domingo, 31 de dezembro de 2006

SEGREDOS DO VINHO - PARTE 2

Uma bebida divina

Curiosamente, desde o surgimento das grandes civilizações, o vinho sempre foi considerado uma bebida nobre. Como as grandes cidades no Egito e na Mesopotâmia apareceram no Oriente Médio, perto de regiões produtoras de cereais, a maior parte da população se embriagava tomando cerveja (nessa época, ela já era mais popular). No Egito, as primeiras pinturas sobre a vinicultura revelam que, há mais de 3 mil anos, seus habitantes já dominavam a tecnologia da sua produção e o utilizavam em rituais de oferenda aos deuses e aos mortos. Segundo os historiadores, seu consumo no Egito estava restrito aos ricos e aos sacerdotes, já que não havia muitas videiras plantadas na região.

Mas foi na Grécia antiga que a bebida ganhou proporções místicas. Além de impulsionar a economia da região (que na época se estendia por boa parte do Mediterrâneo, incluindo o sul da Itália), o vinho estava associado diretamente ao deus Dionísio. Este não era encarado como um mito distante das pessoas e, ao ingerirem a bebida, os gregos tinham a certeza de que estavam bebendo o próprio deus. Por volta do século V a.C., foi construído em Atenas um enorme anfiteatro para a abertura dos festivais dionisíacos, quando dançarinos se apresentavam cantando e tocando pandeiros para uma platéia inebriada de vinho.

Quando o Império Romano suplantou em poder e extensão o mundo grego, a festa quase acabou. Dionísio, em Roma, era conhecido pelo nome de Baco, e suas festas, os famosos bacanais, chegaram a ser proibidas pelas autoridades no século II a.C. Mas não demorou muito para a pressão popular obrigar o imperador Júlio César a revogar a medida, no século I a.C.

Para a maioria dos historiadores, a devoção a Baco foi decisiva na construção da simbologia que o vinho teria para os cristãos. "É indiscutível a influência de seu culto sobre o cristianismo recém-chegado a Roma", diz Hugh Johnson. A primeira referência à celebração formal da Santa Ceia depois da morte de Cristo, citada na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, seria repetida nas centenas de anos seguintes pela Igreja Católica até hoje: "Tomai e comei; isto é meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim". Depois, tendo ceado, igualmente tomou o cálice e disse: "Este cálice é o novo testamento em meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes".

Não custa lembrar que, muito antes da última ceia, o vinho seria protagonista do primeiro milagre que Jesus realizou quando iniciou sua pregação - e, nessa ocasião, o contexto era de alegria e não de pesar. Segundo o Evangelho de São João, tudo aconteceu em meio a uma grande festa de casamento (as bodas em Caná, na Galiléia). A recepção ia animada, até a ocorrência de uma daquelas situações que deixam qualquer mestre-de-cerimônias numa saia-justa: como havia muita gente para pouca bebida, o vinho acabara. Assim que soube, Maria contou o que aconteceu a Jesus e instruiu aos organizadores do evento que fizessem tudo o que seu filho indicasse. Jesus, que estava acompanhado de vários discípulos, pediu logo que enchessem vários recipientes de água até a borda e o resto você já sabe: animação garantida regada de um vinho ainda melhor que o servido no início da festa. Depois disso, conta João, o milagre fez com que "assim se conhecesse a sua glória, e seus discípulos creram nele".

Como o cristianismo se expandiu rapidamente por boa parte do mundo (principalmente depois que o Império Romano se tornou oficialmente cristão, no século IV), referências como essa ajudaram a manter a aura do vinho como bebida sagrada.

Nem mesmo a expansão do Islã, que logo depois da morte do profeta Maomé, no século VII, proibiu seus seguidores de tomarem vinho, conseguiu impedir a propagação dessa mística.

Mas o vinho era muito mais do que uma bebida de celebração. Na Idade Média, ele tinha funções de anti-séptico (a técnica de destilação do álcool ainda não existia), analgésico e alimento - é bom lembrar que, considerando a péssima qualidade da água que se bebia então, o vinho era provavelmente uma bebida mais segura. Por conta disso, para consumo de seus monges, várias ordens religiosas, como a de São Bento, eram cercadas de extensas áreas de plantação de uva.

A contribuição dos mosteiros e das abadias foi fundamental para o aprimoramento das técnicas de produção da bebida. Dentro de seus muros sólidos e vetustos, o vinho se tornou cada vez mais sofisticado.

Em busca da perfeição

Havia monges especificamente encarregados da adega. O mais célebre deles foi, sem dúvida, dom Pérignon, a quem se atribui nada menos que a invenção do champanhe. Tudo começou em 1668, quando o monge beneditino, aos 29 anos, assumiu a tesouraria da abadia de Hautvillers, na região de Champagne, na França. Para incrementar a produção de vinhos da abadia, ele analisou meticulosamente as melhores formas de plantar e colher a uva, assim como de armazenar o vinho para que ele permanecesse aromático e com o sabor persistente. Devido às condições climáticas e ao solo de calcário da região, era comum que os vinhos passassem por uma segunda (e indesejada) fermentação, quando apareciam na bebida as famosas bolhinhas. Mas o que começou como um defeito logo se transformou numa qualidade. Pérignon desenvolveu uma mistura de três uvas para fazer do espumante uma bebida deliciosa e desenvolveu uma tampa de cortiça para que as garrafas não perdessem o gás.

Como as garrafas da época não eram muito resistentes para conter a pressão do dióxido de carbono, era comum que quem entrasse numa adega usasse uma máscara de ferro para se proteger de estilhaços resultantes da explosão de algumas garrafas (o curioso é que, segundo os relatos da época, dom Pérignon, inventor do champanhe, era abstêmio).

A bebida logo ganhou prestígio na corte de Luís XIV em Versalhes e chegou até Londres, fazendo de Champagne uma das regiões mais famosas do mundo. (Até hoje, somente os espumantes produzidos nessa região podem levar o nome de champanhe.)

Foi por volta dessa época que as regiões produtoras de vinho tradicionais se tornaram espécies de marcas registradas. Na região francesa de Bordeaux, por exemplo, os produtores passaram até a colocar o nome da própria família no rótulo de suas bebidas. Pouco a pouco, foi-se percebendo quais os terrenos responsáveis pelos vinhos de melhor qualidade, de acordo com as condições do solo, a exposição à luz, a altitude e outros fatores. Esses terrenos eram delimitados para a produção de vinhos de qualidade superior, com aromas mais complexos, e, é claro, de preços mais salgados. É o caso do Romanée-Conti, citado no início da reportagem. Famoso desde o século XIX, esse vinho só pode ser produzido a partir de uvas cultivadas numa estreita faixa de terra na região da Borgonha, que possui características muitos específicas de solo, responsáveis por lhe conferir sabor e aromas únicos. Isso reduz drasticamente a capacidade de produção, o que o torna raro e, claro, disputado.

"Essa é uma das principais diferenças do vinho quando o comparamos com outras bebidas", diz Arthur P. de Azevedo, vice-presidente da Associação Brasileira de Sommelliers. "Dependendo de onde bate o sol nas videiras ou de algum detalhe no composto do solo, produz-se um vinho com características bem superiores a outro produzido pelo dono do terreno vizinho", afirma. Um dos casos mais reveladores dessa estreita simbiose entre grandes vinhos e natureza pode ser encontrado numa garrafa do famoso Château d’Yquem, produzido na região de Sauternes, na França. Sua doçura singular nasce da fermentação de uvas podres, atacadas pelo fungo Botrytis cinerea. Acontece que esse fungo é comum numa pequena região de Sauternes, onde, nas manhãs de outono, as videiras são tomadas por uma névoa espessa que induz o ataque do fungo. Como somente as uvas deterioradas são usadas, os trabalhadores da região têm que fazer uma delicada colheita manual, uva a uva - e não cacho a cacho.

Estima-se que cada parreira consiga encher apenas uma taça. Não é à toa que uma simples garrafa de vinho possa valer uma pequena fortuna. A aura que envolve algumas delas equivale à de uma autêntica obra de arte. Daí que durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha invadiu a França, os nazistas procuraram se apoderar das reservas dos melhores vinhos franceses da mesma forma como pilhavam os tesouros do Louvre. Os produtores de vinho da França reagiram sabotando a remessa dos vinhos para a SS e construindo muros para fechar a área mais nobre de suas adegas - impedindo que seus melhores exemplares fossem apreendidos pelos alemães. Mesmo assim, quando os soldados franceses entraram na adega de Hitler no fim da guerra, eles ficaram pasmos com o que viram: centenas de vinhos raros destinados a um homem que sequer apreciava a bebida.

Marcadores:

sábado, 30 de dezembro de 2006

SEGREDOS DO VINHO - PARTE 1

No início, é só cor. Apenas um terço da taça é preenchido pelo líquido vermelho intenso, quase rubi, com um leve entorno acastanhado. Mas basta girá-la levemente, aproximar o nariz e algo de extraordinário acontece: uma jovem reconhece o aroma de amoras maduras. Lá atrás, uma senhora identifica o cheiro do doce de marmelo que a avó fazia - e que ela quase esquecera. Um dono de restaurante identifica os temperos que usa em seus pratos e um senhor se emociona ao sentir o inusitado cheiro de animais e de um bosque, como aquele que ele freqüentava na infância. É como se, por alguns instantes, parte da vida dessas pessoas estivesse ali: em parcos 100 mililitros de um vinho tinto degustado na sala do curso da Associação Brasileira de Somelliers, no 14º andar de um edifício em São Paulo.

