sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Pense nisso...

"A felicidade é como uma borboleta.
Quanto mais você a persegue,
mais ela lhe escapa.
Mas se você volta sua atenção
para outras coisas, ela vem e,
suavemente, pousa no seu ombro"

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quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Uma linda mensagem...

Certa vez, um homem caminhava pela praia
numa noite de lua cheia
Pensava desta forma: se tivesse um carro
novo, seria feliz;
Se tivesse uma casa grande, seria feliz;
Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz
Se tivesse uma parceira perfeita, seria feliz,
Quando tropeçou em uma sacolinha cheia
de pedras.
Ele começou a jogar as pedrinhas uma a uma no mar cada vez que dizia:
Seria feliz se tivesse...
Assim o fez até que somente ficou com uma pedrinha na sacolinha, que decidiu guardá-la.
Ao chegar em casa percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso.
Você imagina quantos diamantes ele jogou ao mar sem parar pra pensar?
Assim são as pessoas... jogam fora seus preciosos tesouros por estarem esperando o que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem dar valor ao que têm perto delas.
Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam quão afortunadas são.
Muito perto de si está sua felicidade.
Cada pedrinha deve ser observada... pode ser um diamante valioso.
Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante precioso, valioso e insubstituível.
Depende de cada um aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-lo
Você como anda jogando suas pedrinhas?
(que podem ser namorados, amigos, trabalho e até mesmo seus sonhos).
A morte não é a maior perda da vida.
A maior perda da vida é o que morre dentro de nós quando vivemos.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Frase da semana....

"A demasiada atenção que se dedica a observar os defeitos alheios faz com que se morra sem ter tido tempo para conhecer os próprios"
( Jean de La Bruyere )

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terça-feira, 27 de setembro de 2005

Amar e ser Amado

"Passamos a amar não quando encontramos uma pessoa perfeita,
mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita"

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segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Trem

Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de Varginha-MG, quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao banheiro.
Foi. Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar.
Nesse momento, chegou um mineiro bêbado , compadeceu-se dela e perguntou:
- Purcaus diquê qui a sinhora tá chorano?
- É que eu fui urinar e o trem partiu...
- Uai, dona! Por caus dissu num precisa chorá naum ....
- Tenho certeza bisoluta qui a sinhora já nasceu com esse trem partido

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domingo, 25 de setembro de 2005

Como evitar a depressão


A depressão se tornou ícone dos tempos modernos. Tantos desafios e envolvimentos com problemas do cotidiano acabam distanciando as pessoas delas mesmas. O avanço tecnológico, onde um ano quase representa um século de antigamente, ocasiona um impacto monstruoso no organismo
Em minhas palestras as pessoas relatam que sentem como se a vida estivesse fugindo de suas mãos e que se tornam impotentes no embate do dia-a-dia. Submetidas a um ritmo alucinante de atividades, com uma solicitação muito acima do que o organismo pode suportar. Uma competitividade tão aterradora que elas se sentem insignificantes criaturas diante da vida.
O organismo precisa do necessário equilíbrio entre o trabalho e o repouso. O corpo vive num constante processo metabólico de absorção e gasto de energia. Esse organismo tão especial tem que fabricar sua energia, por isso use o corpo de forma moderada e equilibrada.
A depressão e decorrência de um organismo ultrajado, vilipendiado e agredido, de tal forma, que ele desiste da vida.
O que é a depressão
A depressão é a imagem da antivida. É quase um curto circuito nas engrenagens que desenvolvem a vida.
Depressão é o débito com a vida - da vida. A pessoa se sente acabada, triste, prostrada e quer até mesmo se suicidar. Para evitar este débito com a vida é necessário estar em equilíbrio. É fácil evitar a depressão, mas é difícil sair dela. E sair de forma natural é mais difícil ainda.
Não queria falar aqui sobre o que fazer com a depressão, mas sim o que fazer para evitá-la. Ela não faz parte da vida, como não fazia há tempos atrás, quando as pessoas trabalhavam bem mais do que hoje, mas era um trabalho com o físico e não com é hoje, com a mente, com as emoções e o sistema nervoso, o que provoca um enorme desgaste para o organismo.

12 dicas para evitar a depressão de forma natural
1.Traga mais equilíbrio para a sua vida. Curta mais cada momento, como se fazia antigamente, onde o trabalho manual obrigava uma constante atenção no que se fazia e como se fazia. Sua cabeça deve estar, onde o seu corpo está.
2. É necessário fazer paradas durante o trabalho para respirar profundamente e relaxar. Espreguice! Boceje! Não subtraia demais sua energia, senão você entra em débito de vida. Correr na vida que nem tonto traz depressão.
3. Alimente-se de forma saudável e moderada. A alimentação em excesso ao ser metabolizada, provoca um maior gasto de energia do que o que foi ingerido.
4. Antes de uma depressão, existe uma quantidade enorme de avisos de que seu sistema não está agüentando o ritmo da sua vida. A dor e o mal-estar são nossos maiores amigos, pois nos alertam, para prestar atenção no corpo.
Cansaço e estress são sinais para você ficar atento. Perceba os sinais que o corpo transmite ou oferece e mude o ritmo de vida e de trabalho.
5. A sauna semanal, de preferência a úmida, é um relaxamento.
6. Caminhe ou corra. Você terá um ótimo efeito catártico. Corrida é uma meditação ativa e, caminhar na praça, é anti-stress.
7. Mantenha um contato com a natureza, tome um banho de mar a cada 15 dias. Ou uma vez por semana vá à piscina, pois a água e um fator anti-stress. Tome banho, se possível, mais vezes do que o habitual. A água tem um efeito relaxante. Banho não é só para ficar limpo, mas para relaxar também.
8. Fique atento com o uso da sua energia, que não deverá baixar. Energia baixa causa depressão. Não brigue, não fique nervoso e agitado, pois isto consome energia.
9. Tome sol, pois é anti-stress. Vinte a quinze minutos de sol te dará uma energia sideral. Tome sol nas costas e no peito.
10. O sono reparador é um precioso alimento que trabalha no caminho oposto ao da depressão.
11. Recolha-se no seu interior, busque o autoconhecimento. Isto evitará o desalento e a conseqüente desorganização orgânica.
12. O melhor remédio para a depressão e a prevenção feita de forma natural, cuidando de si com qualidade de vida.

Nuno Cobra

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sábado, 24 de setembro de 2005

A Indústria do Aço no Brasil


A usina de Volta Redonda iniciou sua produção, em caráter experimental, em 1944. Nos primeiros anos da década de 1970, havia 22 siderúrgicas em funcionamento e três empresas respondiam por cerca de 60% do fabrico de aço em lingotes: a Cia. Siderúrgica Nacional, Usiminas e Cosipa. Nesse mesmo período, o Brasil já havia feito as primeiras exportações de aço para a Argentina, Itália e Estados Unidos através do porto do Rio de Janeiro (foto). Em 1993, enquanto em alguns países industrializados a diminuição do crescimento econômico acarretou uma redução da demanda no setor siderúrgico, no Brasil, na Índia, na China e no sudeste asiático, a demanda continuou modestamente a crescer.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Reflexão do Dia........


Um sujeito estava colocando flores no tumulo de um parente, quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lapide ao lado.



Ele se vira para o chinês e pergunta:



- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?



E o chinês responde:



- Sim, e geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores!!!



"Respeitar as opções do outro, em qualquer aspecto,

é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter.

As pessoas são diferentes, agem diferente e principalmente pensam diferente".

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quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Libere 20% de sua banda de rede/Internet.


Um recurso do XP chamado Agendador de pacotes OoS reserva 20% da banda disponível de rede e internet para uso próprio. Desabilite-o da seguinte maneira:
( é necessário estar logado como administrador)
Clique em Iniciar > Executar, digite GPEDIT.MSC e pressione OK.
Em Configuração do computador > Modelos Administrativos > Rede. Selecione, na janela esquerda, “Agendador de pacotes QoS”. Na janela da direita, dê duplo-clique na em “Limite de reserva de banda”. Na aba Configuração, selecione Ativado. Na linha “Limitar % da banda”, digite 0 (zero). Clique em Aplicar, OK. Vá nas configurações da rede (Painel de Controle > Conexões de Rede), clique com o botão direito na conexão existente, selecione Propriedades. Na aba Geral, habilite o Agendador de Pacotes QoS (se já estiver habilitado, deixe como está). Reinicie o computador.
Você deve fazer isto em todos os computadores da rede.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2005

ROMEU E ELA


Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor?
São falados e lembrados, atravessaram os séculos
incólumes no tempo,
se
instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor
eterno?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas
adversidades que
os
relacionamentos estão sujeitos pela vida afora.
Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela
e Julieta com o
Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira
linda e
siliconada
motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu,
fumando um
cigarro
atrás do outro, ligando incessantemente para o
celular dele que estava
desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela era
especial e
depois
sumiu por semanas.
Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o
quanto ficava
insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol
com os amigos e

voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã
perdido no meio da
jaqueta
(que não era da Julieta).
Julieta não teve filhos , engordou , ficou cheia de
estrias e celulite
e
histérica com muita coisa para fazer.
Romeu não disse para Julieta que precisava de um
tempo, que estava
confuso,
querendo na verdade curtir a vida e que ainda era
muito novo para se
envolver definitivamente com alguém.
Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre
pensava ficando
por
horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da
orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no
dia dos namorados
alegando estar sem dinheiro.
Julieta nunca ficou bêbada ao extremo e num momento
de descontrole
bateu
na
cara do Romeu no meio de um bar lotado.
Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta
nunca ficou com
o
melhor amigo de Romeu.
Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os
amigos num
prostíbulo.
Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que
Romeu estava dando
mole
para uma amiga dela.
Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só
queria sexo e não um
relacionamento sério, ela deve ter confundido as
coisas.
Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois
teve uma crise
porque
Romeu não percebeu a mudança.
Romeu não tinha uma ex- mulher que infernizava a vida
da Julieta.
Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e
virou para o lado e
dormiu.
Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma
camisa xadrez
horrível de
manga curta e um sapato para lá de ultrapassado,
deixando- a sem saber
onde
enfiar a cara de vergonha...
Por essas e por outras que eles morreram se amando...



Luis Fernando Veríssimo

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terça-feira, 20 de setembro de 2005

William Shakespeare


"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resta da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cair é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou.

Aprende que a mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que no amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! “Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

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segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Reencontro


Nas viagens de muitas vidas,
ganham-se experiências
e aprendizagem do amor;

perdem-se, temporariamente,
presenças amigas.
A vida é eterna...

