terça-feira, 31 de maio de 2005

Vídeo do Dia

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segunda-feira, 30 de maio de 2005

MANGA

Nome científico:
Mangifera indica.

Ocorrência:
As principais áreas de produção são a região Nordeste e os Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

Safra:
Sua colheita concentra-se no período de dezembro a fevereiro.

História:
De origem asiática, a manga já era consumida pelos hindus há pelo menos 4.000 anos, que a chamavam pelo nome de “amra”. Foi levada ao ocidente pelo navegador Vasco da Gama, em 1498. A manga chegou ao Brasil no início do século XVI, pelas mãos de exploradores portugueses que a introduziram inicialmente na capitania de Pernambuco e a partir daí para toda a colônia.Do Brasil a manga foi disseminada por todo o continente americano. Nos Estados Unidos a fruta recebeu melhoramento genético, ganhando mais variedades e salientando características como tamanho, cor, aroma e sabor.

Curiosidades:
O Brasil é quinto maior produtor mundial da fruta.
Na Índia encontram-se mais de 1000 variedades de mangas.
Na culinária é bastante apreciada como acompanhamento e ingrediente de pratos exóticos.
A manga atua no funcionamento intestinal, combate bronquites e tem função expectorante.

Contém:
Vitamina A
Vitaminas do complexo B (B1, B2 e B3)
Vitamina C
Cálcio
Ferro
Fósforo
Potássio

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domingo, 29 de maio de 2005

Oswaldo Cruz

"O senhor fez o mesmo que Hércules. Matou a hidra. É um benfeitor da humanidade." Com essas palavras o escritor francês Anatole France, durante visita ao Rio de Janeiro em 1906, saudou Osvaldo Cruz, aludindo ao fato de ter o sanitarista brasileiro conseguido erradicar as febres amarela e bubônica e a varíola na então capital federal.
Fundador da medicina experimental no Brasil, Osvaldo Gonçalves Cruz nasceu em São Luís do Paraitinga SP em 5 de agosto de 1872. Com apenas 14 anos de idade ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde doutorou-se em 1892, defendendo a tese Da veiculação microbiana pelas águas. Clinicou no Rio de Janeiro até os primeiros meses de 1896, quando viajou para a França, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos, sobretudo de bacteriologia. Em Paris, trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyon, no Laboratório de Toxicologia e no Instituto Pasteur, dirigido por Émile Roux.
Depois de um estágio na Alemanha, regressou ao Brasil em 1899. Em outubro do mesmo ano esteve em Santos SP, para estudar a epidemia de peste bubônica que surgiu naquela cidade e sobre a qual escreveu um relatório detalhado. Em 1900 foi um dos criadores do Instituto Soroterápico de Manguinhos, destinado sobretudo à pesquisa e desenvolvimento de vacinas e cuja direção assumiu em 1902. A instituição firmou-se como centro técnico e experimental de grande renome -- seu diretor conseguiu reunir em torno de si uma excelente equipe de jovens pesquisadores -- e em 1908 passou a se chamar Instituto Osvaldo Cruz, nome que conserva até hoje.
Em 1903 Osvaldo Cruz assumiu o cargo de diretor-geral de Saúde Pública, com a difícil tarefa de erradicar a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, que irrompera no ano anterior. Iniciou rigoroso programa de combate à moléstia, com o isolamento dos doentes, vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos de mosquito. A campanha sofreu cerrada oposição de parte dos positivistas, de políticos e de vários jornais cariocas, Correio da Manhã à frente. Todos os dias os jornais publicavam editoriais que atacavam Osvaldo Cruz e ridicularizavam em caricaturas a figura do sanitarista com sua brigada de "mata-mosquitos".
Em 14 de novembro de 1904, finalmente eclodiu uma rebelião da Escola Militar com repercussão popular. O movimento, denominado "quebra-lampião", quase depôs o governo de Rodrigues Alves. A revolta foi subjugada pelo comandante da guarnição federal, general Hermes da Fonseca, futuro presidente da república. Osvaldo Cruz não cedeu em nenhum momento e, graças às medidas que tomou, registraram-se apenas 39 casos de febre amarela no Rio de Janeiro em 1906; quatro casos em 1907; e nenhum caso em 1908. As medidas profiláticas acabaram também com as epidemias de peste bubônica e varíola.
Osvaldo Cruz procedeu ainda a uma profunda reforma no código sanitário e ao mesmo tempo remodelou todos os órgãos de saúde, com grandes benefícios para a higiene e a economia do país: na época das epidemias os navios evitavam aportar no Rio de Janeiro. Em 1907, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, realizado em Berlim, expôs vasto material mostrando as atividades do Instituto de Manguinhos e da Saúde Pública, tendo o júri da exposição conferido a medalha de ouro ao Brasil, entre 123 expositores.
Em 19 de agosto de 1909, Osvaldo Cruz deixou a direção da Saúde Pública, por motivo de doença: já se manifestavam os sintomas de hiperazotemia (excesso de uréia no sangue), enfermidade que o mataria menos de dez anos depois. Mas não se resignou ao ócio: no ano seguinte aceitou convite da empresa que construía a estrada de ferro Madeira-Mamoré na região amazônica e fez um estudo do saneamento da região, onde passou um mês. Graças à adoção de seu esquema, a construção da ferrovia pôde prosseguir até a inauguração, em 1o de agosto de 1912. O resultado dessa viagem está contido no trabalho Madeira-Mamoré Railway Company: considerações gerais sobre as condições sanitárias do rio Madeira.
Mais tarde elaborou um plano de saneamento do vale do Amazonas, dando execução a um compromisso que assumira com o Ministério da Agricultura. Saneou a cidade de Belém, de acordo com contrato firmado com o governo do Pará. Posteriormente representou o Brasil em congressos sanitários realizados em Dresden, Alemanha, na Cidade do México e em Montevidéu.
A eleição de Osvaldo Cruz para a Academia Brasileira de Letras, em 1912, enfrentando a candidatura do poeta Emílio de Meneses, provocou grande polêmica naquela casa. Alguns achavam que, devido a sua denominação, a academia somente devia abrigar literatos. Venceu a tese de que vultos consagrados, de qualquer arte ou ciência, podiam ter um lugar na instituição. Em 1913 Osvaldo Cruz passou a ocupar a cadeira deixada vaga pelo poeta Raimundo Correia. De sua bibliografia constam cerca de cinqüenta títulos, entre memórias, teses, pesquisas médicas e relatórios científicos, além do discurso de posse na academia, em que fez o elogio de Raimundo Correia. Seus trabalhos são escritos em estilo simples, límpido e direto, a que não falta um certo encanto artístico.
Em 1916, já muito doente, Osvaldo Cruz foi nomeado prefeito de Petrópolis RJ. Assumiu o cargo em 18 de agosto, mas renunciou em janeiro do ano seguinte e morreu naquela cidade em 11 de fevereiro de 1917.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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sábado, 28 de maio de 2005

O QUE É O SUS?

O Sistema Único de Saúde - SUS - foi criado pela pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis n.º 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº 8.142/90, com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto.
Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros (bancos de sangue), além de fundações e institutos de pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil. Através do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, internações e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS, sejam públicas (da esfera municipal, estadual e federal), ou privadas, contratadas pelo gestor público de saúde.
O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal.
O Sistema Único de Saúde tem como meta tornar-se um importante mecanismo de promoção da eqüidade no atendimento das necessidades de saúde da população, ofertando serviços com qualidade adequados às necessidades, independente do poder aquisitivo do cidadão. O SUS se propõe a promover a saúde, priorizando as ações preventivas, democratizando as informações relevantes para que a população conheça seus direitos e os riscos à sua saúde. O controle da ocorrência de doenças, seu aumento e propagação (Vigilância Epidemiológica) são algumas das responsabilidades de atenção do SUS, assim como o controle da qualidade de remédios, de exames, de alimentos, higiene e adequação de instalações que atendem ao público, onde atua a Vigilância Sanitária.
O setor privado participa do SUS de forma complementar, por meio de contratos e convênios de prestação de serviço ao Estado – quando as unidades públicas de assistência à saúde não são suficientes para garantir o atendimento a toda a população de uma determinada região.

CONTROLE SOCIAL NO SUS

A Lei Nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, estabelece duas formas de participação da população na gestão do Sistema Único de Saúde: as Conferências e os Conselhos de Saúde onde a comunidade, através de seus representantes, pode opinar, definir, acompanhar a execução e fiscalizar as ações de saúde nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal.
Como Funcionam as Conferências e os Conselhos de Saúde
Nas Conferências, reúnem-se os representantes da sociedade (que são os usuários do SUS), do governo, dos profissionais de saúde, dos prestadores de serviços, parlamentares e outros para “avaliar a situação da saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde” nos municípios, nos estados e no país.
Foi o relatório final da 8ª Conferência Nacional de Saúde de 1986 que serviu de base para a elaboração do capítulo sobre saúde da nossa Constituição Federal de 1988, quando foi criado o Sistema Único de Saúde.
De quatro em quatro anos deve acontecer a Conferência Nacional de Saúde, após a realização das Conferências estaduais e municipais, onde são apontados os rumos para aperfeiçoamento do SUS.
Os Conselhos de Saúde são os órgãos de controle do SUS pela sociedade nos níveis municipal, estadual e federal. Eles foram criados para permitir que a população possa interferir na gestão da saúde, defendendo os interesses da coletividade para que estes sejam atendidos pelas ações governamentais.
O legítimo representante dos cidadãos usuários do SUS defende os interesses e necessidades da população que mais precisa e usa os serviços do SUS, exercendo o controle social ao lutar para garantir, na prática, o direito constitucional à saúde com qualidade e o respeito à dignidade humana.
Os Conselhos de Saúde funcionam como colegiados, de caráter permanente e deliberativo, isto é, devem funcionar e tomar decisões regularmente, acompanhando, controlando e fiscalizando a política de saúde e propondo correções e aperfeiçoamentos em seu rumo. São componentes dos Conselhos os representantes do governo, dos prestadores de serviços, dos profissionais de saúde e usuários.
Para conhecer melhor os Conselhos de Saúde procure a Secretaria Municipal de Saúde do seu município e veja como pode participar.
“O Controle Social não deve ser traduzido apenas emmecanismos formais e, sim, refletir-se no realpoder da população em modificar planos, políticas,não só no campo da saúde”.(Relatório final da 9ª Conferência Nacional de Saúde de 1992)
“Com a participação da comunidade na gestão do SUS se estabeleceuma nova relação entre Estado e a Sociedade,de forma que as decisões do Estado sobre o que fazerna saúde terão que ser negociadas com os representantesda Sociedade, uma vez que eles são quem melhor conhecema realidade da saúde da comunidade.Por isso ela é entendida como uma das formas mais avançadas de democracia”.(Guia de Referência para Conselheiros Municipais – Ministério da Saúde)

SUS e CONTROLE SOCIAL

Sociedade precisa ter participação garantida e efetiva no Sistema Único de Saúde.Pesquisa do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) realizada em 2002 mostrou que apenas 35% dos brasileiros sabem o que significa a sigla "SUS". Ou seja, Mais de 65% desconhecem o que a sigla quer dizer Sistema Único de Saúde. Essa realidade ganha importância quando se sabe que um dos pilares do SUS – Sistema Único de Saúde – é justamente o Controle Social, exercido por meio dos Conselhos de Saúde, onde os usuários acompanham e fiscalizam a execução da política de saúde e participam da formulação das estratégias do SUS.Por outro lado, ninguém pode dizer que não utiliza o SUS. Mesmo aqueles que têm plano de saúde usam, indiretamente, o SUS, quer através das ações de vigilância sanitária dos alimentos que consome, quer do controle de doenças infecciosas e de epidemias como a da dengue, quer da avaliação do sangue usado para transfusão em hospitais públicos e privados, além de outras.No Brasil, mais de 90% das cirurgias cardíacas, transplantes, e outros procedimentos de alta complexidade, são ofertados pelo SUS. Muitas pessoas que pagam seguro privado de saúde o SUS para realização de hemodiálise e recebem medicamentos de alto custo para tratamento da Aids e outras doenças. Todavia, muitos deles nem sabem que é o SUS que financia esses serviços.O SUS compreende o conjunto de ações e serviços de saúde oferecidos pelo Governo Federal, estados, Distrito Federal e municípios que cumprem funções e competências específicas. O SUS garante atenção integral à saúde, participação da sociedade e a descentralização dos serviços. Cerca de 98% da população brasileira são usuários do SUS, mesmo que não seja de forma exclusiva.Ainda segundo a pesquisa acima citada, 61% das pessoas entrevistadas, se disseram satisfeitas em relação às atividades de prevenção promovidas pelo SUS, como, por exemplo, as campanhas para evitar doenças como a hipertensão arterial, a diabetes, a aids, etc. Por outro lado, há grande insatisfação no que diz respeito ao tempo de espera para atendimento no SUS (demora na fila, na marcação de consultas e no resultado de exames). Mas, dentre aqueles que conseguem ter acesso aos serviços, a satisfação é grande.
A questão da agilidade no atendimento do SUS se deve, muitas vezes, à falta de informação, leitos insuficientes, desorganização dos protocolos e atendimentos por ordem de chegada e não por gravidade. A falta de um sistema organizado de atendimento de urgência e emergência nos municípios é outro foco de insatisfação do usuário do SUS.Dentre as medidas prioritárias para se agilizar e melhorar o atendimento do SUS, estão a ampliação do acesso aos serviços de saúde, sobretudo os de urgência e emergência, o reforço da atenção básica nos postos e centros de saúde e a intensificação das ações de controle de doenças.

O Controle Social

Quando se fala em Controle Social no SUS, se está falando, fundamentalmente, no papel dos Conselhos de Saúde. Isto porque é neles que se dá a participação da comunidade na fiscalização e na condução das políticas de saúde, garantida a partir da Lei N° 8.142, de 28/12/1990, que instituiu os Conselhos e as Conferências de Saúde como instância de controle social do SUS nas três esferas de governo - nacional, municipal e estadual. Atualmente, se estima que existam mais de 100 mil conselheiros de saúde em todo o país.A principal característica dos Conselhos de Saúde é o seu caráter deliberativo sobre a formulação das estratégias de atenção à saúde do País. Cinqüenta por cento da composição dos conselhos é formada por representantes de usuários do SUS, 25% por trabalhadores de saúde e 25% por prestadores e gestores.O SUS garante aos estados, Distrito Federal e municípios a autonomia para administrar os recursos da saúde, de acordo com a sua condição de gestão (gestão plena da atenção básica e gestão plena do sistema municipal). Para isso, é preciso que cada região tenha seu Conselho de Saúde funcionando de forma adequada. Assim, os recursos federais são repassados, do Fundo Nacional para os Fundos Estaduais ou Municipais de Saúde ou, ainda, dos Fundos Estaduais para os Fundos Municipais de Saúde.Para participar de um Conselho de Saúde o cidadão precisa pertencer a alguma entidade, a qual representará no colegiado. A maioria dos Conselhos de Saúde estabelece formatos eleitorais em que a população pode se candidatar para participar. Em geral, a população organizada é mais ativa nesse processo. Os conselhos se reúnem constantemente para discutir uma pauta pré-definida e elaborar estratégias de um planejamento anual

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sexta-feira, 27 de maio de 2005

Carlos Chagas

Ao descobrir uma nova doença, a tripanossomíase americana ou mal de Chagas, Carlos Chagas pesquisou sua etiologia, patogenia, anatomia patológica, sintomatologia, formas clínicas, meios de transmissão, epidemiologia e profilaxia. Estudo tão completo de uma doença por um só pesquisador é considerado fato único na história da medicina.
Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas nasceu em Oliveira MG, em 9 de julho de 1879. Formou-se em medicina no Rio de Janeiro, em 1903. No ano anterior ingressara no Instituto Osvaldo Cruz, que viria a chefiar a partir de 1917, continuando a obra do mestre e amigo Osvaldo Cruz. Em 1905 chefiou uma campanha profilática contra a malária, a convite da Companhia Docas de Santos. Na ocasião formulou a teoria domiciliar da transmissão da malária, posteriormente aceita em todo o mundo e graças à qual foi possível erradicar a moléstia com o emprego de inseticidas. Em 1907 foi designado para a chefia de uma comissão de estudos sobre a profilaxia da malária, em Minas Gerais, onde, dois anos mais tarde, descobriu o protozoário flagelado causador da doença de Chagas, ao qual deu o nome de Trypanosoma cruzi.
Após realizar um estudo epidemiológico completo em 52 cidades do vale amazônico entre 1911 e 1912, voltou ao Rio de Janeiro para, em 1918, chefiar a campanha contra a epidemia de gripe espanhola que assolou a cidade. No ano seguinte, nomeado diretor de Saúde Pública do Rio de Janeiro, realizou administração admirável pelas reformas e inovações que introduziu no sistema de serviços sanitários. Em 1925 foi indicado professor de medicina tropical pela congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Carlos Chagas morreu no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1934.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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quinta-feira, 26 de maio de 2005

Hist. da Enfermagem no Brasil 1930-1960

Podemos observar que em detrimento do contexto político, social e econômico, esse período foi marcado pelas diferenças dos governos que passaram por essa década marcada em todos os ângulos a saúde e conseqüentemente a enfermagem.

A revolução de 30, vitoriosa, foi responsável por mudanças consideráveis no panorama brasileiro. O novo governo encabeçado por Getulio Vargas, surgiu de um movimento que aglutinou diversas forças sociais e instituição, reivindicando participação política em um cenário dominado, ate então, exclusivamente pela oligarquia cafeeira. As dificuldades encontradas para governar democraticamente a nação levaram o presidente Vargas a promover uma perseguição aos seus opositores, especialmente em 1937 quando foi decretado o Estado novo. Durante o seu governo, que durou ate 1945 Vargas buscou centralizar o governo e bloquear as reivindicações sociais. As políticas sociais foram às armas utilizadas pra justificar perante a sociedade seu autoritarismo, atenuado pela “Bondade” do presidente caracterizando assim Vargas um político “populista” e “demagogo” no qual ele mesmo pregava-se o “O pai dos pobres”. Porem com a vitória dos Estados Unidos e dos Aliados na 2 Guerra Mundial, Getúlio Vargas foi deposto em outubro de 1945 por causa das manifestações populares contra a ditadura nesse período.
Nesse período houve varias medidas na saúde, dentre essas se destaca a área sanitária que passou a compartilhar com o setor educacional um ministério único, o ministério da educação e da saúde publica.
Este em lugar do atendimento ágil e voltado para a população apto pela organização centralizada do serviço orientados para o tratamento de enfermidades especifica, não atendendo as necessidades impostas pelas demais moléstias que atingiam o pais, e em segundo plano o acompanhamento às mulheres grávidas.
Os médicos foram excluídos das decisões sanitárias, que passaram a ser decididas por políticos que não possuíam nenhum conhecimento de medidas sanitárias e qualquer um que se opunha era tido como inimigo do estado e, portanto era perseguido.
Vargas utilizou o modelo deixado por Eloi Chaves no qual 3% do salário dos funcionários e 1% da renda da empresa ficavam a cargo dos caixas de pensões e os institutos de previdência (CAPS e IAPS) esse órgãos garantiam a assistência medica a uma vasta parcela urbana. Mas, no entanto essas caixas desfavoreciam os doentes acometidos de doenças mais graves. Esse direito só eram favorecidos a trabalhadores que obtinham carteira de trabalho.
Junto com a instituição de 34, algumas garantias ao operariado foram vindas, tais como a assistência medica, a licença remunerada á gestante trabalhadora e a jornada de trabalho de oito horas.No decorrer dos outros anos aparecem outros benefícios como o salário mínimo, indenização aos acidentados, tratamento medica a doente, pagamento aos acidentados, pagamento de horas extras, férias remuneradas e garantiu uma legislação especifica em um sistema previdenciário que foi ampliado no decorrer dos anos. Com o estado novo a administração sanitária buscou reforçar as campanhas de educação e higienizaçao popular.
Achava-se que a qualidade racial dos brasileiros era um dos principais motivos das moléstias e da miséria do pais. Idéias fascitas e racistas eram usadas para explicar o modelo de saúde da Alemanha em detrimento o mesticismo brasileiro, pois no berço do fascismo acreditava-se que a raça (Ariana) era imune às doenças e moléstia. Muitos profissionais de saúde usavam essas concepções ate o inicio de 1942 quando o Brasil entrou na (Guerra á favor ao Estados Unidos) a partir daí houve uma imediata alteração dos conselhos sanitários, passando então a adotar os nortes americanos como modelo de saúde publica.
Durante a era Vargas houve uma diminuição das mortes por enfermidades epidêmicas, mas por outro lado foram estabelecidos quadros de doenças endêmicas como esquistossomose. Em1942 Chales Morrou um epidemiológico Norte-americano encarregou-se de inspecionar a saúde no Brasil e concluiu que essas já obtinham a cura dos EUA.
E nesse momento que a educação em enfermagem se consolida aos programas universitários e governamentais, onde encontramos enfermeiros na área hospitalar dividido em categorias, com o objetivo de assistir as novas exigências do mercados de trabalho.
Ganharam impulsos os cursos de formação de enfermeiros sanitários, que tinham a missão de percorre os bairros mais carentes, ensinando as regras básicas de higiene e encaminhando os doentes mais graves para os hospitais.



Período de 45 a 64


Vimos que com a vitória dos EUA e aliados o governo Vargas entrou em crise e ele foi deposto, e novas eleições foram realizadas caracterizando um período de democratização brasileira.
O vencedor dessa nova eleição foi General Dutra (1946 a 1951), marcado por um governo relativamente tranqüilo na política e liberalista, pois não intervêm na economia, atribuindo o pais as importações. Logo após Getulio (1951-1954) retornou ao poder pela mãos do povo, fundou a Petrobrás e a eletrobrás, seu governo teve varias ações desenvolmentistas, sem deixar de lado seu populismo Getulio deixou o poder tragicamente, Suicidou-se deixando boa parte da nação desolada, sendo sucedida por Café – filho (1954-1955). Quem o sucedeu foi Juscelino Kubitschek (1954-1955) que tinha como objetivo o processo brasileiro, fez obras digna de um sonhador no Brasil, mas em questão política a tranqüilidade governou durante anos no poder, no entanto nesse período houve um intenso êxodo rural o procura de trabalho nas construções realizadas que sucederam problemas que serão vistos mais adiante. Já o governo da Jânio Quadros (1961) alem de ser meteórico foi marcado por intensas especializações e hipóteses que levaram-no a renunciar dando ao governo de João Goulart (1961-1964) que foi vetado pelas Forças Armadas alegando “segurança nacional e mais tarde integra-se o Golpe Militar”.
Todos esses políticos tiveram medidas dentro de seu governo que favorecia em partes a saúde. Dutra etasbeleceu a organização racional dos serviços públicos como prioridade. O plano salte elaborou em 1948, mas nunca posto em vigor, pregava a melhoria na saúde, alimentação, transporte e energia.
E maio de 1953, no segundo governo Vargas, foi criado o ministério da saúde, esse contou com verbas irrisórias no decorrer da década, comprovando o descaso das autoridades com o povo. Faltavam funcionários especializados, equipamentos apropriados e postos de atendimento. O ministério da saúde também pouco atuo na redução dos índices de mortalidade e mobilidade das doenças, sua falha se deve ao fato de não patrocinar em nenhum momento reformas fundamentais, aumentando a sua burocracia.
Foi criado em 1956 o departamento Nacional de Endemias rurais que junto ao ministério da saúde, procurou adotar medidas iguais as do norte-americanos na década de 40, seguindo o exemplo de SESP Serviço Especial de Saúde Publica. Apesar de algumas deficiências e da baixa renda campanhas contra a malaria foram organizadas entre 1958-1956.
Outro Fenômeno que também interferi na política dae saúde foram à troca de favores existentes entre políticos e eleitorados, trocava-se leitos, ambulância e assistência hospitalar por votos.
Essas combinações de fatores exorbitantes levaram o Brasil a permanecer na lista da nações mais doentes do mundo.Regiões industriais e extremamente povoadas eram assistidas pelos hospitais, clinicas própria ou conveniadas mantidas pelos patrões e trabalhadores .Cresceu o numero de trabalhadores e dependentes com direito a tratamento de saúde provenientes dos institutos e caixas.Aumentaram os aposentados,os salários e pensões pagas pela previdência.A previdência assumiu também a assistência médico-hospitalar as esses dependentes e trabalhadores.
O setor privado da medicina começou a pressionar o governo federal para restringir os planos de construção de hospitais públicos chegando ate mesmo a interrompê-los.Aprovaram-se então leis que favoreceram os privilégios dos grupos privados prestadores de serviço médico-hospitalar , atendendo assim só quem tinha dinheiro para pagar tal assistência.
Em 1060 o governo criou a LOPS (lei orgânica da previdência social) visava reorganizar o sistema de saúde privado no Brasil uniformizando as contribuições pagas pelos trabalhadores aos institutos filiados, passando estes contribuir 8% do salário para Previdência.
Incumbido de melhorar a saúde infantil em 1956 o ministério da Saúde multiplicou os serviços de saúde e higiene infantil e postos puericultura, incluindo vacinação, acompanhamento e tratamento da população infantil.Mas, no entanto parte da população pobre continuava a consumir água poluída mesmo com as medidas sanitárias contraindo doenças digestivas.Longe de ser considerada como medida primordial na saúde a assistência às crianças era considerada como ato de bondade pelos políticos. A fome entre outras ramificações da miséria e da exploração tornou-se assunto de interesse publico.
Em meio a esse período agitado e que os médicos epidemiologos definiram a política de suas atividades.A medicina deixou de ser uma técnica com o objetivo de melhoria da saúde e passou a agir diretamente nela, cobrando de políticos verbas e leis para melhoria dela. Essa mudança do interesse medico levou os movimentos populares a destacarem nas reivindicações dos trabalhadores urbanos melhoria, mas condições sanitárias das cidades.
No campo da Enfermagem com o crescimento do setor privado e o modelo de assistência adotado pela Previdência determinaram a ampliação da pratica dessa profissão. Os profissionais de nível superior passaram a ser absorvidos em maior quantidade pelo setor publico e os auxiliares e o operacionais foram absorvido com o objetivo de redução de gastos nessas entidades.Devido a essa nova exigência o currículo que antes enfatizou a saúde publica, agora passou a absorver o ensino especializado e a assistência curativa, alem de apresentar nesse período a proliferação dos cursos de auxiliares,atendentes e técnicos devido a grande procura dos setores privados de saúde. Essa nova separação de profissões determinou uma divisão complexa de funções na Enfermagem, os atendentes e auxiliares. Cuidavam do doente limitando aos enfermeiros com formações superiores à parte de administração dos institutos. Não se pode esquecer que a existência de varias categoria na Enfermagem dificultou seu reconhecimento social, já que os usuários dos serviços de saúde não conheciam essa divisão hierárquica, e também a divulgação distorcida de alguns veículos de comunicação retardou também tal reconhecimento, tornando a profissão na visão geral um tanto depreciativa.

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quarta-feira, 25 de maio de 2005

Música do Dia....

"Criar meu website/ Fazer minha homepage/ Com quantos gigabytes se faz uma jangada (...)/ Eu quero entrar na rede"
TRECHO DA CANÇÃO "PELA INTERNET", de Gilberto Gil

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terça-feira, 24 de maio de 2005

Frase do Dia

"Every person takes the limits of their own field of vision for the limits of the world".
Arthur Schopenhauer

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segunda-feira, 23 de maio de 2005

FAT 32 EM NTFS

O Windows XP não traz nos menus, ou em qualquer item gráfico, um recurso para a conversão de discos formatados no sistema FAT32 para o sistema NTFS. Para essa conversão, há dois caminhos: o primeiro, mais fácil, requer ajuda externa. Trata-se de usar ferramentas como o PartitionMagic, da Symantec, ou o PartitionExpert, da Acronis (www.acronis.com). Com interface amigável, esses programas facilitam e oferecem mais controle na tarefa de conversão.
A outra alternativa é usar um recurso escondido no Windows XP. Para isso, acione, no menu Acessórios, a opção Prompt de Comando. Abre-se uma janela de caracteres. Nela, digite: convert x: /fs:ntfs
Aí, x é a letra do drive a ser convertido. Como se trata de uma tarefa de segurança, é aconselhável cercar-se de todos os cuidados antes de executá-la. O ideal é ter uma imagem do disco a ser convertido. O recurso interno do XP também não permite uma reconversão de volta ao sistema FAT32. Alguns especialistas afirmam que discos FAT32 formatados pelo Windows 98, por exemplo, tendem a ser tratados pelo programa Convert sem produzir o melhor resultado em termos de aproveitamento do espaço. Portanto, é bom saber da possibilidade dessa conversão, mas é preciso cuidado na hora de executá-la. O ideal, mesmo, seria a formatação NTFS num disco vazio ou com dados que podem ser desprezados.

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domingo, 22 de maio de 2005

Os Vários Sentidos da Palavra Razão

Dizemos, por exemplo, "eu estou com a razão", ou "ele não tem razão", para significar que nos sentimos seguros de alguma coisa ou que sabemos com certeza alguma coisa. Também dizemos que, num momento de fúria ou de desespero, "alguém perde a razão", como se a razão fosse alguma coisa que se pode ter ou não ter, possuir e perder, ou recuperar, como na frase: "Agora ela está lúcida, recuperou a razão". Falamos também frases como: "Se você me disser suas razões, sou capaz de fazer o que você me pede", querendo dizer com isso que queremos ouvir os motivos que alguém tem para querer ou fazer alguma coisa. Fazemos perguntas como: "Qual a razão disso?", querendo saber qual a causa de alguma coisa e, nesse caso, a razão parece ser alguma propriedade que as próprias coisas teriam, já que teriam uma causa. Assim, usamos "razão" para nos referirmos a "motivos" de alguém, e também para nos referirmos a "causas" de alguma coisa, de modo que tanto nós quanto as coisas parecemos dotados de "razão", mas em sentido diferente. Esses poucos exemplos já nos mostram quantos sentidos diferentes a palavra razão possui: certeza, lucidez, motivo, causa. E todos esses sentidos encontram-se presentes na Filosofia. Por identificar razão e certeza, a Filosofia afirma que a verdade é racional; por identificar razão e lucidez (não ficar ou não estar louco), a Filosofia chama nossa razão de luz e luz natural; por identificar razão e motivo, por considerar que sempre agimos e falamos movidos por motivos, a Filosofia afirma que somos seres racionais e que nossa vontade é racional; por identificar razão e causa e por julgar que a realidade opera de acordo com relações causais, a Filosofia afirma que a realidade é racional. É muito conhecida a célebre frase de Pascal, filósofo francês do século XVII: "O coração tem razões que a razão desconhece". Nessa frase, as palavras razões e razão não têm o mesmo significado, indicando coisas diversas. Razões são os motivos do coração, enquanto razão é algo diferente de coração; este é o nome que damos para as emoções e paixões, enquanto "razão" é o nome que damos à consciência intelectual e moral. Ao dizer que o coração tem suas próprias razões, Pascal está afirmando que as emoções, os sentimentos ou as paixões são causas de muito do que fazemos, dizemos, queremos e pensamos. Ao dizer que a razão desconhece "as razões do coração", Pascal está afirmando que a consciência intelectual e moral é diferente das paixões e dos sentimentos e que ela é capaz de uma atividade própria não motivada e causada pelas emoções, mas possuindo seus motivos ou suas próprias razões. Assim, a frase de Pascal pode ser traduzida da seguinte maneira: Nossa vida emocional possui causas e motivos (as "razões do coração"), que são as paixões ou os sentimentos, e é diferente de nossa atividade consciente, seja como atividade intelectual, seja como atividade moral. A consciência é a razão. Coração e razão, paixão e consciência intelectual ou moral são diferentes. Se alguém "perde a razão" é porque está sendo arrastado pelas "razões do coração". Se alguém "recupera a razão" é porque o conhecimento intelectual e a consciência moral se tornaram mais fortes do que as paixões. A razão, enquanto consciência moral, é a vontade racional livre que não se deixa dominar pelos impulsos passionais, mas realiza as ações morais como atos de virtude e de dever, ditados pela inteligência ou pelo intelecto. Além da frase de Pascal, também ouvimos outras que elogiam as ciências, dizendo que elas manifestam o "progresso da razão". Aqui, a razão é colocada como capacidade puramente intelectual para conseguir o conhecimento verdadeiro da Natureza, da sociedade, da História e isto é considerado algo bom, positivo, um "progresso". Por ser considerado um "progresso", o conhecimento científico é visto como se realizando no tempo e como dotado de continuidade, de tal modo que a razão é concebida como temporal também, isto é, como capaz de aumentar seus conteúdos e suas capacidades através dos tempos. Algumas vezes ouvimos um professor dizer a outro: "Fulano trouxe um trabalho irracional; era um caos, uma confusão. Incompreensível. Já o trabalho de beltrano era uma beleza: claro, compreensível, racional". Aqui, a razão, ou racional, significa clareza das idéias, ordem, resultado de esforço intelectual ou da inteligência, seguindo normas e regras de pensamento e de linguagem. Todos esses sentidos constituem a nossa idéia de razão. Nós a consideramos a consciência moral que observa as paixões, orienta a vontade e oferece finalidades éticas para a ação. Nós a vemos como atividade intelectual de conhecimento da realidade natural, social, psicológica, histórica. Nós a concebemos segundo o ideal da clareza, da ordenação e do rigor e precisão dos pensamentos e das palavras. Para muitos filósofos, porém, a razão não é apenas a capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade. Para esses filósofos, nossa razão pode conhecer a realidade (Natureza, sociedade, História) porque ela é racional em si mesma. Fala-se, portanto, em razão objetiva (a realidade é racional em si mesma) e em razão subjetiva (a razão é uma capacidade intelectual e moral dos seres humanos). A razão objetiva é a afirmação de que o objeto do conhecimento ou a realidade é racional; a razão subjetiva é a afirmação de que o sujeito do conhecimento e da ação é racional. Para muitos filósofos, a Filosofia é o momento do encontro, do acordo e da harmonia entre as duas razões ou racionalidades. Origem da palavra razão Na cultura da chamada sociedade ocidental, a palavra razão origina-se de duas fontes: a palavra latina ratio e a palavra grega logos. Essas duas palavras são substantivos derivados de dois verbos que têm um sentido muito parecido em latim e em grego. Logos vem do verbo legein, que quer dizer: contar, reunir, juntar, calcular. Ratio vem do verbo reor, que quer dizer: contar, reunir, medir, juntar, separar, calcular. Que fazemos quando medimos, juntamos, separamos, contamos e calculamos? Pensamos de modo ordenado. E de que meios usamos para essas ações? Usamos palavras (mesmo quando usamos números estamos usando palavras, sobretudo os gregos e os romanos, que usavam letras para indicar números). Por isso, logos, ratio ou razão significam pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para outros. Assim, na origem, razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se correta e claramente, para pensar e dizer as coisas tais como são. A razão é uma maneira de organizar a realidade pela qual esta se torna compreensível. É, também, a confiança de que podemos ordenar e organizar as coisas porque são organizáveis, ordenáveis, compreensíveis nelas mesmas e por elas mesmas, isto é, as próprias coisas são racionais. Desde o começo da Filosofia, a origem da palavra razão fez com que ela fosse considerada oposta a quatro outras atitudes mentais

ao conhecimento ilusório, isto é, ao conhecimento da mera aparência das coisas que não alcança a realidade ou a verdade delas; para a razão, a ilusão provém de nossos costumes, de nossos preconceitos, da aceitação imediata das coisas tais como aparecem e tais como parecem ser. As ilusões criam as opiniões que variam de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade. A razão se opõe à mera opinião;
às emoções, aos sentimentos, às paixões, que são cegas, caóticas, desordenadas, contrárias umas às outras, ora dizendo "sim" a alguma coisa, ora dizendo "não" a essa mesma coisa, como se não soubéssemos o que queremos e o que as coisas são. A razão é vista como atividade ou ação (intelectual e da vontade) oposta à paixão ou à passividade emocional;
à crença religiosa, pois, nesta, a verdade nos é dada pela fé numa revelação divina, não dependendo do trabalho de conhecimento realizado pela nossa inteligência ou pelo nosso intelecto. A razão é oposta à revelação e por isso os filósofos cristãos distinguem a luz natural - a razão - da luz sobrenatural - a revelação;
ao êxtase místico, no qual o espírito mergulha nas profundezas do divino e participa dele, sem qualquer intervenção do intelecto ou da inteligência, nem da vontade. Pelo contrário, o êxtase místico exige um estado de abandono, de rompimento com a atividade intelectual e com a vontade, um rompimento com o estado consciente, para entregar-se à fruição do abismo infinito. A razão ou consciência se opõe à inconsciência do êxtase.

Os princípios racionais
Desde seus começos, a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela própria estabelece e que estão em concordância com a própria realidade, mesmo quando os empregamos sem conhece-los explicitamente. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais, que respeitamos até mesmo quando não conhecemos diretamente quais são e o que são. Nós as respeitamos porque somos seres racionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional. Que princípios são esses? São eles: Princípio da identidade, cujo enunciado pode parecer surpreendente: "A é A" ou "O que é, é". O princípio da identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade. Por exemplo, depois que um matemático definir o triângulo como figura de três lados e de três ângulos, não só nenhuma outra figura que não tenha esse número de lados e de ângulos poderá ser chamada de triângulo como também todos os teoremas e problemas que o matemático demonstrar sobre o triângulo, só poderão ser demonstrados se, a cada vez que ele disser "triângulo", soubermos a qual ser ou a qual coisa ele está se referindo. O princípio da identidade é a condição para que definamos as coisas e possamos conhece-las a partir de suas definições. Princípio da não-contradição (também conhecido como princípio da contradição), cujo enunciado é: "A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na mesma relação, não-A". Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma mangueira; que o cachorrinho de dona Filomena seja e não seja branco; que o triângulo tenha e não tenha três lados e três ângulos; que o homem seja e não seja mortal; que o vermelho seja e não seja vermelho, etc. Sem o princípio da não-contradição, o princípio da identidade não poderia funcionar. O princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma idéia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e as idéias contraditórias são impensáveis e impossíveis. Princípio do terceiro-excluído, cujo enunciado é: "Ou A é x ou é y e não há terceira possibilidade". Por exemplo: "Ou este homem é Sócrates ou não é Sócrates"; "Ou faremos a guerra ou faremos a paz". Este princípio define a decisão de um dilema - "ou isto ou aquilo" - e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira. Mesmo quando temos, por exemplo, um teste de múltipla escolha, escolhemos na verdade apenas entre duas opções - "ou está certo ou está errado" - e não há terceira possibilidade ou terceira alternativa, pois, entre várias escolhas possíveis, só há realmente duas, a certa ou a errada. Princípio da razão suficiente, que afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costuma ser chamado de princípio da causalidade para indicar que a razão afirma a existência de relações ou conexões internas entre as coisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos.Pode ser enunciado da seguinte maneira: "Dado A, necessariamente se dará B". E também: "Dado B, necessariamente houve A". Isso não significa que a razão não admita o acaso ou ações e fatos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa. A diferença entre a causa, ou razão suficiente, e a causa casual ou acidental está em que a primeira se realiza sempre, é universal e necessária, enquanto a causa acidental ou casual só vale para aquele caso particular, para aquela situação específica, não podendo ser generalizada e ser considerada válida para todos os casos ou situações iguais ou semelhantes, pois, justamente, o caso ou a situação são únicos. A morte, por exemplo, é um efeito necessário e universal (válido para todos os tempos e lugares) da guerra e a guerra é a causa necessária e universal da morte de pessoas. Mas é imprevisível ou acidental que esta ou aquela guerra aconteçam. Podem ou não podem acontecer. Nenhuma causa universal exige que aconteçam. Mas, se uma guerra acontecer, terá necessariamente como efeito mortes. Mas as causas dessa guerra são somente as dessa guerra e de nenhuma outra. Diferentemente desse caso, o princípio da razão suficiente está vigorando plenamente quando, por exemplo, Galileu demonstrou as leis universais do movimento dos corpos em queda livre, isto é, no vácuo. Pelo que foi exposto, podemos observar que os princípios da razão apresentam algumas características importantes:
não possuem um conteúdo determinado, pois são formas: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas não nos dizem quais coisas são, nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar;
possuem validade universal, isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos acontecimentos), em todo o tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e empregados por todos (os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos);
são necessários, isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os fatos e os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira. Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.

Ampliando nossa idéia de razão
A idéia de razão que apresentamos até aqui e que constitui o ideal de racionalidade criado pela sociedade européia ocidental sofreu alguns abalos profundos desde o início do século XX. Aqui, vamos apenas oferecer alguns exemplos dos problemas que a Filosofia precisou enfrentar e que levaram a uma ampliação da idéia da razão. Um primeiro abalo veio das ciências da Natureza ou, mais precisamente, da física e atingiu o princípio do terceiro-excluído. A física da luz (ou óptica) descobriu que a luz tanto pode ser explicada por ondas luminosas quanto por partículas descontínuas. Isso significou que já não se podia dizer: "ou a luz se propaga por ondas contínuas ou se propaga por partículas descontínuas", como exigiria o princípio do terceiro-excluído, mas sim que a luz pode propagar-se tanto de uma maneira como de outra. Por sua vez, a física atômica ou quântica abalou o princípio da razão suficiente. Vimos que esse princípio afirma que, conhecido A, posso determinar como dele necessariamente resultará B, ou, conhecido B, posso determinar necessariamente como era A que o causou. Em outras palavras, conhecido o estado E de um fenômeno, posso deduzir como será o estado E2 ou E3 e vice-versa: conhecidos E3 e E2 posso dizer como era o estado E. Ora, a física dos átomos revelou que isso não é possível, que não podemos saber as razões pelas quais os átomos se movimentam, nem sua velocidade e direção, nem os efeitos que produzirão. Esses dois problemas levaram a introduzir um novo princípio racional na Natureza: o princípio da indeterminação. Assim, o princípio da razão suficiente é válido para os fenômenos macroscópicos, enquanto o princípio da indeterminação é válido para os fenômenos em escala hipermicroscópica. Um outro problema veio abalar o princípio da identidade e da não-contradição. A física sempre considerou que a Natureza obedece às leis universais da razão objetiva sem depender da razão subjetiva. Em outras palavras, as leis da Natureza existem por si mesmas, são necessárias e universais por si mesmas e não dependem do sujeito do conhecimento. Contudo, a teoria da relatividade mostrou que as leis da Natureza dependem da posição ocupada pelo observador, isto é, pelo sujeito do conhecimento e, portanto, para um observador situado fora de nosso sistema planetário, a Natureza poderá seguir leis completamente diferentes, de tal modo que, por exemplo, o que é o espaço e o tempo para nós poderá não ser para outros seres (se existirem) da galáxia; a geometria que seguimos pode não ser a que tenha sentido noutro sistema planetário; o que pode ser contraditório para nós poderá não ser para habitantes de outra galáxia e assim por diante. Um outro problema, também atingindo os princípios da razão, foi trazido pela lógica. O lógico alemão Frege apresentou o seguinte problema: quando digo "a estrela da manhã é a estrela da tarde" estou caindo em contradição e perdendo o princípio da identidade. No entanto, "estrela da manhã" é o planeta Vênus e "estrela da tarde" também é o planeta Vênus; dessa perspectiva, não há contradição alguma no que digo. É preciso, então, distinguir em nosso pensamento e em nossa linguagem três níveis: o objeto a que nós nos referimos, os enunciados que empregamos e o sentido desses enunciados em sua relação com o objeto referido. Somente dessa maneira podemos manter a racionalidade dos princípios da identidade, da não-contradição e do terceiro-excluído. Enfim, um outro tipo de problema foi trazido com o desenvolvimento dos estudos da antropologia, que mostraram como outras culturas podem oferecer uma concepção muito diferente da que estamos acostumados sobre o pensamento e a realidade. Isso não significa, como imaginaram durante séculos os colonizadores, que tais culturas ou sociedades sejam irracionais ou pré-racionais, e sim que possuem uma outra idéia do conhecimento e outros critérios para a explicação da realidade. Como a palavra razão é européia e ocidental, parece difícil falarmos numa outra razão, que seria própria de outros povos e culturas. No entanto, o que os estudos antropológicos mostraram é que precisamos reconhecer a "nossa razão" e a "razão deles", que se trata de uma outra razão e não da mesma razão em diferentes graus de uma única evolução. Indeterminação da Natureza, pluralidade de enunciados para um mesmo objeto, pluralidade e diferenciação das culturas foram alguns dos problemas que abalaram a razão, no século XX. A esse abalo devemos acrescentar dois outros. O primeiro deles foi trazido por um não-filósofo, Marx, quando introduziu a noção de ideologia; o segundo também foi trazido por um não-filósofo, Freud, quando introduziu o conceito de inconsciente. A noção de ideologia veio mostrar que as teorias e os sistemas filosóficos ou científicos, aparentemente rigorosos e verdadeiros, escondiam a realidade social, econômica e política, e que a razão, em lugar de ser a busca e o conhecimento da verdade, poderia ser um poderoso instrumento de dissimulação da realidade, a serviço da exploração e da dominação dos homens sobre seus semelhantes. A razão seria um instrumento da falsificação da realidade e de produção de ilusões pelas quais uma parte do gênero humano se deixa oprimir pela outra. A noção de inconsciente, por sua vez, revelou que a razão é muito menos poderosa do que a Filosofia imaginava, pois nossa consciência é, em grande parte, dirigida e controlada por forças profundas e desconhecidas que permanecem inconscientes e jamais se tornarão plenamente conscientes e racionais. A razão e a loucura fazem parte de nossa estrutura mental e de nossas vidas e, muitas vezes, como por exemplo no fenômeno do nazismo, a razão é louca e destrutiva. Fatos como esses - as descobertas na física, na lógica, na antropologia, na história, na psicanálise - levaram o filósofo francês Merleau-Ponty a dizer que uma das tarefas mais importantes da Filosofia contemporânea deveria ser a de encontrar uma nova idéia da razão, uma razão alargada, na qual pudessem entrar os princípios da racionalidade definidos por outras culturas e encontrados pelas descobertas científicas. Esse alargamento é duplamente necessário e importante. Em primeiro lugar, porque ele exprime a luta contra o colonialismo e contra o etnocentrismo - isto é, contra a visão de que a "nossa" razão e a "nossa" cultura são superiores e melhores do que as dos outros povos. Em segundo lugar, porque a razão estaria destinada ao fracasso se não fosse capaz de oferecer para si mesma novos princípios exigidos pelo seu próprio trabalho racional de conhecimento.

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sábado, 21 de maio de 2005

Faça Mais com o Word

FECHA (OU SALVA) TUDO
Está com pressa e precisa fechar vários arquivos do Word abertos? Sem problemas. Em um dos documentos, abra o menu Arquivo enquanto mantém a tecla Shift pressionada. Duas novas opções de ação aparecem nesse menu: Salvar Tudo e Fechar Tudo. A mesma dica vale para novas mensagens do Outlook.

SEM MARCAÇÃO
Você não precisa perder tempo retirando os marcadores ou números indesejados de uma lista e arrumando os recuos. Se, durante a produção da relação, precisar acrescentar um item sem número ou marcador, basta pressionar as teclas Shift e Enter. Quando quiser retornar à marcação ou numeração, volte a usar somente o Enter para iniciar novo item.

ACESSO RÁPIDO
Não é necessário abrir o menu Arquivo e procurar na lista de pastas e arquivos um documento de uso freqüente. O jeito mais rápido é colocar esse documento em uma lista à parte, o menu Trabalho. Para isso, vá ao menu Exibir, selecione Barra de Ferramentas e, em seguida, a opção Personalizar. Abra a a guia Comandos. Na lista Categorias, selecione a opção Menu Interno. No painel à direita, clique sobre a opção Trabalho e arraste o item para o lugar desejado na barra de menus. Para acrescentar o arquivo de uso freqüente a esse menu, abra o documento, clique no menu Trabalho e selecione Adicionar ao Menu Trabalho. Para excluir um item, pressione Ctrl, Alt e – (tecla com o sinal de menos), abra o menu Trabalho e selecione o item desejado. O menu Trabalho comporta até nove arquivos.

DOIS TOQUES, UMA FORMATAÇÃO
Quem escreve muito – e rápido – nem sempre está preocupado com a formatação de títulos, intertítulos e outros elementos do texto. Às vezes, quer mesmo é sair digitando à medida que as idéias vêm à cabeça, sem se preocupar se os itens estão com a inicial maiúscula ou minúscula. Mas, depois da redação pronta, conferir o mesmo formato a cada um desses elementos pode ser trabalhoso. A menos que se use uma combinação de teclas como o Shift e o F3. É só selecionar o texto desejado e clicar nessa combinação até encontrar o formato desejado (ela altera as opções com as iniciais maiúsculas, tudo em maiúscula e tudo em minúscula).

FORMATAÇÃO EXPRESSA
Outras vezes, você escreve um texto longo e percebe que precisa deixar alguns parágrafos com o mesmo formato de um outro. Neste caso, a solução é usar a ferramenta Pincel. Simplesmente selecione o texto que está com o formato desejado, clique no botão Pincel (o cursor ganhará o formato de um pincel) e aplique sobre o parágrafo que deseja reformatar. Se você precisa mudar o formato de mais de um parágrafo, o truque é clicar duas vezes sobre o botão Pincel e sair aplicando a formatação nos lugares desejados. Para abandonar a ferramenta Pincel, pressione Esc ou clique novamente no botão na barra de ferramentas. O Pincel é uma ferramenta antiga do Word, mas é pouquíssimo utilizada. Se o botão Pincel não está disponível na sua barra de ferramentas, clique em Ferramentas/Personalizar, selecione Formatar na lista Categorias e, na lista Comandos, procure o botão Pincel. Clique sobre ele e o arraste até o lugar desejado na barra de ferramentas.

PESQUISA RÁPIDA
Quer saber rapidamente o significado de um termo? Pois basta manter pressionada a tecla Alt e clicar sobre a palavra em questão. O programa exibe o painel de pesquisa, com sinônimos e ferramentas para tradução. Mas é preciso que o computador esteja conectado para ter acesso a certas informações. Essa dica funciona apenas com o Word 2003.

PARTE À ESQUERDA, PARTE À DIREITA
Como escrever uma carta e colocar a data da produção da missiva alinhada à esquerda e, na mesma linha, só que alinhado à direita, o nome do emissor? Os usuários do Word que apreciem esse estilo de formatação de cartas ou que desejem segui-lo em outra situação qualquer precisam usar o artifício das marcas de tabulação. Para facilitar esse trabalho, é melhor estar com a régua à mostra. Caso não esteja, vá ao menu Inserir e selecione Régua. Observe qual é a posição da margem direita na régua. Então, vá ao menu Formatar e selecione Tabulação. Digite o número correspondente à posição da margem direita no campo Marca de Tabulação (15,5, no exemplo) e, em Alinhamento, marque a opção Direita. Selecione uma opção de preenchimento se preferir e clique em OK. A partir daí, digite a data e, em seguida, pressione a tecla Tab para iniciar a digitação do nome.

ADEUS, FORMATAÇÃO!
Às vezes acontece. Você perdeu um tempão para formatar um texto e chega seu chefe e diz que não quer nada daquilo. Para executar essa tarefa rapidamente, basta selecionar todo o texto, pressionando Ctrl e T, ou selecionar o trecho sobre o qual quer remover a formatação e pressionar as teclas Ctrl, Shift e V.

COMPARE DOCUMENTOS
Várias versões de um mesmo documento podem causar confusões. Para facilitar a verificação de documentos, o Word 2003 conta com o recurso de comparação. Abra as duas versões do documento em questão, selecione Janela/Comparar Lado a Lado. A tela será dividida em duas. Clicando no botão de rolagem sincronizada, a barra passa a comandar os dois documentos simultaneamente, facilitando a comparação. Essa dica funciona apenas com o Word 2003.

CORINGAS NO TECLADO
Localizados no alto do teclado, os botões F1 a F12 funcionam como atalhos para várias funções, sejam em combinação com outras teclas ou sozinhos. Mas como lembrar o que cada um pode fazer? Pois deixe o Word fazer isso por você. A partir da versão 2000, o programa exibe esses dados na tela. Para isso, selecione Ferramentas, Personalizar, Barras de Ferramentas e Exibição da Tecla de Função. Clique em Fechar. Feito isso, basta pressionar Alt, Shift ou Ctrl para que as funções de cada tecla ou combinação sejam exibidas. E basta arrastar essa barra para posicioná-la no alto da janela, na parte inferior, na lateral...

SELEÇÃO NA VERTICAL
Vamos supor que você tenha usado a dica Parte à esquerda, parte à direita para elaborar uma lista de tarefas e suas respectivas datas de execução, mas precise copiar e enviar apenas a relação de tarefas para outra pessoa ou outro documento. A forma mais simples é usar o recurso de seleção de textos na vertical, pouco conhecido dos usuários do Word, mas muito interessante. Basta pressionar a tecla Alt e, mantendo-a pressionada, selecionar com o mouse a área retangular que deseja copiar. Fácil, não?

COLUNAS LADO A LADO
O truque para colocar duas colunas contíguas na página é criar duas tabelas, uma sobre a outra, e ajustar a largura das colunas de ambas de modo que juntas tenham uma largura um pouco menor que a da página. Depois, selecione as duas tabelas, clique no ícone Colunas na barra de ferramentas padrão (ou use o menu Formatar/Colunas) e selecione a opção Duas Colunas. Se precisar de tabelas mais largas, uma opção é mudar a orientação da página para a opção Paisagem (Arquivo/Configurar Página).

UM ARQUIVO E SUAS FONTES
Se você usa uma determinada fonte para produzir um texto, mas precisa trabalhar no mesmo arquivo em outro computador que não tenha a fonte em questão instalada, a saída é incorporá-la no documento. No menu Arquivo, selecione Salvar Como, clique no menu Ferramentas, escolha Opções de Salvamento e marque Incorporar Fontes TrueType. Pronto! As fontes poderão ser vistas no outro equipamento sem nenhum problema. Lembrete: ao incorporar fontes em um documento, o tamanho do arquivo fica maior, de acordo com o tamanho da fonte acrescentada.

CÓPIA DE PEDAÇOS
Suponhamos que você tenha escrito um texto longo, cheio de intertítulos e, quando chegou ao final do trabalho, decidiu mudar a formatação desses itens. Alterar, um por um, cada elemento dá um trabalho danado. Uma saída é usar a ferramenta Pincel, mencionada na dica Formatação expressa. Outra opção é selecionar cada item e formatar todos de uma única vez. Como? É só determinar o primeiro elemento, pressionar a tecla Ctrl e selecionar os outros. Depois, faça as alterações desejadas para que se apliquem em toda a seleção. Essa dica é útil também quando se deseja selecionar vários elementos do documento que precisam ser apagados ou copiados.

DIRETO AO PONTO
Um jeito de navegar em documentos longos rapidamente é inserir indicadores ocultos no texto que possam levá-lo rapidamente aos pontos de interesse. Uma vez com o documento aberto, clique no lugar onde deseja marcar, vá ao menu Inserir e escolha a opção Indicador. Digite um nome para o indicador no campo correspondente, marque a opção Indicadores Ocultos e clique no botão Adicionar. Repita a inserção das marcas invisíveis quantas vezes forem necessárias. Para localizá-las, pressione Ctrl e L para abrir a caixa de diálogo Localizar e Substituir, clique na guia Ir Para e, no campo Insira o Número de Página, digite o nome do indicador que quer localizar e clique no botão Ir Para.

ZOOM INSTANTÂNEO
Sua vista está cansada e você está com dificuldade para ler? Simples. Pressione a tecla Ctrl e gire o botão de rolagem do mouse, sem pressioná-lo, para a frente. Cada giro aumenta o zoom em 10%. Para reduzir o texto, repita a operação, só que girando o botão de rolagem para trás.

BUSCA CERTEIRA
Quem usa documentos longos já deve saber que os conjuntos de duas setas para cima e para baixo, situados na parte inferior da barra de rolagem, permitem a navegação entre as páginas. Mas essa busca pode ser ainda mais precisa se você clicar no pequeno círculo situado entre as setas e selecionar o que procurar com os conjuntos de setas. As opções incluem títulos, comentários, nota de rodapé, nota de fim de página e tabelas.

MARCA D´ÁGUA
O recurso da marca d’água é muito usado para criar identidade visual na documentação de empresas, mas não serve apenas para isso. Você pode valer-se da marca d’água para facilitar, por exemplo, o reconhecimento de que um documento é apenas um rascunho e deve ser visto como tal. Vá ao menu Formatar, selecione Plano de Fundo e Marca D’Água Impressa. A janela que se abrirá oferecerá duas opções. A primeira é Marca D’Água de Imagem, útil no caso de você desejar incluir o logotipo da sua empresa. Neste caso, clique em Selecionar Imagem, localize a imagem que pretende inserir e clique no botão correspondente. Na segunda opção, Marca D’Água de Texto, você seleciona o texto predefinido que deseja Inserir e, se quiser, altera a fonte, o tamanho, a cor e a orientação do texto. Nos dois casos, clique em Aplicar para finalizar.

TRAÇANDO LINHAS
Tem um jeito bem rápido de desenhar linhas horizontais em seu documento. Se quiser traçar uma linha fina, pressione a tecla correspondente ao hífen três vezes e tecle Enter. Para obter uma linha mais grossa, use o símbolo correspondente ao travessão (é a mesma tecla do hífen, só que usada em combinação com Shift) três vezes e pressione Enter. A mesma dica vale também para a inserção de linhas nas mensagens do Outlook.

TEXTO EM DUAS PARTES
Durante o trabalho em um documento longo, você pode querer comparar duas partes do texto que estão em páginas diferentes, distantes uma da outra. O jeito é usar o recurso de divisão. Há duas maneiras de fazer isso. Abra o menu Janela, selecione Dividir, posicione o divisor no lugar desejado e deixe visíveis na tela as duas partes que devem ser analisadas. Para remover, clique novamente no menu Janela e selecione Remover Divisão. Outro modo é clicar com o mouse no pequeno segmento que se localiza à direita, entre a seta para cima da barra de rolagem e a área dedicada às barras de ferramentas, e arrastar o divisor para o lugar desejado. A remoção é feita da mesma forma que no modo anterior.

ASSINATURA FÁCIL
Escrever, imprimir e assinar uma carta, tudo bem. Mas e se você precisa enviar 100 ou 200 cartas? A dica é usar sua assinatura digitalizada como Auto-Texto. Só é preciso fazer a assinatura numa folha de papel em branco e digitalizá-la com um scanner. Tome o cuidado de eliminar do arquivo tudo que está em volta da firma. Se preferir, use o Word para comandar a digitalização, usando as opções Inserir/ Imagem (Figura, na versão 2002)/Do Scanner ou Câmera. Repita o processo com diferentes resoluções para testar o resultado final. Quando as imagens estiverem salvas, use o menu Inserir/Imagem/Do Arquivo, localize um dos arquivos com a sua assinatura e clique em Inserir. Faça a mesma operação para os arquivos gerados com outras resoluções. Imprima as opções e selecione a melhor. Clique uma vez sobre a imagem de sua preferência para selecioná-la, vá ao menu Formatar, selecione Imagem, abra a guia Layout e selecione Alinhado, na área Disposição do Texto. Para definir a assinatura como um AutoTexto, clique sobre ela, abra Inserir/AutoTexto/Novo. Atribua um nome à entrada de AutoTexto (assin, por exemplo). Sempre que quiser incluir a assinatura, digite o nome que tiver atribuído à entrada e tecle F3.

SEM VIÚVAS
Em tipografia, viúva é uma linha quebrada, com apenas poucas palavras. Órfã é a linha de um parágrafo que sobra no início de uma coluna ou página. Se você não quer que essas sobras deixem seu documento feio, abra o menu Formatar, selecione a guIa Quebra de Linha e de Página e marque Controle de Linhas Órfãs/Viúvas.

NA ORDEM INVERSA
Quando você imprime um documento de muitas páginas, vale a pena usar a impressão na ordem inversa para não perder tempo colocando as folhas na seqüência adequadas. Para fazer isso, abra o menu Ferramentas, selecione Opções e, na guia Imprimir, marque a opção Ordem Inversa.

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sexta-feira, 20 de maio de 2005

OUVINDO A VOZ DOS POETAS

Escutemos, por um instante, a voz dos poetas, porque ela costuma exprimir o que chamamos de "sentimento do mundo", o sentimento da velhice e da juventude perene do mundo, da grandeza e da pequeneza dos humanos ou dos mortais. Assim, o poeta grego Arquíloco escreveu: E não te esqueças, meu coração, que as coisas humanas apenas mudanças incertas são. Outro poeta grego, Teógnis, cantando sobre a brevidade da vida, dizia: Choremos a juventude e a velhice também, pois a primeira foge e a segunda sempre vem. Também o poeta grego Píndaro falava do sentimento das coisas humanas como passageiras: A glória dos mortais num só dia cresce, Mas basta um só dia, contrário e funesto, para que o destino, impiedoso, num gesto a lance por terra e ela, súbito, fenece. Mas não só a vida e os feitos dos humanos são breves e frágeis. Os poetas também exprimem o sentimento de que o mundo é tecido por mudanças e repetições intermináveis. A esse respeito, a poetisa brasileira Orides Fontela escreveu: O vento, a chuva, o sol, o frio Tudo vai e vem, tudo vem e vai. E o poeta brasileiro, Carlos Drummond, por sua vez, lamentou: Como a vida muda. Como a vida é muda. Como a vida é nuda. Como a vida é nada. Como a vida é tudo. ... Como a vida é senha de outra vida nova ... Como a vida é vida ainda quando morte ... Como a vida é forte em suas algemas. ... Como a vida é bela ... Como a vida vale mais que a própria vida sempre renascida. O sentimento de renovação e beleza do mundo, da vida, dos seres humanos é o que transparece nos versos do poeta brasileiro Mário Quintana, nos seguintes versos: Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto É como se abrisse o mesmo livro Numa página nova... E, por isso, em outros versos seus, lemos: O encanto sobrenatural que há nas coisas da Natureza! ... se nela algo te dá encanto ou medo, não me digas que seja feia ou má, é, acaso, singular... Numa das obras poéticas mais importantes da cultura do Ocidente europeu, as Metamorfoses, o poeta romano Ovídio exprimiu todos esses sentimentos que experimentamos diante da mudança, da renovação e da repetição, do nascimento e da morte das coisas e dos seres humanos. Na parte final de sua obra, lemos: Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da noite... Não vês as estações do ano se sucederem, imitando as idades de nossa vida? Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova... A planta nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche de esperança o agricultor. Tudo floresce. O fértil campo resplandece com o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, fecunda e ardente. Chega, por sua vez, o outono: passou o fervor da mocidade, é a quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as têmporas embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam sempre e sem descanso... E também a Natureza não descansa e, renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados... Todos os seres têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o nome de fênix. Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida, constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix, que viverá outros cinco séculos... Assim também é a Natureza e tudo o que nela existe e persiste.

O QUE PERGUNTAVAM OS PRIMEIROS FILÓSOFOS
Por que os seres nascem e morrem? Por que os semelhantes dão origem aos semelhantes, de uma árvore nasce outra árvore, de um cão nasce outro cão, de uma mulher nasce uma criança? Por que os diferentes também parecem fazer surgir os diferentes: o dia parece fazer nascer a noite, o inverno parece fazer surgir a primavera, um objeto escuro clareia com o passar do tempo, um objeto claro escurece com o passar do tempo? Por que tudo muda? A criança se torna adulta, amadurece, envelhece e desaparece. A paisagem, cheia de flores na primavera, vai perdendo o verde e as cores no outono, até ressecar-se e retorcer-se no inverno. Por que um dia luminoso e ensolarado, de céu azul e brisa suave, repentinamente, se torna sombrio, coberto de nuvens, varrido por ventos furiosos, tomado pela tempestade, pelos raios e trovões? Por que a doença invade os corpos, rouba-lhes a cor, a força? Por que o alimento que antes me agradava, agora, que estou doente, me causa repugnância? Por que o som da música que antes me embalava, agora, que estou doente, parece um ruído insuportável? Por que o que parecia uno se multiplica em tantos outros? De uma só árvore, quantas flores e quantos frutos nascem! De uma só gata, quantos gatinhos nascem! Por que as coisas se tornam opostas ao que eram? A água do copo, tão transparente e de boa temperatura, torna-se uma barra dura e gelada, deixa de ser líquida e transparente para tornar-se sólida e acinzentada. O dia, que começa frio e gelado, pouco a pouco, se torna quente e cheio de calor. Por que nada permanece idêntico a si mesmo? De onde vêm os seres? Para onde vão, quando desaparecem? Por que se transformam? Por que se diferenciam uns dos outros? Mas também, por que tudo parece repetir-se? Depois do dia, a noite; depois da noite, o dia. Depois do inverno, a primavera, depois da primavera, o verão, depois deste, o outono e depois deste, novamente o inverno. De dia, o sol; à noite, a lua e as estrelas. Na primavera, o mar é tranqüilo e propício à navegação; no inverno, tempestuoso e inimigo dos homens. O calor leva as águas para o céu e as traz de volta pelas chuvas. Ninguém nasce adulto ou velho, mas sempre criança, que se torna adulto e velho. Foram perguntas como essas que os primeiros filósofos fizeram e para elas buscaram respostas. Sem dúvida, a religião, as tradições e os mitos explicavam todas essas coisas, mas suas explicações já não satisfaziam aos que interrogavam sobre as causas da mudança, da permanência, da repetição, da desaparição e do ressurgimento de todos os seres. Haviam perdido força explicativa, não convenciam nem satisfaziam a quem desejava conhecer a verdade sobre o mundo.

O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
Os historiadores da Filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: final do século VII e início do século VI antes de Cristo, nas colônias gregas da Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região denominada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Além de possuir data e local de nascimento e de possuir seu primeiro autor, a Filosofia também possui um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. A palavra cosmologia é composta de duas outras: cosmos, que significa mundo ordenado e organizado, e logia, que vem da palavra logos, que significa pensamento racional, discurso racional, conhecimento. Assim, a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza, donde, cosmologia. Apesar da segurança desses dados, existe um problema que, durante séculos, vem ocupando os historiadores da Filosofia: o de saber se a Filosofia - que é um fato especificamente grego - nasceu por si mesma ou dependeu de contribuições da sabedoria oriental (egípcios, assírios, persas, caldeus, babilônios) e da sabedoria de civilizações que antecederam à grega, na região que, antes de ser a Grécia ou a Hélade, abrigara as civilizações de Creta, Minos, Tirento e Micenas. Durante muito tempo, considerou-se que a Filosofia nascera por transformações que os gregos operaram na sabedoria oriental (egípcia, persa, caldéia e babilônica). Assim, filósofos como Platão e Aristóteles afirmavam a origem oriental da Filosofia. Os gregos, diziam eles, povo comerciante e navegante, descobriram, através das viagens, a agrimensura dos egípcios (usada para medir as terras, após as cheias do Nilo), a astrologia dos caldeus e dos babilônios (usada para prever grandes guerras, subida e queda de reis, catástrofes como peste, fome, furacões), as genealogias dos persas (usadas para dar continuidade às linhagens e dinastias dos governantes), os mistérios religiosos orientais referentes aos rituais de purificação da alma (para livra-la da reencarnação contínua e garantir-lhe o descanso eterno), etc. A Filosofia teria nascido pelas transformações que os gregos impuseram a esses conhecimentos. Dessa forma, da agrimensura, os gregos fizeram nascer duas ciências: a aritmética e a geometria; da astrologia, fizeram surgir também duas ciências: a astronomia e a meteorologia; das genealogias, fizeram surgir mais uma outra ciência: a história; dos mistérios religiosos de purificação da alma, fizeram surgir as teorias filosóficas sobre a natureza e o destino da alma humana. Todos esses conhecimentos teriam propiciado o aparecimento da Filosofia, isto é, da cosmologia, de sorte que a Filosofia só teria podido nascer graças as saber oriental. Essa idéia de uma filiação oriental da Filosofia foi muito defendida oito séculos depois de seu nascimento (durante os séculos II e III depois de Cristo), no período do Império Romano. Quem a defendia? Os pensadores judaicos, como Filo de Alexandria, e os Padres da Igreja, como Eusébio de Cesaréia e Clemente de Alexandria. Por que defendiam a origem oriental da Filosofia grega? Pelo seguinte motivo: a Filosofia grega tornara-se, em toda a Antigüidade clássica, e para os poderosos da época, os romanos, a forma superior ou mais elevada do pensamento e da moral. Os judeus, para valorizar seu pensamento, desejavam que a Filosofia tivesse uma origem oriental, dizendo que o pensamento de filósofos importantes, como Platão, tinha surgido no Egito, onde se originara o pensamento de Moisés, de modo que havia uma ligação entre a Filosofia grega e a Bíblia. Os Padres da Igreja, por sua vez, queriam mostrar que os ensinamentos de Jesus eram elevados e perfeitos, não eram superstição, nem primitivos e incultos, e por isso mostravam que os filósofos gregos estavam filiados a correntes de pensamento místico e oriental e, dessa maneira, estariam próximos do cristianismo, que é uma religião oriental. No entanto, nem todos aceitaram a tese chamada "orientalista", e muitos, sobretudo no século XIX da nossa era, passaram a falar na Filosofia como sendo o "milagre grego". Com a palavra "milagre" queriam dizer várias coisas:
que a Filosofia surgiu inesperada e espantosamente na Grécia, sem que nada anterior a preparasse;
que a Filosofia grega foi um acontecimento espontâneo, único e sem par, como é próprio de um milagre;
que os gregos foram um povo excepcional, sem nenhum outro semelhante a eles, nem antes e nem depois deles, e por isso somente eles poderiam ter sido capazes de criar a Filosofia, como foram os únicos a criar as ciências e a dar às artes uma elevação que nenhum outro povo conseguiu, nem antes e nem depois deles.

NEM ORIENTAL, NEM MILAGRE
Desde o final do século XIX da nossa era e durante o século XX, estudos históricos, arqueológicos, lingüísticos, literários e artísticos corrigiram os exageros das duas teses, isto é, tanto a redução da Filosofia à sua origem oriental, quanto o "milagre grego". Retirados os exageros do orientalismo, percebe-se que, de fato, a Filosofia tem dívidas com a sabedoria dos orientais, não só porque as viagens colocaram os gregos em contato com os conhecimentos produzidos por outros povos (sobretudo os egípcios, persas, babilônios, assírios e caldeus), mas também porque os dois maiores formadores da cultura grega antiga, os poetas Homero e Hesíodo, encontraram nos mitos e nas religiões dos povos orientais, bem como nas culturas que precederam a grega, os elementos para elaborar a mitologia grega, que, depois, seria transformada racionalmente pelos filósofos. Assim, os estudos recentes mostraram que mitos, cultos religiosos, instrumentos musicais, dança, música, poesia, utensílios domésticos e de trabalho, formas de habitação, formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregos foram resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do Oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega, nas regiões onde ela se implantou. Esses mesmos estudos apontaram, porém, que, se nos afastarmos dos exageros da idéia de um "milagre grego", podemos perceber o que havia de verdadeiro nessa tese. De fato, os gregos imprimiram mudanças de qualidade tão profundas no que receberam do Oriente e das culturas precedentes, que até pareceria terem criado sua própria cultura a partir de si mesmos. Dessas mudanças, podemos mencionar quatro que nos darão uma idéia da originalidade grega:
Com relação aos mitos: quando comparamos os mitos orientais, cretenses, micênicos, minóicos e os que aparecem nos poetas Homero e Hesíodo, vemos que eles retiraram os aspectos apavorantes e monstruosos dos deuses e do início do mundo; humanizaram os deuses, divinizaram os homens; deram racionalidade a narrativas sobre as origens das coisas, dos homens, das instituições humanas (como o trabalho, as leis, a moral);
Com relação aos conhecimentos: os gregos transformaram em ciência (isto é, num conhecimento racional, abstrato e universal) aquilo que eram elementos de uma sabedoria prática para o uso direto na vida.Assim, transformaram em matemática (aritmética, geometria, harmonia) o que eram expedientes práticos para medir, contar e calcular; transformaram em astronomia (conhecimento racional da natureza e do movimento dos astros) aquilo que eram práticas de adivinhação e previsão do futuro; transformaram em medicina (conhecimento racional sobre o corpo humano, a saúde e a doença) aquilo que eram práticas de grupos religiosos secretos para a cura misteriosa das doenças. E assim por diante;
Com relação à organização social e política: os gregos não inventaram apenas a ciência ou a Filosofia, mas inventaram também a política. Todas as sociedades anteriores a eles conheciam e praticavam a autoridade e o governo. Mas, por que não inventaram a política propriamente dita?Nas sociedades orientais e não-gregas, o poder e o governo eram exercidos como autoridade absoluta da vontade pessoal e arbitrária de um só homem ou de um pequeno grupo de homens que decidiam sobre tudo, sem consultar a ninguém e sem justificar suas decisões para ninguém.Os gregos inventaram a política (palavra que vem de polis, que, em grego, significa cidade organizada por leis e instituições) porque instituíram práticas pelas quais as decisões eram tomadas a partir de discussões e debates públicos e eram adotadas ou revogadas por voto em assembléias públicas; porque estabeleceram instituições públicas (tribunais, assembléias, separação entre autoridade do chefe da família e autoridade pública, entre autoridade político-militar e autoridade religiosa) e sobretudo porque criaram a idéia da lei e da justiça como expressões da vontade coletiva pública e não como imposição da vontade de um só ou de um grupo, em nome de divindades.Os gregos criaram a política porque separaram o poder político e duas outras formas tradicionais de autoridade: a do chefe de família e a do sacerdote ou mago;
Com relação ao pensamento: diante da herança recebida, os gregos inventaram a idéia ocidental da razão como um pensamento sistemático que segue regras, normas e leis de valor universal (isto é, válidas em todos os tempos e lugares. Assim, por exemplo, em qualquer tempo e lugar 2 + 2 serão sempre 4; o triângulo sempre terá três lados; o Sol sempre será maior do que a Terra, mesmo que ele pareça menor do que ela, etc.).

MITO E FILOSOFIA
Resolvido esse problema, agora temos um outro que também tem ocupado muito os estudiosos. O novo problema pode ser assim formulado: a Filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os mitos gregos ou nasceu por uma ruptura radical com os mitos? O que é um mito? Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.). A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável. Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três maneiras principais:
Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semidivinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claro-escuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados.Tomemos um exemplo da narrativa mítica.Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido):Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto engenhoso). Dessa relação sexual, nasceu Eros (ou Cupido), que, como sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas, como seu pai, tem mil astúcias para se satisfazer e se fazer amado. Por isso, quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida.
Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.O poeta Homero, na Ilíada, que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha.A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Paris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.
Encontrando as recompensas ou castigos que os deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece.Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra.Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os humanos. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens?Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explica-se, assim, a origem dos males no mundo.
Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e teogonias. A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo gennao (engendrar, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo genos (nascimento, gênese, descendência, gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, como já vimos, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas. Teogonia é uma palavra composta de gonia e theós, que, em grego, significa: as coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A teogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados. Qual é a pergunta dos estudiosos? É a seguinte: A Filosofia, ao nascer, é, como já dissemos, uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a teogonia? Duas foram as respostas dadas. A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do século XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a Filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente. A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade. Por isso, dizia-se que os gregos, como qualquer outro povo, acreditavam em seus mitos e que a Filosofia nasceu, vagarosa e gradualmente, do interior dos próprios mitos, como uma racionalização deles. Atualmente consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a Filosofia, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explicação inteiramente nova e diferente. Quais são as diferenças entre Filosofia e mito? Podemos apontar três como as mais importantes:
O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são;
O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas, enquanto a Filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais.O mito falava em Urano, Ponto e Gaia; a Filosofia fala em céu, mar e terra. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros), terrestres (plantas, animais, homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. A Filosofia explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos - úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar.
O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.

* CONDIÇÕES HISTÓRICAS PARA O SURGIMENTO DA FILOSOFIA
Resolvido esse problema, temos ainda um último a solucionar: O que tornou possível o surgimento da Filosofia na Grécia no final do século VII e no início do século VI antes de Cristo? Quais as condições materiais, isto é, econômicas, sociais, políticas e históricas que permitiram o surgimento da Filosofia? Podemos apontar como principais condições históricas para o surgimento da Filosofia na Grécia:
as viagens marítimas, que permitiram aos gregos descobrir que os locais que os mitos diziam habitados por deuses, titãs e heróis eram, na verdade, habitados por outros seres humanos; e que as regiões dos mares que os mitos diziam habitados por monstros e seres fabulosos não possuíam nem monstros nem seres fabulosos. As viagens produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo, que passou, assim, a exigir uma explicação sobre sua origem, explicação que o mito já não podia oferecer;
a invenção do calendário, que é uma forma de calcular o tempo segundo as estações do ano, as horas do dia, os fatos importantes que se repetem, revelando, com isso, uma capacidade de abstração nova, ou uma percepção do tempo como algo natural e não como um poder divino incompreensível;
a invenção da moeda, que permitiu uma forma de troca que não se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos trocados por semelhança, mas uma troca abstrata, uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, portanto, uma nova capacidade de abstração e de generalização;
o surgimento da vida urbana, com predomínio do comércio e do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famílias da aristocracia proprietária de terras, por quem e para quem os mitos foram criados; além disso, o surgimento de uma classe de comerciantes ricos, que precisava encontrar pontos de poder e de prestígio para suplantar o velho poderio da aristocracia de terras e de sangue (as linhagens constituídas pelas famílias), fez com que se procurasse o prestígio pelo patrocínio e estímulo às artes, às técnicas e aos conhecimentos, favorecendo um ambiente onde a Filosofia poderia surgir;
a invenção da escrita alfabética, que, como a do calendário e a da moeda, revela o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de outras escritas - como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses -, supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia dela, o que dela se pensa e se transcreve;
a invenção da política, que introduz três aspectos novos e decisivos para o nascimento da Filosofia:

A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas. O aspecto legislado e regulado da cidade - da polis - servirá de modelo para a Filosofia propor o aspecto legislado, regulado e ordenado do mundo como um mundo racional.
O surgimento de um espaço público, que faz aparecer um novo tipo de palavra ou de discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito. Neste, um poeta-vidente, que recebia das deusas ligadas à memória (a deusa Mnemosyne, mãe das Musas, que guiavam o poeta) uma iluminação misteriosa ou uma revelação sobrenatural, dizia aos homens quais eram as decisões dos deuses que eles deveriam obedecer.Agora, com a polis, isto é, a cidade política, surge a palavra como direito de cada cidadão de emitir em público sua opinião, discuti-la com os outros, persuadi-los a tomar uma decisão proposta por ele, de tal modo que surge o discurso político como a palavra humana compartilhada, como diálogo, discussão e deliberação humana, isto é, como decisão racional e exposição dos motivos ou das razões para fazer ou não fazer alguma coisa.A política, valorizando o humano, o pensamento, a discussão, a persuasão e a decisão racional, valorizou o pensamento racional e criou condições para que surgisse o discurso ou a palavra filosófica.
A política estimula um pensamento e um discurso que não procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, ser públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos. A idéia de um pensamento que todos podem compreender e discutir, que todos podem comunicar e transmitir, é fundamental para a Filosofia.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA NASCENTE
O pensamento filosófico em seu nascimento tinha como traços principais:
tendência à racionalidade, isto é, a razão e somente a razão, com seus princípios e regras, é o critério da explicação de alguma coisa;
tendência a oferecer respostas conclusivas para os problemas, isto é, colocado um problema, sua solução é submetida à análise, à crítica, à discussão e à demonstração, nunca sendo aceita como uma verdade, se não for provado racionalmente que é verdadeira;
exigência de que o pensamento apresente suas regras de funcionamento, isto é, o filósofo é aquele que justifica suas idéias provando que segue regras universais do pensamento. Para os gregos, é uma lei universal do pensamento que a contradição indica erro ou falsidade. Uma contradição acontece quando afirmo e nego a mesma coisa sobre uma mesma coisa (por exemplo: "Pedro é um menino e não um menino", "A noite é escura e clara", "O infinito não tem limites e é limitado"). Assim, quando uma contradição aparecer numa exposição filosófica, ela deve ser considerada falsa;
recusa de explicações preestabelecidas e, portanto, exigência de que, para cada problema, seja investigada e encontrada a solução própria exigida por ele;
tendência à generalização, isto é, mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas diferentes porque, sob a variação percebida pelos órgãos de nossos sentidos, o pensamento descobre semelhanças e identidades.
Por exemplo, para meus olhos, meu tato e meu olfato, o gelo é diferente da neblina, que é diferente do vapor de uma chaleira, que é diferente da chuva, que é diferente da correnteza de um rio. No entanto, o pensamento mostra que se trata sempre de um mesmo elemento (a água), passando por diferentes estados e formas (líquido, sólido, gasoso), por causas naturais diferentes (condensação, liquefação, evaporação). Reunindo semelhanças, o pensamento conclui que se trata de uma mesma coisa que aparece para nossos sentidos de maneiras diferentes, e como se fossem coisas diferentes. O pensamento generaliza porque abstrai (isto é, separa e reúne os traços semelhantes), ou seja, realiza uma síntese. E o contrário também ocorre. Muitas vezes nossos órgãos dos sentidos nos fazem perceber coisas diferentes como se fossem a mesma coisa, e o pensamento demonstrará que se trata de uma coisa diferente sob a aparência da semelhança. No ano de 1992, no Brasil, os jovens estudantes pintaram a cara com as cores da bandeira nacional e saíram às ruas para exigir o impedimento do presidente da República. Logo depois, os candidatos a prefeituras municipais contrataram jovens para aparecer na televisão com a cara pintada, defendendo tais candidaturas. A seguir, as Forças Armadas brasileiras, para persuadir jovens a servi-las, contrataram jovens caras-pintadas para aparecer como soldados, marinheiros e aviadores. Ao mesmo tempo, várias empresas, pretendendo vender seus produtos aos jovens, contrataram artistas jovens para, de cara pintada, fazer a propaganda de seus produtos. Aparentemente, teríamos sempre a mesma coisa - os jovens rebeldes e conscientes, de cara pintada, símbolo da esperança do País. No entanto, o pensamento pode mostrar que, sob a aparência da semelhança percebida, estão diferenças, pois os primeiros caras-pintadas fizeram um movimento político espontâneo, os segundos fizeram propaganda política para um candidato (e receberam para isso), os terceiros tentaram ajudar as Forças Armadas a aparecer como divertidas e juvenis, e os últimos, mediante remuneração, estavam transferindo para produtos industriais (roupas, calçados, vídeos, margarinas, discos, iogurtes) um símbolo político inteiramente despolitizado e sem nenhuma relação com sua origem. Separando as diferenças, o pensamento realiza, nesse caso, uma análise.

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quinta-feira, 19 de maio de 2005

OS PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA

A Filosofia terá, no correr dos séculos, um conjunto de preocupações, indagações e interesses que lhe vieram de seu nascimento na Grécia. Assim, antes de vermos que campos são esses, examinemos brevemente os conteúdos que a Filosofia possuía na Grécia. Para isso, devemos, primeiro, conhecer os períodos principais da Filosofia grega, pois tais períodos definiram os campos da investigação filosófica na Antigüidade. A história da Grécia costuma ser dividida pelos historiadores em quatro grandes fases ou épocas:
a da Grécia homérica, correspondente aos 400 anos narrados pelo poeta Homero, em seus dois grandes poemas, Ilíada e Odisséia;
a da Grécia arcaica ou dos sete sábios, do século VII ao século V antes de Cristo, quando os gregos criam cidades como Atenas, Esparta, Tebas, Megara, Samos, etc., e predomina a economia urbana, baseada no artesanato e no comércio;
a da Grécia clássica, nos séculos V e IV antes de Cristo, quando a democracia se desenvolve, a vida intelectual e artística entra no apogeu e Atenas domina a Grécia com seu império comercial e militar;
e, finalmente, a época helenística, a partir do final do século IV antes de Cristo, quando a Grécia passa para o poderio do império de Alexandre da Macedônia, e, depois, para as mãos do Império Romano, terminando a história de sua existência independente.
Os períodos da Filosofia não correspondem exatamente a essas épocas, já que ela não existe na Grécia homérica e só aparece nos meados da Grécia arcaica. Entretanto, o apogeu da Filosofia acontece durante o apogeu da cultura e da sociedade gregas; portanto, durante a Grécia clássica. Os quatro grandes períodos da Filosofia grega, nos quais seu conteúdo muda e se enriquece, são:
Período pré-socrático ou cosmológico, do final do século VII ao final do século V a.C., quando a Filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das transformações na Natureza.
Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo o século IV a.C., quando a Filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas (em grego, ântropos quer dizer homem; por isso o período recebeu o nome de antropológico).
Período sistemático, do final do século IV ao final do século III a.C., quando a Filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropologia, interessando-se sobretudo em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência.
Período helenístico ou greco-romano, do final do século III a.C. até o século VI depois de Cristo. Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros Padres da Igreja, a Filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.

FILOSOFIA GREGA
Pode-se perceber que os dois primeiros períodos da Filosofia grega têm como referência o filósofo Sócrates de Atenas, donde a divisão em Filosofia pré-socrática e socrática.
PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO
Os principais filósofos pré-socráticos foram:
filósofos da Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso;
filósofos da Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento;
filósofos da Escola Eleata: Parmênides de Eléia e Zenão de Eléia;
filósofos da Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera.
As principais características da cosmologia são:
É uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da Natureza, da qual os seres humanos fazem parte, de modo que, ao explicar a Natureza, a Filosofia também explica a origem e as mudanças dos seres humanos.
Afirma que não existe criação do mundo, isto é, nega que o mundo tenha surgido do nada (como é o caso, por exemplo, na religião judaico-cristã, na qual Deus cria o mundo do nada). Por isso diz: "Nada vem do nada e nada volta ao nada". Isto significa: a) que o mundo, ou a Natureza, é eterno; b) que no mundo, ou na Natureza, tudo se transforma em outra coisa sem jamais desaparecer, embora a forma particular que uma coisa possua desapareça com ela, mas não sua matéria.
O fundo eterno, perene, imortal, de onde tudo nasce e para onde tudo volta é invisível para os olhos do corpo e visível somente para o olho do espírito, isto é, para o pensamento.
O fundo eterno, perene, imortal e imperecível de onde tudo brota e para onde tudo retorna é o elemento primordial da Natureza e chama-se physis (em grego, physis vem de um verbo que significa fazer surgir, fazer brotar, fazer nascer, produzir). A physis é a Natureza eterna e em perene transformação.
Afirma que, embora a physis (o elemento primordial eterno) seja imperecível, ela dá origem a todos os seres infinitamente variados e diferentes do mundo, seres que, ao contrário do princípio gerador, são perecíveis ou mortais.
Afirma que todos os seres, além de serem gerados e de serem mortais, são seres em contínua transformação, mudando de qualidade (por exemplo, o branco amarelece, acinzenta, enegrece; o negro acinzenta, embranquece; o novo envelhece; o quente esfria; o frio esquenta; o seco fica úmido; o úmido seca; o dia se torna noite; a noite se torna dia; a primavera cede lugar ao verão, que cede lugar ao outono, que cede lugar ao inverno; o saudável adoece; o doente se cura; a criança cresce; a árvore vem da semente e produz sementes, etc.) e mudando de quantidade (o pequeno cresce e fica grande; o grande diminui e fica pequeno; o longe fica perto se eu for até ele, ou se as coisas distantes chegarem até mim, um rio aumenta de volume na cheia e diminui na seca, etc.). Portanto o mundo está em mudança contínua, sem por isso perder sua forma, sua ordem e sua estabilidade.
A mudança - nascer, morrer, mudar de qualidade ou de quantidade - chama-se movimento e o mundo está em movimento permanente. O movimento do mundo chama-se devir e o devir segue leis rigorosas que o pensamento conhece. Essas leis são as que mostram que toda mudança é passagem de um estado ao seu contrário: dia-noite, claro-escuro, quente-frio, seco-úmido, novo-velho, pequeno-grande, bom-mau, cheio-vazio, um-muitos, etc., e também no sentido inverso, noite-dia, escuro-claro, frio-quente, muitos-um, etc. O devir é, portanto, a passagem contínua de uma coisa ao seu estado contrário e essa passagem não é caótica, mas obedece a leis determinadas pela physis ou pelo princípio fundamental do mundo. Os diferentes filósofos escolheram diferentes physis, isto é, cada filósofo encontrou motivos e razões para dizer qual era o princípio eterno e imutável que está na origem da Natureza e de suas transformações. Assim, Tales dizia que o princípio era a água ou o úmido; Anaximandro considerava que era o ilimitado sem qualidades definidas; Anaxímenes, que era o ar ou o frio; Heráclito afirmou que era o fogo; Leucipo e Demócrito disseram que eram os átomos. E assim por diante.
PERÍODO SOCRÁTICO OU ANTROPOLÓGICO
Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu período de esplendor, conhecido como o Século de Péricles. É a época de maior florescimento da democracia. A democracia grega possuía, entre outras, duas características de grande importância para o futuro da Filosofia. Em primeiro lugar, a democracia afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos de participar diretamente do governo da cidade, da polis. Em segundo lugar, e como conseqüência, a democracia, sendo direta e não por eleição de representantes, garantia a todos a participação no governo, e os que dele participavam tinham o direito de exprimir, discutir e defender em público suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Surgia, assim, a figura política do cidadão. (Nota: Devemos observar que estavam excluídos da cidadania o que os gregos chamavam de dependentes: mulheres, escravos, crianças e velhos. Também estavam excluídos os estrangeiros.) Ora, para conseguir que a sua opinião fosse aceita nas assembléias, o cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir. Com isso, uma mudança profunda vai ocorrer na educação grega. Quando não havia democracia, mas dominavam as famílias aristocráticas, senhoras das terras, o poder lhes pertencia. Essas famílias, valendo-se dos dois grandes poetas gregos, Homero e Hesíodo, criaram um padrão de educação, próprio dos aristocratas. Esse padrão afirmava que o homem ideal ou perfeito era o guerreiro belo e bom. Belo: seu corpo era formado pela ginástica, pela dança e pelos jogos de guerra, imitando os heróis da guerra de Tróia (Aquiles, Heitor, Ájax, Ulisses). Bom: seu espírito era formado escutando Homero e Hesíodo, aprendendo as virtudes admiradas pelos deuses e praticadas pelos heróis, a principal delas sendo a coragem diante da morte, na guerra. A virtude era a Arete (excelência e superioridade), própria dos melhores, os aristoi. Quando, porém, a democracia se instala e o poder vai sendo retirado dos aristocratas, esse ideal educativo ou pedagógico também vai sendo substituído por outro. O ideal da educação do Século de Péricles é a formação do cidadão. A Arete é a virtude cívica. Ora, qual é o momento em que o cidadão mais aparece e mais exerce sua cidadania? Quando opina, discute, delibera e vota nas assembléias. Assim, a nova educação estabelece como padrão ideal a formação do bom orador, isto é, aquele que saiba falar em público e persuadir os outros na política. Para dar aos jovens essa educação, substituindo a educação antiga dos poetas, surgiram, na Grécia, os sofistas, que são os primeiros filósofos do período socrático. Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas. Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida da polis. Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica, afirmando ser possível ensinar aos jovens tal arte para que fossem bons cidadãos. Que arte era esta? A arte da persuasão. Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para os jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A, depois a posição ou opinião contrária, não-A, de modo que, numa assembléia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma opinião e ganhassem a discussão. O filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade. Como homem de seu tempo, Sócrates concordava com os sofistas em um ponto: por um lado, a educação antiga do guerreiro belo e bom já não atendia às exigências da sociedade grega, e, por outro lado, os filósofos cosmologistas defendiam idéias tão contrárias entre si que também não eram uma fonte segura para o conhecimento verdadeiro. (Nota: Historicamente, há dificuldade para conhecer o pensamento dos grandes sofistas porque não possuímos seus textos. Restaram fragmentos apenas. Por isso, nós os conhecemos pelo que deles disseram seus adversários - Platão, Xenofonte, Aristóteles - e não temos como saber se estes foram justos com aqueles. Os historiadores mais recentes consideram os sofistas verdadeiros representantes do espírito democrático, isto é, da pluralidade conflituosa de opiniões e interesses, enquanto seus adversários seriam partidários de uma política aristocrática, na qual somente algumas opiniões e interesses teriam o direito para valer para o restante da sociedade.) Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates? Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão "conhece-te a ti mesmo" que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates. Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade. O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão. Que retrato Platão nos deixa de seu mestre, Sócrates? O de um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembléia indagando a cada um: "Você sabe o que é isso que você está dizendo?", "Você sabe o que é isso em que você acredita?", "Você acha que está conhecendo realmente aquilo em que acredita, aquilo em que está pensando, aquilo que está dizendo?", "Você diz", falava Sócrates, "que a coragem é importante, mas: o que é a coragem? Você acredita que a justiça é importante, mas: o que é a justiça? Você diz que ama as coisas e as pessoas belas, mas o que é a beleza? Você crê que seus amigos são a melhor coisa que você tem, mas: o que é a amizade?" Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre "o que é?", descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, que soubesse as respostas às perguntas, como os sofistas pareciam saber, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: "Eu também não sei, por isso estou perguntando". Donde a famosa expressão atribuída a ele: "Sei que nada sei". A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma idéia, um valor é verdadeiramente. Procurava a essência verdadeira da coisa, da idéia, do valor. Procurava o conceito e não a mera opinião que temos de nós mesmos, das coisas, das idéias e dos valores. Qual a diferença entre uma opinião e um conceito? A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma coisa. Por isso, Sócrates não perguntava se tal ou qual coisa era bela - pois nossa opinião sobre ela pode variar - e sim: O que é a beleza? Qual é a essência ou o conceito do belo? Do justo? Do amor? Da amizade? Sócrates perguntava: Que razões rigorosas você possui para dizer o que diz e para pensar o que pensa? Qual é o fundamento racional daquilo que você fala e pensa? Ora, as perguntas de Sócrates se referiam a idéias, valores, práticas e comportamentos que os atenienses julgavam certos e verdadeiros em si mesmos e por si mesmos. Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates os fazia pensar não só sobre si mesmos, mas também sobre a polis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto. Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno - a cicuta - e obrigado a suicidar-se. Por que Sócrates não se defendeu? "Porque", dizia ele, "se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter que renunciar à Filosofia". O julgamento e a morte de Sócrates são narrados por Platão numa obra intitulada Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates, feita por seus discípulos, contra Atenas. Sócrates nunca escreveu. O que sabemos de seus pensamentos encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o mais importante deles. Se reunirmos o que esse filósofo escreveu sobre os sofistas e sobre Sócrates, além da exposição de suas próprias idéias, poderemos apresentar como características gerais do período socrático:
A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas.
O ponto de partida da Filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência delas.
Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcança-lo em tudo o que investiguemos.
A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as idéias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos.
Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os ideais do sábio e do verdadeiro cidadão.
É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as idéias. As idéias se referem à essência íntima, invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões.
A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária.
A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.
A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.

O MITO DA CAVERNA
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna. Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria liberta-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silencia-lo com suas caçoadas, tentariam faze-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por mata-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade. O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.
PERÍODO SISTEMÁTICO
Este período tem como principal nome o filósofo Aristóteles de Estagira, discípulo de Platão. Passados quase quatro séculos de Filosofia, Aristóteles apresenta, nesse período, uma verdadeira enciclopédia de todo o saber que foi produzido e acumulado pelos gregos em todos os ramos do pensamento e da prática considerando essa totalidade de saberes como sendo a Filosofia. Esta, portanto, não é um saber específico sobre algum assunto, mas uma forma de conhecer todas as coisas, possuindo procedimentos diferentes para cada campo de coisas que conhece. Além de a Filosofia ser o conhecimento da totalidade dos conhecimentos e práticas humanas, ela também estabelece uma diferença entre esses conhecimentos, distribuindo-os numa escala que vai dos mais simples e inferiores aos mais complexos e superiores. Essa classificação e distribuição dos conhecimentos fixou, para o pensamento ocidental, os campos de investigação da Filosofia como totalidade do saber humano. Cada saber, no campo que lhe é próprio, possui seu objeto específico, procedimentos específicos para sua aquisição e exposição, formas próprias de demonstração e prova. Cada campo do conhecimento é uma ciência (ciência, em grego, é episteme). Aristóteles afirma que, antes de um conhecimento constituir seu objeto e seu campo próprios, seus procedimentos próprios de aquisição e exposição, de demonstração e de prova, deve, primeiro, conhecer as leis gerais que governam o pensamento, independentemente do conteúdo que possa vir a ter. O estudo das formas gerais do pensamento, sem preocupação com seu conteúdo, chama-se lógica, e Aristóteles foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber. A lógica não é uma ciência, mas o instrumento para a ciência e, por isso, na classificação das ciências feita por Aristóteles, a lógica não aparece, embora ela seja indispensável para a Filosofia e, mais tarde, tenha se tornado um dos ramos específicos dela.
OS CAMPOS DO CONHECIMENTO FILOSÓFICO
Vejamos, pois, a classificação aristotélica:
Ciências produtivas: ciências que estudam as práticas produtivas ou as técnicas, isto é, as ações humanas cuja finalidade está para além da própria ação, pois a finalidade é a produção de um objeto, de uma obra. São elas: arquitetura (cujo fim é a edificação de alguma coisa), economia (cujo fim é a produção agrícola, o artesanato e o comércio, isto é, produtos para a sobrevivência e para o acúmulo de riquezas), medicina (cujo fim é produzir a saúde ou a cura), pintura, escultura, poesia, teatro, oratória, arte da guerra, da caça, da navegação, etc. Em suma, todas as atividades humanas técnicas e artísticas que resultam num produto ou numa obra.
Ciências práticas: ciências que estudam as práticas humanas enquanto ações que têm nelas mesmas seu próprio fim, isto é, a finalidade da ação se realiza nela mesma, é o próprio ato realizado. São elas: ética, em que a ação é realizada pela vontade guiada pela razão para alcançar o bem do indivíduo, sendo este bem as virtudes morais (coragem, generosidade, fidelidade, lealdade, clemência, prudência, amizade, justiça, modéstia, honradez, temperança, etc.); e política, em que a ação é realizada pela vontade guiada pela razão para ter como fim o bem da comunidade ou o bem comum. Para Aristóteles, como para todo grego da época clássica, a política é superior à ética, pois a verdadeira liberdade, sem a qual não pode haver vida virtuosa, só é conseguida na polis. Por isso, a finalidade da política é a vida justa, a vida boa e bela, a vida livre.
Ciências teoréticas, contemplativas ou teóricas: são aquelas que estudam coisas que existem independentemente dos homens e de suas ações e que, não tendo sido feitas pelos homens, só podem ser contempladas por eles. Theoria, em grego, significa contemplação da verdade. O que são as coisas que existem por si mesmas e em si mesmas, independentes de nossa ação fabricadora (técnica) e de nossa ação moral e política? São as coisas da Natureza e as coisas divinas. Aristóteles, aqui, classifica também por graus de superioridade as ciências teóricas, indo da mais inferior à superior:
ciência das coisas naturais submetidas à mudança ou ao devir: física, biologia, meteorologia, psicologia (pois a alma, que em grego se diz psychê, é um ser natural, existindo de formas variadas em todos os seres vivos, plantas, animais e homens);
ciência das coisas naturais que não estão submetidas à mudança ou ao devir: as matemáticas e a astronomia (os gregos julgavam que os astros eram eternos e imutáveis);
ciência da realidade pura, que não é nem natural mutável, nem natural imutável, nem resultado da ação humana, nem resultado da fabricação humana. Trata-se daquilo que deve haver em toda e qualquer realidade, seja ela natural, matemática, ética, política ou técnica, para ser realidade. É o que Aristóteles chama de ser ou substância de tudo o que existe. A ciência teórica que estuda o puro ser chama-se metafísica;
ciência teórica das coisas divinas que são a causa e a finalidade de tudo o que existe na Natureza e no homem. Vimos que as coisas divinas são chamadas de theion e, por isso, esta última ciência chama-se teologia.
A Filosofia, para Aristóteles, encontra seu ponto mais alto na metafísica e na teologia, de onde derivam todos os outros conhecimentos. A partir da classificação aristotélica, definiu-se, no correr dos séculos, o grande campo da investigação filosófica, campo que só seria desfeito no século XIX da nossa era, quando as ciências particulares se foram separando do tronco geral da Filosofia. Assim, podemos dizer que os campos da investigação filosófica são três:
O do conhecimento da realidade última de todos os seres, ou da essência de toda a realidade. Como, em grego, ser se diz on e os seres se diz ta onta, este campo é chamado de ontologia (que, na linguagem de Aristóteles, se formava com a metafísica e a teologia).
O do conhecimento das ações humanas ou dos valores e das finalidades da ação humana: das ações que têm em si mesmas sua finalidade, a ética e a política, ou a vida moral (valores morais) e a vida política (valores políticos); e das ações que têm sua finalidade num produto ou numa obra: as técnicas e as artes e seus valores (utilidade, beleza, etc.).
O do conhecimento da capacidade humana de conhecer, isto é, o conhecimento do próprio pensamento em exercício. Aqui, distinguem-se: a lógica, que oferece as leis gerais do pensamento; a teoria do conhecimento, que oferece os procedimentos pelos quais conhecemos; as ciências propriamente ditas e o conhecimento do conhecimento científico, isto é, a epistemologia.
Ser ou realidade, prática ou ação segundo valores, conhecimento do pensamento em suas leis gerais e em suas leis específicas em cada ciência: eis os campos da atividade ou investigação filosófica.
PERÍODO HELENÍSTICO
Trata-se do último período da Filosofia antiga, quando a polis grega desapareceu como centro político, deixando de ser referência principal dos filósofos, uma vez que a Grécia encontra-se sob o poderio do Império Romano. Os filósofos dizem, agora, que o mundo é sua cidade e que são cidadãos do mundo. Em grego, mundo se diz cosmos e esse período é chamado o da Filosofia cosmopolita. Essa época da Filosofia é constituída por grandes sistemas ou doutrinas, isto é, explicações totalizantes sobre a Natureza, o homem, as relações entre ambos e deles com a divindade (esta, em geral, pensada como Providência divina que instaura e conserva a ordem universal). Predominam preocupações com a ética - pois os filósofos já não podem ocupar-se diretamente com a política -, a física, a teologia e a religião. Datam desse período quatro grandes sistemas cuja influência será sentida pelo pensamento cristão, que começa a formar-se nessa época: estoicismo, epicurismo, ceticismo e neoplatonismo. A amplidão do Império Romano, a presença crescente de religiões orientais no Império, os contatos comerciais e culturais entre ocidente e oriente fizeram aumentar os contatos dos filósofos helenistas com a sabedoria oriental. Podemos falar numa orientalização da Filosofia, sobretudo nos aspectos místicos e religiosos.

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