terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Osho


Ao ver o por-do-sol, por um instante você esquece seu estado de separação e passa a ser o por-do-sol. Esse é o momento em que sente a beleza dele. Mas no instante em que diz ¨que lindo por-do-sol¨ deixa de senti-lo você volta para a sua entidade separada e fechada do ego. Agora é a mente falando.
E esse, é um dos mistérios: a mente, pode falar e ela nada sabe, e o coração sabe tudo mas não sabe falar.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Creme de Bis





Ingredientes:
1/2 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite sem soro
1 caixa de Bis


Modo de Fazer:
É só bater tudo no liquidificador e levar pra geladeira.
PS. Se colocar no congelador, fica parecendo um sorvete

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domingo, 29 de janeiro de 2006

OS RITMOS DO HOMEM



O calor alterna com o frio, a chuva substitui a seca, dias claros afastam dias cinzentos. Refletindo a caminhada da Terra ao redor do Sol, o cenário da vida se altera a cada estação, mudando o comportamento das espécies, que tratam de sobreviver da melhor maneira: assim, as plantas em certa época germinam, em outra desabrocham e em outra ainda perdem folhas, enquanto os animais migram em certos meses, em outros se acasalam. Os seres vivos também se adaptaram ao vaivém diário de luz e escuridão. Se há plantas que reservam para a fotossíntese os horários em que a luz é ideal, as abelhas por sua vez deixam seus vôos para quando as flores liberam mais pólen algo que elas percebem como uma diferença na luminosidade do ambiente.
Em todas as espécies há fenômenos semelhantes por se repetirem de tempos em tempos com a regularidade de um relógio ou calendário. Os seres humanos não são exceção: também entram na dança dos chamados ritmos biológicos. Sair para o trabalho em determinada hora, almoçar sempre por volta do meio-dia, descansar ao menos um dia por semana - todas as pessoas têm noção dos ritmos necessários ao funcionamento da vida em sociedade. Mas poucos percebem a rotina interna do organismo, onde cada função tem um ritmo próprio, determinando, por exemplo, momentos do dia em que nos sentimos mais dispostos e outros em que - asseguram os cientistas - ficamos mais vulneráveis a doenças.
Esses ritmos são estudados pela cronobiologia, área das ciências médicas e biológicas que foi reconhecida oficialmente em 1960. Mas, na verdade, o primeiro cientista a suspeitar da existência de autênticos relógios biológicos foi um astrônomo o francês Jean-Jacques De Mairan, que, em 1729, observou que uma planta - a mimosa-sensitiva - ao lado do seu telescópio abria conforme a luminosidade. Intrigado, levou o vaso para o porão, dentro de um baú. De Mairan verificou que mesmo nessas condições de total escuridão a planta continuava a se movimentar como se acompanhasse o dia e a noite. O astrônomo relatou a experiência à Academia de Ciências de Paris, que a tratou - e o seu autor - com soberano desprezo.
Afinal, para os cientistas da época os ritmos biológicos apenas deviam refletir as mudanças ambientais e não, como se acredita hoje, se manifestar em sincronia com elas. "Os ritmos são herdados e os fatores ambientais, a que chamamos de sincronizadores, servem apenas para ajustar os ponteiros dos relógios biológicos", esclarece o neurofisiologista José Cipolla-Neto, um dos fundadores do grupo multidisciplinar que estuda o assunto há oito anos na Universidade de São Paulo. A cronobiologia afirma que a maioria dos ciclos biológicos humanos se dá num período de 25,2 horas - daí a expressão ritmo circadiano, cerca de um dia.
Existem, é claro, diferenças de pessoa para pessoa: a "zero hora" de uma não é necessariamente a de outra. Os matutinos acordam e dormem cedo, enquanto os vespertinos preferem ir para cama por volta das 3 da madrugada, para só acordar perto do meio-dia. Isso é muito significativo, pois os ciclos de todas as funções são arrastados pelo ciclo do sono. Em qualquer caso, os estímulos externos servem apenas para sincronizar os ritmos internos com o ambiente, pois o organismo não se comporta à noite como de dia, importando pouco o fato de se estar dormindo ou acordado. "Nos seres humanos há um sincronizador muito particular: as relações sociais", ressalta Cipolla.
A luz, porém, é de longe o sincronizador mais poderoso para a maioria dos seres vivos. Impressionadas pela luminosidade, as células da retina disparam através dos nervos óticos uma mensagem elétrica que alcança o hipotálamo, na base do cérebro. Além de comandar as glândulas do organismo, o hipotálamo possui um pequeno núcleo onde se localiza o relógio biológico, considerado essencial à manutenção dos ritmos. A luminosidade do dia impede de trabalhar a glândula pineal, localizada na área dorsal do cérebro e comandada pelo hipotálamo. Desbloqueada à noite pois a luz artificial é muito fraca para produzir o mesmo efeito, ela começa a liberar um hormônio, a melatonina, que, além de induzir o sono, age como uma espécie de mestre-sala para todos os ritmos biológicos.
"É como se o organismo compreendesse que existe um antes e um depois da melatonina", tenta definir Cipolla. A melatonina, ainda por cima, estimula certas células imunológicas que combatem tumores estes, descobriu-se recentemente, se desenvolvem mais depressa durante o dia. Algumas horas após o início da produção de melatonina, outra glândula - a hipófise - começa a segregar o chamado hormônio do crescimento, cujo pico no organismo se dá por volta das 3 da madrugada. Estes são responsáveis, por exemplo, pela renovação das células, um processo que se repete noite após noite, ritmicamente. Outro hormônio, o cortisol, é produzido pelas glândulas supra-renais pouco antes de a pessoa despertar.
Faz sentido, porque o cortisol prepara o organismo para a atividade; é por isso que uma sessão de ginástica de manhã cansa menos do que à noite, quando aquele hormônio não é produzido. Interrompida a produção da melatonina pela luz do dia, outros hormônios passam a ser sintetizados, como os da glândula tireóide logo de manhã. O sobe-desce dos níveis hormonais constitui os ritmos biológicos das pessoas. É o caso da preguiça que muita gente experimenta entre as 13 e 15 horas e que nada tem a ver com o fato de se ter ingerido ou não um farto almoço. Tem a ver, isso sim, com a maré baixa da atividade nas áreas cerebrais responsáveis pela atenção. A fome tampouco aparece por acaso no meio dia e à noite: é nesses períodos que o aparelho digestivo já está preparado, pois produziu enzimas.
Daí por que se recomenda manter o horário das refeições: quando isso não acontece, o alimento encontra o estômago despreparado e, por mais leve que seja, acarreta má digestão. Além disso, na falta do que digerir, as enzimas produzidas na hora marcada, pelo relógio biológico atacam o próprio aparelho digestivo, dando aquela conhecida sensação de ardor e, pior ainda, formando as dolorosas úlceras.
Tudo é ritmo e nem a dor escapa disso - embora inevitável, ela varia de intensidade. Um chute na canela logo ao amanhecer pode ser mais suportável do que um chute igual à tarde, quando as células nervosas estão mais ativas. Já a madrugada é o pior momento para se ter uma sensação dolorosa. Aliás, nesse mesmo período dá-se uma queda no sistema imunológico e os processos inflamatórios tendem a se acentuar enquanto se dorme - quem nunca teve a impressão de dormir com a garganta irritada e acordar mal conseguindo engolir? Não é à toa que as piores dores de dente - que beiram o insuportável por geralmente estar relacionadas à inflamação dos nervos - costumam pegar a vítima de pijama.
Os ciclos circadianos, porém, não são os únicos a governar os ritmos humanos. A menstruação é um exemplo típico de ciclo mensal. Existem ainda os ciclos circanuais, que duram, como o nome indica, cerca de um ano. Pesquisas mostram que em qualquer parte do mundo a taxa de natalidade tende a ser maior na primavera. Isso indica que até na gélida Finlândia - e não apenas em países ensolarados como o Brasil - os amores de verão costumam ser irresistíveis. Os cientistas suspeitam que, assim como outras espécies costumam se acasalar em determinada estação para que as crias também nasçam em meses mais adequados à sobrevivência, por algum motivo desconhecido, ao longo da evolução, os homens escolheram a primavera como a época ideal para o nascimento dos filhos. Por isso, cerca de nove meses antes ou seja, no verão, aumentariam os níveis de hormônios sexuais que despertam o desejo.
Não seria pela temperatura que o organismo percebe a mudança de estações, e sim pela quantidade de luz, que varia conforme as estações. A cronobiologia responsabiliza a diminuição da quantidade de luz, típica do inverno, especialmente no hemisfério norte, pelo aumento de surtos de depressão nos meses frios. Por isso, em países europeus e nos Estados Unidos já se trata a depressão com fototerapia, em que estímulos de luz servem para acertar os ponteiros do relógio biológico. O paciente é isolado num ambiente desprovido de qualquer sugestão da hora do dia, como uma janela, por exemplo.
Os médicos então medem alguns parâmetros fundamentais como o hormônio cortisol, que deve ser produzido nas primeiras horas da manhã, e a temperatura, que deve atingir seu ponto máximo às 18 horas. Assim, são determinadas as características dos ritmos biológicos naturais. Essas características dizem como está funcionando o relógio biológico - se está atrasado ou adiantado. Quando o estímulo de lâmpadas de 10 mil lux (unidade de luminosidade) é dado na passagem do dia para a noite, o relógio biológico atrasa, pois o organismo reage como se o dia tivesse continuado. Já quando o estímulo é aplicado na passagem da noite para o dia, o relógio se adianta, como se o dia tivesse chegado mais cedo.
Os resultados do tratamento - ainda não disponível no Brasil podem durar pelo menos um mês; depois é preciso repeti-lo. A fototerapia também é usada para combater o chamado jet lag, expressão inglesa que designa a sensação de mal-estar que sofrem os passageiros de vôos de longa duração. Na realidade, a sensação é provocada pela passagem abrupta de um fuso horário para outro. A velocidade cria um descompasso entre o que ocorre no organismo e o mundo exterior. O relógio biológico fica por assim dizer desregulado em relação à rotina do ambiente.
Como o ciclo humano tem mais de 24 horas - 25,2 horas, como já se viu -, é mais fácil atrasar os ritmos do organismo do que adiantá-los. Ou seja, quem voa no sentido leste-oeste sofre menos, porque no leste é mais tarde: quando é meio-dia em Brasília, por exemplo, os ponteiros de Paris já marcam 16 horas. Assim, um viajante da França se adapta ao horário brasileiro bem mais depressa do que o brasileiro desembarcando na França - três vezes mais depressa, calculam os pesquisadores. Uma das áreas de vanguarda da cronobiologia é o estudo do ajustamento entre os vários ciclos biológicos.
Após estagiar dois anos com o médico americano Franz Halberg o inventor do termo "ciclos circadianos", o biólogo Nélson Marques, da USP, pesquisa a medicina dos ciclos de aproximadamente uma semana. Procura-se também saber como os pequenos ciclos de poucas horas formam os ciclos circadianos e estes formam por etapas sucessivas os circanuais. Essa cadeia harmônica parece romper-se no idoso, que dorme poucas horas à noite e tende a cochilar várias vezes ao dia. "Alguns acreditam que as conexões entre os ciclos se desfazem com o tempo", informa Marques. "Mas existem os que acham que o próprio envelhecimento seria conseqüência e não causa desse desajuste".
Em todo caso, é pela falta de sincronia que os cronobiologistas explicam as doenças. O biomédico Luiz Menna-Barreto, do grupo paulista de cronobiologistas, exemplifica com o caso de trabalhadores noturnos, cujos ritmos não se invertem, e, conseqüentemente, poderiam ter uma estimativa de vida quase 10 por cento menor do que os outros". Um dos objetivos da cronobiologia, aliás, é aplicar o conhecimento dos ritmos ao estudo do desempenho humano, orientando as empresas no sentido de aproveitar os picos de disposição dos funcionários e, em compensação, admitir menor produção nos horários em que os ritmos caem.
Tudo isso - os cientistas fazem questão de advertir - nada tem a ver com os velhos biorritmos em moda na década de 70, invenção de um americano que calculava três ciclos - de 23, 29 e 33 dias, correspondentes ao desempenho físico, emocional e intelectual, respectivamente. Tais ciclos partiam da data de nascimento de cada qual e os pontos de intersecção eram considerados dias críticos, sujeitos a desgraças de todo tipo. Tanto os cronobiologistas rejeitam essa idéia que até aboliram o termo "biorritmo" do seu jargão para evitar confusões.
Biorritmo é um caso típico do que se convencionou chamar pseudociência. Em primeiro lugar, nenhum ritmo poderia ser calculado a partir do nascimento, porque o feto já possui alguns ritmos próprios, como o dos batimentos cardíacos. Além disso, a duração de tais ciclos foi estabelecida a partir de ocultismos, como a numerologia. Enfim, nenhum teste hormonal ou de desempenho físico comprovou até hoje as alegações da teoria do biorritmo.
A área talvez mais quente de atuação da cronobiologia se refere ao uso de medicamentos. "Descobriu-se que as drogas têm efeitos diferentes conforme o momento do dia", conta o médico José Cipolla-Neto. "Não só uma droga é mais eficaz em certas horas como também em outras pode gerar efeitos colaterais mais intensos". Assim, em vez de acreditar que o ideal seria manter uma droga em níveis constantes na corrente sangüínea até o final do tratamento, baseados em pesquisas os cronobiologistas apostam na teoria da dose certa no momento certo: as anestesias locais, por exemplo, durariam o dobro do tempo se aplicadas entre 13 e 15 horas, quando deveriam ser marcadas as cirurgias mais longas. A cronobiologia é recente demais para que todas as suas descobertas sejam aceitas sem discussão. Mas parece no mínimo sensato afirmar, como ela faz, que também a saúde é uma questão de manter o ritmo - os altos e os baixos da atividade do organismo.


