domingo, 30 de abril de 2006

Alianças de Cias Aéreas vendem volta ao mundo (Final)



Viagem, sempre feita na mesma direção, pode ter datas alteradas

A viagem de volta ao mundo por meio de alianças aéreas é quase como um jogo, repleto de regras a serem consultadas.
A primeira delas é: o passageiro tem direito a um vôo transatlântico e a um vôo transpacífico.
E o primeiro desdobramento disso é: a viagem deve ser feita em um sentido, leste-oeste ou oeste-leste. Os bilhetes da SkyTeam e da OneWorld permitem que o passageiro viaje em ambos os sentidos dentro de continentes, desde que ele não volte para o ponto de origem da jornada.
Aliás, a viagem tem que começar e terminar no mesmo país, mas não necessariamente na mesma cidade.
A jornada pode durar de dez dias a um ano. As datas dos vôos sempre podem ser alteradas, exceto a dos primeiros trechos, incluindo a primeira viagem transoceânica. Destinos podem ser mudados também, mas essa alteração em geral exige o pagamento de uma taxa.
Há regras envolvendo, também, os trechos da viagem percorridos via terrestre. Se o passageiro aterrissa em uma cidade, vai de trem para outra e de lá pega o próximo vôo, esse trecho será contado como milhas da viagem aérea -a distância computada será a de uma linha reta unindo os dois pontos- e pode, inclusive, contar como um dos trechos, por exemplo, na OneWorld.
Se aterrissar em uma cidade, der uma volta de trem e voltar para a mesma cidade e, de lá, pegar o próximo vôo, isso nada interfere no passe de volta ao mundo.

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sábado, 29 de abril de 2006

Alianças de Cias Aéreas vendem volta ao mundo (Parte 1)

Um bilhete de ida e volta de São Paulo para Tóquio custa US$ 1.860. Um para Bogotá, US$ 693. Para fazer as duas, gastam-se US$ 2.553. Por US$ 55 a menos, ou seja, por US$ 2.498, compra-se um bilhete de volta ao mundo.
A passagem dá direito a 26 mil milhas e cinco paradas. Para quem ia a dois lugares, a economia de US$ 55 rende três outras paradas. O tíquete deve sua existência às alianças de companhias aéreas, surgidas a partir de 1997 com a criação da StarAlliance (composta por 18 empresas, dentre elas a Varig).
Com as companhias operando juntas, as redes cobrem o planeta. O passageiro compra um determinado número de milhas para dar a volta ao mundo, sempre em um sentido -leste ou oeste-, com um prazo de dez dias a um ano, fazendo de cinco a 15 paradas, de acordo com a distância que comprou: 26 mil, 29 mil, 34 mil ou 39 mil milhas.
Em geral acostumados a planejar viagens comuns, com poucas paradas, os turistas podem ficar perdidos no globo ao ter a possibilidade de aterrissar em qualquer lugar. Um bom ponto de partida é definir o destino dos sonhos e então traçar uma rota.
Quem sonha em ir para Praga pode escolher a SkyTeam, que tem a Czech Airlines como membro. Os destinos servem como guia, mas nada impede que esse passageiro vá para Praga pela StarAlliance, que, apesar de não ter uma companhia tcheca, conta com as conexões da Lufthansa.
Mas para quem quiser dar a volta pelo hemisfério Sul, partindo do Brasil para a África do Sul e, de lá, para a Ásia, a única opção sem escalas na Europa é a StarAlliance, da South African Airways. Ou ainda quem quiser esquadrinhar o Pacífico Sul deve optar pela OneWorld, da chilena LAN e da australiana Qantas.
Decidida a rota, dá para começar a pensar na próxima viagem.
O sonho dela era ir para o Camboja. O dele, para o Japão. Eles começaram a planejar a tão sonhada viagem: São Paulo-Tóquio-Phnom Penh-São Paulo. Mas descobriram que dar a volta ao mundo saía mais barato.
Carol Ribas, 29, produtora e curadora, e George Queiroz, 28, assistente de direção, vão matar a vontade de visitar os lugares dos sonhos e, além disso, conhecer Cidade do México, Los Angeles (Califórnia), Honolulu (Havaí), Hanói (Vietnã) de onde seguem, por outras vias, para o Camboja-, Bancoc (Tailândia), Phuket (Tailândia), Istambul (Turquia), Colônia e Dusseldorf (Alemanha) e Madri (Espanha).
Eles compraram a passagem de 29 mil milhas da StarAlliance, aliança da qual a Varig é membro. O bilhete foi emitido pela companhia brasileira.
"Como é a menor passagem de volta ao mundo dessa aliança, não podemos fazer navegações mais ousadas, cada trecho é supercalculado, para não extrapolar a milhagem", conta Carol. Assim, para definir o roteiro final da jornada, Carol e George marcaram os lugares dos sonhos no globo e, a partir daí, "o roteiro foi um pouco definido pela "linha reta" entre dois lugares de interesse, já que não podíamos fazer um ziguezague muito grande", conta o casal.
Eles partem para a volta ao mundo em agosto. Serão 15 cidades visitadas ao longo de 67 dias. Eles seguirão viagem no sentido oeste, como fez Phileas Fogg, de "Volta ao Mundo em 80 Dias", de Julio Verne. E, como Fogg, ganharão um dia ao voltar para casa no final da jornada.

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sexta-feira, 28 de abril de 2006

Frases da sabedoria popular






- Diga-me com quem andas...que se for de carro, quero carona.

- É chato ser bonito...mas é muito mais chato ser feio.

- Quem sabe, sabe. Quem não sabe vira chefe.

- O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.

- Não sou um completo inútil ... ao menos sirvo de mau exemplo.

- Há males que vêm para o bem... mas a maioria vêm para o mal mesmo.

- Depois da tempestade... o trânsito pára!

- Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.

- Quando um não quer... o outro insiste!

- Os últimos serão os primeiros... a tomar bronca pelo atraso.

- Às vezes é melhor ficar quieto e deixar que suspeitem que você é um
imbecil do que abrir a boca e confirmar a suspeita.

- Se um homem bate na mesa e grita, está impondo controle. Se uma mulher faz
o mesmo, está perdendo o controle.

- Eu queria morrer como o meu avô: dormindo tranqüilo, e, não, gritando
desesperadamente, como os 40 passageiros do ônibus que ele dirigia!

- Diga-me com quem andas que eu te direi se vou contigo.

- Que contradição: para desligar o computador clica-se no menu 'iniciar'.

- Canela: dispositivo para encontrar objetos no escuro!

- Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam... Não é
bonito, mas é profundo.

- Errar é humano. Colocar a culpa em alguém, então, nem se fala.

- Deixei a bebida. O ruim é que não lembro onde!?

- A mulher que não tem sorte com os homens não sabe a sorte que tem.

- Trabalhar nunca matou ninguém, mas... por que arriscar? ]

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quinta-feira, 27 de abril de 2006

Canais de Áudio DirecTV


889 89 FM
747 BLUES
739 BRASIL POP 40
717 CLÁSSICOS DO ROCK
743 COUNTRY
711 DANCE
883 ELDORADO AM
885 ELDORADO FM
721 HARD ROCK
715 HITS 70
713 HITS 80
751 JAZZ
753 JAZZ CONTEMPORANEO
707 LOVE SONGS
735 MPB
759 MUSICA CLASSICA
757 MUSICA INSTRUMENTAL
755 NEW AGE
761 OPERA
705 POP INTERNACIONAL
703 POP TEEN
749 R&B
745 REGGAE
841 RFI
719 ROCK
733 ROCK POP NACIONAL
737 SAMBA, PAGODE & CIA
709 SUCESSOS DO CINEMA
723 SUCESSOS EUROPEUS
725 SUCESSOS ITALIANOS
727 TANGO

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quarta-feira, 26 de abril de 2006

Quarta-feira

Quarto dia da semana litúrgica e terceiro da civil. Chamada pelos romanos de dies Mercurii em homenagem ao deus Mercúrio.

Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

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terça-feira, 25 de abril de 2006

POR QUE SENTIMOS PRAZER QUANDO NOS COÇAMOS?



Coçar o corpo pode ser gostoso porque anulamos uma sensação incômoda a coceira. Nossa pele tem terminações nervosas sensíveis a estímulos químicos (detonados por substâncias) ou físicos (como arranhões, beliscões ou perfurações). Esses receptores se dividem em dois tipos: os de dor e os de coceira. Se sentimos coceira e arranhamos suavemente a pele, são ativados os receptores de dor, o que inibe o prurido. Isso porque, no caminho para o cérebro, dor e coceira trafegam pela mesma via de fibras dentro da medula espinhal, mas não ao mesmo tempo - e a dor tem a preferência nessa "estrada". A sensação também depende da intensidade do estímulo. Pegar pesado demais na coçada pode machucar e doer de verdade.

A dermatologista Vanessa Feghali De Lucca dá um exemplo: "A picada de uma formiga pode causar uma coceira. Já a de um marimbondo dá dor". A coceira ainda não foi completamente decifrada pela ciência, justamente por se tratar de um mecanismo muito similar à dor. Um dos maiores avanços nessa área aconteceu em 1997, quando a equipe do cientista alemão Martin Schmelz identificou os receptores específicos para a coceira. Entre as principais causas da coceira estão as reações alérgicas, como as que ocorrem com picadas de insetos, ingestão de alimentos estragados ou rejeição a algum medicamento. "Essas reações ativam o sistema imunológico e, com isso, há a liberação de uma substância chamada histamina", exemplifica a neurologista Valéria Santoro Bahia, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
A histamina estimula quimicamente os receptores da coceira da pele, causando uma comichão intensa. Dar uma coçadinha de vez em quando faz bem: "Além de aliviar a coceira, esfregar a pele aumenta o fluxo sanguíneo na região e melhora a defesa imunológica da área afetada", afirma a médica Valéria. Entretanto, é bom não abusar, pois coçar demais a pele pode causar infecções secundárias e feridas.

Por que a picada coça?

1. PICADA VENENOSA

Ao picar uma pessoa, o inseto injeta nela substâncias tóxicas. Células de defesa chamadas mastócitos percebem o veneno e explodem. Assim elas liberam uma substância chamada histamina

2. A REAÇÃO DO CORPO
Solta na corrente sanguínea, a histamina provoca inchaço e estimula receptores nervosos, causando a coceira

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segunda-feira, 24 de abril de 2006

Traição à mineira



O amigo chega pro Zé e fala:
O Zé, sua muie ta te traino com o Arcides.
- Magina !!!... Ela num me trai não. Ce ta inganado.
Oia Zé !!!... Toda veiz que oce sai pra trabaia, o Arcides vai pra sua casa
e prega ferro nela.
- Duuuvido !!!...
Ele num teria corage...
- Maiiis teve !!!... Pode cunfiri...
Indignado com que o amigo diz, o Zé finge que sai de casa e se esconde
dentro do guarda roupa. O Zé fica olhando pela fresta da porta do
guarda-roupa que esta entreaberta e, logo em seguida ve... Sua muie leva o
Arcides para dentro do quarto e cumeça a sacanagem. Mais tarde ele encontra
com o amigo, que lhe pergunta o que houve, enquanto o Zé relata cabisbaixo;
- Foi terriver... Ela jogou ele na cama, tirou a brusa... e os peito caiu.
Tirou a carcinha... ai a barriga e a bunda dispencaro!!!... Tirou as meia...
e aparece aquelas varizaiada toda, as perna tudo cabiluda... E eu la dentro
do guarda roupa, com as maos no rosto, dizia:
- Ai, meu Deus !!!... Qui vergonha que eu to do Arcides !!!