Talvez você ache exagero, esnobismo ou mesmo afetação (para não usar outro termo) tanta celeuma em torno de uma bebida. Afinal, tecnicamente, o vinho não passa de suco de uva fermentado. Ou, como diriam os químicos, uma solução aquosa de etanol (uma forma de álcool resultante da ação de leveduras sobre a uva) com maiores ou menores vestígios de açúcares, ácidos, ésteres, acetatos, lactatos e outras substâncias já presentes no suco da fruta ou resultantes da fermentação. Ainda assim, ninguém pode negar que os amantes do vinho seguem uma espécie de mística enraizada há quase 7 mil anos, quando se vivia num mundo não invadido pelos refrigerantes, bebidas isotônicas, energéticos, uísque, vodca, cachaça (os destilados são uma invenção do século XIV), nem mesmo café e chocolate (popularizados como bebida na Europa apenas depois da descoberta da América).

"Ao longo da história, o vinho foi a única fonte de conforto e coragem, o único remédio e anti-séptico, o único meio de que o homem dispunha para recuperar o ânimo e superar o cansaço e a tristeza", diz o pesquisador inglês Hugh Johnson, autor do livro A História do Vinho. "Ele foi, durante milênios, o principal luxo da espécie humana."

Mais do que um luxo, o vinho foi a bebida sagrada por excelência. Dos rituais a Dionísio, na Grécia antiga, até a celebração da eucaristia católica, repetida até hoje, ele atravessou milhares de anos sem perder sua aura divina. Seu comércio aproximou povos, mobilizou monarcas, enriqueceu Estados e foi sinônimo de poder - mesmo sem gostar de vinho, Hitler fez questão de possuir uma adega com os melhores exemplares do mundo, hábito copiado até hoje por políticos e novos-ricos em busca de status.

Por ser tão encorpado de significados, beber uma simples taça pode ter conseqüências imprevisíveis. Que o diga o mais novo presidente eleito do país, que aprendeu essa lição ao ser atacado durante a última campanha por ter tomado um Romanée-Conti - e olhe que Lula não pediu nem pagou pela garrafa de 6 mil reais, oferta do publicitário Duda Mendonça.

O poder de inebriar

Ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro homem a beber vinho, nem onde ele foi experimentado pela primeira vez. Há indícios arqueológicos de que a uva já era cultivada há cerca de 7 mil anos, na atual Geórgia (ex-União Soviética). Mas talvez nem tenha sido preciso cultivar uvas para beber vinho. Qualquer homem que vivesse numa região cercada de videiras silvestres já devia ter notado que as uvas, a partir de um determinado estágio, perdiam um pouco de sua doçura para ganhar sabor mais forte. Pelo menos nessa fase, como diz o historiador Hugh Jonhson, o que deve ter chamado a atenção dos nossos ancestrais para a bebida não foi o seu sutil buquê, nem o persistente sabor de violeta e framboesa. Foi, provavelmente, o efeito inebriante que ele proporcionava. "Em meio a uma vida difícil, bruta e breve, aqueles que primeiro sentiram os efeitos do álcool acreditavam-se brindados com uma antevisão do paraíso", diz Johnson.

"As inquietações desapareciam, os medos se afastavam, as idéias ocorriam mais facilmente e os apaixonados se tornavam mais carinhosos quando bebiam esse sumo mágico."

Alguns, é claro, também davam vexames. É o caso do patriarca bíblico Noé, o mesmo da Arca que teria salvado os animais do dilúvio. O nono capítulo do Gênesis conta que, depois do desembarque da arca, Noé passou a cultivar a terra e plantou vinha. "E tendo bebido vinho, (Noé) embriagou-se e apareceu nu em sua tenda. E Cam, pai de Canaã, tendo visto a nudez de seu pai, saiu fora a dizê-lo a seus dois irmãos." Para evitar que Noé continuasse a perambular pelado e bêbado, os dois irmãos de Cam entraram em sua tenda e o cobriram. Noé, no dia seguinte, ainda teve o disparate de pôr a culpa do incidente em seu filho Cam, condenando-o a gerar uma espécie de raça inferior da humanidade - os cananeus, segundo a Bíblia.(Para evitar que seus cardeais exagerassem na bebida, o papa Júlio II mandou Michelangelo pintar essa história no teto da Capela Sistina no Vaticano, bem acima da vista de seus cardeais.)

Apesar do Gênesis não explicar bem o porquê da irada reação de Noé ao incidente, é de se supor que ele estivesse sofrendo uma das primeiras ressacas de vinho na história (quem já passou por uma sabe que não é a melhor hora para tomar decisões importantes). Mas as náuseas e as dores de cabeça que acompanharam os primeiros amantes do vinho no dia seguinte não foram suficientes para desanimá-los. A bebida, sem dúvida, parecia ter mesmo características especiais. Uma delas era sua capacidade de melhorar com o tempo. Isso facilitou a sua difusão por outras regiões e, no futuro, a transformaria num dos primeiros e mais importantes produtos de exportação do planeta. Dali em diante, o vinho se confundiu com a história da própria civilização.

Marcadores:

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

05 Anos Sem Cássia Eller


Cássia Eller - 39 anos
Cantora. Estava na melhor fase de sua carreira, com o sucesso de seu cd Acústico. Suas marcas eram a voz grave e a atitude irreverente no palco, e seu repertório variava entre músicas dos autores mais ligados à cena do rock brasileiro, como Renato Russo, até versões para obras de compositores antigos, como Ataulfo Alves, passando por autores mais vanguardistas, como Itamar Assumpção. Entre os maiores sucessos estava Malandragem e ECT. Faleceu de parada cardiorrespiratória cuja causa está sendo investigada. Há suspeitas de que ela tenha feito uso de cocaína.

Marcadores:

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Erro Geográfico

A mãe chega para o filho e pergunta:
— Joãozinho, o que você está estudando?

— Geografia, mamãe.

— Então me diga: onde fica a Inglaterra?

— Na pagina 83, mãe

Marcadores:

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

QUAL A FÓRMULA DO PERU PERFEITO?

Sim, existe um fórmula matemática para obter bons resultados na hora de assar um peru. Ela envolve os seguintes fatores: peso da ave, temperatura do forno e tempo de cozimento. O enunciado dessa fórmula é um tanto complicado, mas o físico inglês Peter Braham, autor do livro The Science of Cooking ("A Ciência de Cozinhar", inédito no Brasil), fez o favor de criar uma tabela para ajudar os mestres-cucas amadores (veja-a no fim dessa postagem). Um peru de 5 quilos, por exemplo, deve ser assado por 3 horas e 40 minutos a 180 oC. Há ainda outra questão que pode atrapalhar uma ceia natalina: é difícil fazer com que o peito e as coxas fiquem igualmente suculentos e macios. Como perus e frangos não voam, eles exercitam muito mais as pernas que os músculos peitorais. Coxas e sobrecoxas são mais duras que o peito e demoram mais a cozinhar. Assim, quando elas estão no ponto, muitas vezes a carne branca já ressecou. Cobrir o peito da ave com papel alumínio (deixando as pernas de fora) retém a umidade e minimiza esse problema.


Peru maior assa mais

Peso - 6 quilos

Temperatura - 180 oC

Tempo - 4 horas e 15 minutos



Peso - 7 quilos

Temperatura - 180 oC

Tempo - 4 horas e 40 minutos



Peso - 8 quilos

Temperatura - 180 oC
Tempo - 5 horas e 15 minutos

Marcadores:

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Slow Cities

Inspirado no movimento "slow food" (comida lenta), o conceito "slow cities" nasceu há mais de uma década em Itália, onde conta já com 34 cidades aderen tes, e estendeu-se depois à Alemanha, Espanha e Croácia, disse à Lusa uma especialista do movimento, Ana Maria Albuquerque.

"É um movimento que pretende combater o estilo McDonalds, da comida rápida, mas num conceito mais alargado, que se estende a um estilo de vida na cidade", explicou.

As cidades aderentes, normalmente de média dimensão, usufruem de uma vida sem stress e pretendem aumentar os níveis de tranquilidade e qualidade de vida dos seus habitantes e visitantes, disse aquela especialista.

"Cada cidade procura as suas próprias maneiras de incrementar esse tipo de vida, pouco massificada", observou, exemplificando com casos práticos como o uso de energias renováveis, a utilização de bicicletas, ou uma forma original de tratamento dos resíduos sólidos urbanos, que passe também pela imposição de um a taxa suplementar para quem fizer mais lixo.

O projecto envolve ainda a promoção do civismo dos habitantes daquelas cidades, com uma aula semanal de educação cívica.

O incentivo do artesanato e a promoção da gastronomia tradicional nos restaurantes são outros exemplos evocados por Ana Maria Albuquerque.

"Há cidades aderentes em que o conceito foi ao ponto de tentar convencer os habitantes a deixar as chaves na porta", exemplifica.

O conceito de "cidade lenta" passa muito pela gestão do trânsito, sustenta a especialista, que observa haver povoações "onde já nada há a fazer".

