nervosismo, insônia e prisão de ventre estão entre os efeitos colaterais mais comuns do tratamento com placebo", diz Benson. Há até um termo para denominar os efeitos colaterais de placebos: nocebo. Benson acredita que a razão para ele é o fato de os participantes de pesquisas serem obrigados a ler um documento de aprovação em que esses possíveis efeitos colaterais estão listados.

O efeito placebo põe em cheque a pretensão de objetividade proposta pela ciência ocidental. Se o próprio placebo cura, então toda a teoria por trás dos testes duplo-cego/contraplacebo muda de perspectiva. Veja por exemplo o caso da homeopatia. Embora várias teorias tenham surgido nos últimos tempos, ninguém ainda entende qual é o processo de cura dessa terapia. A homeopatia é baseada em dois princípios. O primeiro é a "lei dos semelhantes" e diz que uma substância que causa determinado sintoma num paciente saudável pode curar esses mesmos sintomas se ingerida em doses muito pequenas. Assim, como a ferroada de abelha causa dor e inchaço, os homeopatas recomendam um preparado feito a partir do veneno da abelha contra vários tipos de dor e inchaço. O segundo princípio diz que quanto mais diluída a substância, mais potente o remédio. Essa é a chamada "lei das infinitesimais".

Depois de séculos de pesquisas, esses princípios fazem cada vez menos sentido à luz do que a ciência sabe. A maioria dos cientistas acha que eles são grandes bobagens. Ainda assim, muita gente se cura com homeopatia, por menos que ela faça sentido. Por que será?

Talvez seja apenas um caso clássico de placebo bem-sucedido. Talvez muito do sucesso de várias terapias alternativas se deva ao fato de que a relação com o terapeuta crie condições favoráveis para que o placebo funcione - ao motivar o paciente, dar a ele esperança e inspirar simpatia e confiança. O placebo tem uma característica interessante: só obtém resultados quem acredita no tratamento. Será milagre, então? Não necessariamente. É plausível que essa postura positiva tenha ação sobre o sistema imunológico e favoreça a cura. Um cético como o cientista Romke Bron, que disse ao jornal inglês The Daily Telegraph que "se alguém entrasse em uma farmácia homeopática durante a noite e trocasse as etiquetas dos frascos ninguém notaria", tem bem menos chances de se curar com esse tipo de remédio.

Ou seja, é importante sim conhecer os princípios de cada tipo de tratamento e saber evitar os charlatões. Mas talvez seja igualmente importante conseguir acreditar no seu terapeuta. Nesse sentido, mil pesquisas provando isso ou aquilo não substituem uma coisa: a confiança que você tem no seu médico, seja ele ortodoxo ou alternativo.

Sentir-se bem

Sair por aí dizendo que a medicina convencional está completamente equivocada e não serve para nada é perda de tempo e demonstração de ignorância. O escritor de ciência americano Stephen Jay Gould, morto em 2002, tinha uma sugestão para aqueles que acham que a medicina é inútil: que eles visitem algum cemitério antigo e reparem na quantidade de lápides pequenas, uma ao lado da outra. É inegável que a mortalidade infantil despencou com o avanço da ciência e que ela é muito menor nas regiões onde há melhores cuidados médicos. Ninguém em sã consciência pode negar os avanços trazidos pelos antibióticos, ou pelas vacinas, por mais imperfeitos que tanto uns quanto as outras sejam. É óbvio que a medicina derrotou doenças e espalhou saúde basta saber ler estatísticas para perceber isso.

Mas também é inegável que nem todo mundo se dá por satisfeito com o que a medicina oferece. Desde que o mundo é mundo, as pessoas vão aos "médicos" (curandeiros, pajés, xamãs...) para falar de suas ansiedades, suas dores e obter algum conforto nem sempre a cura. Essas coisas ajudam o sujeito a sentir-se bem. "E ninguém discorda do fato de que se sentir bem é bom para a saúde", diz Bron, aquele mesmo que acha que não há problema algum em trocar os rótulos dos remédios homeopáticos. Talvez tenha sido esse justamente o ponto em que a medicina ortodoxa errou mais longe. Ou alguém aí acha os hospitais agradáveis? A ciência tem pela frente uma dupla tarefa das mais duras. Por um lado, há que se entender os reais méritos das terapias alternativas, para que elas deixem de fazer falsas promessas. Por outro, ela precisa corrigir seu rumo e retomar o ideal de Hipócrates. E, nesse ponto, talvez algumas técnicas alternativas possam servir de inspiração.

Cada uma é uma

Colocar no mesmo barco todas as técnicas ditas "alternativas" é um grande erro. Algumas delas são amplamente reconhecidas, sobre outras há quase certeza da ineficácia. Conheça as mais famosas e saiba o que a ciência pensa delas

Acupuntura

O que é - Uma das técnicas da medicina tradicional chinesa, a acupuntura consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo. Sua base filosófica indica que esses pontos afetam os diferentes órgãos e estão localizados sobre canais de energia (chamados meridianos) que se espalham pelo corpo

O que a ciência acha - Sabe-se que os pontos têm relação com o sistema nervoso - e o sistema nervoso influencia todo o corpo. Mas cientista nenhum encontrou os tais canais de energia. A técnica não costuma oferecer resultados a curto prazo, mas revelou-se eficiente contra efeitos colaterais de remédios, enjôos, doenças respiratórias, dores e problemas de pressão

Aromaterapia

O que é - Utiliza óleos essenciais de folhas, flores ou madeira para amenizar sintomas e melhorar o bem-estar. Os óleos podem ser inalados, queimados ou espalhados pelo corpo

O que a ciência acha - A idéia de que cheiros agradáveis podem liberar hormônios que causam bem-estar até faz sentido para a ciência e alguns estudos mostram um leve efeito calmante da terapia. Daí a acreditar que eles curem doenças, porém, há uma distância

Cromoterapia

O que é - Baseia-se na idéia de que cores têm efeito curativo abrangente. Os tratamentos envolvem alimentação, modo de se vestir, relação com o ambiente, além da visualização de cores para efeito terapêutico

O que a ciência acha - Não há qualquer evidência de eficácia. De forma alguma deve substituir o tratamento convencional. Mas a cromoterapia pode trazer bem-estar e bem-estar é bom para a saúde

Florais

O que é - São essências florais diluídas em conhaque. Os mais conhecidos, os florais de Bach, foram preparados pelo médico inglês Edward Bach, ao final do século 19, e são indicados de acordo com a personalidade de cada paciente, prometendo curar diversas doenças

O que a ciência acha - No máximo, pelo que se sabe, funcionam tão bem quanto o placebo. Não podem substituir o uso de medicamentos ortodoxos. Podem representar uma fonte de bem-estar, mas é perigoso acreditar que eles façam o que prometem fazer: curar doenças

Fitoterapia

O que é - Consiste na manipulação de plantas e ervas para a cura de doenças e redução dos sintomas. Prega que as plantas devem ser consumidas integralmente e não combinadas a substâncias químicas que realçam o efeito do princípio ativo, como na medicina ortodoxa

O que a ciência acha - A idéia de que plantas curem faz todo sentido. Praticamente todos os remédios da medicina ortodoxa têm seus princípios ativos retirados de plantas ou de outros seres vivos. E é realmente saudável procurar por substâncias benéficas, em pequenas doses, na alimentação - o que ajuda a evitar efeitos colaterais causados por doses grandes demais

Homeopatia

O que é - Inventada no século 18, é uma especialidade médica no Brasil, mas ainda não foi reconhecida como tal em países com tradição em medicina alternativa, como Canadá e Estados Unidos

O que a ciência acha - Muito utilizada contra doenças crônicas como alergias, asma, rinite e enxaqueca, ainda não comprovou eficiência além do placebo nesses tratamentos. A ciência ignora o modo pelo qual age, mas reconhece alguns resultados. Pode ser o caso mais bem-sucedido de manipulação de placebo

Iridologia

O que é - Os praticantes da técnica afirmam que podem oferecer um diagnóstico físico, psicológico e emocional a partir da análise da íris

O que a ciência acha - Não tem validade científica. A tese de que males físicos se reflitam nos olhos não é absurda. Mas determinar o estado de saúde de alguém tendo como base apenas isso pode gerar diagnósticos incompletos, o que é perigoso

Naturopatia

O que é - Motivada pelos ideais de "volta à natureza", originou-se no século 19 como um fenômeno emocional e espiritual para melhorar a saúde geral do corpo. Prega, entre outras coisas, que alimentos crus são mais bem aproveitados pelo organismo

O que a ciência acha - Muitas das teorias divulgadas pela naturopatia fazem sentido aos ouvidos da ciência. No entanto, ela tende a misturar teorias plausíveis com outras bem menos fáceis de serem assimiladas pela ciência como a sugestão de que prisão de ventre cause auto-intoxicação

