sexta-feira, 30 de junho de 2006

Pesquisa mostra os efeitos do “amor romântico” no cérebro




Uma equipe formada por um neurocientista, um antropólogo e um psicólogo social publicou o resultado de um estudo que mapeou as áreas do cérebro relacionadas ao que chamam de "amor romântico". Foram voluntários da pesquisa 17 jovens, que se diziam recente e 'loucamente' apaixonados. As áreas do cérebro que se mostraram mais ativas nessas pessoas foram as ligadas ao instinto de recompensa, à motivação e à emoção.

Os pesquisados responderam a um questionário sobre amor e romantismo, além de observar imagens de seus respectivos "amados". Durante o processo, o cérebro de cada um era analisado por ressonância magnética. O experimento identificou um determinado padrão nas áreas ativadas por esse comportamento. Foram estimuladas com maior freqüência duas regiões específicas: uma que integra grande quantidade de informações, conceitos de beleza, gostos e memórias pessoais, comprovadamente está ligada à motivação, e outra responsável pelo chamado sistema de recompensa, em que o corpo associa algo a um prazer ou benefício. A surpresa nesses resultados é que áreas que correspondam ao desejo sexual não aparecem nesse comportamento.

É a primeira vez que um tipo específico de comportamento amoroso é registrado através das áreas ativadas pelo cérebro. Os pesquisadores esperam que esses resultados auxiliem na compreensão de doenças como autismo e depressão, em que o cérebro reconhece as emoções com dificuldade.

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quinta-feira, 29 de junho de 2006

Divina música



Estamos muito habituados a ouvir música. Fazemos isso em casa, no carro, nas pistas de dança. Mas, indo além, como disse o poeta, "como é bom saber tocar um instrumento". A frase é um achado, uma beleza, mas assusta a todos que, por isso ou por aquilo, não podem ou não querem estudar música formalmente.

Nada contra partituras ou solfejos, mas precisamos levar em conta que é mais importante nos envolvermos com algum instrumento musical, mesmo sem ter estudado suas técnicas de execução, do que ficar alheio a esse hábito apenas porque não somos os reis do ritmo.

Na Bíblia, nos compêndios da umbanda, na crença rastafári ou entre os dervixes turcos, em todas as crenças e culturas encontramos máximas que dizem mais ou menos o seguinte: "Toque e cante para agradar aos deuses e encantar sua própria alma". É exatamente o que deveríamos fazer, sempre e sempre.

Para Gurdjieff, a música é a base de uma das leis fundamentais do universo a Lei de Sete ou Lei de Oitava. Segundo o guru russo, "o universo consiste de vibrações". (Os físicos diriam isso de outra forma: "A matéria ondula.")

Para o musicoterapeuta argentino Carlos Fregtman, pessoas que possuem equilíbrio rítmico algo que pode ser conseguido com parco treinamento, sem auxílio do professor têm também o corpo bem equilibrado, com o peso bem distribuído entre os pés. Ora, equilíbrio físico corresponde a equilíbrio psíquico, anímico etc., já que somos tudo isso ao mesmo tempo (dir-se-ia até que num uníssono, em glorioso refrão).
O lama tibetano Chögyam Trungpa disse: "Metade dos pré-julgamentos são carapaças. A outra metade são armas". Pense nisso antes de dizer coisas do tipo "não tenho afinação" ou "não tenho ritmo". Lance-se em algum exercício musical ou em alguma prática contínua, com ou sem professor. Descubra sua música interior e seja muito mais feliz.

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quarta-feira, 28 de junho de 2006

O SENTIDO DA VIDA


Ponha a mão no peito e sinta as batidas do seu coração.

Esse é o relógio da sua vida tiquitaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta. Um dia ele parará.

Isso é cem por cento garantido e não há nada que você possa fazer a respeito. Portanto, não dá para perder um único precioso segundo.

Vá atrás do seu sonho com energia e paixão, ou então recue e veja-o escorrer pelo ralo.

Se você passar o tempo todo em cima do muro, acabará não indo a lugar algum no pouco tempo que lhe resta .

Como dizem. "não se salta uma fenda em dois pulinhos".
É preciso coragem e dedicação para viver o seus sonhos. (Claro, também é preciso lembrar onde acaba a coragem e começa a estupidez.)

A verdade é que todos nascemos com potencial para a grandeza,
abençoados com oportunidade para alcançar novas e estonteantes alturas. Mas, tristemente, muitos de nós são preguiçosos demais, preocupados demais com o que os outros possam pensar, com medo demais de mudanças, para abrir suas asas e usar todos os seus talentos.

É importantíssimo fazer o que deixa feliz e da melhor maneira possível.
Não importa que seja fazer bolas de neve, prender a respiração debaixo
d'água, cantar, ou conseguir efeitos dramáticos com um secador de cabelos.
Só o que interessa é que você se sinta bem com o que está fazendo..

Tenha sempre em mente que, faça o que você fizer, os enganos são parte da vida e não perca tempo se castigando por erros do passado.
Não fique ruminando se está ou não fazendo a coisa certa. Você sempre saberá a resposta no seu coração.

Em vez de desanimar-se, lembre-se sempre de que rejeição e resistência são inevitáveis quando se faz algo muito importante ou especial.
Quando você se propõe a realizar seus sonhos, muitos tentarão detê-lo (incluindo os que mais amam você). O que não falta neste mundo são pessimistas lamentáveis, que desistem dos seus sonhos, para lhe dizer: "Não perca seu tempo, você nunca conseguirá."

Você pode muito bem se ver cercado por pessoas que, secretamente, querem ver você fazer menos, ou fracassar por completo, para não se sentir diminuídas. "Esqueça isso", dirão. "Não vale a pena."

Por isso é importante compreender que seguir o seu próprio caminho pode ser
incrivelmente recompensador, mas não é fácil não.
Como todo mundo você terá alguns dias melhores que outros. De vez em quando, tudo parecerá uma grande zona de perigo. As pessoas olharão para você com estranheza quando souberem o que você esta tentando atingir, e você começará a ouvir seus detratores e a ter duvidas. "Porque não continuei vendendo bananas, meu Deus?" mas, aconteça o que acontecer, não desista!
Lembre-se de que todos têm dificuldades.

É incrivelmente cansativo passar dias fazendo coisas que não nos agradam ou sequer nos interessam. Mas, se você perseguir o seu sonho, pelo menos se cansará fazendo o que mais gosta.
Você pode achar que nada disto significa muito no grande esquema global das coisas.
Mas, acredite: significa.

Quando você tirar tudo que puder da sua vida, saboreando cada gota, isto mudará tudo á sua volta, de ordinário para extraordinário.
Quando estiver fazendo o que ama, você se levantará de manha cheio de animação para enfrentar o começo de cada dia e estará tomado de uma alegria sincera, altamente contagiante.

Do mesmo modo que, ao dar uma boa risada, faz outro começar a rir, e outro, até que estão todos rindo tanto que começam a lacrimejar, ter dor de estômago e dificuldades em respirar, você inspira outros a irem atrás dos seus sonhos, e é assim, meu amigo, que se transforma o mundo!

Sabe de uma coisa? Mesmo que você cometa enganos e esteja errado sobre quase tudo, ainda assim sua vida será uma aventura fantástica e divertida; você dormirá cada noite sabendo que fez o que podia e isso fez diferença, e acordar a cada dia antecipando o futuro tão belo e excitante quanto puder imaginar.

E sabe de outra coisa? Se você ouvir seu coração e usar a cabeça, nunca estará errado.

Luiz Fernando Veríssimo

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terça-feira, 27 de junho de 2006

Pão Francês

Farinha 100% (3000g)
Água 60% (1800 ml)
Fermento Biológico 4% (120g)
Açúcar 1% (30g)
Sal 2% (60g)
Gordura Vegetal 1% (30g)
Reforçador 1% (30g)

Técnica

1-Pesar todos os ingredientes separadamente.

2a -Caso utilizar fermento fresco, dissolver o fermento em água morna (a ser descontada do volume total de água usado no processo).

3a - Colocar em um liquidificador o fermento dissolvido, o açúcar,o reforçador, evitando-se a perda de material pela lavagem com água gelada (a ser descontada do volume total de água usado no processo).

4a- Colocar a farinha na amassadeira. Ligar o aparelho (em velocidade 1 por 3 minutos, depois passar a velocidade 2) e acrescentar a mistura liquidificada e o sal. Adicionar água gelada aos poucos, até a massa adquirir coesão (cerca de 30 minutos).

4b- Caso utilizar fermento em pó, instantâneo, colocar todos os ingredientes sólidos, com exceção da gordura, direto na amassadeira; seguir as mesmas indicações de tempo e velocidade.
5-Desligar a amassadeira, untar e colocar a gordura na massa de maneira homogênea. Ligar o equipamento por mais dez minutos, na velocidade 2.

6-Desligar o equipamento e deixar a massa em repouso por 20 minutos, cobrindo-a com um pano.

7-Dividir a massa em porções de aproximadamente 2,0 kg e levar à divisora, onde serão divididos os pães.

8-Colocar na modeladora ( regular em 4 dentes para pães de 50g), onde será dada a forma do pão francês.

9-Untar as bandejas do armário. Colocar os pães no armário (26oC) por 1 hora.

10-Levar o pão ao forno (1800C a 2000C) por cerca de 10 minutos.

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segunda-feira, 26 de junho de 2006

Junho

Sexto mês do ano no calendário gregoriano. A etimologia do nome é duvidosa. Junho era o quarto mês no antigo calendário romano e tem 30 dias.

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domingo, 25 de junho de 2006

Desiludidos e invisíveis desenham o futuro - Final

Valor: Com essa desesperança e desilusão com o poder público, como se explica o Lula continuar bem colocado nas pesquisas de opinião para as próximas eleições?

Júlio Ribeiro: Estive no mês passado num Congresso, em Miami, que levantou o tema migração. Ninguém percebe, mas o homem ficou nômade outra vez. No passado, as pessoas migravam porque acabava o pasto e levavam o boi para pastar em outro lugar. Hoje é a mesma coisa. Não tem desemprego no México porque um terço dos trabalhadores migrou para os EUA. Os italianos morrem de medo dos africanos que atravessam para lá. Nos Estados Unidos agora eles pegam navios cheios de chineses. Então, o que acontece com essa migração que pode ser a nível internacional ou em nível local? Desenha-se um modelo em que, de alguma forma, os pobres começam a configurar a sociedade. Em Miami não se pode mais ignorar os hispânicos, que são maioria. Então, a configuração da sociedade começa a ser hispânica - e esse cara elege. Quando você pega o Brasil dos anos 70, a elite governava e era de se esperar que os mais preparados governassem. Você pega o Brasil de hoje ele é predominantemente de classe C.

Valor: Os eleitores são predominantemente da classe C, mas os eleitos não são.

Júlio Ribeiro: Por enquanto. Por que isso está acontecendo na Bolívia, na Venezuela, pode acontecer no Peru. Se essas pessoas são maioria eleitoral, elas começam a ter um comportamento próprio, eles dão a tônica de como serão as eleições no futuro. Eles cansaram do modelo em que as elites governavam para elas mesmas. O que está acontecendo na Bolívia? A Bolívia sempre teve gás, só que quem governava eram os bacharéis. No fim do século XIV começo do século XX, uma mineradora americana comprou uma área colossal no Peru e fez uma cerca que dividiu os municípios. A cerca impedia que os índios se movimentassem. A companhia pôs guardas e cachorros para vigiar a área e os índios se revoltaram. Começaram uma luta que durou 20 anos e na qual morreram dezenas de milhares de pessoas. O livro "Garabombo, o Invisível", de Manuel Scorza [Editora Civilização Brasileira] conta a história de um personagem, que se chama Garabombo. Um dia, ele foi num cartório tirar uma certidão e passou quatro dias lá sem que ninguém o visse. Ele chegou à conclusão de que era invisível. Quando veio a guerra, empregaram o Garabombo como espião porque era invisível. Ele ia do lado inimigo e ouvia todas as conversas, todas as estratégias porque as pessoas simplesmente não o viam. Esse cara existiu. O autor, um jornalista, o encontrou. Ele estava há 40 anos preso sem julgamento. Agora essa visão de que ele era invisível é a visão que se tem do caseiro que derrubou o Palocci, o motorista que derrubou o Collor. São as pessoas que não existem. E essas pessoas que não existem no Brasil são maioria colossal, têm título de eleitor e não confiam em mais ninguém. É por isso que o Lula vai ganhar. Porque eles vão confiar em quem, no Alckmin? Eu acho nem a mulher do Alckmin vai votar nele. Esse movimento é porque o Brasil deixou de ser o país dos bacharéis. O povo brasileiro vai determinar como serão as coisas e é isso que vai determinar o amadurecimento político. Pode eleger o Lula, o Garotinho. Esse é o modelo que a gente vai ter que encarar.