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domingo, 23 de abril de 2006

O DIREITO DE MORRER (FINAL)


Três anos depois, Humphry escreveu o livro Jean’s Way, contando essa história. "Desde então, tenho lutado para que todos tenham o direito de morrer com dignidade", diz. Em 1991, ele lançou outro best-seller: Final Exit, que saiu em 1994 no Brasil como Solução Final. Nessa obra polêmica, o jornalista vai além de defender a eutanásia ensina como se matar, dá as doses certas de cada medicamento e sugere que o doente use um saco plástico na cabeça, para que a asfixia diminua as chances de um suicídio malsucedido.

Gente como Humphry, Benjamin e Kevorkian atraem a ira dos militantes antieutanásia. Nos Estados Unidos, a polêmica é levada muitas vezes em clima de guerra. O panorama não é muito diferente na Bélgica, que se prepara para votar uma lei semelhante à que está para ser aprovada na Holanda, ou na Suíça, que aceita o suicídio assistido. Na Austrália, o debate também é quente. Em 1995, uma das regiões do país, o Northern Territory, chegou a legalizar a eutanásia, mas só houve tempo para que duas pessoas morressem dessa forma. Em 1997, em meio a muitos protestos, o Senado australiano cancelou a lei. Na América Latina, há um único país onde o debate está na mídia: a Colômbia. A Constituição dos nossos vizinhos amazônicos aceita a eutanásia, mas a lei ainda não está em prática porque não foi regulamentada. Enquanto isso, nenhum médico colombiano pode ser processado por praticar a "morte piedosa". Lá, a julgar por uma pesquisa recente realizada na internet, 54% da população é favorável à eutanásia.

"Eutanásia se faz em toda parte. Nós, na Holanda, somos apenas os únicos a reconhecer e regulamentar", afirma o professor Van der Wal, da Universidade Livre de Amsterdã. "Em algum momento, com a medicina cada vez mais capaz de prolongar a vida e cada vez mais pessoas chegando à velhice, todos os países do mundo, inclusive o Brasil, terão que abordar o tema abertamente", diz.

O médico Marco Segre,ex- presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, concorda com Van der Wal. "Essa é uma das discussões mais importantes para o futuro da medicina", diz. "O que está em jogo é o respeito à individualidade e a solidariedade com a dor. Não podemos mais ignorar o debate." Segre defende a autonomia do paciente e se coloca favorável à eutanásia, desde que ela seja decidida pelo próprio doente. "Mas entendo que os médicos que lutam todos os dias contra a morte tenham dificuldade em se imaginar tirando a vida de alguém", diz.

É o caso do neurocirurgião José Oswaldo de Oliveira Júnior, do Hospital do Câncer, em São Paulo. "É mais fácil para um teórico falar com naturalidade de eutanásia", diz. "É como um general falando da guerra. Para nós, soldados, que sujamos as botas na lama todo dia é muito difícil pensar nisso. Às vezes um familiar me diz que não sabe se reza para o doente viver ou morrer. Eu digo: ‘Acenda duas velas. Reze para que aconteça o melhor para ele.’ Não dá para decidir."

José Oswaldo trabalha numa área que era até há pouco tempo praticamente ignorada pela medicina e que hoje está adquirindo uma importância enorme dentro dos hospitais: o combate à dor. "Hoje conseguimos controlar a dor em 96% dos pacientes, usando drogas novas e outras antigas que, no passado, eram vistas com preconceito, como a morfina. Nosso trabalho não é dar mais dias à vida - é dar mais vida aos dias." É compreensível que um profissional como ele, que se dedica a proporcionar algum conforto aos desesperançados, não consiga encarar com tranqüilidade a morte como alívio. "Morrer não é uma opção terapêutica. Quando o paciente diz ‘me mata’, ele quer socorro, não quer morrer."

A nova ênfase da medicina no controle da dor é um dos melhores argumentos "pró-vida". Mas os defensores do direito à escolha não se dão por satisfeitos. "É maravilhoso que hoje se consiga controlar a dor de quase todos os pacientes", diz o escritor Derek Humphry. "Mas, mesmo assim, sobram 4% que vão sofrer. Esses têm direito a uma escolha."

Outro avanço da medicina que tem sido usado para combater a eutanásia é a melhor compreensão do cérebro. "Pessoas que querem morrer geralmente estão deprimidas", afirma a psiquiatra Maria Teresa da Cruz Lourenço, também do Hospital do Câncer. "E depressão é uma doença que pode ser tratada com remédios cada vez mais eficientes." Assim como José Oswaldo, Maria Teresa está na linha de frente da batalha contra o sofrimento - só que o psíquico. "Jamais tive um paciente que quisesse morrer de forma tão firme que sua convicção resistisse a uma longa conversa ou a remédios apropriados", diz.

Mas, por mais que se trate a dor e a depressão, é inevitável que haja pacientes que continuem vendo o tempo de vida que lhes resta como uma experiência horrível e que desejem abreviá-lo. Ou seja, a questão de fundo persiste: independente do que a medicina possa oferecer, eles têm o direito de escolher o jeito e o momento de morrer? Indo mais longe: pacientes que não são terminais também podem recusar a vida que lhes é oferecida? Veja o caso do inglês James Haig, relatado no livro Solução Final. Até os 24 anos, quando um acidente de moto o deixou paralisado do pescoço para baixo, ele era um atleta. James sabia que muitos tetraplégicos e quadriplégicos conseguem vencer a paralisia e encontrar razões para viver. Mas ele não está interessado: simplesmente decidiu morrer.

Isso sem falar na tortura psicológica. "Não há nada pior do que a sensação de morte iminente. O doente sabe que vai morrer e isso não é fácil", diz o oncologista paulista Riad Younes. Ele é especialista no mais terrível dos cânceres, o de pulmão, que lhe rouba 85% dos pacientes. Já viu muita gente morrer. E conta que a maioria dos doentes terminais passa as noites em claro, não por causa da dor, mas pelo pavor de algo acontecer quando não houver ninguém por perto para socorrê-lo. Essa tensão, segundo Riad, é muitas vezes insuportável.

O câncer de pulmão é um assassino rápido mata em meses. O que dizer de enfermidades lentas e ainda mais implacáveis, como o Mal de Alzheimer, que destrói progressivamente o cérebro? Essa doença leva, em média, oito anos para matar. E é cruel. Nos últimos três ou quatro anos, o paciente perde a consciência e definha até que alguma infecção impeça a respiração. A questão: depois dessa fase, há alguma vantagem em manter o paciente vivo? "Não", diz o neurologista Paulo Caramelli, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. "Se encontrarem a cura, vai levar cinco anos para que comecemos a salvar vidas. E, mesmo assim, só nos casos novos. Não vamos salvar quem já está em estágio avançado." Seria melhor se eles morressem então? "Não posso parar para pensar nisso. Não cabe a mim decidir."

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sábado, 22 de abril de 2006

O DIREITO DE MORRER (PARTE 2)


Essa discussão, no Brasil, ainda é entendida como sacrilégio. A maioria dos médicos continua tentando até o final prolongar a vida do paciente, mesmo que isso signifique mais sofrimento. "Encher a pessoa de tubos e martirizá-la com tentativas heróicas de reanimação quando não adianta mais nada serve mais à consciência do médico do que ao paciente. É egoísmo", afirma a médica Beatriz de Camargo, especialista em câncer infantil e ardorosa defensora do que chama de "morte digna". Beatriz se depara freqüentemente com um dilema quando trata crianças: uma infecção que surge quando a doença já está na fase terminal. "Nesse caso, normalmente não tentamos curá-la. Tratamos apenas de dar conforto. Mas a decisão é do paciente e da família. Quando eles querem, temos que esgotar todos os recursos."

Mesmo alguns representantes da Igreja Católica, que tem uma postura radicalmente contrária à eutanásia, admitem a relevância desse tipo de discussão. É o caso do padre Léo Pessini, membro da Ordem de São Camilo o santo italiano que, no século XVI, cuidava dos doentes terminais e cujos seguidores são conhecidos como "os padres da boa morte" ("boa morte", aliás, é o significado em português da palavra grega "eutanásia"). "O tema é interessante porque traz à cena a questão da humanização da morte", diz Pessini, especialista em bioética (campo da filosofia que reflete sobre questões biológicas). Pessini, que conviveu de perto, por 12 anos, com doenças terminais era capelão do Hospital das Clínicas, em São Paulo-, refere-se também à tendência crescente da vida moderna, refletida na medicina tradicional, de virar as costas para a dor e a agonia. "Temos que aceitar que a vida tem um fim. Não existe cura para a morte", diz. Por mais incríveis que sejam os avanços da medicina, por mais futuristas que sejam as luzinhas e os bip-bips das UTIs, a morte, como reza o ditado, chega para todos.

A questão complica quando se começa a discutir quem é que decide como e quando a morte deve acontecer. Para a Igreja, não há dúvidas: Deus nos deu a vida e só cabe a Ele tirá-la. Não são só os cristãos, maioria no Brasil, que pensam assim - quase todas as grandes religiões acreditam na sacralidade da vida. Mesmo sem levar Deus em conta, no entanto, há outros argumentos usados freqüentemente para negar ao indivíduo o controle sobre essa decisão fundamental. "A vida não é um bem próprio, pessoal. Trata-se de um bem comunitário que pertence à sociedade", afirma o jurista Celso Ferenczi, professor de direitos humanos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Para ele, a eutanásia não viola apenas a lei divina é uma afronta também à lei humana. "O que se chama de morte piedosa vai contra a declaração dos direitos humanos da ONU", diz. A declaração estabelece o direito fundamental à vida. Esse tipo de direito é inalienável, ou seja, não se pode abrir mão dele. Como os direitos humanos são cláusula pétrea de nossa Constituição, não podem ser modificados nem se todos os deputados votarem a favor - só uma nova Assembléia Constituinte teria poder para aboli-los. "A legalização da eutanásia seria inconstitucional", afirma Celso.

"Essa interpretação da Constituição é hipócrita. Na prática, não há vida quando não há perspectiva de vida com qualidade", afirma o senador Gilvam Borges, do PMDB do Amapá, autor do único projeto de lei sobre o assunto tramitando no Congresso um texto de 1996 nunca colocado em votação. Ele propõe que a eutanásia seja permitida desde que uma junta de cinco médicos ateste a inutilidade do sofrimento físico ou psíquico do doente. O próprio paciente teria que requisitar a eutanásia. Se não estiver consciente, a decisão caberia a seus parentes próximos. Nem o senador tem esperanças de que o projeto vingue. "Essa lei não tem nenhuma chance de ser aprovada", diz Gilvam.

Segundo o deputado federal Marcos Rolim, "ninguém quer discutir a eutanásia porque isso traz prejuízos eleitorais". Rolim, que é do PT gaúcho,

A situação é bem diferente nos Estados Unidos. Lá, como aqui, a eutanásia é proibida. O suicídio assistido também é ilegal em 49 dos 50 estados - apenas o Oregon permite que os médicos forneçam os comprimidos letais. Mas ninguém faz silêncio - o tema mobiliza dezenas de associações "pró-vida" (contra o suicídio assistido e a eutanásia) e "pró-escolha" (a favor). Esses últimos clamam pela liberdade do indivíduo em decidir seu destino. Aqueles alertam para um risco: legalizar a eutanásia abriria um precedente que acabaria justificando, mais adiante, a eutanásia não-consentida. Daí para a execução sumária de deficientes e um novo holocausto, defendem os ativistas "pró-vida", seria um passo.

