quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

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terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Cervejarias descumprem veto a erotismo

Fabricantes voltam a usar mulheres em propagandas com apelo sexual, apesar de terem se comprometido a evitar prática
Associação de cervejarias vê falhas pontuais; conselho de fiscalização do setor, Conar promete fiscalizar abuso em ações de outros produtos
Três anos após se comprometerem a não recorrer ao apelo sexual em anúncios de bebidas alcoólicas, as cervejarias voltaram a abusar de cenas com conotação erótica nas campanhas publicitárias deste verão.
Integrantes do mercado publicitário e representantes dos produtores de álcool admitem que parte da última safra de propaganda desrespeita o acordo de auto-regulamentação.
"É preciso que haja muita responsabilidade para que a gente não perca a liberdade", alerta Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade.
O superintendente do sindicato das cervejarias, Marcos Mesquita, também reconheceu "algumas irregularidades sob o conceito ético" na nova safra de comerciais, sem citar nomes. "Todos esses equívocos ou casos de mau gosto são pontuais."
A Folha apurou que o Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) já recebeu denúncias contra a Antarctica (Ambev) em razão do anúncio em que a atriz Juliana Paes atua como dona do Bar da Boa. O Conar tem poder para tirar um comercial do ar.
Em um dos comerciais, Juliana ameaça "botar para fora" os clientes que batem os pés para ver os seios dela balançar- eles respondem "bota, bota", em referência aos seios.
Já a atriz Karina Bacchi e a apresentadora Adriane Galisteu viraram "namoradas" do "baixinho" da Kaiser, da fábrica mexicana Femsa. Em um dos filmes, garotas tiram as roupas umas das outras em uma disputa pelo garoto-propaganda até ficarem de biquíni.
A cerveja Cintra, do grupo português homônimo, é mais explícita. Lançou há uma semana comercial em que a modelo Dani Lopes, ao abaixar para pegar uma cerveja, expõe a tatuagem "tô dentro" na altura do cóccix. Há marcas ainda que têm distribuído gibis eróticos.
"Não há sutileza, as mulheres estão ali para serem consumidas. Os anúncios revelam que a mulher é algo para servir ao homem e mostram como estamos longe de uma sociedade com eqüidade de gêneros", diz Berenice Bento, doutora em sociologia e pesquisadora da Universidade de Brasília.
Para Ilana Pinsky, coordenadora do Ambulatório de Adolescentes da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), da Unifesp, as propagandas utilizam linguagem simplista, associações diretas entre beber e conquistar mulheres, parte de uma estratégia muito mais pesada de marketing. "Talvez ficaram mais apelativas em razão da entrada da Femsa no mercado."
O presidente do Conar, Gilberto Leifert, diz que o órgão passará a monitorar todas as propagandas -não só as de cerveja- para verificar se está havendo falta de ética no uso de mulheres em comerciais.
O anexo sobre bebidas alcoólicas do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, publicado em 2003 pelo Conar, diz que os anúncios "não se utilizarão de imagens, linguagem ou idéias que sugiram ser o consumo do produto sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual".
O objetivo da regra era que se promovessem marcas e não quantidade de consumo -ficou acordado que a associação entre bebida e erotismo pode levar ao consumo abusivo.
A auto-regulamentação de dezembro de 2003 ocorreu após ameaça do governo, nunca concretizada, de endurecer no controle do álcool, inclusive sobre a propaganda, com horário restrito para as cervejarias.

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Não deixe que o desânimo tome conta de você

Quem se conforma não vence, apenas submete-se ao destino. Não deixe que o desânimo tome conta de você, uma pessoa que não aceita a resignação.

Conformar-se é ser facilmente vencido; associado a um amor covarde, temendo a liberdade e permitindo escravizar-se. Essa não pode ser a base da sua vida.

Por isso, conquiste a vida! Não se prenda a opinião dos outros. Viver é algo para os que amam de coração e, por isso, são protegidos pelos anjos.

Não aceite ser algemado aos caprichos dos outros. Viva intensamente cada dia até seu limite, exija o máximo da vida, exteriorize todas suas formas de energia, já que são raras as pessoas que podem fazê-lo, entregando-se de corpo e alma.

Quando você transformar suas idéias em algo prático, entenderá o quanto está próximo para obter um resultado satisfatório, pois a vida sempre conspira para ofertar a quem deseja, o que existe de melhor.

Portanto, elimine todos os interesses mesquinhos da materialidade. Faça uma nova avaliação das suas emoções e pensamentos. Tenho certeza que agora é "sua hora", um momento em que ninguém ainda ouviu soar na Terra. Aproveite e faça acontecer.

Compreenda que todos nós temos uma missão e você tem um lugar de destaque no mundo. Por isso, não desanime. Assim, tudo se torna possível.

Algumas pessoas negam suas angústias tratando-se com calmantes, bebendo álcool ou consumindo drogas, indiferentes a tudo e a todos, omissos nas suas responsabilidades de amar.

Na verdade, tudo o que acontece são desculpas para diminuírem a vida na tentativa de torná-la mais suportável, recusando-se às experiências, terminando a existência com uma visão limitada das suas potencialidades. Talvez você não tenha noção, mas um ideal bem interpretado pode ser o combustível para o sucesso da sua vida. É o que está acontecendo com você. Na crise, tire o "s" da palavra e crie!

Você é espiritualmente livre, o administrador de sua própria evolução. Então, não desanime. Não siga o exemplo de alguém que você não acha que esteja na mesma sintonia. Ninguém é perfeito e todos nós estamos sujeitos aos erros.

Pode ocorrer de alguém que convive próximo à você acabar por "derramar" seus temores e inseguranças, erros e preconceitos. Ela expressa o que acha o que é certo, mas prega a tensão e a frustração do mundo em que nasceu e viveu, ou seja: acaba como prisioneiro conformado com seus erros e ilusões.

Já foi profetizado que uma minoria de indivíduos estaria pronta a fermentar uma nova sociedade. Um destes escolhidos é você, não tenho dúvida.

Siga seu coração, aja conforme sua intuição. Expanda seu amor por inteiro. Você é especial e diferente. Por isso, não desanime e não se conforme com nada. Tudo é possível, porque tudo vale a pena!

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domingo, 28 de janeiro de 2007

VÊNUS PERDE O LAQUÊ - FINAL

Não queria que a tevê por assinatura canibalizasse a Rede Globo.

O Brasil é o país ideal para a tevê por assinatura, por causa da alta urbanização. Com um buraco no chão, você atingiria uma infinidade de domicílios. (É só ver a penetração da tevê por assinatura em Buenos Aires.)

A hegemonia da Globo fez com que, 16 anos depois, a penetração da tevê por assinatura no Brasil fosse de 8% do mercado. A vítima foi a produção independente no Brasil. Não é à toa que o cinema brasileiro é o que é; a dramaturgia brasileira é o que é...

Por causa desse trancamento da produção independente e da cumplicidade dos governantes brasileiros, é possível à Globo produzir, ela própria, 88% do conteúdo do horário nobre.

É bom lembrar que, em Hollywood, 50% dos empregos são de pessoas que trabalham em produções independentes para as emissoras de tevê: seriados, soap-operas, sit-coms etc.

Com a eleição de 2006, porém, isso (a cumplicidade dos governantes) pode mudar.

O ambiente político mudou. A Globo não depende mais do governo como dependia antes. E dependeria muito, se o BNDES tivesse conseguido concluir, no governo FHC, uma operação de salvamento da Globo por conta de “um futuro aumento de capital”. Era um negócio tão bom que Roberto Civita, em entrevista que meu deu, quando eu trabalhava na TV Cultura, proclamou: “Assim, eu também quero”.

Aliás, ao inaugurar o Projac, FHC disse: “Eu tenho orgulho da Globo. Eu tenho orgulho do Brasil”. Nessa ordem.

O ministro José Dirceu bem que tentou, no programa Roda Viva, ao comparar a Globo à Varig, arrumar uma grana para a Globo. Mas não conseguiu. A Globo foi à luta e resolveu a reestruturação de sua dívida no mercado financeiro internacional
Porque o governo Lula também não deve nada à Globo. Ao contrário: o golpe do segundo turno ficou atravessado na garganta do governo.

•Também o ambiente institucional, regulatório, se tornou mais escorregadio para a Globo.

Até agora, a Globo conseguiu, como demonstra o professor Murilo Ramos, da Universidade de Brasília, fazer com que o setor de radiodifusão fosse “o mais irregulado” do Brasil. Vale o que a Globo quer. Ou queria.

A começar pelo fato de o ministro das Comunicações não mandar mais. Pela primeira vez na Nova República, que começou com Antonio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações, o atual ministro das Comunicações, Hélio Costa (que, como eu, chefiou o escritório da Globo em Nova York), não manda sozinho no pedaço.

Quem manda mesmo é a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Foi ela quem decidiu que o sistema da tevê digital seria o japonês. Se foi por causa da Globo, tenho as minhas dúvidas...

É exatamente esse ambiente “irregulado” que agora pode se virar contra a Globo. No saco de gatos que a Globo montou nem ela manda mais.

Como é que a Globo vai evitar que a Telefônica tenha uma tevê por assinatura?

E a Brasil Telecom, que fatura num trimestre o que a Globo fatura no ano? (Aliás, é bom lembrar que tenho com muito orgulho um site no iG, empresa controlada pela Brasil Telecom). E se a Brasil Telecom comprar uma tevê por assinatura?

A Globo vai cobrir os céus do Brasil e desligar o transponder?

Vejam que situação interessante, que me relatou um amigo que entende disso mais do que eu.

John Malone, da Liberty Media, e Rupert Murdoch, da News Corp, decidiram que um vai sair da empresa do outro. Malone vende a Murdoch as ações que tem na News Corp. E Murdoch vende a Malone as ações que tem na Liberty Media e sai da DirecTV.

Malone fica com a DirecTV. Só que Malone não gosta de investir fora dos Estados Unidos. E pode querer vender a DirecTV, que opera na América Latina, a uma tele que opere no Brasil. Como é que fica? A Globo vai impedir que o John Malone, que mora na Califórnia, venda a DirecTV à Telefônica, que fica em Madri? Nem com a ajuda do Ricardo Teixeira e da Fifa.

E aqui entramos no interessante capítulo das novas mídias e da democratização da mídia. A assim chamada “mídia convencional” nunca mais será a mesma.

A internet já é mais lida que os jornais, no Brasil.

Não é preciso dizer que a receita publicitária dos jornais e revistas está em queda.
Revistas: tinham 8,8% do total do mercado publicitário em 1996, e está em 8,6% este ano.

