terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Do que depende a vitória




No Rio de Janeiro, cinqüenta jurados dão notas de 1 a 10 a quesitos com pesos iguais. Aqui, estão numerados pela ordem de prioridade para o desempate.


Tempo

A escola deve passar em no mínimo 65 minutos e, no máximo, 80. Cada 5 minutos de atraso sobre o prazo máximo tiram um ponto da nota final.



1 - Bateria

Deve ter no mínimo 200 ritmistas. Sobressai quem unir técnica e criatividade para levantar a arquibancada.



2 - Samba-enredo

Tem que contar o enredo ou comentá-lo, fugindo do lugar-comum. Se for fácil de cantar e tiver refrões fortes, tanto melhor.



3 - Harmonia

Testa a capacidade da escola de desfilar sem buracos entre uma ala e outra, sem correr ou amontoar os componentes.



4 - Evolução

Esta nota depende da combinação perfeita entre coreografias, canto e dança, de ponta a ponta.



5 - Enredo

É aqui que o carnavalesco sobe ou desce no ranking. Temas esdrúxulos ou complicados perdem ponto.



6 - Conjunto

É o mais subjetivo dos quesitos: mede o grau de beleza e da manutenção do nível estético ao longo do desfile.



7 - Alegoria e adereços

A escola deve trazer pelo menos seis e no máximo dez carros alegóricos, além de mostrar acessórios originais.



8 - Fantasia

Outra prova de fogo para o carnavalesco. Chama a atenção quem for mais criativo. Se fugir do enredo, a nota abaixa



9 - Comissão de Frente

Ganha um 10 a escola que apresentar mais simpatia para saudar o público.



10 - Mestre-sala e porta-bandeira

Perde ponto o casal que tropeçar ou ficar parado. Também é grave deixar a bandeira bater no mestre-sala. Posted by Picasa

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Veja como cada peça entra na engrenagem


Para que cerca de 4 000 pessoas consigam desfilar e cantar em uníssono ao longo de 700 metros, há um diretor de harmonia trabalhando com mais de trinta assistentes que o ajudam a manter o ritmo. Ele é a autoridade máxima na avenida. Pode expulsar até o presidente da escola, se ele estiver atrapalhando.


Ô, abre-alas

O carro abre-alas (cujo nome se inspirou no aviso à multidão para a passagem dos antigos blocos carnavalescos e virou marchinha de Chiquinha Gonzaga) é obrigatório na cota mínima do regulamento: é preciso trazer seis carros alegóricos. Deve levar o nome e o símbolo da escola, apresentando o tema do enredo ao público.



Olha a escola aí, gente!

A comissão de frente surgiu nas grandes sociedades, que traziam rapazes vestidos a rigor, montados a cavalo, saudando o público diante do carro alegórico. A Portela, nos anos 30, adaptou a idéia para a escola de samba levando só moças na linha de frente. Hoje, é de praxe mostrar criatividade logo de cara. Então, vale tudo.



Vai quem quer

As alas são grupos que têm de cinqüenta a 100 pessoas, todas com a mesma fantasia, pela qual o folião paga até 400 reais. Ficam sob o comando de um presidente. Esse, por sua vez, responde ao presidente dos presidentes de alas, um intermediário entre a escola e os grupos que, muitas vezes, são recheados de turistas.



Casal maravilha

O baliza e a porta-estandarte nasceram nos ranchos dos anos 20. A Mangueira transportou o casal para a escola de samba, transformando-os em mestre-sala, ou mestre de cerimônia, e porta-bandeira (mais informações na página 38). Uma escola geralmente tem o primeiro e o segundo casal, além de uma dupla mirim.



O pé que fala

A diferença entre uma passista e uma garota que apenas rebola é que a primeira tem que "dizer o samba no pé". Significa que ela precisa demonstrar não só graça e sensualidade, mas harmonia com as nuances do samba-enredo. Os passos são totalmente improvisados, assim como o malabarismo dos passistas masculinos.



Bumbum-paticumbum

A bateria pode ter até 400 ritmistas (veja na página seguinte). Depois de percorrer uns 300 metros da avenida, quase metade do desfile, todo o conjunto se recolhe para um recuo chamado boxe. Voltam a desfilar quando se aproximam as últimas alas.



Falsas baianas?

Costuma-se dizer que a mulher começa a atuar na escola como passista, eventualmente se torna porta-bandeira e depois se instala na ala das baianas. Formado por um mínimo de 100 componentes acima dos 45 anos, é um grupo obrigatório pelo regulamento. Hoje, até drag queens pagam para sair entre elas.



Força no gogó

O puxador do samba-enredo ganhou o nome nos anos 30, quando o cantor entoava uma quadrinha para estimular o improviso do "versador". Hoje, é um artista profissional, cercado por um ou dois cantores de reforço, um cavaquinho e um violão. Em geral desfila no chão, junto ao carro de som, microfone em punho.



História viva

A velha guarda (definição que surgiu nos anos 60, parodiando o movimento da Jovem Guarda) representa a memória do samba em carne e osso. É composta de fundadores, primeiros sócios, compositores e componentes históricos que se mantêm ligados à agremiação. Fecham o desfile para lembrar ao público que a escola tem passado.



Grêmio Recreativo do Futuro

Quase toda escola grande tem uma ala de crianças, sambistas que vêm de berço: algumas começam a ensaiar aos 2 anos de idade. São filhos da comunidade (região ou bairro) ligada à escola e aprendem desde cedo as tradições, características e linha de trabalho da agremiação.



Miragem na avenida

Nos anos 50, quando os artistas da Escola de Belas Artes ensinaram os artesãos a trabalhar com proporção, os carros alegóricos cresceram - hoje, chegam a 9,5 metros de altura. A sustentação é um chassi de caminhão sobre pneus de avião, menores e capazes de suportar mais peso que os de automóvel. Posted by Picasa

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domingo, 26 de fevereiro de 2006

Os oito afluentes que desaguaram na avenida



Arrastando a sandália no rancho
Os ranchos eram clubes da classe média baixa nos quais os sócios pagavam mensalidade, compravam instrumentos de corda e sopro e se organizavam para desfilar em fevereiro. O primeiro surgiu em 1872, o Dois de Ouro. Formados por homens e mulheres, as pastorinhas, arrastavam as sandálias na segunda-feira de Carnaval.



Grandes sociedades, um luxo só

Eram chamadas grandes sociedades as associações de jovens de alta classe que saíam em enormes carros alegóricos com mensagens políticas. A primeira foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, criada em 1855 por profissionais liberais e saudada pelo escritor José de Alencar.



Botando o bloco na rua

Em 1848, o sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes saiu batendo o bumbo que, tocado na horizontal, virou o surdo de hoje. Quem quisesse, ia atrás. Assim se formaram os blocos, compostos apenas de homens. Ao redor de 1920 havia os "blocos de sujos", dos "arruaceiros", e os mais distintos.



E o cordão cada vez aumentava mais

Em 1886, os jornais chamaram de cordões os "grupos de foliões mascarados e provocadores". Saíam fantasiados, satirizando personalidades. Um mestre com apito comandava tambores, cuíca e reco-reco. O cronista João do Rio viu no cordão sinais da antiga festa de Nossa Senhora do Rosário, na qual cortejos de negros saíam sacodindo chocalhos e entoando cânticos



Capoeira sem barimbau

Desde 1570, quando chegaram ao Rio de Janeiro os primeiros escravos africanos, o culto religioso na senzala envolvia batuque e dança. Os terreiros de macumba do período pós-abolição, com mistura de candomblé e catolicismo, mantiveram os atabaques, as danças e a capoeira, que emprestou seus movimentos para o mestre-sala das atuais escolas.



Lá vai passando a procissão

O ritual do desfile vem da Antigüidade, quando os exércitos exibiam suas prendas de guerra de volta à cidade-base. A solenidade impregnou a religião católica. No Brasil, em 1549, o padre Manuel da Nóbrega registrou a primeira procissão enfeitada de Corpus Christi. Foi das procissões que saíram as baianas, escravas enfeitadas.



A baixaria do entrudo virou confete

Na Roma antiga, os lupercos, sacerdotes de Pã, saíam dia 15 de fevereiro só com sangue de cabra sobre o corpo, perseguindo as pessoas na rua. No Brasil, os portugueses faziam uma guerra de baldes d’água e lixo chamada entrudo, sem dança ou música. No começo do século, a "molhança" foi substituída por confete, serpentina e lança-perfume.



O desfile chapa branca acabou no corso

A moda do corso, um desfile motorizado, foi lançada no dia 1º de fevereiro de 1907, quando o carro das filhas do presidente da República, Afonso Pena, percorreu a avenida Central (atual Rio Branco), no Rio de Janeiro de ponta a ponta, antes que elas subissem ao prédio da Comissão Fiscal das Obras do Porto para assitir à folia.


A armação primitiva

Nos anos 30, os sambas não tinham segunda parte: os "versadores" improvisavam depois que os puxadores entoavam um refrão de quatro linhas. À frente, uma tabuleta com o nome da escola pedia passagem, seguida da "linha de frente", só de moças. Logo depois, vinha o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Sob um caramanchão, desfilava a alta direção da escola. Uma linha de pessoas fantasiadas sambava em torno do grupo principal. No final, uma pequena bateria. Na lateral, homens vestidos de baiana protegiam a escola da multidão segurando uma corda e usando canivetes amarrados nos tornozelos.

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sábado, 25 de fevereiro de 2006

MÁQUINA DO SAMBA



Bumbum-paticumbum-prugurundum. Sábado de Carnaval taí e você já começa a ouvir a batucada. É impossível ficar indiferente às escolas de samba, copiadas no mundo inteiro. Há 65 anos elas vêm se especializando em fabricar o maior show de rua que se conhece. Tudo é regido por normas rigorosas, planejado minuciosamente e produzido dentro de um cronograma rígido. Mas, para quem só vê a festa pela televisão, fica difícil compreender o que está acontecendo. Aqui você vai entender como funcionam as engrenagens do desfile.



A batucada veio do terreiro

O nome "escola de samba" nasceu em 1928, no bairro carioca do Estácio, numa roda de amigos. Entre eles estava Ismael Silva, compositor com talento de sobra, tanto que até vendia algumas músicas ao cantor Francisco Alves. Mas a fama não diminuía a discriminação. Ao contrário, sambista era sinônimo de malandro e arruaceiro. E Ismael já estava cansado disso. No meio da conversa, olhou para a Escola Normal, ali na esquina, e teve a idéia: se eles eram tão bons na única coisa que sabiam fazer, por que não fundavam um grupo pacífico para mostrar sua arte? Prático, criou uma definição para o seu conjunto: "Deixa falar, nós também somos mestres. Somos uma escola de samba". Mas Ismael só deu o nome. A agremiação que acabara de fundar não foi, de fato, a primeira do gênero. A Deixa Falar era, na verdade, um rancho, outro tipo de associação carnavalesca (veja o infográfico ao lado).

A turma que realmente seria a raiz da escola de samba era outra, mais segregada ainda: os negros ligados ao cultos de origem africana. "Existe um terreiro de macumba na origem de toda escola de samba", contou à SUPER a pesquisadora carioca Marília Trindade Barboza da Silva, com dez livros publicados sobre o assunto. "Esses descendentes de escravos, vindos da Bahia ou da área rural do Estado do Rio, só tinham os atabaques para tocar. Por isso, até hoje o samba de escola é fundamentalmente voz e percussão."