Valor: O senhor acha que o progresso econômico, o aumento da renda, o acesso à escola levou essa massa de pessoas de mais baixa renda rapidamente para uma condição de ter voz e poder escolher mas que ainda faltam instituições que os representem?

Júlio Ribeiro: Não tem instituições. A gente está indignado porque eles não estão mais aceitando os valores da burguesia. É isso. Se o Serra não tivesse se candidatado ao governo do estado de São Paulo ia perder para o Lula. Porque eles se desiludiram com as instituições. Você vê essa caça à polícia que tivemos em São Paulo e o que foi que eles fizeram? Nada! As pessoas andam nas ruas e são assassinadas. Você acha que eles vão confiar nesses caras? A gente está indignado por que eles não querem mais aceitar os valores burgueses. A mudança social vem por crença. O Antonio Conselheiro derrotou o Exército brasileiro duas vezes por que? Porque o pessoal acreditava. Mas o que acontece: o pessoal elege um representante deles para ir para o Congresso, como uma Benedita da Silva, que era negra, mulher e favelada, e a primeira coisa que ela fez foi um monte de mutreta. Hoje ela mora numa cobertura, viaja para a Europa e não representa mais os caras. Eles começaram a votar em quem o pastor da igreja evangélica indica. Por isso Lula vai ser reeleito.

Valor: O senhor não vê o populismo com preconceito? A elite usa essa palavra com uma conotação pejorativa, 'o populismo tomando conta da América Latina'?

Júlio Ribeiro: Eles são maioria e têm o direito de eleger quem eles quiserem. Eu posso não gostar, mas eles podem eleger quem eles quiserem, para isso é que têm o voto. Eu acho que só vai piorar. Inclusive a desilusão, essa descrença que eles têm. Veja, nos anos 60 e 70 a maior parte da população do mundo era comunista - somando a Rússia, a China a Europa Central e a Ásia. E o que aconteceu com o comunismo? Ele se desfez sozinho porque acabou a crença no comunismo. Eu acho que vamos ter um surto de populismo na América Latina que vai ter de ser engolido, digerido e excretado.

Valor: Essa população também passou a ter acesso a uma série de bens de consumo e serviços. O senhor acha que as agências de publicidade estão preparadas para fazer a comunicação para esses novos consumidores?

Júlio Ribeiro: Hoje, a situação financeira, a falta de dinheiro ou o acesso a bens e serviços por parte dos mais pobres é só um lado da vida das pessoas. Mas há outros aspectos e nós estamos estudado novos modelos de organização familiar. Por exemplo, as mulheres de alta renda estão dominando as famílias. Deus ainda é um substantivo masculino no dicionário, mas o universo está usando laço de fita e é cor-de-rosa. Quer dizer que o mundo ainda tem uma visão masculina, mas o poder de consumo é das mulheres. Uma pesquisa recente mostra que 65% de quem bebe vinho é do sexo feminino, 33% de toda a cerveja bebida no Brasil é consumida por mulheres. Um terço dos automóveis da Mercedes Benz são vendidos para mulheres. Há um novo modelo de arranjo social, familiar e econômico que modifica o comportamento e os gostos das pessoas que independe da pobreza. Há um outro fator de adaptação que é a presença das mulheres.

Valor: Mudaram os hábitos e a configuração da sociedade. A comunicação está acompanhando essas mudanças, está preparada para lidar com elas ?

Júlio Ribeiro: Vender hoje é suprir carências. Na medida em que a mamãe não almoça mais em casa, ela perde valores que tinha quando estava no lar. O afeto familiar, o hábito de visitar a mãe. Outro dia eu fiz uma palestra para 120 executivas e aparecia isso: 'não sei se é vantagem eu viajar às cinco horas da manhã para Manaus e no dia seguinte ter que fazer um relatório e no outro dia ter que trabalhar até tarde. Não sei se eu gosto desse modelo de vida'. A tensão gera perda de valores que o emprego não dá. Não há espaço para a afetividade no ambiente de trabalho. E as perdas afetivas não se repõem sozinhas. Você tem de compensa-las. O consumo tem feito esse papel. Consome-se muito mais hoje para suprir carências afetivas.

Valor: E a propaganda está conseguindo transmitir essa sensação de suprir carências?

Júlio Ribeiro: Quer um exemplo: a Natura tem metade das consultoras da Avon e vende o dobro. Por que? Porque ela se importa com as consumidoras. A marca Dove usar mulher gorda de calcinha na propaganda é uma manifestação de amor. Na Inglaterra há um estudo que mostra que mesmo na compra de automóveis as mulheres querem saber qual é a atitude do fabricante em relação ao público feminino. Então isso já está virando um ponto positivo, a atitude da empresa com o universo feminino. Por isso que o Itaú dá desconto para seguro de automóveis de mulheres. O que está acontecendo hoje na comunicação é que você tem uma nova realidade. Tem uma pesquisa da BusinessWeek que mostra que 30% das mulheres ganham mais que os maridos.

Valor: O senhor está mais atento ao efeito das mulheres do que no avanço da classe C?

Júlio Ribeiro: Não. Mas na classe C tem mulher também. Estou atento a vários fatores. Por exemplo, tem um que é mais apavorante ainda. As mulheres vão viver mais de 90 anos - os homens uns 80. Alguém está preparado para viver 90 anos? Tem caixa para isso? Como ficam afeto, relacionamentos, amigos? Hoje, mulheres de 50 anos são competitivas na área da afetividade. É um fator novo na psicologia da mulher. Aos 50 anos, estão ótimas. Antigamente, as mulheres aos 40 anos entravam na menopausa, colocavam uma roupa preta e iam conversar com a vizinha porque o marido tinha morrido aos 60 de infarto. Hoje, eles com 60 anos e um pouco de trato e uma pastilha de Viagra estão no mundo. Como é que vai trabalhar depois dos 60 anos? E vão viver até os 80! Tem outro fator que é sobre o universo das aspirações. As mulheres executivas dizem que não têm problema de deixar as crianças em casa: compensam no fim de semana. Mas é falso. É um componente afetivo importante. Os homens, por outro lado, estão perdendo importância dentro das famílias, nas empresas, no mundo em geral. É impressionante a perda de espaço dos homens. Mas há ainda uma outra questão nas classes C, D e E que é a da sobrevivência. Antigamente isso era um problema exclusivamente do homem hoje é uma preocupação de toda a família. Hoje, o sentido da preservação de si, da família, tem um peso enorme para todos. Se o Lula dá cesta básica, aumentou o emprego, aumentou a renda, esses caras vão votar nele. Se a bolsa caiu ou não, não importa. Eles querem salário, querem renda, querem emprego, querem sobreviver. Em países como Paraguai e Bolívia, o fenômeno é igual. Os caras não acreditam mais nas elites. As elites se desmoralizaram. E eu acho teremos um surto populista na América Latina. Não sei quanto tempo vai durar. Então o Lula será imbatível nesse período.

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sábado, 24 de junho de 2006

Desiludidos e invisíveis desenham o futuro - Parte 1

Valor: A Talent nunca teve governos ou empresas estatais em seu portfólio de clientes. Por que?

Júlio Ribeiro: A finalidade do poder público é prover educação, segurança e saúde e os governos tiram dessas áreas centenas de milhões de dólares todos os anos para promover a si mesmos. Eu acho isso anti-social. Por outro lado, os governos são entidades políticas e a escolha das agências tem que ser política. Tem ocasiões em que você tem que trabalhar nas ante-salas da corte, tem que contribuir para coisas com as quais você não concorda: propina, corrupção. Essa promiscuidade não me atrai. Em 30 anos de profissão eu nunca tinha visto o que aconteceu no ano passado.

Valor: O escândalo é novo. Não a prática.

Júlio Ribeiro: A prática política é leniente, permissiva, complacente por definição. Qualquer político que você pensar, tem que compor. Agora, corrupção instituída não tinha. Eu me orgulhava e falei, em várias palestras, que nós estávamos num dos campos profissionais mais éticos. Porque, mesmo lidando com US$ 8 bilhões por ano, a gente não freqüentava as manchetes dos jornais. Você não vê alguém recolher o dinheiro de uma Volkswagen e sumir com ele numa agência de publicidade.

Valor: Mas não havia corrupção na contratação das agências, por parte dos órgãos públicos?

Julio Ribeiro: Olha, até onde é visível não. Eu tenho amigos publicitários que ganharam concorrências honestamente. Agora, o que se faz entre quatro paredes a gente não fica sabendo. Você pode ter o hábito de usar lingerie entre quatro paredes. Se a polícia pega você usando lingerie, aí vira um escândalo.

Valor: O fato da publicidade ter usado lingerie em público agora, fez muito mal ao setor?

Júlio Ribeiro: Claro que fez. Fez muito mal. Mas não acho que houve um escândalo na publicidade. O Marcos Valério nunca foi publicitário. Ele sempre foi lobista.

Valor: O Duda Mendonça decepcionou o senhor?

Júlio Ribeiro: Me decepcionou porque ele é um profissional competente. Fiquei triste por ele.

Valor: As recentes mudanças na legislação eleitoral melhoram o processo?

Júlio Ribeiro: O grande problema político do Brasil hoje são os erros estruturais do modelo político. A representação dos estados, os colégios eleitorais. O eleitor do Acre que vale por 20 eleitores paulistas. A forma como o colégio eleitoral é formado, sem voto distrital, propicia a falta de representação e a entrada de muitos aventureiros. A legislação eleitoral é leniente e a Justiça no Brasil é uma caso triste de incompetência secular, e e até onde eu vejo, não faz nada para acabar. O que está acontecendo hoje no Brasil? Todas as coisas que estão no Hino Nacional, no Hino da Bandeira, no Hino da Independência estão perdendo o sentido, porque as pessoas não confiam mais no Poder Executivo. Depois tem o Legislativo com esse procedimento de absolvições, de conivência com sanguessugas. E terceiro, o Poder Judiciário que não pune ninguém. Os jornais informam que uma pessoa acima de determinada renda não cumpre mais de cinco anos de cadeia neste país. O resultado disso é uma desilusão em relação aos ideais da pátria. Você pega, como exemplo os Estados Unidos, que é a potência imperialista do milênio, eles são um país místico: eles acreditam nas instituições, se emocionam ouvindo o hino nacional. Você vê, os executivos da Enron, foram condenados a penas altíssimas. Qual empresário brasileiro foi preso, apesar de desvios colossais? Nenhum. A única pessoa presa, com alguma importância aqui no Brasil é o juiz Nicolau, e em prisão domiciliar.

Valor: Essa desilusão que o senhor descreve não está restrita a uma parcela da população, a elite? . Porque como é explica a popularidade do Lula?
Júlio Ribeiro: Qualquer brasileiro consciente está desiludido com os três poderes constituídos. Qualquer coisa que se vá fazer no Judiciário leva um século para ser solucionada. Estamos tocando um projeto que, entre outras coisas, mostra que no Brasil morrem 15 crianças por hora em conseqüência da falta de saneamento. A Constituição de 1988 estabeleceu que os municípios cuidariam da água e os estados cuidariam do esgoto. O Ministério das Cidades fez uma lei que permite às prefeituras abrir consórcios para cuidar da água. Essa regulamentação está há 20 anos no Congresso e o Supremo Tribunal Federal está há oito anos para dar um parecer sobre um município do Rio que privatizou o serviço de água e foi acionado pelo Estado. Oito anos e as crianças continuam morrendo.

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sexta-feira, 23 de junho de 2006

Canto de Ossanha


Canto de Ossanha
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer

Coitado do homem que cai
Nno canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor

Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo senhor, saravá,
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

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quinta-feira, 22 de junho de 2006

As piores piadas!!!