O personagem mais famoso dessa guerra de opiniões é Jack Kevorkian, o "Doutor Morte". Médico idealista para uns, psicopata para outros, Kevorkian conduziu a morte assistida de 130 pessoas e hoje cumpre pena de prisão perpétua no Estado de Michigan, Estados Unidos . Um outro soldado da causa "pró-escolha" é Bry Benjamin, 76 anos, um clínico de Nova York especializado em saúde pública. No começo dos anos 70, quando a discussão sobre eutanásia era tão velada nos Estados Unidos quanto é hoje no Brasil, um casal de idosos o teria procurado. Os dois estavam com câncer e alegavam sofrer muito. Queriam que o médico os ajudasse a morrer. Benjamin conta que sofreu para tomar a decisão, mas acabou concordando. (Para sorte dele, nenhum promotor se animou a processá-lo.)

De lá para cá, o médico decidiu parar de desafiar a Justiça, mas continuou orientando os que desejam morrer. "Não há nenhuma lei que me proíba de conversar sobre a morte", diz. "Conversar", no caso, significa receber pacientes terminais e ensiná-los a realizar o suicídio. "Eu não convenço ninguém a morrer. Mas digo quais remédios eles devem tomar e onde eles podem encontrar as pílulas", diz Benjamin. Esse tipo de assistência, segundo ele, evita que o doente desesperado tenha que apelar para formas de suicídio mais dolorosas ou degradantes.

Um dos casos que Benjamin acompanhou foi o de uma mulher de 38 anos que enfrentava longas e desconfortáveis sessões de hemodiálise havia quase duas décadas. Um dia, segundo ele, ela o procurou e disse que não agüentava mais: queria parar. Benjamin teria respondido que não poderia dizer a ela o que fazer, mas que, se ela não fosse mais à hemodiálise, ele a ajudaria a não sofrer. Assim como no Brasil, nos Estados Unidos o paciente tem o direito de recusar um tratamento, ainda que isso implique na sua morte. A paciente parou com as sessões e morreu em casa, assistida pelo médico e, segundo ele, sem dor.

Outro militante "pró-escolha" é o escritor inglês Derek Humphry, um sujeito bem mais controvertido que Benjamin, embora não tanto quanto Kevorkian. Em 1975, quando Humphry trabalhava como repórter em um jornal de Londres, sua esposa Jean, depois de lutar por anos contra um doloroso câncer de mama, decidiu se render. Pediu ao marido que a ajudasse a morrer. Ele procurou um médico que entrevistara anos antes para uma reportagem e pediu que ele conseguisse a "pílula negra" (expressão usada para qualquer remédio que causa a morte.) Depois, deixou que Jean tomasse o veneno. Só houve tempo para que ela murmurasse "adeus, meu amor" antes de adormecer. Seu coração parou em 50 minutos.

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sexta-feira, 21 de abril de 2006

O DIREITO DE MORRER (PARTE 1)


A gaúcha Eulália era uma senhora ativa que não parava em casa. Aos 63 anos, perdeu o marido. Dali em diante, sua vida mudou. Era vista pedindo a Deus que a levasse logo. Foi acometida de uma osteoporose e ficava cada vez mais tempo na cama, definhando, gemendo de dor. Com os anos, perdeu a lucidez e passou a confundir até os rostos mais familiares. Teve que começar a usar fraldas. E chorava com a humilhação de depender dos parentes para tudo. Matriarca de uma família de médicos, dona Eulália foi bem assistida. Aos 75 anos, seu quarto se transformou em um leito de hospital. Ela passou a se alimentar por sonda, a receber soro. Até que entrou em coma, vítima de mau funcionamento dos órgãos e da alimentação insuficiente.

Um dia, um dos médicos da família observou seus reflexos e concluiu que, embora o coração continuasse batendo firme e a respiração não desse sinais de fraqueza, dona Eulália jamais se recuperaria do coma. A profissão lhe dava acesso a medicamentos controlados e ele conseguiu morfina. Um dos parentes aplicou a injeção no braço da doente. A respiração dela foi ficando cada vez mais espaçada. Quinze minutos depois, dona Eulália inspirou suavemente. Nunca mais soltaria o ar.

Essa história é verdadeira, exceto pelo nome da paciente. Aconteceu em 1995. Se tivéssemos publicado o nome real de dona Eulália, os parentes dela poderiam ser processados por homicídio. A pena acabaria atenuada pelo fato de o crime ter sido cometido "por relevante valor social ou moral", como prevê o Código Penal. Mesmo assim, o médico que aplicou a injeção arriscaria passar de quatro a 17 anos na cadeia. Além disso, seria julgado pelo conselho de medicina local, que certamente cassaria sua licença e o proibiria de exercer a profissão. (No atestado de óbito de dona Eulália lê-se "morte natural".)

Ninguém sabe dizer se casos como esse são uma raridade no Brasil ou se são, por aqui, tão comuns quanto na Holanda - onde pelo menos 3,5% das mortes anuais são apressadas por um médico. Lá, na terra dos moinhos e dos tamancos, a Câmara Alta (que equivale ao nosso Senado) prepara-se para votar, uma lei que vai legalizar a eutanásia morte provocada pelo médico, com o consentimento do paciente, quando o sofrimento físico ou psíquico é incurável e insuportável e o suicídio assistido morte nas mesmas circunstâncias, só que provocada pelo próprio paciente.

"A aprovação é quase certa, já que 92% da população é a favor da legalização da eutanásia", diz o professor de medicina social Gerrit van der Wal, da Universidade Livre de Amsterdã. A Câmara Baixa daquele país (equivalente à nossa Câmara dos Deputados), já tinha votado a favor da nova lei. Mas, mesmo antes, eutanásia e suicídio assistido eram tolerados na Holanda. É que, em 1993, entrou em vigor uma lei que garantia que nenhum médico seria processado por realizar a eutanásia desde que seguisse algumas regras e que comunicasse tudo à Justiça. Em 1995, uma enorme pesquisa foi feita na Holanda. Os médicos tinham a garantia de que não seriam processados se falassem a verdade. O resultado: de um total anual de 140 000 óbitos, 3 600 tinham ocorrido por meio de eutanásia autorizada pelo doente, 400 por suicídio assistido e 900 por eutanásia não-consentida (sem a concordância explícita do paciente, por ele estar em coma irreversível, por exemplo, como aconteceu com dona Eulália algo que a nova lei holandesa não prevê e que provavelmente continuará proibido naquele país).

Enquanto isso, por aqui, ninguém toca no assunto. Nem nos corredores dos hospitais, nem nas salas dos tribunais nem nos laboratórios das universidades. Raramente se discute a eutanásia no Congresso ou nas páginas dos jornais. É como se essa questão, que desafia a ética e a medicina, não existisse. Só que ela existe. Como em qualquer lugar, no Brasil tem gente que acha que tem o direito de escolher como e quando quer morrer. E como em qualquer outro país, aqui se pratica a eutanásia. Em que medida, não é possível dizer. É que não há dados. Eis o grande problema causado pelo silêncio que se faz a respeito no país: a falta de informação. Como resultado, as opiniões sobre o tema, quando há, são poucas e pouco informadas.

Uma sondagem na internet aponta um empate técnico no cenário brasileiro: 50,4% dos 14 915 internautas que responderam à enquete se puseram contra a legalização da eutanásia e 49,6%, a favor. No Canadá, 76% da opinião pública é a favor. Na Austrália, 81%. Nos Estados Unidos, 57%.

Mais números relevantes: de acordo com uma grande pesquisa realizada em 1997 por várias universidades americanas em hospitais daquele país, 40% das pessoas morrem sentindo dores insuportáveis; 80% enfrentam fadiga extrema; e 63% passam por grande sofrimento físico e psíquico ao deixar a vida. Não há razões para crer que a situação seja diferente no Brasil, onde, pelo menos nas grandes cidades, se pratica o mesmo tipo de medicina e as causas de morte são semelhantes. Ou seja: a morte tem sido, na maioria dos casos, uma experiência dramática e dolorosa. Daí a importância de discutir a eutanásia: será que você tem o direito de morrer de outro jeito?

Um dos motivos pelos quais não se fala muito a respeito, especialmente no ambiente médico, apesar de o tema interessar a todo mundo, é o dinheiro. Queiramos ou não, morrer custa caro. Definhar num hospital, sai, em média, 2 000 reais ao dia seis vezes mais se for numa UTI. (Nos Estados Unidos, 75% das mortes ocorrem em hospitais e um em cada três pacientes terminais passam pelo menos 10 dias em UTIs.) Nos seus últimos seis meses, segundo Daniel Deheinzelin, diretor clínico do Hospital do Câncer, em São Paulo, o paciente torra, em média, com médicos, remédios e hospitais, mais do que gastou com saúde em toda a sua vida. Nos Estados Unidos, segundo pesquisa recente da Time/CNN, nada menos do que um terço das pessoas leva a família à falência ao morrer.

"O fato, inegável, é que os recursos para a saúde são finitos e temos que decidir como gastá-los da melhor maneira possível", diz Daniel. "Ignorar essa discussão é hipocrisia." Ele se refere àqueles casos em que se sabe que o tratamento não vai resolver nada e em que ele é levado adiante mesmo assim. "Às vezes, isso é feito para o médico poder dizer à família que tentou de tudo. Às vezes, é para cobrar mais", diz Daniel. "Antes de discutir a legalização da eutanásia, temos que ter a coragem de estabelecer critérios claros para interromper tratamentos que não estão funcionando ou para não começar novos."

Na Inglaterra, essa discussão está pegando fogo. O governo acaba de resolver que não pagará mais hemodiálise para pessoas acima de 65 anos. Os britânicos sabem que, com isso, muita gente vai morrer. Mas decidiram que o dinheiro, um recurso sempre limitado, seria mais útil se investido, por exemplo, numa campanha antifumo, que tende a salvar um número bem maior de vidas. "Não estou dizendo que os ingleses estejam certos", diz Daniel. "Mas não adianta fugir da discussão, como se houvesse leitos, médicos e equipamento para todo mundo."

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quinta-feira, 20 de abril de 2006

Pimenta nos olhos dos outros é refresco!



Um prisioneiro consegue fugir da penitenciária depois de 25 anos preso.
Ele entra numa casa e pega um casal jovem dormindo no quarto.
Ele amarra o marido numa cadeira num lado do quarto e a mulher na cama do outro lado.
Ai ele vai na cama e beija o pescoço da mulher.
Mas de repente ele levanta e sai do quarto.
O marido, falando o mais baixo possível,diz a sua bela mulher:
- Querida, este cara não vê uma mulher há anos.
Eu vi ele te beijando no pescoço e depois saindo às pressas.
Por favor, coopera com ele.
Se ele quiser transar com você, aceite e finja que está gostando.
Mas por favor não bata nele nem deixe-o nervoso.
Nossas vidas dependem disso!
- Querido, responde a mulher, ainda bem que você pensa assim.
Você tá certo, ele não vê uma mulher há anos.
Ele não estava me beijando no pescoço, ele estava sussurrando no meu ouvido.
Ele disse que achou você lindo e perguntou se tinha vaselina no banheiro, eu disse que sim e ele foi buscar,
seja bonzinho tá?!!!

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Vídeo do dia (duplo-clique para ver)

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terça-feira, 18 de abril de 2006

Terça-feira

Terceiro dia da semana liturgica. No calendário romano, chamava-se dies Martis, em homenagem a Marte, deus da guerra.

