quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Reflexão


"Quando você não está bem, nem o que é bom presta..."
Ivan

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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Fenomenologia

Fenomenologia é o movimento filosófico do século XX. Seu iniciador, Edmund Husserl, definiu-o como o estudo das estruturas da consciência, capaz de capacitar esta consciência de conhecimento para se referir aos objetos situados fora de si mesma. Este estudo requer uma reflexão sobre os conteúdos da mente para excluir o desnecessário, atitude denominada “redução fenomenológica”. Segundo a fenomenologia, a mente pode se dirigir ao não existente e a objetos reais. Husserl advertiu que a reflexão fenomenológica não pressupõe que algo exista materialmente. O que equivale, segundo palavras de Edmund Husserl, a “pôr entre parênteses a existência”.

Martin Heidegger, colega de Husserl, proclamou que a fenomenología deve manifestar o que estiver oculto na experiência diária. Jean-Paul Sartre adaptou a fenomenologia de Heidegger à filosofia da consciência, recobrando, assim, os ensinamentos de Husserl. Maurice Merleau-Ponty rejeitou a possibilidade de situar a experiência do homem perplexo diante da consciência de ser.


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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

O significado das cores verde-amarelo

As cores da bandeira do Brasil são: branco, azul, verde e amarelo. Estas duas últimas são as preferidas para representar nosso país. O significado das cores verde-amarelo é altamente benéfico: o verde é o símbolo da esperança e o amarelo da agilidade.

Verde: essa cor está situada entre o azul e o amarelo. Ela é yin, e remete a idéia de tranqüilidade, refrescância e humanidade. O verde é a cor da esperança, da força e da longevidade.

Envolvente, refrescante e tonificante, a cor verde é celebrada pelos cristãos nos monumentos religiosos simbolizando a virtude. É a cor da juventude do mundo, da juventude eterna prometida apenas para os eleitos.

O verde tem como função esotérica a reflexão. Está ligada a vida infinita dos sentimentos e pensamentos. Também representa a imortalidade. Por isso, a toga dos médicos era verde na Idade Média, pois estes se utilizavam das plantas medicinais. A cor verde é usada pela publicidade farmacêutica para promover a idéia do bem-estar e saúde.

Amarelo: essa cor representa a intensidade, a expansão, a rapidez e a inteligência. O amarelo manifesta o poder das divindades do além. Está relacionada ao aspecto masculino (yang), luz e vida.

Essa cor tem uma tendência natural de ir ao encontro do “claro”, da luz. É considerada como um veículo para obtenção da sabedoria e inteligência. Além disso, propicia vigor e a proteção dos céus.

Está ligada à eternidade divina e há muitos séculos é associada “a cor de muitos deuses”. Também remete a idéia da “luz do ouro” e do caminho da comunicação ágil entre os seres humanos.

No oriente, a cor amarela é uma espécie de mediadora entre deuses e homens. Como sua essência é divina, tornam-se um atributo de poder para reis, príncipes e imperadores para proclamarem a origem divina do seu poder. O amarelo é a cor da eternidade, assim como o ouro é o metal da eternidade.

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domingo, 25 de fevereiro de 2007

A TERRA VIVE - FINAL

A descoberta de que há mil e uma maneiras pelas quais a vida mexe com o ambiente não transforma automaticamente qualquer cientista em adepto das idéias de Lovelock. James Kirchner, da Universidade da Califórnia, por exemplo, não aceita a noção da Terra como um organismo vivo e auto-regulador. Para ele, isso é mais poesia do que ciência. Seu colega James Kasting, da NASA, acredita que a biosfera, o conjunto dos seres vivos, é um dos fatores que afetam a composição da atmosfera, dos continentes e oceanos. Mas não existe, segundo ele, nenhuma razão para acreditar que a biosfera controla todo o sistema terrestre.
No Brasil, essa polêmica praticamente ainda não chegou ao conhecimento da maioria dos pesquisadores. Mas existem aqui idéias que têm muito a ver com a questão. O geofísico nuclear Ênio Bueno Pereira, especialista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em radiatividade atmosférica, acredita que a Terra poderia semear vida em outros planetas. E pergunta: "Não seria aconselhável começarmos a estudar essa possibilidade antes de a Terra esgotar seus recursos?" Sua proposta envolve questões bem mais delicadas do que à primeira vista os admiradores de aventuras espaciais poderiam esperar.
Existem microorganismos terrestres, encontrados no continente gelado da Antártida. que talvez pudessem sobreviver em Marte. Será que, como admite a hipótese Gaia, eles poderiam se espalhar, absorver a luz solar, aquecer o gelo e mudar a composição química da atmosfera marciana? Nem Lovelock tem uma resposta segura para isso. Mas o astrônomo Enos Picazzio, do grupo de Astrofísica do Sistema Solar da Universidade de São Paulo, é categórico: "Levar qualquer tipo de vida para fora só terá validade se for reproduzido um habitat semelhante ao da Terra. Caso contrário, o resultado é imprevisível".
A idéia da interdependência dos organismos vivos com o meio ambiente tem partidários de peso. Uma adepta é a bióloga Lynn Margulis, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, co - autora, com Lovelock, do livro Gaia-uma nova visão da vida na Terra, ainda não traduzido para o português. Ela escreveu também Microcosmos, em co - autoria com o filho Dorian Sagan, de seu casamento com o astrônomo Carl Sagan. A hipótese Gaia também agradou aos movimentos verdes e foi apropriada pela moda da New Age, uma mistura de propostas místicas com retorno à natureza, que tem se manifestado nos Estados Unidos.
Quando Lovelock formulou sua teoria pela primeira vez, foi ignorado pelas universidades. Mas isso já é história antiga. Recentemente, ele participou no Estado americano do Colorado de uma conferência da Associação Geofísica Americana, organizada especialmente para discutir a hipótese Gaia. Ali, Lovelock, junto com o climatologista Robert Charlsom da Universidade de Washington, apresentou um novo exemplo dessa ciranda vida-ambiente. Segundo afirmou, alguns tipos de plânctons sintetizam um composto químico chamado sulfeto de dimetila. O contato com o oxigênio do ar libera sulfato, uma partícula aerossol que serve como núcleo de condensação de nuvens sobre os oceanos. Como as nuvens são do tipo estratos - baixas e rasas -, não provocam chuvas, mas têm impacto sobre a temperatura da água ao refletir a radiação solar. Esse é um exemplo importante da influência dos organismos vivos sobre as nuvens. Mas daí a inferir que eles afetam a temperatura dos oceanos vai uma distância muito grande", afirma, cauteloso, o meteorologista da USP, Oswaldo Massambani, também especialista em nuvens.
Lovelock pode se orgulhar de ter conseguido uma proeza. Especialistas de várias áreas concordam em debater uma visão mais integrada e até mesmo ecológica do mundo. "A solução da crise ambiental requer um raciocínio científico diferente do que vínhamos seguindo até agora" propõe o professor José Galizia Tundizi, da Faculdade de Engenharia da USP em São Carlos, um entusiasta da nova tendência.
Tundizi procurou colocar em prática suas idéias. Naturalista de formação, mas com mestrado em Oceanografia, doutorado em Botânica e livre-docência em Ecologia de Reservatórios, está atualmente empenhado em criar o primeiro curso no Brasil de Ciências Ambientais, em nível de pós-graduação, para diplomados de áreas diferentes. Segundo Tundizi, "o uso que os seres humanos fazem da água, ar, terra e florestas está conduzindo esses sistemas a um limite além do qual sofrerão prejuízos irreversíveis .
É possível, como pensam os mais otimistas, que, se a hipótese Gaia estiver correta, os organismos vivos acabarão ajudando a Terra a suportar, mediante uma lenta sucessão de ajustes, os efeitos da crise ambiental. Resta saber se, quando a Terra finalmente se recuperar, os seres humanos ainda estarão aqui para apreciar os resultados. "Gaia não é uma mãe cegamente apaixonada por seus filhos", adverte Lovelock. "Se algum deles lhe fizer mal, ela o eliminará sem dó nem piedade.'

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sábado, 24 de fevereiro de 2007

A TERRA VIVE - PARTE 1

Sempre se soube que o ambiente influi decisivamente sobre a vida na Terra. Agora, os cientistas sugerem o contrário: a Terra seria aquilo que a vida quer que ela seja. É a hipótese Gaia.

Desde 2 bilhões dos seus 4,5 bilhões de anos, a Terra contém um coquetel de água, gases, calor e minerais nas doses necessárias e suficientes para que a vida floresça em toda a sua esplêndida variedade. Isso pode ser considerado apenas uma felicíssima coincidência: a vida teria surgido e se desenvolvido neste relativamente pequeno planeta-o quinto em tamanho do sistema solar-e não em qualquer outro pela simples e boa razão de que aqui se encontra o mais confortável ambiente, se não do Universo inteiro, pelo menos deste canto do Cosmo. Mas pode ter acontecido também que, tendo se formado fortuitamente, os organismos vivos, com o passar dos milênios, acabaram tomando conta da casa terrestre, adaptando-a com tanta perfeição que ela se moldou à vontade de seus hóspedes.
Hoje, as dependências desta habitação chamada Terra abrigam seres tão diversos como bactérias e baleias, plânctons e pinheiros-além, é claro, dos presunçosos seres humanos, que se consideram o supra-sumo da criação e, por isso, os donos da casa. A idéia de que a vida é aquilo que a Terra Ihe permite ser é a versão convencional, que soa bem ao senso comum. Já a idéia de que a Terra é aquilo que a vida faz com ela parece uma extravagância. Mas tem sido ouvida com muita atenção por quem se interessa por esse tipo de assunto. "A Terra está viva", afirma o biólogo inglês James Lovelock, o primeiro a defender esse ponto de vista heterodoxo há quase vinte anos.
Cientista de muitos talentos, Lovelock acredita que cada componente da Terra funciona de forma tão integrada em relação aos demais e ao conjunto todo como os instrumentos de uma orquestra bem afinada. Ou, como ele gosta de dizer, citando o escocês James Hutton (1726 - 1797), considerado um dos países da moderna Geologia, "a Terra é um superorganismo que deveria ser estudado como um sistema completo, assim como os fisiologistas estudam todas as funções orgânicas do corpo humano". A soma total das partes vivas e inanimadas da Terra, Lovelock chamou Gaia, em homenagem à deusa grega cujo nome quer dizer Terra e da qual derivaram palavras como geografia e geologia.
Na realidade, não é nova a idéia da integração entre os organismos vivos e o meio ambiente. Afinal, a própria palavra ecologia foi criada já lá se vão 120 anos pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel (1834 - 1919). Ela vem do grego oikos (casa) e significa "saber da casa". Mas até recentemente essa integração era mal compreendida por causa da imprecisão dos conceitos e dos métodos de análise. Hoje se sabe que os mecanismos que agem sobre a Terra não podem ser alterados sem que se pague por isso um preço provavelmente muito alto em termos da própria continuidade da vida.
Por exemplo, pesquisa conjunta da agência espacial NASA com universidades americanas e instituições científicas brasileiras, realizada na Amazônia no ano passado, comprovou que o equilíbrio climático da região depende basicamente da floresta. Daí, a crescente e indiscriminada derrubada de árvores para a formação de pastagens tende a alterar o ciclo de renovação da água, ameaçando tornar caótico o regime de chuvas.
O pior é que as conseqüências desse processo de desertificação não deverão se limitar, a longo prazo, à área desmatada. A poluição, de seu lado. também pode estar destruindo as moléculas de ozônio da atmosfera, rompendo uma complexa teia de interdependências que existe há pelo menos 600 milhões de anos.
Formado por três átomos de oxigênio (O3), o ozônio começou a existir em quantidades consideráveis graças ao aparecimento dos organismos vivos que liberavam, através da fotossíntese, grandes quantidades de oxigênio na atmosfera. Desde então, a camada de ozônio a 15 mil metros acima da superfície terrestre não só ajuda a estabilizar a temperatura como impede a exposição direta dos seres vivos à radiação solar. Lovelock tem o privilégio de ter sido o primeiro cientista a detectar, em 1971, o acúmulo de moléculas do gás artificial clorofluorcarbono, que corrói o ozônio, na atmosfera. Inventor de numerosos equipamentos científicos, ele já aperfeiçoara, em 1957, um detector de elétrons que permitiria a identificação das moléculas.
Não foi a primeira vez que esse invento teve um papel importante na história da Ecologia. Em 1962, ele tinha servido para medir os dramáticos efeitos dos pesticidas sobre o solo, mostrados pela americana Rachel Carson no livro A primavera silenciosa, considerado um marco dos movimentos ambientais. Com esse currículo, não é de estranhar que Lovelock, aos 69 anos, seja um cientista diferente da maioria dos colegas. Biólogo de formação, prefere ser tratado como um estudioso de várias disciplinas-foi professor de Química e Cibernética em universidades inglesas e americanas. Atualmente, estabeleceu seu laboratório numa tranqüila vila no noroeste da Inglaterra, cercado de árvores que ele e sua família plantaram.
No final da década de 60, Lovelock foi convidado pela NASA para fazer parte do projeto que enviaria a sonda automática Viking a Marte. Ele deveria dizer como os pesquisadores poderiam identificar eventuais formas de vida naquele planeta. Lovelock comparou a atmosfera de Marte - equilibrada e quase toda composta de carbono-com a turbulenta e instável mistura gasosa da Terra. Concluiu dai que os organismos terrestres usam a atmosfera ao mesmo tempo como fonte de matéria-prima e depósito de elementos de que não necessitam.
Nem sempre foi assim. Ao se formar, há cerca de 4 bilhões e meio de anos, a atmosfera da Terra continha basicamente hidrogênio, amoníaco e metano. Não havia oxigênio livre. A temperatura do planeta exposto à radiação ultravioleta do Sol era extremamente elevada. Em suma, um ambiente incompatível com qualquer forma de vida. À medida que a Terra foi se resfriando, nos primeiros 2 bilhões de anos, o hidrogênio, muito leve, escapava da atmosfera, enquanto o dióxido de carbono e a água iam lentamente sendo liberados para a crosta terrestre pelos vulcões. Nessa fase, o carbono funcionou como um manto protetor que retinha o calor do Sol, sem o qual o planeta ficaria congelado Foi quando apareceram os seres vivos - e a aparência da Terra começou a mudar.
Outros planetas do sistema solar, como Marte ou Vênus, são mundos cuja base é muito semelhante à da Terra. Vênus, porém, está envolta numa densa atmosfera de dióxido de carbono, que eleva a temperatura na sua superfície a 400 graus centígrados. Marte, por sua vez, é um deserto gelado, tumultuado por tempestades de areia e coberto por uma fina camada de dióxido de carbono. Já a Terra tem um revestimento variado e - segundo a hipótese Gaia, de Lovelock - derivado das incontáveis formas de vida que abriga.
Toda essa vida é capaz de atividades fantásticas. O professor Walter Shearer, da Universidade das Nações Unidas, em Tóquio, calcula por exemplo que 100 bilhões de formigas na Amazônia liberam 55 mil toneladas de ácido fórmico por ano, que respondem por 25 por cento da acidez das chuvas que caem sobre a região. Gaia sugere outros raciocínios tão imaginativos como esse. O mesmo Shearer afirma que um inofensivo fungo que cresce nas raízes das árvores da Amazônia libera nada menos de 5 milhões de toneladas de clorocarbono por ano para a atmosfera.