Ortomolecular

O que é - Técnica criada por Linus Pauling, Nobel de Química e da Paz, que emprega o uso de vitaminas, aminoácidos e minerais em quantidades superiores àquelas capazes de serem absorvidas pelo corpo. O diagnóstico é feito a partir da análise de um fio de cabelo

O que a ciência acha - Com base em pesquisas, o teste do fio de cabelo foi considerado sem validade científica por órgãos reguladores


Reflexologia

O que é - Propõe que todos os órgãos internos do corpo têm pontos de reflexo no pé, na orelha, no nariz e outras partes. Acredita que a manipulação desses pontos pode melhorar o fluxo de energia e, portanto, curar sintomas em certos órgãos

O que a ciência acha - Há bem poucos estudos rigorosos sobre a técnica e os que existem não demonstram que a reflexologia tenha efeitos terapêuticos específicos

Reiki

O que é - Rei significa "universal" e Ki, "energia". Reiki portanto é a energia do Universo que poderia ser transmitida ao paciente por meio da impostação de mãos do praticante. A terapia vê a doença como um desequilíbrio energético do corpo

O que a ciência acha - Não existe comprovação científica para a ação curativa dessa técnica. Mas a terapia pode trazer benefícios ao reduzir a tensão

Radiestesia

O que é - Baseia-se nas vibrações do Universo, do ambiente e dos seres vivos. Sua prática mais difundida prevê uma sessão de perguntas e respostas a um pêndulo de metal que poderia levar ao diagnóstico de doenças

O que a ciência acha - A idéia de que um diagnóstico médico possa ser oferecido por vibrações do corpo ou do ambiente não faz sentido à luz do conhecimento científico. Não há pesquisas consistentes sobre o assunto

Shiatsu

O que é - Atua nos mesmos pontos que a acupuntura, mas usando apenas a pressão dos dedos

O que a ciência acha - A pressão dos dedos, ao contrário da aplicação de agulhas, não causa a liberação dos neurotransmissores que atuam no sistema nervoso, o que joga dúvidas sobre as possibilidades terapêuticas da técnica. Mas seus efeitos redutores de estresse são reconhecidos

Urinoterapia

O que é - Propõe a manipulação da urina do próprio indivíduo para curar diversas doenças. Tem origem, possivelmente, em rituais hindus criados há 4 mil anos

O que a ciência acha - Não há estudos rigorosos sobre a eficiência da técnica, que recebe críticas de diversos setores da comunidade científica. Não deve, de maneira alguma, substituir tratamento convencional

Para saber mais

Na livraria

O Erro de Descartes - Emoção, Razão e o Cérebro Humano, Antônio Damásio, Companhia das Letras, 1996

Guia Prático da Medicina Alternativa, Steven Bratman, Campus, 1998

Medicinas Alternativas - Os Tratamentos Não Convencionais, Org. Paulo Eiró Gonsalves, Ibrasa, 1996

Medicina Espiritual, Herbert Benson e Marg Stark, Campus, 2003

The Desktop Guide to Complementary and Alternative Medicine, Ernst E., Pittler M.H., Stevinson C., White A.R., Mosby, Reino Unido, 2001

Alternative Healthcare - A Comprehensive Guide, Jack Raso, Prometheus Books, EUA, 1994


Na internet

Relatório do Comitê de Ciência e Tecnologia do Parlamento Inglês, www.parliament.the-stationery-office.co.uk/pa/ld199900/ldselect/ldsctech/123/12301.htm

Site de Steven Bratman, que traz um balanço crítico das pesquisas de eficácia, www.altmedconsult.com

Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br
Departamento de Medicina Complementar da Escola Médica Peninsula, www.ex.ac.uk/sshs/compmed/

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sábado, 21 de julho de 2007

MEDICINA ALTERNATIVA - PARTE 1

O pai da medicina ocidental, o médico e filósofo grego Hipócrates, gostava de repetir enquanto cuidava de seus pacientes que "o homem é uma parte integral do cosmo e só a natureza pode tratar seus males". Com isso, ele queria mostrar que as causas da doença eram naturais - e não punições divinas como se acreditava até então - e lembrar que o equilíbrio e a saúde do corpo estão diretamente ligados ao ambiente em que vivemos. Essa mesma frase voltou a soar atual nos últimos anos, ao mesmo tempo em que ocorre uma popularização dos métodos alternativos à mesma medicina ocidental que Hipócrates fundou.

A partir do século 17, quando as idéias do filósofo René Descartes começaram a influenciar a ciência, os tratamentos médicos passaram a ver o corpo humano como uma máquina em que cada parte tinha uma função específica e independente. Para Descartes, entendendo-se cada uma das partes, entende-se o todo. Simples assim. A medicina moderna, esquecendo o conselho de Hipócrates, ergueu-se sobre esse pressuposto e ainda está bastante apoiada nele. Hoje, a teoria de Descartes já não faz muito sentido. A ciência mais que provou a intrínseca relação entre mente e corpo e suas conseqüências para a saúde humana. Também está claro que isolar uma parte do corpo e desconsiderar o resto é receita segura para efeitos colaterais inesperados.

Isso não significa dizer que a medicina ocidental ortodoxa tenha desabado e que todos os médicos e hospitais estejam para sempre soterrados nos escombros. Claro que não. A medicina é um edifício sólido, cheio de méritos. Mas, em alguns países do globo, como Canadá e França, uma parcela tão grande quanto 70% da população recorre a tratamentos não convencionais de cura. Esses métodos são bem diferentes uns dos outros inclusive nos resultados. Mas há algo mais ou menos em comum entre quase todos: eles enxergam o corpo como Hipócrates. Não somos máquinas, somos organismos vivos, cheios de partes interdependentes.

O uso crescente das técnicas alternativas seja como opção à medicina ortodoxa, seja como complemento a ela não determina por si só que elas sejam eficientes. Longe disso. Na verdade, estudos confiáveis atestando a eficiência de práticas alternativas são raríssimos. Veja o caso da homeopatia, certamente uma das mais conhecidas entre essas técnicas. Ela existe há mais de 200 anos, é procurada por milhões de pessoas no mundo todo e reconhecida oficialmente no Brasil como uma especialidade médica. Era de se esperar que, dada sua enorme popularidade, ela tivesse sido bem estudada pela ciência.

Pois, segundo um estudo feito pela prestigiada Escola Médica Península, da Inglaterra, foram feitos até hoje, no mundo todo, apenas seis exames rigorosos que comparam a eficiência de remédios homeopáticos com a dos convencionais. Só há oito estudos que comparam a ação da Arnica montana (um dos princípios ativos homeopáticos mais largamente utilizados) com placebo ("falsos" medicamentos, sem nenhum princípio ativo). É muito pouco e os resultados estão longe de ser conclusivos.

Isso quer dizer que a ciência dá as costas para a medicina alternativa? Talvez. Mas as "duas medicinas" têm se aproximado nos últimos anos e hoje admitem a possibilidade de incorporar características uma da outra. "As duas têm aspectos positivos e negativos", disse Xiang Ping, reitor da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa, em Nanquim, num discurso de formatura. "A ocidental baseia-se em análises e radiografias, mas não aborda o todo orgânico. Já a medicina tradicional chinesa é eficaz na regulação de todo o corpo. Penso que a combinação das duas medicinas seria perfeita e muito benéfica para as pessoas."

Essa visão de que o corpo é um organismo interligado e, portanto, não pode ser subdividido em partes independentes parece ser uma das principais vantagens de muitas técnicas alternativas em relação à ortodoxia médica. "É verdade que, com a verticalização do conhecimento, muitos médicos passaram a ver ‘a doença do paciente’ e não ‘uma pessoa com uma doença’", reconhece o ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CRM-SP), Clóvis Constantino. Já para a medicina alternativa, essa visão não é novidade. "Não existem doenças e sim doentes" foi sempre o lema de Edward Bach, médico inglês que no final do século 19 desenvolveu os controvertidos florais de Bach, uma técnica alternativa bastante difundida.

Ao mesmo tempo, adeptos de práticas alternativas têm incorporado aspectos imprescindíveis da medicina oficial, como a necessidade de apresentar resultados eficientes. Parece um pouco óbvio para nós, ocidentais, mas, para muitas técnicas de fundo "filosófico", o fato de um tratamento funcionar ou não é menos importante do que ele se conformar à "filosofia" na qual é baseado. "Há alguns anos, houve um boom das técnicas alternativas. Aí surgiram profissionais que erroneamente refutavam qualquer idéia da medicina convencional", diz Paulo Eiró Gonsalves, que organizou o livro Medicinas Alternativas Os Tratamentos Não Convencionais, um dos primeiros no Brasil a reunir textos sobre vários dos métodos alternativos de cura. Prometia-se qualquer coisa e muita gente achava desnecessário testar esses métodos com as ferramentas da ciência afinal a ciência era, para muitos, o "inimigo" a ser combatido. Hoje, cada vez mais, os entusiastas têm se empenhado em enxergar os métodos que empregam com os olhos da ciência.