A dos jornais desabou (o que explica, em parte, a fúria antigovernista deles): era de 25,6% em 1996, e passou para 15,7% do bolo publicitário em 2006. Queda de 10% em dez anos.

Ou seja, é mais promissor produzir aço em Pittsburgh, automóveis em Detroit e chapéu-coco em Londres do que produzir jornais no Brasil.

Outro dia, num seminário na Cásper Líbero, imaginei a primeira cerimônia luddista do século XXI: João Roberto Marinho, Roberto Civita, Otavio Frias Filho e Ruy Mesquita, no salão nobre da Fiesp, debaixo do busto do Conde Matarazzo, fazem uma fogueira para queimar os computadores de cem dólares do Nicholas Negroponte.
É porque a democratização da mídia vai se dar na Casas Bahia.

O governo Lula levou o computador à classe C. Com a “MP do Bem”, o acesso ao crédito (especialmente ao crédito consignado) e a massificação do cartão de crédito, inclusive na classe C, o consumo de computador começa a se democratizar.

As vendas de computador vão subir 47% em 2006. Serão vendidos 9 milhões de unidades. Metade disso foi consumida pelas classes C e D. Só o “computador para todos”, que o governo lançou por 1.400 reais, vendeu 380 mil unidades nos nove primeiros meses do ano.

Computador significa internet. O brasileiro fica 20h30 por mês na internet, 37 milhões de brasileiros acessam a internet. São os campeões do mundo. O comércio eletrônico vai bater o recorde em 2006.

Vamos falar agora de outro formato de computador: o celular.

No mesmo seminário na Cásper Líbero, Caio Túlio Costa, presidente do iG, lembrou que a derrota de Aznar e a eleição de Zapatero, na Espanha, em 2004, devem muito à infinidade de SMS que desmentiram a versão da tevê estatal de que o atentado ao metrô de Madri era obra do ETA, e não da Al-Qaeda, como depois se comprovou.

Além de mandar mensagens com a rapidez de um torpedo, o celular passou a baixar e-mails e dar acesso à internet, lembra o relatório de dezembro de 2006 da ITU, a International Telecommunication Union:
“Um em cada três seres humanos no planeta tem celular. E cada vez mais os celulares estarão equipados com câmeras digitais e capacidade para tocar música. Ou seja, o celular começa a se parecer mais com um computador do que com um telefone.”

No Brasil, a penetração do celular foi espantosa: hoje, há 100 milhões de celulares no País. E 60% dos donos de celular enviam e recebem mensagens de texto, torpedos. Com a massificação do celular, a democratização do “computador no celular” de que fala o relatório da ITU será um passo.

Como é que a Globo quer impedir a democratização da mídia? Através da treva tecnológica?

Esteve em tramitação no Congresso uma PEC do senador Maguito Vilela (PMDB-GO), que pretendia exatamente isso: devolver o Brasil à Idade da Pedra. Ou seja, que “o provimento de conteúdo” em todas as mídias, inclusive no celular só possa ser feito de acordo com a lei atual de radiodifusão aquela que interessa à Globo. A nacionalização completa do conteúdo, de preferência por nacionais do Jardim Botânico, quer dizer, do Projac.

(Corre também de forma acelerada um projeto de lei do deputado Luiz Piahylino, não reeleito, com substitutivo de Nelson Marquezelli – PTB-SP, com a mesma inspiração tenebrosa.)

Eu imaginei submeter, humildemente, ao senador Evandro Guimarães, ou melhor, Maguito Vilela as seguintes perguntas:

• Se a minha sogra argentina tirar uma foto do Pão de Açúcar com o celular e enviar por e-mail para a minha filha que está em Fortaleza, pode?

• Se o meu sobrinho baixar o último disco do Bob Dylan no iPod, ele pode ouvir sentado no McDonald’s da avenida Henrique Schaumann? Ou tem de ser no Habib’s?

• Se um turista tailandês usar uma camereta e filmar um engarrafamento na Marginal do Tietê, postar no YouTube e eu assistir no meu notebook quando estiver em Caruaru, pode?

• O senhor não vai deixar entrar no Brasil a Internet Protocol Television (IPTV), que na Coréia do Sul e em Hong Kong é uma brincadeira de criança? Ou seja, assistir à tevê, na telinha do celular, pode?

• O Mino Carta, em Gênova, pode fazer um post em seu blog, no iG, sobre a excelência do vinho espanhol? Ou só pode se for sobre o Miolo?

• Jamais teremos a digital wallet, a carteira digital, que a Nippon Telegraph and Telephone começou a distribuir no Japão? É um celular com as características de um cartão de crédito. Você compra o que quiser... com o celular. Pode, senador?

• Ou é melhor transferir o iG para Ciudad del Leste e começar a postar as minhas enquetes e os meus vídeos de lá. Senador, o senhor pretende construir um Muro da Treva, na Ponte da Amizade, com o logo da Globo, em cima, todo iluminado de azul?

Finalmente, senador, qual o seu tipo inesquecível, dentre esses amigos inseparáveis da democratização da informação?
( ) Pol Pot
( ) Fidel Castro
( ) Kim Jong-il

*Essa informação faz parte de um estudo distribuído a bancos, em Nova York

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sábado, 27 de janeiro de 2007

VÊNUS PERDE O LAQUÊ - PARTE 1

Por Paulo Henrique Amorim

O Boni está feliz da vida e trabalha na rua Lopes Quintas, Jardim Botânico, Rio. É onde fica a Vênus Platinada. Continua a trabalhar, porque a Globo não mudou nada, depois que ele deixou o comando da empresa. Na Globo, não existe “DB”, depois do Boni. A Globo continua na era do Boni.
Nas finanças, a Globo está ótima. Levantou a concordata de 2002, quando deu o calote numa dívida de 1,1 bilhão de dólares. A Globo acreditou em FHC e achou que o real valia um dólar. Endividou-se em dólares e...

(Interessante que, à exceção de CartaCapital, não me lembro de outro órgão de imprensa que noticiasse a concordata da Globo.)

Em abril deste ano, a Globo lançou perpetual bonds no mercado financeiro internacional no valor de 325 milhões de dólares, com juros de 9,375% ao ano. O lançamento era de 250 milhões de dólares, mas a procura foi tanta que a oferta teve de crescer 30%.

A recuperação financeira deve explicar a “nova independência” da Globo, exposta de forma exuberante na eleição de 2006, quando o Jornal Nacional levou a eleição para o segundo turno, como demonstrou, “CartaCapital” na, reportagem exemplar de Raimundo Rodrigues Pereira.

Porém, nem tudo são rosas.

O ano de 2006 demonstrou também que a Globo passou a enfrentar um ambiente político e empresarial mais hostil.

(E antes de prosseguir, é bom lembrar que trabalho na TV Record, como repórter e apresentador do programa Domingo Espetacular. Com muito orgulho.)

Vejamos:

• Pela primeira vez, desde que se tornou a Vênus Platinada, nos anos militares, a Globo passou a enfrentar, em 2006, um concorrente que tem grana. A Record.

• Pela primeira vez, a Globo enfrenta um concorrente que entrou de sola no filé mignon da tevê brasileira: o mercado de novelas, onde está 25% do faturamento da Globo. O concorrente é a Record.

• A Globo é como aquele campeão peso pesado, que ganhou peso, só enfrentava sparrings e há 15 anos luta do mesmo jeito. E por isso é vulnerável, nesse combate contra um jovem que tem grana no bolso.

• A Globo não tem mais tempo de “go global”. A certa altura, ela tentou ir para a Itália, mas, como me disse, um dia, Bettino Craxi, antes de uma entrevista em Nova York: “Mas, como? Eles resolveram enfrentar o Silvio (Berlusconi), logo o Silvio?” E a Globo deu com os burros n’água.

A Globo deveria ter sido uma forte vendedora no mercado de novelas e jornalismo nos países de língua portuguesa e espanhola fora do Brasil, sobretudo nos Estados Unidos.

Oitenta por cento das receitas da Globo saem da publicidade. A participação da televisão no bolo publicitário brasileiro (um total estimado de 18 bilhões de reais, em 2006) está em 60% há dez anos.

Ou seja, o Brasil ficou pequeno para a Globo. Porque, com os custos fixos que tem por exemplo, ela tem 475 contratos de exclusividade, de longo prazo, com artistas e pessoal ligado à produção de conteúdo* a Globo teria de amortizar uma parte disso no exterior.

Porém, a Globo ficou imprensada na província, entre as palmeiras do Jardim Botânico e o Sumaré, e não viu a banda passar. Quem viu foram os mexicanos, os venezuelanos, colombianos e os americanos.
Hoje, a Globo não é mais a primeira em audiência no público que fala português fora do Brasil. É a Record Internacional. Uma vez, sugeri a Walter Zagari, diretor-comercial da Record, o slogan: “No mundo já somos os primeiros. Só falta o Brasil”. A sugestão não foi aceita...

• A Globo também não tem mais como impedir o crescimento de concorrentes no próprio mercado de televisão. Por exemplo, ao longo de 16 anos, a Globo conseguiu conter o crescimento do mercado de tevê por assinatura. Ela sentou em cima do mercado, tomou conta dele e não deixou que competisse com a tevê aberta ou seja, com a Rede Globo.

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Sanduíche de Metro à Califórnia


O agridoce deste máxi-sanduíche é o que lhe dá o charme e o jeito "gourmet ".
Se quiser, substitua a manga por ameixas pretas, não tão coloridas, mas mais fáceis de serem empregadas. Nesse caso, entremeie as ameixas com tomates secos, para dar um visual mais vistoso.

Ingredientes:

- 1 unidade(s) de pão de metro
- quanto baste de maionese
- 250 gr de lombo canadense Sadia Speciale
- quanto baste de manga em tiras
- quanto baste de mussarela
- quanto baste de alface americana
- quanto baste de cereja para decorar

Modo de PIreapro:

Corte o pão e espalhe a maionese nos dois lados. Distribua o lombo canadense (todas as fatias, formando mais de uma camada) e, por cima, a manga.
Arranje a mussarela e a alface em tiras. A alface deve aparecer, extrapolando o pão. Feche o sanduíche e decore com cerejas espetadas em palitinhos, sobre o sanduíche.