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Túnel do Tempo (Há 10 Anos Atrás)

23.02.1997

Cientistas criam o primeiro clone de mamífero

Equipe liderada pelo embriologista Ian Wilmut, do Instituto Roslin, de Edimburgo (Escócia), anuncia sucesso da clonagem de um mamífero adulto. O grupo conseguiu pela primeira vez criar um filhote de ovelha geneticamente idêntico à ovelha doadora, com base em uma célula somática (não-reprodutiva). Na experiência, os pesquisadores utilizaram-se do núcleo de uma célula mamária de uma ovelha adulta, retirado e transferido para um óvulo anucleado, e implantaram a nova célula no útero de outra ovelha. O filhote, gerado em julho de 1996, recebeu o nome Dolly.

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Frozen de Ameixa

Ingredientes:

1 e 1/2 xícara de creme de leite
1/2 xícara de água
10 ameixas bem lavadas e fatiadas
fatias de ameixa para enfeitar
1 xícara de açucar de confeiteiro
8 folhas de gelatina

Modo de Preparo:
Bata a ameixa no liquidificador. Ponha numa tigela. Deixe no freezer por 3 horas. Hidrate a gelatina na água e dissolva em banho-maria, mexendo. Deixe esfriar. Bata a polpa de ameixa no liquidificador com o creme de leite e o açúcar. Ponha a gelatina. Bata rapidamente. Ponha em taças individuais. Enfeite com fatias de ameixa e sirva!

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A PARANORMALIDADE EXISTE? - FINAL

Experiência de quase morte

O terceiro campo de estudo dos parapsicólogos é a sobrevivência da consciência sem o corpo. Uma das principais fontes de estudo dessa hipótese são as experiências de quase morte, ou seja, aqueles relatos em que o sujeito, quando em grande risco de morrer, vê a vida passar em retrospecto, encontra-se com parentes mortos e sente-se como se saísse do próprio corpo. Não é uma experiência assim tão rara. Uma pesquisa de opinião do Instituto Gallup, nos Estados Unidos, em 1982, revelou que um em cada sete adultos já viveu uma situação assim.

É claro que não se podem testar essas experiências em laboratório. Há dois anos, o cardiologista holandês Pim Van Lommel publicou um estudo polêmico com entrevistas com pacientes que foram considerados clinicamente mortos por um exame de eletroencefalograma, e que ressuscitaram. A ausência de sinal em um eletroencefalograma significa que os neurônios do paciente não estavam se comunicando. Segundo o conhecimento médico atual, a consciência é um produto da transmissão de impulsos cerebrais entre neurônios. Sem eles, não deveria haver consciência.

A parte que despertou polêmica no estudo de Lommel foram os depoimentos de 62 pacientes que disseram lembrar-se do que ocorreu durante o período em que estiveram mortos. Há vários tipos de relatos, mas chama a atenção a repetição de alguns padrões, como enxergar o próprio corpo, ver um túnel de luz, rever toda a vida em retrospecto e encontrar-se com pessoas mortas. O estudo levou Lommel a cogitar a hipótese de a consciência sobreviver fora do corpo.

Na edição 16, de 1991, da revista Skeptical Inquirer (em português, "inquisidor cético"), considerada a bíblia dos céticos, a britânica Susan Blackmore, professora de Psicologia, analisou esse tipo de relato e tem boas explicações para eles. Em primeiro lugar, diz ela, essas experiências não ocorrem somente em situações de extremo perigo para a vida. Há relatos parecidos em situações cotidianas. Outra coisa: não dá para dizer, com certeza, que a memória das pessoas se refere ao tempo em que estavam clinicamente mortas. Para ela, essas sensações se referem ao momento que antecede a inatividade cerebral.

Uma de suas explicações mais engenhosas é para o túnel de luz que muitas pessoas relatam ver. Segundo ela, quando falta oxigênio no cérebro, as primeiras células a entrar em colapso são um grupo cuja tarefa é inibir o excesso de atividade do córtex cerebral. Sem essa inibição, o cérebro produz uma chuva de impulsos nervosos na área cerebral que comanda a visão. Uma simulação disso em computador mostra que essa interferência começa no centro do campo visual e, à medida que o oxigênio acaba, estende-se para o resto do campo. O efeito é o de um ponto de luz que cresce, dando a impressão de um túnel.

A parapsicologia já desfrutou de grande prestígio. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, integrou uma sociedade de parapsicólogos. Hoje ela está carente de atenção e credibilidade.
Para Robert Morris, essa situação está prestes a mudar. O pesquisador acredita que, com a introdução de novas técnicas para monitorar o estado mental das cobaias, uma série de distorções hoje cometidas pelos pesquisadores vão desaparecer. E a parapsicologia vai mostrar resultados mais expressivos. Enquanto isso não acontece, não custa nada ir torcendo para que não chova no próximo fim de semana. Tem gente que diz que isso ajuda.

A mente pode enxergar?

As experiências de percepção extra-sensorial parecem um teste de adivinhação. Os pesquisadores pedem a uma pessoa que descubra como é um local ou uma imagem, sem usar nenhum meio físico conhecido. Em alguns casos, para ajudar na visualização, os cientistas pedem que o sujeito desenhe o que visualizou. Entre centenas de testes, é esperado, até por coincidência, que algumas descrições fiquem bem próximas do alvo. Mas alguns desenhos impressionam pela semelhança, como mostram os exemplos abaixo. Os céticos lembram que a maioria das descrições não têm nada a ver com o alvo.

Para saber mais

Na livraria

Conscious Universe, Dea Radin. HarperCollins, 1997

Parapsychology - The Controversial Science, Richard S. Broughton. Ballantine, 1992

Varieties of Anomalous Experiences, Etzel Cardeña, Stanley Krippner, Steve Jay Lynn (orgs). American Psychological Association, 2000

Science or Pseudoscience? Magnetic Healing, Psychic Phenomena, and Other Heterodoxies, Henry H. Bauer. University of Illinois Press, 2001

Margins of Reality, Robert G. Jahne Brenda J. Dunne. Harcout Brace Jovanovich, Publishers, 1987

Does Psi Exist? - Replicable Evidence for an Anomalous Process of Information Transfer, Daryl Bem e Charles Honorton. Pasychological Bulletin, 1994. Vol. 115. No.1

What Can the Paranormal Teach Us About Consciousness?, Susan Blackmore. Skeptical Inquirer, março/abril de 2001

Na internet

www.parapsych.org

www.ifr.org/csl/index.html

www.icrl.org
www.csicop.org

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A PARANORMALIDADE EXISTE? - PARTE 4

Ganzfeld

A pesquisa científica de maior credibilidade sobre paranormalidade é um estudo de telepatia chamado ganzfeld, uma palavra alemã que significa "campo total". O Ganzfeld é um método inventado por psicólogos para padronizar os estímulos audiovisuais de uma pessoa. Os parapsicólogos adotaram-no por acreditar que a percepção extra-sensorial fica normalmente embotada pelos estímulos do cotidiano. Com os estímulos audiovisuais padronizados, a pessoa ficaria mais atenta à sua percepção extra-sensorial.

No Ganzfeld, a pessoa fica deitada em uma cadeira reclinável confortável, com fones de ouvido. Sobre cada olho, meia bola de pingue-pongue. Os fones tocam chiado, considerado um som neutro. E sobre as bolinhas de pingue-pongue é emitida uma luz vermelha, de forma que, se a pessoa abre os olhos, ela só vê uma luz difusa vermelha. Para garantir que a pessoa não pode se comunicar por telefone ou rádio com o exterior, as salas de Ganzfeld são à prova de som e blindadas contra ondas eletromagnéticas.

O teste funciona assim: um computador seleciona aleatoriamente um jogo de quatro imagens de um banco de dados contendo dezenas delas. Dessas quatro imagens, a máquina escolhe uma. Essa imagem é que será transmitida telepaticamente. O teste envolve duas pessoas: o emissor, que fica em uma sala, em frente a um computador, e o receptor, que fica em outra sala, em estado de Ganzfeld. Durante a sessão, o "receptor" descreve em voz alta todas as imagens que sua imaginação produz. Sua descrição é transmitida para o emissor, como estímulo para que ele se concentre na tarefa. Ao final da sessão, que dura 30 minutos, um computador exibe as quatro imagens selecionadas para o receptor. Sua tarefa é dizer qual das imagens mais se assemelha com o que ele imaginou. Se ele indicar a imagem certa, um acerto direto é computado. Todos os testes são gravados, para o caso de alguém querer conferir.

Em 1994, o parapsicólogo Charles Honorton, hoje falecido, e Daryl Bem, psicólogo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, fizeram uma meta-análise combinando vários estudos de Ganzfeld realizados entre 1983 e 1989. O resultado, publicado em um prestigiado jornal de psicologia, chamou a atenção pela consistência dos números: de 355 sessões em que uma pessoa tentou acertar a imagem certa, em 122 a resposta foi correta, uma taxa de 34,4% de acerto. A princípio, isso parece pouco, mas a chance de isso ocorrer por acaso é de uma em 20 mil vezes. Para muita gente, isso equivalia a uma prova da existência do fenômeno psi. Como a metodologia descrita por eles era rigorosa, lapidada em anos de debates com céticos, parecia que, finalmente, havia sido descoberta uma receita para repetir o fenômeno psi.

Ray Hyman, o cético da Universidade de Oregon, disse que os resultados eram "intrigantes" e que, se os resultados pudessem ser repetidos em outros laboratórios, a parapsicologia teria feito seu début na ciência. Entre 1994 e 1997, outros seis laboratórios fizeram testes de Ganzfeld. Todos eles tiveram resultados acima da chance, mas em quatro deles a margem de erro incluía a possibilidade de acaso.