Um bom exemplo desse fenômeno um que não é lá muito favorável às terapias alternativas é Steven Bratman. Esse cientista americano, formado em acupuntura, shiatsu, medicina chinesa, fitoterapia e osteopatia craniana, abandonou a direção de uma clínica na Califórnia que misturava as abordagens convencional e alternativa e dedicou-se a estudar a fundo as pesquisas sobre a eficácia das alternativas. Em 1996, Bratman publicou um livro razoavelmente favorável às abordagens alternativas, o Guia Prático da Medicina Alternativa. "Na época, eu acreditava na medicina alternativa e, portanto, assumia uma atitude positiva.

Além disso, eu ignorava que muitos dos estudos em que me baseava não eram rigorosos o suficiente para serem levados a sério", diz hoje. Depois de estudar mais e encontrar falhas em quase todas as pesquisas com resultados favoráveis, Bratman chegou a uma conclusão desanimadora. Segundo ele, todos os estudos somados não são suficientes para dar razão aos que dizem que essas terapias são um bom jeito de tratar doenças.

Bratman percebeu que a imensa maioria dos estudos científicos sobre o assunto é pouco rigorosa. Isso não é à toa. "Bons estudos são caros", diz Edzard Ernst, que dirige o Departamento de Medicina Complementar da Escola Médica Península. E dinheiro é um problemão para homeopatas, cromoterapeutas e afins. Medicamentos da medicina ortodoxa geralmente são testados sob patrocínio de grandes laboratórios farmacêuticos, interessados em comercializá-los. Já as técnicas, práticas e remédios menos rentáveis não encontram apoiadores tão facilmente. Não há muitas grandes empresas interessadas em divulgar a acupuntura ou a iridologia. O departamento de Ernst, mantido pelas universidades inglesas de Exeter e Plymouth, é uma das cada vez mais freqüentes exceções à regra da falta de pesquisas. "Começamos a trabalhar há dez anos. Meu objetivo sempre foi e é um só: aplicar as regras da ciência às técnicas alternativas e complementares", diz Ernst. Eles já publicaram mais de 700 artigos sobre o tema na literatura médica.

É um belo avanço, mas ainda é pouco. Enquanto não há pesquisas suficientes, a medicina alternativa se baseia, muitas vezes, nos resultados obtidos no consultório, no tratamento de pacientes. O médico americano Jack Raso, autor de Alternative Healthcare - A Comprehensive Guide ("Tratamento Alternativo - Um Guia Geral", sem versão brasileira), classificou esse conhecimento como "empirismo não-científico", ressaltando que esse tipo de controle está muito propenso a falhas de vários tipos. Por exemplo: os pacientes desses consultórios tendem a simpatizar com seus terapeutas e a fazer uma análise pouco objetiva. Às vezes a doença passa sozinha e o sujeito, já inclinado a uma avaliação positiva, fica com a impressão de que o tratamento é que deu certo.

Apesar da falta de provas da eficácia, há muita gente disposta a usar os métodos alternativos - inclusive onde menos se espera. Em setembro de 2003, Ernst ajudou o diário britânico The Daily Telegraph a organizar uma enquete em que uma centena de cientistas foi interrogada sobre o uso pessoal de algum método alternativo de tratamento ou cura. Era de se esperar que cientistas, gente com fama de cética, não se interessassem pelo assunto. Não foi bem o que aconteceu. Dos 75 que responderam à pesquisa, 30 disseram já ter usado algum tipo de tratamento alternativo e 20 disseram que os métodos deveriam estar disponíveis a todos por intermédio do National Health System, o sistema de saúde oficial britânico.

É importante lembrar que o fato de não existirem pesquisas que garantam a eficiência de um método não comprova que esse método seja ineficiente. "Falta de evidência não é o mesmo que evidência de falta de resultado", diz Ernst. Ou seja, na maior parte do tempo, a resposta mais honesta à crucial pergunta sobre se as técnicas alternativas funcionam ou não é um redondo "não sei".

Duas medicinas?

Mas, antes de seguir na discussão, é bom avisar que o nome que imprudentemente imprimimos na capa - "medicina alternativa" , para algumas pessoas, nem existe. "Não há medicina alternativa ou medicina complementar", diz Clóvis Constantino. "A medicina é uma só. Ela engloba diferentes métodos, terapias, tratamentos e remédios que se provaram eficientes pelas pesquisas." Veja o exemplo da acupuntura. A ciência não acredita que sua filosofia esteja correta - ninguém conseguiu verificar a existência de canais de energia correndo pelo corpo. Mesmo assim, testes bem conduzidos provaram para além das dúvidas que as agulhas são eficazes para tratar vários males por mais que não se entenda como.

Por conta disso, a medicina incorporou a parte da acupuntura cujos resultados foram comprovados. Hoje, as faculdades de medicina ensinam a espetar, os hospitais contratam acupunturistas, os conselhos médicos reconhecem e regulamentam a técnica e alguns planos de saúde pagam o tratamento. A medicina não é um sistema filosófico fechado e imutável, como são as religiões e muitas das terapias alternativas. Ela é uma área do saber que agrupa as mais eficientes técnicas conhecidas para tratar doenças e portanto pode incorporar coisas que nasceram fora dela.

Parece sensato, mas muitos praticantes de terapias alternativas temem que a absorção de seus métodos pela medicina ortodoxa possa desfigurar aspectos terapêuticos que são parte de um sistema coerente. "Se você vai usar apenas a parte de uma tradição de cura que tem explicação científica, ignorando a base filosófica, vai usar a terapia de maneira incompleta", diz Paulo Eiró Gonsalves. O que Paulo quer dizer é que tomar agulhadas num hospital, aplicadas por um médico formado numa faculdade, não é a mesma coisa do que ser atendido por um velho mestre chinês versado na energia da vida e na visão totalizante do corpo. No primeiro caso, as agulhadas são apenas um remédio a mais, como a aspirina. Pode até funcionar já que eficiência sem dúvida é uma característica da medicina ortodoxa, ocidental mas não rompe com o tal modelo de Descartes, que algumas terapias alternativas criticam.

E, afinal de contas, o que é medicina alternativa, se é que essa coisa existe? As técnicas e métodos agregados sob esse nome são tão distintas que torna-se impossível criar uma definição coerente para o termo. Nem todas são naturais, nem todas são holísticas, nem todas são orientais, nem todas são não-oficiais. Com isso, técnicas tão distantes em histórico e abordagem quanto a fitoterapia mágica e a medicina oriental, por exemplo, são colocadas no mesmo barco. A fitoterapia mágica, criada em 1983 pelo americano Scott Cunninghan, é uma releitura duvidosa da fitoterapia clássica e tem pouquíssimos adeptos no mundo - entre as práticas que propõe, há uma que prevê que enterrar um feijão pode servir para tirar pintas ou verrugas. Já a medicina oriental reúne elementos de sistemas tradicionais de cura originados há milhares de anos na Grécia, no Egito e na China. Suas práticas são conhecidas e testadas no mundo todo e já são aceitas por parte da comunidade científica ocidental.

Essa falta de limites claros é vantagem apenas para as técnicas pouco confiáveis que se valem de lugares-comuns espalhados como verdades. Para os pacientes, a falta de limite faz com que a busca por uma opção de cura não convencional seja difícil e perigosa. Usar o procedimento de Cunninghan para se livrar de pintas, por exemplo, pode tornar-se apenas uma perda de tempo. Mas pode também acabar retardando a descoberta de um câncer maligno. É por isso que é importante conhecer as especificidades de cada terapia.

Como regra geral, vale dizer que nenhuma das terapias alternativas deve ser usada em todas as circunstâncias. Se houver qualquer razão para suspeitar de uma doença mais séria, como um câncer ou uma infecção que não passa, um médico convencional certamente vai estar mais equipado para fazer o diagnóstico. As terapias alternativas podem ser boas maneiras de se manter saudável já que muitas delas pregam o "equilíbrio" nos vários aspectos da vida, um jeito bem razoável de se prevenir de doenças. Elas também são uma saída para problemas causados por males "subjetivos" - as várias doenças ligadas à tensão, por exemplo, podem se beneficiar muito de métodos holísticos, que incluam conversas com o terapeuta, música tranqüila e massagens. Doenças misteriosas como as alergias, ainda mal compreendidas pela medicina do Ocidente, igualmente parecem se beneficiar de tratamentos como a acupuntura e a homeopatia.