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Fui seduzida por um narcisista

Narciso, o personagem da mitologia grega, fica tão encantado ao ver sua própria imagem refletida em um lago que acaba morrendo afogado. Com essa história nasceu o termo narcisista. Ao contrário do personagem com fim trágico, há um Narciso que não morreu: está bem vivo no coração e na mente de muitos homens irresistíveis. O detalhe é que, quando uma mulher se apaixona por um deles, é ela quem acaba se afogando em sofrimento e mágoa. Claro, ter uma dose de autoconfiança, amor-próprio e vaidade é saudável para estruturar a personalidade. Mas, quando um dos parceiros tem essas características muito exageradas, torna-se quase impossível manter a vida a dois. Num relacionamento equilibrado, ambos fazem concessões diárias e a admiração é mútua. Mas nada disso acontece quando o parceiro é um narcisista tóxico, termo cunhado pelos escritores americanos Steven Carter e Julia Sokol no livro "Socorro! Me Apaixonei por um Narcisista" (Editora Best-Seller). Esse tipo de homem é absolutamente encantado consigo mesmo, incapaz de perceber as necessidades de qualquer outro ser. Não consegue se colocar no lugar nem compreender os sentimentos dos outros. Ama apenas a si mesmo.

Cair de amores por homens assim é muito mais fácil. Os narcisistas se apresentam como "personagens de um romance interessante", como definem Steven e Julia. Só falam de si mesmos e de seus interesses -"o meu carro, a minha casa, o meu trabalho". Mas fazem isso de uma forma fascinante. A estudante Simonel, 25 anos, já viu esse filme. "Meu ex-marido me dizia: 'Homem como eu você nunca vai encontrar!'. Ele se achava o maioral, o melhor, o mais bonito, o perfeito em tudo. No começo eu também achava tudo isso, mas, depois de alguns anos de convivência, meu amor foi acabando, exatamente por esse excesso de vaidade dele."

Duas caras Na fase da conquista, os narcisistas dizem e fazem tudo aquilo que sempre se desejou ouvir de um homem: essa é a armadilha. Eles se derramam em juras de amor, fazendo a parceira acreditar que o romance ideal, tão sonhado e desejado, finalmente se tornou realidade. Tudo parece perfeito demais. É comum os narcisistas mais tóxicos incluírem rapidamente a parceira em suas vidas tão fascinantes, pois querem mostrar que fizeram uma conquista, que ganharam um troféu. Mas, quando a mulher é apresentada à família ou aos amigos dele, ela sente que é importante e interpreta isso como um sinal de envolvimento. "Lúcio* precisava desesperadamente ser o centro das atenções e o melhor em tudo", conta Fabiana Ushinaka, 24 anos, jornalista. "Comigo e nas rodas de amigos, falava muito dele mesmo e, ao mesmo tempo, se mostrava inseguro. Ficava incomodado se alguém me elogiasse e sempre dava um jeito de dizer que era mais do que eu. Quando comecei a fazer duas faculdades, então, ele surtou. Achava que estava em desvantagem. Ficava irritado com essa competição que ele mesmo criou. Com o tempo, ele ficou agressivo, insuportável, e o namoro acabou. O engraçado é que ele fez de tudo para me conquistar, mas não fez nada para que a história desse certo."


Esse comportamento inflado, na verdade, surge para esconder uma limitação, diz Raphael Boechat, psiquiatra e pesquisador da faculdade de Medicina da Universidade de Brasília. "O narcisismo é um transtorno da personalidade. Superficialmente, esse homem é alguém que busca apenas se satisfazer. Mas, inconscientemente, isso pode ser um mecanismo de defesa, pois, na verdade, ele tem mesmo um forte sentimento de inferioridade." Para não deixar que isso transpareça, procura se auto-afirmar a todo instante.

"Durante 15 anos fui casada com um homem assim", diz Patrícia, 33 anos, policial civil, separada. "Carlos* era charmoso, sempre foi supervaidoso, se olhava no espelho mais de cem vezes por dia. Até eu entrar na sua vida, ele não tinha profissão. Eu o incentivei a fazer um concurso na polícia e ele passou. Lá abri os caminhos para o Carlos, que foi me usando para conseguir tudo que queria. Eu me desdobrava para agradá-lo, mas ele não fazia nada em troca. Por exemplo, preparei festas de aniversário surpresa para ele e, na minha vez, nem um bolinho! Era difícil lidar com essa incapacidade dele me enxergar. Eu ficava mal, mas achava que ele me amava e sempre arrumava uma desculpa para as suas desatenções. Até que Carlos me traiu e me deixou sem dar explicações, com dois filhos e todas as contas para pagar."

A desatenção contínua é típica dos narcisistas tóxicos e detona a auto-estima da mulher -por mais que ela tente agradá-lo, parece que ele nem a vê. Esse comportamento é tão inexplicável que a mulher começa a achar que a culpa é dela. Para Boechat, é comum eles perderem o interesse após a conquista e abandonar a mulher ou namorada de uma hora para outra, sem explicações convincentes. Steven e Julia acreditam que os narcisistas têm pavor de compromisso.

Falso brilhante Mas por que as mulheres entram nessas histórias? Segundo Boechat, em muitos casos, elas acabam sendo vítimas da competição que estabelecem com outras mulheres. "A mulher se coloca como um objeto a ser conquistado. O jogo de sedução do narcisista costuma satisfazer o ego dela: afinal ele, que diz ser uma pessoa tão especial, a escolheu entre tantas outras." O narcisista pode também mostrar seu lado inseguro e carente para conquistar a parceira. "Isso desperta o instinto maternal na mulher. Sentir que ele precisa de ajuda pode ser bastante sedutor", explica o especialista. "Queremos ser a pessoa especial que fará ele se sentir melhor, que curará seus traumas e carências", resumem os escritores Steven e Julia. Assim, ele a convida a dar mais, mais e mais. Ela topa e vai alimentando esse comportamento superegocêntrico.

Saber por que esses homens são tão atraentes é importante para não cair na mesma armadilha várias vezes. Mas, se a escolha for ficar com um parceiro assim, se vale a pena por outros motivos, é bom saber que, segundo Steven e Julia, "você não será capaz de corrigir, mudar e curar o narcisista que faz parte da sua vida. O melhor é parar de tentar compreendê-lo e respeitar suas próprias vontades."

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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Imagem da Semana

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terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Notebook Positivo Mobile D35


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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

A ciência do orgasmo

A era da clitorismania acabou. Destacamos cinco novas certezas reveladas no livro “The Science of Orgasm”,recém-lançado nos Estados Unidos pelo neuropsicólogo Barry R.Komisaruk, pela sexóloga Beverly Whipple e pelo endocrinologista Carlos Beyer-Flores



1. O clitóris não é o único responsável pelo orgasmo.
A supervalorização do órgão principalmente com o feminismo levou à era da clitorismania, em que o papel de outras regiões do corpo foi ofuscado. Hoje sabe-se que ele não age sozinho, apesar de ser muito importante. “94% das mulheres chegam ao clímax estimulando o clitóris”, diz a ginecologista e terapeuta sexual Jaqueline Brendler, diretora da Associação Mundial de Saúde Sexual. O estímulo do clitóris ativa apenas o pudendo, um dos quatro conjuntos de nervos ligados às diversas partes da área genital da mulher. Enquanto isso, estímulos nas áreas externas e internas da vagina, incluindo a conhecida como “ponto G” e o colo do útero, ativam, além do pudendo, os nervos pélvico, hipogástrico e vago. A combinação desses estímulos causa sensações diferentes e, portanto, orgasmos diferentes. O estudo desses nervos explica, por exemplo, a dificuldade de mulheres que tiveram o útero retirado em cirurgia chegarem ao orgasmo, ou o fato de transexuais que tiveram a genitália masculina transformada em vagina relatarem orgasmos vaginais

2. O cérebro ainda é o órgão que mais trabalha pelo orgasmo.
Para ter uma idéia, há mulheres que chegam ao clímax apenas pensando. O orgasmo não é apenas um reflexo, como o chute depois do estímulo no joelho feito por um médico. “O orgasmo é uma percepção cerebral desencadeada por uma excitação crescente”, diz Jaqueline. Os pesquisadores notaram que o estímulo erótico genital ativa áreas do cérebro que, por sua vez, estimulam músculos involuntários e voluntários, num ciclo que se retroalimenta, levando ao orgasmo. Para esse mecanismo funcionar, o cérebro não pode bloquear o processo. “Não adianta tocar o lugar certo se a pessoa não se permite ter prazer”, afirma Jaqueline. “O orgasmo ainda é fruto de um F grande de fantasia e um f pequeno de fricção.”

3. Problemas psicológicos ainda são a maior causa da falta de orgasmo.
Estima-se que de 24% a 37% das mulheres não têm ou nunca tiveram um orgasmo. Segundo a sexóloga Beverly Whipple, não há evidências de diferenças físicas entre as mulheres. “Os nervos são os mesmos”, diz. Em grande parte dos casos, portanto, o problema estaria no funcionamento do cérebro, seja na absorção dos neurotransmissores, seja por bloqueios psicológicos. “Muitas mulheres não conhecem o próprio corpo e o que lhes dá prazer”, diz Beverly. “Sexo ainda é tabu”, afirma Jaqueline. “As mulheres ainda levam dez anos para procurar um tratamento. A maioria nunca tinha usado o clitóris.” Além disso, diversos problemas dificultam o orgasmo: algumas doenças e os medicamentos envolvidos nos tratamentos; baixo nível de hormônios como estrogênio e testosterona; fumo, álcool e pouca força na musculatura pélvica, além de possíveis heranças genéticas

4. O orgasmo faz bem à saúde.
Os gregos antigos já suspeitavam disso. Antes da chegada da psicoterapia, nos anos 1930, o orgasmo era estimulado com a “massagem médica”. A técnica era usada para tratar a histeria, que se acreditava ser a revolta do útero (hyster é “ventre” em grego) contra a privação sexual. O que as pesquisas atuais indicam é que orgasmos regulares dois ou mais por semana reduzem em 50% o risco de morte, diminuem a chance de um ataque cardíaco e a ocorrência de câncer. Além disso, reduzem o stress, ajudam no tratamento da insônia e diminuem a incidência de partos prematuros nas mulheres e a de câncer de próstata nos homens.