Só que a vitória durou pouco. Como já foi dito, a ciência é um jogo que nunca acaba e, em 1996, dois pesquisadores publicaram uma nova meta-análise, incluindo 30 estudos de Ganzfeld que não haviam sido incluídos na revisão anterior. Com esses estudos, a taxa de acerto voltava ao que era esperado por acaso. Bem e Honorton responderam sustentando sua metodologia, mas a polêmica se estendeu em réplicas e tréplicas de cunho técnico, e a prova inequívoca que a parapsicologia buscava se perdeu no caminho. Novos estudos foram feitos e o placar atual, segundo Robert Morris, é de um efeito significativo de 30%. "É fraco, mas é consistente", diz ele. E tem 95% de confiança."

Telecinese

Os pesquisadores também testam em laboratório se a mente consegue influenciar a matéria sem utilizar nenhum meio físico conhecido. Esse poder, que aparece com freqüência no cinema, é conhecido como telecinese. Nas experiências em laboratório, no entanto, ninguém tenta mover grandes objetos com o pensamento. Os parapsicólogos acham que mover um objeto parado seria muito difícil. Em vez disso, foi desenvolvido um teste sobre uma máquina que já se move. A idéia é afetar esse movimento. O equipamento utilizado é um gerador de números aleatórios (GNA), um nome dado a vários tipos de aparelhos que funcionam como máquinas de sorteio. Só que essas máquinas produzem apenas dois resultados: 0 ou 1, em uma seqüência aleatória. Em geral, espera-se que, ao final de uma série, o número de zero e um seja igual.

Esse teste foi desenvolvido pelo físico Robert Jahn, ex-diretor da Escola de Engenharia e Ciência Aplicada da Universidade de Princeton, Estados Unidos. Jahn é uma autoridade em engenharia aeroespacial e foi colaborador da Nasa, a agência espacial americana. Hoje, dirige o projeto de Pesquisa de Anomalias em Engenharia de Princeton.

A experiência criada por Jahn consiste simplesmente em um operador tentando influenciar um GNA. Em alguns testes, ele deve tentar fazer a máquina produzir mais 0 que 1. Em outros, o contrário. E, em outros, o operador deve tentar não influenciar o gerador. A experiência dura alguns minutos. Quando acaba, os pesquisadores comparam os números obtidos e a intenção do operador. Se houve um desequilíbrio entre os números no sentido desejado e se esse desequilíbrio estiver fora da margem de erro do próprio aparelho, o resultado é considerado anômalo, ou seja, ocorreu alguma coisa anormal. Para fazer um controle, os pesquisadores comparam os resultados com os números de outro GNA que não foi utilizado na pesquisa.

Em 1989, o engenheiro elétrico e parapsicólogo Dean Radin e o psicólogo Roger Nelson publicaram uma meta-análise dos experimentos com GNA. Foram analisados 832 estudos de 1959 a 1987, de 68 pesquisadores diferentes. Para quem não é do ramo, o resultado foi decepcionante: o índice de acerto foi de 51%, onde 50% era esperado por acaso. Mas os cientistas comemoraram. Devido ao número enorme de sessões, a consistência do resultado foi estratosférica. A chance de esse resultado aparecer por acaso é de uma em um trilhão. Para se ter uma idéia, nos aparelhos monitorados para controle, sem um operador tentando influenciá-los, os resultados foram muito próximos da probabilidade normal: a chance foi de dois para um. Detalhe: em alguns casos, o operador procurava influenciar o equipamento no futuro, ou seja, a máquina só seria monitorada horas depois. Segundo os pesquisadores, a estrutura e o efeito observados nesses casos assemelhou-se aos dos demais.

Os resultados foram bombardeados. Em 1990, o físico Philip W. Anderson, ganhador do Nobel, criticou o método estatístico utilizado nos estudos, o que gerou uma polêmica em que outros laureados cientistas saíram em defesa dos dois lados da contenda. A questão continua sem consenso.

Se a atenção de uma pessoa pode afetar a matéria, a atenção de várias deveria afetar ainda mais. Baseado nessa hipótese, Roger Nelson e Dean Radin verificaram o comportamento de geradores de números aleatórios durante eventos que atraíam grande atenção. A hipótese é que, quando várias pessoas prestam atenção a um mesmo evento, elas criam uma ressonância que afeta a matéria e que poderia ser detectada em um gerador de números. Em 1995 e 1996, Radin examinou esse efeito em oito eventos: um workshop sobre crescimento pessoal, com 12 participantes; duas premiações do Oscar, que foram vistas, cada uma, por um bilhão de espectadores; um show em um cassino de Las Vegas, com 40 espectadores; o julgamento do jogador de futebol americano O.J. Simpson, acusado de matar a mulher, que foi visto por 500 milhões de pessoas; o horário nobre da TV americana, com 90 milhões de telespectadores; e a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, também vista por um bilhão de pessoas.

O experimento funcionava da seguinte forma: o aparelho era ligado durante uma hora antes do evento planejado e desligado uma hora após o término do evento. Os dados aleatórios produzidos eram registrados a cada seis minutos. Durante o evento, um grupo de juízes dizia quais eram os momentos mais e menos interessantes. A hipótese dos pesquisadores era que, nos momentos mais interessantes haveria um padrão nos dados, em vez de números aleatórios.

No caso do curso de crescimento pessoal, que envolvia massagens e relaxamentos, as nove horas do evento foram consideradas de alto interesse. Um GNA colocado no local teve comportamento improvável durante quase todo o período, chegando a picos em que a chance de aqueles números serem produzidos por acaso era uma em 1 000. Quando o mesmo aparelho foi ligado fora do horário do evento, a máquina comportou-se bem próximo do esperado.

Durante o veredicto de O.J. Simpson, o GNA teve um comportamento diferente. Em vez de se manter em comportamento improvável o tempo todo, a máquina mostrou três picos de comportamento incompatível com o normal. O primeiro ocorreu às 9 horas da manhã. Naquele momento, as redes de TV iniciaram a transmissão sobre o caso. O segundo pico parece não ter relação com nenhum evento. Mas, no momento em que o veredito foi dado, os geradores atingiram o pico máximo de comportamento anormal.

Há uma porção de críticas que podem ser feitas a um experimento aberto como esse. O psicólogo Ray Hyman, da Universidade de Oregon, tem as suas. Diz ele que examinar números binários é uma tarefa cheia de armadilhas. "Em um teste, os parapsicólogos conseguiram um padrão especial. Então, deve-se repetir o experimento e procurar o mesmo padrão. Mas, se no outro experimento aparece um padrão diferente, eles vão dizer que esse resultado é significativo, porque não era esperado nenhum padrão. O problema é que, depois que os dados estão disponíveis, sempre é possível encontrar um padrão."

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

A PARANORMALIDADE EXISTE? - PARTE 3

O psicólogo brasileiro Wellington Zangari, coordenador de um grupo de estudos dos fenômenos psi associado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, também é cauteloso ao falar dos fenômenos psi. "Não sabemos o que é esse efeito. Podem até ser problemas metodológicos ou estatísticos desconhecidos. Mas, seja o que for, é preciso fazer mais pesquisa para descobrir", diz ele. "Virar as costas para um resultado inexplicável não vai fazê-lo desaparecer nem vai esclarecê-lo. Se há evidência da existência de algo inexplicável, é preciso estudar mais."

As evidências de que Zangari e Morris tanto falam são os resultados de pesquisas feitas em laboratório sobre os fenômenos psi. Mas não pense em cadeiras flutuando em laboratórios ou pessoas conversando telepaticamente como se estivessem falando por telefone. As evidências de fenômenos psi coletadas em laboratório são praticamente invisíveis e só podem ser detectadas em imensas séries de testes, depois que os pesquisadores examinam as estatísticas e eliminam a hipótese de que os eventos possam ter ocorrido por coincidência.

Se os resultados fogem do que seria esperado por acaso, o estudo é considerado significativo, ou seja, houve alguma anomalia. Por exemplo: em alguns testes, pede-se que uma pessoa adivinhe qual imagem, entre quatro possíveis, está sendo vista por outra pessoa. Se o experimento é bem-feito, se a pessoa não tem como saber qual é a imagem certa por nenhum meio normal, espera-se que ela acerte um quarto das tentativas que fizer. Se, ao final de um certo número de tentativas, ela acertar 35%, 40% ou 50% das tentativas, essa performance é considerada significativa. Ou seja, fugiu ao padrão que seria esperado.

A confiabilidade desse resultado depende do número de tentativas. Uma pessoa que fizesse uma única tentativa e acertasse em cheio, teria um índice de 100%. Mas isso não significaria nada. Por isso, os pesquisadores costumam comparar a média de acertos com o número de experiências feitas e calcular a chance de que isso acontecesse por acaso. Isso mede a consistência da pesquisa. Quanto maior o número de tentativas, mais consistente é seu resultado.

Em um ramo da ciência tão desacreditado quanto a parapsicologia, a consistência é fundamental para convencer as pessoas de que um efeito de fato existiu. Portanto, é preciso uma quantidade enorme de experiências. Mas isso custa caro e, em geral, os parapsicólogos não são agraciados com muitos financiamentos para pesquisa. Para contornar esse problema, eles utilizam uma ferramenta largamente conhecida pela ciência, chamada meta-análise, que serve para reunir vários estudos diferentes em um só, combinar seus resultados e tirar daí um resultado combinado para todos. A vantagem é que o efeito combinado é mais consistente.

A meta-análise é engenhosa, mas tem alguns defeitos. O primeiro é de credibilidade. A fonte de onde os pesquisadores coletam estudos para combinar são as publicações científicas. O problema é que, em geral, os estudos que não tiveram resultados significativos não chegam a ser publicados. Os resultados da meta-análise, portanto, tendem a ser superestimados.

Outro problema é que a meta-análise funciona como um jogo de futebol que nunca acaba. Se você examinar os primeiros dez minutos de jogo, o time verde ganhou. Aos 30 minutos, o time azul virou o placar. Aos 50, houve empate e, aos 120, o verde voltou à liderança. O que hoje pode ser um resultado significativo do efeito psi pode tornar-se acaso na próxima meta-análise. Pode ser que, neste momento, os resultados escolhidos para esta postagem estejam sendo suplantados por outros mais atualizados.

Bem, agora que o método científico está bastante explicado, é hora de ver como os fenômenos parapsicológicos ocorrem em laboratório.

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domingo, 18 de fevereiro de 2007

A PARANORMALIDADE EXISTE? - PARTE 2

Em um tema de tanto interesse do público, seria de esperar que outros cientistas, de outras áreas, viessem em socorro do conhecimento científico, apontando os possíveis erros e ajudando a construir experiências à prova de falhas, para finalmente descobrirmos se os fenômenos psi existem ou não. Mas isso não acontece. A esmagadora maioria da comunidade científica contenta-se em ridicularizar a parapsicologia sem nem conhecer seus trabalhos acadêmicos.

A minoria que se dispõe a analisar as pesquisas parapsicológicas está encastelada em associações de céticos que dizem que parapsicologia não é ciência e muitas vezes criticam as pesquisas com argumentos tão fantasiosos quanto os dos maus parapsicólogos. As revistas editadas por esses grupos estão cheias desses casos. E já houve casos de céticos famosos acusados de sabotagem. Um dos céticos mais respeitados pelos parapsicólogos é o psicólogo Ray Hyman, da Universidade de Oregon, hoje aposentado. Hyman revisou várias pesquisas dos parapsicólogos e as conhece bem. Mas mesmo ele exibe, às vezes, um ceticismo pouco saudável. Em pelo menos duas ocasiões, Hyman deparou-se com pesquisas cujo resultado, embora inexplicável pelas leis aceitas pela física, não podia ser atribuído a nenhuma falha. Bastaria dizer que não achou falha. Mas ele fez questão de acrescentar uma dúvida sobre a pesquisa. "Não pude encontrar nenhuma falha, se há alguma presente.

Mas também é impossível, em princípio, dizer que qualquer experimento em particular ou série experimental é completamente livre de possíveis falhas", escreveu.

Ele não reavaliou a pesquisa. Ou seja, os resultados do estudo permanecem válidos. Mas, hoje, Hyman é categórico: "Os efeitos encontrados pelos parapsicólogos devem-se a falhas de método ou de procedimento. Eu nunca vi nenhum efeito autêntico à prova de falhas", disse ele, em entrevista de sua casa no Oregon.