Os primeiros desfiles seguiam um ritual quase religioso. A caminho da Praça Onze de Janeiro, onde faziam a folia, os batuqueiros reverenciavam cada dona de "casa de santo", como Tia Ciata e Tia Fé. Para combater o preconceito, vestiam-se o melhor possível. Logo foram notados pelos repórteres da área policial que circulavam por ali. E foi por meio da imprensa que as primeiras escolas de samba, como a Mangueira e a Portela, chamaram a atenção.



Ninguém sabia o que era samba

Os sambistas cariocas do final da década de 20 se freqüentavam bastante. Nessas ocasiões, gostavam de se exibir um para o outro. Foi para esquentar o desafio entre os bambambãs que José Gomes da Costa, o Zé Espinguela, macumbeiro e mangueirense, resolveu promover uma competição para ver quem era o melhor. Marcou para o dia 20 de janeiro de 1929 o concurso entre os compositores da Deixa Falar, Mangueira e Vai Como Pode (primeiro nome da Portela). Venceu o samba de Heitor dos Prazeres, da terceira. Mas Heitor era visto como um intruso, um moço da cidade. Todos previam encrenca na entrega do prêmio, marcada para o domingo de Carnaval, em plena Praça Onze. Só que Zé Espinguela foi diplomático: apareceu com três troféus e distribuiu os outros dois como prêmios de consolação. Assim foi inaugurada a disputa entre as escolas.

Em 1932 houve o primeiro desfile patrocinado, promovido pelo jornal O Mundo Esportivo, de Newton Rodrigues, irmão do teatrólogo Nelson. No ano seguinte, era vez de O Globo, o Touring Club e a prefeitura do Distrito Federal instituírem um concurso. Foi quando as escolas ficaram obrigadas a manter a ala das baianas e a bateria. Em 1935, já havia dezenove escolas. "Naquele tempo, era um sambinha de quatro linhas e o resto ia de improviso", contou Cláudio Bernardo da Costa, o Cláudio da Portela, sócio-fundador da escola. Só em 1946 é que o samba-enredo se estabeleceu de verdade, com a estréia do compositor Silas de Oliveira na Império Serrano. Até 1930 o próprio samba era um gênero indefinido: a classificação valia tanto para o maxixe como para variações da polca e do chorinho, que podiam ser ótimos no salão, mas eram ruins para se dançar ao longo da rua. Como a batucada permitia fabulosos improvisos de dança, o desfile das escolas acabou se tornando o favorito do público.



Como bate o coração da escola

A bateria da escola de samba é uma imensa orquestra montada só com instrumentos de percussão. Cada músico tem seu lugar para que o som saia equilibrado. O número de componentes, o tipo de instrumento e o posicionamento de cada batuqueiro depende do estilo da agremiação. Mas, basicamente, o conjunto é formado por duas fileiras de surdos de marcação nas laterais, filas de cuícas e metais (como o reco-reco e o agogô) à frente, um enorme naipe de tamborins logo atrás, um miolo de vários tipos de surdos centralizadores e, ao final, mais metais (veja o infográfico ao lado).

Tida como a "alma da escola", a bateria se transformou num modelo para exportação. A Gope, fábrica paulista de instrumentos de percussão, vende até para o Oriente. "É uma cultura que viaja em bloco", diz Humberto Henrique Rodella, o proprietário. "Quando os japoneses levaram o nosso futebol, fizeram o pacote completo, com o carnaval e a escola de samba".

Os integrantes passaram dos 20 do princípio para até 400 hoje em dia. E sempre há mais candidatos a ritmistas. "Os novatos podem vir ensaiar, mas demora para alguém entrar numa bateria",

Arnaldo Manoel de Jesus, o Mestre Mug, primeiro diretor de bateria da Portela. "Quem chega junto é porque é bom mesmo e gosta de bater. O ritmista não vê o carnaval, está concentrado, não se diverte. Às vezes, tira sangue da mão durante o desfile."

Mestre é o título que se dá ao primeiro diretor de bateria, o maestro da escola, auxiliado por outros quatro diretores que impõem disciplina. Na Portela, por exemplo, é proibido faltar aos seis meses de ensaios técnicos e beber demais antes do desfile. "A filosofia de uma bateria é muito simples: trabalhar em conjunto", diz Mestre Mug. "O individualista não tem lugar aqui".



Organização meticulosa é o segredo

Desde 1935, quando as escolas de samba do Rio de Janeiro foram obrigadas a tirar alvará de funcionamento, sua organização interna se aperfeiçoou. Na época, Dulcídio Gonçalves, titular da Delegacia de Costumes e Diversões, colou um "grêmio recreativo" na frente do nome de cada uma delas. Toda agremiação deve ter um estatuto registrado em cartório e instalações mínimas, como quadra e barracão. A eleição do presidente se dá pelo voto direto da comunidade, mas o "regime de governo" é de cima para baixo, como a pirâmide hierárquica de uma empresa convencional (veja o infográfico acima).

No Rio existem 44 escolas de samba. Para que as grandes não fossem voto vencido nas assembléias da Associação das Escolas de Samba, em 1984 nasceu a Liga Independente das Escolas de Samba, epicentro das 18 maiores. A entidade organiza e administra a festa na Passarela do Samba, o sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí, na ponta do lápis. Ou melhor, na tela de vários computadores, como uma boa S/A.



Para saber mais

Paulo da Portela, Traço de União entre Duas Culturas, Marília T. Barboza da Silva e Lygia Santos, Funarte, Rio de Janeiro, 1989.

As Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, Lumiar, Rio de Janeiro, 1996.

História do Carnaval Carioca, Eneida Moraes, Record, Rio de Janeiro, 1987.

Memória do Carnaval, Riotur-Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1991.

Batucadas de Samba, Marcelo Salazar, Lumiar, Rio de Janeiro, 1991.

Silas de Oliveira, do Jongo ao Samba-enredo, Marília T. Barboza da Silva e Arthur L. de Oliveira Filho, Funarte, Rio de Janeiro, 1981. Posted by Picasa

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

É FREVO!

Música ou dança, o que veio primeiro?
Quando alguém fala em dança, música ou Carnaval brasileiro, todo mundo pensa logo no samba. Mas o frevo, nascido em Pernambuco, mais precisamente no Recife, não só é igualmente brasileiro como também explode no Carnaval. A grande diferença é que, ao contrário do samba, não se espalhou pelo país.

Claro que brasileiros de todos os cantos reconhecem o ritmo quando o ouvem. Afinal, cantores conhecidos, como Caetano Veloso ou Moraes Moreira, já gravaram frevos que ficaram famosos nacionalmente. Muitos também são capazes de identificar ainda que para alguns seja impossível botar em prática os passos que acompanham esse tipo de música. Mas tocar, cantar e dançar frevo é coisa de pernambucano. Uma pena, na opinião do músico e bailarino também de Pernambuco Antônio Nóbrega, que defende a possibilidade de se usar o frevo como base para o desenvolvimento de uma dança clássica genuinamente brasileira. Algo para ser ensinado nas academias, ao lado do conhecido clássico europeu e do jazz. De certo modo, Nóbrega já vem fazendo algo para isso. Seu espetáculo de música e dança Figural que abriu com sucesso a 7ª Bienal da Dança de Lion, na França, em setembro do ano passado, é completamente influenciado pelo frevo.



Saltos e piruetas

Mas por que o papel de gerar esse produto artístico nacional não poderia ser do samba? "Porque o samba não é uma dança", justifica Nóbrega. "É basicamente um passo, ao qual podem ser acrescidos adornos." Opiniões à parte, o certo é que a coreografia do frevo não padece dessa carência. São cerca de 120 passos diferentes. Muitos tão acrobáticos quanto aquelas piruetas nas quais o russo Mikhail Baryshnikov é craque. Segundo o compositor erudito brasileiro César Guerra Peixe (1914-1994), trata-se de um gênero único, pois o dançarino dança a orquestração. Por isso mesmo, para compor um frevo é preciso conhecer os papéis dos vários instrumentos numa orquestra, principalmente os dos metais.

As primeiras composições, não por acaso, foram de mestres de bandas, como José Lourenço da Silva, o Zuzinha. É que o frevo nasceu da competição entre bandas marciais. Cada uma com seu grupo de capoeiras, leões-de-chácara cheios de ginga, à frente, elas foram moldando as marchas militares à cadência da luta-dança, dando origem à nova música. "O nascimento do frevo não tem data específica", avisa o historiador Leonardo Dantas Silva, da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife. "Ele foi nascendo aos poucos, resultado de uma sincronização entre música e dança."



Levado para o Rio, não empolgou

Por volta de 1880 começaram a surgir as primeiras sociedades carnavalescas do Recife. Eram os chamados "clubes pedestres". Compostos por populares, eles se apresentavam assim mesmo: a pé. A aristocracia ficava nos clubes fechados. Quando os capoeiras eram reprimidos à frente das bandas marciais (veja no quadro acima), se refugiavam nos desfiles dessas agremiações e passavam a defender seus estandartes.

As orquestras desses clubes tocavam polca, maxixe, tango, marchas. E também foram influenciadas pelos passos da capoeira. Quando nasceu, em 1889, é provável que o Clube Vassourinhas já tocasse o frevo. Depois o gênero evoluiu, adquirindo uma personalidade ainda mais marcante. Quem ouvia essa música nova tentava encontrar paralelos. Em visita a Recife, em 1942, o cineasta americano Orson Welles teria chegado a achá-la parecida com a italiana tarantela. Especialistas negam a semelhança.

Difícil de identificar, o frevo era também duro de imitar. Bem que se tentou, várias vezes, levá-lo para o Rio, mas não deu certo. "Frevo não é espetáculo, que nem as escolas de samba, mas participação do povo", explicou o estudioso Valdemar de Oliveira no livro Frevo, Capoeira e Passo. "Se não há povo participante em quantidade e, sobretudo, em qualidade, que lhe dê corpo e alma, desfilará um ajuntamento de virtuosi, ou pseudo-virtuosi, não frevo."

Malabarismo na rua não é pra qualquer um

Se é importante conhecer bem música para compor o frevo, parece ser necessário ainda algo mais para tocá-lo bem. Valdemar de Oliveira reclama que só quando a Federação Carnavalesca Pernambucana resolveu mandar o maestro Zuzinha ao Rio, para ensaiar as bandas cariocas encarregadas de gravar as composições premiadas no Carnaval, os resultados ficaram melhores. Antes, as notas vinham corretas, ele conta, mas o andamento era errado e o ritmo, frouxo.

Talvez haja um pouco de bairrismo na avaliação. Mais aberto, Francisco Nascimento da Silva, 60 anos, o Nascimento do Passo, resolveu até abrir uma escola em Recife para ensinar a dança a turistas ou mesmo a moradores mais duros de cintura. "Em um mês qualquer um pode se tornar um bom dançarino", exagera. Talvez a generosidade venha do fato de que ele não é pernambucano. Veio, menino, do Amazonas. Cá para nós, um mês de aulas deve dar apenas para passar o Carnaval sem vexame, arriscando uns vinte dos 120 passos conhecidos.