Relógios para todos os gostos

Até há alguns anos, os cronobiologistas costumavam citar certas "moscas arrítmicas"- insetos que pareciam não obedecer a ciclos biológicos. Mais tarde ficou provado que, na realidade, essas moscas tinham ciclos tão breves que podiam se repetir até mais de vinte vezes ao dia. Caía de vez, então, a hipótese de que algum ser vivo poderia não ter ritmos. Mas o fato de todos viverem ritmicamente não os torna semelhantes, muito ao contrário. O relógio biológico, de acordo com os cientistas, é uma espécie de carteira de identidade das espécies que combina tantas informações a ponto de tornar seu portador um indivíduo praticamente único.
Os ritmos da natureza variam muito: há insetos que batem as asas vinte vezes por segundo, como certas borboletas, e outros que as batem setecentas vezes no mesmo período, como a mosca-da-fruta; enquanto o coração do hipopótamo dá por volta de 20 batimentos por minuto, em passarinhos chegam a ser mil os batimentos num intervalo idêntico. A única semelhança entre as espécies acaba sendo o sincronizador, conforme o ambiente em que evoluíram. Assim, caranguejos e algas, por exemplo, guiam seus ritmos principalmente pelas marés. Já para a maioria dos insetos e para todos os répteis, que não desenvolveram suficientemente o sentido da visão, é a temperatura ambiental o que mais regula seus ciclos. Em mamíferos e aves, porém, é a luz que acerta o relógio biológico.


O enigma dos sete dias

Durante dois meses e meio, a bióloga Mírian Marques passou pelo menos oito horas por dia numa pequena sala iluminada por uma única lâmpada vermelha do Museu de Zoologia de São Paulo. Ali, um microscópio eletrônico ampliava-lhe a imagem de insetos Collembola - uma classe primitiva, sem asa, que não mede mais de 1,5 milímetro e vive sob a terra. A luz vermelha servia para que Mírian pudesse observá-los sem que estes recebessem o estímulo luminoso. "Livres assim de um sincronizador que poderia alterar-lhes os ritmos, verifiquei que eles têm ciclos biológicos de cerca de uma semana, pois trocam a cutícula (espécie de esqueleto externo) a cada três dias e meio e põem ovos a cada sete", explica a bióloga, para quem essa constatação poderá ser importante para a compreensão dos ciclos biológicos humanos.
De fato, há algum tempo se quer provar que existem também ciclos de sete dias - certas células do sangue humano, por exemplo, se multiplicam nesse intervalo. Seriam, por sinal, os únicos sem um correspondente no ambiente. Por isso, alguns cronobiologistas mais cautelosos afirmam que eles poderiam ter sido desencadeados por influência da organização social humana, que dividiu o tempo em semanas de sete dias. "Outra corrente supõe que na realidade a semana teria sete dias porque esse número respeitaria alguns ciclos biológicos", contrapõe Mírian. "Tanto assim que algumas civilizações antigas, que experimentaram semanas de cinco, dez ou doze dias, acabaram se fixando em sete."

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sábado, 28 de janeiro de 2006

Never too Much – Luther Vandross


I can't fool myself, I don't want nobody else to ever love me
You are my shinin' star, my guiding light, my love fantasy
There's not a minute, hour, day or night that I don't love you
You're at the top of my list ‘cause I'm always thinkin' of you

I still remember in the days when I scared to touch you
How I spent my day dreamin' plannin' how to say I love you
You must have known that I had feelings deep enough to swim in
That's when you opened up your heart and you told me to come in

Oh, my love
A thousand kisses from you is never too much
I just don't wanna stop

Oh, my love
A million days in your arms is never too much
I just don't wanna stop

Too much, never too much, never too much, never too much

Woke up today, looked at your picture just to get me started
I called you up, but you weren't there and I was broken hearted
Hung up the phone, can't be too late, the boss is so demandin'
Opened the door up and to my surprise there you were standin'

Who needs to go to work to hustle for another dollar
I'd rather be with you ‘cause you make my heart scream and holler
Love is a gamble and I'm so glad that I am winnin'
We've come a long way and yet this is only the beginnin'

Oh, my love
A thousand kisses from you is never too much
(Never too much, never too much, never too much)
I just don't wanna stop

Oh, my love
A million days in your arms is never too much
(Never too much, never too much, never too much)
And I just don't wanna stop

Oh, my love
A thousand kisses from you is never
(Never too much, never too much, never too much)
I just don't wanna stop

Oh, my love
A million days in your arms is never too much

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

AI, QUE SEDE!


A garganta vai secando, até a sensação ficar insuportável. A pessoa pode buscar alívio em qualquer bebida. Mas não se iluda: o corpo pede água.


De repente, as seis grandes glândulas nos arredores da língua e inúmeras outras menores, dispersas pela boca, iniciam uma operação tartaruga, reduzindo cerca de um quarto da produção de saliva. Se nenhuma providência for tomada, elas entrarão em greve geral. É um movimento de protesto: falta líquido no organismo. Quando a taxa de liqüidez caiu meros 5%, as glândulas salivares já começaram sua manifestação. Quem atravessa esse momento de crise pode achar que há inúmeras maneiras de resolver o problema - uns goles de suco, um copo de refrigerante, uma taça de milk-shake, uma xícara de leite. Há de fato uma interminável carta de bebidas, que aparentemente põem tudo em ordem. Aparentemente. Porque, embora nem todo líquido contenha água o mercúrio do termômetro, por exemplo, não a contém, toda bebida inclui essa substância em sua receita. E é de água, afinal dois átomos de hidrogênio enlaçados com um átomo de oxigênio (a velha fórmula H2O ensinada na escola) que o corpo sedento precisa.Reunidas, as moléculas de água representam 70% do peso de um adulto. Quem pensa que a maior parte desse volume corre em veias e artérias se engana: apenas uma em cada dez dessas moléculas participam da mistura do sangue. Mais de metade delas se acomoda dentro das células e as restantes em torno de 30% do total formam o líquido intersticial, que preenche os vãos entre uma célula e outra. Nomeada solvente universal pelos químicos, no organismo humano a água carrega sais, proteínas, hormônios, gorduras e açúcares. "Dentro de cada célula ocorre uma espécie de circulação aqüosa", descreve o nefrologista Roberto Zatz, da Universidade de São Paulo. "Conforme a diferença de concentração entre o líquido interno e o externo, as substâncias saem ou entram na célula."O jogo de pressões se chama osmose. Graças a ele, a água também transporta a escória do organismo, como as moléculas de uréia, o bagaço das proteínas depois de terem sido aproveitadas dentro das células. "A água ainda ajuda a regular a temperatura", conta Zatz. "Todos os dias, uma pessoa perde cerca de 800 mililitros de água pela transpiração. Ao umedecer a pele, o líquido evapora, roubando o calor do corpo. Pode-se dizer que, como tudo o que é úmido, a tendência do corpo humano é estar sempre secando." Além da perda pelo suor, 1,5 a 3 litros escapam pela urina; 0,5 litro se evapora na respiração e, ainda, 200 mililitros dão a consistência pastosa das fezes. Daí o conselho de se beber diariamente 2 a 3 litros de água - ou de qualquer outro líquido.Se o volume perdido não é reposto, a pessoa entra em processo de desidratação, que pode ser fatal. Teoricamente, sem água, nenhuma substância entra e nem sequer sai das células - o corpo fica travado. "Antes disso acontecer, o cérebro entra em pane", esclarece o nefrologista. Como a concentração do líquido intersticial aumenta, a água escapa do interior dos neurônios, tentando restabelecer o equilíbrio. "O cérebro fica uma uva passa. Se isso ocorre, não há volta." Por sorte, existem receptores no meio do cérebro, no hipotálamo, que não param de analisar o sangue, medindo a concentração ou osmolaridade das moléculas diluídas. Segundo a fisiologista Guiomar Nascimento, da Escola Paulista de Medicina, quando a osmolaridade não está entre 275 e 290 miliosmóis (unidade de concentração das moléculas dissolvidas), é preciso perder ou ganhar água. "Quando alguém almoça uma feijoada, a concentração de sal no sangue aumenta bastante. Durante a ginástica, por sua vez, a pessoa perde líquido pelo suor", exemplifica Guiomar. Nas duas situações, ou quando se aumenta a quantidade de moléculas que a água tem de dissolver ou quando cai o volume de água para dissolver determinado volume de substâncias, o resultado é a sede. "O hipotálamo envia uma mensagem ao córtex, a superfície cinzento-escura do cérebro. Os neurônios que tecem o córtex são os responsáveis, entre outras coisas, pela consciência. "Por isso, a partir do instante em que recebem o aviso, a pessoa percebe que precisa ingerir líquido e corre atrás de um copo de água", informa Guiomar. Cada gole escorrega garganta abaixo em altíssima velocidade, passando em 1 segundo pelo esôfago, o tubo com cerca de 25 centímetros na altura do tórax. O trajeto pelo estômago e intestino costuma ser mais lento, demorando de 3 a 45 minutos - tudo vai depender de a passagem estar livre ou congestionada por alimentos. Só na porção final do aparelho digestivo, no intestino grosso, o líquido é absorvido. "O hipotálamo interrompe, então, as mensagens da sede, porque o equilíbrio se restabelece", diz Guiomar. A explicação não coincide com a experiência de cada um: afinal, tomou água e a sede sumiu; ninguém tem de esperar alguns minutos para sentir o alivio. "Existem teorias de que receptores na mucosa da boca e da garganta mandariam sinais nervosos ao cérebro, quando a pessoa bebe água, por exemplo", conta a fisiologista. "A umidade na região bloquearia a reação de sede. Mas nunca ninguém conseguiu provar isso."Na circulação, a principal escala da água será no par de rins, que eliminam as impurezas do sangue e eventuais excessos de sais - a água, mais uma vez serve de veículo, escoando essas substância para fora. "Os rins também são importantíssimos para regular o nível de líquido no corpo", explica Guiomar. Segundo a fisiologista, a dupla de órgãos filtra diariamente nada menos do que 180 litros de sangue; 99% desse líquido é reabsorvido. Mas uma substância lançada pela glândula hipófise, no cérebro, pode interferir no processo de reabsorção: o hormônio antidiurético (HAD), fabricado por ordem do hipotálamo. Ele age nas paredes do vaso coletor dos rins, tornando suas células bastante permeáveis à água. Estas, então, roubam água pura da urina. "E uma estratégia de defesa", explica o nefrologista Roberto Zatz. "Além de induzir a reposição da água perdida, através da sede, o organismo economiza o líquido que lhe resta." Segundo o médico, o ser humano é capaz de concentrar até cinco vezes o volume urinário. "Isso indica que, durante a evolução, ele nunca sentiu muita sede. O rato do deserto, por exemplo, tem o triplo dessa capacidade."


Coquetel de minerais

Cerca de trinta marcas de água, com misturas diferentes de sais, disputam o paladar dos franceses. Acreditando nos benefícios dessas substâncias à saúde eles dominam a arte de extrair a melhor bebida dos mananciais