E dores musculares ou torções, para as quais a medicina convencional receita quase sempre atenuantes de sintomas, parecem se beneficiar muito mais nas mãos de um quiropraxista ou acupunturista. É claro também que não há mal nenhum em procurar um terapeuta alternativo para cuidar de uma doença para a qual a medicina não tem cura ou para aliviar efeitos colaterais de remédios ortodoxos. Mas os médicos convencionais são bem melhores para combater doenças mais "objetivas", aquelas causadas por fungos, vírus, bactérias e outros inimigos palpáveis que só podem ser vistos com microscópio. De um modo geral, as abordagens alternativas não existem para curar doenças, mas para preveni-las e para complementar um tratamento convencional. Há exceções a acupuntura, sem dúvida, é eficaz na cura de alguns males, não de todos - mas o ideal é não adotar uma postura radical, do tipo "eu jamais vou a um médico convencional".

Mas, afinal, se na maioria das vezes não sabemos se a medicina alternativa funciona, por que então utilizá-la? Por que não ficar com a velha e boa medicina ortodoxa, cujos remédios e técnicas têm eficiência comprovada por milhões de pesquisas? Os autores do livro The Desktop Guide for Complementary and Alternative Medicine ("Guia para Medicina Complementar e Alternativa", sem tradução brasileira), esboçam algumas respostas para essas perguntas. Eles dividiram os motivos que levam alguém a buscar profissionais da medicina alternativa em dois grupos: os fatores de distanciamento, aqueles que afastam pacientes da medicina ortodoxa, e os fatores de aproximação, os motivos que aproximam pacientes e medicina alternativa.

Parte dos pacientes que buscam a medicina alternativa compartilha a aversão por substâncias químicas ou drogas e privilegiam substâncias naturais em diversos campos de sua vida. "Para essas pessoas, na hora de se vestir, o algodão satisfaz um instinto que o poliéster agride", diz Bratman. Outro fator de aproximação listado foi a "dimensão espiritual". A crença na existência de um Deus é bastante comum entre os adeptos da medicina alternativa. "A maior parte de nossos pacientes está ligada a uma força maior, uma alma do Universo", diz o presidente da

Associação Brasileira de Medicina Complementar (AMC), José Felippe Junior. É bom lembrar que a crença num deus tem sido considerada por pesquisas sérias um fator que favorece a recuperação de doenças graves.

Mas a insatisfação com a medicina ortodoxa também pode estar ligada a fatores que em nada têm a ver com a filosofia de vida do paciente. Pacientes costumam ter uma queixa comum quando o assunto é medicina convencional: acreditam que o médico não lhes dá a devida atenção. A maioria das denúncias encaminhadas aos órgãos que regulamentam o exercício da medicina não se deve a erros médicos e sim à relação médico-paciente. Eles reclamam que o médico não tem tempo suficiente para atendê-los ou que não entendem as explicações sobre os procedimentos usados. "Hoje estamos empenhados em aprimorar essa relação", diz Clóvis Constantino, ex-presidente do CRM-SP, refletindo uma preocupação crescente de todo o meio médico ocidental

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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Reflexão Diária

Os remédios são mais lentos que as doenças.
Tácito

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Jung, Carl Gustav

Um dos primeiros seguidores de Sigmund Freud, criador da psicanálise, Jung afastou-se do mestre em 1912 e fundou sua própria teoria, a psicologia analítica, para a qual é inaceitável a tese freudiana de que todos os fenômenos inconscientes se explicam por influências e experiências infantis ligadas à libido.

Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, Suíça, em 26 de julho de 1875. Filho de um pastor protestante, desistiu da carreira eclesiástica para estudar filosofia e medicina, nas universidades de Basiléia e Zurique. Interessado nos problemas de transtorno de conduta, seguiu os ensinamentos do neurologista e psicólogo francês Pierre Janet no hospital de la Salpêtrière de Paris. De novo em Zurique, trabalhou com o psiquiatra suíço Eugen Bleuler, que se tornaria célebre pelos estudos da esquizofrenia.

A partir de 1907, Jung entrou em contato com Sigmund Freud, com quem manteve estreita relação. Discípulo predileto do mestre, tornou-se o primeiro presidente da Sociedade Psicanalítica Internacional. A publicação, em 1912, de seu livro Wandlungen und Symbole der Libido (Transformações e símbolos da libido) significou o início de suas divergências com Freud, que culminariam com o afastamento de Jung do movimento psicanalítico. Naquela obra, Jung opunha-se ao caráter exclusivamente sexual da libido e considerava que esta constituía, antes, uma energia de caráter universal. Em Psychologische Typen (1920; Tipos psicológicos), observou que, conforme essa energia vital se dirigisse para o interior ou para o exterior, ensejaria o aparecimento de um dos dois tipos psicológicos fundamentais: a introversão ou a extroversão.

Outros conceitos centrais da psicologia analítica nome com o qual o próprio Jung designou seu método foram o de complexo (conjunto de representações psíquicas cuja influência se manifesta sem nenhum controle efetivo do eu) e o de inconsciente coletivo. Jung afirmou que as sociedades humanas participam de arquétipos comuns a todas elas, que se expressam por meio dos mitos, das religiões, da arte, dos sonhos e, também, da loucura e das enfermidades psíquicas. Em obras posteriores, com destaque para Psychologie und Religion (1939; Psicologia e religião) e Psychologie und Alchemie (1944; Psicologia e alquimia), esforçou-se por determinar a natureza daquelas constantes arquetípicas, numa aventura espiritual que foi considerada, em algumas ocasiões, próxima do misticismo.

Para a análise do inconsciente coletivo (e dos sonhos), Jung estudou sobretudo os símbolos das religiões orientais (Índia, China) e os da alquimia medieval, que considerava um fenômeno religioso. Jung deixou uma obra original e de ampla influência na cultura universal. Faleceu em Küssnacht, Suíça, em 6 de junho de 1961.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ringo Starr - It Don't Come Easy



It don´t come easy
You know it don´t come easy
It don´t come easy
You know it don´t come easy
Got to pay your dues if you want to sing the blues
And you know it don´t come easy
You don´t have to shout or leap about
You can even play them easy
Forget about the past and all your sorrow
The future won´t last
It will soon by your tomorrow
I don´t ask for much
I only want trust
And you know it don´t come easy
And this love of mine keeps growing all the time
And you know it just ain´t easy
Open up your heart
Let´s come together
Use a little luck
And we will make it work out better
Got to pay your dues if you want to sing the blues
And you know it don´t come easy
You don´t have to shout or leap about
You can even play them easy
Please remember peace is how we make it
Here within your reach
If you´re big enough to take it
I don´t ask for much
I only want trust
And you know it don´t come easy
And this love of mine keeps growing all the time
And you know it don´t come easy

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terça-feira, 17 de julho de 2007

O CURANDEIRO DA ANEMIA DOS DESEJOS




O jovem escritor piemontês Alessandro Baricco, segundo a avalanche de resenhas e artigos que a publicação de seu livro, Seda, provocou durante o último inverno europeu, parece ter despontado como a nova estrela literária italiana. Com dois romances que lhe valeram os melhores prêmios, (Castelos de Raiva, de 1991, e Oceano Mar, de 1993), Baricco acaba agora de se consagrar junto ao público, principalmente de jovens, que lotou o teatro Valle, em Roma, e aplaudiu de pé a leitura de Seda (pouco mais de cem páginas).

Na verdade, Baricco não é um desconhecido. Já vinha ocupando, como crítico musical, uma das colunas do prestigioso jornal La Reppublica, antes de ser contratado pela RAI 3 para dois programas de sucesso: um sobre música e outro sobre livros: "São programas que ainda podem representar uma espécie de clareira na floresta, onde as pessoas que escapam (do "império") podem refugiar-se. São aventuras, só para uma minoria" diz o autor. Ele ainda acredita na leitura como instrumento de vanguarda, tanto que montou, em Turim, um laboratório de narrativa, onde, entre outras coisas, ensina como curar a "anemia de desejos" a que julga afeitos os italianos de hoje.

Mas o que tem de tão espetacular este Seda, que pode ser lido, sem parar, numa única noite? Que há de especial no livro que conta a história, que se passa por volta de 1860, de um jovem do sul da França (Hervé Joncour), que é enviado pelo mais sábio dos aldeões (Baldabiou) até o desconhecido Japão, para buscar ovos de bicho-da-seda, visto que os da Europa são contaminados por uma estranha epidemia?

Bem, basicamente, Seda consegue ser o livro que todos gostariam de ler. Os que apreciam a ação são logo introduzidos num clima tipo western de movimentos cíclicos e falas essenciais, onde o spaguetti (no bom sentido) fica por conta do engraçado das situações (felizmente preservado pela boa tradução): "Encontrou Baldabiou no bilhar do café Verdun. Jogava sempre sozinho, contra si mesmo. Estranhas partidas. O normal contra o aleijado, era como as chamava. Dava uma tacada, normalmente, e a seguinte, somente com uma das mãos. No dia em que o aleijado vencer dizia vou embora desta cidade. Há anos que o aleijado perdia". Para quem gosta de suspense, basta acompanhar os vaticínios do lago Baikal ou os lances dos encontros de Hervé com o shogun: "Mal havia deixado as últimas casas do lugar quando um homem o alcançou correndo, e o fez parar. Disse-lhe qualquer coisa em tom alterado e peremptório, e depois o escoltou de volta com firme cortesia. Hervé Joncour não falava japonês, e sequer entendia uma só palavra. Mas compreendeu que Hara Kei queria vê-lo".