Noites e dias sucedendo-se pelo infinito...

Certas dores existenciais indefinidas
podem bem ser conseqüências
de afastamentos de amor amigo,

afastamentos de tempo equivalente
a uma ou mais vidas,
parecendo, por isso,eternos...

ainda que temporários.
se a separação ocorre sempre,
o reencontro igualmente é certo,

embora encoberto pelo esquecimento,
manto de cada encarnação.

Uma força de energia interior inexplicável
pode revelar uma amizade,
de tempo remoto, reencontrada;

emoção indefinida,
quase ilógica, mas tão forte,
feito o mar banhando as rochas,

com energia, suavidade e inconsciência,
sob cor dourada, de inteira beleza,
criada pelo sol ao entardecer.

Uma certeza íntima inteligível
pode ser a prova de um "reencontro",
sensação opondo-se à razão,

mas impondo-se feito raios solares,
que a despeito da noite,
invade-nos com inteira alegria reluzente,
num renascer em límpida manhã de vida.

Moacir Sader


Do livro Outra vida, nova chance

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domingo, 18 de setembro de 2005

Cidades Brasileiras: Ipatinga/MG



Juntamente com Coronel Fabriciano, Ipatinga forma a mais importante conurbação do alto vale do Rio Doce, estando inserida no complexo industrial mínero-metalúrgico, que caracteriza a região do chamado Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. Sua posição na hierarquia urbana é de centro regional, comandando Coronel Fabriciano e Timóteo, além de outros 11 municípios. A área é cortada pela rodovia BR-381 (Belo Horizonte - Governador Valadares) e pela ferrovia Vitória - Minas, operada pela Companhia Vale do Rio Doce, grande mineradora e transportadora de minérios entre Minas Gerais e os portos do Espírito Santo. O grande problema ambiental da cidade vincula-se aos elevados índices de poluição atmosférica, decorrentes das siderúrgicas e mineradoras situadas em sua periferia.


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sábado, 17 de setembro de 2005

DEZ COISAS QUE LEVEI ANOS PARA APRENDER


Luís Fernando Veríssimo

1. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e
um laxante na mesma noite.

2. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual
a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu
potencial, essa palavra seria "reuniões".

3. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

4. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com
você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

7. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

8. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode
ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção. Nunca
falha.)

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador
solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu
o Titanic.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Tragédia Matemática


Num certo livro de Matemática, um Quociente apaixonou-se por uma Incógnita.
Ele, o Quociente, produto de notável família de importantíssimos polinômios. Ela, uma simples Incógnita, de mesquinha equação literal.
Oh! que tremenda desigualdade. Mas como todos sabem, o amor não tem limites e vai do mais infinito ao menos infinito.
Apaixonado, o Quociente a olhou do vértice à base, sob todos os ângulos, agudos e obtusos. Era linda, uma figura ímpar e punha-se em evidência: olhar rombóide, boca trapezóide, seios esféricos num corpo cilíndrico de linhas senoidais.
- Quem és tu? -- perguntou o quociente com olhar radical.
- Sou a raiz quadrada da soma do quadrado dos catetos, mas pode me chamar de Hipotenusa - respondeu ela com uma expressão algébrica de quem ama.
Ele fez de sua vida uma paralela à dela, até que se encontraram no infinito. E se amaram ao quadrado da velocidade da luz, traçando ao sabor do momento e da paixão, retas e curvas nos jardins da quarta dimensão.
Ele a amava e a recíproca era verdadeira. Se adoravam nas mesmas razões e proporções no intervalo aberto da vida.
Três quadrantes depois, resolveram-se casar. Traçaram planos para o futuro e todos desejaram felicidade integral. Os padrinhos foram o Vetor e a Bissetriz.
Tudo estava nos eixos. O amor crescia em progressão geométrica. Quando ela estava em suas coordenadas positivas, tiveram um par: em homenagem aos padrinhos, ao menino chamaram de Versor; à menina, Abscissa.
Eram felizes até que, um dia, tudo se tornou uma constante. Foi aí que surgiu um outro. Sim, um outro. O máximo divisor comum, um freqüentador de círculos viciosos. O mínimo que o máximo ofereceu foi uma grandeza absoluta.
Ela sentiu-se imprópria, mas amava o máximo. Sabedor desta regra de três, o Quociente chamou-a de fração ordinária. Sentindo-se um denominador comum, resolveu aplicar a solução trivial: um ponto de descontinuidade na vida deles.
Quando os dois amantes estavam em colóquio, ele em termos menores e ela de combinação linear, chegou o quociente e num giro determinante disparou o seu 45.
Ela foi para o espaço imaginário e ele foi parar num intervalo fechado, onde a luz solar se via através de pequenas malhas quadráticas.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Frase dita por Platão


"O importante não é o que você sabe, mas o que
lembra na ocasião"



Cada uma das criaturas vivas, seja uma bactéria ou os mamíferos
superiores, como os golfinhos, baleias e humanos, têm um dispositivo
no cérebro que funciona baseado em ProDiTe, ou Proximidade de
Distância e Tempo (eu inventei esse nome, por isso ele é ridículo
mesmo). Se um pensamento está próximo, no tempo ou espaço, ele vence
um pensamento de igual força que esteja distante. E já que nossas
ações e comportamentos são resultados do que pensamos, para vencer
temos que fortalecer os pensamentos certos, mesmo que distantes no
tempo e no espaço. Faça isso por meio da repetição, de lembretes ou
com a ajuda de outra pessoa (nós, Coaches, fazemos isso).

Esse mecanismo foi essencial para nossa sobrevivência. Se temos fome,
somos programados para comer qualquer coisa que nos mantenha vivos.
Claro que, para o resto dos animais (e para nossos antepassados, que
viviam quase sem comida) era uma questão de vida ou morte comer
qualquer coisa. Para nós, que vivemos com a geladeira abarrotada, isso
pode ser uma arma de autodestruição.

Se um pensamento está próximo, no tempo ou espaço, ele vence um
pensamento de igual força que esteja distante. Por essa razão, sempre
fazemos aquilo que está bem claro em nossa mente. Por essa mesma
razão, você encontrará placas da Coca-Cola em todos os lugares da
Terra. Na hora de dizer que refrigerante você quer... o nome do
produto estará na sua mente. Toda publicidade baseia-se no mesmo
princípio. Esse é o motivo para deixar seu objetivo cristalino.
Consiga isso, e você fará o que deve fazer.

Quando seus próprios princípios, metas e sonhos não estiverem claros,
você seguirá os pensamentos de alguém que tem os dele muito claros.

Você promete que escolherá os alimentos saúdaveis, para manter a saúde
e o peso. Mesmo assim, exatamente na hora do almoço, você "esquece" de
tudo e come q ualquer coisa suculenta que apareça em sua frente.
Depois, sente-se deprimido e culpado por sua "fraqueza".

Ou você participa de um curso, ou workshop, e aprende algo incrível
que, se aplicado diariamente, mudará sua vida. Mas, depois de alguns
dias, você deixa de aplicar o que aprendeu, e tudo e volta aos padrões
antigos que não ajudam sua carreira ou seus relacionamentos.

Talvez você ensine sua equipe a fazer algo, ou proceder de certo modo,
e eles parecem ter entendido; então, poucos dias depois, eles
simplesmente desaprendem tudo, e você fica com a sensação de que não
prestaram nenhuma atenção.

Três situações muito comuns, e todas elas têm a mesma explicação. Se
um pensamento está próximo, no tempo ou espaço, ele vence um
pensamento de igual força que esteja distante. Note que eu destaquei a
parte "de igual força".

Isso significa que você tem que fortalecer o pensamento certo,
mantendo-o na sua frente, ou na frente de quem precisa adotar um
comportamento novo, até que ele se torne uma segunda natureza, até ele
ganhar uma força tão grande que supere o pensamentos aleatórios.

Por que o McDonalds consegue ter padrões tão iguais para hambúrgueres
servidos em países tão diferentes? Porque eles não se limitam a
"dizer" aos funcionários que precisam fazer um lanche de uma certa
maneira. Eles repetem tantas vezes os procedimentos, que os
pensamentos de cada funcionário se tornam mais fortes do que a vontade
de variação natural, que poderia surgir. É como o famoso
dois-hambúrgueres-alface-queijo-molho-especial-cebola-picles-num-pão-com-ger
gelim.
Neste caso, a empresa ensina incessantemente a seqüência correta de
montagem de um lanche. A empresa garante, assim, o foco da mente do
funcionário. Você pode gostar ou não gostar do McDonalds, mas não pode
negar que eles conseguem manter padrões raríssimos, em uma área de
serviços onde a variação de qualidade é o normal.

Use o mesmo truque para mudar sua vida. Mantenha na mente o que você
deve fazer. Use bilhetes para si mesmo, no espelho, na geladeira, na
agenda, no computador. Eu não costumava beber água, mas como sei que
isso é essencial para minha qualidade e tempo de vida, programei o
relógio do computador para me mandar beber água 15 vezes por dia. A
decisão foi tomada com lógica e razão, mas no início eu me
contrariava, sempre que a janela de lembrete abria. Bastaram 20 dias
para eu não precisar mais ser lembrado, e hoje nunca trabalho sem uma
garrafa com água ao meu lado. Não passo mais sem água, e meu corpo
agradece. Use sua mente a seu favor. Não deixe que ela use você.

Repita e cerque sua vida de coisas que mantenham seu foco sobre suas
escolhas mais importantes. Faça como a Coca-Cola e coloque lembretes
em sua agenda, no carro, no trav esseiro. Vale tudo para conquistar
sua própria mente.Treine seus funcionários todo o tempo, não apenas em
um evento. Não importa o que sabemos, mas o que fazemos repetidamente
ou, como dizia Platão, o importante não é o que você sabe, mas o que
lembra na ocasião.

O único modo real de mudar um comportamento é repetindo o que devemos,
e escolhemos, repetir. Nenhuma lógica do mundo pode, sozinha, mudar um
comportamento, mas nosso comportamento é mudado facilmente pela
repetição. O importante não é o que você sabe, mas o que lembra na
ocasião.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2005

ENSINAMENTO


Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento,
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades,
nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.


Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com a tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.

Tu escolhes, recolhes, elege, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos, atitudes, são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.

Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo.
Qualquer um pode COMEÇAR AGORA e fazer um NOVO FIM.