Não será o caso de Lagos, Silves e Tavira e São Brás de Alportel, que se candidataram ao estatuto de "slow cities" porque "era preciso começar por alguma ponta e o movimento de candidaturas achou que o Algarve era um bom começo", disse Ana Maria Albuquerque.

"Queremos estender isto a todo o País", garante, observando que um futuro certificado de qualidade baseado no modo de vida "slow" poderá trazer turistas às cidades

Marcadores:

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Lineup Telefonica Digital

205 SBT basico
208 REDE TV! basico
210 BANDEIRANTES basico
211 MTV basico
316 DISCOVERY KIDS basico
317 TV RA-TIM-BUM infantil
318 NICKELODEON infantil
319 DISNEY CHANNEL basico
320 JETIX infantil
321 CARTOON NETWORK basico
322 BOOMERANG infantil
341 ANIMAL PLANET variedades
342 DISCOVERY CHANNEL basico
343 NATIONAL GEOGRAPHIC basico
344 HISTORY CHANNEL documentarios
345 DISCOVERY CIVILIZATION documentarios
346 DISCOVERY SCIENCE documentarios
347 DISCOVERY TURBO documentarios
361 PEOPLE+ARTS basico
362 E! basico
363 DISCOVERY HOME & HEALTH variedades
364 DISCOVERY TRAVEL & LIVING variedades
390 VH1 basico
391 VH1 SOUL musica
392 MTV HITS musica
393 MTV JAM musica
405 BANDNEWS basico
406 BLOOMBERG noticias
407 CNN INTERNATIONAL noticias
408 CNN ESPANHOL noticias
409 FOX NEWS
410 BBC WORLD noticias
442 RTP
461 ESPN INTERNATIONAL esportes
462 ESPN BRASIL basico
463 BANDSPORTS esportes
464 WOOHOO esportes
465 SPEED esportes
541 FX filmes e series
542 ANIMAX filmes e series
543 AXN filmes e series
544 SONY basico
545 WARNER basico
546 FOX basico
547 FOX LIFE basico
548 EUROCHANNEL filmes e series
549 FILM & ARTS variedades
550 A&E basico
655 HALLMARK filmes e series
656 TCM basico
657 TNT basico
661 HBO hbo max digital
662 HBO2 hbo max digital
663 HBOPLUS hbo max digital
664 HBOPLUS2 hbo max digital
665 HBO FAMILY hbo max digital
666 HBO FAMILY 2 hbo max digital
667 CINEMAX hbo max digital
668 CINEMAX 2 hbo max digital
669 MAXPRIME hbo max digital
670 MAXPRIME 2 hbo max digital

Marcadores:

domingo, 24 de dezembro de 2006

QUE REIS FORAM ESTES? - FINAL

Ô de casa, nobre gente...

A cena é sempre a mesma: no dia 6 de janeiro, um alegre e colorido grupo organizado sai às ruas de Valença, no Estado do Rio de Janeiro, para homenagear o nascimento de Jesus. E a tradicional Folia de Reis, uma das mais importantes festas folclóricas do pais. Trazida pelos colonizadores portugueses, deitou raízes sobretudo nas pequenas cidades do interior.

Os foliões, como são chamados os integrantes do grupo, estão com largos blusões de cetim colorido, azuis, vermelhos ou amarelos. Na cabeça, um boné de marinheiro bordado com miçangas e pedrarias. Três homens estão vestidos de palhaços: simbolizam os reis magos disfarçados para enganar o rei Herodes e encobrir a fuga de José, Maria e Jesus para o Egito.

A bandeira da Festa, carregada pelo alferes ou bandeireiro, traz no centro, pintada, a cena do nascimento de Jesus; em volta está toda enfeitada com flores de papel ou de plástico e fitas coloridas. Ao chegar à porta de uma casa, o alferes bate. A porta se abre e a dona recebe a bandeira e cumpre sua parte do ritual: se benze e benze a casa toda com ela. Depois, decide receber a folia. Acompanhados por uma viola, violão, reco-reco, pandeiro, sanfona, triângulo e duas caixas de percussão tiram o reis, isto é, pedem licença para começar e cantam:

"Ô de casa, nobre gente (oilarai)
Ô de fora, quem será (oilarairai)
Ô de fora, é os treis reis santo
Que veio Ihes visitá (aiaiailarai)...

Depois que tiram o reis, a dona da casa dá uma esmola para a bandeira e todos saem para o terreiro, onde os palhaços dançam e recebem dinheiro. Tanto a esmola quanto o dinheiro dado aos palhaços são usados na organização da festa. Ao final das danças, a dona da casa Ihes oferece um lanche. Depois, a folia se despede e continua sua peregrinação de casa em casa.

O ritual, em teoria, sempre se destina a homenagear os reis magos e o nascimento de Jesus. Na prática, entretanto, muitas coisas se misturam, como a criação do mundo, as profecias bíblicas etc. Muitas vezes os versos contam histórias acontecidas naquela determinada comunidade ou no país. $quot;Depois da visita do papa ao Brasil; conta o folclorísta Toninho Macedo, cantou-se o acontecimento nas festas do ano seguinte." Macedo, que nasceu na cidade fluminense de Três Rios. onde as festas de reis são tradicionais, leciona na Escola de Folclore de São Paulo e há dez anos pesquisa o tema. Ele observa que festas fazem parte do cicio de Natal. que começa geralmente à meia -noite do dia 24 de dezembro e termina no dia 6 de janeiro".

O ritual e o nome que se dá às festas mudam conforme a região. No Sul são chamados Ternos de Reis, Pastorias do Senhor Menino, Folias e Reisadas. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais as folias são mais ricas tanto em número de pessoas quanto em variações. Há lugares onde não se leva a bandeira. No Nordeste, predominam os ranchos-Bois de Reis, Reisados, Pastoris e Bailes Pastoris sem caráter necessariamente religioso que dançam de praça em praça e nos salões.

Marcadores:

sábado, 23 de dezembro de 2006

QUE REIS FORAM ESTES? - PARTE 1

Diz a Bíblia que "uns magos", guiados por uma estrela, vieram do Oriente à procura de um recém-nascido o rei dos judeus. Mas não diz quantos eram de onde vinham exatamente nem se eram mesmo reis.