A maioria dos 150 000 turistas que já devem estar arrumando as malas para o Recife, no entanto, só vai contar mesmo é com a cara, a coragem e a animação. Mas esta última, o frevo garante. Para se ter uma idéia do frisson que causa, vale lembrar uma história antiga, de 1950. Nesse ano, a caminho do Rio, o Vassourinhas, com uma orquestra incrementada de 65 músicos, fez uma escala em Salvador, onde foi convidado a mostrar o frevo. O que aconteceu então foi uma loucura. Desacostumada da regra - implícita em Pernambuco - de respeitar a orquestra, a multidão atropelou tudo o que havia pela frente. O resultado foram narizes quebrados. Além de uma grande idéia. Naquele mesmo ano, dois baianos, os famosos Dodô e Osmar, mais o engenheiro Demís-tocles, montaram um sistema de amplificação de som num carro velho (fubica) e saíram pelas ruas tocando o repertório do Vassourinhas. No ano seguinte, num caminhão iluminado, com dois geradores e oito alto-falantes, nascia o trio elétrico. Um resultado feliz, que inventou um frevo diferente, até hoje tocado na folia baiana. E que foi repassado para o resto do país em 1979, na música Vassourinha elétrica, de Moraes Moreira. Aí vai um trecho da letra para você:

"Varre, varre, varre Vassourinhas / Varreu um dia as ruas da Bahia / (...) / Abriu alas e caminho pra depois passar / O trio de Armandinho, Dodô e Osmar / E o frevo que é pernambucano / Sofreu ao chegar na Bahia / Um toque, um sotaque baiano / Pintou uma nova energia / Desde o tempo da velha fubica / Parado é que ninguém mais fica / É o frevo, é o trio, é o povo / (...) / Sempre juntos, fazendo o mais novo Carnaval do Brasil".

Para saber mais



Festas, Máscaras do Tempo, Rita de Cássia Araújo, Prefeitura do Recife, 1996.

História do Carnaval de Pernambuco, Claudia Rocha Lima, Prefeitura do Recife, 1996.

Escola Municipal de Frevo, Rua Castro Alves, s/n, Torreão, Recife.
Ginástica
Em testes realizados na Faculdade de Educação Física de Pernambuco foi comprovado que um passista consome dezenove vezes mais energia em ação do que em repouso. A cada três minutos, ele perde 36 calorias, o equivalente a passar o mesmo tempo correndo à velocidade de 18 quilômetros por hora.



Novo papel

Embora já possa ter tido uma função agressiva (veja o quadro ao lado), a sombrinha hoje só serve mesmo é para ajudar no equilíbrio do passista, além de expressar, em suas múltiplas cores, a alegria do Carnaval.



Conquista feminina

Na origem, mulher não dançava o passo, como é chamada a coreografia do frevo. Era um bailado masculino e, segundo historiadores, demonstrativo de virilidade. Com o surgimento dos blocos, a partir de 1915, moças começaram a ser admitidas, ainda timidamente. Hoje, se houver uma contagem, é possível que elas sejam maioria.



Qualquer roupa

Não há traje especial para a dança. Em geral, usa-se apenas algo que permita movimentos largos. As cores vibrantes também são bem-vindas.

Batismo
Publicada pela primeira vez no Jornal Pequeno, de Recife, em 1908, a palavra frevo pegou logo (a ilustração abaixo é de 1909). Trocando o r de lugar, o povo dizia que as ruas "freviam" durante o Carnaval. Só mais tarde o termo passou a designar a música.



Bandas marciais

Frevo é a música. A dança se chama passo. O ritmo surgiu no final do século passado, quando bandas marciais que tocavam marchas nas festas de rua do Recife começaram a assimilar nuances de choro, de polca, de maxixe. A personalidade do estilo, no entanto, se firmou junto com a dança.



Forcinha da capoeira

Na metade do século XIX era comum ver capoeiras à frente das bandas, exibindo-se para intimidar grupos inimigos. Os músicos acabaram reformulando o ritmo, para acompanhar a coreografia. O resultado desse casamento foi o frevo.



Arma disfarçada

No Recife, os capoeiras haviam adquirido o hábito de carregar, como arma, um pedaço de pau. Com a repressão, trocaram-no por um guarda-chuva. Ele era carregado fechado e quase nunca estava em bom estado.



Frevo no pé

Em 1950, Nascimento do Passo, 60 anos, venceu o primeiro grande concurso de passo em Recife. Virou um mito e abriu a primeira escola da dança, em 1973. Hoje, o músico e bailarino Antônio Nóbrega já leva para o exterior espetáculos impregnados de frevo.



Recordista

As escolas de samba devem estranhar, mas o maior clube carnavalesco do mundo, de acordo com a edição nacional do Guiness Book 1996, é um clube de frevo. Criado em 1977, o Galo da Madrugada leva mais de 1 milhão de foliões às ruas do Recife no sábado de carnaval.



Pai do trio

Em 1950, a banda do Clube Vassourinhas enlouqueceu a multidão no Carnaval de Salvador com seu frevo. No mesmo ano, os baianos Dodô e Osmar inventaram o trio elétrico, que amplificava o som do frevo e tirava os músicos da rua, protegendo-os em cima de um caminhão.



Vários em um

O frevo de rua é instrumental e sustentado pelos metais. Mas a partir de 1915 surgiram os blocos de frevo, mais bem-comportados. As orquestras tinham violões, banjos, cavaquinhos. E havia letra. Logo surgiria o frevo-canção, mais para cantar.

Tuba
Cuida do ritmo e da harmonia do compasso.



Trombones

Dão a resposta grave aos trompetes.



Taróis

Trabalham com o surdo na manutenção do ritmo.



Surdo

Ajuda a manter o ritmo.



Saxofones

São a base da música e dão a linha melódica.



Requinta

Este pequeno clarinete conduz as variações da melodia.



Trompetes

Responsáveis pelos agudos no diálogo dos metais.

Tramela lateral
A passista se abaixa (no detalhe). Ao se levantar, abre primeiro a perna direita e depois a esquerda, sempre apoiando-se no calcanhar.



Saci-pererê

Com um pé apoiado na dobra da outra perna, pula-se, flexionando (no detalhe), para a frente, para trás e para os lados. A troca do pé exige um salto maior.



Passa-passa

A sombrinha deve ser passada de uma mão para a outra, primeiro por baixo de uma perna e depois sob a outra (no detalhe).



Coice de burro

Tem origem na capoeira. No topo de um bom salto (no detalhe), as pernas devem ser flexionadas juntas.



Passo de bêbado

Cambaleando, joga-se o corpo para a frente, apoiado sobre os calcanhares e depois retorna-se, na ponta dos pés (no detalhe).

Ninguém no Recife conhece Lourenço da Fonseca Barbosa. Mas pergunte pelo Capiba, seu apelido, e não haverá quem não saiba de quem se trata. Aos 92 anos, Capiba é o maior compositor de frevos vivo do Brasil. Fez mais de 500 músicas. Só frevos, foram 262 desde o primeiro grande sucesso É de amargar, de 1934, até hoje.
Mas isso aconteceu muito depois de sua iniciação. Filho (um dos treze) de um professor de música, respirou notas musicais desde que nasceu, em Campina Grande, Paraíba. Lá mesmo chegou a trabalhar como pianista num cinema mudo e montou a Jazz Band Campinense. Só em 1930 foi para o Recife, trabalhar no Banco do Brasil, mas a burocracia não o fez esquecer a música. Sorte do frevo.



Miniglossário carnavalesco

Onda: a massa de passistas em evolução.

Farofado: a confusão formada pelos passistas.

Peso: a potência, capacidade de atração de um bloco.

Mergulho: cair no frevo, entrar na dança.

Frevança: concurso de frevo ou ato de "frever".

Abafo: fortalecimento da música de uma orquestra, tentando abafar o som de outra.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

QUEM FOI QUE INVENTOU O CARNAVAL?



A mistura da tradição européia com os ritmos musicais dos africanos criou no Brasil um dos maiores espetáculos populares do mundo. O Carnaval nasceu no Egito, passou pela Grécia e por Roma, foi adaptado pela Igreja Católica e desembarcou aqui no século XVII, trazido pelos portugueses. Viva a folia!


"Quem foi que inventou o Brasil? / Foi seu Cabral, foi seu Cabral / No dia vinte dois de abril / Dois meses depois do Carnaval"
(História do Brasil, Lamartine Babo, 1934)

Com História do Brasil, Lamartine Babo (1904 - 1963) fez mais do que o grande hit de 1934: deu uma definição clássica da festa e do país. À altura desta, só a de Assis Valente (1911 -1958), em Alegria : "Minha gente era triste, amargurada / Inventou a batucada / Prá deixar de padecer / Salve o prazer / Salve o prazer".
Abaixo do Equador, onde não existe pecado, a fusão da tradição européia com a batucada africana libertou o Carnaval na plenitude. Em nenhum lugar, ele adquiriu a dimensão que alcançou no Brasil. Durante quatro dias, o país fica fechado para balanço. Ou melhor: fica aberto para só balançar. E se entrega ao espetáculo que seduz e deslumbra os estrangeiros.
A farra toda vem do inconsciente dos povos, desde os rituais da fertilidade e as festas pagãs nas colheitas. Remonta às celebrações à deusa Ísis e o touro Ápis, no Egito, e à deusa Herta, dos teutônicos, passando pelos rituais dionísiacos gregos e pelos licenciosos Bacanais, Saturnais e Lupercais, as suntuosas orgias romanas.
No século VI, a Igreja adotou essas festas libertárias que invertiam a ordem do cotidiano, para domesticá-las. Juntou todas na véspera da Quaresma - como uma compensação para a abstinência que antecede a Páscoa. O Carnaval, então, espalhou-se pelo mundo. Desembarcou no Brasil no século XVII. Aqui, virou um dos maiores espetáculos do mundo. Você vai conhecer um pouco mais da origem da grande folia, desde a mais remota antigüidade até a invenção da serpentina.
Em Roma, comemoravam-se as Saturnais de 16 a 18 de dezembro, para a glória do deus Saturno. Tribunais e escolas fechavam as portas, escravos eram alforriados, dançava-se pelas ruas em grande e igualitária algazarra. A abertura era um cortejo de carros imitando navios, com homens e mulheres nus dançando frenética e obscenamente - os carrum navalis. Para muitos, deriva daí a expressão carnevale.
No dia 15 de fevereiro, comemoravam-se as Lupercais, dedicados à fecundidade. Os lupercos, sacerdotes de Pã, saíam pelados, banhados em sangue de cabra, e perseguiam os transeuntes, batendo-lhes com uma correia. Em março, os Bacanais homenageavam Baco (o deus grego Dionísio em versão romana), celebrando a primavera inspirados por Como e Momo, entre outros deuses.
Assumindo o controle da coisa, a Igreja fez o que pode para depurar a permissividade igualitária dos carnavais. Na Idade Média, a festa virou encenação litúrgica, corrida de corcundas, disputa de cavaleiros e batalha urbana de ovos, água e farinha. Depois, o carnaval se espalhou pelo mundo.
Na Rússia, a Maslenitsa dá adeus ao inverno, com corridas de esqui, patinação, danças com acordeão, balalaika, blinky masleye (panquecas amantegadas) e, é claro, muita vodka. No carnaval de Colônia, na Alemanha, as mulheres armam-se com tesouras e saem pelas ruas para cortar as gravatas dos homens.
Em Veneza, a tradição consagrou os fogos de artifício e foliões mascarados, inspirados na velha Commedia dell´ Arte. Na Bolívia, os mineiros de Oruro veneram a mãe-terra, Pachamama, dançando fantasiados de demônios. Em New Orleans, nos Estados Unidos, uma torrente humana invade as ruas do French Quarter, na terça-feira do Mardi Gras, atrás de músicos que tocam toda a noite.