Qual era o problema do decorador quando ele procurou um médico?
De coração
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Batman pegou seu bat-sapato social e seu bat-blazer. Aonde ele foi?
-A um Bat-zado
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Dois litros de leite atravessaram a rua e foram Atropelados. Um morreu, o outro não, por quê?
-Por que um deles era Longa Vida
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Se o cachorro tivesse religião, qual seria?
Cao-domblé
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O que o cavalo foi fazer no orelhão?
Dar um trote
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O que dá o cruzamento de pão, queijo e um macaco?
X-panzé
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Porque a Angélica não mata baratas?
Porque ela espera o Maurício Mattar
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O que o tomate foi fazer no banco?
Foi tirar extrato.
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O que a galinha foi fazer na igreja ?
Assistir a Missa do Galo.
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Como as enzimas se reproduzem ?
Fica uma enzima da outra.
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Por que a Coca-Cola e a Fanta se dão muito bem?
Porque se a Fanta quebra, a Coca-Cola
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Por que não é bom guardar o quibe no freezer?
Porque lá dentro ele esfirra.
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Por que as plantinhas não falam?
Porque elas são mudas.
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Por que o Batman colocou o batmóvel no seguro?
Porque ele tem medo que robin.
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Por que Peron não teve filhos?
Porque sua mulher Evita!
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Como o Batman faz para que abram a bat-caverna?
Ele bat-palma.
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Como se faz omelete de chocolate?
Com ovos de páscoa
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O que o advogado do frango foi fazer na delegacia?
Foi soltar a franga.
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Por que na Argentina as Vacas vivem olhando pro céu?
Porque tem "Boi nos Ares"!
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Por que o Maradona não gosta que chamem ele de Craque?
Porque ele prefere Cocaina...
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Para que serve óculos verde?
Para verde perto...
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Para que serve óculos vermelho?
Para vermelhor...
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Para que serve óculos marrom?
Para ver marromenos...
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Por que a mulher do Hulk divorciou-se dele?
Porque ela queria um homem mais maduro...
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Por que o jacaré tirou o jacarezinho da escola?
Porque ele réptil de ano.
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Você conhece a piada do fotógrafo?
Ainda nao foi revelada.
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Você sabe qual e o contrário de volátil?
Vem cá sobrinho.
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Como se fala top-less em chinês?
Xem-chu-tian.
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Você sabe qual a diferença entre a lagoa e a padaria ?
Na lagoa há sapinho, e na padaria, assa pão.
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O que um cromossomo falou pro outro?
Cromossomos bonitos!
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Por que bebê de proveta nunca poderá se tornar um bom humorista?
Porque ele não foi gozado.

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quarta-feira, 21 de junho de 2006

Respirar para se acalmar


A meditação costuma começar pela respiração, para habituar o cérebro a se centrar só em uma coisa. Assim, o pensamento fica mais tranqüilo e a pessoa relaxa. Em outros exercícios, imaginamos "inalar" luz e exalar "fumaça escura", o que representa os problemas e aspectos negativos.
Deste modo, a pessoa que medita se desprende dos pensamentos que lhe causam dor, fica mais calma, cria energia positiva e melhora sua saúde, já que tendemos a somatizar as emoções negativas, que são a raiz dos problemas físicos.
Segundo os especialistas, bastam de cinco a dez minutos diários de meditação durante dez semanas para conseguirmos mais calma e energia positiva. A maioria das pessoas dá continuidade à meditação, porque comprova que essa prática realmente funciona e alivia o estresse

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terça-feira, 20 de junho de 2006

O segredo de Dharamsala



O cérebro, com um correto treinamento, pode desenvolver funções e conexões neuroniais nunca imaginadas.

Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin empregam novas técnicas de imagem para examinar a atividade cerebral dos monges de Dharamsala. Com o recurso, tentam comprovar que seu lóbulo pré-frontal esquerdo - uma zona relacionada com as emoções positivas, o autocontrole e o temperamento - está sempre ativado, e não só quando estão meditando.

"Podemos supor, com certa certeza, que os aparentemente felizes e calmos budistas, são realmente felizes", explicou o professor Owen Flanagan, da equipe de pesquisadores.

Outro estudo de cientistas do Centro Médico da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriu que a práticas budistas podem beneficiar uma área do cérebro relacionada com a lembrança do medo, o que sugere que a meditação pode ajudar a conseguir a tão ansiada calma.

Segundo Paul Ekman, um dos autores do trabalho, "os budistas experimentados são menos propensos a indispor-se, surpreender-se, frustrar-se ou a sentir-se impactados com eventos", o que faz-se supor "que há algo na prática consciente do budismo que produz o tipo de felicidade que todos buscamos".

Em épocas anteriores, o estudo da Universidade de Wisconsin, mostrou que, além de ativar zonas cerebrais relacionadas com as emoções positivas, a meditação produz mais anticorpos, os agentes de defesa do nosso organismo, que os se conseguem às vezes com a vacina da gripe.

A meditação é empregada para eliminar os pensamentos ou o ruído mental que continuamente passam por nossa cabeça. Mediante essa milenar técnica, aprendemos a acalmar a mente, a analisar nossos modelos intelectuais e a transformar o negativo em positivo. A meditação ajuda substituirmos emoções que nos fazem sofrer por outras que abrem caminhos para conseguirmos mais equilíbrio na vida.

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segunda-feira, 19 de junho de 2006

Wallpaper Para o Seu Desktop


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domingo, 18 de junho de 2006

A PONTE ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO - FINAL


Joel Giglio: Doutor Amit, eu sou psiquiatra, analista Junguiano, formado pela Associação Junguiana do Brasil, e tenho muitas perguntas a fazer ao senhor. Mas em vista do tempo e dos objetivos desse programa, vou me centrar numa delas. Eu pensei muito, quando li seu livro, em questões que ainda são incógnitas à nossa prática psicoterápica. A questão do “insight”... O “insight” nós não sabemos, em psicoterapia, quando ele vai acontecer, como vai acontecer. Ele simplesmente aparece e quase que do nada, embora a gente intua que o “insight” vá aparecer. A questão da criatividade... a questão da sincronicidade... mas eu gostaria de fazer uma questão sobre os arquétipos. O senhor menciona no seu livro, idéias de arquétipos de objetos mentais. Cita Platão e cita Jung, que é o criador da psicologia analítica, setor da psicologia onde eu me situo. A questão que tem me perturbado muito é: os arquétipos evoluem, embora eles estejam fora do eixo espaço-tempo? Alguns autores dizem que está havendo uma evolução dos arquétipos. Quem fala isso, por exemplo, é Sheldrake, que o senhor mencionou há pouco e que não é psicólogo, é biólogo, mas que tem uma visão diferente dentro do campo da biologia. Como é que a teoria da Física Quântica explicaria, supondo que os arquétipos evoluem, a evolução dos próprios pensamentos arquetípicos, por exemplo, a evolução do arquétipo de Deus, se é que ele está evoluindo ou não. Essa questão... e muitos outros arquétipos, nós supomos que estejam evoluindo sem anularem os arquétipos anteriores.

Amit Goswami: Obrigado pela pergunta. Sou um grande seguidor de Jung. Acho que Jung foi dos precursores da integração que está ocorrendo agora. Nos meus primeiros textos, eu citava muito a afirmação de Jung de que, um dia, a Física Nuclear e a Psicologia se unirão. E acho que Jung ficaria satisfeito com esta conversa e, em geral, com a integração da Física e da Psicologia transpessoal que vemos hoje. Isto posto, acredito no conceito de arquétipo de Jung, e acho que o modo como Jung o apresentou, e Platão o apresentou, de que são aspectos eternos da consciência, contextos eternos da consciência... a consciência tem um corpo contextual no qual os arquétipos são definidos e, então, eles governam o movimento do nosso pensamento. Acho que é um conceito muito poderoso. Mas, ao mesmo tempo, na Física Quântica, existe a idéia de que todos os corpos de consciência, tudo o que pertence à consciência, inconsciência, são possibilidades. E por causa disso, por tudo ser possibilidade, surge a questão: alguém pode ir além de arquétipos fixos e considerar arquétipos evolucionistas? Não se pode descartar o que Rupert tenta dizer. Houve uma idéia semelhante, de Brian Josephson, um físico que publicou um trabalho na Physical Review Letters, revista de grande prestígio, dizendo que as leis da Física podem estar evoluindo. Da mesma forma, outras pessoas, cientistas muito sérios, sugeriram que, talvez, forças gravitacionais mudem com o tempo. Essa idéia de arquétipos fixos é uma idéia muito importante. Eu a apóio totalmente. Mas também vejo que na Física Quântica há espaço para a evolução dos arquétipos. Não devemos descartar totalmente idéias que dizem que arquétipos evoluíram. Ainda seremos capazes de determinar isso experimentalmente. Obrigado pela pergunta.

L ia Diskin: O senhor manifesta certo interesse pelas questões éticas, grande parte do final de sua obra se dedica a essa questão. O senhor nos disse que há necessidade da participação da ambiguidade para dar garantias de criatividade no campo ético. Entretanto, no mesmo contexto, nos fala imediatamente das linhas e instruções éticas numa obra monumental da tradição indiana que se chama “Bhagavad Gitâ”. E a “Bhagavad Gitâ” se inicia pelo pressuposto da instrução do mestre para um discípulo, de que ele deve agir, de que ele deve entrar no combate, que ele deve assumir sua parte de ação, porque pertence a uma casta, a uma tradição de guerreiros, em que há ação da própria. Como fica o livre-arbítrio, como fica a ambiguidade como necessidade da criatividade dentro de um contexto de que existe um pressuposto, obviamente não-ambíguo e não-escolhível, que não pôde escolher? O que fazer... mas se está cominado a fazer, está cominado a agir? Como será isso, Professor?

Amit Goswami: Acho que essa também é uma pergunta muito difícil, muito sutil. Realmente, se considerarmos a ética compulsória, não parece haver escolha. Mas a ética não é tão definida: é muito ambígua. Lembro de uma história que o grande filósofo Jean-Paul Sartre contava. Suponha que você vá em uma expedição de natação, ou melhor, de barco, e o barco afunde. Você está com um amigo, você sabe nadar, mas ele não. Mas você não é muito forte. Se tentar salvá-lo, os dois podem morrer. Você tem uma boa chance de se salvar, mas ama seu amigo e seu dever ético com ele está muito claro. O que fazer? Casos assim mostram claramente que há ambiguidade mesmo em decisões éticas, em decisões morais. Na Física Quântica, é muito claro que devemos esperar, e esperar pela intuição, ver se há um salto quântico, uma resposta criativa como você a chama, se uma resposta criativa irá surgir. E é essa resposta criativa que é a resposta correta para solucionar essa ambigüidade em questões éticas. Quando a moralidade ou a ética são apresentadas como um conjunto de regras, e as pessoas seguem essas regras, elas perdem essa parte ambígua e, por causa disso, as regras perdem o sentido. Passa a ser um conjunto de regras inútil, sem vida. Mas, se considerarmos a ética com vida, e reconhecermos que temos um papel a desempenhar em todas as situações éticas, temos um papel a desempenhar em termos de irmos para dentro de nós, como as pessoas criativas fazem, combatendo isso, combatendo a ambiguidade. Então, o salto quântico da percepção virá e vai-nos permitir tomar a ação correta. É nisso que a Física Quântica está nos ajudando, é nessa conclusão que ela está nos ajudando. E acho que Sartre também buscava essa resposta porque a ética fixa é uma coisa impossível de se seguir.