Dois mandamentos, um alemão e outro da Roma antiga, definem uma água mineral extraída de fontes nunca inferiores a 1 500 metros de profundidade. Segundo os alemães, para ser mineral a água deve conter, no mínimo, 1 grama de sais minerais por litro. Os romanos, que em seu tempo nem tinham como medir o teor dessas substâncias, sustentavam a tese de que o líquido seria mineral desde que tivesse algum efeito terapêutico. Campeões mundiais no consumo dessa bebida, os franceses, que bebem 4 bilhões de litros de água mineral por ano cerca de 76 litros por pessoa e mais 74 litros de vinho preferem engolir, até hoje, a versão romana. Um desavisado brasileiro entre as gôndolas de um supermercado parisiense pode encher o carrinho de garrafas de água de fonte, como são chamadas aquelas bebidas que, embora eventualmente mineralizadas, não têm efeito reconhecido sobre a saúde. Enfim, se lhe agradar o paladar, talvez o estrangeiro nunca perceba o engano uma vez que, feito as nobres minerais, as águas de fonte se originam em camadas subterrâneas e são, também, tão puras e potáveis, a ponto de dispensarem qualquer tratamento de desinfecção. A influência romana nessa questão conceitual começou em épocas anteriores a Cristo. No século I a.C., quando a cidade de Vergese, no sul da França, fazia parte dos domínios de Roma, foram construídas termas, para derramar a água gasosa que jorrava nas redondezas, em banhos considerados capazes de curar qualquer mal-estar Supõe-se que a fonte desse líquido com supostos poderes medicinais havia sido descoberta cerca de cem ano antes, em 218 a.C., pela tropa do general Anibal, chefe de Estado de Cartago (atual Tunísia), que tentava conquista a região. Nobilíssimas, as termas de Vergese só foram abertas ao povo na Idade Média. Muito mais tarde, no século XIX, o imperador Napoleão III autorizou que a famosa água do local fosse engarrafada e distribuída em outras cidades, "para o bem da França" de acordo com suas palavras. Essa mesma bebida, hoje em dia, chega a 120 países, dentro de uma garrafa verde e levemente bojuda, com a estampa da Perrier - a marca de água mineral mais consumida do planeta.Não é só por causa da Perrier, porém, que os franceses se orgulham de suas fontes termais. Afinal, nesse país, concorrem nada menos de trinta marcas de água mineral, extraídas de locais diferentes. Entre elas, a Vichy, a Vittel, a Evian - esta ocupa o primeiro lugar na preferência dos descendentes de Asterix, o gaulês -, que começaram a ser industrializadas ainda no século passado. "Os franceses não suportam o sabor desagradável dos produtos químicos usados no tratamento da água de torneira", conta o engenheiro geoquímico François lundt. "Por isso, o consumo das águas de fonte e das águas minerais não pára de crescer." Responsável pela divisão de águas do Bureau de Pesquisas Geológicas e Minerais (BRGM), uma agência do governo, Iundt e sua equipe assessoram tanto as indústrias interessadas em prospectar fontes como os laboratórios que testam a qualidade das águas comercializadas.Segundo o engenheiro, a concorrência entre as marcas é tão acirrada que o segredo em torno de um novo manancial equivale ao da descoberta de um poço de petróleo. O dinheiro envolvido no negócio justifica o sigilo: o mercado francês de água mineral movimentou o equivalente a 2,4 bilhões de dólares, no ano passado. "A primeira providência, quando se pretende extrair uma água subterrânea, é pedir a autorização do prefeito", conta o professor André Corbet da Academia Nacional de Medicina, que se encarrega de dar o aval científico à nova fonte. "As análises preliminares costumam durar dois anos", revela o médico Um novo rótulo só chega às prateleiras com a aprovação do Ministério da Saúde, garantindo que determinada água é benéfica para a saúde."Lembra Corbet que a bebida rica em cálcio colabora na formação de ossos, dentes e membranas celulares; há suspeitas de que esse mineral também ajude o bebedor da água a manter a calma, regulando os ritmos cardíacos. A água com sais de fósforo, por sua vez, seria capaz de diminuir a fadiga muscular. Já quando se encontra uma quantidade razoável de moléculas de iodo agarradas nas de hidrogênio e oxigênio - a dupla dinâmica da fórmula H2O da água -, a glândula tireóide, na altura do pescoço, passa a trabalhar melhor e, então, a pessoa que encheu a barriga com o Iíquido tende a emagrecer. Ninguém nega, as águas com minérios podem suprir eventuais carências no corpo dessas substâncias Ainda assim, muitos cientistas não vêem nelas o gosto de remédio, que querem lhes atribuir os franceses.Segundo Corbet, os cuidados não devem terminar depois do lançamento de uma água mineral no comércio: "Por isso, a cada dois meses, nós realizamos testes de qualidade". A linha de produção nas indústrias é orientada pelo atento Serviço de Minas do governo, que determina a quantidade máxima de água a ser extraída em determinado período. "Afinal, uma fonte não pode ser esgotada, por causa de interesses econômicos", opina o médico. Na França, a divisão das águas é traçada pela dosagem de minerais. Os especialistas consideram pouco mineralizadas aquelas bebidas que têm entre 100 e 500 miligramas de sais por litro - as águas Evian e Perrier servem de exemplo. Há uma categoria intermediária, em que se incluem as marcas Badoit e Vittel, com 1 000 a 3 000 miligramas de minerais diluídos em cada litro. Finalmente, existem águas supermineralizadas, que ultrapassam o limite dos 3 000 miligramas: é o caso da famosa Vichy.Mas a quantidade de minerais não é tudo. Uma água mineral é comparável a um coquetel - pregam os especialistas -, em que a mistura dos ingredientes determina o 5. sabor. 5. "Essa combinação vai depender do tipo de solo por onde o líquido faz o seu percurso", descreve o engenheiro Iundt. "Durante a viagem, ele seqüestra partículas, tornando-se mais doce ou mais salgado, um pouco amargo ou ligeiramente ácido." Algumas águas são naturalmente gasosas, porque os lençóis subterrâneos cortam áreas com enormes quantidades de restos vegetais, cujas moléculas ácidas atacam o carbonato, componente das chamadas rochas calcárias. O resultado da reação é puríssimo gás carbônico, que se mistura ao líquido, formando bolhinhas. Curiosamente, uma vez extraídas, essas águas precisam perder o gás, com a ajuda de uma bomba especial, para entrarem pelos canos, sem provocar desastrosas pressões - e, conseqüentemente, eventuais vazamentos.O gás, no entanto, não é jogado fora. Armazenado, ele é reinjetado no líquido, na hora do engarrafamento. Em alguns casos, os produtores impregnam mais gás carbônico do que havia na receita original da natureza. Na Perrier que escorre pelo gargalo de vidro, por exemplo há 3,5 vezes mais bolhinhas do que na água que sai de sua tradicional fonte. Aliás, foram descuidos na aparelhagem usada nesse processo de gaseificação os responsáveis pelo escandaloso caso de contaminação das Perrier, há cerca de dois anos e meio. Cientistas americanos acharam 17 milionésimos de grama de benzeno numa amostra de treze garrafas da água, importada da França. A substância é considerada cancerígena. Por isso, em menos de uma semana, os supermercados americanos devolveram mais de 72 milhões de garrafinhas verdes ao fabricante europeu. Este, para honrar a marca, ordenou o recolhimento de outros 160 milhões de exemplares da safra benzeno, espalhados ao redor do mundo. Foi uma tempestade em copo d´água: com a dosagem ínfima de benzeno detectada, se uma pesssoa bebesse 1 litro de Perrier contaminada por dia, ao longo de trinta anos, ela teria uma chance em 1 milhão de desenvolver um tumor.Depois dos franceses, são os alemães que mais matam a sede com água mineral - o consumo anual fica em torno de 49 litros por pessoa. Em seguida, vêm os italianos: 47 litros per capita. no mesmo período. Nos Estados Unidos, esse consumo fica próximo dos 17 litros. Em média, um copo de água mineral custa nesses países trezentas vezes mais do que o mesmo volume de água de torneira - e, ainda assim, tem seu público fiel. "Na França, a água já virou uma espécie de bebida nacional", diz Claude Roger, há 23 anos maître do famoso restaurante Maxim´s, freqüentado pela alta sociedade européia. Para acentuar seu status, o Maxim´s oferece uma água exclusiva, a Chateldon, ligeiramente gasosa. "Os jovens executivos adoram pedi-la, porque ela combate o estresse", arrisca o maître. Seu colega de ofício, Michel Roger, do badalado Closerie de Lilas - um bar encravado em Montparnasse, o bairro intelectual de Paris - conta que o embaixador brasileiro Carlos Alberto Leite Barbosa é um de seus mais assíduos clientes e nunca dispensa diversas doses de Evian. "Ele tem bom gosto, é uma água leve", elogia. "Para um francês, saber escolher uma água é tão importante quanto selecionar um vinho."


Muito mais que um filtro

Diariamente, o par de rins filtra o equivalente a 36 vezes o volume total de sangue, que chega pela artéria renal, um ramo da aorta abdominal. Esse vaso se ramifica sucessivamente até ficar com a espessura aproximada de um fio de cabelo. É então que entra em uma espécie de grão microscópico, a cápsula de Bowman, onde se enrola formando um novelo vascular, o chamado glomérulo. O sangue que circula por ali deixa passar a água e as substâncias dissolvidas. O líquido, então, escoa da cápsula de Bownam até um túbulo com desenho de alça - todo esse conjunto se chama néfron. Há cerca de 1 milhão deles em cada rim. Nesse caminho, o organismo reabsorve a maior parte do volume de líquido filtrado. E não é só isso: no filtrado do glomérulo há substâncias como a glicose, que precisam ser devolvidas à circulação porque ainda podem ser utilizadas pelo organismo. Existem, por exemplo, cerca de 7 gramas de cloreto de sódio, sal comum. Em cada litro de sangue; na filtragem, no entanto, os rins captam cerca de 1 quilo de sal por dia e só 15 gramas acabam sendo eliminadas nela urina.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Cartesianismo



Movimento filosófico cuja origem é o pensamento do francês
René Descartes (1596-1650), considerado o fundador da
filosofia moderna. Para Descartes, nem os sentidos, que podem
enganar-nos, nem as idéias, que são confusas, podem nos dar
certezas e, portanto, nos conduzir ao entendimento da realidade.
Por isso, com a finalidade de estabelecer um método de
pensamento que permita chegar à verdade, desenvolve um
sistema de raciocínio que se baseia na dúvida metódica e não
pressupõe certezas e verdades, como era tradição entre os
pensadores que o antecederam. O método cartesiano põe em
dúvida tanto o mundo das coisas sensíveis quanto o das
inteligíveis, ou seja, o que pode ser apreendido por meio das
sensações ou do conhecimento intelectual.

A evidência da própria existência, o "Penso, logo existo", traz
uma primeira certeza. A razão seria a única coisa verdadeira da
qual se deve partir para alcançar o conhecimento. "Eu sou uma
coisa que pensa, e só do meu pensamento posso ter certeza ou
intuição imediata", diz Descartes. Para reconhecer algo como
verdadeiro, ele considera necessário usar a razão como filtro e
decompor esse algo em partes isoladas, em idéias claras e
distintas.

Para garantir que a razão não se deixe enganar pela realidade,
tomando como evidência o que de fato pode não passar de um
erro de pensamento ou ilusão dos sentidos, Descartes formula
sua segunda certeza: a existência de Deus. Entre outras provas,
usa a idéia de Deus como o ser perfeito. A noção de perfeição
não poderia nascer de um ser imperfeito como o homem, mas
de outro ser perfeito, argumenta. Logo, se um ser é perfeito,
deve ter a perfeição da existência. Caso contrário, lhe faltaria
algo para ser perfeito. Portanto, Deus existe. O método
cartesiano revoluciona todos os campos do pensamento de sua
época, possibilitando o desenvolvimento da ciência moderna e
abrindo caminho para o homem dominar a natureza. A realidade
das idéias claras e distintas, que Descartes apresenta a partir do
método da dúvida e da evidência, transforma o mundo em algo
que pode ser quantificado. Com isso, a ciência, que até então se
baseava em qualidades obscuras e duvidosas, a partir do início
do século XVII torna-se matemática, capaz de reduzir o Universo
a coisas e mecanismos mensuráveis, que a geometria pode
explicar.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Janeiro


Janeiro, primeiro mês do ano no calendário gregoriano. Tem 31 dias. O nome deriva de Jano, deus romano bifronte das portas que se fecham e se abrem: uma cara significa o tempo que passou e a outra o tempo que começa.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2006

A incidência da sífilis no Brasil

Conforme dizia Oscar da Silva Araújo (1928, p. 11), a grande incidência da sífilis no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, vinha sendo apontada por fontes mais seguras desde o século XVIII. Além de citar cronistas que falavam igualmente da "dissolução dos costumes" e da incidência do mal venéreo, Araújo afirmava que, em 1798, o Senado da Câmara do Rio de Janeiro teria organizado um inquérito para apurar quais as doenças endêmicas e epidêmicas mais comuns na cidade. Três médicos ali radicados teriam respondido a tal inquérito, sendo que dois deles assinalavam a freqüência das doenças venéreas. Através dos trechos citados por Araújo (op. cit., p. 12), pode-se perceber com clareza como a constatação dessa freqüência articulava-se diretamente às avaliações sobre a imoralidade reinante. Segundo dizia, por exemplo, um dos médicos consultados:

"As causas morais e dietéticas influem assaz para as moléstias do país. Os antigos afirmam que as tísicas, hoje tão freqüentes no Rio de Janeiro, raríssimas vezes se observavam, assim como as doenças da pele. Ora, se nós cavarmos mais fundo, acharemos que quase todas são complicadas com o vício venéreo. A opulência desta respeitável cidade faz introduzir o luxo e a depravação dos costumes, de maneira que dentro da cidade não faltam casas públicas, onde a mocidade vai estragar a sua saúde e corromper os costumes de uma boa educação, contraindo novas enfermidades e dando causas para outras tantas."

O outro médico a se pronunciar sobre o assunto lançava mão de um raciocínio que, sob feições diferentes, perduraria até meados do século XX. Dizia ser na escravidão que se devia procurar a origem da devassidão reinante, pois a prostituição seria a "conseqüência indefectível do ócio e da riqueza adquirida sem trabalho e fomentada pelo exemplo familiar dos escravos, que quase não conhecem outra lei que os estímulos da natureza" (idem, ibidem).
Já em meados do século XIX, em seu tratado sobre o clima e as moléstias do Brasil, Sigaud afirmava que "a sífilis existiu em todas as épocas no país e é hoje doença predominante" (idem, ibidem, p. 17). À mesma época, a doença começava também a ser responsabilizada pela "velhice prematura", que, segundo alguns, caracterizava a mocidade brasileira (Azambuja, 1847, p. 3). Testemunho da crescente preocupação que assumia ao longo da década de 1860, a sífilis começava a figurar em diversos relatórios anuais de inspetores de saúde provinciais como a moléstia que, ao lado da tuberculose, das alterações intestinais e das febres intermitentes, "mais estragos fazem à população menos abastada" do Império – assim dizia então um inspetor de saúde da Bahia (idem). Começava-se também a revelar numericamente o peso de sua contribuição no total de internamentos em diferentes hospitais. Em artigo publicado na Gazeta Médica da Bahia, dizia-se que, para "se conhecer a extensão que desgraçadamente vai ganhando o elemento sifilítico entre nós", bastaria olhar as estatísticas dos hospitais, pois, no período de 1861 a 1866, mais de um terço dos doentes internados nas enfermarias de cirurgia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro seria de portadores de doenças venéreas (Anônimo, 1871, p. 26). Segundo o mesmo artigo, a partir de tais dados "colige-se evidentemente a expansão que vai tomando a propagação das moléstias venéreas entre nós, e quanto, continuando a expandir-se em proporção equivalente por falta de aplicação de medidas tendentes a neutralizar suas funestas conseqüências, atingirá em breve grandiosas proporções".
Sob o impacto da guerra com o Paraguai (1865-70), alarme semelhante se fazia ouvir nos meios militares. A partir da década de 1870, a grande incidência da sífilis e das outras doenças venéreas nas tropas começava também a ser enfatizada.1 Em 1873, João José de Oliveira Junqueira, ministro da Guerra do império, destacava as doenças venéreas como a afecção mais comum entre os soldados, seguida numericamente pelas doenças do "aparelho respiratório e de digestão" (Araújo, 1928, p. 24). Para o período 1872-73, o médico José de Góis Siqueira Filho calculava que um terço das tropas aquarteladas na Corte estaria contaminado (idem). Dez anos depois, em 1883, através de uma memória apresentada à Academia Imperial de Medicina, o médico militar José de Oliveira (idem, p. 23) seria ainda mais contundente:

"Se a tuberculose representa no Exército brasileiro a maior cifra mortuária, se os embaraços gástricos não lhe cedem o passo na questão numérica, as moléstias venéreas e sifilíticas avantajam-se às duas. Pode-se, sem medo de errar, asseverar que não há um só soldado nosso que não tenha uma ou mais entradas nos hospitais por acidentes venéreos. A cirurgia hospitalar do Exército é constituída em tempo de paz pelo sem-número de blenorragias, cancros venéreos e bubões. Os acidentes secundários e terciários de sífilis, exostoses e reumatismo contam-se por centenas."