Quem se sente atraído pelo erótico literário poderá deliciar-se com a ambiência que envolve, num crescendo, a misteriosa jovem por quem Hervé se apaixona.: "Único sinal visível do seu poder, uma mulher estendida a seu lado, imóvel, a cabeça apoiada em seu colo, os olhos fechados, os braços escondidos sob o amplo vestido vermelho, que se alargava às suas voltas, como uma chama, sobre a esteira de cor cinza. Ele passava lentamente a mão pelos seus cabelos (...)". E daí por diante: fetiches, exotismos, arquétipos, fantasias, tiradas, tacadas, trocadilhos, cacoetes, senhas etc. Mas o que realmente importa é que o livro não fica só nisso. Da leve amálgama de que é feito elevam-se fumos de requintada poesia e, a par da dessacralização pós-moderna de que o autor se utiliza com lúcida estratégia, permanecem momentos de arrebatada grandeza.


Seda, de Alessandro Baricco (Trad. Elia Ferreira Edel) - Rocco, 1997, 103 páginas.

Para Saber Mais:

Alessandro Baricco

Nascido em Turim, em 1958, Alessandro Baricco estreou na literatura aos 33 anos e recebeu vários prêmios internacionais, principalmente por suas obras Oceanomar e Seda. Sucesso de crítica e público, sua obra é chamada na Europa de "pós-moderna" - uma expressão, um conceito com múltiplas interpretações e, talvez, pequena para um autor que já demarcou um espaço digno no universo da literatura mundial. Além de Seda, escreveu também Mundos de vidro, Novecentos e City, todos publicados pela Rocco.


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segunda-feira, 16 de julho de 2007

POR QUE AS LETRAS NO TECLADO NÃO SEGUEM A ORDEM ALFABÉTICA?



Acredite se quiser, mas o teclado que usamos hoje conhecido como QWERTY (por causa das seis primeiras letras na fileira superior, na mão esquerda) foi escolhido por tornar a digitação mais lenta. Isso aconteceu porque as primeiras máquinas, de tecnologia rudimentar, travavam os tipos quando a datilografia era muito rápida. Quando o impressor americano Christopher Latham Sholes (1819-1890) inventou a máquina de escrever, em 1868, tentou ordenar as letras em ordem alfabética como acontece na segunda fileira, onde temos uma seqüência quase completa: DFGHJKL. As mudanças de posição foram feitas para forçar o datilógrafo a bater as teclas numa velocidade adequada, sem embaralhar os tipos. Por isso, o E e o I, duas das letras mais freqüentes na língua inglesa, foram retiradas da segunda fileira, a mais acessível. A letra A, outra das mais comuns, ficou relegada ao dedo mínimo esquerdo, o menos hábil de todos.

Em 1932, depois de 20 anos de estudo, August Dvorak, também americano, criou o teclado que leva o seu nome, extremamente eficiente para língua inglesa: 3 000 palavras podem ser escritas com as letras da fileira principal (contra 50 no teclado QWERTY) e a mão direita é a mais usada. Alguns fabricantes chegaram a realizar competições entre os dois teclados para determinar qual era o melhor. Infelizmente, o datilógrafo que usou o QWERTY havia memorizado o teclado inteiro, enquanto o outro ainda catava milho. Por conta disso, o QWERTY acabou se tornando padrão industrial e assim permanece até hoje.

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domingo, 15 de julho de 2007

Chico Buarque - Entrevista concedida a Veja (15/09/1971), , na época em que o compositor enfrentava problemas com a censura.- Final


Veja - Mas não são exatamente esses os sambas chamados de típico Chico Buarque?
CHICO - Esse é o típico Chico Buarque que eles chamavam de novo Noel. Quer dizer, às vezes a gente pensa que é uma coisa e é outra. É o tal negócio do id, do ego. Eu não posso brigar contra essa imagem. Se eles acham que eu sou o cara que fez A Rita, então vai ver que sou. Mas eu, me vendo de fora, sou mais o cara que fiz o 0lê, Olá ou o Pedro Pedreiro. Acho que uma coisa completa a outra. Adoro esse meu lado lírico de Benvinda. Sei que sou eu mesmo, sem afetação e sem querer fazer graça. E no Pedro Pedreiro, que é completamente diferente, também sou. Já em outras coisas estou fazendo graça, mas acho que faz parte também porque sou um cara bem-humorado.

Veja - Que diferença faz no seu processo de composição trabalhar para alguém, como foi o caso do Mário Reis, ou com parceiros, o Tom, o Vinicius ou a trilha de Vida e Morte Severina?
CHICO - Nesses casos é sempre um trabalho mais disciplinado. Com o Mário Reis, por exemplo, foi assim: eu já conhecia o Mário desde a época da Banda. Quando fui apresentado a ele prometi que faria uma música inédita para ele gravar. Ele resolveu voltar a cantar, me procurou e cobrou a promessa. Para fazer a Bôlsa de Amôres, eu peguei uns discos velhos do Mário que eu sempre ouvi em casa e escutei tudo de novo. Aquelas coisas de Moreninha da Praia/ que anda sem meia, durante o verão. Eu notei que tinha aquele tipo de música que falava na moda da época. Então eu procurei uma moda atual a bolsa de valores e resolvi fazer uma brincadeira, a coisa mais inofensiva. Agora, a Banda, que ele também gravou, parece que foi feita para ele. Eu nem agüentava mais escutar, mas o Mário mudou tudo. Vai ver que eu fiz a Banda para ele e não me lembro... Já o Vida e Morte Severina foi um trabalho de equipe, eu ouvi o palpite de todo mundo, me imbuía do espírito do espetáculo. Foi um trabalho diferente, de fazer música para verso, que nunca mais eu fiz. Sempre faço mais verso para música, porque acho que tenho mais habilidade com as palavras, sou mais técnico, conheço mais a gramática que a teoria musical.

Veja - Você aprendeu música?
CHICO - Tomei umas aulas com a Vilma Graça. Sei escrever uma música, não sendo muito complicada. Sei ler, solfejar, muito devagar, mas sei. Já com palavras eu sei mexer, sei a métrica do negócio. Sei fazer a cor da palavra com mais facilidade. A música eu adivinho o colorido. E a letra não precisa adivinhar, se for preciso eu procuro no dicionário. Com a música, não. Se eu procurar muito, não chego a lugar nenhum. Ela vem ou não vem.

Veja - Mas em suas últimas músicas parece que houve uma evolução de harmonia, melodias mais elaboradas.
CHICO - Sem modéstia, acho que tenho progredido. Mas não foi no aprendizado normal. Meu estudo de música tinha chegado a um ponto que eu ia partir para fazer arranjo, porque para composição o que sei praticamente me basta. Se eu tivesse coragem, aprendia piano, porque o violão é meio limitado.

Veja - É a habilidade técnica com a palavra que explica expressões populares como acabou-se o que era doce etecétera e tal, usadas em suas músicas?
CHICO - Não sei, não. Vai aparecendo. Normalmente acontece isso porque a música começa a tomar um caminho muito... talvez eu tenha medo de ir até o fim das coisas e ponha isso para colorir. Acho que é para isso mesmo, colorir, familiarizar. Mas isso não é muito consciente, não. É difícil pegar as músicas feitas e depois buscar o porquê eu fiz isto ou aquilo. Depois que a música está gravada, eu não ouço. Este último disco que
gravei nunca ouvi.

Veja - Você tem os seus discos?
CHICO - Tenho, mas não todos. Tenho uns aí que eu guardo, porque talvez mais tarde eu posso querer ouvir e vai ser chato não ter. O Apesar de Você, por exemplo, não tenho e não vou ter mais. Mas, ouvir mesmo, eu não ouço. Depois de gravar, no estúdio, parece que perde o encanto. Parece que ela acabou de ser entregue: está feita, está gravada, saio do estúdio e parto para outra. Nesse caso, sou péssimo profissional como cantor. Mas, como compositor, acho que é uma reação lógica.