Um ritual subverte a hierarquia

O entrudo português chegou aqui no século XVII. Os foliões se lambuzavam com cabaças de farinha e bexigas d´água. Durante a Colônia e o Império, o entrudo foi proibido inúmeras vezes. Consta que D. Pedro II gostava de jogar água nos nobres, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.
O primeiro baile aconteceu em 1840, no Hotel Itália, no Rio, ao som de valsas, quadrilhas e habaneras. Em 1845, os ricos aderiam à polca tcheca e os negros dançavam jongo. Em 1848, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, saiu por aí tocando bumbo. Deu origem aos primeiros blocos de rua.
Os cordões começaram com as sociedades carnavalescas, em 1866. Na Bahia, em 1895, nascia o primeiro afoxé: estava inventada a batucada. Depois da Guerra dos Canudos, em 1897, uma gentarada foi morar no Morro da Saúde, criando a primeira favela do Rio. Ali, na casa da Tia Ciata, foi composto o primeiro samba, em 1917: Pelo Telefone, de Donga.
Era só o começo. Vieram o Rei Momo, os corsos de automóveis das boas famílias (1907-1930), as escolas de samba (1928) e os concursos de fantasia (1936). Em 1935, o desfile das escolas de samba foi legalizado pela Prefeitura do Distrito Federal. Com o rádio, a festa difundiu-se e profissionalizou-se. Com a televisão, virou indústria.
O antropólogo Roberto DaMatta, autor de Carnavais, Malandros e Heróis (Rio, Ed. Zahar, 1979) define a folia como um rito de inversão, que subverte as hierarquias cotidianas: transforma pobres em faraós, ricos em mascarados, homens em mulheres, recato em luxúria. É uma compensação da realidade. Inventamos a batucada para deixar de padecer.

Quatro maneiras de brincar ao ar livre

Com o frevo, os afoxés e os trios elétricos, o negócio é ir para a rua se embolar

O frevo frenético
A palavra vem de "fervura" e lembra os movimentos acelerados dos foliões. É uma dança de rua e de salão, criada em Recife, nos fins do século XIX. A música, tocada principalmente por metais, é essencialmente rítmica, com compasso binário (de dois "tempos") e andamento rápido. Os dançarinos executam coreografias individuais, improvisadas e frenéticas, que exigem animação de sobra e preparo físico mais de sobra ainda.

Tradição da África
Os afoxés são sociedades carnavalescas fundadas por negros, na Bahia, inspiradas nas tradições africanas. O primeiro afoxé nasceu em 1885: era o Embaixada Africana, que desfilou com roupas e adornos importados na África. O segundo, Pândegos da África, surgiu no ano seguinte. Hoje, os principais afoxés da Bahia são Filhos de Gandhi, Ilê Aiyê e Olodum.

Eletricidade musical
Os trios elétricos são palcos motorizados. Montados na carroceria de caminhões e equipados com potentes alto-falantes de até 100 000 watts, desfilam pelas ruas, levando grupos musicais e seguidos pela população. O precursor foi o Trio Elétrico de Dodô e Osmar, na Bahia. Hoje, essa folia eletrificada marca presença em quase todas as ruas do país.

Samba na avenida
As escolas de samba estrearam no Rio de Janeiro, em 1928 e, com o tempo, adquiriram estrutura e orientação empresariais, reunindo até 15 000 integrantes. Hoje, elas comercializam apresentações, direitos autorais e de imagem, sob o patrocínio do Estado e de banqueiros do jogo do bicho. O termo "escola de samba" surgiu no século XIX, mas foi definitivamente adotado nos anos 30, desde que o bloco Deixa Falar (a primeira de todas) passou a fazer ensaios à porta da antiga Escola Normal.


ISSO TAMBÉM É CARNAVAL

Os confetes chegaram ao Brasil em 1892, jogados em batalhas entre os cordões. As serpentinas substituíram as flores atiradas aos carros alegóricos.

Sob fantasias, o folião tem muito mais liberdade. Elas são usadas no Brasil desde o século XIX. Em 1937, houve o primeiro desfile, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro

O lança-perfume, com perfume e cloreto de etila, foi trazido da França a partir de 1906. Foi proibido em 1960, porque a substância era aspirada como uma droga

Os primeiros blocos foram licenciados pela polícia em 1889, no Rio. Os integrantes percorrem as ruas fantasiados, ao som de instrumentos de percussão

O Rei Momo foi instituído pelo jornal carioca A Noite, em 1933, como símbolo do Carnaval. O primeiro Rei Momo foi o compositor Silvio Caldas

Nas bandas, cada um vai como pode: não existe uniforme ou regulamento. A primeira surgiu em 1965, em Ipanema, no Rio de Janeiro Posted by Picasa

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Praia ao Luar



Um lugar simples, como uma praia ao luar...a lua brilha na atmosfera ,nos iluminando.. caminhamos juntos pela areia, em direção ao mar...as explosões das ondas, a maresia.. nos transmitiria uma sensação de calma e paz.. e sentaríamos à beira mar, abraçados.. a sua pele estaria em contato com a minha.. os meus cabelos esvoaçando ao sabor do vento.. e você começaria a beijar os meus lábios.. E eu prefiro que um beijo ocorra quando estamos a sós, lado a lado.. eu estaria à sua direita, te olharia em seus olhos.. não estaríamos dizendo nada.. nem uma palavra...e você ficaria a olhar para mim...só a respiração que se faria ouvir.. e você se aproximaria pouco a pouco...a sua mão a tocar o meu rosto...os seus lábios encontrariam os meus.. de leve.. os olhos de ambos estariam fechados.. você estalaria alguns beijos em minha boca.. e então começaria a me beijar os lábios inferiores ..e avançaria cada vez mais até envolver toda a minha boca.. e a sua língua começaria a deslizar por meus lábios.. percorrendo-os.. até penetrar em minha boca.. e encontrar a minha língua.. ambas se enrolariam ..e se sugariam mutuamente....envolvendo –se numa dança meio que erótica.. meio que sensual ..e sua mão estaria agora em minha garganta, pressionando-a levemente.. carinhosamente.. e após as nossas línguas se separarem, você ficaria a sugar meus lábios.. por um canto.. às vezes por outro ..e os morderia de leve.. e novamente as nossas línguas se encontrariam.. a assim por diante ... até ouvir uma respiração excitada.. o coração batendo forte...
As suas mãos começariam a acariciar o meu corpo.. começando por minhas pernas.. alisando-as.. sentindo bem como são firmes e macias.. as mãos percorrendo devagar, se aproximando de minhas partes íntimas, já umedecidas pelo beijos que você me deu...e me acariciaria a vagina, coberta pela roupa ..e eu me deliciaria com a sensação de sua mão me tocando.. e você se abaixaria mais para poder beijar o meu pescoço, sugando - o suavemente....os meus cabelos caem sobre você , te abraçando de múltiplas formas.. e você tiraria a minha blusa, deixando aparecer os meus seios ,livres, sendo iluminados pela luz da lua.. os bicos endurecidos... como em louvor de agradecimento pela natureza que os criou.. e você os abocanharia, com sua língua deslizando por eles.. desde o pescoço até eles...você sente o meu sabor e vai caminhando em volta das auréolas .. devagar..com o propósito de endurecê-los ainda mais.. e você os suga, abocanhando-os inteiros.. a sua língua lamberia o contorno deles ..a sua mão já estaria em meus quadris, segurando-os .. as minhas mãos em seu corpo.. te acariciando ..Logo, você abaixa ainda mais ..e beija com carinho o meu ventre.. de modo a provocar arrepios em meu corpo.. um gemido mal disfarçado de prazer, ressoa pelo ambiente.. e você começa a retirar as minhas últimas peças de roupa, para que eu fique nua em sua frente.. banhada pelos raios da lua ,refletidos pelos fios dos cabelos compridos.. e como se fosse uma bela visão.. digna de se pintada e imortalizada por Michelângelo...o meu corpo passaria a sofrer com o ataque de beijos e lambidas ávidas ,em todas as partes de meu ser. A minha vagina pulsaria de excitação...úmida como o rastro daquela onda que se foi.. seus dedos me penetrariam.. mergulhando em meu interior íntimo.. e os meus lábios seriam afastados, para que você possa ter uma visão de meu lado proibido..e veria o nectar escorrendo deles.. o seu dedo a desaparecer dentro de mim.. o calor que eu emano.. e você beijaria prolongadamente o meu clitoris.. como se fosse uma segunda boca ..e com algumas mordidas de leve para estimular meus centros de prazer.. e levar-me a uma estado de pura excitação.. cheia de desejo para te sentir ..e você retiraria o dedo após passar uma espécie de eternidade dentro de mim.. você o observa totalmente molhado ..aquecido pelas minhas entranhas..e o chuparia para provar de meu sabor... e compartilharia comigo. E eu retiro as suas roupas.. você fica nu em minha frente, com o pênis em riste.. latente.. endurecido como uma barra de ferro forjado por um deus chamado Volcano , que era o deus do fogo e mestre das artes da metalurgia.. e o entregaria para mim.. que cuidaria com carinho.. através de meus beijos, dados na cabeça dele.. os meus seios junto a ele, abençoando – o no seu caminho para as profundezas de meu ser...a minha língua deslizando por ele, umedecendo – o e assim continuaria repetidamente.. e você já com o coração descompassado também com esta atmosfera que nos embriaga, me levantaria e me encostaria à uma das pedras que está ao lado e pede que eu a abrace.. o barulho das ondas .. e então você levantaria uma de minhas pernas.. deixando meu bumbum mais arredondado na luz.. e meu sexo estaria mais exposto ..você penetraria a minha vagina lentamente por trás ..e uma de suas mãos estaria abraçada a mim, estimulando o meu clitoris.. você sente os meus gemidos de prazer.. e como um felino, você morderia a minha nuca, descendo um pouco mais como se prendesse sua fêmea para o ato.. e eu nada poderia fazer, restando aguardar o momento ...nossa excitação se torna evidente.. e o seu pênis a penetrar-me ..você sente prazer em ver meus lábios te engolindo.. as minhas pregas envolvendo o tronco dele.. desaparecendo dentro de mim.. e então eu contraio o bumbum, apertando seu pênis nas paredes da minha vagina.. prendendo – o e eu seguro o máximo possível.. sentindo deliciosamente o seu calor.. como é prazeiroso ter você dentro de mim.. o meu prazer aumenta.. e eu relaxo.. permitindo –lhe iniciar um movimento de vaivem...e depois de algum tempo, eu contraio meu bumbum novamente, prendendo – te de novo por mais algum tempo, te soltando depois. .e assim eu faria de vez em quando.. você seguraria os meus quadris..o suor começa a escorrer pelas suas costas.. as vezes pingando de sua testa e caindo em meu corpo.. o meu bumbum brilha com o suor, tornando-o mais desejável ... o orgasmo começa a chegar.. as sensações tornam –se mais intensas... e de repente como uma explosão das ondas do mar que são jorradas quando se chocam umas às outras vigorosamente.. sinto teu esperma se chocar contra o meu útero, percorrendo e preenchendo toda vagina.. eu me delicio.. você afasta meus cabelos compridos e grudados em minhas costas, me abraçando demoradamente.. nossa respiração vai se tranquilizando aos poucos.. você me dá sua mão e me convida para deitarmos na areia e continuarmos abraçados.. trocando alguns beijos de carinho, sob este luar maravilhoso que inspirou a gente se amar assim Posted by Picasa

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

O tempo nos parques




O tempo nos parques é íntimo, inadiável, imparticipante, imarcescível.
Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira
Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.