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domingo, 21 de janeiro de 2007

Como os grandes sábios podem nos ajudar a viver melhor - Final

Outro ensinamento crucial de Epiteto é que só devemos nos ocupar efetivamente daquilo que está sob nosso controle. Você cruza uma manhã com seu chefe no elevador e ele é efusivo. Você ganha o dia. Você o encontra de novo e ele é frio. Você fica arrasado. Daquela vez ele estava bem-humorado, daí o cumprimento caloroso, agora não. O estado de espírito de seu chefe não está sob seu controle. Você não deve nem se entusiasmar com tapas amáveis que ele dê em suas costas e nem se deprimir com um gesto de frieza. Você não pode entregar aos outros o comando de seu estado de espírito. "Não é aquele que lhe diz injúrias quem ultraja você, mas sim a opinião que você tem dele", disse Epiteto. Se você ignora quem o insulta, você lhe tira o poder de chateá-lo, seja no trânsito, seja na arquibancada de um estádio de futebol ou numa reunião corporativa. Não são exatamente os fatos que moldam nosso estado de espírito, pregou Epiteto, mas sim a maneira como os encaramos. "É digno de piedade quem depende dos outros", escreveu Montaigne. O poeta e pensador romano Horácio (65 a.C.-8 a.C.) disse coisa parecida: "Todas as minhas esperanças estão em mim". Conte com você. Não ponha nos outros sua felicidade. Isso é fundamental para a vida feliz.
Horácio, em suas obras, como tantos outros filósofos, recomendou às pessoas viver e desfrutar o dia de hoje, em vez de se inquietar com o futuro. "Para que tantos planos em tão curta vida?", escreveu ele. O sábio vive apenas o presente. Não planeja nada. Não se atormenta com o que pode acontecer amanhã. É, numa palavra, um imprevidente. Eis um conceito s comum a quase todas as escolas filosóficas: o descaso pelo dia seguinte. O futuro é fonte de desassossego permanente para a humanidade. Tememos perder o emprego. Tememos não ter dinheiro para pagar as contas. Tememos ficar doentes. Tememos morrer. Tememos ser abandonados por quem amamos. O medo do dia de amanhã impede que se desfrute o dia de hoje. "A imprevidência é uma das maiores marcas da sabedoria", escreveu Epicuro (341 a.C.-270 a.C.). Nascido em Atenas, Epicuro, como os filósofos cínicos, foi uma vítima da posteridade ignorante. Pregava e praticava a simplicidade, e no entanto seu nome ficou vinculado à busca frívola do prazer. Epicuro vivia basicamente de pão, favas e água e cunhou frases como "a quem pouco não basta, nada basta". O ponto de Epicuro, neste caso, é o controle das ambições e dos desejos. Quem se deixa levar pela ambição e pelos desejos jamais está feliz. Quanto mais tem, em bens materiais, mais quer. É dominado em tempo integral pela frustração.
Epicuro, numa sentença freqüentemente citada, disse que nunca é tarde demais e nem cedo demais para filosofar. Para refletir sobre a arte de viver bem, ele queria dizer. Para buscar a tranqüilidade da alma, sem a qual mesmo tendo tudo nada temos a não ser medo. Também nunca é tarde demais e nem cedo demais para lutar contra a presença descomunal e apavorante do futuro em nossa vida. O homem sábio cuida do dia de hoje. E basta. A vida simples que Epicuro pregava e levava é outro ponto com o qual todos os grandes filósofos concordam quando se trata da busca da felicidade. Simplicidade em tudo, eis a recomendação. Incluída a maneira como nos comunicamos, falando ou escrevendo. Uma pessoa afetada na maneira de falar ou escrever é afetada em outras esferas. "A verdade precisa falar uma linguagem simples, sem artifícios", escreveu um sábio da Antiguidade. Montaigne dedicou linhas brilhantes ao assunto em seus Ensaios. Montaigne conta duas histórias instrutivas e divertidas. Numa delas, os embaixadores de uma cidade grega tentavam convencer o rei de Esparta a aderir a um esforço de guerra. O espartano deixou-os falar longamente. Depois disse: "Não me lembro do começo nem do meio da argumentação de vocês. Quanto à conclusão, simplesmente não me interessa". Na outra história, dois arquitetos atenienses disputavam a honra de construir um grande edifício. A platéia à qual cabia a escolha ouviu um extenso discurso do primeiro arquiteto. As pessoas já se inclinavam por ele quando o segundo disse apenas: "Senhores atenienses, o que este acaba de dizer eu vou fazer".
Montaigne cita seu pensador predileto, o romano Sêneca, segundo o qual nos grandes arroubos da eloqüência há "mais ruído que sentido". Escreveu Montaigne: "Gosto de uma linguagem simples e pura, a escrita como a falada, e suculenta, e nervosa, breve e concisa, não delicada e louçã, mas veemente e brusca". Os espartanos eram admirados por Montaigne pela simplicidade com que viviam e se expressavam. Ele conta que uma vez perguntaram a uma autoridade de Esparta por que não colocavam por escrito as regras da valentia para que os jovens pudessem lê-las. A resposta foi que os espartanos queriam acostumar seus jovens antes aos feitos que às palavras. "O mundo é apenas tagarelice e nunca vi homem que não dissesse antes mais do que menos do que devia", disse Montaigne. Outro mestre de Montaigne, Plutarco (c. 45 d.C.-120 d.C.), autor de Vidas Paralelas, mostrou que falar demais pode ser perigoso. "A palavra expõe-nos, como nos ensina o divino Platão, aos mais pesados castigos que deuses e homens podem infligir", disse Plutarco. "Mas o silêncio jamais tem contas a dar. Não só não causa sede como confere um traço de nobreza."

Seja simples, portanto. E ria. Veja o caso de Heráclito (540 a.C.-470 a.C.) e Demócrito, dois grandes filósofos gregos da Antiguidade. Diante da miséria humana, Heráclito chorava. Demócrito ria. No correr dos dias nós vemos uma série infinita de absurdos e de patifarias. Alguém a quem você fez bem retribui com ódio. A inveja parece onipresente. Você tropeça e percebe a alegria mal disfarçada dos inimigos e até de amigos. (Palavras do frasista francês Rochefoucauld: sempre encontramos uma razão de alegria na desgraça de nossos amigos.) A hipocrisia é dominante. As decepções se acumulam. Até seu cachorro se mostrou menos confiável do que você imaginava. Em suma, a vida como ela é. Diante de tudo isso, as alternativas estão basicamente representadas nas atitudes opostas de Heráclito e Demócrito. Você pode chorar. Ou então você pode rir. Sêneca comparou a atitude de Heráclito e Demócrito para fazer seu ponto: ria das coisas, em vez de chorar. Séculos depois dele, Montaigne fez a mesma comparação entre os dois sábios, o sorridente e o chorão, para defender o sorriso.

Mesmo o alemão Schopenhauer (1788-1860), o filósofo do pessimismo, reconhece sabedoria na jovialidade. Em seu livro Aforismos para a Sabedoria de Vida, Schopenhauer, que viveu no século XIX, escreveu: "Acima de tudo, o que nos torna mais imediatamente felizes é a jovialidade do ânimo, pois essa boa qualidade recompensa a si mesma de modo instantâneo. Nada pode substituir tão perfeitamente qualquer outro bem quanto essa qualidade, enquanto ela mesma não é substituível por nada".

Tudo isso demanda perseverança. Paciência. Suor. Muito suor. "A virtude é uma arte obtida com o treinamento e o hábito", escreveu Aristóteles (384 a.C.-323 a.C.), que com Sócrates e Platão formou a santíssima trindade do pensamento grego. "Nós somos aquilo que fazemos repetidas vezes. A virtude, então, não é um ato, mas um hábito." Treinar. Perseverar. O grego Demóstenes (384 a.C.-322 a.C.), que disputa com o romano Cícero o título de maior orador da Antiguidade, é um exemplo formidável do poder do esforço pregado por Aristóteles. Foi graças ao treinamento persistente que Demóstenes se elevou à imortalidade como um símbolo da força das palavras. Demóstenes, natural de Atenas, era de uma família rica. Seu pai morreu quando ele tinha 8 anos. A herança foi torrada por seus tutores. Demóstenes, quando era garoto, assistiu a um julgamento no qual um orador chamado Calistrato teve um desempenho brilhante e, com sua eloqüência, mudou um veredicto que parecia selado. (Orador era uma espécie de advogado de hoje.)

Esse episódio foi assim narrado por um historiador: "Demóstenes invejou a glória de Calistrato ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida". Ele entrou numa escola de oratória. Assim que pôde, processou seus tutores. Ganhou a causa. Mas estava ainda longe de ser notável. Um dia, desanimado, desabafou com um amigo ator. Gente bem menos preparada que ele provocava melhor impressão nas pessoas. O amigo pediu-lhe que recitasse um trecho de Eurípedes ou de Sófocles, dois gigantes do teatro grego. Demóstenes recitou. Em seguida, o amigo leu o mesmo trecho, com o tom dramático de um ator. Era a mesma coisa, e ao mesmo tempo era tudo inteiramente diferente. Demóstenes montou então uma sala subterrânea na qual se enfiava todo dia por demoradas horas para treinar, treinar e ainda treinar. Chegava a raspar um dos lados da cabeça para não poder sair de casa e, assim, praticar sem parar. Para aperfeiçoar a dicção, Demóstenes punha pequenas pedras na boca enquanto falava. Fazia também parte de seu treinamento declamar em plena corrida. Olhava-se num grande espelho para ver se sua expressão causava impacto. Treinamento. Hábito. As recomendações de Aristóteles fizeram de Demóstenes um dos maiores oradores da História da Humanidade. s

Outra etapa crucial para a vida feliz, e nisso concordam todas as escolas filosóficas, é lidar bem com a idéia da morte. Montaigne disse que quando queria lidar com o medo da morte recorria a Sêneca. Não por acaso. Ninguém se deteve de forma tão profunda e brilhante sobre a maior das aflições humanas: o medo da morte. Sêneca, numa carta a um discípulo, escreveu uma frase célebre: "E por mais que te espantes, aprender a viver não é mais que aprender a morrer". Sêneca pregava o desprezo pela morte. Não por morbidez ou por pessimismo. É que quem despreza a morte vive, paradoxalmente, melhor. Sobre sua alma não pesa o terror supremo da humanidade: o fim da vida. "Parece inacreditável, mas muita gente morre do medo de morrer", escreveu Sêneca. "Imagine que cada dia vai ser o último, e assim você aceitará com gratidão aquilo que não mais esperava", disse outro sábio da Antiguidade.