Todos os anos, o dia 25 de dezembro, revive a suprema tradição cristã do Natal, quando se comemora o nascimento de Jesus. As pessoas trocam presentes, enfeitam pinheiros com luzes e bolas coloridas e montam presépios. Neles se reconstitui o nascimento de Jesus: a gruta em Belém, o menino na manjedoura, os pastores e os três homens que, segundo a Bíblia, vieram de longe para adorá-lo, trazendo ouro, incenso e mirra. São os três reis magos, que saíram do Oriente guiados por uma estrela na busca de um recém-nascido: o rei prometido.
Nessa caminhada, chegaram a Jerusalém, capital do antigo reino de Israel, convertido em província romana sob o nome de Judéia, onde reinava Herodes. Mas não encontraram ali o recém-nascido e continuaram a seguir a estrela, até Belém. Quem eram os reis magos? Existiram de fato ou são apenas fruto da imaginação? A única referência a eles na Bíblia está no Evangelho de São Mateus. versículo 2: "Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém dizendo: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo .
As dúvidas sobre os reis magos existe na própria Igreja. Em seu livro Jesus Cristo Libertador, o teólogo brasileiro frei Leonardo Boff pergunta: ;Vieram de fato os reis do Oriente? É curioso imaginar uma estrela errando por aí, primeiro até Jerusalém e depois até Belém, onde estava o menino. Por que não se dirigiu diretamente a Belém, mas primeiro resplendeu sobre Jerusalém, estarreceu toda a cidade e o rei Herodes, a ponto deste ter decretado a morte de crianças inocentes? Em que medida nisso tudo vai conto ou realidade? Segundo Boff, textos do Antigo Testamento e um fenômeno astronômico teriam motivado o relato de Mateus.
Os evangelhos foram escritos muito depois da morte de Cristo. O de Mateus, por exemplo, foi escrito entre os anos 80 e 85, ou seja, cerca de meio século mais tarde. O teólogo Ivo Storniolo, de São Paulo, acredita que "Mateus criou uma história como se fosse um fato verdadeiro para mostrar o real significado do nascimento desse menino". Outro teólogo, Euclides M. Balancin, afirma que Mateus inspirou-se no salmo 72, 0 Rei Prometido, do Antigo Testamento, que fala de um rei ideal que implantaria a Justiça e o Direito. "O que Mateus quer dizer", interpreta Storniolo, "é que Jesus é o Messias prometido e, reconhecendo isso, os reis das Nações, que seriam os reis do Oriente, vieram trazer-lhe tributos."
As oferendas com que os magos presentearam Jesus são carregadas de significados. O ouro é o símbolo da realeza; o incenso representa a divindade e a mirra era usada em sepultamentos, o que faz supor que Mateus estivesse aludindo à morte de Jesus. No sentido bíblico, os magos representam as nações que reconheceram no menino o rei prometido, ao qual os textos antigos faziam referência. Os magos, portanto, seriam também os reis dessas nações. Entretanto, Mateus só se refere a eles como magos. Apenas no século VI é que passam a ser chamados de reis, além de magos.
Mas, afinal, que estranhos poderes teriam os magos? A palavra mago vem do persa magu que deu em grego mágos e chegou ao português através do latim maga e quer dizer "poderoso". Os sacerdotes da religião persa, o zoroastrismo, eram chamados de magos. Seus poderes vinham dos conhecimentos de Astronomia e Astrologia que possuíam. Por isso, os reis persas se aconselhavam com eles antes de tomar decisões-das mais importantes, como saber qual o melhor dia para resolver questões de Estado, até as mais corriqueiras, por exemplo, o dia mais indicado para tomar um remédio ou mesmo dar uma festa.
Pode-se assim perfeitamente bem especular que tenham sido magos persas os viajantes em busca do Messias guiados por uma estrela. Além de conhecer os mistérios do céu, é provável que estivessem também a par das antigas referências à chegada de um novo rei que viria para salvar os homens. Isso talvez explique por que caminharam tanto seguindo uma estrela, à procura do incerto lugar onde teria nascido o Messias.
O Antigo Testamento, com efeito, menciona um profeta de nome Balaão, contemporâneo de Moisés, o fundador do judaísmo (século XIII a.C), que teria dito: "Um astro procedente de Jacó se torna chefe: um cetro se levanta procedente de Israel". Um anjo teria falado a Moisés sobre a estrela cuja aparição anunciaria a vinda do salvador. Em Roma? o poeta lírico Horácio, que viveu de 65 a 8 a.C, profetizou o começo de uma nova era sob o signo de Saturno-um dos planetas da conjunção que teria causado a luminosidade conhecida como estrela de Belém .
Em todo caso, sempre foi muito comum a tradição popular buscar ligações terrestres para acontecimentos extraordinários que ocorrem no céu, como o aparecimento de luzes misteriosas ou astros magníficos e desconhecidos: obrigatoriamente eles deveriam ser o prenúncio de algo novo e importante na Terra.
Sabe-se tão pouco sobre os magos que até seu número é desconhecido. Jacó de Edessa (640-708), teólogo cristão que escreveu comentários sobre o Antigo e o Novo Testamento, dizia que eles vinham da Pérsia, mas não eram três. Eram homens ilustres escoltados por mais de mil pessoas e seguidos por uma multidão. As primeiras representações da adoração de Jesus mostravam a mesma cena que sobreviveu até hoje: três homens que oferecem ao menino Jesus três presentes: ouro. incenso e mirra. Uma hipótese é que o número de presentes tenha criado a confusão.
Seja como for, os nomes dos magos-Melchior, Baltazar e Gaspar são de origem oriental e todos têm a ver com realeza e poder. Melchior do hebreu, quer dizer "rei da luz": Baltazar, do aramaico, significa Judeus proteja a vida do rei. Gaspar é dos três o que mais possibilidades tem de se referir a um personagem real. Entre os anos 19 e 65 da era cristã, diz-se que viveu na Pérsia um príncipe de nome Gundofarr, que significa "vencedor de tudo". Traduzido transformou-se em Gasta e daí em Gaspar A idéia da procedência persa dos magos influenciou até as roupas com que aparecem representados: chapéu redondo na cabeça, camisa curta presa por um cinturão, calças estreitas e uma capa por cima. Exatamente como os reis persas se vestiam.
No altar mór da Catedral de Colônia, na Alemanha, existem os três caixões revestidos de ouro. Dentro deles estariam os restos mortais de Gaspar, Melchior e Baltazar, trasladados da Itália no século XII. Pode ser outro dos tantos mitos que bordam a história dos magos, mas o fascínio que ela exerce sobre os cristãos do mundo inteiro se renova a cada ano no Natal e depois no dia 6 de janeiro, quando eles teriam chegado a Belém, e a tradição popular preserva e comemora como o Dia de Reis.

Marcadores:

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

A importância do estudo da Filosofia

O Conselho Nacional de Educação decidiu no dia 7/7/2006, que as escolas de ensino médio devem oferecer as disciplinas de filosofia e sociologia. O relator da proposta, César Callegari disse que "a decisão vai estimular os estudantes a desenvolverem seu espírito crítico. Isso significa uma aposta para que os alunos possam ter discernimento quando tomam decisões e que sejam tolerantes porque compreendem a origem das diversidades".

A idéia não podia ser melhor. A palavra filosofia deriva do grego e significa "amor pela sabedoria" (philia; amor, sofia, sabedoria). Revela-se como a amiga da sabedoria, amor e respeito pelo saber.

Ela é uma disciplina que envolve a análise, a reflexão de idéias e a discussão de todos os assuntos. Surgiu devido a inquietação da curiosidade humana de questionar todos os valores. Assim, cada experiência é enriquecida e pode ser repassada de geração em geração.

Questões como a religião, o conceito do bem e do mal, a política, a ciência, o mundo exterior, a arte etc., fazem parte do estudo da filosofia. O que a define é o uso dos argumentos, onde as pessoas criticam, analisam e clarificam conceitos.

Também ensina a pensar de maneira mais lúcida sobre nossas barreiras, diferenças, preconceitos e clarear a mente sobre aquilo em que acreditamos. Busca a verdade para dar sentido a todas as experiências.

Platão, Aristóteles, Descartes, Hume, Kant, Russell, Sartre foram filósofos famosos.

Qualquer pessoa pode estudar filosofia, já que os temas são variados e a liberdade de opinião é uma das suas bases. Mas, quando a pessoa tem algum conhecimento de historia, pode progredir de maneira mais satisfatória.

Ao estudar a filosofia, o ser humano busca respostas ao sentido da sua existência.

Quem já não teve dúvidas sobre a existência de Deus? Ou, qual a razão de estar aqui e agora? Porque uma ação pode ser considerada boa e ao mesmo tempo pode ser má para outras?

Chamada de "mãe de todas as ciências", a filosofia divide-se em:


Arte ou estética: estuda o belo, o entendimento da arte

Ética: estuda sobre o certo e errado, o bem e o mal etc. e como se deve viver e agir

Lógica: sua função é preservar a verdade e evitar raciocínios imperfeitos

Metafísica: trata da realidade, do ser e também do nada, do transcendental e da teologia

Teoria do conhecimento: trata do conhecimento, da crença e da justificação.

O filósofo não é um especialista, mas um conhecedor e um investigador do universo, da natureza, do homem e da sociedade.

A filosofia superficial inclina a mente humana ao ateísmo, mas uma filosofia profunda conduz a mente humana ao sagrado, a sabedoria e ao espiritualismo.

Marcadores:

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Boa Ação no Natal


Duplo Clique para melhor visualização

Marcadores:

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Minha Mensagem


Você precisa ter sonhos, para que possa se levantar todas as vezes que cair.
Acreditar que a toda hora acontecerá coisas boas e mudar o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos,
os pequenos, são as felicidades mais rápidas,
os grandes, lhe darão força para suportar o fracasso dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias,
assim como se rega uma planta, para que cresça.
Você precisa dizer sempre, a você mesmo:
vou conseguir! vou superar! vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz,
a luz de sempre ter esperanças, que nunca poderá se apagar,
pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas,
e é através dessa luz que todos vão lhe admirar, acreditar em você e te seguir.
Mire a Lua, pois se você não puder atingi-la,
com certeza irá conhecer grandes estrelas... ou, poder ser uma delas.

Marcadores:

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Policiais

Marcadores:

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

PAPAI OU PAPÃO NOEL?

O Papai Noel é um dos personagens mais queridos de nosso planeta. Afinal, ele traz os presentes no Natal e vive para alegrar as crianças, certo? Errado. A julgar por um levantamento realizado em Nova York, ou elas perderam a inocência (e não acreditam mais no Bom Velhinho) ou têm alguma desconfiança com relação àquele senhor de barbas brancas. A conclusão é que a última coisa que os pequenos de fato fazem diante da grande figura de roupas vermelhas é sorrir. O estudo foi coordenado pelo professor John W. Trinkaus, um dedicado pesquisador de questões comportamentais

Para realizar a pesquisa sobre a relação das crianças com o Papai Noel, Trinkaus recrutou um grupo de voluntários, que ficaram de plantão em dois shopping centers e uma loja de Nova York que contrataram atores fantasiados para esquentar as vendas antes do Natal. O método, bastante simples e eficaz, previa que os observadores anotassem, numa planilha, a reação dos pequenos ao ver o Bom Velhinho. Como em todo bom trabalho estatístico, a planilha indicava seis respostas possíveis, numa escala de "animado" até "aterrorizado", passando por "feliz", "indiferente", "hesitante" e "entristecido". Os números não deixam margem a dúvidas: nada menos que 98% dos 300 meninos e meninas analisados nos dois shoppings ficaram indiferentes ou hesitantes. Na loja, a porcentagem foi apenas ligeiramente menor: 93% de um total de 30 crianças. Nos dois grupos pesquisados, foi registrada apenas uma reação "animada"
Apesar da surpresa e de um certo desconforto, o professor John Trinkaus mantém o otimismo com a humanidade. Nem tudo está perdido porque os pais (e outros adultos que acompanhavam as crianças nesse "passeio de sonho") estavam visivelmente excitados, muito mais alegres que a garotada. Talvez seja a hora de Papai Noel rever uns conceitos de marketing e mudar de público-alvo.