A partir da segunda metade do século XIX, os médicos não denunciavam apenas a grave situação do Rio de Janeiro. O professor Claudemiro Caldas (1866, p. 89) escrevia na Gazeta Médica da Bahia que "no quadro nosológico da clínica cirúrgica da Faculdade da Bahia avulta, pelo maior número de vítimas, a sífilis". E, em finais do século, o conhecido psiquiatra Juliano Moreira (1899, p. 113) ressaltava já haver dito por diversas vezes que "a sífilis na Bahia é de uma freqüência notável", acrescentando que, no Brasil, "de dia em dia amplia o terrível mal o seu domínio". O mal estaria também firmemente instalado na cidade de São Paulo, onde, segundo os estranhos cálculos apresentados por um médico paulista no início do século XX (Sousa, 1909, p. 7), haveria uma média de trinta mil contaminações sifilíticas por ano, o que significava dizer que, a cada ano, 10% de seus habitantes se comtaminavam.2
Assim, frente a estatísticas bastante precárias, quase inexistentes, os médicos da passagem do século ancoravam suas denúncias sobretudo em sua experiência clínica e nos dados fornecidos pela população hospitalizada. É verdade que, ao avaliarem a extensão da doença no Brasil, alguns deles também se apoiavam no senso comum, para o qual, como revelava explicitamente Juliano Moreira (1899, p. 113), o Brasil parecia ser a moradia ideal da sífilis. Segundo o ilustre médico baiano, era comum se dizer "em família", frente a qualquer afecção: "isto é gálico". Tanto o vulgo quanto os médicos tinham a tendência, segundo dizia, a exagerar o "círculo do qualificativo", "batizando" de sífilis " a mais banal das dermatoses parasitárias, o mais trivial dos acnes, a mais genuína blefarite, a mais simples das conjuntivites". Segundo relatava, era "comum" se ouvir dizer: "Pois há brasileiro que não tenha a sua tara sifilítica?" Para o referido autor, "descontando o exagero", bem se via aí "a fórmula indicadora da disseminação do mal".
Diferentemente do que acontecia em relação à hipótese americana do mal e a de sua malignidade nos trópicos, e apesar do papel fundamental que tiveram na diferenciação entre a sífilis e certas doenças tropicais presentes no país, os sifilógrafos brasileiros da primeira metade do século XX iriam, entretanto, perpetuar a idéia da disseminação da sífilis ser particularmente assustadora no país, cujo estatuto já era então o de "verdade tradicional". Como até a década de 1940 a sífilis não era doença de notificação compulsória, nem havia uma padronização diagnóstica unanimemente aceita, toda espécie de especulação estatística foi possível. E sempre no sentido de sustentar tal "verdade". Além disso, o próprio caráter proteiforme da doença (suas múltiplas manifestações sintomáticas) propiciava enormes divergências quando se tratava de saber quais seriam os critérios ideais para definir uma determinada manifestação patológica como sífilis. Alguns utilizavam um critério clínico e incluíam na rubrica sífilis uma enorme diversidade de doenças e de anomalias congênitas ou hereditárias. Outros pautavam-se apenas nos resultados dos exames de sangue que, além de não serem confiáveis pelos critérios atuais, ainda permitiam interpretações, pois, ao menos quando se tratava do tradicional teste de Wassermann, apresentavam-se em um contínuo do "fortemente positivo" ao "fortemente negativo".3
Enfim, não se trata aqui, obviamente, de tentar chegar a nenhuma verdade sobre a extensão da sífilis no Brasil. Apesar de toda a sua incongruência, os números sempre desenhavam os limites (in)variáveis da percepção generalizada de que o Brasil era a morada ideal da sífilis. Sempre presente no discurso sifilográfico, a equação "brasileiro = sifilítico" justificava até mesmo que as estatísticas fossem em certos momentos consideradas dispensáveis ou desnecessárias, quando se tratava de determinr a real incidência da doença no Brasil. Assim, por exemplo, dizia um médico no início do século XX (Sousa, 1909, p. 6) que "sobre a sífilis e as moléstias venéreas, quase não há necessidade de estatísticas no Brasil, podendo-se contar o número de vítimas, aproximadamente, pelo número de brasileiros. É uma exageração? De modo algum."
No âmbito do I Congresso Sul-Americano de Dermatologia e Sifilografia, realizado no Rio de Janeiro em 1918, o clínico Oscar Clark (1921, p. 188) abria sua comunicação afirmando que "a freqüência da lues no Brasil é do domínio histórico e até viajantes estrangeiros que percorrem o nosso país levam a impressão de que todo o nacional seja sifilítico".
Foi essa situação supostamente terrível que embasou, até a década de 1920,o clamor dos médicos por medidas de combate à doença e suas críticas ao imobilismo dos diferentes governos republicanos. Com o início da primeira campanha nacional de combate à sífilis, depois de 1921, atenua-se significativamente o alarme estatístico. Entre as medidas então adotadas contra a sífilis não figurava, entretanto, sua notificação obrigatória, permitindo que médicos e sifilógrafos continuassem operando com dados bastante imprecisos. A estimativa que se estabeleceu durante a década de 1920 apontava para um índice de contaminação da população brasileira em torno de um quinto. Considerado extremamente alto, ele prevaleceria inalterado até o início da década de 1940. Já em 1921, na primeira palestra educativa promovida pela então recém-criada Inspetoria de Profilaxia da Lepra e das Doenças Venéreas, o eugenista Renato Kehl iria utilizá-lo. Depois de dizer que, não sendo doença de notificação obrigatória, seria impossível qualquer estatística segura, ele estimava, apoiado na autoridade dos sifilógrafos, especialmente em Eduardo Rabelo, existirem no Brasil seis milhões de sifilíticos, ou seja, 20% de sua população. Já o número de gonorréicos seria, "sem exagero no cálculo", um pouco menor, quatro milhões e oitocentos mil, perfazendo 16% da população. Em contraste, segundo o eugenista, nos "países civilizados", essas taxas seriam bem menores e a sífilis atingiria apenas 10% da população.4 A isso, acrescentava (Kehl, 1921, pp. 38-9): "Podereis vós, que nos ouvis, suspeitar que estamos enegrecendo o quadro mórbido do Brasil. Mas afirmamos escudados na opinião de cientistas de valor e probidade indiscutíveis, que infelizmente essa é a verdade."
Em 1934,com a suspensão da campanha antivenérea iniciada na década anterior, o alarme estatístico voltaria a crescer progressivamente e o Brasil continuaria a manter seu estatuto de país particularmente 'sifilizado'. É o que evidenciam, por exemplo, as afirmações do médico da armada portuguesa Emílio Faro (1934, p. 184), em artigo publicado no Jornal de Sífilis e Urologia. Depois de dizer que uma grande parte da população portuguesa estava contaminada e que os europeus acreditam que quase todos os portugueses eram sifilíticos, complementava: "Nós portugueses fomos muito atingidos. Antigamente, pelas grandes viagens que fizemos, tanto para o Oriente, quanto para a América do Sul; nos últimos tempos, pela nossa grande emigração para o Brasil. Ali, a sífilis é tão freqüente que, entre nós, pode dizer-se que quem viveu algum tempo nesse país é sifilítico com certeza."
Em 1940, no âmbito da I Conferência Nacional de Defesa contra a Sífilis, promovida sob o governo ditatorial de Getúlio Vargas, os especialistas fazem um novo esforço de avaliação numérica da extensão da doença, concluindo que o mal permanecia bem instalado no país e que, resistindo aos esforços para debelá-lo, podia continuar a ser considerado um dos fatores decisivos para a degeneração da raça brasileira.


1 Em parte, talvez, devido à intensidade da disseminação do mal nas tropas durante a guerra do Paraguai ou por sua maior valorização por parte dos médicos militares.

2 O médico chegava a esta aterradora constatação a partir do número estimado de prostitutas residentes na cidade e do número de relações sexuais potencialmente contaminadoras que elas manteriam por ano.

3 Em sua recente história sobre o teste de Wassermann, Löwy (1993, pp. 19-20) afirma que "um teste positivo era considerado – principalmente no período inicial de entusiasmo pelo novo método – como prova infalível da infecção treponêmica e não como um elemento que contribuiria para o diagnóstico". Depois da segunda guerra mundial, ao surgirem testes que possibilitavam a detecção do próprio treponema na corrente sanguínea, verificou-se que o teste de Wassermann produzia resultados positivos também em face a inúmeras outras doenças e que, para certas populações, o número de falsos positivos podia ser assombroso. Desse modo, conclui a mesma autora: "milhares de pessoas que hoje seriam consideradas falsos positivos foram diagnosticadas como portadoras da sífilis. Sofreram não apenas as conseqüências sociais e psicológicas de tal diagnóstico – medo, culpa, vergonha e condenação social –, mas, também, os efeitos bastante tóxicos do tratamento anti-sifilítico que era, então, preconizado.

4 Para justificar tal afirmação quanto aos "civilizados", Kehl oferecia contraditoriamente estimativas bastante superiores. Citando Fournier, dizia que, na França, haveria de 13% a 16% de adultos atingidos pela sífilis. Para a Alemanha, Blaschko (1906) teria calculado 18% na "classe burguesa". E, para os Estados Unidos, Day e McNitt teriam estimado uma incidência de 6% a 13% nas "classes burguesas", 20% entre os "pobres brancos" e 30% entre os "negros pobres" (Kehl, 1921, p. 33). Quanto ao número de casos de gonorréia, dizia Kehl que, nos Estados Unidos e Alemanha, estimava-se que 80% dos homens adultos, antes de completarem trinta anos, já a teriam adquirido, e que de 70% a 95% das prostitutas tinham estado ou estavam doentes. No Brasil, acrescentava, na falta de uma propaganda contra a prostituição e da divulgação dos meios profiláticos, os números da gonorréia deveriam alcançar de 70% a 90% da população adulta masculina e 100% entre as prostitutas. No Rio, segundo diz, 90% dos homens adultos teriam ou já teriam tido gonorréia (op. cit., pp. 46-7).

Fragmento de "A geopolítica simbólica da sífilis: um ensaio de antropologia histórica." In: História, Ciências, Saúde: Manguinhos. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, vol. III, nº 3, nov.1996-fev.1997, pp.398-402.
Sérgio Carrara é doutor em antropologia, pesquisador e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ). Artigo publicado na revista Curare: Journal for Ethnomedicine, Special volume: The Medical Anthropologies in Brazil, n°12, 1997, Berlim.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Passáro Encantado

Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões:

Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava. Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado.

Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia:
"Tenho de partir."

A menina chorava e implorava: "Por favor, não vá, fico tão triste. Terei saudades e vou chorar..."

"Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar."

E partia. A menina, sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: "Se o Pássaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola."

Assim aconteceu. A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda.

Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu.

A menina, aproveitando-se do seu sono, o engaiolou. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor.

"Ah! Menina...que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora..."

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por acostumar.

Mas não foi isso que aconteceu. Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu.

Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo...

Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. "Pode ir, Pássaro", ela disse." Volte quando você quiser..."

"Obrigado, menina", disse o Pássaro. "Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você!

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domingo, 22 de janeiro de 2006

Milho de Pipoca

A transformação do milho duro em pipoca macia é simbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.

O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com gente. As grandes transformaçoes acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.

São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.

Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.

Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer.

Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.

Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: Bum! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.

Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisas mais maravilhosas do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

E você o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?


Rubem Alves

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sábado, 21 de janeiro de 2006

10 Situações que Ocorrerão no Ano Novo

1 A sua cunhada vai brigar com o seu irmão momentos antes da meia-noite, criando o maior clima chato.


2 Sua irmã vai pedir de novo pra você fazer as pazes com o seu cunhado, dando a ele motivo para te pedir dinheiro emprestado mais uma vez no ano que vem.


3 Um tio seu, fanático por fogos, vai soltar um foguete bem no pé do seu ouvido, te deixando surdo o próximo janeiro inteiro.


4 Você vai prometer que vai fazer regime em janeiro, assim que vir a torta de chocolate, a mousse de limão e as outras guloseimas sobre a mesa.


5 Sem ninguém ter chamado, a vizinhança inteira virá para comer na sua casa, acabando com as lentilhas antes que você tenha chance de prová-las.


6 Você vai comer um pedaço de carne que sobrou do Natal e foi reaproveitado.


7 Simpatia. Alguém vai tentar te convencer de que colocar 12 caroços de manga chupadas na véspera do Natal de 72 dentro de uma cueca que não é lavada há quinze dias vai fazer de você um milionário em 2006.


8 Sempre vem um cara de fora da família, talvez o namorado novo de alguma prima, que fica todo sem-graça, isolado num canto.


9 Sempre tem alguém que te abraça apertado, se emociona, chora, diz que te ama muito e baba na tua camisa.


10 Você vai ouvir pela décima quinta vez o CD de Simone, cantando "Então é Natal", apesar de já ser Ano Novo.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Viver! Há algo melhor?

A vida sempre é tão surpreendente que somente com uma boa dose de
loucura
conseguiremos fluir em suas ondas. Uma pessoa certinha vai ser muito
rígida
para agüentar a fluidez da vida. As pessoas que ficam loucas são
aquelas que
não aprenderam a conviver com suas loucuras. Acredite, não existe um
mapa
para ser feliz, mas existe uma forma de caminhar para ser feliz. Com
serenidade, abertura, disponibilidade e uma grande dose de loucura. Não
existe um mapa para a felicidade porque a felicidade consiste
exatamente em
explorar a vida com paixão e intensidade. Viva intensamente.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

2006 VAI PASSAR VOANDO. VERIFIQUE:

Carnaval - 25, 26, 27 e 28 de FEVEREIRO (ôpa, cabe uma viagenzinha aqui!..)

Páscoa - 14, 15 e 16 de ABRIL ( aqui também!..)

Tiradentes (21.04) - cai numa SEXTA (YES!)

1º de Maio - cai numa SEGUNDA (até agora tá maravilhoso!!! E nem chegou a
Copa!)

Corpus Christi - 15, 16, 17 e 18 de JUNHO (para onde vamos mesmo?!)

7 de setembro - QUINTA (emenda?!)

12 de outubro - QUINTA (emenda?!)

Finados (02.11) - QUINTA (emenda?!)

15 de novembro - QUARTA

Consciência Negra (20.11) - SEGUNDA

Natal - de domingo pra segunda

Ano Novo - de domingo pra segunda


Tá bom ou tá mais ou menos o ano?


E tem mais!!!


13.06 (terça) - Brasil x Croácia, às 16h00

18.06 (dom) - Brasil x Austrália, às 13h00

22.06 (quinta) - Japão x Brasil, às 16h00

OITAVA - 27.06 (terça), às 12h00

QUARTA - 01.07 (sáb), às 16h00

SEMIFINAL - 05.07 (qua), às 16h00

FINAL - 09.07 (dom), às 15h00
03 de outubro Eleições 1º turno
15 de novembro eleições 2º turno

FELIZ ANO NOVO!!!!