Pensar na morte, regularmente, é a primeira e maior recomendação de Sêneca. Os romanos tinham o seguinte provérbio: "Memento mori". Que quer dizer: lembre-se de que vai morrer. Não há como escapar. E no entanto nos atormentamos o tempo todo por algo que com certeza, um dia, se realizará. Esse tormento contínuo nos impede de viver bem. Outro romano, Lucrécio (c. 98 a.C.-55 a.C.), escreveu: "Onde a morte está, não estou. Onde estou, a morte não está". Encontramos uma maneira similar de lidar com a morte nas filosofias orientais. O asceta Milarepa, uma das maiores figuras do budismo, vivia perto de um cemitério para jamais esquecer que um dia iria morrer. "O remédio do homem vulgar consiste em não pensar na morte", escreveu Montaigne. "Isso é uma demonstração de cegueira e de estupidez." Fato: quanto menos pensamos na morte, mais somos assombrados por ela.

Sêneca evocou com freqüência a bravura de personalidades históricas diante da morte. Sócrates, perante a perspectiva de tomar cicuta, manteve a calma e o humor. Consolou os discípulos em vez de ser consolado, episódio que Platão, o maior deles, registrou em sua obra-prima, Fédon. "Chegou a hora de partir, vocês para a vida, eu para a morte", disse Sócrates na hora da execução de sua sentença, segundo Platão. "Qual dos dois destinos é melhor, ninguém sabe." Sêneca mostrou a mesma bravura das pessoas que tanto citou. Acusado de conspiração, recebeu do tirano romano Nero, de quem tinha sido preceptor, a sentença de se matar. Na perpétua instabilidade da sorte, Sêneca passara de homem forte do reinado de Nero (antes que este ficasse louco) a renegado. Como Sócrates, confortou os amigos e familiares que o cercavam desesperados no momento derradeiro. Cortou os punhos e se deixou levar serenamente

Pensar na morte, para tirar dela o poder aterrorizador, também era recomendado por Marco Aurélio, que comandou o mundo no último grande momento de Roma. Marco Aurélio foi um imperador filósofo, como sonhava Platão. Como imperador, nos primórdios da Era Cristã, Marco Aurélio conduziu uma Roma já ameaçada pelos bárbaros a um derradeiro período dourado. Como filósofo, escreveu, em geral em acampamentos de guerra, reflexões para si próprio, frases curtas e profundas que giravam sobre a efemeridade da glória e da vida. Um discípulo, depois da morte de Marco Aurélio, juntou-as num livro ao qual deu o nome de Meditações. O pensador francês Ernest Renan (1823-1892) disse que os seres humanos estariam sempre de luto por Marco Aurélio. Sugestão do imperador filósofo para o começo de cada dia: "Previna a si mesmo ao amanhecer: vou encontrar um intrometido, um mal-agradecido, um insolente, um astucioso, um invejoso, um avaro".

Marco Aurélio é útil para uma infinidade de situações cotidianas. Somos extraordinariamente suscetíveis à idéia da glória, e é um convite ao bom senso ouvir, a esse respeito, quem foi o dono do mundo. A arrogância, mostra ele, sustenta-se apenas na ignorância e na ilusão. "Cada um vive apenas o momento presente, breve. O mais da vida, ou já se viveu ou está na incerteza. Exíguo, pois, é o que cada um vive. Exíguo, o cantinho da terra onde vive. Exígua, até a mais longa memória na posteridade, essa mesma transmitida por uma sucessão de homúnculos morrediços, que nem a si próprio conhecem, quanto menos a alguém falecido há muito." Marco Aurélio legou à posteridade exemplos memoráveis. Descoberta uma conspiração e executado sem seu conhecimento o traidor, ele lamentou a perda da chance de perdoá-lo. Entregaram-lhe a correspondência do conspirador. Ele queimou-a sem lê-la. Sua atitude diante da discórdia é inspiradora. Estamos a toda hora brigando com alguém e sendo tomados por sentimentos de rancor e aversão. Em suas anotações, Marco Aurélio disse com majestosa sabedoria: "Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos". Evite brigar. Evite confrontos. Não alimente rancores. Tudo isso é pregado pelos filósofos. "O homem sábio nunca tem maldade e sempre esquece as injustiças de que é vítima", escreveu Aristóteles. Você é teimoso numa discussão? Gosta de comprar briga? Pense na seguinte frase de Montaigne: "Teimar e contestar obstinadamente são defeitos peculiares às almas vulgares. Ao passo que voltar atrás, corrigir-se, abandonar uma opinião errada no ardor da discussão são qualidades raras das almas fortes e dos espíritos filosóficos".

Tão forte como o medo da morte, para a humanidade, é o pesadelo do envelhecimento. Há uma luta inútil e muitas vezes patética pela juventude eterna. Muitos filósofos se detiveram sobre o tema e se esforçaram por nos ajudar a lidar melhor com a passagem do tempo. Um deles foi Cícero (106 a.C.-43 a.C.). Cícero enumera as vantagens desprezadas da velhice. Na dedicatória, ele diz: "Senti tal prazer em escrever que esqueci os inconvenientes dessa idade; mais ainda, a velhice me pareceu repentinamente doce e harmoniosa". Cícero começa por um fato incontestável: "Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam. Eis aí a conseqüência da estupidez". Depois ele toca num ponto crucial: uma vez que a sorte instável ora nos ergue e ora nos derruba, o que muda mesmo é a maneira com que cada um de nós lida com sua cota de infortúnios. Afirma Cícero: "Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade".

Cícero é mordaz e divertido. Quando toca na questão da alardeada perda de memória dos anciões, ele contrapõe: "A memória declina se não a cultivamos ou se carecemos de vivacidade de espírito. Os velhos sempre se lembram daquilo que os interessa: promessas, identidade de seus credores e devedores etc.". Permanecer intelectualmente ativo é uma forte recomendação dele. Cícero lembra que, no fim da vida, Sócrates aprendeu a tocar lira. "Acaso os adolescentes deveriam lamentar a infância e depois, tendo amadurecido, chorar a adolescência? A vida segue um curso preciso e a natureza dota cada idade de suas qualidades próprias. Por isso, a fraqueza das crianças, o ímpeto dos jovens, a seriedade dos adultos, a maturidade da velhice são coisas naturais que devemos apreciar cada uma em seu tempo." Cícero acende uma luz para a humanidade ao ajudar a enxergar a velhice sob um aspecto menos negativo. Acender luzes, para nos ajudar na busca de felicidade, é a missão dos filósofos - os eternos amigos da humanidade.

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sábado, 20 de janeiro de 2007

Como os grandes sábios podem nos ajudar a viver melhor - Parte 1

A filosofia existe para que as pessoas possam viver melhor. Sofrer menos. Lidar mais serenamente com as adversidades. Enfrentar com coragem o "perpétuo vai-e-vem de elevações e quedas", para citar uma frase do romano Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), um dos grandes filósofos da Antiguidade. A missão essencial da filosofia é tornar viável a busca da felicidade. Todos os grandes pensadores sublinharam esse ponto. A filosofia que não é útil na vida prática pode ser jogada no lixo. Alguém definiu os filósofos como os amigos eternos da humanidade. Nas noites frias e escuras que enfrentamos no correr dos longos dias, eles podem iluminar e aquecer. A filosofia apóia e consola. "O ofício da filosofia é serenar as tempestades da alma", escreveu o sábio francês Montaigne (1533-1592). Numa definição magistral, Montaigne definiu a filosofia como a "ciência de viver bem".

Considere o caso do aristocrata romano Boécio (480 d.C.-524 d.C.). Boécio era rico, influente, poderoso. Era dono de uma inteligência colossal: traduziu para o latim toda a obra de Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Platão (427 a.C. ou 428 a.C.-347 a.C.). Tudo ia bem. Até o dia em que foi acusado de traição pelo imperador e condenado à morte. Foi torturado. Recebeu a marca dos condenados à morte de então: a letra grega theta queimada na carne. Boécio recorreu à filosofia, em que era mestre, para enfrentar o suplício. Tinha na memória tudo o que lera. Naqueles dias, a elite intelectual costumava decorar os livros, lidos em voz alta desde a infância. Formava-se uma espécie de "biblioteca invisível". Entre a sentença e a morte, Boécio escreveu em condições precárias um livro que se tornaria um clássico da literatura ocidental: A Consolação da Filosofia. Tudo de que ele dispunha, para escrevê-lo, eram pequenas tábuas e estiletes. Isso lhe foi passado, para dentro da cela, por amigos. "A felicidade pode entrar em toda parte se suportarmos tudo sem queixas", escreveu ele.

A filosofia consola, mostrou em situação extrema Boécio. E ensina. E inspira. Sim, os filósofos são os eternos amigos da humanidade. Observe Demócrito (460 a.C.-370 a.C.), pensador grego do século V a.C. Ele escreveu um livro chamado Sobre o Prazer. Primeira frase do livro: "Ocupe-se de pouco para ser feliz". Ninguém com múltiplas tarefas pode aspirar à felicidade. A palavra grega para tranqüilidade da alma é euthymia. A recomendação básica de Demócrito é encontrada em muitos outros filósofos. Sobrecarregar a agenda equivale a sobrecarregar o espírito, e traz inevitavelmente angústia. Um sábio da Antiguidade não abria nenhuma correspondência depois das 4 horas da tarde. Era uma forma de não encontrar mais motivo de inquietação no resto do dia, que ele dedicava a recuperar a calma perdida ao entregar-se a seu trabalho. E nós? Quantos de nós não abrimos mensagens de trabalho no computador às vezes de madrugada? Muitas vezes o conteúdo dessa mensagem perturba o espírito. O único resultado disso é a perda de sono.

Fazemos muitas coisas desnecessárias. Coloque num papel as atividades de um dia. Depois veja o que realmente era preciso fazer e o que não era. A lista das inutilidades suplanta quase sempre a das ações imperiosas. O imperador filósofo romano Marco Aurélio (121 d.C.-180 d.C.) louvou a frase de Demócrito em suas clássicas Meditações. Acrescentou que devemos evitar não apenas os gestos inúteis, mas também os pensamentos desnecessários. Marco Aurélio recomendava o exercício de conduzir a mente, quando agitada, para pensamentos aquietadores. O objetivo: controlarmos a mente, esse cavalo selvagem, em vez de sermos controlados por ela. Está aborrecido com algum fato? Experimente concentrar sua mente s em algo que traga paz. Uma paisagem linda. Uma pessoa querida. Uma cena alegre. Não conseguiu ainda? Esforce-se. Persevere. Sêneca usou as expressões "agitação estéril" e "preguiça agitada" ao tratar dos atos que nos trazem apenas desassossego. "É preciso livrar-se da agitação desregrada, à qual se entrega a maioria dos homens", escreveu Sêneca. "Eles vagam ao acaso, mendigando ocupações. Suas saídas absurdas e inúteis lembram as idas e vindas das formigas ao longo das árvores, quando elas sobem até o alto do tronco e tornam a descer até embaixo, para nada. Quantas pessoas levam uma existência semelhante, que se chamaria com justiça de preguiça agitada?"