Em busca de uma opinião isenta para esta postagem, falei com vários cientistas que estudam o método e a evolução do conhecimento científico. Todos desmereceram as pesquisas dos parapsicólogos. O detalhe é que nenhum deles estava atualizado com as pesquisas que criticavam. Um deles não conhecia um método utilizado há 20 anos, mas não hesitou em dizer que a ciência havia "provado" que os fenômenos psi não existem. E nenhum deles jamais fez um experimento sobre fenômenos psi.

Com esse tipo de opinião sobre a parapsicologia, não é de admirar que os livros didáticos tenham uma visão tão distorcida sobre essa ciência. Em uma pesquisa feita em 1991, o psicólogo americano Miguel Roig descobriu que, entre 64 livros de introdução à psicologia utilizados nos Estados Unidos, um terço nem citava os termos psi ou percepção extra-sensorial. E, entre os que citavam, só oito estavam atualizados sobre as pesquisas, embora não entrassem em detalhes.

Não deixa de ser estranho. Uma das razões pelas quais a ciência tornou-se, por excelência, a doutrina pela qual a humanidade acumula conhecimento, é seu caráter progressista. "A ciência tem características de autocorreção que operam como a seleção natural", diz o psicólogo americano Michael Shermer, presidente da Skeptics Society (em português, sociedade cética), uma espécie de ONG que combate superstições, crendices e tudo o que não pode ser comprovado cientificamente. "Para avançar, a ciência se livra de erros e teorias obsoletas com enorme facilidade. Como a natureza, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros para continuar a existir", afirma.

Mas não é isso que se vê na comunidade dos céticos, da qual Shermer faz parte. Sua opinião sobre a acupuntura é um exemplo. Em 1997, um comitê dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos reconheceu que a eficácia da acupuntura supera o efeito placebo para alguns problemas de saúde, embora seja nula para outros. Mas, ignorando essas evidências, Shermer é categórico em seu diagnóstico dos efeitos da acupuntura. "Eles não existem. São simplesmente efeito placebo."

Isso pode ser simplesmente preconceito. Mas pode ser uma pista de que o pensamento analítico, que divide o mundo em partes e examina cada uma delas separadamente, tem limitações. Por seus inegáveis méritos, esse modelo moldou a ciência nos últimos 300 anos. Devemos a ele o desenvolvimento de quase todas as novas tecnologias, da saúde à aeronáutica. Por outro lado, alguns cientistas que não têm nada a ver com parapsicologia começam a questionar se essa maneira de ver as coisas é mesmo infalível. Na medicina, por exemplo, a interação entre mente e corpo é cada dia mais aceita, e não é mais uma heresia dizer que relaxamento, crença religiosa e outros fatores de equilíbrio mental afetam sinais vitais mensuráveis, como pressão arterial. O entendimento do processo do estresse, por exemplo, vem dessa mudança. O que a parapsicologia quer saber é se não haveria uma interação parecida entre consciência e matéria (alguns físicos admitem essa hipótese.

Richard Lewontin é pesquisador do Museu de Zoologia Comparada da Universidade Harvard e um expoente da pesquisa genética. Mas ele não está contente com o modo de pensar analítico. Em seu livro A Tripla Hélice (Companhia das Letras, 2002), Lewontin faz uma analogia interessante. Segundo ele, estamos acostumados a ver o pensamento analítico como uma onda que varre os campos do conhecimento por onde passa, uma onda que só não alcança aqueles que fogem dela para refugiar-se em raciocínios bizarros. Mas, segundo o pesquisador, esse modelo científico é mais como os exércitos medievais, que sitiavam as cidades por algum tempo, deixando incólumes as mais resistentes. "A ciência, como a praticamos, resolve os problemas para os quais seus métodos e conceitos são adequados. E os cientistas bem-sucedidos logo aprendem a formular somente problemas que apresentam boa probabilidade de ser resolvidos."

O tiroteio entre céticos e parapsicólogos vitimou boa parte das pesquisas dos fenômenos psi, que não resistiu às críticas e tombou, para o bem da boa ciência. Mas há sobreviventes. E eles têm histórias impressionantes para contar. O psicólogo Robert Morris, que dirige o curso de Parapsicologia da Universidade de Edimburgo, na Escócia, é um deles. Respeitado até entre as fileiras do exército inimigo, Morris reconhece as fraquezas das pesquisas dos fenômenos psi. "Para conhecer o mecanismo de um fenômeno é preciso manter constantes as variáveis envolvidas. Só assim é que se consegue reproduzi-lo, o que é fundamental para provar sua existência. O problema é que não conhecemos todas as variáveis envolvidas nos fenômenos psi", diz Morris. "Parte do problema é que estudar pessoas é difícil, como bem sabem os psicólogos. O ser humano é complexo e dificilmente se consegue repetir o resultado de um estudo."

Apesar de tudo isso, o pesquisador está convencido da existência dos fenômenos psi, mas diz isso com o rigor de um cientista. "Eu estou 95% persuadido de que pelo menos alguns dos efeitos em parapsicologia indicam que novos e genuínos princípios da natureza estão operando. Mas não posso afirmar isso categoricamente. Eu acho que uma certa dose de incerteza é muito saudável para a ciência." O efeito detectado, diz ele, ainda é fraco. Mas, após milhares de repetições de experiências quase idênticas, ele acha que esse pequeno efeito é consistente.

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sábado, 17 de fevereiro de 2007

A PARANORMALIDADE EXISTE? - PARTE 1

Numa manhã de verão, uma moradora de Nova York acordou impressionada com o sonho que teve. Em seu sono, ela viu um avião pequeno cair em uma praia à beira de um lago. Havia três chalés no local, mas apenas um foi atingido. Os bombeiros, ao tentar alcançar os destroços, pegaram a estrada errada e demoraram muito a chegar. Quando, finalmente, puderam combater o fogo, era tarde demais. O piloto da aeronave havia morrido queimado. Na manhã do dia seguinte, ela comentou o sonho em duas cartas que escreveu a amigos. E, no final da tarde, quando ouviu um ruído de avião, teve um pressentimento. Gritou para o marido que avisasse os bombeiros, porque aquele avião iria cair. Segundos depois, a aeronave se espatifou na praia de um lago próximo, atingindo, na queda, um dos chalés que ficavam na margem. Os bombeiros pegaram a estrada errada e o piloto morreu queimado. A mulher entrou em depressão, achando que ela poderia ter salvo a vida do sujeito.

Há várias maneiras de interpretar esse caso. Uma delas é atribuir os fatos a uma incrível coincidência. Mas há quem enxergue aí um episódio de premonição, como fez a pesquisadora americana Louisa Rhine. O sonho da mulher de Nova York, na verdade, faz parte de uma compilação de casos de fenômenos paranormais publicado por hine na década de 70. Ou seja, para ela, a mulher previu o futuro em seu sonho.

Em outras épocas, em outras culturas, essa explicação seria prontamente aceita. Afinal, durante muito tempo, as pessoas interpretavam o mundo por meio das idéias de xamãs, bruxos e profetas. Na Grécia antiga, os pais do pensamento clássico recorriam a oráculos que previam o futuro. Na França medieval, acreditava-se que alguns reis, chamados de taumaturgos, eram capazes de curar com o toque. Em alguns lugares, isso acontece até hoje. Em muitas comunidades indígenas, os xamãs são líderes tribais.

Mas na sociedade ocidental racionalista atual o juiz supremo do conhecimento humano é a ciência. É ela que atesta o que é o mundo e como ele funciona. É ela que diz o que é realidade e o que é ilusão. Ou seja, para que uma idéia seja levada a sério, conquiste um espaço nos livros escolares e se torne conhecida e respeitada por todos, ela precisa ser sancionada pela ciência.

A boa notícia é que há, sim, pesquisa científica sobre alguns fenômenos paranormais. Essa ciência chama-se parapsicologia e não estuda todos os acontecimentos estranhos, só três tipos. O primeiro é a percepção extra-sensorial, que é o nome dado para a transmissão de informação que não use nenhum meio físico conhecido, nenhum dos sentidos humanos. Isso inclui três tipos de fenômenos: a premonição, ou seja, receber uma informação do futuro, como a moça de Nova York; a telepatia, que significa a comunicação direta entre duas mentes; e a clarividência, que é a percepção de uma informação sem uso dos sentidos e sem que haja outra pessoa envolvida.

Outro fenômeno estudado pela parapsicologia é a telecinese, ou seja, a influência direta da mente sobre a matéria. Mover objetos sem tocá-los, influenciar máquinas à distância ou curar só com o toque de mãos são considerados fenômenos telecinéticos.

O terceiro fenômeno pesquisado pela parapsicologia é a sobrevivência da consciência sem o corpo, o que envolve o estudo de coisas como reencarnação e experiências de quase morte (os relatos de quem foi considerado clinicamente morto e ressuscitou). Ou seja, como você percebeu, a parapsicologia estuda a influência da consciência sobre o mundo real. Espíritos e ETs não fazem parte de seus estudos.

Para boa parte dos cientistas, entrar em um laboratório para fazer testes de telepatia é uma heresia que faria o cadáver de Newton revirar-se na sepultura. Mas a parapsicologia é, sim, uma ciência. Os parapsicólogos controlam as condições das experiências, fazem previsões e procuram reproduzir os resultados, como nas outras ciências. A Associação Parapsicológica, que reúne os parapsicólogos americanos, é afiliada, desde a década de 70, à prestigiada Associação Americana para o Avanço da Ciência. Como outros ramos da ciência, a parapsicologia tem jornais especializados para publicar seus estudos. E, também como em outras ciências, os parapsicólogos prestam serviços para governos e recebem financiamento público para pesquisas, se bem que o dinheiro para esse pessoal esteja bastante curto.

Foi num desses estudos patrocinados pelo governo americano que despontou Joe McMoneagle, um vidente que tinha as mais altas taxas de acerto entre as cobaias utilizadas nas pesquisas militares. Em seu livro Conscious Universe ("Universo consciente", inédito no Brasil), o físico e parapsicólogo Dean Radin, que testou McMoneagle várias vezes, relata alguns episódios impressionantes. Em 1979, os militares americanos queriam saber o que havia dentro de um prédio na Rússia. Primeiro, deram a McMoneagle as coordenadas (latitude e longitude) do local. O vidente descreveu o prédio e fez um desenho bastante semelhante ao edifício. Os militares então lhe entregaram uma foto do prédio feita de um satélite e lhe pediram que dissesse o que havia lá dentro. McMoneagle disse que os russos estavam construindo um enorme submarino no prédio. A previsão parecia estranha: submarinos são construídos à beira da água e a água mais próxima do prédio russo ficava a centenas de metros.

O vidente disse que, em quatro meses, os soviéticos escavariam um canal para o submarino sair. De fato, quatro meses depois, havia um canal ligando o prédio à água, e um enorme submarino, classe Tufão, saiu da construção. De 1970 a 1994, o Exército, a Marinha e até a Nasa gastaram cerca de 20 milhões de dólares com esse tipo de pesquisa de visão remota, ou seja, clarividência.

A má notícia é que, apesar do dinheiro e de mais de 130 anos empregados em pesquisas, ainda não é possível afirmar que existem fenômenos parapsicológicos (ou fenômenos psi, como costumam dizer os parapsicólogos). O pior é que também não dá para dizer que eles não existem.

Parte da culpa por essa situação é dos próprios parapsicólogos. É incontestável que há pouca pesquisa científica sobre o assunto. Das que existem, boa parte é descartada no primeiro escrutínio por problemas metodológicos ou por negligência na conduta da experiência. Outra parte acaba desacreditada por análises estatísticas. Por fim, das pesquisas que sobram, uma fatia está impregnada de conceitos esotéricos, que não podem ser analisados pelo método científico. E é comum ler artigos de parapsicólogos tentando salvar do naufrágio pesquisas com sérios problemas metodológicos.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Dicas de Português

Aéreas

A disputa por tarifas mais baratas fez uma companhia reduzir a comissão paga a agentes de viagens. O assunto virou manchete:

- Agências de viagens e aéreas travam disputa por comissão

"Aéreo(a)" é adjetivo, e não substantivo. É usado, portanto, para indicar uma característica a uma outra palavra. Exemplos: correio aéreo, ataque aéreo, linhas aéreas, vias aéreas. Logo: empresas aéreas e companhias aéreas. É como deveria ter sido escrita a manchete:

- Agências de viagens e empresas aéreas travam disputa por comissão

Ou:

- Agências de viagens e companhias aéreas travam disputa por comissão

Apenas para registro. O dicionário "Aurélio" indica um caso em que "aéreo" funciona como substantivo. Cito o verbete: "Manobra na qual o surfista faz com que a prancha voe, perdendo e retomando contato com a onda por alguns segundos". Evidentemente, não é o mesmo caso discutido nesta postagem.