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segunda-feira, 17 de abril de 2006

Links interessantes de alimentação

www.vegan.com
Em inglês, o site é mantido pelo escritor e ativista em defesa dos animais Erik Marcus e trata do estilo de vida "vegan": pessoas que não ingerem nenhum tipo de comida animal, incluindo leite, ovos e mel e evitam também couro de vacas, lã, seda e qualquer produto que implique a morte ou o confinamento de animais.

www.nutriveg.com.br
Empresa de consultoria em São Paulo especializada em nutrição vegetariana, dirigida pelo nutricionista Dr. George Guimarães.


www.sabordafazenda.com.br
Site da empresa Sabor da Fazenda de São Paulo, que promove cursos de horta de ervas e jardinagem para crianças.

www.hortavertical.com.br
Projeto Horta Vertical Orgânica, que pretende difundir a técnica de cultivo orgânico em regiões urbanas, onde há ao pouco espaço para a manutenção de hortas convencionais.

www.gomf.macrobiotic.net
Site em inglês da George Ohsawa Macrobiotic Foundation, nos Estados Unidos.

www.kushiinstitute.org
Site em inglês do Kushi Institute de alimentação macrobiótica, nos Estados Unidos.

www.cnpso.embrapa.br
Site da Embrapa Soja, em Londrina, Paraná, divisão de estudo e desenvolvimento do grão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

www.svb.org.br
Site da Sociedade Vegetariana Brasileira com representantes em todo o país.

www.sescsp.org.br/sesc/mesabrasilsp
Site do Programa Mesa Brasil de combate à fome e ao desperdício de alimentos.

www.planetaorganico.com.br
Site de notícias e informações sobre alimentos e produtores orgânicos de todo o país

www.ibd.com.br
Site do Instituto Biodinâmico, que certifica produtores de alimentos orgânicos.

www.aao.org.br
Site da Associação de Agricultura Orgânica, que funciona em São Paulo.

www.abio.org.br
Site da Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro.

www.yamaguishi.com.br
Site da Vila Yamaguishi, em Jaguariúna, São Paulo, que produz exclusivamente alimentos orgânicos.

www.oldwayspt.org
Site em inglês da ONG Oldways Preservation and Exchange Trust, que procura transformar a ciência da nutrição em linguagem mais simples e familiar de alimentação.

www.teacouncil.co.uk
Site em inglês do Tea Council, um espécie de Conselho do Chá, criado na Grã-bretanha para promover a erva ao redor do mundo.

www.nutricaoclinica.com.br
Site do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN), empresa de consultoria, em São Paulo, capital.

www.rgnutri.com.br
Site da empresa de consultoria em alimentação e nutrição RG Nutri de São Paulo, capital.

www.nutritotal.com.br
Portal Nutritotal sobre nutrição clínica desenvolvido por profissionais especializados em nutrição clínica e em divulgação científica e dirigido a profissionais de saúde.

www.ivu.org/congress/2004
Site sobre o 36º. Congresso Vegetariano Mundial que aconteceu em Santa Catarina em novembro de 2004.

www.eisenbahn.com.br
Site da Cervejaria Eisenbahn de Blumenau, em Santa Catarina, que produz cervejas orgânicas.

www.foodandmood.org
Site em inglês do The Food and Mood Project da Grã-bretanha, um projeto que se propõe a estudar a influência dos alimentos que comemos sobre nossos sentimentos.

www.mentalhealthproject.com
Site em inglês do Mental Health Project, um projeto norte-americano que pretende informar as pessoas sobre o papel da nutrição na saúde mental.

www.biobrazilfair.com.br
Site da Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia Bio Brazil Fair, que acontece anualmente em São Paulo, capital.

www.cybercook.com.br
Portal com informações e dicas sobre culinária, gastronomia, alimentação, etc.

www.basilico.com.br
Site Basílico sobre gastronomia com informações, dicas, receitas, guia de restaurantes e cursos.

www.guiavegano.com.br
Portal Vegano de informações sobre o estilo de vida vegetariano.

www.deloonix.coml.br
Site do restaurante Deloonix em São Paulo, que inclui no cardápio receitas de "Raw Food".

www.vegetarianismo.com.br
Portal de troca de informações sobre o estilo de vida vegetariano.

www.rawfood.com
Site em inlês sobre o estilo de vida vegetariano.

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domingo, 16 de abril de 2006

QUEM FOI JESUS? (FINAL)


Messias de um novo Reino

Se o rei Herodes Antipas precisasse se candidatar para se manter no poder na Galiléia no tempo de Jesus, seus assessores de marketing o venderiam como o "realizador de grandes obras" e seu slogan provavelmente seria "Herodes faz". No seu governo (4 a.C. a 39 d.C.), enormes palácios foram construídos na Galiléia, muitos deles para abrigar a elite judaica que dominava a imensa massa de judeus pobres na região. O esquema de poder na Galiléia, assim como em outras regiões de Israel, funcionava num sistema de clientela: para reinar, Herodes contava com o apoio dos romanos. Estes, por sua vez, exigiam em troca que ele recolhesse impostos para Roma e se responsabilizasse pela repressão de qualquer movimento de contestação ao poder imperial. Sob essas condições, Roma permitia que os judeus cultuassem o seu Deus único, Javé, em vez de celebrarem as várias divindades do panteão romano.

Estando bom para ambas as partes, o equilíbrio de poder era mantido. "O problema é que apenas os romanos e uma elite sacerdotal judaica eram beneficiados", diz o professor André Chevitarese. "A maioria dos judeus tinha que trabalhar cada vez mais para sustentar essas duas classes."

Ninguém sabe ao certo até que ponto Jesus começou a sua pregação motivado por esse sentimento de injustiça social. Até mesmo porque a tentativa de retratá-lo como um revolucionário político (e não um líder espiritual) parece fazer pouco sentido considerando-se a época em que ele viveu. "Essa distinção de uma consciência política separada da espiritualidade é uma invenção dos pensadores ocidentais modernos, como Maquiavel", diz Chevitarese. "Para os movimentos apocalípticos de então, o modelo de sociedade perfeita é o Reino de Deus, algo que para essas pessoas estava prestes a se concretizar."

Os estudiosos dizem que há uma dificuldade natural de quem vive nas sociedades modernas de entender a verdadeira dimensão da palavra apocalipse na época de Jesus. "Algumas pessoas hoje entendem o apocalipse como um futuro distante, o fim dos tempos que chegará somente quando todos estiverem mortos", diz Paulo Nogueira, professor de Literatura do Cristianismo Primitivo da Universidade Metodista de São Paulo. "Na época de Jesus, os movimentos apocalípticos viam esse futuro como algo para daqui a alguns dias, quando o Reino dos Céus fosse se sobrepor ao Reino da Terra." Enfim, era preciso se preparar logo.

Para os judeus pobres, estava claro que o tal reino terrestre prestes a ruir era aquele formado por Roma, pelos governantes locais e pela elite judaica representada pelo suntuoso Templo de Jerusalém. E o que as pessoas deveriam fazer para se preparar para o advento do novo reino? Um bom começo era ouvir as profecias de um dos mais conhecidos pregadores da época: João Batista. "Naquele tempo, a figura de João Batista era mais importante do que a de Jesus, que somente se tornou uma ameaça a Roma depois da crucificação", diz o historiador John Dominic Crossan. Depois de ouvir suas profecias, as pessoas podiam se preparar para a chegada da nova era submetendo-se a um ritual de imersão na água: o famoso batismo de João Batista.

"Ao entrar e sair da água, as pessoas sentiam-se como se estivessem deixando para trás os pecados e renascendo purificadas para o novo reino de Deus", diz Nogueira. (Não é à toa que algumas igrejas até hoje só batizam o fiel quando ele já é adulto - e tem consciência da força do ato como marca da conversão.)

A maioria dos historiadores acredita que João Batista, de fato, deve ter batizado Jesus adulto. "Afinal, não deve ter sido fácil para os evangelistas explicar por que o messias foi batizado, já que, como enviado de Deus, ele é que devia batizar os outros", diz o historiador André Chevitarese. Mas ele explica que o evangelho logo "resolve" a polêmica ao narrar que, na hora do batismo, a pomba do Espírito Santo aparece sobre Jesus e João Batista diz que ele é que deveria ser batizado.

"As fontes que estão nos ajudando a compreender esses movimentos apocalípticos são os manuscritos do mar Morto", diz Paulo Nogueira. Descobertos em 1947, os manuscritos foram encontrados no convento de Qumran, uma espécie de condomínio de cavernas habitado pelos essênios, grupos de judeus que viviam como monges seguindo uma rígida disciplina de orações e uma dieta rigorosa. "Apesar de os manuscritos não revelarem nada diretamente sobre Jesus, eles mostram como os cultos apocalípticos já estavam disseminados nessa época", diz Nogueira. Há até quem defenda a hipótese de que Jesus tenha tido uma ligação direta com os essênios.

Do que os crentes e céticos parecem não ter dúvida é que o batismo de João Batista foi um divisor de águas na vida de Jesus. A partir dali, ele teria se retirado para o deserto para depois dar início à trajetória de sermões e milagres que o levaria à condenação na cruz.

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sábado, 15 de abril de 2006

QUEM FOI JESUS? (PARTE 2)


Um Presépio Diferente

Imagine que no Natal você pudesse entrar numa máquina do tempo para visitar Jesus recém-nascido (quem conhece o argumento da série Operação Cavalo de Tróia, do escritor J. J. Benítez, sabe que a idéia não é original). Se isso fosse possível, os arqueólogos garantem que você teria algumas surpresas. A primeira delas teria relação com a data da viagem. Ao programar a engenhoca para o ano zero, provavelmente você iria se deparar com um menino de quatro anos. É que Jesus deve ter nascido no ano 4 a.C. o calendário romano-cristão teria um erro de cerca de quatro anos. Tampouco adiantaria chegar em Belém no dia 25 de dezembro. Em primeiro lugar, porque ninguém sabe o dia e a data em que Jesus nasceu. O mês de dezembro foi fixado pela Igreja no ano 525 porque era a mesma época das festas pagãs de Roma.

E o segundo problema, ainda mais grave, é que provavelmente Jesus não nasceu em Belém. "Há quase um consenso entre os historiadores de que Jesus nasceu em Nazaré", diz o padre Jaldemir Vitório, do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte. Então por que o evangelho de Mateus diz que o nascimento foi em Belém? Vitório explica que o texto segue o gênero literário conhecido por midrash. Basicamente, o midrash é um forma de contar a história da vida de alguém usando como pano de fundo a biografia de outras personalidades históricas. No caso de Jesus, ele explica, a referência a Belém é feita para associá-lo ao rei Davi do Antigo Testamento que, segundo a tradição, teria nascido lá. Mas as associações não parariam por aí.

Assim como o nascimento em Belém, a terrível execução de recém-nascidos ordenada por Herodes e a fuga de Maria e José para o Egito também teriam sido uma "licença poética do texto", dessa vez para simbolizar que Jesus é o novo Moisés já que essa narrativa é bem semelhante ao que se contava da vida do patriarca bíblico. "Isso não foi uma criação maquiavélica para glorificar Jesus, era apenas o estilo literário da época", diz Vitório. Até os simpáticos três reis magos estariam ali para representar que Jesus foi reconhecido como messias por povos do Oriente e quase nenhum historiador defende que, de fato, eles tenham existido. (Apesar dos muitos fiéis que visitam todos os anos a Catedral de Colônia, na Alemanha, que acreditam que os restos mortais dos três estão lá.)