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Duas Piadas de Velhinhos

O médico atende um velhinho milionário que tinha começado a usar um

revolucionário aparelho de audição:

- E aí, seu Almeida, está gostando do aparelho?

- É muito bom.

- Sua família gostou?

- Ainda não contei para ninguém, mas já mudei meu testamento três vezes.





A avó pergunta à neta:

- Aninha, como é mesmo o nome daquele alemão que me deixa louca?

- Alzheimer, vovó...Alzheimer

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terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto
o prêmio subterrâneo e coruscante
leitura de relampago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena o preço terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Bom início de Semana

"Não se desgaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das
oportunidades que iluminaram seu caminho " .

" Evite o aborrecimento com os fanatizados, pois eles permanecem no cárcere do
exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro."

"Perdoe ao mau, a vida se encarregará dele".
(André Luiz )

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domingo, 15 de janeiro de 2006

Amigo aprendiz

Quero ser teu amigo,
Nem demais e nem de menos...
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te como próximo, sem medida...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade,
Sem jamais te sufocar,
Sem forçar a tua vontade.
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais...
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso:
É tão difícil aprender...
Por isso, eu te peço paciência.
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças...
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias.

Fernando Pessoa

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sábado, 14 de janeiro de 2006

Pesquisa

A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo. Enviou uma carta para o
representante de cada país com a pergunta:

"Por favor, diga honestamente qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no
resto do mundo".

A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe por que? Todos os países europeus não
entenderam o que era "escassez". Os africanos nao sabiam o que era
"alimento". Os cubanos estranharam e pediram maiores explicaçoes sobre o que era "opinião".
Os argentinos mal sabiam o significado de "por favor". Os norte-americanos nem
imaginavam o que significa "resto do mundo". O congresso brasileiro está até
agora debatendo para descobrir o que é "honestamente".

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Sensibilidade

"Quem não é capaz de entender um olhar não será capaz de entender mil palavras"
Roger

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Voz do coração

Esse brilho de olhar que te ilumina
Esse jeito de andar me fascina
Faz o tempo parar de repente
Esse jeito de amar inocente
Já começa brilhar para a vida
E o caminho a seguir cheio de emoções
A vida é feita para viver
Viver de amor e de ilusão
Faça o que manda
Seu coração!!!

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

SER FELIZ OU TER RAZÃO

Oito da noite numa avenida movimentada.
O casal já esta atrasado para jantar na casa de alguns amigos.
O endereço é novo, assim como o caminho, que ela
conferiu no mapa antes de sair.
Ele dirige o carro.
Ela o orienta e pede para que vire na próxima rua à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal
humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira a direita e percebe que estava errado.
Ainda com dificuldade, ele admite que insistiu no
caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar
alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber:
"Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando
o caminho errado, deveria insistir um pouco mais".
E ela diz:
"Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos a beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite".
- x -
Essa pequena historia foi contada por uma empresária durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não.
Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência:
"Quero ser feliz ou ter razão?"
Pense nisso e seja feliz.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2006

O que admiro nas artes e nas pessoas

´"a grandeza na simplicidade e a simplicidade na grandeza..."

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

DEU NO NEW YORK TIMES !

Uma professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:
- De quem é esse retrato?
Slêncio absoluto.
- Eu vou ajudar vocês um pouquinho. É por culpa desse senhor que nós estamos passando fome.
- Ah, professora! É que sem a barba e o uniforme não dava para reconhecer!
==============================
Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:
- E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!
- Trabalharemos o dobro! - diz alguém da multidão.
- E teremos de entender que haverá menos alimentos!
- Trabalharemos o triplo! - diz a mesma voz.
- E as dificuldades vão aumentar! - continua Fidel.
- Trabalharemos o quádruplo!
Aí o Fidel pergunta ao chefe de segurança:
- Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?
- O coveiro, mi comandante.
==============================
O povo cubano estava todo reunido em uma apresentação pública com o ditador, e o seu assessor olhava para Fidel, virava para o povo e dizia:
- Mira, pueblo de Cuba! Acá está Fidel! Fidel no tiene la barba de Cristo? E o povo:
- La tiene!
- Fidel no tiene los pelos de Cristo?
- Los tiene!
- Fidel no tiene lo ojos de Cristo?
- Los tiene!
Um bêbado então berra do meio da turba:
- ENTONCES, PORQUE NO CRUCIFICÁ-LO?
==============================
Fidel sofre um enfarte, e a família o leva ao hospital.
O médico diz:
- Não tem esperança.
O irmão pergunta:
- Ele vai morrer?
- Não. Vai continuar vivo.
=============================
- Sabia que Adão e Eva eram cubanos?
- O que faz você pensar isso?
- Não tinham roupas, andavam descalços, não podiam comer maçã e ouviam dizer que estavam num paraíso.
==============================
Fidel vai a um centro espírita e, na sessão, consegue conversar com a mãe morta:
- Mãe, no próximo ano eu ainda vou estar no poder?
- Sim, meu filho, vai.
- E o povo vai estar comigo?
- Não, vai estar comigo.
==============================
O pai cubano pergunta para o seu filho pequeno:
- O que você quer ser quando crescer?
- Estrangeiro.

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domingo, 8 de janeiro de 2006

A Saúde do Internauta

Navegar na Internet é muito bom. Pode até mesmo virar
um vício. De vez em quando ouvimos casos de pessoas
que foram internadas porque não conseguiam se
desconectar da rede. Talvez esse não seja o seu caso.
Mas pare um pouco para analisar o seu comportamento
frente ao computador. Comecemos pelo seu braço
direito, aquele que normalmente segura o mouse. A mão
retesada em cima do mouse. A tensão que começa na mão
se estende por todo o braço, chegando até ao ombro.
Não raro, após um período prolongado frente ao
computador, suas mãos, braços e ombros começam a doer.
Se o trabalho se extende por muito tempo sem pausa, a
situação fica ainda pior. Dia após dia, trabalhando
desta forma, este problema pode se transformar em uma
doença muito dolorosa e ainda sem cura, a L.E.R, ou
lesão por esforço repetitivo.

A L.E.R. está frequentemente associada a profissionais
que usam computadores: programadores, analistas de
sistemas, digitadores, operadores de computadores. No
tempo da máquina de escrever isto não existia. No
computador é possível digitar páginas e mais páginas
de texto sem levantar os dedos do teclado. Já a boa e
velha máquina de escrever não nos permite isto. A cada
70 ou 80 toques temos que levantar as mãos do teclado
para realizar a troca de linha e a cada 60 ou um pouco
mais de linhas digitadas temos que trocar de página.
Este é o segredo. Frequentemente temos que levantar
nossas mãos do teclado e realizar uma tarefa
envolvendo um grupo diferente de músculos. O
computador não nos força a realizar estas pausas.
Temos que ter autodisciplina para estabelecermos
períodos de descanso periódicos. Mas isto às vezes
fica difícil, pois as atividades que desenvolvemos ao
computador são frequentemente tão envolventes que nos
esquecemos até de nós mesmos. E ainda por cima, temos
a Internet para complicar ainda mais a situação.

Mas este é apenas um dos problemas. Temos também a
postura geral frente ao computador. Observe as pessoas
trabalhando em computadores: costas arqueadas, pés
balançando em cadeiras muito altas, iluminação
inadequada e assim por diante. Felizmente para nós,
existe até uma ciência que estuda os problemas que as
pessoas enfrentam ao ajustarem-se ao seu ambiente de
trabalho, a ergonomia. Infelizmente a maioria das
pessoas prefere ignorar estes conselhos até que seja
tarde demais. De qualquer forma, no artigo de hoje eu
vou apresentar alguns conceitos que possam lhe ajudar
a evitar problemas de saúde decorrentes do uso
intensivo de computadores.

Primeiramente, o mouse. Tente usar o mouse o menos
possível. Embora pareça contraditório, é perfeitamente
possível usar o teclado para realizar mais de 90% das
tarefas em sistemas como Windows ou Linux. Para
usuários de sistemas Windows, eu recomendo a leitura
do livro Escaping from the Mousetrap. Além de
colaborar para preservar sua saúde, o uso de atalhos
de teclado irá aumentar consideravelmente a sua
produtividade. Editores de texto em geral possuem
inúmeras alternativas para o uso do teclado. Sistemas
Linux possuem editores poderosíssimos, como vim e
Emacs, que realizam o impossível apenas com o teclado.
Para saber mais sobre atalhos de teclado para sistemas
Linux, como sempre, não deixe de consultar o Google.

Realmente não é fácil mudar hábitos desenvolvidoss ao
longo de muitos anos mas certamente vale a pena. Dê um
descanso ao mouse de tempos em tempos. A sua saúde
agradece.

Um outro fator diz respeito à radiação a que somos
expostos trabalhando com computadores. Na revista
Popular Mechanics, de maio de 1993, foi publicado um
artigo intitulado Invisible Rays, Hidden Hazards, no
qual são feitas considerações sobre o efeito que as
ondas eletromagnéticas a que somos expostos hoje em
dia podem ter sobre nossa saúde. São abordadas neste
artigo dentre outros, linhas de transmissão de energia
elétrica, monitores de vídeo e telefones celulares. Ao
contrário do que muitos pensam, a maior parte da
radiação emitada por monitores de computador e
televisores vem da parte traseira e das laterais e não
da parte dianteira. Isto significa que quem trabalha
tendo a parte lateral ou traseira de um monitor a seu
lado está recebendo uma parcela maior de radiação do
que quem está trabalhando diretamente em frente ao
monitor. Tome cuidado então. As radiações são
invisíveis mas podem causar mal à sua saúde. Os
monitores de computadores certamente evoluiram muito
nos últimos anos, mas ainda tem muita velharia por aí.
Fique atento.

As condições de trabalho em geral também são muito
importantes. Não raros observamos pessoas trabalharem
o dia inteiro na frente de computadores em condições
totalmente inadequadas. Para digitar, não raro
precisam se submeter a contorcionismos inadmissíveis.
O monitor fica em um lado, o teclado em outro. Cuidado
com estas situações. Os danos à sua saúde podem ser
muito sérios. Algumas recomendações podem ser feitas
neste sentido. O monitor deve ficar a uma distância
equivalente a um braço de seus olhos. O topo do
monitor deve ficar aproximadamente ao nível de seus
olhos ou um pouco abaixo. A cada dez minutos lembre-se
de olhar para pontos distantes para reduzir a sua
tensão visual. Se você tiver problemas para enxergar o
que está na tela do monitor, lembre-se que a maioria
dos monitores possuem controles que permitem o ajuste
do brilho e da intensidade. O ângulo de inclinação dos
monitores também pode ser ajustado de forma a reduzir
ou eliminar reflexos (que certamente não são muito
agradáveis para quem fica em frente a computadores por
um período de tempo prolongado).

Ao mover o mouse, use todo o seu braço e não realize o
movimento apenas com o pulso. O mouse deve ficar na
mesma altura do teclado e o seu manuseio deve ser
fácil e confortável. Não coloque o mouse em locais de
acesso difícil ou restrito. Fica muito mais barato
comprar um móvel adequado do que sofrer o resto da
vida com problemas de saúde. Lembre-se também de que
ao digitar os seus pulsos devem ficar o mais reto
possível. Mantenha os seus antebraços paralelos ao
solo. As suas mãos devem flutuar sobre o teclado.
Considere a aquisição de um suporte para os pulsos,
que se encaixa sob o teclado.

Importante: não se esqueça de realizar pausas em seu
trabalho a cada hora e fazer alongamentos. É certo que
às vezes ficamos tão envolvidos em nosso trabalho que
nos esquecemos de realizar estas pausas tão
importantes para a nossa saúde. Existem programas
(consultar referências) que podemos instalar em nossos
computadores que nos lembram destas pausas ao mesmo
tempo em que nos apresentam uma sequência de
exercícios de alongamento a serem realizados.

Uma outra alternativa para reduzir problemas
ocasionados por trabalho com computadores é a
ginástica Lian Gong. Esta ginástica foi criada e
desenvolvida em Shangai, na China, no ano de 1974,
pelo médico ortopedista Dr. Zhuang Yuen Ming que
recebeu do governo de Shangai os prêmios de Pesquisa
de Resultado Relevante e Progresso Científico pelo seu
trabalho. Atualmente, o Lian Gong é amplamente
divulgado para a população chinesa devido aos grandes
benefícios resultantes de sua prática.

No Brasil, esta ginástica foi introduzida em 1987 pela
professora Maria Lucia Lee, atual presidente da
Associação Brasileira de Lian Gong em 18 terapias. A
associação tem o objetivo de difundir e aperfeiçoar o
ensino do Lian Gong, colocando em prática a idéia de
melhoria da qualidade de vida da população brasileira,
para isso, abordam o corpo humano não como uma máquina
e sim, como um ser vivo global. O Lian Gong, através
de exercícios simples e objetivos, restaura a
movimentação natural do corpo, eliminando e prevenindo
problemas dos tecidos musculares, e restabelece o
ânimo.

Neste artigo foram apontados vários problemas que
podem, a médio ou a longo prazo, afetar pessoas que,
por diversas razões, usem computadores por períodos
prolongados de tempo. Juntamente com os problemas
foram apontadas algumas soluções. Não deixe de dar a
este problema a devida atenção. Os problemas físicos
associados a estas atividades são por demais dolorosos
e incapacitantes. Pense com carinho em sua saúde.
Referências

1. Para mais informações sobre o uso do teclado em
substituição ao mouse, consultar o excelente livro
Escaping from the mousetrap. A tradução significa
Escapando da Ratoeira, por sinal bastante adequado.
Este livro está disponível gratuitamente na Internet.
Uma cópia do livro, no formato PDF, pode ser baixada
do site do IDPH. Recomendamos sempre consultar o site
do autor para obter as versões mais recentes e
atualizadas. Neste mesmo site existem também vários
outros tutoriais, de excelente qualidade, sobre o uso
da Internet e diversos outros aplicativos.