Outro ponto essencial recomendado pelos filósofos para a vida feliz é aceitar os tropeços. Até porque são inevitáveis. É o maior ensinamento do filósofo Zenão (333 a.C.-264 a.C.) e seus discípulos. Nascido na Ilha de Chipre, filho de pais ricos, Zenão fundou em Atenas uma escola de filosofia cujos fundamentos influenciaram a doutrina cristã: o estoicismo. Tão forte é a filosofia estóica que "estóico" virou sinônimo de bravura na adversidade. Segundo o mais admirado dicionário de inglês, o Oxford, estóico é quem se porta com serenidade diante do revés ou do triunfo. Nem vibra na vitória e nem se deprime na derrota. Equilíbrio. Calma. Serenidade. Quando você está em alta ou quando você está em baixa. Um torcedor de futebol, por exemplo. Se ele explode de alegria quando seu time vence, vai inevitavelmente descer aos abismos da depressão quando seu time é batido. Nada bom, num caso ou no outro, para a sonhada euthymia.

Zenão perdeu todo o seu patrimônio num naufrágio. Seu comentário ao receber a informação: "O destino queria que eu filosofasse mais desembaraçadamente". O nome da escola deriva da palavra grega stoa, pórtico. Zenão, alto, magro, o pescoço ligeiramente inclinado, pregava suas idéias num pórtico erguido pelos atenienses para celebrar a vitória na guerra sobre os persas. Esse pórtico era colorido com imagens de gregos derrotando os bárbaros. Na Atenas de então, era comum discutir filosofia em locais públicos, mas a escolha do pórtico por Zenão parece carregada de simbolismo: o triunfo da sabedoria sobre a brutalidade.

O estoicismo defendia uma vida de acordo com a natureza. Simplicidade no vestuário, na comida, nas palavras, no estilo de vida. E a aceitação de tudo o que possa ocorrer de ruim. Agastar-se contra as circunstâncias apenas piora o estado de espírito da pessoa: essa a lógica da aceitação, ou resignação, que viria a ser um dos pilares do cristianismo. O lema estóico: abstenha-se e aceite. O apreço pela vida de acordo com a natureza Zenão aprendeu com seu mestre em filosofia, Crates (368 a.C.-288 a.C.). Crates era da escola cínica. Os cínicos defendiam a simplicidade tanto quanto os estóicos, e não é difícil entender por que a posteridade ignorante lhes atribuiu um sentido pejorativo: é que eles eram extraordinariamente irreverentes. O mais notável filósofo cínico, Diógenes (413 a.C.-323 a.C.), certa vez se masturbou em público. Explicou aos que o interpelavam: "Gostaria de saciar minha fome esfregando o estômago".

Não sobrou livro nenhum de Zenão. Atribuem-se a ele frases das quais uma das melhores diz: "A natureza nos deu dois ouvidos e apenas uma boca para que ouvíssemos mais e falássemos menos". Zenão se matou aos 72 anos. Para os estóicos, o suicídio - sem lamúrias, sem queixas - era uma retirada digna e honrosa quando a pessoa já não encontrasse razões para viver. Sabe-se de sua morte pelo biógrafo Diógenes Laércio (200 d.C.-250 d.C.), autor de Vida dos Filósofos. Zenão tropeçou e se machucou, segundo Diógenes Laércio. Em seguida, citou um verso de um autor grego chamado Timóteo: "Eis-me aqui: por que me chamas?". E depois se enforcou.

Aceitar as coisas como elas são: eis um ponto crucial para a vida feliz de acordo com todas as escolas filosóficas. Sobre isso tratou com profundidade Epiteto (c. 55 d.C.-c.135 d.C.). Nascido escravo e só liberto depois de adulto, Epiteto não escreveu um único livro. Seu pensamento é conhecido graças a um discípulo, o historiador Arriamo. Arriamo teve o cuidado de anotar as idéias de seu mestre e depois transformá-las em dois livros, Entretenimentos e Manual. Seu tamanho intelectual é tal que o imperador filósofo Marco Aurélio escreveu que um dos acontecimentos capitais de sua vida foi ter tido acesso às obras de Epiteto. Revoltar-se contra os fatos não altera os fatos, disse Epiteto, e ainda traz uma dose de tormento desnecessária. "Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz", disse Epiteto. (Séculos depois, o pensador francês Descartes (1596-1650) escreveria uma frase semelhante: "É mais fácil mudar seus desejos do que mudar a ordem do mundo".) Não adianta se agastar contra as circunstâncias: elas não se importam. Isso se vê nas pequenas coisas da vida. Você está no meio de um congestionamento? Exasperar-se não vai dissolver os carros à sua frente. Desfrute música boa. Caiu uma chuva na hora em que você ia jogar tênis com seu amigo? Xingar as nuvens não vai secar o piso. Que tal uma sessão de cinema emvez do tênis?

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Filósofo do Mês: Sócrates

(470- 399 a.C.), filósofo grego. Foi o fundador da filosofia moral, ou axiologia. Nascido em Atenas, familiarizou-se com a retórica e a dialética dos sofistas, pensadores profissionais que combateu com veemência. Ao contrário dos sofistas, que cobravam para ensinar, Sócrates passou grande parte de sua vida provocando discussões em que ajudava o interlocutor a descobrir as próprias verdades, num método que ficou conhecido como maiêutica. Nunca cobrou por suas aulas e ensinamentos. Antes de Sócrates, os filósofos acreditavam que deviam procurar uma explicação para o mundo natural. Depois dele, o pensamento voltou-se para os assuntos que Sócrates considerava fundamentais: o homem e o humano, temas espelhados na ética e na filosofia. Sócrates jamais escreveu sobre qualquer assunto e as informações sobre ele procedem do historiador Xenofonte e, sobretudo, de Platão, que o descreveu como alguém que se ocultava atrás de uma irônica profissão da ignorância. Uma das histórias que sobreviveu ao tempo conta que, ao ser apontado pelo oráculo de Delfos como o mais sábio de todos os homens, Sócrates teria respondido: “só sei que nada sei”. Sócrates foi o primeiro nome da trindade de pensadores gregos que marcaram a filosofia e cultura ocidental. Os outros dois são Platão e Aristóteles.

Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente em 470 a.C. Era filho de uma parteira e de um homem bem relacionado nos meios políticos da cidade. Estudou com Arquelau, discípulo de Anaxágoras, e lutou em várias batalhas na guerra do Peloponeso. Casou-se com Xantipa, com quem teve três filhos. Seus contemporâneos o descrevem como um homem feio, mas dotado de grande senso de humor, arma que geralmente utilizava para obrigar um oponente a confessar sua ignorância sobre um assunto em pauta.

Sua contribuição à filosofia teve acentuado caráter ético. A base de seus ensinamentos foi a crença na compreensão dos conceitos de justiça, amor, virtude e conhecimento de si. Sócrates acreditava que todo vício é produto da ignorância. A virtude, afirmava, é conhecimento. Aqueles que conhecem o bem, agem de maneira justa. Acusado de desprezar os deuses do Estado e de introduzir novas divindades, foi condenado à morte. Embora seus amigos tivessem preparado sua fuga da prisão, preferiu acatar a lei, morrendo após beber uma infusão de cicuta.


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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Há 05 Anos Atrás: Capa de gelo do continente está crescendo

Em 18/1/2002

Estudo publicado pela Revista Science revela que a capa de gelo da Antártica está engrossando e não afinando, como se imaginava até então. Dados obtidos por satélite mostram que parte das correntes de gelo que drenam a calota polar e desembocam na
plataforma de Ross, na parte ocidental do continente, está fluindo mais devagar ou até mesmo parou, represando gelo em quantidade suficiente para aumentar a espessura da capota polar.

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Quinua é considerado o melhor alimento do mundo




quinua (Quinoa) é um cereal encontrado apenas no deserto Uyuni, no Altiplano Boliviano - a 3,8 mil metros acima do nível do mar. É considerado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos como o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano.
Seu valor nutritivo é tão grande que a Nasa a selecionou para integrar a dieta dos astronautas em vôos de longa duração. Provavelmente por estas razões, os incas - que a cultivavam há 8 mil anos - a veneravam como símbolo religioso e a chamavam de "Grano Madre" ou "Grano de Oro".
Conhecido em todo o mundo, o cereal chegou há pouco tempo no Brasil e já é encontrado - em forma de flocos, grãos e farinha - em grande parte do País. Entre os benefícios do consumo, estão a prevenção de câncer de mama, osteoporose e problemas cardíacos, melhora da imunidade, da aprendizagem e da memória e recuperação de tecidos, entre muitos outros.

Características nutricionais

A quinua real, variedade mais rica da quinua, é rica em proteínas (23% de sua composição). Possui todos os vinte aminoácidos que o corpo necessita, inclusive os dez essenciais (que não são produzidos por nosso organismo). Entre estes, destacam-se a metionina e a lisina, que melhora a imunidade, a capacidade de aprendizagem e a memória. Nenhum alimento de origem vegetal tem tanta proteína.
Ainda levando-se em conta apenas o valor protéico, a quinua mostra-se mais vantajosa do que outros alimentos tidos como fonte de proteína. Segundo pesquisas recentes, é mais favorável ao crescimento humano do que o leite, por exemplo. O valor protéico mais alto (95) corresponde ao do ovo, o que significa que a cada 100g de proteínas ingeridas, 95 são assimiladas. Na quinua, o índice é de 75; a carne tem 60; o leite, 72; o trigo, 60, e o milho, 44.
A quinua real ainda é rica em ômega 3 e 6, vitaminas A, B6 e B1 (e, em menores quantidades, as E e C) e minerais como o ferro, o fósforo e o cálcio. É considerada melhor do que a soja por seu equilíbrio nutricional. Tem baixo índice de colesterol e o seu valor calórico é alto: 347kcal para cada 100g, o que a faz ser indicada para atletas.
Para completar, apesar do alto valor protéico, não possui glúten, alimento presente no trigo, malte, cevada e aveia, que não pode ser consumido por celíacos. "Não só para o celíaco isso é um alívio. O glúten tem difícil digestão. Hoje, a gente consome muito glúten e o organismo está saturado. É bom dar um descanso. Tirar o glúten por um mês permite uma desintoxicação que limpa e aumenta a eficácia do organismo", aconselha a médica ortomolecular Gabriela Marques.