O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos
Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques
Oculta-se no torso muscular dos fícus, o tempo nos parques.


O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.
É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixam um frêmito no espaço do tempo nos parques.


O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis
Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica
Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.


Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja
Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura
Nos parques; e a pequenina cutia surpreende
A imobilidade anterior desse tempo no mundo
Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo
É o tempo nos parques. Posted by Picasa

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Voz no Ouvido - Pedro Camargo Mariano




Tava esperando, um telefonema teu
Tava precisando de uma voz no ouvido meu

Tava imaginando teu olhar mirando o meu
Tava desejando, um beijo em teu umbigo

Tá legal....
Falei que não devia

Me dei mal....Amanheceu um novo dia
Já esqueci...pensei em te decidir

Tô aqui esperando, pra ver se você vem

Deixar, de lado essa tristeza
Beijar, a paz desse tormento
Deitar, esse amor desarrumado
Chegar, de perder tanto tempo
Amar..... Posted by Picasa

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domingo, 19 de fevereiro de 2006

Sobre a Vida


" A vida é um conjunto de circunstâncias, as quais você pode alterar, desenvolver e melhorar dia após dia.
A decisão é sua: está em suas mãos.
Como o oleiro na roda, você é a força que muda e transforma o barro em algo belo.
Como o pincel do pintor descrevendo algo suave,
novo e pitoresco, você pode criar o cenário
que é melhor para você.
Toda pessoa tem o poder de assumir
o controle das circunstâncias na vida
de alterá-las,
desenvolvê-las
ou melhorá-las
dia após dia.
Nenhum de nós pode dizer:
'Devo aceitar tudo o que aparecer',
pois o caminho que escolhemos
trilhar na vida é uma decisão nossa.
O poder de mudar sempre está nas suas mãos. " Posted by Picasa

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sábado, 18 de fevereiro de 2006

Dúvidas de alguns "Advogados"

01. Qual a capital do estado civil?
02. Dizer que gato preto dá azar é preconceito racial?
03. Com a nova Lei Ambiental, afogar o ganso passou a ser crime?
04. Pessoas de má-fé são aquelas que não acreditam em Deus?
05. Quem é canhoto pode prestar vestibular para Direito?
06. Levar a secretária eletrônica para a cama é assédio sexual?
07. Quantos quilos por dia emagrece um casal que optou pelo regime
parcial?
08. Tem algum direito a mulher em trabalho de parto sem carteira assinada?
09. A gravidez da prostituta, no exercício de suas funções profissionais, caracteriza acidente de trabalho?
10. Seria patrocínio o assassinato de um patrão?
11. Cabe relaxamento de prisão nos casos de prisão de ventre?
12. A marcha processual tem câmbio manual ou automático?
13. Provocar o Judiciário é xingar o juiz?
14. Se um motel funciona somente das 8 as 18 horas, podemos dizer que ali só ocorrem transações comerciais?
15. Para tiro à queima-roupa é preciso que a vítima esteja vestida?
16. O filho do bispo Edir Macedo será um herdeiro universal?
17. Quando uma prostituta usa uma camisinha durante o ato sexual, podemos dizer que ocorreu uma legítima defesa putativa?
18. Qual a influência da macumba no despacho saneador?
19. O infanticídio ocorre quando alguém dá para uma criança uma Fanta envenenada?
20. O Superior Tribunal de Justiça tem esse nome porque fica no último andar do edifício?
21. Analogia é a ciência que estuda a vida das Anãs?
22. Leis concretas são aquelas elaboradas por pedreiros?
23. Aplicação das normas jurídicas no espaço ocorre quando há julgamento na Lua?
24. Testamento cerrado é aquele em que os filhos herdam dos pais fazendas no interior de Goiás e Mato Grosso?
25. Bens móveis são os fabricados em marcenarias?
26. O "arroz com feijão" pode ser considerado uma receita pública?
27.Direito penal é aquele que trata das relações entre aves?
28. Queimaduras de terceiro grau são aquelas que ocorrem somente no curso universitário?
29. Contrato bilateral é o celebrado entre o Cafu e o Roberto Carlos?
30. Signatários são os caras que inventaram o horóscopo?
31. Para uma prisão de ventre é necessário haver flagrante?

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Chico Xavier


Que Deus não permita que eu perca o romantismo, mesmo sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o otimismo, mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser assim tão alegre.
Que eu não perca a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida, em muitos momentos é dolorosa.
Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles podem ir embora.
Que eu não perca a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca o equilíbrio, mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
Que eu não perca a vontade de amar, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim.
Que eu não perca a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo muitas ciosas que eu verei no mundo escurecerão meus olhos.
Que eu não perca o sentimento de justiça, mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão de meus olhos e escorrerão por minha alma.
Que eu não perca o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes exigirá de mim esforços incríveis para manter sua harmonia.
Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será subestimado e até rejeitado.
Que eu não perca a vontade de ser grande, mesmo sabendo que o mundo às vezes é pequeno.
E, acima de tudo, que eu jamais me esqueça de que Deus me ama infinitamente.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

REPENSANDO A VIDA



Repensar a vida consiste em rever valores.
Receber o inevitável serenamente,
Depositar ao leito do regato antigos pudores,
Aceitar o que a vida nos reserva inteiramente.

É existir sem temor de ser feliz.
É padecer e abrigar a angústia da alma
Tendo ciência que somos meros aprendizes.
Intentar não perecer, mantendo a calma.

Rebuscando meu baú encontrei registros
Induziram-me a repensar quantos atos impensados.
De que adiantou tanta vigilância? Tudo era sinistro.
Não tive muitas opções, aceitei meus fardos.

O temor... a dor foi inevitável.
Girei entre a loucura e a sanidade,
Gritei por paz, por amor inesgotável.
Repensando a vida... grito por serenidade.

(Neide Salles)

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

tudo tem um começo


Tudo principia num pensamento,
que se torna uma vontade
que se transforma numa atitude,
que se forma um hábito,
que se consolida num caráter...
somos construtores de nós mesmos...
o ser é construtor do próprio destino...
Pesquisar, substituir, mudar, mexer, nada..
E assim tudo fica como está e como sempre esteve...
Como é árdua a estrada daqueles que trazem novas idéias..
Elas podem significar a diferença entre o sucesso e o fracasso ...entre o sucesso e o fracasso acredite...
Chegará o dia em que não existirá dominador e o dominado, e qualquer pessoa ou nação, aonde estiver, independente de qualquer opção, poderá viver sem restrições como optar... e quando isso acontecer, corpos não mais cairão... prédios não mais cairão e só nos restará... A PAZ.
Algumas coisas são complicadas, mas não tanto que não se possa simplificar, um beijo, um sorriso, ou como o valor que se dá a um amigo !"

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Unidade Universal


Lanço uma grandiosa âncora de amor no Universo! Lanço-a agora, a partir do meu coração.Lanço-a, usando a robusta corda do meu amor, e permito que essa âncora alcance o ser amado. E agora, junto com os fogos do coração e da devoção suprema ao propósito cósmico, por amor, amor, e somente amor atraio esse ser humano, onde quer que esteja e quem quer que seja. Atraio esse amor para o meu coração e conheço o verdadeiro significado da Vida que se torna Vida, o verdadeiro significado da Unidade Universal.

Buda

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Há exato 10 anos atrás


Estréia no Brasil o filme norte-americano "Toy Story", o primeiro filme de animação feito inteiramente em computador.

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domingo, 12 de fevereiro de 2006

Mania de complicar os textos



VI - (DOUTORADO)
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementarque elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente queesse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar.

V - (MESTRADO)
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando- se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo.
Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

IV - (GRADUAÇÃO)
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

III - (ENSINO MÉDIO)
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor
agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

II - (ENSINO FUNDAMENTAL)
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

I - (SABEDORIA POPULAR)
Rapadura é doce, mas não é mole, não!!!

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sábado, 11 de fevereiro de 2006

Todas as Cartas de Amor são Ridículas







Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Fernando Pessoa

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

SÓ DE MÉDICOS





Médico para a enfermeira:
- De quem é essa boquinha?
- Não sei!
- De quem é esse narizinho?
- Não sei!
- De quem é essa orelhinha?
- Não sei!
- É... você tem razão...este necrotério infantil está uma bagunça!
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O sujeito volta ao médico trinta dias depois de ter sido operado do coração:
- O senhor está ótimo! - diz-lhe o médico.
- Eu já posso voltar a transar? - pergunta o paciente.
- Pode, mas só com a sua mulher! Eu não quero que você se emocione!
_______________________

Após a consulta o sujeito pergunta ao médico:
- Quanto é a consulta, doutor?
- São duzentos reais.
- Duzentos?! Não tem um desconto para um colega de profissão?
- O senhor também é médico?
- Não, eu também sou ladrão!
_______________________

O médico liga para o paciente.
- Alfredo, seus exames ficaram prontos.
- E aí, doutor!? Tudo bem?!
- Bem nada, rapaz! Tenho duas notícias para te dar: uma ruim e uma péssima.
- Diz logo, qual a ruim?
- Você tem apenas 24 horas de vida!
- 24 horas? Meu Deus, não pode ser! - e depois de alguns segundos...
- E a péssima?
- Tentei te ligar ontem o dia todo, mas só dava ocupado!
_______________________

O sujeito é apresentado a um médico numa festa.
Começam a conversar e de repente o médico vira-se para ele e pergunta:
- Eu já não tirei as suas amígdalas?
- Não, doutor! Eu ainda as tenho!
- Eu já não tirei o seu apêndice?
- Não, doutor! Quando eu tirei o apêndice ainda morava no interior!
- Você já não foi casado com a Maria?
- Fui, sim!
- Eu sabia que já tinha tirado alguma coisa de você!
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O médico abre o jogo para o paciente:
- Infelizmente, o senhor só tem seis meses de vida.
- E agora doutor? O que eu faço?
- Se eu fosse você, me casaria com uma mulher velha, chata e bem feia e me mudaria para o Paraguai.
- Por que, doutor?
- Vão ser os seis meses mais longos da sua vida!

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A mocinha vinha sentindo dores estranhas há algum tempo e procura um médico.
Após um exame, ele dá o veredicto:
- A senhora está com Mal de Chagas!
- Mal de Chagas? Como é que eu peguei isso?
- A senhora deve ter sido chupada por um barbeiro!
- Filho da puta - comenta a mocinha - Ele me disse que era advogado!
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O médico chegou no quarto do paciente e disse:
- Tenho duas noticias, uma boa e outra ruim!
- Ah doutor, que dor! Me fale a ruim primeiro, deixa a boa para depois, pelo menos posso me alegrar!
- Então lá vai a ruim: amputamos sua perna errada!
- Ah meu Deus! Que horror! Como podem fazer isso comigo!
- Calma! Aí vai a noticia boa: sua perna ruim está melhorando!
_______________________

O indivíduo estava sentindo dores horríveis por todo o corpo: doía da cabeça aos pés insuportavelmente.
Resolveu, então, procurar um médico. Chegando ao consultório, o médico fez todos os exames possíveis - tomografia, ressonância, ECG, ultra-som, endoscopia, etc. Após refletir muito, com a feição realmente preocupada, o médico virou-se para o doente e disse:
- Sinto informar-lhe, mas tenho uma péssima notícia... O seu caso é terminal!
- Pelo amor de Deus doutor, quanto tempo ainda tenho de vida?
perguntou desesperadamente o paciente.
- Dez... - respondeu o médico.
- Dez, o quê? Dez anos, dez meses, dez dias? - perguntou o paciente.
- O médico olhou para o relógio, e em tom fúnebre continuou:
- Nove, oito, sete...
_______________________

O paciente chega desesperado ao consultório do médico:
- Doutor, meu estômago não digere os alimentos, se como uma maçã, cago uma maçã, se como uma pêra, cago uma pêra, que devo fazer, doutor?!
O médico encarou seu paciente e disse:
- Já experimentou comer merda?