2. Mais informações sobre a ginástica Liangong
podem ser obtidas consultando o Google. Aumentou
enormemente no Brasil a popularidade desta ginástica e
consequentemente, o número de opções disponíveis para
os interessados.

3. O livro Alongue-se, escrito por Bob Anderson,
contém séries específicas para alongamento no
trabalho. Existe também um livro específico sobre
alongamento no trabalho, do mesmo autor, chamado
Alongue-se no Trabalho. Ambos os livros são publicados
pela Editora Summus.

4. Para se lembrar de fazer as pausas para
alongamento, recomendamos alguns programas:

* Past Tense, para sistemas Windows
* WorkRave, para sistemas Linux
* Busca no Google para softwares para
alongamento em inglês e Português

5. Para mais informações sobre a L.E.R, consultar
os seguintes sites:

* L.E.R - Lesões por Esforço Repetivivo
* Exercícios podem prevenir Lesão por
Esforço Repetitivo
* A Ergonomia que Funciona
* A Patient's Guide to Carpal Tunnel
Syndrome
* Protecting Your Child From Repetitive
Stress Injuries
* RSI Injury Prevention - Manual Handling
Techniques
* A Patient's Guide to Carpal Tunnel
Syndrome

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sábado, 7 de janeiro de 2006

FENDAS NO CORAÇÃO

Quando nascemos nosso coração é inteiro. Fechado, envolto, é aos pouquinhos que vai se abrindo e aprendendo o que é o amor e a dor.
Com o passar dos anos vamos nos entregando às paixões, às esperanças, às expectativas de encontrar a felicidade. E as decepções chegam... e o fechamos!
Nosso erro é fechá-lo com mágoas por dentro, com as feridas que, sem ar, sem a possibilidade de carinho que entre, possam cicatrizar. Por isso pessoas amarguradas podem ficar assim até a morte. E preciso deixar uma fenda onde as tristezas possam se evacuar, onde elas liberem lugar para que o amor entre novamente. Só que é preciso ter o cuidado para não deixar uma fenda grande demais!...
Um coração cansado e carente é uma presa fácil. Pessoas que vivem desgastadas por uma vida inteira onde os sonhos parecem já não mais existir, podem confundir com amor a necessidade de sentir de novo emoção e paixão. Pessoas que encontram a sua alma-gêmea no momento exato que se sentem fragilizadas precisam ter o cuidado para não cair nessa armadilha.
Sei que é difícil ser objetivo nessas horas. A monotonia do nosso dia pode fazer com que vejamos as coisas de fora bem mais bonitas do que são realmente. Há um momento onde queremos voltar no tempo da adolescência e sonhar de novo com um grande amor, queremos paixão, queremos sentir de novo o coração batendo mais forte, queremos a dor no estômago da espera de um encontro marcado, a felicidade misturada com ansiedade ou não sei o quê. Nessas horas deixamos uma fenda grande demais no coração e um pouco de atenção, uma palavra carinhosa ou um gesto gentil podem entrar e tomar forma de amor, que na realidade amor nao é: é necessidade! Necessidade de reviver.
Sei como dói ouvir coisas assim, porque então tudo parece ainda mais sem sentido. Só nós sabemos o que vai por dentro do nosso peito. E, portanto... deixe o tempo passar... a pessoa perfeita já não será assim tão perfeita, o grande amor que chegou já não vai parecer assim tão grande. Quando estamos nos afogando é fácil segurar a primeira tábua que nos cai nas mãos, mas isso pode ser apenas um meio da gente nadar até a praia para ver novos horizontes.
Uma vida mal resolvida não encontra soluções mágicas em um amor que acabou de chegar. Cada coisa no seu tempo.
Antes de deixar entrar alguém pela fenda do seu coração, jogue fora sua infelicidade. Faça faxina interna, coloque ordem, resolva sua vida. Depois siga em frente... um amor verdadeiro talvez te espere do outro lado, mas então você vai saber que não o tem por carência, mas porque a vida resolveu te dar uma segunda chance.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem,
basta ser humano,
basta ter sentimentos,
basta ter coração.


Precisa saber falar e calar,
sobretudo saber
ouvir.


Tem que gostar de poesia,
de madrugada, de
pássaros,
de sol, de lua, de canto, dos ventos
e das canções da
brisa.

Deve ter amor,
um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar
a dor que os passantes levam consigo.


Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que
seja de segunda mão.


Pode já ter sido enganado,
pois todos os amigos
são enganados.


Não é preciso que seja puro,
nem que seja de todo impuro,
mas não deve ser vulgar.


Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vazio que isso deixa.

Deve ter ressonâncias humanas,
seu principal objetivo deve ser o de ser amigo.


Deve sentir pena das pessoas tristes e
compreender o imenso vazio dos solitários.


Deve gostar de crianças e lamentar
os que não puderam nascer.


Que saiba conversar de coisas simples,
de orvalho, de grandes chuvas
e de recordações da infância.

Precisa-se de um amigo
para não enlouquecer,
para contar o que se viu de
belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações,
dos sonhos e da realidade.


Deve gostar das ruas desertas,
de poças de água
e dos caminhos molhados,
de beira de estrada,
de mato depois da chuva,
de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que
diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela,
mas porque já se tenha um amigo.

Precisa-se de um amigo
para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado
em busca de memórias perdidas.

Que bata nos ombros sorrindo e chorando,
mas que nos chame de amigo,
para se ter consciência
de que ainda se vive.

(Vinicius de Moraes)

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Gestão de Resultados

Em uma cidade do interior viviam duas mulheres que tinham o mesmo nome: Flávia.
Uma era freira e a outra taxista. Quis o destino que morressem no mesmo dia.
Quando chegaram ao céu, São Pedro esperava-as.
- O teu nome?
- Flávia
- A freira?
- Não, a taxista.
São Pedro consulta as suas notas e diz:
- Bem, ganhastes o paraíso. Leva esta túnica com fios de ouro. Podes entrar.

A seguir...
- O teu nome?
- Flávia
- A freira?
- Sim, eu mesmo.
- Bem, ganhastes o paraíso. Leva esta túnica de linho. Podes entrar. A sacerdote diz:
- Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou a Flávia, a freira!
- Sim, minha filha, e ganhastes o paraíso. Leva esta túnica de linho...
- Não pode ser! Eu conheço a outra senhor. Era taxista, vivia na minha cidade e era um desastre! Subia as calçadas, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia. Como é que ela recebe a túnica com fios de ouro e eu... Isto?
- Não há nenhum engano - diz São Pedro. É que, aqui no céu, adotamos uma gestão mais profissional do que a de vocês lá na Terra.
- Não entendo!
- Eu explico: Já ouviu falar de Gestão de Resultados? Agora nós orientamos por objetivos, e observamos que nos últimos anos, cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ela conduzia o táxi, as pessoas rezavam.

Resultado é o que importa!

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Para pensarmos um pouquinho...

"Você faria algo diferente se descobrisse que hoje é seu último dia de vida? O quê? Pediria desculpas para alguém? Declararia seu amor? Agradeceria a alguém? Faria uma dessas coisas? Então, o que você está esperando para fazer isso já? Está esperando descobrir que hoje é seu último dia de vida? Não perca essa oportunidade, transforme-se agora.
As pessoas estão se esquecendo do quanto é gostoso sair só para se divertir, conhecer gente, trocar afetos e fazer amizades. Estamos nos esquecendo de ajudar os outros — e de pedir ajuda também, por que não? É importante que redescubramos o prazer de tornar as pessoas felizes. Muitas pessoas vivem à espera de uma oportunidade para criticar o outro, mas perdem muitas ocasiões de ser boas. Faça alguém feliz!"

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terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Paid In Full

The first thing I remember is sitting on a bench in the waiting
room of what I thought to be a court house.
The doors opened and I was instructed to come in and have a seat
by the defense table.
As I looked around I saw the "prosecutor."
He was a villainous looking gent who snarled as he stared at me.
He definitely was the most evil person I have ever seen.
I sat down and looked to my left and there sat My Attorney,
a kind and gentle looking man whose appearance seemed so familiar to
me, I felt I knew Him.
The corner door flew open and there appeared the Judge in full
flowing robes.
He commanded an awesome presence as He moved across the room I
couldn't take my eyes off of Him.
As He took His seat behind the bench, He said, "Let us begin."
The prosecutor rose and said,
"My name is Satan and I am here to show you why this man
belongs in hell."
He proceeded to tell of lies that I told, things that I stole,
and In the past when I cheated others. Satan told of other horrible
Perversions that were once in my life and the more he spoke, the
further
down in my seat I sank.
I was so embarrassed that I couldn't look at anyone, even my own
Attorney, as the Devil told of sins that even I had completely
forgotten
about.
As upset as I was at Satan for telling all these things about
me, I was equally upset at My Attorney who sat there silently not
Offering any form of defense at all.
I know I had been guilty of those things, but I had done some
good in my life -- couldn't that at least equal out part of the harm
I'd
done?
Satan finished with a fury and said, "This man belongs in hell,
he is guilty of all that I have charged and there is not a person
who
can prove otherwise."
When it was His turn, My Attorney first asked if He might
approach the bench.
The Judge allowed this over the strong objection of Satan,
and beckoned Him to come forward.
As He got up and started walking, I was able to see Him in
His full splendor and majesty
I realized why He seemed so familiar; this was Jesus
representing me, my Lord and my Savior.
He stopped at the bench and softly said to the Judge, "Hi,
Dad," and then He turned to address the court.
"Satan was correct in saying that this man had sinned,
I won't deny any of these allegations.
And, yes, the wage of sin is death, and this man deserves to be
punished."
Jesus took a deep breath and turned to His Father with
outstretched arms and proclaimed, "However, I died on the cross so
that
this person might have eternal life and he has accepted Me as his
Savior, so he is Mine." My Lord continued with, "His name is written in the book of life
and no one can snatch him from Me.
Satan still does not understand yet.
This man is not to be given justice, but rather mercy."
As Jesus sat down,
He quietly paused, looked at His Father and said,
"There is nothing else that needs to be done.
I've done it all"

The Judge lifted His mighty hand and slammed the gavel down.
The following words bellowed from His lips..
"This man is free."
The penalty for him has already been paid in full.
Case dismissed."
As my Lord led me away, I could hear Satan ranting and raving,
"I won't give up, I will win the next one." I asked Jesus as He gave
me
my instructions where to go next, "Have you ever lost a case?"
Christ lovingly smiled and said,
"Everyone that has come to Me and asked Me to represent them
has received the same verdict as you,

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Persistência

Um homem investe tudo o que tem numa pequena oficina. Trabalha dia e noite,
inclusive dormindo na própria oficina. Para poder continuar nos negócios,
empenha as jóias da própria esposa.
Quando apresentou o resultado final de seu trabalho a uma grande empresa,
dizem-lhe que seu produto não atende ao padrão de qualidade exigido.
O homem desiste? Não!



Volta a escola por mais dois anos, sendo vítima da maior gozação dos seus
colegas e de alguns professores que o tachavam de "visionário".
O homem fica chateado? Não!

Após dois anos, a empresa que o recusou finalmente fecha contrato com ele.
Durante a guerra, sua fábrica é bombardeada duas vezes, sendo que grande
parte dela é destruída.
O homem se desespera e desiste? Não!

Reconstrói sua fábrica mas, um terremoto novamente a arrasa.
Essa é a gota d'água e o homem desiste? Não!

Imediatamente após a guerra segue-se uma grande escassez de gasolina em
todo o país e este homem não pode sair de automóvel nem para comprar comida
para a família.

Ele entra em pânico e desiste? Não!

Criativo, ele adapta um pequeno motor a sua bicicleta e sai as ruas. Os
vizinhos ficam maravilhados e todos querem também as chamadas "bicicletas
motorizadas". A demanda por motores aumenta muito e logo ele fica sem
mercadoria.

Decide então montar uma fábrica para essa novíssima invenção. Como não tem
capital, resolve pedir ajuda para mais de quinze mil lojas espalhadas pelo
país.

Como a idéia é boa, consegue apoio de mais ou menos cinco mil lojas, que
lhe adiantam o capital necessário para a indústria.

Encurtando a história: hoje a Honda Corporation é um dos maiores impérios
da indústria automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo inteiro.
Tudo porque o Sr. Soichiro Honda, seu fundador, não se deixou abater pelos
terríveis obstáculos que encontrou pela frente.
Portanto, se você adquiriu a mania de viver reclamando, pare com isso! "O
que sabemos é uma gota d'água. O que ignoramos é um oceano".

"Lembre-se, nosso dia não se acaba ao anoitecer e sim começa sempre amanhã,
não se desanime, vamos acordar todo dia como se tivéssemos descobrindo um
mundo novo."

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domingo, 1 de janeiro de 2006

A FACE OCULTA DO CAOS

Um grupo de jovens pesquisadores rebeldes arma-se de equações e computadores para desencadear a revolução científica que vê um dos mais estranhos segredos do mundo material: existe ordem onde menos poderia parecer. Como uma torneira que pinga.