Marcadores:

domingo, 17 de dezembro de 2006

SERÁ QUE SOU ESQUISITO? - FINAL

7. Borderlines

Recebem essa denominação porque parecem estar sempre oito ou oitenta. Para eles não há meio-termo: ou estão exultantes ou se sentem péssimos. Amam ou odeiam. Baixa auto-estima, dúvidas quanto à própria identidade, sentimento de vazio, ansiedade e instabilidade parecem ser as características mais latentes do transtorno de personalidade border-line, que se manifesta sobretudo em mulheres. Estima-se que essa doença atinja 2% da população em geral, e, entre os pacientes psi-quiátricos portadores de distúrbios de personalidade, os borderlines ocupam uma parcela entre 30% e 60%. Toda a insegurança que envolve os borderlines pode gerar um comportamento violento, impulsivo e até mesmo auto-destrutivo, com automutilações e abuso de drogas. "Violências sexuais na infância e falta de um ambiente familiar estruturado podem estar na origem desse tipo de transtorno", afirma a psicóloga Rita Romaro, que está lançando o livro Psicoterapia Breve Dinâmica com Pacientes Borderline: Uma Proposta Viável. Para ajudar o paciente a lidar com as crises e permitir que ele atinja melhor qualidade de vida, pode-se recorrer, entre outras alternativas, à psicanálise, à psicoterapia breve, a medicamentos ou à terapia familiar, segundo a psicóloga.


8. Dependentes

Tendência sistemática de deixar as decisões para os outros, confor-mismo e baixa estima são as principais características da perso-nalidade dependente. Os dependen-tes sentem-se desencorajados a encarar as exigências comuns da vida cotidiana, transferem sempre as responsabilidades para os outros e sentem a necessidade de ser ajudados para tudo. Seu principal temor é ser abandonados.


9. Narcisistas

Vaidosos, egocêntricos, eles se sentem o centro do mundo e tudo orbita a seu redor. Os narcisistas exigem tratamento especial, são intolerantes às críticas, crêem-se superiores e são capazes de manipular tudo e todos em proveito próprio. Vivem ancorados num ideal elevadíssimo de si mesmo, assim como consideram os demais seres de menor valor e, portanto, que lhe devem obediência. Dessa maneira, expõem-se também muito mais ao fracasso. Quando não são atendidos ou quando os demais não os tratam como superiores, exibem crises de depressão e ansiedade, o que os pode levar à dependência de substâncias tóxicas ou a comportamentos desesperados. "Nesses casos, também pode haver a criação de um mundo particular idealizado, que se assemelha a uma experiência esquizofrênica", afirma Yassui. As origens desse tipo de distúrbio são ainda tema de debate entre os especialistas, mas as hipóteses mais cogitadas são uma educação exageradamente protetora ou carências afetivas na infância.


10. Obsessivos

O obsessivo é alguém que tem uma metodologia de ação própria, insensível à interferência externa e ao bom senso. Caracteriza-se por um culto ao perfeccionismo, meticulosidade e rigidez excessiva. Assim, pode haver uma obsessão quanto à arrumação de seus pertences, quanto à limpeza de um lugar, uma impulsão a lavar as mãos com uma freqüência exagerada ou uma sistematicidade exacerbada nas tarefas mais banais, como ler uma revista ou escrever um bilhete. Muitas vezes, essas manias acabam interferindo na produtividade do paciente. É quando, por exemplo, ele gasta um tempo fenomenal com a elaboração e a reformulação de cronogramas, listas de tarefas e reuniões desnecessárias, a ponto de perder o foco no objetivo final. O obsessivo pode ser aquele seu colega de trabalho cuja mesa está sempre arrumada ou que mostra certa dificuldade em aceitar mudanças. Se for um chefe, ele pode transformar a vida dos subordinados num suplício ao azucriná-los com cobranças absurdas. "O obsessivo pode ser capaz de se levantar duas horas mais cedo para cumprir um minucioso ritual de manhã, cujas etapas jamais são desobedecidas", diz Rita.


Quem precisa de ajuda

Só um psiquiatra ou um psicólogo tem condições de diagnosticar se uma pessoa é ou não portadora de distúrbios de personalidade. Mas estar atento a alguns indícios que costumam acompanhar esses estados pode ajudá-lo a decidir se você ou alguém de seu relacionamento precisa de tratamento. Aqui está uma lista de aspectos ligados a padrões de comportamento típicos de personalidades patológicas.
Elas foram elaboradas com a consultoria do psiquiatra Henrique Schützer Del Nero*. Confira:


Você ou alguém próximo...

- o tem dificuldade de formar e manter amigos?

- o culpa os outros, a sorte ou as circunstâncias quando algo dá errado?

- o mente freqüentemente?

- o age impulsivamente?

- o costuma se envolver em relacionamentos intensos e tempestuosos?

- o comporta-se de modo autodestrutivo?

- o precisa ser admirado para estar satisfeito?

- o é excessivamente preocupado com a aparência?

- o é hipersensível a críticas?

- o é perfeccionista?

- o desconfia dos outros, mesmo quando não há motivo concreto?

- o é excessivamente preocupado com detalhes?

- o fica irritado quando nem tudo está em ordem e sob controle?

- o prefere passatempos solitários a se encontrar com amigos?

- o tem um sentimento vago de inadequação?

- o tem a impressão de ser à prova de emoções, sejam de alegria, sejam de tristeza?

- o veste-se ou se comporta de forma excêntrica só para chamar a atenção?

- o fica extremamente chateado quando se sente rejeitado?

- o vive discutindo com os colegas de trabalho ou da escola?

- o tem medo de ficar sozinho?

- o raciocina sempre em termos de ótimo/péssimo, amor/ódio, tudo ou nada?

- o passa por altos e baixos no dia-a-dia?

- o gasta mais do que ganha?

- o é capaz de aceitar uma idéia que lhe pareça idiota apenas para não discordar de seus colegas?

- o dirige de forma perigosa?

- o se acha melhor que os outros?

- o procura deixar que os outros tomem decisões por você?

- o tem dificuldade para iniciar projetos ou cumprir tarefas por sua própria conta?

- o evita relacionamentos íntimos?

- o faz o que não quer só para agradar a outras pessoas?

- o é extremamente fiel a regras, listas, horários, cronogramas e fluxogramas?

- o é tão devotado ao trabalho a ponto de não ter tempo para o lazer ou a família?

- o vive profissionalmente insatisfeito e trocando de emprego?

- o guarda suas opiniões para si e não as reparte nem mesmo com as pessoas mais íntimas?

- o tem vocação para se envolver em relacionamentos amorosos conturbados ou promíscuos?

- o não tem a menor vontade de fazer parte de uma família?

- o tem freqüentemente a impressão de que os outros estão falando sobre você?

- o não tem senso de humor?

- o parece estar sempre enrolado em diversos aspectos de sua vida, seja no trabalho, no amor ou em questões financeiras?



Você (ou alguém de seu relacionamento) se identifica com várias dessas questões? Uma consulta a um especialista vai ajudar a esclarecer se o caso necessita de tratamento.



* Henrique Schützer Del Nero, autor dos livros O Equilíbrio Necessário e O Sítio da Mente, é professor de neurociência e psiquiatria da faculdade de medicina da Universidade de Nova York e dá aulas de neurociência cognitiva na Escola Politécnica da USP, em São Paulo, onde mantém um consultório particular.

Marcadores:

sábado, 16 de dezembro de 2006

SERÁ QUE SOU ESQUISITO? - PARTE 1

Para a psiquiatria, ninguém é completamente normal, pois todos temos traços de personalidade pouco saudáveis que eclodem de vez em quando. Mas, em alguns, a personalidade demonstra uma inconstância vertiginosa. Pessoas assim podem ser portadoras do que a psiquiatria chama de distúrbios de personalidade. Onde está o limite entre uma personalidade patológica ou apenas diferente? Quando é que um comportamento é patológico ou apenas inconveniente do ponto de vista social? Em que casos uma pessoa precisa de tratamento? O assunto é fonte de intermináveis discussões entre os especialistas. "Sabe-se que as pessoas que apresentam personalidade anti-social têm alterações no córtex frontal, mas não se sabe se essa é a origem do comportamento anormal ou vice-versa", afirma o professor Renato Sabbatini, neurocientista e professor de informática médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas.

Dependendo do distúrbio e de suas conseqüências, portadores de personalidades patológicas ficam internados em hospícios ou confinados em cadeias. Mas, na maioria dos casos, eles levam uma vida aparentemente normal. Trabalham, estudam e constituem família, como quase todo mundo.

As patologias podem ocorrer de forma isolada ou combinada: o paciente se enquadra em mais de um tipo ao mesmo tempo. Veja os dez principais transtornos:


1. Anti-sociais

O maníaco do parque, o Bandido da Luz Vermelha, o canibal Hannibal Lecter, de Silêncio dos Inocentes, e todos os serial killers americanos são classificados pelos psiquiatras como anti-sociais ou, como alguns dizem, sociopatas.

Esse tipo de transtorno impede que a pessoa tenha qualquer com o próximo e apego às regras da sociedade. A personalidade sociopata permite a seu portador roubar, maltratar, torturar, matar, estuprar sem remorso. "O anti-social é, entre os distúrbios de personalidade, o mais assustador para a sociedade", afirma Sabbatini. Entre 1% e 4% da população mundial é portadora do problema. Nem todos, porém, passam para o mundo do crime. O anti-social pode se manifestar na figura de uma pessoa sem escrúpulos, por exemplo, que não se importa em prejudicar o colega de trabalho para subir na carreira ou alcançar seu objetivo.


2. Esquizotípicos

O esquizotípico tende a interpretar os acontecimentos de maneira bastante peculiar, atribuindo o que acontece a seu redor a forças ocultas.