(CHICO XAVIER )

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terça-feira, 13 de setembro de 2005

Dicionário Mineirês


PRESTENÇÃO

- é quano um miner tá falano

mais cê num tá ouvino.

CADIQUÊ (?! )
- 'Por causa de quê?', assim,
tentânu intendê o motivo de
algum acontecimento...

DEU
- o messs qui "de mim".
Ex : " - larga deu, sô !"


- fim de quarqué frase.
Qué exêmm tamém ?
: Cuidadaí, sô !!...


- o messs qui "pena",
"compaixão" :
"Ai qui dó, gentch...!!!"

NIMIM
- o messs qui "em mim".
Exemplão, gora, ó:
"- Nóoo, cê vive garrádu
nimim, trem !...Larga deu, sô !!...

NÓOO
- num tem nada a ver cum laço
pertado, não !
É o mess qui "nossa!!"
...Vem di: Nóoossinhora !...

PELEJÂNU
- o mess qui tentânu: "
-Tô pelejânu qü' esse diacho,
né di hoje!
Qui nó cego!"
( agora é nó mess ! )

MINERÍM
- Nativo duistádimínnss.

UAI
- Corresponde a "UÉ",
dos paulista.
Ex: "Uai é uai,...uai !"

ÉMESSSS (?! )
- Minerím querêno cumfirmá.

ÓIQUÍ
- Minerím tentano chamá
atenção pra alguma coizz...

PÃO DI QUÊJJ
- Ísscêis sabe !:
Cumida fundamental
que disputa
c'o tutú a preferência
na mezz minêr.

TUTU
- Mistura de farínn di
mandioca
cum feijão massadím.
Baum dimais da conta !...

TREM
- Qué dizê qualqué coizz que
um minerim quisé !!
Ex: "Já lavei us trem!",
"Bora tomá uns trem ?!..."

NNN
- Gerúndio do minerêis.
Ex: "Eles tão brincânnn".
"Cê tá innn, eu tô vinnn..."

BELZONTCH
- Capitár do estado.

PÓPÔPÓ ( ?! )
- Mineira perguntando pro
marido se "pode por o pó"
(fazênu café).

PÓPÔPOQUÍN
- Resposta afirmativa do marido.

JIZDIFORR
- Cidade pertín do
Rio de Janeiro.
Confunde a cabeça
do minerím,
que num sabe se é
carioca ô minêr.

OIÓ, TÓ ( !! )
- Olha aí, olha, toma...!

DEUSDE
- desde. Ex: "- Eu sou magrelim
deusde rapazín !"

NÉMÊSS ( ?? )
- minerím buscando
concordância c'ás suas idéia...

ISPÍÍA
- nome da popular revista "VEJA".

QUINÉM
- advérbio de comparação.
Ex: "É bunita qui dói, quiném a mãe !"

ARREDÁ
- verbo na forma imperativa
( dânnu órdi ), paricido cum sair,
deslocar. Ex: "- Arreda prá lá, sô !"

ÍM
- diminutivo. Ex. lugarzím
piquininím, vistidím, bunitim, etc...

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segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Entrevista da Segunda-Feira




Nome: monja Coen Murayama
Idade: 53 anos
Profissão: religiosa
O que faz: missionária da tradição japonesa Soto Zen, leva a prática da meditação aos frequentadores dos parques da cidade de São Paulo


Como o Zen Budismo transformou a sua vida?
Coen - Além de despojar um pouco por fora, despojou por dentro, das preocupações superficiais. Comecei a me preocupar com a essência das coisas, com a melhor qualidade de vida, com a fome, com a pobreza, com a desigualdade - não houve como não me envolver com esses assuntos. A dor do outro é a minha dor, não existe um isolamento. O jornalismo foi o primeiro passo para essa descoberta. Como repórter, entrei em contato com a realidade global. Saí do meu pequeno mundo e meus valores todos se modificaram. O Zen veio coroar esse processo de desenvolvimento.

Como foi a relação com os seus mestres budistas?
Coen - Você tem que ter uma confiança absoluta, pois entrega ao mestre seu corpo e sua mente. Com a abadessa Shundo Aoyama Rôshi, que me orientou no Japão, essa entrega demorou anos. Mas, ao longo desse período, fui recebendo dela uma paciência infinita, de repetir todo dia, inúmeras vezes, que eu deveria ser como a água, flexível. E eu era dura como um tronco.

De que maneira o zazen provoca a integração entre as pessoas?
Coen - Nós fazemos zazen em grupo, não sozinhos. Nós nos sentamos um ao lado do outro. E cada um, ao cuidar de si, está, na verdade, cuidando de todos. Esse mergulho em si mesmo é um mergulho na essência. Quando eu penetro na essência do meu ser, estou penetrando na essência da vida, que é comum a todos. Acredito em alterações de mundo por meio de práticas meditativas. Podemos nos sentar e pensar na paz. Assim, nos transformamos em energia de paz.

Como essa energia atua no mundo?
Coen - Precisamos encontrá-la. Isso acontece sentando, como fazemos no zazen. Mas esse sentar não significa isolar-se do mundo. Quando a gente supera a superficialidade da mente, as nossas particularidades chegamos àquilo que o psicanalista Carl Jung chamava de inconsciente coletivo e penetramos nessa coletividade. É por isso que Buda falava do controle da própria mente. Eu controlo meus pensamentos. Se fulano me fez algum mal, enquanto estou meditando desejo que aconteçam com ele coisas boas. Em vez de imaginar crimes, procuro visualizar o assassino largando a arma. Acredito que isso mude o mundo.

É preciso abrir mão do mundo terreno para vivenciar o Budismo?
Coen - Na verdade, você tem que abrir mão dos próprios conceitos e da maneira com que se relaciona com este mundo para viver de um modo muito melhor. O Budismo é um caminho. Aos poucos, você vai perceber no outro a angústia e aprenderá a ser, para ele, o elemento que ajuda o elemento da paz verdadeira - não no sentido de paz como ausência de guerra, mas o que a gente chama de cultura de paz.

O que é essa cultura de paz?
Coen - Quando uma pessoa me xinga, em vez de xingar de volta, qual é a outra opção? Posso compreender que essa pessoa está nervosa. Não significa, porém, que eu vá ficar contente por ela estar me xingando. Num primeiro estágio, é perceber que isso me fere. Depois, é perguntar por que está me ofendendo. E, então, dizer à pessoa: "Isso me ofende tanto". Você vai falar a verdade, de coração a coração, sem querer vingança, sem querer rancor.

O que é gasshô, a reverência budista que se faz aos mestres e aos altares?
Coen - É um sinal de respeito, não apenas à pessoa, mas aos ensinamentos de Buda que ela traz. O ser humano está muito brutalizado. O cumprimento, com um beijo ou um abraço, se tornou mecanizado. Precisamos resgatar o sentido disso. Com a reverência, as pessoas aprendem a ser respeitosas umas com as outras. Na yoga, há a saudação namastê, que quer dizer "o sagrado em mim cumprimenta o sagrado em você". O gasshô tem esse sentido. Estamos criando o relacionamento de seres iluminados. Queremos que essa parte mais sagrada e mais sábia de nós venha à tona.

O que lhe encanta no Zen Budismo?
Coen - A paz, o respeito, a gratidão e a ternura que deixam a vida completamente zen. A gente percebe que se torna um só com a natureza e com os outros, e que todos são aspectos nossos. Essa transformação é difícil, pois precisamos encarar os nossos obstáculos internos para podermos nos relacionar com ternura e amizade profunda. Compartilhamos a vida. Aliás, somos a vida em compartilhamento, não estamos separados. A nossa maior ilusão é a separação. E o Zen nos faz entrar na verdade, que é a não-ilusão, essa percepção de que tudo e todos fazem parte do nosso mundo. Isso é muito bom.

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domingo, 11 de setembro de 2005

O que é Bioestatística?


A bioestatística é a aplicação de estatística ao campo biológico e médico,. Ela é essencial ao planejamento, avaliação e interpretação de todos os dados obtidos em pesquisa na área biológica e médica. É fundamental a epidemiologia e à medicina baseada em evidência.

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sábado, 10 de setembro de 2005

O Dia de Hoje na História


10/09/1972
Emerson Fittipaldi vence, em Monza, o Grande Prêmio da Itália, tornando-se o mais jovem campeão mundial de Fórmula-1.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Mudam-se (Camões)


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto por mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam mágoas na lembrança,
E do bem se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda mais como soía.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2005

A turba do "pega e lincha"

Querem linchar para esquecer que ontem voltaram bêbados e não sabem em quem bateram

NA ÚLTIMA sexta-feira, passei duas horas em frente à televisão. Não adiantava zapear: quase todos os canais estavam, ao vivo, diante da delegacia do Carandiru, enquanto o pai da pequena Isabella estava sendo interrogado.

O pano de fundo era uma turba de 200 ou 300 pessoas. Permaneceriam lá, noite adentro, na esperança de jogar uma pedra nos indiciados ou de gritar "assassinos" quando eles aparecessem, pedindo "justiça" e linchamento.

Mais cedo, outros sitiaram a moradia do avô de Isabella, onde estavam o pai e a madrasta da menina. Manifestavam sua raiva a gritos e chutes, a ponto de ser necessário garantir a segurança da casa. Vindos do bairro ou de longe (horas de estrada, para alguns), interrompendo o trabalho ou o descanso, deixando a família, os amigos ou, talvez, a solidão -quem eram? Por que estavam ali? A qual necessidade interna obedeciam sua presença e a truculência de suas vozes?

Os repórteres de televisão sabem que os membros dessas estranhas turbas respondem à câmera de televisão como se fossem atores. Quando nenhum canal está transmitindo, ficam tranqüilos, descansam a voz, o corpo e a alma. Na hora em que, numa câmera, acende-se a luz da gravação, eles pegam fogo.

Há os que querem ser vistos por parentes e amigos do bar, e fazem sinais ou erguem cartazes. Mas, em sua maioria, os membros da turba se animam na hora do "ao vivo" como se fossem "extras", pagos por uma produção de cinema. Qual é o script?

Eles realizam uma cena da qual eles supõem que seja o que nós, em casa, estamos querendo ver. Parecem se sentir investidos na função de carpideiras oficiais: quando a gente olha, eles devem dar evasão às emoções (raiva, desespero, ódio) que nós, mais comedidos, nas salas e nos botecos do país, reprimiríamos comportadamente.

Pelo que sinto e pelo que ouço ao redor de mim, eles estão errados. O espetáculo que eles nos oferecem inspira um horror que rivaliza com o que é produzido pela morte de Isabella.

Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: "nós", que não matamos Isabella; "nós", que amamos e respeitamos as crianças -em suma: "nós", que somos diferentes dos assassinos; "nós", que, portanto, vamos linchar os "culpados".

Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do "pega e lincha" tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir.

As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século 19 e no começo do século 20, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.

O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença.

Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro. No caso, os membros da turba gritam sua indignação porque precisam muito proclamar que aquilo não é com eles. Querem linchar porque é o melhor jeito de esquecer que ontem sacudiram seu bebê para que parasse de chorar, até que ele ficou branco. Ou que, na outra noite, voltaram bêbados para casa e não se lembram em quem bateram e quanto.

Nos primeiros cinco dias depois do assassinato de Isabella, um adolescente morreu pela quebra de um toboágua, uma criança de quatro anos foi esmagada por um poste derrubado por um ônibus, uma menina pulou do quarto andar apavorada pelo pai bêbado, um menino de nove anos foi queimado com um ferro de marcar boi. Sem contar as crianças que morreram de dengue. Se não bastar, leia a coluna de Gilberto Dimenstein na Folha de domingo passado.

A turba do "pega e lincha" representa, sim, alguma coisa que está em todos nós, mas que não é um anseio de justiça. A própria necessidade enlouquecida de se diferenciar dos assassinos presumidos aponta essa turma como representante legítima da brutalidade com a qual, apesar de estatutos e leis, as crianças podem ser e continuam sendo vítimas dos adultos.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2005

UMA VISÃO BEM HUMORADA DO AMOR


O amor não é algo que te faz sair do chão e te
transporta para lugares que nunca vistes.
O nome disso é avião.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que escondes dentro de ti e não
mostras para ninguém.
Isso se chama vibrador tailandês de três velocidades.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração
e a fala.
O nome disso é bronquite asmática.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que chega de repente e te
transforma em refém.
Isso se chama seqüestrador.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua
marca por onde passa.
Isso se chama pombo com caganeira.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti, te
levou pra ver estrelas e te trouxe de volta com algo
dele dentro de ti.
Isso se chama alienígena.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se
encontrado, poderia mudar o que está diante de ti.
Isso se chama controle remoto de TV.
O amor é outra coisa."

"O amor é simplesmente... o amor."

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terça-feira, 6 de setembro de 2005

Amizades


"Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida."
William Shakespeare

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segunda-feira, 5 de setembro de 2005

O QUE É ZEN?







É uma das doutrinas do budismo, cuja origem remonta ao ano 500 a.C., baseada nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, príncipe indiano que renunciou aos luxos e privilégios para buscar a total compreensão do sofrimento. Quando alcançou a iluminação, Siddhartha ficou conhecido como Buda, "aquele que desperta". Ele dizia que sofrimento e tristeza resultam do apego a situações, pessoas e objetos impermanentes, e ensinou sobre o "caminho do meio", que nos leva a evitar os extremos. Mil anos depois, o discípulo Bodhidharma viajou da Índia à China e transmitiu o conhecimento. Assim foi o encontro do budismo indiano com o taoísmo chinês (na época, uma das principais doutrinas da China), que resultou no ch´an budismo. Na sua expansão até o Japão, ganhou o nome zen - "o estado mental equivalente à meditação". A percepção da nossa natureza individual faz parte da prática zen e idealmente leva ao autoconhecimento, à compreensão da realidade e a uma maior harmonia entre ações, reações e circunstâncias.
A iluminação, ou satori, é o objetivo final, traz sabedoria perfeita e grande compaixão, como ensina o antigo mestre Pao Chih: "Se você compreender que a essência do desejo é vazia, então até o calor infernal terá frescor. O Grande Caminho está bem diante dos olhos". As duas principais correntes no zen budismo são rinzai zen e soto zen. A primeira enfatiza a prática de koans, pequenos diálogos incompreensíveis à luz do pensamento discursivo, que ajudam a exaurir o circuito mental. Já o soto zen prioriza a prática de zazen, a técnica de meditação disciplinada para afastar as ligações com o corpo e a mente, baseada no não-pensamento. Popularmente, quando uma pessoa está muito tranqüila ou contemplativa, dizemos que ela "está zen".

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domingo, 4 de setembro de 2005

Frase do Dia


Se você é pobre e tem curiosidade, você estuda. Temos que acabar com o elogio da ignorância.
Dep. Fed. Fernando Gabeira (PV/RJ)

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sábado, 3 de setembro de 2005

O ILUMINADO




Meio milênio antes de Cristo, o príncipe hindu Sidarta Gautama deixou seu luxuoso palácio e sua família para seguir os passos da mendicância, do jejum, da meditação. E acabou criando uma religião que crê no homem e que, hoje, influencia cada vez mais pessoas no Ocidente. Com você, a fascinante história de Buda e de sua doutrina


Há 3 000 anos começaram a se formar as principais filosofias e religiões que organizaram as visões de mundo do homem contemporâneo. Alguns filósofos, como o alemão Karl Jaspers, dão a essa época o nome de Era Axial. Axial diz respeito a eixo. Foi, portanto, quando o homem começou a buscar o seu eixo. Ou, segundo Jaspers, quando passamos a prestar atenção em nós mesmos. A Era Axial estende-se entre os séculos VIII e II a.C. "Nessa época, as pessoas discutiam sobre espiritualidade com o mesmo entusiasmo com que hoje se discute futebol", diz a escritora inglesa Karen Armstrong, uma das mais respeitadas estudiosas de religião, autora de best-sellers como Maomé e Buda. Os historiadores ainda não sabem o que causou esse despertar para a religião e para a filosofia, nem por que ele se concentrou na China, no Mediterrâneo Oriental, na Índia e no Irã. Acredita-se que com as sociedades agrícolas, mais estáveis, o homem ganhou tempo extra para dedicar-se à contemplação.

O certo é que todos os sábios desse período parecem seguir um caminho comum quando conclamam seus contemporâneos a radicais mudanças em suas vidas. Do século VIII ao VI a.C. os profetas de Israel reformaram o antigo paganismo hebreu. Na China dos séculos VI e V a.C., Confúcio e Lao-Tsé chacoalhavam as velhas tradições religiosas. Na Pérsia, o monoteísmo desenvolvido por Zoroastro expandiu-se e influenciou outras religiões. No século V a.C., Sócrates e Platão encorajavam os gregos a questionar até mesmo as verdades que pareciam mais evidentes. Tudo acontecendo mais ou menos junto. E é bem no meio dessa era, no século VI a.C., que surge o criador do Budismo, uma das mais influentes religiões do mundo, hoje com quase 400 milhões de adeptos.

No caldo da primeva Era Axial, a Índia também passou por grandes transformações. Sua cultura foi dominada pelos arianos, antigos povos nômades que teriam migrado da Ásia Central 4 000 anos antes. A sociedade ariana dividia-se em castas: brahmins, os sacerdotes; ksatriyas, os guerreiros e governantes; vaisyas, os camponeses e criadores de gado; e sudras, os escravos ou marginais. O que determina a inclusão em uma dessas classes é a hereditariedade - ou seja, somente aquele que nasceu de mãe da casta bramânica podia realizar rituais e curas. Para os brâmanes, a essência do universo está em Brahman, deus primordial que se expressa em uma infinidade de outras deidades. Sua rígida espiritualidade é expressa nas escrituras sagradas conhecidas como Vedas. Na Índia dessa época, os sacerdotes tinham uma espécie de reserva de mercado. E, assim como acontecia em outras regiões, surgiu uma revolta contra esses sacerdotes e seus rituais - que incluíam sangrentos sacrifícios de animais.

Mas novos movimentos reinterpretavam as antigas tradições, procurando afastar-se desses rituais e buscar outro tipo de sacrifício, mais interno, de renúncia às coisas do mundo - aquela atenção a si mesmo descrita por Jaspers.

É nessa Índia em ebulição espiritual que surge Sidarta Gautama, o Buda. Ele nasceu em 563 a.C. em Lumbini, aos pés do Himalaia, em uma região que hoje pertence ao Nepal. Era um aristocrata, da casta ksatrya, a dos guerreiros e governantes. Seu pai, Shudodhana, era o rei do clã dos sakyas. Vem daí o outro nome pelo qual Sidarta se tornaria conhecido: Sakyamuni, ou "o sábio silencioso dos sakyas". O pai de Sidarta, temendo que se cumprisse uma profecia segundo a qual ele se tornaria um homem santo, cercou-o de luxos e prazeres, acreditando que se o mantivesse ignorante sobre o sofrimento do mundo, iria afastá-lo do caminho espiritual. Sidarta tinha um palácio para o inverno, outro para o verão e um terceiro para a época das chuvas. Na adolescência, vivia cercado por belas moças, ocupadas em diverti-lo em seus aposentos decorados com sugestiva arte erótica. Aos 16 anos, escolheu-se uma noiva para ele, a bela Yashodhara, com quem teria um filho, Rahula.

Pouca coisa mudaria na sua vida até os 29 anos. Apesar de todo o luxo, Sidarta sentia-se infeliz. Certo dia, contra a vontade do pai, saiu para passear fora do palácio e se surpreendeu com quatro cenas que o tirariam para sempre daquela vida de prazeres. Primeiro, viu um velho arqueado, de pele enrugada, movendo-se com dificuldade. Depois, avistou um doente que sofria dores terríveis. Mais tarde, cruzou seu caminho um cortejo fúnebre. Um morto era carregado por amigos e parentes que choravam sua perda. Foi um choque e tanto para alguém que sempre vivera protegido, sem se dar conta de que tudo que nasce também se degenera, envelhece e morre. "A imagem que temos de Sidarta Gautama pelas antigas escrituras é a de um jovem às voltas com problemas existenciais, angustiado por questões ligadas ao mistério da vida", diz o monge brasileiro Nissin Cohen, que traduziu para o português o Dhammapada, uma das mais importantes escrituras budistas.

A quarta visão do passeio de Sidarta foi um mendigo errante, esmolando por comida. Apesar da sua pobreza, tinha porte ereto, feições radiantes e expressão de profunda serenidade. Sidarta determinou-se a também abraçar uma vida santa e a buscar uma resposta para o sofrimento que viu no mundo. Uma decisão como essa não era tão incomum na Índia daquela época. Acreditava-se que somente quando se abandona a vida doméstica e os laços afetivos para tornar-se um eremita ou andarilho é que se conseguem as respostas para a busca espiritual. Essa busca tinha um objetivo específico. A maioria da população indiana acreditava em alguma forma de renascimento ou transmigração, em um ciclo interminável que começa no nascimento, passa para a velhice, a morte e recomeça em novo nascimento. O ideal que todos desejavam era algo capaz de pôr fim a esse ciclo, que pudesse libertar o espírito desse movimento circular.