Benefícios

Por suas características, a quinua é indicada no combate à anemia, problemas urinários e de fígado, tuberculose, desnutrição crônica e osteoporose, entre outros. Atua na redução de danos gastrointestinais, na melhora da imunidade, na regulação das funções cardiovasculares e como normalizador da próstata e órgãos reprodutores masculinos. Seu consumo é indicado para vegetarianos, diabéticos, grávidas e lactantes.
Por ter muito mais lisina que a soja, o milho, o trigo e o leite, é indicada a crianças e adolescentes em fase de crescimento. Este aminoácido fundamental está relacionado ao desenvolvimento da inteligência, rapidez de reflexos e outras funções como a memória e aprendizagem.

É também ideal para o consumo de mulheres, por conter fitoestrógenos, substâncias que previnem enfermidades crônicas como osteoporose, câncer de mama, doenças do coração e outras alterações femininas ocasionadas pela falta de estrógenos durante a menopausa.

O cereal é ainda uma alternativa para a dieta dos celíacos (pessoas que têm intolerância a glúten) e indicada a atletas, pois aumentam a elasticidade das fibras musculares e tem alto valor calórico.

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terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Significado do Nome Dos Meses do Ano

Janeiro, primeiro mês do ano no calendário gregoriano. Tem 31 dias. O nome deriva de Jano, deus romano bifronte das portas que se fecham e se abrem: uma cara significa o tempo que passou e a outra o tempo que começa.

Fevereiro, segundo mês do ano. O nome deriva da palavra latina februa, que se referia aos festivais da purificação celebrados na antiga Roma durante este mês. Tem 28 dias nos anos normais, aos quais se acrescenta um, o vigésimo nono, nos anos bissextos, que ocorrem de quatro em quatro anos.

Março, terceiro mês do calendário gregoriano. Para os romanos que com esse nome homenagearam o deus da guerra, Marte, era o primeiro mês do ano.

Abril, quarto mês do calendário gregoriano. Os romanos lhe deram este nome, derivado de aperire (‘abrir’), porque é a estação (primavera no hemisfério Norte) na qual começam a se abrir os casulos.

Maio, quinto mês do ano. Era o terceiro mês no antigo calendário romano e, tradicionalmente, aceita-se que deve seu nome a Maia, a deusa romana da primavera e do cultivo.

Junho, sexto mês do ano no calendário gregoriano. A etimologia do nome é duvidosa. Junho era o quarto mês no antigo calendário romano e tem 30 dias.

Julho, sétimo mês do ano no calendário moderno; tem 31 dias. Era o quinto mês do ano no calendário romano e, por isso, era chamado de Quintilis. Recebeu o nome de julho em homenagem a Júlio César.

Agosto, oitavo mês do ano. Era o sexto no calendário romano e, originalmente, chamava-se Sextilis. O nome atual é uma homenagem a Caio Júlio César Otávio Augusto.

Setembro, nono mês do calendário gregoriano. Era o sétimo do calendário romano e seu nome deriva da palavra latina septem, que significa sete.

Outubro, décimo mês do calendário gregoriano. Como revela o seu nome (em latim octo, “oito”), era o oitavo mês do antigo calendário romano.

Novembro, décimo primeiro mês do calendário gregoriano. Para os romanos, era o nono mês (em latim, novem) de um ano composto de 10 meses.

Dezembro, em latim, decem, que significa dez. Décimo mês no calendário romano. Apesar de ser o décimo segundo e último mês do calendário gregoriano, o nome se conservou.

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Lionel Richie - My Destiny

You came in
That's what my little heart was looking for
laughter in the rain
feeling like a fool in love again
Oh,the laughter came
when the tears stopped falling
now all I do is just call your name
you walked in and my heart discovered
that my life would never be the same

I know
you are my destiny
You are my one and only
You gave that joy to me
When my whole life was lonely

Angel in disguise
with your power of love
just hypnotize
I just love the magic of your spell
How much joy we have together
Only time will tell!

Oh, the laughter came
when the tears stopped falling
Now all I do is just call your name
(I just call your name)
You walked in and my heart discovered
That my life would never be the same!

I know, you are my destiny
You are my one and only
You gave that joy to me
When my whole life was lonely!

Every day, every night
Oh, I know it's so right
When I see your face
Only time's gonna tell
But I know you so well
Girl, my love's for real
From the first time that I saw you
I know it was forever
This mighty love between us
Will keep us together
you're the girl God sent from heaven
I'm so glad I found you
forever, forever, forever, forever, forever, forever!
I'm so glad to be around you

I know, you are my destiny
You are my one and only
You gave that joy to me
When my whole world was lonely!

It's alright, it's alright
Do it again!
It's alright, it's alright
Don't let this love end!
It's alright, it's alright
Do it again!
It's alright, it's alright
Don't let this love end!

From the first time that I saw you
I know it was forever
This mighty love between us
Will keep us together
you're the girl God sent from heaven
I'm so glad I found you
forever, forever, forever, forever, forever, forever!
I'm so glad to be around you!

you are my destiny
You are my one and only
You gave that joy to me
When my whole world was lonely!
you are my destiny
You are my one and only
You gave that joy to me
When my whole world was lonely!

it's alright
Do it again!
It's alright, it's alright
Don't let this love end!
It's alright, it's alright
Do it again!
It's alright, it's alright
Don't let this love end!
it's alright
Do it again!
It's alright, it's alright
Don't let this love end!

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domingo, 14 de janeiro de 2007

Mate sua sede! - Final

Outros líquidos saudáveis

Água de côco – Esta deliciosa bebida possui alto valor nutritivo. É considerada um isotônico natural por fornecer grande quantidade de minerais, como potássio, sódio, fósforo e cloro. Com rápida absorção, pode recuperar a perda destes nutrientes que são eliminados pela urina e pele.

Suco de fruta – Além de ajudar a repor o líquido perdido, o suco de fruta natural também fornece vitaminas e sais minerais. Dependendo da fruta escolhida, você também terá propriedades antioxidantes, que são substâncias que combatem os radicais livres. Estão presentes em: acerola, abacaxi, goiaba, melancia, manga, uva, etc.

Chás – Há quem acredite que o chá só deve ser apreciado no inverno. Sem dúvida, uma xícara de chá quentinho no inverno é uma ótima pedida, mas você já experimentou beber um chá bem gelado com umas gotinhas de limão? Experimente! Dê preferência pelos chás claros, mas o chá verde, preto e matte também podem ser consumidos com moderação.

Bebidas isotônicas – São bebidas que possuem concentração de eletrólitos semelhantes aos do nosso corpo e por isso podem repor a perda do líquido rapidamente. Pessoas que praticam atividade física podem fazer uso de isotônicos, mas em quantidades que não sobrecarreguem o organismo, assim o praticante terá hidratação adequada visando um bom desempenho na atividade.

Refrigerantes e bebidas alcoólicas devem ser consumidas esporadicamente. O refrigerante fornece muitas calorias. Em sua composição encontramos açúcar, gás, conservantes, corantes, aditivos em geral, e por este motivo não é indicada para o consumo diário. As versões diet e light têm quase a mesma composição do refrigerante tradicional, exceto pela presença de adoçante ao invés do açúcar.

Já com relação à bebida alcoólica, o álcool fornece muitas calorias e nenhum nutriente. Cuidado com o consumo excessivo.

Faça escolhas saudáveis! Saciar a sede e manter o corpo hidratado são fundamentais no verão.

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sábado, 13 de janeiro de 2007

Mate sua sede! - Parte 1

Nestes dias de calor não tem quem não fique com aquela sede. Beber um copo de água gelada, um copo de suco de fruta ou água de côco é tudo que precisamos, não é verdade?

O que poucos sabem é que essa vontade de beber algo não é somente vontade, mas também necessidade do organismo. Isso mesmo, o organismo necessita ser hidratado constantemente, seja verão ou inverno, primavera ou outono.

Porém, o risco de desidratar nos dias quentes é muito maior, pois a perda de líquido através da transpiração é grande, por isso fique atento com a hidratação do seu corpo, beba muita água e também outros líquidos.

O nosso corpo é composto em média por 70% de água. Em nosso

dia-a-dia eliminamos água e sais minerais através da transpiração, suor, urina, fezes e respiração. Por este motivo é fundamental repor este líquido e substâncias perdidas.

A água...

A água é a bebida mais importante, pois ela desempenha diversas funções em nosso organismo. Podemos citar algumas delas:

- colabora no processo de digestão, absorção e transporte dos nutrientes;
- ajuda a manter a temperatura do corpo estável;
- necessária à formação de células e tecidos do organismo;
- beber água e consumir alimentos ricos em fibras, faz com que aumente a formação do bolo fecal, contribuindo com o bom funcionamento do intestino;
- ativa o funcionamento do sistema urinário e demais funções.

Recomenda-se um consumo de 2 a 3 litros de água diariamente, independente dos outros líquidos que você beber durante o dia.

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Frase da Semana

"A Vida é muito curta para faze-la pequena"
Roger

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Cidades brasileiras: Santo André/SP.

Cidade do sudeste do Brasil, no estado de São Paulo, às margens do rio Tamanduateí. É um subúrbio da cidade de São Paulo que sedia um grande número de companhias e empresas industriais. Em seu setor secundário predominam os têxteis, os artigos metalúrgicos, a borracha, os produtos da indústria alimentícia, a cerâmica e os materiais tipográficos, mas a atividade mais significativa é a indústria automobilística, da qual é um dos centros nacionais.

A cidade só tem em comum com o antigo povoado de Santo André da Borda do Campo, que recebeu o título de vila em 1553, a localização e o nome, pois o núcleo colonial foi extinto em 1560. A atual cidade surgiu como um bairro de São Bernardo em 1861, e só em 1938, depois de experimentar uma rápida expansão econômica no início da década, foi transformada em município.

População em 1991, 613.672 habitantes.


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quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Dicas de Português

Doações vultosas ou vultuosas?

Numa reportagem de política, havia esta frase:

- A maioria se refere a doações vultuosas de grandes empresas

Há algumas palavras que sempre nos confundem. Se houvesse um ranking, a diferença entre "vultosa" e "vultuosa" estaria no topo da lista.

O dicionário "Aurélio" distingue as duas da seguinte maneira: vultoso se refere a algo volumoso, muito grande; vultuoso, por outro lado, é o inchaço do rosto, deixando-o avermelhado.

Para quantias, fica claro que deve ser usada a palavra "vultoso/vultosa". Revendo o exemplo acima, teríamos:

- A maioria se refere a doações vultosas de grandes empresas

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terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Video do Dia

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Advogados e Ratos




A última novidade nos laboratórios modernos, é que, em vez de ratos, eles começaram a usar advogados.