Santa Cruz era o mais novo campus da Universidade da Califórnia, esculpido num cenário de livro de histórias, uma hora ao Sul de São Francisco. As pessoas às vezes diziam que mais parecia uma reserva florestal do que uma faculdade. Os prédios ficavam aninhados entre sequóias e, bem no espírito da década de 60, seus planejadores fizeram questão de conservar todas as árvores. Como outros departamentos, o de Física teve de ser criado do nada, começando com um corpo docente de aproximadamente quinze físicos, todos muito ativos e, na memória, jovens. Sua diversidade de interesses convinha a um corpo de aluno brilhantes e inconformistas. Pelo menos os professores pensavam assim. No final da década de 70, o departamento deparou-se com uma míni-revolução, um levante entre os estudantes graduados. O que estes queriam aprender ninguém podia ensinar - uma disciplina recém-criada e mal definida chamada caos. Dez anos depois, o caos tornou-se um dos campos da ciência que mais rápido cresce, oferecendo uma nova maneira de encontrar ordem que aparentemente não têm ordem alguma. Médicos descobrem uma ordem surpreendente na fatal desordem capaz de vencer o coração humano, um tremor espasmódico que é a causa primeira de uma morte súbita e inexplicável. Economistas estão desencavando velhas cotações de bolsas de valores para tentar um novo tipo de análise. Percepções que começaram com Física e Matemática puras remeteram diretamente ao mundo natural - as formas das nuvens, o comportamento dos relâmpagos, o entrelaçamento microscópico dos vasos sanguíneos, a aglomeração galáctica de estrelas. Cientistas estão encontrando padrões universais no comportamento do tempo, no comportamento dos carros congestionando vias expressas, no comportamento do petróleo fluindo nos oleodutos subterrâneos. A nova ciência começou a modificar a maneira pela qual executivos tomam decisões sobre seguros, a maneira pela qual astrônomos olham o sistema solar, a maneira pela qual teóricos políticos falam das tensões que levam a conflitos armados.
Novas idéias podem ser difíceis de ser concebidas e a inexperiente ciência do caos colidiu com algumas tradições firmemente enraizadas - por exemplo, a crença de que sistemas simples devem produzir comportamento simples e ordenados. Quando um punhado de estudantes da Santa Cruz se enredou nos primeiros fios enovelados da nova ciência, perceberam-se totalmente sozinhos. Fora dali, em diversos laboratórios e departamentos de Física, alguns cientistas apaixonadamente iconoclastas estavam criando uma nova disciplina. Um meteorologista, Eduardo Lorenz, tinha descoberto um formato misterioso, mais tarde denominado estranho atrator, que iluminava a caótica imprevisibilidade do tempo que faz na terra.
Um matemático, Benoit Mandelbrot, havia descoberto uma família de padrões que se tornou o fundamento da Geometria fractal. Um físico, Mitchell Feigenbaum, descobria ligações insuspeitadas entre famílias inteiras dos sistemas caóticos, desenvolvendo uma teoria que relacionaria fluidos turbulentos a circuitos eletrônicos flutuantes aos ritmos da própria vida. Todos eles estavam reexaminando muitos sistemas físicos aparentemente fortuitos ou caóticos, descobrindo novas maneiras de formular equações para descrevê-los e daí usando computadores para criar padrões visuais a partir das equações - padrões que não eram óbvios de nenhum outro modo.
Os estudantes, que apenas se iniciavam nessas descobertas instigantes, não sabiam como proceder. A educação de um físico depende do sistema de orientadores e orientados. Um bom orientador ajuda seu aluno a escolher problemas administráveis e fecundos. Se o relacionamento der certo, a influência do professor ajudará o estudante a conseguir emprego. Mas em 1977 não havia orientadores na área do caos. Não havia aulas de caos, nem manuais sobre caos, nem sequer uma publicação dedicada ao caos. Os estudantes tinham de inventar eles próprios o campo de estudos - e, ao fazê-lo, eles conseguiram desenvolver o assunto para todo o mundo.
Em Santa Cruz, o caos começou com um estudante barbudo, natural de Boston e formado pela Universidade de Harvard, chamado Robert Stetson Shaw, que em 1977 estava para completar 31 anos. Isso fazia dele praticamente o mais velho da turma. Sua carreira em Harvard havia sido interrompida diversas vezes, primeiro pelo serviço militar, depois pela decisão de viver numa comunidade e ainda por outras experiências improvisadas. Shaw era quieto, tímido, mas de forte presença. Ele estava a poucos meses de completar sua tese de doutorado em supercondutividade, então um assunto respeitável, embora de certa forma estagnado.
Ninguém estava particularmente preocupado com o fato de ele perder seu tempo lá embaixo no prédio de Física brincando com um computador analógico. Na evolução dos computadores, os analógicos representavam um beco sem saída. Computadores digitais, construídos a partir de circuitos que podiam ser ligados ou desligados, zero ou um, sim ou não, davam respostas precisas às perguntas feitas pelos programadores. Computadores analógicos, por sua própria concepção, eram muito vagos.
Em sua estrutura não havia interruptores do tipo sim-não, mas circuitos eletrônicos como resistências e condensadores, facilmente reconhecidos por qualquer pessoa que tivesse lidado com rádios, antes que a miniaturização de aparelhos eletrônicos solid-state impedisse que amadores desmontassem tais equipamentos. O computador analógico de Santa Cruz era uma coisa pesada e empoeirada, com um painel de madeira na fachada, como aqueles usados antigamente em mesas telefônicas. Programar um computador analógico era questão de conectar e desconectar fios. Ao conceber diversas combinações de circuitos, um programador simula sistemas de equações de modo a fazê-los adaptar-se perfeitamente a problemas de engenharia. Digamos que alguém queira projetar uma suspensão de automóvel capaz de proporcionar a viagem mais suave possível. Um condensador substitui a mola, indutores representam a massa e assim por diante. Obtém-se um modelo feito de metal e elétrons, bastante rápido e - o que é melhor - facilmente ajustável . Simplesmente girando-se botões, pode-se tornar as molas mais fortes ou a fricção mais fraca. E podem-se observar os resultados sob a forma de um osciloscópio.
Um belo dia, um amigo astrofísico, William Burke, entregou a Shaw uma folha de papel com três equações rabiscadas e pediu-lhe que as colocasse em seu computador. As equações pareciam simples. Edward Lorenz as havia escolhido como um método despojado para calcular um processo conhecido em Meteorologia, os movimentos ascendentes e descendentes do ar ou da água, chamado convecção. Shaw levou apenas poucas horas para conectar os fios adequados e ajustar os botões. Alguns minutos mais tarde, ele viu aparecer na tela um padrão peculiar, cambiante e infinitamente complicado - e soube então que nunca terminaria sua tese sobre supercondutividade.
A tela de Shaw proporcionava uma maneira de criar diagramas abstratos de comportamento dinâmico de longo prazo de qualquer sistema físico - uma bolinha de gude imóvel no fundo de um buraco, um relógio de pêndulo balançando monotonamente ou o tumulto imprevisível do tempo na Terra. Para a bolinha de gude em repouso, o diagrama seria simplesmente um ponto. Para um sistema periodicamente cíclico como o relógio de pêndulo, o diagrama teria a forma de uma lançada. Para o sistema enganadoramente simples das três equações da convecção, o diagrama era algo completamente diferente. Esse sistema de fluidos ascendentes e descendentes comportava-se caoticamente como a própria atmosfera, um sistema muito mais complicado, embora relacionado a ele. Um sistema caótico nunca se repete de uma maneira periódica e o diagrama que Shaw começava a estudar nunca girava em torno de si do mesmo modo.
Em vez disso, tinha uma forma intricada e recorrente, uma espécie de dupla espiral, enrolando-se primeiro numa direção, depois em outra. Shaw sabia que Edward Lorenz, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), havia descoberto esse tipo de padrão em 1963. Lorenz reconheceu sua importância quando tentava fazer previsões do tempo no computador. Mas a natureza caótica do atrator significa que previsões de longo prazo seriam impossíveis.
Ao mesmo tempo, o estranho atrator revelava padrões inesperados. Era sinônimo de desordem e imprevisibilidade mas, ainda assim, significava um novo tipo de ordem no tumulto. Dois cientistas franceses, David Roelle e Floris Takens, mais tarde dariam a esses padrões seu nome provocativo: estranhos atratores. Shaw conhecia a nova linguagem da geometria fractal. No entanto, muito tempo havia passado antes que ele, assim como outros envolvidos em trabalhos do mesmo gênero, reconhecesse que a forma diante de seus olhos era um fractal, o que significa que revelava novas complexidades em escalas cada vez menores.
Assim, ele passou várias noites no laboratório observando o ponto verde do osciloscópio percorrendo a tela, traçando sem parar seu roteiro caótico e nunca exatamente no mesmo modo. O percurso da forma permaneceu na retina, oscilante e vibrante, diferente de qualquer objeto que Shaw conhecera em suas pesquisas. Parecia ter vida própria. Prendia a mente como uma chama que se move em padrões que nunca se repetem. Em criança, Shaw tinha tido ilusões a respeito do que seria a ciência - uma disparada romântica ao desconhecido. Isso, finalmente, era alguma coisa à altura de suas ilusões. E ele estava atraindo atenções. Ocorre que a entrada do Departamento de Física era bem do outro lado do corredor e muita gente passava por ali.
Um dos que começaram a aparecer por lá foi Ralph Abraham, professor de Matemática. "Tudo o que tem a fazer é colocar suas mãos nesses botões e, de repente, estará explorando esse novo mundo no qual você é um dos primeiros viajantes e nem vai querer subir para tomar um pouco de ar", diz Abraham. "Shaw teve a experiência espontânea em que apenas um pouco de exploração revela todos os segredos". Logo Shaw começou a ter colegas. Doyne Farmer, natural do Novo México, alto, magro, cabelos cor de areia, tornou-se o porta -voz mais articulado do grupo que veio a se autodenominar Coletivo dos Sistemas Dinâmicos (outros, às vezes, chamavam-no Os Conspiradores do Caos).
Em 1977, Doyne tinha 24 anos, era todo energia e entusiasmo, uma máquina de idéias. O membro mais jovem do grupo era James Crutchfield, pequeno e atarracado, um estilista do windsurf e, o que era mais importante para o coletivo, um mestre nato em computação. Norman Packard, amigo de infância de Farmer, criado na mesma cidade de Silver City, no Novo México, chegara a Santa Cruz naquele outono, bem quando Farmer começava um ano de licença, disposto a dedicar toda sua energia ao plano de aplicar as leis do movimento ao jogo da roleta
O empreendimento da roleta era tão sério quanto forçado. Durante mais de uma década Farmer e Packard, junto com um grupo mutável de colegas físicos e alguns curiosos adotaram-no. Eles calcularam inclinações e trajetórias, escreveram e reescreveram programas, adaptaram computadores especiais nos sapatos e fizeram nervosas incursões a cassinos. Deve ser dito que o projeto proporcionou um treinamento incomum em análises rápidas de sistemas dinâmicos, mas fez pouco para tranqüilizar os professores de física de Santa Cruz. Tampouco eles entenderam por que Shaw abandonara sua tese sobre supercondutividade.
Por mais que estivesse entediado, raciocinavam, ele sempre poderia passar correndo pelas formalidades, acabar seu doutorado e entrar no mundo real. Quanto ao caos, havia questões de adequação acadêmica. Ninguém em Santa Cruz estava qualificado para supervisionar um curso neste campo-sem nome. E certamente não havia empregos para graduados com este tipo de especialidade. Mesmo assim, o coletivo tomou forma. Quando alguns equipamentos eletrônicos começaram a desaparecer de noite, tornou-se aconselhável procurá-los no antigo laboratório de Shaw, de Física de baixas temperaturas. Tracejadores de gráficos, conversores e filtros eletrônicos começaram a se acumular. Um grupo de físicos de partículas que trabalhava no mesmo corredor tinha um pequeno computador digital destinado ao ferro-velho. Foi parar no laboratório de Shaw.
A atabalhoada sensibilidade do grupo ajudava muito. Shaw tinha crescido brincando com engenhocas eletrônicas. Packard consertava aparelhos de TV. Crutchfield pertencia à primeira geração de matemáticos que considerava a lógica dos computadores uma linguagem natural. O prédio de Física em si era como o de qualquer lugar, com pisos de cimento e paredes sempre pedindo uma nova demão de pintura, mas a sala ocupada pelo grupo do caos criou sua própria atmosfera, com pilhas de escritos, fotografias de nativos do Taiti nas paredes e, como não poderia deixar de ser, impressos de computadores de estranhos atratores.
Praticamente a qualquer hora um visitante podia ver membros do grupo reorganizando circuitos, arrancando fios remendados, discutindo sobre consciência ou evolução, ajustando o painel de um osciloscópio, ou apenas observando um brilhante ponto verde traçar uma curva de luz, sua órbita vibrando e agitada como algo vivo. A educação tradicional na dinâmica dos sistemas físicos nunca revelara o potencial de tal complexidade porque se concentrava em sistemas lineares. Um sistema linear obedece às leis da proporção - quanto mais depressa se vai, mais longe se chega. A linearidade torna os cálculos fáceis ou, ao menos, manejáveis. Infelizmente, a maioria dos sistemas do mundo real não é linear.
Eles contêm uma certa torção, como a fricção, que não varia puramente como uma função de outras variáveis. A não-linearidade exigia cálculos mais difíceis. Era a mosca na sopa previsível da Mecânica clássica. Poucos consideraram a não-linearidade uma força criativa; mas foi a não-linearidade que criou os padrões misteriosamente belos dos estranhos atratores. "Não-linear era uma palavra que você só encontrava no final do livro", diz Farmer. "Um estudante de Física fazia um curso de Matemática e o último capítulo tratava de equações não-lineares. Geralmente essa parte era deixada de lado." Shaw e seus colegas tiveram de canalizar seu entusiasmo natural para um programa científico. Eles precisavam fazer perguntas que pudessem ser respondidas e que valessem a pena ser respondidas. Eles buscaram meios de interligar teoria e pesquisa - aí, pensavam, estava o vazio a ser preenchido. Antes mesmo de começar, foram obrigados a aprender o que era sabido e o que não era, e isso em si foi um desafio formidável.
Eles não tinham noção disso, mas seus problemas simbolizavam as barreiras que os pioneiros em caos enfrentavam nas mais diversas instituições - um punhado de pesquisadores, normalmente trabalhando por conta própria, receosos de discutir suas idéias não ortodoxas com os colegas. Os estudantes de Santa Cruz eram impedidos pela tendência de avançar aos poucos em ciência, particularmente quando um novo tema se atravessava em subdisciplinas estabelecidas. Freqüentemente, eles não tinham idéia se estavam em território novo ou conhecido e, na verdade, parte de seu trabalho seguia paralelo a descobertas feitas por matemáticos soviéticos. Logo perceberam que muitos tipos de questões poderiam ser levantados sobre os possíveis comportamentos de sistemas físicos simples e os estranhos atratores que eles produziam. Quais as suas formas características? O que a Geometria revelava sobre a física dos sistemas físicos correlatos? Um físico sempre quer calcular medidas. O que havia para ser medido nessas fantasmagóricas imagens em movimento?