Sidarta abandonou o palácio enquanto todos dormiam. Saiu de fininho, sem ao menos se despedir da mulher e do seu pequeno filho. O príncipe logo aprendeu a dormir no chão e a esmolar por comida. Além da mendicância, a vida de filósofo-andarilho (ou sramana) incluía práticas de meditação. Na sua busca, ele se aproximou de dois famosos mestres e rapidamente chegou aos últimos estágios de absorção contemplativa propostos por eles. Mas ainda não atingira a suprema realização que buscava. Dedicou-se então à automortificação. As práticas ascéticas são comuns às formas primitivas da maior parte das religiões, inclusive no Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. O que está por trás da autoflagelação é a idéia de que um rígido controle dos sentidos desenvolve a autodisciplina e transfere o máximo de energia corporal para a atividade mental.

Durante seis anos, Sidarta experimentou privações e dores. Mudou radicalmente a alimentação, ampliando o período entre as refeições. De uma por dia, passou a uma a cada dois dias, três, quatro, até alimentar-se somente a cada 15 dias. Depois, diminuiu a quantidade até chegar à ração diária de um único grão de arroz. Simultaneamente, fazia experiências psicológicas, analisando em si mesmo certas emoções que, acreditava, só poderia eliminar completamente se as observasse em profundidade. Para analisar o medo e meditar sobre a impermanência, passava noites deitado entre cadáveres e esqueletos num cemitério. Ainda assim, não alcançara sua realização final. O próprio Sidarta descreve os efeitos dos jejuns: "Quando eu pensava estar tocando a pele do meu abdomem, era a minha coluna que eu segurava". Abandonou essas práticas quando já era quase só pele e ossos. Sua experiência provou que a autoflagelação embota a mente em vez de favorecê-la.

Ele intuiu, então, que o caminho para a libertação não estava nos excessos de ascetismo, nem nos da sensualidade, mas em um ponto de equilíbrio entre eles. Vem daí a expressão "caminho do meio", um dos pilares do Budismo.

Sidarta voltou a comer. Segundo conta-se, uma porção de arroz e leite oferecida por uma jovem que o encontrou quase morto à beira de um rio. Dias depois, recuperado, preparou um assento de capim sob uma figueira - que ficaria conhecida como a árvore bodhi, ou árvore da iluminação - na região de Bodhgaya, no norte da Índia. Decidiu então que ou atingiria a iluminação ali ou morreria. Mesmo para um alto praticante como ele, surgiram obstáculos. Alguns relatos os descrevem na forma de tentações e demônios, como Mara, deus indiano da morte. São imagens que simbolizam os obscuros medos reprimidos, fragmentos de memória, dúvidas, fantasias e outros conteúdos mentais tão persistentes e familiares a quem já tenha tentado alguma prática meditativa. Sidarta transpôs esses obstáculos e, serenamente, dominou todos os estágios de meditação. Como fez isso? As escrituras dizem apenas que ele permaneceu imóvel diante das investidas de Mara. Mas há uma pista nas técnicas para lidar com esses conteúdos mentais.

Uma delas é a meditação de ponto único. Nela, a observação concentra-se em um objeto específico (a respiração, por exemplo), controlando ou suspendendo temporariamente o fluxo dispersivo de pensamentos.

Assim, Sidarta tornou-se um Buda numa noite de lua cheia no mês de maio, quando tinha 35 anos. Buda não é um nome próprio, mas uma palavra em sânscrito que significa "o Desperto" ou "o Iluminado". Esse título passou a definir a condição de Sidarta Gautama e ficou ligado ao seu nome, da mesma maneira como o título de Cristo ("Salvador") associou-se ao nome de Jesus.

O detalhamento dessa experiência sob a figueira tornou-se o corpo dos seus ensinamentos, cuja essência é não fazer o mal, praticar o bem e purificar a mente. Buda ampliou o conhecimento sobre a mente humana e acreditava ter descoberto uma verdade profunda que lhe permitiu viver grande transformação interior e conquistar a imunidade ao sofrimento. Depois da sua iluminação, passou 45 anos ensinando outras pessoas a fazer o mesmo e organizou comunidades de monges só homens. No início, o próprio Buda não era favorável à admissão de mulheres em sua ordem. Parece que sua preocupação era com a dispersão que a presença delas pudesse representar em uma comunidade que tinha como um de seus pilares o total controle dos desejos. Mas acabou mudando de idéia.

A grande novidade trazida por Buda em sua época foi a idéia de que a vida espiritual, como capacidade de conhecer a si mesmo, não tem nada a ver com as restrições de casta impostas pelos brâmanes. Foi um salto e tanto para a estrutura social da Índia, que aceitou prontamente essa religião tolerante. Buda diz que todos os seres humanos têm vislumbres de iluminação. Isso acontece nos momentos em que aquele insistente e auto-referente "eu" não interfere, quando a mente não se prende ao passado, não sonha com o futuro e se envolve apenas com o momento presente. Esses vívidos momentos de ligação com o aqui-e-agora contrastam com a mente habitual. Eles surgem como relances fugidios, mas podem também ser voluntariamente induzidos pelo processo meditativo. Aí está o fim do sofrimento, a iluminação, o nirvana.

A essência dos ensinamentos budistas está nas práticas meditativas, que se fundam em tradições anteriores ao próprio Buda. Na meditação busca-se cessar a atividade mental ininterrupta, na qual pensamentos e fantasias bloqueiam a experiência direta e intuitiva. Na maior parte do tempo alimentamos pensamentos que podem nos deixar ansiosos, frustrados, com mágoa, raiva, ressentimento ou medo. Tragada por esse vórtice de sensações, nossa atenção perde o foco. É por isso que, muitas vezes, comemos sem sentir o sabor do alimento, olhamos uma pessoa sem vê-la de fato. Por quase meio século, Buda viveu cercado de multidões às quais receitava antídotos para essa dispersão, como a chamada "atenção plena", prática que consiste em dispensar o máximo de atenção a tudo o que se faz - e que está na base de várias técnicas meditativas.

Buda morreu por volta de 483 a.C., depois de um acesso de disenteria que teria sido causado pela ingestão de carne de porco. Há algo menos divino - ou tão demasiadamente humano - do que morrer de dor de barriga? Sua doutrina foi transmitida através de numerosas linhagens de mestres que se espalharam por vários países. Quando morreu, seus ensinamentos estavam bem estabelecidos na região central da Índia. Havia muitos seguidores leigos, mas o coração da comunidade eram os monges mendicantes, os bhiksus. Sua doutrina se espalhou por uma poderosa rede de mosteiros e tomou diversas formas, adaptando-se a diferentes situações históricas e culturais. Essa característica flexível do Budismo seria determinante para sua difusão. Por ser ele mesmo mutável e impermanente, o Budismo tem um mecanismo interno que barra o fundamentalismo - risco presente em outras religiões, cuja história está manchada de sangue.

"Não deveis aceitar nada por ouvir falar, tampouco porque está nas escrituras", disse Buda em um discurso. Como sua ênfase é a compaixão, o Budismo não define a si mesmo como solução melhor que qualquer outra. O Budismo primitivo, a rigor, nem era uma religião, mas um conjunto de práticas morais e mentais. No que diz respeito à meditação, essas práticas podem ser vistas como simples técnicas, que não implicam em compromisso com nenhum tipo de religiosidade.

Como resultado da sua expansão, cerca de 300 anos depois da morte de Buda, o Budismo já se dividia em 18 escolas. Seus ensinamentos, mantidos por transmissão oral, agora estavam escritos. Vários concílios foram organizados para dar homogeneidade às escrituras das diversas escolas. Um deles, realizado no século III a.C., resultou no chamado Cânone Páli, o registro mais antigo dos ensinamentos budistas. Pouco depois, o Budismo dividiu-se em duas tradições, cada uma delas afirmando-se como possuidora do verdadeiro sentido da palavra de Buda. A tradição Theravada, ou "à maneira dos antigos", que se baseava exclusivamente nos textos escritos na língua páli, espalhou-se pelo sudeste da Ásia. Para o praticante Theravada, Buda não era um deus, mas sim um grande sábio. O objetivo do caminho Theravada é iluminação individual.

A outra tradição é a Mahayana (literalmente "Grande Veículo"), que se instalou sobretudo na China, Coréia e Japão. A base de seus ensinamentos também está na prática da meditação. No Budismo Mahayana, porém, Buda já não é apenas um sábio, mas uma divindade reverenciada. Assim como os chamados bodhisatvas, seres considerados iluminados, que adiam sua entrada no nirvana para poder ajudar na iluminação de outros. Foi no âmbito das escolas Mahayana que mais se desenvolveram os aspectos sobrenaturais e imaginários do Budismo. Sidarta, ou Buda Sakiyamuni, jamais se apresentou como um enviado, salvador ou reencarnação de quem quer que fosse. Nos seus discursos não há referência sequer ao fato de que existe reencarnação. Ele não disse palavra a favor ou contra a idéia de Deus.

O conceito de buda já não se restringia a Sidarta, o Buda Sakyamuni. Passou a definir um princípio fundamental de iluminação espiritual. Sakyamuni já não era mais "o" buda, mas sim "um" buda. As tradições orientais sustentam que houve muitos budas no passado e que ainda haverá muitos outros no futuro. Ampliando o conceito de que há tantos budas quanto grãos de areia, esse Budismo pop expandiu-se amigavelmente pelo Oriente, incorporando uma infinidade de arquétipos ou divindades locais. (Ao contrário das religiões abraâmicas, que demonizaram os deuses das culturas dominadas. Leia mais sobre isso na pág. 55.) Isso explica por que existem tantas imagens diferentes do Iluminado. Quando ele é representado como um asceta esquelético, refere-se ao Sidarta da fase pré-Buda. Quando mostrado como um meditador sereno, é o Buda Sakyamuni.

Se a figura for a de um sujeito gorducho e sorridente, quase sempre trata-se de uma divindade local, geralmente símbolo de prosperidade, na China e no Japão. O mesmo ocorre com os dhianybudas, ou budas da meditação, aos quais se atribuem significados ocultos. Ou com as 21 belas figuras da jovem Tara - representação do aspecto feminino e compassivo de Buda, cultuada na tradição tibetana. Também vêm do Tibete as famosas imagens de budas em abraços sexuais com suas consortes, um símbolo da unidade entre iluminação e sabedoria.