Foram três os motivos que fizeram o pessoal tomar essa decisão:

Primeiro: existem no momento muito mais advogados do que ratos.

Segundo: os cientistas não ficam tão ligados emocionalmente aos advogados quanto aos ratos.

Terceiro: por mais que você insista, há certas coisas que nem os ratos fazem.

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domingo, 7 de janeiro de 2007

Entrevista do Mês - Final

NE - Quando o senhor conheceu o Nordeste, a região que mais mereceu sua atenção profissional?
AB´SABER- Foi durante uma reunião da Associação dos Geógrafos, no Recife. Todos diziam que não havia nada para ver no sertão. Era essa a visão da época. Fomos a Campina Grande e Patos, na Paraíba. Saímos dos tabuleiros, entramos na Borborema. Em seguida, o sertão dos Cariris Velhos. Descemos pela banda seca do planalto. De repente, avistamos o sertão verdadeiro. Aquela enorme planura ondulada, revestida por caatingas, com algumas rochas pontilhando os espaços. Descobri que o que se chamava de alto sertão era, na verdade, o rebaixamento dos relevos da região. Fiz questão de visitar todos os outros Estados com áreas áridas. Concentrei-me no conhecimento dessa região para analisar, discutir e, principalmente, criticar as propostas erradas.

NE - Como a vida acadêmica ajudou no desenvolvimento de suas pesquisas?
AB´SABER- Depois de concluir a faculdade, dei aulas em alguns colégios, mas logo comecei a especialização. Participei da fundação do Centro Capistrano de Abreu, que me abriu as portas para a Associação dos Geógrafos. Isso foi fundamental, pois me permitiu viajar, expor e publicar meus estudos. Além disso, aconteceu comigo um episódio que mostra como é importante o professor estar atento aos talentos de seus alunos. Keneth Kaster, da Cincinatti University, estava na USP para um período de dois anos como professor convidado do curso de pós-graduação em Geologia e paleontologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Ele era muito bom, mas tinha dificuldade de passar seu conhecimento das viagens de campo. Eu, quando repetia suas aulas para os colegas, acrescentava minhas observações. Reparando nisso, ele me chamou para conversar. Perguntou se eu era vaidoso, e, em seguida, se aceitaria o cargo de jardineiro, o único que estava vago no departamento, só para ser assistente dele. Pensei, pensei... e aceitei. Fiquei três meses no cargo, arrumando a biblioteca, aí passei para técnico de laboratório.

NE - E quando o senhor assumiu o cargo de professor?
AB´SABER- Eu tinha problemas de saúde e os exames médicos não me deixavam subir na carreira. Fui técnico de laboratório de 1946 a 1965. Já era mestre, doutor e livre-docente quando me tornei professor assistente. NE - O senhor hoje faz um trabalho diferente para um geomorfologista, estuda a periferia de São Paulo.

Por quê?
AB´SABER- Tenho feito isso por conta própria, desde o início do ano. Depois de várias discussões sobre menores em situação de rua, desperdício de alimentos e outros temas, alguns colegas me pediram para desenvolver um projeto para a periferia, a exemplo das vilas olímpicas construídas no Rio de Janeiro. Visitando aos sábados os lugares onde as crianças jogam bola na periferia, descobri que eles têm uma geografia. São terrenos públicos ou particulares, que podem virar minivilas olímpicas sem muito dinheiro. Basta plantar algumas árvores para delimitar o espaço, marcar as quadras e criar dois ranchos: um para mães com crianças pequenas; outro para adolescentes, com espaço para a prática de dança ou capoeira, por exemplo.

NE - Quem vai adquirir e assumir isso?
AB´SABER- A própria comunidade, com apoio dos órgãos competentes. As minivilas podem estar ligadas às escolas, que são bem distribuídas na periferia. O prédio escolar fica reservado às crianças, aos professores e à transmissão do conhecimento. Os centros de vivência passam a ser usados pela comunidade e para educação informal. Eu também instalaria um fogão para fazer uma feijoada, um sopão, um evento social. A emodelação
dos campinhos é o primeiro passo para a revitalização do entorno carente. Eu mesmo promovo eventos assim para testar. E dá certo. Com pouco dinheiro é possível mudar a geografia urbana.

NE - Como são suas aulas para essas crianças de periferia?
AB´SABER- Primeiro converso com as mães, nos campinhos. Depois, trabalho com os filhos. Certa vez levei prancheta, papel e lápis e pedi para as crianças criarem um desenho qualquer. Assim conheço a realidade local. Na segunda aula promovo um passeio pelo bairro, partindo da escola ou da praça mais próxima, para observar o
entorno, suas características e problemas. Peço que as crianças escrevam tudo o que vêem. E aí emprego todos os estímulos possíveis. Esse é o princípio da filosofia da escola nova: escolher a melhor maneira de incentivar os alunos e extrair o que eles têm de melhor.

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sábado, 6 de janeiro de 2007

Entrevista do Mês - 1ª Parte

Entrevista concedida a Nova Escola (1/2001) peloo professor emérito e membro do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).

NOVA ESCOLA - Um dos papéis da educação é formar cidadãos. Como a Geografia pode ajudar?
Aziz AB´SABER- A educação é o meio pelo qual a criança se integra ao processo civilizatório e à sociedade. Ela deve ter três bases: o domínio do saber acumulado, as oficinas de talentos e o conhecimento da região. É aí que entra a Geografia, com sua capacidade de ajudar o aluno a entender o local onde vive. Só assim ele poderá, mais tarde, atuar sobre esse ambiente. Por isso, todo professor precisa dominar seu entorno, sua população e seus problemas. Não basta saber o be-a-bá e usá-lo em leituras inconseqüentes de velhos livros didáticos.

NE - O que são as oficinas de talento?
AB´SABER- São espaços didáticos cuja função é estimular as crianças em algumas direções. Eu insisto que o foco da educação deve ser o estudo de soluções para problemas regionais. Na beira do Amazonas, é fundamental pensar na melhor forma de navegá-lo; no sertão do Nordeste, cabe às oficinas refletir sobre como conseguir água o ano todo. No Pantanal, a questão é estimular as formas de economia que protegem a
biodiversidade. Em todos os casos, o ideal é abrir caminho para unir o que as pessoas já sabem com o que podem descobrir, se forem incentivadas. A recuperação do conhecimento regional e um professor disposto a procurar e incentivar talentos podem mudar a realidade nacional. Esse é o papel do educador competente.

NE - Muitos professores já estão caminhando nessa direção?
AB´SABER- No geral, ainda não. O mais comum é investir em escolas técnicas ou em alfabetização. É preciso ensinar o aluno a diferenciar, entre tudo o que se pode aprender, as questões que realmente interessam a ele a partir do ambiente em que vive. Entre os professores de Geografia, porém, vejo avanços no que diz respeito a conhecer a região.

NE - O senhor propõe uma regionalização do ensino, o que contraria a Lei de Diretrizes e Bases e os Parâmetros Curriculares Nacionais...
AB´SABER- Sim, eu faço uma crítica aos mentores desses processos formais. Fazer leis baseadas em índices de repetência e regras gerais para um país de escala continental, com sociedade desigual e necessidades diferenciadas, não leva a nada. Na minha opinião, o papel do professor de Educação Básica deve ser o de incentivar os alunos a construir o conhecimento da região onde vivem, desde os limites territoriais até as características geográficas, econômicas e políticas. Essas informações servirão para ele se localizar como cidadão e sempre servirão de base para qualquer estudo de espaços maiores, as chamadas macro-regiões. Nesse sentido, um estudante da Bahia precisa conhecer as outras regiões do país. Isso é importante, claro. Na verdade, é um conhecimento acumulado e, portanto, menos fundamental que os objetos de estudo imediato. Por tudo isso, repito: o primeiro passo deveria ser incorporar a filosofia do processo que se baseia no saber local, investir na formação dos professores e, só então, exigir resultados melhores.

NE - Como, então, deve ser a formação do professor?
AB´SABER- Eu não concordo com o academicismo das universidades, que se enchem de conteúdo para currículo. Uma questão só deve ser escolhida para análise se tiver como finalidade a busca de soluções para ela. Como eu já disse, em Geografia isso está começando a se tornar comum. Por isso sou um geógrafo entusiasmado.

NE - Quem o influenciou na escolha da profissão?
AB´SABER- Um professor de História do ginásio. Ele me mostrou que os processos históricos não estão desligados do chão e dos alimentos cultivados. Na faculdade, História e Geografia eram ensinadas juntas. Não tive dúvidas na decisão. Eu precisava estudar as duas ciências, refletir sobre espaços que modificavam-se através dos tempos e estudar tempos diferentes no mesmo espaço.

NE - Qual foi sua primeira excursão científica?
Ab’ Saber - No primeiro dia de aula o professor Pierre Monbeig organizou um trabalho de campo. Saímos de São Paulo rumo a Itu, Salto, Campinas e Jundiaí. Até então, meu conhecimento geográfico se resumia a São Luiz do Paraitinga e arredores. Pensando melhor, aquela não foi minha primeira viagem marcante. Quando eu tinha 5 anos, meu pai nos levou até Ubatuba. Fomos a cavalo pela velha Estrada do Café, que estava abandonada. Eu ia em um lado do jacá (cesto usado para levar alimentos no lombo de animais) e meus irmãos menores, do outro. Passamos pelas fazendas que rodeavam a cidade, entramos na zona de transição, com produção agrícola de subsistência, passamos por terras particulares, mas sem uso. Na trilha, conhecemos a floresta que precede a serra do mar. Pingava muita água das folhas, pois essa é uma região úmida, como todo
setor de alto de serra. Ao fazer a excursão na faculdade, senti como se fosse a ontinuidade de um interesse que tinha brotado naquela viagem a Ubatuba.

NE - O senhor conhece o Brasil inteiro?
AB´SABER- Conheço todos os domínios geográficos. Só não fui ao Alto Solimões e ao Sul da Bahia. Minhas viagens sempre foram aventureiras. Num Carnaval, ainda jovem, fui de trem com o Miguel (Costa Júnior, geógrafo) para Aragarças, na divisa de Goiás com Mato Grosso. Saí do mar de morros rumo ao Brasil Central: chapadões enormes, vales em forma de veio aberto, florestas em forma de galerias imensas. Três cossistemas
formando uma família de ecossistemas dentro do corpo geral. Foi uma descoberta maravilhosa.

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

LEALDADE

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna.

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