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Curso

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Lençol sujo






Um casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo.
Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!
Provavelmente está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
O marido observou calado.
Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:
- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.
Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis brancos, alvissimamente brancos, sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:
- Veja ! Ela aprendeu a lavar as roupas, será que a outra vizinha ensinou !? Porque , não fui eu que a ensinei.
O marido calmamente respondeu:
- Não, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é.
Tudo depende da janela através da qual observamos os fatos.
Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus próprios defeitos e limitações.
Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.
Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos.
Lave sua vidraça. Abra sua janela.

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A felicidade está onde a colocamos e não onde a procuramos



Ultimamente tenho postado artigos sobre a felicidade, principalmente por observar o quanto essa pequena palavra pode significar para cada um de nós separadamente.
Felicidade é um tema universal, é um estado de ser que todos nós, sem exceção, buscamos, mas poucos de nós conseguem contatá-la. Como é um estado de espírito, a felicidade está dentro, e não fora de nós.
E por mais que busquemos a felicidade em coisas como um salário maior, um grande amor, ou qualquer coisa que não esteja dentro de nossos corações, não conseguiremos encontrá-la. Você já parou para se perguntar o que o torna feliz ou infeliz? Qual o verdadeiro significado da felicidade para você?
Penso que felicidade é um estado que brota a partir do sentimento de liberdade e prazer. Penso ser impossível sentir-se feliz se não nos sentirmos livres. Mas certamente, aquilo que me faz feliz, pode não fazer sentido algum para você. Aceitar as diferenças é também uma forma de construção da felicidade.
Muitas pessoas consideram a infância como uma época de grande felicidade, e vivem mais no passado, idealizando-o, e consequentemente negando a vida presente. Mas é agora, no momento presente, que devemos depositar todas as nossas energias na construção de uma vida mais plena e feliz.
O passado existe apenas em nossas memórias, a não ser em casos especiais, onde alguns traumas não resolvidos ainda gritam com força nos impedindo a felicidade.
Todos nós queremos que nossas vidas sejam mais do que a luta pela sobrevivência. Todos nós sentimos amor, temos vida, sonhos e fantasias em nossos corações, e na maioria das vezes não damos vazão a esses maravilhosos sentimentos.
Mas afinal, por que deixamos que nosso amor e alegria desapareçam, se sonhamos diariamente com a felicidade, e procuramos por todo o tempo o amor? Por que sabotamos nossa felicidade? Por que temos tanto medo da liberdade e do prazer? Por que anestesiamos nossos sentimentos, nossas sensações corporais?
Na realidade, enquanto estivermos anestesiados, não conseguiremos nenhum sucesso em nossa busca, pois quando o prazer está ausente de nossas vidas, quando perdemos a sensação de prazer, a felicidade é apenas uma ilusão.
Acredito que precisamos urgentemente resgatar algo muito primitivo de dentro de nós. Uma certa liberdade e prazer que deixamos lá atrás, nas mãos de nossos ancestrais. Algo natural e humano, até mesmo um pouco selvagem, não domesticado, que está impresso em nossa memória celular. Lentamente nossos sentimentos foram calados, humilhados, silenciados, enfraquecidos, e pior, acreditamos em toda história que nos contaram!
Somos, na maioria, filhos de pais autoritários, frutos de uma sociedade autoritária, onde a expressão de nossos sentimentos e de nosso prazer foi brutalmente amordaçada. E enquanto nos sentirmos prisioneiros desses padrões, não poderemos trilhar absolutamente o caminho em direção à plenitude de ser.
Estamos todos atolados no medo. Receamos nos aventurar, criar, gostar de alguém; temos medo de nossas próprias atitudes, especialmente aquelas que brotam espontaneamente, da pulsação de nossos corpos. Temos vergonha de amar, de cantar, assobiar, de rir sozinhos, de abraçar, beijar, de sentir prazer!
Nos tornamos áridos, secos, mordazes, inteligentes demais. Mas a boa notícia é que o mesmo remédio que mata é o que cura; todos nós trazemos em nossa psique a possibilidade de irrigação, fertilização e auto cura.
Perceba-se em seu dia a dia. Comece observando cada atitude que o leve na direção oposta à felicidade. Observe atentamente o predador que traz dentro de você. Como se estivesse em um quarto escuro com uma serpente, observe atentamente, sem descanso. Olhe-o de frente, bem dentro de seus olhos.
Mas cuidado, não subestime-o, pois ele é poderoso. Esse predador nasceu de vozes muito convincentes, na maioria das vezes destrutivas, que tentaram fazer você acreditar que não é bom o suficiente.
Engane-o, finja obedecê-lo, tratá-lo com carinho, e crie inteligentemente uma grande armadilha para aprisioná-lo, e tranque-o. Guarde as chaves com você, nunca as dê para outra pessoa.
Somente quando você tiver coragem suficiente para aprisionar esse carcereiro, poderá seguir em direção à tua liberdade, ao prazer, e consequentemente à tua tão sonhada felicidade.

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Palestra

Deus e Darwinismo
Professor: Luiz Felipe Pondé

O darwinismo é a forma mais importante de ateísmo que a filosofia já produziu. A aula aborda a resposta de Darwin ao argumento de Aristóteles sobre como surgiu a ordem no universo. Se Darwin estiver certo, os valores não têm fundamento porque tudo é repetição e violência?

Dia: Segunda-feira, 12 de fevereiro, às 20h
Local: Casa do Saber (Higienópolis)

Luiz Felipe Pondé é professor da PUC-SP e da Faap e professor pesquisador convidado da Universidade de Marburg, Alemanha.

Inscrições pelo telefone (11) 3707-8900
As aulas abertas são gratuitas. O acesso é feito por meio de listas. Prevalece a ordem de inscrição. As vagas são limitadas.

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domingo, 11 de fevereiro de 2007

TODO O DINHEIRO DO MUNDO - FINAL

A prática era sedutora demais para não se propagar durante a Idade Média, uma época em que qualquer um - reis, sacerdotes, senhores feudais e nobres em geral - podia fazer dinheiro, literalmente, sem controle algum. A tal ponto chegou esse festival de falsidades na Europa que no ocaso dos tempos medievais nem sequer o camponês mais inocente ainda acreditava no valor da face do dinheiro que recebia. Criou-se o hábito de pesá-lo, antes de consumar qualquer transação. E, no final do século XVI, com a Revolução Comercial, quando os mercadores de Amsterdam, nos Países Baixos, se tornaram os maiores negociantes europeus, foi preciso publicar um manual listando toda a parafernália de moedas em curso. Conseguiu-se enumerar 846 dinheiros diferentes, cada qual com variadas porcentagens de ouro e prata.
Adulteradas, cortadas, limadas, as moedas medievais acabaram por se tornar algo que horrorizaria os velhos lídios - um senhor complicador para a boa marcha da economia. E muita gente começou a pensar seriamente em cambiar o sistema. Nicolau Copérnico (1473-1543), o astrônomo polonês que formulou a teoria de que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, muitas vezes mandou para o espaço os assuntos cósmicos em troca de algo mais palpável, como a idéia da criação de uma moeda unificada em cada país. Atribui-se a ele a ajuizada afirmação de que "entre as desgraças que habitualmente levam à decadência dos reinos, principados e repúblicas, as quatros principais são as lutas, as pestes, a terra estéril e a deterioração do dinheiro".
Copérnico não foi o único homem de gênio interessado em tornar o metal menos vil. Além de projetar helicópteros, submarinos, espingardas e teares, e de pintar sorrisos enigmáticos, o italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) projetou máquinas mais modernas para a fabricação de moedas. Até aquela época, elas eram feitas uma a uma, ensanduichando-se um metal entre duas matrizes. A partir do século XV, graças a Leonardo e outros, elas passaram a ser produzidas em série, com cilindros de lâminas de metal onde se cortavam muitas moedas ao mesmo tempo. Depois disso, ganharam bordas requintadas, que serviam também de proteção contra os raspadores de ouro e prata.
Qualidade e quantidade, no entanto, não dependiam apenas do método de fabricação, mas dos rumos da economia. Durante a interminável Guerra dos Cem Anos na Europa (1339-1453), as despesas públicas dos reinos chegaram a ser quatro vezes maiores que os recursos de que os monarcas dispunham. O remédio foi apelar para a velha prática romana. Cada governante passou a cunhar o dobro de moedas do que recebia de impostos. O dinheiro resultante continuava a se chamar coroa, libra ou franco, conforme o país, mas o valor era obviamente menor. "Era como andar de bicicleta", compara o professor Hilário Franco Júnior, da Universidade de São Paulo, autor de uma história econômica. "Uma vez iniciado o processo, os reis não podiam parar."
No século XVI, quando o ouro do Novo Mundo inundou a Europa, trazido pelos galeões espanhóis e portugueses, aconteceu o processo inverso. Já não havia necessidade de adulterar as moedas, pois circulava metal nobre suficiente para dar, vender e emprestar. Em 1580, por exemplo, a Casa da Moeda da Espanha fabricou oito vezes mais dinheiro do que em 1520. Como sempre as pessoas comuns pagavam a conta: se antes o dinheiro perdia valor por falta de lastro, agora perdia poder de compra por excesso de reservas. Ou seja, com tanto metal em circulação, o resultado foi um aumento explosivo nos preços.
O caminho estava aberto para a grande mudança que iria ocorrer com o advento do papel-moeda. A rigor, isso não era novidade na Europa, desde que os primeiros mercadores e prestamistas - os banquerii de Veneza e Gênova - usaram papéis manuscritos como promessas de pagamento aos seus portadores, os ancestrais das promissórias de hoje. Mas à medida que nasciam os bancos estatais, o sistema de títulos entrou em alta por ser mais seguro e fácil de transportar. "Essas notas ainda não podiam ser chamadas de dinheiro, pois apenas em operações determinadas substituíam as moedas", explica Hilário Franco, da USP.
Como no caso das moedas, a teoria de Galbraith de que "poucas invenções humanas se prestaram tanto aos abusos como o dinheiro" se repetiu na história do papel, haja vista, entre tantos outros, o pouco edificante episódio protagonizado por John Law e pelo duque de Orléans na França do século XVIII. "O papel-moeda só funciona quando existe confiança em que haja uma reserva por trás que lhe assegure o valor", explica o economista Flávio Saes, professor de História Econômica, também da USP. Foi o que aconteceu em 1689 nas colônias inglesas da América. Naquele ano, Inglaterra e França iniciaram uma guerra pela posse do Canadá. A colônia de Massachusetts, no nordeste dos atuais Estados Unidos, foi convocada a criar uma milícia para combater do lado dos ingleses. Na falta de moeda para pagar os soldados e comprar suprimentos, o governo autorizou a impressão de papel com valor equivalente. Terminada a guerra, as notas seriam honradas pelos ingleses. Como os cidadãos confiavam que teriam o dinheiro na troca, esses antepassados do dólar entraram rapidamente em circulação. Resultado: por volta da metade do século XVIII, todas as treze colônias americanas usavam papel como dinheiro.
As notas inventadas nas colônias inglesas pagaram a Guerra da Independência americana. Da mesma forma, na França, os assignats - que tinham como garantia as terras pertencentes à Igreja e aos nobres - sustentaram o início da Revolução de 1789. O dinheiro impresso também sustentou a rebelião dos Estados Confederados na Guerra de Secessão americana de 1861 a 1865, lastreado na produção de algodão dos Estados do Sul, e a Revolução Russa em 1917. Em todos esses casos, porém, como foram emitidas em grande quantidade e sem lastro suficiente, as cédulas acabaram provocando um fenômeno com o qual todo brasileiro está hiperfamiliarizado: uma grande inflação. Seja como for, o papel-moeda virou sinônimo de dinheiro.
"As moedas não se tornaram obsoletas", observa Ítalo Gasparini Filho, chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central, ouvido por Marta San Juan França. "Mas com o tempo passaram a ser utilizadas apenas para fazer o troco ou em pequenas poupanças." O fim das moedas de ouro e prata marcou também o fim da utilização dos metais nobres como lastro da economia. "Atualmente o que fixa o valor das moedas nos mercados internacionais são as relações comerciais entre os países", explica o professor Flávio Saes. As notas se expandiram, ganharam novas cores, vinhetas e desenhos. Os motivos são estéticos, mas também ideológicos. O dólar, assim chamado por causa do táler, moeda alemã do século XV, homenageia heróis americanos.
Em outros lugares, as notas apresentam o brasão do país, monumentos, lugares, espécimes da fauna e flora, e símbolos dos principais recursos econômicos. "A tendência atual no mundo inteiro é homenagear as figuras das artes, das ciências e da literatura", informa Ítalo Gasparini, do Banco Central. Ele lembra por exemplo o caso do ex-presidente Juscelino Kubitschek, cuja imagem foi vetada em 1984 pelo general-presidente João Batista Figueiredo para a cédula de 10 mil cruzeiros. Gasparini acredita que as cédulas ainda vão durar muito tempo, tanto quanto as moedas. Mas economistas como Flávio Saes acreditam que a tendência é o virtual desaparecimento do dinheiro vivo nas transações cotidianas, substituído pelos cheques e cartões de crédito. "No futuro, em vez de papel, teremos terminais de compra", prevê Saes. "Além das transferências normais entre bancos, os computadores vão se encarregar também dos negócios menores."
O fundamento do processo, porém, continuará a ser o mesmo, ou seja, o contrato social implícito em todo e qualquer ato envolvendo dinheiro. Esse pacto é o que faz com que uma pessoa aceite dinheiro (ou seus equivalentes, como cheque, cartão etc.) de outra; ela sabe que quando chegar a sua vez de fazer um pagamento o recebedor também o aceitará. O dinheiro vale, portanto, porque as pessoas confiam no seu valor. De todas as convenções que tornam possível a vida em sociedade, poucas certamente hão de ser tão fortes de duradouras.