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Um médico encontra em um congresso uma médica. Após a palestra saem juntos e resolvem jantar. Depois vão para um hotel e resolvem ficar hospedados no mesmo. No quarto prosseguem com as carícias, beijos, exame físico completo e após a relação a doutora vai para o toalete, começa a se lavar: esfrega cada falange, metacarpo, antebraço umas 50 vezes. Do leito, o doutor observa e diz:
- Já sei qual sua especialidade!
- A médica pergunta:
- Qual é?
- Você é cirurgiã!
- Muito bem, como você descobriu?
- Pelo jeito que você se lava.
- Também descobri sua especialidade.disse ela..
- O médico, assustado, disse:
- Impossível! Não levantei da cama, nem me lavei!
- Você é anestesista!
- Surpreso, o médico pergunta:
- Como você descobriu?
- Foi fácil! Eu não senti nada durante a relação...
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No céu, os anjos separavam os recém-chegados conforme as profissões:
- O próximo!
- Marceneiro.
- Por aqui.
- Próximo!
- Advogado.
- Por aqui.
- Próximo!
- Médico.
- Por favor, fornecedor é pela porta dos fundos!
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Um português preocupado com sua saúde procurou um médico urgente:
- Doutor, pelo amor de Deus, estou sentindo dores no corpo todo!
- Dê exemplos, por favor...
- Ah doutor, eu ponho o dedo no pé, dói, ponho o dedo no peito, dói, ponho o dedo na cabeça, dói, como pode ver, todo meu corpo dói.
- Huuuum, acho que já sei...
- O que é doutor? Pelo amor de Deus, grave?
- Não, Manoel, não é grave: você apenas quebrou o dedo.
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Qual a semelhança entre o ginecologista e o entregador de pizza?
É que ambos só sentem o cheiro, mas comer que é bom...
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Um rapaz vai ao proctologista com uma queixa bastante inespecífica. O médico ao fazer o toque retal percebe um corpo estranho, e começa a puxá-lo.
Ao retirar completamente o objeto qual é sua surpresa ao perceber que se trata de uma rosa. O médico estarrecido diz ao paciente:
- Mas é uma rosa...
O rapaz responde prontamente:
- é pra você bonitão!
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O médico para o paciente:
- Meu amigo, eu tenho uma boa e uma má notícia para você.
A má é que você tem fortes tendências homossexuais.
- Meu Deus, doutor! E qual é a boa notícia?
- A boa notícia é que acho você um gato. __________________________________________________

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Pense nisso.....


Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo,
Conseguindo
E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que Ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

Luiz F. Veríssimo

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Mensagem do Dia


O amor verdadeiro transforma os seres humanos em verdadeiros magos. Quem ama ouve o som das estrelas e a poesia da lua.
Amar é ultrapassar-se, fazer algo grandioso pela pessoa que se ama e não há nada mais grandioso que liga-la a DEUS.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Organizações Globo: Discurso nacionalista,negócios nem tanto


No auge da sua crise de endividamento, as Organizações Globo começaram uma série de iniciativas visando transformar sua imagem. Foram debates, seminários, anúncios comerciais e muitas declarações a imprensa para provar que, especialmente a sua TV, é a quintessência da cultura nacional e guardiã da língua portuguesa.

A estratégia ofensiva-defensiva visava neutralizar as críticas que poderiam surgir a um eventual empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) feito em condições bastante vantajosas.

A operação bancária não foi realizada (por motivos que não cabem aqui detalhar), mas o discurso se manteve, incluindo, agora, a mitificação da imagem de Roberto Marinho e a reconstrução da história do jornalismo televisivo da Rede Globo.

Tudo isso visava preparar o ambiente para que a Globo pudesse abandonar sua estratégia malfadada de dominar as estruturas de produção e transmissão de informações, para se concentrar na produção de conteúdo.

Em outras palavras, o discurso nacionalista surgia justamente no momento em que a Globo vendia boa parte do seu capital para grandes grupos estrangeiros.

E a lei?

A Lei da TV a Cabo (nº 8977/95) determina um limite de 49% para a participação do capital estrangeiro nas operadoras de cabo (aquelas que detêm a rede física de transmissão). Ocorre que Globo negociou a venda da Net Serviços (a operadora do grupo) à Telmex, de propriedade do homem mais rico da América Latina, o mexicano Carlos Slim Helu.

Helu é dono, no Brasil, da empresa de telefonia celular Claro, da Embratel e da antiga AT&T Latin America. Faltava, contudo, uma rede de cabos que pudesse chegar à casa dos potenciais clientes a fim de oferecer telefonia fixa e internet banda larga. Sem isso, a Embratel ficava por demais vulnerável ao ataque das outras teles fixas (Telemar, Telefônica e Brasil Telecom).

A Net Serviços se encaixava como uma luva na estratégia do grupo mexicano, mas a proposta do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) de retirar qualquer limite ao capital estrangeiro nas empresas de TV a cabo (igualando-as às teles fixas e celulares e às empresas de TV por assinatura via microondas e satélite) ainda tramita no Congresso e não há prazo para a sua aprovação.

Sendo assim, era necessário buscar algum "contorno" para permitir que a Telmex pudesse assumir o controle da Net Serviços, a despeito do que diz a Lei da TV a Cabo.

Para superar os "limites" da legislação foram contratados os mesmos advogados (Barbosa Müssnich e Sérgio Bermudes) que assessoraram o Banco Opportunity na compra da Brasil Telecom, que terminou retirando da direção da empresa os sócios Itália Telecom e fundos de pensão das estatais. O processo se transformou na maior batalha jurídica dos últimos anos.

Foi, então, criada uma empresa, denominada GB Empreendimentos e Participações (CNPJ 04.527.900/0001-42), que passou a deter 51% das ações ordinárias (com direito a voto) da Net Serviços.

A Telmex terá 37,5% das ações ordinárias da Net Serviços. Portanto, menos que os 49% determinados pela lei. Os restantes 11,5% estarão pulverizados no mercado acionário. Pelo menos por enquanto. Assim, a GB será a nova sócia majoritária da Net Serviços. Mas, quem é a GB?

Dos 51% das ações da GB na Net Serviços, 51% estarão com a Globo e 49% com a Telmex. O que corresponde, no capital total da Net Serviços, a 26,01% das ações ordinárias com a Globo e 24,99% com a Telmex.

Como a GB é a sócia majoritária da Net Serviços e os 26,01% da Globo na Net Serviços correspondem a 51% da GB, em tese a Globo cumpre o disposto na Lei da TV a Cabo porque mantém consigo o controle da Net Serviços, por meio do controle da GB.

Mas a Telmex passa a controlar diretamente 37,5% das ações da Net Serviços e indiretamente, através da GB, mais 24,99%. Ou seja, ainda que não tenha formalmente o controle da Net Serviços, a Telmex fica com 62,49% das ações ordinárias (com direito a voto) da Net Serviços. E a Globo apenas com 24,99%.

Na prática, a Net Serviços passa a ser mexicana, sem precisar alterar a lei 8977. Basta, para isso, acrescentar um contrato particular entre Globo e Telmex que garanta a gestão mexicana do cotidiano da empresa. Quando a proibição de controle estrangeiro no cabo for suprimida no Congresso Nacional, basta a Globo vender 2% do capital da GB à Telmex e o controle de fato vira de direito.

Em tempo, 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) da GB também pertencem à Telmex.

Como este processo de reestruturação da Net Serviços é legal, ainda que questionável, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acabou aprovando-o através do Ato 48245, de 6 de dezembro de 2004.

Mais capital estrangeiro

Mas não foi apenas a Net Serviços que foi vendida.

A Globo decidiu, também, diminuir sua participação na empresa de TV via satélite Sky Brasil. A Globo ficou com 28% das ações ordinárias. E Rupert Murdoch com o restante. Murdoch é o proprietário da Fox, da Sky e acaba de adquirir a DirecTV para fundi-la com sua plataforma de TV via satélite. Assim, Murdoch passa a deter (Sky + DirecTV) cerca de 95% do mercado brasileiro de TV por assinatura via satélite.

Neste mesmo processo de concentração na produção de conteúdo, a Globo vendeu sua participação na antiga empresa de telefonia celular Maxitel à Italia Telecom, que a fundiu a outras empresas e criou a TIM.

Ainda para o capital estrangeiro a Globo vendeu suas participações na operadora de pager e call center Teletrim, na operadora de telecom corporativo Vicom (à Comsat) e na NEC do Brasil (tomada das mãos de Mário Garnero na gestão de Antonio Carlos Magalhães como ministro das Comunicações e agora vendida de volta aos japoneses da matriz).

A Globo também parece ter desistido da criação de parques temáticos (depois de ter comprado um imenso terreno na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro para esta finalidade), assim como transformou sua antiga gravadora Som Livre em uma loja virtual e mera empacotadora de sucessos alheios (no formato "pau de sebo") e encerrou o setor de distribuição da Globo Filmes (entregando esta tarefa para majors como a Columbia Pictures, de propriedade do grupo Sony).

Recentemente, a Globo vendeu sua parte da loja virtual (canal de televisão, website e revista) Shoptime às Lojas Americanas. Agora, Shoptime, Americanas e Submarino pertencem ao mesmo controlador, a GP Participações (de propriedade de três dos raros brasileiros que possuem patrimônio superior a US$ 1 bilhão: Jorge Paulo Lehman, Carlos Alberto Sicupira, Marcel Telles).

Cultura nacional?

A Globo mudou e hoje é menor, mais concentrada naquele que é o seu grande potencial: a produção de conteúdo. Isso é legítimo.O que não parece correto é a forma como este processo se deu.

Ao mesmo tempo em que alienava boa parte de seu patrimônio para o capital estrangeiro (inclusive permitindo concentrações prejudiciais ao mercado e à própria circulação de informações, como no caso Sky + DirecTV), a Globo alardeava ser a guardiã da cultura nacional.

Se é a favor da cultura nacional, por que a Globo é contra um sistema de TV digital que multiplique o número de canais existentes, permitindo o surgimento de várias outras emissoras (e não apenas comerciais)?

Se é a favor da cultura nacional, por que na Net Brasil não é transmitida a programação do canal Rá-Tim-Bum (Cultura), enquanto por lá circulam Cartoon Network e Boomerang (Time Warner), Disney e Jetix (Disney), Nickelodeon (Viacom) e Discovery Kids (Discovery)?

Por que os assinantes de outras TVs a cabo (que não a NET Brasil) não podem desfrutar das modalidades esportivas transmitidas pelo canal SportTV (GloboSat)? Afinal, NET Brasil e GloboSat são empresas diferentes e a venda exclusiva da programação de uma à outra fere o direito econômico.

Se existe uma preocupação genuína com o desenvolvimento nacional, por que tantas empresas estratégicas para as telecomunicações brasileiras foram vendidas ao capital estrangeiro?

Essas e muitas outras respostas ainda pairam no ar sem que a imprensa brasileira tenha dado a devida divulgação ao debate.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Who is in line to be the next Dalai Lama?