Os sintomas característicos incluem pensamentos e percepções distorcidas da realidade, como acreditar que pessoas na rua estão fazendo comentários sobre eles ou ainda ouvir uma voz constantemente chamando seu nome. Os portadores desse distúrbio são suscetíveis a crises depressivas freqüentes.

3. Evasivos

O sentimento de inferioridade das personalidades evasivas as torna hipersensíveis às críticas, inseguras e com medo de se relacionar com outras pessoas, embora seu desejo maior seja de se inserir plenamente no convívio social. Os relacionamentos íntimos também são difíceis: o temor de ser ridicularizado ou de se sentir envergonhado é enorme. Os portadores dessa patologia podem ter medo de falar em público, de ser observados, de cometer erros, de assumir responsabilidades - tudo isso num grau muito maior do que a média das pessoas. Muitas vezes, a origem está na infância, por experiências adversas causadas por humilhações públicas ou por uma educação excessivamente rigorosa.


4. Histriônicos

É impossível não perceber a chegada da personalidade histriônica. Falando alto, gesticulando exacerbadamente, adotando um comportamento quase teatral, o histriônico procura sempre ser o centro das atenções de uma audiência que o aplauda e o venere. "Quando isso não ocorre, ele se sente rejeitado e sua frustração pode desestabilizá-los", diz a psicóloga Rita Romaro, que pesquisou distúrbios no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Suas emoções geralmente são superficiais e infantis, como entregar-se a fantasias de se casar com aquele ator de televisão famoso e rico. Tende a ser egocêntrico, histérico e dono de um humor altamente instável. Como a realidade é dura, crises de depressão são freqüentes, havendo probabilidade de suicídio nos casos mais graves.


5. Esquizóides

O típico esquizóide é o adolescente alto e franzino que prefere a companhia de seu computador a de amigos ou de uma namorada. Os esquizóides são pessoas introspectivas, com incapacidade de ex-pressar os sentimentos e que mostram preferência pela fantasia ou por atividades isoladas em detrimento do relacionamento social. É como se eles se sentissem invadidos pelo contato com outras pessoas, como se houvesse uma incompatibilidade estrutural entre eles e o mundo. Assim, optam por se retrair, apresentam um humor pouco oscilante e são quase sempre tachados de frios. "Muitas vezes se notam comportamentos autísticos, como se nada lhes afetasse ou interessasse", diz o professor Silvio Yassui, do departamento de psicologia clínica da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp. "Nos casos mais graves, o portador desse distúrbio se fecha num mundo delirante, próximo da esquizofrenia."


6. Paranóicos

Adepta da teoria da conspiração, a personalidade paranóica caracteriza-se pela tendência de interpretar as atitudes dos outros como hostis ou de ter uma sensação de perseguição permanente. Essencialmente, o paranóico atribui a si mesmo uma importância maior do que a que ele realmente tem para os outros. Dessa forma, qualquer contrariedade pode acabar sendo desestruturadora. No casamento, é muito freqüente que a atitude paranóica se manifeste por meio de suspeitas quanto à fidelidade do cônjuge, mesmo quando não há razões concretas para isso.

Marcadores:

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Imagem da Quinzena

Marcadores:

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Reflexão da Semana

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver."

Gabriel Garcia Marquez

Marcadores:

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Piada do Dia

Competição de Morcegos

O morcego estava fazendo uma competição com seus três filhos pra ver quem arrumava sangue mais rápido. O filho mais velho sai voando e volta em 60 segundos com a boca suja de sangue. O pai pergunta:

- Onde você arrumou esse sangue?

- Tá vendo aquele boi ali?

- Tô.

- Foi dele.

O segundo filho sai voando e volta em 30 segundos com a boca suja de sangue. O pai pergunta:

- Onde você arrumou esse sangue?

- Tá vendo aquela mulher ali?

- Tô.

- Foi dela.

O filho mais novo sai voando e volta em 15 segundos com a boca suja de sangue. Novamente, o pai:

- Onde você arrumou esse sangue?

- Tá vendo aquele muro ali?

- Tô.

- Eu não vi.

Marcadores:

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Garfield



Duplo-clique para melhor visualização

Marcadores:

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

COMO O CÉREBRO GERA CONSCIÊNCIA?

Físicos e matemáticos já tentaram explicar a consciência, mas é preciso levar em conta o leque de substâncias que atuam no cérebro. De que outra forma se pode explicar como certas substâncias modificam o ânimo e alteram a consciência das pessoas? Susan Greenfield discute a idéia de que a origem da consciência estaria no contexto neuroquímico do cérebro, visto de forma holística. Ela desenvolve uma forma de descrever a consciência que abrange os diferentes estados momentâneos do cérebro. Esse modelo é testado em vários cenários da vida cotidiana.

Palestra em inglês, com tradução simultânea

Dia: 11 de dezembro, Hoje, às 18h
Local: Casa do Saber (Jardins) - Rua Dr. Mário Ferraz, 414 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP
Preço: R$ 100,00
Obs.: A renda da palestra será inteiramente doada à AASDAP (Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa). Fundada em 2004, e presidida por Miguel Nicolelis, a AASDAP é uma sociedade científica sem fins lucrativos destinada a levantar fundos para o IINN (Instituto Internacional de Neurociência de Natal), cujo principal objetivo é promover a pesquisa científica no Brasil.

Palestrante:

Susan Greenfield é renomada neurocientista. Foi aluna de graduação e pós-graduação em Oxford, e fez pesquisas de pós-doutorado no College de France, em Paris, e no New York University Medical Centre. Desenvolveu uma abordagem multidisciplinar para a exploração de novos mecanismos neuronais do cérebro que são característicos das regiões afetadas pela doença de Parkinson e pelo mal de Alzheimer. O tópico básico de suas pesquisas é desenvolver estratégias para interromper o processo de morte neuronal nesses distúrbios. Ela é também co-fundadora de uma empresa especializada em novas abordagens da neurodegeneração, a Synaptica Ltd. É diretora da Royal Institution da Grã-Bretanha, fullerian professor de Fisiologia, senior research fellow do Lincoln College e membro honorário do St. Hilda's College.


Greenfield dirige o Institute for the Future of the Mind, parte do James Martin 21st Century School, que explora os paralelos entre os cérebros dos muito jovens e dos muito idosos, e como eles são vulneráveis à tecnologia, manipulação química e doença. Está também envolvida com a formulação de políticas para a ciência, tendo realizado um seminário consultivo para o primeiro-ministro Tony Blair sobre o futuro da ciência no Reino Unido.

Susan recebeu 28 títulos honorários. Em 1998, recebeu a medalha Michael Faraday da Royal Society e, em 1999, foi eleita para um Fellowship Honorário do Royal College of Physicians. Em 2003, recebeu a Legião de Honra francesa.

Publicou Journey to the Centres of the Mind Toward a Science of Consciousness (Jornada aos Centros da Mente Rumo à Ciência da Consciência - W H Freeman Co,1995), The Human Brain: A Guided Tour (O Cérebro Humano: Uma visita guiada - Orion-Phoenix Press, 1997) e Private Life of the Brain (Vida Privada do Cérebro - Penguin, 2000) . Seu último livro, Tomorrow’s People: How 21st Century technology is changing the way we think and feel (As Pessoas de Amanhã: Como a Tecnologia do século 21 está mudando a forma como pensamos e sentimos - Penguin, 2003), explora a natureza humana e sua potencial vulnerabilidade na era da tecnologia.

Marcadores:

domingo, 10 de dezembro de 2006

Propagandas Enganosas - Final

Marcadores:

sábado, 9 de dezembro de 2006

Propagandas Censuradas - Parte 1

Marcadores:

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Cidades Brasileiras: Americana/SP.

Centro industrial do estado de São Paulo, na região Sudeste do Brasil, distante aproximadamente 130 km da capital São Paulo, pela rodovia Anhangüera. É considerada uma cidade média do cinturão industrial de Campinas e nela predominam as indústrias têxteis e mecânicas. Americana desenvolveu-se inicialmente em função da descentralização do setor têxtil de Campinas, a partir dos anos 40, e até a década de 1970 era um centro predominantemente têxtil. O processo de interiorização dos setores industriais, sustentado pela modernização da agricultura, iniciou-se nos anos oitenta, fazendo de Americana um pólo industrial mecânico, fornecedor de máquinas e equipamentos para a vasta região agrícola moderna limítrofe à rodovia Anhangüera.

População (1991): 142.581 habitantes.


Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

Marcadores:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

"Chapeuzinho Vermelho na Imprensa Brasileira"

- Diferentes maneiras de contar a mesma história:

JORNAL NACIONAL(William Bonner): "Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...".(Fátima Bernardes): "... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia".

FANTÁSTICO(Glória Maria): "... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?"

CIDADE ALERTA(Datena): "... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades?Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não temtransporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Umlobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo delobo, não tenho medo de lobo, não."

REVISTA VEJA: Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA: Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobosno caminho.
REVISTA NOVA: Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

REVISTA MARIE-CLAIRE: Na cama com o lobo e a vovó.