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sábado, 17 de junho de 2006

A PONTE ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO - PARTE 3


Pierre Weil: Durante essa discussão eu me coloquei como educador do ponto de vista do telespectador, e estou um pouco com medo de que alguns já desligaram o aparelho diante do alto nível científico do debate, que é necessário e indispensável. Eu queria ressaltar a importância da sua presença aqui em termos mais simples. Para o telespectador... tem telespectadores que acreditam em Deus, acreditam em espiritualidade e tem outros que não acreditam em Deus, não acreditam... são os materialistas versus os espiritualistas. Entre os dois têm os que não sabem ou os que nem se interessem para isto. Nestas três categorias, a sua presença aqui tem uma importância muito grande. Ela tem uma importância porque nesse século que passou, nós estivemos assistindo a três grandes movimentos: o primeiro movimento, em que muitos espiritualistas, muitas pessoas que acreditavam em Deus, abalados pelas “provas”, pelas evidências da ciência, largaram a religião e só acreditaram na matéria. E nisso foram até muitos sacerdotes de várias religiões. Largaram a batina, largaram a sua fé e se transformaram em protagonistas do materialismo. Estamos assistindo, atualmente, a um movimento contrário. Eu tenho, por exemplo, dois amigos meus. Um, Mate, grande biólogo francês, largou a biologia e hoje ele é monge budista tibetano. O outro era astrofísico, colega seu, largou a astrofísica e hoje ele é rabino. Então estamos assistindo a um movimento contrário. A sua presença aqui apresenta uma terceira saída, e que me parece a mais conveniente e a mais razoável, a mais holística, que é a minha também. A sua, como Física Quântica, fez com que, vindo do materialismo, não caísse no extremo do espiritualismo, mas integrou os dois. Eu fiz isso também como psicólogo, através da psicologia transpessoal... o senhor através da Física Quântica, eu, através da Psicologia Transpessoal... e nos encontramos muito bem e nos abraçamos o tempo todo. A minha pergunta é uma pergunta pessoal: poderia contar para os telespectadores, em termos mais simples, o que fez com que Amit Goswami ficasse no meio do caminho e fizesse um encontro dentro dele, da razão da Física, da razão materialista, e do outro lado, da Intuição? Falou nos seus amigos místicos, mas pela minha experiência eu sei que a segurança pela qual eu falo, não é apenas racional, ela é baseada numa experiência chamada interior, chamada subjetiva, chame como quiser, d e luz, e de saber mais ou menos como que é esse mundo espiritual. Qual é a sua experiência que fez com que unisse, na sua pessoa, o lado masculino, racional, e o lado feminino, intuitivo, sentimental? O que aconteceu com a sua pessoa? Eu acho que isso nos vai reconciliar com os telespectadores.

Amit Goswami: Sim, obrigado. Esta é a questão fundamental. Às vezes, eu digo que todos nós, todas as pessoas, espectadores, cientistas, o orador, todos aqui, todos nós temos dois lados. Um é semelhante a Newton, que quer entender tudo em termos de objetividades, ciências e matemática, e o outro é William Blake, que é místico e ouve diretamente, intuitivamente, e desenvolve seu retrato do mundo baseado nessa percepção intuitiva. O que ocorre nessa integração, o que ocorreu por um tempo, mesmo antes de essa integração começar, é que começamos a entender a natureza da criatividade. E a falsa idéia de que cientistas só trabalham com idéias racionais e matemáticas, está, aos poucos, caindo. Einstein disse isso muito claramente: “Não descobri a Teoria da Relatividade apenas com o pensamento racional”. As pessoas não levam a sério tais declarações. Mas Einstein falou sério. Ele sabia que a criatividade era importante. Agora, quase cem anos de pesquisas sobre criatividade estão mostrando que os cientistas também dependem da intuição. Eles também dependem de visões criativas para desenvolver sua ciência. Nem tudo é racional, matemático; nem tudo é pensamento racional. Você perguntou sobre minha experiência pessoal. Eu já compartilhei a experiência fundamental pessoal que tive quando troquei... nem devo dizer que troquei, eu tive uma percepção. Não posso descrevê-la em termos de espaço-tempo. Eu estava fora do espaço-tempo, experimentando diretamente a consciência como a base do ser. É esse tipo de experiência que dá a base para ficarmos convencidos, para termos certeza de que a realidade é algo mais do que o espaço-tempo no mundo em movimento faz parecer. Este é o escopo fundamental para o ponto de encontro dos cientistas e espiritualistas. Porque os espiritualistas ouviram esse chamado, essa intuição, muito antes. Os cientistas também a ouviram. Mas por eles sempre expressarem suas percepções em termos de lógica, em termos de razão, isso ocorre mais tarde. Eles esquecem a origem de seu trabalho, a origem de sua percepção. Já para os espiritualistas, a percepção leva à transformação do modo de vida. Assim, eles nunca esquecem que foi a intuição que trouxe a felicidade, foi ela que os fez quem são. Essa é a diferença. Cientistas usam a intuição para desenvolver sistemas que estão for a deles, o que chamo de criatividade externa. E isso torna-se uma camuflagem dos verdadeiros mecanismos do mundo para eles. Enquanto espiritualistas mantêm-se com a percepção, mudam suas vidas, e incidentalmente, mudam o mundo externo. Mas eles sabem que aquela percepção que tiveram é a coisa fundamental que gere o mundo. Para eles, a consciência é cósmica, isto é algo determinado. Para os cientistas, a mesma descoberta é possível, mas eles ignoram o chamado e prestam mais atenção ao que ocorre no cenário externo. Acho que, se todos nós compartilharmos isso, o mundo poderá mudar. Agradeço pela pergunta. Estou disposto a compartilhar: escrevi um livro sobre criatividade, no qual conto minhas histórias pessoais. Em todos os meus livros conto minhas histórias pessoais. É importante compartilharmos nossas histórias pessoais, e acabar com o mito de que os cientistas são apenas pensadores racionais. Eles também têm percepções que vão muito além do pensamento racional.

Heródoto Barbeiro: Doutor Goswami, o senhor falou muito em Deus durante a primeira parte deste programa, e aqui no ocidente, quando se fala em Deus, se imagina que exista o seu contraponto. E aqui no ocidente se dá uma série de nomes a ele. Eu gostaria de saber como é que o senhor explica essa... se o senhor concebe a existência desse contraponto, dessas outras forças que não são necessariamente Deus.

Amit Goswami: Essa questão de Deus contra o Mal é interessante. Segundo a visão da Física Quântica, existem as forças da criatividade e as forças do condicionamento. Não falamos muito sobre isso, mas eu defendo a idéia que a Física Quântica nos dá, de que é a consciência cósmica que escolhe entre as possibilidades para trazer à realidade o evento real que ocorre. A questão é: então temos de entrar nesse estado incomum de consciência, no qual somos cósmicos, no qual escolhemos e, então... como entrar nessa consciência individual na qual somos uma pessoa? Na qual temos personalidade e caráter? Ao trabalharmos com a matemática disso, descobrimos que essa condição ocorre porque todas as nossas experiências aparecem após serem refletidas no espelho da nossa memória, muitas vezes. É essa memória que causa o condicionamento. Uma propensão a agir do modo como já agi antes. Uma propensão para responder a estímulos do modo como já respondi antes. Todas as pessoas sabem disso. Elas passam a manhã no cabeleireiro e o marido volta para casa e diz: “O que há para o almoço?”, sem notar o novo penteado da esposa, o que é muito irritante, tenho certeza. Mas esse condicionamento é o que nos torna indivíduos. Então, a questão é que, na Física Quântica, vemos claramente o papel da consciência cósmica, que eu chamo de “ser quântico”, no qual há criatividade, há forças criativas. E então perdemos essa criatividade, ficamos condicionados. E o condicionamento nos faz parecidos com máquinas. Assim, o mal maior que a nova ciência nos traz é o condicionamento. Pois é ele que nos faz esquecer a divindade que temos, o poder criativo que temos, a força criativa que realmente representa o que buscamos quando invocamos Deus. Mas isso também está incompleto. Essa questão pode ser estudada mais a fundo e há um escopo maior, trazendo idéias como emoções negativas e positivas. Assim, teremos uma exposição maior do Bem contra o Mal. Mas, de fato, a consciência cósmica inclui tudo. Esse é o conceito esotérico, não tanto exotérico, mas esotérico, por trás de todas as religiões, de que há apenas Deus, e que o Bem e o Mal são uma divisão, uma necessidade da criação, mas não é fundamental, ou seja, o diabo não é igual a Deus; o diabo é uma criação subsequente. É útil pensarmos em termos de Bem e Mal mas, às vezes, é preciso transcender isso, é preciso perceber que Deus é tudo. Esse é o cenário que a Física Quântica defende.

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sexta-feira, 16 de junho de 2006

A PONTE ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO - PARTE 2


Mário Cortella: Uma questão para o doutor Amit que é a seguinte: o senhor é originado de uma cultura, que é a cultura da Índia, onde o hinduísmo, como religião, tem uma profusão de deuses ou de divindades, ou de deidades. Alguns chegam a falar em 300 milhões de deidades dentro da religião hindu. De outro lado, seu pai foi um guru brâmane, o senhor tem um irmão que é filósofo. Esta mescla de situações induziu no senhor uma compreensão em relação a um ponto de chegada, na religião, partindo da Física, ou o senhor já partiu da religião e, por isso, chegou até a Física e supõe que a Física Quântica é uma das formas de praticar teologia?

Amit Goswami: Obrigado pela pergunta, porque costumam me perguntar se minha formação como indiano hindu afeta o modo como pratico a Física. Na verdade, fui materialista por um bom tempo. Fui físico materialista dos 14 anos de idade até cerca de 45 anos. O materialismo foi importante para mim. Eu trabalhei com ele, filosofei nele, cresci nele. Eu obtive sucesso em Física dentro da Física materialista. Mas quando comecei a trabalhar no problema da medição quântica, eu realmente tentei resolvê-lo dentro do materialismo. Enquanto todos nós trabalhávamos, falei com muitos físicos que trabalhavam no problema (este é o problema mais estudado da Física, um dos mais estudados). E todos tentávamos resolver este paradoxo: se a consciência é um fenômeno cerebral, obedece à Física Quântica, como a observação consciente de um evento pode causar o colapso da onda de possibilidades levando ao evento real que estamos vendo? A consciência em si é uma possibilidade. Possibilidade não pode causar um colapso na possibilidade. Assim, eu tive de abandonar esse pensamento materialista. Embora fosse interessante, em minha vida pessoal eu sentia necessidade de mudar. Alguns consideraram uma transição de meia-idade, e os dois problemas, crescimento na vida pessoal e o problema da medição quântica, se confundiram, e eu comecei a ver a consciência não apenas como um problema físico, mas também como um problema pessoal. O que é que deixa alguém feliz? Qual é a natureza da consciência, da qual as pessoas falam quando se pensa além do materialismo? Então, comecei a meditar e a me aproximar de alguns místicos, e isso ajudou. E um dia, quando falava com um místico, e ele me dava a tradicional visão mística do mundo, que eu já ouvira muitas vezes antes, mas, de algum modo, essa conversa causou uma nova impressão em mim. Eu pude ver, eu realmente vi além do pensamento, tive a percepção de que a consciência é a base do ser, e essa percepção soluciona o problema da medição quântica. Não só isso: pode ser usada como base para a ciência. Normalmente, os cientistas presumem que a ciência deve ser objetiva, etc, mas eu vi, naquele momento, que a ciência deve ser objetiva até um certo ponto. Eu chamo de objetividade fraca, mas isso pode ser alcançado nessa nova Metafísica. Consciência é a base de todos os seres. Então, para mim, foi o contrário, eu fui da Física para a espiritualidade, sob o aspecto da Física. Porque minha formação espiritual, embora em retrospecto, eu possa dizer que foi saudável, deve ter sido, como Freud diria, no subconsciente. Mas conscientemente foi o oposto. Eu vim de uma questão muito inquietante, de como resolver um problema físico, um problema do mundo, pois esse é o problema mais importante do século XX. E a partir disso, esse salto conceitual, esse salto quântico perceptivo me fez reconhecer que o modo como espiritualistas vêem a consciência é o modo certo de ver a consciência. E esse modo de ver a consciência resolve o problema da medição quântica. Ele nos dá a base para uma nova ciência.

Carlos Ziller: Eu gostaria de fazer uma pergunta, dando um passo mais atrás no sentido da própria Física clássica. Porque nós sabemos, hoje em dia, que os fundadores da Física clássica, Newton, Déscartes e outros grandes cientistas do século XVII, para eles, para os projetos científicos que propunham, Deus era uma parte constitutiva inseparável do mundo que eles imaginavam, seja como sendo quem garantia a eficácia, eficiência, o funcionamento das leis do mundo, seja como alguém que operava os próprios fenômenos naturais. Bom, isso foi sendo afastado, expulso do mundo da ciência ao longo do século XVIII, século XIX, ou século XX, talvez, até os anos 50 tenha sido o ápice dessa questão, os cientistas, os físicos, sobretudo, não gostavam totalmente nada de falar sobre esse assunto. Deus era um problema. Talvez o seu estudo e a sua reflexão esteja tentando recolocar no seu próprio lugar, pelo menos foi assim que eu interpretei, algumas idéias do próprio século XVII, dos fundadores da ciência moderna. Eu gostaria de saber se essa aproximação do Deus do Newton, o que garantia que as leis naturais funcionavam, se esse Deus tem algum paralelo com a consciência, supra-consciência que o senhor propõe como sendo o princípio a partir do qual os fenômenos do mundo, a realidade estaria constituída?