If you ask this question because you hold holy aspirations, you may want to reassess your life goals. The next Dalai Lama won't be identified until the current Lama passes away.
In Tibetan tradition, the Dalai Lama is not only the spiritual and secular leader of Tibet, he's the reincarnation of the Tibetan patron deity, Chenrezig, the Buddha of Compassion. Today's Dalai Lama, , is the .
Like the rest of the Dalai Lamas, Tenzin Gyatso was put through a series of tests as a small child before he was officially declared the reincarnation, or tulku, of his immediate predecessor. His Holiness was enthroned as the Dalai Lama in 1950, but has been leading his followers in exile since 1959, when the Tibetan resistance to Chinese occupation collapsed.
In recent years, the Dalai Lama has discussed the possibility of the Tibetan people ending the tulku tradition, and the belief that his own will not happen in Tibet while it remains under Chinese control. That leaves some uncertainty as to where and how the next Dalai Lama will arise, and who it will be. If you think it could be you, it might pay to have faith. It worked for .

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domingo, 5 de fevereiro de 2006

O que entendemos por meditação ?

Do ponto de vista budista, a meditação é uma disciplina espiritual, que nos permite algum nível de controle sobre nossos pensamentos e emoções.
Por que não conseguimos desfrutar da felicidade duradoura que buscamos ? É por que com tanta freqüência deparamos com o sofrimento e a infelicidade em seu lugar ? O budismo esclarece que, no nosso estado mental normal, nossos pensamentos são descontrolados e rebeldes; e, como nos falta a disciplina mental para dominá-los, somos incapazes de controlá-los. Resultado, são eles que nos controlam. E os pensamentos e emoções, por sua vez, costumam ser controlados pelos nossos impulsos negativos, em vez de o serem pelos positivos. Precisamos inverter esse ciclo, de modo que nossos pensamentos e emoções sejam liberados da subserviência aos impulsos negativos e que nós mesmos, na nossa individualidade, ganhemos controle sobre nossa própria mente.
A idéia de produzir uma mudança tão fundamental em nós mesmos pode à primeira vista parecer impossível. No entanto, é realmente possível realizar essa mudança através de um processo de disciplina tal como a meditação. Escolhemos um objeto específico, e então treinamos a mente desenvolvendo nossa capacidade de manter a atenção concentrada no objeto. Normalmente, se tirarmos apenas um momento para refletir, veremos que nossa mente é totalmente dispersiva. Podemos estar pensando em alguma coisa e, de repente, descobrimos que fomos distraídos porque algum outro pensamento entrou na nossa cabeça. Nossos pensamentos estão constantemente correndo atrás disso ou daquilo porque não temos a disciplina de concentrar a atenção. Portanto, através da meditação, o que podemos alcançar é a capacidade de voltar nossa mente para qualquer objeto determinado e focalizar a atenção nele, de acordo com nossa vontade.
Ora, é evidente que poderíamos decidir enfocar um objeto negativo na nossa meditação. Se, por exemplo, alguém estiver apaixonado por uma pessoa e concentrar a mente exclusivamente nesta pessoa, insistindo em pensar nas suas qualidades desejáveis, isso terá o efeito de aumentar seu desejo sexual por aquela pessoa. Mas não é esse o objetivo da meditação. De uma perspectiva budista, a meditação deve ser praticada em relação a um objeto positivo, com o que queremos dizer um objeto que aumente nossa capacidade de concentração. Através da familiaridade, nós nos aproximamos cada vez mais do objeto e temos uma sensação de envolvimento com ele. Na literatura budista clássica, esse tipo de meditação é descrito como shamatha, a permanência serena, que é uma meditação de ponto único de concentração.
A shamatha em si só não basta. No budismo, associamos a meditação de ponto único à prática da meditação analítica, que é conhecida como vipasyana, discernimento penetrante. Nessa prática, aplicamos o raciocínio. Quando reconhecemos os pontos fortes e fracos de diferentes tipos de pensamentos e emoções, bem como suas vantagens e desvantagens, conseguimos aprimorar nossos estados mentais positivos que contribuem para uma sensação de serenidade, tranqüilidade e contentamento além de reduzir a incidência daquelas atitudes e emoções que conduzem ao sofrimento e à insatisfação. Desse modo, o raciocínio desempenha um papel de grande auxílio nesse processo.
Eu deveria salientar que os dois tipos de abordagem meditativa que descrevi, a de ponto único e a analítica, não se distinguem pelo fato de cada uma contar com um tipo diferente de objeto. A diferença entre elas reside no modo pelo qual cada uma é aplicada, não no objeto escolhido.
Para esclarecer mais este ponto, vou recorrer ao exemplo da meditação sobre a impermanência. Se aquele que medita se mantiver concentrado no pensamento de que tudo muda de um momento para outro, essa é a meditação de ponto único; ao passo que, se alguém meditar sobre a impermanência através da aplicação constante, a tudo o que encontrar, dos diversos argumentos referentes à natureza impermanente das coisas, reforçando sua convicção no fato da impermanência por meio desse processo analítico, ele estará praticando a meditação analítica sobre a impermanência. As duas têm um objeto comum, a impermanência, mas o modo de aplicação de cada meditação é diferente.
Minha impressão é que os dois tipos de meditação são de fato praticados em quase todas as tradições religiosas mais importantes. No caso da Índia antiga, por exemplo, a prática da meditação de ponto único e a aplicação da meditação analítica são comuns a todas as tradições religiosas importantes, budistas e não-budistas. Durante uma conversação com um amigo cristão alguns anos atrás, eu soube que no cristianismo, em especial na tradição ortodoxa grega, existe uma longa e sólida história de meditação contemplativa. E, da mesma forma, uma série de rabinos judeus falou comigo sobre certas práticas místicas no judaísmo que envolvem uma forma de meditação de ponto único.
É portanto possível integrar os dois tipos de meditação numa religião teísta. Um cristão, por exemplo, poderia dedicar-se à contemplação refletindo sobre os mistérios do mundo, sobre o poder da graça divina ou sobre várias razões que considere intensamente inspiradoras e que aumentem sua crença no divino Criador. Através de um processo dessa natureza, o indivíduo poderia chegar a uma profunda fé em Deus, e poderia então pousar sua mente nesse estado, mantendo o foco nesse ponto único. Desse modo, o praticante chega a uma meditação de ponto único sobre Deus através de um processo analítico. Portanto, os dois aspectos da meditação estão presentes.

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sábado, 4 de fevereiro de 2006

Internet

Redes sociais apontam futuro on-line

Web 2.0 Internauta cria conteúdo e recebe atenção de empresas, que buscam oferecer informações contextualizadas

No começo era o portal. A experiência do internauta na rede se resumia à segurança dos grandes sites e de suas ofertas. Mas em 1999 tudo mudou. Serviços como o LiveJournal e o Blogger inauguraram a cultura dos blogs, e a web 2.0 nasceu, mudando a sociedade e definindo o futuro da internet.

"Você já tentou escrever editando uma página em HTML? É terrível", diz Marcelo Coutinho, diretor do Ibope Inteligência. "Antes da web 2.0, o conteúdo era o rei, e quem tivesse mais sob seu chapéu triunfaria. Hoje, cada internauta é um produtor de conteúdo e gerador de valor."

A web 2.0 caiu nas graças dos usuários e do mercado. É definida pela transição do internauta de mero espectador e consumidor para criador, recriador de informação. A notícia apresentada pela mídia é retrabalhada e comentada nos blogs. O videoclipe é remixado e enviado para o YouTube, e fotos do mundo inteiro ganham sentido ao serem classificadas e qualificadas pelos internautas em álbuns como o Flickr.

Impacto das redes sociais

O Orkut é o site mais acessado no Brasil e semelhantes como MySpace, Facebook, Mixi, Friendster e Bebo fazem sucesso no resto do mundo.

Especialistas não se arriscam a prever o futuro da internet, mas concordam que as redes sociais estarão nele, com um papel até maior que o atual. "Quem imaginaria há cinco anos que o Orkut faria tanto sucesso?", ilustra Coutinho.

O analista do Ibope afirma que o esvaziamento do espaço social nas grandes cidades, por questões como o custo do lazer e a violência, aproxima o cidadão do contato pela rede social.

"As empresas já descobriram o potencial desse mercado, mas ainda pensam em controlá-lo, como fazem em outros meios. Quando uma empresa de mídia permitiria que seus leitores dessem notas para uma matéria?", questiona.

A importância das redes sociais para a internet atual é tão grande que especialistas chegam a considerá-las concorrentes dos mecanismos de busca por oferecerem informações contextualizadas. Em vez de um site sugerir a compra de um certo automóvel, a dica vem do amigo ou conhecido numa comunidade especializada do Facebook, por exemplo.

"Quando você combina redes sociais e serviços alimentados pelo internauta com resultados gerados por algoritmos e pela mídia, o resultado é maravilhoso", explica Steve Rubel, SVP e diretor de Insights da Edelman Digital nos EUA.

Um exemplo é o Maha lo.com. O mecanismo de busca combina respostas de buscadores tradicionais com páginas especiais criadas por usuários.

As redes sociais também alteram o uso da internet. Cada vez mais usuários adotam os serviços como suas formas principais de comunicação, substituindo o e-mail e o mensageiro instantâneo.

Web 3.0

Rubel considera que o internauta já encara uma crise de atenção, que será uma questão essencial para o futuro da rede. "A quantidade de informação em busca do usuário ultrapassa a nossa capacidade de gerenciá-la. As pessoas terão que fazer escolhas sobre o que deixarão que entre em suas vidas. E a tecnologia vai ter que ajudar."

Um dos auxílios previstos é o da web semântica, ou web 3.0. Nela, o conteúdo será contextualizado. Agentes tecnológicos em software se encarregarão de entregar informação ao internauta de acordo com suas preferências e com a mínima administração do usuário. Como muito dessa rede já está na "cloud", ou nuvem informacional que compõe a internet, resta à tecnologia saber procurar.

Sem EUA, internet será global em 2009

A partir de 2009, a internet torna-se realmente global. Acaba a influência dos Estados Unidos sobre o Icann, organização que controla os servidores que nomeiam os sites da grande rede. Ao mesmo tempo, um fórum proposto pelas Nações Unidas debate como os países interconectados combaterão, juntos e cada vez melhor, as ameaças eletrônicas e os crimes transpostos do real para o virtual.

O Icann tem diretoria internacional, mas opera sob contrato com o Departamento de Comércio dos EUA, que ratifica decisões da organização -o que faz muitos temerem a influência americana na internet.

Para 2009, está previsto o fim da relação entre o Departamento de Comércio dos EUA e o Icann, abrindo caminho para a internacionalização da organização.

"Empurrava-se para o Icann a conversa sobre spam, pedofilia e outros assuntos porque não havia outro espaço para isso. Agora, alguns querem debater o futuro do Icann no IGF (Fórum de Governança da Internet), mas, pessoalmente, não acho que seja o melhor lugar para resolver isso", explica Markus Kummer, coordenador executivo do IGF, que reúne interessados de todos os setores para o nascimento de um sistema múltiplo, no qual todos têm palavra.

Embora o debate da governança passe por cibercrime, privacidade e liberdade de expressão na rede global, o papel do Icann ainda ocupa um espaço grande nos encontros do IGF. A instituição sem fins lucrativos controla os servidores do sistema de nomes de domínio, que atribui uma identificação única a cada computador conectado à internet. Sem eles, não haveria uma rede global.