Apesar do grande florescimento que teve em sua terra natal, o Budismo foi varrido da Índia em decorrência das invasões dos hunos no século V d.C. e dos islâmicos nos séculos XII e XIII. A corrente que mais se expandiu foi a Mahayana, por ser menos ortodoxa que a Theravada. O maior desenvolvimento do Budismo aconteceu na China, onde chegou no século I d.C., e, depois, na Coréia e no Japão. Seu encontro com as tradições chinesas deu origem à escola de meditação Ch’an e, mais tarde, no Japão, ao Zen Budismo. "Zen" é uma palavra japonesa derivada do chinês ch’an, que vem do sânscrito dhyana - técnica que, segundo a psicologia do yoga, conduz a um elevado estado de consciência em que o homem une-se com o universo. Os chineses preferiram encontrar essa união no trabalho cotidiano, em vez de na meditação solitária numa floresta, como o próprio Sidarta.

O Zen é um dos mais importantes herdeiros da vertente Mahayana -- só equiparado pela corrente Vajrayana, que se desenvolveu no Tibete. Chamado de "Caminho do Diamante", o Vajrayana tem suas origens encravadas em textos budistas do século II, registrados nos chamados tantras, escrituras esotéricas sobre a transformação da mente através de meditações, visualizações e ritos. Essa linha surgiu no norte da Índia há cerca de 2 000 anos e hoje é seguida pela tradição tibetana.

O Budismo só penetraria no Ocidente a partir do século XIX, com o estudo das culturas da Índia e a publicação de O Mundo como Vontade e Idéia. Nesse livro, o alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), que influenciaria muitos outros filósofos, como Friedrich Nietzsche, mergulha nos ensinamentos budistas. O Budismo também chegou à Europa e à América junto com os imigrantes chineses e, depois, japoneses. Mas foi somente com a chegada de mestres Zen, nos anos 30 do século XX, que algumas das principais idéias budistas começariam a ter maior difusão ocidental. Para a mentalidade judaico-cristã, que tem sua solução religiosa na pessoa externa de um pai divino, um grande motivo de estranhamento - e de fascínio - causado pelo Budismo talvez seja a idéia de um caminho espiritual que depende, em última instância, apenas do esforço de cada pessoa. O Budismo sustenta que o mundo é uma projeção da mente e que, portanto, o homem não poderá encontrar no exterior aquilo que não possua dentro de si mesmo.

Nos anos 40 e 50, os livros sobre Zen escritos pelo inglês Alan W. Watts (1915-1973) influenciaram os escritores da geração beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, gurus dos movimentos que iriam chacoalhar os anos 60, como a contracultura e os hippies. Com a invasão do Tibete pela China, em 1959, e a Guerra do Vietnã, nos anos 60, mestres budistas desses países migraram para o Ocidente, onde abriram vários centros de meditação. Estava traçado o caminho que levaria o Budismo para a Califórnia e os estúdios de Hollywood, atraindo adeptos de classe média alta, além de muitos artistas e terapeutas. Diferentemente do que aconteceu na primeira metade do século XX, quando Zen era sinônimo de Budismo no Ocidente, nas últimas décadas o ramo que mais se difundiu foi o Budismo tântrico do Tibete. Algo que ajudou muito nessa divulgação foi a figura sorridente do Dalai Lama, líder do Tibete no exílio, que já era famoso bem antes de ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 1989, de dançar no palco com a banda de punk-rap Beastie Boys em shows pela libertação do Tibete, ou de percorrer o mundo falando de espiritualidade. Inclusive no Brasil, onde um dos organizadores de suas visitas é o gaúcho Alfredo Aveline, ou lama Padma Santem (lama é a palavra em tibetano para "mestre espiritual"). Aveline dá uma pista de como essa linha espiritual pode ajudar o homem do século XXI, ao falar da importância do desapego como uma forma de evitar o sofrimento: "A impermanência paira sobre sua cabeça nas relações, no emprego, na sua saúde, no seu endereço, no seu celular, na sua aparência, nas suas aptidões, no afeto. Essa é a vida a que todos estão submetidos. No Budismo, o objetivo é ultrapassar essas limitações. Não estamos dizendo que buscamos distância dessa experiência limitada, mas nosso objetivo é libertarmo-nos dos processos sutis que a criam para ajudar os outros seres a fazer o mesmo e superar as frustrações inevitáveis do processo".

Dizem que Buda previu que sua ordem duraria muito menos se tivesse a participação de mulheres. Se realmente fez isso, talvez esteja aí um raro equívoco cometido pelo Iluminado. Hoje o que se vê é uma presença cada vez maior de mulheres na pregação da sua doutrina. Às vezes, numa mesma semana na capital paulista, quatro mulheres budistas de diferentes escolas e linhagens costumam atrair grande público para suas palestras: a inglesa Lama Caroline, da escola tibetana Gelupa; a americana Lama Tsering, da escola tibetana Ningma; a monja chinesa Chueh Chen, da escola Ch’an; e a brasileira monja Coen, formada nas tradições japonesas do Soto Zen. Quem quiser entender por que o Budismo exerce tanta atração no Ocidente precisa ver como elas consquistam sua audiência, geralmente de jovens, em torno da idéia da compaixão.

"Houve uma geração que quebrou todos os seus valores e hoje mergulha na busca espiritual", diz a monja Cláudia Coen, que todos os dias orienta grupos de meditação em São Paulo. "Como as técnicas funcionam independentemente da religião de quem as pratica, tem despertado o interesse também de judeus, cristãos e muçulmanos."

Mas, afinal, o que fez o Budismo ser tão bem-aceito no Ocidente? Numa palavra, poder-se-ia dizer que é seu caráter de auto-ajuda, conceito que, nesse caso, nada tem a ver com manuais de comportamento, mas sim com a certeza de que todas as respostas para os problemas do homem estão dentro dele mesmo.

Budismo para principiantes

A essência da doutrina deixada por Sidarta Gautama baseia-se em uma série de conceitos mais filosóficos, éticos e psicológicos do que religiosos. Aqui estão os principais deles:


AS QUATRO NOBRES VERDADES

Sofrimento

É a característica básica da nossa existência. Tudo é sofrimento: nascimento, doença e morte; encontrar algo não apreciado; não obter o que se deseja, separar-se de algo desejado.



Origem do sofrimento

Sua causa está nos anseios, nos desejos, no apego e na sede de satisfação dos sentidos. Tudo isso prende as pessoas ao ciclo da existência (samsara).



Cessação do sofrimento

Pela eliminação dos desejos e do apego pode-se extinguir o sofrimento.



Caminho que leva à cessação do sofrimento

Para os budistas da linha Theravada, o meio de pôr fim ao sofrimento é o Nobre Caminho Óctuplo. Para os budistas da linha Mahayana, são as Seis Perfeições.



O NOBRE CAMINHO ÓCTUPLO

1. Compreensão correta, baseada no entendimento das Quatro Nobres Verdades e na consciência de que não existe um "eu" individual: tudo está interligado.

2. Atitude correta, favorável à renúncia e à boa vontade, buscando não prejudicar os seres sensíveis.

3. Fala correta: evitar mentir, caluniar e bisbilhotar.

4. Ação correta: evitar, sobretudo, matar, roubar e praticar sexo ilícito (estupro e pedofilia, por exemplo).

5. Modo de vida correto: evitar profissões que causem sofrimento aos outros, como caçador ou fabricante de armas.

6. Esforço correto: pensar antes de agir, cultivando pensamentos, palavras e ações nobres.

7. Atenção correta: percepção contínua do corpo, dos sentimentos e dos objetos de pensamento.

8. Concentração correta: o cultivo de uma mente tranqüila, que encontra seu ponto mais elevado na absorção meditativa.



AS SEIS PERFEIÇÕES

1. Generosidade

2. Paciência

3. Ética

4. Esforço entusiástico

5. Concentração

6. Sabedoria



OUTROS CONCEITOS-CHAVE

Buda provavelmente falava num dialeto chamado maghadi e seus ensinamentos foram registrados na língua páli. Salvo exceções indicadas, os termos a seguir estão na forma como foram transliterados do sânscrito ou na maneira como foram incorporados à língua portuguesa.



Ahimsa

"Não-violência". É a base ética do Budismo.



Anatman

"Não-eu". Para o Budismo, não existe um "eu": cada um de nós é uma soma de várias experiências de vida, em eterna mutação. Ignorar isso é a principal causa do sofrimento.



Arhat

"Santo". Pessoa que atingiu a iluminação quase completa. O ideal do caminho Theravada.



Bhiksu

Monge mendicante que entrou para a vida errante.



Bodhisatva

Ser que aspira à condição de Buda pela prática das seis perfeições e que se compromete a abrir mão do nirvana até que tenha levado todos os seres sensíveis à iluminação. É o ideal do caminho Mahayana.



Carma

"Ação". É a lei de causa e efeito que rege o universo. Não significa destino no sentido fatalista, mas sim o que recai sobre cada um como resultado do seu comportamento.



Darma

"Doutrina". O termo Budismo é uma invenção ocidental para o que os budistas chamam de Buda-darma: ensinamento de Buda; lei cósmica; caminho para o nirvana.



Impermanência

Transitoriedade da matéria, do pensamento, do corpo humano e da própria idéia de "eu". Como todas as coisas são impermanentes, nos escapam tão logo tentamos possuí-las. A frustração desse desejo de posse é a causa imediata do sofrimento.



Mahayana

"Grande veículo". É um dos caminhos do Budismo. Inclui a maior parte das escolas existentes.



Lama (tibetano)

"Ninguém acima". Significa guru, mestre espiritual.



Nirvana

"Extinção", "apagamento". É a meta da prática espiritual. Não deve ser entendida como aniquilação, mas sim como entrada em outra forma de existência. Psicologicamente, é um estado de grande liberdade e espontaneidade. "O nirvana nos ensina que já somos aquilo que queremos nos tornar", diz o monge vietnamita Thich Nhat Hanh.



Samsara

"Roda do sofrimento". Ciclo que rege a inquieta existência humana e se alimenta de apego, desejos, ódio e ilusão. É nele próprio que se deve procurar sua extinção - ou nirvana.



Sunyata

"Vazio", "vácuo". Conceito segundo o qual todas as coisas - incluindo você, leitor - não contêm essência, apenas aparência.