Veja - Com pouco mais de um ano de lançamento, o Museu da Imagem e do Som gravou seu depoimento, você era apontado como unanimidade. Mas, quando foi para a Itália, de certa forma você estava começando a ser contestado nessa posição, com os tropicalistas discordando de seu trabalho...
CHICO - É justamente isso. As coisas daquela época... Aliás, em geral, tenho muita vergonha do que aconteceu, das capas de revistas... Meu trabalho agora é todo outro. Porque, é claro, eu estava começando e de repente me apresentavam como unanimidade. Fiquei conhecendo uma porção de gente, convivendo com pessoas que admirava. Estava sendo levado um pouco por isso, você entende? Chega uma hora que você percebe que é um perigo esse negócio de unanimidade. Porque não há unanimidade que resista muito tempo e aceitá-la é perigoso. Por isso, acho que fiz bem com a peça Roda-Viva: antes que brigassem com o Chico, já briguei com ele. O mais perigoso é que eu acoitava quando o Nelson Rodrigues falava bem de mim no jornal, o Ibrahim Sued, um cara desses. O que eu devia fazer era pensar: bem, alguma coisa deve estar errada. Sabia que pensava completamente diferente deles, mas eles gostarem de mim não me incomodava como deveria incomodar. Então, na época eu levei umas pancadas, e foi bom levar. Mas acredito que a maioria vinda de mau jeito, entende? Mas não guardo rancor. E agora sei onde estou pisando. Quanto àquela briga - nem foi briga, foi uma discordância com os tropicalistas, acho que foi uma questão de desencontro puro. Eu tinha toda condição de estar dialogando com eles.

Veja - É que, de certa forma, você representava um status que precisava ser contestado.
CHICO - Sob esse aspecto entendo e concordo, e acho que foi ótimo isso para mim. Principalmente porque estou lavado, tranqüilo comigo. Eu tinha idéias no sentido do tropicalismo e estava de acordo. Só não fui procurado porque, sem querer, representava um troço chato, talvez por causa da correria toda. Falta de tempo mesmo. Mas o que eu estava fazendo ali no momento era música e ainda não aceito muito o tipo de restrição que fizeram, porque de certa forma teve uma conotação pessoal. Foi uma pancada meio forte.

Veja - Num determinado momento você ficou na posição de Pelé, Roberto Carlos, era homenageado no Paraná, cidadão paulistano...
CHICO - É... estou lembrando aos poucos... Pois é...

Veja - E hoje você saiu do alvo central?
CHICO - Completamente. Inclusive... fico com medo de a coisa ficar muito pessoal, e depois ficar com vergonha de novo. Mas hoje eu tenho um certo equilíbrio financeiro, vamos dizer, que me permite, por enquanto, não ser homenageado. Naquela época não tinha muito como optar. E não é bem que estava deslumbrado com o sucesso - mas é quase isso. Estava achando divertido, tudo muito fácil. Fácil ganhar dinheiro, fazer sucesso. E isso tudo era muito perigoso.

Veja - Você colocava nome nas coisas, no violão, no gravador, no carro. Como é o nome deste violão?
CHICO - Essas coisas todas, não tenho mais nenhuma delas. Quando começaram com essas bobagens, começou a virar piada, ia no programa da Hebe Camargo e ela fazia contar, aí perdeu a graça. Torcer pro Fluminense já não torço mais. Quer dizer, é claro que eu torço, mas quando começam a falar de jovem Flu, futebol de botão, me dá um cansaço danado. Não jogo futebol há um tempão, no fundo mesmo, eu torço é para o Olaria.

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sábado, 14 de julho de 2007

Chico Buarque - Entrevista concedida a Veja (15/09/1971), , na época em que o compositor enfrentava problemas com a censura.- Partte 1



Veja - Criado mais ou menos vizinho da bossa-nova - inclusive com compositores freqüentando a sua casa, como é que você começou a se expressar mais pelo samba tradicional?
CHICO - Quando eu comecei, antes de Pedro Pedreiro e Sonho de um Carnaval, fiz vários sambas que eram imitação, ou eram bossa-nova. Mas quando fiz meus sambões, isso não coincidiu com a bossa-nova e sim com uma época posterior, o tempo dos sambões pra fora, da Baden e do Vinicius, a fase da Nara no Opinião. A partir da música que fiz para a peça Vida e Morte Severina foi que comecei uma coisa minha mesmo. Alguns sambas fizeram sucesso e ficou essa coisa de dizerem que só faço samba. Isso me atrapalha um pouco, inclusive. Quem te Viu, Quem te Vê, por exemplo, é um sambão tipo Ataulfo Alves, tipo Noel Rosa, A Rita era um samba noelesco e Juca era coisa que eu fiz meio ao gênero.

Veja - Mas o que marcou mais foram exatamente as que não eram bossa-nova.
CHICO - Eu sei. Mas não dependeu de mim, nem eu fiz porque optava. Entre as coisas que eu fazia, estavam algumas que eu ouvia na época, tipo Formosa, Consolação. E as minhas músicas aconteceram porque aquele negócio estava em voga. E eu fiz não por causa do sucesso, mas porque gostava. Como até hoje gosto de Noel, do Tom e de Baden, coisas completamente diferentes - e o Vinicius de Moraes, então, nem se fala.

Veja - Você nunca se interessou pela música estrangeira?
CHICO - Claro. Tem muita música que eu sei a melodia e a letra inteira, sei cantar tudo... O conjunto The Platters, eu era vidrado neles. Lembro que eu entrava no primeiro juke box que apareceu na rua Augusta e botava The Platters cantando Smoke Gets in Your Eyes, o Pat Boone... Eu sei que eu tenho esta carga. Tudo isso existe, e porque não passou, eu não sei. Se isso transparecer algum dia na minha música não é por acaso. É porque está lá dentro.

Veja - Por que você escolheu o violão como instrumento para compor?
CHICO - Por causa do João Gilberto, da bossa-nova. Eu já cantava, minha irmã tocava violão, isso antes de compor. Antes da bossa-nova eu fazia músicas de carnaval, mas, quando ela apareceu, me pegou assim páaaa... Me lembro que ouvia Chega de Saudade a tarde inteira, umas cinqüenta vezes seguidas. Aí pegava o violão - eu e um amigo que tocava bateria, o Oliver - e a gente tentava pegar as batidas do João. E é por isso que eu toco violão errado até hoje: eu comecei a aprender não foi nem de olho.

Veja - Entre suas músicas existem toadas, sambas, marchas, canções: como é que você sente o ritmo enquanto está compondo?
CHICO - Acho que cada música tem seu ritmo. Ela nasce com ele. Às vezes acontece de eu fazer a coisa num ritmo e depois mudar. Não é eu hoje vou fazer tal ritmo.

Veja - O ponto de partida é uma idéia poética ou musical?
CHICO - Às vezes eu parto da idéia musical. Aí as coisas se fundem. Às vezes a idéia musical sugere uma letra, que condiciona a própria música e o ritmo, num negócio que não estava previsto. Não é que a letra puxe a música. Uma puxa a outra, e o ritmo vai. Normalmente ele nasce de um jeito: eu tenho mais predisposição para tocar samba, eu pego um violão e automaticamente sai samba. Agora, se a idéia da música ou da letra puxar para outro negócio, eu vou. Nada me segura, não. Varia muito. Não vai dar para colocar na entrevista, mas eu fiz um negócio assim no violão... (Pega o violão e repete duas notas tocadas rapidamente num só acorde.) Desta vez, isso aqui nasceu antes e não é samba nem nada. Aí veio a idéia da letra, que me fez fazer outro acorde e isso me deu a dimensão da música, o tamanho dos versos. Fiz, também há poucos dias, um samba, que a idéia da letra nasceu toda antes. No começo, eu não sabia que ritmo devia colocar mas depois descobri que era samba mesmo.

Veja - Como se chamam as duas músicas?
CHICO - A que eu fiz brincando é Deus lhe Pague. Mas essa por enquanto está censurada. A outra, que se chama Construção, não foi censurada. Em termos de composição, eu estou num embalo muito bom, fazendo muita coisa, preparando meu disco. O problema é que estou com um medo danado de mandar músicas novas para a Censura, porque a proporção está: de cada três músicas, liberam uma.

Veja - Como é que isso está se refletindo no seu trabalho?
CHICO - É claro que cheguei à auto-censura. Mas, dentro desse limite que já me coloquei, eu acho que ainda tenho campo para fazer o negócio. Esse tipo de música que eu tenho feito, que para mim é uma coisa nova, é a razão de ser de fazer um disco novo. Elas estão dentro de limites que eu acho que no espírito da Censura podem passar. Agora, se eles me fizerem recuar mais ainda, eu paro. Quando eu mando três músicas para a Censura e me liberam uma, essa não me dá vontade de gravar. Não é só o problema de ter que fazer 36 músicas para completar um LP o que dá um trabalhão. É que vai ficar uma visão mutilada e o que me interessa realmente é mandar o recado inteiro.

Veja - Com todas essas restrições, qual é o seu campo de trabalho hoje?
CHICO - Tenho feito shows, durante e depois do sucesso de Apesar de Você. Mas com a Censura a coisa acaba, porque a gente se apresenta em cima de um sucesso e sem sucesso não tem muito o que fazer.