Kummer defende a governança múltipla reforçada pelo IGF. "Alguns querem um tratado global, mas isso exige tempo e há muito que pode ser feito antes. No Reino Unido, sociedade, governo e empresas conseguiram reduzir os servidores locais que hospedavam pornografia infantil para zero."

Para o diplomata, já há organizações que agem globalmente, como a União Internacional de Telecomunicações, o Conselho da Europa, a Unesco e órgãos que regulam direitos autorais e tratados comerciais. Não há a necessidade de criar outra organização. O poder do IGF é juntar esses debates.

Só 17% dos brasileiros têm acesso à internet em casa

Nem todo mundo está conectado. Pelo menos se a referência são os lares do Brasil. A pesquisa TIC Domicílios 2007, feita pelo Cetic.br a pedido do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que apenas 24% dos domicílios brasileiros possuem computadores e só 17% dos habitantes têm acesso à internet em suas casas.

De 2006 para 2007, o aumento de micros nas residências brasileiras foi de quatro pontos percentuais, e o crescimento do acesso à internet em casa, de três pontos percentuais, o que representa 11 milhões e 7,8 milhões de domicílios, respectivamente.

No total, o número de usuários de computador chega a 52,9 milhões. O total de pessoas que acessaram a internet nos últimos três meses atingiu 44,9 milhões.

O estudo também mostra que o ano passado transformou locais pagos, como LAN houses e cibercafés, nos principais ponto de acesso à internet -esse tipo de acesso passou de 30% para 49%. O uso em casa permaneceu estável em 40%.

Ainda de acordo com a pesquisa, feita em 17 mil domicílios em zonas urbanas, as conexões de banda larga estão presentes em 50% dos lares que possuem acesso à internet -crescimento de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mas 42% dos brasileiros ainda usam a rede via telefone, que não permite alta velocidade de navegação.

O principal entrave para a posse de equipamentos nas residências é econômico: o custo elevado do computador (78%) e o do acesso à internet (58%). Os entrevistados afirmam, também, que a principal barreira para o uso da internet é a falta de habilidade (55%).

China ultrapassa EUA e tem maior número de internautas

A China ultrapassou os Estados Unidos, tornando-se o país com o maior número de internautas do mundo: 220 milhões. A informação foi divulgada na última sexta-feira pela empresa chinesa de consultoria e pesquisa BDA.

Os números se referem a fevereiro último, quando a população on-line norte-americana somava 217 milhões de usuários.

O impulso no número de usuários de internet na China se deve ao aumento da banda larga e à popularidade de locais de acesso pago em cidades pequenas, segundo Liu Bin, analista da empresa.

Entre os chineses, o buscador local Baidu.com é líder -tem 60,1% de participação, contra 25,9% do Google, segundo a Analysys International. O site é processado por, supostamente, facilitar a pirataria.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Entrevista com Dalai Lama


ÉPOCA - O número de budistas no Brasil cresceu nos últimos anos. O que atrai os ocidentais nessa religião?
Dalai Lama - Eu também gostaria de saber. Acredito que há diferentes motivações. Algumas pessoas vêem no budismo uma ciência da mente, outras uma forma de humanismo que contribui para melhorá-las. E há ainda as que, como na tradição do budismo tibetano, se interessam pelos aspectos mais místicos da religião, suas várias divindades - da saúde, da vida longa -, o que não acho um caminho saudável. Afinal, a principal ênfase do budismo é treinar a mente para mudar a si mesmo por dentro, e não se apegar a essas coisas externas. Há ainda indivíduos mais voltados para a ciência, que se interessam pela abordagem do desenvolvimento da mente.

ÉPOCA - Esses vários enfoques não a descaracterizam como religião?
Dalai Lama - Não creio. O budismo tem mais de 2.500 anos. É uma filosofia que vem se perpetuando ao longo dos séculos, já foi testada pelo tempo e é muito profunda. Não quero dizer que é a melhor religião que existe. Cada indivíduo tem sua própria disposição mental e deveria escolher uma religião apropriada a ela.

ÉPOCA - As pessoas ainda precisam de uma religião?
Dalai Lama - A religião talvez tenha um papel diferente hoje. Antigamente, as comunidades eram muito religiosas, e as tradições guiavam as pessoas. Hoje elas estão mudando com o contato com outros modos de vida. Não existe mais isolamento e todos interagem com o mundo externo. No Brasil, um país tradicionalmente cristão, as pessoas têm mais informação sobre hinduísmo, budismo e zen-budismo. Portanto, têm novas oportunidades para escolher sua fé. Eu não saberia dizer se a religião está aumentando ou diminuindo no mundo. Mas acho que permanece mais ou menos como sempre. As muitas religiões lidam com os problemas e o sofrimento humano. Como a natureza humana e o sofrimento continuam os mesmos de sempre, acho que as religiões ainda são muito relevantes.

ÉPOCA - Seus livros são best-sellers no Brasil. Por que escreve para o público em geral sobre assuntos universais?
Dalai Lama - Porque isso é de meu interesse (risos). Eu não tenho interesse em converter pessoas ao budismo. Reconheço que todas as diferentes tradições têm o mesmo potencial de ajudar a humanidade. Sempre achei errado tentar converter as pessoas. Se eu tentar propagar o Dharma (a doutrina budista), se os irmãos cristãos e os muçulmanos fizerem o mesmo esforço para divulgar sua fé, pobres dos 6 bilhões de habitantes da Terra! (risos) Se tivessem a oportunidade, mudariam para outro planeta. Seria um desastre (risos). Paz e harmonia é o essencial, não o nome da religião que a pessoa aceita. Se o Brasil é um país de maioria cristã, que continue cristão. Se o Tibete ou a Mongólia são budistas, que permaneçam budistas, e que a Índia permaneça uma sociedade multirreligiosa. Meu maior interesse é promover os valores humanos. Por isso escrevo livros como A Arte da Felicidade. Se bem que não fui eu quem escolheu esse nome. Foi o co-autor, Howard Cutler.

ÉPOCA - Não gosta desse título?
Dalai Lama - Está vendendo tão bem que eu gosto (risos). Esse psiquiatra, o Cutler, me fazia perguntas e eu respondia a partir dos conceitos budistas. Ele conseguiu colocar isso tudo num bom formato. Agora vamos lançar o segundo livro, no mesmo padrão, com maior profundidade.

ÉPOCA - O senhor luta há 40 anos pela liberdade do Tibete. Não se cansa nem se arrepende de algum passo?
Dalai Lama - Quando as coisas ficam difíceis, eu as aceito. Claro que às vezes sinto frustrações ou arrependimento, mas não me incomodo muito. Segundo a tradição budista, nenhuma força é capaz de mudar o efeito das causas de outras vidas. Então, não há razão para sentir arrependimento. É preciso aceitar a situação e usá-la da melhor maneira. Como refugiado, escrevo um pouco, dou algumas palestras e, enquanto isso, vou fazendo algum dinheiro (risos). Claro, não para mim. Eu digo ao co-autor do livro: você não deve se motivar pelo dinheiro, e sim pelo serviço à humanidade. Mas, quando os direitos autorais entram na conta bancária, penso: parece que fiz mesmo um bom trabalho (risos).

ÉPOCA - O que acontecerá com a liderança no exílio se o senhor morrer antes de voltar ao Tibete?
Dalai Lama - Meu retorno ao Tibete é irrelevante. Emocionalmente, os tibetanos me querem de volta. Mas, intelectualmente, gostam de minha presença no Exterior. Eu divulgo a situação do Tibete, consigo apoio para nossa causa, difundo a cultura, converso com autoridades. Claro, se eu morrer, haverá algum recuo, mas o povo já tem outros líderes espirituais e políticos. Há dois anos elegemos nossos representantes constitucionalmente no exílio. Quando tudo isso se resolver, sairei da política e entrarei numa espécie de semi-aposentadoria.

ÉPOCA - A questão entre China e Tibete não remete ao conflito entre Israel e Palestina?
Dalai Lama - É realmente uma complicação. Em Lhasa, capital do Tibete, os chineses já se estabeleceram. Teremos de discutir isso, até porque há situações diferentes. Há, por exemplo, os chineses interessados no budismo tibetano. A mulher de um importante ministro chinês é budista. Dizem que ele a leva de carro para rezar no templo. Imagine um comunista ateu levando a mulher para rezar! Realmente, os chineses estão tendo um trabalho duro para erradicar o budismo (risos). Mas eu acredito no socialismo.

ÉPOCA - No socialismo chinês?
Dalai Lama - De certa maneira, sou mais socialista que certos líderes chineses. Porque eles não se importam com os trabalhadores. Alguns se tornam milionários e deixam os pobres de lado, negligenciam as pessoas.

ÉPOCA - Com os episódios recentes de guerras e terrorismo, o senhor acha que a humanidade está regredindo em termos de paz e entendimento?
Dalai Lama - Não acredito nisso. É verdade que alguns conflitos chegaram a extremos na Palestina, no Afeganistão ou no Iraque. Mas, em larga escala, o mundo não caminha para isso. O perigo mundial está muito mais reduzido. A tendência é pela democracia, pelas sociedades abertas e livres, sustentadas na lei. Nos últimos anos, vem-se desenvolvendo um movimento mundial positivo em favor da paz. Exemplo disso foram as manifestações contra a guerra no Iraque. E é uma onda muito forte. As pessoas têm um desejo urgente de paz no mundo que está crescendo mais e mais.

ÉPOCA - Incomoda ser recebido por líderes mundiais extra-oficialmente ou apenas como líder religioso?
Dalai Lama - Eles estão sendo realistas (risos). Não me importo com uma recepção mais ou menos oficial, o que me interessa é encontrar as pessoas. Claro, se um ministro me recebe no aeroporto, pode ser bom para a questão tibetana. No Ocidente, as pessoas levam muito em consideração o modo como alguém é recebido, como a pessoa sorri ou se veste. Para mim, isso não importa.

ÉPOCA - Por que nunca houve uma mulher Dalai Lama?
Dalai Lama - Várias mulheres são reconhecidas como encarnações importantes dentro do budismo. E nada impede que haja uma Dalai Lama. Mas que seja bonita (risos).

ÉPOCA - O que acha de ser tão popular entre celebridades mundiais?
Dalai Lama - Não há diferença. Não importa se me vêem como celebridade, estrela de rock ou guru. O que interessa é minha própria motivação. Toda manhã tento dar uma forma apropriada a ela. O ponto de vista das outras pessoas a meu respeito é uma questão delas. Alguns me acham um bom sujeito, outros me consideram um reacionário ou separatista. Não me importa. Muitos anos atrás, durante a Revolução Cultural, os chineses diziam que eu era um lobo em pele de cordeiro, enquanto outras pessoas me consideravam um deus vivo. Bobagem.

ÉPOCA - O senhor se considera um Buda vivo (para os tibetanos, ele é a reencarnação do Buda da Compaixão)?
Dalai Lama - Não, não e não. Isso leva décadas de prática. Cinco, seis décadas. Em meu caso, somente quando entrei na adolescência e quando me tornei um refugiado é que passei a praticar o budismo com entusiasmo. Então, faz apenas quatro décadas. Mas uma vida, 100 vidas, mil vidas de prática não são nada. Hoje faço meditação analítica, uma hora pela manhã e mais uma ou duas à noite. Além disso, meu dia inteiro deveria ter sentido e ser útil para os outros. Toda a minha vida deveria ter esse propósito. É preciso servir de alguma maneira. E esse é apenas o primeiro passo para se tornar um Buda (risos).

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