Tendrel (tibetano)

"Interdependência". Tudo depende de outra coisa. Observador, observação e objeto observado são partes de um só movimento.



Theravada

"À maneira dos anciãos". Uma das principais escolas do Budismo, é a mais tradicionalista.



Vajrayana

"Veículo do diamante". Caminho tântrico e ocultista do Budismo.

A árvore da sabedoria silenciosa

Ao longo dos últimos 2 500 anos, os ensinamentos de Buda floresceram em dois ramos principais.
O primeiro - Theravada, ou Hinayana, "Caminho Estreito" - para os puristas e ortodoxos, foi para um lado. O segundo - Mahayana, "Grande Caminho" -, aberto a todas as experimentações, foi para o outro e se multiplicou em uma espantosa variedade de movimentos e escolas espiritualistas, inclusive no Ocidente



Talibã VS. Buda

Em março de 2001, os islâmicos fundamentalistas do Afeganistão dinamitam duas estátuas de Buda, de 40 e 50 metros de altura, erguidas entre os séculos III e V



Budismo pop

Após o movimento beat e a imigração de mestres orientais para os Estados Unidos, principalmente para a Califórnia, toda a cultura pop presta tributo a Sidarta: dos Beatles ao Nirvana, de Bowie aos Beastie Boys



Beat Generation

As filosofias orientais - principalmente o Zen Budismo - foram uma das principais influências dos escritores da geração beat, como Jack Kerouac, que nos anos 50 adubaram as raízes da contracultura e do movimento hippie



Hollywood

Richard Gere, o galã de Gigolô Americano e Uma Linda Mulher vira amigão do Dalai Lama - e um dos mais influentes garotos-propaganda de Buda no Oeste. Não tarda para Hollywood lançar superproduções budistas: O Pequeno Buda (com Keanu Reeves pintado de moreno jambo na pele de Sidarta ), Sete Anos no Tibete (Brad Pitt de nazista convertido ao Vajrayana) e Kundun (biografia do Dalai, dirigida por Scorsese - ambos na foto com Gere)

Nos anos 90, os livros do Dalai Lama tornam-se best-sellers no Ocidente

Em 1989, o Dalai Lama recebe o Nobel da Paz

Refugiados tibetanos e vietnamitas abrem centros de meditação na Europa e nos Estados Unidos



Arthur Schopenhauer

(1788-1860) O filósofo alemão foi o introdutor do Budismo no Ocidente, influenciando, entre outros, Nietzsche e Freud

Em 1959, no Tibete invadido pelo Exército chinês, mais de 87 000 pessoas são mortas. O Dalai Lama transfere-se para a Índia, onde forma uma comunidade tibetana no exílio



Brasil

Cresce no Brasil o interesse pelo Budismo, que vira capa da Super

Nos anos 70 surgem vários mosteiros Theravada na Europa



Louca sabedoria

Para seus praticantes, espiritualidade e prazer não são coisas separadas. Sua conduta não exclui nada que possa parecer irreligioso, como sexo e embriaguez levados às últimas conseqüências



1 - Theravada (Séc. II a.C.)

O Theravada tem hoje 125 milhões de adeptos (38% dos budistas) em Sri Lanka, Birmânia, Laos, Tailândia e Camboja. O movimento segue as antigas escrituras na língua páli, na qual foram registrados os primeiros documentos budistas. Sua prática enfatiza a busca da iluminação individual. O nome Hinayana (Pequeno Veículo), comumente atribuído a eles, foi criado pela corrente Mahayana e não é aceito pelos Theravada



2 - Mahayana (Séc. II a.C.)

A corrente principal do Budismo tem hoje 185 milhões de adeptos (56% do total). O Mahayana (Grande Veículo) abriga várias escolas e linhagens. Não professa o caminho individual mas "a iluminação em benefício de todos os seres". É aberto a diferentes crenças e ritos devocionais e enfatiza a prática da compaixão



3 - Vajrayana (Séc. II)

Essa linha tem hoje 20 milhões de adeptos (6% dos budistas), principalmente nos países do Himalaia: Tibete, Butão, Nepal e Mongólia O Vajrayana (Veículo do Diamante) surgiu no norte da Índia e, mais tarde, chegou à China, ao Japão e ao Tibete. Prosseguimento dos métodos Theravada e Mahayana, tem suas origens nos tantras, escrituras esotéricas que ritualizam diversas práticas para a transformação da mente



4 - Zen

Desenvolve-se a partir do século XII no Japão, buscando o máximo de simplicidade e desprezando o intelectualismo e os aspectos sobrenaturais e ritualísticos das religiões. Cada ato do cotidiano deve ser uma meditação. Essa mentalidade criou artes e disciplinas especiais para desenvolver a concentração, como jardinagem, arranjos florais e outras modalidades. Veja ao lado



Pintura

O que mais importa é o espaço vazio, buscando o máximo de expressividade com o mínimo de pinceladas



Poesia

Sua forma tradicional está nos haikai, poemas curtíssimos como este clássico de Mitsuo Bashô:



Koans

São uma espécie de pegadinhas, sem respostas lógicas, usadas para treinar a mente: "Que som é produzido quando se bate palmas com uma mão só?"



Cerimônia do chá

Preparar essa bebida tão simples torna-se um ritual de atenção plena e absorção em quietude espiritual



Japão

Presente no país desde 621, o Budismo dá origem a várias escolas e seitas, nas quais se mistura ao Xintoísmo - grupo de antigas religiões locais. A escola que mais se expandiria no Ocidente é a Zen



China

O Budismo chega ao país no século I e funde-se à religiosidade local. Nas novas escolas que surgem, nem sempre se percebe onde acaba o Budismo e onde começa o Taoísmo - doutrina de Lao Tsé, para quem o Tao, "fluxo natural", é a essência do universo. A escola Ch’an (Meditação) é uma espécie de avó do Zen Budismo



Tibete

No século VIII, o Budismo Vajrayana funde-se com as religiões xamânicas do Tibete, altamente ritualizadas. O Budismo tibetano organiza-se em quatro escolas principais, formadas por várias linhagens (Nyingma, Gelupa, Kagyiu e Sakya)



Sidarta Gautama, O Buda (563 a.C. - 483 a.C.)

Duzentos anos depois da morte de Buda, ainda na Índia o Budismo se divide em dois movimentos: Mahayana e Theravada seguem os sutras, discursos feitos por Sidarta. Quatro séculos depois, surge um terceiro movimento (Vajrayana) com base nos tantras, ensinamentos secretos também atribuídos ao Buda

A trilha do mestre

1. Lumbini
Sidarta Gautama nasceu na primavera de 563 a.C. no antigo reino dos sakyas - região que hoje pertence ao Nepal



2. Kapilavastu

Aqui ficava o palácio onde, durante 29 anos, o príncipe Sidarta desfrutou de uma vida de luxo e prazeres - até abandoná-la para partir em sua busca espiritual



3. Uruvela e Bodhgaya

Depois de seis anos jejuando e meditando em Uruvela, ele deslocou-se para Bodhgaya, uma região próxima. Esse local tornou-se o maior centro de peregrinação budista, pois foi onde Sidarta atingiu a iluminação



4. Sarnath

Foi em Sarnath (perto da atual Varanasi), que Buda fez seu primeiro discurso depois da iluminação e revelou as Quatro Nobres Verdades, base da sua doutrina



5. Rajgir

Aqui Buda recebeu apoio de comerciantes e da realeza, o que permitiu fundar mosteiros que se tornaram os principais centros de difusão de seus ensinamentos



6. Nalanda

Construída no tempo de Buda e fortemente influenciada por sua doutrina, Nalanda foi uma das primeiras universidades do mundo. No seu apogeu, teve 1 500 professores de disciplinas como gramática, filosofia, astronomia e medicina. Foi destruída pelos muçulmanos no século XIII



7. Kushinagar

Foi nessa região, hoje ocupada pelo Nepal, que o Buda morreu, aos 80 anos, em 483 a.C. Segundo seus discípulos, ele teria atingido o que chamam de mahaparinirvana ("grande cessação da existência"). Suas últimas palavras: "Tudo é impermanente"

Budismo à brasileira - a terceira onda

O Brasil tem algo entre 300 000 a 500 000 budistas, reunidos em 160 diferentes grupos. No livro O Budismo no Brasil, a ser lançado neste semestre, o alemão Frank Usarski, doutor em Ciência da Religião pela Universidade de Hannover, Alemanha, e professor da PUC de São Paulo, identifica três ondas de crescimento dessa linha espiritual no país. Na primeira, imigrantes chineses, japoneses e coreanos já trouxeram a religião com eles. Na segunda, nos anos 60, brasileiros de origem não-asiática, sobretudo intelectuais, se converteram ao zen-budismo. A terceira onda, que começou nos anos 70 e está quebrando na praia agora, é a do Budismo tibetano, ou Vajrayana. Seus adeptos usam técnicas para combater o que chamam de "manchas mentais", como apego ou orgulho. "Para cada uma delas, a meditação sugere um antídoto, como generosidade para anular a avareza ou paciência para enfrentar a raiva", diz a terapeuta Bel César, fundadora do Centro Shi De Choe Tsog, de São Paulo.
Um dos responsáveis pelo centro é Lama Michel, 20 anos, que, desde a infância é considerado um tulku, ou reencarnação de um mestre tibetano. Filho de um judeu e de uma presbiteriana (a própria Bel) que adotaram o Budismo, Lama Michel é um exemplo de como essa terceira onda deu um novo rumo a praticantes de tradições religiosas já arraigadas. Não é o único. Segyu Rinpoche, do Centro Je Tsongkhapa, de Porto Alegre, era médium de umbanda no Rio de Janeiro até ser oficialmente reconhecido como um tulku.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Imunologia