Muitos nomes, pouco valor

São 2,3 bilhões de cédulas e 1,2 bilhão de moedas. Essa foi a produção apenas deste ano da Casa da Moeda do Brasil, a maior fábrica de dinheiro da América Latina, responsável não apenas pelos desvalorizados cruzados novos como também por uma parte das notas em circulação no Equador. Toda a dinheirama brasileira tem um padrão comum: as moedas são muito simples, finas, de aço inoxidável. As notas, que exibem brasileiros ilustres como Machado de Assis, Portinari, Carlos Chagas, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, têm cinco valores diferentes. O valor, naturalmente, vai depender da economia do país - e essa é outra história.
Desde o período colonial, com efeito, o Brasil teve 37 tipos diferentes de dinheiro, sempre em função da inflação. As oficinas monetárias, que funcionaram em Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Vila Rica, criaram o real, que ficou conhecido no início do século XX como mil-réis. Dobrões, patacas, vinténs, cruzados e tostões são algumas das variações dessa moeda que sempre perdeu a corrida para a alta dos preços. No passado, a emissão sem controle de dinheiro por bancos diferentes muitas vezes inundou o país de moedas sem lastro, causando sérias crises.
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sábado, 10 de fevereiro de 2007

TODO O DINHEIRO DO MUNDO - PARTE I

O dinheiro parece tão indispensável que não há quem ache ter demais. Na sua milenar trajetória, vale também como medida das mudanças nas sociedades humanas.

Ao morrer, em 1715, o rei francês Luís XIV deixou o Tesouro Nacional em petição de miséria. Era uma situação sob medida para um astuto economista escocês chamado John Law, cujas propostas de reforma bancária não haviam porém entusiasmado seus compatriotas e cujo currículo incluía o assassínio de um desafeto em duelo e a autoria de um tratado sobre moedas e comércio. Law desembarcou em Paris em 1716 ansioso por oferecer ao regente da Coroa, o duque de Orléans, um remédio infalível para a falência do governo. O esquema era um ovo de Colombo: o regente lhe daria a permissão para abrir um banco e, em troca, o banco assumiria não só a dívida pública mas também os débitos pessoais de Sua Alteza, emitindo títulos pelos quais se comprometia com os credores a pagar o seu valor em ouro e prata.
Os metais preciosos viriam do Novo Mundo, mais precisamente dos vastos territórios franceses na América do Norte, no que hoje são os Estados de Louisiana e Mississípi, onde haveria incalculáveis reservas minerais a serem exploradas por um companhia criada por Law - em regime de monopólio, naturalmente. Mais do que depressa, o duque aceitou. E, enquanto os franceses acreditaram no projeto, tudo correu às mil maravilhas. As ações da companhia do escocês dispararam na Bolsa parisiense, a Coroa livrou-se de suas dívidas e os credores sonharam com fortunas em ouro e prata.
Mas não demorou até que se descobrisse que não havia metal nobre capaz de servir de lastro aos papagaios emitidos pela Banque Royale de Mister Law. O banco quebrou, o banqueiro fugiu da França (para morrer na miséria em Veneza) e os franceses mais desbocados recomendaram que aqueles papéis fossem usados para outro fim. O episódio entrou para a história como uma parábola sobre a confiança dos homens no valor do dinheiro e das promessas que não valem o papel em que são impressas. Tudo começou há bem mais de 2 mil anos, provavelmente no século VII a.C., quando os comerciantes da rica cidade de Lídia, Ásia Menor, começaram a trocar as mercadorias que adquiriam, não por outras mercadorias, como era o costume, mas por pequenos discos feitos de uma rara liga de ouro e prata existente na região, de nome electrum, em latim.
Em pouco tempo, essas plaquetas, cuja marca registrada era a estampa com o símbolo do rei, como um leão ou um escaravelho, espalharam-se pelas cidades gregas do Mediterrâneo e por suas colônias na Sicília e na Itália. Não tardou muito para que a idéia de usar discos semelhantes, feitos de ouro ou prata, se espalhasse pelo mundo. Os romanos chamaram essas placas monetae, tabletes de metal, e delas se originou algo que, mesmo não trazendo felicidade, como costumam dizer os que não o tem tanto quanto gostariam, é com certeza um dos supremos motivos de alegria e de aflição do homem: o dinheiro.
Na realidade, a idéia de trocar bens como alimentos, vestimentas, cabeças de gado, utensílios e mesmo escravos por peças de metal antecede à fundação da cidade de Lídia. De fato, desde que o homem do Período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, deixou de perambular atrás de casa e comida, passando a viver em grupos com endereço certo e sabido, e a trabalhar a terra, começou a produzir mais do que era capaz de consumir. Surgiu assim aquilo que os economistas tanto apreciam - o excedente. E a partir daí a vida humana não seria mais a mesma.
Alguns produtos excedentes, mas nem por isso menos valorizados, transformaram-se em mercadoria de troca, inaugurando o toma-lá-dá-cá que se tornaria atividade central das sociedades humanas e assumiria o nome de comércio. Gêneros bem votados nesse primitivo sistema de trocas era o sal, que deu origem à palavra salário, e o gado, do qual derivou o termo pecúnia. Os metais foram uma preferência natural daqueles protocomerciantes, porque não se estragavam, podiam ser partidos em pedacinhos e carregados com facilidade, ao contrário, por exemplo, de uma vaca. Ao que se sabe, os chineses tiveram a primazia de usar peças de bronze de diferentes formatos, para efeito de negócios, cerca de 3 mil anos atrás.
No entanto, a criação de sistemas comerciais à base de moedas de ouro, prata ou cobre, cada qual com a indicação do seu peso, foi mesmo uma idéia dos espertos lídios. Durante o reinado de Alexandre, o Grande da Macedônia, no século IV a.C., adotou-se a praxe, repetida até hoje nas cédulas de papel, de estampar nas moedas a cabeça do soberano. O objetivo era menos usar a real efígie como aval do peso e da qualidade atribuídos ao metal do que promover o culto da personalidade de Suas Majestades - naturalmente, por iniciativa deles próprios. Às vezes, porém, podia se dar o reverso da medalha. Após a morte do imperador romano Calígula, no primeiro século da era cristã, por exemplo, todo o dinheiro por ele patrocinado foi recolhido e fundido para que nem o nome nem as feições do tirano entrassem para a história.
"Que ninguém tenha dúvidas", ensinou o festejado economista americano John Kenneth Galbraith, no magnífico seriado que escreveu para a televisão, A era da incerteza: "Poucas invenções humanas se prestaram tanto aos abusos como o dinheiro". De fato, séculos a fio após o seu aparecimento, ninguém em parte alguma tinha como saber de antemão se as moedas valiam o que diziam. Os mais desconfiados adquiriram o hábito de morder o metal antes de aceitá-lo, para perceber pela consistência se era realmente ouro, prata ou bronze - isso, além de exigir bons dentes, o que não era lá muito comum naqueles tempos, supunha um refinado conhecimento, também algo incomum, para a felicidade geral dos falsários.
Estes, ao longo da História, freqüentemente residiam nos melhores palácios e não precisavam se esconder da polícia: os governantes mais esbanjadores ou premidos pelas necessidades, ou ambas as coisas - e que parecem ter sido a maioria -, descobriram que a quantidade de metal precioso nas moedas podia ser discretamente reduzida e substituída. Os gregos, sobretudo os atenienses, parecem ter resistido à tentação de aguar sua moeda, por entender que essa política, a longo prazo seria desastrosa para os negócios da cidade-estado, algo merecedor dos aplausos mais entusiásticos dos modernos economistas da escola apropriadamente chamada monetarista.
Assim, após a divisão do Império Romano em 395, com a reafirmação de influência grega na fatia oriental, em Constantinopla, o besante, a moeda local, foi reconhecido como símbolo de dinheiro forte. Mas do lado de cá do Mar Egeu, o exemplo grego não pegou bem, sobretudo em Roma, cujos governantes pareciam querer levar vantagem em tudo, sempre. No século II, o denário - moeda de prata que deu origem à palavra dinheiro - de prata possuía, se tanto, uns 5 por cento; os outros 95 eram puro cobre. Seguindo a lição que vinha de cima, os comerciantes ainda raspavam o pouco de prata que restava nas bordas das moedas para aumentar os seus lucros.

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Voltando no tempo: os fantasmas de Versalhes

Esse é o relato de um fenômeno chamado retrocognição, "Rcg" (retro, atrás e cognoscere, conhecer), ou seja, a faculdade de experimentar acontecimentos do passado, ou vivenciar ambientes, como se a pessoa fosse transportada pelo tempo. É um tipo de clarividência também conhecido como regressão de memória.
A retrocognição é um fenômeno parapsíquico onde é possível se lembrar de pessoas, fatos ou lugares do passado. O caso mais surpreendente aconteceu com as inglesas Anne Moberly e Eleanor Jourdain em 9 de agosto de 1901.
As duas estavam a passeio em Versalhes, quando foram visitar próximo dali o Petit Trianon (o último lugar onde viveu Maria Antonieta antes de ser morta em Paris). Na volta, acabaram se perdendo no bosque.
Nesta ocasião, uma sensação de claustrofobia tomou conta delas, e tudo se tornou demasiadamente sombrio. Avistaram dois homens trajando roupas antiquadas, casacas verdes e chapéus de três pontas. Pediram informações para saírem do local e, de maneira fria, informaram a direção. Moberly ficou angustiada e Jourdain sentiu como se estivesse sonâmbula.
Cruzaram uma ponte e a sensação desagradável tomou conta delas novamente, quando avistaram um pequeno quiosque redondo. Ali, um homem estava sentado. Tudo parecia intensamente parado.
O homem as fitou demoradamente. Então, apareceu outro homem que cavalgava informando que deveriam sair do local, além de indicar também o caminho de volta. Mal tiveram tempo de agradecer quando ele desapareceu.
Finalmente, avistaram o Petit Trianon, onde uma mulher que trajava um vestido comprido desenhava. Seus cabelos eram claros, portava um chapéu branco de abas largas e usava um lenço nos ombros. Ao vê-la, as senhoras sentiram-se oprimidas.
Passaram em silêncio pela mulher, chegando ao pátio do Petit Trianon na fachada sul. Ali era comemorada uma festa de casamento. Elas viram um homem batendo uma das portas do Trianon apressadamente. O barulho foi alto, mas ninguém parecia ter se incomodado, a não ser elas.
Entraram no palácio para visitar seu interior. O sombrio dissipou-se e tudo parecia ter voltado ao normal. Neste instante, Moberly perguntou à Jourdain: "Você acha que o Petit Trianon está assombrado?" Eleanor respondeu: "Sim, acho". Então, conversaram a respeito do que havia acontecido.
Três meses mais tarde na Inglaterra, pesquisando sobre Versalhes, descobriram que em 10 de agosto de 1792 as forças revolucionárias haviam prendido a família real, marcando o fim de Maria Antonieta (depois disso, ela encontraria a prisão e a guilhotina).
As duas acreditaram que voltaram no tempo ou que o fantasma de Maria Antonieta havia se comunicado com elas. Trataram de averiguar e retornaram à Versalhes no ano seguinte, reforçando a convicção de que experimentaram algo fora do comum.
Procurando identificar algo que as fizesse crer que realmente conseguiram voltar ao passado, pesquisaram mais documentos, encontrando informações preciosas: os homens que trajavam casacas verdes eram membros da Guarda Suíça, encarregados de proteger o rei e a rainha.
O senhor que estava sentado no quiosque foi identificado como o conde de Vaudreuil que se revelara um falso amigo da rainha. Ao ver o retrato de Maria Antonieta, não restou dúvidas de que era a mulher que desenhava no Petit Trianon. As duas senhoras captaram um dos últimos dias da família real em Versalhes.
O professor de parapsicologia G. W. Lambert entendeu que Anne e Eleanor passaram por uma experiência retrocognitiva. Outros fatos deram mais veracidade à história. Por exemplo: a ponte que dava no quiosque existiu até 1789, sendo removida posteriormente. A porta fechada de maneira brusca na festa de casamento estava parafusada e barrada há muitos anos, coberta com alvenaria.
A história das inglesas transformou-se em um livro intitulado Uma Aventura. Tornou-se um best seller, mas acabou não convencendo a crítica, que dizia que as duas estavam enganadas. Depois da morte das senhoras, prosseguiu uma série de estudos sobre o caso.
Alguns acreditam na veracidade do caso. Outros, que elas adicionaram detalhes à historia para atestar a realidade da experiência.