Amit Goswami: É uma pergunta muito boa. Os conceitos da Física clássica, no início, não separavam Deus, como disse, mas então, aos poucos, descobriu-se que Deus não era necessário. Depois que Deus estabeleceu o movimento do mundo, ele passou a ser guardião de seu jardim, e isso é o que a maioria dos físicos clássicos pode fazer. Mas na Física Quântica, há o problema da medição. Como as possibilidades tornam-se eventos reais, temos espaço para uma consciência, e ela deve ser uma consciência cósmica. Há uma semelhança com o modo como Deus é retratado, pelo menos na subespiritualidade tradicional, não na mente popular. A mente popular considera Deus um imperador, um super-humano sentado no céu. Essa imagem de Deus não é científica, e espero que esteja claro que não estamos falando em Deus dessa forma, mas Deus nessa consciência mais cósmica, nessa forma mais estrutural. Esse tipo de Deus está retornando porque, se você se recorda, o debate entre teólogos e cientistas sempre foi: Deus é o guardião ou Deus intervém? Teólogos afirmam que Deus intervém nos seres biológicos. E então surgiu Darwin. Foi um grande golpe nos teólogos, porque antes, apesar de Newton, os teólogos podiam citar o exemplo da Biologia, cujo propósito é muito óbvio, pelo menos, óbvio para a maioria. Mas a teoria de Darwin foi um golpe porque se dizia que a evolução ocorria... mas ela era natural? Darwin disse que ela era natural. Oportunidade e necessidade. Não há necessidade de Deus na evolução e não há necessidade de Deus na biologia. Então, no século XX, surgiu o behaviorismo e a idéia de que temos livre-arbítrio subjetivo. Essa idéia também foi superada, porque experimentos mostraram que somos muito condicionados, não há livre-arbítrio. Contra tudo isso, vejam só, a Física Quântica também cresceu ao mesmo tempo que o behaviorismo, e a Física Quântica tem uma coisa peculiar: o princípio da incerteza. O mundo não está determinado como imaginamos. Deus não é o guardião. O princípio da incerteza levou à onda de possibilidades, depois o colapso da onda de possibilidades para a introdução da idéia do colapso da consciência. Paradoxalmente, fomos criados contra essa idéia, mas nos anos 90, eu, Henry Stab, Fred Allan Wolf, Nick Herbert, todos mostramos que esse paradoxo pode ser resolvido. Não há paradoxo se presumirmos que a consciência que causa o colapso da onda de possibilidades em eventos reais é uma consciência cósmica. E o evento do colapso em si nos dá a separação matéria-objeto do mundo. Assim, não só resolvemos o problema da medição quântica como também demos uma nova resposta de como a consciência de um torna-se várias. Como ela se divide em matérias e objetos, para poder ver a si mesma. E essa idéia de que o mundo é um jogo da consciência, um jogo de Deus, que é uma idéia muito mística, voltou à tona. Então, podemos voltar à biologia. Deus intervém na biologia? Deus intervém na vida das pessoas? Essas perguntas continuam tendo respostas muito positivas. Vi, em um jornal sobre Biologia evolucionista, que há muitos furos conhecidos na teoria darwiniana. Esses furos são chamado s sinais de pontuação. A teoria da evolução de Darwin explica alguns estágios homeostáticos da evolução, ou seja, como as espécies adaptam-se a mudanças ambientais. Mas não explica como uma espécie torna-se outra. Essa especiação, mudança de uma espécie em outra, é uma nova mudança na evolução, não está na teoria de Darwin. Experimentalmente, isso é demonstrado em lacunas de fósseis. Não temos uma continuidade de fósseis mostrando como um réptil tornou-se um pássaro. A idéia é que sejam sinais de pontuação, estágios muito rápidos de evolução. Eu sugiro que isto seja um salto quântico, um salto quântico na evolução. Nesse salto quântico, a consciência interveio, não de um modo subjetivo, de um modo caprichoso, mas de um modo muito objetivo.. muito objetivo, e essas idéias objetivas ficam claras com o trabalho de Rupert Sheldrake e outros, o modo como isso pode ser objetivo. Mas, sem dúvida alguma, há uma intervenção da causalidade descendente. Não se pode explicar a Biologia evolucionista só com a causalidade ascendente. Essa é a coisa mais interessante, a partir do pensamento original dos físicos de que Deus deve ser o guardião, pois tudo pode ser explicado e tudo é determinado, que não precisamos de Deus. Agora, estamos fechando o círculo, e vemos que não só precisamos de Deus: há movimentos descontínuos no mundo para os quais não existe explicação matemática ou lógica. Ainda assim, é totalmente objetivo, não é arbitrário. Deus age de forma objetiva, bem definida. A consciência cósmica não é subjetiva, não é a consciência individual que afeta o mundo. Isso ocorre de forma cósmica, podemos discutir objetivamente. A ciência detém seu poder, sua objetividade e, ainda assim, temos agora a descontinuidade, temos a interconectividade e podemos falar sobre vários assuntos dos quais os místicos tradicionalmente falam.

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quinta-feira, 15 de junho de 2006

A PONTE ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO - PARTE 1



Entrevista com Amit Goswami

O Roda Viva entrevistou o físico nuclear indiano Amit Goswami. Considerado um importante cientista da atualidade, ele tem instigado os meios acadêmicos com sua busca de uma ponte entre a ciência e a espiritualidade. Amit Goswami vive nos Estados Unidos. É PhD em física quântica e professor titular de física da Universidade de Oregon. Há mais de quinze anos está envolvido em estudos que buscam construir o ponto de união entre a física quântica e a espiritualidade. Já foi rotulado de místico, pela comunidade científica, e acabou acalmando os críticos através de várias publicações técnicas a respeito de suas idéias. Em seu livro O Universo Autoconsciente publicado no Brasil ele procura demonstrar que o Universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um conjunto superior - no caso, DEUS. E diz que, se esses estudos se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência e não mais de religião.

A bancada de entrevistadores será formada por Mário Sérgio Cortella, filósofo e dir. em educação, prof. do Depto. Teologia e ciências religião da Puc SP; Cláudio Renato Weber Abramo, jornalista e mestre em filosofia da ciência; Pierre Weil, educador e reitor da Universidade Holísitica Internacional de Brasília; Rose Marie Muraro, escritora e editora; Leonor Lia Beatriz Diskin Pawlowicz, jornalista e Pres.da Assoc. Palas Athena; Joel Sales Giglio, psiquiatra, ex chefe do Depto.de Psic. Médica e psquiatria da Unicamp, analista junguiano da Assoc. Junguiana do Brasil e membro da International Assossiation for Analitical Psychology; Carlos Ziller Camenietzki, físico, dr. em filosofia e pesquisador do Museu de Astronomia do Min. da Ciência e Tecnologia.

Heródoto Barbeiro: Dr. Amit Goswami, Inicialmente eu gostaria que o senhor dissesse aos telespectadores da TV Cultura, que ao longo do século XX os cientistas estiveram ligados muito mais ao materialismo do que à religiosidade. A impressão que eu tenho é que nessa virada para o século XXI, essas coisas estão mudando. O senhor poderia nos explicar o porque dessa aproximação entre a ciência e a espiritualidade?

Amit Goswami: Com prazer. Esta mudança da ciência, de uma visão materialista para uma visão espiritualista, foi quase totalmente devida ao advento da Física Quântica. Ao mesmo tempo, houve algumas mudanças em Psicologia Transpessoal, em Biologia evolucionista, e em medicina. Mas acho que é correto dizer que a revolução que a Física Quântica causou na Física, na virada do século, seria baseada nessas transições contínuas, não apenas movimento contínuo, mas também descontínuo. Não localidade. Não apenas transferência local de informações, mas transferência não-local de informações. E, finalmente, o conceito de causalidade descendente. É um conceito interessante, pois os físicos sempre acreditaram que a causalidade subia a partir da base: partículas elementares, átomos, para moléculas, para células, para cérebro. E o cérebro é tudo. O cérebro nos dá consciência, inteligência, todas essas coisas. Mas descobrimos, na Física Quântica que a consciência é necessária, o observador é necessário. É o observador que converte as ondas de possibilidades, os objetos quânticos, em eventos e objetos reais. Essa idéia de que a consciência é um produto do cérebro nos cria paradoxos. Em vez disso, cresceu a idéia de que é a consciência que também é causal. Assim, cresceu a idéia da causalidade descendente. Eu diria que a revolução que a Física Quântica trouxe, com três conceitos revolucionários, movimento descontínuo, interconectividade não-localizada e, finalmente, somando-se ao conceito de causalidade ascendente da ciência newtoniana normal, o conceito de causalidade descendente, a consciência escolhendo entre as possibilidades, o evento real. Esses são os três conceitos revolucionários. Então, se houver causalidade descendente, se pudermos identificar essa causalidade descendente como algo que está acima da visão materialista do mundo, então Deus tem um ponto de entrada. Agora sabemos como Deus, se quiser, a consciência, interage com o mundo: através da escolha das possibilidades quânticas.

Rose Marie Muraro: O que mais me espanta na Física é o problema da medição quântica de Heisemberg, que você, realmente, acha que deve ter um observador olhando e que modifica a realidade, por exemplo, transforma a onda em partícula. Eu gostaria de saber... isso aí houve uma grande briga de Einstein com Niels Bohr. Eu gostaria de saber, em escala cósmica, onde não há observadores, se há um observador supremo, na sua opinião, e se ele cria matéria ou como se faz esse fenômeno?

Amit Goswami: Essa é a questão fundamental, Rose Marie, porque.. qual é o papel do observador? É a pergunta que abre a integração entre Física e espiritualidade. Na Física Quântica, por sete décadas, tentou-se negar o observador. De alguma forma, achava-se que a Física deveria ser objetiva. Se dessem um papel ao observador, a Física não seria mais objetiva. A famosa disputa entre Böhr e Einstein, a que se refere essa disputa, basicamente, sempre terminava com Bohr ganhando a discussão, mostrando que não há fenômeno no mundo a menos que ele seja registrado. Bohr não usou a consciência.. mas atualmente, vem crescendo o consenso, muito lentamente, de que a Física Quântica não está completa, a menos que concordemos que nenhum fenômeno é um fenômeno, a menos que seja registrado por um observador, na consciência de um observador. E isso se tornou a base da nova ciência. É a ciência que, aos poucos, mas com certeza, vem integrando os conceitos científicos e espirituais.

Cláudio Abramo: Em sua fala inicial, o senhor mencionou, deu como fato, que teria crescido a idéia de que haveria uma causalidade no sentido inverso àqueles do tradicional que se considera, e daí saltou para a afirmação de que isso abriria a porta para a entrada de Deus. A minha pergunta se divide em duas. Em primeiro lugar, essa idéia cresceu aonde? Quem, além do senhor, defende esse tipo de visão de mundo? E... dois, o porque Deus entrou aí nessa equação?

Amit Goswami: Na Física Quântica há um movimento contínuo. A Física Quântica prevê isso. Não há dúvida que a Matemática Quântica é muito capaz, muito competente, e ela prevê o desenvolvimento de ondas de possibilidades, a matéria é retratada como ondas de possibilidades . O modo como elas se espalham é totalmente previsto pela Física Quântica. Mas agora temos probabilidades de possibilidades. Nenhum evento real é previsto pela Física Quântica. Para conectar a Física Quântica a observações reais, embora não vejamos possibilidades e probabilidades, na verdade vemos realidades. Esse é o problema das medições quânticas. E luta-se com esse problema há décadas, como eu já disse, mas nenhuma solução materialista, uma solução mantida dentro da primazia da matéria foi bem sucedida. Por outro lado, se considerarmos que é a consciência que escolhe entre as possibilidades, teremos uma resposta, mas a resposta não é matemática. Teremos de sair da matemática. Não existe Matemática Quântica para este evento de mudança de possibilidades em eventos reais, que os físicos chamam de “colapso da onda de possibilidade em realidade”. É essa descontinuidade do colapso que nos obriga a buscar uma resposta fora da Física. O que é interessante é que se postularmos que a consciência, o observador, causa o colapso da onda de possibilidades, escolhendo a realidade que está ocorrendo, podemos fazer a pergunta: qual é a natureza da consciência? E encontraremos uma resposta surpreendente. Essa consciência que escolhe e causa o colapso da onda de possibilidades não é a consciência individual do observador. Em vez disso, é uma consciência cósmica. O observador não causa o colapso em um estado de consciência normal, mas em um estado de consciência anormal, no qual ele é parte da consciência cósmica. Isso é muito interessante. O que é a consciência cósmica diante do conceito de Deus, do qual os místicos e teólogos falam?