Um leve corte no dedo, tão superficial que mal assustaria uma criança. Indigno de merecer mais do que um "ai" ou, quem sabe, um palavrão. Afinal, ninguém morre por causa de um corte no dedo-pelo menos em 99,9 por cento dos casos. Não que um corte não possa matar, se mais não mata é graças a uma tropa de elite, em permanente prontidão para ir à luta pela vida. É uma guerra secreta: enquanto uma dorzinha no lugar é praticamente tudo o que a pessoa retém do acidente, dentro do organismo reina grande agitação e todas as atenções se voltam para a vizinhança do pequeno corte; ali a batalha poderá começar a qualquer momento. A tropa de elite-o sistema imunológico-está preparada para o que der e vier.
A mesma dor que avisa a pessoa que ela se machucou fez soar um outro alarme, destinado às células de defesa. Dai começou o corre-corre. A circulação sangüínea transporta rapidamente batalhões inteiros dessas células ao local atingido, onde passam a ocupar posições estratégicas, entrincheiradas entre os tecidos. Toda a movimentação é apenas uma medida de segurança. Pode ser que o pequeno corte seja apenas um machucado sem conseqüências e que as células de defesa logo possam se dispersar sem ter disparado um tiro. Aliás, essa tropa é tão precavida que pega em armas diante de qualquer ameaça: por menor que seja uma lesão física, desencadeia o alerta. Até mesmo quando se leva um tapa, o sistema imunológico fica a postos.
As células de defesa já estão se dispersando quando soa de novo o alarme-na verdade, trata-se da liberação das substâncias químicas produzidas pela pele ferida e também pelos invasores. Isso porque até um pequeno arranhão abre uma grande brecha para a ação de micróbios solertes, toxinas perversas, partículas exóticas. Ao segundo alarme, os soldados da infantaria-que os cientistas chamam granulócitos-se lançam à batalha, sem perda de tempo, valendo-se do alto grau de preparo que os tornam ágeis e dinâmicos. Muitos deles vão tombar em combate. Junto com os restos mortais do inimigo derrotado, formarão o pus que aparece nas feridas.
Então se aproxima a artilharia dos macrófagos, células mais fortes, cujos canhonaços pulverizam não só os invasores-vivos ou mortos-como os próprios granulócitos eliminados no começo da batalha. Tamanha é a quantidade de macrófagos, comprimidos nos espaços entre as células, que são uma das causas do inchaço no local machucado. Granulócitos e macrófagos usam armas fabricadas há muito tempo-tanto que foram encontradas nos arsenais de espécies primitivas, como as esponjas. Graças a esse material bélico de comprovada eficiência-as enzimas existentes em seu interior -, eles engolem, trituram e digerem os inimigos. Outras enzimas, produzidas por diversos órgãos, como o estômago, podem ajudar, perfurando a membrana de micróbios e parasitas feito balas de canhão.
Chamadas de fagocitárias, essas células reconhecem os invasores (conhecidos antígenos) por meio das substâncias químicas que Ihes são comuns. Não é difícil a identificação -tais substâncias inexistem no organismo. Ou seja, o uniforme do inimigo é inconfundível. Certas bactérias, como as pneumococci da pneumonia, ao longo da evolução aprenderam porém a se camuflar e a passar desapercebidas. Contra isso os vertebrados inventaram há 400 milhões de anos uma resposta formidável-as células linfócitos B. Assim que uma bactéria da pneumonia tenta invadir o corpo pelo pequeno corte, os linfócitos B disparam seus mísseis teleguiados que se encaixam na molécula da bactéria, ou de qualquer outro invasor infeccioso, bloqueando-a para que não contamine outras células do organismo.
Essas proteínas são os tão falados anticorpos. Sua função principal, porém, é típica dos serviços de contra-espionagem: desmarcar os inimigos camuflados. A técnica funciona às mil maravilhas. Ao combinar-se com o odiado antígeno, o anticorpo chama a atenção do macrófago para a presença do estranho. O inimigo, então, fica encurralado. "Além de tornar o antígeno reconhecível, os anticorpos ajudam os macrófagos a ingeri-los", explica o professor de Imunologia Momtchillo Russo, da USP.
Os linfócitos B, em geral, são os soldados mais especializados do exército de defesa. Nas aves, são treinados para o ataque na Bursa de Fabricius (daí a letra B), que fica na cloaca, a ponta do canal intestinal. Já no homem, que não tem bursa, essas células nascidas na medula óssea são treinadas em tecidos como os do baço, intestino, amídalas, fígado. Dali vão navegar na corrente sangüínea, prontas para a luta, onde quer que se localize o teatro de operações. Se todas as células da pele humana são idênticas, o mesmo não acontece com os linfócitos B. Faz sentido: afinal, precisam especializar-se na produção de anticorpos de tamanhos e formatos diversos, para se encaixar como peças de quebra-cabeça numa infinidade de inimigos. Calcula-se que entre o trilhão de linfócitos B do organismo, haja cerca de 1 milhão de tipos diferentes.
No curso de uma infecção, algumas células B adquirem o que os cientistas chamam memória: a propriedade que Ihes permite estudar detalhadamente as táticas do invasor, de maneira que, se ele infectar o corpo uma segunda vez, haverá células B especializadas no seu combate e capazes de agir mais rapidamente do que no ataque anterior. Quando um linfócito B se encontra porém face a face com o seu antígeno, não se põe a disparar anticorpos imediatamente, como um amador. Espera a ordem de atacar dada por uma substância, a interleucina enviada pela célula T auxiliar. A T auxiliar é um dos três tipos de células que rumam da medula óssea para o timo (daí a letra T), uma glândula atrás das costelas, na altura do coração. Sua função é controlar todo o sistema imunológico.
Como não produz anticorpos, embora seja especializada num único invasor, não se sabe até hoje quais são seus receptores, isto é, como ela e encaixa e percebe o inimigo, ativando a partir dai tanto as células B como os macrófagos. Além das interleucinas, a T auxiliar tem uma segunda arma: a interferona, que funciona como um gás paralisante nas células infectadas e dificulta a propagação do antígeno.
Quem nasce sem timo não sobrevir, por falta de células T para organizar suas defesas. Quando tais células são destruídas pelo vírus da AIDS por exemplo, o mesmo acontece. Não seria então o caso de simplesmente injetar interleucina no organismo dos pacientes para suprir a produção natural prejudicada? A resposta infelizmente é negativa. "Lançada na circulação, a interleucina ativaria todo o sistema imunológico em vez de estimular apenas o lifócito B necessário", esclarece o professor Russo, da USP. "O sistema muito ativado é tão nefasto quanto o deficiente, causando febres, dores, coagulação do sangue. Enfim, pode levar à morte".
Quem corrige os lamentáveis mas nem sempre evitáveis excessos da repressão e ao mesmo tempo dá a ordem para o recuo é um segundo tipo de célula T, a supressora. Ela envia uma substância que inibe a ação da célula T auxiliar e, por tabela, de todas as outras células. Na verdade, cientistas desconhecem como essas duas células, a auxiliar e a supressora, mantêm o equilíbrio do sistema imunológico. Como será que sabem quando é hora de parar? Essa é a grande questão que a Imunologia busca responder. O terceiro e último tipo de célula T, ao contrário de suas irmãs, não dá ordens- nem por isso é menos importante. Trata-se da célula citotóxica, uma espécie de assassino profissional. Daí a sua alcunha em inglês: killer, assassina. Enquanto as demais células do sistema reconhecem apenas os antígenos (substâncias estranhas), a killer perscruta os tecidos do próprio organismo, os quais vive espionando: se estiver faltando algo, como nas células cancerosas que degeneram, ou se houver algo a mais, como nas células infectadas que retiveram em suas membranas partículas de um vírus invasor, ela se ativará. Então, aproxima-se da célula doente e, como se Ihe desse o beijo da morte, transmite-lhe uma substância tóxica destruidora. Se a killer destrói as células defeituosas, por que então se morre de câncer? Quando se tem trilhões de células como no organismo humano é normal que no decorrer da vida um certo número delas comece a apresentar defeitos. Portanto, a pergunta correta deveria ser: por que se pode viver sem câncer? E a resposta é: graças ao controle exercido pela killer. O problema aparece quando ela se ausenta -como na AIDS, em que o doente logo padece de tipos raros da enfermidade, ou quando já não existem killers em número suficiente, como em pessoas idosas. "Com o passar dos anos, o sistema imunológico se enfraquece", esclarece o imunologista Antonio Lauro Coscina, do Hospital Albert Einstein.
Apesar das vastas zonas de sombra que ainda desafiam os imunologistas, avanços importantes têm ocorrido. Nos Estados Unidos, pesquisadores conseguiram isolar em laboratório as interleucinas específicas para ativar as células T que combatem determinado tipo de câncer. Também se descobriu que, em alguns casos, quando a célula cancerosa é contaminada por bactérias, as células killer vão ao ataque mais rapidamente. Por isso, os cientistas estão inoculando essas bactérias em tumores de pele, com resultados positivos. Sem dúvida, porém, uma das descobertas mais significativas foi a dos anticorpos monoclonais, no inicio dos anos 80: são anticorpos específicos, desenvolvidos em laboratório, marcados com substâncias radioativas.
Eles não só identificam células cancerosas, mas também o tipo de câncer, permitindo o diagnóstico precoce da doença. As vezes, ao invés de estimular o sistema de defesa, a ciência deve colocar-lhe freios. É o que ocorre nas doenças auto-imunes, quando algo faz com que as células de defesa passem a tratar as células do próprio corpo como inimigas. Suspeita-se que algumas doenças, como úlceras estomacais e intestinais, artrite reumatóide, problemas de tireóide e esclerose múltipla, sejam auto-imunes. O conceito existe desde a década de 50, mas até hoje pouco se sabe sobre os seus mecanismos. Há três hipóteses que não se excluem necessariamente: 1) As doenças auto-imunes são provocadas em tecidos de cuja existência o sistema de defesa não teve conhecimento prévio e por isso não estaria capacitado a reconhecer. Há casos de esterilidade masculina produzida por anticorpos que aniquilam os espermatozóides. 2) Determinada infecção poderia alterar a aparência das membranas celulares de um órgão qualquer, tornando suas células estranhas para o sistema de defesa. 3) Desequilíbrio nas funções das células T supressoras e auxiliares que controlam o sistema inteiro. Cientistas americanos, que testaram o sangue de portadores de doenças auto-imunes, constataram que nele havia menos células T supressoras do que normal.
Atualmente, essas doenças têm sido tratadas com drogas chamadas imunossupressoras. que inibem o sistema imunológico. São os mesmos medicamentos usados em casos de transplante, para evitar a rejeição do órgão. Mas evidentemente essas drogas têm a grande desvantagem de diminuir a eficiência do sistema como um todo. As pesquisas mais recentes voltam-se para a produção de anticorpos, ou seja, anticorpos que anulem os anticorpos fabricados pelo organismo contra si próprio. O professor Coscina acredita que no futuro a solução será ainda melhor: "A Imunologia daqui a alguns anos será a Imunogenética", diz. "Manipulando os genes se poderá ter sistemas de defesa mais eficientes e sanar os problemas das doenças auto-imunes."

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