FOLHA DE S. PAULO: Legenda da foto: "Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador". Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO: Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

ZERO HORA: Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.AQUISangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS: (Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa"

PLAYBOY (Ensaio fotográfico no mês seguinte)Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É: Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE (Ensaio fotográfico com lenhador)Lenhador mostra o machado"

Marcadores:

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Djavan - Sem Saber

Tom: A7+
Intro: Bm7 C#m7 D7+ D/E


A7+ E#º F#m7
A vida já é um absurdo
A7+ E#º F#m7
Com você longe muito mais
Bm7 C#m7 D7+
A estrada é ruim
C#m7 Bm7 C#m7 D7+
Oh, trânsito que não vai
C#m7 Bm7 C#m7 D7+ Bm7 Bb7+
Mas com a gente tudo ia em paz
A7+ E#º F#m7
É você que esquenta sem saber
A7+ E#º F#m7
Você não me vê como eu sou
Bm7 C#m7 D7+
Quando vou te ver
C#m7 Bm7 C#m7 D7+
Dias sem calor
C#m7 Bm7 C#m7 D7+ C#m7 Bm7 C#7/9-
Que fará, o que me dirá?
F#m7
Fui prá cama cedo
Temendo o mistério
Que desassossego
Me diz o que quer
D7+/9 C#m7
E eu dou
D7+/9 C#m7
E não dou
D7+/9
Esperando nada

C#m7
Dou...
F#m7
Silêncio da noite, a noite brilhando
Meu bem eu te adoro
D7+/9 C#m7
Eu sigo pensando: vou!
D7+/9 C#m7
Ou não vou?
D7+/9
Eu preciso dela,
C#m7
Vou
Bm7 Bb7+
Enfrentar o caos
A7+ Bm7
Conceder, reconstruir
Bb7+
Retirar o sal
A7+ Bm7
Vamos ver, se ela sorrir
Bb7+
Sorrirei também
A7+ Bm7
E farei, seja o que for
Bb7+
Pra voltar atrás
A7+
E o que mais, mais vale o amor

Marcadores:

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O Xampu do Manuel

O Manuel está tomando banho e grita para Maria:— Ô Maria, me traz um xampu!
E Maria lhe entrega o xampu.
Logo em seguida, ele grita novamente:
— Ô Maria, me traz outro xampu.
— Mas eu já te dei um agorinha mesmo, homem!
— Eu sei! É que aqui está dizendo que é para cabelos secos e eu já molhei os meus.

Marcadores:

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Desabilite a reprodução automática para CDs

Vá em Iniciar > Executar e digite “gpedit.msc” (sem aspas). Vá em Configuração do Computador > Modelos Administrativos > Sistema. Dê um duplo-clique sobre “Desabilitar reprodução automática”. Selecione Ativar.

Marcadores:

domingo, 3 de dezembro de 2006

Augusto Boal - Entrevista concedida a Veja (17/11/1976), a Paulo Sotero, no ano em que exilou-se em Lisboa.- Final

Veja - Depois de todas essas experiências, como você vê, hoje, o teatro popular na América Latina?
BOAL - Devido à repressão existente na maioria dos países, é um trabalho cada dia mais difícil. Mas em alguns países há uma quantidade considerável de grupos de teatro popular. Por exemplo, no México, existem pelo menos sessenta grupos de vários pontos do país que fazem parte de uma organização chamada Centro Libre de Investigación Teatral e Artística. Na Colômbia e na Venezuela há também alguns movimentos importantes. Mas, de um modo geral, todos esses grupos fazem o teatro para o povo. Em Cuba, existe uma experiência muito interessante feita por um grupo chamado Escambray. Seus integrantes vão todos os anos para o interior e ficam seis meses vivendo e trabalhando com os camponeses. A partir dessa experiência, eles montam uma ou duas peças sobre temas da região e percorrem o país. Eu acho que isso é um passo adiante. Mas ainda não basta. Eles trabalham com os camponeses durante um tempo. Mas não são camponeses. Quer dizer, continuaram a ser os artistas que representam para espectadores passivos. Eu, por exemplo, gosto de fazer peças a favor do proletário e dos oprimidos em geral. Mas as minhas peças nunca poderão ser as de um proletário. Minha última peça, Liza, que Chico Buarque está musicando, é a favor da libertação feminina. Mas de maneira nenhuma substitui a peça que uma mulher vai ter de escrever sobre o tema.

Veja - E o que você pensa das outras formas de fazer teatro?
BOAL - A gente vai ficando meio maduro e vendo melhor as coisas. Antigamente eu era muito sectário. Achava que, se num determinado momento tal forma de teatro estava dando bom resultado, então não se deveria fazer nenhuma outra, pois seria errada. Agora não penso mais assim. É claro que, se estou envolvido num trabalho, quero me concentrar prioritariamente nele. Mas isso não invalida o trabalho que outras pessoas estão fazendo e que tem também a sua eficácia. Acho que é tão nocivo dizer uma mentira num teatro dito convencional como num teatro dito popular. A verdade é sempre útil, quer seja dita numa tarriada do Peru ou num teatro do centro de São Paulo. Agora, as pessoas que trabalham para um público burguês sofrem muito mais uma espécie de sedução da burguesia. Muitos artistas que se isolam e ficam somente na chamada vida artística terminam se alienando. Sei disso por experiência própria e acho que esse problema não é só do artista, mas também do médico, do engenheiro, do estudante, do jornalista, de todo mundo. O contato mais íntimo com o povo é
fundamental para nos mostrar certas coisas da vida que não vemos.

Veja - Você tem acompanhado o movimento teatral no Brasil? Qual sua opinião sobre o que hoje se faz?
BOAL - As peças publicadas em livro me chegam facilmente. Considero, por exemplo, Gota d'Agua, de Chico Buarque e Paulo Pontes, uma peça excelente e acho extraordinário que esteja sendo levada no Rio. O teatro no Brasil, apesar das condições difíceis em que é feito, está conseguindo chegar ao palco. E isso é positivo. Não acontece no Brasil o que aconteceu em Portugal. Aqui, no tempo da ditadura salazarista, diante da impossibilidade de montar as peças, os autores se habituaram a escrever textos para publicar em livro, peças para serem lidas e não vistas. O resultado é que há textos excelentes, mas simplesmente impossíveis de montar. No Brasil, os dramaturgos estão escrevendo para o palco, e devem continuar assim. Mas também é verdade que a situação tem levado alguns autores brasileiros a escreverem peças de chave, que, para ser bem compreendidas, exigem uma ampla informação sobre certos fatos recentes, que somente o público brasileiro conhece. Eu cito o caso de Um Grito Parado no Ar, de Gianfrancesco Guarnieri. É uma peça muito boa e que no Brasil deve ter tido um significado extraordinário. Cecília, minha mulher, e eu nos entusiasmamos, traduzimos para o espanhol e tentamos convencer alguns empresários argentinos a encenarem. Mas todos se recusaram dizendo que não entediam a peça. E isso acontece com um bom número de textos, impossíveis de ser entendidos fora do Brasil. Embora o teatro brasileiro possa ter se enriquecido em outros aspectos, perdeu nos últimos anos o conteúdo político aberto e explícito que tinha. E isso obviamente não por culpa dos
dramaturgos, mas dos senhores da Censura, que castraram todo um filão riquíssimo do nosso teatro e que não tinha igual na América Latina.

Veja - E o que você acha de autores, como Bráulio Pedroso, Dias Gomes e Lauro Munis, escreverem novelas para a televisão, com grande sucesso de audiência?
BOAL - Em princípio, nós não devemos recusar nenhum meio de informação. Se me dessem o Scala de Milão para trabalhar eu aceitaria sem o menor constrangimento - o problema é que eles não me dão o Scala de Milão para fazer o que eu quero. Assim, não rejeito a televisão só por ser televisão. O problema é que, para a televisão funcionar, ela necessita de um financiador. Se você depende de um financiador que vai impor temas, acho que você deve se recusar. Mas, se você puder dizer o que quiser ou pelo menos aproximadamente aquilo que quiser, então acho perfeito fazer novela ou seja lá o que for na televisão. Mas quem sou eu para daqui de longe e depois de tanto tempo julgar o que está sendo feito agora, que eu não vejo? Eu sei que as pessoas que você mencionou são pessoas honradas ou pelo menos eram. E não tenho nenhuma razão para supor que deixaram de ser.

Veja - Qual sua opinião sobre o teatro português hoje e quais seus planos para Portugal?
BOAL - Aqui não existe praticamente nada em teatro popular. Foi muito tempo de ditadura. Há gente com muito talento, autores e atores, há até condições favoráveis para o trabalho, pois o governo tem dado boas subvenções à atividade teatral. Mas não há produção. Somente em Lisboa, por exemplo, há quinze grupos inteiramente subvencionados. Mas, se você quiser ir ao teatro, encontra apenas três ou quatro peças em cartaz. Eu aceitei um convite da secretaria de Estado da Cultura para vir trabalhar aqui e pretendo realizar o trabalho em três níveis: o primeiro será um seminário de dramaturgia, para autores que já produziam e para os novos. Depois virá o laboratório de interpretação, visando desenvolver novas técnicas com os atores e dar um caráter mais permanente à sua preparação. Paralelamente será lançada a idéia de se fazer uma Feira Portuguesa de Opinião, nos mesmos moldes da que organizei em São Paulo em 1968 e da Feira Latino-Americana de Opinião, realizada depois em uma igreja em Nova York.