Veja - A Itália também está nos seus planos?
CHICO - Tenho um contrato com a RCA italiana para ficar três meses por ano lá. Vigorou a partir de 1969 e este ano inclusive era o último do contrato, quando ele seria renovado ou não. O contrato é feito na base de estar presente, senão eu gravava um disco aqui e mandava para lá. A ida este ano seria para gravar um terceiro LP e promover o disco. Com o show do Canecão acho que não vai dar para ir lá este ano.

Veja - Esse esquema já é em torno de seu nome na Itália ou ainda do sucesso da Banda?
CHICO - Depois da Banda, meu primeiro disco lá, o Bom Tempo, em italiano, também fez um relativo sucesso. Mas o LP que eu fiz agora - o mais bonito de todos - acho que não fez muito sucesso, não. Para uma certa elite, entre os músicos, a música brasileira é muito respeitada, mas não é popular.

Veja - Mas o sucesso não dava para você se manter como um artista médio?
CHICO - Eu estava me mantendo na Itália. E sei que, se eu for para lá, me mantenho, mas tenho que estar lá e trabalhando. O artista médio de lá vai em todos os programas de televisão, dá entrevista a todas as revistas e eu não estou mais a fim disso, não. Acho que foi bom estar lá.

Veja - Quando você voltou da Itália sentiu alguma mudança na música brasileira?
CHICO - Para mim foi a quebra daquela fase dos musicais da Record. Mas acho que aquilo foi uma época excepcional. O mercado ficou meio parecido com o da Itália: quando fui daqui para lá senti uma diferença enorme. Na volta já não havia tanta diferença. A conversa é nos termos do isso vai funcionar, isto não vai. As pessoas sabem as cifras exatas, os cachês.

Veja - Seu LP
CHICO Buarque de Hollanda, Volume IV, gravado depois que você veio da Itália, tem alguma mudança? Rosa dos Ventos, por exemplo, parece ser um caminho diferente. Rosa dos Ventos talvez não seja o caminho. É uma música meio confusa, que hoje eu faria de um modo diferente, mais simples. É um disco de transição.

Veja - A transição está em quê?
CHICO - Em tudo. No clima, mesmo. Fiz aquele disco na Itália, na época que eu estava mais atrapalhado, com mil problemas na cabeça. Não é um disco fechado, completo, é cheio de brechas. Agora, eu acho que peguei claramente o caminho que estava querendo em algumas músicas daquele disco. Ao mesmo tempo tem músicas de que eu gosto muito, independente de antes ou depois: Nicanor, Samba e Amor. Por outro lado, o samba, para o Cyro Monteiro (Ilmo. Sr. Cyro Monteiro) é uma brincadeira como foi o Juca e como foi esse samba para o Mário Reis.

Veja - Você separa um lado seu com coisas mais leves? Um tronco central e afluentes?
CHICO - Esse tronco central é meio torto, passa por variações. Essas ramificações, tipo o samba do Cyro, o do Mário Reis, Juca, A Rita, não têm nada a ver com meu caminho. São ramificações independentes. Eu podia ter feito A Rita hoje e o samba do Mário há cinco anos. Aquilo é um pouco Noel Rosa, de ouvir muito Noel Rosa.

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sexta-feira, 13 de julho de 2007

Pau no Nome!


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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Salmão grelhado com molho de tâmara


Ingredientes:

3 colheres (sopa) de manteiga

2 colheres (chá) de açúcar

10 tâmaras médias sem caroço em pedaços bem pequenos

4 colheres (sopa) de vinagre de maçã

2 colheres (sopa) de azeite de oliva

12 minimedalhões de salmão (cerca de 400 g no total)

sal e pimenta-da-jamaica em pó a gosto


Modo de Preparo:

Leve ao fogo uma panela com a manteiga e o açúcar e cozinhe, mexendo de vez em quando, por 2 minutos.

Junte as tâmaras, o vinagre e 1/2 xícara (chá) de água.

Cozinhe, mexendo de vez em quando, por 7 minutos, ou até encorpar um pouco.

Retire do fogo e reserve.

Aqueça o azeite de oliva numa frigideira grande, disponha os medalhões e grelhe-os por 1 minuto de cada lado.

Tempere com sal e pimenta-da-jamaica e retire do fogo.

Distribua os medalhões em pratos, regue com o molho e, se preferir, decore com tâmara e cebolinha verde.

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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Filosofia: Metafísica

Metafísica é ramo da filosofia que trata da natureza da realidade última. Está dividida em ontologia, que trata dos inúmeros tipos fundamentais de entidades que compõem o universo, e a metafísica propriamente dita, que se preocupa com a apreensão dos traços mais gerais da realidade. Esta última pode atingir um alto grau de abstração. A ontologia, ao contrário, está mais relacionada com o plano físico da experiência humana.

Acredita-se que o termo metafísica tenha sido utilizado pela primeira vez por Andrônico de Rodes. Na adaptação que fez das obras de Aristóteles, ao tratado chamado Filosofia primeira ou Teologia seguia-se o tratado de Física. Segundo ele, a referida Filosofia ficou conhecida como met(ta)-physica, ou seja, ‘além da física’. Os temas tratados na Metafísica de Aristóteles (substância, causalidade, natureza do ser e existência de Deus) estabeleceram o conteúdo da especulação metafísica ao longo de séculos.

Bem antes da época de Kant, esta disciplina se caracterizava por uma tendência a elaborar teorias fundamentadas do conhecimento a priori, o saber que vem apenas da razão. Esta corrente é conhecida como racionalismo e pode ser subdividida em monismo e dualismo. Entre os representantes do primeiro, encontram-se George Berkeley, Thomas Hobbes e Baruch Spinoza. O representante mais conhecido do dualismo é René Descartes. Outros filósofos têm afirmado que o conhecimento da realidade só pode ser obtido a partir da experiência. Este tipo de metafísica chama-se empirismo. A crença de que o conhecimento é apenas um reflexo das percepções humanas denomina-se ceticismo ou agnosticismo em relação à alma humana e à realidade de Deus.

Immanuel Kant elaborou uma filosofia crítica diferente, chamada transcendentalismo. Seu pensamento é agnóstico, porque nega a possibilidade de um conhecimento exato da realidade última; é empírico, na medida em que afirma que todo conhecimento surge da experiência e é objeto de uma experiência real e possível; e é racionalista enquanto mantém o caráter apriorístico dos princípios estruturais deste conhecimento empírico.

Alguns dos seguidores mais importantes de Kant, especialmente Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Schelling e Georg Wilhelm Friedrich Hegel, desenvolveram um idealismo absoluto, a partir do qual surgiriam múltiplas teorias metafísicas. Entre elas, cabe ressaltar o empirismo radical ou pragmatismo; o voluntarismo, representado por Arthur Schopenhauer e por Josiah Royce; o positivismo da obra de Auguste Comte e de Herbert Spencer; a evolução emergente, proposta por Henri Bergson; e a filosofia do organicismo, elaborada por Alfred North Whitehead.
No século XX, a validade do pensamento metafísico foi discutida pelos positivistas lógicos e pelo chamado materialismo dialético dos marxistas. O existencialismo deu um novo impulso à reflexão sobre o ser.

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terça-feira, 10 de julho de 2007

Dica de Português: Um caso para não usar vírgula

As expectativas de inflação recuaram bastante para 2006, e ainda devem recuar mais.

O problema pode ser resumido da seguinte forma: orações com mesmo sujeito e ligadas pela conjunção "e" não levam vírgula.
Dois exemplos do noticiário:
- Olívio Dutra cresce cinco pontos e (Olívio Dutra) empata com Rigotto
- Muçulmanos protestam e (muçulmanos) exigem desculpas do papa

Como as duas orações têm o mesmo sujeito, não se usa a vírgula para separá-las.

O mesmo deveria ocorrer na frase que abre a postagem:
- As expectativas de inflação recuaram bastante para 2006 e ainda devem recuar mais.

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segunda-feira, 9 de julho de 2007

Cidades Brasileiras: Belo Horizonte/MG.

Cidade do sudeste do Brasil, capital do estado de Minas Gerais. Importante centro industrial, administrativo e cultural de uma extensa região rica em ferro, ouro, manganês, níquel e pedras preciosas. Suas indústrias produzem ferro, aço, metais refinados, produtos têxteis e quipamento para transporte.

Belo Horizonte foi projetada sobre três amplas avenidas alinhadas que se estendem a partir de um enorme parque, e segundo o plano original deveria manter-se dentro dos limites de uma cidade de porte médio. No entanto, o crescimento econômico, a partir do desenvolvimento da indústria siderúrgica, atraiu contingentes de pessoas do interior que foram ocupando desordenadamente áreas não previstas no plano urbanístico.

Em consequência, se produziu um processo de conurbação que foi incluindo progressivamente na região metropolitana 14 municípios, entre os quais se contam Betim, Contagem, Lagoa Santa, Sabará e Nova Lima, que tem uma das minas de ouro mais profundas do mundo. O novo surto de industrialização ligado à fabricação de automóveis produziu novos bairros, tanto industriais como residenciais.