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quarta-feira, 14 de junho de 2006

Cidades Brasileirias - Curitiba


Cidade do sul do Brasil, capital do estado do Paraná, situada numa região de planaltos limitada pela serra do Mar. Curitiba é centro de grande importância comercial como mercado da fértil região que se estende em seus arredores, na qual são produzidos mate, café e artigos manufaturados. Além de suas funções administrativas e econômicas, nela estão sediadas a Universidade Federal do Paraná (1912) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1959). O fluxo comercial com o exterior é feito através do porto de Paranaguá, ao qual está ligada por estrada de ferro e rodovia que atravessam a serra do Mar.

As primeiras expedições de bandeirantes à região foram motivadas pela descoberta de ouro, mas sua efêmera importância foi logo superada pelo contato com os campos abertos do sul, onde existia enorme quantidade de gado bovino semi-selvagem que os tropeiros passaram a conduzir para São Paulo. Essa atividade foi marcando a ocupação do território, que mais tarde foi complementada com a extração da erva-mate silvestre. Fundada em 1654, a cidade cresceu tendo como elemento coadjuvante a exploração da madeira das florestas de araucária vizinhas, de grande riqueza. Desde 1831 é capital do Paraná, separado de São Paulo como província autônoma em 1853.

O desenvolvimento de Curitiba deve muito às ondas de imigração européia do século passado: alemães no período 1830-60, italianos a partir de 1870, poloneses e ucranianos no final do século, complementados por árabes e japoneses no começo do século XX. O desenvolvimento posterior do plantio de café no oeste paranaense também teve um papel importante no crescimento da capital.

Nas últimas décadas, Curitiba ganhou prestígio nacional e internacional pela criatividade com que resolveu ou equacionou seus problemas urbanos e ambientais. A qualidade de vida, a eficiência dos transportes, a proporção de áreas verdes por habitante mais alta que em qualquer outra cidade brasileira, a coleta seletiva de lixo, são apenas alguns dos elementos que marcam a preocupação ecológica dos curitibanos.

A isso se deve acrescentar um planejamento urbanístico invejável e a construção de alguns prédios públicos como a Ópera do Arame e o Jardim Botânico, que destacam no panorama de uma arquitetura brasileira dominada por caixotes de vidro e cimento ou por fachadas falsificadas.

População (segundo estimativas para 1994): 1.386.692 habitantes.


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terça-feira, 13 de junho de 2006

Aconteceu há 40 Anos Atras


13.Jun.1966

Budistas sul-vietnamitas exigem renúncia.

Os budistas sul-vietnamitas ameaçaram suicidar-se em massa caso o primeiro-ministro Nguyen Cao Ky e o presidente Nguyen Van Thieu não renunciassem a seus cargos.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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segunda-feira, 12 de junho de 2006

O centro cerebral da felicidade



A área do cérebro situada exatamente atrás da parte esquerda da testa, no córtex pré-frontal esquerdo não é muito ativa nas pessoas que não meditam, mas o é com freqüência em quem têm uma personalidade otimista e é pouco ansiosa.

"Os monges que passam um longo tempo meditando registram uma atividade realmente alta nessa parte do cérebro, o que requer um treino, da mesma forma que acontece com os jogadores de tênis, que melhoram com a prática deste esporte", explicou Davidson.
A pesquisa começou em 1992, quando o Dalai Lama convidou Davidson para sua casa em Dharamsala, na Índia, e lhe propôs estudar o cérebro dos monges de sua comunidade, que ostentam uma tradição centenária de meditação e recolhimento.

Do estudo participaram oito dos monges mais especializados em meditação, que praticaram esta técnica por entre 10.000 e 50.000 horas, ao longo de entre 15 e 40 anos. Também foi formado um grupo de controle, integrado por dez estudantes que nunca tinham meditado e que dedicaram uma semana de treino à prática.

Os integrantes de todos os grupos tiveram uma rede com 256 sensores elétricos colocada na cabeça. A eles foi dada uma ordem para que meditassem por algum tempo. Os dados registrados nos monges foram assombrosos, já que a amplitude das ondas gamma cerebrais recolhidas em alguns deles são as maiores registradas em um contexto não patológico.

A altíssima amplitude dessas ondas se explica pela soma de ondas que os diferentes neurônios emitem, as quais os monges conseguiam sincronizar em um número muito elevado ao meditar.

Nos últimos anos, as novas técnicas de imagem permitiram a observação de mudanças nas conexões neuroniais durante a idade adulta e atualmente vários estudos constatam que o cérebro muda dinamicamente ao longo da vida do ser humano.

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domingo, 11 de junho de 2006

Há um Darth Vader dentro de você? - Final

Gente diferente

Já o psiquiatra americano Michael Stone se tornou reconhecido por estudar as biografias de 498 pessoas realmente más, de Hitler, Pol Pot e Stalin a Charles Manson e Andrei Chikatilo, famoso serial killer canibal. Stone criou uma pioneira escala de maldade, com 22 itens onde agrupava alguns dos malfeitores. "No caso dos tiranos, a maior parte foi espancada e negligenciada em casa. O mal que fizeram foi uma vingança à crueldade a que foram expostos."

Mas há outras causas. "O ambiente não explica tudo. O irmão de Hitler também era espancado, mas nunca cometeu um crime", conta Stone. "Muitos serial killers vêm de famílias normais. São raros, mas existem", diz. O médico Renato Zamora, do Laboratório de Genética do Comportamento da UFRGS, estuda a biologia de pessoas muito violentas. "O cérebro delas funciona de forma diferente", diz. Zamora cita como evidência um estudo que fez com dez psicopatas, a quem submeteu a testes de teoria da mente para avaliar o funcionamento do lóbulo frontal.

A pontuação dos psicopatas se revelou tão baixa quanto a das pessoas com lesão cerebral na área. "O psicopata é um caso de lesão cerebral sem dano orgânico. Algo semelhante acontece nos casos de depressão ou esquizofrenia. Essa transformação 'desligou' neles a capacidade de sentir compaixão."

Ser ou não ser

A falta de compaixão pode ser encontrada em outros lugares. "Há 20 traços característicos de psicopatas", explica o psiquiatra forense americano Michael Welner. "Muitos, como narcisismo forte e pouca compaixão, estão presentes em altos executivos e pessoas bem-sucedidas." Ele acrescenta que os bons executivos também possuem qualidades criativas e inspiradoras, ou não teriam sucesso. "Mas é preocupante ver que quando uma pessoa bem-sucedida assume que pratica atos maus, o público parece relevar."

Calejado pelos anos vendo casos horrorosos em tribunais, Welner crê que "qualquer um é capaz de fazer coisas más", e atualmente coordena uma pesquisa online para criar uma escala de maldade que sirva como parâmetro em julgamentos. "Isso pode ajudar a sociedade a ser menos condescendente, e parar de enxergar criminosos como popstars."

Para o filósofo Denis Rosenfield, autor de "Retratos do Mal", a origem dos atos destrutivos não seria o ambiente, a história de vida ou a biologia, mas a consciência. "Dizer que o mal é uma doença é uma recusa a pensar", diz. "O ser humano sempre pode dizer não a certas ações e sim a outras, mesmo que tenha um lado corrupto dentro dele. O mal é uma questão de escolha."É possível que seja. Afinal, até Darth Vader deixou de ser mau um dia.

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sábado, 10 de junho de 2006

Há um Darth Vader dentro de você? - Parte 1



Qual a origem do lado destrutivo do homem?

Como o virtuoso jovem Anakin Skywalker se transformou no terrível Darth Vader, o vilão que assombrava aquela famosa galáxia muito, muito distante? A dúvida, que há 20 anos ronda as mentes dos aficcionados pela série "Guerra nas Estrelas", será respondida em "A Vinganca dos Sith", Certamente as revelações sobre o passado da personagem só reforçarão seu carisma junto ao público. Afinal a história da sedução do espiritualizado Anakin pelo chamado "lado negro da força" em parte tira sua força de uma pergunta que todos já fizemos um dia: o que leva um ser humano a praticar atos violentos, destrutivos, cruéis, enfim, maus?

Tradicionalmente, o debate sobre o mal tem sido reservado a teólogos e filósofos. Nas últimas quatro décadas o tema despertou também o interesse de cientistas. Psiquiatras, psicólogos e estudiosos da biologia vêm desenvolvendo experimentos e teorias para desvendar a origem do comportamento destrutivo. As explicações que estão surgindo são variadas, mas apontam numa direção: a capacidade de fazer o mal, assim como a de fazer o bem, parece existir em todas as pessoas e sociedades.
A traumática experiência do Holocausto foi um estímulo poderoso para as pesquisas sobre o lado destrutivo do ser humano. Terminada a guerra, muitos dos carrascos nazistas se justificaram dizendo que estavam cumprindo ordens, e que se desobedecessem teriam sido mortos.

Nos anos 1960 o psicólogo americano Stanley Milgram se perguntou se cidadãos comuns, instigados por alguma forma de autoridade, também teriam a capacidade de infligir dor e sofrimento a pessoas que nunca lhes fizeram mal. Para avaliar a possibilidade, criou em 1961 um experimento onde uma cobaia recebia ordens para dar choques elétricos cada vez maiores numa falsa vítima, sendo que a intensidade do choque mais forte seria teoricamente capaz de matar (veja descrição na página anterior). Milgram pediu a 40 colegas psiquiatras que estimassem o porcentual de indivíduos que chegaria a aplicar choques potencialmente fatais. Os psiquiatras apostaram que menos de 1% seria capaz de agir de forma tão sádica. Mas os resultados iniciais mostraram que 65% das cobaias obedeciam até o fim.

Outro experimento famoso foi feito também nos Estados Unidos em 1971. O psicólogo Philip Zimbardo recriou o ambiente de uma prisão no seu laboratório de psicologia, e designou 24 jovens escolhidos aleatoriamente para conviverem lá por duas semanas como guardas e prisioneiros. O resultado foi uma explosão de opressão que levou o experimento, previsto para durar 15 dias, a ser interrompido no sexto.

O mal e Abu Graib

O que experimentos como esses nos ensinaram? Arthur Miller, psicólogo da Universidade Miami e organizador do livro "The Social Psychology of Good and Evil" (A Psicologia Social do Bem e do Mal) explica que a visão dominante na psicologia social leva em conta os contextos sociais. Existe uma minoria de indivíduos psicopatas, destrutivos no mais alto grau e cujo comportamento não revela empatia ou compaixão. Mas as pessoas chamadas normais podem causar (e causam) grandes danos, influenciadas por outras pessoas e por certas circunstâncias. "Um exemplo clássico é o da Alemanha antes do nazismo, que convivia com desemprego, pobreza e devastação. Mas há vários casos onde pessoas procuram sair de situações difíceis em suas vidas retaliando, mentindo, arranjando bodes expiatórios", compara.

Dois fatores reforçam a força das circunstâncias. O primeiro é a visão de que a vítima pertence a um grupo diferente. "Quase todas as formas de preconceito e hostilidade vêm daí", diz Miller. O segundo é a hierarquia. "As pessoas na posição mais baixa percebem violações éticas no seu ambiente de trabalho, mas temem ser punidas se denunciarem o que vêem.

A tendência é imitar seus pares e obedecer às autoridades, e com o tempo seu comportamento pode se tornar danoso ou corrupto."
Ele ressalta que essa visão é importante porque muitas vezes as autoridades preferem apontar culpados a realizar mudanças estruturais. "Quando se denunciou a tortura na prisão de Abu Graib, no Iraque, os políticos disseram que o problema se limitava a alguns guardas. Mas Zimbardo veio a público lembrar que algo sistêmico nas prisões faz com que até os bons guardas ajam como sádicos", analisa.