Mas se essas passagens são representações e não fatos históricos, o que um viajante no tempo encontraria de semelhante às imagens estampadas nos cartões de Natal? "Jesus deve ter nascido numa casa de camponeses extremamente pobres, cercada de animais", diz Gabriele Cornelli, professor de Teologia e Filosofia da Universidade Metodista de São Paulo. "Cresceu numa das regiões mais pobres e turbulentas da época."

Um Judeu pobre da Galiléia

Um vilarejo de trabalhadores rurais numa encosta de serra com, no máximo, 400 habitantes. Segundo os arqueólogos, essa é a cidade de Nazaré no tempo em que Jesus nasceu. De tão pequena, a vila praticamente não é citada nos documentos da época. "As escavações arqueológicas na cidade não encontraram nenhuma sinagoga, fortificação, basílica, banho público, ruas pavimentadas, enfim, nenhuma construção importante que datasse do tempo de Jesus", diz o historiador John Dominic Crossan. "Em compensação, foram encontradas pequenas prensas de azeitonas para a fabricação de azeite, prensas de uvas para vinho, cisternas de água, porões para armazenar grãos e outros indícios de uma vida agrária de subsistência."

A casa em que Jesus cresceu devia ser como a de todo camponês pobre da época: chão de terra batida, teto de estrados de madeiras cobertos com palha e muros de pedras empilhadas com barro, lama ou até uma mistura de esterco e palha para fazer o isolamento. Ao entrar na casa, talvez alguém lhe oferecesse água tirada de uma cisterna servida num dos muitos vasilhames de pedra e barro achados pelos arqueólogos na região a água era preciosa, já que a chuva era escassa. Para comer, a cesta básica era formada por pão, azeitona, azeite e vinho e um pouco de lentilhas refogadas com alguns outros vegetais sazonais, servido às vezes no pão (que você deve conhecer como pão árabe). Com sorte, nozes, frutas, queijo e iogurte eram complementos bem-vindos, além de um peixe salgado vez ou outra. Segundo os arqueólogos, a carne era rara, reservada apenas para celebrações especiais.

A maioria dos esqueletos encontrados na região mostra deficiência de ferro e proteínas e sinais de artrite grave. "A mortalidade infantil era alta e a expectativa de vida girava em torno dos 30 anos", diz Crossan. "Só raros privilegiados alcançavam 50 ou 60 anos de idade."

Para garantir o sustento, as famílias precisavam ter um número razoável de filhos que ajudassem no duro trabalho no campo. "É pouco provável que Jesus tenha sido filho único", diz o historiador Gabriele Cornelli. "Assim como um menino de roça que vive em comunidades pobres no interior, ele deve ter crescido cercado de irmãos." Mesmo pesquisadores católicos como o padre John P. Meier, autor dos quatro volumes da série Um Judeu Marginal, sobre o Jesus histórico, dizem que é praticamente insustentável o argumento de que, no Novo Testamento, "irmão" poderia significar "primo". "A palavra grega adelphos, usada para designar irmão, deve ter sido usada no sentido literal", diz Meier. Sua conclusão reforça ainda mais as chances de que o ossário atribuído a São Tiago, irmão de Jesus, possa ser verdadeiro.

E quanto à profissão de Jesus? O historiador Gabriele Cornelli diz que, baseado nas parábolas atribuídas a ele, é muito provável que Jesus tenha sido um camponês. "Sua pregação está repleta de imagens detalhadas da vida agrícola", diz Cornelli. "É quase impossível que esse grau de detalhamento possa ter surgido de alguém que não lidava dia a dia no campo." Mas José não era carpinteiro e seu filho não o teria seguido na profissão?

O professor de Ciências da Religião Pedro Lima Vasconcellos, da PUC de São Paulo, diz que a palavra carpinteiro (tekton) usada no Novo Testamento pode significar também "biscateiro", no sentido de uma classe inferior que faz serviços manuais. "É o que chamamos atualmente do trabalhador pau-pra-toda-obra." Uma das hipóteses levantadas pelos arqueólogos é de que Jesus pode ter trabalhado no campo e, eventualmente, atuado em algumas obras de construção civil. Os arqueólogos descobriram que, a apenas 6 quilômetros de Nazaré, uma série de novos edifícios em estilo greco-romano estava sendo construída na cidade de Séforis. "É possível que Jesus tenha trabalhado lá", diz Vasconcellos. A construção era apenas uma das várias obras que estavam sendo erguidas por Herodes Antipas, governante da Galiléia no tempo de Jesus.

Além das intervenções em Séforis, os edifícios construídos nas cidades de Tiberíades e Cesaréia Marítima (nome dado em homenagem ao imperador Júlio César) tornavam a região cada vez mais parecida com as cidades romanas. "O problema é que todas essas obras representavam um fardo a mais aos camponeses pobres, que já pagavam muitos impostos", diz o historiador Richard Horsley. "Não é à toa que surgiram nesse período vários movimentos populares de contestação ao poder romano, do qual Jesus era mais um representante."

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sexta-feira, 14 de abril de 2006

QUEM FOI JESUS? (PARTE 1)



Foi um dia de trabalho como outro qualquer. Depois da festa da Páscoa do ano 3790 do calendário hebraico, a maioria dos camponeses seguia sua rotina normalmente, assim como os coletores de impostos, os pescadores, os soldados romanos, os carpinteiros, os sacerdotes e as prostitutas. Em Jerusalém, contudo, algumas pessoas deviam estar comentando o tumulto do dia anterior, que resultou na morte de um judeu. Nada que não estivessem acostumados a ouvir. Naquele tempo, a cidade já era palco de conflitos político-religiosos sangrentos e quase sempre algum agitador morria por incitar a rebelião contra os romanos, que governavam a região com o apoio da elite judaica do templo de Jerusalém.

Dessa vez, o fuzuê foi causado por um judeu camponês chamado Yeshua, que foi aprisionado e condenado à morte por ter desafiado o poder romano e o templo de Jerusalém em plena Páscoa. "Se você quisesse chamar a atenção de multidões para as suas idéias, essa era a data ideal", afirma Richard Horsley, professor de Ciências da Religião na Universidade de Massachusetts e autor do livro Bandidos, Profetas e Messias - Movimentos Populares no Tempo de Jesus. "A festa tinha um forte conteúdo político, já que comemorava a libertação dos hebreus do Egito, que agora estavam sob o domínio dos romanos." No meio da multidão (imagine a cidade paulista de Aparecida do Norte em dia de peregrinação), pouca gente deve ter se comovido com a prisão e morte de mais um judeu agitador a não ser um punhado de parentes e amigos pobres.

Mas nem eles poderiam imaginar que a cruz em que Jesus pagou sua sentença (sim, Yeshua é Jesus em hebraico) seria, no futuro, o símbolo mais venerado do mundo. Da suntuosa Basílica de São Pedro, no Vaticano, à pequena igrejinha da Assembléia de Deus, encravada no interior da Floresta Amazônica, a cruz se tornou o símbolo de fé para mais de 2 bilhões de pessoas. Sua morte dividiu, literalmente, a história em antes e depois dele. Mas, afinal, quem foi Jesus?

Pode parecer estranho, mas para os estudiosos há pelo menos dois Jesus. O primeiro, que dispensa apresentações, é o Cristo (o ungido, em grego), cuja história contada pelos quatro evangelistas deixa claro que ele é o enviado de Deus para salvar os homens com a sua morte. Os judeus costumavam sacrificar animais como cordeiros no templo para se purificarem. Ao morrer na cruz, Cristo torna-se o símbolo do cordeiro enviado por Deus para tirar o pecado do mundo.

O outro Jesus, já citado no início da postagem, é Yeshua, o homem que morreu sem chamar muita atenção dos cidadãos do Império Romano. Além dos evangelhos que não podem ser considerados fontes imparciais de sua vida, já que foram escritos por seus seguidores há apenas uma menção direta a ele citada pelo historiador judeu Flávio Josefo, que escreve sobre sua morte no livro Antiguidades Judaicas, feito provavelmente no fim do século 1. Para os pesquisadores, essa falta de citações seria um indício da pouca repercussão que Jesus teria tido para os cronistas da época. "Se existisse um grande jornal em Israel no tempo de Jesus, sua morte provavelmente seria noticiada no caderno de polícia, e não na primeira página", diz John Dominic Crossan, professor de Estudos Religiosos da Universidade De Paulo, em Chicago, Estados Unidos.

Autor dos livros O Jesus Histórico A Vida de um Camponês Judeu no Mediterrâneo e Excavating Jesus Beneath The Stones, Behind The Texts ("Escavando Jesus Por Baixo das Pedras, Por Trás dos Textos", inédito no Brasil), ele diz que a escassez de fontes diretas sobre Jesus não significa que seja impossível recompor a vida do homem de carne e osso que morreu em Jerusalém. "A interpretação correta dos textos históricos e a arqueologia estão trazendo surpreendentes revelações sobre o Jesus histórico."

Uma dessas revelações pode estar contida numa pequena caixa de pedra cor de areia encontrada em Jerusalém com uma inscrição feita em língua e caligrafia de 2 mil anos atrás. Ao lê-la em aramaico, da direita para esquerda, como a maioria das línguas semitas, está escrito inicialmente "Yaákov, bar Yosef", ou seja: Tiago, filho de José. E continua, mais desgastada, "akhui di..." irmão de "Yeshua", Jesus. Isso mesmo. Segundo André Lemaire, especialista em inscrições do período bíblico da Universidade de Sorbonne, em Paris, há uma alta probabilidade de que a caixa tenha sido usada como ossário de Tiago (São Tiago, para os católicos), o mesmo do Novo Testamento, já que a possibilidade que a associação entre esses três nomes seja uma referência a outras pessoas é estatisticamente baixa.

Apesar de não ter sido encontrada num sítio arqueológico (como foi comprada por um colecionador num antiquário, as chances de fraude seriam maiores), ela poderá se tornar a primeira evidência material associada a Jesus. "Caso fique provado que a inscrição é verdadeira, a descoberta levantará uma série de novas questões", diz Crossan. "Vamos ter que nos perguntar, por exemplo, se termos como irmão e pai significam exatamente o mesmo que hoje: pai e irmão de sangue.

Apesar de o Evangelho de São Mateus, no capítulo 13, versículos 55-56, citar: "Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chamava sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas: e suas irmãs não vivem elas todas entre nós?", a Igreja sempre pregou aos fiéis que irmão e irmã, nesse caso, significavam apenas primos ou um forte vínculo de amizade e companheirismo entre os que faziam parte de um grupo.

"Como esse é um campo cheio de fé e paixões, a busca do Jesus histórico sempre foi um desafio", diz André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos maiores especialistas sobre o tema no país. "Enquanto um religioso conservador ressalta a dimensão espiritual de Jesus, um teólogo da libertação vai buscar nele sua atuação como revolucionário político."

Mesmo que a diversidade de visões de Jesus seja proporcional ao número de igrejas, correntes e seitas que existem em seu nome, historiadores e arqueólogos estão conseguindo reconstituir como era o mundo em que ele vivia: um retrato fascinante da política, da religião, da economia, da arquitetura e dos hábitos cotidianos que devem ter moldado a vida de um homem bem diferente daquele retratado pelas imagens renascentistas que povoam a imaginação da maioria dos cristãos. A começar pela aparência. Baseados no estudo de crânios de judeus que viviam na região na época, os pesquisadores dizem que a fisionomia de Jesus deveria ser mais próxima da de um árabe moderno. "Em tempos turbulentos como o de hoje, ele provavelmente teria dificuldades de passar pela alfândega de um aeroporto europeu ou americano", diz Chevitarese.

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quinta-feira, 13 de abril de 2006

Há Exato 15 Anos Atrás


Quadros de Van Gogh são roubados.