A cidade, que possui um dos maiores estádios de futebol do país, é sede da Universidade Federal de Minas Gerais (1927), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1958) e de uma Escola de Belas Artes (1954). No bairro da Pampulha encontra-se a capela de São Francisco, projetada por Oscar Niemeyer, que contém quadros do artista brasileiro Cândido Portinari.
A cidade foi fundada em 1895 e substituiu Ouro Preto como capital do estado em 1897. Junto com Teresina, Aracaju, Goiânia e Palmas, pertence ao número de cidades especialmente projetadas para servirem como capitais dos seus estados, em locais definidos por sua melhor situação geopolítica.

População (segundo estimativas de 1996), 2.091.770 habitantes.

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domingo, 8 de julho de 2007

Dúvidas Lusitanas - Final
















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sábado, 7 de julho de 2007

Dúvidas Lusitanas - Parte 1






















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sexta-feira, 6 de julho de 2007

Quadrilhas de canalhas

Está com medo de tornar-se doméstica ou prostituta? Bata em pobres, índios e putas

É um mundo em que a permissividade é o melhor remédio contra a inevitável insegurança social. Nesse mundo, os pais fazem qualquer coisa para que seus rebentos acreditem gozar de um privilégio absoluto; esse é o jeito que os adultos encontram para acalmar sua própria insegurança, para se convencer de que eles mesmos gozam de privilégios garantidos e incontestáveis. Nesse mundo, aos inseguros não basta ser cliente, é preciso que eles sejam clientes especiais.

Uma classe média insegura é o reservatório em que os fascismos sempre procuraram seus canalhas. Você está com medo de perder seu lugar e, de um dia para o outro, tornar-se índio, mendigo ou empregada doméstica? Pois é, pode bater neles e encontrará assim a confortável certeza de seu status. Aos inseguros em seu desejo sexual, aos mais apavorados com a idéia de sua impotência ou de sua "bichice", é proposto um remédio análogo. Você provará ser "macho" batendo em "veados" e prostitutas.

Há mais um detalhe: a inteligência humana tem limites, a estupidez não tem. Essa diferença aparece sobretudo no comportamento de grupo. Imaginemos que a gente possa dar um valor numérico à inteligência e à estupidez. E suponhamos que o valor médio seja dois. Pois bem, três sujeitos mediamente inteligentes, uma vez agrupados, terão inteligência seis. Com a estupidez, a coisa não funciona assim: a estupidez cresce exponencialmente. A soma de três estúpidos não é estupidez seis, mas estupidez oito (dois vezes dois, vezes dois). Quatro estúpidos: estupidez 16. Cinco: estupidez 32.

Curiosamente, essa regra vale até chegar, mais ou menos, a um grupo de dez. Aí a coisa tranca: a partir de dez, torna-se mais provável que haja alguém para discordar da boçalidade ambiente. Não porque, entre dez, haveria necessariamente um herói ou um sábio, mas porque, num grupo de dez, quem se opõe conta com a séria possibilidade de que, no grupo, haja ao menos um outro para se opor junto com ele.

Esse funcionamento, por sua vez, decai quando o grupo se torna massa. É difícil dizer a partir de quantos membros isso acontece, mas não é preciso que sejam muitos: um grupo de linchamento, por exemplo, pode desenvolver toda sua estupidez coletiva com 20 ou 30 membros.

Em alguns Estados dos EUA, é permitido dirigir a partir dos 16 anos. Mas, em muitos condados desses Estados, vige uma lei pela qual um jovem, até aos 21 anos, só pode dirigir se houver um adulto no carro. Pouco importa que esse adulto seja habilitado a se servir de um carro. O problema não é a perícia do motorista, mas o fato estatístico de que três, quatro ou cinco jovens num mesmo carro constituem um perigo para eles mesmos e para os outros: o grupo de "amigos" potencializa a estupidez de cada um, muito mais do que sua inteligência. Talvez seja por isso, aliás, que, para o legislador, a formação de quadrilha é um crime em si.

Qualquer pai de adolescente reza ou deveria rezar para que seu filho encontre rapidamente uma namorada e passe a sair na noite com ela, não com a turma dos amigos. Pois a turma é parente da gangue.

Como se sabe, o pai de um dos cinco jovens que, na madrugada do dia 23 de junho, na Barra da Tijuca, espancaram Sirlei Dias de Carvalho Pinto, comentou, defendendo o filho: "Prender, botar preso junto com outros bandidos? Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses?". É o desespero de quem sente seu privilégio ameaçado: como assim, tratar a gente como qualquer um?

Não éramos "clientes especiais"?

Mas as frases revelam também a distância entre o filho que o pai conhece em casa (o filho que teria "caráter") e o filho que se revela na ação do grupinho (esse filho não tem "caráter" algum).
O que precede poderia ser entendido como uma atenuante, tipo: eles agiram assim não por serem canalhas, mas por estarem em grupo. Ora, cuidado: o grupo não produz, ele REVELA os canalhas.

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Estudo sugere que meditação pode ajudar a treinar atenção

Na meditação, as pessoas ficam sentadas em silêncio e se concentram em sua respiração. Enquanto o ar entra e sai de suas narinas, elas acompanham cada sensação. Quando pensamentos espontâneos vêm à mente, elas não lhes dão atenção.

Segundo um estudo publicado na edição online da revista "PloS Biology", três meses de treinamento rigoroso neste tipo de meditação leva a uma profunda mudança na forma como o cérebro aloca a atenção.

Parece que a capacidade de se livrar dos pensamentos que surgem à mente liberta o cérebro para cuidar de eventos e coisas que estão mudando mais rapidamente no mundo ao seu redor, disse o principal autor do estudo, Richard Davidson, um professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Wisconsin, em Madison. Meditadores experientes, ele disse, são mais bem capacitados do que outras pessoas na detecção de estímulos que estão mudando rapidamente, como expressões faciais emocionais.

Ron Mangun, diretor do Centro para a Mente e Cérebro da Universidade da Califórnia, em Davis, que não esteve envolvido no estudo, chamou a conclusão de empolgante. "Ela fornece evidência neurocientífica para mudanças no funcionamento do cérebro com treinamento mental, neste caso a meditação", ele disse. "Nós sabemos que podemos aprender e melhorar a habilidade em todo tipo de prática, de dirigir a tocar piano. Mas demonstrar isto no contexto da meditação é interessante e novo."

Pesquisa recente mostrou que a meditação é boa para o cérebro. Ela parece aumentar a matéria cinzenta, melhorar o sistema imunológico, reduzir o estresse e promover uma sensação de bem-estar. Mas Davidson disse que este foi o primeiro estudo a examinar como a meditação afeta a atenção.

O estudo explorou um fenômeno do cérebro chamado "attentional blink". Digamos que fotos de um cão São Bernardo e de um Terrier são exibidas de relance diante dos olhos de alguém em um intervalo de meio segundo, inseridas em uma série de 20 imagens de gatos. Em tal seqüência, a maioria das pessoas deixa de ver o segundo cão. Seus cérebros "piscaram" (blinked).

Os cientistas explicaram esta cegueira como uma alocação errada de atenção. As coisas estão acontecendo rápido demais para o cérebro detectar o segundo estímulo. A consciência é de alguma forma suprimida.

Mas o piscar não é um gargalo inevitável, disse Davidson. A maioria das pessoas consegue identificar o segundo alvo algumas vezes. Assim, pode ser possível exercer algum controle, que não precisa ser voluntário, sobre a alocação de atenção.

No estudo, 17 voluntários sem experiência em meditação passaram três meses na Insight Meditation Society, em Barre, Massachusetts, meditando de 10 a 12 horas por dia. Um grupo novato de controle meditava 20 minutos por dia ao longo do mesmo período.

Ambos os grupos foram submetidos ao teste de "attentional blink" com dois números inseridos em uma seqüência de letras. Enquanto ambos os grupos procuravam os números, a atividade cerebral deles era gravada com eletrodos colocados no couro cabeludo.

Todos conseguiam detectar o primeiro número, disse Davidson. Mas os registros do cérebro mostravam que meditadores menos experientes tendiam a perceber o primeiro número e se agarrar a ele, de forma que perdiam o segundo número. Aqueles com mais experiência dedicavam menos atenção ao primeiro número, como se não se agarrassem a ele. Isto levou a uma maior habilidade de perceber o segundo número.

O "attentional blink" era considerado como uma propriedade fixa do sistema nervoso, disse Davidson. Mas este estudo mostra que ele pode mudar com a prática. A atenção é uma habilidade flexível, que pode ser treinada.

Pergunte a Daniel Levison, um pesquisador do departamento de psicologia da Universidade de Wisconsin, que meditou por três meses como parte do estudo. "Eu me tornei um ouvinte muito melhor", ele disse. "Eu não me perco na minha reação pessoal ao que as pessoas estão dizendo."

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