Para o psicólogo David Buss, a chave está na teoria da evolução. A fim de sobreviver e se reproduzir, o Homo sapiens criou duas estratégias. Uma é aperfeiçoar as habilidades que garantem mais acesso a recursos (tornar-se mais forte, mais atraente etc.). A outra é diminuir as chances de sobrevivência e reprodução dos seus rivais, o que Buss chama de "impor custos adaptativos".

Essa segunda estratégia explicaria os comportamentos de maus. Por exemplo, denegrir a reputação de alguém teria o efeito de reduzir o acesso da vítima às benesses de um status social alto.

Dentre os atos que impõem custos adaptativos elevados, o assassinato seria o mais custoso de todos. Este aliás é o tema do novo livro de Buss, intitulado "Por que a Mente É Projetada para Matar". "A capacidade de matar é parte da natureza humana, e todos têm o potencial para agir assim em certas circunstâncias", disse Buss a Galileu. "Mas enquanto algumas pessoas a consideram uma medida extrema, outras a usam para subir na hierarquia, adquirir recursos e acesso a mulheres de alto valor reprodutivo", diz. "É abominável, mas funciona".

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sexta-feira, 9 de junho de 2006

Tira do Dia

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quinta-feira, 8 de junho de 2006

Video da Quinzena - Batucada

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quarta-feira, 7 de junho de 2006

A Tv da Copa


TPF-2140
21” FLAT TV

• Tela totalmente Plana
• Som Estéreo de alta performance
• Entrada Component Video - Ideal para DVD

TELA PLANA REAL FLAT
Proporciona diminuição dos reflexos cau-sados pela luz ambiente, minimizando o cansaço visual. Além disso, elimina o brilho intenso nos cantos da tela e evita distorção das imagens.

SOM ESTÉREO DE ALTA PERFORMANCE COM 10W RMS DE POTÊNCIA
Qualidade e fidelidade sonora.

ENTRADA COMPONENT VIDEO
Ideal para conexão de DVD. Permite obter a melhor qualidade de imagem com maior resolução e detalhe das cenas.

BAIXO CONSUMO DE ENERGIA ENERGY® STAR
Este produto atende às diretrizes para eficiência do uso de energia, ajudando a proteger o meio ambiente.


AJUSTES PERSONALIZADOS DE IMAGEM POR ENTRADA A/V.

SAP - Permite escutar o áudio original dos programas dublados(1).

FUNÇÃO GAME - Permite, através do controle remoto, jogar um game disponível no televisor.

AUTO CLOSED CAPTION - As legendas do áudio original dos programas são exibidas, automaticamente, ao pressionar a tecla MUTE. Com isto é possível assistir à programação do canal sem volume(1).

DOOR VISION XPRESS
Permite visualizar o conteúdo de um canal pré-programado com apenas um toque. Ideal para a conexão de câmera de segurança(2).

RELÓGIO COM TIMER ON/OFF - Permite ao televisor ligar e desligar no horário e canal programados(3).

SLEEP TIMER - Desligamento automático do televisor após um período de tempo predeter-minado entre quinze minutos e duas horas.

TRINORMA - PAL-M / PAL-N / NTSC.

BLOQUEIO DO PAINEL FRONTAL E CANAIS - Impede o acesso aos botões do painel frontal e canais predeterminados do televisor(3).

Guia de canais preferenciais - Esta função permite classificar os canais preferidos por categoria (Filmes, Esportes, Notícias, Música e Infantil) para que possam ter fácil acesso(3).

FAVORITE CHANNEL - Seleciona rapidamente até 5 canais favoritos(3).

CHANNEL TIMER
Permite programar o televisor para retornar a um canal automaticamente após um período de tempo predeterminado. Útil quando se deseja assistir a outros canais enquanto aguarda o início de um programa(3).

PLUG & PLAY - Detecta o sistema de recepção de sinais e inicia a sintonia automaticamente.

NOMEAÇÃO DE CANAIS - Nomeia os canais sintonizados com até 4 caracteres, facilitando sua identificação(3).

MENU DE INFORMAÇÕES NA TELA EM 3 IDIOMAS - Português, Inglês e Espanhol.

181 CANAIS VHF/UHF/CABO.

VOLUME CONSTANTE - Ameniza as variações de som durante os comerciais e na troca de canais, mantendo o volume constante(3).

LAST CHANNEL - Retorna ao último canal sintonizado.

AJUSTES DE IMAGEM - Através da tecla Magic é possível ajustar automaticamente a imagem do televisor alternando entre os 4 modos disponíveis (Original, +Brilho, -Brilho e Pessoal).

PROTEÇÃO DE TELA - Aciona um descanso de tela quando a fonte selecionada estiver sem sinal, ajudando a prolongar a vida útil do televisor.

AUTO DEMO - Demonstração automática dos principais recursos do televisor.

CONTROLE REMOTO LUMINOSO - Comodidade e praticidade na utilização dos comandos.

FREE VOLTAGE - Ajuste automático para qualquer tensão de rede elétrica (99~242V).

MUTE - Suprime o volume da TV.

MODO HOTEL
Padroniza os ajustes de canais, imagem e som que serão utilizados sempre que a TV for ligada. Ideal para pousadas e hotéis.



CONEXÕES
1 entrada Component Video
1 entrada S-Video
2 entradas de Vídeo Composto
2 entradas de Áudio Estéreo
1 entrada RF (antena)
1 saída de Áudio Estéreo

DIMENSÕES E PESO LÍQUIDO DO PRODUTO

Dimensões (L x A x P): 57 x 46 x 48 cm
Peso Líquido (kg): 24

Embalagem
Dimensões (L x A x P): 60,8 x 50,6 x 54,4 cm
Peso Bruto (kg): 26,7
Volume: 0,185 m3
Empilhamento: 05

1- Desde que disponível na origem da transmissão ou reprodução. 2- A câmera de segurança não acompanha este produto. 3- Não disponível na utilização de decoders (set-top box).

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terça-feira, 6 de junho de 2006

Links Interessantes Sobre Espiritualidade



 

www.santodaime.org

Site sobre a comunidade "Céu do Mapiá" e a Doutrina do Santo Daime.


 

www.gurdjieff.org.br

Site do Instituto Gurdjieff Brasil com sede em Laranjeiras, Rio de Janeiro.


 

www.palasathena.org.br

Site da Associação Palas Athena em São Paulo, capital.


 

www.avathar.com.br

Site do Avathar Instituto de Formação Holística em São Paulo, capital.


 

www.pazgeia.org.br

Site da Escola Paz Geia, Instituto de Pesquisas Xamânicas de São Paulo, capital.


 

www.centromandala.com.br

Site do Centro Mandala, em Itatiba, interior de São Paulo de meditação e vivências.


 

www.spamariabonita.com.br

Site do Spa Maria Bonita no Rio de Janeiro


 

www.integria.org

Site do Centro de Vivências Integria em Picada café, norte do Rio Grande do Sul, que busca o desenvolvimento saudável e sustentável do ser humano.


 

www.yogaencantada.com.br

Site do Retiro Montanha Encantada em Garopaba, Santa Catarina, onde acontecem cursos e workshops de ioga, meditação e outros temas.

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segunda-feira, 5 de junho de 2006

Significado dos Dias da Semana


Segunda-feira
Primeiro dia da semana civil e segundo da litúrgica. Os romanos a chamavam de dies lunae, “dia da lua”.

Terça-feira
Terceiro dia da semana liturgica. No calendário romano, chamava-se dies Martis, em homenagem a Marte, deus da guerra.

Quarta-feira
Quarto dia da semana litúrgica e terceiro da civil. Chamada pelos romanos de dies Mercurii em homenagem ao deus Mercúrio.

Quinta-feira
Quinto dia da semana. No calendário romano, era chamada de dies Jovis em homenagem a Jove ou Júpiter, nomes latinos de Zeus, deus grego do raio e o mais importante da mitologia.

Sexta-feira
Sexto dia da semana. No calendário romano, chamava-se dies veneris (‘dia de Vênus’), em homenagem à deusa do amor.

Sábado
Sétimo dia da semana litúrgica e sexto da civil. Seu nome, em português, deriva da palavra judaica Shabbath.

Domingo
Sétimo dia da semana civil e primeiro da litúrgica. No Novo Testamento, é chamado de o dia do Senhor. Em latim, Dominica, de onde deriva seu nome nas línguas romanas, por exemplo: italiano domenica e francês dimanche.

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domingo, 4 de junho de 2006

Antônio Callado - Entrevista concedida a Veja (14/07/1976), - Final

Veja - Você adota a postura do cronista?
CALLADO - Do observador de um movimento. É claro que não ficará a menor dúvida, na leitura do romance, sobre onde estou ou qual lado assumo. Aliás, eu não saberia como fazer para ocultar minha posição, porque estou sempre demasiado interessado na situação para ser imparcial.

Veja - Como você se documentou para escrever este romance?
CALLADO - Eu tenho um arquivo municiado com informações sobre aquela época, muito útil às vezes para relembrar algum fato isolado do dia-a-dia. O fundamental, no entanto, é que vivi intensamente todos os lances daquele processo. Também recorri a alguns livros, principalmente para observar o ponto de vista mais externo em relação aos seqüestros. Há um livro escrito por um embaixador inglês que toca no assunto - e para mim era importante saber como eles sentiam o que estava acontecendo no Brasil. Além disso, naturalmente, alguns livros-chaves que provocam em mim aquela descarga de energia ideológica.

Veja - Você foi obrigado a sair da clausura em Petrópolis para pesquisar algum fato
específico?
CALLADO - Essa documentação não está funcionando como fio condutor do romance, que é mais de ambientação mesmo. Mas, por exemplo, de repente tive de me documentar a respeito de um fenômeno que tomou súbita importância: a enchente de 1967 no Rio de Janeiro, que paralisou totalmente a cidade e mostrou sua extrema vulnerabilidade, é um momento que tem muita relação com o que é descrito no livro. É fantástica essa possibilidade de imobilizar uma cidade como o Rio de Janeiro quase num passe de mágica.

Veja - De certa maneira, existe um paralelo entre a enchente de 1967 no Rio e o tema do
seu romance: em ambos, a cidade ficou totalmente paralisada.
CALLADO - Exato. Aquela enchente representa, digamos, um modo de conquista de uma cidade realmente incomum. No caso, foi uma catástrofe natural, mas que pode ser
reproduzida com iguais resultados. O que me interessa, e que está no livro, é o fenômeno da fácil paralisação de uma cidade grande mas desprotegida, como o Rio.

Veja - A técnica de construção do romance é semelhante à de Quarup?
CALLADO - Não, porque este é de dimensões bem menores. Também neste há muitas
personagens, porém menos desenvolvidas no sentido realista, porque são apresentadas de chofre. Elas aparecem bruscamente na sua frente, agindo, e dá trabalho captar a densidade necessária. Mas, de certa forma, é mais fácil que em Quarup, que tinha um desenvolvimento linear com episódios distintos. Agora procuro pegar o pessoal e colocar ao mesmo tempo uns agindo sobre os outros. Nessa técnica, entretanto, há o perigo de você se perder no meio dessa compactação, confundindo a trama propriamente dita e transformando as personagens em bonecos sem consistência. Por isso, de vez em quando, tenho de voltar atrás e refazer trechos. A parte mais difícil - fabular o livro, construir as personagens, dividi-las, porque são muitas no caso, para criar os reflexos distintos da situação - já está pronta. Mesmo assim, freqüentemente fico desesperado, porque repego o que já está feito, releio e começo a sentir
que faltam detalhes. Mas eu tenho a impressão de que agora o livro realmente já se
desvinculou de mim, já se armou.

Veja - Você dedica mais tempo à caracterização das personagens ou à própria escrita?
CALLADO - Acho que dessa vez estou perdendo muito tempo na escrita, exatamente porque, quando as personagens são muito concentradas, é preciso qualificá-las na sua própria maneira de se exprimir. Por isso adotei o truque das cartas que aparecem de tempos em tempos. Assim, consigo apresentá-las de modo rápido, sem que, no entanto, percam densidade ou se confundam o rumo e a intenção da narrativa. Esta, naturalmente, continua a ser o mais importante.

Veja - Seria correto, então, dizer que você está experimentando novas técnicas, mantendo, entretanto, uma postura coerente como intelectual?
CALLADO - Não há dúvida, e este livro está tranqüilamente no mesmo padrão. Apenas com a diferença de que sua construção é muito diferente de Quarup ou Bar Don Juan. Sem, porém, perder de vista a personalidade de cada um e, sobretudo, a intenção, que é liberar a visão do mundo de quem deseja alterá-lo na medida de suas possibilidades, recusando-os ao conformismo e à resignação.