Shaw e os outros tentaram isolar as qualidades especiais que tornavam os estranhos atratores tão encantadores. A imprevisibilidade era uma delas - mas onde encontrar os calibres para medir tal qualidade? A essa altura, o coletivo reunia-se com freqüência em um velho casarão não longe da praia. Nele se amontoavam móveis de segunda mão e equipamentos de computador destinados ao problema da roleta e à pesquisa dos estranhos atratores. Convivendo com esses estranhos atratores dia e noite, os jovens físicos começaram a reconhecê-los (ou a pensar que o faziam) nos fenômenos que sacudiam, batiam e oscilavam na vida cotidiana. Eles tinham de jogar esse jogo. Perguntavam-se: onde fica o mais próximo estranho atrator? Estaria no pára-choque barulhento do carro? Na bandeira tremulando a esmo na brisa? Numa folha que flutuava? "Você não enxerga algo até descobrir a metáfora correta que lhe faz percebê-lo", diz Shaw. Não tardou que seu amigo astrofísico Burke ficasse perfeitamente convencido de que o velocímetro de seu carro oscilava do modo não-linear típico do estranho atrator.
Shaw, ocupando-se de um projeto experimental que iria mantê-lo entretido por anos, adotou um sistema dinâmico tão caseiro quanto algum físico pudesse imaginar: uma torneira pingando. Como gerador de organização, uma torneira pingando oferece pouco para se trabalhar. Mas, para um investigador iniciante do caos, a torneira pingando provou ter certas vantagens. Todo mundo tem dela uma imagem mental. O fluxo de dados é o mais unidimensional possível: uma batida ritmada de pontos isolados mensuráveis no tempo. Nenhuma dessas qualidades poderia ser encontrada em sistemas que o grupo de Santa Cruz iria explorar mais tarde - o sistema imunológico humano, por exemplo, ou o perturbador efeito da interação de feixes que prejudicava inexplicavelmente o desempenho de partículas em colisão do Acelerador Linear de Stanford, ao norte de Santa Cruz.
Na torneira pingando, tudo que existe é a solitária linha de dados. E não é nem uma variação contínua de velocidade ou temperatura - apenas uma lista dos tempos de gotejamento. Os pingos podem ser regulares. Ou, como qualquer um descobre ao ajustar uma torneira, podem tornar-se irregulares e aparentemente imprevisíveis. Solicitado a organizar um ataque a um sistema como esse, um físico tradicional começaria por montar um modelo físico o mais completo possível. Os processos que norteiam a formação e a ruptura das gotas são compreensíveis, ainda que não sejam tão simples como possam parecer. Uma variável importante é o ritmo do fluxo. (Este deve ser lento, comparado à maioria dos sistemas hidrodinâmicos. Normalmente, Shaw observava o ritmo de uma a dez gotas por segundo.) Outras variáveis incluem a viscosidade do fluxo e a tensão de superfície.
Uma gota de água pendendo de uma torneira, à espera do momento de se romper, assume uma forma tridimensional complicada e apenas o cálculo dessa forma era, como diz Shaw, "o estado de arte em matéria de cálculo por computador". Uma gota enchendo-se de água é como um pequeno saco elástico de tensão superficial, oscilando para lá e para cá, aumentando a massa e expandindo as paredes até a ruptura.
Um físico que tentasse construir um modelo completo do problema da gota, formulando um conjunto de equações para depois tentar resolvê-las, acabaria no mato sem cachorro. Uma alternativa seria esquecer a Física e observar apenas os dados, como se estivessem saindo de uma caixa-preta. Dada uma lista de números representando intervalos entre as gotas, será que um especialista em dinâmica caótica encontraria algo útil para dizer? Na verdade, como foi comprovado mais tarde, podem-se conceber métodos para organizar esses dados dentro da Física e esses métodos se mostraram decisivos no que diz respeito à aplicação do caos a problemas do mundo real. Shaw começou a meio caminho entre esses dois extremos, fazendo uma espécie de caricatura de um modelo físico completo. Ele fez um resumo rudimentar da Física das gotas, imaginando um peso que pendesse de uma mola. O peso aumenta constantemente. A mola estica e o peso desce cada vez mais. A certa altura, uma porção do peso se rompe. A quantidade que se desprendesse, Shaw supôs arbitrariamente, dependeria apenas da velocidade da queda do peso descendente quando atingisse o ponto de ruptura.
Então, naturalmente, o peso restante voltaria para a posição anterior, como fazem as molas, com oscilações que estudantes aprendem a delinear usando equações normais. A característica interessante do modelo - a única característica interessante - era a torção não-linear que possibilita o comportamento caótico. O tempo preciso de uma gota dependia do ritmo do fluxo, é claro, mas dependia também de como a elasticidade desse saco de tensão superficial interagia com o peso que aumentava constantemente. Se uma gota iniciasse sua vida já em queda, ela se romperia mais cedo. Se acaso se formasse quando sua superfície inferior estivesse subindo, poderia encher-se com um pouco mais de água antes de romper-se.
Será que o modelo de Shaw geraria tanta complexidade como uma torneira de verdade? E essa complexidade seria da mesma espécie? Shaw instalou-se em um laboratório no prédio de Física, com uma grande tina de plástico de água sobre a cabeça. Quando uma gota caía, interrompia um feixe de luz e na sala ao lado um microcomputador marcava o tempo. Enquanto isso, Shaw fazia suas equações e operava o computador analógico, produzindo uma torrente de dados imaginários, muito parecidos às gotas da torneira real. Mas, para ir além, Shaw necessitava de um modo de colher dados puros de qualquer experiência e trabalhar com equações e estranhos atratores que pudessem revelar padrões ocultos.
Com um sistema mais complicado,uma variável poderia ser graficamente relacionada a outra, correlacionando mudanças na temperatura ou na velocidade com o passar do tempo. Mas a torneira pingando proporcionava apenas uma série de tempos. Shaw tentou, então, uma técnica desenvolvida pelo grupo de Santa Cruz, que foi talvez sua contribuição prática mais esperta e duradoura ao progresso do caos - um método de reconstruir um estranho atrator invisível que poderia ser aplicado a qualquer série de dados. Para os dados da torneira pingando, Shaw construiu um gráfico no qual o eixo horizontal representava um intervalo de tempo entre duas gotas e o eixo vertical representava o intervalo de tempo entre as duas seguintes.
Se entre a gota número um e a gota número dois decorressem 150 milésimos de segundo, e depois 150 milésimos de segundo decorressem entre a gota número dois e a gota número três, ele marcava um ponto na posição 150-150. Era tudo que havia a fazer. Se o gotejamento fosse regular, o gráfico seria apropriadamente inerte. Cada ponto cairia no mesmo lugar. O gráfico seria um simples ponto. Ou quase - na verdade, a primeira diferença entre a torneira pingando no computador e a torneira real era que esta estava sujeita a distúrbios, ou "ruído", sendo extremamente sensível. Shaw acabou fazendo a maior parte de seu trabalho à noite, quando o tráfego de pessoas no corredor era mínimo. O barulho significava que, em vez do simples ponto previsto pela teoria, ele veria uma mancha ligeiramente indistinta.
A medida que o fluxo aumentasse, o sistema passaria por uma mudança repentina nas suas características. Então as gotas cairiam em pares repetidos.Um intervalo poderia ser de 150 milésimos de segundo e o próximo, de 80. Assim, o gráfico mostraria duas manchas indistintas, uma centrada em 150-80 e outra em 80-150 e assim por diante. O verdadeiro teste ocorreu no momento em que o padrão se tornou caótico, quando o ritmo do fluxo foi novamente modificado. Se fosse mesmo fortuito, haveria pontos dispersos por todo o gráfico. Mas, se um estranho atrator estivesse oculto nos dados, poderia se revelar como um padrão vago mas perceptível.
Muitas vezes acontecia serem necessárias três dimensões para se ver a estrutura; mas isso não era problema. Em vez de assinalar cada intervalo em relação ao próximo, os cientistas assinalavam cada intervalo em relação a cada um dos dois subseqüentes. Era um truque, um artifício. Normalmente, um gráfico tridimensional requer o conhecimento de três variáveis independentes em um sistema. O truque possibilitava três variáveis pelo preço de uma. Refletiu a crença desses cientistas de que a ordem está tão profundamente contida na aparente desordem que encontraria um modo de se expressar, mesmo a pesquisadores que não soubessem quais variáveis físicas medir.
No caso da torneira de Shaw, as imagens ilustram o fato. Em três dimensões, sobretudo, os padrões apareciam como rastros de fumaça saindo de um avião, desses que escrevem no céu, descontrolado. Shaw poderia combinar sinais gráficos dos dados experimentais com os dados produzidos pelo modelo computadorizado, sendo a principal diferença o fato de os dados reais aparecerem sempre mais indistintos, manchados pelo ruído. Mas a estrutura era inconfundível. A medida que os meses passavam, a transição de rebeldes para físicos era lenta. De vez em quando, sentados em um café ou trabalhando em seu laboratório, um ou outro estudante tinha de conter o espanto que sua fantasia científica ainda não tinha eliminado. "Meu Deus, ainda estamos fazendo isso e ainda faz sentido", dizia Crutchfield. "Ainda estamos aqui: Até onde isso irá?"
A maioria dos professores de Física viu-se numa posição difícil. "Não tínhamos orientador, ninguém para nos dizer o que fazer", diz Shaw. "Durante anos ficamos numa situação à parte e isso persiste até hoje. Nunca tivemos recursos financeiros em Santa Cruz. Cada um de nós trabalhou períodos consideráveis sem receber nada e o tempo todo era uma operação de fundo de quintal, sem orientação intelectual ou de qualquer outro tipo." Cada membro do coletivo era chamado de lado de tempos em tempos para conversas francas. Eles eram advertidos de que, mesmo se de alguma forma fosse encontrada uma maneira de justificar um doutorado, ninguém seria capaz de ajudar os estudantes a conseguir um emprego em um campo inexistente.
Isso podia ser uma moda passageira, diziam os professores, e depois como é que vocês vão ficar? Na verdade, fora do abrigo de sequóias nas colinas de Santa Cruz, o caos estava criando seu próprio estabelecimento científico e o Coletivo dos Sistemas Dinâmicos deveria se juntar a ele. O ponto de inflexão foi uma aparição surpresa em um encontro sobre Física de matéria condensada realizado em Laguna Beach em 1978. O coletivo não fora convidado, mas apareceu assim mesmo, amontoando-se na caminhonete Ford 1959 de Shaw, apelidada por eles "Sonho Cremoso". Por via das dúvidas, o grupo levou equipamentos, incluindo um enorme monitor de TV e um videoteipe. Quando um orador convidado cancelou sua presença à última hora, Shaw avançou e tomou seu lugar.
A ocasião foi perfeita. O caos já ostentava a fama de ser mencionado a meia voz, mas poucos dos físicos presentes à conferência sabiam do que se tratava. Shaw começou então explicando os diferentes tipos de atratores, dos comuns aos estranhos; a princípio, os estados inertes (quando tudo fica imóvel); depois, ciclos periódicos (quando tudo oscila); e, por fim, estranhos atratores caóticos (o restante). Ele demonstrou sua teoria com gráficos computadorizados em videoteipe. ("Os meios audiovisuais nos deram uma vantagem", diz Shaw. "Podíamos hipnotizá-los com flashes de luz.") Ele ilustrou o atrator de Lorenz e a torneira que pinga. A palestra foi um triunfo popular e vários professores de Santa Cruz estavam no auditório, vendo o caos pela primeira vez através dos olhos de seus colegas.
Mas o coletivo não podia durar para sempre. Quanto mais se aproximava do mundo real da ciência, mais perto da separação se encontrava. Seus membros começaram a pensar no futuro individual e passaram a colaborar com físicos e matemáticos estabelecidos em outros lugares. Tendo aprendido a procurar estranhos atratores em bandeiras tremulantes e em velocímetros defeituosos, os cientistas fizeram questão de detectar os sintomas do caos em toda a Física atual. Peculiaridades outrora desprezadas como ruído - flutuações surpreendentes, regularidades misturadas a irregularidades - eram explicadas agora nos termos da nova ciência. Tais efeitos pipocaram de repente em escritos a respeito de tudo, desde lasers até circuitos eletrônicos.
Quando o coletivo se dissolveu - seus membros se dirigindo às mais importantes instituições de Física, do Laboratório Nacional de Los Álamos ao Instituto de Estudos Avançados de Princeton e à Universidade da Califórnia em Berkeley -, alguns professores de Santa Cruz também já haviam aderido ao caos. Eles estavam se associando a um movimento: químicos, ecologistas, economistas, climatologistas tentam atualmente reconstruir estranhos atratores a partir de dados brutos, assim como Shaw fizera em seus estudos com a torneira gotejante.
Especialistas em finanças usam as técnicas desenvolvidas pelo grupo de Santa Cruz para analisar décadas de cotações diárias de bolsas de valores,buscando padrões que acreditam existir ali. Muitos fisiólogos acreditam agora que o caos proporciona um modo de prever - e talvez de tratar - ritmos irregulares no processo que governa a vida, desde a respiração até os batimentos cardíacos e até a função do cérebro. No MIT, médicos comparam eletrocardiogramas humanos com dados de um modelo de computador de contrações cardíacas caóticas, numa tentativa de prever com bastante antecedência quando o órgão sofrerá um espasmo fatal.
Ecologistas usam a Matemática do caos para descobrir como, na ausência de mudanças ambientais fortuitas, populações de espécies podem crescer ou diminuir desordenadamente por conta própria. Packard estuda a tendência de processos caóticos de criar padrões complexos em fenômenos como flocos de neve, cuja forma delicada incorpora uma mistura de estabilidade e instabilidade que só agora começa a ser compreendida. Ele e Farmer utilizam a Física dos sistemas dinâmicos para estudar o sistema imunológico humano, com seus bilhões de componentes e sua capacidade de aprender, memorizar e reconhecer padrões. Para esses cientistas e seus colegas, o caos tornou-se um conjunto de instrumentos capaz de elucidar fatos aparentemente casuais.
Mas é também uma série de atitudes em relação à complexidade - uma nova maneira de ver. Eles sentem que estão revertendo uma tendência científica de analisar sistemas em termos de suas partes constituintes - quarks, cromossomos ou nêutrons. "A tendência científica, particularmente em Física, tem sido pelo reducionismo, uma constante fragmentação das coisas em minúsculos pedacinhos", diz Farmer. "O que as pessoas estão finalmente percebendo é que esse processo é um beco sem saída. Os cientistas estão muito mais interessados na idéia de que o todo pode ser maior que a soma da partes."

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