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Cidades Brasileiras: Mogi das Cruzes/SP.

Cidade do estado de São Paulo, no sudeste do Brasil. Com altitude de 742 metros, dista 63 km pela rodovia Presidente Dutra da capital do estado, São Paulo. A cidade conta com indústrias cerâmicas, de materiais elétricos, mecânicas (motoniveladoras e tratores), metalúrgicas, químicas, têxteis e de papel. Nos arredores se praticam a horticultura e a avicultura. Dispõe de duas universidades: Braz Cubas e Mogi das Cruzes, ambas privadas, além de uma Faculdade de Educação Física (privada). Fundada em 1561, em 1611 passou a se chamar Vila de Sant'Anna de Mogi das Cruzes, mas seu crescimento urbano se produziu durante a expansão cafeeira do século XIX. Foi elevada a Município em 1855. A chegada de imigrantes japoneses diversificou as culturas, plantando-se chá, frutas e hortaliças, que atendem às necessidades da cidade de São Paulo. População: 272.942 habitantes (1991).


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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

COMO DESBLOQUEAR DVD LG DR7621B


Ligue o DVD pelo controle remoto
Abra a bandeja pelo controle remoto
Pressione [SETUP] no controle remoto!!
Vá até o "cadeado" [BLOQUEIO]
Pressione 0 (7 veses)

Aparecerá uma menssagem "Congratulations your dvd is region free".

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

15 truques do Word

O Word popular processador de textos da Microsoft conta com atalhos não-documentados, comandos escondidos e uma infinidade de possibilidades de personalização. Nem todos esses comandos estão nos manuais do programa, o que os torna ainda mais interessantes. Nesta reportagem selecionamos 15 dicas para o Microsoft Word 2003, a versão atual do software. Com estas dicas você poderá trabalhar mais rapidamente em seus documentos e melhorar seus textos com recursos adicionais.


1) FONTES NA MEDIDA
Existe uma maneira simples de aumentar ou reduzir a fonte do seu documento sem usar o mouse e a barra de ferramentas. Para aumentar a fonte, basta usar a combinação Ctrl + Shift + >. Já para diminuir, é só fazer o inverso, ou seja, Ctrl + Shift

2) BOTÃO NA BARRA
Algumas pessoas precisam de recursos que nem sempre estão na barra de ferramentas. Por exemplo, suponha que você use com freqüência a função contar caracteres do Word. Para adicionar um atalho para ela, clique em Ferramentas e selecione Personalizar. Em seguida, clique na aba Comandos, escolha Reorganizar Comandos e marque a opção Barra de Ferramentas. Com a opção Padrão selecionada, clique em Adicionar. Agora é só escolher o comando que irá incluir. A opção de contar palavras está em Ferramentas, Contar Palavras. Clique em OK e o botão aparecerá na barra de ferramentas.


3) SÍMBOLO INSTANTÂNEO
Todo mundo sabe que para fazer aquela bolinha de 1º, 2º e assim por diante é preciso pressionar a combinação de teclas ALT + 167 do teclado numérico. Se você usa um desktop, sem problemas. No entanto, isso costuma ser uma chateação quando estamos trabalhando num notebook, que não tem teclado numérico. Para criar um atalho para esse ou qualquer outro símbolo, clique em Inserir e escolha Símbolo. Agora selecione o símbolo desejado (os símbolos º e ª, por exemplo, estão no grupo Latim-1). Ao lado do botão Tecla de Atalho aparece uma opção de atalho. Quer criar um novo caminho? Clique em Tecla de Atalho. Agora, é só digitar uma nova combinação

4) LIQUIDAÇÃO DE QUEBRAS
Você já deve ter recebido um texto exportado de outro programa cheio de quebras de linha em lugares errados. Para casos como esse você tem duas opções: ou gasta seus dedos excluindo as quebras manualmente ou faz isso de uma só vez. É claro que você vai ficar com a segunda opção. Clique em Editar, Substituir e na caixa Localizar digite ^l (acento circunflexo seguido por um L minúsculo). Deixe o campo Substituir Por em branco e mande substituir. O Word irá remover todas as quebras de linha manuais do documento. Além desta combinação há diversas outras. A combinação ^p, por exemplo, serve para retirar as marcas de parágrafo, enquanto ^t indica tabulação.

5) MARCA-TEXTO À MÃO
Uma função bastante usada no Word é o marca-texto. Porém, a única forma de acessar esse comando é pela barra de ferramentas. Para facilitar as coisas, vamos criar um atalho para essa função. Clique em Ferramentas e escolha Personalizar. Depois clique na guia Barra de Ferramentas, pressione o botão Teclado, que aparece embaixo da janela, e localize a opção desejada na lista. O marca-texto, por exemplo, está em Todos os Comandos/Realce. Agora é só digitar um novo atalho no campo Pressione a Nova Tecla de Atalho. Uma boa opção para o marca-texto é a tecla F11, que não é usada no Word. Clique em Atribuir e a operação é concluída.

6) TEXTO-MODELO
Existe um comando escondido no Word 2003 que possibilita criar um texto-modelo sem usar dezenas de vezes os comandos copiar e colar. Tudo o que você tem a fazer é, a qualquer momento, iniciar um novo parágrafo digitando a seqüência =rand(x,y). No lugar de x coloque o número de parágrafos que deseja criar. Substitua o y pelo número de frases que quer inserir em cada parágrafo. Pressione a tecla Enter. Seu documento será preenchido pela frase “A ligeira raposa marrom ataca o cão preguiçoso”, que, apenas por curiosidade, é a tradução de “The quick brown fox jumps over the lazy dog”, expressão que utiliza todas as letras do idioma inglês.


7) ARQUIVO DE VERSÕES
Se você está em dúvida sobre qual das 22 versões do seu texto está melhor e quer passar a árdua tarefa de escolha para o seu chefe, saiba que não é preciso encher a caixa de e-mail dele com um monte de arquivos. O Word conta com um recurso que arquiva diferentes versões do mesmo texto num único documento. Para aproveitar o recurso, clique em Arquivo e escolha Versões. Pressione o botão Salvar Agora e entre com um comentário. É possível armazenar quantas versões quiser dentro do mesmo arquivo. Depois, quando seu chefe receber o texto, é só ele acionar o mesmo atalho (Arquivo/Versões) e clicar na versão que quer visualizar.

8) DIGRAMA DE VENN
O Microsoft Word 2003 conta com uma excelente função para criar diagramas de Venn, aquele conjunto de círculos sobrepostos muito usado em relatórios. Para adicionar um diagrama de Venn em seus textos, clique em Inserir, Diagrama e selecione o símbolo do diagrama de Venn. Pressione OK e inclua novos círculos escolhendo a opção Inserir Forma. Use a opção Clique Para Adicionar Texto para acrescentar textos a cada círculo individual e pronto: em poucos segundos você criou seu diagrama de Venn.


9) MACRO EXPRESSA
Suponha que você queira repetir a mesma seqüência de comandos muitas vezes. Essa tarefa pode ser automatizada com certa facilidade se você criar uma macro no Word. Clique em Ferramentas/Macro e escolha Gravar Nova Macro. Dê um nome qualquer para a macro e clique em OK. Agora é só realizar a seqüência de comandos uma única vez enquanto o símbolo do gravador permanece na tela. Quando terminar, clique em OK para que a macro seja gravada. Para executá-la, clique em Ferramentas/Macro e selecione Macros. Escolha sua macro na lista e acione o botão Executar.


10) EXTRATORDE FORMATAÇÃO
Existe uma forma de remover a formatação de um texto do Word usando apenas dois atalhos. A primeira coisa a fazer é selecionar todo o seu texto pressionando a combinação de teclas Ctrl + T e, em seguida, remover a formatação usando a combinação Ctrl + barra de espaço.

11) SELEÇÃOEM RETALHOS
Você provavelmente já selecionou vários arquivos do Windows de uma só vez mantendo a tecla Ctrl pressionada enquanto clicava sobre eles. Saiba que esse recurso também vale para o Word. Se você mantiver a tecla Ctrl pressionada enquanto faz a seleção, é possível selecionar diferentes trechos de um documento de uma só vez. Depois você pode mudar a fonte, a cor ou a formatação da maneira que desejar.


12) ORDEM NA IMPRESSÃO
Dependendo do modelo da sua impressora, é possível que as páginas de um documento sejam impressas ao contrário, ou seja, a primeira página ficará no final da pilha. Uma saída simples para essa situação é configurar o documento para imprimir na ordem inversa. Clique em Arquivo, Imprimir, Opções e marque a opção Ordem Inversa. Ao fazer isso seu documento será impresso de trás para frente.

13) LINKS DA WEB
Sempre que um link da web aparece nos seus documentos é necessário usar Ctrl + Clique para acessá-lo. Existe uma forma de simplificar este trabalho. Clique em Ferramentas/Opções e acesse a guia Editar. Desmarque a opção Clicar com a Tecla CTRL Pressionada para Visitar o Hiperlink e pronto: basta um clique para ativar o link. Lembre-se apenas de que essa é uma configuração do Word, e não do documento. Ao enviá-lo para outro PC, a configuração desaparece.

14) DE VOLTAAO PONTO
Quando estamos trabalhando num documento, é bastante comum o uso da barra de rolagem para pesquisar trechos do mesmo texto. O difícil é lembrar o local exato onde estávamos trabalhando antes da pesquisa. Para retornar ao último trecho editado do documento, use a combinação de teclas Shift + F5. Se você usar a combinação novamente, irá para a penúltima modificação, e assim por diante. Esse comando é uma ajuda e tanto em documentos grandes.


15) MODIFIQUEOS ESTILOS
Os estilos do Word — como Título 1, Título 2 etc. — usam padrões de formatação predefinidos. Para modificá-los clique em Formatar, escolha Estilos e Formatação e, no painel que aparecerá à direita, clique com o botão direito sobre o estilo a ser alterado. Escolha Modificar e defina um novo formato. Marque a opção Atualizar Automaticamente e clique em OK. Isto irá atualizar o documento.