Veja - Como você separa, ou une, as atividades de jornalista e escritor?
CALLADO - Não preciso separar muito, não, porque dentro do jornalismo consegui chegar a um estágio de fazer o que desejo e gosto. Por exemplo, foi graças ao Jornal do Brasil que pude ir ao Vietnã do Norte durante a guerra. Mas, para escrever este romance, me afastei do jornal há uns sete meses.

Veja - Por trás de Quarup, um mosaico da vida brasileira, do suicídio de Getúlio Vargas a 1964, não estaria o repórter Antônio Callado?
CALLADO - Certamente. Depois de ter passado a guerra na Europa, voltei com uma sede muito grande de interior, de índio, de mato: assim que cheguei ao Brasil, tomei uma gaiola e subi o rio Amazonas, até Manaus. Em 1951 fiz minha primeira viagem ao Xingu, roteiro que repetiria muitas vezes, incluindo o Parque Nacional. Conheci e admirei o trabalho dos irmãos Villas Boas, e senti, traumatizado, como a floresta vai encolhendo debaixo do pé do índio. A isso se juntaram duas estadas em Pernambuco: em 1959, para escrever sobre as ligas camponesas, e em 1963, ano em que realmente vi, pela primeira vez, um governo popular no Brasil. Manteve-se a ordem democrática, mas ao mesmo tempo se fez uma verdadeira revolução na região: alfabetização em massa mas eficiente, justo arbítrio nas questões entre empregados e senhores de engenho. Lá vi um sistema pedagógico de governo.

Veja - Em que momento, e de que modo, você passou do jornalismo à ficção?
CALLADO - Eu tinha duas preocupações essenciais: a situação geral do país e o problema do índio, que me fascinava. Em vez de fazer dois romances, um, a partir das minhas experiências no Xingu, outro, sobre o nordeste, resolvi, depois de muita hesitação, fundi-los num panorama mais amplo do Brasil naquele momento. Faltava, no entanto, um ponto de convergência consistente, que finalmente encontrei na Igreja, sacudida, na época, pela revolução libertadora que o papa João XXIII desencadeou. Forças extraordinárias se manifestaram, a Igreja veio de novo ao encontro dos pobres e humildes, os padres romperam o invisível cordão de isolamento e se misturaram ao povo. E foi esta nova imagem da Igreja que me deu a idéia mais radical de um padre, Nando, que acaba realmente se afastando daquilo que assumiu inicialmente, percorrendo um dramático itinerário que vai do religioso ao político. Como é que um homem como João XXIII pôde liberar tanta gente de tão longe, abrir para o Brasil uma reserva tão admirável de energia ideológica? Pensando agora em padre Nando, me vem à mente a idéia de que a salvação da América Latina está nesses padres jovens, de cuja atuação é possível nascer uma nova religião, que viva em íntima comunhão
com o povo.

Veja - Você realiza um processo de criação curioso: primeiro atua como jornalista, no
instante em que os fatos acontecem, e em seguida se retira para elaborar a ficção. Dentro dessa dinâmica pretende partir, agora, para um novo período de colheita de dados?
CALLADO - Sua descrição confere. Depois dessa reclusão para escrever, estou ansioso
para retornar às atividades de grupo. Me agrada muito a proposta de Chico Buarque de
Holanda e Paulo Pontes para musicar uma peça que escrevi em 1957, Pedro Mico,
ambientada numa favela. Mas nosso projeto, que inclui outras pessoas, é mais ambicioso: pretendemos operar uma renovação no teatro brasileiro, no sentido de estabelecer um repertório de peças novas sobre nossa realidade, mais ou menos como fez o grupo Opinião há alguns anos. E também vou aceitar o convite da Folha de S. Paulo para fazer reportagens especiais, de meu interesse.

Veja - E o projeto de montar outro painel, semelhante a Quarup, abordando o período de
1964 para cá?
CALLADO - Não especificamente. Agora, eu acho que se deveria fazer um minucioso
levantamento dos fatos ocorridos nestes anos todos. Infelizmente, o Brasil é um país
desmemoriado demais para o meu gosto. De toda a época de Getúlio Vargas, apenas restou o excepcional testemunho de Graciliano Ramos e alguma coisa do Jorge Amado. É muito pouco, em função de tudo o que aconteceu. De 1964 para cá é possível fazer um levantamento gigantesco. Ou será que vamos, mais uma vez, ter que esperar que venham os brasilianistas para coletar esse material? A hora para se realizar essa tarefa é agora, quando ainda é possível juntar depoimentos diretos de pessoas que testemunharam ou são atores de fatos importantes para a evolução do nosso processo político.

Quem foi Antônio Callado?
Antônio Callado, (1917-1997), romancista, jornalista e teatrólogo brasileiro. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, faleceu no Rio de Janeiro, RJ. Autor de um importante romance contemporâneo, Quarup (1967), cuja temática gira em torno de algumas de suas paixões de escritor e homem de idéias: a revolução, o índio e o sentimento cristão. Neste livro criou um universo de dor e descoberta: "Nando abriu os olhos para um mundo de flores e cabelos, folhas, dentes, mãos." Sua temática poliédrica teve desdobramentos inusitados na maioria de seus outros romances Assunção de Salviano (1954), A madona de cedro (1957), Reflexos do baile (1976), Concerto carioca (1985), Memórias de Aldenham House (1989).

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sábado, 3 de junho de 2006

Antônio Callado - Entrevista concedida a Veja (14/07/1976), - Parte 1


.

Veja - De Quarup a Bar Don Juan pode-se detectar um itinerário pautado pelo enfoque
político. Seu novo romance continua nessa linha?
CALLADO - Sem dúvida. Não penso, porém, que este seja o único caminho. Respeito quem separa a posição política da obra literária. Alain Robe-Grillet, por exemplo, o papa do nouveau roman francês, quando elaborou junto com Alain Resnais o filme O Ano Passado em Marienbad, não aceitou a sugestão deste de que uma personagem dissesse em determinada cena Algérie, visando a dar uma pitadinha de política (a França, na ocasião, vivia a guerra com a Argélia). Robe-Grillet se recusou a fazê-lo no filme, mas era um homem que lutava, como intelectual, ao lado da Argélia, apoiando a causa de Jean-Paul Sartre. Achava, todavia, que sua arte não tinha nada a ver com aquilo.

Veja - Essa atitude, num país do Terceiro Mundo, como o Brasil, lhe parece aceitável?
CALLADO - Sim, desde que o intelectual também participe da vida do país. Não acho que seja absolutamente obrigatório o autor fazer uma obra de cunho político. O que me choca é a tendência crescente de os nossos grupos intelectuais se alienarem da vida do país. Quanto a mim, ainda que pudesse ou sentisse possibilidade de fazer uma obra literária inteiramente abstrata, jamais conseguiria ir contra minha natureza: preciso, sempre, exprimir alguma coisa.

Veja - Quer dizer que você invalida certa produção hermética da literatura moderna que
poucos conseguem entender?
CALLADO - Não. Tenho consciência de que é importante esse tipo de literatura ilegível, por sua função lingüística. Mas para mim, como escritor, isto cheira a uma subversão na ordem artística e literária das coisas. É claro que respeito pessoas como James Joyce ou Stéphane Mallarmé, que têm realmente dentro de si uma vocação literária que toma rumos definidos. Eles estão querendo dizer algo. Mallarmé, por exemplo, é a coroação de um processo de abstração que se fez em um homem de extraordinária sensibilidade extramundana. Até sua prosa dá a impressão de um anjo gaguejando uma língua humana. Isto é comovedor, é como se ele estivesse realmente procurando sair de um mundo muito mais fino para nos dizer algo. Nele, é fácil constatar um enorme interior. O que critico ferozmente é o oposto, ou seja, a
pessoa que parte para fazer deliberadamente uma obra incomunicável.

Veja - Parece que muita gente está se esquecendo de que literatura ainda é comunicação, ainda pressupõe o leitor. Correto?
CALLADO - Claro, e isso é influência dos movimentos literários franceses, do noveau roman ao grupo Tel Quel. O que não se entende, também, é que são raríssimas as pessoas como Mallarmé. Então acontece o oposto: em vez de anjo, você é um sujeito de carne e osso que adora o Mallarmé, e esta é uma ótima razão para você resolver dar uma de Mallarmé. O resultado é uma baboseira indescritível. Não é o caso dos grandes, que têm um alto coeficiente de abstração, mas revelam ao mesmo tempo uma incrível luminosidade e tensão interna. Não acho que seja necessário fazer uma pregação clara. Basta despertar nas pessoas uma certa sensibilidade exacerbada que as leve a agir.

Veja - Esta seria a função maior da literatura?
CALLADO - Sim, a literatura é esta vida multiplicada que fornece uma descarga de energia ideológica, que dá um impulso de ação. Que ação? É a vontade de atuar sobre a sociedade que está em volta. Não se faz uma coisa em nome de nada. Esse nadismo eu realmente não entendo, nem o papo de Ah, o mundo é assim mesmo, deixa pra lá.

Veja - Por quê?
CALLADO - É fundamental a atuação positiva do intelectual num país como o Brasil, vitimado até hoje por um domínio das elites absolutamente fantástico, acima do jogo político da Arena e do MDB. A grande massa, no Brasil, não sabe rigorosamente nada, apenas sente fome. Por isso não acredito que o sujeito que lê e que por obrigação está ligado a este país possa desconhecer isso, ainda mais se lida com idéias.

Veja - Daí a necessidade de se fazer uma literatura política?
CALLADO - Sim, porque o Brasil é muito despovoado do ponto de vista político. Mas é bom não esquecer que a condição básica para a criação artística em geral é a liberdade. Quanto a isso, acho que não pode haver dúvidas na cabeça de ninguém. Quem opta pelo regime autoritário não tem fé nem apreço pela criação artística. O pavoroso é que se acaba interiorizando um sistema de controle das pessoas, ou porque querem manter a comunicação de alguma forma (fazendo concessões) ou porque as mais tímidas se amedrontam e partem para a abstração injustificada. O manto da meia liberdade assusta os tímidos, diminui a audácia dos corajosos e é sempre fatal para o país que a adota.

Veja - No romance em que você trabalha agora, sua liberdade de expressão está, de algum modo, cerceada?
CALLADO - Absolutamente. Em Quarup, tentei mostrar o extenso caminho de um homem da Igreja rumo à conscientização política dentro de um painel da vida brasileira. Em Bar Don Juan, tracei um panorama da chamada esquerda festiva, que conheci muito bem, com aquela impaciência do revolucionário que quer chegar rápido demais aos resultados. Neste, estou evocando a época dos seqüestros no Rio de Janeiro, em 1969, mas sem me fixar em nenhum deles factualmente. Não acompanho nenhum dos casos, mas procuro captar a atmosfera que predominou no Rio durante os seqüestros: todo aquele rebuliço de televisão, notícias, boatos de localização do seqüestrado, a movimentação do corpo diplomático e os seus temores diante da situação. Por outro lado, mostro o esforço das pessoas que estavam fazendo aquilo com a idéia de que seria possível, embora precariamente, chegar a uma conclusão revolucionária mais séria, o que, evidentemente, não conseguiram por não haver uma infra-estrutura favorável. Honestamente, não me senti pressionado a abrandar, embora seja manifesto que, dentro de um esquema desses, quase insensivelmente você começa a evitar determinadas coisas e a dizer outras de maneira diversa.

Veja - O que motivou sua escolha?
CALLADO - Foi a oportunidade de captar uma visão do tempo, da movimentação, das
esperanças que houve em torno de uma espécie de guerra tão precária como esta. Todo
esse sonho bastante irrealizável se contrapõe ao ponto de vista completamente distante e
indiferente dos diplomatas que aqui estavam na ocasião. Por isso, de vez em quando
aparece uma carta, desligada da trama, refletindo mais um ângulo da situação, que surge
constituída como um jogo de espelhos. Esta me pareceu a melhor forma, digamos assim, de abordar um tema político sem me amarrar demasiadamente à ação direta e permanente de contar uma história. Assim, obtêm-se os reflexos da situação em várias pessoas, situadas em pontos diferentes. Entretanto, mantenho o núcleo do romance absolutamente realista.

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