Veja - Como ficou seu plano de organizar uma trupe latino-americana para percorrer as Américas?
BOAL - Essa idéia não chegou a ser executada agora mas poderá ser retomada em parte num novo projeto a ser realizado juntamente com Jacques Lang, diretor do Festival de Nancy. Eu e o argentino Carlos Trafic pensamos em organizar em Nancy uma Fête Latino-Américaine, que percorreria depois várias cidades da Europa. Pretendemos apresentar dois ou três grupos bem representativos de teatro popular da América Latina.
E, como há na Europa centenas de atores, autores, compositores e cantores latino-americanos completamente parados, pensamos também em organizar com eles um centro latino-americano para realizar tudo o que não se pode fazer na América Latina. Cada manifestação seria sempre acompanhada de um debate sobre a realidade econômica e política do país ou países a que ela se refere. Focalizaríamos as três faces da cultura latino-americana que nos interessam: a cultura da resistência, dos que ficaram; a cultura da diáspora (porque existe uma verdadeira diáspora latino-americana, hoje); e, por último, a cultura recuperada, que os europeus absorveram da América Latina, transformando para seu consumo. É o caso, por exemplo, de alguns encenadores argentinos, como Víctor García e Jorge Lavelli, que hoje são na verdade excelentes diretores de teatro francês.

Veja - Você pensa em voltar para o Brasil?
BOAL - Claro que penso. E não existe nenhuma razão para que um dia eu não volte. Toda minha atividade sempre foi bastante aberta. Bastante clara. Nunca cometi nenhum ato que necessitasse da clandestinidade. Sempre fiz tudo à luz do dia. É claro que minhas opiniões são frontalmente opostas às opiniões do governo brasileiro neste momento. Por isso, sinto que atualmente meu trabalho pode ser mais útil fora do Brasil. Mas acho que posso continuar realizando um trabalho através de meus livros e peças. Gostaria muito que fossem publicados com mais freqüência, e também que minhas peças fossem encenadas. Duas delas, aliás, passam facilmente pela Censura: Liza, que fiz com Chico Buarque, e Tempestade, baseada na peça de Shakespeare.

Marcadores:

sábado, 2 de dezembro de 2006

Augusto Boal - Entrevista concedida a Veja (17/11/1976), a Paulo Sotero, no ano em que exilou-se em Lisboa - Parte 1

Veja - Como foi seu trabalho na América Latina desde sua saída do Brasil, em 1971, até agora, com a mudança para Portugal?
BOAL - Minha preocupação com a América Latina já vinha de longe. A partir de 1968 vi que, para mim, não havia mais condições de trabalhar no Brasil. Então comecei a viajar por vários países vizinhos e percebi que o Brasil era um país culturalmente isolado. Em 1969, 1970 e 1971 tentei integrar teatralmente nosso país à América Latina, levando peças brasileiras para o exterior. Por exemplo, percorri o México de alto a baixo com Zumbi e com Simon Bolívar, uma peça que ensaiei no Brasil mas só encenei fora. Em 1971 fui preso, fiquei três meses no presídio Tiradentes sem culpa formada. Descobriu-se então que eu era inocente e, depois de uma grande campanha internacional pela minha soltura, me deixaram sair. Imaginei então que poderia fazer um trabalho mais útil fora do Brasil e fui trabalhar na Argentina. No Brasil, eu já tinha feito o Teatro Jornal, que eram onze técnicas de transformar notícias de imprensa em cenas dramáticas e permitir que todo mundo fizesse teatro. Na Argentina, junto com o grupo Machete, comecei a desenvolver o Teatro Invisível, algo muito atraente. A gente escolhia uma cena e a estudava, como quem vai montá-la num teatro, com pano subindo, tudo certinho. Só que fazíamos a cena num lugar que não era o teatro e para pessoas que não eram espectadores. Por exemplo: no vagão de um trem. Os passageiros, não sabendo que eram espectadores, interferiam na ação e se transformavam em atores.

Veja - E qual o objetivo disso?
BOAL - Fazer o teatro explodir dentro de um ritual diferente do ritual teatral. Quando você faz o teatro dentro do teatro, se o espectador está lá apenas como espectador, ele é um ser passivo contra o qual se faz o espetáculo. O espetáculo se faz a fim de impor a ele uma visão de mundo que é acabada e na qual ele não pode interferir. Às vezes ocorre que essa visão é correta, mas, de qualquer maneira, trata-se de uma visão imposta, da qual o espectador não participa. Minha tentativa era e é a de libertar o espectador de sua condição de passividade, para que ele possa usar o teatro e através dele conseguir outras liberdades. Um exemplo: na Argentina, fazíamos teatro em restaurante. Lá existe uma lei que proíbe os argentinos de morrerem de fome. Se uma pessoa está com fome e sem dinheiro, ela tem, teoricamente, o direito de entrar num restaurante e de pedir comida o que quiser, menos vinho e sobremesa e no final apresentar sua carteira de identidade e dizer: Olha, eu sou argentino, não tenho dinheiro e estou proibido de morrer de fome. É claro que na realidade as coisas não se passam dessa maneira, mas, baseados na lei, preparávamos uma cena e íamos a um restaurante. O protagonista entrava, pedia um bife a cavalo, comentava sobre a qualidade da carne argentina com as pessoas da mesa ao lado, enfim, procurava estabelecer relações. No final, agradecia muito e na hora de pagar assinava a nota, mostrava a carteira de identidade e a devolvia para o garçom. Este, que não sabia que era espectador, desempenhava o seu papel e exigia o pagamento. Então começava um diálogo.

Veja - Havia outros participantes?
BOAL - Havia mais atores, distribuídos pelas outras mesas. Um deles, dizendo-se advogado, representava esse papel e defendia o cidadão que não queria pagar. Citava a tal lei e prevenia o garçom que, se chamasse a polícia, poderia até ser preso, pois o outro estava dentro da lei. Mas aí entrava um outro ator na cena e dizia qualquer coisa assim: Mas como é que pode haver uma lei que diga isso? Eu, por exemplo, sou farmacêutico e acho que, dentro do espírito da lei, uma pessoa também não deve morrer por falta de medicamento. Então, ela pode entrar na minha farmácia e levar o que quiser sem pagar. E isso não é justo. E a discussão aumentava. Resumindo, através dessa técnica de Teatro Invisível, discutia-se o tema da peça: se a comida e o remédio existem, por que há pessoas que morrem de fome ou por falta de medicamentos? Se existem os meios para dar felicidade às pessoas, por que elas não são felizes?

Veja - Mas no Teatro Invisível o espectador, no caso, o garçom, não tem consciência de que deixou de ser espectador...
BOAL - É verdade. Ele participa mas não sabe. E o importante é que ele se liberte da condição de espectador tendo consciência disso, sabendo que está intervindo e assumindo a ação dramática, sem equívocos nem falta de informação. Consegui chegar a isso no Peru, onde trabalhei em condições excelentes, com o apoio do governo, com um grupo de 120 alfabetizadores de todo o país. Conto essa experiência na última parte do meu livro Teatro do Oprimido, que a Civilização Brasileira lançou no Brasil. É um trabalho desenvolvido por etapas. A primeira é a dos exercícios físicos, e mostra como o corpo está alienado pelo trabalho que cada um faz. Por exemplo, fazíamos uma corrida em câmara lenta em que o vencedor era o último a chegar. Então, cada pessoa ia descobrindo, durante o exercício, vários músculos que nunca utilizava e outros que empregava excessivamente. Depois vem a etapa dos jogos, cujo objetivo é tornar o corpo expressivo. Podem ser jogos de criança, em que cada participante tira um papelzinho onde está escrito o nome de um animal, e depois tem 10 minutos para expressar, através apenas de seu corpo, o animal que lhe coube. Enquanto você utiliza nomes de animais não entra a ideologia, mas quando você passa a fazer jogos com nomes de profissões - por exemplo, um operário, um policial, um capataz, um gerente de fábrica, o jogo se torna ideológico. A Civilização está para publicar um novo livro meu em que conto essas experiências todas. Chama-se 200 Exercícios e Jogos para o Ator e Não-Ator com Vontade de Dizer Coisas através do Teatro. A terceira etapa, com vários graus, é a do teatro como linguagem. No primeiro grau, que se chama dramaturgia simultânea, os atores representam uma cena até determinado ponto, param e perguntam à platéia como devem continuar. No segundo grau, que é falar através de estátuas, dá-se um tema ao espectador e ele tenta representá-lo fisicamente esculpindo um conjunto de estátuas com o corpo das outras pessoas. Bem feito, isso tem a imagem do real. Depois, pede-se às pessoas que montem, através de estátuas vivas, a imagem ideal, que pode ser todo mundo feliz, com comida, se amando, etc. O terceiro grau é o teatro debate. Você monta uma cena com um tema político qualquer mas com uma solução propositadamente falsa. Quando termina, você pergunta se as pessoas estão de acordo e obviamente elas dizem que não. Então se recomeça tudo, mas a pessoa que estiver em desacordo deverá entrar em cena, substituir o ator que está dando a solução falsa e experimentar a sua solução. Os demais atores continuam tentando impor a solução velha e aí o espectador que assumiu conscientemente a posição de ator tem que lutar contra gente que não está aceitando a solução dele.

Marcadores:

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Dezembro

Em latim, decem, que significa dez. Décimo mês no calendário romano. Apesar de ser o décimo segundo e último mês do calendário gregoriano, o nome se conservou.

Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

Marcadores: