quarta-feira, 31 de agosto de 2005

No Fio da Espada


Para entender como o sangue de samurai pode ainda pulsar nas veias de um garoto brasileiro rodeado de videogames e das facilidades do mundo moderno é preciso voltar pelo menos 1 000 anos e mergulhar na Idade Média japonesa. O termo samurai, que significa "aquele que serve", começou a ganhar importância no Japão por volta do ano 1 100. O Japão medieval, um país agrícola e isolado do resto do mundo, estava dividido em propriedades rurais. As disputas envolvendo a demarcação das terras e as brigas pelo poder aconteciam no dia-a-dia. O governo central era distante e a figura do imperador, mais divina que política. Como resultado, os donos de terra - os daimyô - acabaram criando exércitos particulares para defender seus domínios ou para empreender ataques às terras alheias. Esses pequenos exércitos particulares eram formados por samurais, guerreiros forjados na arte da luta de espadas.

Além de proteger os feudos - chamados de han -, eles garantiam a ordem interna e deliberavam sobre algumas questões administrativas.

Nessa mesma época, no início do século XII, duas novas religiões - o zen budismo e o confucionismo - chegaram ao Japão e se misturaram ao xintoísmo, o credo original japonês. Os princípios do budismo e a filosofia de Confúcio começaram a influenciar o modo de vida japonês. Essa fusão de doutrinas foi fundamental na formação filosófica e espiritual dos samurais. "O xintoísmo pregava o amor à pátria e à família, o budismo propunha a auto-análise e a busca do caminho do meio e o confucionismo estabelecia os padrões de vida em sociedade", diz Tadashi Tamaki, presidente da Confederação Brasileira de Kendô. O Bushidô, código de ética seguido pelos samurais (veja quadro na pág. 62) bebe nessa tríade filosófica. "O xintoísmo e o budismo se fundiram de tal forma que dividiam espaço no mesmo templo.

Até hoje é possível encontrar, no Japão, alguns templos com imagens e símbolos das duas crenças", diz Leiko Gotoda, tradutora para o português de Musashi, romance sobre a vida do samurai homônimo (veja quadro na pág. 60), o mais famoso do Japão, lançado em 1999 no Brasil.

Apesar de seguirem as mesmas regras básicas, havia diferenças no estilo de luta entre os samurais de um feudo e outro - e até mesmo entre grupos dentro do mesmo feudo. Essas dessemelhanças acabaram gerando diferentes clãs de samurais. Se algum guerreiro de destaque desenvolvesse particularidades no seu estilo, ele fundava uma casa de samurais com o nome da sua família. Filho de samurai tinha que ser samurai - a sociedade japonesa era dividida em castas. Quem não nascia samurai podia tentar se tornar um, trabalhando como ordenança para os clãs em troca de um longo e árduo aprendizado.

Ao longo dos anos, os samurais foram ganhando espaço e importância e começaram a se aproximar da corte imperial. Até que, em 1192, o samurai Yoritomo Minamoto tornou-se o primeiro xogun - que significa "general" -, um militar escolhido para cuidar da administração e da segurança do país. Inicia-se aí o período dos Xogunatos, que manteria o Japão por mais de 700 anos sob o comando de três clãs. O cargo de xogun era vitalício e hereditário e podia ser conquistado pela força, desde que o imperador aprovasse a família vencedora.

Nesse período, a casta dos samurais passou a ocupar o topo da hierarquia social no país, embora não fosse a mais rica. Havia poucos samurais abastados. Eles eram reconhecidos na rua por portarem duas espadas presas ao obi, a faixa que segurava o kimono. A mais longa, katana (ver quadro na página ao lado), tinha uma lâmina com 80 centímetros de comprimento e era usada para lutas em locais amplos. A menor, vakisashi, media entre 50 e 60 centímetros, conforme a estatura do samurai, e servia para lutas em espaços fechados. Mas a regra nem sempre se cumpria.

O período dos Xogunatos foi marcado por conflitos sangrentos. O objetivo do governo central, representado pelo xogun, era unificar o país. O dos daimyô era defender a sua independência em relação ao xogun. A maior batalha foi, provavelmente, a de Sekigahara, em 1600. Em seis horas de confronto, morreram 35 000 homens só do lado derrotado. Pode não parecer um grande número para quem vive em uma era como a nossa, em que o assassinato em massa é um recurso cada vez mais acessível a qualquer imbecil. Mas é uma formidável carnificina para um tempo em que as lutas aconteciam homem a homem, olho no olho, lâmina contra lâmina.

A relação dos samurais com a morte merece uma análise à parte. Para eles, matar e morrer era tão corriqueiro quanto comer uma tigela de arroz. Eles estavam preparados para batalhas e duelos 24 horas por dia. O jornalista José Yamashiro afirma, em seu livro A História dos Samurais, que, na hora de lutar para defender o seu daimyô, "a vida do samurai era menos valiosa que a pena de uma ave". Segundo o sociólogo Benedicto Ferri, autor de Japão, a Harmonia dos Contrários, um estudo sobre o modo de vida e o pensamento japoneses, "essa tranqüilidade diante do fim da vida, um momento tão temido pelos ocidentais, vem do Bushidô".

Desde que tinham a idade do pequeno Daniel, os samurais absorviam os conceitos budistas da impermanência e da reencarnação. Acreditando desde cedo que a morte não é o fim, mas apenas uma porta de passagem para uma nova fase da existência - que poderia ser atravessada a qualquer momento -, ficava mais simples encarar com galhardia o próprio fim.

Os padrões de conduta expressos no Bushidô também contribuíam para essa visão da morte como um evento natural. O código de honra dos samurais pedia motivos justos para que a morte acontecesse. Exigia que o momento derradeiro fosse vivido com honradez. E assegurava que não havia honra maior para um samurai que morrer defendendo o seu senhor ou a sua própria reputação (leia mais no quadro ao lado). A familiaridade com a morte e a sua aceitação eram tão grandes que um samurai preferia se matar a ser preso pelo inimigo. O ritual do seppuku - também conhecido como harakiri -, tornava-se mandatório quando o samurai cometia uma falha que manchasse o seu caráter. O Bushidô ensinava que a desonra é um mal que nunca cicatriza. O ritual era levado a cabo tanto para expiar um ato pessoal ou familiar vergonhoso quanto para que o samurai não servisse a mais ninguém quando o seu senhor morresse - a lealdade era um conceito caro aos guerreiros. O suicídio era tão litúrgico quanto a conduta em vida.

Realizava-se o seppuku com uma adaga. Ajoelhado, o samurai perfurava o próprio ventre e dilacerava-o em forma de L ou de cruz até as vísceras ficarem expostas. A exposição das vísceras simbolizava que ele estava mostrando a sua verdade, oferecendo o seu interior para ser purificado. Era uma morte extremamente dolorosa. Por isso, assim que as vísceras saíam do abdôme, outro samurai, escolhido pelo suicida, decepava-lhe a cabeça, como um golpe de misericórdia.

A retidão e a preocupação em unificar a formação espiritual e a habilidade com a espada dos samurais acontecia de forma distinta entre os guerreiros ninja (veja quadro nesta página). De toda forma, o padrão de conduta dos samurais foi reforçado no terceiro Xogunato, conhecido como Era Tokugawa, quando o Japão foi finalmente unificado. Ali os samurais viveram o seu auge e também a sua derrocada. Valorizados pelo desempenho nas batalhas de unificação, eles consolidaram a imagem de heróis valorosos e destemidos. Ao mesmo tempo, com as reformas administrativas e o início da pacificação no país, a maioria deles perdeu o emprego. O que se viu foi uma grande quantidade de samurais peregrinando pelo país, à procura de um novo senhor ou então trabalhando temporariamente para diferentes senhores. Eram os chamados ronins. Sem recursos financeiros, vários clãs se desfizeram. Alguns guerreiros foram fazer outra coisa: trabalharam na reforma dos castelos, viraram calígrafos, escultores, mestres da cerimônia do chá.

Outros continuaram investindo na arte de guerra. Houve um crescimento dos duelos e, com a ausência de guerras, eles se acentuaram. Isso porque uma das formas de aperfeiçoar a própria arte, era desafiando componentes de outro clã. Funcionava assim: o samurai queria chamar a atenção de algum senhor. Então, chegava em um local onde havia uma casa famosa de artes marciais e desafiava seu líder para um duelo quase sempre mortal. Quem decidia se o perdedor ia morrer ou não era o vencedor. Ao vencer, o samurai começava a ganhar fama pelo país. Mas isso implicava em outro problema. O descendente direto da casa desafiada sentia a honra da sua família ofendida com o duelo perdido e desafiava o vencedor, criando assim uma seqüência praticamente interminável de duelos entre famílias e linhagens. Em não muito tempo, os duelos foram severamente reprimidos pelo governo central. Sem guerras e sem poder duelar, os samurais começaram a escassear.

A Era Tokugawa e o Xogunato acabaram em 1868, com a concentração do poder na família imperial e a abertura do Japão para o resto do mundo. Enquanto o país se modernizava rapidamente, alguns hábitos se pulverizavam. Tanto que o poderoso xogun Tokugawa, ao ser derrotado, não praticou o seppuku para defender a própria honra. Pediu clemência e ganhou asilo em uma pequena província onde se dedicou ao artesanato e à produção de bicicletas.

Com a abertura dos portos, começou a entrar no Japão uma grande quantidade de armas de fogo. O governo, já instalado em Tóquio, organizou um exército nacional institucionalizado. A espada já não tinha mais utilidade como arma de guerra. Nem os samurais tinham mais espaço como guerreiros. No início do século XX, eclodiram revoltas regionais de samurais, que viam sua classe ameaçada. Até que o governo declarou o fim da casta e proibiu que as pessoas andassem com espadas na rua.

Várias dessas espadas foram destruídas e outras, guardadas como objetos de adoração. Pouco mais de meio século depois, a tradição dos samurais sofreu novo e duro golpe. Com a derrota do Japão na Segunda Guerra e a dominação americana, todas as armas do país foram confiscadas, inclusive as espadas de samurais que vinham sendo passadas de geração em geração durante séculos. Na década de 60, parte dessas espadas foram devolvidas às famílias. A maioria, no entanto, acabou sendo destruída.

A espada de Daniel, o jovem descendente de samurais, está guardada em Akita, sob os cuidados do avô. "Não havia motivo para trazê-la ao Brasil pois, antes do nascimento de Daniel, éramos quatro mulheres da família morando no país", diz Yoshiko Yamamoto, tia do garoto. (E mulheres, seguindo um tipo de discriminação comum na cultura japonesa, não podem ser samurais.) Daniel garante que, quando crescer, vai ao Japão buscar a relíquia que lhe pertence. Palavra de samurai.

Musashi, o maior de todos

Miyamoto Musashi (1584-1645) é o mais famoso samurai da história. Morreu há mais de três séculos e sua trajetória ainda é motivo de debates entre historiadores japoneses. Alguns o consideram um grande herói. Outros, um dos homens mais covardes que já nasceram no Japão. Sua história originou mais de uma dúzia de filmes e sua biografia romanceada foi lançada nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, os dois volumes da obra, totalizando 1 800 páginas, já venderam 72 000 exemplares. "Musashi, durante a maior parte da sua vida, buscou a integração perfeita entre a arte da luta e o engrandecimento espiritual", diz Leiko Gotoda, que trabalhou dez anos, por iniciativa própria, na tradução para o português da história do samurai. A saga mostra um exímio espadachim que aprendeu a arte da luta com sabres praticamente por conta própria. E que criou o estilo de lutar com duas espadas ao mesmo tempo.
Musashi participou da histórica batalha de Sekigahara e peregrinou mais de 30 anos pelo Japão vencendo duelos em busca da perfeita harmonia entre sua alma e sua espada. Musashi gera polêmica entre os japoneses por dois motivos. Um deles, a "sua falta de asseio", diz Leiko. "Como ele nunca largava as espadas dizem que dificilmente trocava de roupa ou tomava banho." E a higiene fazia parte da ética do samurai. Outro fato que condenaria Musashi é o famoso duelo do Pinheiro Solitário, quando ele matou o garoto Genjiro. Musashi havia desafiado Seijuro, o primogênito da casa Yoshioka, um famoso clã de samurais, que matara seu pai. Venceu o primeiro duelo, decepando o braço do desafiado. Com a honra da casa ofendida, um irmão de Seijuro desafiou Musashi. Perdeu o duelo e a vida. Ainda mais desonrada, a família Yoshioka desafiou Musashi para mais um duelo com o último herdeiro do clã, Genjiro, que era apenas um aprendiz de 13 anos. Alguns estudiosos japoneses acreditam que Musashi não agiu de acordo com o Bushidô.

Afirmam que ele deveria ter poupado a vida do garoto. Ou então, lutado, vencido e realizado o seppuku - suicídio com a própria lâmina - por tirar a vida de uma criança. Outros acham apenas que Musashi seguiu a tradição dos samurais ao aceitar o terceiro desafio contra o clã dos Yoshioka. Alguns métodos de Musashi, contestados na época, hoje são considerados sofisticadas estratégias de luta, como se atrasar para os duelos deixando o inimigo irritado e usar elementos da natureza a seu favor, cegando o oponente durante a luta ao colocá-lo de frente para o sol, por exemplo. Recolhido a uma caverna para meditação, já perto do fim da vida, Musashi escreveu o Livro dos Cinco Anéis, com estratégias sobre como enfrentar o inimigo. Esse livro é usado atualmente em escolas de Administração no mundo todo para ensinar táticas de competição empresarial.

A obra dá conselhos sobre como controlar o tempo que vai durar a batalha, ver o que ninguém consegue enxergar, não tomar atitudes inúteis ao objetivo, estudar todos os caminhos possíveis e apurar a intuição.

O caminho da espada

No Japão feudal, a espada era cultuada como uma divindade. Sua forja levava meses e cumpria um minucioso ritual. Cada artesão responsável pela fabricação das lâminas assinava seu nome no cabo da espada. Eram trabalhos tão personalizados que reconhecia-se um sabre pelo estilo do forjador, como se reconhece um quadro ou uma escultura. Ao iniciar a confecção de uma espada, o artesão fechava o ateliê com uma corda de palha de arroz para afugentar os maus espíritos. Durante a forja, ele se abstinha de álcool e do contato com as mulheres.
Utilizava-se o minério de ferro, recolhido nas margens dos rios, como matéria-prima. Num primeiro momento, ele era misturado a folhas de pinheiro e fundido em placas, em fornos artesanais. Na verdade, obedecia-se a uma seqüência de processos de fundição que podiam durar semanas e que eram levados a cabo até o metal chegar ao ponto ideal para o início da confecção da lâmina. Considerava-se todo o processo como algo místico. A lâmina, um sanduíche de cinco camadas de metal, tinha a parte interna mais flexível, para facilitar o movimento,e o gume mais rígido, para apurar o corte. Prontas as lâminas, a espada ganhava um cabo de madeira nobre e muito leve, revestido com couro de arraia ou tubarão, cravejado de pedras preciosas e com desenhos feitos em ouro e prata. Cada espada tinha uma forma única e, apesar de todo o material empregado, era leve: pesava entre 1 e 2 quilos.

A busca de uma morte honrosa

O Bushidô, o código de ética dos samurais, tinha, para os guerreiros, mais força que as leis do Japão. Não é possível determinar o ponto exato no espaço e no tempo em que ele surgiu. O fato é que o Bushidô se espalhou por todo o país. Transmitido oralmente, todos os clãs de samurais o seguiam à risca. Para o Bushidô, o objetivo da vida de um samurai era uma morte honrosa. O espírito de um guerreiro valoroso tinha de estar constantemente preparado para morrer. Por isso, era preciso viver cada momento como se fosse o último. Tudo tinha de ser feito com o máximo empenho. E a morte deveria ter um significado, não podia ser inútil. O resultado é que os samurais ficaram conhecidos por jamais vacilarem diante do fim, nem mesmo nos momentos de maior perigo nos campos de batalha. Um samurai, rezava o Bushidô, devia estar preparado para vencer o inimigo sozinho, mesmo que esse fosse numeroso e as chances de vencê-lo fossem mínimas.
Ao receber um golpe mortal, dizia o Bushidô, o samurai não podia cair de bruços, em posição desonrosa, dando as costas para o inimigo. A posição do cadáver era uma questão de honra para o samurai. Ele deveria encarar o inimigo de frente, mesmo morto. O samurai, segundo o Bushidô, deveria basear sua vida ainda pelos seguintes preceitos: justiça, gratidão, coragem, compaixão, cortesia, sinceridade, honra e lealdade.

A arte da camuflagem

Os ninjas representam uma parte importante da história do Japão, apesar de a semente da sua arte estar na Índia. Enquanto o samurai fazia parte de um exército, o ninja operava como um espião. Era o anti-herói, aquele que aceitava o trabalho sujo por ser perito na arte da camuflagem e por resistir às condições mais adversas. A palavra ninja significa "pessoa resistente". O período áureo dos ninjas foi a época de disputas acirradas entre os senhores feudais, antes da unificação do país - quando eles passaram a ser utilizados para espionar os estrangeiros que chegavam ao Japão. O domínio que os ninjas tinham sobre seu corpo e sua mente era tido como sobre-humano. Treinados desde criança, diz-se que conseguiam até controlar os batimentos cardíacos.
O lema dos ninjas era "jamais subestimar o inimigo, nunca vacilar em batalha nem temer o oponente". Seu método era tornar-se invisíveis. Um bom ninja se infiltrava em território inimigo, descobria informações secretas, matava o rival e ainda semeava a discórdia. Diferentemente dos samurais, havia mulheres entre os ninjas. Além do manejo das armas, elas dominavam os segredos da sedução e realizavam seus intentos durante encontros amorosos. No cinema, a marca registrada do ninja é o traje negro. Esse era apenas um de seus disfarces. Mas os ninjas também se escondiam em árvores, subiam em paredes com extraordinária facilidade e ficavam horas imersos na água, graças a uma técnica que inventaram: a da respiração utilizando um pedaço de bambu.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

A genética da paixão

A ciência começa a desvendar um dos mistérios do comportamento humano: a escolha do parceiro amoroso

Os sinais são claros e surgem no cérebro como um vulcão. Subitamente nos apaixonamos por alguém, e tem início uma série de reações que muitas vezes contrariam nossa condição de animais racionais. Ao estudarem os mecanismos do cérebro, os pesquisadores comparam a euforia provocada pelo fascínio por alguém àquela experimentada pelos viciados em drogas. Nos dois casos, a mesma região do cérebro é inundada pelo neurotransmissor dopamina, associado à sensação de prazer e de recompensa. Assim como o drogado, o ser apaixonado é capaz de contrariar o bom senso em busca de seu objeto do desejo. Ambos têm pensamentos obsessivos e sofrem síndromes de abstinência. O que os cientistas, para não dizer todos nós, querem saber é por quê. O desafio é descobrir o que existe por trás da paixão. Por que nos apaixonamos por determinadas pessoas e não por outras? Quais os mecanismos que deflagram a atração por alguém? Do ponto de vista da biologia evolutiva, a paixão e o amor não fazem muito sentido. Nossos genes são programados para selecionar parceiros com fins reprodutivos. Segundo a teoria da evolução, os parceiros ideais são aqueles capazes de contribuir para a geração da prole mais forte e mais saudável. Do ponto de vista científico, é duro entender o que o romance tem a ver com isso. Mas, de alguma maneira, a mãe natureza dotou os seres humanos da capacidade de se apaixonar como forma de escolher o parceiro. As leis naturais que regem essa escolha só agora começam a ser desvendadas pela ciência. "Hoje se acredita que o desejo é a chave para entender como funcionam as estratégias reprodutivas herdadas de nossos ancestrais", disse o psicólogo evolucionista David Buss, da Universidade do Texas, autor de diversos estudos sobre os relacionamentos amorosos.

Pergunte-se a qualquer colegial que critérios ele usou para escolher a namorada e a beleza virá em primeiro lugar. É natural que seja assim. No mundo infinitesimal de nossos genes, que determinam em grande parte o modo como nos comportamos, a beleza se traduz em saúde. Ela é a manifestação exterior da capacidade de um homem ou de uma mulher cumprirem sua função de perpetuar a espécie. Esses sinais externos da saúde genética são bem conhecidos. Mulheres preferem homens altos e fortes, capazes de conseguir alimento para a prole e manter os leões longe da caverna. Homens escolhem mulheres de quadris largos e seios bem torneados, o que lhes garantirá herdeiros possantes como eles. Assim que os homens e as mulheres se tornam maduros sexualmente, começam a procurar por sinais de boa compleição genética e de fertilidade, e também aprendem a exibir esses atributos. Mas a beleza, por si só, está longe de explicar como elegemos nossos parceiros, seja para nos acompanhar por toda a vida, seja para um namoro, seja para uma noite de sexo. Uma série de pesquisas recentes indica que a atração romântica e sexual é despertada não apenas pela beleza, mas também por mecanismos mais complexos. São processos que envolvem os cinco sentidos, o sistema hormonal e, principalmente, a predisposição genética peculiar de cada ser humano. É evidente que elementos como o charme pessoal e a inteligência contam muito na escolha de um parceiro. Essas qualidades, porém, só se revelam mais tarde. Elas só são descobertas e avaliadas depois que um casal passa pelo estágio crucial da descoberta da atração mútua.

Quanto mais se estudam os genes, mais se atribuem a eles um papel decisivo na escolha de nossos parceiros amorosos. A antropóloga e pesquisadora americana Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jersey, considerada uma das maiores autoridades em comportamento amoroso, avaliza essa teoria e está prestes a lançar um livro sobre ela. Helen relaciona as características de comportamento à predominância de determinados tipos de hormônios e neurotransmissores no organismo. A produção dessas substâncias é controlada pelo sistema endócrino, que funciona de acordo com o perfil genético de cada ser humano. Ela sustenta que há, basicamente, quatro tipos de personalidade. Indivíduos com predominância de dopamina seriam os exploradores; de serotonina, os construtores; de estrógeno, os negociadores; e de testosterona, os diretores. "Todos nós somos uma combinação dos quatro tipos, mas um deles se expressa com mais destaque em nossa personalidade", disse Helen a VEJA. Para chegar a esses quatro perfis humanos, a psicóloga submeteu um questionário baseado em sua teoria a assinantes da agência americana de namoro pela internet Chemistry.com. Após avaliar 20.000 respostas, ela concluiu que os negociadores, com altos níveis de estrógeno, se sentem mais atraídos pelos diretores, ricos em testosterona. Já os exploradores e construtores sentem mais desejo por pessoas do seu próprio grupo

Prosaico como possa parecer, o cheiro – não o dos perfumes, mas aquele que o corpo exala naturalmente – também serve como um filtro na escolha do parceiro ideal. Entre os muitos genes que influenciam o funcionamento do sistema imunológico está o chamado complexo de histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês). Esse grupo de genes, presente em todas as espécies de mamífero, codifica as proteínas que agem no sistema imunológico. Quando essas proteínas são secretadas via suor, deixam um odor característico. No caso de o MHC dos pais ser muito parecido, há risco de a gravidez ser interrompida. Pesquisas com ratos provaram que, ao cheirarem a urina uns dos outros, eles evitam copular com os que têm MHC semelhante. Um estudo da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou que o mesmo ocorre com humanos. Os autores do trabalho pediram a um grupo de mulheres que cheirasse camisetas usadas por homens durante duas noites, sem a influência de desodorantes ou perfumes, e apontasse qual odor mais lhe agradava. As mulheres preferiram o cheiro de homens com o conjunto de genes ligado ao sistema imunológico diferente do seu. O MHC está presente também na saliva. Em conseqüência disso, os beijos trocados entre homens e mulheres, sem que eles saibam, podem atuar como um teste para verificar se o MHC de cada um é adequado a um relacionamento que inclua a constituição de uma prole. "É como se a evolução direcionasse as espécies a formar casais capazes de gerar descendentes imunologicamente mais aptos", explica a geneticista Maria da Graça Bicalho, coordenadora do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Paraná. Aos poucos, o estudo dos genes mostra como nos movemos para eleger o parceiro ideal.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Destruction – Infernal Overkill

Destruction_Infernal Overkill

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domingo, 28 de agosto de 2005

Abacaxi

 

Abacaxi é um  fruto múltiplo produzido por uma planta da família das Bromeliáceas, originária do Brasil e do Paraguai. Suas flores transformam-se em uma infrutescência (baga composta), consumida ao natural e também na forma de doces, sorvetes, aperitivos, xaropes e sucos. Muito saboroso, diz-se, numa referência às suas folhas, que é o rei das frutas: já vem coroado pela natureza. Além disso, é rico em cálcio, fósforo, ferro, vitaminas A e C, e em bromelina, enzima de uso medicinal e empregada também como amaciante de carne. Suas folhas podem ser utilizadas para a produção de fibras. É uma planta perene, mas nas culturas comerciais é cortada depois da safra.

Classificação científica: É a espécie Ananas sativus.

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sábado, 27 de agosto de 2005

Carne Tremula

Sinopse

Madri, janeiro de 1970. Uma prostituta tem um filho em ônibus, quando tentava chegar na maternidade, e ali mesmo lhe dá o nome de Victor. Após vinte anos, Victor (Liberto Rabal) é um homem, que está começando sua vida adulta e tenta se encontrar com Elena (Francesca Neri), uma desconhecida, que uma semana antes teve relações sexuais com ele dentro de um banheiro. Quando telefona, ela não tem idéia de quem ele é e mesmo dizendo, ela pede que ele não ligue mais. Apesar deste corte, ele não desanima e consegue ir até o prédio dela. Pensando ser outra pessoa, ela abre a porta através do porteiro eletrônico, mas quando o vê fica bastante irritada, pois para ela foi uma transa, quando estava "doida", mas para Victor foi a primeira vez. Ela decide expulsá-lo, ameaçando-o com uma arma. Os dois brigam e acontece um tiro acidental, que não fere ninguém, mas chama a atenção de uma vizinha, que alerta a polícia e para lá são mandados David (Javier Bardem) e Sancho (José Sancho). Ao ver os dois policiais, Victor se apavora e chega a ameaçar Elena, colocando o revólver em sua cabeça. Enquanto David tenta acalmar a situação, Sancho está exaltado e faz ameaças. Quando Victor solta Helena, parece, que tudo vai se acalmar, mas Sancho pula em cima dele e os dois começam a brigar e novamente a arma dispara, mas desta vez a bala atinge David, que fica paralítico. Ele é condenado há seis anos, David e Elena se casam e Sancho e Clara (Ángela Molina), sua esposa, tem um casamento infeliz. Quando Victor é posto em liberdade, ele herda 150 mil pesetas da mãe, que morreu de câncer. Ao ir visitar seu túmulo, repara que o pai de Elena está sendo enterrado. Ele se aproxima como se fosse um amigo da família e, ao dar os pêsames, fala discretamente para Elena que gosta muito dela. Quando todos tinham ido embora e só Victor ficara no local, chega Clara, que se perdera. Os dois começam a conversar e em pouco tempo se tornam amantes. Este é o primeiro passo para que o caminho de todos os cinco se cruzem.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Coisas da matemática


A matemática tem coisas que nem Pitágoras explicaria. Aí vai uma delas...

Pegue uma calculadora porque não dá pra fazer de cabeça...

1- Digite o prefixo de seu telefone fixo (podem ser 3 ou 4 dígitos)
2- multiplique por 80.
3- some 1.
4- multiplique por 250.
5- some com os 4 últimos algarismos do mesmo telefone.
6- some com os 4 últimos algarismos do mesmo telefone de novo.
7- diminua 250.
8- divida por 2.

Reconhece o resultado???????

É O NÚMERO COMPLETO DE SEU TELEFONE

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quinta-feira, 25 de agosto de 2005

A Nova Anatomia


O que muda da cintura para cima...

Zigoma
[em grego, quer dizer "união de dois"] É o osso que liga as estruturas da face. Ex-malar (de "maçã" em latim). Muitos anatomistas antigos também eram botânicos e, por isso, comparavam as regiões do corpo com frutas, como no caso da "maçã do rosto", onde fica esse osso.



Mandíbula

["que morde", em latim] Osso do queixo onde os dentes inferiores se fixam. Era conhecido por maxilar inferior (derivado de "queixo", em latim). Está certo que ele fica no queixo, mas, como a meta é dar nomes indicando a função, o comitê preferiu o termo mandíbula.



Artéria torácica

[na origem latina, "vaso da região intermediária do corpo"] É uma artéria que irriga vários órgãos do tórax, não só as mamas, como o ex-nome, mamária interna, dava a entender. Agora as cirurgias de ponte mamária no coração serão de ponte torácica.



Sistema digestório

[na origem latina, "que transforma os alimentos"] É o conjunto dos órgãos responsáveis pela digestão. Ex-aparelho digestivo ("que facilita a digestão"). O final da palavra muda o sentido e, claro, o estômago e seus parceiros são mais do que meros facilitadores. Sistema, grupo de órgãos com tarefas parecidas, ficou no lugar de aparelho, que é a união de dois ou mais sistemas.



Hipófise

[de origem grega, significa "embaixo da região onde o cérebro é maior"] É uma glândula comandante, que governa várias glândulas do corpo. Também podia ser chamada de pituitária (relativo à mucosa das narinas, em latim), porque até o século XVII achava-se que ela produzia o muco nasal. O conhecimento avançou, mas o antigo nome persistiu até agora.



Tonsila

[do latim, quer dizer "massa arredondada de tecido"] É o aglomerado de células de defesa na garganta. Ex-amígdala ("aquilo com forma de amêndoa", para os gregos). A mudança diferencia a estrutura da garganta de outra amígdala, que é parte do cérebro.



Proeminência laríngea

[a primeira palavra vem do latim e significa "saliência"] É a região onde a laringe se alarga. Antigo pomo-de-adão (pomu, em latim, é fruta carnosa) por causa do mito de que a maçã do pecado original teria ficado presa na garganta de Adão e seus descendentes. O nome muda para evitar discriminação. Afinal, as mulheres também têm essa saliência, embora menor.



Cúbito

[cubitu, em latim, é o osso da articulação entre o braço e o antebraço] Ex-cotovelo (medida usada pelos romanos, equivalente a três palmos), pois a articulação fica, mais ou menos, a essa distância da ponta dos dedos.



Ulna

[braço, em latim] Na verdade é um dos ossos do antebraço. Ex-cúbito, palavra mais apropriada para o velho cotovelo, a articulação do braço.


... e o que muda da cintura para baixo

Tela subcutânea
[do latim, quer dizer "trama de fios diferentes sob a pele"] Na realidade, é uma trama de tecidos diferentes. Por isso ficou no lugar de hipoderme (do grego, simplesmente "sob a pele"). Esse termo não passava a idéia de que ali existe uma mistura de tecidos diferentes.



Complexo golgiense

É a única exceção. Trata-se de uma organela dentro das células, que sempre foi conhecida por complexo de Golgi, localizada pelo fisiologista italiano Camillo Golgi (1843-1926). Os anatomistas tinham que arrancar o nome próprio. E como queriam manter a homenagem ao médico que ganhou o Prêmio Nobel em 1906, a saída foi inventar um adjetivo.



Patela

[disco chato, em latim] É a articulação na altura dos joelhos. Ex-rótula (rodinha, na mesma língua). Para o comitê encarregado das mudanças, o osso estava mais para disco chato do que para rodinha.



Nódulos linfáticos

[nodulu, em latim, significa nó pequeno] Aglomerado de células defensoras. Antes também eram chamadas de gânglios linfáticos (gágglion, em grego, é uma estrutura pequena). A troca é para evitar confusão. Agora todo gânglio é do sistema nervoso. E os nódulos ficam para o sistema de defesa.



Fíbula

[o alfinetete que fechava a toga dos romanos] O osso da perna que era perônio (do diminutivo de peroné, em francês, peça que prende as cordas do violino). Fíbula venceu porque sua função é ligar as extremidades do osso tíbia do mesmo modo como o alfinete ligava as pontas da toga.



Tendão calcâneo

[tendão, de origem latina, quer dizer "o que se estende"] É o tecido fibroso no final da musculatura da perna que fica preso ao osso do calcanhar, o calcâneo. Seu nome anterior, tendão de Aquiles, apelava para o mito grego de Aquiles, herói cujo ponto fraco era bem ali.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Deixar para depois.. talvez não tenha mais tempo!



A grande maioria das pessoas, quando têm algo importante para dizer ou fazer, deixam para depois por medo, insegurança, preguiça, orgulho ou influencia de outras pessoas.
Dizer que ama, correr atrás do que se deseja de verdade, batalhar por um idea uma mudança radical há muito esperada deve ser feito agora e não depois!
Depois... o que é o depois?
Depois é a desculpa de quem tem medo de não conseguir alcançar seus objetivos, mas também não existe isso de não conseguir, existe o não querer!
Se você esperar para dizer que ama alguém depois, outro alguém pode aparecer e dizer que ama primeiro que você; ou a pessoa amada pode partir e você não ter mais tempo ; se você esperar para colocar aquele projeto em prática, alguém pode colocar na sua frente e você perder uma oportunidade de realização; se você esperar para batalhar aquele emprego ou promoção que tanto quer, talvez alguém mais corajoso faça isso na sua frente e você perca a oportunidade de crescimento; e assim é com tudo na vida!
Diga eu amo você agora; desengavete seu projeto já; coloque em prática seus sonhos imediatamente!
A vida nos da oportunidades imensas para viver e para viver agora!!!!! Perca esse medo tolo de ousar, de arriscar e de empreender! O que de mal poderá acontecer? Dar errado? Então ouse e empreenda e se algo der errado, pare e pense, acerte as arestas e faça novamente! Insista, não desista!
Para sermos felizes temos que ousar, respeitando o direito do nosso semelhante e fazendo valer os nossos direitos sempre!
Descubra-se e vá em frente! Pegue o telefone e ligue para dizer que ama aquela pessoa agora, encha a vida dela de amor, sem esperar retorno. Diga só para emanar esse sentimento maravilhoso e deixe que a vida siga seu curso. Um simples gesto pode mudar o destino das pessoas, pode mudar uma vida! Seja o anjo mensageiro de boas novas sempre, para você mesmo e para as pessoas que convivem com vc! Agir e já, é o segredo de mudanças radicais e positivas!"

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terça-feira, 23 de agosto de 2005

TEILHARD DE CHARDIN



"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL.... SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA..."

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segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Qual é a diferença entre germe, micróbio, bactéria, bacilo e vírus?


Todos são microorganismos: seres invisíveis a olho nu também chamados genericamente de micróbios ou germes. Os dois termos são do século 19, quando a tecnologia disponível ainda não permitia diferenciar um microorganismo de outro. A humanidade, aliás, passou a maior parte de sua história sem fazer idéia de que esses seres existiam. Apenas no século 17, quando foi aperfeiçoado o microscópio, a ciência pôde finalmente observar criaturas unicelulares em ação - mas só as maiorzinhas, hoje chamadas de protozoários. No final do século 20, quando se tornou possível examinar o material genético dos micróbios, descobriu-se que há maior variedade entre eles do que entre animais e plantas. Os microbiologistas confessam ser incalculável o número total de espécies somando bactérias, protozoários e vírus aos tipos também microscópicos de fungos e algas. Com essa diversidade toda, os microorganismos foram os únicos seres que se adaptaram a todos os lugares do planeta: estão no ar, no fundo do mar, no subsolo - e dentro de nós. "Existem mais células de bactérias no nosso corpo do que células humanas", diz o microbiologista Jacyr Pasternak, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Geralmente, esses parasitas se aproveitam dos nutrientes de nosso organismo sem causar problemas - e alguns até fazem bem, como certos lactobacilos que evitam infecções. Mas não faltam bactérias altamente perigosas. A Yersinia pestis, por exemplo, causou a famosa Peste Negra, que matou um terço da Europa entre 1347 e 1351, sem que se soubesse a causa da doença. Ela só pôde ser descoberta no final do século 19, quando o químico francês Louis Pasteur (1822-1895) demonstrou que as bactérias (qualquer microorganismo unicelular desprovido de núcleo), com sua grande capacidade de contágio, eram as verdadeiras responsáveis por várias doenças. Mas Pasteur também constatou que existiam microorganismos benéficos para a humanidade, ao observar que certos fungos microscópicos, as leveduras, eram responsáveis pela fermentação - ou seja, sem elas não haveria pão, queijo, vinho ou cerveja. Tão importante quanto o célebre cientista francês foi seu contemporâneo Robert Koch (1843-1910), médico alemão que demonstrou como bactérias específicas causavam doenças igualmente distintas. Em apenas duas décadas (entre 1880 e 1900), o trabalho de Pasteur e Koch lançou as bases de uma nova ciência: a microbiologia, que, ao longo do século do 20, não pararia de revelar criaturas cada vez mais pequeninas. Não demorou para descobrirem que até as bactérias eram infectadas por seres ainda menores: os vírus. Por fim, a microbiologia se expandiu além da medicina, revelando que algas do tamanho de bactérias produzem de 30% a 50% do oxigênio que respiramos. "Sem elas, a atmosfera, como a conhecemos, não existiria", afirma o microbiologista Gabriel Padilla, da Universidade de São Paulo (USP).




VÍRUS

Dez mil vezes menores que as bactérias, eles não passam de material genético com uma capa de proteína. Alguns cientistas nem os consideram seres vivos, porque não têm metabolismo próprio: usam as células dos organismos que invadem para se reproduzir. Só o vírus da AIDS matou 25 milhões de pessoas nos últimos 20 anos - enquanto o da gripe espanhola eliminou o mesmo número em apenas dois anos (1918-1919). Aliás, os vírus da gripe, como o Influenza da foto, são extremamente difíceis de controlar, por estarem constantemente em mutação



PROTOZOÁRIOS

São unicelulares como as bactérias, mas possuem (assim como as células de plantas e animais) organelas, que ajudam a processar nutrientes e gerar energia, como minúsculos pulmões, estômagos e outros órgãos). Existem protozoários visíveis, de até 2 milímetros. Outros são mil vezes menores. O maior assassino entre microorganismos é um protozoário: o Plasmodium falciparum . Ele causa a malária, que mata 2 milhões de pessoas por ano



BACTÉRIAS

Seres unicelulares que não possuem sequer um núcleo separado por membrana. Depois dos vírus, são as criaturas mais simples que existem, medindo entre 0,5 e cinco milésimos de milímetro. Foram a primeira forma de vida a surgir na Terra, há 3 bilhões de anos. Com tanto tempo de vida, tornaram-se bem resistentes e algumas são inimigas temíveis, como a Neisseria gonorrhoeae que, sexualmente transmissível, causa a gonorréia, por exemplo. Por outro lado, são as grandes faxineiras do planeta, decompondo plantas e animais mortos.



BACILOS

Esse é o nome dado às bactérias em forma de bastão - enquanto as esféricas são chamadas de cocos e as curvas, de vibriões. Os bacilos ficaram mais famosos por causarem doenças como a tuberculose - cujo agente, Mycobacterium tuberculosis, é mais conhecido como Bacilo de Koch. Recentemente, o Bacillus anthracis que transmite a letal infecção antraz, ganhou notoriedade como arma bacteriológica na mão de terroristas. Mesmo assim, a grande maioria dos bacilos, como dos outros tipos de bactéria, não é nociva



FUNGOS
A variedade é enorme. Alguns fungos, como os cogumelos, são bem desenvolvidos, mas os que interessam aqui são unicelulares e contêm organelas, como os protozoários. Entre os mais chegados ao ser humano está o Candida albicans, que causa micoses. Já o Penicillium roqueforti serve para fabricar queijos como gorgonzola e, claro, roquefort. Com outro fungo do gênero Penicillium, o notatum faz-se a penicilina, um os antibióticos que mais salvam vidas

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domingo, 21 de agosto de 2005

Momento de Reflexão



Abra-se à mudança de vida.
Renove-se como as manhãs, como as árvores, como a primavera.
Uma força poderosa dentro de você anseia por expansão. É preciso participar da marcha da vida.
Transformar-se para melhor, trabalhar, servir.
Caminhe.
Parado, o mundo o deixa para trás. Confie no seu potencial de transformação, de ação, de aperfeiçoamento.
Avance. As leis que regulam a renovação universal estão também dentro de você.

Autor: Sementes de Felicidade de Lourival Lopes

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sábado, 20 de agosto de 2005

Piadinha



Juvenal tava desempregado há meses. Com a resistência que só os
brasileiros tem, o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma
entrevista. Ao chegar no escritório, o entrevistador lhe
perguntou:

- Qual foi seu último salário?

- "Salário mínimo", respondeu Juvenal.

- Pois se o Sr. for contratado ganhará 10 mil dólares por mês!

- Jura?

- Que carro o Sr. tem?

- Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na
rua
e um carrinho de mão!

- Pois se o senhor trabalhar conosco ganhará um Audi para você e
uma
BMW para sua esposa! Tudo zero!

- Jura?

- O senhor viaja muito para o exterior?

- O mais longe que fui foi pra Belo Horizonte, visitar uns
parentes .


- Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por
ano, para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.

- Jura?

- E lhe digo mais... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo
agora
porque tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente
garantido.
Se até amanhã (sexta-feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um
telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira.

Juvenal saiu do escritório radiante. Agora era só esperar até a
meia-noite da sexta-feira e rezar para que não aparecesse nenhum
maldito telegrama.

Sexta-feira mais feliz não poderia haver. E Juvenal reuniu a
família
e contou as boas novas.

Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa a base
de
muita música.

Sexta de tarde já tinha um barril de choop aberto. As 9 horas da
noite a festa fervia.

A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta. Dez horas,
e a
mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero.

A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pra perto do
Juvenal.

E a banda tocava!

E o choop gelado rolava!

O povo dançava!

Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro.

Gastaria horrores para o bairro encher a pança. Tudo por conta do
primeiro salário. E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre,
meio boba, meio assustada.

Onze horas e cinqüenta e cinco minutos........

Vira na esquina buzinando feito louco uma motoca amarela...

Era do Correio!

A festa parou!

A banda calou!

A tuba engasgou!

Um bêbado arrotou!

Uma velha peidou!

Um cachorro uivou!

Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?

- Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.

Jogaram água na churrasqueira!

O chopp esquentou!

A mulher do Juvenal desmaiou!

A motoca parou!

- Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?

- Si, si, sim, so, so, sou eu...

A multidão não resistiu...

- OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!

- Telegrama para o senhor...

Juvenal não acreditava...

Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e
olhou para todos.

Silêncio total.

Respirou fundo e abriu o telegrama.

Uma lágrima rolou, molhando o telegrama..

Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.

Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler.

O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava.

- E agora? Quem vai pagar essa festa toda?

Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez
para
o povo que o encarava...

Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e
começou a gritar eufórico ...
.
.
.
.
.
.

- Mamãe morreeeeuuu! Mamãe Morreeeeuuu!!!!








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sexta-feira, 19 de agosto de 2005

A Rosa de Hiroshima


A Rosa de Hiroshima
Vinícius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Paixões & Sonhos


"Se as paixões e os sonhos não pudessem criar novas esperanças no amanhã, a vida toda seria apenas um grande engano".

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quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Para Refletir!




"Angustias, ansiedades e outros efeitos nocivos à nossa autoestima!

Quando vivemos uma situação desgastante e não temos pulso forte para tomarmos uma atitude para nos livrarmos do que nos incomoda, nos tornamos frágeis, tristes e sombrios.
Toda situação que nos coloque em posição de constrangimento, ou que nos faça sentir atados à alguém ou alguma coisa, pode ser desfeita, só é necessário que se tome uma decisão refletida, firme e se siga em frente!
Dificuldade financeira pode ser um obstáculo inicial, mas não é motivo para que fique atado a uma situação que lhe cause sentimentos ruins acerca de si mesmo; pense e reflita: milhares de pessoas sobrevivem com seu trabalho e têm uma vida digna!
Quanto vale a sua felicidade? Vc trocaria sua felicidade e dignidade por uma casa, ou um emprego, ou até mesmo um relacionamento? Nenhum de nós quer uma vida infeliz!
Ficar parado esperando que algo divino aconteça ou que algo caia no seu colo não é a resposta às suas preces, mas ação e atitude!
Não há nada no universo mais delicioso do que desfrutar da autoridade sobre si mesmo!
Então desfrute e seja senhor absoluto de sua vida e seu destino. Trace seu destino hoje com decisões positivas e construtivas.
Realmente não há como mudar o passado, mas pode mudar o seu futuro com certeza, tomando ATITUDES positivas quanto a sua vida e DECISÕES ágeis e firmes!
Confie no seu trabalho e no seu potencial; venda sanduíches, artesanato, doces para festas, monte uma pequena empresa, faça o que gostar, o que fizer melhor, o que tiver conhecimento suficiente para se tornar o melhor dos melhores, e verá que o sucesso vem em seguida!!
Se escolher ficar sentado esperando algo acontecer que não dependa de suas ações, eu realmente sinto muito, mas vai envelhecer esperando e perder a melhor parte de sua vida. Talvez quando decida agir e ter atitudes positivas não tenha mais a VIDA que tem agora para VIVER!
A oportunidade é hoje e o sucesso é agora! Faça acontecer, só vc tem esse poder!"

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terça-feira, 16 de agosto de 2005

O Laço e o Abraço



Como é engraçado!...

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...

Uma fita dando voltas? Se enrosca...

Mas não se embola , vira, revira, circula e pronto: está dado o abraço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E na fita que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaçode fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços.- E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso... Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2005

CONTO DE FADAS PARA AS MULHERES DO SÉCULO XXI




Era uma vez... numa terra muito distante... uma princesa linda,
independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã
enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do
seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.

Então a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã
asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num
belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu
jantar lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para
sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de
um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a
princesa sorria e pensava... Nem morta!


Luis Fernando Veríssimo

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domingo, 14 de agosto de 2005

O VENDEDOR DE BALÕES




Era uma vez um velho homem que vendia balões numa quermesse.
Evidentemente, o homem era um bom vendedor, pois deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares, atraindo, desse modo, uma multidão de jovens compradores de balões.
Havia ali perto um menino negro.
Estava observando o vendedor e, é claro apreciando os balões.
Depois de ter soltado o balão vermelho, o homem soltou um azul, depois um amarelo e finalmente um branco.
Todos foram subindo até sumirem de vista.
O menino, de olhar atento, seguia a cada um.
Ficava imaginando mil coisas...
Uma coisa o aborrecia, o homem não soltava o balão preto.
Então aproximou-se do vendedor e lhe perguntou:
- Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?
O vendedor de balões sorriu compreensivamente para o menino, arrebentou a linha que prendia o balão preto e enquanto ele se elevava nos ares disse:
- Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.

Extraído do livro O ENIGMA DO ILUMINADO, de Anthony de Mello.

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sábado, 13 de agosto de 2005

Apenas para Relaxar!



FRASES PUBLICADAS EM ALGUNS JORNAIS, NOS ÚLTIMOS MESES, NO RIO DE JANEIRO

"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano."
(Na cova?) - Jornal do Brasil.

"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."
(O frio não estava filiado ao sindicato grevista) - O GLOBO

"Os sete artistas compõem um trio de talento." (Hã?) - EXTRA

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão." (uma nova modalidade de
estrangulamento) - O DIA

"Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável." (De modo
algum!) - O GLOBO

"No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos."
(naturalmente....) - O DIA

"Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva." (Jura?) - JORNAL DO
BRASIL

"Parece que ela foi morta pelo seu assassino." (Não diga!) - EXTRA

"O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas."
(Gente, até ontem era um triângulo! Vai ver que qualquer dia inventem o
CÍRCULO DAS BERMUDAS...) - EXTRA

"O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se
suicidou." (Seria a volta dos mortos-vivos?) - O DIA

"A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço." (Que aberração!)
- EXTRA

"Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a
satisfação dos habitantes."

(Água no além para purificar as almas...) JORNAL DO BRASIL

"O aumento do desemprego foi de 0% em novembro." (Onde vamos parar desse
jeito?)

"O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos." (Quanta
confusão!)

"Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um
incêndio." (Ah, bom! achei que fosse um churrasco!)

"Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel." (Viu
como ele é disciplinado?)

"O cadáver foi encontrado morto dentro do carro." (Sem Comentários)

"Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto." (acorda?)

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sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Como funciona o pensamento conceitual





O pensamento conceitual ou lógico opera de maneira diferente e mesmo oposta à do pensamento mítico. A primeira e fundamental diferença está no fato de que enquanto o pensamento mítico opera por bricolage (associação dos fragmentos heterogêneos), o pensamento conceitual opera por método (procedimento lógico para a articulação racional entre elementos homogêneos). Dessa diferença resultam outras:
• um conceito ou uma idéia não é uma imagem nem um símbolo, mas uma descrição e uma explicação da essência ou natureza própria de um ser, referindo-se a esse ser e somente a ele;

• um conceito ou uma idéia não são substitutos para as coisas, mas a compreensão intelectual delas;

• um conceito ou uma idéia não são formas de participação ou de relação de nosso espírito em outra realidade, mas são resultado de uma análise ou de uma síntese dos dados da realidade ou do próprio pensamento;

• um juízo e um raciocínio não permanecem no nível da experiência, nem organizam a experiência nela mesma, mas, partindo dela, a sistematizam em relações racionais que a tornam compreensível do ponto de vista lógico;

• um juízo e um raciocínio buscam as causas universais e necessárias pelas quais uma realidade é tal como é, distinguindo o modo como ela nos aparece do modo como é em si mesma; as causas e os efeitos são homogêneos, isto é, são de mesma natureza;

• um juízo e um raciocínio estudam e investigam a diferença entre nossas vivências subjetivas, pessoais e coletivas, e os conhecimentos gerais e objetivos, que são de todos e de ninguém em particular. Estabelecem a diferença entre vivências subjetivas e a estrutura objetiva do pensamento em geral;

• o pensamento lógico submete seus procedimentos a métodos, isto é, a regras de verificação e de generalização dos conhecimentos adquiridos; a regras de ordenamento e sistematização dos procedimentos e dos resultados, de modo que um conhecimento novo não pode simplesmente acrescentar-se aos anteriores (como no bricolage), mas só se junta a eles se obedecer a certas regras e princípios intelectuais. Assim, por exemplo, a teoria física elaborada por Aristóteles não pode ser acrescida pela de Galileu, pois são contrárias; do mesmo modo, a física de Galileu e de Newton não podem ser acrescentadas à teoria da relatividade, mas podem apenas ser consideradas um caso especial da física, quando os objetos são macroscópicos e quando a separação entre o observador e o observado são possíveis.


O pensamento lógico ou racional (ou o pensamento objetivo) opera de acordo com os princípios de identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente e causalidade; distingue verdades de fato e verdades de razão; diferencia intuição, dedução, indução e abdução; distingue análise e síntese; diferencia reflexão e verificação, teoria e prática, ciência e técnica.

Se compararmos a explicação cosmogônica e a cosmológica da realidade, tais como foram elaboradas na Grécia, perceberemos melhor a diferença entre as duas modalidades de pensamento.

O pensamento cosmogônico narrava a origem da Natureza através de genealogias divinas: as forças e os seres naturais estavam personalizados e simbolizados pelos deuses, titãs e heróis, cujas relações sexuais davam origem às coisas, aos homens, às estações do ano, ao dia e à noite, às colheitas, à sociedade. Suas paixões não correspondidas se exprimiam por raios, trovões, tempestades, tufões, desertos. Seus amores e desejos realizados manifestavam-se na abundância da primavera, das colheitas, da procriação dos animais.

O pensamento cosmológico explicava a origem da Natureza pela existência de um ou alguns elementos naturais (terra-seco, água-úmido, ar-frio, fogo-quente), que, por sua força interna natural, se transformavam, dando origem a todas as coisas e aos homens. Os primeiros filósofos consideravam os elementos originários como forças divinas, mas já não eram personalizadas, nem sua ação explicada por desejos, paixões e furores.

Aristóteles sistematizou lógica e racionalmente as cosmologias ou teorias sobre a Natureza numa física, isto é, numa teoria ou ciência sobre a matéria e a forma dos seres naturais e sobre as causas de seus movimentos.

Para os gregos, como vimos, movimento (kinesis) significa:
• toda mudança qualitativa de um ser qualquer (por exemplo, uma semente que se torna árvore, um objeto branco que amarelece, um animal que adoece, algo quente que esfria, algo frio que esquenta, o duro que amolece, o mole que endurece, etc.);
• toda mudança ou alteração quantitativa (por exemplo, um corpo que aumente e diminua, que se divida em outros menores, que encompride ou encurte, alargue ou estreite, etc.);
• toda mudança de lugar ou locomoção (subir, descer, cair, a trajetória de uma flecha, o deslocamento de um barco, a queda de uma pedra, o levitar de uma pluma, etc.);
• toda geração ou nascimento e toda corrupção ou morte dos seres.


Esses movimentos, diz Aristóteles, possuem causas, pois tudo o que existe possui causa, e o conhecimento verdadeiro é o conhecimento das causas. São quatro as causas dos movimentos:
1. causa material, isto é, a matéria de que alguma coisa é feita (madeira, pedra, metal, líquido);
2. causa formal, isto é, a forma que alguma coisa possui e que a individualiza e a diferencia das outras (a mesa é causa formal da madeira, a estátua é causa formal da pedra, a taça é causa formal do metal, o vinho é causa formal do líquido);
3. causa motriz ou eficiente, isto é, aquilo que faz uma matéria receber uma forma determinada (no caso dos objetos artificiais ou artefatos, a causa eficiente é o artesão - o carpinteiro que faz a mesa, o escultor que faz a estátua, o ferreiro que faz a taça, o vinicultor que faz o vinho; no caso dos seres naturais, a causa eficiente também é uma coisa natural - por exemplo, o calor derrete o metal, o Sol esquenta um corpo e lhe dá outra consistência ou forma, etc.);
4. causa final, isto é, o motivo ou finalidade para a qual a coisa existe, se transforma e se realiza (a mesa existe para que possamos usá-la para refeições, escrever, depositar objetos, etc.; a estátua, para o culto de um deus; a taça, para colocarmos bebidas; o vinho, para bebermos).


Com a física aristotélica vemos a Natureza tornar-se inteligível ao pensamento, que pode explicá-la, descrevê-la, compreendê-la e interpretá-la conceitualmente.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Como o mito funciona





O antropólogo Claude Lévi-Strauss estudou o "pensamento selvagem" para mostrar que os chamados selvagens não são atrasados nem primitivos, mas operam com o pensamento mítico.

O mito e o rito, escreve Lévi-Strauss, não são lendas nem fabulações, mas uma organização da realidade a partir da experiência sensível enquanto tal. Para explicar a composição de um mito, Lévi-Strauss se refere a uma atividade que existe em nossa sociedade e que, em francês, se chama bricolage.

Que faz um bricoleur, ou seja, quem pratica bricolage? Produz um objeto novo a partir de pedaços e fragmentos de outros objetos. Vai reunindo, sem um plano muito rígido, tudo o que encontra e que serve para o objeto que está compondo. O pensamento mítico faz exatamente a mesma coisa, isto é, vai reunindo as experiências, as narrativas, os relatos, até compor um mito geral. Com esses materiais heterogêneos produz a explicação sobre a origem e a forma das coisas, suas funções e suas finalidades, os poderes divinos sobre a Natureza e sobre os humanos. O mito possui, assim, três características principais:
1. função explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permaneceram no tempo. Por exemplo, uma constelação existe porque, no passado, crianças fugitivas e famintas morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as transformou em estrelas; as chuvas existem porque, nos tempos passados, uma deusa apaixonou-se por um humano e, não podendo unir-se a ele diretamente, uniu-se pela tristeza, fazendo suas lágrimas caírem sobre o mundo, etc.;
2. função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, de sexo, de idade, de poder, etc.) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões. Por exemplo, um mito como o de Édipo(2) existe (com narrativas diferentes) em quase todas as sociedades selvagens e tem a função de garantir a proibição do incesto, sem a qual o sistema sociopolítico, baseado nas leis de parentesco e de alianças, não pode ser mantido;
3. função compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para garantir-lhes que um erro passado foi corrigido no presente, de modo a oferecer uma visão estabilizada e regularizada da Natureza e da vida comunitária.

(2) Quando Édipo nasce, um vidente, Tirésias, prevê que o menino matará o pai e se casará com a mãe. Apavorado, o rei Laio - o pai - manda matar Édipo. O escravo que deveria matar o menino sente piedade e o lança num precipício sem verificar se está ou não morto; e entrega ao rei o coração de uma corça, como se fosse o de Édipo. A criança não morre e é recolhida por um pastor. Este, por sua vez, a entrega a um outro rei, que, idoso, lamentava não ter filhos. Ao crescer, Édipo suspeita que não é filho de seus pais adotivos e sai à procura dos pais verdadeiros. No caminho, vê uma batalha entre um grupo numeroso e um pequeno; coloca-se ao lado deste último e mata o chefe do outro grupo - seu pai, Laio. Chegando à sua cidade natal, fica sabendo que um monstro estava devorando as virgens e só interromperá a matança se alguém decifrar um enigma que propõe. Édipo decifra o enigma. Como recompensa, recebe a rainha em casamento. Casa-se com Jocasta, sem saber que se tratava de sua verdadeira mãe, e com ela tem filhos. A profecia se cumpre. A cidade será castigada com a peste e, ao tentar combatê-la, pedindo aos deuses que lhe digam o que a causou, Édipo fica sabendo, por Tirésias, que matou o pai e casou-se com a mãe. Fura os olhos e exila-se, enquanto Jocasta se suicida.
Por exemplo, entre os mitos gregos, encontra-se o da origem do fogo, que Prometeu roubou do Olimpo para entregar aos mortais e permitir-lhes o desenvolvimento das técnicas. Numa das versões desse mito, narra-se que Prometeu disse aos homens que se protegessem da cólera de Zeus realizando o sacrifício de um boi, mas que se mostrassem mais astutos do que esse deus, comendo as carnes e enviando-lhe as tripas e gorduras. Zeus descobriu a artimanha e os homens seriam punidos com a perda do fogo se Prometeu não lhes ensinasse uma nova artimanha: colocar perfumes e incenso nas partes dedicadas ao deus.

Com esse mito, narra-se o modo como os humanos se apropriaram de algo divino (o fogo) e criaram um ritual (o sacrifício de um animal com perfumes e incenso) para conservar o que haviam roubado dos deuses.

Como opera o pensamento mítico?

Antes de tudo, pela reunião de heterogêneos. O mito reúne, junta, relaciona e faz elementos diferentes e heterogêneos agirem uns sobre os outros. Por exemplo, corpos de crianças são estrelas, lágrimas de uma deusa são chuva, o dia é o carro do deus Apolo, a noite é o manto de uma deusa, o tempo é um deus (na mitologia grega, Cronos), etc.

Em segundo lugar, o mito organiza a realidade, dando às coisas, aos fatos, às instituições um sentido analógico e metafórico, isto é, uma coisa vale por outra, substitui outra, representa outra. No mito de Édipo, por exemplo, os pés e o modo de andar têm um significado analógico, metafórico e simbólico muito preciso. Labdáco, avô de Édipo, quer dizer coxo; Laio, pai de Édipo, quer dizer pé torto; Édipo quer dizer pé inchado.

Essa referência aos pés e ao modo de andar é uma referência da relação dos humanos com o solo e, portanto, com a terra, e simboliza ou metaforiza uma questão muito grave: os humanos nasceram da terra ou da união de um homem e de uma mulher? Se da terra, deveriam ser imortais. No entanto, morrem. Para exprimir a angústia de serem mortais e que os humanos, portanto, nasceram de um homem e de uma mulher e não da terra, o mito simboliza a mortalidade através da dificuldade para se relacionar com a terra, isto é, para andar (coxo, torto, inchado). Para exprimir a dificuldade de aceitar uma origem humana mortal, o mito simboliza a fragilidade das leis humanas fazendo Laio mandar matar seu filho Édipo, Édipo assassinar seu pai Laio e casar-se com sua mãe, Jocasta.

Em terceiro lugar, o mito estabelece relações entre os seres naturais e humanos, seja fazendo humanos nascerem, por exemplo, de animais, seja fazendo os astros decidirem a sorte e o destino dos humanos (como na astrologia), seja fazendo cores, metais e pedras definirem a natureza de um humano (como a magia, por exemplo).

Coisas e humanos se relacionam por participação, simpatia, antipatia, por formas secretas de ação à distância. O mundo é um tecido de laços e vínculos secretos que precisam ser decifrados e sobre os quais os homens podem adquirir algum poder por meio da imitação (vestir peles de animais, fabricar talismãs, ficar em certas posições, plantar fazendo certos gestos, pronunciar determinadas palavras). O mito decifra o secreto. O rito imita o poder.

Analogias e metáforas formam símbolos, isto é, imagens carregadas e saturadas de sentidos múltiplos e simultâneos, servindo para explicar coisas diferentes ou para substituir uma coisa por outra. Assim, por exemplo, o fogo pode simbolizar um deus, uma paixão, como o amor e a cólera (porque são ardentes), o conhecimento (porque este é uma iluminação), a purificação de alguma coisa (como na alquimia), o poder sobre a Natureza (porque permite o desenvolvimento das técnicas), a diferença entre os animais e os homens (porque estes cozem os alimentos enquanto aqueles os comem crus), etc.

A peculiaridade do símbolo mítico está no fato de ele encarnar aquilo que ele simboliza. Ou seja, o fogo não representa alguma coisa, mas é a própria coisa simbolizada: é deus, é amor, é guerra, é conhecimento, é pureza, é fabricação e purificação, é o humano.

O fato de o símbolo mítico não representar, mas encarnar aquilo que é significado por ele, leva a dizer (como faz Lévi-Strauss) que o pensamento mítico é um pensamento sensível e concreto, um pensamento onde imagens são coisas e onde coisas são idéias, onde as palavras dão existência ou morte às coisas (como vimos ao estudar a palavra mágica e a palavra-tabu).

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quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Pensamento mítico e pensamento lógico





No Post anterior, vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. Vimos também, tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência, que falar e pensar são inseparáveis. Por isso mesmo, podemos referir-nos a duas modalidades do pensamento, conforme predomine o mythos ou o logos.

A tradição filosófica, sobretudo a partir do século XVIII (com a filosofia da Ilustração) e do século XIX (com a filosofia da história de Hegel e o positivismo de Comte), afirmava que do mito à lógica havia uma evolução do espírito humano, isto é, o mito era uma fase ou etapa do espírito humano e da civilização que antecedia o advento da lógica ou do pensamento lógico, considerado a etapa posterior e evoluída do pensamento e da civilização. Essa tradição filosófica fez crer que o mito pertenceria a culturas "inferiores", "primitivas" ou "atrasadas", enquanto o pensamento lógico ou racional pertenceria a culturas "superiores", "civilizadas" e "adiantadas".

Essa separação temporal e evolutiva de duas modalidades de pensamento fazia com que se julgasse a presença, em nossas sociedades, de explicações míticas (isto é, as religiões, a literatura, as artes) como uma espécie de "resíduo" ou "resto" de uma fase passada da evolução da humanidade, destinada a desaparecer com a plena evolução da racionalidade científica e filosófica.

Hoje, porém, sabe-se que a concepção evolutiva está equivocada. O pensamento mítico pertence ao campo do pensamento simbólico e da linguagem simbólica, que coexistem com o campo do pensamento e da linguagem conceituais. Duas linhas de estudos mostraram essa coexistência, embora essas duas modalidades de pensamento e de linguagem sejam não só diferentes, mas também, freqüentemente, contrárias e opostas.

A primeira linha vem da antropologia social, que estuda os mitos das sociedades ditas selvagens e também as mitologias de nossas sociedades, ditas civilizadas. Os antropólogos mostraram que, no caso de nossas sociedades, a presença simultânea do conceitual e do mítico decorre do modo como a imaginação social transforma em mito aquilo que o pensamento conceitual elabora nas ciências e na Filosofia. Basta ver o caráter mágico-maravilhoso dado aos satélites e computadores para vermos a passagem da ciência ao mito.

A segunda linha vem da neurologia e da análise da anatomia e da fisiologia do cérebro humano, mostrando que esse órgão possui duas partes ou dois hemisférios, num deles localizando-se a linguagem e o pensamento simbólicos e noutro, a linguagem e o pensamento conceituais. Certas pessoas, como os artistas, desenvolvem mais o hemisfério simbólico, enquanto outras, como os cientistas, desenvolvem mais o hemisfério conceitual e lógico.

Assim, a predominância de uma ou outra forma do pensamento depende, por um lado, das tendências pessoais e da história da vida dos indivíduos e, de outro lado, do modo como uma sociedade ou uma cultura recorrem mais a uma do que à outra forma para interpretar a realidade, intervir no mundo e explicar-se a si mesma.

Numa passagem célebre de uma de suas obras, Marx dizia que o mito de Zeus (portador de raios, trovões e tempestades) não mais poderia funcionar numa sociedade que inventou o pára-raios, isto é, descobriu cientificamente a eletricidade. Mas o próprio Marx mostrou como tal sociedade cria novos mitos, adaptados à era da máquina e da tecnologia.

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terça-feira, 9 de agosto de 2005

Windows Vista Help: Set up a dual-boot system

Informática

Windows Vista Help: Set up a dual-boot system

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segunda-feira, 8 de agosto de 2005


A necessidade do método


A palavra método vem do grego, methodos, composta de meta: através de, por meio de, e de hodos: via, caminho. Usar um método é seguir regular e ordenadamente um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado. No caso do conhecimento, é o caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais, com três finalidades:

1. conduzir à descoberta de uma verdade até então desconhecida;

2. permitir a demonstração e a prova de uma verdade já conhecida;

3. permitir a verificação de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros.

O método é, portanto, um instrumento racional para adquirir, demonstrar ou verificar conhecimentos.

Por que se sente a necessidade de um método? Porque, como vimos, o erro, a ilusão, o falso, a mentira rondam o conhecimento, interferem na experiência e no pensamento. Para dar segurança ao conhecimento, o pensamento cria regras e procedimentos que permitam ao sujeito cognoscente aferir e controlar todos os passos que realiza no conhecimento de algum objeto ou conjunto de objetos.

A Filosofia conheceu diferentes concepções de método.

Platão, por exemplo, considerava que o melhor caminho para o conhecimento verdadeiro era o que permitia ao pensamento libertar-se do conhecimento sensível (crenças, opiniões), isto é, das imagens e aparências das coisas. Atribuía esse papel liberador à discussão racional, sob a forma do diálogo.

No diálogo, os interlocutores, guiados pelas perguntas do filósofo (no caso, Sócrates), examinam e discutem opiniões que cada um deles possui sobre alguma coisa; descobrem que suas opiniões são contraditórias e não levam a conhecimento algum. Aceitam abandoná-las e conseguem, pouco a pouco, chegar à idéia universal ou à essência da coisa procurada. Por se tratar de um confronto entre imagens e opiniões contrárias ou contraditórias, esse método ou caminho era chamado por Platão de dialética (discussão de teses contrárias e em conflito ou oposição).

Aristóteles, no entanto, considerou a dialética inadequada ao pensamento, pois, dizia ele, tal procedimento lida com meras opiniões prováveis, não oferecendo qualquer garantia de que tenhamos superado o conflito de opiniões e alcançado a essência verdadeira da coisa investigada. Por esse motivo, definiu o procedimento filosófico-científico como um método demonstrativo que se realiza por meio de silogismos. O silogismo é um conjunto de três juízos ou proposições que permite obter uma conclusão verdadeira. Trata-se de um método dedutivo no qual, de duas premissas, deduz-se uma conclusão. Por exemplo:
Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.


Aristóteles considerava, porém, que os objetos que são conhecidos por experiência, e não só pelo puro pensamento, deveriam seguir um método indutivo, no qual o silogismo seria o resultado final conseguido pelo conhecimento.

Durante a modernidade (isto é, a partir do século XVII), a necessidade de um método tornou-se ainda mais imperiosa do que antes, pois, como vimos, o sujeito do conhecimento não sabe se pode alcançar a verdade.

O sujeito do conhecimento descobre-se como uma consciência que parece não poder contar com o auxílio do mundo para guiá-lo, desconfia dos conhecimentos sensíveis e dos conhecimentos herdados. Está só. Conta apenas com seu próprio pensamento. Separado do mundo, isolado com suas percepções, opiniões, idéias, sua solidão torna indispensável um método que possa guiar o pensamento em direção aos conhecimentos verdadeiros e distingui-los dos falsos. Eis porque Descartes escreve o Discurso do método e as Regras para a direção do espírito. Sobre o método, diz ele, na regra IV das Regras:
Por método, entendo regras certas e fáceis, graças às quais todos os que as observem exatamente jamais tomarão como verdadeiro aquilo que é falso e chegarão, sem se cansar com esforços inúteis e aumentando progressivamente sua ciência, ao conhecimento verdadeiro de tudo o que lhes é possível esperar.


Descartes enuncia, portanto, as três principais características das regras do método:

1. certas (o método dá segurança ao pensamento);

2. fáceis (o método economiza esforços inúteis); e

3. que permitam alcançar todos os conhecimentos possíveis para o entendimento humano.


Por sua vez, Francis Bacon definiu o método como o modo seguro e certo de "aplicar a razão à experiência", isto é, de aplicar o pensamento lógico aos dados oferecidos pelo conhecimento sensível.

O método, nas várias formulações que recebeu no correr da história da Filosofia e das ciências, sempre teve o papel de um regulador do pensamento, isto é, de aferidor e avaliador das idéias e teorias: guia o trabalho intelectual (produção das idéias, dos experimentos, das teorias) e avalia os resultados obtidos.

Desde Aristóteles, a Filosofia considera que, ao lado de um método geral que todo e qualquer conhecimento deve seguir, tanto para a aquisição quanto para a demonstração e verificação de verdades, outros métodos particulares são necessários, pois os objetos a serem conhecidos também exigem métodos que estejam em conformidade com eles e, assim, haverá diferentes métodos conforme a especificidade do objeto a ser conhecido. Dessa maneira, são diferentes entre si os métodos da geometria e da física, da biologia e da sociologia, da história e da química, e assim por diante.

É interessante notar, todavia, que, em certos períodos da história da Filosofia e das ciências, chegou-se a pensar num método único que ofereceria os mesmos princípios e as mesmas regras para todos os campos do conhecimento. Assim, por exemplo, Galileu julgou que o método matemático deveria ser usado em todos os conhecimentos da Natureza, pois, dizia ele, "A Natureza é um livro escrito em caracteres matemáticos".

Descartes, indo mais longe que Galileu, julgou que um só e mesmo método deveria ser empregado pela Filosofia e por todas as ciências, uma mathesis universalis, ou o conhecimento da ordem necessárias das idéias, válida para todos os objetos de conhecimento. Conhecer seria ordenar e encadear em nexos contínuos as idéias referentes a um objeto e tal procedimento deveria ser o mesmo em todos os conhecimentos porque esse é o modo próprio do pensamento, seja qual for o objeto a ser conhecido.

Os filósofos e cientistas do final do século XIX também afirmavam que um método único deveria ser seguido. Entusiasmados com os desenvolvimentos da física, julgaram que todos os campos do saber deveriam empregar o método usado pela "ciência da Natureza", mesmo quando o objeto fosse o homem. Agora, não era tanto a idéia de ordenamento interno das idéias que levava à defesa de um único método de conhecimento, mas a idéia da causalidade ou de explicação causal de todos os fatos, fossem eles naturais ou humanos.

Hoje, porém, sobretudo com a fenomenologia de Husserl e com a corrente do pensamento conhecida como estruturalismo, considera-se que cada campo do conhecimento deva ter seu método próprio, determinado pela natureza do objeto, pela forma como o sujeito do conhecimento pode aproximar-se desse objeto e pelo conceito de verdade que cada esfera do conhecimento define para si própria.

Assim, por exemplo, considera-se o método matemático, isto é, dedutivo, próprio para objetos que existem apenas idealmente e que são construídos inteiramente pelo nosso pensamento; ao contrário, o método experimental, isto é, indutivo, é próprio das ciências naturais, que observam seus objetos e realizam experimentos.

Já as ciências humanas têm métodos de compreensão e de interpretação do sentido das ações, das práticas, dos comportamentos, das instituições sociais e políticas, dos sentimentos, dos desejos, das transformações históricas, pois o homem, objeto dessas ciências, é um ser histórico-cultural que produz as instituições e o sentido delas. Tal sentido é o que precisa ser conhecido.

No caso das ciências exatas (as matemáticas), o método é chamado axiomático, isto é, baseia o conhecimento num conjunto de termos primitivos e de axiomas, que são o ponto de partida da construção e demonstração dos objetos.

No caso das ciências naturais (física, química, biologia, etc.), o método é chamado experimental e hipotético. Experimental, porque se baseia em observações e em experimentos, tanto para formular quanto para verificar as teorias. Hipotético, porque os cientistas partem de hipóteses sobre os objetos que guiam os experimentos e a avaliação dos resultados.

No caso das ciências humanas (psicologia, sociologia, antropologia, história, etc.), o método é chamado compreensivo-interpretativo, porque seu objeto são as significações ou os sentidos dos comportamentos, das práticas e das instituições realizadas ou produzidas pelos seres humanos.

Quanto à Filosofia, embora os filósofos tenham oscilado entre vários métodos possíveis, atualmente quatro traços são comuns aos diferentes métodos filosóficos:

1. o método é reflexivo - parte da auto-análise ou do autoconhecimento do pensamento;

2. é crítico - investiga os fundamentos e as condições necessárias da possibilidade do conhecimento verdadeiro, da ação ética, da criação artística e da atividade política;

3. é descritivo - descreve as estruturas internas ou essências de cada campo de objetos do conhecimento e das formas de ação humana;

4. é interpretativo - busca as formas da linguagem e as significações ou os sentidos dos objetos, dos fatos, das práticas e das instituições, suas origens e transformações.

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domingo, 7 de agosto de 2005

Inteligência e pensamento





A inteligência colhe, recolhe e reúne os dados oferecidos pela percepção, pela imaginação, pela memória e pela linguagem, formando redes de significações com as quais organizamos e ordenamos nosso mundo e nossa vida, recebendo e doando sentido a eles. O pensamento, porém, vai além do trabalho da inteligência: abstrai (ou seja, separa) os dados das condições imediatas de nossa experiência e os elabora sob a forma de conceitos, idéias e juízos, estabelecendo articulações internas e necessárias entre eles pelo raciocínio (indução e dedução), pela análise e pela síntese. Formula teorias, procura prová-las e verificá-las, pois está voltado para a verdade do conhecimento.

Um conceito ou uma idéia é uma rede de significações que nos oferece: o sentido interno e essencial daquilo a que se refere; os nexos causais ou as relações necessárias entre seus elementos, de sorte que por eles conhecemos a origem, os princípios, as conseqüências, as causas e os efeitos daquilo a que se refere. O conceito ou idéia nos oferece a essência-significação necessária de alguma coisa, sua origem ou causa, suas conseqüências ou seus efeitos, seu modo de ser e de agir.

Assim, por exemplo, vejo rosas, margaridas, girassóis. Mas concebo pelo pensamento o conceito ou a idéia universal de flor. Sinto corpos quentes, mornos, frios, gelados, sinto o frio da neve, o calor do Sol, a tepidez agradável da água do mar ou da piscina. Mas concebo pelo pensamento o conceito ou idéia de temperatura. Vejo uma bola, no conjunto musical toco um triângulo, escrevo sobre uma mesa cujo tampo tem quatro lados iguais. Mas pelo pensamento concebo o conceito ou a idéia de esfera ou círculo, de triângulo, de quadrado. Vou além: pelo puro pensamento, formulo o conceito de figura geométrica e das leis que a regem, elaborando axiomas, postulados e teoremas.

Os conceitos ou idéias são redes de significações cujos nexos um ligações são expressos pelo pensamento através dos juízos(1) , pelos quais estabelecemos os elos internos e necessários entre um ser e as qualidades, as propriedades, os atributos que lhe pertencem, assim como aqueles predicados que lhe são acidentais e que podem ser retirados sem que isso afete o sentido e a realidade de um ser.
(1)Como já vimos, o juízo relaciona positiva ou negativamente um sujeito S e um predicado ou conjunto de predicados P; S é P; S não é P. Também relaciona S e P necessariamente: "Sócrates é mortal"; acidentalmente: "Sócrates é pequeno"; possivelmente: "Sócrates poderá vir à praça", "Se não chover, Sócrates virá à praça", etc.
Um conjunto de juízos constitui uma teoria, quando:
• estabelece com clareza um campo de objetos e os procedimentos para conhecê-los e enunciá-los;
• organizam-se e ordenam-se os conceitos;
• articulam-se e demonstram-se os juízos, verificando seu acordo com regras e princípios de racionalidade e demonstração.

Teoria é explicação, descrição e interpretação geral das causas, formas, modalidades e relações de um campo de objetos, conhecidos graças a conhecimentos específicos, próprios à natureza dos objetos investigados.

O pensamento elabora teorias, ou seja, uma explicação ou interpretação intelectual de um conjunto de fenômenos e significações (objetos, fatos, situações, acontecimentos), que estabelece a natureza, o valor e a verdade de tais fenômenos. Por isso falamos em teoria da relatividade, teoria genética, teoria aristotélica, teoria psicanalítica, etc.

Uma teoria pode ou não nascer diretamente de uma prática e ter ou não uma aplicação prática direta, mas não é a prática que permite determinar a verdade ou falsidade teórica e sim critérios internos à própria teoria (seja sua correspondência com as coisas teorizadas, seja a coerência interna de seus argumentos, seus raciocínios, suas demonstrações e suas provas, seja, enfim, a consistência lógica de suas significações). A prática orienta o trabalho teórico, verifica suas conclusões, mas não determina sua verdade ou falsidade.

O pensamento propõe e elabora teorias e cria métodos.

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sábado, 6 de agosto de 2005

Canais de TV

A GAZETA S
A&E GIGASHOPPING SBT
AGRO CANAL GLOBO SAT SCI-FI CHANNEL
ANIMAL PLANET GLOBONEWS SESCTV
ANIMAX GNT SEX ZONE
AXN GOLF CHANNEL SEXY HOT
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BAND HBO SHOPTIME
BAND MG HBO+ SIC
BANDNEWS HBO FAMILY SONY
BANDSPORTS HBO FAMILY+ SPEED CHANNEL
BBC WORLD HBO PLUS SPORTV
BLOOMBERG HBO PLUS+ SPORTV2
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BOOMERANG HUSTLER TV TBC
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CANAL BRASIL J TELECINE CULT
CANAL DO BOI JETIX TELECINE LIGHT
CANAL RURAL M TELECINE PIPOCA
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CARTOON NETWORK MAXPRIME+ THE HISTORY CHANNEL
CBED I MGM TNT
CBED II MOSAICO TV ALTEROSA
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CINEMAX MTV HITS TV BRASIL CENTRAL
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CLIMATEMPO MUNDO MAIOR TV CULTURA
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DISCOVERY CHANNEL NICKLODEON TV ESPORTE INTERATIVO
DISCOVERY HEALTH P TV JUSTIÇA
DISCOVERY KIDS PASSO A PASSO TV PAULO FREIRE
DISCOVERY TRAVEL & LIVING PEOPLE&ARTS TV PONTOCOM
DISNEY CHANNEL PLAYBOY TV SECULO XXI
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E! PREMIERE COMBATE TV WIZARD
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sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Inteligência & Linguagem





Não somos dotados apenas de inteligência prática ou instrumental, mas também de inteligência teórica e abstrata. Pensamos.

O exercício da inteligência como pensamento é inseparável da linguagem, como já vimos, pois a linguagem é o que nos permite estabelecer relações, concebê-las e compreendê-las. Graças às significações escada e rede, a criança pode pensar nesses objetos e fabricá-los.

A linguagem articula percepções e memórias, percepções e imaginações, oferecendo ao pensamento um fluxo temporal que conserva e interliga as idéias.

O psicólogo Piaget, estudando a gênese da inteligência nas crianças, mostrou como a aquisição da linguagem e a do pensamento caminham juntas. Assim, por exemplo, uma criança de quatro anos ainda não é capaz de pensar relações reversíveis ou recíprocas porque não domina a linguagem desse tipo de relações. Se se perguntar a ela: "Você tem um irmão?", ela responderá: "Sim". Se continuarmos a perguntar: "Quem é o seu irmão?", ela responderá: "Pedrinho". No entanto, se lhe perguntarmos: "Pedrinho tem uma irmã?", ela dirá: "Não", pois a linguagem que ela possui permite-lhe estabelecer relações entre ela e o mundo, mas não entre o mundo e ela.

A inteligência humana, enquanto atividade mental e de linguagem, pode ser definida como a capacidade para enfrentar ou colocar diante de si problemas práticos e teóricos, para os quais encontra, elabora ou concebe soluções, seja pela criação de instrumentos práticos (as técnicas), seja pela criação de significações (idéias e conceitos). Caracteriza-se pela flexibilidade, plasticidade e inovação, bem como pela possibilidade de transformar a própria realidade (trabalho, artes, técnicas, ações políticas, etc.). A inteligência se realiza, portanto, como conhecimento e ação.

O conhecimento inteligente apreende o sentido das palavras, interpreta-o, inventa novos sentidos para palavras antigas ou cria novas palavras para novos sentidos. O movimento de conhecer é, pois, um movimento cujo corpo é a linguagem. Graças a ela, compartilhamos com outros os nossos conhecimentos e recebemos de outros os conhecimentos.

Comunicação, informação, memória cultural, transmissão, inovação e ruptura: eis o que a linguagem permite à inteligência. Clarificação, organização, ordenamento, análise, interpretação, compreensão, síntese, articulação: eis o que a inteligência oferece à linguagem.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Áudio

DIA ÁUDIO


1 ANOS 60


2 ANOS 70


3 ANOS 80


4 BALADAS


5 BANDNEWS FM


6 BLUES


7 BOSSA NOVA


8 CBN


9 GLOBO AM


10 GLOBO FM


11 GUARANI FM


12 JAZZ CLÁSSICO


13 JAZZ CONTEMPORANEO


14 JOVEM


15 JOVEM PAN AM


16 JUSTIÇA FM


17 MPB


18 MUSICA CLASSICA


19 MUSICA ORQUESTRADA


20 POP ROCK


21 RADIO BOA NOVA


22 RADIO BRASIL CENTRAL


23 RADIO CAMARA


24 RÁDIO CLUBE DO PARÁ


25 RÁDIO GAUCHA


26 RÁDIO INCONFIDÊNCIA


27 RADIO ITATIAIA


28 RADIO VERDES MARES


29 ROCK CLÁSSICO


30 STANDARTS


31 SUCESSO


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quarta-feira, 3 de agosto de 2005

A inteligência





A psicologia costuma definir a inteligência por sua função, considerando-a uma atividade de adaptação ao ambiente, através do estabelecimento de relações entre meios e fins para a solução de um problema ou de uma dificuldade. Essa definição concebe, portanto, a inteligência como uma atividade eminentemente prática e a distingue de duas outras que também possuem finalidade adaptativa e relacionam meios e fins: o instinto e o hábito.

Compartilhamos o instinto e o hábito com os animais. O instinto, por exemplo, nos leva automaticamente a contrair a pupila quando nossos olhos estão muito expostos à luz e a dilatá-la quando estamos na escuridão; leva-nos a afastar rapidamente a mão de uma superfície muito quente que possa queimar-nos. O instinto é inato. Ao contrário, o hábito é adquirido, mas, como o instinto, tende a realizar-se automaticamente. Por exemplo, quem adquire o hábito de dirigir um veículo, muda as marchas, pisa na embreagem, no acelerador ou no freio sem precisar pensar nessas operações; quem aprende a patinar ou a nadar, realiza maquinalmente os gestos necessários, depois de adquiri-los.

Instinto e hábito são formas de comportamento cuja principal característica é serem especializados ou específicos: a abelha sabe fazer a colméia, mas é incapaz de fazer o ninho; o joão-de-barro constrói uma "casa", mas é incapaz de fazer uma colméia; posso aprender a nadar, mas esse hábito não me faz saber andar de bicicleta.

O instinto e o hábito especializam as funções, os meios e os fins e não possuem flexibilidade para mudá-los ou para adaptar um novo meio para um novo fim, nem para usar meios novos para um fim já existente. A tendência do instinto ou do hábito é a repetição e o automatismo das respostas aos problemas.

A inteligência difere do instinto e do hábito por sua flexibilidade, pela capacidade de encontrar novos meios para um novo fim, ou de adaptar meios existentes para uma finalidade nova, pela possibilidade de enfrentar de maneira diferente situações novas e inventar novas soluções para elas, pela capacidade de escolher entre vários meios possíveis e entre vários fins possíveis. Nesse nível prático, a inteligência é capaz de criar instrumentos, isto é, de dar uma função nova e um sentido novo a coisas já existentes, para que sirvam de meios a novos fins.

Compartilhamos a inteligência prática com alguns animais, especialmente com os chimpanzés. O psicólogo Köhler fez experiências com alguns desses animais e demonstrou que eram capazes de comportamentos inteligentes:

* colocado um chimpanzé numa pequena sala, põe-se a seu lado um certo número de caixotes e prende-se uma banana no teto. Após saltos instintivos (infrutíferos) para a agarrar a banana, o chimpanzé consegue empilhar os caixotes, subir neles e agarrar o alimento;

* colocado um chimpanzé numa pequena sala, nas mesmas circunstâncias anteriores, mas oferecendo bambus em vez de caixotes, o chimpanzé termina por encaixar os bambus uns nos outros, formando um instrumento para apanhar a banana.


Os gestaltistas explicam o comportamento do chimpanzé mostrando que ele se comporta percebendo um campo perceptivo no qual a banana, os caixotes e os bambus formam uma totalidade e se relacionam enquanto partes de um todo, de modo que os caixotes e os bambus são percebidos como parte da paisagem e como meios para um fim (agarrar a banana).
O fato de que o chimpanzé percebe um campo perceptivo, e não objetos isolados, é demonstrado quando, no lugar dos bambus, são colocados arames, que o animal enganchará uns nos outros para colher a fruta; ou quando, no lugar dos caixotes, são colocadas mesinhas de tamanhos diferentes, que podem ser empilhadas pelo animal para agarrar a banana.

No entanto, observa-se algo interessante. Depois de comer a banana, o chimpanzé nada faz com os caixotes, os bambus, os arames ou as mesas. Ficam à sua volta como objetos sem sentido. Ao contrário, uma criança nas mesmas circunstâncias, depois de conseguir apanhar um doce, por exemplo, examinará os objetos. Se descobrir que são desmontáveis, ela tentará fazer, com os caixotes e as mesas, uma escada, e com os bambus e os arames, uma rede.

Essa diferença nos comportamentos do chimpanzé e da criança revela que esta última ultrapassa a situação imediata de fome e de uso direto dos objetos e prevê uma situação futura para a qual encontra uma solução, transformando os objetos em instrumentos propriamente ditos.

A criança antecipa uma situação e transforma os dados de uma situação presente, fabricando meios para certos fins que ainda estão ausentes. Ela se lembra da situação passada, espera a situação futura, organiza a situação presente a partir dos dados lembrados, esperados e percebidos, imagina uma situação nova e responde a ela, mesmo que ainda esteja ausente.

A criança se relaciona com o tempo e transforma seu espaço por essa relação temporal. A criança representa seu mundo e atua praticamente sobre ele. Sua inteligência difere, portanto, da do animal.

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