Dois homens mascarados assaltaram durante a madrugada o Museu Van Gogh, de Amsterdam, e levaram vinte quadros do pintor avaliados em centenas de milhões de dólares. Poucas horas depois, a polícia conseguiu recuperar todas as telas dentro de um carro abandonado em frente à estação ferroviária, a três quilômetros do museu.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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quarta-feira, 12 de abril de 2006

Pensamento do Mês


" É preciso conhecer os mecanismos da vida.
Quando ela coloca um desafio em seu caminho,
é porque você já tem meios para vencê-lo.
Com o tempo, perceberá que ela é justa,
e que trabalha sempre à seu favor..."

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terça-feira, 11 de abril de 2006

BACALHAU À ZÉ DO PIPO


Ingredientes:

- 1 kg de Lascas de Bacalhau já dessalgada
- 1 litro de leite
- 2 cebolas médias picadas
- 4 colheres sopa de azeite
- 1 folha de louro
- sal e pimenta do reino a gosto

Para a maionese

- 1 ovo
- 1 gema
- 1 colher de sopa de suco de limão
- ½ xícara de óleo
- ½ xícara de azeite

Para o purê de batatas

- 1 kg de batatas cozidas e passadas pelo espremedor
- ½ xícara de leite
- ¼ de xícara de manteiga

Modo de Fazer:

Leve ao fogo, numa panela alta, o bacalhau e o leite. Quando levantar fervura, cozinhe por uns 15 minutos, em fogo baixo, com a panela semi tampada. Escorra o bacalhau e reserve o leite.

Retire as espinhas do peixe.

Frite a cebola no azeite, junto com o louro, tempere com sal e pimenta do reino, até ficar macia, sem dourar. Acrescente o leite reservado e mexa. Cozinhe por mais uns 10 minutos. em fogo baixo, até o líquido evaporar deixando a cebola umedecida.

Retire a folha de louro.

Prepare a maionese colocando no copo do liquidificador o ovo, a gema, uma pitada de sal e o suco de limão. Com o aparelho ligado despeje lentamente, em fio, o óleo e o azeite.

Para o purê, misture bem a batata, o leite, a manteiga e o sal (a gosto).

Coloque os pedaços de bacalhau numa forma refratária ou de barro. Espalhe por cima a cebola. Cubra com a maionese preparada.

Contorne com o purê de batata e leve ao forno quente pré-aquecido por uns 20 minutos ou até dourar.


DICA:

Tabela Base para Temperaturas

fogo ou forno brando ou baixo - 160o
fogo ou forno regular ou médio - 180o
fogo ou forno quente - 200o
fogo ou forno bem quente - 250o
fogo ou forno morto ou esfriando - "depois de apagado"

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segunda-feira, 10 de abril de 2006

Segunda-feira


Primeiro dia da semana civil e segundo da litúrgica. Os romanos a chamavam de dies lunae, “dia da lua”.

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domingo, 9 de abril de 2006

INTUIÇÃO, O CONHECIMENTO INEXPLICÁVEL (FINAL)


A "VOZ" INTERIOR

As intuições, além de falíveis, não são regidas pelo puro acaso, como muita gente pensa. Uma das conclusões do livro de Gary Klein sobre os processos de tomadas de decisão (Sources of Power, MIT Press, Estados Unidos, 1998) é que os profissionais mais experientes geralmente são os que mais confiam na intuição. Segundo a psicóloga americana Valerie Chase, autora de uma resenha sobre o livro na revista Science, "os indivíduos mais tarimbados decidem a partir de uma base de dados sobre problemas e soluções muito mais amplas do que os dos iniciantes.”.

Klein conta o caso de uma enfermeira que reencontrou, numa reunião familiar, o sogro que não via havia muitos meses. "Eu não estou gostando da sua aparência", disse ela. "Talvez você mesma não se ache tão formidável", brincou ele. "Não é isso" ela insistiu. "Eu realmente não estou gostando do seu aspecto." A muito custo, a mulher conseguiu levar o sogro ao hospital naquele mesmo dia. Um exame revelou um entupimento na artéria aorta. No dia seguinte, o homem estava se submetendo a uma cirurgia para desobstruir a artéria. A enfermeira seguiu a intuição e conseguiu evitar um problema de saúde que poderia ser fatal. Mas isso só foi possível porque ela já estava acostumada a lidar com casos médicos de urgência. Sem que ela se desse conta, seu cérebro analisou as informações enviadas pelos órgãos dos sentidos e descobriu uma semelhança entre seu sogro e outras pessoas em situação de risco.

A intuição ensinam os cientistas, não substitui o raciocínio lógico, mas alia-se a ele na tomada de decisões. Quanto mais conhecimento você tem, mais certeira será a sua capacidade intuitiva. Se você for ao jóquei pela primeira vez e, ao visitar as baias, achar que o cavalo número 5 vai ganhar isso não é intuição. É só um palpite, como outro qualquer. Mas, se você é um aficionado e, ao ver o mesmo animal, escuta uma "voz" interior dizendo que ele tem tudo para ganhar, isso, sim, é um palpite intuitivo. Você aposta naquele cavalo e pronto. Não precisa explicar nada. Deixe todo mundo pensar que você tem superpoderes.



PORÃO EM CHAMAS

A história, contada pelo psicólogo Gary Klein, aconteceu em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Frank, um oficial do corpo de bombeiros, liderava uma equipe que combatia um incêndio numa casa. O grupo estava na sala, com a mangueira voltada em direção à cozinha. De repente, Frank sentiu que havia algo de estranho ali. Mesmo sem saber o que era, ordenou que seus homens deixassem o local. Minutos depois, o chão sobre o qual tinham estado desabou. Por muito pouco, os bombeiros não se precipitaram nas chamas. Frank não sabia que havia um porão naquela casa e nem suspeitava que o foco do incêndio estivesse lá. Mais tarde, lembrou-se de que a sala estava mais quente do que se poderia esperar em um incêndio na cozinha de uma casa como aquela.



INFECÇÃO SOB CONTROLE

Enfermeiras numa maternidade americana, citadas por Klein, recorrem à intuição para identificar infecções em bebês prematuros. É preciso combater as bactérias antes que elas se espalhem e matem a criança sem dar tempo para os antibióticos agirem. Muitas vezes, as enfermeiras dizem que é preciso dar o antibiótico a bebês aparentemente saudáveis. Mesmo que os testes dêem resultados negativos, as profissionais mais experientes recomendam o remédio. Em geral, no dia seguinte o resultado vem positivo, mostrando que a contaminação estava incubada. À pergunta sobre como "sabiam" da infecção as enfermeiras respondem que era por intuição. Com um simples olhar, elas descobrem a doença sem conseguir explicar por quê.



JOGADAS DE MESTRE

Uma experiência do psicólogo Gary Klein com o jogo do xadrez ajudou a entender como funciona a intuição. Dois enxadristas, ambos com o título de grande mestre, jogavam com a regra para partidas-relâmpago, em que cada um tem apenas 6 segundos para fazer seu lance. A cada jogada, a competição era interrompida e o lance era debatido por um grupo de especialistas, que avaliava todas as opções daquele jogador. Quase sempre, chegavam à conclusão de que a melhor alternativa era efetivamente o lance que acabara de ser praticado. As jogadas inúteis tinham sido descartadas automaticamente, sem entrar em cogitação.



Cérebro de lebre, mente de tartaruga

Quase todo mundo conhece a famosa fábula em que uma lebre e uma tartaruga apostam uma corrida. Mais veloz, a lebre pára no caminho e tira uma soneca. A tartaruga, devagar e sempre, chega à frente. Um fenômeno parecido acontece no nosso cérebro, segundo o psicólogo inglês Guy Claxton, professor na Universidade de Bristol. Claxton escreveu o livro Cérebro de Lebre, Mente de Tartaruga A Inteligência Aumenta Quando Você Pensa Menos, lançado em 1997 e ainda sem a tradução em português. Muitas das decisões que tomamos, explica, ocorrem a partir de dados claros e objetivos. Exigem a alta velocidade do raciocínio lógico a lebre da história. Outros desafios são sutis demais para serem digeridos num vapt-vupt. Descansam nas profundezas do cérebro, que vai ruminando o problema, em passo de tartaruga, até encontrar uma solução. Claxton explica que, quando o sujeito relaxa e deixa a questão "fermentar", o seu cérebro faz novas associações de idéias, aproveitando as informações que já possui. O psicólogo distingue as intuições rápidas, como as relatadas pelo americano Gary Klein, daquelas que demandam uma demorada incubação. "A intuição lenta possibilita a ligação entre experiências que, aparentemente, não têm nada a ver entre si", diz. Na opinião dele, a sabedoria consiste na convivência pacífica entre razão e intuição. "Nós precisamos da mente de tartaruga tanto quanto do cérebro de lebre", conclui.

Você sabe mais do que imagina, sabia?

Pesquisas comprovaram que a memória também está envolvida na formação do pensamento intuitivo. Aliás, as memórias, pois o cérebro possui diferentes maneiras de armazenar informações e de trazê-las à tona. Um mesmo dado é guardado de modo diverso nos arquivos cerebrais. E nem sempre ele emerge inteiro, completo. A intuição pode fazer uso da memória declarativa, que compreende o reconhecimento dos fatos e eventos propriamente ditos que os especialistas definem como "saber que". Ou, então, o dado resgatado pode vir da memória de procedimento, que é a habilidade em reconhecer o contexto e a dinâmica daqueles eventos o "saber como". De qualquer forma, a intuição é um palpite que surge sob a forma de uma metáfora, uma imagem, uma sensação ou uma idéia. "É como os nossos sonhos", compara a psicóloga Zula Giglio, da Unicamp. Formados por associações de lembranças novas e antigas, os sonhos, assim como a intuição, não seguem a mesma lógica do pensamento racional e linear.
"As intuições surgem de informações prévias que estão arquivadas no sistema nervoso", explica o neurofisiologista Gilberto Xavier, da Universidade de São Paulo. "Essas informações vão sendo organizadas a partir de diferentes pontos do cérebro e confrontadas com os dados novos que você está obtendo." Esse processo é desencadeado sem que você esteja ciente do que está acontecendo. "E, eventualmente, se o sistema encontra um tipo de solução que pareça relevante, ele simplesmente lhe solta essa possível resposta", completa.

O psicólogo inglês Michael Rugg, da Universidade College de Londres, conduziu uma pesquisa que confirmou que o cérebro tem um sistema especial chamado memória implícita, que é capaz de preservar a informação mesmo sem o sujeito ter consciência disso. Ou seja, o cérebro registra mais dados do que você tem consciência. Por meio de um aparelho que mede ondas cerebrais, Rugg constatou que uma informação aparentemente esquecida ativava os mesmos circuitos de memória usado pelas lembranças usuais, mas não de modo tão intenso quanto no reconhecimento consciente. Ele concluiu que existem então dois sistemas um para as lembranças explícitas, aquelas que você pode recordar, e outro para as implícitas, que estão fora dos limites do estado consciente. A intuição usaria este último.

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sábado, 8 de abril de 2006

INTUIÇÃO, O CONHECIMENTO INEXPLICÁVEL (PARTE 1)



É bem possível que você já tenha passado mais de uma vez por uma situação assim. Uma decisão precisa ser tomada. Já. Um mecanismo qualquer dentro da sua cabeça é acionado e lhe diz para escolher a alternativa A, desprezando todas as outras. Não há tempo para pesar na balança os prós e os contras. Você opta por A, sem vacilar. O motivo, você não sabe. Mas fica com uma certeza duradoura de que fez a melhor escolha. Isso se chama intuição ou sexto sentido, como dizem alguns.

Esqueça o filme que leva esse nome, estrelado por Bruce Willis. A intuição não tem nada de místico ou sobrenatural. É uma capacidade natural do cérebro humano, ao alcance de qualquer indivíduo. "Trata-se de um conhecimento cuja origem não sabemos localizar e que é impossível de ser explicado em palavras", define a psicóloga Zula Giglio, do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Ela vem à tona quando o cérebro não está envolvido com o raciocínio lógico ou análises minuciosas."

O psicólogo americano Gary Klein, autor de um livro sobre o processo mental da tomada de decisões, colecionou nos últimos quinze anos centenas de histórias que mostram a intuição em funcionamento. Ele e sua equipe monitoraram o desempenho de bombeiros, militares, enfermeiras, pilotos de aeronaves e até jogadores de xadrez. Em comum, esses profissionais têm o triplo desafio de decidir em intervalos de tempo mínimos, correndo altos riscos e com informações incompletas. Foi ele quem colheu as histórias que acompanham esta reportagem. "Profissionais experientes sabem que podem recorrer à intuição", afirma Klein. "Mas, ao mesmo tempo, se sentem desconfortáveis por acreditar numa estratégia tão parecida com o acaso." Na escolha racional, não há lugar para surpresas. O sujeito avalia as opções, calcula as conseqüências e faz a sua aposta. A decisão intuitiva queima todas essas etapas e funciona, por incrível que pareça.



TRILHAS SEPARADAS

Para desvendar esse mistério, cientistas de vários países estão investigando os processos mentais envolvidos na intuição. Um dos mais importantes é o psicólogo americano Jonathan Schooler, do Centro para o Desenvolvimento da Pesquisa e da Aprendizagem, da Universidade de Pittsburgh. Sua atenção está voltada para uma propriedade do cérebro chamada pensamento não-verbal. Você se dá conta da sua existência quando tem a noção de que sabe algo, mas não consegue explicar como. Esse conhecimento inclui coisas tão díspares quanto à lembrança do cheiro de uma rosa, atos mecânicos como o de pedalar uma bicicleta e as decisões que a gente toma sem pensar. Schooler garante que o conhecimento verbal e o não verbal seguem caminhos diferentes dentro do cérebro. "Os pensamentos intuitivos são interrompidos toda vez que tentamos colocá-los em palavras",
Numa de suas experiências, o psicólogo Jonathan Schooler mostrou o vídeo de um assalto a banco a um grupo de voluntários. A pedido dos pesquisadores, alguns deles descreveram o rosto do assaltante com o maior número possível de detalhes. Enquanto isso, outros se distraíram com tarefas que não tinham nada a ver com o assunto, tais como citar o nome de todos os Estados norte-americanos. Depois, todos os participantes tiveram de apontar a foto do criminoso em meio a um grupo de sete retratos similares. O grupo dos que tinham tentado descrever o assaltante teve um índice de acertos 26% menor do que o daqueles cuja mente ficou longe do assunto. "Nesse contexto, a verbalização tem um efeito negativo", comentou Schooler. "Ela bloqueia o julgamento baseado na intuição."



LINGUAGEM VISUAL

O desafio dos cientistas é mapear os atalhos que o pensamento percorre dentro do cérebro até chegar a um lampejo intuitivo. Schooler acredita que esse processo tem uma ligação estreita com as áreas encarregadas de reconhecer padrões visuais. Os testes em laboratório mostram que os indivíduos mais habilidosos na identificação de objetos em fotografias fora de foco são também os que mostram melhor desempenho na resolução de problemas ligados ao que os psicólogos chamam de insight tarefas mentais que não dependem do uso de palavras.

Quer um exemplo? Sabe aqueles joguinhos de salão em que você tem de formar figuras geométricas mexendo moedinhas ou palitos de fósforo? mas, se alguém lhe perguntar como fez para resolver o problema, a resposta será provavelmente "não sei". Segundo Schooler, esse é tipicamente um problema cuja solução depende muito mais do pensamento intuitivo do que do raciocínio lógico. Como isso acontece, é um mistério. "As pessoas resolvem o quebra-cabeça mais depressa e até com mais facilidade quando estão distraídas", comenta o arquiteto paulista Luiz Dal Monte, designer de jogos. "Mas não conseguem lembrar os passos que deram." Schooler suspeita de que a resolução desse tipo de problema estimula centros de atividade elétrica em áreas do córtex cerebral que lidam com a visão e com o conhecimento espacial. Essa atividade pode se espalhar para outras regiões do cérebro, ampliando o leque de possíveis soluções. Na opinião do psicólogo, o raciocínio verbal pode atuar como um freio para essa reação em cadeia, pois ocorre no córtex pré-frontal, que é capaz de interromper a atividade elétrica em qualquer região do cérebro.

As pesquisas do neurologista Arthur Oscar Schelp, da Universidade Estadual Paulista, sugerem que a intuição compartilha vários dos processos cerebrais envolvidos no mecanismo da memória, como a associação de idéias. "A integração das informações relacionadas com a intuição ocorre nas mesmas regiões do córtex que participam do armazenamento e da recuperação de dados", explica.

Os cientistas contestam o velho lugar-comum de que as mulheres são mais intuitivas do que os homens. Para esclarecer o assunto, os psicólogos americanos Beverlie Fallik e John Elliot, da Universidade de Maryland, aplicaram em 1985 um teste de intuição em 200 estudantes 79 rapazes e 121 moças. O desafio era o de resolver problemas, como completar uma seqüência de números ou de palavras, a partir do mínimo de informações preliminares. Os estudantes de ambos os sexos alcançaram resultados semelhantes. A intuição "feminina" vale tanto quanto a "masculina".



Os especialistas estão convencidos de que os indivíduos que aplicam mais intensamente a intuição tendem a fazer melhores escolhas. Schooler comparou o grau de satisfação que sentimos nas decisões lógicas e nas intuitivas. Numa experiência, os pesquisadores mostraram a voluntários vários pôsteres, uns com pinturas impressionistas e outros com bichinhos de estimação. Alguns participantes tiveram de relatar seus sentimentos em relação aos cartazes, enquanto os outros ficaram calados. Em seguida, cada um deles escolheu, finalmente, um pôster e o levou para casa. "Uma semana depois, nós perguntamos a cada um se tinha ou não pregado o cartaz na parede", disse Schooler. "Os que tinham analisado as razões da própria opção eram os menos satisfeitos e, por isso, quase sempre preferiam não expor os pôsteres." O psicólogo acha que, ao argumentar, o indivíduo ignora fatores não-racionais, como a possível empatia com um objeto e não com outro.

Não é sempre, porém, que a intuição propicia resultados melhores do que a razão. "O problema é que nós, seletivamente, nos lembramos quando uma intuição é bem-sucedida e esquecemos quando ela falha", assinala o psicólogo americano Steven Smith, professor da Universidade A&M Texas, nos Estados Unidos. "Infelizmente, nunca é possível saber com antecedência se o palpite intuitivo estará certo ou não."

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sexta-feira, 7 de abril de 2006

Diferenças


O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal


Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

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quinta-feira, 6 de abril de 2006

Abril


Quarto mês do calendário gregoriano. Os romanos lhe deram este nome, derivado de aperire (‘abrir’), porque é a estação (primavera no hemisfério Norte) na qual começam a se abrir os casulos.

Fonte: Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001
Microsoft Corporation.
Todos os direitos reservados.

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quarta-feira, 5 de abril de 2006

Trio Mocotó - Não Adianta


Não adianta chorar
Não adianta gritar
Não adianta
Não adianta

Não adianta chorar
Não adianta gritar
Não adianta
Não adianta

Tudo que se quer
Tudo que se ama
A vida nos dá
O problema é encontrar
O problema é encontrar

E fui caminhando e tentando encontrar
Em alguém o amor
Prá então eu sentir a beleza que há
Em viver e amar
Eu amei e amei e voltei ao mesmo lugar
Eu amei e amei e voltei ao mesmo lugar

Não adianta chorar
Não adianta gritar
Não adianta
Não adianta

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terça-feira, 4 de abril de 2006

O que escrever em seu túmulo:


Se você é...
ESPÍRITA:
Volto já.

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INTERNAUTA:
http://www.aquijaz.com.br/


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AGRÔNOMO:
Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes


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ALCOOLATRA:
Enfim, sóbrio.

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ARQUEÓLOGO:
Enfim, fóssil.

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ASSISTENTE SOCIAL:
Alguém aí, me ajude!


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BROTHER:
Fui.

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CARTUNISTA:
Partiu sem deixar traços.


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DELEGADO:
Tá olhando o quê? Circulando, circulando.


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ECOLOGISTA:
Entrei me extinção.



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ENÓLOGO:
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho,
aroma Formol e after tasting que
denota presença de Micoorganismos diversos.

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FUNCIONÁRIO PÚBLICO:
É no túmulo ao lado.

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GARANHÃO:
Rígido, como sempre.

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GAY:
Virei purpurina.


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HERÓI:
Corri para o lado errado.

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HIPOCONDRÍACO:
Eu não disse que estava doente?!?!

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HUMORISTA:
Isto não tem a menor graça.

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JANGADEIRO DIABÉTICO:
Foi doce morrer no mar.

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JUDEU:
O que estão fazendo aqui?
Quem está tomando conta da lojinha?

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PESSIMISTA:
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

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PSICANALISTA:
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.


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SANITARISTA:
Sujou!!!

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SEX SYMBOL:
Agora, só a terra vai comer.

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VICIADO:
Enfim, pó!

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segunda-feira, 3 de abril de 2006

PEDIR UMA PIZZA EM 2010 JÁ COM O CARTÃO UNICO EM VIGOR


Telefonista : Pizza Hot, boa noite!

Cliente : Boa noite, quero encomendar pizzas...

Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?

Cliente : Sim, o meu número de identificação nacional é 610204791993-8456-54632107

Telefonista : Obrigada, Sr. Lewis. Seu endereço é 1742 Meadowland Drive, e o número de seu telefone é 494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Insurance é o 745-2302 e o seu celular é 266-2566. De que número o Sr. ligou?

Cliente : Bem, estou em casa. Como você conseguiu essas informações todas?

Telefonista : Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.

Cliente : Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...

Telefonista : Talvez não seja uma boa idéia...

Cliente : O quê?

Telefonista : Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.

Cliente : É, você tem razão! O que você sugere?

Telefonista : Porquê que o Sr. não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Sr. vai adorar!

Cliente : Como é que você sabe que vou adorar?

Telefonista : O Sr. consultou o site "Recettes Gourmandes au Soja" da Biblioteca Municipal, dia 15 de janeiro, às 14:27h, onde permaneceu ligado à rede durante 36 minutos. Daí a minha sugestão...

Cliente : OK, está bem! Mande-me duas pizzas tamanho família!

Telefonista : É a escolha certa para o Sr., sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.

Cliente : Quanto é?

Telefonista : São $49,99.

Cliente : Você quer o número do meu cartão de crédito?

Telefonista : Lamento, mas o Sr. vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu cartão de crédito já foi ultrapassado.

Cliente : Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza.

Telefonista : Duvido que consiga, o Sr. está com o saldo negativo.

Cliente : Meta-se com a sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?

Telefonista : Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Sr. estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso...

Cliente : Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?

Telefonista : Peço desculpas, apenas reparei que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.

Cliente : @#%/§@&?#§/%#!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Telefonista : Gostaria de pedir ao Sr. para não me insultar... não se esqueça de que o Sr. já foi condenado em julho de 2009 por desacato em público a um Agente Regional.

Cliente : (Silêncio)

Telefonista : Mais alguma coisa?

Cliente : Não, é só isso... não, espere... não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.

Telefonista : Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...

Cliente : Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou me atirar pela janela!!!!!!!!!!!!!!!

Telefonista : E machucar o joelho? O Sr. mora no rés do chão...Nao vale a pena...

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domingo, 2 de abril de 2006

SOMOS TODOS MENTIROSOS (FINAL)


A mentira ma história

Se para alguns a mentira não passa de um mundo de fantasia e ficção, para outros ela serve como artifício capaz de mudar o rumo da história. Afinal, a mentira acompanha a humanidade desde os primórdios - muitas vezes em benefício de grandes líderes.

Já no Egito antigo, a mentira foi um instrumento importante para a manutenção do poder do faraó Ramsés II. Em meados do século 13 a.C., as tropas egípcias lideradas pelo faraó lutaram contra outra potência da época, o Império Hitita, na batalha de Qadesh. O maior confronto envolvendo carruagens da história - cerca de 5 mil - terminou sem vencedor. Mas não para Ramsés II. Ao voltar para casa, ele cravou nas paredes de seus cinco grandes templos o relato de sua suposta vitória contra o inimigo. "Ramsés II afirmou ter vencido os hititas com a ajuda dos deuses", diz o historiador Julio Gralha, da UFRJ. "A mentira foi usada como propaganda política e religiosa."

Outro que soube manipular muito bem os fatos foi Napoleão Bonaparte. Nos idos de 1799, tudo parecia conspirar contra o general francês. O sonho de conquistar o Oriente Médio desvanecia com a humilhante derrota às margens do rio Nilo para o almirante inglês Horatio Nelson e com o fracasso na Síria. Mas o que parecia ser o sepultamento político e bélico de Bonaparte tornou-se a maior mentira política a favor de um grande líder. Habilmente, o general utilizou-se da imprensa da época para soprar aos quatro ventos suas "fantásticas vitórias" no Oriente. Ao retornar à França, Napoleão foi recebido como vitorioso e, em meio às convulsões sociais que atingiam o país, tomou o poder.

Mas não precisamos voltar tanto assim no tempo para perceber como a mentira e o poder sempre caminham de mãos dadas. Quem não se lembra do famoso episódio envolvendo Bill Clinton, Monica Lewinski e um charuto? No início, o ex-presidente americano negou de pés juntos o affair com sua então estagiária. Mas, sob a ameaça de impeachment, teve de voltar atrás em seus "causos". "Bill Clinton foi um gênio da prática da mentira", diz Ralph Keyes. "Isso não foi somente no caso da maconha (que ele afirmou ter fumado sem tragar) e de Monica Lewinsky. Ele também foi um grande prevaricador quando disse recordar-se de ‘memórias vívidas e dolorosas de igrejas negras sendo queimadas em meu estado natal quando era criança’. Nunca houve nenhum registro de uma igreja negra incendiada em Arkansas."

Apesar de tantas mentiras e posteriores confissões públicas, Clinton segue sendo um dos homens mais admirados em todo o mundo. Isso, segundo Keyes, é um sintoma do que ele chama de "era da pós-verdade". Para ele, estamos mentindo mais do que nunca, sem vergonha na cara e sem remorso. "Mentir se tornou um desafio, um jogo, um hábito", afirma o escritor.



Mentir ou não mentir

É provável que esses grandes líderes mentirosos tenham lido a "cartilha da mentira" do filósofo grego Platão. Em sua obra A República, ele defende o uso da mentira na política e afirma que os governantes têm o direito de não dizer a verdade para os cidadãos. "Se compete a alguém mentir, é aos líderes da cidade, no interesse da própria cidade, em virtude dos inimigos ou dos cidadãos", escreveu o filósofo grego, com uma ressalva: "A todas as demais pessoas não é lícito esse recurso".

Para a sorte de nós, mentirosos, o homem vem tentando justificar ao longo dos séculos nossa tendência de escorregar em declarações falsas no dia-a-dia. Afinal, quem já não encontrou um amigo depois de acordar atrasado para o trabalho, bater o dedinho no pé da cama e perder o ônibus e ainda dizer que "está tudo bem"? Relaxe: isso não passa de uma dissimulação honesta e aceitável. Pelo menos é o que dizia o filósofo italiano Torquato Accetto.

Em 1641, Accetto afirmava que muitas vezes a verdade é mais prejudicial que a mentira desde que se trate de uma mentira honesta. Na sua visão, não é adequado um indivíduo que vive sob uma ditadura ir à praça pública e gritar que o governo está entregue a um tirano. Ele pode dissimular sua crítica e sua mentira será honesta, segundo o italiano. "Essa idéia está ligada à noção de decoro, ou seja, aquilo que pode ou não ser dito em público", afirma Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Unicamp.

Essa também era a opinião do pensador francês Benjamin Constant, que acabou travando um verdadeiro duelo na ponta da pena com seu companheiro alemão Immanuel Kant sobre um suposto "direito de mentir". Constant defendeu o uso da mentira em situações "filantrópicas". Ora, imagine se, um dia, um assassino o questionasse sobre a presença em sua casa de um amigo que lá tivesse buscado refúgio. É provável que você mentisse. E, para o filósofo francês, com todo o direito, pois protegeria a vida de seu amigo. O argumento não convenceu Kant, para quem a mentira era inadmissível em qualquer circunstância. Segundo ele, a verdade está na base do direito, que assegura a liberdade de todos os indivíduos. Kant afirmava que a mentira sempre prejudica, se não a uma pessoa ou um grupo de pessoas, certamente à humanidade como um todo.

Mais tarde, no século 19, o alemão Friedrich Nietzsche deixaria o homem ainda mais confuso não apenas em relação à mentira, mas também em relação a sua própria existência. Segundo ele, nós precisamos da mentira para viver nesse mundo "falso, cruel, contraditório, persistente e absurdo; mundo esse que é o mundo verdadeiro". Ou seja, na penosa tarefa de viver essa realidade, o homem precisa da mentira. O mundo que vemos é ilusão e o conhecimento - a filosofia e a ciência - é uma invenção do homem para tentar explicar o mistério do Universo.
Uma vez que a filosofia e a ciência ainda não desvendaram todas as facetas da falsidade humana, nós seguimos mentindo - provavelmente nunca vamos parar. Que o diga a gorila Koko, que, integrada à nossa sociedade, aprendeu a arte da dissimulação.

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sábado, 1 de abril de 2006

SOMOS TODOS MENTIROSOS (PARTE 1)


Koko é uma celebridade. Desde que foi acolhida pela psicóloga Francine Patterson quando ainda era um bebê, em 1972, essa graciosa gorila se tornou o representante animal mais famoso na comunidade científica. A macaca aprendeu a "falar" com humanos e hoje, aos 33 anos, domina mais de mil sinais de comunicação gestual. Como efeito colateral do aprendizado, surgiu a primeira gorila a mentir na linguagem dos homens.

Com apenas 1 ano de idade, Koko começou a empregar os sinais para fingir e dissimular. Quando quebrou seu brinquedo preferido, um gatinho de plástico, ela prontamente apontou uma assistente de Patterson como culpada. Usando de seus artifícios mais dissimulados para escapar da pena, abaixou a cabeça como se não soubesse de nada, indicando apenas que estava lá para mostrar quem tinha feito a arruaça com o boneco.

A gorila mentiu para escapar de uma punição como também fazem as pessoas estratégia que funciona se a lorota for contada com perfeição. O problema é que para nós, humanos, a mentira é um assunto constrangedor. Ela envolve questões éticas e por isso é angustiante assumirmos que, deliberadamente, mentimos aqui e acolá.

Apesar de condenações morais, a mentira é um comportamento mais freqüente do que se imagina. Segundo um estudo realizado por Robert Feldman, psicólogo da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, 60% das pessoas mentem em conversas do dia-a-dia. Feldman descobriu que, muitas vezes, a mentira é pronunciada sem nenhum motivo óbvio.

Em sua pesquisa, ele observou 121 pares de pessoas que não se conheciam durante uma conversa casual de dez minutos. "Orientamos os participantes a se apresentar bem para o parceiro, parecer competentes e tentar conhecer a outra pessoa", diz Feldman. Os bate-papos foram filmados e, mais tarde, os voluntários se apresentaram para comentar o que haviam dito. Duas ou três mentiras foram identificadas em cada sessão havia desde pessoas que fingiam concordar com o outro para ser simpáticas até um cidadão que disse ser astro de rock. "Foi um resultado surpreendente porque quem participou do estudo não imaginava que mentisse tanto quanto se viu mentindo no vídeo", diz o pesquisador.



Por que mentimos

Às vezes nem notamos, mas toda mentira tem um porquê e é instintivamente pensada. E, apesar de condenarmos os mentirosos ao fogo do inferno, é possível extrair benefícios tanto para quem mente quanto para quem ouve a mentira.

Um dos exemplos mais básicos da mentira do dia-a-dia é a relação entre homem e mulher no quesito galanteio. Quando um rapaz cordialmente elogia a garota por sua boa forma - mesmo que o elogio não condiga com a realidade ambos tiram proveito da situação. Além de fazer a moça se sentir bem com uma "pequena" mentira, ele faz com que ela o considere o mais cavalheiro dos príncipes encantados.

Muitas vezes, a mentira serve unicamente a finalidades pessoais. É por isso que sempre que podemos damos um "upgrade" em nosso perfil. Afinal, todos nós queremos ficar bem na fita. E não é à toa que muita gente exagera na hora de redigir o currículo e aquele "inglês avançado" não passa de um semestre básico de cursinho.

Tudo isso acontece por uma pressão inevitável pelo sucesso profissional e social, segundo Leonard Saxe, professor de psicologia da Universidade Brandeis, também em Massachusetts. "Precisamos diminuir essa pressão e encontrar formas de reforçar a honestidade", diz Saxe. "Hoje há uma epidemia de ‘enchimento’ de currículo, como incluir o doutorado que gostaríamos de ter concluído, mas não conseguimos", afirma Ralph Keyes, autor do livro The Post-Truth Era ("A Era Pós-Verdade", inédito no Brasil).

A mentira, no entanto, nem sempre se resume apenas a uma leve maquiagem da realidade. Em alguns casos, ela pode se tornar uma compulsão mórbida. É o caso da mitomania quadro em que uma pessoa vive, literalmente, uma vida de mentiras. Inventa um passado, conta histórias fantásticas e usa a imaginação o tempo todo e tem consciência de que tudo isso é falso.

Um exemplo é o personagem interpretado por Leonardo di Caprio em Prenda-me se For Capaz. O fime narra a história verídica de Frank Abagnale Jr., que enganou uma companhia aérea fingindo ser um piloto profissional e se passou por médico e advogado. Sua carreira de mentiroso terminou quando foi finalmente capturado pela polícia. Esse é geralmente o destino de muitos pacientes com mitomania: antes de chegar ao divã, são confrontados por policiais e juízes. Talvez por isso a mitomania não seja oficialmente reconhecida pela psiquiatria.

Mas os médicos já estão acostumados com um tipo de paciente que adora mentir: são os portadores da síndrome de Münchausen. Como forma de chamar a atenção médica, a pessoa inventa sintomas e, às vezes, até se submete a dolorosos tratamentos, como cirurgias. O nome da doença é uma "homenagem" ao barão de Münchausen, famoso pelas histórias mirabolantes sobre suas experiências militares - ele dizia, por exemplo, ter cavalgado uma bala de canhão.

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