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Vídeo da Semana

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domingo, 4 de fevereiro de 2007

Entrevista concedida a Veja (29/09/1971), na época do lançamento do romance Pedra do Reino.- Final


Na literatura brasileira, eu me coloco na linhagem de José de Alencar, Sílvio Romero, Euclides da Cunha (lá vai o cuidado para não omitir gente), Jorge Amado (da parte picaresca), José Lins do Rêgo, Adonias Filho, José Cândido de Carvalho, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa. É essa a minha linhagem. Não estou dizendo com isso
que sou escritor tão grande quanto esses aí. É apenas uma questão de parentesco. Nem estou examinando com isso a minha obra, está entendendo? Porque aí eu tenho uma visão crítica sobre meu trabalho. Agora, o que pode haver é se eu falar mal do homem sertanejo, se eu falar com má qualidade literária, então eu não toco nem o homem sertanejo, não vou atingir nem o homem sertanejo, entende? Agora, se eu falar bem, com eficácia, se eu conseguir expressar o conflito do homem sertanejo, ou mais particularmente de um homem sertanejo, que sou eu, aí eu vou falar a todo homem, porque o homem é o mesmo em todo canto, está entendendo? Você veja o seguinte: Tolstói, o grande russo, uma vez disse "Pinte bem a sua aldeia que você será universal". Porque no pequeno mundo de uma cidade sertaneja você tem todos os conflitos do mundo, fome, trabalho, amor, ciúme, desespero, guerra, morte, assassinato, tem de tudo. Então, você pode falar do homem. Você pode até dentro de uma casa falar do homem todo, entendeu? Por isso, se eu falhei, não foi por causa da minha posição, a meu ver. Foi por falta de qualidade do trabalho. Não precisa ser russo para entender
Dostoiévski, não.

Eu confesso, e isso pode parecer uma coisa desagradável que eu vou dizer, mas, por exemplo: o pessoal diz que literatura está ultrapassada. O pessoal atual, influenciado por esse negócio de comunicação, diz que o livro está ultrapassado diante do cinema, televisão, progresso das comunicações, formas audiovisuais. Bom, enquanto houver no mundo gente como eu, livro não está ultrapassado. Eu podia responder, até com uma
brincadeira: um amigo meu, o jovem escritor Maximiano Campos, que faz o posfácio da "Pedra do Reino", teve um argumento outro dia que achei muito curioso. Perguntaram aqui a nós se a gente concordava com um desses teóricos da comunicação, que predisse o fim do livro. Aí ele disse: "Onde foi que ele sustentou essa teoria? Num programa de televisão ou num livro?" Foi num livro. "Então esse sujeito eu não leio não, porque um
homem que para dizer que o livro vai se acabar escreve um livro..." Está certo, olhe, eu não vou negar a você que gosto que o púbico tenha contato com o meu trabalho. Mas essa coisa não é fundamental. Eu juro que não é. O fundamental, para mim, é escrever a obra, fundamentalmente escrever. Agora, no segundo estágio, se minha mulher, minha família e uns dois ou três amigos gostarem, já está bom. Mas, veja bem, eu dispensaria até isso. De certa maneira, declaro que eu gosto que um trabalho meu tenha a maior repercussão possível. Mas não é o fundamental. Agora, por outro lado, não é contando farol, mas não me tem faltado esse tipo de apoio.

Acho que um sujeito só fala bem daquilo que realmente ama. Ordinariamente, consideram o sertão um assunto ultrapassado. Tem muita gente me aconselhando: "Você precisa pegar o assunto urbano", Mas não me atrai. Eu também acho que não tenho o direito de andar procurando o gosto da juventude ou do público para poder
adaptar o meu trabalho de escritor a isso. Seria uma indignidade, não? Eu tenho de falar como o homem de 44 anos que sou. Seria uma coisa artificial, postiça inteiramente. Eu acho até uma indignidade procurar saber o que é que a juventude está querendo para então eu colocar minha literatura de acordo.

Em abril deste ano, quando o presidente Medici esteve no Recife, Ariano Suassuna foi o encarregado de fazer a apresentação da Orquestra Armorial de Câmara, um dos ramos do movimenta armorial-popular brasileiro, criado em fins de 1970 por artistas nordestinos de diferentes atividades (escritores, músicos, artistas plásticos). Era
uma audição especial para o presidente, a quem Suassuna expôs no momento a contradição que vivia: "Estou de mal com o presidente da República porque sou monarquista. E fico mal com os monarquistas porque estou falando com o presidente da República". Para os que só o conhecem de assistir às suas peças, aquela declaração não passava de uma brincadeira de sertanejo. Mas os que convivem com Ariano Suassuna sabiam que ele não estava brincando. Inclusive, se não lhe permitissem aquela declaração, não teria apresentado a orquestra ao presidente.

As vantagens da monarquia, para mim, no tempo em que ela existia, eram as que eu vou dizer. Em primeiro lugar, o Brasil é um país singular, diferente dos outros países, e apesar de isso ser uma vantagem, o Brasil se envergonha disso. O Brasil tem a mania do decalque. A república no Brasil foi o resultado dessa mania de imitação. O Brasil proclamou a república somente porque os Estados Unidos e a França eram republicanos,
entendeu? Então, até o nome, que era Brasil, virou Estados Unidos do Brasil. A primeira bandeira que fizeram da República, felizmente, o general Deodoro da Fonseca proibiu e mandou manter a bandeira tradicional; a bandeira do tempo do Império, com o escudo do Império. Então, eles propuseram no primeiro dia uma bandeira que era exatamente com as estrelas no canto esquerdo, uma listra verde, outra amarela, uma verde, outra amarela, igualzinho à bandeira americana. Agora, Deodoro da Fonseca teve bom senso e disse: "Não, a parte do retângulo verde e a do losango amarelo são intocáveis. Agora, o escudo do meio pode mudar". Foi por isso que mudou o escudo.

Quer dizer: então eu achava que o regime monárquico no Brasil marcava essa peculiaridade brasileira, essa singularidade brasileira que o Brasil pegou e jogou fora. Agora, a monarquia brasileira tinha umas coisas também de imitação européia que a mim não me agradam. Foi uma tentativa, por exemplo, de imitação do império liberal inglês da Rainha Vitória. Isso daí é que não simpatizo muito. Tanto que gosto mais do dom Pedro I do que do dom Pedro II, porque dom Pedro I era mais brasileiro, apesar de ter nascido em Portugal. Ele assumia muito mais as qualidades e os defeitos do nosso povo, eu acho.

Agora, isso historicamente seriam as vantagens da monarquia. Politicamente também, por outro lado, os povos latino-americanos de língua espanhola se fragmentaram, não conseguiram manter a unidade. E isso a gente deveu ao Império. Foi a visão de político de José Bonifácio que salvou a unidade do Brasil. Ele foi combatidíssimo na época, por ter feito a independência com o príncipe herdeiro, entendeu? Eles achavam que a rebelião devia ser contra Portugal e devia-se expulsar dom Pedro I. Eles, os extremistas da época. E ele teve essa visão. Se ele não fizesse isso, o Brasil se fragmentava. Aqui, o nordeste, por exemplo, estava com vontade de se separar. O Pará quase se separa, não é? E no sul havia tantas condições para a separação que logo depois, no império de Pedro II, o Rio Grande quase vai embora. Então, foi essa astúcia política de ter feito do
herdeiro da coroa portuguesa o chefe da independência, foi esse fato que salvou a unidade do Brasil.

Isso do ponto de vista histórico. Do ponto de vista político, também, me parece que a vantagem da monarquia é separar a pessoa do chefe do Estado, do chefe do governo, do chefe da nação. Numa república, o presidente, que vem de uma corrente política, é o chefe da nação. Então, haverá sempre uma contestação. Então, ele é o chefe do governo, mas a meu ver ele não devia representar a nação, porque isso traz para o chefe da nação as distensões políticas que levaram à eleição, está entendendo? Enquanto que na monarquia o rei é o chefe da nação e o chefe do governo é outro, o primeiro-ministro.

Não sou parlamentarista, não. Estou apenas mostrando a vantagem da separação. Agora, o pessoal diz: "Mas às vezes o rei é um imbecil". É. Mas eu vou dizer uma coisa: o risco é o mesmo. O risco de nascimento de um imbecil é o mesmo da eleição de um imbecil. Não existe nenhum presidente da república imbecil não? Hein? Tem como o diabo, hein? Tem vários, hein? Esse é o motivo – está entendendo? – de eu ser monarquista. E
tem outro, o motivo estético, se bem que eu reconheça que não se deve misturar muito estética com política Mas eu acho mais bonito monarquia do que república, se isso tem algum valor. E digo mais: o povo brasileiro acha também. Uma das coisas que eu acho mais bonitas no brasileiro é um traço monárquico. O pessoal diz: o brasileiro é inteiramente irresponsável, passa fome o ano todinho para se vestir de rei no carnaval. Acho isso uma coisa maravilhosa, uma coisa bonita, a coragem de sacrificar o cotidiano por um sonho. Acho que só um grande povo é capaz de um negócio desses.
Agora, uma outra coisa: como é que Pelé é chamado? É o rei do futebol. Não chamam ele de presidente, não, hein? Então, o brasileiro tem saudade da monarquia. A gente tem quatro séculos de história. Desses quatro, três foram monarquia. Outra coisa curiosa: quando o rei Balduíno veio aqui, recebeu um dos pedidos mais bonitos que já vi se fazer a um rei. Mas aquele sujeito não tem categoria para ser rei, não. Se eu recebesse um
pedido desses... O pessoal de Juazeiro do Padre Cícero mandou pedir que ele fosse lá, mas não o queria vestido de gente, não, queria vestido de rei. Ele não teve coragem de ir. Olhe, as empregadas aqui de casa. quando chegou a rainha da Inglaterra, ficaram no maior assanhamento para ver a rainha, está entendendo? Correu tudo para a televisão e quando ela desceu à paisana, de roupa civil, foi uma decepção. Porque rei para o
povo é rei mesmo, é rei de carta de baralho, que é bonito.
Quando deu esta entrevista, na semana passada, Ariano Suassuna estava gripado ("Essa danada me pegou de supetão, sem eu esperar"). Ainda assim, era o homem engraçado de sempre, o sertanejo magro (l,85 m de altura, 75 quilos) que tira soluções engraçadas das tragédias cotidianas, pondo o ridículo de braços dados com o dramático. Para ele, a tarefa do artista é divertir o mundo: "Mas uma forma superior de diversão. Quer dizer,
você tem que entender a palavra diversão aí num sentido amplo. Essa diversão tem que incluir até a fruição do trágico". Por isso, apesar de ter como personagens a gente do nordeste, suas peças e seu romance não se enquadram na literatura de protesto. "Não gosto da palavra, inclusive. Nem de literatura de denúncia." Acredita, pelo contrário, na vitória sobre o sofrimento através da graça. E está convencido de que o povo brasileiro,
mesmo com tantas dificuldades, também pensa assim.

As soluções engraçadas, para determinados tipos de problemas, comuns em minhas peças, isso é muito do povo brasileiro, não é? A maneira de resolver astutamente o problema. Isso, aliás, é uma das coisas que me leva a ter fé no Brasil. Acho que o Brasil vai se sair bem dos problemas que está vivendo, especialmente por isso. Mas para isso ele precisa ser fiel a essas peculiaridades, a essas diferenças. O homem do povo brasileiro tem uma grande sabedoria. O fato é que – veja – sobreviveu quatrocentos anos. Isso já é uma prova de grande sabedoria, inclusive de vida. O brasileiro tem uma filosofia de vida própria, uma maneira. E é isso que eu acho que está precisando. Quer dizer, quando eu me refiro às peculiaridades do povo brasileiro, que o regime monárquico acentuaria, eu estava me referindo a isso. Eu acho que o regime político tem que refletir isso.

A solução na "Compadecida", por exemplo, não é tão engraçada, não. Inclusive morre todo mundo. No fundo é uma história trágica que eu narrei comicamente porque eu gosto de rir. E o brasileiro de um modo geral também gosta, não sou eu só, não. De modo geral, o brasileiro gosta rir principalmente de si mesmo. Tenho também tragédias, "Uma mulher Vestida de Sol", "O Santo e a Porca". Apesar de ela ser cômica, acaba mal, muito mal. E mesmo a "Pedra do Reino" não acaba bem.

O mundo tem um fundamento trágico. Olhando seriamente, tem. Mesmo que não lhe aconteça uma tragédia especial, você vai acabar morrendo Você é condenado à morte pelo simples fato de ser vivo. O pensamento existencialista tem chamado muita atenção sobre isso. O sujeito é chamado para cá sem ser consultado e quando menos dá conta de si está condenado à morte por um crime que nunca praticou. Então, o fundamento da existência humana é trágico. Eu não tenho uma tendência para viver apavorado com isso, não é do meu caráter de sertanejo. Inclusive acho até graça nisso. É uma forma de saída como outra qualquer. Sei que vou morrer, todos sabemos que vamos morrer, mas não fico me lamentando por causa disso, não. Os existencialistas se lamentam muito, mas eu acho que é uma certa forma de covardia. A gente deve inclusive achar graça.

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